A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

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A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 26, 2012 10:57 am

Joel Matias

A GÉNESE

OS MILAGRES E AS PREDIÇÕES SEGUNDO O ESPIRITISMO


Apresentação

O presente resumo da Génese de Allan Kardec é oferecido aos estudantes da Doutrina Espírita, objectivando facilitar a apreensão dos conceitos básicos minuciosamente expostos no livro original.

Desta forma, não tem a pretensão de substituir a obra de Kardec, mas apenas prestar um auxílio ao estudante, reproduzindo os conceitos de forma resumida, destacando termos e expressões básicas.

As transcrições de trechos de frases originais foram feitas "entre aspas".

Blumenau, Dezembro de 1992.

Índice

* Capítulo I - CARÁCTER DA REVELAÇÃO ESPÍRITA
* Capítulo II - DEUS
* Capítulo III - O BEM E O MAL
* Capítulo IV - PAPEL DA CIÊNCIA NA GÊNESE
* Capítulo V - ANTIGOS E MODERNOS SISTEMAS DO MUNDO
* Capítulo VI - URANOGRAFIA GERAL
* Capítulo VII - ESBOÇO GEOLÓGICO DA TERRA
* Capítulo VIII - TEORIAS SOBRE A FORMAÇÃO DA TERRA
* Capítulo IX - REVOLUÇÕES DO GLOBO
* Capítulo X - GÉNESE ORGÂNICA
* Capítulo XI - GÉNESE ESPIRITUAL
* Capítulo XII - GÉNESE MOISAICA
* Capítulo XIII - CARACTERES DO MILAGRE
* Capítulo XIV - OS FLUIDOS
* Capítulo XV - OS MILAGRES DO EVANGELHO
* Capítulo XVI - TEORIA DA PRESCIÊNCIA
* Capítulo XVII - PREDIÇÕES DO EVANGELHO
* Capítulo XVIII - SÃO CHEGADOS OS TEMPOS

(Publicado no Boletim GEAE Número 425 de 4 de setembro de 2001)
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Ave sem Ninho

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 26, 2012 10:57 am

A Génese Segundo o Espiritismo
- Parte 1 -

Capítulo I


CARÁCTER DA REVELAÇÃO ESPÍRITA

REVELAR = "sair de sob o véu"; descobrir, dar a conhecer uma coisa secreta ou desconhecida.

Assim pode-se considerar que:
* A Astronomia revelou o mundo astral;
* A Geologia revelou a formação da Terra;
* A Química, a lei das afinidades;
* A Fisiologia, as funções do organismo, etc.

A REVELAÇÃO tem por característica a VERDADE.
Se for desmentida por factos, deixa de ter origem Divina, pois Deus não se engana nem mente.

O Professor, ao ensinar seus alunos, é um revelador de factos não conhecidos por eles.

Ensina o que aprendeu;
por isso é revelador de SEGUNDA ORDEM.

O homem de génio ensina o que descobriu por esforço próprio;
é o revelador de PRIMEIRA ORDEM.

O homem de génio não é mais do que um espírito mais experiente, adiantado, missionário, por ter vivido muitas vidas e adquirido mais conhecimentos do que o comum dos homens.

A preexistência da alma e a pluralidade das vidas é a explicação racional para a existência de homens de génio, pois caso contrário ter-se-ia que admitir que Deus é parcial.

São como professores ou messias, que, através de suas revelações, auxiliam os homens em seu adiantamento científico como também moral, que seria muito lento se ficassem entregues às próprias forças.

Todas as religiões tiveram seus reveladores;
semearam germens do progresso, que acabariam por se desenvolver à luz brilhante do Cristianismo, apesar da existência dos pretensos messias, que exploram a credulidade em proveito de sua ganância, de seu orgulho.

Os espíritos adiantados, quando encarnados, podem ministrar conhecimentos próprios ou recebê-los mesmo dos mensageiros de Deus que falam em Seu nome, através da Inspiração, audição das palavras, tornam-se visíveis durante as visões e aparições, durante a vigília ou sonho do revelador que é sempre um médium inspirado, audiente ou vidente.

A revelação pode ser SÉRIA, VERDADEIRA ou apócrifa, mentirosa.

"O carácter essencial da revelação divina é o da eterna verdade".

O DECÁLOGO tem característica de revelação DIVINA: permaneceu inalterado ao longo dos séculos, tendo servido de base para os ensinamentos de CRISTO que aboliu outras leis mosaicas por não serem mais apropriadas ao desenvolvimento do povo.

O ESPIRITISMO é uma verdadeira revelação, pois dá a conhecer:
o mundo invisível que nos cerca;
as Leis que regem suas relações com o mundo visível;
o destino do homem depois da morte.


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Ave sem Ninho

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 26, 2012 10:58 am

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Tem carácter de revelação divina por ter origem nos ensinamentos dos ESPÍRITOS SUPERIORES.

Participa do carácter de revelação científica por ser seu ensino acessível a todos os homens, não de maneira passiva, mas sendo-lhes recomendado o exame, pesquisa, raciocínio, respeitando-lhes o livre-arbítrio. Não pretende ser completa nem imposta à fé cega.

A revelação espírita é portanto:
de origem divina, de iniciativa dos espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem.

Utiliza o método experimental, observando factos novos inexplicados pelas leis conhecidas, comparando, analisando-os;
dirigindo-se dos efeitos para as CAUSAS, chega à LEI que os rege.

Através do processo DEDUTIVO chega às suas consequências buscando as aplicações úteis.
Observando os factos concluiu pela existência dos espíritos, deduzindo da mesma forma todos os demais princípios, não partindo portanto de nenhuma teoria preconcebida.

Um exemplo:
Observou-se várias manifestações de espíritos que não tinham conhecimento de seu estado de desencarnados, o que permitiu deduzir tratar-se de uma fase da vida do espírito pouco adiantado moralmente, peculiar a certos géneros de morte, podendo durar de horas a anos.

Pois bem, os espíritos superiores não revelaram tais factos;
permitiram tais manifestações submetendo-as à observação a fim de deduzir-se a regra.

O objecto da CIÊNCIA é o estudo das leis do princípio material, assim como o objecto do ESPIRITISMO é o conhecimento do princípio espiritual.
Como os dois princípios reagem um sobre o outro, o ESPIRITISMO e a CIÊNCIA completam-se reciprocamente.

A Ciência evoluiu ao longo dos séculos, tendo abandonado os quatro princípios constitutivos da matéria (terra, água, fogo, ar), concebendo um único elemento gerador.

O Espiritismo demonstrou-lhe a existência acrescentando a ele o elemento espiritual.

Assim como a Alquimia gerou a Química, a Astrologia gerou a Astronomia, o ESPIRITISMO, através da experimentação, observação, demonstrando as leis que regem o mundo espiritual, seguiu-se à magia e feitiçaria, as quais, embora aceitassem a manifestação dos espíritos, misturavam crenças ridículas, por desconhecerem as verdadeiras leis das manifestações.

A primeira grande revelação veio com MOISÉS:
* Um DEUS ÚNICO, Soberano Senhor e Orientador de tudo que existe.
* Promulgou a Lei do Sinai;
* Lançou as bases da verdadeira FÉ.


Entretanto o DEUS revelado era cruel, implacável, vingativo, injusto, pois, era tido por ferir o filho pela culpa dos pais, ordenava guerras, escravizando os povos, matando mulheres e crianças.

Com JESÚS CRISTO veio a segunda revelação, exemplificando um DEUS clemente, soberanamente justo, bom e misericordioso.
Revelou que a verdadeira pátria não é deste mundo, mas no REINO CELESTIAL, onde os humildes serão elevados e os orgulhosos serão humilhados.
Ensinou a necessidade do PERDÃO e da CARIDADE para que sejamos perdoados, retribuir o mal com o BEM.

Com Moisés os homens aprenderam a TEMER A DEUS, enquanto que através de Cristo foram levados a AMAR A DEUS.

Cristo ensinava por meio de parábolas, pois, o povo da época não tinha condições de entendê-lo completamente.
Prometeu a vinda do Espírito de Verdade - "que restabelecerá todas as coisas e vo- las explicará todas".

O ESPIRITISMO é a terceira revelação, o Consolador prometido por Jesus, acrescentando à ideia da vida futura, a existência do mundo invisível, definiu os laços que unem a alma ao corpo, desvendou os mistérios do nascimento e da morte.

Demonstra a Lei do Progresso manifestada através da Reencarnação dos espíritos até atingir a Perfeição.
O sofrimento passa a ser visto como mola do progresso, quando do mal uso do livre-arbítrio.

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Ave sem Ninho

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 26, 2012 10:58 am

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Todos têm as mesmas oportunidades de progredir através do trabalho.
Os "demónios" são espíritos imperfeitos que no futuro se transformarão em "anjos": espíritos puros.

"TODOS OS SERES SÃO CRIADOS SIMPLES E IGNORANTES E GRAVITAM PARA UM FIM COMUM QUE É A PERFEIÇÃO".
É a grande Lei de Unidade que rege o Universo.

Pela lei de Causa e Efeito constata-se que a desdita é resultado da prática do mal.

Entretanto, o sofrimento cessa com o arrependimento e a reparação, inexistindo portanto o "sofrimento eterno - o inferno" conceitos estes contrários à suprema Bondade e Justiça divinas.

A pluralidade das existências foi ensinada por Cristo e demonstrada pelo Espiritismo, explicando as aparentes anomalias da vida, mortes prematuras, diferenças sociais, mentais e intelectuais;
justifica os laços de família, mostrando a inutilidade dos preconceitos de raças castas, posição social, etc, incentivando o exercício da fraternidade universal.

