Casos de Mediunidade

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 09, 2013 9:47 pm

Réplica de Hyman a 'Como Não Revisar a Pesquisa da Mediunidade' de Schwartz
Ray Hyman

Eu não posso, naturalmente, responder em detalhe dentro do espaço permitido a cada um dos argumentos de Schwartz.

Sendo assim, eu comentarei seus pontos principais e concluirei com uma resposta geral à sua réplica.

1. "Hyman recorre a... selectivamente ignorar importantes informações que são inconsistentes com suas crenças pessoais."

Ao preparar minha crítica de seu programa de pesquisa, eu li não somente as experiências de após a morte com cuidado, eu escrutinei também em detalhe cada relatório de sua pesquisa que estava disponível.

Não foi possível discutir cada parte de informação separada em minha crítica.
Eu levei cada item em consideração, entretanto, ao fazer minha avaliação da pesquisa.

Eu escolhi focalizar minhas discussões naqueles itens que Schwartz e seus colegas tinham enfatizado como os resultados mais fortes em meio a seus achados.

Eu referi-me e revisei relatórios de pesquisa de mais de cinquenta anos por muitas das publicações científicas principais e das maiores filiais subsidiárias.

[I have refereed and reviewed research reports for more than fifty years for many of the major scientific publications and for major granting agencies]

Eu apliquei os mesmos padrões à minha avaliação das experiências do pós morte que eu usei em minhas outras avaliações.

2. "... Hyman não mencionou o facto histórico importante que nossa pesquisa de mediunidade começou realmente com os projectos experimentais duplo-cego."

Em seu exemplo ele se refere à sua experiência com as médiuns Susy Smith e Laurie Campbell que "completou-se quase um ano antes que nós conduzíssemos as experiências mais naturalísticas de multi-mediuns/multi-participantes envolvendo John Edward, Suzanne Northrop, George Anderson, Anne Gehman, e Laurie Campbell.

Os primeiros estudos duplo-cego de Smith-Campbell não sofreram de possíveis pistas sensoriais subtis visuais ou auditivas que escapassem ao avaliador - e fortes resultados positivos foram obtidos."

Este é um exemplo peculiar para usar como um modelo de uma experiência controlada, duplo-cega.

A experiência envolvida tinha Susy Smith, designada como a Médium Um, contactando aparentemente quatro pessoas falecidas:
sua própria mãe, William James, o pai de Linda Russek, e o pai de Schwartz.

Smith fez um desenho para cada um destes indivíduos mortos supostamente com sua chegada.
Fez também um desenho do "controle".

Laurie Campbell, designada como a Médium Dois, foi pedida então para tentar independentemente contatar estes espíritos e, usando a informação obtida deles, tentar combinar cada desenho ao indivíduo falecido associado.

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 09, 2013 9:47 pm

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Campbell tentou contactar os espíritos durante duas sessões na presença de três experimentadores.
Campbell é descrita como estando “cega” às personalidades dos quatro indivíduos falecidos.

Porém Schwartz, que não era cego às personalidades destas entidades, não somente estava presente durante estas sessões mas activamente tentou tornar esta informação conhecida (por "telepatia") a Campbell.

Este erro desnecessário compromete qualquer cegamento que houvesse entre o Médium Dois e as personalidades dos indivíduos falecidos.

Nenhum investigador psíquico seria surpreendido se Laurie Campbell viesse com alguma informação correta tal como o género e outras descrições dos indivíduos falecidos sob estas circunstâncias.

Um outro defeito desta fase da experiência é que nenhuma cláusula foi feita para usar um método sistemático e objectivo para avaliar a exactidão das descrições do Médium Dois.

A avaliação da informação para este estágio da experiência foi subjectiva.

Durante as sessões com o Médium Dois, todos os experimentadores estavam cegos a respeito de qual desenho foi associado com qual indivíduo falecido.

(Embora seja plausível que alguém possa fazer algumas suposições razoáveis, dados os caracteres de cada um dos indivíduos falecidos, e que o tipo de desenho seria de cada.)

Infelizmente, os experimentadores fizeram então um outro sério, e completamente desnecessário, erro quando chegou a hora de ver se o Médium Dois poderia combinar exactamente os desenhos com o indivíduo certo.

Os experimentadores trouxeram a Médium Dois e a Médium Um juntas.

A Médium Um indicou então os desenhos que tinha feito para representar cada indivíduo.
A Médium Dois tentou então combinar os desenhos às fontes apropriadas na presença da Médium Um.

Ironicamente, os experimentadores admitem abertamente que isto poderia permitir indícios sobre a combinação correta com "o fenómeno de Hans inteligente".

Eliminam isto como possibilidade porque Campbell podia combinar corretamente somente um dos cinco desenhos a sua fonte apropriada.

Neste momento da experiência o relatório torna-se especialmente obscuro.
Presumivelmente, a experiência falhou.

Entretanto, os experimentadores inexplicavelmente têm a Médium Dois tentando outra vez combinar os desenhos à sua fonte apropriada.

Esta segunda tentativa é feita depois que é mostrada a um sumário explícito dos comentários dela sobre os retratos e os indivíduos falecidos.
Campbell combina corretamente os cinco desenhos (incluindo o controle) nesta segunda tentativa.

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 09, 2013 9:47 pm

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Nenhuma razão é dada para permitir à médium duas tentativas para combinar os desenhos, nem os experimentadores nos dizem como justificam o pedido para recombinar à médium.

Provavelmente estes e outros aspectos questionáveis do procedimento são discutíveis dada que a possibilidade de cegamento foi comprometida.

Schwartz e seus colegas, em seu artigo publicado, descrevem este como "um estudo exploratório."
As continuações parecem ter sido improvisadas em cada estágio.

Certamente, nenhum investigador competente planejaria comprometer desnecessariamente o cegamento do experimento nos dois pontos mais críticos do levantamento de dados.

Nem faz sentido projectar uma experiência onde é dado ao médium duas possibilidades para combinar correctamente.
Eu simplesmente aplicava o princípio da caridade ao não discutir esta experiência remendada.

3. "Em uma experiência exploratória de mediunidade a longa distância duplo-cega...

Hyman afirma ‘porque nada significativo foi encontrado, os resultados não autorizam reivindicar uma replicação bem sucedida de resultados precedentes.'

Entretanto, Hyman minimiza o facto que o número dos sujeitos nesta experiência exploratória era pequeno (n=6).

Mais importante, Hyman não cita uma importante conclusão que nós chegamos na discussão:
Se a figura binária de 66 por cento se aproxima (1) da habilidade real do LC de conduzir as leituras duplo-cegas, acopladas com (2) a habilidade dos seis participantes', na média, de pontuação das transcrições duplo-cego, a figura de 66 por cento requereria somente um n de 25 participantes para alcançar significância estatística (por exemplo <01)."

Esta parte da réplica de Schwartz, como todo o restante, parece-me bizarra e fora do padrão.

Primeiramente, nós necessitamos consertar alguns erros e/ou enganos.
Schwartz confunde a estatística da amostra com a da população (ou o valor verdadeiro hipotetizado).

Dados 25 participantes e um resultado amostral de dezassete identificações correctas (taxa do sucesso de 68 por cento) de suas leituras reais (que, dada a natureza discreta da distribuição binomial é a mais próxima que nós podemos chegara 66 por cento correcto) a probabilidade uni-caudal seria .054 e não menos do que .01 como alega Schwartz.

Indiferente ao valor correcto da probabilidade aqui, isto tem pouco a fazer com poder.

Schwartz hipotetiza que a proporção verdadeira (da população) de escolhas binárias correctas nesta situação é perto de 67 por cento (4 para de 6) que ele observou em sua amostra.

Se, certamente, este valor estiver correcto, a seguir, dado seu uso de um teste uni-caudal e um nível de significância de .01, a probabilidade de chegar a um resultado significativo com 25 participantes seria ligeiramente maior do 0.54.

