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Amanhã não existe

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 06, 2011 10:41 pm


© Letícia Thompson

As pessoas não são eternas.
Pelo menos não na vida terrena.
Elas apenas passam, vivem o tempo que lhes é ofertado e retornam à terra.

Ninguém pode acrescentar um segundo sequer à sua vida ou à de alguém.
Não temos esse poder e quando a hora chega, ela chega.
Mas preferimos não pensar nisso.

Julgamos que temos todo o tempo do mundo para fazer isso ou aquilo, para recuperar o perdido, para sarar o ferido e restabelecer a paz.
Amanhã eu ligo, amanhã eu faço, amanhã peço perdão, amanhã me reconcilio, amanhã... como se pudéssemos segurar o amanhã nas nossas mãos!
Como se ele fosse chegar por nossa vontade e trazer tudo como ontem ou como hoje!

Amanhã? Hoje é o amanhã de ontem e tudo continua na mesma, por que espera-se pelo amanhã.

Cada qual tem sua história e suas histórias.
Cada qual sua cruz e suas dores, suas alegrias, seus lamentos, seus dissabores, seus ganhos e perdas.
É o que nos forma como pessoas, que nos dá a impressão de existir, de fazer parte do universo.

E há, assim, como com milhares de outros, relacionamentos quebrados, porque um dia alguém feriu e foi ferido.
Quando isso acontece, construímos em volta do nosso coração um muro, uma barreira que o outro não pode atravessar.
Nos sentimos tão importantes com isso que nem percebemos que esse muro impede o outro de entrar, mas nos impede, a nós, de sair.

Nos tornamos prisioneiros, aprisionados das nossas ideias e nossas mágoas.
Não estendemos a mão e recusamos a do outro, caso nos estenda.
Enquanto isso, a vida continua.

Não damos, talvez para punir e não recebemos, como punição que nos infligimos a nós mesmos, inconscientemente.
Vamos deixar para amanhã para resolver isso, porque hoje estamos magoados demais, não conseguimos perdoar e não queremos dar o braço a torcer, afinal, não erramos.
E eu diria, como Cristo, quem nunca errou, que atire a primeira pedra!

Amanhã não existe. O amanhã, só o conhecemos quando o sol nasce e que o Senhor nos dá aquele dia a mais.
E todo mundo não chega lá.
Não podemos afirmar que estaremos ainda aqui, porque a vida é imprevisível, às vezes temos o sentimento que é mesmo cruel.

Se o hoje nos é ofertado, por que não viver sem grades e sem muros, em comunhão com o mundo e com Deus?
O orgulho?
Olhe para ele de cara feia e diga: eu quero é ser feliz e se eu quero, eu vou ser feliz!

Muros nos impedem de abraçar, de sentir o calor ou as batidas do coração do outro.
Nos impedem de dar e de receber, nos transformam em pessoas separadas e isoladas.

Destrua, então, com coragem, dessa que só os grandes possuem, esse muro em volta do seu coração e volte a abraçar.
Perdoe, mesmo se perdão não foi solicitado, porque cada qual deve dar conta da sua vida a Deus e a outra pessoa responderá por si mesma.

Liberte-se, porque se o amanhã não vier para a outra pessoa, você terá que aprender a conviver com seu coração fechado e terá perdido os melhores anos da sua vida.

§.§.§- O-canto-da-ave
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As palavras mágicas

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 07, 2011 11:22 pm


© Letícia Thompson

Palavras mágicas são aquelas que abrem portas.
Nada complicado como abracadabra ou qualquer coisa do género.
São aquelas simples mesmo dia-a-dia e que ficam tão corriqueiras que muitas vezes nos esquecemos.

É incostestável o poder das palavras nas nossas vidas.
As que dizemos e as que calamos; as que saem do olhar, as que são ditas com lágrimas, as que fluem de um sorriso, as que são gritadas em silêncios que machucam...

... e aquelas tão simples que parecem banais demais, mas que nos tornam pessoas educadas, simpáticas, agradáveis e que nem precisam de estudos ou sermos adultos para que façam parte do nosso vocabulário.

Um obrigado substitui centenas de outras palavras;
um bom dia pode ser o primeiro raio de sol na nossa janela, assim como um boa noite o último raio de luar da noite.

Com licença abre caminhos e perdão e desculpe derretem corações e podem trazer oportunidades que estavam perdidas para sempre.
O por favor faz hesitar o mais endurecido dos corações e pode até fazer com que mude de ideia.

Você é importante para mim eleva a auto-estima;
você vai vencer nos dá coragem para prosseguir e, enfim, as mais poderosas de todas as palavras: amo você!
Nessas palavras estão incluídos dicionários inteiros, até mesmo com as palavras que desconhecemos.

A gentileza é uma arte que não nos custa nada e que nos trás enormes benefícios.
O mundo não nos pertence e não vivemos isolados como ilhas no meio do oceano.

Fazer uso das palavrinhas mágicas no nosso dia-a-dia não só vai nos tornar pessoas mais simpáticas, vai também construir pontes entre nós e aqueles que o Senhor escolheu para fazerem parte da história da nossa vida.

§.§.§- O-canto-da-ave
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Muito além das aparências...

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 07, 2011 11:23 pm


© Letícia Thompson

Não... quem vê cara não vê coração, nem a alma, nem a solidão ou o desespero escondidos atrás de sorrisos ou gestos.
Não que essas coisas não sejam transparentes, mas o que as outras pessoas gostam mesmo são das evidências.
Para elas, se sorrimos, é evidente que estamos felizes e não há razão para ir além.

As pessoas se esquecem simplesmente que existimos além, muito além das aparências.

Se você diz que está triste, seus verdadeiros amigos vão querer saber por quê, vão se interessar.
Talvez antes que você pronuncie uma palavra eles já notaram, por que te conhecem o suficiente.
Mas em geral cada qual já tem suas próprias preocupações, legítimas ou não, para querer saber o que se passa dentro de um coração fechado.

Diz-se "como vai você" ou "tudo bom" mais por educação do que por interesse em saber realmente como o outro vai.
Faz parte do palco da vida onde cada qual representa seu papel.
E quando as cortinas se fecham, fecha-se também o mundo em torno de si.

