Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

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Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 20, 2011 10:19 pm



SEARA DOS MÉDIUNS
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL

ÍNDICE

Seara dos Médiuns


CAPÍTULO 1 = Num século de Espiritismo
CAPÍTULO 2 = Cartão de visita
CAPÍTULO 3 = Ensino espírita
CAPÍTULO 4 = Ante a mediunidade
CAPÍTULO 5 = Curiosidade

CAPÍTULO 6 = O argumento
CAPÍTULO 7 = Companheiros
CAPÍTULO 8 = Conhecimento superior
CAPÍTULO 9 = No campo doutrinário
CAPÍTULO 10 = Em tarefa espírita

CAPÍTULO 11 = Fome e ignorância
CAPÍTULO 12 = Na mediunidade
CAPÍTULO 13 = Em serviço mediúnico
CAPÍTULO 14 = Oração e cura
CAPÍTULO 15 = Três atitudes

CAPÍTULO 16 = Força mediúnica
CAPÍTULO 17 = Na glória do Cristo
CAPÍTULO 18 = Obsessão e Jesus
CAPÍTULO 19 = Espíritos da Luz
CAPÍTULO 20 = Eles também

CAPÍTULO 21 = Pequeninos, mas úteis
CAPÍTULO 22 = Muito desejo
CAPÍTULO 23 = Obsessores
CAPÍTULO 24 = Alegas
CAPÍTULO 25 = Imperfeições

CAPÍTULO 26 = Fenómenos e livros
CAPÍTULO 27 = Palavra
CAPÍTULO 28 = Trabalhemos
CAPÍTULO 29 = Aviso, chegada e entendimento
CAPÍTULO 30 = Essas outras mediunidades

CAPÍTULO 31 = Mediunidade e privilégios
CAPÍTULO 32 = Médium inesquecível
CAPÍTULO 33 = Incrédulos
CAPÍTULO 34 = Desertores
CAPÍTULO 35 = Caridade e tolerância

CAPÍTULO 36 = Tua parte
CAPÍTULO 37 = Dever espírita
CAPÍTULO 38 = Faixas
CAPÍTULO 39 = Interpretação
CAPÍTULO 40 = Verbo e atitude

Continua...

Ave sem Ninho

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 20, 2011 10:20 pm

Continua...

CAPÍTULO 41 = Formação mediúnica
CAPÍTULO 42 = Mediunidade e imperfeição
CAPÍTULO 43 = Mediunidade e alienação mental
CAPÍTULO 44 = Ser médium
CAPÍTULO 45 = Imagina

CAPÍTULO 46 = União
CAPÍTULO 47 = Clarividência
CAPÍTULO 48 = Faculdades mediúnicas
CAPÍTULO 49 = Tesouros ocultos
CAPÍTULO 50 = Irmãos problemas

CAPÍTULO 51 = Bons Espíritos
CAPÍTULO 52 = Pedidos
CAPÍTULO 53 = A escola do coração
CAPÍTULO 54 = Aptidão e experiência
CAPÍTULO 55 = Espíritos perturbados

CAPÍTULO 56 = O lado fraco
CAPÍTULO 57 = Futuro
CAPÍTULO 58 = Equipe mediúnica
CAPÍTULO 59 = Revelações e preconceitos
CAPÍTULO 60 = Problema contigo

CAPÍTULO 61 = Sintonia mediúnica
CAPÍTULO 62 = Discernimento
CAPÍTULO 63 = Jesus e livre-arbítrio
CAPÍTULO 64 = Livre-arbítrio e obsessão
CAPÍTULO 65 = Obrigação primeiramente

CAPÍTULO 66 = Obsessão e Evangelho
CAPÍTULO 67 = Mediunidade e doentes
CAPÍTULO 68 = Sabes
CAPÍTULO 69 = Actualidade espírita
CAPÍTULO 70 = Mediunidade e dúvida

CAPÍTULO 71 = Inspiração
CAPÍTULO 72 = Obsessão e cura
CAPÍTULO 73 = Aliança espírita
CAPÍTULO 74 = Eles sabem
CAPÍTULO 75 = Expliquemos

CAPÍTULO 76 = Imã
CAPÍTULO 77 = Médiuns transviados
CAPÍTULO 78 = Fenómenos
CAPÍTULO 79 = Intuição
CAPÍTULO 80 = Em louvor da esperança

CAPÍTULO 81 = Ondas
CAPÍTULO 82 = Sobrevivência
CAPÍTULO 83 = Obreiros e instrumentos
CAPÍTULO 84 = Abençoa também
CAPÍTULO 85 = Diante dos outros

CAPÍTULO 86 = Pediste
CAPÍTULO 87 = Enfermagem do Espírito
CAPÍTULO 88 = Mediunidade e trabalho
CAPÍTULO 89 = Reforma íntima
CAPÍTULO 90 = Benfeitores desencarnados

Ave sem Ninho

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 20, 2011 10:20 pm

Seara dos Médiuns

Amigo leitor:

A Doutrina Espírita, em seu primeiro século, assemelha-se, de algum modo, à árvore robusta espalhando ramaria, flores, frutos e essências, em todas as direcções.

Que princípios afins se lhe instalem nos movimentos, à maneira de aves tecendo ninhos transitórios nos galhos de tronco generoso, é inevitável;
contudo, que os lavradores do campo lhe devem fidelidade e carinho, para que as suas raízes se mantenham puras e vigorosas, é outra proposição que não sofre dúvida.

Assim pensando, prosseguimos em nossos comentários humildes (1) da Codificação Kardequiana, apresentando, neste volume, o desataviado cometimento que nos foi permitido atender, no decurso das 90 reuniões públicas, nas noites de segundas e sextas-feiras, que tivemos a alegria de partilhar junto dos irmãos uberabenses, em 1960, na sede da Comunhão Espírita Cristã.

Dessa feita, "O Livro dos Médiuns", que justamente agora, em 1961, está celebrando o primeiro centenário, foi objecto de nossa especial atenção.

Os textos em exame foram escolhidos pelos companheiros encarnados, em cada reunião, e, depois dos apontamentos verbais de cada um deles, articulamos as considerações aqui expressas que, em vários casos, fomos compelidos a deslocar do tema proposto, á face de acontecimentos eventuais, surgidos nas assembleias.

Algumas das páginas, que ora reunimos, foram publicadas em "Reformador", o respeitado mensário da Federação Espírita Brasileira, e no jornal "A Flama Espírita", da cidade de Uberaba.

Esclarecemos, porém, que, situando aqui as nossas apreciações simples, na feição integral, com a ordem cronológica em que foram escritas e na relação das questões e respectivos parágrafos que "O Livro dos Médiuns" nos apresentava, efectuamos, pessoalmente, a total revisão de todas elas para o trabalho natural do conjunto.

Mais uma vez, asseguramos de público que o único móvel a inspirar-nos, no serviço a que nos empenhamos, é apenas o de encarecer o impositivo crescente do estudo sistematizado da obra de Allan Kardec - construção basilar da Doutrina Espírita, a que o Evangelho de Nosso Senhor Jesus-Cristo oferece cobertura perfeita -, a fim de que mantenhamos o ensinamento espírita indemne da superstição e do fanatismo que aparecem, fatalmente, em todas as fecundações de exotismo e fantasia.

Esperando, pois, que outros seareiros venham à lide remediar-nos a imperfeição com interpretações e contribuições mais claras e mais eficientes em torno da palavra imperecível do grande Codificador, de vez que os campos da Ciência e da Filosofia, nos domínios doutrinários do Espiritismo, são continentes de trabalho a se perderem de vista, aqui ficamos em nossa tarefa de apagado expositor da Religião Espírita, que é a Religião do Evangelho do Cristo, para sublimação da inteligência e aprimoramento do coração.

