Allan Kardec e sua missão

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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 07, 2012 8:56 pm

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Dos tempos primitivos aos da Civilização da Antiguidade Oriental, os valores culturais impuseram lentamente as regras de comportamento em relação aos pais - representativos dos legisladores, personificados nos Anciãos;
destes para os filhos - pela fragilidade e dependência que sempre inspiram;
entre irmãos - pela convivência pacífica indispensável à fortaleza da espécie;
ou reciprocamente entre os mais próximos, embora são subalternos ao mesmo tecto, num desdobramento do próprio clã, ensaiando os passos na direcção da família dilatada...

A Grécia, aturdida pela hegemonia militar espartana, não considerou devidamente a união familial, o que motivou a sua destruição, ressalvada Atenas, que não obstante amando a arte e a beleza, reservava ao Estado os deveres pertencentes à família, facultando-a sobreviver por tempo maior, mas não lobrigando atingir o programa estético e superior a que se propuseram os seus excelentes filósofos.

A Roma coube essa indeclinável tarefa, a princípio reservada ao patriciado, e depois, através de leis coordenadas pelo Senado, que alcançaram as classes agrícolas, militares, artísticas e a plebe, facultando direitos e deveres que, embora as hediondas e infelizes guerras, se foram fixando no substrato social e estabelecendo os convénios que o amor sancionou e fixou como técnica segura de dignificação do próprio homem, no conjunto da família.

A Idade Média, caracterizada pela supremacia da ignorância, desfigurou a família com o impositivo de serem doados os filhos à Igreja e ao suserano dominador, entibiando por séculos a marcha do espírito humano.

Aos enciclopedistas foi reservada a grandiosa missão de, em estabelecendo os códigos dos direitos humanos, reestruturarem a família em bases de respeito para a felicidade das criaturas.

Todavia, a dialéctica materialista e os modernos conceitos sensualistas, proscrevendo o matrimónio e prescrevendo o amor livre, voltam a investir contra a organização familial por meio de métodos aberrantes, transitórios, é certo, mas que não conseguirão, em absoluto, qualquer triunfo significativo.

São da natureza humana a fidelidade, a cooperação e a fraternidade como pálidas manifestações do amor em desdobramento eficaz.

Tais valores se agasalham, sem dúvida, no lar, no seio da família, onde se arregimentam forças morais e se caldeiam sentimentos na forja da convivência doméstica.

Apesar de a poliandria haver gerado o matriarcado e a promiscuidade sexual feminina, a poligamia, elegendo o patriarcado, não foi de menos infelizes consequências.

Segundo o eminente jurista suíço Bachofen, que procedeu a pesquisas históricas inigualáveis sobre o problema da poliandria, a mulher sentiu-se repugnada e vencida pela vulgaridade e abuso sexual, de cuja atitude surgiria o regime monogâmico, que ora é aceito por quase todos os povos da Terra.

Conclusão
- A família, todavia, para lograr a finalidade a que se destina, deve começar desde os primeiros arroubos da busca afectiva, em que as realizações morais devem sublevar às sensações sexuais de breve durabilidade.

Quando os jovens se resolvem consorciar, impelidos pelas imposições carnais, a futura família já padece ameaça grave, porquanto, em nenhuma estrutura se fundamenta para resistir aos naturais embates que a união a dois acarreta, no plano do ajustamento emocional e social, complicando-se, naturalmente, quando do surgimento da prole.

Fala-se sobre a necessidade dos exames pré-nupciais, sem dúvida necessários, mas com lamentável descaso pela preparação psicológica dos futuros nubentes em relação aos encargos e às responsabilidades esponsalícias e familiares.

A Doutrina Espírita, actualizando a lição evangélica, descortina na família esclarecida espiritualmente a Humanidade ditosa no futuro promissor.

Sustentá-la nos ensinamentos do Cristo e nas lições da recta conduta, apesar da loucura generalizada que irrompe em toda parte, é o mínimo dever de que ninguém se pode eximir.

Estudo e Meditação:

- "Será contrário à lei da Natureza o casamento, isto é a união permanente de dois seres?
É um progresso na marcha da Humanidade.
(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questão 695.)

"(...) Não são os da consanguinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de ideias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações.
Segue-se que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se o fossem pelo sangue (...)."

(O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap. XIV, item 8.)

Texto extraído do livro Estudos Espíritas, de Divaldo Pereira Franco pelo espírito de Joanna de Ângelis.

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Estudos Espíritas

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 08, 2012 9:02 pm

- Felicidade -

Joanna de Ângelis (espírito)

Escolas Antigas
- Desde a mais recuada antiguidade o homem sentiu necessidade imperiosa quão inadiável de vencer a dor e as vicissitudes, libertando-se da angústia e superando o medo da morte. Sustentado nos primeiros tentames pela inspiração espiritual buscou na intimidade dos santuários a elucidação de vários dos enigmas que o afligiam, para diminuir a crueza das perspectivas de sombra e morte a que se via constrangido considerar.

No entanto, com o nascimento das primeiras escolas de pensamento, que buscavam, através dos seus insignes mestres, a elucidação dos tormentosos mistérios a respeito da vida, perlustrou roteiros diversos, ora em ansiedade, ora em lassidão, padronizando por meio de regras fixas uma conceituação filosófica de tal modo eficaz que o libertasse do medo, fazendo-o tranquilo.

Sem remontarmos à Antiguidade Oriental estabeleceu-se, a princípio, na Grécia, que a felicidade se nutre do belo, por meio do gozo que decorre da cultura do espírito.

Enquanto viveu, Epicuro procurou demonstrar que a sabedoria é verdadeiramente a chave da felicidade, mediante a qual o homem desenvolve as inatas aptidões da beleza, fruindo a satisfação de atender as mais fortes exigências do ser.

Pugnavam os epicuristas pela elevação de propósitos, demonstrando que as sensações devem ceder lugar às emoções de ordem superior, a fim de que o homem se vitaliza com as legítimas expressões do belo, consequentes aos exercícios da virtude por meio da qual há uma superior transferência dos desejos carnais para as alegrias espirituais.

Posteriormente o ideal epicurista, também chamado hedonista, sofreu violenta transformação, passando essa Escola a representar um conceito deprimente, por expressar gozo, posse, prazer sensual.

Fixaram os descendentes do filósofo de Samos - que elaborara o seu pensamento nas lições de Demócrito oferecendo-lhe vitalidade moral -, o epicurismo nas lutas pela propriedade, ensinando que o homem somente experimenta felicidade quando pode gozar, seja através do sexo desgovernado ou mediante o estômago saciado.

Fomentaram a máxima:
possuir para gozar, ter para sobreviver, esquecidos de que a posse possui o seu possuidor, não poucas vezes, atormentando-o, por fazê-lo escravo do que tem.

Antes do pensamento epicurista, Diógenes, cognominado o Cínico, graças à sua forma de encarar e viver a vida, estabelecia que o homem deve desdenhar todas as leis, excepto as da Natureza, vivendo de acordo com a própria consciência e com total desprezo pelas convenções humanas e sociais.

Era um retorno às manifestações naturais da vida, em harmonia com o direito de liberdade em toda a sua plenitude.
Pela forma como conceituava a Filosofia, incorporando-a à prática diária, foi tido por excêntrico.

Desdenhando os bens transitórios passou a habitar um tonel.
E como visse oportunamente um jovem a sorver água cristalina que tomava de uma fonte com as mãos em concha, despedaçou a escudela de que se servia por considerá-la inútil e supérflua, passando a fazer como acabava de descobrir...

Desconsiderou, em Corinto, o convite que lhe fora feito por Alexandre Magno, desprezando a honra de governar o mundo ao seu lado e admoestando-o por tomar-lhe o que chamava "o meu sol".

Fundamentada no amor à Natureza e suas leis, a doutrina cínica considerava a desnecessidade do supérfluo e a perfeita integração do homem na vida, pois que nada possuindo não podia temer a perda de coisa alguma, desenvolvendo o sentido ético do "respeito à vida".

Os continuadores exaltados, porém, transformaram-na em uma reacção contra as regras da vida, semeando o desdém ou proclamando uma liberdade excessiva, a degenerar-se em libertinagem.

Toda vez que o direito precede ao dever esse desequilibra-se pela ausência de bases que lhe sustentem os interesses, pois que, somente pode usufruir quem haja rectamente exercido o compromisso que a vida lhe impõe.

A liberdade é o direito inato, mas desde quando perturba o direito alheio faz-se prejuízo da comunidade em que se exterioriza.

Enquanto o homem não adquire o legítimo amadurecimento espiritual que o faz espírito adulto, não pode viver em regime de liberdade total, por faltar-lhe responsabilidade.

Contemporaneamente, floresceu o pensamento estóico, cujos fundamentos estão acima da condição da posse ou da ausência dela, mas da realidade do ser, do tornar-se.

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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 08, 2012 9:03 pm

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Zenão de Cício, seu preconizador, expunha, vigoroso, quanto à necessidade de se banirem da vida as expressões da afectividade e da emotividade, que, segundo lhe parecia, causavam apego e produziam dor.

Desejando libertar o homem de qualquer retentiva na retaguarda, predispunha-o para enfrentar as vicissitudes e os sofrimentos com serenidade, libertando-o de toda constrição capaz de o infelicitar.

Ensinava que o essencial na vida é a própria vitalidade interna, o encontro com o eu, tangenciando-o para a suprema forma das atitudes de natureza subjectiva.

"O homem são os seus valores íntimos", leccionava, desejoso de fazer que o conceito fecundasse na alma humana.

No entanto, pelo impositivo de reacção aos elementos constitutivos o afecto e da emoção, não conseguiu oferecer a segurança básica para a felicidade, por tornar o homem inautêntico, transformado em máquina insensível ao amor, à beleza, ao sofrimento...

À mesma época, viveu Sócrates, considerado o pai da ciência moral, que a exemplificou em si mesmo, em carácter apostolar.
Criticando e satirizando os falsos conceitos estabeleceu as regras da virtude, aplicando-as na própria vida.

A sua dialéctica a expressar-se, não raro de forma irónica, combatia os males que os homens fomentam para gozarem de benefícios imediatos, objectivando com essa atitude de recta conduta o bem geral, a felicidade comunitária.

Diante dos juízes que o examinavam sob pretexto falso, manteve serenidade superior, sendo um precursor do pensamento cristão, relevantes como eram suas preciosas lições.

E diante da morte que lhe foi imposta, através da cicuta que sorveu, conservou absoluta serenidade, conforme se constata pouco antes dela pelo célebre diálogo mantido com Críton, seu jovem e nobre discípulo, que o visitara no cárcere.

"O homem não são as suas roupas, o seu invólucro, mas o seu espírito" - afirmou, integérrimo, preferindo o cárcere e a morte à desonra, ele que devia ensinar conduta recta e consciência tranquila.

O seu legado ético é de relevante valor moral e espiritual, rescendendo o subtil aroma da sua filosofia de vida no idealismo que Platão apresenta nos memoráveis Diálogos, que reflectem sempre a grandeza do mestre, verdadeiro pioneiro das ideias cristãs e espíritas.

Conceituação Moderna
- Abandonando o empirismo através dos tempos, o pensamento atingiu o período tecnológico, estabelecendo a chamada "sociedade de consumo" e fomentando entre as nações a divisão dos países segundo o desenvolvimento, subdesenvolvimento e o terceiro mundo.

[/i]Resultado de diversas guerras calamitosas e destruidoras o espírito hodierno experimentou vicissitudes jamais imaginadas, derrapando pelos resvaladouros do pessimismo e do imediatismo, em busca de soluções apresentadas para os velhos e magnos problemas da vida, sem encontrar a fórmula correcta para atingir a felicidade.

As lutas de classes e o despotismo do poder, incrementados pelas paixões da posse, estabeleceram as regras da usurpação, gerando a miséria social em escala sem precedentes, graças ao desmedido conforto de alguns poucos com absoluta indiferença ante o abandono das colectividades espoliadas.

O homem moderno, no entanto, parece ter-se perdido a si mesmo, conquanto as luzes clarificantes do pensamento cristão insistindo teimosamente para romperem a treva do dogmatismo e da insatisfação filosófica.