O princípio da sobrevivência da alma dá ao homem a certeza de que, mais que uma máquina organizada sem responsabilidade, tem um destino maior - a perfeição.

A preexistência da alma concilia a doutrina do pecado original com a Justiça Divina, na medida em que cada espírito é responsabilizado pelas suas faltas e não as de outrem, podendo em cada existência redimir-se e progredir, despojando-se de suas imperfeições.

O Espiritismo Experimental demonstrou a existência do perispírito, citado por São Paulo como corpo espiritual, invólucro fluídico inseparável da alma e um dos elementos constitutivos do ser humano. O estudo das propriedades do perispírito, dos fluídos espirituais e atributos fisiológicos da alma explica fenômenos como:
- vista dupla, visão à distância, sonambulismo, catalepsia e letargia, presciência, pressentimentos, aparições, transfigurações, transmissão do pensamento, obsessões, curas instantâneas, etc.

Demonstra que ocorrem segundo leis naturais, podendo ser reproduzidos, fazendo desmoronar o império do maravilhoso e sobrenatural.

O Espiritismo veio confirmar, explicar e desenvolver os ensinamentos de Cristo, elucidando os pontos obscuros existentes no Evangelho;
pregando a moral cristã e demonstrando que até aos últimos minutos de vida o homem pode crescer em inteligência e moral, confirma a promessa de Cristo:
é o Consolador dos aflitos, o Espírito de Verdade.

Foram, a primeira e segunda revelação, personificadas por Moisés e Cristo, enquanto que a terceira surgiu simultaneamente por todos os pontos da Terra, sendo portanto, colectiva.

Kardec, na humildade própria aos espíritos elevados, atribui a si o papel de coordenador dos ensinos dos espíritos.
É o CODIFICADOR da doutrina espírita.

Tendo surgido em uma época de maior madureza intelectual, em que a aceitação ocorre após estudo e exame dos factos, a terceira revelação fez-se parcialmente, por partes, em pontos diversos do planeta, de modo que a coordenação e selecção de todos os assuntos parciais constituiu a doutrina espírita.

Não decorreu, assim, de um sistema preconcebido, tendo os princípios sido apresentados somente após passarem pelo crivo da razão e de todas as comprovações.

As publicações espíritas desempenham a função de elo de ligação de ideias e experiências entre os pontos mais distantes, condensando metodicamente o ensino universal nas várias línguas do globo.

Enquanto a ciência em geral necessitou de vários anos, mesmo séculos, para atingir maior grau de desenvolvimento, bastou ao Espiritismo poucos anos para se constituir em doutrina, isto em virtude da multidão de espíritos que, pela Vontade Divina, manifestaram-se simultaneamente trazendo as várias partes da doutrina que, reunidas, compuseram o todo.

Assim cada espírito, com maior ou menor grau de conhecimentos, contribuiu com uma pedra para a construção do edifício, solidariamente, de modo que o Espiritismo emergiu da colectividade dos trabalhos, comprovados uns pelos outros.

A revelação espírita progride juntamente com a ciência, assimilando novas descobertas, de modo que jamais ficará obsoleta.

Muito embora exista no homem a voz da consciência, que nem sempre é observada, permite Deus que de tempos em tempos os missionários insistam na prática dos preceitos morais.

Sócrates e Platão já ensinavam a moral pregada posteriormente por Cristo.

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 27, 2012 10:20 am

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Assim também os espíritos voltam a reprisar os conceitos da moral cristã fazendo-se ouvir em todos os recantos, pobres e ricos, do globo.

Tornam conhecidos, ainda, os princípios que relacionam os encarnados e desencarnados, a natureza origem e futuro da alma, demonstrando que a solidariedade, caridade e fraternidade representam uma necessidade social muito mais do que um dever.

A autoridade da revelação espírita vem do fato de que os espíritos se limitam a pôr o homem no caminho das deduções que ele mesmo pode tirar observando os factos.

Assim tanto espíritos elevados como também os menos adiantados colaboram no trabalho de deduzir as leis que regem os factos.

Usando a lógica e o bom-senso pode o estudioso beneficiar-se de todos os géneros de manifestações, tendo em conta que os espíritos superiores se abstêm de revelar tudo o que o homem, com trabalho próprio, possa descobrir.

Permitiu Deus que assim fosse a fim de que uma multidão de espíritos desencarnados se manifestassem em vários pontos do planeta e viessem convencer os vivos das realidades espirituais, pois, difícil e demorada seria a aceitação global se a revelação se fizesse por apenas um espírito, encarnado ou não, mesmo que fosse um Moisés ou um Sócrates.

Deve-se levar em conta que, pelo facto de desencarnar, o espírito não passa a categoria de sábio.

Entretanto, livre das limitações da matéria, pode ver as coisas de modo mais elevado, compreendendo seus erros, reformando conceitos falsos ou inexactos.

De acordo com o desenvolvimento atingido, pode, portanto, melhor aconselhar o encarnado.
Com relação ao futuro da alma após a morte, tanto os espíritos elevados como os de menos luzes podem auxiliar na elucidação, tendo em vista relatarem suas próprias experiências.

Pode-se comparar a revelação espírita a um navio que, partindo para um país distante, tenha naufragado, tendo-se notícia de se terem afogado todos os passageiros, levando o luto a seus familiares.

Entretanto, tendo conseguido os tripulantes aportar em uma ilha ensolarada, lá permaneceram em vida ditosa.
Posteriormente outro navio os encontrou e levou notícia aos familiares de que estavam bem.

Embora não pudessem ver-se, permutavam demonstrações de afecto à distância, podendo inclusive corresponder-se.
Assim, como o segundo navio, o Espiritismo é a boa-nova que revela a sobrevivência dos entes queridos aos quais nos reuniremos um dia.

Resumindo, os espíritos vieram nos esclarecer que:
* o nada não existe;
clareiam o caminho dos homens quanto ao futuro, demonstrando que a vida terrena é passageira;

mostrando a natureza do sofrimento, fazem-nos ver a justiça de Deus;
o bem é uma necessidade, a fraternidade longe de ser uma teoria, funda-se numa lei da Natureza.

* se tudo acabasse com a vida o egoísmo reinaria;
com a certeza no porvir os espaços infinitos se povoam não havendo vazio nem solidão, todos os seres unidos pela solidariedade.

* É o reino da caridade;

"UM POR TODOS E TODOS POR UM".

* Quando do desencarne de um ente querido em vez de doloroso adeus, passa-se a dizer "até breve".

(Publicado no Boletim GEAE Número 425 de 4 de setembro de 2001)

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 27, 2012 10:21 am

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- Parte 2 -

Capítulo II


DEUS

Existência de Deus - Da natureza divina - A Providência - A visão de Deus.

Existência de Deus

* Deus é a causa primária de todas as coisas, a origem de tudo o que existe.
* "Pelo efeito se julga uma causa" "Todo efeito inteligente decorre necessariamente de uma causa inteligente".

* Ao contemplar uma obra de arte conclui-se somente poderia tê-la produzido um homem de génio, nunca um idiota ou um animal, menos ainda que teria sido obra do acaso.
* Ao contemplar a Natureza, notando-lhe a sabedoria, a providência, a harmonia, ou seja, efeitos inteligentes que superam a capacidade humana, somente se pode concluir ser obra de uma inteligência superior à Humanidade.


Muito embora as forças materiais actuem mecanicamente, pelas leis de atracção e repulsão, como as plantas nascem, brotam, crescem e se reproduzem sempre da mesma maneira, por acção do calor, electricidade, luz, humidade, não se pretende afirmar que tais forças sejam inteligentes.

São postas em acção, distribuídas apropriadamente de modo a produzir um efeito útil por uma causa inteligente.

"Deus não se mostra, mas se revela pelas suas obras".

Da natureza divina
Falta-nos o sentido próprio para compreender a natureza divina, o qual só adquiriremos com a completa depuração do espírito.

Podemos, no entanto, conhecer seus ATRIBUTOS:
1. Deus é a suprema e soberana inteligência;
2. Deus é eterno; (Não teve começo nem fim)
3. Deus é imutável;
4. Deus é imaterial; (Se não o fosse estaria sujeito a mudanças)

5. Deus é omnipotente;
6. Deus é soberanamente justo e bom; (Se tivesse qualquer resquício de maldade, não poderia ser infinitamente justo, bom e perfeito)
7. Deus é infinitamente perfeito;
8. Deus é único;

Assim, qualquer religião, filosofia, dogma, que estiver em contradição com quaisquer destes atributos divinos, não poderá estar com a verdade.

"A religião perfeita será aquela cujos artigos de fé jamais contrariem tais atributos, suportando a prova de verificação sem nada sofrerem".

A Providência
A acção providencial divina se faz sentir nas menores coisas, demonstrando que tudo vê, a tudo preside, está em toda a parte agindo através das LEIS GERAIS DO UNIVERSO de modo que toda a criatura está submetida à sua acção, sem que haja necessidade da intervenção incessante da Providência.

Imaginemos um fluido inteligente que preencha todo o universo, de modo que a Natureza inteira esteja mergulhada neste fluído divino.
Assim, todos os seres estão saturados dele, de modo que qualquer pensamento, por menor que seja, estará directamente em contato com o Criador.

"Estamos NELE como ELE está em nós".
Assim como uma sensação em qualquer parte do corpo é percebida pelo espírito, através do fluído perispirítico, também o pensamento de qualquer criatura será instantaneamente sentido por Deus.

Admitindo-se que deva haver um centro de onde a Soberana Inteligência irradie incessantemente por todo o Universo, pode-se supor também que percorra constantemente todas as regiões do espaço, ou ainda que não necessite movimentar-se por sua CONSCIÊNCIA abranger todo o Universo, podendo assim estar em qualquer local ao mesmo tempo.

