CONTOS DESTA E DOUTRA VIDA - IRMÃO X

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CONTOS DESTA E DOUTRA VIDA - IRMÃO X

Mensagem  O_Canto_da_Ave em Sab Maio 07, 2011 9:27 pm

CONTOS DESTA E DOUTRA VIDA
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

PELO ESPÍRITO IRMÃO X

“O bom livro é tesouro de Amor e Sabedoria.
Na sua claridade, santificamos a experiência de cada dia, encontramos horizontes novos e erguemos o próprio coração para a vida mais alta.”


Emmanuel – Cartas do Coração.

Meu amigo:
Os direitos autorais de livros espíritas são doados a instituições de caridade, por isso se dispõe de recursos para comprá-los, compre-os, pois seu auxílio é muito importante.

DE INÍCIO

1 - MEDIUNIDADE
2 - FÁBULA SIMPLES
3 - O FERREIRO INTRANSIGENTE
4 - APRENDIZES E ADVERSÁRIOS
5 - O ANJO CINZENTO
6 - TELEFONEMA INESPERADO
7 - SERVIR MAIS
8 - MACÁRIO FAGUNDES
9 - EXAME DE VIRTUDE
10 - EM NOME DE JESUS
11 - APUROS DE UM MORTO
12 - VERDUGO E VÍTIMA
13 - A ÚNICA DÁDIVA
14 - A RESPOSTA DO BENFEITOR
15 - POSIÇÕES
16 - A LIÇÃO MAIOR
17 - FESTAS
18 - DIÁRIO DE UM MÉDIUM
19 - A CASCA DE BANANA
20 - T. B. C.
21 - RELIGIÕES IRMANADAS
22 - PUREZA EM BRANCO
23 - ELES VIVERÃO
24 - O ANJO, O SANTO E O PECADOR
25 - SURPRESA
26 - O SEGREDO DA JUVENTUDE
27 - NA VINHA DO SENHOR
28 - EXAME DE FÉ
29 - O ESCRIBA INCRÉDULO
30 - CANDIDATO À REDENÇÃO
31 - A CAMPANHA DA PAZ
32 - UM DESASTRE
33 – NOTÍCIAS DE JONAS
34 – O MANCEBO RICO
35 - TALIDOMIDA
36 - CARTA SINGULAR
37 - MÉDIUNS ESPÍRITAS
38 - DECISÃO NAS TREVAS
39 - ÁLBUM MATERNO
40 - O GRUPO PERFEITO


Última edição por O_Canto_da_Ave em Dom Jul 24, 2011 11:24 pm, editado 1 vez(es)

O_Canto_da_Ave

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Re: CONTOS DESTA E DOUTRA VIDA - IRMÃO X

Mensagem  O_Canto_da_Ave em Sab Maio 07, 2011 9:28 pm

DE INÍCIO

Devotado amigo espiritual costuma dizer-nos que há livros – revelações, livros – tesouros, livros – bálsamos, livros – refeições, livros – venenos, livros – bombas.

Propomo-nos definir este volume como sendo prato inofensivo – lanche mental leve e simples –, aspirando a ser útil aos viajores da terra, seja na travessia de pequenas dificuldades ou na indagação construtiva para a escolha de rumos.

Ao alinhavar-lhe as páginas, no texto das quais reunimos, despretensiosamente, algumas sugestões e lições do quotidiano, não tivemos a menor preocupação de artesanato e nem qualquer intento de impressionar pelo manejo de citas e cinzéis.

Aqui, neste punhado de crónicas humildes, encontrará o leitor amigo apenas o desejo de aprender com todos, na permuta de ideias e sentimentos que nos restaurem as energias da alma, em ágape ligeiro, sem mergulhar, de modo profundo, nas realidades da vida.

Em nos referindo a repasto breve nos valores do espírito, sem maior imersão no conhecimento superior, dir-se-á talvez que ignoramos o engano de Esaú, trocando com Jacob os direitos da primogenitura por uma tigela de lentilhas, atitude estouvada num caçador exímio qual o neto de Abraão, perfeitamente capaz de esperar pelos quitutes de Rebeca.

Cabe-nos declarar, formalmente, que não desconsideramos, de maneira alguma, a necessidade do estudo e da meditação, diante dos problemas do Universo, que nos compelem ao trato dos livros – luzes;
nós, porém, os homens desencarnados - companheiros e devedores da multidão terrestre, atormentada pela fome de paz e esclarecimento -, não podemos olvidar que Jesus, ante o povo exausto e doente, ensinou a verdade mas multiplicou também o pão.

Irmão X
Uberaba, 20 de janeiro de 1964.

