Momentos Espíritas II

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Momentos Espíritas II

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 20, 2013 9:38 am

Criatividade do amor

Qual será a exacta dimensão do amor?
Já ouvimos falar sobre a grandiosidade do amor de Deus e de como as criaturas humanas alcançam patamares inimagináveis, quando acionadas pelo amor.

Mas esse sentimento sublime é capaz de engendrar acções extraordinárias nas suas manifestações.

Acções como a de um senhor britânico, de noventa e um anos, casado há setenta anos com Phyllis.

A esposa começou a ter problemas mentais, há cerca de vinte anos.
Evoluindo de forma a necessitar de atendimento especializado, Jack precisou interná-la em um lar, em Kent, na Inglaterra.

Mas ele a visita todos os dias e, apesar das dificuldades de que é portadora, ao vê-lo, ela estende os braços para abraçá-lo.

Para Jack, essa é a demonstração de que o amor continua.
E, correspondendo ao amor dela, ele tenta ajudá-la a manter a memória saudável e lutar contra a demência lendo, todos os dias, histórias do diário que escreveu, durante os anos de mútua convivência.

Eles se casaram no período da Segunda Guerra Mundial, em 1943.

O diário regista o dia em que se conheceram.
Cheguei em casa e escrevi que a tinha conhecido.
Penso que fiz isso porque senti que era um momento que iria mudar a minha vida.
– Informou ele em entrevista a um jornal londrino.

Além de ler o diário do seu casamento, Jack mostra para a esposa as fotografias da época em que viajavam de caravana.
Também as mais recentes com os cães de ambos.

Tudo para que ela se mantenha consciente da própria vida.
Para que não se apague a pequena chama das lembranças nem a chama tremeluzente da paixão.

Sobre o segredo da sua relação matrimonial de tantos anos, diz o britânico que é não criar expectativas, aceitando o que a vida tenha a oferecer.

Um amor que vara as décadas e permanece, mesmo quando um dos parceiros apresenta sérias dificuldades mentais, é amor sólido.

É um sentimento que está acima da aparência física e do que possa receber em troca.

Um sentimento que está preocupado em doar-se e auxiliar a dificuldade do parceiro de jornada, nada aguardando em troca.

Um exemplo para tantos que pensamos que o verdadeiro amor é feito de alegrias e juventude, beleza e reciprocidade.

Com certeza, é maravilhoso tudo compartilhar nos verdes anos, quando a beleza impera e as energias se apresentam vigorosas.

Quando se pode entrelaçar as mãos e sair a passeio; quando as frases de ternura são recíprocas e o carinho é partilhado.

Contudo, quando o amor vence a invernia das dores e dos cabelos brancos, do depauperar das forças; quando o amor permanece, apesar das limitações físicas e do crepúsculo mental; quando o amor a tudo supera e continua forte, rijo, em manifestações seguras e permanentes... então, atingiu a excelência.

Um amor assim é Deus manifestando-se através das Suas criaturas.
É verdadeiro e inigualável amor.

Um amor feito de criatividade, de arte, de engenhosidade íntima.

Momento Espírita, com base em notícia colhida no site sonoticiaboa.com.br, de 18.3.2013.

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Drama íntimo

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 21, 2013 9:17 am

O ónibus, naquela manhã, estava superlotado.
O rapaz se acostumara aos empurrões, apertões, pois aquela era sua condução de todos os dias.
Um homem alto, entroncado, foi se aproximando dele e comprimindo-o contra as demais pessoas.

Desconfortável em sua situação, o jovem tentou se acomodar melhor, quando sentiu o peso de um pé muito grande sobre o seu pé direito.

No momento, não sabia o que doía mais:
se o pisão ou o facto de, naquela manhã, ele estar calçando sapatos novos.
Diga-se, de passagem, ainda não pagos, pois os adquirira à prestação, na véspera.

Senhor, disse ele, seria possível tirar o seu pé de cima do meu?
O homem destilou raiva pelos olhos e, pisando mais forte, perguntou:
E daí? Quer encarar? Vai querer briga?

O jovem contraiu o cenho, mordeu os lábios e não disse mais nada.
Não era uma criatura excepcional, mas já aprendera, apesar dos poucos anos vividos, que revidar não é uma boa opção.

Por estar próximo do seu destino, puxou o pé, deu o sinal e desceu do ónibus, no ponto seguinte.
O sapato estava estragado, rasgado em sua parte superior. Ele ficou bastante triste.

Dias depois, no templo religioso onde se entregava ao trabalho voluntário, viu adentrar o homem do ónibus.
Estava com o rosto carregado, contraído.

O que será que ele quer?
Pensou o rapaz. Nem briguei com ele.

O agressor olhou ao redor e, vendo-o na recepção, se aproximou.
Moço, quem pode me ajudar? Estou desesperado.
E, como se desejasse compartilhar com outra pessoa a dor que o atormentava, foi narrando, aos atropelos, a sua tragédia.

Sua mulher, desde alguns meses, enlouquecera.
Operário, ele saía cedo para o trabalho e a amarrava na cama.
Em outro quarto, ele trancava os quatro filhos pequenos.

Já a internara mais de uma vez em hospital para doentes mentais.

Quando retornava, à noite, entre os gritos e agressões da esposa demente, ele precisava alimentá-la, banhá-la.
Atender aos filhos. Preparar a marmita para o dia seguinte.
Estava tão desesperado, confessou, que provocava as pessoas na rua, a fim de que alguém, enfurecendo-se o matasse.

Assim, ele acabaria com o seu calvário.
Então, o rapaz entendeu.
Aquele homem rude era apenas um homem muito sofrido.

Ele tinha um problema tão grande, que se tornara agressivo, a fim de se ver livre da aflição.

Nunca julguemos pelas aparências.
Se alguém é grosseiro para connosco, não nos ofendamos com essa atitude.
Pode ser que a pessoa tenha um motivo oculto.

Assim, a reacção violenta das pessoas é, muitas vezes, resultante da violência da vida, de problemas que aturdem o ser humano.

Saibamos compreender, ajudar e passar adiante.
Coloquemos, tanto quanto possível, o algodão da calma nessas feridas abertas que fazem os seus portadores quase adentrarem pelos arraiais da loucura.

Momento Espírita, com base no cap. 29, do livro Semeador de estrelas, de Suely Caldas Schubert, ed. Leal.

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Desistir

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 22, 2013 9:22 am

Já pensamos em desistir de algo em nossa existência?

Em abandonar definitivamente, em não mais tentar, em dar as costas e deixar de lado?

Pois há coisas na vida que verdadeiramente merecem isso.

Coisas que deveríamos todos pensar em desistir.

Quantas vezes tentamos modificar as pessoas que estão ao nosso lado, dando conselhos, brigando, insistindo e discutindo para que elas mudem o jeito de agir, de falar ou de pensar?

Talvez melhor fosse abandonarmos essa postura e tentarmos modificar a nós mesmos.

Analisarmos o próprio comportamento e verificarmos o que poderia ser diferente, como melhorar, como nos liberarmos de atitudes desagradáveis ou nocivas.

Já pensamos em abandonar a necessidade que temos de analisar a vida alheia, julgando e ponderando o que os outros fazem?

Pesamos o comportamento de nosso próximo, emitimos juízo de valor, sentenciamos e damos o veredicto para cada acção executada pelo nosso vizinho, parente ou amigo.

Talvez melhor fosse desistirmos dessa atitude e iniciarmos o julgamento de nós mesmos.

Quanto de nosso tempo utilizamos para verificar o que fazemos, como agimos, de que maneira nos comportamos?

É verdade que, como nos lembra Jesus, é muito mais fácil ver um cisco no olho do próximo do que uma trave em nosso olho.

Mas talvez seja o momento de abandonar e deixar para trás a preocupação com a atitude do outro e analisar melhor a nossa própria.

Já pensamos na possibilidade de abandonar nossa postura crítica, sempre vendo o erro, o deslize, a falha de nosso próximo?

Esquecemos multiplicadas vezes de valorizar a dedicação das pessoas, porque nos concentramos na procura das falhas.

Assim, não temos tempo ou não conseguimos aquilatar o quanto elas se esforçaram, fizeram o seu melhor, dentro da limitação própria que possuem.

Quem sabe, ao olharmos sob esse novo ângulo, consigamos eliminar a crítica destrutiva, o olhar de reprovação, o comentário pesado.

Esses, muitas vezes, levam ao desestímulo, à desistência de muitos de tal ou qual actividade, sem proveito algum.

Quantos de nós temos perante a vida um olhar de pessimismo, desânimo, analisando tudo e todos sob uma óptica negativa.

Com certeza, melhor seria renunciar a tal posição, enchendo nosso horizonte de bom ânimo, alegria e gratidão à vida, que tanto nos oferece e oportuniza.

Assim, quando tantos desistem de coisas importantes, relevantes, quando tantos abrem mão de compromissos e responsabilidades, sejamos nós os que desistamos de outra maneira.

Desistamos daquilo que apenas nos pesa ao coração, que nos dificulta o progresso, que entrava a marcha para o Alto para, finalmente, optarmos pelo bem e pelo bom, tendo Jesus como referência em nossas atitudes e comportamento.

Jesus, Modelo e Guia para toda a Humanidade.

Momento Espírita.

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Bem e Mal Viver

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 23, 2013 10:58 am

Porque campeiam o utilitarismo e as disputas existenciais, não descreia do amor nem da solidariedade.

Porque você haja sido vítima da astúcia e da ingratidão de alguns, não se faça amargo nem pessimista para com todos.

Porque demore de chegar a colheita dos resultados dos seus labores, não deixe de semear a esperança e o bem em todo lugar.

Porque a precipitação e a loucura avassalem os homens, não lamente os esforços que envida em prol da harmonia e da saúde geral.

Porque a vitória aparente da desonestidade corrói algumas criaturas, não desanime no dever nem na hombridade moral.