A visão de Deus
Enquanto encarnados podemos ter a compreensão de Deus através de seus atributos.

Somente nossa alma pode ter a percepção de Deus, percepção esta que será maior à medida que o espírito progrida moralmente através de suas várias encarnações, despojando-se das imperfeições que lhe toldam a visão espiritual, até alcançar a plenitude de suas faculdades.

Somente as almas puras, portanto, possuem a faculdade de ver o Criador.

(Publicado no Boletim GEAE Número 426 de 24 de dezembro de 2001)

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 27, 2012 10:22 am

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- Parte 3 -

Capítulo III


O BEM E O MAL

Origem do bem e do mal - O instinto e a inteligência - Destruição dos seres vivos uns pelos outros.

Origem do bem e do mal.

Sendo Deus infinitamente sábio, justo e bom, é evidente que o mal existente não pode NELE ter-se originado.

Por outro lado, se existisse um Satanás (personificação eterna do mal), não podendo ser igual, seria inferior a Deus, logo, teria sido criado por ELE, o que implicaria na negação da bondade infinita do Criador.

Os males tanto físicos como morais pertencem a duas categorias:

1. Os que independem da vontade do homem - os flagelos naturais.

Os flagelos se afiguram maus e injustos aos homens, por não poderem compreender a Sabedoria Divina que em cada acontecimento manifesta oportunidade para o progresso da humanidade.

Os flagelos permitem ao homem desenvolver sua inteligência ao ponto de preveni-los, amenizar seus efeitos, através das ciências aplicadas a melhoria de condições de vida e bem-estar no planeta.

"A dor é o aguilhão que o impele para a frente, na senda do progresso".

2. Os criados pelos vícios, orgulho, egoísmo, ambição, cupidez e por todos os excessos.

Apesar da consciência que lhe foi outorgada pelo Criador, das advertências dos mensageiros quanto ao cumprimento das Leis Divinas que têm por objectivo o bem e o progresso, insiste o homem em causar guerras, injustiças, opressão do fraco pelo forte, usando assim seu livre-arbítrio para a satisfação de seus vícios e sua vaidade.

Graças à bondade divina, porém, chega um momento em que o mal moral se torna intolerável, reconhece o homem a necessidade de mudar de vida.
Usa então de seu livre-arbítrio para moralizar-se a fim de ser mais feliz.

"O mal é a ausência do bem".
"Onde não existe o bem forçosamente existe o mal".


O mal decorre portanto do estado de imperfeição do homem.
Existe um limite natural à satisfação das necessidades.

Se, por seu livre-arbítrio comete excesso, tem como resultado as enfermidades, a morte, que lhe advirão por sua imprevidência e não por castigo de Deus.

A alma foi criada simples e ignorante sujeita à Lei do Progresso.
Quis Deus que o progresso resulte do próprio trabalho a fim de que lhe pertença o fruto deste como também é de sua responsabilidade o mal que pratique.

As raízes das paixões e dos vícios se acham no instinto de conservação, intenso nos animais e seres animalizados onde inexiste o senso moral e a vida intelectual.

Com o desenvolvimento da inteligência o instinto se enfraquece, fazendo com que paulatinamente haja o domínio do espírito sobre a matéria.
Quanto mais se deixe dominar pela matéria, atrasa seu desenvolvimento identificando-se com o bruto.

Assim, as paixões que lhe eram um bem, por que eram necessidade de sua natureza, passam a ser um mal por que se tornam prejudiciais à espiritualização do ser.

"O mal é, portanto, relativo e a responsabilidade é proporcional ao grau de desenvolvimento".

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 28, 2012 12:50 pm

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O instinto e a inteligência.

O instinto é a força oculta que solicita actos espontâneos e involuntários visando a conservação da espécie.

É pelo instinto que a planta se volta para a luz e dirige as raízes para a água ou terra, que os animais migram conforme a mudança de clima, constroem seus abrigos, armadilhas para caçar seu alimento, que os sexos se aproximam, que a mãe protege seu filho.

No início da vida os actos humanos são puramente instintivos.
Mesmo no adulto muitos atos são movidos pelos instintos como o de conservação, equilíbrio do corpo, adaptação das pálpebras à luz, etc.

A inteligência é um atributo da alma e se revela por atos voluntários, refletidos, premeditados e combinados de acordo com as circunstâncias.

O instinto é previdente e nunca se engana.
A Inteligência, por ser livre, está sujeita a errar.

O adulto anda naturalmente, instintivamente, mesmo quando está desatento ao acto de andar.
Ao aumentar a velocidade, passa a usar sua inteligência, podendo por exemplo vir a cair.

Certa teoria considera os actos instintivos provenientes dos protetores espirituais, que diminuiriam sua acção à medida que seu protegido desenvolvesse sua inteligência.

Contraria, entretanto, a unidade de causa que se observa universalmente nos instintos, o que não seria possível se proviessem de cada protector.

Se considerar-se todos os seres mergulhados no fluído divino, soberanamente inteligente e previdente, entender-se-á a unidade dos movimentos instintivos que visam ao bem de cada indivíduo, tanto mais activamente quanto menor for o desenvolvimento da inteligência.

O instinto é portanto guia seguro que se enfraquece à medida do desenvolvimento da inteligência.

As paixões são também forças inconscientes, nascem das necessidades do corpo e dependem do organismo.

São individuais, produzem efeitos variados em intensidade e natureza.
São úteis até o surgimento do senso moral, quando passam a ser prejudiciais ao progresso do espírito.

"O instinto se aniquila por si mesmo;
as paixões somente pelo esforço da vontade podem domar-se".


Destruição dos seres vivos uns pelos outros.

A verdadeira vida, tanto do animal como do homem, não está no invólucro corporal mas sim no princípio inteligente que preexiste e sobrevive ao corpo.

Em sua infinita sabedoria o Criador faz com que os seres orgânicos se nutram uns dos outros.
No homem materializado domina o instinto animal e mata para se alimentar.

Posteriormente ao contrabalançar-se o sentimento moral, luta e destrói para satisfazer sua ambição, orgulho, poder.

Ao preponderar o senso moral diminui a necessidade de destruir, tendendo a desaparecer, por se tornar odiosa.
Passa então a lutar intelectualmente, contra as dificuldades, não mais contra seus semelhantes.

(Publicado no Boletim GEAE Número 427 de 8 de janeiro de 2002)

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 28, 2012 12:51 pm

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- Parte 4 -

Capítulo IV


PAPEL DA CIÊNCIA NA GÉNESE

A religião era preponderante na história dos povos antigos, de tal modo que os primeiros livros sagrados continham toda a ciência e as leis civis da época.

Sendo imperfeitos seus meios de observação, também incompletas eram as teorias sobre a criação.

O desenvolvimento das ciências proporcionou ao homem os dados necessários ao surgimento de uma Génese positiva e, de certo modo, experimental.

Acompanhou-se a formação gradual dos astros através de leis eternas e imutáveis, que demonstravam a grandeza e sabedoria do Criador.

A génese de Moisés, dentre as teorias antigas, é a que mais se aproxima dos dados científicos actuais, levando-se em conta que seu conteúdo original deturpou-se nas traduções de língua para língua, além do facto de os escritos antigos serem feitos de modo alegórico.

O receio de comprometer o conteúdo das crenças contidas na Bíblia, de ferir o princípio da imutabilidade da fé, além da falta de conhecimentos científicos, fez com que o homem permanecesse estacionário em progresso, até que a Ciência viesse a demonstrar os erros da Gênese moisaica tomada ao pé da letra.

Mesmo respeitando-se a Bíblia como sendo revelação divina, deve ser considerado que nenhuma revelação pode sobrepor-se à autoridade dos factos, de modo que, diante das flagrantes contradicções entre as descobertas científicas e os Textos Sagrados, conclui-se que foram as revelações mal interpretadas.

A Ciência segue seu caminho em busca da verdade e as religiões não podem permanecer estacionarias.

"Uma religião que não estivesse, por nenhum ponto, em contradição com as leis da Natureza, nada teria que temer do progresso e seria invulnerável".

A Génese se divide em duas partes:

1. A história da formação do mundo material;
2. A história da Humanidade e seu princípio corporal e espiritual.

A Ciência tem estudado a primeira parte, completando a Génese de Moisés, deixando à Filosofia o estudo da segunda, a qual chegou a conclusões contraditórias, o que levou muitas pessoas a seguir a religião convencional.

Todas as religiões pregam a existência da alma.

Quanto à sua origem, passado e futuro, impõem os dogmas que pressupõem a fé cega levando a muitos a dúvida e a incredulidade;
A incerteza quanto ao futuro leva o homem à predominância do interesse às coisas da vida material.

O mecanismo do Universo e a formação da Terra só foram entendidos quando se conheceu as leis que regem a matéria.

Por desconhecer as leis que regem o princípio espiritual, permanece a Metafísica no campo das teorias e especulação.

A Mediunidade foi para o mundo espiritual o que o telescópio representou para a Astronomia, permitindo ao Espiritismo experimental o estudo das relações entre o ser material e o ser inteligente, o que permitiu seguir-se a alma em sua marcha ascendente, suas migrações e transformações.

Era o instrumento que faltava aos comentadores da Génese para a compreenderem e lhe rectificarem os erros.

Sendo solidários os dois mundos, somente o conhecimento de suas leis permitiu a constituição de uma Génese completa, embora aproximativa.

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 28, 2012 12:51 pm

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Capítulo V

ANTIGOS E MODERNOS SISTEMAS DO MUNDO

Na antiguidade, desconhecendo as leis da física e sem dispor de qualquer instrumento de observação além de seus sentidos, os homens acreditavam que o Sol girava em torno da Terra, que se constituía em uma superfície circular plana.

