Allan Kardec e sua missão

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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 17, 2012 8:55 pm

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A Igreja católica, tanto na França quanto em toda parte, estava particularmente ávida por desacreditar tanto o Espiritismo quanto Rivail.

David J. Hess, em seu livro:
“Espíritos e Cientistas:
Ideologia, Espiritismo e a cultura Brasileira”,
menciona várias atitudes tomadas pela Igreja contra o novo movimento, que era considerado pior que o Protestantismo.

Antes da publicação do “Livro dos Espíritos” em 1856, o Santo Ofício, sob as ordens do Papa Pio IX, proibiu a mediunidade e qualquer outra superstição análoga, por serem “heréticas, escandalosas e contrárias aos costumes honestos”.

Mas em 1861 o Bispo de Barcelona tomou uma atitude mais directa.
Ele ordenou um auto de fé, conhecido como Decreto de Barcelona, contra trezentos livros Espíritas, incluindo muitos de Rivail, que foram confiscados e queimados em público.

No entanto, a acção do Bispo não fez mais que incitar o nacionalismo Francês e contribuiu para o crescimento mais profundo do Espiritismo tanto na França como na Espanha.

Hess acrescenta que quando o Bispo morreu, nove meses depois, seu espírito arrependido manifestou-se através de vários médiuns franceses implorando pelo perdão de Rivail que foi concedido.

Na França, o director da Faculdade de Teologia de Lyon começou a dar cursos de educação pública contra o Espiritismo e Mesmerismo, isso em 1864.

Os clérigos escreviam que Espiritismo era a exaltação do demónio.

Rivail acusou a Igreja de incitar de uma maneira deliberada o ódio contra o Espiritismo:
“Do púlpito, nós Espiritistas temos sido chamados de inimigos da sociedade e da ordem pública...

Em alguns lugares, os espiritistas eram censurados ao ponto de serem perseguidos e injuriados nas ruas;
as pessoas dignas eram proibidas de alugar para Espiritistas, eram avisados para evitá-los como pragas.

As mulheres eram aconselhadas a se separarem de seus maridos...
Caridade era recusada aos necessitados, trabalhadores perderam sua subsistência somente por serem Espiritistas.
Pessoas cegas tiveram alta de determinados hospitais, contra suas vontades, simplesmente por se recusarem a renunciar a suas crenças.”


Certos sectores das Instituições Científicas Francesas reagiram com bastante hostilidade à expansão do Espiritismo, assim como na América e Grã-Bretanha.

Hess menciona que um membro da academia de Medicina, Dr. Dechambre, publicou uma crítica do movimento em 1859, citando casos de insanidade, alegando que foram causados pelo Espiritismo.

Essas reportagens começaram a circular em 1863.
Na frança começou a circular uma teoria, que se originou na América, dizendo que as batidas dos Espíritos eram produzidas pelo estalar das juntas dos joelhos e dos dedos dos pés.

A variação francesa dessa teoria foi apresentada à academia de medicina por um cirurgião, Dr. M. Jobert, que atribuía barulhos à habilidade de se estalar o pequeno tendão do músculo do peito do pé.

No entanto, de acordo com as predições dos Espíritos, já mencionadas, Rivail também se deparou com a amarga oposição interna do Espiritismo comentando a exactidão dos avisos do “Espírito da Verdade”, ele escreveu onze anos mais tarde:
“A Sociedade Espírita de Paris tem sido um constante foco de intrigas, desfechadas justamente por aqueles que me declaram amizade e lealdade, mas que na minha ausência me caluniam.
Eles dizem que aqueles que favorecem meu trabalho são pagos por mim com dinheiro que recebo do espiritismo”.


Eu já mencionei antes que o endosso que Rivail dava à teoria da reencarnação causou certo atrito com os seguidores do mesmerista Alphonse Cahagnet.

Também é fácil imaginar que a proeminência que ele atingiu tão rapidamente no movimento Espírita despertou muita inveja.

Poucos esforços humanos, até aqueles supostamente dedicados aos assuntos espirituais, não estão totalmente livres de se envolverem em rivalidades e controvérsias.

Parece que, longe de ficarem gratos à Rivail pela ampla expansão e divulgação que ele conseguiu para o Espiritismo, alguns espiritistas ficaram ressentidos pela sua influência.

Não e sem razão que podemos assumir que no caso de Rivail, uma grande parcela do atrito que ele despertava era resultado do modo como ele encarava a mediunidade.

Como nos já vimos, ele veio para o movimento espírita como um observador relativamente desinteressado, com nenhum envolvimento emocional, nem ideias pré concebidas sobre o assunto.

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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 17, 2012 8:57 pm

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Uma vez tendo chagado à conclusão de que as comunicações eram na verdade um trabalho das entidades desencarnadas, ele estava mais apto a julgar objectivamente do que alguns médiuns em particular e seus seguidores, os quais, como nos dias de hoje, poderiam estar ocasionalmente propensos a sofrer a síndrome “Meu guia tem mais conhecimento que o seu Guia”.

Eu dei uma ideia do modo como Rivail julgava o valor das afirmações de natureza filosófica dos Espíritos.
Mas ele também adoptava um critério para saber se um comunicante era mesmo a pessoa que dizia ser.

Trabalhando com o princípio de que “Semelhante atrai semelhante”, e que todo ser humano tem alguma imperfeição na sua natureza moral, ele não descartava a hipótese de que até os melhores médiuns (especialmente os escreventes) poderiam, em alguma etapa de sua carreira, caírem presas de personalidades Espirituais que poderiam induzi-lo ao erro, simplesmente tomando emprestado algum nome reverenciado “lisonjeando a vaidade do médium para ganhar aceitação para os mais ridículos argumentos”.

Nesses casos, onde boa evidência da identidade poderia ser difícil ou impossível de obter, ele recomendava que a comunicação devia ser julgada de acordo com os sentimentos expressos, e com a maneira como eles eram expressados:
estariam de acordo com o que poderíamos esperar da personalidade mencionada?

Ainda assim, mesmo se essas condições eram encontradas, ele somente aceitava (no máximo) a “probabilidade moral” de que a identidade estava correcta.

O Livro dos Médiuns publicado em 1861, como o título sugere, é totalmente dedicado à mediunidade.

É na verdade um guia para o desenvolvimento e uso apropriado do Dom, e é ostensivamente escrito de acordo com o ponto de vista dos espíritos comunicantes.

Desnecessário dizer que todos eram personalidades altamente evoluídas, alguns bem conhecidos, outros anónimos.

O material para o Livro dos Médiuns, e outros que se seguiram, foi conseguido em grande parte através de médiuns de escrita automática na sociedade Parisiense de Estudos Psicológicos de Rivail, e também incluíam o trabalho de outros médiuns que lhe enviavam comunicação de toda parte da França e do exterior.

Assim como no “Livro dos Espíritos” Rivail pretendia apresentar um ponto de vista considerado fidedigno pois era obtido de uma grande variedade de fontes independentes, de várias partes do mundo e que concordavam umas com as outras.

Uma espécie de consenso de opiniões entre os espíritos avançados.

Todo aspecto considerável de todo tipo de mediunidade e manifestações espíritas é tratado no “Livro dos Médiuns” (até o charlatanismo recebe um capítulo próprio).

Mas Rivail devotou atenção especial de como o carácter e as ideias pré concebidas dos médiuns atrapalhavam na habilidade com que os Espíritos podiam se comunicar efectivamente.

Ele identificou vinte e seis considerações que devem ser levadas à sério ao se julgar o valor das comunicações, e deu exemplos de alguns que não poderiam ser atribuídas ao suposto autor.