Pessoas sentem-se sozinhas, choram sozinhas e oram em silêncio para que a solidão faça uma viagem para bem longe...
Todo mundo parece tão preocupado com sua busca de felicidade, seu par perfeito, suas realizações... suas!
Olhássemos nós um pouquinho mais para o lado e veríamos que não pode haver felicidade, ou perfeição, ou realizações se temos tudo, se conseguimos tudo, mas não conquistamos verdadeiramente um coração.

As pessoas existem além das aparências, elas amam além das aparências, elas sofrem além das aparências.
Elas são, simplesmente.
A gente aprende muitas coisas na vida, mas pouco aprendemos sobre olhar.

Olhar dentro, para dentro... fotografar em si as necessidades alheias e tentar supri-las com um interesse verdadeiro.
A superfície engana tanto e tanto!
Mas ninguém disfarça um olhar que brilha ou que chora.

Existiria menos egoísmo e menos solidão se olhássemos mais nos olhos das pessoas, se compreendêssemos que para elas muitas vezes mais importante que um pedaço de pão é um pouco da nossa atenção.

§.§.§- O-canto-da-ave
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Não andeis ansiosos...

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 07, 2011 11:24 pm


© Letícia Thompson

Valemos mais que todas as belezas da terra juntas.
Todas essas maravilhas que nos encantam, nos deixam extasiados e sem palavras, não receberam a forma e semelhança do próprio Deus.
Nós sim.

A nada foi dado o presente da eternidade.
Todas as coisas passarão, mas nós, mesmo quando essa forma que nos encobre nos abandona, ainda continuamos e somos recebidos pelos braços abertos do Deus-Pai, que nos ama acima de todas as coisas.

Então, por que essa ansiedade que nos impede de bem viver?
Por que as horas perdidas no meio da noite pensando em como será amanhã ou depois, se as horas que matamos só nos trazem cansaço e desânimo?
Se valemos mais que toda a criação é que Deus tem também um cuidado todo especial para connosco.

A calma, o repouso da alma, o descanso é algo que se cultiva devagarinho.
À medida que a fé aumenta, a ansiedade vai desaparecendo e quando chegamos ao ponto de dormir tranquilos mesmo quando a tempestade agita nosso barco, é que temos a plena confiança n'Aquele que o dirige.

A ansiedade nos conduz ao desespero que, por sua vez, nos faz tomar atitudes precipitadas e com frequência erradas.
A fé e a confiança ao contrário, nos dão segurança e nos trazem a paz, tão necessária à nossa saúde física e espiritual.

Pessoas tranquilas suportam mais facilmente a dor e as adversidades da vida, elas vivem melhor e são companhias mais agradáveis para os outros.
São, na verdade, as flores que encantam as abelhas por causa do seu mel e sua doçura.

E mesmo se não possuímos a princípio esse dom da calma, esse fruto do Espírito que reflecte em nós a luz de Cristo, ainda assim podemos aprender.
É questão de exercício, disciplina, oração.
Um pouquinho mais a cada dia, até que seja alcançada a plenitude.

Deus nunca nos abandona!
Ele vela nosso sono e guia nossos caminhos.
Nos dá sabedoria e orienta nossas decisões.
Quem crê nisso, jamais se desespera.

Não andeis ansiosos!
Valemos mais que os lírios e todas as flores do campo!
E Deus tem sempre cuidado de nós!

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O desabafo

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 08, 2011 11:23 pm


© Letícia Thompson

Poucas coisas são tão pesadas quanto as palavras e emoções que carregamos dentro de nós.
São coisas que não podemos colocar no chão para descansar um pouco e pegar depois, com forças renovadas.
Elas nos seguem e, por que não dizer, nos perseguem.

Ás vezes nos sentimos pequeninos sim.
Ás vezes queremos não dizer nada, estar simplesmente nos braços de alguém e fechar os olhos e outras, gostaríamos de gritar nossa dor, nossa revolta e deixar que as lágrimas façam caminho no nosso rosto.

Mas nos calamos... por que reconhecer nossa fragilidade diante de outra pessoa é expôr-se, entregar-se a ela, na nudez da alma.
E por pudor, medo, vergonha ou orgulho, não queremos isso.

Portanto, a fragilidade não está em mostrar-se frágil.
Só os fortes são capazes de reconhecer suas fraquezas para melhor lidar com elas.
Ser forte é desenvolver a capacidade de lidar com as emoções, que corroem o ser como uma doença incurável.

Desabafar é abrir as portas do coração e as janelas da alma.
Deixar sair o ar fechado e entrar o sol.
É soltar palavras e acolher alívio; é partir para o grande voo da liberdade que todo mundo anseia.

Mas, claro, é preciso sabedoria para se saber onde vamos.
Não podemos sair por aí proclamando a todo mundo que temos situações mal resolvidas dentro de nós.
Temos que escolher cuidadosamente as pessoas que são capazes de nos receber com maturidade, sem julgamentos.

Há pessoas que nos fazem crescer.
Os grandes amigos estão incluídos nessa categoria.
A eles então nossas portas podem ser abertas e as palavras poderão fluir, até que nos sintamos mais leves.

E há ainda e, principalmente, Aquele que mesmo conhecendo nosso íntimo melhor ainda que nós, aceita e pede que nosso coração se abra.

Ele nos pega nos braços, seca nossas lágrimas e nos carrega no colo.
Ele nos leva até a praia e nos nos apresenta o raiar do dia e o pôr-do-sol...
nos diz que a natureza também dorme, acorda e chora às vezes, mas que assim é a vida e que o importante mesmo é continuar de pé, buscando um mundo melhor.

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Pegue as rédeas da sua vida!

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 08, 2011 11:24 pm


© Letícia Thompson

Nada mais inquietante do que não saber onde ir.
Quando olhamos as estradas e caminhos que se apresentam diante de nós e nos faltam as forças para seguir por esse ou aquele, falta coragem, motivação e nossa maior vontade é nos abandonar.