O século XIX, herdando as valiosas lições de liberdade e justiça dos pensadores e paladinos do último quartel da centúria anterior, encarregou-se de zombar da fé, e o cepticismo apoderou-se das consciências que foram arrojadas na direcção do futuro sem paz e em desesperança, na busca dos roteiros libertadores.

Depois da Segunda Guerra Mundial o existencialismo reconduziu o homem à caverna, fazendo-o mergulhar nos subterrâneos das grandes metrópoles e ali entregando-se à fuga da consciência e da razão pelo prazer, numa atitude de desconsideração pela vida, alucinado pelo gozo imediato.

Da aberração pura e simples a desequilíbrio cada vez mais grave, renovando-se os painéis de paixões exacerbadas, a juventude desgovernou-se e a filosofia da "flor e do amor" assumiu proporções alarmantes, na actualidade, conclamando os homens éticos e pugnadores da ciência da alma a atitudes de urgente e severa observação, para procederem à elaboração de novos conceitos filosóficos capazes de estancarem a onda de sexo, erotismo e degradação que de tudo e todos se apodera.

Todo o velho sistema de Diógenes, condimentado pelo superluxo e supremo desinteresse pela vida, eclodiu nas últimas manifestações filosóficas, transformando os alucinogénos e barbitúricos em apetecidos manjares para as fugas espectaculares à realidade e mergulho do nada, do qual despertam mais apáticos, amargos e inditosos.

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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 08, 2012 9:04 pm

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Sem qualquer fundamento ético, abandonando a afirmação optimista da vida, o homem moderno atravessa e vive poderosa crise filosófica que o aparvalha ante os prognósticos deprimentes sobre o futuro.

Os fantasmas da guerra e os fluidos dos preconceitos de várias ordens, mantidos multissecularmente a exsudarem miasmas venenosos, surpreendem a actual sociedade, gerando anarquia e violência sob os estímulos de paixões desregradas, levadas à máxima exteriorização.

O homem recorda a vida tribal e procura fugir das regras estabelecidas, por desvitalizadas, buscando criar comunidades para o prazer com comunhão com a Natureza.

Atormentado, porém, pelo desequilíbrio interior, infesta o ideal de liberdade com a virulência dos instintos em descontrole, obliterando as fontes do discernimento, com que engendra argutos programas de alucinação e morte, sem lobrigar o cobiçado aniquilamento, o róseo fim de sonho e esquecimento...

Felicidade e Jesus
- Estabelecendo, conforme o Eclesiastes, que a verdadeira "felicidade não é deste mundo", Jesus preconizou que o homem deve viver no mundo sem pertencer a ele, facultando-lhe o auto-descobrimento para superar o instinto e sublimá-lo com as conquistas da razão, a fim de planar nas asas da angelitude.

Não é feliz o homem em possuir ou deixar de possuir, mas pela forma como possui ou como encara a falta de posse.
O homem é mordomo, usufrutuário dos talentos de que se encontra temporariamente investido na condição de donatário, mas dos quais prestará contas.

O ter ou deixar de ter é consequência natural de como usou ontem a posse e de como usará hoje os patrimónios da vida, que sempre pertencem à própria vida, representando Nosso Pai Excelso e Criador.

Situando no "amar ao próximo como a si mesmo" a pedra fundamental da felicidade, o Cristo condiciona a existência humana ao supremo esforço do labor do bem em todas as direcções e latitudes da vida, dirigido a tudo e todos, e elucida que cada um possui o que doa.

A felicidade é o bem que alguém proporciona ao seu próximo.
O eu se anula, então, para que nasça a comunidade equilibrada, harmónica e feliz.
A alegria de fazer feliz é a felicidade em forma de alegria.

Construída nas bases da renúncia e da abnegação a felicidade não é imediata, fugaz, arrebatadora e transitória.

Caracteriza-se pela produtividade através do tempo e é imediata, vazada na elaboração das fontes vitais da paz de todos, a começar de hoje e não terminar nunca.

Por isso não é "deste mundo".

Vivendo as dores e necessidades do povo, Jesus padronizou a busca da felicidade no amor por ser a única fonte inexaurível, capaz de sustentar toda aflição e vencê-la, paulatinamente.
E amando, imolou-se num ideal de suprema felicidade.

Espiritismo e Felicidade
- Concisa e vigorosamente fundamentada no Cristianismo, a Doutrina Espírita apresenta a felicidade e a desgraça como sendo a consequência das atitudes que o homem assume na rota evolutiva pelo cadinho das incessantes reencarnações.

O espírito é a soma das suas vidas pregressas.


Quanto haja produzido reaparece-lhe como título de paz ou promissória de resgate, propondo, o homem mesmo, as directrizes e as aquisições do caminho a palmilhar.

Quanto hoje falta, amanhã será completado.
O excesso, hoje em desperdício, é ausência na escassez do futuro.
Todo o bem que se pode produzir é felicidade que se armazena.

A filosofia da felicidade à luz do Espiritismo se compõe da correcta atitude actual do homem em relação à vida, a si mesmo e ao próximo, estatuindo vigorosos lances que ele mesmo percorrerá no futuro.

As dores, as ansiedades e as limitações são exercício de morigeração a seu próprio benefício, transferindo ou aproximando o momento da libertação dos males que o afligem.

A consciência da responsabilidade oferece ao homem a filosofia ideal do dever e do amor.
Respeito à vida com perfeita integração no espírito da vida - eis a rota a palmilhar.


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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 08, 2012 9:05 pm

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Serviço como norma de elevação e renúncia em expressão de paz interior.
Servindo, o homem adquire superioridade, e, doando-se, conquista liberdade e paz.

Nem posse excessiva nem necessidade escravizante.
Nem poder escravocata nem a indiferença malsinante.

O amor e a caridade como elevadas expressões do sentimento e da inteligência, conduzindo as aspirações do espírito, que tem existência eterna, indestrutível, sobrevivendo à morte e continuando a viver, retornando à carne e prosseguindo em escala ascensional, na busca ininterrupta da integração no concerto sublime do Cosmo, livre de toda dor e toda angústia da sombra e da roda das reencarnações inferiores, feliz, enfim!

Estudo e Meditação:

"Pode o homem gozar de completa felicidade na Terra?
Não, por isso que a vida lhe foi dada como prova ou expiação.
Dele, porém, depende a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra."
(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questão 920.)

"Em tese geral pode afirmar-se que a felicidade é uma utopia a cuja conquista as gerações se lançam sucessivamente, sem jamais lograrem alcançá-la.
Se o homem ajuizado é uma raridade neste mundo, o homem absolutamente feliz jamais foi encontrado."

(O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap. V, item 20.)

(Texto extraído do livro Estudos Espíritas, de Divaldo Pereira Franco pelo espírito de Joanna de Ângelis.)

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Estudos Espíritas

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 09, 2012 9:34 pm

- Moral -

Joanna de Ângelis (espírito)

Conceito
- Conjunto de regras que constituem os bons costumes, a Moral consubstancia os princípios salutares de comportamento de que resultam o respeito ao próximo e a si mesmo.

Decorrência natural da evolução, estabelece as directrizes seguras em que se fundam os alicerces da Civilização, produzindo matrizes de carácter que vitalizam as relações humanas, sem as quais o homem, por mais avançado nos esquemas técnicos, poucos passos teria conseguido desde os estados primários do sentimento.

Da constante necessidade de defender-se e defender as primeiras comunidades, ainda na fase agrária, surgiram as medidas ora restritivas, ora estimulantes entre os chefes e os subalternos e nas relações recíprocas dos indivíduos, do que resultavam produtivos empreendimentos e proveitosos aprestos no concerto de interesses.

Da observação pura e simples, aglutinaram-se experiências que se transformaram, a pouco e pouco, em regras para as trocas comerciais e os acertos políticos entre os diversos grupos, evoluindo para os costumes que se fixaram nas gerações sucessivas, em forma de leis e estatutos.

Impostas por uns, espontaneamente aceitas por outros, desprezadas por muitos, as directrizes morais evoluíram e se transformaram em Civilização e Cultura, conduzindo às diversas formas de governo superior e à manutenção da ordem pelo indivíduo, em relação a outro, à comunidade, ao Estado e reciprocamente.

Dividida em teoria e prática, a primeira busca determinar o bem supremo, enquanto a outra se encarrega de expor os múltiplos deveres, que constituem os princípios práticos, basilares da vida. Observando suas regras o homem pratica o bem e evita o mal.

Desenvolvimento
- À medida que a necessidade do crescimento comunitário fomentava o povoamento de novas terras, encorajando a organização social em bases de progresso, a Moral, a princípio arbitrária, depois racional e lógica, sempre esteve presente, sustentando a disciplina e, simultaneamente, tanto o equilíbrio individual como o colectivo, constituindo preocupação fundamental de pensadores e governos, para a preservação dos princípios conquistados a duras penas, nas experiências da evolução.

Somente a partir de Sócrates passou a Moral a ser considerada pela Filosofia. Indubitavelmente muitas vezes a Moral esteve sujeita a hábeis guerreiros, que a submetiam aos próprios caprichos, da mesma forma que o pensamento padeceu não poucas aflições sob o predomínio de conciliábulos nefandos de odientos políticos que, ardilosos no manejo das situações, sabiam como manter-se, engendrando normas de tirania com que asfixiavam ou tentavam dominar os idealistas e filósofos, a fim de se manterem venais, na cúpula sempre transitória da governança.

A resposta, porém, da vida à dominação e à arbitrariedade é a pequena duração da organização humana fisiológica e o repúdio, quando não o desprezo da posteridade.

Muitos sofistas, aferrados à negligência, ainda hoje tentam desconsiderar as linhas da moralidade, confundindo-as com os preconceitos e as conveniências dos hábitos sociais, nem sempre, é verdade, relevantes ou enobrecidos, assoalhando que, em variando entre os muitos povos, a Moral é uma questão de opinião sem valor...

Todavia, em qualquer período em que o lar esteve sob o estigma da dissolução dos costumes, a sociedade se corrompeu e a Civilização malogrou, consumida pelo desprestígio generalizado, dentro e fora das suas fronteiras, do que redundou o desaparecimento, malgrado o fastígio atingido, reduzindo-se a escombros, abatida pela guerra da dominação estrangeira, vencida que já estava pelo vírus da desordem interna...

Observando-se as conquistas do homem através do conhecimento, fácil é constatar-se que as regras morais são, também, medidas de higiene e saúde, com comprometimentos profundos nas atitudes e acções do próprio Espírito.

Sendo o homem um animal em evolução, a disciplina do instinto e o desdobramento dos recursos da inteligência, bem como a necessidade da preservação da vida, impõem, a princípio, a disciplina, depois, a lei e, por fim, a Moral, que se converte em nobilitante comportamento com que se liberta das constrições primitivas e se põe em sintonia com as vibrações subtis da Espiritualidade, para onde ruma na condição de Espírito imortal que é.

A história da Filosofia é uma constante busca de uma concepção optimista do mundo,

E nesse capítulo a Moral é relevante.

De Hermes, com as suas asseverações espirituais, a Lao-tse, de Confúcio, com os princípios da família e da sociedade fundamentando a Moral numa filosofia da Natureza, optimista, a Zoroastro e Maomé, na concepção dualista da vida, de Sócrates, Platão e Aristóteles com os conceitos políticos, morais e espirituais, às leis apresentadas por Moisés, em Jesus a Moral assume relevante proposição, que modifica a estrutura do pensamento humano e social, abrindo o campo a experiências vigorosas, em que medram as legítimas aspirações humanas, que transitam do poder da força para a força do amor...

Jesus se preocupava com a perfeição íntima, ética, intransferível, dos homens, conclamando-os a realizarem o "reino de Deus" interiormente, numa elaboração optimista.

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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 09, 2012 9:35 pm

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Conclusão
- Certamente a moral cristã ainda não colimou os seus objectivos elevados, conquanto os vinte séculos passados.

Todavia, diante dos esforços do Direito e da acentuada luta pacífica das organizações mundiais, a Moral, em diversas apreciações tornadas legais, sancionadas por governos e povos, atingirá, não obstante as dificuldades e transições do actual momento histórico, o seu fanal nos dias do porvir, propondo ao homem moderno, na moderação e na equidade, nos costumes correctos, aceitos pelo comportamento das gerações passadas, a vivência do máximo postulado do Cristo, sempre sábio e actual:
"Fazer ao próximo o que desejar que este lhe faça", respeitando e respeitando-se, para desfrutar a consciência apaziguada e viver longos dias de harmonia na Terra, com felicidade espiritual depois da destruição dos tecidos físicos pelo fenómeno da morte.