Para chegar a um poder razoável (digamos perto de 90 por cento) se necessitaria de mais de 100 participantes.

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 10, 2013 10:01 pm

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Schwartz parece implorar aqui a pergunta.
Ele começa observando que quatro dos seis participantes identificaram corretamente quais das duas leituras eram significativas para eles.

Por causa da amostra pequena, este resultado é consistente com um número de possibilidades incluindo o valor chance de 50 por cento.
Se obtivesse a mesma proporção de acertos com uma amostra maior, isso seria significativo.

Entretanto, desde que nós não podemos dizer qual a proporção verdadeira é de um resultado amostral baseado em somente seis casos, nós não temos nenhuma base para predizer o resultado para uma amostra maior.

Seu argumento reduz-se ao trivial:
Se a proporção verdadeira for 67 por cento então nós poderemos começar um resultado significativo com um maior provamos.

De seu resultado real, nós podemos apenas também dizer:
Se a proporção verdadeira for 50 por cento (e isto, também, é consistente com seus dados), então muito provavelmente não chegará a um resultado significativo com uma amostra maior.

Eu acho difícil de entender porque Schwartz considera este ponto digno de ser mencionado.
Naturalmente um resultado binário com somente seis experimentações tem a sensibilidade muito baixa.

Entretanto, não confiou neste resultado.
Usou outras duas medidas, o número de tiros dazzle e os acertos e erros, que são claramente muito mais sensíveis.

Estes também não forneceram o significado total.
Para estas medidas (bem como para a escolha real da leitura relevante), a sensibilidade total seria extremamente realçada se cada participante avaliasse realmente todas as seis leituras.

Em adicção à sensibilidade extremamente realçada, isto evitaria a situação infeliz onde cada participante avaliava sua própria leitura de encontro a uma folha que diferisse para cada avaliador[In addition to greatly enhanced sensitivity, this would have avoided the unfortunate situation where each sitter was rating his or her own reading against a foil that differed for each rater].

Ainda outra seria a oportunidade de determinar que leituras tiveram um independência mais independência geral de toda a informação específica peculiar a um dado participante[Another plus would have been the opportunity to determine which readings had more general appeal independent of any specific information peculiar to a given sitter].

Em sua réplica mais longa a minha crítica que ele postou na Web (veja sua referência em sua réplica) Schwartz alega que ele de fato predisse que GD diferenciaria com sucesso sua própria leitura da leitura fracassada do participante[from the accompanying foil reading].

A alegação que este resultado particular foi predito não se enquadra com a sentença da abertura do relatório onde os experimentadores afirmam, "este artigo relata uma replicação e uma extensão não antecipada. . . "

Eu já indiquei em minha crítica como Schwartz tem uma interpretação liberal incomum de "replicação."

Não somente a evidência estatística e experimental é suspeita, mas a análise qualitativa da leitura real para GD na segunda experiência não se justapõe em nenhum aspecto importante com a leitura na experiência anterior.

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 10, 2013 10:01 pm

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Em particular, nenhuns dos exemplos aparentemente corretos de nomes, eventos, e lugares que são relatados para a primeira leitura estão na segunda leitura.

Eu concordo com o Schwartz que o resultado desta experiência "duplo-cega" é consistente com "as diferenças individuais características do participante."

Entretanto, pedindo permissão de Schwartz para recorrer a navalha de Occam, eu acredito que é prudente sugerir uma explanação muito mais mundana.

Nós necessitamos somente supor duas suposições muito plausíveis e não extraordinárias para esclarecer os resultados:
1) sorte: GD teve uma possibilidade 50-50 de escolher a leitura correta;

2) viés do Avaliador: dado que ele escolheu a leitura correcta, ele mostraria um viés forte como resposta dando pontuação elevadas à leitura escolhida e pontuações baixas à rejeitada.

Note que isto é consistente com a evidência qualitativa que eu forneci em minha crítica.
Entretanto, note que o ônus da prova não está em cima do crítico para mostrar que esta explanação está correcta.

Ainda mais, o ónus da prova deve estar em Schwartz em mostrar, como o reivindicador, que descartou esta e outras explanações mundanas possíveis.
Isto é o que a metodologia experimental boa, que está faltando demais nas experiências do pós morte, tenta fazer.

Infelizmente, eu não tenho o espaço para responder a outras especificidades da réplica de Schwartz.
Em sua réplica atribui-me motivos, preferências, e vieses.
Estes são baseados em suposições não apoiadas pelos factos.

Por exemplo, caracteriza-me como "relutantemente" concordando que a fraude é improvável.
De facto, eu não tenho nenhuma relutância em fazer tal afirmação.

Atribui-me determinadas preferências que simplesmente não são, em alguns casos, verdadeiras.
Está também factualmente incorrecto em algumas questões.

Disse que eu era um do grupo dos leitores frios que declararam que eu poderia, com treinamento, duplicar o que seus médiuns tinham realizado em seu laboratório.

Isto é errado.
Eu abstive-me deliberadamente de tal compromisso.

Meu ponto principal durante a reunião com ele sobre leitura fria foi que a determinação de que se seus médiuns estão usando a leitura fria isto é algo separado da questão se eles conseguiam obter alguma informação de uma natureza paranormal.

Se ele quisesse estudar o papel da leitura fria nas leituras dadas por seus médiuns, aquele era um objectivo experimental que estava separado de determinar se seus médiuns forneciam a evidência para a sobrevivência da consciência.

Nem eu concluí, ao contrario dA implicação de Schwartz, que seus médiuns usavam a leitura fria.

Eu observei - e eu enfatizei especificamente que isto era uma opinião subjectiva – que eu via pouca diferença entre as revelações de seus médiuns e aqueles dos leitores psíquicos típicos.

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 10, 2013 10:02 pm

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Eu quero enfatizar outra vez, não cabe a mim, ou a outros críticos, mostrar que seus médiuns estão usando a leitura fria ou algum outro artifício.
O ónus da prova está em Schwartz para mostrar que eliminou convincentemente tais possibilidades.

Tanto quanto eu possa dizer, Schwartz realmente não respondeu às minhas criticas.
Uma leitura atenta revela que ele não nega as várias falhas que eu divulguei em sua pesquisa.

Em vez disso, defende a saída da metodologia experimental apropriada em um número de níveis:
1) ele e seus colegas estavam cientes destes defeitos e de facto foram admitidos dessa forma em seus relatórios (mas tais admissões não neutralizam de algum modo os defeitos);

2) haviam razões práticas tais como querer fornecer um contexto mais naturalístico (mas isto não desculpa o uso inapropriado de comparações de controle, falhando em corrigir o viés do avaliador [failing to correct for rater bias], usando probabilidades e computações estatísticas impróprias, etc..);

3) alguns dos "defeitos" foram incluídos deliberadamente para verificar determinadas perguntas (mas isto não justifica extrair conclusões fortes);

e 4) que feito exame em sua totalidade as experiências fornecem de algum modo evidência poderosa para uma comunicação anómala mesmo que as experiências individuais estejam danificadas (realmente, repetidamente cometer erros similares de experiência em experiência é melhor do que consertar os erros)[actually, repeatedly making similar mistakes from experiment to experiment compounds rather than compensates for the errors].

Apesar das deficiências em suas experiências, Schwartz parece convencido que seus médiuns forneceram, em alguns casos, informações específicas e originais incluindo os nomes, os lugares, etc., que os críticos não poderiam explicar.

A propósito [For one thing], estes itens aparentemente específicos são muito mais fracos do que acredita.

Seus exemplos são seleccionados apenas porque parecem conter tais especifidades.
Isto levanta a difícil pergunta de como avaliar realmente o quanto disto é apenas coincidência.