Um bom exemplo é a seguinte:
“Vão em frente crianças, marchem adiante com os corações exultantes, cheios de fé;
a estrada que vocês seguem é muito linda. . .”.


Esta comunicação, que continuava sempre neste tom frívolo, banal, era assinada por “Napoleão”, e trouxe o seguinte comentário de Rivail:
- “Se havia um homem grave e sério, Napoleão enquanto vivo, era um.
Seu estilo breve e conciso de se expressar é conhecido de todos, e ele deve ter estranhamente se degenerado após sua morte, se ditou uma comunicação tão prolixa e ridícula como esta”.....


Esta atitude com certeza deve ter ofendido certos médiuns e Grupos Espíritas que tinham o hábito de aceitar comunicações como essa como verdadeiras.

O facto de Rivail referir-se a essas pessoas com certo desprezo num capítulo sobre os perigos da obsessão Espiritual, indica que ele estava muito inteirado do ridículo que elas poderiam passar sob o crivo dos ávidos críticos.

A referência que Rivail faz aos “inimigos” do Espiritismo, “aqueles que fingem ser amigos para na verdade injuriar deslealmente”.

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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 18, 2012 9:46 pm

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Recomenda também que as Sociedades Espíritas se mantenham pequenas porque “esses tipos de pessoas acham muito mais fácil semear a discórdia entre grandes assembleias do que em grupos menores nos quais todos os membros se conhecem”.

Ele também sugere que estava preocupado pois o movimento continha pessoas as quais ele considerava estarem erradamente motivadas.

O Livro dos Médiuns complementa o Livro dos Espíritos perfeitamente, no sentido de que ele proporciona um guia para as muitas dificuldades que podem surgir durante a prática da mediunidade.

Em 1864, juntou-se à essas obras “O Evangelho Segundo o Espiritismo” que contém os ensinamentos dos Espíritos sobre o novo Testamento.

Este trio de livros é considerado pelos espiritistas como sendo a pedra angular sobre a qual o moderno movimento foi construído.

No entanto, Rivail publica mais dois trabalhos sob o nome “Kardec”:
O Céu e o Inferno (1864), que foi baseado nos comentários dos Espíritos sobre a natureza real destes, nos estados mental e Espiritual;
e “Génesis” (1867) que mostrava, a concordância da teoria dos Espíritos com as descobertas da Ciência Moderna e o teor dos registros Mosaicos explicados pelos Espíritos.

Ele também publicou dois pequenos tratados titulados “O que é Espiritismo” (1859) e “Espiritismo reduzido a sua mais simples expressão” (1860) que era um diálogo entre Rivail e três críticos do Espiritismo:
“O Crítico”, “O Céptico” e “O Padre”.

Em 1867, com a publicação de “Génesis”, Rivail completou a série de livros que hoje são considerados pelos Espiritistas mais evangelizados como “A terceira Revelação” de Deus para a Humanidade.

A primeira, seria os ensinamentos de Moisés e a Segunda os ensinamentos de Jesus.

Rivail não menciona que o Espiritismo ou as comunicações dos Espíritos eram a terceira Revelação, mas como quase todos os outros aspectos dos ensinamentos de Kardec, essa idéia não surgiu dele mas dos Espíritos comunicantes, sendo que um destes expressou-se mais sucintamente no Evangelho Segundo o Espiritismo:
“Moisés mostrou à Humanidade o caminho;
Jesus continuou o seu trabalho;
O Espiritismo veio finalizá-lo”.


Rivail escreveu sobre este aspecto do Espiritismo:
- “A Lei do Velho Testamento foi personificada em Moisés:
a do Novo Testamento em Cristo.


Espiritismo é então a terceira Revelação da Lei de Deus.

Mas não é personificada por ninguém porque representa ensinamentos dados, não pelo Homem mas pelos Espíritos que são as Vozes do Céu, para todas as partes do mundo, através da cooperação de inúmeros intermediários.

Numa maneira de falar é um trabalho colectivo formado por todos os Espíritos que trazem esclarecimento à toda humanidade, fornecendo os meios de se entender o Mundo e o destino que espera todo o indivíduo no seu retorno ao mundo Espiritual.”

Já mencionei antes que os professores de Kardec descrevem o mundo e a vida Espiritual quase inteiramente em termos do efeito que a conduta moral do indivíduo tem neste mundo e no outro.

Rivail não tinha medo de mostrar os dois lados da moeda.

O Céu e o Inferno (1864) não era somente a descrição dos Espíritos da real natureza desses estados, também incluía comunicações de espíritos recém desencarnados de toda classe moral.

Do mais maldoso ao mais caridoso e bom.
Cada tipo de personalidade descrevia suas condições no momento e como as suas acções na terra contribuíram para o seu deleite ou tristeza.

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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 18, 2012 9:47 pm

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Ao contrário dos dogmas da Igreja Católica que pinta um quadro de sofrimento sem fim até para aqueles cujo único pecado foi simplesmente o de não serem católicos, os Espíritos comunicantes mantinham a afirmação de que os sofrimentos na próxima vida só perduram até o momento em que o indivíduo se esforça para rectificar a causa, e que a todos é dada a oportunidade de conseguir isso.

Aqueles que têm experiências no campo difícil do resgate devem ficar interessados no caso do assassino que havia sido recentemente executado:
“um envenenador sistemático, um médico que empregou sua posição profissional para ter êxito em muitos assassinados horríveis pelos quais ele havia sido executado.

Este homem, se manifestou espontaneamente numa sessão e apesar de reclamar que:
“as luzes ofuscam e penetram como flechas afiadas no íntimo do meu ser” e tempestuosamente rejeitou a ajuda oferecida pelo círculo.
..”Eu me basto; serei capaz de resistir à essa luz odiosa”.

Rivail afirma no entanto, que esse Espírito eventualmente começou a melhorar, progredir, arrependeu-se e tornou-se o autor de “muitas comunicações boas e sábias”.

Outros assassinos descreveram um estado de confusão e terror ante o facto de terem que encontrar suas vítimas.

Um deles descreveu como tudo aconteceu e explicou porque isso lhe causava tanto sofrimento:
“___ P: O que você sente ao vê-los”?
“___ R: Vergonha e Remorso.
... e eu ainda os odeio.
Eles rezam para eu expiar meus crimes.
Você não pode imaginar que tortura horrível é dever tudo àqueles que você odeia”.


Haviam também comunicações de muitos outros tipos de descrentes.
Alguns, embora não tenham cometido nenhuma maldade em suas vidas, também não fizeram nada de bom e sentem remorso por isso.

Outros que levaram uma vida pautada no bem descrevem uma relativa felicidade e a esperança de que possam continuar em serviço ao próximo na nova vida.

No entanto, o capítulo que muitos espiritistas consideram bastante controverso é aquele no qual os Espíritos descrevem suas “Expiações Terrestres” ou como eles haviam expiado crimes do passado, retornando à Terra pela reencarnação.

Um desses casos envolveu o Espírito de um jovem servente que trabalhava para um conhecido de Rivail, que havia morrido subitamente enquanto estava de licença.

O Espírito contou à Rivail que numa vida anterior havia sido uma criança rebelde, filho de pais ricos que morreram e o deixaram órfão.
Ele foi então adoptado por um amigo de seu pai que o tratou como seu próprio filho, mas ele não reconheceu essa bondade e foi-lhe muito ingrato.

Para expiar essa falta, quando ambos reencarnaram ele veio numa posição em que pudesse servir seu antigo guardião:
“Eu vim determinado à expiar meu antigo orgulho nascendo numa posição servil nesta actual existência;
uma determinação que permitiu-me provar minha gratidão à ele, que foi meu benfeitor na encarnação passada.