Estudo e Meditação:

"Que definição se pode dar da moral?
A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal.
Funda-se na observância da lei de Deus.
O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus."

"Como se pode distinguir o bem do mal?
O bem é tudo que é conforme à lei de Deus;
o mal, tudo o que lhe é contrário.
Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal é infringi-la."
(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questões 629 e 630.)

"A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem.
Ser bom, caritativo, laborioso, sóbrio, modesto, são qualidades do homem virtuoso.
Infelizmente, quase sempre as acompanham pequenas enfermidades morais que as desornam e atenuam.

Não é virtuoso aquele que faz ostentação na sua virtude, pois que lhe falta a qualidade principal:
a modéstia, e tem o vício que mais se lhe opõe: o orgulho.
A virtude, verdadeiramente digna desse nome, não gosta de estadear-se.

Adivinham-na;
ela, porém, se oculta na obscuridade e foge à admiração das massas (...)."
(O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap. XVII, item 8.)

(Texto extraído do livro Estudos Espíritas, de Divaldo Pereira Franco pelo espírito de Joanna de Ângelis.)

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Estudos Espíritas

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 10, 2012 9:44 pm

- Obsessão -

Joanna de Ângelis (espírito)

Conceito -
Distúrbio espiritual de longo curso, a obsessão procede dos painéis íntimos do homem, exteriorizando-se de diversos modos, com graves consequências, em forma de distonias mentais, emocionais e desequilíbrios fisiológicos.

Inerentes à individualidade que lhe padece o constrangimento, suas causas se originam no passado culposo, em cuja vivência o homem, desatrelado dos controles morais, arbitrariamente se permitiu consumir por deslizes e abusos de toda ordem, com o comprometimento das reservas de previdência e tirocínio racional.

Amores exacerbados, ódios incoercíveis, dominação absolutista, fanatismo injustificável, avareza incontrolável, morbidez ciumenta, abusos do direito como da força, má distribuição de valores e recursos financeiros, aquisição indigna da posse transitória, paixões políticas e guerreiras, ganância em relação aos bens perecíveis, orgulho e presunção, egoísmo nas suas múltiplas facetas são as fontes geratrizes desse funesto condutor de homens, que não cessa de atirá-los nos resvaladouros da loucura, das enfermidades portadoras de síndromes desconhecidas e perturbantes do suicídio directo ou indirecto que traz novos agravamentos àquele que se lhe submete, inerme, à acção destrutiva.

Parasita pertinaz, a obsessão se constitui de toda ideia que se fixa de fora para dentro - como na hipnose, por sugestão consciente ou não, como pela incoercível persuasão de qualquer natureza a que se concede arrastar o indivíduo.

Ou, de dentro para fora, pela dominadora força psíquica que penetra e se espraia, no anfitrião que a agasalha e sustenta, vencendo-lhe as débeis resistências.

Originária, às vezes, da consciência perturbada pelas faltas cometidas nas existências passadas, e ainda não expungidas - renascendo em forma de remorsos, recalques, complexos negativos, frustrações, ansiedades -, impõe o auto-supliciamento, capaz, de certo modo, de dificultar novos deslizes, mas ensejando, infelizmente, quase sempre, desequilíbrios mais sérios...

Possuindo o homem os factores predisponentes para o seu surgimento e fixação (os débitos exarados na mente espiritual culpada), faculta uma simbiose entre as mentes, encarnadas ou desencarnadas, mas de maior incidência na esfera entre o Espírito desatrelado do carro somático e o viandante da névoa carnal, constituindo tormento de larga expansão que, não atendido convenientemente, termina por atingir estados desesperadores e fatais.

Sendo, todavia, a morte, apenas um corolário da vida, em que aquela confirma esta, compreensível é que o intercâmbio incessante prossiga, não obstante a ausência da forma física.

Viajando pelo perispírito, veículo condutor das sensações físicas na direcção do Espírito e, vice-versa, mensageiro das respostas ou impulsos deste no rumo do soma, esse corpo semimaterial, depositário das forças impregnantes das células, constitui excelente campo plástico de que se utiliza a Lei para os imprescindíveis reajustes daqueles que, por distracção ou falta de siso, desrespeito ou abuso, ambição ou impiedade se atrelaram às malhas da criminalidade.

O comércio mental funciona em regime de amplas perspectivas, seja no plano físico, seja nas esferas espirituais;
ou reciprocamente.

Não sendo necessário o cérebro para que a mente continue o seu ministério intelectual, constituindo o encéfalo tão-somente o instrumento de exteriorização física, mentes e mentes ligam-se e se desligam em conúbios contínuos, incessantes, muito mais do que seria de supor-se.

O que é normal entre os homens não muda após o decesso corporal.

Há sempre alguém pensando noutrem.

O estabelecimento dos contactos como a continuidade deles é que podem dar curso aos processos obsessivos ou lenificadores, consoante seja a fonte emissora.

Através da Física Moderna, em ligeiro exame, podemos constatar que, à medida que a matéria foi perquirida, experimentou desagregação, até quase total extinção da ideia de estrutura.

Dos conceitos medievais aos hodiernos, há abismos de conhecimento, viandando da constituição bruta à quintessência.
Em consequência, a Terra e tudo que nela se encontra ora se converte em ondas, raios, mentes, energias...

Da ideia simples, que insiste, perseverante, à fascinação estonteante, contínua, até à subjugação vencedora, a obsessão é, em nossos dias, o mais terrível flagelo com que se vê a braços a Humanidade...

Espocando em condições próprias, quais cogumelos bravos e venenosos, multiplica-se assustadoramente, conclamando-nos todos à terapêutica imediata, cuidadosa, e a medidas preventivas, inadiáveis, antes que os palcos do mundo se convertam em cenários nefandos de horror e desastre.

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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 10, 2012 9:44 pm

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Desenvolvimento
- A História é testemunha de obsessões cruéis.

Atormentados de todo porte desfilaram através dos tempos, vestindo indumentárias masculinas e femininas, em macabros festivais, desde as guerras sanguissedentas a que se entregavam às dominações mefíticas, cuja evocação produz estupor nas mentes desacostumadas à barbárie.

Não somente, todavia, nos recuados tempos do passado.

Não há muito, a Humanidade foi testemunha da fúria obsessiva dos apaniguados do racismo hediondo, que nos campos de concentração de diversas nações modernas praticaram os mais selvagens e frios crimes contra o homem e a sociedade, consequentemente contra Deus.

Isto porque a obsessão não se desenvolve somente nos chamados meios vis, em que imperam a ignorância, o primitivismo, o analfabetismo, os sofrimentos cruciais.

Medra, também, e muito facilmente, entre os que são fátuos, os calculistas e imediatistas, neles desdobrando, em virtude das condições favoráveis da própria constituição espiritual, os semens da perturbação que já conduzem interiormente.

Estigma a pesar sobre cabeças coroadas, a medrar em berços de ouro e nácar, a fustigar conquistadores, a conduzir perversos, esteve nos fastos históricos aureolada de poder e ovacionada pela febre da loucura, condecorando homicidas e destruindo-os depois, homenageando bárbaros e destroçando-os, em voragens nas quais se consumiam, em espectáculos inesquecíveis pela aberração de que davam mostras.

Ferrete cravado em todos aqueles que um dia se mancomunaram com o crime, aparece nas mentes e corpos estiolados, arrebentando-se em expressões teratológicas dolorosas, exibindo as feridas da incúria e da alucinação.

Não apenas no campo psíquico a obsessão desarticulou, no passado, heróis e príncipes, dominadores e dominados, mas, também, nas execrações físicas de que não se podiam furtar os criminosos, jugulando-os às jaulas em que se fazia necessário padecerem para resgatar.

Hoje, em pleno século da tecnologia, em que os valores éticos sofrem desprestígio, a benefício dos valores sem valor, irrompe a obsessão caudalosa, arrasadora, arrancando o homem das estrelas para onde procura fugir, a fim de fixá-lo ao solo que pensa deixar e que se encontra juncado de cadáveres, maculado de sangue, decorrência de suas múltiplas e incessantes desídias.

Obsessão e Jesus
- Ensinando mansuetude e renúncia, quando o mundo se empolgava nas luzes de Augusto;
precedido pelos arregimentadores da paz e da concórdia, que mergulharam na carne para lhe prepararem o advento, Jesus viveu, todavia, os dias em que a força estabelecia as bases do direito e o homem era lacaio das paixões infrenes, vitimado pelas loucas ambições da prepotência e das guerras...

Embora as luzes do pensamento filosófico de então, a espocarem em vários rincões, o ser transitava, ainda, das expressões da selvajaria à civilidade, acobertado por vernizes ténues de cultura, em que o orgulho vão mantinha supremacia, dividindo as criaturas em castas e sub-castas, a expensas de preconceitos muito enganosos.

A Sua mensagem de amor, no entanto, sobrepairou além e acima de todas as conceituações que chegaram antes, e a força do Seu verbo, na exemplificação tranquila quão eloquente de que se fez expoente, abalou a pouco e pouco os falsos alicerces da Terra, injectando estrutura salutar e poderosa sobre a qual ergue, há vinte séculos, o Reino da Plenitude...

Nunca se escutara voz que se Lhe semelhasse.
Jamais se ouviu canção que transfundisse tal esperança.
Outra vez não voltaria o murmúrio sublime de tão comovedora musicalidade..

Ninguém que fizesse o que Ele fez.
Nenhuma dádiva que suplantasse a que Ele distribuiu.

Pelo tanto que é, tornou-se também o Senhor dos Espíritos, penetrando os meandros das mentes obsidiadas e arrancando de lá as matrizes fixas, por meio das quais os Espíritos impuros se impunham àqueles que lhes estavam jugulados pelos débitos pesados do pretérito.

Não libertou, no entanto, os obsidiados sem lhes impor a necessidade de renovação e paz, por meio das quais encontrariam o lenitivo da reparação da consciência maculada pelas infrações cometidas.
Nem expulsou, desapiedadamente, os cobradores inconscientes.

Antes entregou-os ao Pai, a Quem sempre exorava protecção, em inigualável atitude de humildade total.

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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 10, 2012 9:45 pm

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Apesar disso, os que O cercavam, fizeram-se por diversas vezes instrumento de obsessões temporárias, a fim de que pudéssemos compreender, mais tarde, a nossa própria fragilidade, afastando assim pretensões e regimes de excepção.

Enérgico ou meigo, austero ou gentil, cônscio da Sua missão, ensinou que a terapêutica mais poderosa contra obsessões e desgraças é a do amor, pela vivência da caridade, da renúncia e da auto-sublimação.

Prevendo o futuro de dores que chegaria mais tarde, facultou-nos o Consolador para que todos que "nele cressem não perecessem, mas tivessem a vida eterna

Enquanto as luzes da cultura parecem esmaecidas pelo sexo em desconcerto, de que se utilizam os Espíritos infelizes para maior comércio com os homens;
pelos estupefacientes e alucinogénos em báratro assustador, que facultam mais amplas possibilidades ao conúbio entre os Espíritos dos dois lados da vida;

pela aflição na conquista da posse, que estimula o exercício exagerado de paixões de vário porte;

pela fuga espectacular à responsabilidade, que engendra o desrespeito e acumplicia o homem às torpes vantagens da carne ligeira;

pela desesperação do gozo de qualquer matiz, que abre as comportas do vampirismo destruidor, o Consolador chega lucilando ao mundo e acenando novos métodos de paz para os que sofrem, e esses sofredores somos quase todos nós.

Obsidiados, obsessões, obsessores!
Ei-los em toda parte, para quem os pode identificar.
Em arremedos de gozadores, padecem ultrizes exulcerações íntimas.

Sorrindo, têm a face em esgares.
Dominando, se revelam vencidos por incontáveis mazelas que brotam de dentro e se exteriorizam mais tarde em feridas purulentas, nauseantes...
Mais do que nunca, a oração do silêncio e a voz da meditação, no rumo da edificação moral, se fazem tão necessárias!

Abrir a mente à luz e o coração ao amor, albergando a família padecente dos homens, de que fazemos parte, é o impositivo do Cristo para todos os que crêem e, especialmente, para os espiritistas, que possuímos os antídotos eficazes contra obsessões e obsessores, com o socorro aos obsidiados e seus perseguidores, sob a égide de Jesus.