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Re: CONTOS DESTA E DOUTRA VIDA - IRMÃO X

Mensagem  O_Canto_da_Ave em Sab Maio 07, 2011 9:28 pm

1 - MEDIUNIDADE

No limiar do sono, Adelino Saraiva inquiria em prece:
“Senhor, por que motivo tanta indiferença dos homens, perante a mediunidade?

Prodígios aparecem, maravilhas se fazem.
A sobrevivência, para lá da morte, é matéria provada.

Há mais de um século, Senhor, medianeiros inúmeros hão nascido entre os homens, entregando às nações constantes mensagens da vida eterna.

Porque razão a distância entre a fé e a ciência?
Não seria justo obrigar o poder humano a render-se?

Porque adiar a padronização da energia mediúnica, através da qual os desencarnados se exprimam, de maneira inequívoca, compelindo os povos a reconhecerem a vida, além?

Sob o crivo de mentes múltiplas, a mediunidade parece combater a si própria...

Entretanto, Senhor, se controlada pela administração terrestre, indiscutivelmente proporcionará demonstrações matemáticas, afirmando-se em certezas irremovíveis, qual acontece à radiofonia e à televisão.”


Saraiva entrou em sonho e, como se fosse arrebatado de improviso, reconheceu-se em cidade enorme.

Ele, médium abnegado, continuava médium;
contudo, facto estranho, via-se num carro faustoso, escoltado por assessores atentos.

Sentia-se nimbado de importância pessoal, mas constrangido por fiscalização rigorosa.

Depois de longo trajecto por ruas e praças, em que lhe era dado observar o temor e a veneração que os circunstantes lhe tributavam, atingiu palácio soberbo, onde outros médiuns o esperavam.

Reparou que ele e os demais trajavam roupa a carácter, conforme o grau de autoridade que lhes era atribuído.

Túnicas douradas, faixas róseas, auréolas de prata, símbolos, anéis, amuletos...
Ante as ordens de um chefe, acomodaram-se em poltronas para a recepção da palavra nascida nos planos superiores.

Surpreendido, porém, notou que ali, naquele monumento de governança onde a mediunidade era absolutamente reverenciada e reconhecida, a mensagem dos instrutores desencarnados não encontrava curso livre.

As lições e apelos da Esfera Sublime sofriam podas e enxertos, segundo as conveniências dos maiorais.

Espíritos generosos e amigos deviam ceder lugar a vampiros astuciosos que inspiravam projectos de exploração e influência.

Conservava-se o nome de Deus e a custódia do Evangelho nas legendas da luzidia reunião;
contudo, à socapa, os directores do conclave, não obstante aparente respeito aos dons medianímicos, torciam as revelações na pauta dos interesses políticos.

Finança e prestígio social, luxo e dominação surgiam na ponta.
Ninguém queria saber de justiça divina e fraternidade humana.
Que a Humanidade ficasse onde estava, que o povo era besta de carga, desde o princípio do mundo.

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Re: CONTOS DESTA E DOUTRA VIDA - IRMÃO X

Mensagem  O_Canto_da_Ave em Sab Maio 07, 2011 9:29 pm

Progredisse quem quisesse.
Nada de auxílio espontâneo.
Só o grupo prepotente devia mandar.

Conversava-se, em nome de Jesus, mas não faltava ali mesmo quem se referisse ao suposto fracasso do Mestre.

Nem o Cristo havia escapado à condenação.
Que companheiro algum fosse tão tolo ao ponto de provocar o levantamento de novas cruzes.

Que o mundo espiritual existia, era assunto pacífico; no entanto, que ninguém se despreocupasse do bolso cheio e da mesa farta, na própria Terra, ainda que isso custasse suor e sangue dos semelhantes.

Ergue-se Adelino, corajoso, e protestou veemente.
Esclareceu que a mediunidade é instrumento do Senhor para alívio e instrução de todas as criaturas.

Não devia sofrer restrições ou converter-se em agentes de sindicatos das trevas, à maneira dessa ou daquela preciosa força da Natureza, jugulada pelos empresários do crime e pelos fazedores da morte...

Saraiva gritou, agitou-se, explicou e indignou-se, mas, por resposta, foi atado de pés e mãos e, em seguida, lançado ao silêncio do cárcere.

Debatia-se, apavorado, na laje fria, cercado de aranhas e escorpiões, quando acordou, no leito, suarento e desfigurado, verificando que a experiência não passara de um pesadelo...

Saraiva sentou-se e reflectiu maduramente.

Logo após, colocando-se em prece para agradecer a lição recebida, viu Rogério, o amigo espiritual, que o assistia nas tarefas comuns, a dizer-lhe, bem-humorado:
- Compreendeu, meu filho?