O céu era uma abóbada cheia de ar apoiada nos bordos da Terra, sendo as estrelas pontos luminosos engastados nela.

Entendiam ser as chuvas provenientes das águas superiores que escapavam pelas frestas da abóbada.
Ao perceber movimento dos astros explicavam como sendo o resultado da rotação da abóbada arrastando consigo as estrelas nela fixadas.

Mais tarde percebeu-se que a abóbada teria que ser uma esfera inteira, oca, contendo no centro a Terra, chata ou convexa, habitada em sua parte superior, sem poder-se explicar qual o seu suporte.

As Teogonias pagãs situavam o inferno nos lugares baixos, sob a Terra, estando o Céu nos lugares altos, além das estrelas.

Observadores da Caldeia, Índia e Egipto notaram que certas estrelas tinham movimento próprio - as estrelas errantes ou planetas.

Notou-se a imobilidade da Estrela Polar em cuja volta outras descreviam círculos oblíquos, chegando-se ao conhecimento da obliquidade do eixo da Terra.

Verificações da estrela polar em diferentes latitudes levou à descoberta da esfericidade da Terra, por Tales, de Mileto, em 600 A.C..

Pitágoras em 500 A.C. descobriu o giro da Terra sobre seu eixo e seu movimento junto com os outros planetas em torno do Sol.

Hiparco em 160 A.C. Inventou o astrolábio relativo aos eclipses, manchas do sol, revoluções da Lua.

Tais conhecimentos, entretanto, ficaram restritos aos filósofos e seus discípulos por mais de 2.000 anos.

Em 140 D.C. Ptolomeu compôs um sistema misto em que a Terra seria o centro do Universo, com uma região elementar (terra, agua, ar e fogo) e uma etérea composta de onze céus superpostos, além dos quais estaria o Empíreo (habitação dos bem-aventurados).

No início de 1.500 D.C. COPÉRNICO, à partir das ideias de Pitágoras, apresentou o Sol como o centro do sistema planetário, sendo a Lua o satélite da Terra.

Com Galileu, inventor do telescópio (1.610), o sistema de Copérnico veio a ser confirmado, reconhecendo-se que as estrelas são sóis - centros de outros sistemas planetários - as constelações são agregados aparentes que desapareceriam se delas pudéssemos aproximar-nos.

Tais conhecimentos, divulgados graças à tipografia tornaram-se públicos tornando minoria os sustentadores das velhas ideias.
Descerrou-se a venda e os homens puderam melhor fazer ideia da sublimidade da obra Divina.

Em seguida vieram: Kepler que descobriu serem elípticas as órbitas dos planetas, sendo o Sol um dos focos.
Newton descobriu a lei da gravitação universal, Laplace criou a mecânica celeste.


A Astronomia tornou-se uma Ciência com base no cálculo e na geometria, uma das pedras fundamentais da GÉNESE após 3.300 anos de Moisés.

(Publicado no Boletim GEAE Número 428 de 22 de janeiro de 2002)

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 29, 2012 8:47 am

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- Parte 5 -

Capítulo VI


URANOGRAFIA GERAL

(Capítulo extraído das comunicações do espírito de Galileu através do médium Camile Flamarion- 1.862/3.)

O espaço e o tempo

'O espaço é infinito'.

Nossa razão se recusaria a aceitar um limite no espaço além do qual nada existisse.
Mais lógico se nos afigura avançar em pensamento eternamente pelo espaço.
Entretanto, mesmo que o fizéssemos por séculos a fio, em qualquer direcção, na realidade nem um passo estaríamos avançando.

'O tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias;
a ETERNIDADE não é susceptível de medida alguma, do ponto de vista da duração;
para ela, não há começo nem fim:
tudo lhe é presente.'


Imaginemos, no início da Génese da Terra, a primeira hora, a primeira tarde e manhã;
Depois, o último dia do mundo.

Neste período ocorreu a sucessão dos eventos;
Com a última hora cessam os movimentos terrestres que mediam o tempo e este acaba com eles.

Cada mundo na vasta amplidão conta seu tempo próprio, incompatível com os outros mundos.
Fora deles, somente a Eternidade enche tranquilamente com sua luz imóvel a imensidade sem limite dos céus.

A matéria

A matéria se nos apresenta em diversas formas e propriedades.

A Química demonstrou que os elementos terrestres são compostos de variadas substâncias, combinadas ao infinito, que podem ser decompostos atingindo os princípios denominados corpos simples como o oxigénio, hidrogénio, azoto, cloro, carbono, fósforo, enxofre, iodo (não metálicos), e ouro, prata, platina, mercúrio, chumbo, estanho, zinco, ferro, cobre, sódio, potássio, etc. entre os metálicos.

Sendo ilimitado o número de forças que agem sobre a transformação da matéria, também variadas e ilimitadas são suas combinações.

Entretanto, todos os corpos ponderáveis assim como os fluídos (imponderáveis) originam-se de uma única substância primitiva:
o COSMO (fluído cósmico universal).

As leis e as forças

O fluído etéreo primitivo enche o espaço, penetra todos os corpos, sendo-lhe inerentes as múltiplas forças, eternas e universais, que agem sobre a matéria por ele gerada, como a gravidade, coesão, afinidade, atracção, magnetismo, electricidade activa.

Seus movimentos vibratórios manifestam-se como som, calor, luz, etc. que variam seus efeitos de conformidade com o meio em que agem.

Todas estas forças, modificando suas acções com a finalidade de gerenciar os ciclos do mundo e da Natureza, dependem de uma lei universal - também diversificada em seus efeitos - destinada a imprimir harmonia e estabilidade à criação.

O universo se caracteriza pela unidade-variedade.

Em todos os mundos encontra-se a unidade de harmonia e de criação, junto a uma variedade infinita.
Observa-se a Lei de continuidade em toda a escala da criação.

A lei universal é a resultante e a geratriz de todas as forças que agem sobre o universo.
A gravitação e a electricidade são exemplos de aplicação da lei primordial, que impera por todo o cosmo.

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 29, 2012 8:47 am

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A criação primária

DEUS existe desde toda a eternidade.
Como não se pode imaginá-lo inativo ou infecundo em qualquer momento, deduz-se que criou desde toda a eternidade.

O começo absoluto de todas as coisas remonta ao Criador.
O Universo nasceu criança.

Inicialmente o fluído cósmico fez nascer aglomerações, turbilhões de matéria nebulosa, que modificadas ao infinito, deram origem, em todas as regiões do cosmo, aos diversos centros de criações simultâneas ou sucessivas.

Destes centros, alguns em menor número e mais ricos em princípios e forças actuantes, logo iniciaram sua vida astral própria.
Outros, cresceram lentamente ou se subdividiram.

Devemos nos conscientizar de que atrás de nós como à nossa frente está a Eternidade. O espaço 'é teatro de inimaginável sucessão e simultaneidade de criações'.

As nebulosas podem ser aglomerados de astros em via de formação, vias-lácteas de mundos habitados ou sedes de catástrofes e destruição.

A criação universal

A matéria cósmica primitiva, além de estar revestida das leis que asseguram a estabilidade dos mundos, contém também o fluído vital que forma as gerações espontâneas nos mundos, tão logo desenvolvam as condições necessárias ao surgimento da vida.

Faz parte da criação o mundo espiritual.

Quanto à criação dos espíritos revela-nos Galileu:
'O espírito não chega a receber a iluminação divina, que lhe dá, simultaneamente com o livre-arbítrio e a consciência, a noção de seus altos destinos, sem haver passado pela série divinamente fatal dos seres inferiores, entre os quais se elabora lentamente a obra da sua individualização'.

Os sóis e os planetas

Condensando-se a matéria cósmica em forma de nebulosa, animada das leis universais que regem a matéria, adquiriu a forma de esferóide.

A gravitação de todas as zonas moleculares em direção ao centro produziu o movimento circular, modificando a esfera até atingir a forma lenticular.
Surgiram as forças centrípeta e centrífuga.

Predominando a força centrífuga, ocorreu desligamento de parte da massa da nebulosa, formando um anel do qual resultou nova massa esferóide que passou a executar movimento de translação em torno da massa central, além de rotação em torno do próprio centro.

Condensando-se paulatinamente a massa geratriz, retomou a forma esférica.

Devido ao extremo calor desenvolvido por seus movimentos, muitas massas tornaram a se destacar, formando centenas de sóis, que pelo mesmo processo geraram os planetas que gravitam ao seu redor.

Cada planeta recebeu uma vida particular, embora dependente do astro que o gerou.

Os satélites

Da região equatorial (onde maior é a força centrífuga) de algumas das massas planetárias, antes destas solidificarem-se por efeito do resfriamento, ocorreu o desprendimento de massas menores, passando a girar em torno de seu planeta de origem.

No caso específico da Lua, as leis e a força que presidiram seu nascimento lhe imprimiram a forma ovóide, fazendo com que as partes mais densas se concentrassem no lado voltado para a Terra;
o centro de gravidade, deslocado para a parte inferior, faz com que a Lua apresente sempre a mesma face à Terra.

Quanto a Saturno, desprenderam-se-lhe moléculas homogéneas, com igual densidade, o que resultou em seu anel.

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 29, 2012 8:48 am

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Os cometas

São astros errantes resultantes da aplicação pela Natureza da Lei de Variedade, destinados a explorar os impérios solares.

Durante seu caminho enriquecem-se, às vezes, de fragmentos planetários reduzidos ao estado de vapor, absorvendo assim 'os princípios vivificantes e renovadores que derramam sobre os mundos terrestres'.

Possuem movimentos combinados, percorrendo órbita elíptica de muitos milhares de km. em seu perigeu, passando a parabólica em seu apogeu, quando em tempo igual, percorrem apenas alguns metros.