Estudo e meditação:

"(...) A palavra obsessão é, de certo modo, um termo genérico, pelo qual se designa esta espécie de fenômeno, cujas principais variedades são:
a obsessão simples, a fascinação e a subjugação."

(O Livro dos Médiuns, Allan Kardec, item 237.)

"Na obsessão, o Espírito actua exteriormente, com a ajuda do seu perispírito, que ele identifica com o do encarnado, ficando este afinal enlaçado por uma como teia e constrangido a proceder contra a sua vontade."
"Na obsessão há sempre um Espírito malfeitor."

(A Génese, Allan Kardec, cap. XIV, itens 47 e 48.)

Texto extraído do livro Estudos Espíritas, de Divaldo Pereira Franco pelo espírito de Joanna de Ângelis.

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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 11, 2012 9:29 pm

- Sexo -

Joanna de Ângelis (espírito)

Conceito
- Os lexicógrafos conceituam o sexo como sendo a
"conformação particular do ser vivo que lhe permite uma função ou papel especial no acto da geração". Biologicamente, são os "caracteres estruturais e funcionais pelos quais um ser vivo é classificado como macho ou fêmea..."

A reprodução sexuada é condição inerente aos animais, e entre esses aos metazoários, sendo necessário particularizar como excepção alguns que são constituídos por organismos inferiores, cujos processos procriativos obedecem a leis especiais.

Esse processo de reprodução entre os animais sexuados se dá, obedecendo à faculdade de elaboração de células próprias, tendo a Escola de Morgan, nas suas pesquisas, classificado e diferenciado as sexuais das somáticas, que são muito diferentes na constituição do organismo.

Fundamental na espécie humana para o "milagre" procriativo, é dos mais importantes factores constitutivos da personalidade, graças aos ingredientes estimulantes ou desarmonizantes do equilíbrio, de que se faz responsável.

Considerando as consequências eugénicas, que o desbordar do abuso vem produzindo nas sucessivas gerações, pensam alguns estudiosos quanto à necessidade de ser aplicada a Eutanásia nos "degenerados", a fim de evitar-se um "crepúsculo genético", incorrendo, consequentemente, na realização de um hediondo "crepúsculo ético" de resultados imprevisíveis.

Isto, porque o sexo tem sido examinado, apenas, de fora para dentro, sem que os mais honestos pesquisadores estejam preocupados em estudá-lo de dentro para fora, o que equivale dizer: do espírito para o corpo.

Aferrados a crasso materialismo em que se fixam, não se interessam esses estudiosos pela observância das realidades espirituais, constitutivas da vida, no que incidem e reincidem, por viciação mental ou simples processo atávico, em relação aos cientistas do passado.

O sexo, porém, queira-se ou não, nas suas funções importantes em relação à vida, procede do espírito, cujo comportamento numa existência insculpe na vindoura as condições emocionais e estruturais necessárias à evolução moral.

Desdobramento
- A princípio, considerado instrumento de gozo puro e simples, através do qual ocorria a fecundação sem maiores cuidados, passou, nas Civilizações do pretérito, a campo de paixões exorbitantes, que, de certo modo, foram responsáveis pela queda de grandes Impérios, cujos governantes e povos, alçados à condição máxima de dominadores, permitiram-se resvalar pelas rampas do exagero encarregado de corromper os costumes e hábitos, amolentando caracteres e sentimentos, que culminaram na desagregação das sociedades, que chafurdaram, então, em fundos fossos de sofrimento e anarquia.

Perseguido e odiado após a expansão da Igreja Romana, transformou-se em causa de desgraças irreparáveis, que por séculos sucessivos enlutaram e denegriram gerações.

Pelas suas implicações na emotividade humana, a ignorância religiosa nele viu adversário soez que deveria ser destruído a qualquer preço, facultando sucessivas ondas de crimes contra a Humanidade, crimes esses que ainda hoje constituem clamorosos abusos de que o homem mesmo se fez vítima inerme.

Cultivado, depois, passou pelo período do puritanismo, em que a moral experimentou conceituação aberrante e falsa, dando lugar a nefandos conúbios de resultados funestos.

A Sigmund Freud, sem dúvida, o indigne médico vienense, deve-se a liberação do sexo, que vivia envolto em tabus e preconceitos, quando se propôs examiná-lo com vigorosa seriedade, tentando penetrar-lhe as nascentes, através do comportamento histérico e normal dos seus pacientes, tendo em vista a necessidade de elucidar as incógnitas de larga faixa dos neuróticos e psicóticos que lhe enxameavam a clínica, e desfilavam, desfigurados, padecendo sofrimentos ultrizes nos manicómios públicos.

Lutando tenazmente contra a ignorância dos doutos e a estultície dos ignorantes, arrostando as consequências da impiedade e da má-fé da maioria aferrada ao dogmatismo chão e às superstições a que se vinculavam, teve o trabalho grandemente dificultado, vendo-se obrigado ao refúgio do materialismo, transferindo para a libido a responsabilidade por quase todos os problemas em torno da neurose humana.

Graças a isso, passou a ver o sexo em tudo, pecando, por ocasião da elaboração das leis da Psicanálise, pelo excesso de tolerância a respeito do comportamento sexual, no que classificou inibições, frustrações, castrações e complexos do homem como sendo seus próprios problemas sexuais...

Os cooperadores de Freud alargaram um pouco mais os horizontes da análise, sem contudo, detectarem no espírito as nascentes das distonias emocionais das variadas psicopatias...

Com a Era Tecnológica, ante as novas realidades sociais, graças à "civilização de consumo", o sexo abandonou o recato, a pudicícia, para ser trazido à praça da banalização com os agravantes do grosseiro desgaste do seu valor real, num decorrente barateamento, incidindo na vida da comunidade ao impacto dos veículos de comunicação com o poder da sua ciclópica penetração, da maneira destruidora, aniquilante...

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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 11, 2012 9:32 pm

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Elevado à condição de factor essencial em tudo, é agora razão de todos os valores, produzindo mais larga faixa de desajustados, enquanto se faz mais vulgar, mais mesquinho, mais brutalizado...

Problemas de exigência psiquiátrica, distonias de realidade esquizóide, gritando urgência de terapêutica especializada, defecções morais solicitando disciplina, educação e reeducação constituem manchetes da leviandade, como se fossem esses ou reais processos da vida e a reflexão como o equilíbrio passassem a expressões de anomalia carecente de execração...

Transsexualismo e heterossexualidade expulsos dos porões sórdidos da personalidade humana doentia, deixaram as salas hospitalares e os pátios dos frenocómios para os desfiles das ruas, acolitados por desenfreada sensualidade, através de cujos processos mais aumentam as vagas do desequilíbrio.

Incontestavelmente impressos nos painéis do psicossoma os comprometimentos morais em que o ser se emaranhou, estes impõem a necessidade da limitação, como presídio de urgência, no homosssexualismo, no hermafroditismo, na frigidez e noutros capítulos da Patologia Médica, nos casos dos atentados ao pudor, traduzindo todos eles o impositivo da Lei Divina que convoca os infractores ao imperioso resgate, de modo a que se reorganizem nesta ou naquela forma, masculina ou feminina, a fim de moralizar-se, corrigir-se e não se corromper, mergulhando em processos obsessivos e alucinatórios muito mais graves, que logo mais padecerão...

Sexo e Espiritismo
- Ante quaisquer problemas de ordem sexual, merece considerar-se a importância da vida, das leis de reprodução, contribuindo para o fortalecimento das estruturas espirituais na construção da paz interior de cada um.

Frustração, ansiedade, exacerbação, tormento, tendências inversas e aflições devem ser solucionados, do espírito em processo de reajuste ao corpo em reparação.

Mediante a terapêutica da prece e do estudo, da aplicação dos passes e do tratamento desobsessivo, a par de assistência psicológica ou psiquiátrica correcta, os que se encontram comprometidos com anomalias do corpo ou da emoção, recuperam a serenidade, reparam os tecidos ultra-sensíveis do perispírito, reestruturando as peças orgânicas para a manutenção do equilíbrio na conjuntura reencarnatória.

A preservação da organização genésica na faculdade sublime das suas finalidades impõe-se como dever imediato para a lucidez do homem convocado ao erguimento do Novo Mundo de amor e felicidade a que se refere o Evangelho ]/i]e[i] o Espiritismo confirma, através do bem a espalhar-se hoje por toda parte, repetindo a moral do Cristo, insubstituível e sempre actual.

Estudo e Meditação:

"Que efeito teria sobre a sociedade humana a abolição do casamento?
Seria uma regressão à vida dos animais."

"Qual das duas, a poligamia ou a monogamia, é mais conforme à lei da Natureza?
A poligamia é lei humana cuja abolição marca um progresso social.
O casamento, segundo as vistas de Deus, tem que se fundar na afeição dos seres que se unem.
Na poligamia não há afeição real:
há apenas sensualidade."
(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questões 696 e 701.)

"Para ser mais exacto, é preciso dizer que é o próprio Espírito que modela o seu envoltório e o apropria às suas novas necessidades;
aperfeiçoa-o e lhe desenvolve e completa o organismo, à medida que experimenta a necessidade de manifestar novas faculdades;
numa palavra, talha-o de acordo com a sua inteligência.

Deus lhe fornece os materiais;
cabe-lhe a ele empregá-los.

É assim que as raças adiantadas têm um organismo, ou se quiserem, um aparelhamento cerebral mais aperfeiçoado do que as raças primitivas.

Desse modo igualmente se explica o cunho especial que o carácter do Espírito imprime aos traços da fisionomia e às linhas do corpo."

(A Génese, Allan Kardec, cap. XI, item 11.)

[Texto extraído do livro Estudos Espíritas, de Divaldo Pereira Franco pelo espírito de Joanna de Ângelis.]

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Estudos Espíritas

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 12, 2012 9:44 pm

- Trabalho -

Joanna de Ângelis (espírito)

Conceito
- Genericamente o vocábulo trabalho pode ser definido como:
"Ocupação em alguma obra ou ministério;
exercício material ou intelectual para fazer ou conseguir alguma coisa.

O trabalho, porém, é lei da Natureza mediante a qual o homem forja o próprio progresso desenvolvendo as possibilidades do meio ambiente e um que se situa, ampliando os recursos de preservação da espécie, pela reprodução, o homem vê-se coagido à obediência à lei do trabalho.

O trabalho, no entanto, não se restringe apenas ao esforço de ordem material, física, mas, também, intelectual pelo labor desenvolvido, objectivando as manifestações da Cultura, do Conhecimento, da Arte, da Ciência.

Muito diferente da força aplicada pelo animal, o trabalho no homem objectiva a transformação para melhor das condições e do meio onde se encontra situado, desdobrando a capacidade criativa, de modo a atingir as altas expressões da beleza e da imortalidade, libertando-se, paulatinamente, das formas grosseiras e primárias em que transita para atingir a plenitude da perfeição.

O movimento e o esforço a que são conduzidos os animais e que por generalização passam a ser denominados trabalho, constituem actividade de repetição motivada pelo instinto de "conservação da vida", sem as resultantes realizações criadoras, que facultam o aprimoramento, o progresso, a beleza inerentes ao ser humano.

Enquanto os animais agem para prover a subsistência imediata o homem labora criando, desenvolvendo as funções da inteligência que o agigantam, conseguindo meios e recursos novos para aplicação na faina de fazê-lo progredir.

A princípio, o homem, à semelhança do próprio animal, procurava apenas prover as necessidades imediatas, produzindo um fenómeno eminentemente predatório, numa vida nómada, em que se utilizava das reservas animais e vegetais para a caça, a pesca a colheita de frutos silvestres, seguindo adiante, após a destruição das fontes naturais de manutenção.

No período da pedra lascada sentiu-se impelido a ampliar os braços e as pernas para atingir as metas da aquisição de recursos, recorrendo a instrumentos rudes, passando mais tarde à agricultura para, da terra, em regime de sociedade, extrair os bens que lhe facultassem a preservação da vida, prosseguindo, imediatamente, a criação de rebanhos que domesticou, capazes de propiciar-lhe relativa abundância, pelo resultante do armazenamento dos excedentes da colheita e do abate animal, deixando de ser precárias as condições, assaz primitivas, em que vivia.