Vocês consideram estranha a atitude do Plano Superior, deixando a mediunidade ao alcance de todos, muitas vezes submetida aos caprichos de cada um, embora com a luz da Doutrina Espírita a plasmar-lhe o roteiro;
contudo, enquanto os governantes do mundo não se edificarem nos merecimentos do espírito, se não quisermos ser dinamite no carro da perturbação e da violência, é necessário sofrer o desprezo dos poderosos e continuar assim mesmo.

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Re: CONTOS DESTA E DOUTRA VIDA - IRMÃO X

Mensagem  O_Canto_da_Ave em Sab Maio 07, 2011 9:30 pm

2 - FÁBULA SIMPLES

Quando o diamante já talhado se abeirou da pedra preciosa, saída de cerro áspero, clamou, irritadiço:
- Que coisa informe!
Rugosidades por todos os lados!...
Que farei de semelhante aborto da Natureza?


E roçou, com superioridade, sobre a pedra bruta.
A pobrezinha, mal saída do solo em que dormira por milénios, sentindo-se melindrada, tentou reclamar;
entretanto, ao observar o clivador, cheio de esperança na utilidade que ela podia oferecer, calou-se.

Findo o dia, o operário recebeu o salário que lhe competia e contemplou-a, tomado de gratidão.

A pedra intimamente compensada, esperou.

No dia seguinte, veio o martelo cónico e, desapiedado, riu-se dela, exclamando:
- Nariz de rochedo, quem teria o mau gosto de aperfeiçoar-te?
Porque a infelicidade de entrar em comunhão contigo, seixo maldito?

O cristal sofredor ia revidar, mas vendo que o trabalhador, que mobilizaria a massa contra ele, o mirava com enternecimento, preferiu silenciar, entregando-se paciente à nova operação de lapidagem.

Sabendo, em seguida, que o operário obtinha, feliz, substanciosa paga, reconheceu-se igualmente enriquecido.

Mais tarde, apareceu o pó de diamante, que gritou, irónico:
- Porque a humilhação de trabalhar essa pedra amarelada e baça?
Quem teria descoberto esse calhau feio e desvalioso?

A pedra ia responder, protestando; contudo, reparou que o lapidário a fixava com respeito, denotando entender-lhe a nobreza interior, e, em homenagem àquele silencioso admirador de sua beleza, emudeceu e deixou-se torturar.

Quando o lapidador recolheu o pagamento que lhe cabia, deu-se ela por bem remunerada.

Logo após chegou a mó de polir, que falou, mordaz:
- Esta velha cristalização de carbono é indigna de qualquer tratamento...
Que poderá resultar dela?
Porque perder tempo com este aleijão da mina?

A pedra propunha-se aclarar a situação; contudo, notando a jubilosa expectativa do artífice, que lhe identificara a grandeza, aquietou-se, obediente, e suportou com calma todos os insultos que lhe foram desferidos sobre as faces, até que o próprio polidor a acariciou, venturosamente.

Sem perceber-lhe o valor, o diamante talhado, o martelo, o pó de diamante e a mó viram-na sair, colada ao coração do operário, em triunfo, permanecendo espantados e ignorantes, na sombra da suja caverna de lapidação em que a presença deles tinha razão de ser.

Passados alguns dias, a pedra convertida em soberbo brilhante foi engastada no ceptro do governador do seu país natal, passando a viver, querida e abençoada, sob a veneração de todos.

Se encontras-te no mundo criaturas que se fizeram diamante descaridoso, martelo impiedoso, pó irónico ou mó sarcástica sobre o réu coração, suporta-as com paciência, por amor daqueles que caminham contigo, e espera, sem desânimo, porque, um dia, transformada a tua alma em celeste clarão, virás à furna terrestre agradecer-lhes as exigências e os infortúnios com que te alçaram à glória dos cimos!...

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Re: CONTOS DESTA E DOUTRA VIDA - IRMÃO X

Mensagem  O_Canto_da_Ave em Sab Maio 07, 2011 9:30 pm

3 - O FERREIRO INTRANSIGENTE

Comentávamos o problema da compaixão, quando se abeirou de nós antigo orientador e narrou, bem-humorado:
- Conheci um caso interessante na Idade Média.

Em que pequenina aldeia do Velho Mundo que os séculos já transformaram, jovem ferreiro apaixonou-se pelo rigor da justiça.

Integrando certa facção política, considerava todas as pessoas que lhe não esposassem os pontos de vista por inimigos a combater.

Atrabiliário e sectarista, imaginava os mais difíceis processos de perseguição aos adversários.

A tolerância representava para ele grave delito.
Se alguém não rezasse por sua cartilha, ficava assinalado a ponto escuro.

Disposto a contendas, embora a posição humilde que desfrutava, sabia complicar a situação dos desafectos, urdindo intrigas e ciladas contra eles.