A Via-Láctea

De aparência leitosa, esbranquiçada a olho nu, que atravessa o céu de uma extremidade a outra, quando observada através do telescópio demonstra tratar-se, em lugar de fraca luminosidade, de milhões de sóis, mais luminosos do que o sol de nosso sistema planetário.

São também mais importantes, pois servem como habitação de seres em maior grau de inteligência e elevação moral relativamente ao nosso sistema.

A via-láctea se nos parece mais vasta e rica que as outras, é porque, fazendo parte dela, nos cerca e se desenvolve sob nossos olhares.

Representa, porém, nada mais do que 'um ponto insensível e inapreciável, vista de longe, porquanto ela não é mais do que uma nebulosa estelar, entre os milhões das que existem no espaço'.

Neste contexto pode-se compreender a insignificância de nosso globo terrestre.

As estrelas fixas

Assim como nosso sol avança pelo espaço em companhia de outros sóis da mesma ordem, arrastando consigo seu vasto sistema de planetas, satélites e cometas, todos gravitando em torno de um sol central, também as estrelas chamadas "fixas" estão sujeitas às leis universais de gravitação;
movem-se segundo órbitas fechadas cujo centro um astro superior ocupa.

A distância em que se situam da Terra e a perspectiva sob a qual são observadas, causam a ilusão de que estão fixas no firmamento.

Todos os sóis que compõem a via-láctea são solidários e obedecem a uma hierarquia, subordinados uns aos outros, 'como rodas gigantescas de uma engrenagem imensa'.

Cada sol está em sua maioria cercado de muitos planetas, iluminados e fecundados segundo as mesmas leis que comandam nosso sistema.
Alguns tem dimensões e importância milhares de vezes superiores ao nosso.

Outros formam sistemas binários ou ternários, iluminando os seus mundos com fachos duplos ou triplos, criando condições de existência acima de nossa imaginação.

Outros ainda são privados de planetas, porém com condições privilegiadas de habitabilidade.

'Na sua imensidade, as leis da Natureza se diversificam e, se a unidade é a grande expressão do Universo, a variedade infinita é igualmente seu eterno atributo'.

Os desertos do espaço

A nebulosa de que fazemos parte é como uma "ilha no arquipélago do infinito".

Cada nebulosa encontra-se afastada das outras, todas envolvidas por um deserto sideral de extensão inimaginável.

Tal é a distância que as separa que receberam o nome de nebulosas irresolúveis, por parecerem nuvens de poeira cósmica.

'Lá se revelam e desdobram novos mundos, cujas condições variadas e diversas das que são peculiares ao vosso globo lhes dão uma vida que as vossas concepções não podem imaginar nem vossos estudos comprovar'.

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 30, 2012 10:28 am

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Eterna sucessão dos mundos

Uma única lei, primordial e geral foi outorgada ao Universo e lhe assegura a harmonia, estabilidade e eternidade.

Manifesta-se pelas diversas forças que impulsionam a escala da criação, primeiramente como centro fluídico dos movimentos, como geradora dos mundos e depois como 'núcleo central de atração das esferas que lhe nasceram do seio'.

As mesmas leis geradoras dos mundos presidem sua destruição quando neles se extingue a vida.

Desagregados, os elementos constitutivos serão assimilados por outros corpos, renovando ainda outras criações de diferente natureza, garantindo assim a 'eternidade real e efectiva do Universo'.

Muitas das estrelas que contemplamos poderão não mais existir atualmente, pois, em virtude da imensa distância relativa à Terra, poderemos estar recebendo raios de luz emitidos há milhares de anos após sua destruição.

Não temos condições, mesmo em pensamento, de avaliar a imensidade e eternidade do universo.

Após havermos percorrido os diversos degraus da hierarquia cosmológica, por incontáveis séculos, 'teremos diante de nós a sucessão ilimitada dos mundos e por perspectiva a eternidade imóvel'.

A vida universal

A universalidade de astros que circulam no cosmos serve de base a uma mesma família humana e solidária, sujeita à lei da Fraternidade Universal.

'Se os astros que se harmonizam em seus vastos sistemas são habitados por inteligências, não o são por seres desconhecidos uns dos outros, mas, ao contrário, por seres que trazem marcado na fronte o mesmo destino, que se hão de encontrar temporariamente, segundo suas funções de vida, e encontrar de novo, segundo suas mútuas simpatias'.

Diversidade dos mundos

Observando a Natureza terrestre podemos constatar a infinita variedade de produções, muito embora a unicidade em sua harmonia geral.

Assim como nenhum rosto humano é igual a outro, também uma infinita diversidade ocorre pela imensidão de mundos que vogam pelo espaço, de acordo com as variadas condições e finalidades específicas que a cada um coube no cenário cósmico.

Não nos iludamos, pensando que os sistemas planetários sejam todos iguais ao nosso.

(Publicado no Boletim GEAE Número 429 de 5 de fevereiro de 2002)

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 30, 2012 10:28 am

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- Parte 6 -

Capítulo VII


ESBOÇO GEOLÓGICO DA TERRA

Períodos Geológicos


A perfuração de poços, minas e pedreiras, facultou a observação dos terrenos estratificados, o que permitiu à Geologia estudar a origem do globo terrestre como também dos seres que o habitam.

As camadas, variando de um até mais de cem metros, são geralmente homogêneas e horizontais, distinguindo-se claramente umas das outras;
formaram-se por depósitos sucessivos até chegar à última camada de terra vegetal, derivada de detritos orgânicos.

As camadas inferiores denominam-se rochas, formadas de areia, argila, marna, seixos rolados, ou grés, mármores, crés, calcáreos, carvões de pedra, asfaltos, etc.

A forma e consistência das camadas revelam sua formação pela ação do fogo ou da água.

As camadas formadas por depósitos aquosos e que se encontram inclinadas ou verticais foram deslocadas, após a solidificação, por convulsões do solo.

A ocorrência de despojos fósseis de animais e vegetais dentro das camadas inferiores situam sua existência naquela época.

Tais fósseis resultaram petrificados, sem alteração da forma (penetrados por matérias silicosas ou calcáreas);
outros foram envolvidos por matérias em estado flácido, mantendo-se intactos, dentro das mais duras pedras;
outros finalmente deixaram somente marcas como a forma de um pé com dedos e unhas, permitindo identificar o animal que as deixou.


O estudo das camadas e dos fósseis permitiu estabelecer-se os períodos geológicos principais:
primário, de transição, secundário, terciário, diluviano, pós-diluviano ou actual.

Estado primitivo do globo

O achatamento dos polos indica que o estado primitivo da Terra era de fluidez ou flacidez por acção do calor.

A cada 30 metros de profundidade a temperatura aumenta de um grau, alcançando temperaturas em que toda a matéria conhecida se funde.

A espessura da crosta terrestre é comparável à da casca de uma laranja, levando a concluir-se que no princípio a Terra era uma massa fluida incandescente, que esfriou pouco a pouco da superfície para dentro, conservando-se a matéria interior em estado de fusão.

Durante o resfriamento a matéria sofreu transformações, combinações várias, resultando a formação de uma atmosfera densa, opaca, formada pela volatilização de metais como enxofre e carbono o que não permitia a passagem dos raios solares.

Período primário

Com o progressivo resfriamento, houve solidificação da parte exterior da massa em fusão, formando uma crosta uniforme e compacta constituída de granito, pedra extremamente dura formada por feldspato, quartzo e mica.

Ocorreram numerosas fendas pelas quais a matéria efervescente extravasava.

Continuando o resfriamento, ocorreu liquidificação de vapor de metais em suspensão, causando chuvas e lagos de enxofre e betume (ferro, cobre, chumbo e outros metais fundidos), que, infiltrando-se pelas fissuras, deram origem aos veios e filões metálicos.

Várias misturas produziram os terrenos primitivos sobre a rocha granítica, porém sem estratificação regular.

Em seguida as águas, em ciclos de vaporização e chuvas, acabaram por depositar-se no solo.

Permaneciam os elementos confundidos, desestabilizados, impossibilitando o surgimento de qualquer forma de vida vegetal ou animal.

Tal período poderia ter levado cerca de um milhão de anos.

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 30, 2012 10:29 am

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Período de transição

Dada a pequena espessura da crosta granítica, ocorriam intumescências, por onde extravasava a lava interior.
A superfície do globo era quase que totalmente coberta por águas pouco profundas.

A atmosfera, embora mantendo temperaturas ardentes, foi sendo progressivamente liberta dos gases pesados, sendo o último deles o ácido carbónico, por acção das chuvas copiosas e quentes, permitindo a passagem dos primeiros raios de Sol.

Após formarem-se os terrenos de sedimento, surgiram os primeiros seres vivos do reino vegetal e animal.

Primeiro surgiram os vegetais criptógamos, acotiledóneos, monocotiledôneos (liquens, cogumelos, musgos, fetos e plantas herbáceas).
Quanto a árvores, somente as do género palmeira, cuja haste é semelhante às das ervas.

Surgiram então os primeiros animais marinhos (polipeiros, raiados, zoófitos) de organização rudimentar, seguindo-se-lhes os crustáceos e peixes de espécies actualmente extintas.

Predominando ainda na atmosfera o ácido carbónico, favoreceu a formação de vasta vegetação de plantas gigantescas, que em razão do deslocamento das águas, vieram a ser cobertas por sedimentos terrosos, num ciclo de aniquilamento e renascimento, formando, através dos séculos, camadas de grande espessura.

Pela ação dos gases, ácidos, sais, houve a fermentação daqueles vegetais soterrados, convertendo-se em hulha ou carvão de pedra, que é encontrado em quase todas as regiões do globo. Nesse período, em que a temperatura da Terra era uniforme, pois o fogo central produzia calor muito superior ao dos raios solares os quais eram enfraquecidos pela pesada atmosfera, ainda não havia gelo na Terra.