Além disso, mesmo a combinação mais específica e mais concreta é problemática porque praticamente nenhuma restrição é colocada em cima do participante em encontrar uma combinação apropriada
(por exemplo, pode ser pessoas mortas ou vivas; pode ser alguém íntimo do participante ou um mero conhecido; etc.).

Nenhuma verificação real é feita a respeito de quão próxima a combinação é realmente.
Meu ponto aqui é que Schwartz realmente nos forneceu com nada para explicar.

Nós não sabemos se ele produziu qualquer coisa digna de fazer exame sério até que ele possa convincentemente demonstrar que obteve seus dados sob circunstâncias metodologicamente apropriadas.

A ciência exige isto nos campos convencionais de inquérito.
Nós devemos exigir nada menos de Schwartz.

Artigo disponível em http://www.csicop.org/si/2003-05/follow-up-hyman.html

Artigo traduzido por Maurício Mendonça e revisado por Vitor Moura Visoni

§.§.§- O-canto-da-ave
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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 11, 2013 10:17 pm

Testando a alegada mediunidade: Métodos e Resultados
Ciaran O’Keeffe1* e Richard Wiseman

Traduzido por Vitor Moura Visoni

1 Psychology Department, Liverpool Hope University, UK
2 Psychology Department, University of Hertfordshire, UK

Os médiuns alegam serem capazes de se comunicarem com os mortos.

Tais alegações atraem uma quantia considerável de interesse público e, se válidas, tem implicações importantes para muitas áreas da psicologia.

Por mais de 100 anos, os pesquisadores testaram os supostos médiuns.
Este trabalho obteve resultados misturados e provocou uma quantidade considerável de debate metodológico.

Este artigo revisa as questões chave neste debate, descreve como os autores desenvolveram um método de teste que visou prevenir os muitos problemas que embaraçaram a pesquisa passada, e como então usaram este método para testar vários médiuns profissionais.

Os resultados deste trabalho não apoiaram a existência de capacidade mediúnica genuína*.

Interpretações rivais destes resultados são discutidas, junto com os meios em que a metodologia apresentada no artigo poderia ser usada para avaliar alegações conceitualmente semelhantes, mas não-paranormais, feitas em contextos forenses, clínicos e profissionais.

Alguns indivíduos alegam possuir capacidades mediúnicas que os permitem contactar o ‘mundo dos espíritos’ e receber informações do morto.

Há várias razões para submeter estas alegações a investigações empíricas rigorosas.

Primeira, capacidades mediúnicas, se válidas, forneceriam evidência para apoiar a sobrevivência à morte corpórea, e assim tem implicações importantes para aspectos da psicologia.

Tais dados iriam, por exemplo, apresentar um forte desafio às hipóteses principais da pesquisa neuropsicológica subjacente, incluindo a noção de que a personalidade humana, a cognição, e a consciência sejam dependentes de um cérebro vivo.

A evidência de capacidades mediúnicas genuínas também levantaria intrigantes perguntas sobre os mecanismos sensoriais que podem sustentar tais capacidades e, num nível mais prático, teria implicações importantes para os muitos aspectos da psicológica clínica relacionada com privação e mágoa.

Segunda, demonstrações de capacidades aparentemente mediúnicas têm um impacto significativo na crença pública e no comportamento.

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 11, 2013 10:17 pm

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Pesquisas recentes revelaram que quase 30% de americanos atualmente acredita na existência de capacidades mediúnicas genuínas (Newport & Strausberg, 2001), aproximadamente 10% de bretões visitam médiuns e tanto recebem mensagens dos mortos como obtém conselhos direccionando suas vidas (Roe, 1998), * Segundo Gary Schwartz, em seu artigo Anomalous Information Reception by Research Mediums Demonstrated Using a Novel Triple-Blind Protocol (2007), que obteve resultados positivos usando outra metodologia, este estudo de Wiseman e Keeffe possui os seguintes problemas:

(a) os médiuns não foram testados previamente para determinar se eram capazes de obterem uma performance acurada sob condições de mediunidade normais ou simples-cegos;

(b) os assistentes não foram selecionados por serem altamente motivados a receber supostamente informação de seus entes queridos falecidos e assim pontuar as leituras acuradamente;

(c) o sistema de pontuação não nutre detalhada análise item-por-item das leituras, seguido por uma pontuação concisa significativa;

(d) as condições experimentais não optimizaram o potencial dos médiuns para receber informação (os médiuns executaram cinco leituras em 5.5 horas).
(N. T.) e novos tipos de programas de televisão caracterizam tais demonstrações coerentemente atraindo milhões de telespectadores (Douram, 2001).

Testes bem-controlados de médiuns ajudariam o público e os criadores de programa de televisão a avaliarem a validez de tais supostas capacidades, e assim ajudando-os em suas decisões e atitudes finais.

Terceira, certos indivíduos trabalhando em contextos não-paranormais fazem alegações que são análogas a essas feitas pelos médiuns, e os métodos desenvolvidos para testar os médiuns poderiam ser usados para examinar estas alegações.

Por exemplo, alguns clínicos alegam serem capazes de obter insights do passado dos pacientes puramente por suas reações a certas provas projectivas, alguns médicos trabalhando num cenário profissional parecem ser capazes de fazer registos detalhados da personalidade das pessoas simplesmente a partir de sua pontuação em certas ferramentas de avaliação, e alguns indivíduos alegam operando num contexto forense serem capazes de produzir perfis exactos de delinquentes a partir de uma quantidade muito limitada de informação comportamental.

Vários escritores (p.ex. Alison, Smith, & Morgan, 2003; Wood, Nezworski, Lilienfeld, & Garb, 2003) recentemente observaram que a evidência anedótica que apóia estas alegações pode ser o resultado dos mesmos tipos de estratagemas psicológicos que podem sustentar a aparente exatidão das leituras mediúnicas (p.ex. o uso de afirmações gerais, coincidências, etc.), e assim os métodos desenvolvidos para examinar tais alegações pode beneficiar-se de um completo entendimento dos procedimentos usados para testar a mediunidade.

Dada a natureza das questões teóricas e práticas que cercam este tema, talvez não surpreenda que o teste científico da mediunidade tenha uma história longa e controversa.

Os primeiros testes de médiuns foram feitos na década de 1880 e os principais investigadores envolvidos assistiam às sessões espíritas, registando os comentários que os médiuns supostamente recebiam do morto, e então tentando avaliar a exactidão desta informação.

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 11, 2013 10:18 pm

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A maioria dos relatórios resultantes argumentou em favor da existência de capacidade mediúnica genuína, e continham longas transcrições de mensagens mediúnicas junto com detalhadas descrições da evidência apoiando estas declarações (ver, p.ex. Hodgson, 1892, 1898).

Críticos atacaram estes trabalhos, argumentando que frequentemente falharam em avaliar se as leituras aparentemente exatas podiam ter sido o resultado de vários estratagemas psicológicos, tais como os médiuns empenhando conjeturas astutas ou produzindo declarações muito gerais que seriam endossadas pela maioria das pessoas
(ver, p.ex., Gardner, 1992; Hyman, 1977; Podmore, 1901).

Com o passar dos anos, muitos pesquisadores tentaram desenvolver procedimentos para eliminar a possibilidade de tais estratagemas, e então os usaram para pesquisar alguns dos melhores médiuns da época.

Os estudos resultantes obtiveram resultados misturados, com alguns trabalhos encontrando evidência a favor de capacidades paranormais genuínas e outros apoiando a hipótese nula
(para uma revisão deste trabalho, ver Schouten, 1994).

Estes trabalhos provocaram uma quantidade considerável de debate estatístico metodológico, muito do qual focou no grau em que os procedimentos empregados naqueles estudos que obtiveram resultados positivos tinham conseguido eliminar os potenciais vieses e problemas
(para um exemplo recente deste tipo de debate, ver Hyman, 2002; Hyman, 2003; Schwartz, 2003).