Assim é que, certa feita, procurou o juiz que regia a comuna com benevolência e equidade e propôs-lhe a reconstrução do cárcere.

A enxovia desmoronava-se.
Qualquer malfeitor provocava facilmente a evasão.
As grades frágeis cediam ao assalto de qualquer um.

Impossível o trabalho da detenção.
Era necessário sustar o insulto à polícia.
Oferecia-se, desse modo, para sanar o problema.

Daria novo aspecto ao cubículo.
Prisão que fosse prisão.

O magistrado, velho experiente e bondoso, observou:
- Meu filho, a justiça deve ser exercida com amor, para que se não converta em crueldade, porque lá vem um dia em que precisamos ser justiçados por nossa vez.

O moço, porém, insistiu.
A cadeia menosprezada não merecia respeito.
Tanto reclamou que atingiu o objectivo a que se proponha.

Recebendo a concessão para reformar o cárcere, esmerou-se quanto pôde.

Deu nova feição às grades.
Criou um sistema de cadeados, pelo qual era impossível a escapatória.

E no centro do acanhado recinto levantou pesada coluna de ferro, com algemas laboriosamente trabalhadas, impedindo a movimentação de quem fosse jungido a semelhante pelourinho.

A ideia foi bem sucedida.
O serviço revelou-se tão eficiente que o jovem artífice foi procurado por autoridades de outros recantos e larga prosperidade abriu-lhe as portas.

A novidade ofereceu-lhe fama e fortuna.
Durante vinte anos, coadjuvado por operários diversos, o nosso ambicioso amigo fabricou prisões para numerosas cidades do seu tempo.

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Re: CONTOS DESTA E DOUTRA VIDA - IRMÃO X

Mensagem  O_Canto_da_Ave em Sab Maio 07, 2011 9:31 pm

Senhor de vasto património material, transferiu residência do vilarejo provinciano para grande metrópole e, certa noite supondo defender-se, cometeu leve falta que inimigos gratuitos se incumbiram de solenizar.

O antigo ferreiro foi preso, de imediato.

Internado, mentalizou a ajuda de companheiros que o auxiliassem na fuga, mas, assombrado, reconheceu, pela marca dos ferros, que fora trancafiado num cárcere de sua própria fabricação, sofrendo rigorosa pena que, começando por acabrunhá-lo, acabou por infligir-lhe a morte.

Terminada a história rápida, fixou-nos de maneira expressiva e rematou:
- Somente a compaixão pode salvar-nos, soerguendo-nos do abismo de nossas próprias faltas.

Qualquer punição extremada que receitarmos para os outros será como a prisão do ferreiro intransigente.

Os laços que armarmos contra o próximo serão inevitável flagelo para nós mesmos.

Logo após, sem dar-nos tempo para qualquer indagação, sorriu com serenidade e seguiu adiante.

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Re: CONTOS DESTA E DOUTRA VIDA - IRMÃO X

Mensagem  O_Canto_da_Ave em Sab Maio 07, 2011 9:31 pm

4 - APRENDIZES E ADVERSÁRIOS

Jonathan, Jessé e Eliakim, funcionários do, Templo de Jerusalém, passando por Cafarnaum, procuraram Jesus no singelo domicílio de Simão Pedro.

Recebidos pelo Senhor, entregaram-se, de imediato, à conversação.

- Mestre ¯ disse o primeiro ¯, soubemos que a tua palavra traz ao mundo as Boas Novas do Reino de Deus e, entusiasmados com as tuas concepções, hipotecamos ao teu ministério o nosso aplauso irrestrito.

Aspiramos, Senhor, à posição de discípulos teus...
Não obstante as obrigações que nos prendem ao sagrado Tabernáculo de Israel, anelamos servir-te, aceitando-te as ideias e lições, com as quais seremos colunas de tua causa na cidade eleita do Povo Escolhido...

Contudo, antes de solenizar nossos votos, desejamos ouvir-te quanto à conduta que nos compete à frente dos inimigos...

- Messias, somos hostilizados por terríveis desafectos, no Santuário - exclamou o segundo - , e, extasiados com os teus ensinamentos, estimaríamos acolher-te a orientação.

- Filho de Deus- pediu o terceiro - , ensina-nos como agir...

Jesus meditou alguns instantes, e respondeu:
- Primeiramente, é justo considerar nossos adversários como instrutores.

O inimigo vê junto de nós a sombra que o amigo não deseja ver e pode ajudar-nos a fazer mais luz no caminho que nos é próprio.

Cabe-nos, desse modo, tolerar-lhe as admoestações, com nobreza e serenidade, tal qual o ferro, que após sofrer, paciente, o calor da forja, ainda suporta os golpes do malho com dignidade humilde, a fim de se adaptar à utilidade e à beleza.

