O que é a Doutrina

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Re: O que é a Doutrina

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 16, 2012 10:17 pm

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E mais adiante:
"Espera e ama sempre!
Em silêncio, a árvore podada multiplica os próprios frutos e o céu assaltado pela sombra nocturna descerra a glória dos astros!

Lembra do Cristo, o Amigo silencioso.
Sem reivindicações e sem ruído, escreveu os poemas imortais do perdão e do amor, da esperança e da alegria no coração da Terra.

Busquemos n'Ele o nosso exemplo na luta diária e, tolerando e ajudando hoje, na estreita existência humana, recolheremos amanhã as bênçãos da luz silenciosa que nos descerrará os caminhos da Vida Eterna".


Portanto, há muita coisa que podemos fazer em favor da paz.
Mesmo que não contemos com recursos e títulos académicos, ou dinheiro, o importante é aprender a viver com os outros, sem conivência com o mal, sem omissões comprometedoras, mas com espírito de serviço, tolerância, respeito e amor.

Daí porque o trabalho precisa ser começado no nosso mundo íntimo, pois se não construirmos portas a dentro do nosso próprio ser, esses valores, como utilizá-los em favor dos outros?

Todos podemos contribuir em favor da paz. Os recursos chamados menores são, às vezes, de grande importância.

Exemplo:
Um prédio construído próximo a uma central eléctrica, para dotá-los de luz e força será imprescindível a tomada simples.

Esse cuidar de nós, dos outros e do mundo a nossa volta pode parecer a muitos uma utopia, ou algo que não dá retorno, porque estamos acostumados a raciocinar em termos imediatistas, na base do toma-lá, dá-cá.

A pessoa deseja saber o que vai ganhar, e se vai valer a pena o esforço.

Ouçamos novamente o sábio Emmanuel:
"Ninguém atinge o bem-estar em Cristo, sem esforço no bem, sem disciplina elevada de sentimentos, sem iluminação do raciocínio.

Antes da sublime edificação, poderão registar os belos discursos, vislumbrar as mais altas perspectivas do plano superior, conviver com os grandes apóstolos da Causa da Redenção, mas poderão igualmente viver longe da harmonia interior, que constitui a fonte divina e inesgotável da verdadeira felicidade, porque se o homem ouve a lição da paz cristã, sem o propósito firme de se lhe afeiçoar, é da própria recomendação do Senhor que esse bem celestial volte ao núcleo de origem, como intransferível conquista de cada um"
(livro Vinha de Luz, cap. 65, psicografia de Francisco C. Xavier).

(Jornal Verdade e Luz Nº 178 de Novembro de 2000)

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Jesus

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 18, 2012 10:31 am

Leda de Almeida Rezende Ebner

O Espiritismo nos mostra Jesus como um Espírito criado como nós, simples e ignorante, pois Deus não seria soberanamente justo se criasse seres diferenciados.

Todos temos de passar pelo processo evolutivo, tendo o mesmo ponto de partida, o mesmo ponto de chegada.

Jesus fez, portanto, sua evolução intelectual e moral;
não sabemos onde, nem como, nem quando, mas já era perfeito antes da Terra existir.

Talvez haja Espíritos que, tendo feito sua evolução na aceitação da lei do Bem, não tenham tido tantas dificuldades como nós, Espíritos rebeldes, necessitados de viver em mundo de expiações e provas.
Jesus pode ter sido um deles.

Através dos Evangelhos, vemos Jesus como um Espírito divino pela sua superioridade espiritual, pela sua vivência no amor, pelas vibrações balsâmicas, amorosas que irradiava e continua irradiando, as quais podemos sentir sempre que o mentalizamos, que meditamos em suas lições, no seu viver.

Jesus é a luz que brilha na Terra, indicando o caminho da paz e da felicidade, tão almejadas pelos homens.
Quando começamos a perceber a beleza, a sublimidade da sua mensagem e do que ele representa para todos nós, sentimo-nos tão distantes desse Irmão Maior, que pensamos jamais conseguir o que ele conquistou.

Vemos nos seus ensinos, procedimentos e atitudes, valores tão estranhos aos da humanidade em geral, ainda hoje, que pode-se pensar ter sido ele, aqui na Terra, um ser muito privilegiado por Deus ou muito ingénuo e sonhador, desligado da realidade deste mundo.

No entanto, se pararmos para reflectir sobre a caminhada evolutiva da humanidade, vemos que sempre houve homens diferenciados, que procuraram nos diversos campos do conhecimento, do saber e da vivência no amor, estimular, impulsionar os homens para o progresso no Bem.

Muitos ficaram restritos a determinadas regiões e não mais lembrados.
Muitos outros fazem parte da história da humanidade.
Jesus, todavia, destaca-se como sendo o maior, bem acima de todos os homens, envolvendo com seu amor e sua sabedoria toda a Terra e seus habitantes.

"Eu sou o caminho, a verdade e a vida e ninguém vai ao Pai senão por mim"
(João, 14:6), ou seja sem a vivência das leis morais que ele viveu como ninguém.

E é graças a esse Amor Irradiante que nos envolve e nos penetra sustentando-nos, inspirando-nos, que continuamos, após dois mil anos de sua vinda na Terra, estudando seus ensinos, tentando compreendê-los e praticá-los, porque ele nos revelou que nós também podemos atingir seu grau evolutivo:
"Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim, fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará..."
(João, 14:12).

Jesus demonstrou-nos que só a solidariedade, a fraternidade, o perdão, a indulgência, a caridade, o amor são os sentimentos que levam a inteligência a agir no bem, individual e colectivamente.
Inteligência sem amor, sem sentimentos nobres, tem levado os homens a se destruírem porque essa inteligência estimula o orgulho e o egoísmo, fonte de todos os males existentes entre os homens.

Jesus foi o exemplo maior da inteligência e do amor na Terra.
Tinha em si conhecimentos profundos das leis físicas e morais, pois era um Espírito perfeito, não com potencial em desenvolvimento, mas com um grau de evolução que lhe permitia dizer:
"Eu e o Pai somos um"
(João, 10:30).

Fez os chamados "milagres" porque conhecia a constituição de todos os elementos físicos e químicos, sabia combiná-los para os fins desejados "Segundo a definição dada por um Espírito, ele era médium de Deus"
(A Génese de Allan Kardec, cap. XV item 2).

Viveu mantendo sempre a mesma postura diante dos poderosos, do povo simples, dos que o amavam e dos que o ridicularizavam.

Atendeu a quem o procurou, não buscou nem forçou ninguém.
Demonstrou amor a todos os homens.
Não perdeu tempo com querelas ou discussões.

Fez o que veio fazer:
ensinar a lei do amor a todos os homens.
Jesus foi um revolucionário, no sentido de viver no mundo material com os valores espirituais sublimados na sabedoria e no amor.

Por isso seus ensinos provocam, quando entendidos e aceites, uma necessidade interior, uma convicção do valor do bem, do progresso.
E essa mudança interior exige luta intensa, não com os outros, mas consigo próprio.

Daí, suas palavras:
"Esforçai-vos por entrar pela porta estreita..."
(Lucas, 13:24).

Demonstrou, claramente, que seus discípulos deveriam manter sempre a mesma atitude no bem, independente do meio, da situação, do acontecimento e das pessoas.
Viver no mundo, participar das coisas do mundo, buscar aprender com as experiências deste mundo, concorrer para o bem de todos, sabendo todavia, que somos seres espirituais, provisoriamente vivendo na Terra com o objectivo de evolução constante, no desenvolvimento de nós mesmos.

Viver no mundo sem prendermo-nos aos valores materiais, usando de tudo que a Terra nos oferece para benefício do ser eterno que somos.
Jesus é nosso modelo, nosso guia!

(Jornal Verdade e Luz Nº 179 de Dezembro de 2000)

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A fé

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 18, 2012 10:32 am

"...Pois em verdade vos digo, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: transporta-te daí para ali e ela se transportaria, e nada vos seria impossível."
(Mateus, 21:21)

Falar sobre a fé é tarefa de particular interesse e fascínio, porquanto ela parece encerrar uma energia que habita todo o universo, respondendo pela movimentação e transformação da matéria animada e inanimada, estando em constante processo de expansão rumo ao progresso infinito.

Podemos empregá-la nos diversos ramos do conhecimento humano, sua concepção porém, é mais ampla quando adoptada no seu sentido original - o religioso.

Aí ela reúne e transcende o significado de diversos vocábulos, aumentando a extensão e complexidade do seu sentido.

Um dicionário [1] a define como:
"crença religiosa;
conjunto de dogmas e doutrina que constituem um culto."

A filosofia [2] sintetiza sua acepção como:
"atitude mental que consiste em crer, a partir de um testemunho considerado fundamental, e com inteiro assentimento, implicando habitualmente um compromisso prático".

Inseridos no contexto de sua significação, podemos perceber, com pequeno esforço de análise, os sentidos literais dos verbos:
crer, esperar e confiar;
e dos substantivos: verdade e fidelidade.

No Antigo Testamento o termo "fé" é encontrado apenas duas vezes.
No Novo Testamento [3], a fé parece exaltada e o seu sentido ampliado.

Ela surge pouco mais de 240 vezes, incorporando ao seu significado a importante noção da fé operante:
"assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma"
(Tiago, 2:17)

Paulo de Tarso evidencia a fé como condição básica para a atitude do cristão.
O cristianismo - diz ele, é mais que simplesmente um sistema de bons conselhos.
O Cristianismo diz aos homens não só o que eles devem fazer, mas também lhes fornece o poder de fazê-lo.
(Romanos, 1:16).

Cada consciência cultiva a fé segundo o seu grau evolutivo e de conformidade com a posição circunstancial em que vive

O conceito de fé aguardou, contudo, mais de mil e quinhentos anos para ter o seu sentido aperfeiçoado, mediante a participação inestimável de Allan Kardec, senão vejamos:

A fé necessita de uma base, base que é a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer.
E, para crer, não basta ver; é preciso, sobretudo, compreender. [4]

A fé raciocinada, por se apoiar nos factos e na lógica, nenhuma obscuridade deixa.
A criatura então crê, porque tem certeza, e ninguém tem certeza senão porque compreendeu.
Eis por que não se dobra.
Fé inabalável só é a que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da humanidade. [4]

Tanto no Antigo Testamento, nas escrituras do cristianismo primitivo, como na codificação, é patente a importância da fé - primeira virtude teologal, no processo de ascensão do espírito.

Segundo Bezerra de Menezes [5] - "não poderíamos praticar ato algum, por mais insignificante, se nos faltasse confiança em nossa capacidade de o realizar.
Ser-nos-ia impossível até mesmo respirar, se puséssemos em dúvida nossas faculdades respiratórias."

O tema tornou a ser abordado com profundidade, já neste século, através da prática exemplar da mediunidade, por alguns digníssimos representantes do Espiritismo no Brasil.