Porque o clima de confiança entre os amigos se faça difícil, não domine os seus impulsos de lealdade e afeição em relação ao próximo.

Porque caminhem abraçadas a utopia e a insensatez, não se recuse o exercício da parcimónia e da ordem.

Porque as criaturas se digam em crise, diante de um mundo que afirmam estar em desagregacão, não ofereça forças á balbúrdia e à agressividade.

Porque o apego as coisas e a vida orgânica o impilam a lutar pelos bens terrenos, não se esqueça de preparar-se para a morte, quando se verá constrangido a tudo deixar, excepto os valores morais e espirituais acumulados nos cofres da existência eterna...

O bem não receia o mal, que é transitório.

O optimismo não se abate ante a agressão do desânimo, que é passageiro.

A saúde não se acovarda face à doença, que grassa em derredor, por momentos.

A luz não sucumbe ante a treva, que facilmente se dilui...

De forma alguma vitalize o lado negativo das coisas, das questões, das pessoas, da vida...

Você pode modificar as próprias paisagens morais e as do seu próximo, abraçado à certeza da mensagem do Cristo em triunfo, hoje lhe abrasando a vida.

Referência: Do livro: Sementes da Vida Eterna, Médium: Divaldo Franco

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Fale de Deus com seu filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 24, 2013 10:17 am

Era uma tarefa de escola, passada para crianças de seis e sete anos.
Cada um deveria, junto com os pais, observar o céu estrelado à noite e, depois, representar numa folha de papel o que viram e conversaram, através de desenhos e palavras.

Um desses meninos convidou seu pai para ajudá-lo.
Ambos passaram alguns minutos olhando a noite e conversando, encantados.

Como é grande tudo isso, não é filho?
E olha que grande parte dessas estrelas, galáxias e planetas, nem conseguimos ver assim, sem um telescópio.
O que é um telescópio, pai? – E a conversa seguiu por aí.

O menino fez diversas perguntas sobre o tamanho de Júpiter, sobre qual era a estrela mais brilhante e muitas outras coisas.

E você já pensou sobre quem fez tudo isso, filho?
Sim, pai, eu sei, foi Deus.
Ele fez todas as coisas. Todo o Universo.

E que tal se colocarmos na sua tarefa de casa, junto aos seus desenhos dos planetas, uma pergunta, assim como:
“Quem fez as estrelas?”
E depois, lá embaixo, bem grande, escrito:
“Deus! Que tal?”
Terminou o pai, super empolgado – quase querendo fazer a tarefa pelo filho.

Não, pai, não quero desse jeito.
Quero deixar apenas a pergunta e fazê-la para minha professora e aos meus amigos.
A veia de filósofo do filho era bem maior que a do pai.

Tudo bem. Óptima ideia.
Deixamos só a pergunta e você a faz em sala para ver o que seus amigos vão dizer.

Ao final do dia, o pai desejou saber como fora a apresentação da tarefa:
E aí, filho, como foi?
Eles gostaram? Fez a pergunta?

Sim, pai.
O que eles disseram?
Nada.
Como, nada?

Não falaram nada, pai.
Ninguém sabia a resposta.
Só eu e a professora.
– Falou o menino por fim, cheio de orgulho de si mesmo.

Será que não estamos falando de Deus com nossos filhos?
Nem mesmo essas questões simples como quem criou o Universo, as pessoas, a natureza?
Será que durante cerca de seis a sete anos de vida os pais daquelas crianças nunca citaram Deus dessa forma?

Nunca mencionaram um possível Criador – seja lá o nome que possa ter?
Não estamos aqui falando da menção de Deus, da forma religiosa comum, com seus estereótipos, dogmas etc.
Não. Reflectimos nesse caso sobre essa ideia de uma força maior, de uma inteligência suprema e causal de tudo que existe.

Certamente, as crianças precisam começar a questionar sobre isso desde cedo, sem receber respostas prontas, sem desejar fazer-lhes lavagem cerebral com ideias ininteligíveis sobre a figura Divina.

As crianças precisam reflectir sobre sua origem, seus destinos, precisam, desde cedo, entender ou recordar que fazemos parte de algo muito grande e importante.

Fale de Deus com seu filho.
Não do Deus vingativo, do Deus que tem preferidos, do Deus que castiga.
Esse Deus não tem mais espaço nos dias de hoje.
Já estamos maduros para entender o Criador de forma diferente.

Fale de Deus com seu filho mostrando que estamos amparados por mãos amorosas sempre.
Fale de Deus com seu filho, inspirando-se na forma com que Jesus O mencionava: Pai.
Se nossas crianças enxergarem em Deus a figura de um bom pai, criarão uma relação muito mais saudável desde pequenos, e serão adultos que levarão Deus em seus dias, de forma muito natural.

Fale de Deus com seu filho.

Momento Espírita.

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Primavera em nossa alma

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 25, 2013 8:50 am

Desde pequenos, muitos de nós elaboramos planos para a vida adulta.

Enquanto alguns crescem alimentando os sonhos infantis e os concretizam na maturidade, outros os deixam para trás.

Buscam-se realizar pessoal e profissionalmente de uma forma diversa daquela planeada no início.

Enfim, todos nós temos objectivos a cumprir e metas a alcançar.

Importante analisarmos de que forma estamos agindo na concretização desses sonhos.

Na profissão ou ocupação que desenvolvemos, estamos agindo apenas em troca de uma remuneração financeira ou nos preocupamos em fazer algo mais, que vá além de nossa obrigação?

No caso de termos subalternos, de que maneira os estamos tratando?
Importamo-nos com suas questões pessoais?
Temos sido amáveis e atenciosos com nossos familiares e amigos?

O bem está tendo espaço em nossa vida?

Não nos esqueçamos de que é possível ser caridoso a todo tempo e em todos os lugares.
Oportunidade não nos falta.

É muito bom quando conseguimos reservar algum período do nosso tempo para o serviço sem remuneração, para a acção em favor da comunidade, para a caridade fraternal.

Esse tempo específico para agir no bem tem grande valor para Deus.
Mas tenhamos a convicção de que não precisamos de um momento exclusivo para colocar o amor em acção.

Podemos agir caridosamente dentro do nosso ambiente familiar e em todas as relações sociais.
O modo como tratamos o próximo é que determina a nossa grandeza.

Tiremos o foco de nós mesmos e nos preocupemos com aqueles que estão a nossa volta, observando o quanto nossas boas acções, por mais simples que sejam, têm influência sobre eles.

Cuidemos para que a nossa vontade não prevaleça sempre sobre a dos outros.
O exercício de fazer concessões nos leva, aos poucos, a deixar de lado o orgulho que ainda carregamos.

Chegará o momento de partirmos desta morada e o que ficará serão nossas obras.
O que realizamos é sempre mais importante do que nós mesmos.

Façamos, então, a diferença e participemos de um momento de mudança em nossa sociedade, oferecendo bons exemplos, amparando e protegendo aqueles que necessitam, edificando construções de amor.

Preocupemos-nos em deixar algo de bom pelo caminho que percorremos.
Belas obras que possam ser levadas adiante por outras pessoas, independentemente de nossa presença.
Não importa se escolhemos seguir os sonhos da infância ou se optamos por buscar outras formas de nos realizarmos.

O importante é a maneira como estamos trilhando o caminho que escolhemos e a história que estamos deixando registada.
Lembremo-nos da primavera, época encantadora e de vida abundante, na qual as flores e o canto dos pássaros embelezam nossos dias.

Assim como o aroma e as cores dessa estação nos trazem alegria, sejamos nós capazes de embelezar a vida do nosso semelhante com o perfume do bem.

Façamos então primavera em nossa alma.

Momento Espírita.

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Ambiente mental

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 26, 2013 9:50 am

Mãe e filha caminhavam pelas encostas floridas de um vale, e pelo caminho iam guardando as impressões tão belas da natureza exuberante daquelas paisagens alpinas que tanto lhes enterneciam a alma.

A vida tinha sido dura para com elas até então, pois, após a guerra, tudo havia se tornado difícil: tanto a alimentação, quanto reorganizar a vida, sozinhas, sem o apoio fraternal daqueles que tanto amavam na comunidade.

Será que um simples sobrenome poderia tê-las feito sofrer tanto assim?
Essa era a pergunta que se faziam, diversas vezes, enquanto caminhavam em busca de sua antiga residência.

Nada poderia ser assim tão inexplicável para aquelas descendentes de judeus que habitavam os arredores de Zugspitze, Alemanha, por volta de 1948.

Entretanto, eram dotadas de uma força extraordinária que, mesmo sem saber para onde iam, tinham a certeza de que facilmente a vida voltaria a ser normal de novo.

Desejavam poder trabalhar, mesmo que fosse intensamente, na reconstrução da própria felicidade.

O tempo passou.
Já se aproximava o pôr-do-sol quando as duas se assustaram com o quadro que aparecia à sua frente.

Entre tão bela paisagem, dois homens, aos gritos um para com o outro, transformavam aquele paraíso num lugar desarmónico, pela vibração de rancor que deles emanava.

Subitamente, ao sentirem a presença de tão doces criaturas, os ânimos foram se acalmando, foram se refazendo das atitudes de agressividade, serenando os batimentos cardíacos e os dois perceberam que o silêncio delas os atingia de modo incómodo.

Boa tarde, senhores! Será que poderíamos lhes ser úteis?

Boa tarde, responderam com desdém.
Como podem vocês afirmar ser boa uma tarde em que só podemos sentir raiva e desejo de vingança?

Estão, por acaso, fora de seus juízos normais ou são portadoras de alguma virtude que para nós ainda é desconhecida?

Entre uma frase e outra, elas explicaram que, apesar de tanto sofrimento, agradeciam ao Criador pelas próprias vidas que, ao serem poupadas graças a Ele, tiveram oportunidade de reconstrução e recomeço.