Infelizmente, a discussão que cerca o alcance diverso das potencias questões estatísticas e metodológicas que pode induzir tal trabalho está espalhada pela literatura psicológica e parapsicológica, e frequentemente é apresentada de um modo gradativo ao invés de ser mais conceitualmente organizada.

Além disso, os pesquisadores trabalhando nesta área ainda têm que desenvolver um método relativamente padrão de teste que seja prático e que reduza a chance para tais artefactos.

Este artigo se dirige a essas duas questões.

A primeira parte deste artigo revisa os problemas principais que impediram os testes anteriores de mediunidade e descreve como os autores planejaram um método de teste que era tanto prático quanto metodologicamente seguro.

A segunda parte do artigo apresenta uma descrição detalhada de como este método então foi usado para testar vários médiuns profissionais.

Questões metodológicas:
Problemas e procedimentos O debate concernente os problemas potenciais que podem surgir durante testes de suposta capacidade mediúnica girou ao redor de três questões chave:
(a) a necessidade de controle de potencial vazamento sensorial, (b) a necessidade de se avaliar exactamente a generalidade das declarações dos médiuns, e (c) a necessidade de avaliação ‘cega’.

As próximas três secções revisam em resumo cada um destes problemas e esboçam os tipos de procedimentos que podem ser empregados para superá-los.

A necessidade de controle de vazamento sensorial Supostos médiuns podem ser capazes de ganhar informação sobre seus clientes (frequentemente referidos como ‘assistentes’) por meios normais e então usam esta informação para ajudar a produzir leituras exactas.

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 12, 2013 9:20 pm

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Tais informações podem ser obtidas por uma variedade de meios.

Por exemplo, livros sobre como fingir capacidades mediúnicas descrevem várias técnicas para obter informação útil no decorrer de uma leitura, incluindo, por exemplo, secretamente espionar as conversas dos assistentes, ou conduzindo procuras sub-reptícias de listas telefónicas e a Internet
(ver, p.ex. Rowland, 1998).

Outros escritores descreveram como vivenciaram médiuns sendo capazes de inconscientemente ganharem informação de fontes mais subtis, tais como das roupas dos assistentes, postura, comportamento, e a joalharia
(ver, p.ex. Morris, 1986).

Mesmo uma quantia muito limitada de contato entre o médium e assistente tem o potencial de fornecer informação útil.

Por exemplo, Wiseman e O’Keeffe (2001) observaram que a velocidade com que o assistente responde ‘sim’ ou ‘não’ às perguntas do médium inconscientemente pode fornecer aos médiuns experientes feedback útil sobre a exactidão de seus comentários durante uma leitura.

Por estas razões, qualquer teste bem-controlado de capacidade mediúnica deve prevenir os médiuns de ganharem informação sobre assistentes via meios normais.

Isto normalmente exige que os experimentadores tomem passos apropriados para assegurar que os médiuns não possam determinar qualquer informação sobre os assistentes no decorrer das leituras do teste, e que haja garantias suficientes prevenindo-os de obter pistas verbais ou não-verbais durante as leituras.

Tais garantias também devem se estender a qualquer um envolvido no estudo (p.ex. experimentadores ou outros assistentes) que esteja ciente de qualquer informação sobre a identidade dos assistentes.

Os pesquisadores examinando a possível existência de telepatia desenvolveram vários procedimentos para eliminar o potencial vazamento sensorial potencial entre os assistentes (ver p.ex. Milton & Wiseman, 1997) e muitas destas garantias (p.ex. colocando assistentes em quartos separados com suficientes níveis de som atenuados) podem ser empregadas para eliminar o possível vazamento durante as provas de supostas capacidades mediúnicas.

A necessidade de se avaliar exatamente a generalidade das declarações dos médiuns Pesquisas do assim chamado ‘efeito Barnum’ tem consistentemente mostrado que as pessoas tendem a avaliar certos tipos de declarações muito gerais de personalidade (p.ex. ‘Você tem uma grande quantidade de potencial criativo acumulado’) como altamente exactas (Forer, 1949; Furnham & Schoneld, 1987).

Além do mais, trabalhos mais recentes revelaram que mesmo declarações que não aparentam serem especialmente gerais podem ser verdadeiras para muitas pessoas.

Por exemplo, Blackmore (1994) conduziu uma pesquisa em larga escala em que mais de 6.000 pessoas foram pedidas para dizer se declarações bastante específicas seriam verdade para elas.

Mais de um terço das pessoas endossaram a declaração ‘tenho uma cicatriz em meu joelho esquerdo’ e um quarto respondeu sim à declaração ‘alguém na minha família se chama Jack’.

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 12, 2013 9:20 pm

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Os médiuns podem utilizar estes fenómenos para produzir leituras que podem parecer altamente exactas mas, em realidade, simplesmente contém declarações muito gerais que são endossadas por um grande número de assistentes.

As tentativas de lidar com esta questão em testes de capacidades mediúnicas tomou muitas formas com o passar dos anos e foram assunto de debate considerável.

Na talvez primeira tentativa resolver o problema, Hyslop (1919) organizou as declarações que foram endossadas por um assistente durante várias leituras do teste, e então pediu a um grupo de ‘controle’ contendo aproximadamente 500 pessoas que indicassem se cada declaração era verdadeira para eles.

Hyslop então calculou o nível geral de aceitação da leitura pela porcentagem das pessoas no grupo de controle que endossaram cada declaração.

Por exemplo, se 250 pessoas no grupo de controle endossaram a declaração ‘você é homem’, então Hyslop calculou a probabilidade de aceitação como 250/500 ou 0,5.

Para obter uma probabilidade total de todas as declarações serem endossadas, Hyslop multiplicou as probabilidades individuais por cada uma das declarações juntas
(p.ex. a probabilidade de duas declarações serem endossadas, cada uma tendo um nível geral de aceitação de 0,5, seria 0,25).

Vários críticos corretamente observaram que esta abordagem grandemente infla a exactidão aparente do médium porque incorretamente supõe que cada uma das declarações sejam independentes entre si (Schouten, 1994).

Assim, se, por exemplo, o médium declarasse que o assistente ‘recentemente tinha perdido alguém que era homem’ e que esta pessoa ‘usava barba’, a probabilidade destas declarações seriam multiplicadas juntas como se fossem independentes, ao passo que a probabilidade da primeira sendo exata é pesadamente relacionada à probabilidade do segundo ser correcta.

Com o passar dos anos, os pesquisadores planejaram várias formas de análise na tentativa de superar este problema
(ver p.ex. Pratt, 1936; Saltmarsh & Soal, 1930).

Provavelmente a mais largamente endossada e empregada é a que foi desenvolvida por Pratt e Birge (1948).
No procedimento de Pratt e Birge, um número pequeno de assistentes recebe cada um uma leitura de um médium.

Os assistentes então são pedidos para avaliar a exatidão das declarações tanto da própria leitura (frequentemente referida a como a leitura ‘alvo’) quanto das leituras dos outros assistentes (referidas como leituras de ‘isca’).

Se o médium é exacto, então as avaliações designadas às leituras alvo serão significativamente maiores que as designadas às leituras de isca.

Se, no entanto, o médium simplesmente produz declarações gerais, então os assistentes designarão avaliações semelhantes tanto à leitura alvo quanto à isca.

Pratt e Birge observaram que os resultados das experiências usando este procedimento talvez possam melhor serem vistos como mostrados na Tabela 1, com os números na diagonal da tabela
(mostrados em negrito) representando as pontuações que cada assistente deu às próprias leituras, e os números fora da diagonal de números representando as avaliações que os assistentes designaram às leituras dos outros (Pratt, 1969).