Período secundário

Ao final do período de transição, desapareceram os vegetais e animais, devido a ocorrências de grandes subversões e erupções do solo, ou ainda por modificações na atmosfera.

O período secundário é caracterizado por numerosas camadas minerais formadas no seio das águas, marcando diferentes épocas bem diferenciadas. Modificações na atmosfera produziram vegetais menores que no período anterior, surgindo as plantas de caule lenhoso e as árvores.

Quanto aos animais, continuavam aquáticos passando a anfíbios, desenvolvendo-se no seio dos mares animais de conchas, peixes com organização mais aperfeiçoada, os cetáceos.

Surgiram os répteis marinhos monstruosos como:
ictiossauros, plessiossauros, teleossauros(anfíbios), megalossauros, iguanodontes (terrestres), pterodáctilos.

O grande número de camadas atesta a longevidade desse período, onde se desenvolveu consideravelmente a vida animal, pelas melhores condições da atmosfera, permitindo que alguns vivessem na terra.

Encerrado esse período, desapareceram os grandes répteis aquáticos.

Período terciário

Iniciou-se esse período com uma destruição quase total dos seres vivos.

Durante esta fase, devido à maior espessura da crosta terrestre, a pressão interior ocasionou erupções sucessivas em todos os pontos do globo, formando os picos e cadeias de montanhas, planaltos e planícies, acomodando-se as águas nos locais mais baixos, donde surgiram os continentes e cumes de montanhas formando ilhas.

As camadas de calcário encontradas no topo de montanhas comprovam a teoria acima, pois em nenhuma época seria possível ao mar atingir tais altitudes.

Por ocasião desses levantamentos e erupções ocorreram também rasgaduras do solo expondo o granito que se encontra na sua periferia em certas regiões. Surgiram também os vulcões que representam válvulas de segurança equilibrando a pressão interior.

Tais levantamentos e abaixamentos do solo resultaram em constantes deslocamentos das águas formando camadas irregulares através da superfície do globo, ao contrário do que se observa nos períodos anteriores, onde as camadas são regulares.

Desde que se acalmaram as revoluções iniciais, melhorando as condições ambientais, reapareceram os vegetais e animais com organização mais apropriada a uma atmosfera mais purificada.

Os vegetais atingiram desenvolvimento estrutural quase ao nível dos actuais.

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 31, 2012 9:49 am

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Enquanto que nos dois períodos anteriores as águas cobriam quase que a totalidade do globo, favorecendo a existência de animais aquáticos e anfíbios, no terciário vários continentes se formaram, aparecendo os animais terrestres.

No período de transição havia vegetação colossal, no secundário répteis monstruosos, no terciário surgiram os gigantescos mamíferos, tais como, elefantes, rinocerontes, hipopótamos, paleotérios, dinotérios, mastodontes, mamutes, etc.

São desse período os pássaros e a maioria dos animais actuais.

Algumas dessas espécies sobreviveram aos cataclismos posteriores.
Outras, compostas de animais antediluvianos, desapareceram ou foram substituídas por espécies menos pesadas e menos maciças.

Período diluviano

Caracterizou-se pela ocorrência de dilúvio universal, onde uma imensidade de espécies foram destruídas, as águas invadindo continentes e arrastando terras e rochedos, derrubando florestas seculares, formando depósitos denominados terrenos diluvianos.

Deslocaram rochedos de granito das montanhas por centenas de Kms., fazendo surgir nas planícies os blocos erráticos, surgindo também os aerólitos.

Ocorreu nessa época o súbito congelamento dos pólos, atestado pela descoberta de elefantes e mamutes congelados;
caso o fenómeno tivesse sido gradual, tais animais teriam tido tempo de se retirarem para regiões mais quentes.

Supõe-se que tal cataclismo foi causado por uma brusca mudança de inclinação do eixo da Terra, fazendo com que as águas se projectassem sobre as terras;
alguns animais, tentando escapar da fúria das águas, ocuparam cavernas e fendas em lugares altos, onde sucumbiram entredevorando-se ou afogados, ocasionando grandes quantidades de ossadas chamadas brechas ou cavernas ossosas.

Período pós-diluviano ou actual

- Nascimento do homem -

Após restabelecido o equilíbrio - com a superfície mais estável, o ar mais puro, o Sol espargindo um calor mais vivificador - ressurgiu a vida vegetal proporcionando alimentação mais suculenta aos animais, menos ferozes e mais sociáveis, de órgãos mais delicados.

"Apareceu então o homem, último ser da criação, aquele cuja inteligência concorreria, dali em diante, para o progresso geral, progredindo ele próprio".

Não foram encontrados vestígios humanos nas camadas dos períodos primário e secundário, tanto que naqueles períodos não havia para o homem condições de vitalidade.

Também não se encontrou seus vestígios no período antediluviano, pelo que se considera como característico da presença do homem o período pós-diluviano.

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 31, 2012 9:49 am

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Capítulo VIII

TEORIAS SOBRE A FORMAÇÃO DA TERRA

Teoria da projecção


Teoria de Buffon:
Um cometa teria se chocado com o Sol, causando a projecção de fragmentos incandescentes no espaço, originando assim os planetas, que mantiveram o movimento no sentido do choque primitivo, no plano da eclíptica.

Com o resfriamento contínuo a Terra acabaria por congelar-se totalmente dentro de 93.000 anos.

Com a descoberta de que os cometas são formados de matéria gasosa, sendo inviável que seu choque pudesse causar deslocamento de matéria solar, foi abandonada a teoria de Buffon, tanto mais que seu cálculo de tempo para congelamento da Terra não levou em consideração a acção dos raios solares, somente o calor central.

"Para que a Terra se tornasse inabitável pelo resfriamento, fora necessária a extinção do Sol".

Por outro lado, aceita-se atualmente que o Sol, em vez de massa incandescente, seja formado por matéria sólida cercada por uma fotosfera.

Teoria da condensação

É a que prevalece na Ciência:
a Terra seria originária da condensação da matéria cósmica, inicialmente incandescente, formando após uma crosta sólida pelo resfriamento.

Tal teoria coincide com a exposta no Capítulo VI: Uranografia geral.

Teoria da incrustação

Segundo essa teoria, de Miguel de Figagnères, com poucos adeptos, a Terra teria uma alma que provocara a junção de quatro astros que com isto concordaram, visto terem livre-arbítrio, mediante soldadura, mantendo-se, durante a operação, todos os seres que os habitavam em estado cataléptico.

Tal Teoria contradiz os dados da ciência experimental, não havendo quaisquer vestígios das soldaduras, como também de geologias particulares aos astros componentes da nova Terra.

Além do mais não explica a origem dos planetas incrustados.

Alma da Terra

A ideia de que a Terra teria uma alma inteligente não pode prosperar, pois, não tendo nosso globo sequer a vitalidade de uma planta, não poderia abrigar um espírito superior.

Por alma da terra pode-se racionalmente designar o "Espírito a quem está confiada a alta direcção dos destinos morais e do progresso de seus habitantes, missão que somente pode ser atribuída a um ser eminentemente superior em saber e em sabedoria".

(Publicado no Boletim GEAE Número 430 de 19 de fevereiro de 2002)

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 31, 2012 9:50 am

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- Parte 7 -

Capítulo IX


REVOLUÇÕES DO GLOBO

Revoluções gerais ou parciais


As revoluções gerais ocorreram durante as fases de consolidação da crosta terrestre;
são os períodos geológicos que se sucederam de forma lenta e gradual, excepto o período diluviano que transcorreu de forma repentina.

Desde que atingida a solidificação da crosta, passaram a ocorrer somente modificações parciais da superfície, pela acção do fogo e das águas.

O fogo produziu erupções vulcânicas ou terremotos, com todas as suas consequências, levantamentos ou afundamentos de regiões da crosta, dando origem a ilhas oceânicas e desaparecimento de outras tantas.

Quanto às águas, inundaram ou ampliaram costas, formaram lagos, [i]"aterros nas embocaduras dos rios que rechassando o mar, criaram novos territórios",
como o delta do Nilo e delta do Ródano.

Idade das montanhas

A idade das montanhas não representa o nº de anos de sua existência mas sim o período geológico em que se formaram.

Assim, constatou-se que são do período de transição as montanhas dos:
Vosges da Bretanha, Côte-d' Or na França.

São do período secundário:
Jura, contemporâneo dos répteis gigantes.
Terciário: Pirineus, Monte Branco, Alpes ocidentais, Alpes orientais(Tirol).
Período Diluviano: algumas montanhas da Ásia.

Dilúvio bíblico

É conhecido como "grande dilúvio asiático".

Mares interiores como o de Azof e o mar Cáspio, e águas salgadas e sem comunicação com outros mares, além de outros factores, comprovam a tese de que foi causado por levantamento de parte de montanhas da Ásia, provocando inundações na Mesopotâmia e demais regiões em que vivia o povo hebreu.

Foi portanto de efeitos locais e não universais como sugere o livro de Moisés, tanto que a chuva não teria condições de provocar a inundação de toda a Terra.

O dilúvio asiático conservou-se na memória dos povos, sendo, portanto, posterior ao surgimento do homem na Terra.

"É igualmente posterior ao grande dilúvio universal que assinalou o início do actual período geológico".

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Ave sem Ninho

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 01, 2012 10:08 am

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Revoluções periódicas

Além dos movimentos de translação e rotação, a Terra executa um terceiro movimento sobre seu eixo como o de um "pião a morrer", movimento que se completa a cada 25.868 anos, produzindo o fenómeno chamado "precessão dos equinócios".