Chance desejada por muitos que haviam sofrido os martírios da guerra, ficado sem condições físicas para recomeçar sozinhos.

Então, o mais velho dos homens, envergonhado, chamou o outro ao seu lado, desculpando-se pelo mau uso das palavras, da violência, enfim, de toda aquela situação de indescritível mal estar que ele, como pai, houvera criado para seu filho tão amado.

Explicou que a dor imensa que lhe deturpava os sentidos, pela perda da esposa e outros filhos, o impedia de raciocinar claramente.
Com humildade, pediu ao filho que lhe desse a mão e o ajudasse a superar tão difícil etapa da vida.

Por sua vez, o filho, muito emocionado, concordou em perdoar e recomeçaram a tentativa de acerto, juntos outra vez.

Agradeceram e partiram, assim como elas também tomaram seu rumo, estrada afora.

Muitas vezes somos capazes de efectuar grandes mudanças em nosso ambiente, mesmo que possa nos parecer difícil tal atitude.

Se nos mantivermos firmes em nossas acções nobres, desejosos de mudança interna e, principalmente, contarmos com o auxílio da oração que nos fortalece, podemos modificar para melhor o ambiente que nos rodeia.

Agindo assim, a nossa vida servirá de exemplo a todos aqueles que, por falta de um modelo, permanecem impossibilitados de tomar atitudes salutares.

E a fonte para todo esse aprendizado se encontra na mensagem do Cristo, portadora de ensinamento que nos fará pessoas melhores, capazes de auxiliar a todos indistintamente.

Momento Espírita.

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Iluminando o Universo

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 27, 2013 9:52 am

Quando temos a feliz oportunidade de olhar para o céu à noite, longe das luzes da cidade, ficamos maravilhados com o esplendor estrelado acima de nós.

Parece que as estrelas que cintilam, em silêncio, sempre estiveram lá e que, noite após noite, século após século, estarão no mesmo lugar.

Será que lá se encontram desde o início dos tempos?
Onde começa a História das estrelas?
Apesar de serem inúmeras as perguntas sobre esse assunto, hoje a ciência nos esclarece muitas dúvidas.

A astronomia nos diz que elas são enormes globos de gás, milhões de vezes mais maciças do que a Terra.

O nosso sol é uma estrela.
Embora elas nasçam mais ou menos da mesma forma, emergindo de nuvens de poeira e gás, podem assumir muitas características diferentes.

Elas têm variadas dimensões, temperaturas e cores.
Grandes ou pequenas, brilhantes ou ténues, certeza há de que todas lançam sua luz para o cosmo.
Elas produzem o calor e a luz que ilumina e movimenta o Universo.

Assim como as estrelas, cada um de nós tem características próprias.

Somos imperfeitos e temos muitas limitações mas, ainda assim, somos capazes de ser fonte de luz e de aquecer e iluminar a vida das pessoas que nos cercam.

O brilho costuma exercer certa influência positiva sobre nós e, de alguma forma, nos atrai.

Quem não gosta de admirar o brilho do sol que embeleza nossos dias?
Fitar olhos que brilham de felicidade?
Quem não se alegra com um sorriso sincero que ilumina o ambiente?

Onde quer que estejamos, procuremos levar o nosso brilho às pessoas.
Façamos com que aqueles que connosco convivem, sintam-se aquecidos com nossa presença.

Assim como estamos certos de que todas as noites as estrelas estarão à nossa espera, sejamos a certeza na vida das pessoas de que estaremos prontos a estender nossas mãos todas as vezes que nos buscarem.

Quando olhos necessitados se voltarem para nós, tenhamos a capacidade de ser sol, mesmo nos dias mais nublados, aquecendo os corações com a palavra amiga e o afecto sincero.

Independente do passar do tempo e da distância, nos transformemos em estrelas, sempre presentes, clareando, exalando vida, calor e luz.

E nunca nos esqueçamos que Jesus é a estrela mais sublime que caminhou pela Terra, espalhando luz para iluminar nossas estradas, não permitindo que caminhássemos na escuridão.

Sê amigo de quem te busque o apoio, a presença.
As criaturas necessitam tanto de pão quanto de amigos para viver.

Há quem caminhe na multidão, sofrendo a soledade, necessitando de companhia, de amizade.
Nunca permitas que a outra pessoa se afaste da tua presença sem que leve algo bom dos minutos passados contigo.

Tens muito a oferecer.
Descobrir tais valores, seja o teu primeiro passo.
Pô-los a benefício do próximo, o imediato.

Ninguém está privado dos bens espirituais, que não possa dispor de alguma coisa para oferecer.

Momento Espírita, com pensamentos finais do cap. 108, do livro Vida feliz, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

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Poema Divino

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 28, 2013 9:29 am

Pai nosso,que estás no céu, na terra, no fogo, na água e no ar.
Pai nosso, que estás nas flores, no canto dos pássaros, no coração a pulsar;
que estás na compaixão, na caridade, na paciência e no gesto de perdão.


Pai nosso, que estás em mim, que estás naquele que eu amo, naquele que me fere, naquele que busca a verdade.
Pai nosso, que estás naquele que caminha comigo e naquele que já partiu, deixando-me a alma ferida pela saudade.

Santificado seja o Teu nome por tudo o que é belo, bom, justo e gracioso, por toda a harmonia da Criação.
Sejas santificado por minha vida, pelas oportunidades tantas, por aquilo que sou, tenho e sinto e por me conduzir à perfeição.


Venha a nós o Teu reino de paz e justiça, fé e caridade, luz e amor.
Reino que sou convocado a construir através da mansidão de espírito, reflexo da grandeza interior.

Seja feita a Tua vontade, ainda que minhas rogativas prezem mais o meu orgulho do que as minhas reais necessidades.
Ainda que muitas vezes eu não compreenda mais do que o silêncio em resposta às minhas preces, não te ouvindo assim dizer:
Filho aguarda, tua é toda a eternidade.


O pão nosso de cada dia me dá hoje e que eu possa dividi-lo com meu irmão.
As condições materiais que ora tenho de nada servem se não me lembro de quem vive na aflição.

Pão do corpo, pão da alma, pão que é vida, verdade e luz.
Pão que vem trazer alento e alegria: é o Evangelho de Jesus.


Perdoa as minhas ofensas, os meus erros, as minhas faltas.
Perdoa quando se torna frio meu coração;
quando permito que o mal se exteriorize na forma de agressão.

Que, mais do que falar, eu saiba ouvir.
Que, ao invés de julgar, eu busque acolher.
Que, não cultivando a violência, eu semeie a paz.
Que, dizendo não às exigências em demasia, possa a todos agradecer.

Perdoa-me, assim como eu perdoar àqueles que me ofenderem, mesmo quando meu coração esteja ferido pelas amarguras e dissabores da ingratidão.

Possa eu, Senhor da Vida, lembrar de que nenhuma mágoa é eterna e de que o único caminho que me torna sublime é a humilde estrada da reconciliação.


Não me deixes cair nas tentações dos erros, vícios e egoísmo, que me tornam escravo de minha malevolência.
Antes, que Tua luz esteja sobre mim, iluminando-me, para que eu te encontre dentro de minh’alma, como parte que és de minha essência.


E livra-me de todo o mal, de toda violência, de todo infortúnio, de toda enfermidade.
Livra-me de toda dor, de toda mágoa e de toda desilusão.


Mas ainda assim, quando tais dificuldades se fizerem necessárias, que eu tenha força e coragem de dizer:
Obrigado, Pai, por mais esta lição!

Tudo o que nos cerca é poesia Divina.
Há um traço de Deus em cada ser da Criação.

Busquemos por Ele no desabrochar das flores, no correr das águas, no canto do vento, no cintilar das estrelas.

Mas, acima disso, busquemos por Ele em nosso interior.
Basta que, por um instante, fechemos os olhos e O sintamos: lá Ele está, dando rima aos versos de nossas vidas...

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Perdendo a alma

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 29, 2013 1:27 pm

Vivemos dias de urgência.
Vivemos dias onde o tempo parece escasso, onde os compromissos parecem se multiplicar, onde as necessidades são inúmeras.

Nós nos arvoramos a buscar, correr, alcançar.
Sempre com pressa, sempre atrasados, sempre procurando recuperar o tempo perdido.

Na ânsia e na necessidade de viver para o mundo externo, esquecemos de viver também para nosso mundo interno.

Perdemo-nos de nós mesmos nas estradas do mundo.
Temos dificuldade para encontrar o endereço de nossa intimidade.

E quando não nos encontramos com nós mesmos, quando vivemos só para o externo, para as necessidades do corpo, quando nossas preocupações são somente físicas, materiais, vamos aos poucos nos embrutecendo.

Esquecidos das necessidades da alma, atrofiamos nossos sentimentos mais subtis, nossa essência mais nobre, e passamos a viver na externalidade do mundo.

A pouco e pouco, as reflexões nobres deixaram de ter espaço em nossa casa mental.
Já não mais investimos tempo para apreciar um entardecer ou para reverenciar a tempestade pesada de verão a refrescar um fim de tarde.

A oração deixou de fazer parte de nossos hábitos e as leituras edificantes e enriquecedoras cederam espaço para programas de TV vulgares e superficiais.

Assim, é natural que, aos poucos, vamos nos embrutecendo, vamos perdendo nossas mais nobres capacidades humanas.
A vida passa a ser guiada pelos instintos e pouco espaço há para os sentimentos e para as reflexões mais elevadas.

Não por acaso vamos nos tornando mais violentos, mais reaccionários a tudo e a todos.
Passamos a viver como se não trouxéssemos em nós a essência de Deus, como se não fôssemos dEle os filhos dilectos.

Deixando-nos levar pelo roldão da vida – é bom que se diga novamente - perdemos o endereço de nós mesmos, perdemos o caminho de nossa intimidade, deixamos de nos encontrar connosco.