Emmanuel faz uma tentativa de definir a fé em nosso parco vocabulário, afirmando que:
É força que nasce com a própria alma, certeza instintiva na Sabedoria de Deus que é a sabedoria da própria vida.
Palpita em todos os seres, vibra em todas as coisas.

Todas as operações da existência se desenvolvem, de algum modo, sob a energia da fé. [6]

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Re: O que é a Doutrina

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 18, 2012 10:32 am

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Declara Allan Kardec:
"a crença é um acto de entendimento que, por isso mesmo, não pode ser imposta"[7].

E ousamos acrescentar que isso ocorre, porquanto cada consciência cultiva a fé segundo o seu grau evolutivo e de conformidade com a posição circunstancial em que vive.

Podemos depreender então, que a fé é inerente a toda criação, habita em nós desde a nossa insondável origem.
É uma certeza que brota do nosso âmago, assegurando-nos que existe um Ente poderoso e que toda a sua criação é resultado da sua sabedoria e vontade.

Deduzimos com Kardec que a fé para ser completa, necessita ainda do uso da razão - o poder do raciocínio que Deus nos incumbiu do seu aprimoramento.

Caso contrário, o excesso de fé pode levar ao fanatismo que destrói, e a sua falta, ao mundo cruel onde o sentimento é sobrepujado pelos cálculos frios e inflexíveis da lógica.

Cabe a nós, individualmente, o desenvolvimento da fé, passando do estágio inicial de apenas crer, para um comportamento automatizado em harmonia com as Leis Naturais.

Isto significa que não existe limite para o crescimento desta virtude.
Ela e todas as outras, se desenvolvem tendo como horizonte, o infinito da nossa evolução espiritual.

Analogamente, temos a fé como possuíamos o pensamento fracionado na fase animal.
O seu aperfeiçoamento fará com que se torne um "estado de espírito" e, como tal, a fé será contínua, poderosa e permanente.

No espírito, se encontram todos os recursos de que necessitamos para nossa evolução, mas a confiança em Deus deve ser a primeira condição para obtermos estes recursos.

Em relação a oração, a fé assume um papel fundamental, conquanto não se concebe a prece sem a sustentação da fé, que dá direcção e força à rogativa ou agradecimento, quebrando a couraça do orgulho e acelerando o movimento dos eléctrons da nossa matéria mental.

Nossas imperfeições morais só serão removidas, à custa da retirada lenta, mas contínua e persistente

Ela é imprescindível para o exercício da mediunidade, com resultados satisfatórios no campo dos seus objectivos elevados.

Quanto mais o médium conseguir aperfeiçoar a sua vivência com a fé, como disse Paulo de Tarso:
"...mas o justo viverá pela fé" (Romanos, 1:17), melhor condição ele proporcionará à espiritualidade superior, para agir sobre os necessitados, quer seja pela palavra de consolo e esperança;

pela desagregação de fluidos negativos;
pela energização dos Centros de Força na doação de energias reequilibrantes;

pela acção física no acto de cura através do ectoplasma e muitas outras formas do ser humano auxiliar o próximo como medianeiro do Plano Maior.


A fé em Deus, quando robusta, desperta em nosso íntimo, tanto a segurança, derivada da consciência do poder que possuímos para agir em harmonia com as Leis Naturais, como a humildade oriunda da compreensão de que nada somos e que todo poder emana de Deus.

A verdadeira fé então, é aquela que transforma os nossos sentidos, a nossa concepção das coisas, desvendando o véu das imperfeições morais, que encobrem as virtudes em desenvolvimento e as conquistas que todos nós conseguimos.

Através dela, passamos a ver em tudo a vontade e a sabedoria do Criador.

Interpretamos as montanhas citadas por Jesus, como as nossas imperfeições morais que só serão removidas, à custa da retirada lenta, mas contínua e persistente, de todas as toneladas de terra que a compõem, utilizando-se para isso, de uma pequena pá simbolizando a nossa fé em Deus.

Diário deve ser o nosso esforço em retirar, modificar ou aperfeiçoar uma tendência, um hábito e qualquer empecilho à nossa evolução, por mais diminuto que seja.

Sobre isso, Emmanuel nos diz:
"Se tens fé, sustentará, sobretudo, o esforço diário do próprio burilamento, através das pequeninas e difíceis vitórias sobre a natureza inferior, como sendo o mais alto serviço que podes prestar aos outros, de vez que, aperfeiçoando a nós mesmos, estaremos habilitando a consciência para reflectir, com segurança, o amor e a sabedoria da Lei."[8]

Recordando a infância do cristianismo, seus primeiros trezentos anos, assinalamos o registo dos mais elevados testemunhos de fé, que redundaram na morte violenta de muitos cristãos, mas igualmente revelaram, o alto nível espiritual de tantas almas.

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Re: O que é a Doutrina

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 18, 2012 10:33 am

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A fé tem também a conotação de esperança - esperança de encontrar a felicidade. Embora não compreendamos plenamente o que é a felicidade, sabemos ser algo muito bom que teremos acesso gradual em cada degrau evolutivo conquistado.

Por isso, a desejamos.
A perda ou diminuição da fé neste sentido, leva a angústia e ao desespero dando origem aos diversos tipos de suicídio, acarretando um acréscimo de sofrimento totalmente desnecessário, perturbando e atrasando nosso progresso.

A busca da felicidade é então, um sonho eficaz de optimismo que alimenta o espírito em sua marcha evolutiva e que também não prescinde da fé para a manutenção do seu vigor.

Tiago em 2:21 definiu com extrema inteligência, a mútua dependência existente entre a produção do bem e a fé.

A primeira não se consegue sem a segunda e a segunda não estará completa sem a primeira:
"bem vês que a fé cooperou com suas obras e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada."

Na Doutrina Espírita temos um grande exemplo de fé.
Trata-se do poder de aglutinar pessoas comuns, cheias de imperfeições, sem pressão de qualquer espécie, a edificarem milhares de casas singelas na construcção, mas robustas na fé, destinadas a divulgar o espiritismo através da vivência de sua máxima: "fora da caridade não há salvação!"

A Doutrina Espírita tem a enorme responsabilidade de levar à humanidade, os alicerces de que ela necessita para erguer a fé latente no seu trono de vitória, contra a ignorância travestida da maldade, que em nosso tempo, parece testar a nossa fé e verificar nossas tendências.

Jesus e João nos alertaram sobre isso.
Estejamos confiantes!

Temos o Evangelho e a fé com discernimento que conseguimos graças ao seu embasamento na ciência e na filosofia.
Salve a fé que constrói e que sustenta o espírito!

Bibliografia

[1] Novo Dicionário Aurélio
Aurélio Buarque de Holanda Ferreira
Nova Fronteira
[2] Dicionário de Filosofia
Gerard Legrand
Edições 70
[3] Novo Dicionário da Bíblia
J. D. Douglas (Editor organizador)
Edições Vida Nova

4] O Evangelho Segundo o Espiritismo
Allan Kardec, FEB
[5] Comentários Evangélicos de Bezerra de Menezes
Edgard Armond
Monsanto

[6] Pensamento e Vida
F. C. Xavier/Esp. Emmanuel, FEB
[7] Justiça Divina
F. C. Xavier/Esp. Emmanuel, FEB
[8] O Espírito da Verdade
F. C. Xavier & W. Vieira/Esp. diversos, FEB

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Fixação mental ou Monoideísmo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 19, 2012 9:53 am

Enfermidade psíquica que o Espiritismo esclarece sua origem, desenvolvimento e prevenção
O que é?

Trata-se da centralização da atenção em uma única ideia ou pensamento, ocasionada por desequilíbrio psíquico, às vezes combinada com obsessão, própria tanto de encarnados como de desencarnados.

O termo Monoideísmo foi utilizado pelo espírito de André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos (1958), psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Presume-se que esse vocábulo seja de criação do Barão Karl du Prel.

Tipos de Monoideísmo

Podemos depreender da literatura espírita, que existem diferentes tipos e graus de Monoideísmo, assim como são diversas as causas que o originam.

Didaticamente, pode-se dividir em dois os tipos desta patologia psico-espiritual, muito perigosa e que todos nós estamos sujeitos a fomentar no próximo ou a despertá-la em nosso íntimo.

Monoideísmo espontâneo

Quando o espírito encarnado ou desencarnado, localiza seus pensamentos na esfera dos sentimentos improducentes, como a dor, o remorso, o orgulho e o ódio, de modo a situar toda sua atenção em uma ideia fixa.

Tal procedimento, resultado do livre arbítrio, reduz o padrão vibratório do indivíduo, favorecendo o intercâmbio de ideias semelhantes e dificultando a acção benéfica de espíritos que queiram auxiliar.

Dependendo da duração, predisposição ou intensidade, pode ocasionar o monoideísmo compulsório.

Monoideísmo Compulsório

Quando a entidade encarnada ou desencarnada, passa obrigatoriamente a contemplar, dentre suas possibilidades sensoriais, as cenas, sons e percepções relacionados com os actos indevidos que tenha procedido, contrariando às leis da natureza, pelo tempo equivalente àquele gasto nos actos cometidos.

Existem diversos relatos de espíritos que permaneceram séculos isolados do mundo exterior, escravizados a um tipo de pensamento ou idéia, só conseguindo se libertar pela bênção da reencarnação, igualmente compulsória, com o auxílio da expiação renovadora.

Conceito de tempo

Precisamos reconhecer a relatividade do conceito de tempo, muito dependente das características físicas do planeta e do estágio evolutivo ainda primário da capacidade de percepção do espírito. O que são séculos para um ente que é imortal?

Como comparar e medir esta escala chamada tempo?

Causas do monoideísmo

Certamente as causas são os pensamentos que criamos e exteriorizamos, revestidos de vibrações próprias de sentimentos inferiores.

Há espíritos que se revoltam contra sofrimentos que enfrentaram, movidos pelo orgulho e pela falta de fé, constituindo um conceito equivocado de injustiça.

Léon Denis em O Problema do Ser, do Destino e da Dor, Cap. XXIII, destaca:
"Mais cedo ou mais tarde, todo o produto do espírito reverte para seu autor com suas consequências, acarretando-lhe, segundo o caso, o sofrimento, uma diminuição, uma privação de liberdade..."

"O pensamento, dizíamos, é criador, não actua somente ao nosso redor, influenciando nossos semelhantes para o bem ou para o mal, actua principalmente em nós; gera nossas palavras, nossas acções e, com ele construímos, dia-a-dia, o edifício grandioso ou miserável de nossa vida presente e futura".

André Luiz em Evolução em Dois Mundos, diz que o pensamento energiza o fluido vital que somos portadores, levando o comando automático de todas as funções celulares, através dos centros de força.

Estes fulcros energéticos são órgãos do perispírito que, como aqueles do corpo físico, sofrem desajustes e atrofias, quando cometemos excessos e usamos indevidamente os órgãos.