(1) “Religião dos Espíritos” é o livro em que o autor espiritual comentou “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, nas reuniões públicas de Comunhão Espírita Cristã, em Uberaba, Minas Gerais. — (Nota da Editora)

EMMANUEL

Uberaba, 1º de janeiro de 1961.

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 20, 2011 10:21 pm

1 - Num século de Espiritismo

Reunião pública de 4/1/60
Questão nº 1

Num século inteiro de actividades, temos visto a Ciência procurando apaixonadamente as realidades do Espírito.

Provas indiscutíveis não lhe foram regateadas.

E tantas foram elas que Richet conseguiu articular, com êxito, as bases clássicas da Metapsíquica, usando recursos tão demonstrativos e convincentes quanto aqueles empregados na exposição de qualquer problema de patologia ou botânica.

Sábios distintos, entre os quais Wallace e Zöllner, Crookes e Lombroso, Myers e Lodge, mobilizando médiuns notáveis, efectuaram experiências de valor inconteste.

Entretanto, se nos vinte lustros passados a mediunidade serviu para atender aos misteres brilhantes da observação científica, projectando inquirições do homem para a Esfera Espiritual, é justo satisfaça agora às necessidades morais da Terra, carreando avisos da Esfera Espiritual para o homem.

Se o primeiro século de Doutrina Espírita viu realizações admiráveis, desde os cálculos profundos da física nuclear aos rudimentos da astronáutica, surpreendeu, igualmente, calamidades terríveis, como sejam:

as guerras de conquista e rapinagem, nas quais os campos de prisioneiros foram teatro para os mais hediondos espectáculos de barbárie e degradação, em nome do direito;

a técnica na destruição de cidades em massa;
as inquisições políticas, à feição das antigas inquisições religiosas, amordaçando a liberdade de consciência;

a proliferação das indústrias do aborto, às vezes com o amparo de autoridades respeitáveis;

a onda crescente dos suicídios;
o delírio dos entorpecentes;
o abuso da hipnose;
o lenocínio transformado em costume elegante da vida moderna;

o aumento dos chamados crimes perfeitos, com manifesta perversão da inteligência, e a percentagem assustadora das moléstias mentais com alicerces na obsessão.

Desse modo, não nos basta apenas um “espiritismo científico” que despenda indefinida quota de tempo averiguando a sobrevivência do ser, além do sepulcro.

Embora a elevação de propósitos dos pesquisadores eminentes, que tacteiam os domínios da alma, não podemos esquecer a edificação do sentimento.

É assim que, repetindo as lições do Cristo para o mundo atormentado, não nos achamos simplesmente diante de um “espiritismo social”, mas em pleno movimento de recuperação da dignidade humana, porquanto, em verdade, perante o materialismo irresponsável, a sombrear universidades e gabinetes, administrações e conselhos, laboratórios e templos, cenáculos e multidões, o Evangelho de Jesus, para esclarecimento do povo, tem regime de urgência.

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 20, 2011 10:21 pm

2 - Cartão de visita

Reunião pública de 8/1/60
Questão nº 7

Em qualquer estudo da mediunidade, não podemos esquecer que o pensamento vige na base de todos os fenómenos de sintonia na esfera da alma.

Analisando-o, palidamente, tomemos a imagem da vela acesa, apesar de imprópria para as nossas anotações.

A vela acesa arroja de si fótons ou força luminosa.
O cérebro exterioriza princípios inteligentes ou energia mental.

Na primeira, temos a chama.
No segundo, Identificamos a ideia.

Uma e outro possuem campos característicos de actuação, que é tanto mais vigorosa quanto mais se mostre perto do fulcro emissor.

No fundo, os agentes a que nos referimos são neutros em si.
Imaginemos, no entanto, o lume conduzido. Tanto pode revelar o caminho de um santuário, quanto a trilha de um pântano.

Tanto ajuda os braços do malfeitor na execução de um crime, quanto auxilia as mãos do benfeitor no levantamento das boas obras.

Verificamos, no símile, que a energia mental, inelutavelmente ligada à consciência que a produz, obedece à vontade.

E, compreendendo-se no pensamento a primeira estação de abordagem magnética, em nossas relações uns com os outros, seja qual for a mediunidade de alguém, é na vida íntima que palpita a condução de todo o recurso psíquico.

Observa, pois, os próprios impulsos.
Desejando, sentes.
Sentindo, pensas.

Pensando, realizas.
Realizando, atrais.
Atraindo, reflectes.

E, reflectindo, estendes a própria influência, acrescida dos factores de indução do grupo com que te afinas.

O pensamento é, portanto, nosso cartão de visita.

Com ele, representamos ao pé dos outros, conforme nossos próprios desejos, a harmonia ou a perturbação, a saúde ou a doença, a intolerância ou o entendimento, a luz dos construtores do bem ou a sombra dos carregadores do mal.

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 20, 2011 10:21 pm

3 - Ensino espírita

Reunião pública de 11/1/60
Questão nº 3

Se abraçaste na Doutrina Espírita o roteiro da própria renovação, em toda parte és naturalmente chamado a fixar-lhe os ensinos.

Administrador, não te limitarás ao controle de patrimónios físicos, porque saberás aplicá-los no bem de todos.

Legislador, não te guardarás na galeria dos privilégios, porque humanizarás os estatutos do povo.

Juiz, não te enquistarás na autoridade de convenção, porque serás em ti mesmo a garantia do Direito correcto.

Médico, não estarás circunscrito ao órgão enfermo, porque auscultarás, igualmente, a alma que sofre.

Professor, não terás nos discípulos meros associados no estudo dos números e das letras, mas verdadeiros filhos do coração.

Negociante, não farás do comércio a feira dos interesses inferiores, mas a escola da fraternidade e do auxílio.

Operário, não furtarás o tempo, no exercício da rebeldia, mas vigiarás, satisfeito, o desempenho das próprias obrigações.

Lavrador, não serás sanguessuga insaciável da terra, mas recolher-lhe-ás os produtos, ajudando-a, nobremente, a reverdejar e florir.

Seja qual for a profissão em que te situes, vives convidado a enobrecê-la com o selo de tua fé, moldada nos valores humanos, porquanto, na responsabilidade espírita, toda acção no bem precisa ultrapassar o dever para que o ato de servir se converta em amor.

Hoje e agora, onde estivermos, segundo os nossos princípios, somos constantemente induzidos a leccionar disciplinas de entendimento e conduta.

Aqui é a solidariedade, ali é a fidelidade aos compromissos, adiante é a compreensão, mais além, é a renúncia...

Aqui é o devotamento ao trabalho, ali é a paciência, adiante é o perdão incondicional, mais além é o espírito de sacrifício...

Doutrina Espírita, na essência, é universidade de redenção.

E cada um de seus profitentes ou alunos, por força da obrigação no burilamento interior, é obrigado a educar-se para educar.

É por isso que, se lhe esposaste as tarefas, seja esse ou aquele o sector de tuas actividades, estarás, cada dia, ensinando o caminho da elevação, na cadeira do exemplo.

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 20, 2011 10:22 pm

4 - Ante a mediunidade

Reunião pública de 15/1/60
Questão nº 30

No trato da mediunidade, não andemos à cata de louros terrestres, nem mesmo esperemos pelo entendimento imediato das criaturas.

Age e serve, ajuda e socorre sem recompensa.
Recordemos Jesus e os fenómenos do espírito.

Ainda criança, ele se submete, no Templo, ao exame de homens doutos que lhe ouvem o verbo com imensa admiração, mas a atitude dos sábios não passa de êxtase improdutivo.