A breve tempo, vamos perdendo o contacto com nossa essência divina.
Como consequência, vamos adoecendo e nos embrutecendo.

Assim, vivemos em sociedade agredindo-nos uns aos outros.
Temos dificuldade para compreender o próximo, preferindo julgar e criticar.

Não conseguimos conviver, com tranquilidade e calma, frente aos desafios da vida, tornando-nos violentos e agressivos.
Já não temos tolerância e calma quando nos deparamos com situações limites, buscando os atalhos das discussões verbais, dos afrontamentos até às raias da agressão física ou do atentado à vida do próximo.

Cansados que estamos de nosso mundo, e sedentos por paz, é necessário que reencontremos nossa essência divina.

Urgente se faz que lembremos que somos um Espírito imortal vivenciando o mundo físico.

Importante que retomemos o hábito da oração, do contacto com o Criador e Pai de todos nós.

Imprescindível que dediquemos um tempo, a cada dia, para a meditação, para a leitura nobre, para as coisas que edificam e nos propiciam harmonia íntima.

E fundamental se torna, nesses dias desafiadores, que tenhamos como referência Jesus, modelo e guia na compreensão, na tolerância e no amor ao próximo.

Momento Espírita.

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Se eu pudesse escolher

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 30, 2013 9:57 am

Se eu pudesse escolher, seria feliz por, pelo menos, oito horas por dia, todos os dias.
Reservaria o tempo restante para viver as pequenas agruras naturais.

Mas seriam leves, porque haveria a certeza de que a cada dia, eu teria a minha cota de felicidade.

Se eu pudesse escolher, reservaria algumas horas todos os dias, para fazer só o que fizesse os outros felizes. Dedicação total.

Se eu pudesse escolher, pararia qualquer coisa que estivesse fazendo às cinco horas da tarde, e me sentaria para assistir ao pôr-do-sol.

Escolheria lugares especiais.
Procuraria não me repetir muito.
O horário do pôr-do-sol seria algo assim, sagrado.
O meu horário para observar Deus.

Se eu pudesse escolher, viveria entre o mar e as montanhas.
No meio do caminho. Nem muito longe de um, nem muito longe de outro.

Plantaria flores. Teria vasos na janela.
Muitos livros na cabeceira da cama à noite.

Depois do trabalho, porque se eu pudesse escolher, trabalharia sempre, produziria sempre, eu me sentaria para contemplar a noite bordada de estrelas e o luar.

Se eu pudesse, sorriria muito.
Mas choraria também, às vezes, para não esquecer o que a lágrima significa.
Viver só de sorrisos não é uma boa opção.
Faz-nos esquecer de que a dor campeia no mundo e que é companheira quase inseparável de muitas criaturas.

Se eu pudesse escolher, faria uma declaração de amor todos os dias.
Uma declaração de amor sem estardalhaço, sem alarde, que afirmasse ao coração eleito que pode contar comigo todos os dias, todas as horas, para todas as crises e as alegrias.

Se eu pudesse escolher, viveria a vida de uma forma mais leve, menos dolorosa, mais intensa, menos angustiante.
Se eu pudesse escolher...

As condições de nossas vidas são escolhidas por nós, antes do berço, normalmente.
Onde iremos renascer, quais os seres que nos receberão, dando-nos a vida física, o lar, a família como um todo.

Escolhemos a área profissional de actuação, porque a profissão é alavanca de progresso ao ser humano.
Estabelecemos directrizes acerca da família que constituiremos mais tarde, elegendo o companheiro ou companheira e os filhos que virão através de nós.

Em linhas gerais, o género de vida e de morte.
Contudo, ficam por nossa conta, do nosso livre-arbítrio seguir ou não o planeamento estabelecido antes da reencarnação.

Podemos guardar a certeza precisa: sempre há escolhas que nos são oferecidas.
A de provocar sorrisos, de abraçar, de declarar nosso amor.

A possibilidade de transformar dentro de nós o cenário e aprender que podemos viver ao menos quinze minutos de felicidade com tanta intensidade que eles possam ser transformados em horas, dias, meses, no tempo que escolhermos.

A vida é uma escolha contínua.
Quando o sol ilumina o dia, a nossa escolha ditará se o dia nos será de felicidade ou infelicidade. Tudo depende de como encaramos os acontecimentos.

Para aqueles que reclamam de tudo e pintam de negro o céu da existência, tudo será canseira e tédio.
Para aqueles que saúdam o dia com disposição de aprendiz, o dia será sempre uma nova oportunidade de experimentar, crescer e aprender a gozar felicidade nas pequenas coisas.

Momento Espírita, com base no texto Escolhas, de autoria ignorada.

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Ouvindo pela primeira vez

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 31, 2013 10:16 am

Qual a sensação de ouvir um som pela primeira vez, após vinte ou trinta anos sem ouvir nada?
Qual a sensação de escutar a voz da própria mãe para um bebezinho, deficiente auditivo, com alguns meses de idade?

A ciência dos dias de hoje tem conseguido dar esse presente a muitas pessoas, através de seus avanços fabulosos.
Os chamados implantes cocleares possibilitam sensações auditivas próximas às fisiológicas, e cada vez mais se multiplicam pelo mundo.

Multiplicam-se também os vídeos pela internet, mostrando esses momentos inesquecíveis na vida de algumas pessoas.

As reacções são emocionantes.
O sorriso dos bebés é dos mais lindos que se possa imaginar, ouvindo a voz da mãe pela primeira vez.
O brilho nos olhos e o choro dos jovens e dos adultos,é das coisas mais belas que circulam pelos meios digitais hoje em dia.

Só eles sabem realmente o que é sair do silêncio, das limitações de um mundo pouco preparado para entendê-los, e encontrar uma nova realidade, a realidade dos sons, da música, do ouvir.

É um despertar para uma realidade nova.
É ganhar um novo sentido, com o qual nunca se pôde contar antes.
Abre-se um novo mundo de possibilidades e de belezas sem fim.

Quando deixamos o silêncio da vida materialista e, finalmente, encontramos os sons da vida espiritual, dá-se algo maravilhoso também.

Quando o ser se descobre imortal, quando entende e sente, finalmente, que sua parte Espírito nunca perecerá, descortina-se igualmente uma nova realidade de possibilidades e belezas sem fim.

Os valores mudam.
Tudo que consideramos importante é reavaliado.
Reflectimos sobre nossos objectivos aqui, sobre quem somos e se não podemos ser mais.

Entender a vida do Espírito e a relação que temos, incessante e pulsante, com o mundo espiritual, é como sair de um silêncio milenar e começar a ouvir.

Ouvimos as leis de Deus e Sua imensa amorosidade.
Ouvimos a reencarnação e as novas chances que ela nos dá.

Ouvimos a voz dos amados que já se foram e dos que ainda chegarão.
Ouvimos as melodias elaboradas e profundas do amor, como nunca antes fomos capazes de ouvir.

Ouvimos nosso próximo de forma diferente.
Não mais como uma ameaça ou mesmo um estranho, mas como um irmão, trilhando o mesmo caminho, a mesma jornada.

Ganhamos um novo sentido quando nos aceitamos e nos entendemos como Espíritos.

Sentido de sentir algo a mais.
Sentido de objectivo, de motivação, de força para prosseguir em meio aos desafios constantes da vida.

Façamos esse exercício:
assistamos a um desses vídeos, entregando-nos à emoção daquelas pessoas, e façamos essa reflexão:
como será escutar, pela primeira vez, a voz da vida verdadeira, da vida do Espírito.

Nada será igual, tenhamos certeza.
Nosso sorriso não será o mesmo.
Nossas lágrimas não serão as mesmas.

Como será ouvir pela primeira vez?

Momento Espírita.

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Vivências do amor

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 01, 2013 9:56 am

Como será viver uma união matrimonial durante meio século?
E que se dizer dos que ultrapassam meio século de convivência, que prosseguem juntos décadas além?


Uma fotógrafa americana se sentiu atraída pelos casais que vivem décadas juntos.
Resolveu, não somente imortalizá-los em suas fotos, como também colheu depoimentos de alguns deles.

As fotos são enternecedoras.
Todas demonstrando o carinho mútuo, o cuidado, após tanto tempo decorrido.
Mãos dadas, um beijo apaixonado, confidências ao ouvido, um abraço.

Qual será o segredo dessas uniões conjugais tão longas?
Bom, diz um dos fotografados, um segredo é um segredo, e eu não revelo meus segredos!
Outros, não tão discretos, dizem da alegria de conviver, por tantos anos, ao lado do grande amor.

Uma senhora fala que era jovem e estava com problemas na escola.
Tinha um trabalho sobre música para fazer e não sabia nem como começar.

Sua mãe sugeriu que ela procurasse David porque ele sabia muito a respeito de música.
Sua esperança era de que ele escrevesse para ela o trabalho todo.
Contudo, ele somente se ofereceu para ajudar porque o compromisso era dela.

Ela teria que fazer o trabalho.
Pois, depois de escreverem juntos o texto, ele a convidou para ir a uma festa de um dos seus amigos do Exército.
Foi o início da grande jornada a dois.
E ele continua exigente, até hoje, conta a esposa.

Existem histórias de casais em que a diferença de idade é muito grande.
Mas, depois de sessenta e três anos juntos, o amor permanece.
Amor feito de carinho, de respeito e atenção.
Amor que se fortalece no tempo.

Casais que envelhecem, mas nada muda em seus corações.
O cônjuge continua a ser o primeiro e único amor.

Angie, uma senhora de Nova York, afirma:
Você não pensa no facto de estar envelhecendo.
Você não percebe que está com uma ruguinha aqui, e que no outro dia está um pouco maior.

Não, esse tipo de coisa simplesmente acontece.
Você não presta atenção nesse tipo de coisa.