Pior, muito pior, é conhecer as respostas e, ainda assim, sentir o desânimo da caminhada nessa estrada que parece nunca ter fim.
O conhecimento, todas as teorias que vamos acumulando em nós, não nos servirão de nada se não os colocarmos em prática.

É como ter livros de receitas guardados em gavetas.
Tudo parece delicioso, mas se nos faltam os ingredientes e a coragem para juntá-los, continuarão fechados.

Prático, muito prático é ter alguém que faça por nós.
Mas a vida, os amigos e a família não são cadeiras de rodas, não são meios de locomoção, eles são nossa força e nossa alegria. Porém, precisamos aprender a andar por nós.

É necessário pegar as rédeas da própria vida, ter o controle, a direcção.
Há coisas que ninguém pode fazer por nós e viver está entre elas.
E viver no sentido real, sentir na pele e na alma os acontecimentos que movimentam o mundo, os doloridos e os que nos encantam.

Fechados em casa, sem espaço, limitados pelas paredes e pelos sofrimentos, vamos nos afundando num poço sem fundo, do qual será muito difícil nos levantar.
É preciso reunir a coragem e a força, misturar a alegria de viver com o sonho de se chegar a algum lugar, dar passos e abrir os braços à vida.

Aprendemos com os outros, mas não podemos contar que farão as coisas por nós.
Suas vidas nos servem de exemplo, mas não nos fazem viver suas experiências.
Estas são, com tudo o que elas trazem ou podam, nossa quota.

Se a vida tiver que te transformar, que seja então em alguém melhor.

Não há melhor momento que o de agora para se pegar as rédeas da vida e dirigi-la.
O ontem passou e o amanhã está adiante... ame-se o bastante para construir seu abrigo.
Creia, muitos são os que precisam da sua sombra e bem-aventurado é o homem que, assinando sua obra dá de si, a si e aos outros.

E do Alto Deus vê e agradece, sorrindo pra você.

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O jardim secreto de cada um

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 08, 2011 11:24 pm


© Letícia Thompson

Há dentro de todos nós essa necessidade de ter em algum lugar nosso jardim secreto, não onde vamos confinar nossos segredos, mas onde podemos ter um encontro real e exclusivo connosco.

Umas pessoas sentem mais essa necessidade que outras, mas estar consigo de vez em quando, interiorizar-se, colocar ordem nos pensamentos ou simplesmente abandonar-se, é vital ao equilíbrio de todos nós.

Em todo relacionamento onde o amor existe, esse espaço deve ser conservado como o limite de cada um.
Os relacionamentos fusionais que ultrapassam essas barreiras acabam por destruir-se, pois amar é também respeitar que a outra pessoa tenha seu recanto, seus pensamentos e, por que não, seus próprios amigos, próprias ideias e sonhos.

As pessoas não precisam estar juntas cem por cento do tempo para provarem que se amam.
Elas se amam por que se amam e pronto.
Dar ao outro um pouco de espaço, um pouco de ar para respirar, é dar-lhe também a oportunidade de sentir falta de estar junto.
E isso vale tanto para os amores como para as amizades.

As cobranças intermináveis, resultados de carências afectivas, acabam por sufocar a outra parte e cria na que pede, espera, implora, ansiedades que a tornarão infeliz, pois ela verá como desamor qualquer gesto que não corresponda ao que espera.

Amar é deixar o outro livre para ficar ou para se retirar.
É respeitar seu silêncio e seu desejo de solitude.
E é deixá-lo livre para ir e voltar quando o coração pedir, que isso seja numa cidade ou dentro de uma casa.

Nada impede que um grande e lindo jardim seja construído juntos e que de mãos dadas se passeie por ele, com o peito cheio de felicidade e a cabeça cheia de sonhos...
mas ainda assim, o jardim secreto de cada um deve ser mantido como lugar único e que vai, no fim das contas, enriquecer as relações.

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Gota a gota

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 09, 2011 11:36 pm


© Letícia Thompson

Em todo relacionamento não existem coisas grandes, pequenas e insignificantes.
Nos verdadeiros relacionamentos, tudo é grande.

Nosso erro é justamente pensar que existem coisas que não devem ser levadas em consideração, que podem ser deixadas para trás, que vão passar com o tempo e serão esquecidas.

Coisas pequenas podem incomodar tanto ou mais quanto as grandes.
Quem já viu o tamanho de uma pedra que maltrata os rins ou a vesícula sabe do que falo.

O acúmulo das pequeninas coisas dia ou outro vai acabar estragando o relacionamento.
Quando a gota que fizer transbordar o vaso chegar, a queda será inevitável.

Quando vemos pessoas que se separam, em amor e amizade, de uma hora para outra nos surpreendemos.
O que não podemos imaginar é o quanto o coração daquelas pessoas estava cheio de pequeninas coisas mal resolvidas.

A gente vai acumulando mágoas, deslizes, nos dizemos que estamos perdoando, que iremos nos esquecer.
E um dia, por um motivo às vezes mínimo, tudo explode, tudo sai, tudo o que estava esquecido reaparece.
E ainda pior, pois enraizado em nós, atinge o outro como uma bofetada.

O coração não esquece assim tão facilmente se ele mesmo não soube compreender, aceitar e perdoar.

Assim como nosso estômago, ele precisa também digerir.
Conversas que ficam para o dia seguinte são problemas adiados.
O amor, por mais imenso que seja, também sofre.

Devemos ter o cuidado de tirar a cada dia, cada ocasião, as pequenas ervas daninhas que envenenam pouco a pouco nossas relações.
Uma boa comunicação, aberta e franca, pode até magoar no momento, causar choro e desgosto.
Mas pode também salvar os relacionamentos.

Se grãos devem encher nosso coração, que sejam eles então os do amor, sinceridade, ternura, franqueza, momentos de felicidade.
E que ele transborde, pleno e cheio de vida!

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A vida cor-de-rosa

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 09, 2011 11:37 pm


© Letícia Thompson

Hoje estou vendo a vida cor-de-rosa.
Uma página se fechou e uma nova se abre.
O céu está azul e o sol brilha com toda a sua força.
Meu coração sorri e está cheio de paz.