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 12, 2013 9:21 pm

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Tabela 1.[b] Meio padrão de representar os dados das experiências empregando a técnica Pratt e Birge

Avaliação do assistente da exactidão da leitura

Assistentes presentes durante a leitura John Eric Bill Tony Tom
[b]John
58 23 46 6 56
Eric 25 73 14 45 53
Bill 18 41 67 33 39
Tony 61 22 40 49 30
Tom 11 39 26 28 72

É largamente reconhecido que a análise estatística usada para testar se os números na diagonal são significativamente maiores que aqueles fora da diagonal não supõe que as declarações dentro das leituras sejam independentes (Pratt, 1969).

Para este fim, pesquisadores recomendaram a criação de uma distribuição da soma dos números na diagonal para cada possível permutação da matriz, e então calculando a probabilidade do resultado do experimento por examinar onde a soma dos números na diagonal de facto obtida no experimento reside dentro desta distribuição
(para mais discussão sobre tal análise ver Greville, 1949; Pratt & Birge, 1948; Pratt, 1969; Scott, 1972; Thouless, 1949).

[b]A necessidade de análise ‘cega’[b]

O modo com que assistentes avaliam a exactidão de leituras mediúnicas é altamente subjectivo (Hyman, 1977).

Por exemplo, Wiseman e O’Keeffe (2001) observam que a declaração ‘Os espíritos conversam sobre a mulher mais jovem que agora desencarnou’, está aberta a várias interpretações (p.ex. a palavra mais ‘jovem’ pode se referir uma criança jovem, uma adolescente, ou mesmo alguém que morreu em seus quarenta anos), e que o grau a que um assistente é preparado para pensar por estas interpretações alternativas influenciará a exactidão percebida da declaração.

O processo de avaliação também pode ser induzido por recordação selectiva.

Por exemplo, o médium dizendo ‘Sua filha era extrovertida’ pode fazer com que os assistentes selectivamente lembrem certos acontecimentos de vida (i.e. as vezes que sua filha foi a festas), esquecendo outros acontecimentos (p.ex. as vezes que ela quis estar só), e assim designando uma exactidão espuriamente alta ao avaliar a declaração.

O grau a que o assistente pensa sobre interpretações alternativas de declarações ambíguas e se empenha em recordação selectiva pode ser influenciado por vários fatores, incluindo, por exemplo, sua necessidade de acreditar na vida futura ou ser agradável ao médium.

Os pesquisadores testando a suposta capacidade mediúnica tentaram eliminar tais vieses tendo assistentes que avaliam a exactidão das declarações sem informá-los se as declarações são tiradas da leitura alvo das de isca (Pratt, 1969).

No entanto, tais procedimentos não podem plenamente eliminar algumas dicas temporais mais subtis que possam ajudar aos assistentes de distinguir as leituras alvo das leituras de isca.

Imagine, por exemplo, que as sessões são programadas durante dias diferentes e que em uma leitura o médium se refere a uma história de notícia memorável
(p.ex.. ‘O espíritos estão tristes por esse horrível choque de trem hoje’).

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 13, 2013 10:35 pm

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Quando os assistentes subsequentemente são apresentados com as leituras para avaliação, eles podem ver este comentário e corretamente deduzir o dia em que a leitura aconteceu, e assim sabe que esta é a sua leitura alvo.

Problemas semelhantes podem surgir ainda que os assistentes sejam programados em ocasiões diferentes no mesmo dia, se os comentários do médium permitem um assistente compreender quando uma leitura foi feita (p.ex. na sessão, durante a hora do almoço, o médium declara ‘Os espíritos sempre ficam famintos por agora’), ou tanto o assistente quanto o médium experimentam um acontecimento exclusivo durante uma leitura (p.ex. o choque de um relâmpago do lado de fora) e o médium faz referência a este acontecimento (p.ex. ‘O relâmpago torna difícil de contactar os espíritos’).

Para nosso conhecimento, testes prévios de suposta capacidade mediúnica falharam em reconhecer, e portanto em controlar, este potencial artefacto (entretanto ver Milton & Wiseman, 1997, para uma discussão concernente em como o mesmo tipo de pistas temporais podem induzir o resultado de certos tipos de experiências de percepção extra-sensoriais).

Vários procedimentos poderiam ser empregados para reduzir o problema.

Por exemplo, os assistentes podem ser programados nos mesmos dias, e o tempo de suas leituras pode ser contrabalançado através dos dias
(i.e. cada assistente tem uma sessão programada às 11:30 da manhã, outra às 12:30 da manhã, etc.)

Também, o médium e/ou o assistente podem ser alocados em lugares que os isole de fontes óbvias de acontecimentos externos exclusivos, tais como condições raras de tempo ou barulhos de lugares adjacentes e corredores.

Finalmente, as declarações que compõem a leitura podem ser separadas e casualmente podem ser mandadas antes de apresentar aos assistentes para avaliação, assim reduzindo a possibilidade de uma dica subtil em uma declaração influenciando o modo em que assistentes avaliam uma leitura inteira.

Um teste experimental sobre mediunidade

A secção anterior esboçou os principais problemas estatísticos e metodológicos que podem embaraçar os testes de mediunidade, e alguns procedimentos que podem ser empregados para eliminar estes problemas potenciais.

Alguns destes procedimentos foram usados durante os testes anteriores de mediunidade, enquanto outros (p.ex. esses relacionados com as formas de eliminar potenciais pistas temporais que podem ajudar aos assistentes a distinguirem as leituras alvo das leituras de isca) não.

Os autores recentemente planejaram um método para testar a mediunidade que incorporou todos os procedimentos descritos acima, e então usou este método para testar vários médiuns profissionais.

Esta secção esboça os métodos e os resultados desse teste.

O teste envolveu cinco médiuns profissionais dando leituras para cinco assistentes sob condições que eliminaram qualquer potencial vazamento sensorial entre médium e assistente.

Os assistentes então foram pedidos para avaliar a exactidão das declarações dos médiuns sem saber se as declarações eram da leitura alvo ou das leituras de isca.

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Última edição por O_Canto_da_Ave em Qua Fev 13, 2013 10:37 pm, editado 2 vez(es)
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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 13, 2013 10:36 pm

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As análises da permutação de Extortive foram então usadas para avaliar se as pontuações das leituras alvo eram significativamente mais altas que as das leituras de isca.

Integrantes

Médiuns
Os cinco médiuns (3 mulheres, 2 homens; idade entre 42-55) foram recrutados via uma lista de médiuns certificados fornecida pela União de Nacionalista de Espíritas (SNU).

A SNU declarou que todos os médiuns nesta lista tinham sofrido um procedimento rigoroso de selecção e que estavam sujeitos a avaliação ininterrupta.

Cada médium inicialmente foi contactado por telefone, e então foi enviada uma detalhada descrição do protocolo e o formulário de consentimento.

Assistentes

Os cinco assistentes (todos homens, idades entre 25-30) eram ou estudantes ou o corpo docente da universidade.

Foram seleccionados de uma piscina de indivíduos que respondeu a um correio electrónico geral, circulado dentro da universidade, pedindo voluntários para participarem de um teste científico de mediunidade.

Os assistentes foram escolhidos usando o seguinte critério;
(a) eles não se conheciam, (b) eram do mesmo sexo, e (c) tinham aproximadamente as mesmas idades.

Cada assistente inicialmente foi contactado por telefone, e então enviada uma descrição detalhada do protocolo e o formulário de consentimento.

Nenhum dos assistentes foi pago por seu envolvimento no estudo.

Salas e aparatos

A experiência aconteceu num apartamento localizado dentro do Departamento de Psicologia da universidade (ver Fig. 1).

O médium ficou na área de estúdio e o assistente foi colocado no local de reunião.
Estes lugares foram isolados acusticamente entre si, de modo que o assistente não podia ouvir o médium e vice versa.

Os acontecimentos acontecendo fora do edifício (efeitos de tempo, etc.) não podiam ser ouvidos no lugar de reunião, e barulho do corredor directamente do lado de fora do local de reunião não podiam ser ouvidos no estúdio.

Os comentários dos médiuns foram registados via vídeo-câmaras operado remotamente por El da sala de controle.