Quero dizer, você não fica pensando todo dia:
“Meu marido tem oitenta e três anos, vai fazer oitenta e quatro.
Estou casada com um homem velho.
E espero que ele pense dessa mesma forma.”

O que é emocionante é esses casais recordarem, com brilho nos olhos e emoção na voz, o dia em que se conheceram.
Detalhes do primeiro encontro, a roupa que usavam.
E continuarem a ter sonhos.
Sonham viver mais alguns anos, sonham ver os netos casados.
Sobretudo, frisam, tão felizes quanto eles próprios.

O amor sempre tem muitas histórias.
Porque o amor é criativo, inventivo.
O amor não se repete, porque a cada dia utiliza novas tintas para tingir o céu da afeição e colorir os dias.

O amor não morre nunca, nem se abala.
Vence os anos, a velhice, a enfermidade e a dor.
E amadurece, ofertando frutos sempre mais saborosos.

O amor é uma força extraordinária, renova-se sem cessar e enriquece ao mesmo tempo aquele que dá e aquele que recebe.
O amor conjugal é uma das expressões humanas do amor Divino.

Pense nisso e permita-se viver intensamente o amor.

Momento Espírita, com base em notas colhidas no site www.sonoticiaboa.com.br e frase do cap. XXV, do livro O problema do ser, do destino e da dor, de Léon Denis, ed. FEB.

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Quando Orardes

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 02, 2013 10:12 am

“E, quando estiverdes orando, perdoai.” — Jesus (Mc, 11:25)

A sincera atitude da alma na prece não obedece aos movimentos mecânicos vulgares.

Nas operações da luta comum, a criatura atende, invariavelmente, aos automatismos da experiência material que se modifica de maneira imperceptível, nos círculos do tempo;

todavia, quando se volta a alma aos santuários divinos do plano superior, através da oração, põe-se a consciência em contacto com o sentido eterno e criador da vida infinita.

Examine cada aprendiz as sensações que experimenta em se colocando na posição de rogativa ao Alto, compreendendo que se lhe faz indispensável a manutenção da paz interna perante as criaturas e quadros circunstanciais do caminho.

A mente que ora, permanece em movimentação na esfera invisível.

As inteligências encarnadas, ainda mesmo quando se não conheçam entre si, na pauta das convenções materiais, comunicam-se através dos ténues fios do desejo manifestado na oração.

Em tais instantes, que devemos consagrar exclusivamente à zona mais alta de nossa individualidade, expedimos mensagens, apelos, intenções, projectos e ansiedades que procuram objectivo adequado.

É digno de lástima todo aquele que se utiliza da oportunidade para dilatar a corrente do mal,consciente ou inconscientemente.

É por este motivo que Jesus, compreendendo a carência de homens e mulheres isentos de culpa, lançou este expressivo programa de amor, a benefício de cada discípulo do Evangelho:

“E, quando estiverdes orando, perdoai.”

Chico Xavier / Emmanuel (espírito)


Que lição importante!

Pois ela nos alerta que pensamento é expressão da vontade, que ele tem vida e endereço.

Quando pensamos, expressamos desejos e aspirações, que são energias direccionadas a um fim.

Assim sendo, quanto mais elevadas, essas mesmas energias contribuirão para que a psicosfera da Terra se torne mais pura.

Que nossas orações sejam, então, como Emmanuel nos ensina.

Que elas estejam assentadas no verdadeiro amor fraterno, que perdoa e só pensa e emite o bem.

Que sua semana seja, então, de paz, advinda de todas as energias benéficas que você há de emitir.


NEECX - Núcleo de Estudos Espíritas Chico Xavier

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Divino farol

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 03, 2013 10:26 am

Conta-se que um capitão, ainda bastante jovem, tinha acabado de se formar na Escola de Oficiais da Marinha e estava servindo num grande navio de guerra.

Sua frota estava fazendo exercícios num arquipélago, em meio a milhares de ilhas.
Eles já estavam chegando no final do dia, o tempo estava péssimo, com névoa densa e a visibilidade muito ruim.

Num certo momento, o vigia avisou ao comandante que havia uma luz piscando do lado direito.
O comandante perguntou se a luz estava constante ou em movimento, e o vigia confirmou que a luz estava parada e num curso de colisão.

O comandante mandou uma mensagem para o suposto navio informando que ele estava numa rota de colisão e que seria necessário mudar seu curso em vinte graus, imediatamente.

Recebeu a seguinte mensagem:
É melhor vocês mudarem seu percurso imediatamente.

O capitão pensou que a tripulação do outro navio não sabia quem ele era e transmitiu outra mensagem:
Eu sou um capitão, por favor mude seu percurso em vinte graus.

Veio outra mensagem:
Eu sou marinheiro de segunda classe, senhor, e estou alertando que é preciso mudar o curso do seu navio, senhor.

O comandante ficou enfurecido e enviou sua mensagem final:
Estou no comando da mais importante nau da frota.
Não podemos manobrar tão rápido.
Mude seu curso imediatamente. Isto é uma ordem!

Então, o comandante recebeu a mensagem final:
Senhor, é impossível mudar nossa rota. Isto aqui é um farol.
E eu, sou apenas o faroleiro.

Ao longo da sua trajectória evolutiva, não foram poucas as vezes que homens investidos de cargos importantes ou em posições de destaque, têm se deixado levar pela soberba e pela vaidade, a ponto de não perceber a realidade que os cerca.

A história registou inúmeras dessas situações, mas a mais célebre foi a ocorrida com Jesus.
Quando o Mestre de Nazaré Se posicionou diante dos doutores da lei, dos poderosos, dos que se julgavam acima do bem e do mal, qual farol iluminando a noite escura dos corações, foi crucificado.

Aqueles homens não admitiam que um simples carpinteiro, sem títulos nem riquezas materiais pudesse lhes indicar o rumo que deveriam seguir para evitar o naufrágio na escuridão das próprias trevas.
Investidos dos poderes transitórios e das glórias terrenas, fecharam os olhos para a Grande Luz que veio à Terra para iluminar consciências e perfumar corações.

Enceguecidos pelo brilho do ouro, desdenharam o maior tesouro já conferido à Humanidade.
Pseudo-sábios, iludidos pela prepotência do falso saber, desprezaram Aquele que foi e continua sendo o maior sábio de que se tem notícias.

Cegos pelo preconceito de raça, de casta e de religião, não aceitaram a orientação do Sublime Farol que veio a este mundo de misérias para conduzi-lo, como nau desorientada, ao porto seguro de um reinado diferente, que Ele próprio exemplificou.

E, não obstante todas as resistências oferecidas pelos poderosos daquele tempo e por alguns da actualidade, o Divino Farol continua orientando todos os que, cansados de se debater na noite escura dos sofrimentos e nas tempestades geradas pela ignorância, desejam chegar a um porto seguro.

E assim prosseguirá, até que todas as ovelhas do aprisco voltem ao Seu redil...
Até o final dos tempos, conforme Ele mesmo afirmou.

Jesus é estrela de primeira grandeza.
Fez-Se, na Terra, um humilde carpinteiro para Se achegar aos corações doridos daqueles que estavam dispostos a saciar a sede de esperança e seguir Seus passos luminosos.
E, embora desprezado por muitos, continua sendo o Divino Farol a indicar o caminho que conduz ao Pai, através dos Seus luminosos ensinamentos.

Momento Espírita com base em história de autor desconhecido.

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Como se fosse a primeira vez

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 04, 2013 10:35 am

Ao retornarem para casa, depois de um dia normal de aula escolar, mãe e filho falavam sobre os acontecimentos daquela tarde.

Durante o trajecto, era costume conversarem sobre amenidades.

Como o fim do ano se aproximava, a mãe resolveu perguntar ao menino qual a impressão que ficara para ele, a respeito dos professores.

O garotinho contou detalhes sobre alguns deles, buscando com cuidado, encontrar palavras que exprimissem suas verdadeiras impressões.

Mas acabou surpreendendo a mãe ao fazer a seguinte observação:
Eu gosto mesmo é da professora de História, sabe por quê?

E, sem dar tempo da mãe pensar em algo que justificasse o seu encantamento, ele seguiu com a resposta:
É porque ela trabalha com a nossa turma desde o começo do ano e em todos os dias ela fica tão empolgada e feliz como se fosse o primeiro dia de aula!

Essa percepção infantil nos leva à reflexão de que, com o passar do tempo, é comum que a maioria de nós diminua o interesse que mostramos, no momento inicial das nossas actividades.

É como se o comodismo fosse um comportamento esperado.
E, quando a empolgação inicial por nossos compromissos permanece, trata-se de uma excepção, quando deveria ser o contrário.

Que tal experimentarmos olhar as coisas ao nosso redor como se nunca as tivéssemos visto antes?

Para nos sentirmos motivados a agir assim, basta que recordemos as emoções que sentimos quando vivemos boas experiências pela primeira vez.

Quem não se recorda do turbilhão de sentimentos que tomou conta de nossa alma quando nos deparamos, pela primeira vez, com a imensidão do mar?

E o indescritível amor que nos invadiu quando carregamos, pela primeira vez, um filho nos braços?

E a emoção de ter fitado os olhos da pessoa amada, pela primeira vez?

A satisfação pelo primeiro caderno, a felicidade ao concluir as várias etapas escolares, a conquista do primeiro trabalho.

Procuremos nos lembrar dessas boas sensações e mantê-las vivas em nosso íntimo, permitindo que elas nos impulsionem a uma atuação enérgica e dedicada.

Não deixemos que o entusiasmo pela tarefa que abraçamos diminua a cada dia, pois, se assim permitirmos, quando nos dermos conta, estaremos agindo apenas com automatismo e nos sentindo sobrecarregados.

Sigamos o exemplo dessa professora, que consegue transmitir continuamente às crianças, o amor à tarefa e a viva satisfação de ter a oportunidade do trabalho.

Qualquer que seja nossa actividade, busquemos desempenhá-la com dedicação.