Os visitantes entreolharam-se, perplexos, e Jonathan retomou a palavra, perguntando:
- Senhor, e se somos injuriados?

- Adoptemos o perdão e o silêncio- disse Jesus.
- Muita gente que insulta é vítima de perturbação e enfermidade.

- E se formos perseguidos?- indagou Jessé.
- Utilizemos a oração em favor daqueles que nos afligem, para que não venhamos a cair no escuro nível da ignorância a que se acolhem.

- Mestre, e se nos baterem, esmurrarem? - interrogou Eliakim - que fazer se a violência nos avilta e confunde?

- Ainda assim - esclareceu o brando interpelado -, a paz íntima deve ser nosso asilo e o amor fraterno a nossa atitude, porquanto, quem procura seviciar o próximo e dilacerá-lo está louco e merece compaixão.

- Senhor - insistiu Jonathan - que resposta oferecer, então, à maledicência, à calúnia e à perversidade?

O Cristo sorriu e precisou:
- O maledicente guarda consigo o infortúnio de descer à condição do verme que se alimenta com o lixo do mundo, o caluniador traz no coração largas doses de fel e veneno que lhe flagelam a vida, e o perverso tem a infelicidade de cair nas armadilhas que tece para os outros.

O perdão é a única resposta que merecem, porque são bastante desditosos por si mesmos.

- E que reacção assumir perante os que perseguem?- inquiriu Jessé, preocupado.
- Quem persegue os semelhantes tem o espírito em densas trevas e mais se assemelha ao cego desesperado que investe contra os fantasmas da própria imaginação, arrojando-se ao fosso do sofrimento.

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Re: CONTOS DESTA E DOUTRA VIDA - IRMÃO X

Mensagem  O_Canto_da_Ave em Sab Maio 07, 2011 9:32 pm

Por esse motivo, o socorro espiritual é o melhor remédio para os que nos atormentam...

- E que punição reservar aos que nos ferem o corpo, assaltando-nos o brio?- perguntou Eliakim espantado.
Refiro-me àqueles que nos vergastam a face e fazem sangrar o peito...

- Quem golpeia pela espada, pela espada será golpeado também, até que reine o Amor Puro na Terra - explicou o Mestre, sem pestanejar.

- Quem se rende às sugestões do crime é um doente perigoso que devemos corrigir com a reclusão e com o tratamento indispensável.

O sangue não apaga o sangue e o mal não rectifica o mal...

E, espraiando o olhar doce e lúcido pelos circunstantes, continuou:
- É imperioso saibamos amar e educar os semelhantes com a força de nossas convicções e conhecimentos, a fim de que o Reino de Deus se estenda no mundo...

As Boas Novas de Salvação esperam que o santo ampare o pecador, que o são ajude o enfermo, que a vítima auxilie o verdugo...

Para isso, é imprescindível que o perdão incondicional, com o olvido de todas as ofensas, assegure a paz e a renovação de tudo...

Nesse ínterim, uma criança doente chorou em alta voz num aposento contíguo.

O Mestre pediu alguns instantes de espera e saiu para socorrê-la, mas, ao regressar, debalde buscou a presença dos aprendizes fervorosos e entusiastas.

Na sala modesta de Pedro não havia ninguém.

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Re: CONTOS DESTA E DOUTRA VIDA - IRMÃO X

Mensagem  O_Canto_da_Ave em Sab Maio 07, 2011 9:32 pm

5 - O ANJO CINZENTO

Para que o Homem adquirisse confiança em Sua Bondade Infinita, determinou o Senhor que vários Anjos o amparassem na Terra, amorosamente...

Em razão disso, quando mal saía do berço, aproximou-se dele um Anjo Lirial que, aproveitando os lábios daquela que se lhe constituíra em mãezinha adorável, lhe ensinou a repetir:
- Deus...Pai do Céu... Papai do Céu...
Era o Anjo da Pureza.

Mais tarde, soletrando o alfabeto, entre as paredes da escola, acercou-se dele um Anjo de Luz Verde que, por intermédio da professora, o ajudou a pronunciar em voz firme:
- Deus, Nosso Pai Celestial, é o Criador de todos os seres e de todas as coisas...
Era o Anjo da Esperança.

Alongaram-se-lhe os dias, até que penetrou uma casa de ensino superior, sob cujo tecto venerável foi visitado por um Anjo de Luz de Ouro que, através de educadores eméritos, lhe falou acerca da glória e da magnificência do Eterno, utilizando a linguagem da filosofia e da ciência.
Era o Anjo da Sabedoria.

O Homem compulsou livros e consultou autoridades, desejando a comunhão mais directa com o Senhor e fazendo-se caprichoso e exigente.