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Re: O que é a Doutrina

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 19, 2012 9:54 am

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Assim, quando no plano mental, passamos a vibrar o pensamento em faixas inferiores, favorecemos a obliteração dos canais de comunicação, impedindo a recepção de pensamentos construtivos, despertando no recôndito do ser, estados de natureza primária e insciente, que nos levarão a cometer uma série de acções perniciosas.

Uma pequena queda então, acumulada a outras do mesmo teor, pode desencadear uma determinada disfunção, derivando daí uma forma mais intensa de fixação mental, de difícil reversão.

Nas mentes invigilantes podem aflorar sentimentos a serem depurados, enrustidos em nossa memória profunda, como o remorso ou a vingança, com ou sem a ajuda de espíritos obsessores.

São agentes facilitadores dessa situação, a falta de oração, mente ociosa, a vontade debilitada e a valorização do instinto em detrimento da razão.

Consequências do monoideísmo

Dor moral proporcional aos débitos contraídos.
Grande probabilidade de gerar doenças físicas e mentais.

Há risco, inclusive, de perder a forma perispiritual, tornando-se um ovóide estacionado por tempo indeterminado na ascensão evolutiva.

Em Libertação, Gúbio esclarece André Luiz sobre os ovóides:
"O vaso perispirítico é também transformável e perecível, embora estruturado em tipo de matéria mais rarefeita."

Mais adiante o mesmo instrutor aponta um caso específico:
"São entidades infortunadas, entregues aos propósitos de vingança e que perderam grandes patrimónios de tempo, em virtude da revolta que lhes atormenta o ser.

Gastaram o perispírito, sob inenarráveis tormentas de desesperação e imantam-se, naturalmente, à mulher que odeiam..."


Miramez assinala no seu livro Horizontes da Mente:
"Uma mente desajustada provoca conturbação de igual desajuste, e ainda colecta forças da mesma sintonia para seu próprio convívio, altera a função orgânica e desencarrilha o carro da vida por tempo indeterminado".

Salientamos ainda o que diz Martins Peralva no Capítulo XXXVII do livro Estudando a Mediunidade, para nos ajudar a entender as consequências da fixação mental:
"Podemos definir o estado de fixação mental de uma criatura, encarnada ou desencarnada, como aquele em que ela nada vê, nada ouve, nada sente além de si mesma.

O espírito isola-se do mundo externo, passando a vibrar unicamente ao redor do próprio desequilíbrio, cristalizando-se no tempo."

Trata-se de uma auto-hipnose negativa que cerceia o intelecto do espírito, induzindo-o a repetir os mesmos raciocínios.

Pode também ser considerada como uma auto-obsessão em que o indivíduo passa a ser simultaneamente o obsidiado e o obsessor, pois segundo Martins Peralva, a fixação mental é a influência do espírito sobre si mesmo, tornando-se muito difícil de ser removida.

A reencarnação surge, para estes casos mais críticos, como o único caminho para a solução, gerando, entretanto, criaturas com problemas físicos ou mentais.

Favorece ainda a aproximação de espíritos obsessores, devido aos pensamentos negativos exteriorizados a comungarem com os afins, agravando ainda mais os problemas criados.

Prevenção

Atender ao chamado do evangelho.
Manter objectivos e ideais nobres, do ponto de vista espiritual.
Intensificar a reforma íntima.

Estudar as leis da natureza.
Orar e vigiar.
Disciplinar a vontade.

Ter mente e mãos ocupadas no trabalho.
Usar ponderadamente a razão entre o impulso do instinto e as acções.
Detectar e concentrar esforços para eliminar os hábitos infelizes, por mais insignificantes que pareçam.


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Re: O que é a Doutrina

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 19, 2012 9:55 am

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Materialista ou espiritualista?

Uma análise do comportamento dos espiritualistas, parece demonstrar grande incoerência com os princípios que eles dizem adoptar

Podemos agrupar o pensamento filosófico em duas grandes correntes, conforme o título desse artigo.

Todas as religiões são necessariamente espiritualistas.
Isso por que crêem no Criador de todo o universo e no princípio espiritual que nos habita.

Conhecendo algumas pesquisas e tomando por base a pequena amostra das pessoas do nosso relacionamento, podemos deduzir que a grande maioria dos indivíduos são espiritualistas.

Os materialistas por acreditarem apenas na existência da matéria, estão certos que após a morte, nada encontrarão na outra dimensão.
Cessando a carga eléctrica do cérebro humano, será o NADA - o grande vazio.

A vida em todas as espécies seria simples obra do acaso, como se a ousadia dessa explicação, fosse mais lógica do que supor a existência de Deus - causa primária de todas as coisas.

Não há para eles, objectivos maiores para a criação, assim como não existem leis que nos regem, senão as da matéria.

Ocorre então um facto curioso.
Essa minoria que se diz materialista, adopta um comportamento perfeitamente compatível com a filosofia abraçada.

Procuram em síntese, viver intensamente a vida material, canalizando aos sentidos, o máximo de prazer que conseguem obter.

O raciocínio é claro pois o corpo é todo o património que pensam possuir.

Por outro lado, os espiritualistas representando a grande maioria, revelam em geral uma postura profundamente incoerente com os postulados que dizem seguir.

As suas atitudes descem muitas vezes, ao nível dos materialistas mais ignorantes.

Medo de ser diferente, de ser marginalizado?
É difícil resistir aos apelos instintivos que nos envolvem na neblina do comodismo, mas é preciso insistir e concentrar esforços para manter metas edificantes na mente superconsciente.

Naturalmente não se espera uma transformação imediata em seres angelicais.
Isso requer tempo e trabalho contínuo.

Pequenas atitudes porém, podem ser melhoradas com certa facilidade e dependem apenas do nosso desejo sincero.

É preciso ainda, ter cuidado para não adoptar um comportamento excessivamente passivo, o que poderá nos conduzir no terreno perigoso da indiferença.

O candidato a reforma íntima pode e deve assumir um comportamento activo e operante, servindo e sendo útil no caminho que adoptou e no nível evolutivo que se encontra.

A questão é de decisão, vontade e coerência.
Afinal, você é ou não espiritualista?

Então assuma!

Um peso e duas medidas

Até que ponto o espírita deve aceitar ver seu comportamento variar de acordo com o local ou ambiente?

Participava de uma reunião da empresa onde trabalho, quando de súbito, pedi a palavra e prorrompi em fala ríspida e agressiva, contestando o assunto em pauta.

Ao final da reunião, um companheiro alertou, muito polidamente, que este tipo de retórica poderá conduzir à um ambiente inadequado para os resultados esperados.

Pedi desculpas a todos, mas fiquei incomodado com o meu comportamento.
Por que teria eu agido dessa maneira se, nas inúmeras reuniões que participo no movimento espírita, sempre sou mais paciente, compreensivo e humilde?

Ao que parece, adoptei inconscientemente dois padrões de conduta.
Um na casa espírita e outro na sociedade.

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Re: O que é a Doutrina

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 20, 2012 9:40 am

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Na primeira, eu oro e peço ajuda espiritual, procuro estar sempre predisposto a ouvir os outros, a buscar a melhor decisão em consenso com todos.

Na sociedade, eu esqueço de orar, de pedir auxílio espiritual, desejo me sobressair como bom funcionário, bom pai etc., fico irado facilmente e quero fazer prevalecer minha opinião.

Ora, se o padrão de conduta moral instituído por Jesus e revisto por Kardec é o comportamento humano por excelência - o objectivo maior a ser alcançado em nossas encarnações, por que voltarmos nosso esforço para aplicá-lo apenas nas lides espíritas?

Será mais fácil ou será que ainda separamos as coisas sagradas das profanas, acreditando no íntimo, que um comportamento conflitante com esse código moral, pode justificar-se em alguns casos?

Nosso esforço deve se estender a todos os momentos da vida, tendo em vista um único modelo de conduta, enfrentando menor ou maior dificuldade de bem proceder, conforme o caso e a situação.

Só assim obteremos gradativo progresso, transformando para melhor nosso modo de pensar e agir.

Caso contrário, estaremos sendo hipócritas, adoptando o critério capcioso de "um peso e duas medidas", mesmo que inconscientemente.

Dessa forma, muita atenção com as lições do quotidiano.
Elas não cansam de nos ensinar, apontando erros e mostrando caminhos.

Cabe a nós, candidatos a discípulos de Cristo, procurarmos enxergar essas lições agora ou na reminiscência natural de "post mortem".

O Espiritismo é alienante?

O espírita entusiasmado com a doutrina que esclarece e consola, vive sob a preocupação de duas ameaças: o fanatismo e a alienação

Convidamos os leitores a uma breve e interessante incursão nas fronteiras demarcatórias dos estados de alienação, não patológicos ou gerais, para tentarmos situar até onde a vivência dos postulados espiritistas pode alienar uma pessoa.

Podemos definir alienação, como o estado mental que dificulta ou incapacita o indivíduo a agir segundo os padrões sociais, em relação a algum assunto ou situação.

Assim temos pessoas mais ou menos alienadas da política, da economia, dos esportes etc.

De uma forma geral, não é bom estar alienado.
Viver em sociedade é necessitar de amplo intercâmbio de ideias e experiências em todos os setores, não só para se relacionar bem, como para evoluir.

O estado mental é resultante do conjunto de leis intelectuais e morais que regem a conduta de cada ser, também chamado de valores.

Cada pessoa tem um conjunto próprio de valores, parecido em linhas gerais, com os valores de outros cidadãos de uma mesma região, classe sócio-económica etc.
Entretanto, muito diferente de qualquer outro, considerando o grau de entendimento das questões intelecto-morais da vida.

Isso é natural se levarmos em conta as diferentes experiências de cada espírito, desde seu nascimento, tanto no plano material como no espiritual.

Quando adoptamos um comportamento errado, de vingança por exemplo, estamos sendo coerentes com o nosso modo de pensar e sentir, consequência da influência dos nossos valores.

Através do estudo e das experiências da vida, assimilamos conhecimentos e sentimentos novos ou antigos parcialmente alterados.
Esse é o processo de aprimoramento que vai nos levar à perfeição relativa.

Transformando gradativamente os nossos valores, alcançaremos num passo hipotético adiante, embora ainda sentindo o desejo de vingança, conseguir exercer algum controle na exteriorização desse desejo.

Vamos analisar então, a tendência comportamental do cidadão espírita que tenha aceitado integralmente a Doutrina, compreendendo sua grandeza, motivando-se com seus ensinamentos, o suficiente para empreender de forma objectiva e racional sua reforma-íntima.

A grande maioria das pessoas do seu relacionamento não compreendem o seu esforço de melhorar e até reagem contra

Em seus momentos de lazer, não mais concebe ficar horas no ostracismo, prefere empregar esse tempo em actividades que antes não eram entendidas como lazer, como a leitura edificante, a caridade e o estudo.