Assim agindo, nosso dia se tornará mais agradável e, com certeza, também levaremos leveza e alegria àqueles que nos cercam.

Procuremos fazer com que o prazer em nossas tarefas seja a nossa marca registada, contagiando, inclusive, aos que nos cercam.

Busquemos olhar as coisas à nossa volta como se fosse a primeira vez.

E verificaremos que isso nos trará certo encantamento.

Momento Espírita.

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Reverenciando a vida

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 05, 2013 10:16 am

Nesses dias em que se ouve falar de tanta violência...

Nesses dias em que assistindo as imagens televisivas de uma maratona, somos surpreendidos com cenas de destruição e morte, por explosões de bombas...

Nesses dias em que, por vezes, nos parece que o homem esqueceu que é um ser espiritual, que foi criado e é sustentado por amor...

Nesses dias em que o homem parece ter enveredado pelos caminhos do desamor e da insensatez, verificamos que o maior investimento deve ser dirigido à educação das crianças.

Sim, às gerações novas que ora despontam, crivadas de ideais de bondade, beleza e amor.

Basta olharmos nos olhos desses pequenos seres para descobrir o brilho das estrelas e o mistério das almas enobrecidas.

E são tantas pela Terra, espalhadas pelos cinco continentes, falando línguas diferentes, movendo-se em meio a expressões culturais diversas, mas com um sentimento em comum: o amor.

Amor que se expressa das formas mais inusitadas.
Como a daquela menina de oito anos que viu a coleguinha, na escola, matar uma borboleta.

Ver destroçada a vida de uma beleza tamanha, uma vida que nada mais fazia senão embelezar esse imenso mundo de Deus, com suas cores e seu voo gracioso, a fez tomar uma decisão.

Em pedaços de papel, desenhou o ser alado que acabara de perecer e escreveu na frente: S O S borboleta.
No verso, em letras grandes:
Salve a natureza.

E saiu a distribuir os seus bilhetinhos pela escola.

Ao sabermos do facto, recordamo-nos do grande profeta das selvas, Albert Schweitzer e sua reverência pela vida.

Reverência pela vida que queria dizer respeito a toda e qualquer vida:
a vida humana, em primeiro lugar, sem dúvidas, mas também a vida animal, e até a vida vegetal.

Escreveu ele que um homem é verdadeiramente moral somente quando ajuda a toda vida no que pode e quando se esquiva de prejudicar qualquer ser vivente.

Não pergunta em que medida esta ou aquela vida merece seu interesse e simpatia, se tem ou não tem valor, nem indaga se e em que extensão ela é capaz de reagir.

A vida como tal é que lhe é sagrada.
Um homem assim não arranca as folhas das árvores, nem as flores, e toma cuidado para não esmagar um insecto.

Se, no verão, trabalha à luz de uma lâmpada, conservará fechada a janela e respirará o ar abafado e quente, para não ver insetos e mais insetos caírem com as asas chamuscadas.

Se vai por uma rua após um aguaceiro e vê uma minhoca deixada na calçada pela água, sabe que logo será torrada pelo sol, se não puder alcançar a terra em que se possa abrigar, e a levanta da pedra mortífera e a coloca na grama...

Não tem medo de que se riam dele como de um sentimental.
O destino de todas as verdades é serem objecto de escárnio, antes de serem reconhecidas pelas massas.

O essencial é que o homem nunca permita que sua sensibilidade se embote e caleje, ou que perca a delicadeza para com tudo que vive.

Reverência pela vida! Abracemos essa causa.

Momento Espírita, com base em facto ocorrido em escola da capital paranaense, em 19.4.2013 e no cap. XIV, item 2, do livro O profeta das selvas – Vida e Obra de Albert Schweitzer, de Hermann Hagedorn, ed. Alvorada.

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Ser um homem

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 06, 2013 11:48 am

Qual será a melhor definição de ser um homem?

Para alguns, ser um homem significa muitas conquistas e é o que a mídia passa como verdade, nos dramas das novelas, nos programas de variedades e nas revistas semanais, que as bancas exibem às dezenas.

Importante também ter um bom carro, porque as mulheres apreciam andar no último tipo, na cor da moda, no mais elegante.
Quem sabe ter um iate, a possibilidade de férias regulares no Exterior, em lugares que mais parecem irrealidade de tão maravilhosos.

Ser um homem é gozar do prestígio dos seus pares, sendo considerado um profissional de destaque, mesmo que não se queira saber a que preço galgou os degraus de tal sucesso.
Ser um homem é ter dinheiro para ser independente e mandar no seu próprio nariz, indo e vindo para onde bem deseje, sem dar satisfações a quem quer que seja.

Ser um homem...
Bom, existem muitos outros conceitos que variam, de acordo com a época, as circunstâncias, os valores locais.
Contudo, um conceito que transcende o tempo, a sociedade, que é válido em qualquer país, em qualquer época, é o que o poeta Rudyard Kipling sintetizou nos seguintes versos do seu poema Se:

Se você é capaz de manter a calma quando todos ao seu redor já a perderam e o culpam por isso;
Se você é capaz de confiar em si mesmo quando todos estão duvidando, mas levar em consideração essa desconfiança;

Se você é capaz de esperar e não se cansar da espera;
Ou, ao ser vítima de mentiras, não mentir para se defender;
Ou, sendo odiado, não deixar se levar pelo ódio;

E ainda assim não parecer bom demais, nem muito sábio;
Se você pode sonhar sem deixar que os sonhos o dominem;
Se pode pensar sem deixar que o pensamento seja o seu único objectivo;

Se pode lidar com o triunfo e a desgraça, esses dois impostores, da mesma maneira;
Se pode aguentar a dor de ouvir a sua verdade ser transformada em mentira para enganar os tolos;

Ou ver destruídas todas as coisas que você dedicou a vida para construir, e empenhar-se em refazê-las com os poucos recursos que lhe restam;
Se é capaz de forçar seu coração, nervos e músculos exaustos a servirem seus objectivos, e a persistir quando nada mais há em você senão sua vontade que lhe diz: “Prossiga”;

Se você pode falar às multidões sem perder sua virtude, ou estar entre reis sem perder a sua naturalidade;
Se nem seus inimigos nem seus melhores amigos podem lhe fazer mal.

E se todos podem contar com você, mas ninguém depende de você;
Se você é capaz de se dedicar os sessenta segundos de cada minuto ao trabalho então, a Terra será sua, com tudo o que existe no mundo;

E você, o que é mais importante, será um homem, meu filho!

Jesus, superando todos os limites do conhecimento, fez-se o biótipo do homem integral, por haver desenvolvido todas as aptidões herdadas de Deus, na condição de Ser mais perfeito de que se tem notícia.

Toda a Sua vida é modelar, tornando-se o exemplo a ser seguido, para o logro da plenitude, de quem deseja libertação real.

Pense nisso.

Momento Espírita, com transcrição do poema Se, de Rudyard Kipling e pensamentos da introdução do livro O homem integral, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

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Dias de desafios

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 07, 2013 10:18 am

Quem de nós não desejaria que a existência transcorresse à semelhança de um rio calmo, onde a barca de nossa vida singrasse por águas tranquilas e serenas?

Todos temos o desejo de que, na vida, os embates não surjam, as dificuldades não se apresentem, e as dores não ocupem espaço em nosso caminhar.

Contudo, viver é muito mais do que atender ao escoar dos dias, ou esperar a velhice chegar e a morte encerre a vida do corpo físico.

Temos o desafio, a cada vez que nascemos, a cada vez que nos vestimos de carne, de que novos aprendizados se façam.

Esse é o propósito da Divindade para connosco: que o corpo físico seja a possibilidade de progresso para a alma.

Assim, naturalmente haverá dias mais amargos em nossa jornada.
Ocorrerão fases em que o peso sobre nossos ombros se avolumará, e os problemas se apresentarão mais complexos.

Passaremos por dias tumultuosos, em que seremos testados em nossos valores, nossa perseverança, nossa fé.
Surgirão situações de grande monta, exigindo que desenvolvamos capacidades morais de que não dispúnhamos ou nem imaginávamos dispor.

Haverá situações nas quais a prova se mostrará mais rude, em que enfrentaremos nossos limites morais, em que bordejaremos o extremo de nossa capacidade.

Nada disso acontecerá, no entanto, sem a plena anuência da Divindade.
Nenhuma sem o pleno conhecimento da Providência Divina.

Deus tem total ciência de tudo que nos sucede.
Nada que nos ocorra é inútil ou destituído de alguma razão, mesmo que de momento não consigamos entender o propósito.

Contrariando o adágio popular, podemos dizer que Deus escreve certo por linhas rectas.
Nós é que somos, algumas vezes, os míopes que não conseguimos ver o amor e sabedoria de Seus desígnios.

Assim, se os dias se mostram desafiadores, ali está a bondade de Deus nos oferecendo o aprendizado.
Para alguns, o desafio é lidar com o retorno do ser amado à pátria espiritual, deixando o rastro das saudades e uma imensa ausência.

Para outros, é a dor, a doença, as deformidades, as limitações físicas que chegam inesperadamente, provocando desequilíbrio em seus dias.
Para muitos, é a família a se desarticular, pela inconstância de uns, despautério de outros, desestruturando relações de alegria e fraternidade.

Assim é nossa jornada. Feita de desafios e lições.

Quando essas nos chegam, na forma da dor ou da saudade, da doença ou de alguma carência qualquer, é sempre o convite para aprender.

Vistamo-nos de coragem e fé. Enfrentemos o que nos chegue com a serenidade daqueles que entendem os desafios como necessários ao crescimento moral.

E não nos esqueçamos de que teremos sempre Jesus, o Bom Pastor, a nos amparar a todos, cansados e aflitos, em Seu regaço amoroso.