Eu até tive a oportunidade de salvar sua vida.
Esta existência humilde provou-se muito útil para mim.

Eu adquiri força de carácter suficiente para evitar ser corrompido pelo contacto do meio ambiente que é quase sempre cheio de vícios;
e eu agradeço à Deus que agora adquiri a felicidade que desfruto”.


Rivail então questionou-o quais foram as circunstâncias em que ele salvou a vida de seu patrão, e recebeu o relato com detalhes que ele transcreve no livro e que foi posteriormente verificada como verdade junto ao antigo empregador do jovem.

É de se notar no entanto que muitos Espíritos interrogados não se lembram de nenhuma existência anterior (outra além da que ele acabou de deixar), ficando impossível saber que relevância ela teve na presente circunstância em que eles se apresentam:

Os Espíritos explicam à Kardec, o porque dessa falha em se lembrar da vida passada:
essas lembranças só são permitidas
“se “ e “quando” elas podem servir à algum propósito útil, e que essa memória deve emergir gradualmente, talvez após um longo período de tempo.

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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 18, 2012 9:48 pm

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Qualquer que seja a última verdade à respeito da reencarnação, permanece o facto de que ela é o meio pelo qual os Espiritistas continuam a racionalizar moralidade e ética num contexto de Justiça Divina.

É também o caso que o renascimento não é visto somente como um mecanismo para se expiar as faltas passadas e nem é visto como compulsório.

Os professores de Kardec enfatizavam que a reencarnação e usualmente um factor de escolha consciente após um intervalo no mundo Espiritual que pode ser longo ou curto de acordo com as circunstâncias individuais, e que ela frequentemente ocorre porque um Espírito deseja praticar algum acto de caridade para alguns menos afortunados ou actuar em alguma missão Espiritual em particular.

Então, seria muito errado assumir que todos que sofrem na Terra estão sendo “punidos” pelas faltas do passado e que merecem seus sofrimentos.

A versão dos Espiritistas da doutrina da reencarnação requer que, mesmo que esse seja o caso, aqueles que sofrem por esse motivo devem ser tratados com compaixão.

Como veremos, o facto dos Espiritistas acreditarem em reencarnação não nos leva a justificar as injustiças sociais no Brasil, (onde o movimento é a principal religião) como se pode ver no sistema de castas Hindu.

Muito pelo contrário, como podemos atestar na actuação maciça que o Espiritismo nesse País tem na assistência social aos pobres e também na contribuição que lá e dada ao tratamento das doenças mentais.

Hess menciona que era um desejo especial de Rivail que a classe médica desse atenção aos ensinamentos dos Espíritos sobre insanidade, que eles explicavam que frequentemente era causada pela mediunidade que embora natural estava descontrolada e havia se tornado uma forma de obsessão espiritual.

Em 1862 e 1863 ele dedicou uma série de artigos na Revue Spirite aos pacientes do asilo de Morzines, os quais ele considerava como sendo vítimas dessa condição infeliz, as quais eram algumas vezes causadas pela actuação de personalidades Espirituais malignas vingando-se de seus inimigos de uma existência anterior e que já haviam reencarnado.

Infelizmente, as expectativas de Rivail para o Espiritismo não se realizariam nem na sua existência nem em seu próprio País.

Eu mencionei antes a veracidade das predicções do “Espírito da Verdade” sobre as oposições que ele enfrentaria tanto das Instituições francesas como no seio do próprio Espiritismo.

Rivail também havia sido avisado de que o esforço de liderar o movimento teria um efeito desastroso sobre sua saúde e que o levaria à desencarnar mais cedo.

Dez anos pós a predição, em 1867, ele comentou:
- “ Eu não tenho encontrado paz e mais de uma vez quase sucumbi;
sob esse excesso de trabalho minha saúde tem deteriorado e minha vida tem sido comprometida.
... Tudo que foi predito pelo Espírito da Verdade está acontecendo “.


Em trinta e um de março de 1869, tendo acabado de elaborar a constituição de uma Sociedade que ele pretendia que levasse em frente seu trabalho, Hippolyte Leon Denizard Rivail, mais conhecido como “Allan Kardec” morreu, subitamente pela ruptura de um aneurisma no coração, enquanto estava sentado em sua escrivaninha ocupado em organizar uma pilha de papéis.

Rivail, foi enterrado no famoso Cemitério de Montmarte em Paris e seu amigo, o eminente astrónomo e pesquisador científico Camille Flammarion discursou em seu funeral.

Hoje seu túmulo é um lugar de peregrinação para os Espiritistas de todo o mundo e onde é celebrada também uma cerimônia anual em sua lembrança que é assistida por centenas de pessoas.

Mas essa adoração vem quase que totalmente do exterior porque após a morte de Rivail o movimento Espírita na França declinou ao ponto de hoje, quase não existir.

Em 1873, no entanto, quatro anos após a morte de Rivail a Sociedade de Estudos Espirituais foi formada no Rio de Janeiro, Brasil.

E foi a partir desta data que o Espiritismo iria crescer constantemente até que viria a ocupar uma posição de liderança que Rivail havia visualizado.

Alguns anos atrás, um amigo meu que havia demonstrado um certo interesse na filosofia espírita pediu-me que lhe emprestasse meu Livro dos Espíritos (uma edição antiga, “cheia de orelhas”).

Logo após me devolver o livro, ele embarcou para uma longa viagem de seis meses pela América Latina.
Por vários motivos, nós não tivemos tempo de discutir o livro antes de sua partida.

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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 19, 2012 9:25 pm

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Esse colega deixou a Inglaterra achando que havia somente acabado de ler um trabalho extremamente obscuro apesar de interessante, elaborado por um esquecido francês do século XIX.

Após seu retorno no entanto, ele me contou de sua surpresa ao andar por uma rua no Brasil e deparar com um imponente edifício adornado com o nome “Kardec”.

Mais tarde, ele pode constatar que praticamente quase todo brasileiro que ele encontrava conhecia Kardec, e que alguns já haviam lido o Livro dos Espíritos.

O Espiritismo cresceu em importância no Brasil desde que chegou da França, ao ponto de ser parte integrante da vida brasileira entre todas as classes sociais.

A influência de Kardec no movimento pode ser medida pelo facto de que ele é frequentemente chamado de Kardecismo.
Isso também serve para distinguir Espiritismo de Umbanda e Candomblé, dois cultos que, apesar de serem baseados na mediunidade, têm origens africanas.

O escritor Guy Lyon Playfair, que morou e trabalhou no Brasil por muitos anos colocou em seu livro “O poder Desconhecido” o resultado de uma pesquisa de opinião pública que uma conceituada revista brasileira organizou em 1971:
70% dos brasileiros declararam-se católicos contra somente 11% que se diziam Espíritas;
68% diziam que acreditavam no Espiritismo;
49% já haviam visitado um Centro Espírita;
27% já sentiram a influência dos Espíritos em suas vidas e 15% declararam que já se comunicaram com desencarnados.

Somente 1% dos que se disseram católicos foram capazes de manter o princípios básicos de sua religião.

Isso levou Playfair a suspeitar que “...Muitos brasileiros são bons católicos nas manhãs de Domingo e bons Espiritistas no resto da semana.
...Os brasileiros professam o catolicismo porque seus pais o faziam, e o Espiritismo porque funciona para eles, frequentemente transformando suas vidas”.


É no trabalho prático que o Espiritismo faz no Brasil, particularmente para os mais pobres e necessitados, que parece estar a razão do sucesso do movimento.

Esta era na verdade a prescrição dos comunicantes de Kardec para o bem sucedido uso da mediunidade em larga escala.