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Ave sem Ninho

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Re: O que é a Doutrina

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 20, 2012 9:40 am

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Não mais encontra o entusiasmo de outrora como torcedor de times esportivos.
Continua a gostar do esporte em si, mas começa a enxergar com outros olhos o excessivo espírito de competição e a violência que caracteriza os esportes actualmente.

No trabalho, começa a sentir-se incomodado com as rodinhas de maledicência em que se vê envolvido, na antiga necessidade de ser aceito em um grupo informal dentro da empresa.

Aqueles planos de galgar postos na hierarquia de qualquer jeito e no menor tempo possível, não encontram agora o mesmo ímpeto de ontem.

A grande ambição de só ser feliz profissionalmente, comandando outros, em cargos elevados revestidos de prestígio, parece estar esmorecendo aceleradamente.

Aquelas noitadas em casas nocturnas, o jogo a dinheiro, os filmes violentos e eróticos, já não suscitam a mesma receptividade em seu íntimo.

Os hábitos de falar com rispidez, pronunciar muitos palavrões, olhar e pensar maliciosamente para com o sexo oposto, agora parecem lhe dar algum constrangimento.

Sente muita dificuldade de se conduzir, evitando os velhos hábitos e tentando adquirir novos.
A grande maioria das pessoas do seu relacionamento não compreendem o seu esforço de melhorar e até reagem contra.

O espírita, principalmente o novo espírita, encontrará muita reacção à sua mudança

Para os outros e as vezes até para ele mesmo, parece estar querendo assumir um comportamento de santo, moralista.

Tem medo de estar assumindo essa postura por um desejo oculto de querer ser superior.

Mesmo não criticando, as pessoas ao seu redor sentem-se incomodadas, acusadas por elas mesmas de alguma coisa, e por isso acabam não gostando da sua proximidade.

As tentativas de compartilhar a Doutrina com os outros, parece piorar o relacionamento. Já o chamam de fanático e alienado.

Começa a ser marginalizado e precisa optar em voltar ao padrão antigo (impossível retroceder), ser falso para ser aceito, ou manter sua linha e aceitar a reclusão.

Concluindo, quando decidimos pela fidelidade ao compromisso de crescimento espiritual, passamos a adoptar um comportamento de alienação, frente ao contingente das pessoas de nossa relação, uma vez que elas não alteraram seu modo de entender e sentir, e muitas vezes ainda nem cogitaram dessa pretensão.

Tendo o Espiritismo o peso da Terceira Revelação, é natural que tenha o poder de mexer com os valores das pessoas, alterando-lhes gradativamente o comportamento.

Esse é seu principal objectivo - mudar as pessoas para melhor.

Construído sob o arcabouço filosófico do cristianismo primitivo, veio aclarar o sentido dos ensinamentos evangélicos, embora envolva seus seguidores num certo clima de tensão e luta, como nos fala o versículo 34 do capítulo 10 segundo Mateus:
"Não penseis que vim trazer a paz à Terra. Não vim trazer a paz e sim a espada".

O espírita, principalmente o novo espírita, encontrará muita reação à sua mudança.
Sofrerá lutas internas e externas, muitas vezes ficará receoso de estar beirando o fanatismo.

Terá de conviver com a alienação natural do velho ser, para fazer surgir o novo ser, tendo para esse empreendimento, o consolo de possuir as melhores armas: a sina de evoluir sempre, a ajuda infalível dos bons espíritos e a luz emanada do Evangelho e da Codificação, iluminando seu caminho e auxiliando suas decisões.

Pegue sua espada! Vá à luta!
Talvez não seja você o alienado, mas todos os que se mantém alheios aos ensinamentos de Cristo.

Discutindo o vegetarianismo

Embora o Espiritismo não recomende diminuir a matança de animais para nossa alimentação, o conteúdo de seu ensino, baseado no amor e na bondade, deixa evidente que esse será um passo no caminho da nossa evolução

Sendo vegetariano há vários anos, tomo a iniciativa de escrever para A Voz do Espírito, no intuito de contribuir para o aprofundamento da discussão do assunto, apresentando mais elementos para subsidiar a análise dos leitores.

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Re: O que é a Doutrina

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 20, 2012 9:41 am

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Assim como o Espiritismo não faz proselitismo, os vegetarianos não devem cobrar nenhuma mudança de comportamento daqueles que se alimentam de carne;
como também, estes devem respeitar a posição dos primeiros.

O homem tem uma infinidade de passos a serem dados rumo ao progresso, alguns mais singelos, outros complexos.
Não comer carne deve ser um dos passos mais simples na conquista da perfeição relativa, face às virtudes que almejamos.

Contudo, certamente é um passo que deverá ser dado em algum instante no tempo.

Sabemos que a passagem para a erraticidade não nos livra dos hábitos e necessidades que criamos enquanto encarnados.

Temos o relato de André Luiz no livro Nosso Lar, mostrando que os espíritos habitantes dessa colonia, foram compelidos a deixarem este hábito por imposição do seu governador, em benefício deles próprios, embora essa decisão tenha acarretado um período de perturbação interior até a sua adaptação.

Em O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta ao Espírito de Verdade se:
"A alimentação animal é, com relação ao homem, contrária à lei da Natureza?"
(pergunta 723, grifo meu).

A primeira frase da resposta foi:
"Dada a vossa constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece."

Como teria sido a resposta caso ele tivesse perguntado se o homem deveria se preparar para um dia parar de comer carne?

Podemos depreender da resposta, que a alimentação carnívora é parte do processo evolutivo (natural) do homem, até um instante da sua evolução o que, para alguns vegetarianos, já teria ocorrido para aqueles mais evangelizados.

Podemos considerar ainda, que os conhecimentos e o estágio de desenvolvimento na época (136 anos atrás), não permitiriam incitar o homem a uma mudança da sua alimentação, sem prejuízo de sua saúde.

A situação actual apresenta diferenças muito favoráveis à alimentação vegetariana, aumentando consideravelmente as opções dessa dieta.

Criamos variedades vegetais capazes de produzirem mais, em outras estações, outros climas e países;
temos melhores processos de armazenamento e conservação;
possuímos sistemas de distribuição mais eficazes;

conhecemos mais sobre os mecanismos da digestão, das nossas necessidades alimentares e das propriedades dos alimentos;
descobrimos outras fontes de proteína, como a soja e o glúten;
a indústria de laticínios apresentou grande progresso e diversificação.

Tudo isso, permitindo que milhões de pessoas possam viver com saúde sem usar a carne como alimento.

Confrontando o hábito de comer carne com a lei de evolução, constatamos que muitos outros hábitos considerados normais nos primórdios da evolução hominal, hoje são inaceitáveis.

Citamos os sacrifícios de animais e homens, o canibalismo, a poligamia e as formas violentas de lazer, como aquelas ocorridas no circo romano.

A actividade sexual também evoluiu, de modo que comportamentos socialmente aceitáveis no passado, hoje são considerados crimes.

Graças ao Espiritismo, o homem já está aprendendo a manipular as energias criativas, fora do relacionamento sexual, mediante a prática da caridade e das acções voltadas ao bem comum.

Através da Doutrina Espírita aprendemos que o homem deve automatizar seu comportamento com base nos ensinamentos de Jesus.

Buscamos então, a nossa transformação interior procurando viver cada vez mais em clima de amor, bondade e caridade.

Não parece racional limitarmos nossa esfera de acção para a prática do bem apenas aos seres humanos.

Tudo que pudermos fazer em benefício da criação é nosso dever e isso, parece transcender a chamada consciência ecológica.

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Re: O que é a Doutrina

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 21, 2012 9:34 am

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Alguns querem crer que Jesus endossa a matança dos animais para alimentação humana, independente do estágio evolutivo do homem, quando disse sobre a tradição de lavar às mãos antes de comer:
"Não é o que entra pela boca que torna o homem impuro, mas o que sai da boca."
(Mt 15:11)

O espírita, mais que qualquer outro, sabe que não deve interpretar ao pé da letra, pois assim, poderíamos concluir equivocadamente, que tomar álcool ou comer terra, conforme procedimento actual de algumas tribos do Amazonas, não molestaria o corpo e até mesmo o espírito, no caso do álcool.

Aqueles que se decidirem pela abstinência da carne, devem deixar de comê-la consciente e gradativamente, obtendo orientação médica e exercendo um controle maior da vontade no período inicial, para depois assumir naturalmente o novo padrão de alimentação.

Surgindo qualquer inquietação interior ou distúrbio orgânico, deve interromper a fase de transição e programar outra tentativa no futuro, se assim desejar, sem constrangimento nenhum, pois cada espírito tem características, condições, necessidades e obrigações completamente diferentes de qualquer outro.

O próprio Chico Xavier parece se alimentar de carne, embora tenha psicografado dezenas de livros cujas mensagens nos instigam a sua eliminação.

O jornal O Espírita Mineiro publicou uma entrevista com o médium em junho de 1991, no qual ele salienta os prejuízos desse hábito, convidando-nos a trabalhar pela sua erradicação.

Ele deixa claro em sua entrevista e nos seus livros, que a alimentação carnívora gera compromissos cármicos a serem resgatados, além de favorecer o assédio de espíritos inferiores que ocasionam problemas de obsessão de difícil solução.

A bibliografia apresentada para consulta dos leitores, menciona apenas 17 obras cujos autores analisam a questão de modo favorável ao vegetarianismo.

São eles:
Emmanuel, Humberto de Campos, André Luís, Maria João de Deus, Rev. G. Vale Owen, Angel Aguarod, Camille Flammarion, Yvone A. Pereira, J. Herculano Pires e Carlos Imbassahy.

Além dessas indicações, temos registado cerca de trinta livros de:
Edgard Armond, Miramez, Luiz Sérgio, Ranieri, Ramatis e outros autores.

Seguindo esta linha de raciocínio, parece lógico concluir que o homem esclarecido e evangelizado, deve procurar reduzir a carne na alimentação, caminhando para sua extinção, de forma serena e consciente, nessa ou em outra encarnação, certo de estar se esforçando para esse objectivo moral, entre tantos outros a serem atingidos, muitos de importância maior, mas que não excluem a conquista dos objectivos menores.

É curioso notar que pela disposição de contribuir para aliviar o sofrimento dos irmãos inferiores, pequena quantidade de indivíduos se aventura em qualquer grau do vegetarianismo.

Muitos são os que aderem pelo estímulo da moda, como as correntes ecológica e naturalista.
A hipertensão, o colesterol e diversas enfermidades, têm, levado muitas pessoas a um regime das chamadas carnes vermelhas e embutidos.

Mais pessoas ainda, migram para o vegetarianismo pelo interesse em manter um corpo atraente.
Nos Estados Unidos, Canadá e Europa, são diversas as associações, os produtos e as revistas destinadas aos vegetarianos.