Com a utilização dos instrumentos mais aprimorados para a caça, a pesca, a agricultura, a criação de rebanhos, as actividades tornaram-se rendosas, facultando a troca de mercadorias como primeiro passo para o comércio e posteriormente para a indústria, de modo a fomentar recursos sempre novos e cada vez mais complexos, pelos quais libertava-se paulatinamente das dificuldades iniciais para levantar a base do equilíbrio social, pela previsão e recursos de previdência que sofria com frequência: secas, guerras, enfermidades.

No passado, porém, o trabalho se apresentava para as classes nobres como uma desonra, sendo reservado apenas aos "braços escravos", que se encarregavam de todas as tarefas, de modo a que os dominadores se permitissem a ociosidade brilhante, podendo-se valorizar os recursos dos homens pelo número de escravos e servos de que podiam dispor.

Mesmo a cultura da inteligência era transmitida, não raro, por homens ferreteados pela escravidão, e o desenvolvimento das artes, das actividades domésticas encontrava-se em posição subalterna de servilismo desprezado, conquanto indispensável.

O trabalho, porém, apresenta-se ao homem como meio de elevação e como expiação de que tem necessidade para resgatar o abuso das forças, quando entregues à ociosidade ou ao crime, na sucessão das existências pelas quais evolute.

Não fora o trabalho e o homem permaneceria na infância primitiva, sendo por Deus muitas vezes facultado ao fraco de forças físicas os inapreciáveis recursos da inteligência, mediante a qual granjeia progresso e respeito, adquirido independência económica, valor social e consideração, contribuindo poderosamente para o progresso de todos.

Com o irrompimento da técnica, que multiplicou os meios para a actividade do homem, na sociedade, veio inevitavelmente a divisão social do próprio trabalho, criando as classes, hoje, como ontem, empenhadas em lutas terrificantes e crescentes.

A lei do trabalho, porém, impõe-se a todos e ninguém fugirá dela impunemente, deixando de ser surpreendido mais adiante...

A homem algum é permitido usufruir os benefícios do trabalho de outrem sem a justa retribuição e toda exploração imposta pelo usuário representa cárcere e algema para si mesmo, na sucessão das existências inevitáveis a que se encontra impelido a utilizar.

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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 12, 2012 9:45 pm

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Do trabalho mecânico, rotineiro, primitivo, puro e simples, à automação, houve um progresso gigante que ora permite ao homem o abandono das tarefas rudimentares, entregues a máquinas e instrumentos que ele mesmo aperfeiçoou, concedendo-lhe tempo para a genialidade criativa e a multiplicação em níveis cada vez mais elevados.

Sendo o trabalho uma lei natural, o repouso é a consequente conquista a que o homem faz jus para refazer as forças e continuar em ritmo de produtividade.

O repouso se lhe impõe como prémio ao esforço despendido, sendo-lhe facultado o indispensável sustento nos dias da velhice, quando diminuem o poder criativo, as forças e a agilidade na execução das tarefas ligadas à subsistência.

Teorias Económicas do Trabalho e Justiça Social
- Duas são as teorias económicas do trabalho na estrutura da sociedade:
o trabalho-valor que se consusbstancia nas teorias de Adam Smith, Jean-Baptiste Say e David Ricardo, que pugnavam pela assertiva de que
"o trabalho cria o valor económico" e a outra, a do trabalho-produção, expressa através dos expoentes da denominada Escola Marginalista, que consideram o trabalho como um dos "factores da produção, cujo valor é medido pelo valor do produto que cria", considerando-se primacialmente a sua utilidade aplicada ao mercado de consumo.

Com a Revolução Industrial e o advento da máquina que modificaram toda a estrutura do trabalho realizado pelo homem, a tese do trabalho-valor sobrepôs-se e foi adoptada por Karl Marx, objectivando o trabalhador, nas suas necessidades de reposição do desgaste físico (ou mental), consequência directa e imediata da actividade exercida, sendo, assim, o trabalho, inexaurível fonte de todo o progresso humano.

Com o desenvolvimento das Ciências Sociais e o advento das Entidades Previdenciárias e Assistenciais, o homem passou a beneficiar-se de uma regulamentação legal sobre o tempo de trabalho, horário, remuneração extraordinária e a indispensável aposentadoria, observados os requisitos essenciais, assistência médico-odontológica, pensão para a família, quando ocorre o óbito, invalidez remunerada em estrutura de justiça.

As lutas entre patrão e empregado começaram a ser examinadas com maior equidade, resolvendo-se em Casas de Justiça os graves problemas a que se viam constrangidos os menos afortunados pelos valores aquisitivos, que, em face da permanente conjuntura económica a que se vêem a braços os diversos países, eis que com a moeda ganha sempre se adquire menos utilidades, comprimindo-os até o desespero, fomentando a anarquia e o desajustamento comunitário.

Dividido o tempo entre trabalho e lazer, acção e espairecimento, ampliam-se as possibilidades da existência do homem, que, então, frui a decorrência do progresso na saúde, nas manifestações artísticas, na cultura, no prazer, dispondo de tempo para as actividades espirituais, igualmente valiosas, senão indispensáveis para a sua paz interior.

Mediante o trabalho-remunerado o homem modifica o meio, transforma o habitat, cria condições de conforto.

Através do trabalho-abnegação, do qual não decorre troca nem permuta de remuneração, ele se modifica a si mesmo, crescendo no sentido moral e espiritual.

Por um processo ele se desenvolve na horizontal e se melhora exteriormente;
pelo outro, ascende no sentido vertical da vida e se transforma de dentro para fora.

Utilizando-se do primeiro recurso conquista simpatia e respeito, gratidão e amizade.

Através da auto-doação consegue superar-se, revelando-se instrumento da Misericórdia Divina na construção da felicidade de todos.

Trabalho e Jesus
- Fazendo-se carpinteiro e dedicando-se à profissão na elevada companhia de José, o Mestre laborava activamente, ensinando com o exemplo e respeito ao trabalho, como dever primeiro para a manutenção e preservação da vida, mediante a actividade honrada.

Em todo o seu ministério de amor e abnegação tem relevante papel, verdadeiro trabalho de auto-doação até sacrifício da própria vida, sem paralelo em toda a História.

Seus discípulos, a posteriori, fizeram do trabalho expressão de dignificação, tornando-se "escravos do Senhor" e servos de todos, oferecendo o labor das próprias mãos para a subsistência orgânica, enquanto se "afadigavam" na sementeira da luz.

Seu exemplo e Suas lições erguem os escravos que jazem no potro da miséria e dá-lhes suprema coragem no exercício do próprio trabalho através do qual encontram energiar para superar as fracas forças, tornando-se fortes e inatingíveis.

Infundem coragem, estimulando o trabalho-serviço fraternal, de modo a manter a comunidade unida em todos os transes.
Ensinam esperança, utilizando o trabalho-redenção, por cujo meio o espírito libra acima das próprias limitações e se liberta das malhas da ociosidade e do mal.

Agora, quando as luzes do Consolador se acendem na Terra da actualidade, encontrando o homem em pleno labor regulamentado por leis de justiça e previdência, eis que soam no seu espírito as clarinadas do trabalho mantenedor do progresso geral de todos, utilizando-se dos valores da fé para a construção do Mundo Melhor em que o amor dirima as dúvidas, em torno da vida imortal, e a caridade substitua em toda a plenitude a filantropia, à semelhança do que ocorre nos Mundos Felizes onde o trabalho, em vez de ser impositivo, é conquista do homem livre que sabe agir no bem infatigável, servindo sempre e sem cessar.

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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 12, 2012 9:49 pm

Continua...

Estudo e meditação:

"A necessidade do trabalho é lei da Natureza? "
"O trabalho é lei da Natureza, por isso mesmo que constitui uma necessidade, e a civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque lhe aumenta as necessidades e os gozos."
(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questão 674.)

"Com efeito, o homem tem por missão trabalhar pela melhoria material do planeta.
Cabe-lhe desobstruí-lo, saneá-lo, dispô-lo para receber um dia toda a população que a sua extensão comporta.
Para alimentar essa população que cresce incessantemente, preciso se faz aumentar a produção.

Se a produção de um país é insuficiente, será necessário buscá-la fora.

Por isso mesmo, as relações entre os povos constituem uma necessidade.
A fim de mais as facilitar, cumpre sejam destruídos os obstáculos materiais que os separam e tornadas mais rápidas as comunicações.

Para trabalhos que são obra dos séculos, teve o homem de extrair os materiais até das entranhas da terra;
procurou na Ciência os meios de os executar com maior segurança e rapidez.

Mas, para os levar a efeito, precisa de recursos:
a necessidade fê-lo criar a riqueza, como o fez descobrir a Ciência.

A actividade que esses mesmos trabalhos impõem lhe amplia e desenvolve a inteligência, e essa inteligência que se concentra, primeiro, na satisfação das necessidades materiais, o ajudará mais tarde a compreender as grandes verdades morais.

Sendo a riqueza o meio primordial de execução, sem ela não mais grandes trabalhos, nem actividade, nem estimulante, nem pesquisas.
Com razão, pois, é a riqueza considerada elemento de progresso."

(O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap. XVI, item 7.)

(Texto extraído do livro Estudos Espíritas, de Divaldo Pereira Franco pelo espírito de Joanna de Ângelis.)

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Estudos Espíritas

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 13, 2012 9:05 pm

- Universo -

Joanna de Ângelis (espírito)

Proposição
- É de todos os tempos o empenho audacioso do homem, no sentido de interpretar o Universo, entender o mecanismo das goladas, e, consequentemente, da vida, no campo da forma.

Conceitos ingénuos, inspirados por emoções desvairadas e fantasias exorbitantes, constituíram por largos períodos de tempo como representações seguras da Engenharia Cósmica.

Dados matemáticos e estudos profundos, milenarmente reunidos, vêm a pouco e pouco, porém, estabelecendo o plano inicial da mecânica celeste, em programado sonho de elucidar os perfeitos sistemas de mundos que gravitam nos espaços siderais.

De Tales, de Mileto, pesquisando a electricidade do âmbar, a Faraday e Oersted, no campo electromagnético, de Galileu, com nas suas lunetas humildes, aos Drs. Frank Drake e K. Menon, desenvolvendo o "Projeto Ozma" através de um radio-telescópio parabólico de 26m, tentando escutar os sons provindos de Tau de Ceti e Epsílon de Erídano, a 112 triliões de quilómetros de distância, vão-se estabelecendo novos recordes no estudo do Universo.

Todas as pesquisas têm, todavia, tentado estabelecer as linhas básicas mediante as quais surgiu o nosso Sistema Solar e, em decorrência disso, os demais sistemas espalhados pelos biliões e biliões de galáxias que se expandem pelo Infinito...

Até há pouco acreditava-se que os planetas eram consequências de "acidentes" decorrentes de colisões.
Hoje, porém, concluiu-se que o nosso Sol como as demais estrelas são o resultado da "contracção gravitacional de poeira e gás interestelares".

No entanto, toda e qualquer proposição por mais fantástica, estruturada em cálculos surpreendentes, ainda resulta como pálido reflexo dos efeitos secundários que permitirão ao homem encontrar o Criador a revelar-se através da Sua Obra, conforme a afirmação de Allan Kardec.

Esquematização
- Anaxágoras quinhentos anos antes de Jesus, informava que
"tudo quanto vemos é uma visão do invisível", introduzindo nos seus estudos filosóficos o espírito, e facultando às elucubrações do pensamento seguros dados para observações rigorosas no campo da forma.

Logo depois, Demócrito, de Abdera, escrevia:
"Doce e amargo, frio e quente, assim como as diversas cores, todas essas coisas só existem na opinião, e não na realidade;
o que na verdade existe são partículas imutáveis, os átomos e seus movimentos no espaço vazio",
abrindo o campo para divagações e estudos que culminariam nas profundas observações do matemático alemão Leibniz ou de Berkeley, ao afirmar:
"Todo o conjunto do céu e o que guarnece a Terra, ou numa só palavra:
todos os corpos que formam a poderosa estrutura do mundo não possuem qualquer substância senão a que lhes dê o espírito...


Se eles não são normalmente percebidos por mim, ou não existem em meu espírito, nem no de nenhuma outra criatura, de duas, uma:
ou não têm existência ou subsistem apenas na mente de algum Espírito Eterno."