João Batista, o amigo eleito para organizar-lhe os caminhos, depois de vê-lo nimbado de luz, em plena consagração messiânica, ante as vozes directas do Plano Superior, envia mensageiros para lhe verificarem a idoneidade.

Dos nazarenos que lhe desfrutam a convivência, apenas recebe zombaria e desprezo.

Dos enfermos que lhe ouvem o sermão do monte, buscando tocá-lo, ansiosos, na expectativa da própria cura, não se destaca um só para segui-lo até à cruz.

Dos setenta discípulos designados para misteres santificantes, não há lembrança de qualquer deles, na lealdade maior.

Dos seguidores que comeram os pães multiplicados, ninguém surge perguntando pelo burilamento da alma.

Dos numerosos doentes por ele reerguidos à bênção da saúde, nenhum aparece, nos instantes amargos, para testemunhar-lhe agradecimento.

Nicodemos, que podia assimilar-lhe os princípios, procura-lhe a palavra, na sombra nocturna, sem coragem de liberar-se dos preconceitos.

Dos admiradores que o saúdam em regozijo, na entrada triunfal em Jerusalém, não emerge uma voz para defendê-lo das falsas acusações, perante a justiça.

Judas, que lhe conhece a intimidade, não hesita em comprometer-lhe a obra, diante dos interesses inferiores.

Somente aqueles que modificaram as próprias vidas foram capazes de reflecti-lo, na glória do apostolado.

Pedro, fraco, fez-se forte na fé, e, esquecendo a si mesmo, busca servi-lo até à morte.

Maria de Magdala, tresmalhada na obsessão, recupera o próprio equilíbrio e, apagando-se na humildade, converte-se em mensageira de esperança e ressurreição.

Joana de Cusa, amolecida no conforto doméstico, olvida as conveniências humanas e acompanha-lhe os passos, sem vacilar no martírio.

Paulo de Tarso, o perseguidor, aceita-lhe a palavra amorosa e estende-lhe a Boa-Nova em suprema renúncia.

Não detenhas, assim, qualquer ilusão à frente dos fenómenos medianímicos.

Encontrarás sempre, e por toda parte, muitas pessoas beneficiadas e crentes, como testemunhas convencidas e deslumbradas diante deles;
mas, apenas aquelas que transfiguram a si mesmas, aperfeiçoando-se em bases de sacrifício pela felicidade dos outros, conseguem aproveitá-los no serviço constante em louvor do bem.

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 20, 2011 10:22 pm

5 - Curiosidade

Reunião pública de 18/1/60
Questão nº 31

A curiosidade, quando respeitável, é princípio da ciência, mas somente princípio.

Sem trabalho perseverante, assemelhar-se-ia, decerto, ao primeiro passo de uma longa excursão, interrompida no limiar.

E observando-se que o progresso é obra de todos, é preciso que o seareiro da acção palmilhe a senda dos precursores para realizar o serviço que lhe compete.

Colombo descobre as terras do Novo Mundo, depois de anotar os apontamentos de Perestrelo.

Planté articula os acumuladores de electricidade, sob a forma de energia química, mas toma por base a pilha de Volta.

Marconi, para alcançar o telégrafo sem fios, utiliza as experiências de Branly.

Pasteur demonstra definitivamente a origem microbiana das doenças infecciosas, precedido, porém, por Davaine e outros.

Para tudo isso, no entanto, não se imobilizam em poltronas de sonho, nem param à frente de esboços.

Lutam e sofrem, gastando fósforo e tempo.

*
Por outro lado, é imprescindível reconhecer que a curiosidade, ante o deslumbramento, é qual semente de árvore destinada a bons frutos, conservada, porém, sob uma campânula de vidro.

Imaginemos um índio, habituado aos sons da inúbia e do boré, que aspirasse a conhecer melodias mais elevadas.

Apresentar-lhe, só por isso, uma partitura de Beethoven seria o mesmo que propor a filosofia de Spinosa a uma criança de berço.

Antecedendo a conquista, é imperioso que a educação lhe administre o solfejo na iniciação musical.

*
Não esperes, assim, que os Espíritos Angélicos venham ferir-nos o aprendizado.

Quaisquer recursos demasiado transcendentes, que nos trouxessem, serviriam apenas como factores de encantamento inútil, à maneira de fogos de artifício, tumultuando a emoção dos meninos necessitados da escola.

Da pedra ao micróbio, do micróbio ao verme, do verme ao homem e do homem à estrela, o Universo é todo um conjunto de soberbos fenómenos, desafiando-nos o conhecimento e a interpretação.

Também, na mediunidade, não aguardes concessões de pechincha.
Há, nos reinos do espírito, leis e princípios, novas revelações e novos mundos a conquistar.

Isso, entretanto, exige, antes de tudo, paciência e trabalho, responsabilidade e entendimento, atenção e suor.

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 20, 2011 10:23 pm

6 - O argumento

Reunião pública de 22/1/60
Questão nº 29

Ante os amados que te não compreendem, estimarias que todos cressem conforme crês.

Alguns jazem desesperados nas trevas do pessimismo.
Outros caem, pouco a pouco, no abismo da negação.

Há muitos que te lançam insulto em rosto, como se a tua convicção fosse passo à loucura.

E surpreendes, em cada canto, aqueles que te falam pelo diapasão da ironia.

Mergulhas-te, muitas vezes, no oceano revolto das palavras veementes que os opositores, de Imediato, não podem admitir;
em outras ocasiões, desejas acontecimentos inusitados, que lhes alterem o modo de pensar e de ser.

*
Entretanto, recordemos o Cristo.
Ninguém, quanto ele, deixou na retaguarda tantas demonstrações de poder celeste.

Deu nova estrutura à forma dos elementos.
Apaziguou as energias desvairadas da Natureza.

Reaqueceu corpos que a morte imobilizava.
Restituiu a visão aos cegos.

Restaurou paralíticos.
Limpou feridentos.
Curou alienados mentais.

Operou maravilhas, somente atribuíveis à ciência divina.
Contudo, não foi pelos deslumbramentos produzidos que se converteu em mentor excelso da Humanidade.

Jesus agiganta-se, na esteira dos séculos, pela força do exemplo.

Anjo — caminhou entre os homens.
Senhor do mundo — não reteve uma pedra para repousar a cabeça.

Sábio — foi simples.
Grande — alinhou-se entre os pequenos.
Juiz dos juízes — espalhou a misericórdia.

Caluniado — lançou bênçãos.
Traído — não reclamou.
Acusado — humilhou a si mesmo.

Ferido — esqueceu toda ofensa.
Injuriado — silenciou.

Crucificado — pediu perdão para os próprios verdugos.
Abandonado — voltou para auxiliar.

*
Acção é voz que fala à razão.

Se aspiras, assim, a convencer os que te rodeiam, quanto à verdade, não olvides que, acima de todos os fenómenos passageiros e discutíveis, o único argumento edificante de que dispões é o de tua própria conduta, no livro da própria vida.

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 20, 2011 10:23 pm

7 - Companheiros

Reunião pública de 25/1/60
Questão nº 28 - Parágrafos 1º, 2º e 3º

Há muitos companheiros realmente assim...

Declaram-se espíritas.
Proclamam-se convencidos, quanto à sobrevivência.

Relacionam casos maravilhosos.
Exibem apontamentos inatacáveis.

Referem-se, frequentemente, aos sábios que pesquisaram as forças psíquicas.

Andam de experiência em experiência.
Fitam médiuns como se vissem animais raros.

Não alimentam dúvidas quanto aos fatos inabituais no seio da própria família, mas desconfiam das observações nascidas no lar de outrem.