Os desafios existenciais fazem parte da vida. Sem eles, o homem seria destruído pela paralisia da vontade, dos membros, das aspirações, que se transformariam em doentia aceitação dos níveis inferiores do estágio da evolução.

Enriquecer-se com a luz do discernimento elevado é a finalidade essencial da vida.

Momento Espírita, com pensamentos finais do cap. 11, do livro Vida: desafios e soluções, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

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Sofrimento maior

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 08, 2013 9:35 am

Conta-se que quando Inácio de Antioquia foi preso, foi levado a Roma e colocado em um subterrâneo, onde encontrou amigos de fé.

Ali ele se recordou de Jesus e, por várias horas, falou-lhes a respeito das bem-aventuranças do reino de Deus.

Uma semana depois, milhares de espectadores lotaram o circo e a arena se encheu de feras vindas de várias partes do mundo.

Elas não tinham sido alimentadas por uma semana.
Para lhes aguçar o paladar, pedaços de carne ensanguentados lhes foram atirados.

Naquela arena, os cristãos foram lançados e os animais, de forma rápida, despedaçaram os corpos frágeis de anciãos, homens, mulheres e crianças, que não se intimidavam diante da morte.

Contudo, de uma forma estranha, Inácio, que se encontrava entre eles, não foi tocado.
Esperou que uma patada no tórax lhe despedaçasse os ossos e os músculos.
Entretanto, nenhuma fera lhe arrebentou o corpo.

Vendo que os cadáveres dos seus companheiros já estavam sendo rejeitados pelas feras saciadas, ele se ajoelhou na arena ensanguentada e orou a Jesus:
Por quê? Por que fui poupado?
Por que não tive a honra de morrer?


Então, um ser espiritual se apresentou à visão psíquica e lhe respondeu:
Inácio, morrer é muito fácil.
Perder o corpo numa só vez é um testemunho pequeno para ti.
Tu, que amas tanto Jesus, mereces algo mais penoso.

Tu viverás. Viverás entre pessoas que não te compreendem, que desconfiarão de ti.
Estar firme no ideal, Inácio, no momento das dificuldades, este é o sacrifício maior.
O Mestre deseja que vivas, para que a Sua mensagem saia da tua boca e experimentes a perseguição continuada, sem desanimar.
A morte na arena é uma morte muito rápida para os que são bons e fiéis.


Inácio teve sua vida poupada.
Os cristãos supuseram que ele houvesse negado o Cristo e prestado sacrifício aos deuses de Roma, para se salvar.

A calúnia, a maledicência e a intriga semearam na comunidade cristã toda sorte de desconfianças.

Ele jamais se defendeu, porque quem ama Jesus não tem tempo a perder com defesas improdutivas.

Jamais se justificou, porque ele deveria prestar contas ao seu rei, Jesus, e não aos seus pares, súbditos como ele.

Não disse uma palavra.
Os anos demonstraram a sua grandeza.
Ele passaria a ser o modelo do cristão verdadeiro, o modelo daquele servidor primitivo de Jesus, elevado à categoria de bem-aventurado, por seu testemunho de amor.

Se servimos a Jesus, não nos perturbemos com as querelas que nos circundam as acções.

Atendamos sempre com amor.
Sirvamos sem cansaço.
Trabalhemos e, como o Apóstolo de Antioquia, demos conta dos nossos actos a Jesus, nosso Mestre e Senhor.

Vivamos cada dia no bem, aplicando a caridade plena que é benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros e perdão das ofensas.

Momento Espírita, com base no artigo O holocausto maior, de Rogério Coelho, da revista Reformador, de março de 2001, ed. FEB e citação do item 886, de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec,ed.
FEB.

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O Poder da oração

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 09, 2013 10:03 am

Na doutrina espírita, a prece, além de seu aspecto místico, de contacto com as potências superiores, é compreendida em seu aspecto científico.

Allan Kardec, em sua obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (cap. 27), explica:
“O Espiritismo torna compreensível a acção da prece, explicando o modo de transmissão do pensamento (…).

Para apreendermos o que ocorre em tal circunstância, precisamos conceber mergulhados no fluido universal, que ocupa o espaço, todos os seres, encarnados e desencarnados, tal qual nos achamos, neste mundo, dentro da atmosfera.

Esse fluido recebe da vontade uma impulsão;
ele é o veículo do pensamento, como o ar o é do som, com a diferença de que as vibrações do ar são circunscritas, ao passo que as do fluido universal se estendem ao infinito.

Dirigido, pois, o pensamento para um ser qualquer, na Terra ou no espaço, de encarnado para desencarnado, ou vice-versa, uma corrente fluídica se estabelece entre um e outro, transmitindo de um ao outro o pensamento, como o ar transmite o som.

(…) Essa explicação vai, sobretudo, com vistas aos que não compreendem a utilidade da prece puramente mística.

Não tem por fim materializar a prece, mas tornar-lhe inteligíveis os efeitos, mostrando que pode exercer acção directa e efectiva.”

O Fluido Cósmico é a matéria-prima de tudo o que existe (exceptuando-se os Espíritos):
das partículas subatómicas aos super-aglomerados de galáxias.

Esse fluido, em seu estado primitivo banha a Criação e serve de veículo aos nossos pensamentos.

“A prece é uma invocação, mediante a qual o homem entra, pelo pensamento, em comunicação com o ser a quem se dirige.

Pode ter por objecto um pedido, um agradecimento, ou uma glorificação.” (Op. Cit.)

A prece, sincera, feita com unção, é a forma mais poderosa de impulsionar o pensamento.

Uma prece com essas características pode alcançar mundos distantes, onde habitam seres evoluídos que se ligam às nossas almas por vínculos forjados em um pretérito tão remoto que, por agora, são inabordáveis.

Fazer da prece um hábito é viver em comunhão com os planos superiores da vida, deles recolhendo o estímulo indispensável ao nosso progresso geral.

Cultivando a prece, as transformações em nossas vidas se farão de forma tal, que passaremos a compreender, naturalmente, o que está registado no Evangelho (Mateus, 21:22):
“E tudo o que pedirdes na oração, crendo, recebereis.”

Fonte: Jornal Sete Dias – Autor: Aloísio Vander

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Uma mãe que faça castelos de areia

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 10, 2013 9:53 am

Uma dessas tirinhas de jornal, com três breves cenas, levantou uma questão muito importante, que merece nossa atenção:

Na primeira cena, vemos uma menina pequena em frente à sua mãe.
Da mãe, vê-se apenas as pernas e a cintura.

A filha, então, pergunta:
Mãe, aonde você vai? Que roupa é essa?

Na segunda cena, temos a resposta da mãe:
Ora, é minha roupa de academia!
Você não quer uma mãe bonita no verão?


E, finalmente, na terceira, temos a perspicaz resposta da criança:
Não, prefiro uma mãe que faça castelos de areia.

Vale a pena reflectir por alguns instantes, se estamos sendo apenas uma mãe que deseja estar bonita no verão, ou uma mãe que faz castelos de areia com seus filhos.

O cuidado do corpo é importante, claro, e todos precisamos mantê-lo saudável, porém, é necessário verificar se não estamos, muitas vezes, caindo em excessos.

A breve passagem narrada apresenta muito bem o que temos de mais precioso para dar aos nossos filhos: nosso tempo ao seu lado.

Quando se falou em verão, a menina pensou nos castelos de areia que faria com a mãe.
Vale reflectir se, em muitos casos, em nome de tantas coisas, tantos compromissos, ou mesmo em nome da vaidade, não estamos deixando nossos filhos de lado, em casa, com babás, avós ou até sozinhos, por tempo demais.

Quando aceitamos a importante missão de pai, de mãe, aceitamos sacrifícios, aceitamos renunciar parte de nossa vida por eles, pelo menos por um tempo, enquanto são pequenos e precisam de nossa atenção integral.

Muitos pais parecemos esquecer disso, achando que podemos levar a mesma vida que levávamos quando solteiros, ou quando ainda não tínhamos filhos.
Terceirizamos os cuidados e a educação para outros, conseguindo assim mais tempo livre ou ainda, mais tempo para outros afazeres.

Tenhamos calma. Tenhamos paciência.

Esse sacrifício, essas horas e mais horas doadas a eles, irão nos trazer muitas alegrias.
E a primeira delas é a alegria da consciência em paz, da consciência que se reconhece cumpridora de seus deveres.

Utilizemos disciplina. Guardemos momentos para nós durante a semana, para nossos afazeres, mas, evitemos ao máximo deixar as crianças de lado por muito tempo.

São momentos que não voltam e passam muito rápido.
Logo nos daremos conta disso.

Talvez estejamos exaustos com tantos compromissos domésticos, profissionais e familiares.
Parece que não estamos dando conta, é certo.

É nossa cota de doação para a família.
E por se tratar de gesto de altruísmo, de abnegação, não estamos sozinhos.
Podemos contar com a ajuda dos amigos espirituais que nos acompanham e que também trabalham pelo sucesso de nossa empreitada na Terra.

Oremos, peçamos ajuda.
Tranquilizemos o coração e acalmemos a ansiedade.
Logo tudo se encaixa, tudo se acalma.

Em breve os filhos crescem, a vida muda mais uma vez, e será o momento da saudade de quando eram pequenos.
Guardemos em nosso coração uma certeza maior, a de que vale a pena investir nosso tempo em construir castelos de areia com nossos amados filhos.

Momento Espírita.

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Ninho vazio

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 11, 2013 10:33 am

Nos primeiros versículos do livro bíblico do Eclesiastes, lê-se que há tempo para tudo.

Tempo de semeadura. Tempo de floração.
Tempo de seca. Tempo de chuvas abundantes.

No ciclo do matrimónio igualmente existe o período inicial da adaptação, das descobertas do outro, da vinda dos filhos.

Tempo de noites mal dormidas. De fraldas e mamadeiras.
Tempo de garotos na escola, de lições, da universidade.
Dias inquietantes dos namoricos, dos voos mais distantes dos filhos ainda jovens.