Olvidando o direito dos semelhantes, propunha-se conquistar as atenções de Deus tão-somente para si.

A Majestade Divina, a seu parecer, devia inclinar-se aos petitórios, atendendo-lhe as desarrazoadas solicitações, sem mais nem menos;
e, porque o Criador não se revelasse disposto a personalizar-se para satisfazê-lo, começou a cultivar o espinheiro da negação e da dúvida.

Por mais insistisse o Anjo Dourado, rogando-lhe reverenciar o Senhor, acatando-lhe as leis e os desígnios, mais se mergulhava na hesitação e na indiferença.

Atormentado, procurou um templo religioso, onde um Anjo Azul o socorreu, valendo-se de um sacerdote para recomendar-lhe a prática do trabalho e da humildade, com a rectidão da consciência e com a perseverança no bem.
Era o Anjo da Fé.

O Homem registou-lhe os avisos, mas, sentindo enorme dificuldade para render-se aos exercícios da virtude, clamava intimamente:
- “Deus? Mas existirá Deus realmente?
Porque razão não me oferece provas indiscutíveis do seu poder?”


Frequentando o templo para não ferir as convenções sociais, foi auxiliado por um Anjo Róseo que lhe conduziu a inteligência à leitura de livros santos, comovendo-lhe o coração e conduzindo-lhe o sentimento à prática do amor e da renúncia, da benevolência e do sacrifício, de maneira a abreviar o caminho para o Divino Encontro.
Era o Anjo da Caridade.

O teimoso estudante aprendeu que não lhe seria lícito aguardar as alegrias do Céu, sem havê-las merecido pela própria sublimação na Terra.

Ainda assim, monologava indisciplinado:
- “Se sou filho de deus e se Deus existe, não justifico tanta formalidade para encontrá-lo...”

E prosseguia surdo aos orientadores angélicos.

Casou-se, constituiu família, amealhou dinheiro e garantiu-se contra as vicissitudes da sorte;
entretanto, por mais se esforçassem os Anjos da Caridade e da Sabedoria, da Esperança e da Fé, no sentido de favorecer-lhe a comunhão com o Céu, mais repudiava os generosos conselheiros, exclamando de si para consigo:
- “Deus? Mas existirá efectivamente Deus?”

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Re: CONTOS DESTA E DOUTRA VIDA - IRMÃO X

Mensagem  O_Canto_da_Ave em Sab Maio 07, 2011 9:34 pm

Enrugando-se-lhe o rosto e encanecendo-se-lhe a cabeça orgulhosa, reuniram-se os génios amigos, suplicando a compaixão do Senhor, a benefício do rebelde tutelado.

Foi quando desceu da Glória Celeste um Anjo Cinzento, de semblante triste e discreto.

Não tomou instrumentos para comunicar-se.
Ele próprio abeirou-se do revoltado filho do Altíssimo, abraçou-o e assoprou-lhe ao coração a mensagem que trazia...

Sentindo-lhe a presença, o Homem cambaleou, deitou-se e começou a reconhecer a precariedade dos bens do mundo...

Notou quão transitória era a posse dos patrimónios terrestres, dos quais não passava de usufrutuário egoísta...

Observou que a sua felicidade passageira era simples sombra a esvair-se no tempo...

E, assinalando sofrimento e desequilíbrio no âmago de si mesmo, compreendeu que tudo que desfrutava na vida era empréstimo divino da Eterna Bondade...

Meditou... Meditou... reconsiderando as atitudes que lhe eram peculiares e, em lágrimas de sincera e profunda compulsão, qual se fora tenro menino, dirigiu-se pela primeira vez, com toda a alma, ao Todo Poderoso, suplicando:
- Deus de Infinita Misericórdia, meu Criador e meu Pai, compadece-te de mim!...
O Anjo Cinzento era o Anjo da Enfermidade.

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Re: CONTOS DESTA E DOUTRA VIDA - IRMÃO X

Mensagem  O_Canto_da_Ave em Dom Maio 08, 2011 10:50 pm

6 - TELEFONEMA INESPERADO

Laurindo Matoso sentia-se no auge da exaltação doutrinária.

Iniciava os comentários de uma trintena de noites, que seriam consagradas a estudos sobre o dinheiro à face do Cristianismo, e exprimia-se, severo.

Lembrava a história dos grandes sovinas, relacionava os desastres morais surgidos da finança inconveniente...

- O ouro, meus irmãos - pontificava, solene - , é o pai de quase todas as calamidades da Terra.

Abre a vala da prostituição, gera a delinquência, incentiva a loucura e corrompe o carácter...

Onde apareça a miséria, procurai, por perto, a fortuna.
É preciso temer a posse e extinguir a avareza.
O dinheiro destrói o amor e a felicidade, o dinheiro enche cadeias e manicómios...