Foi, todavia, mais tarde que se abandonaram as teorias mecânicas para que se adorassem as abstracções matemáticas, quando Max Planck apresentou a teoria dos Quantas, objectivando resolver diversos problemas defrontados nos seus estudos sobre a radiação.

Aplicando a Teoria dos Quanta, Einstein conseguiu desvendar o efeito fotoeléctrico, facultando à Física importantes observações.

Louis de Broglie sugeriu, então, que se "considerassem os eléctrons não como simples partículas mas como sistemas de ondas", modificando. inteiramente o conceito vigente, no que foi apoiado por Sir James Jeans e Schroedinger, que desenvolveu a ideia sob um sistema matemático, que denominou por "mecânica ondulatória".

Posteriormente, Heinsenberg e Born desenvolveram novas técnicas matemáticas, conseguindo descrever os fenómenos quânticos em termos de ondas como em termos de partículas, modificando enormemente a filosofia da Ciência.

Einstein, discordando da Teoria do "éter" e do "espaço como sistema ou arcabouço fixo, em absoluto repouso, dentro do qual fosse possível distinguir o movimento absoluto ou relativo", reuniu tudo num postulado fundamental e apresentou a Teoria da Relatividade, que modificou completamente a conceituação do Universo mecânico, estruturando-o sobre outros dados.

Continua...


Última edição por O_Canto_da_Ave em Dom Maio 13, 2012 9:10 pm, editado 2 vez(es)
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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 13, 2012 9:07 pm

Continua...

Prosseguindo em incessantes interpretações, concebeu depois a Teoria do Campo Unificado, que se transformou logo mais numa verdadeira ponte entre os dois sistemas: do Quanta e da Relatividade.

Os estudos prosseguiram afanosos e a Ciência hoje consegue explicar com relativa segurança a formação das galáxias, da poeira cósmica e das estrelas, dos átomos e do mundo subatómico, todavia, tudo isto repousa no pressuposto real do que já exista:
quanta de energia, neutros livres, essência cósmica ou o que se deseje denominar, constituindo o sublime Universo.

E foi por essa razão, após minuciosa análise, que o próprio Einstein asseverou:
"Minha religião consiste em humilde admiração do espírito superior e ilimitado que se revela nos menores detalhes que podemos perceber com os nossos espíritos frágeis e duvidosos.
Essa convicção profundamente emocional na presença de um poder raciocinante superior, que se revela no incompreensível universo, é a ideia que faço de Deus."

"(...) E Deus fez a luz"
- afirmam as mais remotas tradições históricas do Conhecimento, fundamentadas na análise dos livros religiosos da Humanidade, encarregados de interpretarem no seu simbolismo os movimentos primeiros da Criação, no nosso Sistema Solar.

E ao fazer-se a luz, simplesmente foi facultado que o Sol aquecesse, iluminasse a Terra e os demais áulicos que gravitam em sua órbita, após, obviamente, tê-los elaborado e guindado nas Leis da Gravitação Universal, em milénios e milénios, mediante os quais os Engenheiros Galáticos estabeleceram em Seu Nome as forças de atracção e repulsão, que os sustentam nos planos espaciais.

Nos cem biliões de sois da Via-Láctea e nos cem milhões de galáxias, que aproximadamente existem, na sua quase totalidade maiores do que a nossa, palidamente se configuram os planos do Universo desafiando a inteligência humana, a fim de que o homem penetre no Amor e o amor responda sobre a grandeza da Vida, pois que todos os demais caminhos sem o amor conduzem, normalmente, à falência dos desejos e ambições, com pesados tributos de desenganos e frustrações.

Acompanhando a jornada de um átomo de carbono pode-se isto compreender.
Nasce ele invariavelmente numa estrela, em três etapas distintas.

Quando dois prótons se chocam um deles perde a carga eléctrica e transforma-se num neutrão, formando uma outra substância, o deutério ou hidrogénio pesado.

Mais tarde, esse núcleo capta outro próton e neutrão transformando-se em - um núcleo de hélio.
Esta é a primeira etapa.

De quando em quando ocorre que três átomos de hélio chocam-se de uma só vez e formam, então, o núcleo de carbóneo.

Após essa segunda etapa a estrela explode, graças à pesada carga de átomos e estes são espalhados pelo oceano ténue do hidrogénio que invade o espaço.

Por fim, quando uma nova estrela começa a formar-se desse hidrogénio, capta alguns dos átomos existentes de carbóneo e de outros que reúne e os misturam na sua estrutura.

Continua, então, esse átomo a jornada intérmina pelos diversos reinos da Natureza até um dia atingir o homem e perder-se no ar dos pulmões de algum ser, num turbilhão de aproximadamente 10 octilhões de átomos (no pulmão humano), respirando-se, assim, o mesmo átomo que esteve em outros pulmões e poderá ser respirado por futuros seres.

Esse átomo de carbóneo está imutável jornadeando há aproximadamente quatro biliões de anos ou talvez mais, podendo desaparecer somente numa estrela nova, vitimado por colisões atómicas violentíssimas que o desagregarão, vindo a formar novos átomos outros...

Concepções mirabolantes, portanto, nascem cada dia e continuam chamando a atenção dos estudiosos para o Universo.

Ora são os quasares, que emitem enormes quantidades de energia, ora outra são os "buracos", fazendo que imaginações que ralam à ficção suspeitem que em 70 biliões de anos, aproximadamente, do Universo nada mais existirá senão um imensurável "buraco negro"...

Continua...
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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 13, 2012 9:07 pm

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Dedução
- "Não se turbe o vosso coração;
crede em Deus, crede também em mim.
Na casa de meu Pai há muitas moradas"
- asseverou sabiamente Jesus, e após ensinar as lições da fraternidade e do amor partiu para o Seu Reino, preparando para o homem - sua meta sublime, seu fanal! - a morada definitiva, onde a sombra, a dor e a morte, não possuindo dimensão ou legitimidade, são fantasmas desvanecidos pelo sopro da realidade.

Estudando a estrutura de um átomo a Ciência miniaturiza para o entendimento humano as possíveis constituições do Universo. . .

Acima, porém, e imediatamente, antes que o homem não se penetre da necessária capacidade de entender as gloriosas elaborações da "Casa do Pai", deverá mergulhar no labirinto de si mesmo e compreender a urgência de aplicar as regras do Evangelho de Jesus no comportamento diário, para habitá-la e fruí-la por fim, quando despojado da pesada indumentária dos parcos sentidos.

Estudo e meditação:

"É dado ao homem conhecer o principio das coisas?
"Não, Deus não permite que ao homem tudo seja revelado neste mundo."

"Penetrará o homem um dia o mistério das coisas que lhe estão ocultas?
"O véu se levanta a seus olhos, à medida que ele se depura;
mas, para compreender certas coisas, são-lhe precisas faculdades que ainda não possui."

"Não pode o homem, pelas investigações científicas, penetrar alguns dos segredos da Natureza?
"A Ciência lhe foi dada para seu adiantamento em todas as coisas;
ele, porém, não pode ultrapassar os limites que Deus estabeleceu."
(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questões 17, 18 e 19.)

"(...) Do mesmo modo, o Universo, nascido do Eterno, remonta aos penados inimagináveis do infinito de duração, ao Fiat lux? do inicio.

"O começo absoluto das coisas remonta, pois, a Deus.
As sucessivas aparições delas no domínio da existência constituem a ordem da criação perpétua.

"Que mortal poderia dizer das magnificências desconhecidas e soberbamente veladas sob a noite das idades que se desdobraram nesses tempos antigos, em que nenhuma das maravilhas do Universo actual existia;

nessa época primitiva em que, tendo-se feito ouvir a voz do Senhor, os materiais que no futuro haviam de agregar-se por si mesmos e simetricamente, para formar o templo da Natureza, se encontraram de súbito no seio dos vácuos infinitos;

quando aquela voz misteriosa, que toda criatura venera e estima como a de uma mãe, produziu notas harmoniosamente variadas, para irem vibrar juntas e modular o concerto dos céus imensos"

(A Génese, Allan Kardec, cap. VI, itens 14 e 15.)

(Texto extraído do livro Estudos Espíritas, de Divaldo Pereira Franco pelo espírito de Joanna de Ângelis.)

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Como estudar o Espiritismo?

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 14, 2012 8:44 pm

Paulo Roberto Wollmer

"Acrescentemos que o estudo de uma doutrina, qual a Doutrina Espírita, que nos lança de súbito numa ordem de coisas tão nova quão grande, só pode ser feito com utilidade por homens sérios, perseverantes, livres de prevenções e animados de firme e sincera vontade de chegar a um resultado.

Não sabemos como dar esses qualificativos aos que julgam a priori, levianamente, sem tudo ter visto;
que não imprimem a seus estudos a continuidade, a regularidade e o recolhimento indispensáveis.

Ainda menos saberíamos dá-los a alguns que, para não decaírem da reputação de homens de espírito, se afadigam por achar um lado burlesco nas coisas mais verdadeiras, ou tidas como tais por pessoas cujo saber, cujo carácter e convicções lhes dão direito à consideração de quem quer que se preze de bem-educado.

Abstenham-se, portanto, os que entendem não serem dignos de sua atenção os factos.
Ninguém pensa em lhes violentar a crença;
concordem, pois, em respeitar a dos outros.

O que caracteriza um estudo sério é a continuidade que se lhe dá. (...)".

Allan Kardec foi quem fez esta importante colocação em o Livro dos Espíritos, capítulo VIII, Introdução, o que consideramos um alerta para os que, ao se aproximarem do Espiritismo o julgariam ou o questionariam sem o devido estudo prévio.

Na nossa vivência diária como espíritas, acostumamo-nos a conversar com as pessoas que estão aproximando-se do Espiritismo e sermos bombardeados por uma série de perguntas, as quais geram respostas que intrigam aqueles que as fazem.

Somos da opinião de que em qualquer crença, as seguintes respostas deveriam dadas com muita clareza:
O que somos?
De onde viemos?
Para onde iremos?

O que é Deus?
Devo ser bom?
Porquê?
... e assim por diante.

Recorreremos ainda às palavras de Bruno Bertocco, em seu livro intitulado Deus:
- "O que toda criatura desapaixonada, equilibrada, sincera e honesta deve fazer, antes de julgar qualquer coisa, de fazer suas críticas a seu respeito, de negá-la ou aceitá-la, é, inicialmente, adquirir as respectivas informações concernentes à sua existência, aproximar-se para o devido reconhecimento da sua natureza, através da pesquisa e do estudo dos factores relacionados à sua causa, ou dos fenómenos produzidos pelas forças originárias da parte fundamental, podendo desta forma, com conhecimento de causa, tirar suas conclusões, baseadas nos factos, e formular seu veredicto com justeza, a respeito de tal coisa."

Muitas pessoas aproximam-se do Espiritismo pelos mais variados motivos, no entanto poucas conseguem perseverar no estudo necessário para entendê-lo, ficam à margem, deslumbradas por alguns de seus aspectos e com grandes dúvidas sobre outros.

É por isso que o movimento espírita tem enfatizado ao longo do tempo a necessidade da implantação do estudo sistematizado da Doutrina Espírita em cada centro espírita.

Lembrando o memorável Herculano Pires ( 1914-1979 ), o Espiritismo ainda continua um "desconhecido", e a maioria, movida pela ânsia de soluções imediatistas, ainda não busca uma nova filosofia de vida, a par de uma explicação para o porquê "do ser, do destino e da dor".

O slogan "Comece pelo começo" utilizada nas campanhas promovidas pela U.S.E. União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, tendo como figura nos cartazes as obras da Codificação (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Génese) pode parecer óbvio, no entanto constatamos que muitas pessoas que são espíritas ou as que estão estudando o Espiritismo há algum tempo não começaram pelo começo, muitas vezes nem O Livro dos Espíritos chegaram a ler.

Ora, nada mais aconselhável se quisermos estudar o Espiritismo, devemos começar pelo começo e o começo é a Codificação.

Depois de Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, podemos citar autores importantes como Léon Denis, Gabriel Delanne, Ernesto Bozzano, Camille Flamarion, Herculano Pires, Deolindo Amorin, Eliseu Rigonatti, Yvone A. Pereira, Hermínio C. Miranda, Martins Peralva, Caibar Schutel, Richard Simonetti e muitos outros, além é claro dos autores espirituais Emannuel, André Luiz, Humberto de Campos, Manoel Philomeno de Miranda e vários outros.