O assistente foi fornecido com um sistema estéreo portátil e fones de ouvido de modo que pudesse escutar música por toda a sessão.

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 13, 2013 10:36 pm

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Procedimento

A experiência foi conduzida por dois experimentadores, El e E2.
El inicialmente seleccionou e contactou os cinco médiuns, enquanto E2 seleccionou e contactou os cinco assistentes.

El então ligou para os médiuns para organizar um dia em que cada um deles pudesse visitar a universidade para participar do estudo
(referido como ‘dias experimentais’).

El então passou estas cinco datas a E2, que organizou para que cada assistente visitasse o Departamento de Psicologia num tempo especificado em cada um destes dias.

E2 programou os cinco assistentes em horários entre 11:00 da manhã a 4:30 da tarde.
A ordem dos assistentes foi contrabalançada através dos 5 dias (vê Tabela 2).

No começo de cada dia experimental, El encontrou o(a) médium e levou-o(a) ao estúdio.
El esboçou a natureza e o projeto do estudo, e se assegurando que o médium estava confortável.

Às 11:00 da manhã, El informou ao médium que a primeira sessão já ia começar e então levou-o do estúdio para a sala de controle.

O médium foi pedido para tentar contactar um ou mais espírito(s) associados com o assistente e a relatar qualquer informação que eles acreditassem apropriada.

Ao médium foi permitido dizer muito ou pouco da forma que desejasse durante os próximos 60 minutos.

Todos estes comentários foram registados em videoteipe e controlados por El da sala de controle.

Aproximadamente às 12:00 meio-dia, El entrou de novo no estúdio e informou ao médium que a sessão tinha acabado, e que a próxima sessão começaria depois de uma pausa curta.

Este procedimento foi repetido cinco vezes por todo o dia.

Tabela 2.
Ordem contrabalançada dos assistentes A-E de cada dia experimental

Médiuns

M1 M2 M3 M4 M5
11:00-12:00 A E D C B
12:00-13:00 B A E D C
13:30-14:30 C B A E D
14:30-15:30 D C B A E
15:30-16:30 E D C B A

E2 encontrou o primeiro assistente às 10:45 da manhã e o levou ao local da reunião.

Foi-lhe dado opções de música e pedido para escutar esta música, via os fones de ouvido fornecidos, entre 11:00 da manhã e meio-dia.

Aproximadamente às 11:00 da manhã, E2 deixou o local da reunião e permaneceu fora até o fim da sessão.

Aproximadamente ao meio-dia, E2 entrou de novo no local de reunião, terminou a sessão e agradeceu ao assistente por participar.

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 14, 2013 10:11 pm

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Este procedimento foi repetido cinco vezes por todo o dia.
Em caso de quaisquer acontecimentos inesperados (p.ex. um período de sessão ter que ser alterado levemente devido à chegada atrasada de um assistente), os dois experimentadores comunicavam-se entre si via uma série de mensagens simples de texto codificadas.

Por todo o estudo, tanto El quanto os médiuns não receberam qualquer informação sobre a identidade dos assistentes, E2 não teve qualquer contacto com os médiuns, e todos os médiuns e assistentes permaneceram cegos às identidades dos outros.

Transcrição e avaliação das leituras

Depois que os 5 dias experimentais foram completados, El transcreveu os comentários dos médiuns, retirou quaisquer detalhes alheios das cópias (p.ex. perguntas ao experimentador, pausas) e dividiu cada leitura numa série de declarações
(ver Apêndice A para um exemplo).

As declarações de todos os médiuns então foram enviadas aos assistentes, que foram pedidos para avaliar a exatidão de cada declaração entre 1 (não aplicável) e 7 (muito aplicável).

Cada assistente independentemente avaliou todas as declarações, e uma contagem total para cada leitura foi criada para somar as avaliações individuais respectivas de cada das afirmações feitas na leitura.

Resultados

A tabela 3 contém o número de declarações produzido pelos médiuns durante cada uma das leituras.

Embora o comprimento das leituras produzidas por qualquer um dos médiuns seja razoavelmente coerente, há uma variação considerável entre os médiuns.

Por exemplo, Médiuns 2 e 5 tenderam a produzir leituras longas que contiveram ao redor de setenta declarações, enquanto que as leituras dos Médiuns 3 e 4 eram muito mais curtas.

Tabela 3. Total do número de declarações de cada leitura

Médium 1 Médium 2 Médium 3 Médium 4 Médium 5
Assistente A 55 92 6 24 80
Assistente B 62 56 9 19 67
Assistente C 60 78 11 26 52
Assistente D 64 82 8 20 61
Assistente E 58 69 6 28 76

Média 59.8 75.4 8 23.4 67.2

A tabela 4 contém a média das avaliações dos assistentes através das cinco leituras feitas por cada médium.

Estas avaliações exibem variabilidade grande mas coerente com, por exemplo, quase todas as leituras produzidas pelo Médium 5 obtém avaliações relativamente altas, enquanto que as do Médium 3 consistentemente ficam abaixo das avaliações.

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 14, 2013 10:12 pm

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Tabela 4. Média das avaliações dos assistentes cruzando com as 5 leituras feitas por cada médium

Médium 1 Médium 2 Médium 3 Médium 4 Médium 5 Média
Assistente A 3.33 3.72 1.52 3.67 5.24 3.5
Assistente B 2.88 4.15 2.25 2.58 4.46 3.30
Assistente C 2.77 3.42 1.55 2.92 5.15 3.16
Assistente D 2.67 3.75 2.27 3.11 4.10 3.18
Assistente E 3.43 3.15 1.30 4.46 3.15 3.10
Média 3.01 3.64 1.78 3.35 4.46 3.20

Como notado no início deste artigo, muitos pesquisadores argumentaram que o grau ao qual assistentes aceitam uma leitura é determinado, ao menos em parte, por vários estratagemas psicológicos (p.ex. o número e diversidade de temas mencionados na leitura, a generalidade das declarações).

Os dados obtidos neste estudo apoiam esta noção.
Por exemplo, a leitura A do Médium 5 recebeu a avaliação mais alta, e conteve um número relativamente grande de declarações gerais relacionando a uma diversidade de temas.

Durante as oitenta declarações que compõe esta leitura, o médium supostamente contactou os seguintes seis espíritos:
uma mulher que tinha tido cinco crianças, um avô, um cão grande, Henry VIII, um homem da África de Leste, e um cão pequeno.

Algumas declarações sobre estes espíritos eram extremamente gerais.

Por exemplo, a mulher foi descrita como trabalhando numa loja que ‘tinha algo a ver com potes e panelas, o avô foi visto como alto e careca, o cão era de tamanho médio e de cores ardentes com manchas, e o homem da África do Leste ‘estava envolvido no negócio de construção’.

Talvez não surpreendentemente, muitas destas declarações bastante gerais receberam avaliações altas.

Por exemplo, as duas declarações que receberam avaliações máximas de todos cinco assistentes foram ‘Sim, um parente.

É homem? Ele me deixará apertar a mão?
Posso sentir a sua mão na minha mão’ e Do que nós podemos chama-lo?
De pai? Avô? Você é um avô.’

Em contraste marcante, a Leitura E do Médium 3 obteve as avaliações mais baixas de qualquer leitura, e consistiram em somente seis declarações, todas referentes a somente um suposto espírito - um homem de Lancaster.

A maioria destas declarações eram altamente específicas, descrevendo, por exemplo, como o homem tinha cabelo preto longo, uma dor no seu pé esquerdo, um dedo direito grande, e tinha 167 cm de altura.

Parece muito possível que as avaliações baixas designadas a esta leitura eram devido à natureza relativamente rara e sem ambiguidade destas declarações, como reflectido no fato que a declaração que recebeu a avaliação mais baixa possível de todos assistentes era também extremamente específica, a saber que o espírito era de alguma maneira ligado ao nome “Bilger”.