A assembleia escutava, escutava...
Entretanto, o exame do assunto permitia o debate fraterno e, porque muitos companheiros de raciocínio acordado não podiam esposar plenamente as teses ouvidas, Matoso viu-se para logo encurralado em perguntas directas.

- Mas você não considera o dinheiro como recurso da vida? - ponderava Montes, o irmão mais velho da turma.

A direcção é que vale.
Água governada faz a represa, a represa sustenta a usina, a usina cria trabalho e o trabalho é a felicidade de muita gente.

- Ora, ora! - gritava Laurindo, esmurrando a mesa - lá vem você, o filósofo espírita.
- Como assim? - sorriu o ancião prestimoso.

E Laurindo:
- Qualquer dinheiro desnecessário a quem o possua é porta aberta à demência.

- Ouça, matoso - interferiu Dona Clélia - imagine-se você mesmo, num catre de provação, recolhendo o amparo amoedado de algum amigo.
É impossível que você amaldiçoe o auxílio espontâneo...

- A assistência é tarefa para Governos - tergiversou o orador.
- Sim - concordou a interlocutora ¯, mas, por vezes, a representação dos Governos, embora respeitável, custa muito a chegar.

- E o dinheiro generoso que pode ajudar nos casos de família? - acentuou Dona Zulma.
- naturalmente, o senhor não tem, como nos acontece, um filho acusado por um desfalque no Banco.
A quantia que nos foi emprestada, para salvar-lhe o nome, funcionou como bênção.

- Nada disso - protestou Laurindo, excitado.
Não houvesse o dinheiro e não surgiriam viciações.
A paga dourada é que faz os defraudadores.

Estudei a questão quanto pude.
Em todas as civilizações, o dinheiro é responsável por mais da metade dos crimes...

A prelecção seguia animada, com apartes ardentes, quando o telefone chamou Laurindo em pessoa.
O aviso procedia do recinto doméstico e, por isso, o monitor não conseguiu esquivar-se.

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Re: CONTOS DESTA E DOUTRA VIDA - IRMÃO X

Mensagem  O_Canto_da_Ave em Dom Maio 08, 2011 10:50 pm

Ao telefone processou-se o seguinte diálogo:
- É você, Laurindo?
- Sim, sim.
- Olhe - informava a esposa distante - , um portador chegou agora...

- Que há? - inquiriu Matoso, austero e preocupado.
- Meu avô morreu e deixou-nos todos os bens...
A fazenda, os depósitos, as apólices...
Venha!... Precisamos combinar tudo.
É muito problema por decidir, mas creio que a herança nos libertará de todo cuidado material para o resto da vida...

- Bem, filha - e a voz do Matoso adocicou-se, de inesperado -, vou já...
Logo após, algo atarantado, pediu desculpas, alegando que precisava sair.

- E o final da palestra? - disse Osvaldo Moura, um amigo que acompanhava as instruções, empunhando notas.
- Temos o mês inteiro para discutir o temário - explicou o orador.

O dinheiro é o flagelo dos homens.
É imperioso guerreá-lo sem tréguas.
Continuarei amanhã...

Os dias se passaram e, por mais solicitado ao regresso, Laurindo nunca mais voltou...

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Re: CONTOS DESTA E DOUTRA VIDA - IRMÃO X

Mensagem  O_Canto_da_Ave em Dom Maio 08, 2011 10:51 pm

7 - SERVIR MAIS

Efraim bem Assef, caudilho de Israel contra o poderio romano, viera a Jerusalém para levantar as forças da resistência, e, informado de que Jesus, o profeta, fora recebido festivamente na cidade, resolveu procura-lo, na casa de Obede, o guardador de cabras, a fim de ouvi-lo.

- Mestre - falou o guerreiro - não te procuro como quem desconhece a justiça de Deus, que corrige os erros do mundo, todos os dias...
Tenho necessidade de instrução para a minha conduta pessoal no auxílio do povo.

Como agir, quando o orgulho dos outros se agiganta e nos entrava o caminho?...
Quando a vaidade ostenta o poder e multiplica as lágrimas de quem chora?

- É preciso ser mais humilde e servir mais - respondeu o Senhor, fixando nele o olhar translúcido.

- Mas... e quando a maldade se ergue, espreitando-nos a porta? Que fazer, quando os ímpios nos caluniam à feição de verdugos?

E Jesus:
- É preciso mais amor e servir mais.

- Senhor, e a palavra feroz?
Que medidas tomar para coibi-la?
Como proceder, quando a boca do ofensor cospe fogo de violência, qual nuvem de tempestade, arremessando raios de morte?

- É preciso mais brandura e servir mais.

