Estudo 017 - Influência dos Espíritos em nossos Pensamentos e Atos

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Estudo 017 - Influência dos Espíritos em nossos Pensamentos e Atos

Mensagem  luzespirita em Ter Maio 04, 2010 3:41 am

A influência exercida pelos Espíritos em nossos pensamentos e atos, tanto para o bem quanto para o mal, é tão extensa que, a este respeito, foi dito a Kardec: influem "muito mais do que imaginais. influem a tal ponto, que de ordinário, são eles que nos dirigem."
"Quando um pensamento vos é sugerido, tendes a impressão de que alguém vos fala. Geralmente, os pensamentos próprios são os que acodem em primeiro lugar. Afinal, não vos é de grande interesse estabelecer essa distinção. Muitas vezes, é útil que não saibas fazê-las (...)"
Podeis neutralizar a influência dos maus Espíritos " Praticando o bem e pondo em Deus toda a vossa confiança, repelireis a influencia dos Espíritos inferiores e aniquilareis o império que desejam ter sobre vós (...)."

Abaixo três exemplos retirados das obras de Chico Xavier:

CASO 01

Quando reencontrei o meu amigo Custódio Saquarema na Vida Espiritual, depois da efusão afetiva de companheiros separados desde muito, a conversa se dirigiu naturalmente para comentários em torno da nova situação.
Sabia Custódio pertencente a família espírita e, decerto, nessa condição, teria ele retirado o máximo de vantagens da existência que vinha de largar. Pensando nisso, arrisquei uma pergunta, na expectativa de sabe-lo com excelente bagagem para o ingresso em estancias Superiores. Saquarema, contudo, sorriu, de modo vago, e informou com a fina autocrítica que eu lhe conhecia no mundo:
—Ora, meu caro, voce não avalia o que seja uma , obsessão disfarçada, sem qualquer mostra exterior. A Terra me devolveu para ca, na velha base do "ganhou mas não levou ". Ajuntei muita consideração e muito dinheiro; no entanto, retorno muito mais pobre do que quando parti, no rumo da reencarnação...
Percebendo que não me dispunha a interrompê-lo, continuou:
-—Você não ignora que renasci num lar espirita, mas, como sucede à maioria dos reencarnados, trazia comigo, jungidos ao meu clima psíquico, alguns sócios de vícios e extravagancias do passado, que, sem o veículo de carne, se valiam de mim para se vincularem as sensações do plano terrestre, qual se eu fora uma vaca, habilitada a cooperar na alimentação e condução de pequena família... Creia que, de minha parte, havia retomado a charrua física, levando excelente programa de trabalho que, se atendido, me asseguraria precioso avanço para as vanguardas da luz. Entretanto, meus vampirizadores, ardilosos e inteligentes, agiam à socapa, sem que eu, nem de leve, Ihes pressentisse a influência... E sabe como?
—Através de simples considerações íntimas prosseguiu Saquarema, desapontado. —Tão logo me vi saído da adolescência, com boa dose de raciocínios lógicos na cabeça, os Instrutores amigos me exortaram, por meus i pais, a cultivar o reino do espírito, referindo-se a estudo, a abnegação, aprimoramento, mas , dentro de mim , as vozes de meus acompanhantes surgiam da mente, como fios d’água fluindo de minadouro, propiciando-me a falsa idéia de que eu falava comigo mesmo: " Coisas da alma, Custódio? Nada disso. A sua hora é de juventude, alegria, sol... Deixe a filosofia para depois..., Decorrido algum tempo, bacharelei-me. As advertências do lar se fizeram mais altas, conclamando-me ao dever, entretanto, os meus seguidores, até então invisíveis para min, revidavam tambérn com a zombaria inarticulada: " Agora? Não é ocasião oportuna. De que maneira harmonizar a carreira iniciante com assuntos de religião? Custódio, Custódio!... Observe o critério das maiorias, não se faça de louco!..." . Casei-me e, logo após, os chamados à espiritualização recrudesceram, em torno de mim. Meus solertes exploradores, porém, comentaram, vivazes: " Não ceda, Custódio ! E as responsabilidades de família ?
preciso trabalhar, ganhar dinheiro, obter posição, zelar por mulher e filhos...". A morte subtraiu-me os pais eu, advogado e financista, já na idade madura, ainda ouvia os Bons Espíritos, por intermédio de companheiros dedicados, requisitando-me à elevação moral pela execução dos compromissos assumidos; todavia, na casa interna se empoleiravam os argumentos de meus obsessores inflexíveis: " Custódio, você tem mais quefazeres. Como diminuir os negócios? E a vida social? Pense vida social... Você não esta preparado para seara fé.... Em seguida, meu amigo, chegaram a velhice e doença, essas duas enfermeiras da alma , que vivem de
mãos dadas na Terra. Passei a sofrer e desencantar-me. Alguns raros visitantes de minha senectude, transmitindo -me os derradeiros convites da Espiritualidade Maior, insistiam comigo, esperando que eu me consagrasse às coisas sagradas da alma; no entanto; dessa vez, os gritos de meus antigos vampirizadores se altearam, mais irônicos, assoprando-me sarcasmo, qual se fora eu mesmo ridicularizar-me: " Você, velho Custódio?! Que vai fazer você com Espiritismo? E' tarde demais... Profissão, fé, mensagens de outro mundo... Que se dirá de você meu velho ? Seus melhores amigos falarão em loucura senilidade... Não tenha dúvida... Seus próprios filhos interditarão você, como sendo um doente mental, Inapto à regência de qualquer interesse econômico... Você não. está mais no tempo disso..
Saquarema endereçou-me significativo olhar e matou:
—Os meus perseguidores não ma seviciaram o corpo, nem me conturbaram a mente. Acalentaram apenas o meu comodismo e, com isso, me impediram qualquer passo renovador. Volto da Terra, meu caro, imitando lavrador endividado e de mãos vazias que regressa de um campo fértil, onde poderia ter amealhado inimagináveis tesouros... Sei que você ainda escreve para os homens, nossos irmãos. Conte-lhes minha pobre experiência, refira-se, junto deles, à obsessão pacífica, perigosa, mascarada... Diga-lhes alguma coisa acerca do valor tempo, da grandeza potencial de qualquer tempo na romagem humana!...
Abracei Saquarema, de esperança voltada para tempos novos, prometendo atender-lhe a solicitação. E aqui lhe transcrevo o ensinamento pessoal, que poderá servir a muita gente, embora guarde a certeza de que, se andasse agora reencarnado na Terra e recebesse de alguém semelhante lição, talvez estivesse muito pouco inclinado a aproveitá-la.