Apesar do facto de a literatura Espírita Brasileira Ter sido acrescida de muitos outros autores como Adolfo Bezerra de Menezes (muitas vezes chamado de Kardec Brasileiro), os conceitos chaves de Kardec sobre a caridade e a abordagem que ele faz da mediunidade estão no coração do movimento.

Francisco Cândido (Chico) Xavier [foi]é provavelmente o melhor exemplo da mediunidade em acção, segundo abordagem Espiritista.
Apesar de ter recebido somente a instrução primária, ele se tornou no Brasil o “autor” mais fecundo, que produziu na média, três livros por ano desde 1932, em assuntos diversos como filosofia Espirita, Literatura, História e Ciência.

Seus livros já venderam muitos milhões, e tem sido traduzidos para muitas línguas, e seu nome é muito conhecido, familiar, em seu País natal.

No entanto, “escritor“ seria provavelmente um termo mais apropriado para o Chico, porque ele é um médium de escrita automática que não recebe nenhum crédito ou dinheiro por seu trabalho prodigioso.

Ele trabalhou como um funcionário humilde do governo até se aposentar em 1961 e ainda leva[va] uma vida extremamente modesta apesar dos “royalties “ de seus livros que são todos empregados em benefício dos pobres.

Playfair menciona um enorme conjunto de prédios construídos pela Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP) chamado Casa Transitória que proporciona ajuda às famílias carentes e educação para crianças das favelas e também a Casa André Luiz em Guarulhos que abriga 1.400 crianças retardadas.

Na maioria das grandes cidades brasileiras existe a assistência dos Espiritistas em Centros de Treinamento, Orfanatos, Berçários, Hospitais e até Hospícios;
a Casa de Maria Madalena perto do Rio de Janeiro que se dedica à cuidar dos doentes de AIDS sem recursos.


Eu já mencionei antes que existe evidências de que os trabalhos de Kardec influenciaram alguns fundadores da moderna psicologia e psiquiatria, e de que o próprio Rivail era um entusiasta de que o Espiritismo deveria ter um papel no tratamento das doenças mentais.

Hess menciona as “dezenas de hospitais psiquiátricos, alguns dos quais mantém convénios com sistema estadual de saúde, que são de propriedade e mantidos por Espiritistas.

Nesses Institutos os pacientes recebem tratamento convencional dos psiquiatras e psicólogos combinado com uma forma especializada de terapia chamada “desobsessão”, que é aplicada em um Centro Espírita das redondezas.

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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 19, 2012 9:26 pm

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No Brasil, o Espiritismo é um movimento religioso vibrante que proporciona esperança, conforto e inspiração para milhares de pessoas que de outra maneira não teriam alívio para a pobreza que nesse País é muito grande.

Mas isso não seria possível, se o movimento não contasse com a ajuda das classe profissionais e dos batalhões de pessoas da sociedade que se unem a esse a trabalho conjunto de assistência.

Existem tantos Espíritas doutores na cidade de São Paulo, que eles se uniram e formaram sua própria associação Médica.

A grande consideração que esse movimento tem no País, pode ser avaliada pelo facto de que existem três edições separadas de selos postais trazendo a estampa de Rivail.

O primeiro foi em 1957 para celebrar o centenário do Livro dos Espíritos.

Houve também uma cerimonia solene na câmara Legislativa no Distrito Federal de Brasília, no dia 03 de outubro de 1995 para comemorar a data de nascimento de Rivail.

O Sr. Jorge Cauhi, representante da Câmara e o Sr. Divaldo Pereira Franco, um médium muito conhecido, falaram sobre Rivail e a importância do Espiritismo.

Dois outros políticos fizeram um depoimento sobre como o Espiritismo ajudou-os em suas vidas pessoais.

Isso aconteceu ao mesmo tempo em que delegados de trinta e quatro países encontraram-se na cidade para o “I Congresso Internacional de Espiritismo”.

Parece incrível, que o quarto maior País da Terra tenha abraçado o Espiritismo como parte integrante de sua cultura, sendo que os ensinamentos Espíritas foram dados à um intelectual Francês, menos de dez anos após duas crianças americanas iniciarem as comunicações mediúnicas (as quais ele no começo negou veementemente).

O impacto que os ensinamentos de Kardec continuam a ter, simplesmente não tem precedentes no “Espiritualismo” e o mais impressionante é quando consideramos que eles foram colectados logo após o fenómeno das batidas de Hydseville.

No entanto, certamente isso não quer dizer que todos os aspectos dos ensinamentos de Kardec devem ser considerados inquestionavelmente correctos em todos pontos.

Hess observou que alguns intelectuais Espíritas brasileiros reclamam que os membros mais evangélicos do movimento consideram as obras de Kardec “quasi-sagrados”.

Eles preferem considerar os textos como “Algumas vezes falhos mas na maioria das vezes verdadeiros, escritos por um brilhante pensador do século dezanove”.

A realização mais significativa de Rivail foi Ter desenvolvido um método sistemático de investigação das comunicações mediúnicas de natureza filosófica que resultaram num bloco de ensinamentos para satisfazer todas as necessidades.

A natureza igualitária que as mensagens transmitem naturalmente atraem o apoio dos pobres pois lhes oferece conforto e esperança;
enquanto que os aspectos científicos dos ensinamentos, especialmente aqueles que dão explicações sobre os fenómenos Espíritas, interessam os mais informados e cépticos.

O resultado final foi uma visão das comunicações Espíritas que tem feito consideráveis incursões no pensamento estabelecido, nas Instituições, num País que, sem dúvida desempenhará um papel central nos assuntos mundiais num futuro próximo.

É também um facto que o Espiritismo que é muito popular no México e em outros países da América Latina, está vagarosamente estabelecendo bases sólidas em toda parte, particularmente nos Estados Unidos, onde existem agora Centros Espíritas sob o recém formado Conselho Espiritista dos Estados Unidos da América.

Quão irónico é considerarmos que a mais antiga filosofia Espírita pós Hydseville continua a ser a mais produtiva e bem sucedida!

O autor deseja agradecer a Janet Duncan do Grupo de Estudos Allan Kardec, pelo auxílio durante a preparação deste artigo.

§.§.§- O-canto-da-ave
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Fragmentos de Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 19, 2012 9:27 pm

Orson Peter Carrara

Data sugere conhecer melhor o Codificador

A ocorrência do bicentenário de nascimento de Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, em 03 de outubro de 2004 (o nascimento ocorreu em 1804), sugere que, além dos dados biográficos – amplamente divulgados e conhecidos –, ampliar-se o conhecimento de seus pensamentos, para identificação de seu perfil psicológico.

Colhemos em Obras Póstumas (1), alguns fragmentos de seus raciocínios, para homenagear a importante efeméride.

Para conhecer seu perfil moral, a transcrição seguinte traz preciso embasamento:
“Um dos primeiros resultados das minhas observações foi que os Espíritos, não sendo senão as almas dos homens, não tinham nem a soberana sabedoria, nem a soberana ciência que o seu saber era limitado ao grau de seu adiantamento, e que a opinião deles não tinha senão o valor de uma opinião pessoal.

Esta verdade, reconhecida desde o começo, evitou-me o grave escolho de crer na sua infalibilidade e preservou-me de formular teorias prematuras sobre a opinião de um só ou de alguns.

Só o facto da comunicação com os Espíritos, o que quer que eles pudessem dizer, provava a existência de um mundo invisível ambiente era já um ponto capital, um imenso campo franqueado às nossas explorações, a chave de uma multidão de fenómenos inexplicados.