Será que a reforma-íntima está desvinculada de nossos hábitos, mesmo os alimentares?
Será que o conhecimento espírita não nos dá argumentos mais consistentes para imprimirmos uma mudança em nossa dieta?


Independente da análise quanto ao tipo de alimento que ingerimos, se faz necessário a eliminação dos excessos e de qualquer postura que nos coloque próximo da posição de quem vive para comer, ao invés de comer para viver.

Bom apetite!
Tanto no alimento físico como no espiritual que a Doutrina nos oferece.

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Re: O que é a Doutrina

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 21, 2012 9:34 am

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Bibliografia

O Consolador

Xavier, F. Cândido/Emmanuel
FEB - páginas: 78, 79, 129 e 136

A Caminho da Luz
Xavier, F. Cândido/Emmanuel
FEB - página: 34

Através do Tempo
Xavier, F. Cândido/ Espíritos diversos
Lake - página: 43

Cartas e Crónicas
Xavier, F. Cândido/ Irmão X
FEB - capítulo 4

Contos e Apólogos
Xavier, F. Cândido/ Irmão X
FEB - páginas: 69 a 72

Luz Acima
Xavier, F. Cândido/ Irmão X
FEB - página: 123

Nosso Lar
Xavier, F. Cândido/André Luiz
FEB - páginas: 54 a 58

Missionários da Luz
Xavier, F. Cândido/André Luiz
FEB - páginas: 40, 44, 135 e 136

Os Mensageiros
Xavier, F. Cândido/André Luiz
FEB - página: 222

Cartas de uma morta
Xavier, F. Cândido/Maria João de Deus
Lake - página: 79

História do Espiritismo
Doyle, Arthur Conan
Pensamento - página: 480

Grandes e Pequenos Problemas
Aguarod, Angel
FEB - páginas: 197 e 198

A Vida Além do Véu
Owen, G. Vale (Rev.)
FEB - páginas: 12 e 13

Mediunidade (Vida e Comunicação)
Pires, J. Herculano
Edicel - páginas: 99 a 101

O que é a Morte
Imbassahy, Carlos
Edicel - páginas: 47 e 48

Narrações do Infinito
Flammarion, Camille
FEB - página: 144

Devassando o Invisível
Pereira, Yvone A.
FEB - páginas: 92, 93 e 102

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Quem sabe e quem faz reforma-íntima?

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 21, 2012 9:35 am

A maioria dos espíritas não sabe como instituir o auto-aprimoramento consciente e os Centros ainda não despertaram para essa necessidade tão básica quanto urgente

Todos os meios de comunicação espírita não cansam de repetir sobre a necessidade da reforma-íntima.

Todos os dirigentes, instrutores, expositores, escritores e divulgadores em geral são unânimes em indicar essa reforma interior como o único caminho para a evolução acelerada e consciente do homem.

Embora possa parecer óbvio demais, a grande maioria dos Centros Espíritas não fazem nada de concreto para ajudar as pessoas a realmente realizarem o auto-aprimoramento.

Os expositores abordam a reforma-íntima invariavelmente. Os dirigentes estão sempre aconselhando essa prática.
Os livros e artigos de jornais também estão sempre voltando a esse assunto.

É verdade que frequentadores, trabalhadores e espíritas em geral acabam absorvendo algum conceito, definição, explicação e argumentação sobre o assunto, mas constituem unidades de conhecimento isoladas que facilmente dispersam pela ausência de ligações que auxiliam o entendimento.

Quem decididamente deseja iniciar o aprimoramento do seu modo de pensar, sentir e agir com base na Doutrina Espírita, acaba penetrando num labirinto de dúvidas e confusões.

Daí a necessidade imperiosa das casas espíritas criarem mecanismos efectivos de ajuda e motivação para a empreitada.

Uma orientação efectiva precisa ser implantada nas instituições espíritas

Qual a preparação necessária para iniciar a reforma?
Por onde começar?
Qual é a bibliografia existente?
Deve-se definir prazos?

Quais os critérios para a fixação de tempo?
Como lidar com pressões sociais contrárias?
Como conviver bem com pessoas tão heterogéneas do nosso círculo social?

Como proceder para não enveredar pela hipocrisia?
Quais os limites entre o interesse sincero pela doutrina e o fanatismo?
Como avaliar os resultados do trabalho de melhoria íntima?


Essas são perguntas que surgem naturalmente na mente daqueles que verdadeiramente querem iniciar esse desenvolvimento interior.

Precisam ser respondidas adequadamente.

Uma orientação efectiva precisa ser implantada nas instituições espíritas, construída sob bases racionais, fundamentada na Codificação e amparada pelo conhecimento científico actual, para evitar distúrbios psicológicos, descontroles emocionais, aumento de ansiedade, problemas de relacionamento, decepções contraproducentes e outros conflitos da natureza íntima do ser humano.

Antes ou concomitantemente à reforma-íntima será necessário conhecer melhor a parte doutrinária mais directamente vinculada ao assunto, como:
pensamento/sentimento, lei de acção e reacção, lei de cooperação, evolução/reencarnação, vigiar/orar e muitos outros itens.

Além disso, deve também exercitar o auto-descobrimento para que o ser possa tomar consciência dos aspectos positivos, neutros e negativos de sua personalidade, assim como de suas possibilidades reais de melhoria imediata e de seus limites ou dificuldades mais expressivas.

Fase em que se faz necessário manter baixo o nível emocional e alto o racional, ambos atrelados a perspectivas motivacionais maduras e reais conduzindo a metas claras e definidas sustentadas pelo desejo sincero de mudança e pela perseverança.

Parece difícil e complicado, mas é verdadeiramente tudo isso.
Mais uma razão para encontrar formas de ajudar as pessoas a realizarem sua reforma-íntima.

O que pode ser feito pelos Centros Espíritas nesse sentido?
Muito!

Desde ciclo de palestras sobre o assunto, indicação de bibliografia, criação de um serviço de orientação pessoal, designação de trabalhos individuais e em grupo, criação de cursos, criação de grupo de estudo para debate dos casos particulares tipo terapia, lançamento de campanhas, apresentação de exemplos motivadores e tudo que qualquer mente interessada possa vir a plasmar nesse sentido.

Aí está um desafio para instituições e espíritas, para o qual esperamos receber rapidamente notícias de experiências e acções efectivas nessa direcção. Sucesso aos empreendedores.

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Resposta sobre "Espírito Velho"

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 22, 2012 8:51 am

Segundo a Doutrina Espírita a todo o momento espíritos estão sendo criados de forma simples e ignorante, o que significa, que eles não são criados com nenhum privilégio, dom, ou qualquer outra vantagem ou desvantagem pessoal.

Todos são criados com as mesmas capacidades e qualidades em potencial que deverão desenvolver de acordo com o desenvolvimento do livre-arbítrio.

Assim, existem espíritos mais "velhos" e mais "novos" que nós no sentido de que eles foram criados antes ou depois de nós, respectivamente.

Segundo a Doutrina Espírita, por exemplo, Jesus seria um irmão mais velho nosso.

Mas um espírito "mais velho" não significa que seja mais evoluído da mesma forma que um espírito "mais novo" não significa que seja menos evoluído.

Estas possíveis diferenças decorrem do uso que cada um fez do seu livre-arbitrio.
Alguns se esforçaram mais na prática do Amor e outros se perderam um pouco mais nas ilusões materiais.

Então, ser "mais velho" não significa ser "melhor" ou "pior".
Segundo o Espiritismo, isso não é um critério de evolução.

Mas quando um espírito por via da psicofonia (comummente, e não apropriadamente, chamada de "incorporação") diz ser um espírito "velho" isso pode significar uma das três seguintes possibilidades:

1) ele pode ser um irmão "mais velho" no sentido explicado acima, isto é, criado bem antes de nós e que deseja nos passar algum ensinamento;

2) ele pode ser um irmão que se sente bem e feliz em se apresentar com os modos e personalidade de uma pessoa idosa;

3) ele pode ser um irmão que está imbuído de intenções menos dignas em querer obter respeito para as suas ideias com base na impressão que ele pensa estar transmitindo em dizer que ele é "velho".

O item 3) nos faz lembrar de uma importante recomendação de Kardec: que todas as mensagens mediúnicas sejam analisadas quanto ao conteúdo.
Que a assinatura ou o nome do espírito que trouxe a mensagem, por mais respeitável que seja, não é garantia de que uma mensagem é boa.

Kardec orienta que uma mensagem deve passar por dois crivos.
Um é o do bom-senso, que significa que uma mensagem que fere os princípios básicos da vida ou os princípios científicos bem estabelecidos que conhecemos merece ser rejeitada.

O segundo principio diz respeito às coisas novas.

Se uma mensagem não pode ser analisada pelo bom senso, o critério mais seguro para aceitação ou não da mensagem é verificar o chamado "consenso universal dos espíritos".

Isto nada mais é que a verificação se a mesma mensagem ou o mesmo conteúdo está sendo enviado por outros espíritos, por intermédio de outros médiuns, em vários locais diferentes.

Se isto não está ocorrendo, é prudente "deixar a mensagem de molho" até que se possa confirmá-la no futuro.

Desta forma, prezada Adriana, independente de como o irmão que se apresentou no seu grupo como sendo um "espírito velho" se encaixa em um dos 3 itens acima, devemos ouvi-lo com respeito e carinho pois se ele for um irmão necessitado precisamos escutá-lo para descobrir como ajudá-lo; se for um irmão que nos traz uma mensagem, precisamos escutá-lo para analisar o conteúdo de acordo com as recomendações de Kardec.

Muita paz a todos,
Alexandre Fontes da Fonseca

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A Lei do Amor

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 22, 2012 8:52 am

"Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade"
Allan Kardec

Um dos pontos mais relevantes a ser entendido sobre a vida é a Lei do Amor.
Todo mundo fala, pensa e vive de amor.

Cristo disse: "ame ao próximo como a si mesmo; amai vossos inimigos".

As religiões certamente garantem que o amor é o caminho do céu, onde todos vivem felizes.
O contrário, o ódio é rumo certo para o inferno, lugar de trevas.

Uma pessoa muito feliz se encontra em estado de amor.
Muitas vezes encontra o amor em outra pessoa.
É a paixão explodindo em seu coração. De repente tudo parece mudar.

Será que o amor tem fim?
Há um limite e um tempo para amar?

Não, amor existe no ser humano e em todas as coisas na natureza.

Um rio, uma mata, um animal, uma nuvem, uma chuva, um objecto, etc, etc.
Mas as formas de amar são infinitamente diferentes de um ser para outro.

Há pessoas que amam sensivelmente outras pessoas, enquanto outras as odeiam.
Para uns uma borboleta pode não significar nada, para outros há um envolvimento essencialmente amoroso.

Isso observamos em tudo.

Como definir o certo e o errado nisso tudo?
Não me atrevo jamais a tentar responder uma questão dessa complexidade.
Mas usar nossa razão em qualquer situação pode ser útil.