Há muito para ler e estudar, torna-se necessário uma boa organização por parte daquele que vai estudar o Espiritismo, para não empregar o tempo de forma equivocada, seja não começando pelo começo, ou lendo obras pseudo-espíritas ou controvertidas, sem pureza doutrinária.

Que cada um analise sua posição perante a pergunta que intitula este artigo e encontre o caminho correcto, sendo que esperamos ter humildemente ajudado com este pequeno trabalho.

Bibliografia:
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec
Livro Deus, Bruno Bertocco

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A CARREIRA DE ALLAN KARDEC

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 14, 2012 8:45 pm

Steve Hume

Este artigo é um entre inúmeros, tratando de “Espiritualismo e a Instituição”, publicado no “Ark Review.”

No início desta série de artigos, eu escrevi que o Título Espiritualismo e a Instituição é um tanto equivocado.

O que nós estamos realmente falando na verdade, é do efeito do peso das opiniões geralmente negativas, que a mediunidade tem provocado contra ela mesma.

No final das contas, “Espiritualismo”, é somente um pretexto, uma conveniência verbal sobre o qual nós colocamos o fenómeno da mediunidade, e os ensinamentos que provem dela através de um contexto moderno.

“Instituição” é outra palavra conveniente que é usada para designar um conhecimento sobre qualquer assunto que é oficialmente aceito e endossado por uma considerável parcela da sociedade.

A razão pela qual eu sinto ser necessário reiterar os conceitos acima, é que no decorrer dos próximos meses estarei usando palavras diferentes cada vez que estiver referindo-me à “religião” que se formou em volta do conceito de mediunidade.

“Espiritismo” é a palavra associada com a prática mediúnica em toda a América Latina, particularmente no Brasil, (onde rivaliza com o Catolicismo,) e nas Filipinas.

No entanto, a influência de um homem no Espiritismo particularmente no Brasil, é tão grande que o movimento é frequentemente chamado de “Espiritismo Kardecista” ou Kardecismo.

Há muitos paradoxos no impacto que o francês Allan Kardec (1804 – 1869) teve sobre os assuntos humanos.

O mais importante nisso, é que o seu trabalho constituiu o único exemplo de uma moderna apreciação sobre a mediunidade que exerceu e continua exercendo um efeito verdadeiro, profundo, numa parcela significativa da sociedade.

No seu livro “Espíritos e Cientistas” Ideologia, Espiritismo e Cultura Brasileira, o antropologista David J. Hess cita evidências que sugerem que os ensinamentos espíritas colectados por Kardec, influenciaram as teorias (Hess quase insinua um plágio) dos mais importantes fundadores da moderna psicologia e psiquiatria, como Pierre Janet.

Ainda, apesar disso, Kardec permanece quase desconhecido ou pobremente entendido pelos Espiritualistas na Inglaterra.
O erro mais comum e mais fatal, é ao dizerem que kardec era médium e que os ensinamentos eram dele mesmo.

Arthur Findlay mostrou essa falta de entendimento ao referir-se a Kardec nestes termos:
“No Brasil um extenso movimento tem sido dirigido pelos escritos do francês Allan Kardec.
Ele no entanto, influenciou o pensamento de seus seguidores mais para a doutrina da reencarnação do que na crença do progresso, dos Espiritualistas Americanos e Britânicos”.

O facto de que um dos mais importantes livros de Kardec foi publicado sob o título de Livro dos Médiuns, dá uma ideia de quão longe da verdade Findlay estava.

Isso, junto com o mesmo conceito do progresso eterno, contínuo, como princípio central, já sugerem como ele não era familiarizado com o trabalho do Francês Allan Kardec.

De facto, a diferença significativa entre [i]Espiritismo e espiritualismo
é que, para os primeiros a “Doutrina da Reencarnação”, é um ensinamento central enquanto que no Espiritualismo a crença em reencarnação não é geralmente muito difundida, apesar de ser extremamente comum.

Há muitos Espiritualistas que rejeitam esse conceito com aparente desdém.
No entanto, não é minha intenção colocar mais combustível nesse já super aquecido debate sobre a reencarnação.

A única coisa que eu pessoalmente posso dizer é que eu encontro argumentos de ambos os lados do debate que são persuasivos de um lado e algumas vezes sensível e ilógicos de outro.

O que eu espero mostrar no entanto, é a maneira de Kardec analisar as comunicações espíritas de natureza filosóficas, proporcionando uma maneira de aumentar o entendimento nessas conclusões e talvez também, dissolver um pouco a rejeição que parece provocar em ambos os lados cada vez que o assunto é abordado.

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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 14, 2012 8:46 pm

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Em primeiro lugar, se nós queremos realmente entender porque o trabalho de Kardec continua a ter sucesso tão espectacular e ao mesmo tempo situá-lo no seu contexto correcto, nós precisamos dar uma olhada no histórico da sua vida.

“Allan Kardec”, é o pseudónimo adoptado por Hyppolite Léon Denizard Rivail, sob o qual ele publicou seus livros sobre Espiritismo.
Rivail nasceu em Lyon no dia 03 de outubro de 1804, numa família que tinha por várias gerações sido formada por advogados e magistrados.

Desde criança, mostrava aptidões por Ciência e Filosofia e na idade de dez anos foi enviado para o Instituto Pestalozzi, cujos métodos de ensino radicalmente inovadores, estavam atraindo alunos das mais bem posicionadas famílias da Europa.

Hess enfatiza a importância desse facto na vida de Rivail, pois o método Pestalozzi de ensino era baseado nos princípios do Iluminismo.

Os estudantes eram encorajados a abraçar os ideais de reformas políticas e sociais e embora Rivail permanecesse católico, ele adoptou a atitude “mente aberta” de um Livre Pensador.

Ele acreditava que a educação era a chave para harmonizar as relações entre o “Rico e o Pobre”.
Esses factores parecem ter influenciado muito o interesse que os ensinamentos dos espíritos provocaram em Rivail mais tarde.

Não foi só o facto dele ser mente aberta o suficiente para não rejeitar os ensinamentos por razões religiosas, mas eles foram como uma confirmação de sua crença na igualdade e que iam também de encontro a muitos dos dogmas da Igreja.

Também, Rivail chegou ao Instituto Pestalozzi numa época em que estavam acontecendo uma disputa interna entre o dominador administrador Joseph Schmid e o teórico Johannes Niederer que ajudou a dar publicidade as ideias de Pestalozzi.

Hess especula até que, provavelmente, Rivail aprendeu lições valiosas com ambos:
Com Schimid, as habilidades políticas e administrativas que o ajudariam mais tarde a fundar e manter um movimento internacional.

Com Niederer, aprendeu a arte de apresentar ideias novas e controversas à um público séptico e as Instituições da mesma forma.
Rivail rapidamente provou ser uma criança génio de rara distinção.

A disputa interna na Escola provocou a demissão de dezasseis mestres e na idade de quatorze anos, Rivail foi convidado a ministrar aulas para os seus próprios colegas.

Ele também tornou-se um dos alunos favoritos, um dos discípulos mais ardentes do Instituto Pestalozzi e deixou Yverdun com uma graduação em Letras e Ciências e um doutorado em medicina.

Após deixar o Instituto Pestalozzi, Rivail fixou-se em Paris, quando em 1824 publicou seu primeiro livro.
Esse livro era baseado no seu próprio sistema de ensinar matemática e foi reeditado até 1876.

No ano seguinte, com a idade de vinte e um anos, ele abriu sua própria “Escola de Primeiro Grau” e em 1826 ele abriu outra, o “Instituto Técnico Rivail’.

Ele ensinava Química, Física, Matemática, Astronomia, Anatomia comparada e retórica.
Falava nove línguas, sendo que o italiano e espanhol fluentemente.

Rivail também enviou várias propostas de reforma Educacional à Câmara Legislativa da França, que foram muito elogiadas embora não adoptadas.

Em 1832 ele desposou Amelie Gabrielle Boudet, que era professora de Artes e Escritora.
Mas um “desastre” aconteceu em 1835 quando o tio de Rivail que também era seu sócio, afundado em enormes dívidas de jogo, forçou o fechamento de uma das escolas.

No entanto, Rivail começou a escrever uma série de livros, de textos de vários assuntos para a Universidade Francesa e também começou a dar aulas particulares em sua própria casa.

Em 1848, quando a mediunidade das Irmãs Fox estava provocando uma comoção na América, ele já era um Educador muito conhecido e conceituado que poderia facilmente e confortavelmente se manter pelo resto de sua vida com o que provinha de seus livros.

Em 1854 um amigo que tinha muito interesse nos fenómenos de mesmerismo, Mr. Fortier, contou a Rivail sobre a mania das mesas girantes que tinha àquele tempo alcançado a França.

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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 15, 2012 8:10 pm

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Mais tarde ele inclusive falou que Fortier disse-lhe que “Não somente fazem uma mesa mexer-se mas também fazem-na falar.
Faça a ela uma pergunta, e ela responde”.


A resposta de Rivail foi típica de um famoso académico do século XIX, que mais tarde iria arriscar sua reputação por publicar trabalhos endossando a mediunidade.

Ele respondeu, “Eu acreditarei nisso quando puder ver e quando me provarem que uma mesa tem cérebro para pensar e nervos para sentir e que ela possa se tornar uma sonâmbula.
Ainda assim, continuo não vendo nada além de uma fábula contada para provocar sono”.


Como muitos outros na América e na Inglaterra, Rivail achava que as mesas girantes eram um efeito “puramente material” e só um ano depois que ele deixou-se convencer a comparecer a uma sessão de mesas girantes na casa da Sra. Roger, uma das pessoas pesquisadas por Fortier.

Foi aqui que ele testemunhou o fenómeno das mesas girantes que “pulavam e corriam sob condições que excluíam dúvidas” e algumas “tentativas bastante imperfeitas de escrita mediúnica numa lousa”.

Mas tudo isso somente serviu para despertar a curiosidade natural de Rivail, que fez uma nota mental para investigar o assunto mais tarde.

Ele escreveu:
“Minhas ideias estão longe de serem modificadas, mas eu vi naqueles fenómenos um efeito que deve ter tido uma causa.
Eu prevejo sob a aparente frivolidade e entretenimento associados à esses fenómenos algo sério, talvez a revelação de uma nova lei, a qual eu prometo a mim mesmo que vou explorar”.


Rivail foi então apresentado ao Sr. Baudin, que organizava sessões espíritas semanais em sua casa.
As duas filhas de Baudin (que eram um tanto frívolas e não muito cultas), tinham o hábito de obter comunicações pelo uso das pancadas na mesa.
Normalmente os resultados de suas experiências eram uma ampla confirmação da regra de ouro, “semelhante atrai semelhante”.

As banalidades usuais foram substituídas pela filosofia de um “carácter muito sério e grave”, e Rivail adoptou a prática regular de sempre chegar às reuniões armado com uma lista de perguntas perspicazes aos novos comunicadores.

Embora as narrações Inglesas dos eventos desse período variam bastante, é certo que, de alguma forma a médium de prancheta Celina Japhet também envolveu-se em obter respostas para as perguntas de Rivail.

Na breve biografia de Rivail que Anna Blackwell escreveu no prefácio da tradução que ela fez para o Inglês do primeiro livro dele, ela mencionava que essas sessões formaram a base da teoria espiritista do uso das mesas girantes, das pancadas e da escrita na prancheta.

No entanto, quando um grupo de outros investigadores que já haviam colectado mais de cinquenta cadernos cheios de comunicações, pediram a Rivail para organizá-los em algum tipo de sequência, ele inicialmente recusou.

Se ele estava ou não suficientemente entusiasmado com o assunto para ficar absorvido pela empreitada nos não sabemos, o facto é que ele mudou de opinião.

Após dois anos analisando as comunicações, ele observou para sua esposa:
“Minhas conversações com as inteligências invisíveis revolucionaram completamente minhas ideias e convicções.

As instruções que me são transmitidas constituem uma teoria completamente nova sobre a vida humana, deveres e destino que me parecem ser perfeitamente racional e coerente, admiravelmente lúcida, consoladora e intensamente interessante.