Conversadores primorosos.
Anedotistas notáveis.

Mas não mostram mudança alguma.
São na convicção o que eram na negação.

Nobres expoentes de cultura intelectual, não estendem migalha de conhecimento superior a quem quer que seja.

Detentores de vantagens humanas, não se dignam ajudar a ninguém.

*
Felizmente, contudo, temos os companheiros da luta incessante.

Afirmam-se também espíritas.
Mas compreendem que o fenómeno, diante da verdade, pode ser considerado à feição de casca no fruto.

Têm os médiuns como pessoas comuns, necessitadas de entendimento e de auxílio.

Sabem que a existência na Terra é como estágio na escola.
E, por isso, não perdem tempo.

Moram no trabalho constante.
Indulgentes para com todos e severos para consigo mesmos.

Aceitam a justiça perfeita, através da reencarnação, e acolhem no sofrimento o curso preciso ao burilamento da própria alma.

Verificam que o erro dos outros podia ser deles próprios e, em razão disso, não perdem a paciência.

Reconhecendo-se imperfeitos, perdoam, sem vacilar, as imperfeições alheias.
E vivem a caridade como simples dever, aprendendo e servindo sempre.

São esses que Allan Kardec, em sua palavra esclarecida, define como sendo “os espíritas verdadeiros ou, melhor, os espíritas-cristãos”.

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 20, 2011 10:24 pm

8 - Conhecimento superior

Reunião pública de 29/1/60
Questão nº 28 - Parágrafo 4º

Na aquisição do conhecimento superior, não acredites que o deslumbramento substitua o trabalho.

Nem julgues que o benfeitor espiritual, por mais azulgo, possa efectuar a obra que te compete.

O professor esclarece.
O aluno, porém, deve equacionar os problemas da escola.

O médico auxilia.
O doente, contudo, deve atender-lhe as indicações.

Toda realização pede esforço.
Toda construção pede tempo.

*
Repara a árvore educada que se fez preciosa.
É um monumento de beleza e vitalidade.

Grandes raízes garantem-lhe a existência.
Tronco robusto resiste à força do vento.

Galhos crescem, enormes, ajudando a quem passa.
Flores surgem, desafiando geómetras e pintores.

Frutos aparecem, ricos de suco nutritivo.
Fibras e folhas, seiva e perfume completam-lhe a respeitabilidade e a grandeza.

Lembremo-nos, no entanto, de que o prodígio, atingindo, às vezes, centenas ou milhares de quilos, estava contido, em essência, na semente pequenina de apenas alguns gramas.

Entretanto, se alguém não houvesse cultivado a semente minúscula, consagrando-lhe atenção e trabalho no curso dos dias, a árvore magnificente não se teria consolidado, afirmando-se em madureza e cooperação.

*
Agradece, pois, o carinho dos Espíritos generosos, encarnados ou desencarnados, que te amparam a experiência, aplicando-te às lições de que são mensageiros.
Não admitas, contudo, que a presença deles te baste ao aprimoramento individual.

Recorda que nem os companheiros da glória do Cristo escaparam ao impositivo do serviço constante.

Os apóstolos que lhe respiraram a convivência não repousam ante as flamas do Pentecostes, mas seguem, luta diante, de renúncia em renúncia, adquirindo, pouco a pouco, a grande libertação, e Saulo de Tarso, visitado pelo próprio Mestre, em pessoa, não pára sob o jorro solar da senda de Damasco, mas avança, de suplício em suplício, assimilando, a preço de sofrimento, o dom da Divina Luz.

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 21, 2011 10:07 pm

9 - No campo doutrinário

Reunião pública de 1/2/60
Questão nº 25

Encontrarás no caminho os companheiros que não conseguiram guardar o talento mediúnico na altura que a responsabilidade lhes conferiu.

A maneira dos que não sabem viver rectamente, quando chamados à mordomia do ouro ou ao ceptro do poder, desequilibram-se mentalmente, criando para si próprios o labirinto em que se desvairam.

Começam abandonando a disciplina profissional, que julgam vexatória.
Debandam de pequeninos deveres familiares que, naturalmente cumpridos, formam o alicerce das tarefas maiores.

E transformam-se em joguete da fascinação que os inutiliza.

Julgam-se, então, mensageiros especiais.
Ausentam-se deliberadamente do estudo.

Abraçam exotismos contundentes.
Acreditam-se na condição de intérpretes das mais altas personalidades da História.

Não admitem advertências.
Supõem dominar o passado e o futuro.

Profetizam.
Pontificam.

Mas, detendo exagerada conceituação de si mesmos, não percebem que se fazem marginais, cristalizados em longos processos obsessivos, aos quais atraem amigos invigilantes para deslumbrá-los, a principio, e arrojá-los, depois, à desilusão.

*
Em verdade, não podemos evitar que irmãos nossos se prendam a semelhantes situações perigosas e lastimáveis.

Se outras formações religiosas vivem juguladas pela autoridade terrestre que lhes frena os impulsos, encontramos na Doutrina Espírita o pensamento claro e espontâneo da fé viva, favorecendo sementeiras e searas preciosas do livre-arbítrio.

Diante, pois, dos amigos que não souberam situar os compromissos medianímicos em lugar justo, observemos quão duro será, para nós, desertar do serviço constante no burilamento interior, aprendendo, ao mesmo tempo, nos desajustes que mostram, tudo aquilo que nos cabe evitar.

Em seguida, se possível, ajudemo-los com a palavra evangélica;
entretanto, se essa medida não pode ser posta em prática, à face das circunstâncias que nos obrigam a emudecer, lembremo-nos de que é nossa obrigação trabalhar sempre mais, na expansão de nossos princípios, para que se faça luz nos corações e nas consciências.

E caminhemos adiante, no esforço de tudo melhorar cada dia, com a certeza de que, segundo o Cristo, cada criatura, hoje e sempre, onde estiver, receberá, invariavelmente, de acordo com as suas obras.

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 21, 2011 10:07 pm

10 - Em tarefa espírita

Reunião pública de 5/2/60
Questão nº 30

Abraçando na Doutrina Espírita o clima da própria fé, lembra-te de Jesus, à frente do povo a que se propunha servir.

Não se localiza o Divino Mestre em tribuna garantida por assessores plenamente identificados com os seus princípios.

Ele é alguém que caminha diante da multidão.
Chama açoitada pela ventania das circunstâncias adversas...

Árvore sublime batida pelas varas da exigência incessante...
Ninguém o vê rodeado de colaboradores completos, mas de problemas a resolver.

E, renteando com os doentes e aflitos que lhe solicitam apoio, todas as personalidades que lhe cruzam a senda representam atitudes diversas, reclamando-lhe paciência.

João Baptista duvida.
Natanael questiona.
Nicodemos indaga.

Zaqueu observa.
Caifás conspira.
Judas deserta.

Pedro nega.
Pilatos finge.
Antipas escarnece.
Tomé desconfia.

Apesar de tudo, Ele passa, sozinho e imperturbável, como sendo o amor não-amado, ensinando e ajudando sempre.

*
Assim também, na instituição em que transitas, encontrarás em quase todos os companheiros oportunidades de aprender ou de auxiliar.
A cada passo, encontrarás os que te pedem amparo...

Os que te rogam alívio...
Os que te suplicam consolo...
Os que esperam entendimento...

Não te faltarão, contudo, igualmente, os que te desafiam a calma...

Os que te zombem dos ideais...
Os que te complicam as horas...

Os que te criam dificuldades...
Os que te ferem o coração...