Realmente o amor é sentimento ímpar.
Algo inimaginável, surpreendente, muito acima de tudo o que podemos sentir no momento.
A própria vida, essência de tudo, não seria possível caso Deus não houvesse definido a Lei do Amor.

Em cada ser espiritual, o Criador inclui a centelha do amor capaz de promover o equilíbrio necessário à manutenção da harmonia universal em todos os sentidos.

Isso permite a cada um viver rumo ao infinito caminho da evolução do bem comum.
Rumo a felicidade eterna, e consequentemente, a manutenção da organização celestial em torno da vida.

Nesse caminho, a cada dia, aperfeiçoamos o amor e atingimos momentos felizes.
Amor e felicidade caminham juntos.
Amor é a causa, felicidade o efeito.


Ninguém é infeliz por natureza.
A infelicidade momentânea é processo doloroso, sofrimento árduo, que só o amor é capaz de libertá-lo.

Amor é solidariedade, fraternidade.
É a verdadeira caridade.

Com seu aprimoramento, os laços de afinidades se unem e os momentos felizes se tornam mais e maiores.

Continua...
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Re: O que é a Doutrina

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 22, 2012 8:52 am

Continua...

Sem esse processo, se pudesse existir uma sociedade com a ausência total da centelha do amor, ou seja, uma comunidade existindo sob a Lei do ódio, egoísmo, vaidade, onde os mais fortes predominariam sobre os mais fracos, tudo caminharia para a destruição, o caos e o nada.

Mesmo em locais onde habitam espíritos de níveis de evolução muito inferiores, há a actuação de espíritos de ordem mais avançada no gerenciamento da existência da vida.

A centelha do amor presente em todo o universo é, portanto, fruto da perfeição da criação Divina.

Com a formação do Espírito, Deus o torna parte da sua criação universal e recebe a chama do próprio Criador (O AMOR), para trabalhar na construção da vida, gerando a harmonia, o equilíbrio e a adequada Lei da Existência.

Cabe a ele se desenvolver, ao longo de uma caminhada infinita, contribuindo com o Criador no arranjo das necessidades para o aprimoramento rumo a perfeição.

Mas muito grande é essa jornada e graças a Lei do amor é possível crescer numa velocidade conforme a sua própria vontade, ou seja, seu próprio livre-arbítrio.

Quanto mais se avança na evolução espiritual, mais aumenta a sua participação no equilíbrio da criação e maior é o convívio num ambiente feliz.

Isso significa conforto e satisfação pessoal cada vez maior.

A Lei do amor é, portanto, a essência de tudo.

Como tirar o melhor proveito dessa Lei?
É preciso um esforço indescritível de cada um no seu aprimoramento pessoal, buscando amar a todas as coisas.

"Conhece-te a ti mesmo".
É o diagnóstico do Ser.

Como estou? O que desejo?
Sou o que sou, melhor do que fui e serei melhor do que sou. O tamanho do passo seguinte depende do passo anterior...

Raul Franzolin Neto

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Em Defesa da Vida

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 23, 2012 8:54 am

Alguns Argumentos contra a Prática do ABORTO IV, Rubens Santini, Brasil

No astral inferior: O Vale da Revolta 7

“À medida que nos aproximávamos do Vale, a vibração ia caindo.
Era sufocante. Andávamos com dificuldade.
Uma neblina enfeiava a paisagem.
(...)

Pelas ruas encontramos mulheres correndo como loucas, com os cabelos em desalinho.
Estavam grávidas e víamos o feto como se galopasse dentro dos seus ventres.

O mau cheiro era terrível e o nosso caminhar muito penoso. (...)
Assim era aquela vila:
moradia de mentes perturbadas, cujos perispiritos eram compostos de toxinas, formando uma crosta ácida e viscosa, que os alucinava.

Passávamos por eles, mas não éramos percebidos.
Nossa equipe orava em silêncio.

Quando pude falar, perguntei:
- Este Vale é composto só de aborteiros?
- Sim, e de algumas mulheres e homens que, sem piedade, abusaram do direito de possuir um corpo físico.

- Mas é terrível este lugar! Igual a este só o Vale dos Suicidas.
- Tem razão, Sérgio, são os mais tenebrosos lugares do astral inferior, decorrentes dos crimes contra a vida.
Os aborteiros são os piores inimigos da vida, cruéis exterminadores dos sonhos daqueles que aspiram a reencarnar. (...)”

(Em sua maior parte, os aborteiros tinham o perispirito envoltos por Espíritos obsessores - fetos que foram por eles abortados - causando uma grande deformação em seu corpo, deixando-o todo gelatinoso).

“Nisso, avistamos Leocádio.
Era uma larva humana e junto a ele vários rostos deformados.
Leocádio xingava demais.

Era bem visível em sua fisionomia as torturas que sofrera, mas mesmo assim não parava de esbracejar:
- Se preciso for, voltarei a matá-los, a todos, seus fetos imundos!
Deixem-me em paz, estou cansado de tê-los junto a mim!


Ísis, aproximando-se de Leocádio, foi chamando pelo nome um por um dos abortados e eles foram se desprendendo da massa gelatinosa, como quando se joga insecticida numa planta e caem os parasitas.

Assim também foram caindo sobre o aparelho que Ísis tinha nas mãos.
Ela conseguiu retirar de Leocádio uns 20 Espíritos, que Ísis fez adormecer com amor.

Leocádio, com voz orgulhosa, falou:
- Obrigada colega.
Agora, ajude-me a voltar a ter um corpo humano.

Não sei por que Deus permitiu que esses fetos imundos me atormentassem tanto.
Só fiz o que os pais me pediram, nada mais.
Sou um profissional, montei uma das melhores clínicas abortivas, na Grande São Paulo, dando todo conforto à gestante.

Não acha mais nobre tirarmos as mulheres das mãos das curiosas aborteiras?
Na clínica, a mulher recebe toda assistência, o que não acontece em casa de curiosas.
Agora, não sei por quê, vejo-me junto a esses fetos mal cheirosos.
Eu, o doutor Leocádio, eminente médico brasileiro.


- Irmão, como médicos, temos por dever lutar pela vida e o irmão, quando escolheu a sua profissão de médico, bem sabia que teria de consagrar o seu trabalho à saúde e ao prolongamento da vida física de seus pacientes.

Continua...
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Ave sem Ninho

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Re: O que é a Doutrina

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 23, 2012 8:55 am

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Interromper uma gravidez ‚ extinguir vida humana em sua fase embrionária, é tolher o plano divino, que prepara as almas para cumprir sua etapa no mundo físico.

- Pensei que fosse médica, mas pelo visto‚ mais uma fanática religiosa.
- Engana-se, irmão, sou uma filha de Deus que se esforça para servir a todos os que de mim precisam.
- Deixemos de conversa e me ajude.
Quero só a forma humana.


- Sobre isso eu nada posso fazer, o seu corpo está deformado pelo ódio no seu coração, e ele é o seu cirurgião plástico.
Por enquanto, o irmão não tem condição de moldar um novo corpo humano.
Até lá, será prisioneiro dessas horríveis deformações perispirituais.

Não será Deus, nem seremos nós, os médicos mensageiros, que iremos livrá-lhe dessas lesões perispirituais.
O seu corpo verdadeiro, o criado por Deus, está latente dentro dessas deformações.
Só depende do seu coração ressuscitá-lo.

- Mas eu não suporto mais esse sofrimento...

- A quantos Espíritos o irmão negou um corpo?
Por isso hoje o seu é esta massa gelatinosa, composta de fluídos repugnantes.
Se ficar livre do orgulho, os fluídos divinos logo o envolverão.

Visão materialista da medicina 8

“Grande parte da sociedade na Terra é preconceituosa e cega ante a realidade espiritual e, apoiada por uma facção da medicina materialista, houve por bem apoiar o aborto quando, pelos aparelhos sofisticados já existentes, detecta que a criança que é portadora de doença congénitas, deficiências físicas e mentais, dever ter sua vida interrompida.

No entanto, se esquece de que tais deformidade fazem parte de programação superior para a reencarnação, para o devido reajuste das almas, na escola terrena, sem a qual, os homens não serão libertos dos débitos criados por eles próprios em vidas passadas.

É preferível reencarnar em tais situações extremamente constrangedores e quitar débitos para o crescimento espiritual, a permanecer em regiões próximas da Terra, revendo dívidas que não só aterrorizam o Espírito, como também evidenciam o quanto ele está distante da liberdade de consciência e felicidade”.

“O jovem, ao se drogar, está em busca de algo;
a mulher, ao abortar, julga livrar-se de algo que a atrapalha.


Ambos são doentes precisando de amor e esclarecimentos. (...)

Precisamos auxiliar o encarnado para que ele não dê trabalho quando desencarnar.

Os Espíritos ajudam os homens a conquistar a paz do seu próximo e os homens cooperam com os Espíritos com suas preces e com seu trabalho em prol dos Espíritos doentes”.(8)

Código Penal e o Aborto 9

O Código Penal Brasileiro, em sua parte especial, inclui o aborto entre os crimes contra a pessoa, entre os crimes contra a vida, cap. I, artigo 124 a 128.
“Só é permitido o aborto quando não há outro meio de salvar a vida da gestante (o aborto terapêutico ou necessário) e se a gravidez resulta de estupro (aborto moral).

Nesses casos o aborto só é feito com o consentimento da vítima ou de seu representante legal, na hipótese de incapacidade daquela para opinar.”

Joanna de Angelis nos diz:
“Examinando-se ainda a problemática do aborto legal, as leis são benignas quando a fecundação decorre da violência pelo estupro...

Mesmo em tal caso, a expulsão do feto, pelo processo abortivo, de maneira nenhuma repara os danos já decorridos...

Não raro, o Espírito que chega ao dorido regaço materno, através de circunstâncias tão ingrata, se transforma em floração de bênção sobre a cruz de agonias em que o coração feminil se esfacelou...

A renúncia a si pela salvação de outra vida concede incomparáveis recursos de redenção para quem se tornou vítima da insidiosa trama do destino...

Sucede, porém, que o sofredor inocente de agora está ressarcindo dívida, ascendendo pela rota da abnegação e do sacrifício aos páramos da felicidade.

Não ocorrem incidentes que estabeleçam nos quadros das Leis Divinas injustiça em relação a uns e excepção para com outros...”

Continua...


Última edição por O_Canto_da_Ave em Qua Maio 23, 2012 8:57 am, editado 1 vez(es)
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Re: O que é a Doutrina

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 23, 2012 8:57 am

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Consciência do erro 10

“O conhecimento espírita tem evitado que muitas mulheres comprometam-se no aborto provocado, esse “assassinato intra-uterino”, mas constitui, também, um tormento para aquelas que o praticaram.