- E diante dos golpes?
Há criaturas que se esmeram na crueldade, ferindo-nos até o sangue...
De que modo conduzir nosso passo, à frente dos que nos perseguem sem motivo e odeiam sem razão?

- É preciso mais paciência e servir mais.

- E a pilhagem Senhor?
Que directrizes buscar, perante aqueles que furtam, desapiedados e poderosos, assegurando a própria impunidade à custa do ouro que ajuntam sobre o pranto dos semelhantes?

- É preciso mais renúncia e servir mais.

- E os assassinos?
Que comportamento adoptar, junto daqueles que incendeiam campos e lares, exterminando mulheres e crianças?

- É preciso mais perdão e servir mais.

Exasperado, por não encontrar alicerces ao revide político que aspirava a empreender em mais larga escala, indagou Efraim:
- Mestre, que pretendes dizer por servir mais?

Jesus afagou uma das crianças que o procuravam e replicou, sem afectação:
- Convencidos de que a justiça de Deus está regendo a vida, a nossa obrigação, no mundo íntimo, é viver rectamente na prática do bem, com a certeza de que a lei cuidará de todos.

Não temos, desse modo, outro caminho mais alto se não servir ao bem dos semelhantes, sempre mais...

O chefe israelita, manifestando imenso desprezo, abandonou a pequena sala, sem despedir-se.
Decorridos dois dias, quando os esbirros do Sinédrio chegaram, em companhia de Judas, para deter o Messias, Efraim bem Assef estava à frente.

E, sorrindo, ao algemar-lhe o pulso, qual se prendesse temível salteador, perguntou, sarcástico:
- Não reages, galileu?

Mas o Cristo pousou nele, de novo, o olhar tranquilo e disse apenas:
- É preciso compreender e servir mais.

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Re: CONTOS DESTA E DOUTRA VIDA - IRMÃO X

Mensagem  O_Canto_da_Ave em Dom Maio 08, 2011 10:51 pm

8 - MACÁRIO FAGUNDES

Quando o Espírito de Macário Fagundes bateu à porta da Esfera Superior, sobraçava à altura do peito elegante volume da Bíblia.

A Bíblia resumira-lhe na Terra as preocupações e os objectivos.

Estudara religiões.
Simpatizara com todas.
Contudo, refugiara-se na Bíblia, dela fazendo argumento de última instância.

Fora a Macário que um amigo, certa feita, ponderara, delicado:
“Fagundes, não tenho dúvidas quanto ao Novo Testamento, em que realmente sentimos presença do Cristo, mas, no que se reporta aos antigos profetas, creio tudo devamos examinar com raciocínio e discernimento.

Você acredita, por exemplo, no caso de Jonas, qual vem relatado pelos cronistas?
Aceita que Jonas tenha sido tragado por uma baleia, viajando são e salvo dentro dela?”

E Macário respondera, firme: “
A letra do Velho Testamento não pode falhar.
Acredito piamente que a baleia engoliu Jonas para que ele cumprisse a missão de que estava incumbido, e, se estivesse escrito na Bíblia que Jonas engolira a baleia, eu aceitaria a informação com a mesma fé.”

Pois era Macário quem se perfilava agora, reverente, ao pé da Sagrada Porta.

Mensageiro espiritual atendeu, presto.
E Fagundes explicou a própria condição.
Vinha do mundo.

Fora cristão fiel.
Perdera o corpo de carne, no fenómeno da morte, e queria lugar para descanso.
Para isso, acrescentava, vivera o temor da Bíblia, consagrando-se a ela de alma e coração.

- Entretanto, Fagundes, que fez você com a Bíblia? – indagou o amanuense, calmo.
- Peço licença para alongar-me um tanto na resposta – rogou o recém-chegado -, pois gastei a existência analisando ensinamentos e confrontando textos.

- Perfeitamente.
Você esclarecerá a própria situação como deseje.

E Macário passou a elucidar:
- Adorei a Bíblia como sendo a palavra de Deus, em todos os meus dias.

Sei que outros estudantes possuem apontamentos mais ou menos diversos de minha estatística pessoal, efectuada em longo tempo de estudo;
no entanto, posso dizer que a Bíblia está contida em 69 livros, sendo 42 no Velho Testamento e 27 no Testamento Novo.

E prosseguiu:
- O Tesouro Eterno, dentro dos livros referidos, está formado de 1.189 capítulos.
Os 1.189 capítulos estão divididos em 31.138 versículos.
Os 31.138 versículos possuem 774.748 palavras.
As 774.748 palavras estão articuladas com 3.566.512 letras.

O meio da Bíblia fica no versículo 8, do Salmo 118, em que o profeta diz claramente:
“É melhor confiar no Senhor do que confiar no homem.”

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