Entretanto, se conheces o caminho exacto, é preciso ajudes aos que se transviam;
se te equilibras, é preciso socorras os que se perturbam;

se te manténs firme, é preciso sustentar os que caem, e, se já entesouraste leve migalha de luz, é preciso auxilies os que se debatem nas trevas.

Desse modo, não te faças distraído quanto à orientação que nos é comum, porquanto o espírita verdadeiro, diante do mal, é invariavelmente chamado a fazer o bem.

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 21, 2011 10:08 pm

11 - Fome e ignorância

Reunião pública de 8/2/60
Questão nº 32

Atentos ao Impositivo do estudo, a fim de que a luz do entendimento nos ensine a caminhar com segurança e a viver proveitosamente, estabeleçamos alguns confrontos entre a fome e a Ignorância — dois dos grandes flagelos da Humanidade.

A fome ameniza o corpo.
A Ignorância obscurece a alma.

A fome atormenta.
A ignorância anestesia.

A fome protesta.
A ignorância ilude.

A fome cria aflições imediatas.
A Ignorância cria calamidades remotas.

A fome é crise gritante.
A ignorância é problema enquistado.

*
Em todos os lugares, vemos o faminto e o Ignorante em atitudes diversas.

O faminto trabalha afanosamente na conquista do pão.
O Ignorante é indiferente à posse da luz.

O faminto reconhece a própria carência.
O ignorante não se define.

O faminto aparece.
O ignorante oculta-se.

O faminto anuncia a própria necessidade.
O ignorante engana a si mesmo.

*
Qualquer pessoa pode atender à fome.
Raras criaturas, porém, conseguem socorrer a ignorância.

Para sanar a fome, basta estender pão.
Para extinguir a ignorância, é indispensável fazer luz.
Nesse sentido, mentalizemos o Provedor Divino.

Todos sabemos que o pão entregue pelos discípulos a Jesus, a fim de ser multiplicado em favor dos famintos, é, aproximadamente, o mesmo de hoje que podemos amassar com facilidade;
mas a luz entregue pelo Senhor aos discípulos, para ser multiplicada em favor dos ignorantes, exige perseverança incansável, no serviço do bem aos outros, com espírito de amor puro e sacrifício integral.

Valendo-nos, pois, da conceituação que a fome e a ignorância nos sugerem, concluímos que, na Doutrina Espírita, não nos bastam aqueles amigos que nos mostrem médiuns e fenómenos, para dissipar-nos a Inquietação da fome de ver, mas, acima de tudo, precisamos dos companheiros valorosos, com atitude e exemplo, que nos arranquem ao comodismo da ignorância, para ajudar-nos a discernir.

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 21, 2011 10:08 pm

12 - Na mediunidade

Reunião pública de 12/2/60
Questão nº 226 - Parágrafo 1º

Não é a mediunidade que te distingue.
É aquilo que fazes dela.
A acção do Instrumento varia conforme a atitude do servidor.

A produção revela o operário.
A pena mostra a alma de quem escreve.
O património caminha no rumo que o mordomo dirige.

*
O lavrador tem a enxada, entretanto...
Se preguiçoso, cede asilo à ferrugem.
Se delinquente, empresta-lhe o corte à sugestão do crime.

Se prestativo e diligente, ergue, ditoso, o berço de flor e pão.
O legislador guarda o poder; contudo, através dele...
Se irresponsável, estimula a desordem.

Se desonesto, incentiva a pilhagem.
Se consciente e abnegado, é fundamento vivo à cultura e ao progresso.
O artista dispõe de mais amplos recursos da Inteligência; todavia, com eles...

Se desequilibrado, favorece a loucura.
Se corrompido, estende a viciação.
Se enobrecido e generoso, surgirá sempre como esteio à, virtude.

Urge reconhecer, no entanto, que acerca das qualidades e possibilidades do lavrador, do legislador e do artista, na concessão do mandato que lhes é confiado, apenas à Lei Divina realmente cabe julgar.

Todos nós, porém, de imediato, conseguimos classificar-lhes a influência pelos males ou bens que espalhem.

*
Assim também na mediunidade.

Seja qual for o talento que te enriquece, busca primeiro o bem, na convicção de que o bem, a favor do próximo, é o bem irrepreensível que podemos fazer.

Desse modo, ainda mesmo te sintas imperfeito e desajustado, infeliz ou doente, utiliza a força medianímica de que a vida te envolve, ajudando e educando, amparando e servindo, no auxilio aos semelhantes, porque o bem que fizeres retornará dos outros ao teu próprio caminho, como bênção de Deus a brilhar sobre ti.

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 21, 2011 10:09 pm

13 - Em serviço mediúnico

Reunião pública de 15/2/60
Questão nº 228

Assim também na mediunidade.
Seja qual for o talento que te enriquece, busca primeiro o bem, na convicção de que o bem, a favor do próximo, é o bem irrepreensível que podemos fazer.

Desse modo, ainda mesmo te sintas imperfeito e desajustado, infeliz ou doente, utiliza a força medianímica de que a vida te envolve, ajudando e educando, amparando e servindo, no auxilio aos semelhantes, porque o bem que fizeres retornará dos outros ao teu próprio caminho, como bênção de Deus a brilhar sobre ti.

Se abraçaste a mediunidade, previne-te contra o orgulho como quem se acautela contra um parasita destruidor.

Agente subtil, assume formas diversas na constituição espiritual.
A princípio, tem o carácter avassalante de uma infestação, como a sarna.

É a requisição pruriginosa do personalismo insensato.

As vítimas identificam apenas a si mesmas.
Não vêem o mérito dos outros.
Não reconhecem o direito dos outros.

Não observam a aspiração dos outros.
Não admitem a necessidade dos outros.
Fascinadas pelos adjectivos pomposos, caminham enceguecidas da razão, como alienados mentais.

*
A fase aguda, porém, cede lugar a profundo abatimento.
Sem qualquer recurso para receberem o remédio moral da ponderação e muito menos o ataque da crítica, os doentes dessa espécie caem na armadilha da dúvida ou na sombra da queixa.

Descrendo sistematicamente da utilidade daqueles que os cercam, acabam descrendo da utilidade que lhes é própria.

Dizem-se, então, perseguidos e desanimados.
Proclamam-se vacilantes e infelizes.

E fogem do serviço, como quem corre de perigo iminente, descansando, por fim, no museu das promessas frustradas.

*
No exercício mediúnico, aceitemos o ato de servir por lição das mais altas na escola do mundo.
E lembremo-nos de que assim como a vida possui trabalhadores para todos os misteres, há médiuns, na obra do bem, para a execução de tarefas de todos os feitios.

Nenhum existe maior que o outro.
Nenhum está livre do erro.
Todos, no entanto, guardam consigo a bendita possibilidade de auxiliar.

Esse tem a palavra que educa, aquele a mão que alivia e aquele outro a pena que consola.
Esse traz a oração que enleva, aquele transporta a mensagem que reanima e aquele outro mostra a força de restaurar.

Usa, pois, tuas faculdades medianímicas como empréstimo da Bondade Infinita, para que o orgulho te não assalte.

E recorda que Jesus, o Medianeiro Divino, em circunstância alguma requestou a admiração dos maiorais de seu tempo, e sim passou entre os homens, amparando e compreendendo, ajudando e servindo...

E se houve um dom de Deus em que se empenhou de preferência aos demais, foi aquele de praticar o culto vivo do Evangelho no coração do povo, visitando em pessoa os casebres da angústia e alimentando a turba faminta, ofertando amor puro aos enfermos sem-nome e estendendo esperança aos que viviam sem lar.

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 21, 2011 10:09 pm

14 - Oração e cura

Reunião pública de 19/2/60
Questão nº 176 - Parágrafo 8º

Recorres à oração, junto desse ou daquele enfermo, e sofres, quando a restauração parece tardia.