Nós não podemos seguir nosso caminho na vida se deixarmos coisas não resolvidas para trás.
Outros poderão tropeçar nessas coisas.

O mundo está cheio de estrelas que pertencem a todo mundo.
Cada um tem direito à sua, mas todo mundo não terá o direito de tocá-las, porque para isso é preciso querer.

Amar seu próximo como a si mesmo é um ensino de uma grande sabedoria.
E nós nos esquecemos com frequência que o próximo é aquele que está perto e então é preciso começar pela nossa família.

Quem ainda não entendeu isso não entendeu nada da vida. Sejam quem forem, o que forem, os pais são as pessoas mais próximas de nós.
Não importa o que eles fizeram na vida, foram eles que nos deram a nossa vida.
Só por isso devemos amá-los muito, imensamente, infinitamente.

Saber se entender com seus pais, saber perdoar as grandes e pequenas coisas é ser sábio.
Se existe alguma coisa que nos separa da nossa família é preciso voltar atrás antes de prosseguir o caminho.
Porque sem isso nós não seguiremos jamais como devemos.

E depois, devemos olhar à nossa volta e procurar outros que têm necessidade do nosso perdão ou de nos perdoar.
Isso parece fácil, mas não é, porque isso pede muita humildade e, infelizmente, o mundo está cheio de "cogumelos" que ainda não entenderam que não devemos nos tornar totalmente para nós mesmos, mas para os outros, como as rosas que se oferecem inteiras.

Depois, e só depois nós podemos liberar a luz que está em nós e tocar nossa estrela.
E quando nós a tivermos tocado, outros perceberão e vão querer se aproximar de nós, porque a luz atrai pessoas.
Mesmo as plantas se voltam para o lado do sol.

Nós não devemos deixar ninguém passar pela nossa vida sem receber alguma coisa.
Ninguém deve entrar e sair sem nos amar primeiro.

Hoje é um dia maravilhoso e vou vivê-lo intensamente.
A vida me deu muito, mas isso não me servirá a nada se eu não compartilhar com outros.

E é por isso que escrevo isso.
E é por isso que meu coração bate tão forte.

Eu te ofereço este dia maravilhoso e eu desejo que você não termine seu dia sem ter aprendido algo novo.
Existem ensinos em toda parte, mas é preciso saber olhar.

Eu desejo que você olhe.

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A felicidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 09, 2011 11:38 pm



Receita de felicidade eu já vi.
Ponto por ponto.
Conselhos.

Mas existe mesmo uma receita, se consideramos que felicidade é uma coisa individual?
Se levamos em conta que o que é bom para mim não é necessariamente bom para o meu próximo?

Existe, certo, pontos onde podemos definir que podem ser a base para a felicidade de uma maneira geral, mas isso mesmo não é a felicidade em si.
Costumamos fazer projectos para os nossos filhos, às vezes irmãos mais novos e até amigos próximos.

Jogamos sobre eles nosso próprio desejo de conseguir alguma coisa e colocamos sobre isso a nossa própria expectativa de felicidade sem nos darmos realmente conta se aquilo será realmente o que aquele pessoa deseja para a sua realização pessoal e se aquilo está dentro do padrão do que aquela pessoa deseja para si mesma.

Queremos que as pessoas vivam segundo nossos projectos e não segundo eles próprios.
E quando essas pessoas dizem não, nos decepcionamos.
Às vezes cometemos até o erro de tentar fazê-los mudar de opinião.

Na verdade, ao agirmos assim, não estamos pensando na felicidade do outro, nem mesmo no outro.
Estamos pensando em nós, no quanto nos abala saber que as pessoas são diferentes da gente, muitas vezes até no quanto elas são capazes em coisas que nós mesmos nunca tivemos a coragem de assumir.

Mas minha felicidade ou infelicidade, não é a felicidade ou infelicidade de ninguém.
A do outro também não é minha.

Eu não sei, mesmo se o conheço profundamente, quantas noites ele ficou sem dormir porque se sentia infeliz ou o quanto sonhou acordado com coisas que eu nem posso supor.

É errado sofrer sofrimento dos outros.
E injusto também.

Isso pelos dois lados.

É importante deixar a cada um o direito de ser feliz como ele sente ou aspira.
Se sentir feliz por alguém e ser feliz por esse mesmo alguém são duas coisas distintas.

Amamos e nos preocupamos com alguém e isso é muito natural e mesmo sadio, mas é importante saber se liberar do peso de se sentir feliz ou infeliz por outra pessoa, mesmo se a amamos muito!

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O bom e o ruim

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 10, 2011 11:52 pm


© Letícia Thompson

É a gente que mede a intensidade e os valores da vida.

A alegria e a tristeza, o riso e a dor são tão comuns que deveríamos aceitá-los como parte do quotidiano.
Mas não.

Aceitamos o bom e rejeitamos o ruim como se este não tivesse importância, como se não fosse através dele que aprendemos a saborear as grandes alegrias.

Isso por que só chegamos ao êxtase da alegria quando antes descemos ao fundo da melancolia, da tristeza, da solidão.

Aquele que sabe sofrer uma grande dor sabe apreciar uma grande alegria ao seu justo valor.

Porém, permancecer em um estado de espírito ou em outro depende muito de cada um de nós.
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Ciranda da memória

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 10, 2011 11:53 pm


© Letícia Thompson

O que é a nostalgia senão aquele sentimento que bate lá no fundo e nos faz voltar a tempos que ficaram, se não esquecidos, pelo menos guardados na nossa memória?

Daí o cérebro vai lá nos cantinhos mais profundos da nossa alma e buscam coisas simples e singelas do nosso passado para nos trazer de novo esse ar de criança feliz e arteira.

Ah! Nossos tempos de criança!..

Tempos em que éramos felizes e não sabíamos;
que acreditávamos em papai Noel e tínhamos medo de mula sem-cabeça;
tempo da inocência quando acreditávamos poder voar;
quando nos sentávamos ao lado dos "mais velhos" e com os olhos arregalados ouvíamos as histórias
(ou histórias - nunca nos perguntávamos sobre a veracidade dos factos!);

quando sonhávamos ser princesas e que um belo príncipe encantado viria nos fazer feliz para sempre;

e comíamos doce sem pensar em engordar;

fabricávamos nossos próprios brinquedos com latas, madeira e muita imaginação...