Finalmente, chega o tempo em que os cônjuges se descobrem com o ninho vazio.

Não mais as vozes:
Olá, cheguei! Oi, velho! Oi, mãe!
Não mais os sons dos aparelhos electrónicos, as risadas, os pés sobre o sofá da sala, a linha telefónica sempre ocupada.

De repente, como aves migratórias, os filhos se vão.
Vão para a formação dos seus próprios lares e consolidação das suas carreiras profissionais.

Quando se descobrem a sós, muitas vezes, os cônjuges passam a se desarmonizar.
Agora, com tempo dilatado, podem olhar mais detidamente um ao outro, descobrindo imperfeições e defeitos.
As separações ocorrem com frequência nesse ciclo.
A vitalidade do casamento fica enfraquecida, surgem os desentendimentos e o casal entra em crise.

É uma fase que exige sabedoria.

O salmista David, traduzindo as necessidades especiais assim se expressa:
Não me rejeites no tempo da velhice.
Não me desampares, quando se for acabando a minha força.
Agora também, quando estou velho e de cabelos brancos, não me desampares.

É justamente quando se necessita mais do outro que a criatividade há que ser accionada, para tornar o espaço do ninho vazio uma ventura.

É o momento de aprofundar o relacionamento conjugal.
Retomar os verdes dias do namoro, redescobrindo o prazer do calor de um aconchego mais demorado.
Deter-se a mirar um ao outro, recordando quando, exactamente, os cabelos começaram a ficar prateados.

Relembrar as lutas intensas, cujos traços estão impressos nas faces de ambos.
Utilizar o tempo na leitura nobre, trocando impressões, discutindo panoramas e vivências. Idealizar juntos novas metas.
Tornar a usufruir o sabor das manhãs claras, no passeio de mãos dadas, no bosque próximo.

Saborear juntos pequenos detalhes: a ida à pizzaria, os diálogos sem pressa, o concerto, o show.
Enfim, é imprescindível que os cônjuges estabeleçam prioridades.

E o matrimónio é prioritário.
Tudo que venha deteriorar o equilíbrio conjugal, deve ser eliminado.
Desenvolver amizade e companheirismo entre si.
O tempo e os interesses compartilhados conferem segurança e alegria. Fugir da rotina.

Quando te surpreendas demasiadamente crítico para com a criatura que contigo compartilhou dores e alegrias de uma vida; que contigo ombreou nas dificuldades mais acerbas; a criatura à qual entregaste o corpo e a alma, pára um pouco!
Pensa em tudo que juntos idealizaram e construíram.

Recorda os primeiros dias.
Pensa em quantas vezes foi aquele o ombro amigo em que te apoiaste e choraste.
Pensa em quantas vezes os abraços, os apertos de mão, uma doce carícia te fizeram adquirir forças para os embates do mundo.

Deixa-te penetrar pela ternura das lembranças e então, olha o teu par e ama-o um tanto mais, enquanto prossigas no caminho com ele.

Momento Espírita.

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Amor interminável

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 12, 2013 10:02 am

Em um de seus poemas, Vinicius de Moraes escreveu:
Seja o amor eterno enquanto dure...

O verso tem fornecido oportunidade para que os que dizem amar, rapidamente desfaçam laços que parecia iriam ultrapassar os tempos.

Tem se tornado comum dizer que o amor passa.
E nos indagamos: Será mesmo?
Será o amor assim tão efémero, passageiro?


A história de Mary e Tom Fish demonstra que o verdadeiro amor resiste a tudo.
Eles se casaram num dia de maio de 1994 e, nos primeiros meses, tudo era um mar de rosas.
Juntos pintaram, decoraram e mobilaram a casa.

Mary fez as cortinas, Tom plantou rosas.
Ele era um homem atlético e, quando mais jovem, adorara escalar montanhas.

Mary, despreocupada e satisfeita, esperava que os desafios que tivessem que enfrentar juntos viessem sob a forma de filhos e mudanças de vida.

Mas, em fevereiro do ano seguinte, Tom começou a não se sentir bem.
Ele estava no trabalho, tentou tirar um refrigerante da geladeira, mas não conseguiu levar a mão à porta.

Exames médicos indicaram dois tumores cerebrais muito agressivos.
O médico anunciou a gravidade, marcou a cirurgia para o início da semana seguinte e descreveu, com voz fria, os procedimentos.

O casal olhou um para o outro.
Tom começou a dizer: Desculpe, desculpe.
Como se desejasse expressar o quanto sentia estar causando a ela tanta preocupação.

Ele passou por cirurgias, radioterapia e quimioterapia, alternando momentos bons com outros bem difíceis, em que tinha dificuldade para pronunciar certas palavras e Mary precisava descobrir o que ele desejava dizer.

Voltaram-se para Deus, em oração.
Certo dia, Mary sugeriu que eles recitassem em voz alta os votos matrimoniais que tinham escrito.

Enquanto ela se esforçava para recordar o que escrevera, Tom recitou:
Eu, Tom, aceito você, Mary Catherine, tesouro de meu coração e minha companheira querida, para ser minha mulher, amante e amiga, para viajar pela vida comigo, até além do fim do caminho.
Eu a amarei, consolarei e honrarei, na alegria e na tristeza, todos os meus dias.

Um dia, fazendo a maior bagunça para se alimentar, ele perguntou:
Amor, como você se sente diante da possibilidade de eu me tornar deficiente?

Com sinceridade absoluta, ela falou: Meu amor, você é a minha vida.
Tudo que eu quero é que você continue comigo.
Posso enfrentar qualquer problema.

Comemoraram um ano de sua união, comendo a parte de cima do bolo da festa do casamento, que haviam guardado, no congelador, especialmente para a ocasião.

No começo, ela desejou que ele voltasse a ser saudável; depois, pedia que ele vivesse mesmo com as deficiências; então, precisou aceitar o fato que ele iria morrer.

Finalmente, Mary se deu conta de que tudo que podia fazer era ajudá-lo espiritualmente.
Quando Tom se foi, ela escreveu:
Sei que o amor resiste à dor e ao infortúnio.
Se fôssemos capazes de escolher um sentimento que perdurasse acima de todos os outros, haveria escolha melhor?

Pensemos nisso: o amor é o maior dos sentimentos.
O amor nunca acaba.


Momento Espírita, com base no artigo Um amor interminável, de Mary Catherine Fish, da revista Selecções Reader´s Digest, edição especial de aniversário [70 anos].

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Nosso Everest

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 13, 2013 9:32 am

Edmund Hillary foi o primeiro homem a escalar o Everest.
Seu feito coincidiu com a coroação da rainha Elizabeth, a quem dedicou a conquista, e de quem recebeu o título de Cavalheiro pertencente à nobreza.

Um ano antes da conquista, Hillary já havia tentado a escalada e fracassara por completo.
Mesmo assim, os ingleses reconheceram seu esforço e o convidaram para falar a uma numerosa plateia.

O alpinista começou a descrever suas dificuldades e, apesar dos aplausos, dizia sentir-se frustrado e incapaz.

Em dado momento, porém, largou o microfone, aproximou-se da enorme gravura que ilustrava seu percurso e gritou:
Monte Everest, você me venceu esta primeira vez.
Mas eu irei vencê-lo no próximo ano, por uma razão muito simples:
você já chegou ao máximo de sua altura, enquanto eu ainda estou crescendo!


Todos precisamos ter, em nossas vidas, os nossos próprios Everestes, isto é, objectivos a alcançar, metas a atingir.
Sem ter um alvo, um fim, torna-se bastante difícil a caminhada, pois não saberíamos para onde ir, e onde aplicar os nossos esforços.

Lemos, certa feita, um pensamento que dizia o seguinte:
Para uma nau sem direcção, todo vento é sempre contra.
Se não sabemos que direcção tomar, nunca buscaremos aproveitar os acontecimentos que vêm a nosso favor e as ajudas que recebemos.

Para traçar esses objectivos faz-se necessária uma análise profunda de nossos valores, do que sentimos, e se o que fazemos é realmente importante para nós, Espíritos imortais.

Dessa forma, não corremos o risco de criar metas ilusórias, como os sucessos passageiros do mundo, ou como a riqueza vazia que ainda seduz tanto nossos sentidos.

É possível almejar, sim, o crescimento financeiro, as conquistas materiais em família, o conforto, mas, não podemos esquecer de desejar também o crescimento espiritual, a possibilidade de ajudar os necessitados, a conquista da harmonia entre os familiares.

Após desejar e ter certeza de que esse desejo é nobre, é chegado o momento de correr em busca do objectivo, empregando o esforço, a persistência, sempre amparado pela amiga indispensável – a esperança.

Virão momentos de desânimo, em que seremos convidados a desistir da caminhada.

Encontraremos dificuldades diversas, que nos farão voltar à base da montanha, exaustos.

Mas nunca nos permitamos abandonar a certeza de que podemos nos superar, e que todas as adversidades nos fazem mais fortes, mais previdentes para uma próxima tentativa.

O pico da montanha estará sempre lá, estático, enquanto nossa vontade, nossas forças, jamais terão limites.
Chegar ao topo é uma questão de tempo e de perseverança.

Se as conquistas importantes não fossem assim, não teríamos mérito algum em alcançá-las.

Uma técnica muito útil para alcançarmos nossos objectivos é a da visualização.
Criamos imagens, cenas em nossa mente, projectando como seria a conquista dessa meta, imaginando-nos lá, no futuro, comemorando o fim atingido.

Isso nos faz mais fortes, mais empolgados, e combate seriamente o desânimo destruidor.

Para muitos, essa técnica é conhecida apenas como sonhar.

Jamais deixemos de sonhar.

Momento Espírita, com base no livro Histórias para pais, filhos e netos, de Paulo Coelho, ed. Globo.

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Re: Momentos Espíritas II

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