Entretanto, reflecte na Lei Divina a que todos, obrigatoriamente, nos entrosamos.
Isso não quer dizer devamos ignorar o martírio silencioso dos companheiros em calamidade do campo físico.

Para tanto, seria preciso não haver sentimento.

Sabemos, sim, quanto dói seguir, noite a noite, a provação dos familiares, em moléstias Irreversíveis;

conhecemos, de perto, a angústia dos pais que recolhem no coração o suplício dos filhinhos torturados no berço;

partilhamos a dor dos que gemem nos hospitais como sentenciados à pena última, e assinalamos o tormento recôndito dos que fitam, inquietos, em doentes amados, os olhos que se embaciam...

*
Observa, porém, o quadro escuro das transgressões humanas que nos rodeiam.

Pensa nos crimes perfeitos que injuriam a Terra;
na insubmissão dos que se rendem às sugestões do suicídio, prejudicando os planos da Eterna Sabedoria e criando aflitivas expiações para si mesmos;

nos processos inconfessáveis dos que usam a inteligência para agravar as necessidades dos semelhantes e na ingratidão dos que convertem o próprio lar em reduto do desespero e da morte...

Medita nos turvos compromissos dos que se acumpliciam agora com os domínios do mal, e perceberás que a enfermidade é quase sempre o bem exprimindo reajuste, sustando-nos a queda em delitos maiores.

*
Organizemos, assim, o socorro da oração, junto de todos os que padecem no corpo dilacerado, mas, se a cura demora, jamais nos aflijamos.

Seja o leito de linho, de seda, palha ou pedra, a dor é sempre a mesma e a prece, em toda parte, é bênção, reconforto, amparo, luz e vida.

Lembremo-nos, no entanto, de que lesões e chagas, frustrações e defeitos, em nossa forma externa, são remédios da alma que nós mesmos pedimos à farmácia de Deus.

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 21, 2011 10:10 pm

15 - Três atitudes

Reunião pública de 22/2/60
Questão nº 226 - Parágrafo 11º

Organizemos, assim, o socorro da oração, junto de todos os que padecem no corpo dilacerado, mas, se a cura demora, jamais nos aflijamos.

Seja o leito de linho, de seda, palha ou pedra, a dor é sempre a mesma e a prece, em toda parte, é bênção, reconforto, amparo, luz e vida.

Lembremo-nos, no entanto, de que lesões e chagas, frustrações e defeitos, em nossa forma externa, são remédios da alma que nós mesmos pedimos à farmácia de Deus.

Entendendo-se que o egoísmo e o orgulho são qualidades negativas na personalidade mediúnica, obscurecendo a palavra da Esfera Superior, e compreendendo-se que o bem é a condição inalienável para que a mensagem edificante seja transmitida sem mescla, examinemos essas três atitudes, em alguns dos quadros e circunstâncias da vida.

Na sociedade:
O egoísmo faz o que quer.
O orgulho faz como quer.
O bem faz quanto pode, acima das próprias obrigações.

No trabalho:
O egoísmo explora o que acha.
O orgulho oprime o que vê.
O bem produz incessantemente.

Na equipe:
O egoísmo atrai para si.
O orgulho pensa em si.
O bem serve a todos.

Na amizade:
O egoísmo utiliza as situações.
O orgulho clama por privilégios.
O bem renuncia ao bem próprio.

Na fé:
O egoísmo aparenta.
O orgulho reclama.
O bem ouve.

Na responsabilidade:
O egoísmo foge.
O orgulho tiraniza.
O bem colabora.

Na dor alheia:
O egoísmo esquece.
O orgulho condena.
O bem ampara.

No estudo:
O egoísmo finge que sabe.
O orgulho não busca saber.
O bem aprende sempre, para realizar o melhor.

*
Médiuns, a orientação da Doutrina Espírita é sempre clara.

O egoísmo e o orgulho são dois corredores sombrios, inclinando-nos, em toda parte, ao vício e à delinquência, em angustiantes processos obsessivos, e só o bem é capaz de filtrar com lealdade a Inspiração Divina, mas, para isso, é indispensável não apenas admirá-lo e divulgá-lo;
acima de tudo, é preciso querê-lo e praticá-lo com todas as forças do coração.

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 21, 2011 10:10 pm

16 - Força mediúnica

Reunião pública de 26/2/60
Questão nº 226 - Parágrafo 2º

Considerando-se a força mediúnica como recurso inerente à personalidade humana, de vez que, dentro de grau menor ou maior, transparece de todas as criaturas, comparemo-la à visão comum.

Efectuado o confronto, reconheceremos que, em essência, os olhos de um analfabeto, de um preguiçoso, de um malfeitor e de um missionário do bem não exibem qualquer diferença na histologia da retina.

Em todos eles, a mesma estrutura e a mesma destinação.
Imaginemos fosse concedida, aos quatro, determinada máquina com vistas à produção de certos benefícios, acompanhada da respectiva carta de Instruções para o necessário aproveitamento.

O analfabeto teria, debalde, o aparelho, por desconhecer como deletrear o processo de utilização.

O preguiçoso conheceria o engenho, mas deixá-lo-ia na poeira da inércia.
O malfeitor aproveitá-lo-ia para explorar os semelhantes ou perpetrar algum crime.

O missionário do bem, contudo, guardá-lo-ia sob a sua responsabilidade, orientando-lhe o funcionamento na utilidade geral.

*
Força medianímica, desse modo, quanto acontece à capacidade visual, é dom que a vida outorga a todos.

O que difere, em cada pessoa, é o problema de rumo.
Nisso reside a razão pela qual os Mensageiros Divinos Insistirão, ainda por muito tempo, pela sublimação das energias psíquicas, a fim de que os frutos do bem se multipliquem por toda a Terra.

Não valem médiuns que apenas produzam fenómenos.
Não valem fenómenos que apenas estabeleçam convicções.

Não valem convicções que criem apenas palavras.
Não valem palavras que apenas articulem pensamentos vazios.

A vida e o tempo exigem trabalho e melhoria, progresso e aprimoramento.
Mediunidade, assim, tanto quanto a visão física, representa, do ponto de vista moral, força neutra em si própria.

A importância e a significação que possa adquirir dependem da orientação que se lhe dê.

Por isso mesmo, os amigos desencarnados, sempre que responsáveis e conscientes dos próprios deveres diante das Leis Divinas, estarão entre os homens exortando-os à bondade e ao serviço, ao estudo e ao discernimento, porquanto a força mediúnica, em verdade, não ajuda e nem edifica quando esteja distante da caridade e ausente da educação.

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 21, 2011 10:11 pm

17 - Na glória do Cristo

Reunião pública de 29/2/60
Questão nº 46 - Parágrafo 7º

Se entre as vidas magnificentes da Terra uma existe, na qual a mediunidade comparece com todas as características, essa foi a vida gloriosa do Cristo.

Surge o Evangelho do contacto entre dois mundos.

Zacarias, o sacerdote, faz-se clarividente de um instante para outro e vê um mensageiro espiritual que se identifica pelo nome de Gabriel, anunciando-lhe o nascimento de João Batista.

O mesmo Gabriel, na condição de embaixador celestial, visita Maria de Nazaré e saúda-lhe o coração lirial, notificando-lhe a maternidade sublime.

Nasce, então, Jesus sob luzes e vozes dos Espíritos Superiores.

Usando o magnetismo divino que lhe é próprio, o Excelso Benfeitor transforma a água em vinho, nas bodas de Caná.