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 14, 2013 10:13 pm

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Para explorar a exactidão de cada médium, a soma das avaliações dos assistentes para cada leitura produzida por esse médium foram inseridas numa tabela Pratt e Birge (ver Apêndice B), e o nível de importância calculado via uma análise de permutação baseada nos 120 possíveis arranjos de cada matriz.

Esta análise envolve a soma das avaliações que os assistentes designaram às leituras alvo (i.e. as leituras feitas pelo médium quando elas eram do assistente), criando uma distribuição das somas das avaliações que podiam ter sido obtidas tendo diferentes combinações de leituras de isca sendo a leitura alvo para cada assistente, e então calculando um valor de p examinando onde a soma das avaliações reais de alvo se encaixavam na Distribuição.

Nenhuma das análises foi significativa, e os valores resultantes de p (uni-caudal) eram como se segue: Médium 1, .89; Médium 2, .27; Médium 3, .27; Médium 4, .77; Médium 5, .66; todos os médiuns combinados, .63.

A inspecção dos dados revelou que só houve uma ocasião (Leitura do Médium 2 para Assistente B) quando o assistente para quem uma leitura foi visada designou uma avaliação mais alta à leitura que a dos outros quatro assistentes.

Em todas as outras ocasiões, as avaliações designadas pelos assistentes que não estavam presentes no tempo da leitura eram mais altas que a avaliação designada pelo assistente para quem a leitura foi pretendida.

Discussão

Este artigo primeiramente esboçou em resumo os importantes problemas estatísticos e metodológicos que embaraçavam os testes anteriores de supostas capacidades mediúnicas, e os procedimentos descritos que podem ser usados para reduzir estes problemas.

Então descreveu o meio em que estes procedimentos foram implementados durante o teste recente dos autores de cinco médiuns profissionais.

Este teste envolveu cinco assistentes cada um recebendo cinco leituras e então avaliando a exatidão dessas leituras.

Os resultados revelaram que as avaliações que os assistentes designaram ao próprias leituras não eram significativamente diferente das avaliações que eles designaram a outras leituras dos assistentes, e assim não apoiaram a existência de capacidade mediúnica.

Estes resultados podem ser interpretados de várias formas.

É possível que a capacidade mediúnica genuína não exista, e que a exactidão aparente das leituras dos médiuns sejam inteiramente devidas ao tipo de estratagemas psicológicos esboçados na primeira seção deste artigo.

Esta interpretação é coerente com muita da literatura céptica sobre suposta mediunidade (ver p.ex. Gardner, 1992; Hyman, 1977), trabalhos anteriores que também não conseguiram achar evidência de tais capacidades sob condições controladas (ver Schouten, 1994, para um revisão deste trabalho) e com os argumentos que o estudos que obtiveram resultados positivos são metodologicamente defeituosos (p.ex. Hyman, 2002, 2003).

Esta interpretação é também coerente com o facto que a presença de algumas destas estratégias (p.ex. comprimento e diversidade de leitura, generalidade de declarações) parecem ser associadas com as avaliações designadas pelos assistentes às leituras obtidas neste estudo.

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 15, 2013 10:36 pm

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Se esta interpretação é correcta, então a direção mais produtiva para trabalho futuro nesta área é examinar estes estratagemas mais de perto, examinar, por exemplo, os tipos de pessoas que tendem a endossar leituras mediúnicas e as formas de retórica que os alegados médiuns usam para convencer os assistentes que eles recebem mensagens de seus amigos mortos e parentes (ver p.ex. Wooffit, 1992, 2001).

Alternativamente, é possível que capacidades mediúnicas genuínas existam, mas que este estudo não conseguiu achar evidência delas porque, por exemplo, os médiuns envolvidos na experiência não possuíam tais capacidades nem o cenário em que o estudo foi conduzido extraiu tais capacidades.

Estas hipóteses só podem ser avaliadas variando sistematicamente estes factores em trabalhos futuros, fornecendo que tais trabalhos também eliminem os vários problemas metodológicos discutidos neste artigo.

Num nível metodológico, o estudo eliminou os vários tipos de vieses que podem atrapalhar a pesquisa nesta área.

Enquanto alguns destes procedimentos foram usados em vários testes prévios de mediunidade (p.ex. garantias contra vazamento sensorial entre médium e assistentes, e o uso da técnica de Pratt-Birge), outros não foram utilizados neste contexto antes (p.ex. garantias contra potenciais pistas temporais).

A metodologia resultante foi tanto prática e clara, e é esperado que outros pesquisadores que empregarão este método investigassem outros indivíduos alegando tipos de capacidades paranormais semelhantes, e que este trabalho ajudará estes a separar as interpretações concorrentes esboçadas acima.

Finalmente como notado na Introdução, certos indivíduos trabalhando em contextos forenses, profissionais e clínicos fazem reivindicações que são análogas a essas feitas pelos médiuns (i.e. são capazes de determinar informações altamente exactas sobre uma pessoa ou situação por dados muito limitados), e assim os testes de tais alegações podem beneficiar-se dos muitos procedimentos metodológicos descritos neste artigo.

Por exemplo, a eficácia dos testes projectivos psicanalíticos poderia ser avaliada pedindo aos clínicos para produzir descrições de cinco pessoas unicamente por suas respostas numa prova projectiva, tendo todas as cinco pessoas que avaliar a exactidão destas descrições sem saber qual pertencia a elas, e então usando a análise descrita neste artigo avaliar a exatidão dos clínicos envolvidos.

O mesmo tipo de prova também poderia ser usada para avaliar os indivíduos que alegam ser capazes de produzir descrições exactas de criminosos (p.ex. probabilidade de transgredir de novo, se eles socialmente são isolados, interesses possíveis e passatempos, etc.) baseados em informação relativamente limitada sobre seu comportamento enquanto cometendo um crime.

Isto pode envolver a apresentação dos perfis com informação de cinco crimes que já foram resolvidos, e que pedindo a eles que produzissem um perfil dos criminosos que eles acreditam que tenham cometido estes crimes.

A agentes da polícia experientes então seriam mostrados estes perfis, junto com as informações sobre os criminosos que cometeram os crimes, e sendo então pedidos para avaliar o grau de correspondência entre o perfil e cada um dos criminosos reais.

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 15, 2013 10:37 pm

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Mais uma vez, a análise descrita neste artigo então poderia ser usada para avaliar a exactidão dos perfis envolvidos no estudo.

Até este ponto, a literatura discutindo os problemas potenciais que podem embaraçar a pesquisa que tenta avaliar as alegações mediúnicas, e os possíveis procedimentos que podem ser empregados para superá-los, ficou bastante espalhada em publicações especializadas dentro de parapsicologia.

É esperado que o agrupamento conceitual destes problemas e os procedimentos apresentados neste artigo, junto com um exemplo de como foram combinados num prático e metodologicamente seguro método que foi usado para avaliar vários médiuns profissionais, ajudará a levar este trabalho a psicólogos que trabalham num amplo alcance de contextos aplicados.

Em resumo, o presente estudo não achou nenhuma evidência para apoiar a noção que os médiuns profissionais envolvidos na pesquisa eram, sob condições controladas, capazes de demonstrar capacidades mediúnicas paranormais.

No entanto, os autores desenvolveram um prático, claro, e metodologicamente meio de teste seguro de tais alegações, e é esperado que esta abordagem seja empregada por pesquisadores para testar outros indivíduos que aparentem ter capacidades mediúnicas ou psíquicas, e alegações conceitualmente semelhantes sendo feitas dentro de contextos forenses, profissionais e clínicos.

Agradecimentos

Os autores gostariam de agradecer a Dra. Caroline Watt por seu feedback numa versão anterior deste artigo, aos médiuns e assistentes que bondosamente participaram do estudo, e ao Fundo Perrott-Warrick por ajudar a financiar a pesquisa.