Medo, remorso, angústia, depressão, são algumas de suas reacções.
Naturalmente isso ocorre sempre que somos informados do que nos espera em face de um comportamento desajustado.

No entanto, equivocados estão os que pretendem ver na Doutrina Espírita a reedição de doutrinas escatológicas fustigantes e anatematizadoras.

Estribando-se na lógica e no raciocínio e exaltando a liberdade de consciência, o Espiritismo não condena, mas esclarece;
não ameaça, conscientiza.

E muito mais que revelar o mal que há no homem, tem por objectivo ajudá-lo a encontrar o Bem.

Espíritos imaturos, comprometidos com leviandades e inconsequências, somos todos, ou não estaríamos na Terra, planeta de expiação e provas.

Pesa sobre nossos ombros o passado delituoso, impondo-nos experiências dolorosas.
Nem por isso devemos atravessar a existência cultivando completamente de culpa.

O que distingue a mulher que praticou o aborto é apenas uma localização no tempo.
Ela se comprometeu hoje, tanto quanto todos nos comprometemos com males talvez mais graves, em vidas anteriores.

E se muitos estão resgatando seus crimes nas grades do sofrimento, com cobrança rigorosa da Justiça Divina, simplesmente porque nada fizeram a respeito, há que se considerar a possibilidade de nos redimirmos com o exercício do Bem.

“Misericórdia quero e não sacrifício” - diz Jesus, lembrando o profeta Oséias (Mateus, 9:13), a demonstrar que não precisamos nos flagelar ou esperar que a Lei Divina nos flagele para o resgate de débitos.

O exercício da misericórdia, no empenho do Bem, oferece-nos opção mais tranquila.

A mulher que cometeu o crime do aborto, pode perfeitamente renovar seu destino dispondo-se a trabalhar em favor da infância desvalida, em iniciativas como a adopção de filhos, socorro a crianças carentes, trabalho voluntário em creches, berçários ou orfanatos...

Seu empenho nesse sentido proporcionar-lhe-à preciosa iniciação nas bênçãos da Caridade e do Amor, habilitando-as à renovação e ao reajuste, sem traumas e sem tormentos”.

“Vai-te e não tornes a pecar”

Pergunta: O que fazer no caso de uma adolescente, quando esta ficar grávida e não tiver condições materiais, emocionais e psicológicas para poder criar esta criatura que está no seu ventre?
Não seria pior trazê-la à vida, e no futuro sofrer maus tratos dos pais, ou podendo ser abandonada?


Resposta de um Mentor Espiritual:
Existe uma Lei e esta deve ser respeitada.
Olhemos o caso de um suicida, por exemplo.

Na sua maioria são pessoas sem nenhuma fé religiosa e descrentes de uma vida após a morte.
Acham que, interrompendo a sua vida, passarão a eternidade num sono profundo, aliviando assim o seu sofrimento.

Quando chegam do outro lado, vêem que não é bem assim.
Mesmo tendo o total desconhecimento do Mundo Espiritual, da reencarnação e das Leis de Deus, eles terão que arcar com as consequências deste seu acto infeliz.

Daí a necessidade de esclarecer as pessoas para poderem evitar este tipo de atitude.
Com relação ao aborto, o que pode ser feito é um trabalho preventivo, orientando as pessoas das consequências que poderão acarretar se praticá-­lo.

Deus deu a inteligência ao homem, e este, através da ciência criou métodos anticoncepcionais para evitar a gravidez.
Agora, quem já praticou o aborto, não adianta ficar se remoendo de dor, lamentando o tempo inteiro o dano causado.

Após a orientação recebida, vamos fazer um trabalho daqui para a frente.
Vamos nos libertar das amarras que nos prendem às dores do passado.

O que pode ser feito para aliviar a dor do aborto praticado é procurar praticar a caridade.
Ajudar as pessoas menos afortunadas.

Desenvolver um trabalho assistencialista em creches e orfanatos, ajudar no esclarecimento de outras pessoas à respeito da prática do aborto.

Repetimos: não adianta ficar se remoendo de remorso o tempo inteiro pelo que já foi feito.

Deus é infinitamente bom e caridoso, sempre nos dando novas oportunidades para reparar os nossos erros praticados no pretérito.
Procurem sempre se aperfeiçoar e lembrar das palavras do Mestre Jesus: “ Vai-te e não tornes a pecar”.

§.§.§- O-canto-da-ave
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Pureza Espiritual - O Grau Máximo do Espírito

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 24, 2012 8:29 am

Marco Milani

Uma das questões mais interessantes e com relevância capital na Doutrina Espírita é o processo evolutivo do Ser.

Sempre utilizando-se de uma primorosa argumentação lógica, o Espírito da Verdade e seu nobres colaboradores esclarecem sobre pontos fundamentais, desde a criação até o grau máximo de pureza que o Espírito é susceptível.

Visando este entendimento, consideramos Deus a inteligência suprema e a causa primária de todas as coisas, constatando a sua grandiosidade através de suas obras (sem se confundir com as mesmas), regendo o Universo pelas imutáveis Leis Naturais, destacando-se a soberana Justiça e Bondade.

Universo este que não restringe-se até onde o limitado conhecimento humano actual pode perceber, porém compreende a Criação em sua generalidade, possuindo somente dois elementos essenciais e distintos entre si: o inteligente e o material.

Uma vez criado simples e ignorante, inicia-se a jornada evolutiva do ser inteligente (nas diversas moradas da casa do Pai), ligando-se à matéria em seus diferentes estados e estagiando nos diversos Reinos da Natureza.

Este processo é igual para todos, não existindo seres criados em condições privilegiadas.
Em cada etapa, estamos nos preparando para a realização espiritual, visto que já trazemos latente a perfeição relativa (somos perfectíveis).

Tendo o Espírito entrado no período da Humanidade, desperta-lhe a razão e exercita-se no livre-arbítrio, descobrindo vagarosamente sobre a sua própria realidade.

Continuando a desenvolver as suas potencialidades, aprimora-se moral e intelectualmente, incentivado ao progresso pelas Leis Naturais, certo de que tudo encadeia-se na Natureza por laços que a compreensão ainda esforça-se por alcançar, mas já vislumbrando as suas bases de Justiça.

Por isto todos somos essencialmente iguais diante da paternidade Divina, tivemos o mesmo início, tivemos e teremos as mesmas oportunidades evolutivas mantendo, porém, a individualidade.

Não existe dualidade na realização espiritual (bom/mau, masculino/feminino, sábio/ignorante) apenas unidade ontológica (natureza comum inerente a todos e a cada ser)

Entretanto, abordar o último grau da escala evolutiva (ou qualquer um superior ao actual) requer uma aproximação cuidadosa, visto não termos condições intelectuais plenas para a compreensão integral, somente genérica.

Mas fugir a estas considerações é não exercitar a inteligência.

Podemos recorrer ao famoso Mito da Caverna, de Platão, como sendo uma boa referência para este caso, onde comparativamente devemos buscar a análise da realidade nos afastando, no mundo dos sentidos, das sombras (aparências) para o mais próximo possível da fonte luminosa (chegando ao mundo das ideias, de preferência...).

É possível afirmarmos, baseados nas informações de Espíritos de escol (como o Espírito da Verdade) constantes nas obras da Codificação e confirmadas pelo critério da Universalidade (ou seja, não é opinião pessoal) que atingiremos um determinado grau evolutivo, onde não mais necessitaremos reencarnar visto a finalização do percurso de todas as etapas evolutivas (LE-113 e outras).

Voltando às sombras citadas no Mito da Caverna, existe um ponto aparentemente paradoxal para alguns leitores quando consideramos que na própria Codificação o progresso é tratado como uma Lei Natural logo tudo deve evoluir...

Será que o progresso espiritual não existe após a última escala?
Pode-se ter a impressão de que algo não está certo pois foi a mesma plêiade de Espíritos Superiores que confirmou a Lei do Progresso...

Uma das chaves para compreender esta aparente contradição encontra-se numa das questões do próprio capítulo que trata sobre o progresso n´O Livro dos Espíritos (LE-783), que afirma “... o Homem não pode permanecer perpétuamente na ignorância pois deve chegar ao fim determinado pela Providência ...”.

Sendo assim, concluímos que existe um objectivo a ser alcançado, e este objectivo é a perfeição de que somos susceptível.

Outra chave para entendermos o problema é a reflexão sobre algo que é intrínseco à evolução: o tempo.

Continua...
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Re: O que é a Doutrina

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 24, 2012 8:30 am

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Encontramos n´A Génese, Cap. VI – Uranografia Geral:
“O tempo não é senão uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias;
a eternidade não pode ser mensurada do ponto de vista de sua duração;
para ela tudo é presente.”

(ver também Cap. XVI – Teoria da Presciência).

Não precisamos recorrer à Teoria Geral da Relatividade nem à Mecânica Quântica ou qualquer teoria científica sobre o tempo (e espaço) pois não alterariam o sentido filosófico desta questão:
Os Espíritos Puros não sofrem a acção do tempo visto que já não sofrem os efeitos impuros da matéria (apesar de actuarem sobre ela) logo não se purificam mais do que já estão, não mudam de um estado inferior para um superior.

O tempo nesta condição não existe como o percebemos aqui...

Novamente na questão LE-113 encontramos que este é o estado dos Espíritos Puros, que gozam de felicidade inalterável e não sofrem as vicissitudes e necessidades da vida material.

São os mensageiros de Deus e concorrem para a harmonia universal, dirigindo e assistindo aos Espíritos que lhes são inferiores.

Os homens podem comunicar-se com eles mas bem presunçoso seria este último que pretendesse tê-los constantemente às suas ordens.

Existem muitas outras passagens na Codificação que afirmam que o Espírito atingirá o grau máximo de sua perfeição (pureza) mas apenas citaremos mais uma: LE-116 “... todos se tornarão perfeitos”.

Assim, diversas considerações fundamentais podem ser extraídas dos princípios acima, destacando-se:

1. - Todos fomos criados simples e ignorantes e estagiamos em diferentes situações na matéria para desenvolver o potencial da perfeição relativa que já possuímos (perfectibilidade);

2. - O processo evolutivo do Espírito finaliza-se quando atinge a perfeição de que é susceptível (desenvolvimento moral e intelectual máximo, felicidade plena e inalterável).

Neste estado não há mais necessidade de evoluir pois sua situação espiritual não será alterada.
A noção de tempo actual desaparece perante a eternidade.
O Espírito Puro é atemporal.

3. - Concorrerá activamente para a manutenção do Universo onde, mesmo não sentindo as necessidades e vicissitudes da vida material permanecerá ligado à matéria subtil, actuando através do pensamento e da vontade pelo perispírito, que é o seu instrumento de actuação (ver LM-55: em qualquer de seus graus, o Espírito sempre possuirá o perispírito, visto ser o agente de sua vontade. Ver LE-186: ... tal é o estado dos Espíritos Puros, que só têm por envoltório o perispírito...).