Sem telefone, pouca televisão (em preto e branco!) e nenhum computador.

Tempos de brincar de eu sou pobre, pobre, pobre e ainda assim se sentir feliz;

de querer brincar de "Ciranda, cirandinha," "Samba-Lelê tá doente" e "Atirei o pau no gato" nos fins da tarde numa grande roda das crianças da vizinhança como se fôssemos uma grande família...

e ficávamos
"de mal" de vez em quando, mas isso passava logo nos jogos de bola ou de pique-esconde.

Subíamos em árvores para roubar manga e goiaba...

Menina brincava de boneca e menino de carrinho.
E tínhamos nossos segredos de alta importância com nossa melhor amiga... e nosso coração já sabia bater escondido por aquele menino tímido... e os primeiros bilhetinhos com versos e corações?

E não compreendíamos por que aprender números e letras era tão importante, não nos preocupávamos com dinheiro e menos ainda com política...

Nossas maiores dores eram de joelhos ralados e tombos de bicicleta...
Tempos perdidos na nossa memória e que são revividos quando encontramos um amigo de infância que nos faz lembrar que aquela criança ainda mora dentro de nós.

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Poeta

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 10, 2011 11:53 pm



Ser poeta é ter a capacidade de medir a alma humana, não em grandeza, mas em profundidade.
É ter a facilidade de dizer em poesia o que muitos sentem, mas não sabem exprimir.
É viver um pouquinho da vida de cada um, dos sonhos de cada um, das felicidades e infelicidades de cada um.

Um poeta é um ser múltiplo, mas solitário muitas vezes.
É um ser só repleto de sonhos, dele e dos outros.
Um poeta dói sempre em si mesmo.
Ele se desnuda, quando nem todos sabem compreender a sua nudez e ele se entrega quando nem todos estão preparados para recebê-lo.

Um poeta inventa palavras, re-inventa a vida.
Cria sonhos que nem sempre vive.

Quando ele ama, ama intensamente; quando sofre, sofre como ninguém.
Ele não conhece mais a vida que outras pessoas, mas talvez caminhe um pouquinho à frente nas adivinhações das probabilidades dos sonhos, das possíveis dores e lágrimas.

E nem por isso pára no meio do caminho... ele avança, vivendo por ele, vivendo pelos outros, com todos os riscos que isso pode acarretar.

Um poeta é uma alma à parte.
Não melhor, nem pior.
À parte, apenas.

Ele é a coroa de si mesmo, de glórias, mas também de espinhos.
Ele sangra voluntariamente se a razão é o amor.
Um poeta é uma multidão em um único ser.

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Lições da vida

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 11, 2011 11:43 pm


© Letícia Thompson

Quando pensamos na palavra lição a primeira coisa que nos vem à mente é escola.
E acho que temos razão.

O que é a vida, senão uma grande escola onde a gente nunca tira o diploma?
Felizmente.

Seria triste chegarmos a um momento onde pudéssemos achar que já sabemos o suficiente, pois isso tiraria nossa motivação para prosseguir.

Há pessoas que chegam num ponto onde acham que estão diplomadas, mas tudo o que conseguem é afastar os eternos alunos delas mesmas, pois uma das coisas mais tristes que existem é encontrar alguém que pensa que sabe tudo.

Geralmente quem pensa que sabe tudo, não sabe é nada, ainda não compreendeu nada da vida, que tudo no mundo é um eterno recomeçar.

Assim, alunos eternos, vamos aprendendo que o mundo é um grande rio onde só sobrevive quem se dispõe a nadar, quem não pára no meio do caminho, quem reconhece os próprios erros, não para viver num eterno sentimento de culpa, mas para tentar não cometer as mesmas falhas quando devem enfrentar problemas idênticos, quem se ama o suficiente para não se deixar levar pelo desespero em situações aparentemente sem saída, quem crê fielmente que Deus tudo pode quando, humanos, não encontramos força de poder, quem nunca desiste de um sonho e que tem por grande ambição a felicidade, própria e alheia.

Não há feriados na escola da vida, nem sábados e domingos onde podemos descansar.

Existem lições diárias em cada acontecimento, cada facto, mesmo sem importância aos nossos olhos.

Mas nem por isso devemos ter a vida como um fardo, ela é um presente, uma dádiva que a maioria das pessoas só valoriza quando chega no fim da caminhada.

Feliz de quem vive cada dia sem se deixar morrer pelo que aconteceu e sem se deixar entristecer por problemas futuros, que nem sempre virão.

§.§.§- O-canto-da-ave
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O cordão umbilical

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 11, 2011 11:44 pm


© Letícia Thompson

Deus é perfeito e faz tudo com perfeição!

Costumo dizer que todas as lições que precisamos aprender para bem viver estão nas coisas simples da vida.
É suficiente abrirmos os olhos, que sejam físicos, que sejam do coração.

Uma criança está ligada à mãe pelo cordão umbilical em um tempo normal de nove meses.
Passado esse período, essa ligação já não é mais benefício, mas, ao contrário, representa um perigo de vida para os dois.

É maravilhoso perceber que Deus estabeleceu um tempo para que um novo ser humano possa começar sua independência.

Há pais que vivem a vida inteira e não se dão conta disso.
Eles querem carregar seus filhos nas costas, a fim de evitar sofrimentos e pensam fazer isso por amor.

Mas o que é amar?

Amar é saber a hora certa de cortar o cordão umbilical.
Fazendo tudo por nossos filhos, nós os sufocamos e os deixamos despreparados para a vida.
Nosso medo é que eles sofram.

E daí?
Quem não sofre?
Quem pode evitar esse caminho?

Amar não é correr o tempo todo atrás das nossas crianças para evitar que caiam, mas estar ao lado delas cada vez que caírem para sanar os ferimentos e dar apoio, um abraço, um beijo, uma simples presença.

Deus, que é nosso Pai maior e conhecedor de todas as coisas, também permite que passemos por caminhos difíceis, às vezes mesmo quase insuportáveis e Ele não nos ama menos por isso.