CASO 02
...
Marques, o ex-presidente do templo espírita, falava ao companheiro:
—Teremos assembléia geral depois de amanhã e estou colecionando os documentos. Veremos quem pode mais. Desmoralizarei os mandriões.
E Osório, o amigo fiel, ponderava;
—Mais calma. O senhor foi presidente por muitos anos. Sempre respeitado. Sempre querido. Recordemos nossas reuniões. Nosso Dias da Cruz, que o senhor conheceu tão bem quando neste mundo, prometeu ajudá-lo até o fim...
—Sei que estou protegido — dizia Marques, beliscando, nervoso, a barba branca, mas vou colocar a coisa em pratos limpos. A diretoria foi tomada de assalto. É muita gente querendo transformar a casa em gamela gorda.
—Marques, a ironia é veneno.
.;—Tenho fotocópias, retratos, informações e muito: papel importante para mostrar o passado desses oportunistas, Todo o material será exibido na assembléia. Alguns desses companheiros transviados são passíveis de xadrez.
—Medite, Marques, medite! — pedia Osório — O que passou, passou... Agitar o fundo de um poço é fazer lama. Ore. Peça o amparo do Alto
E, a convite do amigo, os dois se puseram em prece, rogando proteção espiritual.
Em seguida, tornaram à casa de Marques, onde Osório observaria como adoçar o calhamaço.
Ao procurar o libelo escrito, o dono da casa ouviu da arrumadeira, que entrara na véspera, estranha explicação:
—Senhor Marques, todos os papéis que o senhor deixou espalhados nas cadeiras, com retratos e jornais velhos, eu entreguei ao lixeiro, quando caminhão da Prefeitura por aqui passou.
—Meu Deus! —gritou o velhinho, entrelaçando as mãos na cabeça, ante Osório sorridente — era serviço de oito meses!
E a jovem inexperiente replicou, sem saber que fazia a definição moral:
—Mas era muita sujeira! . . .