O segundo ponto, não menos importante, era conhecer o estado desse mundo e seus costumes, se assim nos podemos exprimir.
Cedo, observei que cada Espírito, em razão de sua posição pessoal e de seus conhecimentos, desvendava-me uma face desse mundo exactamente como se chega a conhecer o estado de uma país interrogando os habitantes de todas as classes e condições, podendo cada qual nos ensinar alguma coisa e nenhum deles podendo, individualmente, ensinar-nos tudo.”


Para conhecer o método aplicado nos estudos e observações sobre o Espiritismo, basta analisar esta frase:
(...) apliquei a esta ciência o método experimental, não aceitando teorias preconcebidas, e observava atentamente, comparava e deduzia as consequências, dos efeitos procurava elevar-me às causas, pela dedução e encadeamento dos factos, não admitindo por valiosa uma explicação, senão quando ela podia resolver todas as dificuldades da questão.

Foi assim que procedi sempre em meus anteriores trabalhos, desde os quinze anos”.


Sobre a responsabilidade que se impunha, expõe Kardec:
“compreendi logo a gravidade da tarefa, que ia empreender, e entrevi naqueles fenómenos a chave do problema, tão obscuro e tão controvertido, do passado e do futuro da humanidade, cuja solução vivi sempre a procurar era, enfim, uma revolução completa nas ideias e nas crenças do mundo.
Cumpria, pois, proceder com circunspecção e não levianamente, ser positivo e não idealista para não me deixar levar por ilusões”.


Comentando sobre o sistema de análise nas comunicações com os Espíritos:
“Incumbe ao observador formar o conjunto, coordenando, coleccionando e conferindo, uns com os outros, documentos que tenham recolhido.

Desta forma, procedi com os Espíritos como teria feito com os homens considerei-os, desde o menor até o maior, como elementos de instrução e não como reveladores predestinados”.


Estabeleceu duas máximas que se imortalizaram de maneira patente a indicar os caminhos da Doutrina Espírita:
a) Fora da caridade não há salvação, princípio que ressalta a igualdade entre as criaturas humanas, perante Deus, a tolerância, a liberdade de consciência e a benevolência mútua;

b) Fé inabalável é aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade, ressaltando que a fé raciocinada se apoia nos factos e na lógica.

Para concluir, nada melhor que trazer aos leitores Uma Prece de Allan Kardec, também extraída de Obras Póstumas, onde podemos sentir toda grandeza d’alma deste nobre espírito:

“Senhor!
Se vos dignastes lançar os olhos sobre mim, para satisfazer os vossos desígnios, seja feita a vossa vontade!
A minha vida está em vossas mãos disponde do vosso servo.

Para tão alto empenho, eu reconheço a minha fraqueza.
A minha boa vontade não faltará, mas podem trair-me as forças.
Supri a minha insuficiência, dai-me as forças físicas e morais, que me sejam necessárias.
Sustentai-me nos momentos difíceis e com o vosso auxílio e o dos vossos celestes mensageiros esforçar-me-ei por corresponder às vossas vistas”.


(1) Edicão Lake

Nota do autor:
esta matéria usou como referência a publicação Hippolyte Léon Denizard Rivail - O Perfil de um Mestre, elaborado pelo Centro Espírita “Esperança e Fé”, de Franca-SP, e reeditado pelo Centro Espírita “Caminho de Damasco”, de Garça-SP, com pequenas alterações do texto original, e utilizando como bibliografia as seguintes obras:

1. Biografia de Allan Kardec, de Henry Sausse, edição LAKE;
2. Grandes Espíritas do Brasil, de Zêus Wantuil, ed. FEB;
3. Allan Kardec, de Zêus Wantuil e Francisco Thiesen, ed. FEB;

4. Vida e Obra de Allan Kardec, de Canuto Abreu, ed. Edicel;
5. Obras Postumas, de Allan Kardec, ed. LAKE;
6. Revista Reformador, de 1952, ed. FEB;
7. Narrações do Infinito, de Camile Flammarion, ed. FEB;
8. Herculanun, de J. W. Rochester, ed. FEB.

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O verdadeiro espírita

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 20, 2012 9:52 pm

Jamil Salomão

“O espírita é reconhecido pelo esforço que faz para sua transformação moral e para vencer suas tendências para o mal.”
Allan Kardec

O verdadeiro espírita é aquele que aceita os princípios básicos da Doutrina Espírita.

Quando se pergunta ao praticante:
- Você é espírita?
Comummente ele responde:
- “Estou tentando”.
Na verdade, a resposta deveria ser sem hesitação:
- Sou espírita!!!

Quanto ao facto de ser perfeito ou qualquer qualificação moral é outro assunto, que não exime o profitente de ser incisivo na sua resposta.

Nesse ponto, o praticante não tem que hesitar na sua definição, porquanto Allan Kardec foi claro no seu esclarecimento ao afirmar que se reconhece o espírita pelo seu esforço, pela sua transformação, e não pelas suas virtudes ou pretensas qualidades, raras nos habitantes deste Planeta.

O que acontece com frequência, seja iniciante ou mesmo com os mais antigos, é que, será mais cómodo não assumir uma postura mais responsável ou permanecer com um pé na canoa e outro na terra.

Admite-se até, em determinadas ocasiões que se queira dar uma demonstração de modéstia, mas, que não se justifica sob o ponto de vista de definição pessoal.

A propósito, lembro-me de ter ouvido em uma emissora de rádio da Capital um pronunciamento de um padre católico, ao referir-se aos católicos, que frequentam os Centros Espíritas para os habituais Passes e a “aguinha fluidificada” e passam a vida sem ter a mínima noção do que representa o Passe e a água.

Para esses meio-cá-meio-lá, o mencionado reverendo denominou-se de “catóritas”.
Engraçado, não!?

Como chamar os espíritas que se dedicam aos trabalhos nos Centros Espíritas, mas que continuam baptizando os filhos, sob o pretexto de que quando maiores escolherão sua própria religião, casam os filhos na Igreja com as pompas e as cerimónias habituais, fazem a Primeira Comunhão com as tradições da Igreja Católica, etc?

Quando os Centros Espíritas se organizarem verdadeiramente, proporcionando aos seus frequentadores, além do Passe e da Água Fluidificada, a orientação doutrinária, para maior compreensão dos princípios básicos que devem nortear o aprendiz e os trabalhadores na Seara Espírita, certamente, o verdadeiro espírita terá uma nova postura na sociedade, mais convincente, porque passará a distinguir o que é ser espírita, segundo a analogia explicitada por Allan Kardec nas obras básicas organizadas pelo codificador sob a orientação dos Benfeitores Espirituais.

“Solidários, seremos união.
Separados uns dos outros seremos pontos de vista.
Juntos, alcançaremos a realização de nossos propósitos.”
Bezerra de Menezes

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Que é Deus?

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 20, 2012 9:54 pm

Paulo Roberto Martins

O professor Rivail, já utilizando desde então o codinome "Allan Kardec", abre o capítulo primeiro, do livro primeiro da codificação da Doutrina (Ensinamentos) dos Espíritos, com a pergunta título deste artigo.

Kardec já tomava por base que para iniciar e ter total empenho nas suas pesquisas espíritas, nunca seria demais a máxima frieza e o sistemático controle das paixões evitando descambar-se para a religiosidade muito forte da época, para a curiosidade pueril, para a sede do sobrenatural ou quaisquer manifestações deste género.

Tanta convicção tinha neste comportamento que mais adiante advertiria os seus seguidores:
- O Espiritismo será científico ou não subsistirá".

Recebeu dos Espíritos que "assinam" os prolegómenos de "O livro dos Espíritos" a resposta mais próxima da verdade científica até hoje já concebida:
- Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas.

A lei básica que rege o Universo (todas as coisas) é a lei de Causa e Efeito ou Acção e Reacção, como é conhecida no meio científico.
Para um efeito inteligente sempre haverá uma causa inteligente correspondente.