Nós damos muito mais valor às coisas que obtemos com dificuldade e o Senhor sabe disso.
Mesmo Jesus conheceu a fome, sede, dor e angústia.
E Ele é o Filho do Rei, ele é perfeito...

Amar não é construir no lugar dos nossos filhos, é ensiná-los o valor de construir e o prazer de ver o resultado.
É ensiná-los que a vida não nos oferece tudo e que na maioria das vezes precisamos lutar para alcançar as coisas, precisamos passar por sacrifícios, nos resignar e aceitar que não somos perfeitos, mas que dentro da nossa imperfeição, podemos dar o melhor de nós.

Não podemos criar nossos filhos numa redoma de vidro, por que não somos eternos e por que isso seria injusto para eles.
Crianças super-protegidas serão adultos mancos para a vida toda e correm o risco de sofrer muito mais do que aqueles que cedo aprenderam que não importa se a gente cai e se machuca, a gente se levanta sempre e pode recomeçar cada vez.

Às vezes o maior presente que podemos dar aos nossos filhos é deixar que caminhem sozinhos, que façam suas experiências, que experimentem as lágrimas e o gosto do sal, as decepções das derrotas e o grandioso sabor das vitórias.

Amar é libertar.
Mesmo se isso dói em nós...

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Aniversário

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 11, 2011 11:44 pm


© Letícia Thompson

Os anos passam e nos tornamos heróis ou heroínas da nossa história.

Foram ventos e tempestades, muito calor ou muito frio, muita lágrima e muito riso, muita tristeza e muita felicidade!

Muitos amigos e muitas amizades.
Surpresas, decepções... amores, dissabores, bons e maus momentos aqui e acolá.

O tempo passou mesmo quando eu queria que ele parasse.
Tive a impressão que parou quando quis que avançasse.
Mas ele não se deu conta disso e continuou sua tarefa.

Hoje é apenas um dia a mais.
Importante? Sim, como ontem e como amanhã.
Especial? Sim, especial.

Acho que quanto mais o tempo passa, mais a gente sente a sua importância, a urgência em viver a vida em seus pormenores, em prová-la sem engolir quente demais para não sentir o seu gosto e nem frio demais para que tenha perdido sabor.

A vida é linda e nosso coração é o mesmo do início ao fim, mesmo se mais vivido, mais experimentado.

As emoções do passado vão me tocar ainda hoje, mas de maneira diferente.
Deve ser isso o que as pessoas chamam de chegar a uma idade madura.
Amadurecer deve ser quando a gente vê e sente as mesmas coisas, mas olha de maneira diferente.
Deve haver mais ternura num olhar amadurecido. Deve sim...

Recebo a vida como um presente e as minhas amizades verdadeiras como uma compensação da vida.

Aniversariar deve ser isso: olhar pro céu, abrir os braços e acolher o que o tempo ainda nos reserva.
Com força, coragem e paciência.
Com amor, sobretudo com amor.

Sou uma heroína da minha existência?
Sim, como todos nós.
Todos somos aos olhos de Deus.

E no livro que Ele escreve para nós, nos dá o papel principal.
Assim é que no nosso aniversário tentamos sempre nos lembrar da introdução e recapitular, sem jamais querer saber qual e quando será o último capítulo.
E isso não é mesmo importante.

Hoje é o dia presente, em todos os sentidos da palavra.

E vou vivê-lo!!!

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Carência Afectiva

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 12, 2011 11:53 pm


© Letícia Thompson

A carência afectiva é um mal que atinge todas as faixas etárias, culturas e classes sociais.
É pior que a gripe, que vem e vai embora, ou uma doença que mata de vez.
É um mal que consome as pessoas devagarinho.

A indiferença da sociedade actual face aos problemas do mundo, faz com que as pessoas sintam-se sozinhas e carentes.
Preferimos fechar os olhos ao que se passa ao nosso redor (e mesmo fora dele!) do que enfrentar a realidade da vida dos outros, dos seus problemas.
Há cada vez mais pessoas solitárias enquanto a população cresce.

As pessoas têm sede de amor.
O problema é que raramente querem ser fonte.
E nessa engrenagem há muita gente infeliz.

Então corre-se de um lado para o outro, alguns tentam achar compensação a nível profissional, outros em religiões, crenças e seitas.

A internet também faz parte desse mundo.
Fecha-se aqui, procura-se amores, amizades e certezas de que alguma coisa ainda existe capaz de compensar a falta de afecto.
E enganam-se. Engana-se os outros e a si mesmo.

Quando Jesus andou na terra, tenho certeza que não precisava de nada.
Ele era auto-suficiente.

Apesar disso, viveu tudo:
Ele andou, trabalhou, se entristeceu, chorou, sentiu fome, angústia, dor, morreu e ressurgiu.

E vivendo tudo isso, amou.
Amou até o fim, até pedir perdão para os que o crucificaram.
E tudo o que Ele viveu, foi para nos mostrar o exemplo.

De nada serviria se Ele tivesse pregado e não vivido as próprias palavras.
Como nós. Mais que falar, precisamos viver.

O dia que as pessoas compreenderem que a solução está dentro delas mesmas, então o mundo terá uma chance de sair desse caos.
Se você quer ser amado, ame!
Quer receber um sorriso? Sorria!

Quer receber e-mails? Mande!
Quer carinho? Dê ternura até não aguentar mais.
Quer atenção? Seja atencioso!

Talvez não funcione imediatamente.
É um remédio que precisa de um tempo para começar a fazer efeito.
Mas, quando você estiver curado interiormente, vai ser outra pessoa, de maneira tal que será impossível não receber de volta a felicidade que espalhou.

Temos a mania de querer comprar tudo.
Mas muitas coisas da vida precisamos plantar, cuidar e colher com nossas próprias mãos.
Nem tudo se vende e se compra e afecto faz parte dessas raras coisas.

Não amamos a Deus por que Ele nos amou primeiro?
Então, vivamos de maneira que possamos ser os primeiros a dar afecto, amor, atenção.
Sejamos os antídotos do ódio e da indiferença.