4. - Poderá comunicar-se com encarnados (novamente a necessidade do perispírito pois utilizará os recursos fluídicos necessários para tanto) incentivando-nos ao progresso para que também realizemos a perfeição espiritual relativa e colaboremos de maneira específica na manutenção do Universo.

5. - A Lei de Progresso é válida enquanto ligada à noção de tempo, que por sua vez varia no Universo.

Assim, apesar de praticamente todos nós não estarmos habituados a pensar em algo sem o tempo e matéria como referências (vivenciamos o mundo dos sentidos), verificamos através do raciocínio que os argumentos logicamente tratados pelos Espíritos Superiores sobre a perfeição relativa, o grau máximo da pureza espiritual, são coerentes e sinalizam a conquista da felicidade plena.

§.§.§- O-canto-da-ave
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Fenómenos objectivos e subjectivos

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 25, 2012 10:28 am

Mas Chico Xavier não é somente um sensitivo-psigama, restrito a fenómenos subjectivos de percepção extra-sensorial.

Os fenómenos, psicapa, de efeitos físicos, também se realizam com ele de maneira espontânea, até mesmo no meio da multidão.

Emmanuel, seu guia espiritual - seu eu controlador, segundo a expressão de Gus­tave Geley é quem limita essas ocorrências em favor da maior actividade psicográfica do médium.

Fenómenos de materialização, de transporte de objectos, de transubstanciação, de efeitos luminosos inteligentes, de impregnação fluída perceptível, de ideoplastia e , de voz-directa a escrita directa também ocorrem com ele.

O próprio Emmanuel já se materializou, dando prova palpável da sua existência.

Nosso companheiro de PLANETA, conversava com Chico Xavier.
Ao nosso lado, em Uberaba, pela primeira vez.

Subitamente foi impregnado de perfume de rosas nas mãos e nos braços.
Ninguém mais sentia o perfume, a não ser que ele aproximasse a mão, como fez connosco.

O próprio Chico nada percebia.
Um fenómeno físico, objectivo.

Nas sessões da Comunhão Espírita Crista de Uberaba é comum a manifestação de ondas de perfumes característicos da presença de certas entidades.

A impregnação de líquidos, principalmente água em recipientes fechados, que os frequentadores levam para fluidificação é, também frequente.

Nessas ocasiões, objectos tocados pelo médium, como uma caneta que lhe emprestam, ficam perfumados por vários dias.

Esse fenómeno é bastante conhecido nos meios espíritas.
Verifica-se com vários médiuns em todo o mundo.

A transubstanciação é a modificação de um liquido, alterando-lhe as qualidades ou modificando-as por completo.

Tem ocorrido espontaneamente com Chico Xavier.
Nos casos de materialização Chico cai em transe inconsciente.

A projecção do eu, também chamada bilocação ou desdobramento, ocorre com ele.
A bilocação pode ser subjectiva ou objectiva.

Nos casos de objectivação o eu projectado se torna visível e até mesmo palpável.
Esse fenómeno corresponde a um verdadeiro desdobramento da personalidade.

O eu se desliga do soma (do corpo) e se projecta a distância, levado por um chamado da pessoa querida ou por uma preocupação do próprio médium com alguém.
O desprendimento se dá de uma maneira instantânea.

O corpo fica em estado letárgico.
O eu (ou espírito) revestido do corpo espiritual a que se referia o apostolo Paulo, consegue adensar esse corpo por um esforço da vontade e se mostra como a pessoa integral, podendo falar e tocar as demais pessoas.

Nos casos subjectivos ninguém o vê, mas o eu desprendido pode fazer observações a distância a provar posteriormente que lá esteve de alguma maneira.

Tudo isso parecerá demasiado fantástico e até mesmo improvável para as pessoas estranhas aos problemas do paranormal não obstante, trata-se de um fenómeno acessível a pesquisa cientifica.

Chico Xavier e a epilepsia

A reportagem de uma revista nacional conseguiu fotocópia de um electroencefalograma de Chico Xavier e submeteu-o ao exame de psiquiatras paulistanos.

Estes chegaram a conclusão de que o médium é epiléptico.
A revista anunciou que o cérebro de Chico era anormal.

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Re: O que é a Doutrina

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 25, 2012 10:30 am

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Mas acontece que o electro não fora provocado por nenhuma consulta de Chico e sim pelo seu próprio medico, dr. Elias Barbosa, professor da Faculdade de Medicina de Uberaba, interessado em pesquisas sobre o transe mediúnico.

Por outro lado, o gráfico examinado e publicado referia-se apenas a um momento de pesquisas, que exigira vários registos.

Os gráficos feitos com Chico em estado normal não acusavam alterações significativas das ondas cerebrais.

Somente o gráfico correspondente ao estado de transe;
quando Chico recebia uma mensagem, acusou alterações que os psiquiatras consideraram graves.

Evans e Osborn apresentaram no Colóquio Parapsicológico de Utrech, em 1953, uma comunicação sobre experiências de electroencefalografia com sujeito hipnotizado, sem resultados apreciáveis.

Wallwork aplicou o electro em experiências com cartas especiais para testes parapsicológicos mas o sujeito saia de transe a cada aplicarão.

O transe mediúnico - como no caso de Chico Xavier - por sua maior profundidade e também pela aquiescência de entidade comunicante, é o que mais se presta a essas pesquisas.

O objectivo das experiências do dr. Elias Barbosa foi plenamente atingido, como se vê pelos gráficos que publicamos.

No caso de Chico Xavier verificou-se a interferência, no cérebro, de influências estranhas ao seu estado normal.
Longe, pois, de tratar­-se de alteração patológica.

O que ali se verificava era um indicio positivo daquilo que o professor Ernesto Bozzano considerava “a acção de uma mente não-encarnada sobre a mente encarnada do médium.”

Rhine esclarece bem esse problema em O Novo Mundo da Mente e Pratto apóia em Parapsychology - Frontier Science of lhe Mind, lembrando ambos que psi reclama uma nova concepção da personalidade humana, encarada essencialmente psíquica e não somática.

Estas palavras de Rhine definem claramente a questão:
“A prova experimental que hoje possuímos, de que a personalidade humana possui princípios não-físicos, permitirá aos psiquiatras armarem-se melhor para se dirigirem a uma filosofia menos materialista no tocante à interpretação dos seus pacientes a da sua pratica.

O resultado seria uma resistência mais firme ante o conceito totalmente materialista da terapia.

Essa reorientação do pensamento abriria caminho para a consideração de novas hipóteses, bem como para novas explorações das zonas fronteiriças, que actualmente permanecem relativamente fechadas”.


A concepção materialista-mecanicista dominante em nossa cultura, particularmente no campo da medicina a da terapia em geral, como acentuou Rhine, está agora sob o impacto das novas descobertas da parapsicologia e da física.

Estamos naquilo que Kilpatrick chamou “uma civilização em mudança”.
Não podemos encarar um sujei
to paranormal como anormal ou patológico, nem também como um ser sobrenatural.

Os extremos se encontram no erro.
Chico Xavier é apenas um exemplar do homem-psi da era cósmica, que já se desenvolve aceleradamente na Terra.

O mecanismo do paranormal

O electroencefalograma de Chico Xavier, mesmo no campo da psiquiatria, pode e deve ser interpretado com maior largueza de vista.

Ao invés de acusar um estado patológico que não se confirma por sintomatologia típica nem pelo comportamento mental e psicológico do sujeito, nem ainda por suas reacções fisiológicas fora do transe, confirma em termos de pesquisa a sua paranormalidade espontânea e exaustivamente comprovada.

Essa a tese do dr. Elias Barbosa, que dirigiu a pesquisa e se considera muito satisfeito tom os resultados iniciais.
Tentaremos resumir o que nos disse a respeito o ilustre medico e professor de medicina.

Ainda não há - disse-nos ele - explicação definitiva para a causa das descargas de alta frequência nos focos críticos de um paciente epilético típico.

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Re: O que é a Doutrina

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 25, 2012 10:30 am

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Alterações bioquímicas locais, isquemia e perda dos sistemas inibitórios vulneráveis de pequenas células estão entre os mecanismos possíveis que contribuem para a hiperexcitabilidade e/ou respostas hipersincronizadas e excessivas.

Essa a opinião de James Toman, apoiada pelo professor De Robertis, para quem as lesões focais podem simular certas formas de epilepsia, mas parece que as crises podem ocorrer sem lesões aparentes, e que o mecanismo fundamental estará portanto em nível macrocelular a bioquímico.

Sabemos que um electroencefalograma normal não é garantia absoluta da normalidade e que, segundo Grossmann, 20 por cento dos pacientes nesse caso continuam apresentando fenómenos psico-sensoriais como o do já visto ou o do nunca visto;
perturbações auditivas, autemismos ou crises psicomateriais.

No estudo da mediunidade psicográfica e dos fenómenos mediúnicos em geral, é bom lembrar a advertência de Donald Klass de que o registo e a interpretação adequados do electro requerem treinamento especial e extrema experiência, em virtude das muitas armadilhas técnicas existentes.

Uma interpretação errónea pode acarretar consequências mais graves que a falta de informação. É que também re­fere Garchedi Luccas ao tratar do trabalho de Falconer que contraria o conceito de Penfield.

Luccas conclui sua análise afirmando que ficam muitas questões em aberto a relacionando varias delas.

Só pelo registo de ondas pontiagudas tipo Sharp nas regiões temporais a esquerda - após a hiperpneia - inicialmente tom predomínio nas anteromediais e depois com o aparecimento de raros surtos de ondas Sharp nas regiões temporais a direita, sem predomínio nítido (como se vê do relatório do dr. Borges) poderíamos concluir que o cérebro de Francisco Cândido Xavier seja enfermo? Absolutamente não!

Ao que tudo indica, o foco critico nada mais seria do que o ponto de ligação entre as forças da entidade comunicante e as forças do aparelho receptor.

Estudos posteriores em outros médiuns em natividade poderão confirmar essa hipótese.
Esse foco compromete o grande sistema límbico, responsável pelo comportamento do individuo, pela sue homeostase afectivo-emocional.

Epi­lepsy is not a disease but a symptom, escreveu Neville Seuthwell.

Diga-se o mesmo da mediunidade, que no caso de Chico Xavier é uma síndrome de faculdades superiores que desabrocham no homem actual em benefício de toda a humanidade.

Em acréscimo a esses esclarecimentos do dr. Elias Barbosa lembraremos que parapsicologicamente o cérebro de Chico Xavier não é anormal nem patológico, mas simplesmente paranormal.

A palavra paranormal foi cunhada especialmente para distinguir as funções a os fenómenos inabituais, dos habituais que caracterizam a nossa vida rotineira a das suas alterações mórbidas estudadas pela patologia.

Já é tempo de aprendermos a fazer essa distinção na terapia e na imprensa.

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Re: O que é a Doutrina

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