O equinócio é o momento em que o sol, em seu movimento de um hemisfério a outro, se encontra perpendicular ao equador, o que ocorre em 21 de março e a 22 de setembro de cada ano.

Como a cada ano o momento do equinócio avança alguns minutos, resulta que o equinócio da primavera (mês de março), ocorrerá futuramente em fev., depois, jan., dez., fazendo com que a temperatura do mês se altere, voltando gradativamente ao estágio original ao completar o período de 25.868 anos.

A esse avanço do momento dos equinócios denominou-se "precessão dos equinócios".

As consequências desse movimento são:

1. O aquecimento com fusão dos gelos polares até à metade do período e posterior resfriamento gradativo até novamente congelarem-se, permitindo aos polos gozarem de fertilidade no período após o degelo.

2. O deslocamento do mar, inundando lenta e gradativamente algumas terras, fazendo com que as populações de geração para geração se desloquem para regiões mais altas, voltando as águas posteriormente ao leito anterior.

Enquanto estão imersas, as terras recuperam os princípios vitais esgotados, através dos depósitos de matérias orgânicas, ressurgindo novamente férteis após o afastamento das águas.

Cataclismos futuros

Alcançada já a solidificação da crosta e extintos a maioria dos vulcões, não é de se esperar a ocorrência das grandes comoções telúricas.
Erupções vulcânicas ainda ocorrem, causando perturbações locais, como inundações das áreas próximas.

A natureza fluídica dos cometas afasta qualquer receio de choque contra a Terra, pois, se ocorresse, a atravessaria sem causar dano.

Por outro lado a "regularidade e a invariabilidade das leis que presidem aos movimentos dos corpos celestes" afasta qualquer hipótese de choque entre planetas.

A Terra terá logicamente um fim.
Entretanto, actualmente acabou de sair da infância, entrando em um período de progresso pacífico com fenómenos regulares e com o concurso do homem.

"Está, porém, ainda, em pleno trabalho de gestação do progresso moral.
Aí residirá a causa das suas maiores comoções.

Até que a Humanidade se haja avantajado suficientemente em perfeição, pela inteligência e pela observância das leis divinas, as maiores perturbações ainda serão causadas pelos homens, mais do que pela Natureza, isto é, serão antes morais e sociais do que físicas".


Aumento ou diminuição do volume da Terra

O espírito de Galileu manifestou em 1.868, opinião à respeito, esclarecendo que "os mundos se esgotam pelo envelhecimento e tendem a dissolver-se para servir de elementos de formação a outros universos".

No período de formação, ocorre a condensação da matéria com redução do volume, porém conservando a mesma massa;
no segundo período há a contração e solidificação da crosta, desenvolvimento da vida até a forma mais aperfeiçoada.

À medida que os habitantes progridem espiritualmente, o mundo passa a um decrescimento material, sofrendo perdas e gradual desagregação de moléculas até chegar a completa dissolução.

Ao diminuir a massa do globo, passa a ser dominado gravitalmente por planetas mais poderosos, alterando seus movimentos e conseqüentemente as condições de vida.

É a terceira fase: decrepitude, após passar pela infância e virilidade.

"Indestrutível, só o Espírito, que não é matéria".

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Ave sem Ninho

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 01, 2012 10:08 am

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Capítulo X

GÉNESE ORGÂNICA

Formação primária dos seres vivos


O estudo das camadas geológicas revela que cada espécie animal e vegetal surgiu simultaneamente em vários pontos do globo, bastante afastados uns dos outros, o que atesta a previdência divina, garantindo condições de sobrevivência apesar das vicissitudes a que estavam sujeitas.

A grande Lei de unidade que rege a formação dos corpos inorgânicos preside também a criação material dos seres vivos.

A combinação de substâncias elementares como o oxigénio, hidrogénio, carbono, azoto, cloro, iodo, flúor, enxofre, fósforo e todos os metais, formam as substâncias compostas tais como os óxidos, ácidos, álcalis, sais que por sua vez combinados resultam em inúmeras variedades, estudadas em laboratórios pela Química e operadas "em larga escala no grande laboratório da Natureza."

A composição dos corpos ocorre quando existem condições favoráveis como grau de calor, umidade, movimento ou repouso, corrente elétrica, etc, e em função da afinidade molecular de seus princípios elementares que se combinam guardando proporções definidas.

Na origem da Terra os princípios elementares apresentavam-se volatilizados no ar.

Com o gradativo resfriamento e sob condições favoráveis, precipitaram-se formando combinações donde resultaram as variedades de carbonatos, sulfatos, etc.

A cristalização é o notável fenómeno resultante da passagem do estado líquido ou gasoso para o sólido assumindo formas regulares de sólidos geométricos tais como, de prisma, cubo, pirâmide.

A forma geométrica do corpo corresponde à das moléculas componentes e somente ocorre o fenómeno diante de condições específicas de grau de temperatura e repouso absoluto.

No reino animal e vegetal a composição básica é a mesma dos corpos inorgânicos, principalmente o carbono, oxigénio, hidrogénio, azoto, de cujas combinações e variadas proporções resultam as inúmeras substâncias orgânicas, desde que encontrem circunstâncias propícias no meio em que se desenvolvem.

Alterando-se as condições do meio, diminui ou cessa o desenvolvimento da vida orgânica até que novamente haja as condições ideais para o ressurgimento da vida.

Cada espécie de cristal assim como cada espécie orgânica se reproduzem segundo forma e cores semelhantes, por estarem sujeitas à mesma Lei.

Princípio vital

Uma molécula composta por ex. de carbono, hidrogénio, oxigénio e azoto, poderá resultar em um mineral ou, se estiver modificada pelo princípio vital, resultará em uma molécula orgânica.

Ao se formarem, portanto, os seres orgânicos assimilam o princípio vital que dá às moléculas propriedades especiais.
Sua actividade é alimentada pela acção do funcionamento dos órgãos durante toda a vida até sua extinção.

Pode-se comparar o princípio vital à acção da electricidade, de modo que os corpos orgânicos seriam como pilhas elétricas que "funcionam enquanto os elementos dessas pilhas se acham em condições de produzir eletricidade: é a vida;
que deixam de funcionar, quando tais condições desaparecem: é a morte."

Geração espontânea

Observa-se que no mundo actual o princípio da geração espontânea aplica-se aos seres de organismo extremamente simples, rudimentar, do reino vegetal e animal, como o musgo, o líquen, o zoófito, os vermes intestinais.

Muito embora os seres de organização complexa não se reproduzam espontaneamente, não se sabe como começaram, pois ninguém conhece o segredo de todas as transformações, entendendo-se assim a teoria da geração espontânea permanente apenas como hipótese.

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 01, 2012 10:08 am

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Escala dos seres orgânicos

No início da escala situam-se os zoófitos (animais-plantas), que têm a aparência exterior da planta, mantém-se preso ao solo, "mas como o animal, a vida nele se acha mais acentuada: tira do meio ambiente a sua alimentação".

As plantas e os animais têm em comum:
nascem, vivem, crescem, nutrem-se, respiram, reproduzem-se e morrem.

Necessitam de luz, calor, água, ar puro.

Enquanto as plantas se mantém presas ao solo, os animais, um degrau acima, se movimentam, como os pólipos;
após o início do desenvolvimento dos órgãos, actividade vital e instintos estão os helmintos, moluscos(lesma, polvo, caracol, ostra), crustáceos(caranguejo, lagosta), insectos (em alguns dos quais se desenvolve o instinto engenhoso, como nas formigas, abelhas, aranhas).

Segue-se a ordem dos vertebrados (peixes, répteis, pássaros) e os mamíferos (organização mais complexa).

Se percorrermos a escala degrau por degrau, sem solução de continuidade, chegaremos da planta aos animais vertebrados, podendo compreender a possibilidade de que os animais de organização complexa sejam o desenvolvimento gradual da espécie imediatamente inferior, até chegar ao primitivo ser elementar.

Assim o princípio da geração espontânea aplicar-se-ia somente aos seres de organização elementar, sendo as espécies superiores resultantes das transformações sucessivas daqueles.

Após adquirirem a faculdade da reprodução, os cruzamentos originaram novas variedades.
A partir daí não mais havia necessidade dos germens primitivos, pelo que desapareceram.

Esta teoria, que tende a predominar na Ciência, evidencia a causa de não haver geração espontânea entre animais de organização complexa.

O homem corpóreo

Anatomicamente o homem pertence á classe dos mamíferos, ordem dos bímanos, com pequenas modificações de forma exterior, porém com a mesma composição de todos os animais, com órgãos e funções, modos de nutrição, respiração, secreção e reprodução idênticos.

Nasce, vive e morre decompondo-se seu corpo como toda a espécie animal, quando os elementos irão compor novos minerais, vegetais e animais.

Os quadrúmanos (animais com 4 mãos, como o orangotango, chipanzé, jocó) também caminham erectos, usam cajados, constroem choças e se alimentam usando as mãos.

Isso leva a observação de que "acompanhando-se passo a passo a série dos seres, dir-se-ia que cada espécie é um aperfeiçoamento, uma transformação da espécie imediatamente inferior".

(Publicado no Boletim GEAE Número 431 de 05 de março de 2002)

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 02, 2012 9:57 am

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- Parte 8

Capítulo XI


GÉNESE ESPIRITUAL

Princípio espiritual


Decorre do princípio:
"Todo efeito tendo uma causa, todo efeito inteligente há de ter uma causa inteligente".

As acções humanas denotam um princípio inteligente, que é corolário da existência de Deus, pois não é concebível a Soberana Inteligência a reinar eternamente sobre a matéria bruta.

Sendo Deus soberanamente justo e bom, criou seres inteligentes não para lançá-los ao sofrimento e em seguida ao nada, mas para serem eternos, sobrevivendo à matéria e mantendo sua individualidade.