Referências

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Greville, T. N. E. (1949). On the number of sets required for testing the significance of verbalmaterial. Journal of Parapsychology, 13, 137-138.

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 15, 2013 10:37 pm

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Hodgson, R. (1892). A record of certain phenomena of trance. Proceedings of the Society for Psychical Research, 8, 1-167.
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Schouten, S. A. (1994). An overview of quantitatively evaluated studies with mediums and psychics. Journal of the American Society for Psychical Research, 88, 221-254.

Schwartz, G. E. (2003). How not to review mediumship research. Skeptical Inquirer, 27(3), 58-61.

Schwartz, G. E. R., Russek, L. G. S., Nelson, L. A., & Barentsen, C. (2001). Accuracy and replicability of anomalous after-death communication across highly skilled mediums. Journal of the Society for Psychical Research, 65(862), 1-25.

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Ave sem Ninho

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 16, 2013 10:31 pm

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Thouless, R. H. (1949). Review of Journal of Parapsychology, Vol. 12, Number A. Journal of the Society for Psychical Research, 35, 48-49.
Wiseman, R., & O’Keeffe, C. (2001). Accuracy and replicability of anomalous after-death communication across highly skilled mediums: A critique. Paranormal Review, 19, 3-6.

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Artigo original: Testing alleged mediumship: Methods and results. The British Journal of Psychology, 96(2), 165-179, Maio de 2005.

Artigo disponível para download em www.psy.herts.ac.uk/wiseman/papers/MediumBJP.pdf

Apêndice A: Exemplo de uma leitura sendo convertida em declarações correspondentes

Leitura

Acho que há uma senhora no local.
Quem é você? A mãe? Sim, mãe. Aproximadamente 5 pés e 4 polegadas.

Posso ver um pote, um pote para cozinhar, um pote de latão de cozinhar.
Isso é um pote bastante grande, não é? Tem uma tampa.

Você [espírito] trabalhou cozinhando, preparando jantares.
Você [espírito] trabalhou numa loja vendendo potes e panelas.
Teve algo a ver com uma loja, potes e panelas.

Você tinha uma peça favorita em sua loja? Ah, sim, eu posso vê-la agora.
É uma panela longa para cozinhar peixe ou o quê?
Isso é muito amável de facto.

Parece-se um fogão de peixe para mim.
Você é inglesa, não é? Sim (se refere à Mãe).

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 16, 2013 10:31 pm

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Afirmações

A1: Acho que há uma senhora no local.
Quem é você? A mãe? Sim, mãe.
Aproximadamente 5 pés e 4 polegadas.


A2: Posso ver um pote, um pote para cozinhar, um pote de latão de cozinhar.
Isso é um pote bastante grande, não é? Tem uma tampa.


A3: Você [espírito] trabalhou cozinhando, preparando jantares.

A4: Você [espírito] trabalhou numa loja vendendo potes e panelas.
Teve algo a ver com uma loja, potes e panelas.


A5: Você tinha uma peça favorita em sua loja? Ah, sim, eu posso vê-la agora.
É uma panela longa para cozinhar peixe ou o quê? Isso é muito amável de facto.
Parece-se um fogão de peixe para mim.


A6: Você é inglesa, não é? Sim (se refere à Mãe).

Apêndice B: Resultado tabelados para médiuns individuais e todos os médiuns combinados.

Assistente julgando a exactidão das informações

Assistente presente durante a leitura A B C D E
A 156 230 131 176 252
B 202 183 223 192 301
C [i]170 111 145 106 161
D 348 240 196 166 175
E 120 97 134 159 137

Resultados para Médium 1

Assistente julgando a exactidão das informações

Assistente presente durante a leitura A B C D E
A 354 410 304 294 322
B 198 277 210 243 230
C 234 289 282 318 264
D 452 341 220 269 113
E 166 250 275 291 258

Resultados para Médium 2

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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 16, 2013 10:33 pm

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Assistente julgando a exactidão das informações

Assistente presente durante a leitura A B C D E
A 15 21 13 7 12
B 11 17 9 24 12
C 13 13 12 15 7
D 8 26 18 24 11
E 14 13 10 21 10

Resultados para[ Médium 3

Assistente julgando a exactidão das informações

Assistente presente durante a leitura A B C D E
A 72 42 98 43 109
B 51 59 49 67 89
C 88 61 77 110 146
D 97 84 54 61 91
E 122 57 64 84 87

Resultados para Médium 4

Assistente julgando a exactidão das informações

Assistente presente durante a leitura A B C D E
A 257 318 410 194 181/[i]
B[i] 410 364 312 286 243/[i]
C[i] 355 289 297 321 176

D 312 320 354 331 238
E 427 276 358 246 220

Resultados para Médium 5

Assistente julgando a exactidão das informações

Assistente presente durante a leitura A B C D E
A 854 1,021 956 714 876
B 872 900 803 812 875
C 860 763 813 870 754
D 1,217 1,011 842 851 628
E 849 693 841 801 712

Resultados de todos os médiuns combinados

Referência original

O’Keeffe, Ciarán; Wiseman, Richard. Testing alleged mediumship: Methods and results.
British Journal of Psychology, Volume 96, Number 2, pp. 165-179(15)


§.§.§- O-canto-da-ave
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Re: Casos de Mediunidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 17, 2013 9:22 pm

Journal of the Society for Psychical Research [Vol. 68.1, No. 874

RESULTADOS DA APLICAÇÃO DO PROTOCOLO ROBERTSON-ROY A UMA SÉRIE DE EXPERIÊNCIAS COM MÉDIUNS E PARTICIPANTES
Por T. J. ROBERTSON e A. E. ROY

Traduzido por Vitor Moura Visoni

RESUMO

Este artigo é o terceiro de uma série de artigos por Robertson e Roy que juntos descrevem e testam um método para avaliar as alegações de comunicações mediúnicas.

Neste artigo descrevemos os resultados obtidos da aplicação do Protocolo Robertson-Roy (RRP) num conjunto projectado de experiências que capacita em cada experiência que (a) as categorias (tais como um recipiente que acredita que ele ou ela é um não recipiente) de todos os participantes presentes sejam inequivocamente determinadas, (b) a operação de uma variedade de fatores normais (tais como a linguagem corporal e a resposta verbal a um médium) seja controlada.

O RRP foi testado cerca de dois anos e meio num estudo envolvendo 13 sessões realizadas em alguns locais na Inglaterra e Escócia, com cerca de 300 participantes de uma grande variedade de bases culturais.

Dez médiuns entregaram 73 séries de declarações durante estas sessões.

O estudo demonstrou que o RRP, embora exigindo tempo tanto na aplicação quanto conversão dos dados adquiridos, é um procedimento prático, repetível e útil para avaliar a capacidade dos médiuns de transmitir informação relevante aos recipientes.

Os resultados do estudo forneceram uma confiável, e objectiva, medida quantitativa da significância a ser colocada na fração mais alta aceita pelos recipientes do número de declarações nas séries entregues aos recipientes que aquelas aceitas por não-recipientes nessas sessões.

Devido ao projecto das experiências, os resultados não podem ser devido a factores normais tais como linguagem corporal e resposta verbal.

A probabilidade que os resultados sejam devido ao acaso é de uma em um milhão.

A avaliação pelo procedimento Robertson—Roy da relevância das declarações entregues pelos médiuns também é mostrada para apoiar a negação de uma hipótese céptica.

INTRODUÇÃO

O artigo presente se baseia em trabalho descrito em dois artigos prévios (Robertson & Roy, 2001; Roy & Robertson, 2001), doravante referidos como Artigos 1 e 2, que se preocupavam com o desenvolvimento e teste de um novo protocolo para avaliar as alegações de comunicações mediúnicas verídicas.

Será suposto que o leitor tem alguma familiaridade com os Artigos 1 e 2 de modo que repetição possa ser mantida a um mínimo.

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