Intervém nos fenómenos obsessivos de variada espécie, nos quais as entidades inferiores provocam desajustes diversos, seja na alienação mental do obsidiado de Gadara ou na exaltação febril da sogra de Pedro.

Levanta corpos cadaverizados e regenera as forças vitais dos enfermos de todas as procedências.

Apazigua elementos desordenados da Natureza e multiplica alimentos para as necessidades do povo.

Sonda os ideais mais íntimos da filha de Magdala, quanto lê na samaritana os pensamentos ocultos.

Conversa, ele mesmo, com desencarnados ilustres, no cimo do Tabor, ante os discípulos espantados.

Avisa a Pedro que Espíritos infelizes procurarão Induzi-lo à queda moral, e faz sentir a Judas que não desconhece a trama de sombras de que o apóstolo desditoso está sendo vítima.

Ora no horto, antes da crucificação, assinalando a presença de enviados divinos.

E, depois da morte, volta a confabular com os amigos, fornecendo-lhes instruções quanto ao destino da Boa-Nova.

Reaparece, plenamente materializado, diante dos aprendizes, no caminho de Emaús, e, mais tarde, em Espírito, procura Saulo de Tarso, nas vizinhanças de Damasco, para confiar-lhe elevada missão entre os homens.

E porque o jovem perseguidor do Evangelho nascente se mostre traumatizado, ante o encontro imprevisto, busca ele próprio a cooperação de Ananias para socorrer o novo companheiro dominado de assombro.

É Inútil, assim, que cristãos distintos, nesse ou naquele sector da fé, se reúnam para confundir respeitosamente a mediunidade em nome da metapsíquica ou da parapsicologia — que mais se assemelham a requintados processos de dúvida e negação —, porque ninguém consegue empanar os factos mediúnicos da vida de Jesus, que, diante de todas as religiões da Terra, permanece por Sol indiscutível, a brilhar para sempre.

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 21, 2011 10:11 pm

18 - Obsessão e Jesus

Reunião pública de 4/3/60
Questão nº 237

Cristãos eminentes, em variadas escolas do Evangelho, asseveram na actualidade que o problema da obsessão teria nascido no culto da mediunidade, à luz da Doutrina Espírita, quando a Doutrina Espírita é o recurso para a supressão do flagelo.

Malham médiuns, fazem sarcasmo, condenam a psicoterapia em favor dos desencarnados sofredores e, por vezes, atingem o disparate de afirmar que a prática medianímica estabelece a loucura.

Esquecem-se, no entanto, de que a vida de Jesus, na Terra, foi uma batalha constante e silenciosa contra obsessões, obsidiados e obsessores.

O combate começa no alvorecer do apostolado divino.

Depois da resplendente consagração na manjedoura, o Mestre encontra o primeiro grande obsidiado na pessoa de Herodes, que decreta a matança de pequeninos, com o objectivo de aniquilá-lo.

Mais tarde, João Baptista, o companheiro de eleição que vem ao mundo secundar-lhe a obra sublime, sucumbe degolado, em plena conspiração de agentes da sombra.

Obsessores cruéis não vacilam em procurá-lo, nas orações do deserto, verificando-lhe os valores do sentimento.

A cada passo, surpreende Espíritos infelizes assenhoreando médiuns desnorteados.

O testemunho dos apóstolos é sobejamente inequívoco.

Relata Mateus que os obsidiados gerasenos chegavam a ser ferozes;
refere-se Marcos ao obsidiado de Cafarnaum, de quem desventurado obsessor se retira clamando contra o Senhor em grandes vozes;

narra Lucas o episódio em que Jesus realiza a cura de um jovem lunático, do qual se afasta o perseguidor invisível, logo após arrojar o doente ao chão, em convulsões epileptóides;

e reporta-se João a israelitas positivamente obsidiados, que apedrejam o Cristo, sem motivo, na chamada Festa da Dedicação.

Entre os que lhe comungam a estrada, surgem obsessões e psicoses diversas.
Maria de Magdala, que se faria a mensageira da ressurreição, fora vítima de entidades perversas.

Pedro sofria de obsessão periódica.
Judas era enceguecido em obsessão fulminante.

Caifás mostrava-se paranóico.
Pilatos tinha crises de medo.

No dia da crucificação, vemos o Senhor rodeado por obsessões de todos os tipos, a ponto de ser considerado, pela multidão, inferior a Barrabás, malfeitor e obsesso vulgar.

E, por último, como se quisesse deliberadamente legar-nos preciosa lição de caridade para com os alienados mentais, declarados ou não, que enxameiam no mundo, o Divino Amigo prefere partir da Terra na intimidade de dois ladrões, que a Ciência de hoje classificaria por cleptomaníacos pertinazes.

A vista disso, ante os escarnecedores de todos os tempos, eduquemos a mediunidade na Doutrina Espírita, porque só a Doutrina Espírita é luz bastante forte, em nome do Senhor, para clarear a razão, quando a mente se transvia, desgovernada, sob o fascínio das trevas.

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 22, 2011 9:23 pm

19 - Espíritos da Luz

Reunião pública de 7/3/60
Questão nº 267 - Parágrafo 10º

Parafraseando a luminosa definição do apóstolo Paulo, em torno da caridade, no capítulo treze da primeira epístola aos corintios, ousaremos aplicar os mesmos conceitos aos Espíritos benevolentes e sábios que nos tutelam a evolução.

Ainda que falássemos a linguagem das trevas e não possuíssemos leve raio de entendimento, — não passaríamos para eles de pobres irmãos necessitados de luz.

Ainda que nos demorássemos na vocação do crime, caindo em todas as faltas e retendo todos os vícios, a ponto de arrojar-nos, por tempo indeterminado, nos últimos despenhadeiros do mal, para nosso próprio infortúnio, — não seríamos para eles senão criaturas Infelizes, carecentes de amor.

Ainda que dissipássemos todas as nossas forças no terreno da culpa e dedicássemos a vida ao exercício da crueldade, sem a mínima noção do próprio dever, — Isso seria para eles tão-somente motivo a maior compaixão.

Os Espíritos da Luz são pacientes.
Em todas as manifestações são benignos.

Não invejam.
Não se orgulham.
Não mostram leviandade.

Não se ensoberbecem.
Não se portam de maneira inconveniente.

Não se irritam.
Não são interesseiros.

Não guardam desconfiança.
Não folgam com a injustiça, mas rejubilam-se com a verdade.

Tudo suportam.
Tudo crêem.

Tudo esperam.
Tudo sofrem.

A caridade deles nunca falha, enquanto que para nós, um dia, as revelações gradativas terão fim, os fenómenos cessarão e as provas terminarão, por desnecessárias.

Por agora, de nós mesmos, conhecemos em parte e em parte imaginamos;
entretanto, eles, os emissários do Eterno Bem, acompanham-nos com devotamento perfeito, sabendo que, em matéria de espiritualidade superior, quase sempre ainda somos crianças, falamos como crianças, pensamos quais crianças e ajuizamos infantilmente.

Estão certos, porém, de que mais tarde, quando nos despojarmos das deficiências humanas, abandonaremos, então, tudo o que vem a ser pueril.

Verificaremos, assim, a grandeza deles, como a víssemos retratada em espelho, confrontando a estreiteza de nosso egoísmo com a imensurabilidade do amor com que nos assistem.

Conforte-nos, pois, reconhecer que, se ainda demonstramos fé vacilante, esperança imperfeita e caridade caprichosa, temos, junto de nós, a caridade dos mensageiros do Senhor, que é sempre maior, por não esmorecer em tempo algum.

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 22, 2011 9:23 pm

20 - Eles também

Reunião pública de 11/3/60
Questão nº 217

Compadece-te dos médiuns de todas as procedências, mas, notadamente, daqueles que abraçam no serviço a estrada do aprimoramento e da redenção.