Para que possamos chegar próximos a entender o que é Deus, devemos fazer um esforço para idealizarmos mais ou menos o que seria o Universo, começando portanto pela tomada de consciência do espaço tridimensional (comprimento, largura e altura) que ocupamos no mesmo, passando daí para a percepção do espaço da nossa residência, bairro, cidade, estado, país, continente e planeta Terra com seus 40.000 quilómetros de extensão na circunferência.

A Terra faz parte de um sistema solar que possui apenas 9 planetas com 57 satélites no total de 68 corpos celestes.
A "grosso modo" em relação a outros astros do sistema solar, a Terra possui um volume 49 vezes maior que o da lua e 1.300.000 vezes menor que o do sol.

É preciso que tenhamos noção de sua pouca importância diante do restante do Universo.


Nosso sistema solar faz parte de uma pequena galáxia conhecida por Via Láctea, um aglomerado de cerca de 100 biliões de estrelas, com pelo menos cem milhões de planetas e conforme os astrónomos, no mínimo cem mil com vida inteligente e mil com civilizações mais evoluídas que a nossa.

As últimas observações do telescópio Hubble (em órbita), elevaram o número de galáxias conhecidas para 50 milhões.
Em 1991, em Greenwich, na Inglaterra, o observatório localizou um quasar (possível ninho de galáxias) com a luminosidade correspondente a 1 quatrilião de sóis.

Diante destes números pensaríamos haver chegado na ideia do que é o Universo;
ledo engano, pois estas áreas, ou melhor, volumes, representariam apenas 3% do que seria a totalidade de tudo dentro do tridimensional e espaço / tempo como conhecemos.

Os espaços inter-planetários, inter-estrelares e intergalácticos, obviamente, formariam a maior parte daquilo que chamamos de Universo.

Os fenómenos de aporte (transporte de matéria através de outras dimensões) tão conhecidos dos pesquisadores da paranormalidade e a anti-matéria já produzida em laboratórios experimentais mais desenvolvidos através do planeta, nos dão a confirmação dos estudos de pesquisadores da capacidade de um Friedrich Zöllner, que no século passado, comprova a existência da quarta dimensão e consequentemente outros tantos Universos, quantas tantas dimensões for possível conhecermos.

A teoria mais moderna da criação do Universo, nos remete não apenas para o Bigbang (a grande explosão) início de tudo, mas, para a ideia de vários bigbangs, com Universos cíclicos através de quatriliões ou mais de anos.

E aí?
Será que conseguimos chegar perto da ideia da concepção e tamanho da obra de Deus, para tentar entendê-lo?

Não seria no mínimo estranho que após esta monumental obra inteligente, Deus colocasse em um planeta que representa um ínfimo grão de areia em uma cadeia de montanhas como o Himalaia, sua grande criação, o homem, feito sua imagem e semelhança?

Nosso grande irmão e amigo Jesus, há 2000 anos, já passava em forma de contos e parábolas vários conhecimentos intelectuais e morais que possuía devido ao seu grande estado evolutivo, quando em missão entre nós, confiada pelo Criador afirmou:
"Na casa de meu pai existem muitas moradas".

Continua...
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Re: Allan Kardec e sua missão

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 20, 2012 9:55 pm

Continua...

Para concluirmos esta nossa pequena intenção de lançarmos nossos confrades na especulação ao entendimento do que seria Deus, iremos nos valer da "colecção de livros" chamada Bíblia, que no entender do grande intelectual e eminente espírita Dr. Carlos Imbassahy, é um livro como outro qualquer, em que nos seus textos contém tudo que a gente queira para justificar, a favor ou contra qualquer coisa.

No Antigo Testamento, Livro Génesis, [/i]Capítulo 1 (Criação do homem), versículo 26 temos:
"e (por fim) disse:
Façamos o homem à nossa imagem e semelhança (sic...)".

Se tomarmos como verdadeira a hipótese de que a Bíblia é a palavra de Deus, qual seria a imagem correcta do nosso Criador?
Um homem ou mulher?
Velho, ariano de barbas longas ou de cor negra, e magro como os etíopes (teoricamente os primeiros hominídeos)?

Não seria melhor tentarmos entender uma concepção mesmo que não a conheçamos bem?

Como por exemplo:
o que sabemos a respeito do que somos (espírito)?
Qual a imagem fiel que temos do mesmo?

Ninguém sabe, ou melhor, conhecemos bem o corpo material, e relativamente o periespiritual, mas não o espírito.
Conforme Allan Kardec, o espírito é alguma coisa formado por uma substância, mas cuja matéria, que afecta nossos sentidos, ele não nos pode dar uma ideia.

Pode-se compará-lo a uma chama ou centelha cujo clarão varia de acordo com o grau de sua depuração.
Sendo assim, pois, teríamos o entendimento melhor de nossa imagem de acordo com a de Deus.

No tocante a semelhança é mais fácil a sua comparação quando procuramos compreender a eternidade, já que a palavra pressupõe algo que não tem início nem fim, como Deus;
que é infinito, único, perfeito e todo-poderoso.

Já ao passo que nós somos algo como semi-eternos;
tivemos um começo criado por Ele e evoluímos na Sua direcção conforme o Seu desejo.

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Última edição por O_Canto_da_Ave em Seg Maio 21, 2012 10:06 pm, editado 1 vez(es)
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O que é Sexo?

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 21, 2012 10:05 pm

Djalma Argollo

Muito se tem escrito e discutido, nos últimos tempos, no movimento espírita a questão homossexual.
Mas, a discussão me parece fora do seu problema real.
Numa boa aplicação do pensamento lógico, antes de se abordar a parte, deve-se conseguir uma clara visão do todo.

Está a se debater o homossexualismo, sem haver sido deslindada a problemática sexual.
Cabe "incorporarmos" o método socrático, e sairmos pela imensa "Agora" que e a Web, inquirindo, principalmente dos espíritas que pretendem saber do assunto:
"O que e o sexo?"

Foi dessa forma que Sócrates desmascarou a pretensa "sabedoria" de muitos dos seus contemporâneos.

Estudando a Codificação e as obras espíritas, psicografadas ou não, a que tivemos acesso, e pensamos adequadas, não conseguimos, até ao momento, fazer uma idéia clara do que, em ultima analise, seja "sexo".

No Livro dos Espíritos, a única abordagem directa sobre o assunto, e a seguinte:
"Les Esprits ont-ils des sexes?
'Non point comme vous l'entendez, car les sexes dependent de l'organisation. Il y a entre eux amour et sympathie, mais fondes sur la similitude des sentiments'"

("Os Espíritos tem sexos?
'Não como vós o entendeis, porque os sexos dependem da organização.
Existe entre eles amor e simpatia, porem fundados sobre a similitude dos sentimentos'"
(questão 200 - nos ativemos o mais perto possível, na tradução, do original).

Em francês, o termo "organisation" ao tempo de Kardec, tinha os mesmo significados que em português e, também, de "organismo", sendo que, hoje em dia, neste sentido, e empregado, como em nossa língua, com um complemento aclamatório:
"organização física, corporal, orgânica" etc.

Segundo a resposta, os Espíritos estão destituídos de sexo, no sentido biológico, isto e, não possuem aparelho reprodutor, logo, também não tem hormónios sexuais em sua estrutura.

E, é claro que não poderiam tê-los, pois não se reproduzem.
Ainda, segundo a resposta, eles se vinculam por "sentimento", por afinidade electiva.

Fica, contudo, uma pergunta, sendo que o corpo é estruturado e mantido pela organização perispiritual, de onde vem o impulso que fixa, durante a embriogenese, a definição sexual?