Tudo o que virá após, será compensação.
Estaremos contribuindo assim para uma sociedade mais humana, mais justa e mais equilibrada.

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Imortalidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 12, 2011 11:53 pm

© Letícia Thompson

Buscamos todos a imortalidade.
Não somente a nossa, mas a de todos os que são caros ao nosso coração.
Por isso sofremos tanto quando um dos nossos fica doente ou acontece algo na sua vida que traga a possibilidade que essa pessoa se vá.

Nós fomos preparados para a vida, não para a morte.
Nós fomos preparados para vermos coisas surgirem, não desaparecerem.
Fomos preparados para receber, não para ceder.

Controlamos muitos dos nossos actos, mas não a vida.
Não temos esse poder.
Colocamos, com a graça de Deus, vidas no mundo; podemos até tirá-las... infelizmente!

Mas não temos o poder de guardar o tempo todo perto de nós todas as pessoas que amamos, aquelas às quais prometemos amor eterno ou mesmo às que nunca dissemos nada, mas a ternura que sentimos por elas é palpável e real.

A imortalidade que devemos buscar, para nós e para os outros, é a da alma.
Por isso é importante ser bom, amar e amar e amar!... dar das nossas horas e nossos gestos, do nosso pão e da nossa atenção, até que todos os nossos actos sejam fruto desse amor, ele, imortal.

Imortal não é quem não morre, é quem fica depois da morte, acima dela.
É o resultado do que fazemos e do que deixamos.

Nunca antecipe sofrimentos.
Eles já são cruéis o bastante quando estão presentes.

Só o amor torna imortal uma pessoa.
O que damos e o que recebemos.

E o que somos aqui na terra, enquanto temos essa casca da aparência para nos representar, é o que vai nos levar adiante, ao encontro das promessas do Deus-Pai.

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Os gestos também falam

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 12, 2011 11:54 pm



Quando as palavras calam, os gestos falam.

Vivemos às vezes situações em que as palavras parecem desaparecer do nosso vocabulário.
Elas ficam todas emboladas no nosso estômago, sobem até a garganta e não sabemos, não temos ideia de como colocá-las para fora.
São muitas vezes quando nossos amigos mais precisam de nós.

E, justamente, é aí que encontramos essa barreira.
Não sabemos o que dizer, não temos explicação aceitável para o sofrimento, temos medo de falar algo que não devemos e nos quietamos.

Achamos com facilidade palavras, repetidas e gastas mesmo na maioria das vezes, para expressar nossa alegria, nosso desejo de felicidade ao outro e não nos importamos se alguém já disse ou não.
Pegamos emprestadas essas frases corriqueiras e fazemos delas nossa mensagem.
E nossos amigos recebem isso de coração aberto, sorriso estampado, porque eles fazem também uso disso.

É de praxe, é normal, é gentil, é nobre.
É milhões de vezes melhor que o esquecimento.
Nossa grande dificuldade é expressar em palavras de consolo quando nós mesmos temos um coração moído pela dor de ver o sofrimento do outro e termos a consciência que não podemos fazer nada!

Vai passar, sabemos disso, pois todas as dores passam, como passam as noites de lua e os dias de sol.
Nada é estável e constante.

E queríamos tanto encontrar as palavras exactas que amenizasse o sofrimento, que trouxesse consolo imediato, que anestesiasse ou curasse de vez!
E lá, nesse exacto instante, as palavras morrem.

Mas eis um segredo que só os anjos conhecem: os gestos falam!

Flores falam muito.
Um beijo fala.
Um afago fala de voz doce e suave.
Uma presença, mesmo calada, fala demais.

Um abraço fala muito alto.
Um olhar sincero diz tanto!
Uma mão que segura outra mão fala como várias bocas e centenas de corações...

Quando as palavras se recusarem a sair de você, fale com gestos.
O outro compreenderá.

Seja você o anjo calado que vai trazer um lenço e vai ficar do lado para o outro se sentir menos sozinho.
Dar de si vale mais que todas as palavras do dicionário juntas.

E nesses instantes, Deus se cala também.
Ele se contenta, como nós, de olhar com ternura e Ele sente prazer em nós.

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Casos perdidos

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 13, 2011 11:49 pm


© Letícia Thompson

Não desista das pessoas!
Não desista de você mesmo!

Ninguém é um caso definitivamente perdido até que o último suspiro seja dado.
Batalhamos muitas vezes para ajudar as pessoas e acabamos nos sentindo cansados quando a única impressão que temos é que nada muda, nada acontece.

Nesses momentos sentimos como se não tivesse jeito e o sentimento de impotência diante da situação pode nos impelir a desistir.
Mas não estamos dentro do coração de ninguém, não sabemos o que nossas acções, nossos esforços estão fazendo, talvez o gelo esteja derretendo e paramos no mau momento.

Não é por que as pessoas ficam caladas e não demonstram reacção que o que fazemos por elas não possua efeito.
A mente guarda tudo o que recebe, a alma se apega a afeições e um coração endurecido pode se sentir tocado.

Claro que seria mais fácil ter uma varinha de condão e sair resolvendo os problemas de todo mundo, transformando gatas borralheiras em lindas cinderelas, pessoas más em anjos e resolvendo os problemas de infelicidade daqueles que nos são caros.
Mas não é bem assim que funciona com a vida.

A única varinha de condão que possuímos é a nossa vontade de ajudar, nosso coração inteiramente disponível e um amor desmesurado.
Podem não ser coisas suficientes, mas são básicas e um grande começo.

Não conheço ninguém que seja incapaz de ajudar, nem que seja orando, dando uma mão, um pouco de atenção, ficando do lado.
Isso é o que geralmente chamamos de amizade.

E, ajudando aos outros, nos ajudamos a nós; restabelecendo a felicidade de alguém é a nós que estamos reconstruindo, pois não há maior recompensa por um grande esforço que ver um grande sorriso e olhos que brilham.

Deus também não nos considera casos perdidos, pois nos levanta a cada queda e nos perdoa a cada deslize.
Olhe-se bem no espelho: mesmo com todas as suas imperfeições, você é capaz de ir adiante e vencer suas barreiras emocionais e existenciais.