Sabes que a existência te pede o exacto desempenho das próprias obrigações.
Eles também.

Compreendes que é preciso disciplinar o tempo, a fim de que não caias no descrédito de ti mesmo.
Eles também.

Não estimarias explorar a bolsa alheia, quando podes e deves viver à custa do próprio esforço.
Eles também.

Não ignoras que tentarias, debalde, ensinar a outrem o acesso à virtude sem base no bom exemplo, começando na tua própria casa.
Eles também.

Sofrerias, decerto, se alguém te exilasse do trabalho digno, lançando-te à zombaria e ao desapreço.
Eles também.

Não podes dar o tempo todo ao Ideal, porquanto não te encontras livre de compromissos ante as rotas humanas.
Eles também.

Vives num corpo, susceptível de queda na enfermidade, muita vez carecente de remédio e socorro e sempre necessitado de higiene e alimentação.
Eles também.

Percebendo que não podes satisfazer irrestritamente e reconhecendo que a construção do bem é sementeira e seara de todos, agradeces, feliz, a desculpa espontânea do próximo, diante de tuas faltas Involuntárias.
Eles também.

*
Ajudemos aos companheiros da mediunidade em nossos templos de confraternização e de amor.

Qual nos acontece, eles também trazem consigo as raízes profundas do pretérito sombrio, afrontados por enigmas do sentimento a lhes desafiarem a fé.

Eles também são seres humanos, em conflito consigo mesmos.

Também lutam.
Também choram.
Também erram.
Também sofrem.

Como nós mesmos, não precisam de elogios e homenagens, mas sim de apoio e compreensão para que venham a caminhar entre sombras menores, já que todos nós, encarnados e desencarnados, em actividade na Terra, respiramos ainda muito distantes da Grande Luz.

Auxiliemo-los, assim, na execução dos próprios deveres, dentro dos moldes da disciplina e da ordem, do trabalho correcto e do respeito à consciência tranquila, que desejamos para nós mesmos, porque o fruto perfeito não é obra sublime apenas da vigilância e da obediência da árvore, mas também do carinho e da paciência que brilham nas mãos do cultivador.

Ave sem Ninho

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 22, 2011 9:24 pm

21 - Pequeninos, mas úteis

Reunião pública de 14/3/60
Questão nº 227

Educa-te, e assimilarás a Influência das forças espirituais que iluminam.
Serve, e atrairás as forças espirituais que abençoam.

Diante da grandeza do Universo e perante a extensão de nossos próprios erros no passado culposo, todos somos pequeninos, mas podemos ser úteis.

Com vistas, assim, ao trabalho do bem, recorramos a imagens simples da vida para compreendermos, sem qualquer dúvida, a obrigação de servir.

*
A restauração do enfermo está dependendo de exame decisivo.
O diagnóstico está feito.
Os sintomas são evidentes.

Mas é necessário que esse ou aquele aparelho de análise, muitas vezes aparentemente de pouca monta, estabeleça a prova conclusiva para a assistência segura.

Para isso, no entanto, é Indispensável que o recurso Instrumental esteja em perfeitas condições.

*
O salão, à noite, está lotado por assembleia numerosa, reunida com o objectivo de estudar importantes problemas de enorme comunidade.
O ternário está pronto.
Os planos são precisos.

Mas antes foi necessário se valesse alguém de humilde tomada eléctrica, a fim de que a luz se fizesse.
Para isso, no entanto, foi indispensável que a instalação satisfizesse às exigências de sintonia.

*
O comboio está repleto de personalidades respeitáveis para Importante excursão.
O programa é correcto.
O horário está previsto.

Mas é necessário que a pequena alavanca de controlo seja accionada para que a locomotiva se ponha em movimento.

Para Isso, no entanto, é indispensável que a engrenagem permaneça na harmonia ideal.

*
Ninguém perderá tempo perguntando se a pipeta do laboratório pertenceu a algum malfeitor, se os fios da electricidade, alguma vez, passaram inadvertidamente pelo cano de esgoto, ou se o ferro da máquina terá servido, algum dia, em conflitos de sangue e ódio.

Vale saber que, devidamente transformados, se mostram em disciplina para ajudar.

*
Desse modo, sabendo que todos somos instrumentos chamados à execução do melhor, e cientes de que a mediunidade, nesse ou naquele grau, é património comum a todos, ponhamo-nos a cooperar na obra do Cristo, Nosso Divino Mestre e Senhor.

Ninguém despreze a bênção das horas, cultivando tristezas inconsequentes ou sombras imaginárias, porque, muito acima dessa ou daquela deficiência que tenha perdurado connosco até ontem, importa hoje a nossa renovação para atender ao bem no lugar exacto e no instante certo, porquanto, somente nas actividades do bem para o bem dos outros é que nós garantiremos a vida e a continuidade de nosso próprio bem.

Ave sem Ninho

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 22, 2011 9:24 pm

22 - Muito desejo

Reunião pública de 18/3/60
Questão nº 220 - Parágrafo 15º

Médium quer dizer “Intermediário”.
Intermediário define a posição daquele que se põe de permeio.

E muitos amigos encarnados, aspirando ao contacto com as Esferas Superiores, costumam dizer que sentem muito desejo de ser médiuns.

Há inúmeros que se propõem instruir e escrever, falar e materializar, aliviar e consolar, em nome dos Mensageiros da Luz;
entretanto, não passam da região do “muito desejo”.

Mentalizemos, contudo, alguns quadros comuns em que a pessoa descansa nesse impulso de início.

*
Existe o lavrador que tem muito desejo de semear;
entretanto, passa a existência discutindo teorias da agricultura, ou comentando algo em torno das pragas diversas que flagelam a lavoura, e espera indefinidamente o Instante de plantar, como se a terra devesse deslocar-se para colher-lhe as sementes das mãos.

*
Encontramos o oleiro que mostra muito desejo de fabricar um vaso de eleição, mas consome o tempo falando nas dificuldades da cerâmica ou nos perigos do forno quente, e aguarda em constante expectativa a hora de modelar, como se a argila estivesse na obrigação de buscar-lhe os dedos.

*
Imaginemos o trabalhador que enunciasse muito desejo de cooperar em determinada oficina, e que, aí admitido, simplesmente vivesse a policiar a atitude e o movimento dos chefes e companheiros, qual se pudesse cumprir o próprio dever à custa da observação inoperante que ninguém lhe pediu.

*
Pensemos no aluno que chegasse à escola com muito desejo de aprender e que não manuseasse, sequer, um livro, qual se o professor pudesse pregar-lhe a lição na cabeça, como quem dependura um cartaz no poste.

*
Se aspiras a colaborar na obra dos Espíritos Benevolentes e Sábios, colocando-te entre eles e os irmãos encarnados, é possível não possas, de imediato, partilhar a sinfonia dos grandes feitos humanos, mas podes brilhar na tarefa mais alta de todas, a expressar-se no concerto do bem puro, consolando e construindo, amparando e esclarecendo, educando e amando...

Para isso, porém, não basta o muito desejo...
É preciso reverenciar o serviço, buscar o serviço, disputar o serviço e abraçar o serviço com espírito de renúncia em favor do próximo.

Muitos dizem que farão isso amanhã.
Realmente, amanhã é o tempo glorioso de nome porvir, destinado a marcar o coroamento e a vitória, a colheita e a alegria...

Entretanto, segundo velho rifão, em muitos casos “amanhã é o caminho que vai dar no deserto chamado nunca”.

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Re: Série Emmanuel - SEARA DOS MÉDIUNS

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