Mas, busquemos respostas efectivas, e não "petitio principii", ou floreios verbais muito bonitos, mas sem significação concreta, tais como:
"almas passivas e almas activas", pois ainda cabe perguntar, o que são almas passivas, e porque o são, assim como as activas.

Como vemos, uma resposta desse tipo e adiar o problema, e não solucioná-lo.
Freud concebeu o sexo, em ultima análise, como uma forma de energia, a libido.
Os teosofistas e hinduístas também se referem a uma energia sexual, própria da alma que, a semelhança da libido, pode ser [i]"sublimada",
ou seja, transferida para outro tipo de actividade do individuo.

André Luiz descreve o sexo como uma manifestação de uma energia, o amor, pelo qual os seres se alimentam uns aos outros.
Então, deveremos entender que os Espíritos, na Codificação, ao falar de "amor e simpatia", estavam falando de uma energia sexual da alma?

Uma espécie de "libido"?
Mas, permanece a questão, o que é o sexo?
Como ele se diferencia, quando a alma encarna?


Creio que este é o melhor caminho para podermos, a partir de princípios solidamente estabelecidos, discutirmos, não só o homossexualismo, mas todas as formas de manifestação da sexualidade.

Inclusive a mais grave:
a pratica sexual de forma geral.
Porque, senão, estaremos a dividir o mundo entre os certos (os heterossexuais) e os errados (os homossexuais).

E será que nós, os heterossexuais estamos correctos pelo simples facto de o sermos?
E não falamos apenas de perversões ou sexolatria, mas sim da "normalidade" da pratica sexual.

O que é o "normal", neste lado?
Existirá um "check list" de actos, atitudes, palavras e pensamentos que podem, ou não, serem realizados durante o acto sexual?

O acto sexual entre parceiros sem compromisso matrimonial é certo ou não?

Isto sem referencia ao adultério, que éticamente e incorrecto.
Voltamos a frisar que nos referimos a sexualidade hetero.
Ora, com tantas coisas a resolvermos, que dizem respeito a nossa vivência sexual, esperamos que os que vivem a "ditar cátedra" quanto a homossexualidade, já tenham resolvido estas "simples" questões em suas vidas.

De minha parte, posso dizer que ainda estou meditando sobre elas, e buscando respostas, mesmo aos 57 anos de idade, uma viuvez e dois casamentos, isto sem enfrentar a angustiante problemática da homossexualidade.

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A Doutrina do Bom-Senso

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 21, 2012 10:08 pm

Bernardino da Silva Moreira

A Filosofia Espírita prima sempre pelo equilíbrio, e não pelos extremismos alienantes da rebeldia arrogante, que insulta e violenta a todos com o disparatar do verbalismo inflamado, a incendiar com a discórdia o campo da paz.

O Movimento Espírita Brasileiro está sendo agitado, por abusos cometidos pelos pseudo-sábios espíritas, que disseminam absurdos à mancheias.

Os fluidistas são estudiosos da obra de Roustaing e os laicistas adversários dos roustainguistas.

Lamentavelmente com esse bate-boca, Kardec é colocado em segundo plano, ou, o que é pior, esquecido.

Fazer do espiritismo meio de dissensão é, sem dúvida nenhuma, um absurdo dos mais grosseiros.

Allan Kardec, o mestre por excelência, mostrou que a educação espírita se faz de forma integral com Jesus, aliás, esse é o pensamento que dá base a toda Doutrina Espírita.

Então por que toda essa algaravia em torno de Jesus?

A religião Espírita é natural, está na Natureza, porque é aonde encontramos as leis de Deus, que também está em nossa consciência.
Não vai levar a nada os formalismos farasaístas, e nem a indiferença daqueles que propagam um Espiritismo sem Jesus.

Na introdução de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, Kardec em suas primeiras palavras, declara com sabedoria:
“Podem dividir-se em cinco partes as matérias nos Evangelhos:
os actos comuns da vida do Cristo;
os milagres;
as predições;
as palavras que foram tomadas pela Igreja para fundamento de seus dogmas;
e o ENSINO MORAL.

As quatro primeiras têm sido objecto de CONTROVÉRSIAS:
a última porém, conservou-se constantemente INATACÁVEL.

Diante desse código divino, a própria incredulidade se curva.

É terreno onde todos os cultos podem reunir-se, estandarte sobre o qual podem todos colocar-se, quaisquer que sejam suas crenças, porquanto jamais constituiu MATÉRIA DAS DISPUTAS RELIGIOSAS, que sempre e por toda parte se originam das questões dogmáticas.

Aliás, se discutissem, nele teriam as seitas encontrado a sua própria CONDENAÇÃO, visto que, na MAIORIA, elas se agarram mais à parte MÍSTICA do que a parte MORAL, QUE EXIGE DE CADA UM A REFORMA DE SI MESMO.”

Sublinhamos algumas palavras que, é bem possível, tenham passado despercebidas daqueles que pretendem, fazer da Doutrina Espírita, um angu de caroço.

Nem oito, nem oitenta, o Espiritismo deve ser o fiel da balança das leis morais e deixar as carolices ou impertinências dos ideólogos quixotescos que pensam revolucionar o mundo, no disparatar acidulante da verborragia desvairada no matraquear desnecessário dos propagadores da discórdia.

Vamos botar a mão na consciência e lembrar que as leis de Deus, estão escritas em nossa consciência e não esquecer, que Jesus continua senso “o tipo mais perfeito” que ele é para toda humanidade, o guia e modelo que todos devemos seguir.

E para encerrar:
“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.”

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Porquê Allan Kardec?

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 22, 2012 8:36 pm

Silvio Seno Chibeni

Dogmatismo?
Tradicionalismo?
Fanatismo?
Visão estreita?


Vejamos:

1. A obra de Allan Kardec, quando analisada internamente, revela uma solidez lógica, uma racionalidade, uma limpidez argumentativa, uma coerência de fazerem inveja aos mais conceituados tratados filosóficos que a Humanidade possui;

2. Allan Kardec revelou, em tudo o que fez, uma prudência, um equilíbrio, uma sobriedade, um espírito positivo e despreconcebido, um bom senso, enfim, que singularizam sua figura entre todos os expoentes da cultura humana;

3. A obra de Allan Kardec, contrariamente ao que em geral acontece com outras que abordam os mesmos assuntos, está firme e amplamente baseada em factos, cuidadosa e minuciosamente examinados à luz dos referidos critérios racionais;
não surgiu entre as quatro paredes de um gabinete, mas de uma extensa convergência de informações;

4. Allan Kardec era possuidor de uma vasta erudição, transitando inteiramente à vontade pelos mais variados campos do saber – das ciências às artes, das filosofias às religiões – o que lhe permitiu trazer ao seu domínio de estudo os mais relevantes problemas que interessam ao homem, dentro de uma visão abarcante e integrada da realidade;

5. A obra de Allan Kardec apresenta-se dentro de padrões de clareza e objectividade tais, que não deixa nenhuma margem a ambiguidades e mal-entendidos, especialmente quanto aos pontos fundamentais;

6. Allan Kardec soube ser impessoal, separando com rigor suas opiniões pessoais e peculiaridades de sua vida privada do conhecimento doutrinário, que é independente e objectivo;

jamais pretendeu a posse exclusiva e completa da verdade, nunca recusou um princípio pelo só facto de ter sido descoberto ou proposto por outrem, nunca hesitou em abandonar uma ideia quando provada errónea por argumentos insofismáveis;