Não... não existem casos perdidos, existem apenas pessoas mais difíceis de serem ajudadas e que não compreenderam ainda que podem sair do poço, mas quando maior for nosso desafio, maior será nossa vitória.

Abrace a coragem, vista-se dela!
Há muitos que precisam de você e, sobretudo, Deus conta com você!

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A boa árvore

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 13, 2011 11:50 pm


© Letícia Thompson

A vida não nos oferece garantias.
Quem ousaria assinar embaixo de uma decisão e afirmar que ela é cem por cento boa, sem nenhuma margem possível de engano?

Enfrentamos todos situações assim, onde nos sentimos lá e cá, temos que tomar uma decisão e não sabemos exactamente qual caminho escolher.
Muitas vezes sabemos até o que queremos (e o que não queremos!) porém não podemos afirmar com certeza que aquilo será bom para nós, por mais que nossos sonhos nos levem para longe.

O que nos impede de querer tomar decisões são as possíveis consequências delas no nosso modo de vida.
Nessas horas recorremos aos amigos ou alguém em quem tenhamos confiança.
Mas não podemos nos esquecer de uma coisa: pedir conselhos pode ser bom e útil para avaliarmos as situações, mas não transfere a responsabilidade que pesa nos nossos ombros.

Mas, claro, colocamos o pé nessa estrada da vida e o jeito é caminhar.
Só é preciso, nesses momentos, evitar os extremos: nem tomar decisões precipitadas e nem levar um tempo infinito pensando no que fazer.

Devemos pedir a orientação dAquele que tudo sabe e tentar reconhecer os sinais que nos indicarão o caminho... sem nos esquecer que nossa condição humana somada aos nossos desejos podem nos conduzir a caminhos errados.
Mas se devemos ir, então, façamos a nossa bagagem e peguemos esse trem.

O tempo vai nos dizer se o que fizemos foi acertado ou não.
Só mesmo o tempo. Vamos esperar a estação dos frutos.
Se forem bons, saudáveis, é que a árvore é boa e então é só seguir em frente.

E se por acaso não houver, se as dificuldades nos mostrarem que erramos, nada nos impede de reconhecer nosso erro.
Nada, a não ser nosso orgulho.
O fracassado não é o que erra e assume, mas o que desiste de tentar de novo.

O orgulhoso que teima numa decisão errada só para não ter que admitir, a si e aos outros, que não fez a boa escolha, vai continuar no caminho e será obrigado a comer desse pão para o restante dos seus dias.

Aos outros novas oportunidades serão dadas, novas árvores serão plantadas e os frutos vão se oferecer a ele como o maná, um presente vindo do próprio Deus.

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E o sol nasce novamente

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 13, 2011 11:51 pm


©Letícia Thompson

Há ocasiões em nossa vida que a noite parece interminável.
É assim quando todas as esperanças parecem ter ido procurar refúgio em algum lugar, menos no nosso coração.

Não somamos nossas alegrias como somamos nossos problemas.
Quando passamos por um caminho difícil, fazemos uma revisão do que vivemos e temos vivido e somamos as dores, que parecem crescer a cada lembrança.

Se, inversamente, fizéssemos o mesmo com nossos momentos de alegria, encontraríamos razões a mais para viver e forças suplementares para sobreviver aos impasses da vida.

Por mais longa que seja a noite, por mais lento que tenha sido o relógio e por mais dolorido que tenha estado nosso coração, o sol nasce novamente.
Pouco importa se no dia seguinte ele estará ainda encoberto por nuvens, ele não estará encoberto eternamente.

A certeza de que algo de bom e bonito existe nos faz guardar ainda acesa a chama dentro do coração.
Se o sol vai e volta, a lua some e reaparece, as marés baixam e sobem, não há razões para que na vida não demos a volta por cima.

A natureza é a prova viva de que tudo está em movimento sempre e nós fazemos parte dessa paisagem idealizada e plantada por Deus.

Tudo é passageiro, as alegrias vêem e vão, mas o sofrimento também, até mesmo aquele que se instala no mais profundo do nosso ser, ele também se acalma e deixa um lugarzinho aberto para a doçura de viver.

Não podemos desistir de ser felizes enquanto o sol não desistir de renascer.

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A (in)tolerância

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 13, 2011 11:52 pm


© Letícia Thompson

As flores toleram as abelhas, mesmo se estas lhes tiram o néctar, mesmo se, por vezes, por acidente, uma pétala se machuca.

A natureza tolera os ventos que arrastam folhas e quebram os galhos, tolera as torrentes e correntes que não perguntam o que carregam na sua passagem.

A própria lua tolera as mudanças e acolhe serenamente cada fase com dignidade.

Só nós, humanos e racionais, somos assim intolerantes com a vida, com o próximo, com o que nos acontece, com o que deixa de nos acontecer, com as diferenças e os diferentes que mal suportamos.

Damos de nós e queremos ficar inteiros;
recebemos e queremos continuar os mesmos, abastados do nosso eu, sem as máculas dos pecados que nos deixariam iguais a todo mundo.

Queremos amar o que nos é próximo, pois que nos disseram "ama a teu próximo" sendo que esse outro deve ser uma correspondência daquilo que somos.
O que é diferente nos decepciona e nos faz sofrer.

Por isso cobramos tanto dos outros e permitimos que essa negra nuvem encha nossa alma de tristeza ao depararmos com acções e reacções diferentes das que esperamos.

Mas não é amar tolerar que o outro seja outro e aceitar com resignação e alegria até que, mesmo nos possíveis deslizes, esse encha nossa vida de novos ares e novas flores?!

A tolerância é uma incontestável prova de amor e de humildade;
é o eu que se inclina para se reerguer mais rico, mais pleno, mais aberto, mais solto e mais livre.

Mais livre!!!
E por isso mesmo mais feliz!

Ser flexível na vida não é se curvar.
É simplesmente abrir-se como abrem-se nossas janelas para que o sol entre e ilumine nosso recinto.
É um ceder que nos enobrece, pois nos permite degustar da vida nos seus mínimos detalhes.

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