Eu tenho um grande desejo de publicar essas conversações num livro.
Eu acho que se isso me interessa tão profundamente, com certeza deve interessar a outros também.”

Quando Rivail submeteu essa ideia aos comunicantes, eles responderam:
“Ao livro, como ele é um trabalho mais nosso que seu, você dará o nome de “O Livro dos Espíritos” e irá publicá-lo não sob seu próprio nome, mas sob o pseudónimo de Allan Kardec.
(“Kardec” era um antigo nome Bretão da família de sua mãe).

Adopte seu nome de Rivail para seus próprios livros que já foram publicados”.

Rivail então assumiu a tarefa de editar os cinquenta cadernos, classificando os diferentes tipos de comunicações de acordo com seu carácter e a consistência profunda de seus argumentos.

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Última edição por O_Canto_da_Ave em Ter Maio 15, 2012 8:12 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 15, 2012 8:11 pm

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A estas ele acrescentou mais comunicações de Japhet e então, ainda não convencido de que o material estava suficientemente verificado, submeteu suas perguntas à um grande número de outros médiuns.

No decorrer dessa empreitada ele adoptou o método que ele chamava de “princípio da concordância ou da conformidade” pelo qual ele aceitava como mais perto da verdade, as respostas que poderiam não somente “resolver todas as dificuldades das perguntas” mas eram também consistentes com as respostas de outras fontes independentes.

Quando o Livro dos Espíritos apareceu em dezoito de abril de 1857, obteve tanto sucesso que uma Segunda edição, aumentada ainda com mais material, foi impressa no próximo ano e o nome Allan Kardec tornou-se uma palavra familiar em todo o continente.

A publicação do Livro dos Espíritos causou algo como uma sensação na França não só porque o autor era um sóbrio, respeitável intelectual, mas também porque ele continha comunicações dos espíritos, que respondiam suas perguntas relacionadas a todos os assuntos, desde a estrutura interna da matéria até a natureza de Deus, a ética humana, o universo e o lugar da humanidade dentro dele.

Na verdade, o do Livro dos Espíritos provavelmente não era o tipo de conteúdo que o público esperava que surgisse depois da mania da mediunidade que no espaço de nove anos havia arrebatado a América e a Europa após ser iniciado por duas crianças.

No entanto, o terreno já havia sido preparado para a aceitação do primeiro livro de Kardec pelo mesmerista Alphonse Cahagnet que publicou em 1848 o primeiro de três volumes do trabalho intitulado “Segredos da Vida Futura Desvendados”.

Cahagnet que era marceneiro, conseguiu suas informações de pessoas que, após serem “mesmerisadas” relatavam mensagens do mundo espiritual.
Mas havia uma diferença muito grande entre Cahagnet e Rivail.

Colin Wilson menciona que o primeiro não acreditava em reencarnação, porque as pessoas que ele “mesmerisou” não lhe disseram nada sobre esse assunto e que ele referia-se aos médiuns escreventes com desdém.

Rivail, por outro lado, trabalhou quase que totalmente com médiuns escreventes, e de uma sorte ou de outra tornou-se convencido de que a reencarnação era um facto.

Isso porque a maioria das personalidades espirituais que se comunicaram através de diferentes médiuns que ele consultou, referiam-se a reencarnação e explicavam sua operação com detalhes consideráveis.

Mas o factor crucial era provavelmente o método que Rivail usava para decidir se os ensinamentos filosóficos de um espírito eram realmente verdadeiros.

Muitos anos após suas tentativas iniciais em provar o fenómeno mediúnico e também nas contradições que surgiam nas afirmações dos espíritos sobre a vida espiritual ele escreveu:
“Eu tentava identificar as causas do fenómeno interligando os factos de maneira lógica, e não aceitava uma explicação como válida a menos que ela pudesse resolver todas as dificuldades da pergunta.

Esta sempre foi a maneira que eu procedi em minhas investigações desde a idade de quinze e dezasseis anos.
Uma das minhas primeiras observações foi de que os Espíritos sendo somente as almas dos homens, não apresentavam sabedoria ou conhecimento absolutos.

Seu conhecimento era limitado ao nível de seu adiantamento e sua opinião tinha o valor de uma opinião pessoal.

Reconhecendo esse facto, desde o começo livrou-me de cometer sérios erros não acreditando na infalibilidade dos Espíritos e me precaver ao não formular teorias prematuras baseadas na opinião de somente um ou alguns Espíritos”.


Este foi basicamente o âmago do método de Rivail.

Ele propunha aos Espíritos questões sobre moralidade, ética, justiça divina, sendo que ele aparentemente já havia decidido que os comunicantes que explicassem tudo em termos de reencarnação, satisfaziam seus critérios satisfatoriamente.

Pretendo mais tarde dar uma explicação mais detalhada sobre o ponto de vista dos Espíritos de Kardec.

No momento é suficiente dizer que eles apresentavam a reencarnação como essencial para o progresso espiritual e aqui estava o que mais causava atrito entre os que defendiam Kardec e os que defendiam Cahagnet.

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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 15, 2012 8:13 pm

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Mas, surpreendentemente, o Livro dos Espíritos reserva pouco espaço para se discutir a reencarnação com mais profundidade.

Embora a influência dos trabalhos de Cahagnet de certa forma ajudaram na divulgação, no sucesso inicial de seu livro na França e resto da Europa, a longa permanência da influência em toda parte do Livro dos Espíritos deve-se a outros factores.

David J. Hess a atribui a grande habilidade de Rivail como educador profissional que foi desenvolvida no Instituto Pestalozzi durante sua juventude.
De facto, Hess menciona que o Livro dos Espíritos se assemelha muito com os livros de texto “Pestalozzianos”.

Talvez seja por isso que o assunto central é apresentado de um jeito que a variedade de assuntos e ideias apresentadas pelos Espíritos se relacionam entre si, apresentando uma unidade sem contradições internas.

Na verdade o que o Livro dos Espíritos apresenta é uma representação de todo o Cosmos, centrada nos aspectos morais e éticos da vida Espiritual e como esses se relacionam com o uso da mediunidade pela humanidade, tudo apresentado em um volume.

Com efeito, embora Rivail não iniciou o Espiritismo Francês, ele criou um sistema de explicá-lo tão à frente de seu tempo que literalmente podemos dizer que o Espiritismo começou desse ponto em diante.

O livro alcançou um vasto número de leitores de todas as classes da sociedade.
Alguns eram atraídos pelos ensinamentos dos Espíritos dos assuntos científicos.

De facto, é impressionante como algumas das respostas às perguntas de Rivail podem ser interpretadas como surpreendentemente à frente de seu tempo.

Um exemplo é a pergunta:
“Existe o vácuo absoluto em alguma parte do espaço”?

E Rivail obteve como resposta:
“Não. Não existe vácuo.
O que parece vácuo para vocês, é ocupado por matéria num estado que escapa à acção de seus instrumentos e entendimento”.


Essa afirmação (dada em 1850), que o espaço que parece estar vazio está realmente cheio de matéria, somente recebeu confirmação muito recentemente com a descoberta do que é chamado “quantum Vacuum”.

Na mesma época os Espíritos casualmente também anunciaram:
- “o que vocês chamam de molécula (ou talvez “partícula” ou “átomo”) está realmente bem longe de ser a molécula elementar”.

Este facto científico só foi confirmado quando J.J. Thomson descobriu o eléctron, quase meio século mais tarde.

No entanto, o Livro dos Espíritos teve muitos convertidos ao Espiritismo das classes trabalhadoras da França, talvez pela simples razão de que os Espíritos não tinham nada de elogioso para falar sobre a desigualdade, que era e ainda é inerente à sociedade humana.

De facto, a atitude Espiritista com relação à esse assunto pode ser resumida na resposta que deram a esta pergunta de Rivail:
“O qual, dentre todos os vícios, pode ser considerado como a raiz de todos os outros”?

Obteve como resposta:
“Egoísmo, como temos repetidamente lhe falado, pois é do egoísmo que todo o mal provém.
Por mais que luteis contra ele não chegareis a extirpá-lo enquanto não o atacardes pela raiz, enquanto não lhes houverdes destruído a causa.

Que todo os vossos esforços tendam para esse fim, porque nele se encontra a verdadeira chaga da sociedade.

Quem nesta vida quiser se aproximar da perfeição moral deve extirpar do seu coração todo sentimento de egoísmo, porque o egoísmo é incompatível com a justiça, o amor e a caridade.

Ele neutraliza todas as outras qualidades”.


Isso significa que o discurso dos espíritos era sempre ancorado no princípio central da caridade, não somente com relação às coisas materiais, mas com relação à muitas outras coisas inclusive a pratica da mediunidade.

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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 17, 2012 8:55 pm

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Mas os Espíritos de Kardec também denunciaram sexismo, racismo, pena de morte, escravidão e qualquer outra forma de injustiça social e preconceito como sendo contrários às Leis Divinas, mas recomendavam liberdade de pensamento, liberdade de consciência, igualdade de tolerância.

Com efeito, o que estava sendo proposto era um programa Espiritual que estava anos luz à frente do conservadorismo da Igreja Católica.

O ponto de vista que analisaremos à seguir também representa o que talvez seja a maior diferença entre o retrato que os Espíritos de Kardec faziam da vida espiritual e as notícias enviadas por outros.

Rivail parecia somente estar interessado nos conceitos morais e científicos da raça humana e conduzia suas perguntas de acordo.
Assim, o Livro dos espíritos não menciona como eram as casas dos espíritos, etc., que é uma característica comum da literatura espiritualista.

O assunto principal é quase totalmente orientado para o efeito que a conduta moral tem sobre o indivíduo, tanto na Terra quanto no Além.

Encorajado pelo sucesso do Livro dos Espíritos, Rivail decidiu começar um jornal mensal.

Incapaz de obter uma ajuda financeira para essa empreitada ele pediu conselho de seus guias através da mediunidade de Miss E. Dufaux e foi aconselhado a fundar o jornal ele mesmo e não se preocupar com as consequências.

Sendo assim, a primeira edição de La Revue Spirit saiu em primeiro de Janeiro de 1858, e como aconteceu com o Livro dos Espíritos, seu sucesso suplantou as expectativas de Rivail.

Ele também fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Psicológicos.

Mas o seu trabalho para o Espiritismo havia somente começado.
Ele publicou o Livro dos Médiuns em 1861, que trata somente do ponto de vista dos Espíritos sobre o desenvolvimento e o uso da mediunidade.

Para este e para outros trabalhos, ele usou mais médiuns que para o Livro dos Espíritos, empregando o mesmo método de apresentação, isto é:
Suas perguntas seguidas das respostas dos Espíritos que eram suplementadas pelas suas próprias observações e comentários.

Rivail rapidamente tornou-se a primeira autoridade em mediunidade na França e foi homenageado pelos Espiritistas em sua cidade natal de Lyon.

Tanto que, em 1862 ele teve que pedir-lhes que não gastassem mais dinheiro com homenagens, com banquetes, como haviam feito no ano anterior.

Anna Blackwell menciona que ele constantemente recebia a visita de personalidades influentes dos meios social, literário, artístico e científico e que ele foi, por várias vezes, convocado pelo Imperador Napoleão III, para responder perguntas sobre a doutrina do Espiritismo.

Mas na verdade, o sucesso crescente do Espiritismo em geral, não fez muito para elevar Rivail ou o Espiritismo para um lugar de honra em certos segmentos das Instituições Francesas.

Até entre os próprios Espíritas havia alguns que ressentiam sua crescente influência no movimento Espírita.
Esta oposição, particularmente vinda da igreja, na verdade não causou muito surpresa para Rivail.

Mas pode-se imaginar quão penoso foi para Rivail perceber a oposição dentro do Movimento Espírita.
De facto, ele já havia sido avisado de tudo isso pelos Espíritos em 1856, bem antes de se tornar um campeão da causa Espiritista;

“Ódios terríveis serão incitados contra você.
Inimigos implacáveis vão tramar a sua ruína.
Você será exposto à calúnia e a traição, até por aqueles que mais parecem dedicados à você.
Seus melhores trabalhos serão rejeitados e negados”.


Esta comunicação foi dada pelo “Espírito da Verdade”.

Continua...


Última edição por O_Canto_da_Ave em Qui Maio 17, 2012 8:56 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Allan Kardec e sua missão

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