7. A obra de Allan Kardec é incomparavelmente abrangente, ocupando-se desde os factos mais palpáveis, destacadamente os relativos à sobrevivência do ser, até as mais profundas investigações da ética, passando pelo exame lúcido das grandes questões filosóficas que ao longo das eras têm desafiado o raciocínio do homem;

8. Allan Kardec tem sido confirmado, por fontes independentes e fidedignas, como um grande emissário de Jesus, especialmente escolhido por Ele para concretizar na Terra a Sua promessa do envio do Consolador, [nota 1] que nada mais é do que o Espiritismo, que veio para nos ensinar todas as coisas (o esclarecimento abundante que traz), para nos fazer lembrar tudo o que Jesus nos disse (a sanção e explicação que ele nos dá dos Evangelhos), e que estará sempre connosco (a perenidade do Espiritismo);

9. A obra de Allan Kardec não é uma estrutura estática e fechada, mas sim dinâmica e aberta a complementações futuras, incorporando a característica da progressividade, essencial a todo sistema científico ou filosófico que não pretenda ser sepultado pelas constantes e inevitáveis descobertas de factos novos e pela ampliação geral do conhecimento humano;

10. Allan Kardec testemunhou em todos os actos de sua vida a sua condição de Espírito de escol:
jamais prejudicou a alguém;

só com o bem retribuiu as ingratidões, ofensas e calúnias com que em vão tentaram embaraçar-lhe os passos;
doou-se por completo à grande obra de educação dos homens que é o Espiritismo:
a ela sacrificou o conforto, o repouso, os bens materiais, a saúde e até a própria vida.


Estudemos com seriedade essa obra.
Conheçamos de perto esse autor. [nota 2]

Depois, comparemo-los às obras e autores que os pretendam superar.

Quais se poderão gloriar de fazer-lhes frente em apenas algumas das dez características enumeradas (para não dizer em todas)?

Retornemos, por fim, à questão:
Porquê Allan Kardec?

Talvez já não seja difícil respondê-la... [nota 3]

Notas:
1.Cf. Evangelho de João, cap. 14.[volta]
2. Para uma visão precisa, detalhada e completa da personalidade de Allan Kardec, bem como das origens, dimensões e significado de sua obra, consulte-se o livro Allan Kardec (3 vols.), de Zêus Wantuil e Francisco Thiesen, editado pela Federação Espírita Brasileira em 1979/80.

3. Para uma exposição do carácter legitimamente científico (à luz da moderna filosofia da ciência) do desenvolvimento de uma actividade de pesquisa em torno de um núcleo de princípios básicos (como o Espiritismo o faz em relação aos princípios fundamentais da obra de Allan Kardec), veja-se o artigo "Espiritismo e ciência", em Reformador de maio de 1984.

(Nota do Autor em outubro de 1998:
Para o mesmo tema, ver também os artigos "A excelência metodológica do Espiritismo" e "O paradigma espírita", publicados na mesma revista, números de novembro e dezembro de 1988 e junho de 1994, respectivamente.)

Artigo publicado em Reformador, abril de 1986, pp. 102-3.

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Primeiro Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 22, 2012 8:37 pm

José Carlos da Silva Silveira

Estudar os livros de Allan Kardec antes de palmilhar os caminhos da imensa bibliografia espírita já existente é factor essencial para uma jornada doutrinária isenta de atropelos.

Isso porque ser espírita sem Kardec - admitamos a possibilidade à guisa de argumentação - é andar sem destino, é navegar sem bússola, é levantar um edifício sem cuidar do lançamento dos alicerces.

Claro está que os ensinamentos espirituais codificados pelo mestre de Lyon têm tido seus desdobramentos, uma vez que os ensinos dos Espíritos Superiores são aprofundados a partir do grau de maturidade dos espíritas, que se desenvolve pelo estudo e pela prática das verdades reveladas.

Todavia, sem a análise meticulosa;
o exame sério e detido das páginas escritas por Allan Kardec, que retractam a mensagem dos Orientadores Espirituais da Humanidade, priva-se do discernimento indispensável para separar os reais desdobramentos - que acrescentam pormenores sem desnaturar a essência - do desvio, do erro, da fantasia, em que se comprazem os chamados "mentores", nos dois planos da vida.

Espiritismo foi termo criado por Allan Kardec para titular a nova doutrina, que surgia dos ensinos dados pelo Espírito de Verdade, doutrina codificada sob a óptica de dois princípios básicos:
o crivo da razão e a universalidade e concordância daqueles ensinos.

Tais princípios devem balizar a acção dos espíritas em todos os tempos como garantia de segurança doutrinária.

A opinião de um Espírito, desencarnado ou encarnado, só adquire relevância no sentido de inserção no conteúdo do Espiritismo à medida que vai sendo absorvida pela razão e recebendo o beneplácito dos Espíritos Superiores, que continuam a se comunicar em todos os recantos do Planeta.

Esse o critério do Codificador, o "bom senso encarnado", no dizer de Camille Flammarion.
Tal deve ser o nosso critério, se pretendemos ser seus discípulos.

"Bem examinada, a Codificação do Espiritismo apresenta-se como bússola norteadora dos nossos estudos doutrinários"

A precipitação no trato com o ensino dos Espíritos poderá acarretar danos plenamente evitáveis na divulgação do Espiritismo.

A mentira, a fantasia, o erro introduzidos, por descuido, na propagação da Doutrina Espírita, comprometem o trabalho, em que todos nos empenhamos, de levar aos homens uma mensagem simples e pura, que lhes sirva de roteiro seguro em meio das dificuldades da existência.

Por outro lado, a verdade, mantida em suspenso por imaturidade nossa, voltará mais tarde, sem maiores percalços, com a força redobrada pela aceitação geral.

O trabalho de divulgação do Espiritismo traz-nos imensa responsabilidade diante da própria consciência, pois que estamos levando aos outros uma doutrina que não nos pertence e sim aos Espíritos Superiores, como mandatários do Cristo.

Estudar Kardec, antes, é uma garantia de melhor compreensão dessa doutrina, sempre clara, simples, objectiva e, ao mesmo tempo, sublime, escoimada de toda sorte de misticismo, que, frequentemente, mantém a atenção na forma, em detrimento do conteúdo da mensagem.

O estudo das obras da Codificação leva-nos a separar o que vem dos Espíritos, constituindo-se, por isso mesmo, em revelações do Plano Superior, das ilações e comentários de Kardec, que, embora inegavelmente inspirado pelo Espírito da Verdade, não poderia deixar de emitir seus concitos também com base nos conhecimentos da época e no seu próprio juízo de valor como homem.

Essa distinção é importante para não se tomar a palavra de Kardec por ensino dos Espíritos, levando-se em conta que o próprio Codificador foi peremptório ao afirmar ser a doutrina dos Espíritos e não dele.

Outro ponto fundamental para o estudioso é a necessidade de se fazer a interpretação sistemática das instruções dos espíritos, para que seja, examinadas, não isoladamente, mas no conjunto.

Somente a Adopção desse procedimento evita radicalizações, sempre perniciosas diante de nossas responsabilidades dentro do Movimento Espírita, em especial na tarefa da Unificação.

Bem Examinada, a Codificação do Espiritismo apresenta-se como bússola norteadora dos nossos estudos doutrinários, ajudando -nos a discernir com maior acerto quanto às comunicações recebidas através dos tempos por médiuns diversos, a fim de que sejam colocadas no seu devido lugar:
como repetição ou desenvolvimento da essência doutrinária inserta na codificação;

como inserindo informações, cuja veracidade não temos ainda condições de constatar;

ou como fantasias, que devem ser afastadas liminarmente de nossos programas de divulgação do Espiritismo.


REFORMADOR, 1996

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Ave sem Ninho

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Re: Allan Kardec e sua missão

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