O princípio espiritual é independente do princípio vital, pois há seres que vivem e não pensam, como as plantas;
"a vida orgânica reside num princípio inerente à matéria, independente da vida espiritual, que é inerente ao espírito".

Independe também do fluído cósmico universal, tendo existência própria e sendo, juntamente com o princípio material, os dois princípios constitutivos do universo.

O elemento espiritual individualizado constitui o espírito, enquanto que o elemento material forma os "diferentes corpos da natureza, orgânicos e inorgânicos".

Todos os espíritos "são criados simples e ignorantes, com igual aptidão para progredir" por esforço próprio, através do trabalho imposto a todos até atingir a perfeição.

Todos são igualmente objecto da solicitude divina, não havendo quaisquer favorecimentos.
Os mundos materiais fornecem aos espíritos "elementos de actividade para o desenvolvimento de suas inteligências".

Os seres espirituais progridem normalmente até atingir a perfeição relativa;
como Deus criou desde toda a eternidade, quando do surgimento da Terra, já havia seres espirituais que tinham atingido "o ponto culminante da escala", assim como outros "surgiam para a vida".

União do princípio espiritual à matéria

O corpo é "simultaneamente o envoltório e o instrumento do espírito", sendo apropriado ao nível de trabalho que cabe ao espírito executar em cada fase do desenvolvimento de suas faculdades.

Na realidade em cada encarnação o próprio espírito molda o corpo ajustando-o à "medida que experimenta a necessidade de manifestar novas faculdades", que são rudimentares na fase de "infância intelectual".

Sendo material, o corpo depois de algum tempo se desorganiza e decompõe;
extingue-se o princípio vital e o corpo morre, quando então o espírito o abandona como a uma roupa que se tornou imprestável.

O que distingue, portanto, o homem colocando-o acima dos animais, "é o seu ser espiritual, seu Espírito".

Hipótese sobre a origem do corpo humano

Espíritos humanos em estado primitivo teriam encarnado em corpos de macacos, modificando-os gradativamente pela procriação, dando origem assim a uma espécie nova que foi se aperfeiçoando até chegar à forma actual do corpo humano, enquanto que os macacos (com o princípio espiritual de macaco) continuaram a procriar como macacos.

A Natureza não dá saltos e é provável que os primitivos humanos pouco diferissem dos macacos, havendo até hoje selvagens semelhantes a esses, só lhes faltando os pêlos.

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 02, 2012 9:58 am

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Encarnação dos Espíritos

Não podendo o espírito, por sua natureza etérea, agir directamente sobre a matéria, faz-se necessário um intermediário, seu envoltório fluídico, semi-material, extraído do fluído cósmico universal modificado;
é o perispírito.

Torna-se assim o espírito apto a actuar sobre a matéria tangível e todos os fluídos imponderáveis.
O fluído perispirítico serve de veículo ao pensamento, transmitindo ordem de movimento ao corpo, como também levando ao "Espírito as sensações que os agentes exteriores produzam".

No momento da concepção do corpo humano, expande-se o perispírito em forma de um laço fluídico, ligando-o molécula a molécula ao corpo em formação, em virtude da influência do princípio vito-material do gérmen.

"Quando o gérmen chega ao seu pleno desenvolvimento, completa é a união;
nasce então o ser para a vida exterior."

Por ocasião da desorganização do corpo deixa de actuar o princípio vital, causando a morte, passando então o perispírito a se desprender molécula a molécula, voltando à liberdade.

"Assim, não é a partida do Espírito que causa a morte do corpo;
esta é que determina a partida do Espírito".

O desencarne pode ser rápido, fácil suave e insensível ou lento, laborioso, horrivelmente penoso podendo durar meses, dependendo do estado moral do Espírito.

À partir do momento em que o Espírito é unido ao gérmen pelo laço fluídico, entra em estado de perturbação progressiva até que ao nascer acha-se totalmente inconsciente.

Com a respiração da criança, inicia-se a recuperação das faculdades, qualidades e aptidões anteriormente adquiridas, muito embora perca o Espírito reencarnado a lembrança de seu passado, o que lhe permite recomeçar a tarefa na escalada do progresso em melhores condições, livre de humilhações decorrentes de erros passados.

Seu passado se lhe desdobra aos olhos quando vem a desencarnar, quando então avalia o emprego de seu tempo.
Durante o sono também se lembra de seu passado, pois está, por momentos, liberto dos liames carnais.

Segundo a opinião de alguns filósofos espiritualistas o princípio espiritual se individualiza através dos diversos graus da animalidade.

Desenvolvidas as primeiras faculdades, recebe as faculdades especiais que caracterizam a alma humana.

Esse sistema está de acordo com a grande Lei de Unidade, explica a finalidade da existência dos animais, porém as questões que suscita fogem à finalidade deste estudo, pelo que considera-se o Espírito à partir do momento em que entra na humanidade, dotado de senso moral e livre-arbítrio, sendo portanto responsável pelos seus actos.

As necessidades e vicissitudes da vida carnal força o Espírito a exercitar suas faculdades, desenvolvendo-as, resultando em seu progresso, enquanto que sua acção sobre a matéria auxilia no progresso do globo, colaborando assim com a obra do Criador.

O Espírito passa maior tempo no mundo espiritual, sendo insignificante o período em que se encontra reencarnado.
O progresso na vida espiritual vem da aplicação que faz dos conhecimentos e experiências adquiridos quando encarnado.

A encarnação é necessidade inerente à inferioridade do Espírito.

Torna-se punição somente quando estaciona na escala do progresso, por negligência ou má vontade, obrigado a recomeçar a tarefa de depuração.

Por outro lado, pode o Espírito abreviar a extensão do período das encarnações, espiritualizando-se ampliando assim suas faculdades e percepções.

"O progresso material de um planeta acompanha o progresso moral de seus habitantes", de modo que há mundos mais e menos avançados que a Terra.

Os espíritos passam pelas classes de mundos, adquirindo sempre mais experiências e conhecimentos até não mais necessitarem encarnar, continuando a progredir por outros meios, até atingir o ponto culminante do progresso, quando passam a ser Mensageiros, Ministros directos do Criador, no governo dos mundos.

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 02, 2012 9:59 am

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Dentro da Hierarquia espiritual todos os espíritos têm sua atribuição no mecanismo do Universo, desde o mais atrasado até o mais adiantado, de modo que no Universo existe sempre actividade e nunca ociosidade.

Muito embora fossem bastante imperfeitos (como seus corpos) os primeiros espíritos que encarnaram na Terra, seus caracteres e aptidões eram bastante diversificados;
agrupavam-se segundo suas semelhanças e simpatia, povoando-se o planeta com "espíritos mais ou menos aptos ou rebeldes ao progresso";
espíritos afins reencarnaram em corpos de mesmo tipo, formando diferentes raças, perpetuando-lhes o carácter distintivo físico e moral.

Não sendo uniforme o progresso, naturalmente as raças mais inteligentes se adiantaram às demais.

Assim o espírito, à medida em que atinge maior grau de progresso, reencarna em corpo de uma raça física apropriada, que lhe permita a manifestação de suas faculdades intelectuais e morais mais desenvolvidas.

Reencarnações

A reencarnação, consequência da Lei do Progresso, explica racionalmente o por quê das diferenças sociais entre o mundo actual e o dos tempos dos bárbaros, pois se as almas vivessem somente uma vida, então Deus teria criado as actuais privilegiadas em relação às outras.

Assim, as almas que viveram em tempos antigos são as mesmas de agora, acumulando o progresso adquirido nas encarnações sucessivas.

Várias etapas de aperfeiçoamento ocorrem num mesmo mundo, quando o espírito tem oportunidade de avaliar seu estágio, observando o exemplo de seus irmãos mais adiantados, possibilitando-lhe ainda a reparação de seus erros para com os outros;
isto seria materialmente dificultado se cada etapa tivesse que ser cumprida em um mundo diferente.

Somente após adquirirem todo o conhecimento possível num mesmo mundo, é que o espírito migra para outro, mais adiantado.

Se a Terra servisse a uma única etapa no progresso do espírito, nenhuma utilidade teria p. ex., para uma criança que desencarna em tenra idade, após poucas horas ou meses de vida.

Emigrações e imigrações dos Espíritos

Podem ser consideradas relativamente:

1)- à população espiritual composta de espíritos desencarnados e que se encontram em estado de erraticidade na Terra
(emigrações: passagem do mundo corpóreo para o espiritual; imigrações: passagem do mundo espiritual para o corporal);

2)- à transfusão colectiva de espíritos de um mundo para o outro.

Os flagelos e os cataclismos representam partidas em massa de espíritos que cedem lugar a outros mais depurados, que reencarnam a fim de promover maior impulso no progresso das populações.

Assim após "grandes calamidades que dizimam as populações" segue-se "uma era de progresso de ordem física, intelectual ou moral".

Entre os mundos ocorrem emigrações e imigrações individuais ou, em circunstâncias especiais, em massas, constituindo novas raças de espíritos que, reencarnando assim que haja a espécie corporal apropriada, "constituem novas raças de homens".

Raça adâmica

Após encontrarem-se as raças primitivas espalhadas pelo planeta desde tempos imemoriais, surgiu uma raça mais inteligente, apta às artes e à ciência, que impeliu todas as outras ao progresso;
seu aparecimento ocorreu há apenas alguns milhares de anos, ao contrário das primitivas, sendo comprovado pelos factos geológicos e observações antropológicas. Foi denominada raça adâmica.

A criação do género humano à partir de um único indivíduo não pode prevalecer, senão vejamos:

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Re: A Génese Segundo o Espiritismo (Resumo)

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