CASO 03

Centralizando-se a palestra no estudo das tentações, contou Jesus, sorridente:
-—Um valoroso servidor do Pai movimentava-se, galhardamente, em populosa cidade de pecadores, com tamanho devotamento à fé e à caridade, que os Espíritos do mal se impacientaram em contemplando tanta abnegação e desprendimento. Depois de lha armarem os mais perigosos laços, sem resultado, enviaram um representante ao Gênio das Trevas, a fim de ouvi-lo a respeito.
Um companheiro de consciência enrijecida recebeu a incumbência e partiu.
O Grande Adversário escutou o caso, atenciosamente, e recomendou ao Diabo Menor que apresentasse sugestões.
O subordinado falou, com ênfase:
Não poderíamos despoja-lo de todos os bens? Isto, não —disse o perverso orientador—; para um servo dessa têmpera, a perda dos recursos materiais é libertação. Encontraria, assim, mil meios diferentes para aumentar suas contribuições à Humanidade.
—Então, castigar-lhe-emos a família, dispersando-a e constrangendo-Ihe os filhos a enchê-lo de opróbrio e ingratidão...— aventou o pequeno perturbador, reticencioso.
O perseguidor maior, no entanto, emitiu gargalhada franca e objetou:
—Não vês que, desse modo, se integraria facilmente com a família total que é a multidão?
O embaixador, desapontado, acentuou:
—Será talvez conveniente lhe flagelemos o corpo; crive-lo-emos de feridas e aflições.
~ Nada disto —acrescentou o gênio satânico —, ele acharia meios de afervorar-se na confiança e aproveitaria o ensejo para provocar a renovação íntima de muita gente, pelo exercício da paciência e da serenidade na dor.
—Movimentaremos a calúnia, a suspeita e o ódio gratuito dos outros contra ele! — clamou o emissário.
—Para quê? —tornou o Espirito das Sombras. —Transformar-se-ia num mártir, redentor de muitos. Valer-se-á de toda perseguição para melhor engrandecer-se, diante do Céu.
Exasperado, agora, o demônio menor aduziu:
—Será, enfim, mais aconselhável que o assassinemos sem piedade...
Que dizes? —redargüiu a Inteligência perversa. —A morte ser-lhe-ia a mais doce benção, por conduzi-lo as claridades do Paraíso.
E vendo que o aprendiz vencido se calava, humilde, o Adversário Maior fez expressivo movimento de olhos e aconselhou, loquaz:
—Não sejas tolo. Volta e dize a esse homem que ele é um zero na Criação, que não passa de mesquinho verme desconhecido... Impõe-lhe o conhecimento da própria pequenez, a fim de que jamais se engrandeça, e veras...
O enviado regressou satisfeito e pôs em prática o método recebido.
Rodeou o valente servidor com pensamentos de desvalia, acerca de sua pretendida insignificância, e desfechou-lhe perguntas mentais como estas: "como te atreves a admitir algum valor em tuas obras destinadas ao pó? não te sentes simples joguete de paixões inferiores. da carne? não te envergonhas da animalidade que trazes no ser? Que pode um grão de areia perdido no deserto? não te reconheces na posição de obscuro fragmento de lama?"
O valoroso colaborador interrompeu as atividades que lhe diziam respeito e, depois de escutar longamente as perigosas insinuações, olvidou que a oliveira frondosa começa no grelo frágil, e deitou-se, desalentado, no leito do desânimo e da humilhação, para despertar somente na hora em que a morte lhe descortinava o infinito da vida -. ·
Silenciou Jesus, contemplando a noite calma..;
Simão Pedro pronunciou uma prece sentida e os apóstolos, em companhia dos demais, se despediram, nessa noite, cismarentos e espantadiços.

ATIVIDADES
Explicar a natureza das influências que os Espíritos exercem sobre as pessoas.
Fazer distinção entre um pensamento próprio e um sugerido pelos Espíritos.
Identificar os meios de neutralizar uma influência negativa provocada por Espirito atrasado.

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