Momentos Espíritas II

Página 2 de 41 Anterior  1, 2, 3 ... 21 ... 41  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Expressões do amor

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 14, 2013 9:40 am

Quando um filho apresenta qualquer problemática, de forma natural, os pais se esmeram, não somente para lhe resolver ou atenuar a dificuldade, como também buscando a melhor forma de se adaptarem, no sentido de lhe atender as necessidades.

Assim, se o filho passa a depender de uma cadeira de rodas, logo a casa tem alterada sua estrutura interna, com a retirada de portas ou paredes.
E até instalação de rampa para o mais fácil acesso do cadeirante a todos os cómodos.

Se o filho é portador de deficiência visual, tudo é feito, de igual modo, para que ele transite, de forma segura e livre.
Se a deficiência é auditiva, pais buscam aprender a linguagem dos sinais, a fim de que a comunicação se dê de forma tranquila.

Mas, e quando um dos pais apresenta uma determinada deficiência, como agem os filhos?

Uma demonstração de amor e dedicação, colhemos de um vídeo que circula pela internet.

A cena mostrada é familiar.

Pai e filho estão à mesa e lancham.
O pai é portador de deficiência auditiva.
A mãe, que faz a filmagem, diz ao menino, de mais ou menos dois anos, que pronunciará várias palavras.

A cada uma, ele deverá mostrar como se fala por sinais.
E o menino, de forma tranquila, vai demonstrando o que aprendeu.
Por vezes, ele próprio aponta o objecto ou a fruta, que está próxima, logo após fazer o sinal correspondente.

E, numa cumplicidade de carinho, num certo momento em que ele não se recorda do sinal exacto, o pai, ao lado, tenta lhe mostrar como é, de forma subtil, para que a mãe não perceba.

Naturalmente, tudo redunda em bons sorrisos e a observação de que papai está “passando cola”.

Imaginamos como deva se sentir esse pai.

Sim, o amor existe. E em larga escala.
Em profundidade, alimentando vidas, portas adentro dos lares.
Felicitando existências e ensinando, pelas suas expressões, como se ama.

Quando um filho, que ouve perfeitamente, se dispõe a aprender sinais para uma boa comunicação com seu pai, o amor está presente.

Amor de filho agradecido pela vida que recebeu.
Amor de filho que diz que deseja que seu pai participe amplamente de sua vida.

Quando uma criança, em tenra idade, é convidada a utilizar sinais para se entender com seu pai, o amor está se expressando.

A lição de amor que essa mãe transmite ao filho, com certeza, o seguirá vida afora.
Amor que se faz de preocupação pelo outro.
Respeito de quem deseja a participação do outro em sua vida.

Bem disseram os Espíritos que quando Jesus pronunciou a divina palavra amor, os cristãos, ébrios de amor, se ofereceram em holocausto, nas arenas dos circos.

Sim, o amor tem esse condão de realizar maravilhas, de transformar o lar, de transformar vidas.

De estender pontes de inclusão, de aconchego, de proximidade.
De dizer ao outro o quanto ele é importante em sua vida, como a sua presença faz a grande diferença.
Pensemos nisso e nos permitamos envolver pelas delicadas brisas do amor, felicitando-nos a alma e realizando a felicidade dos que nos rodeiam.

Momento Espírita.

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Nosso guarda-chuva

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 15, 2013 9:41 am

Todos sempre estamos sob a protecção de uma entidade Superior, tradicionalmente conhecida como sendo nosso anjo da guarda.

Não é imprescindível que esse Espírito abençoado pela evolução esteja todo o tempo ao nosso lado, mas sempre que se faz necessário, ele se apresenta para nos auxiliar.

Ocorre que, na maioria das vezes, não sintonizamos com ele.

É como o sol que nos abençoa constantemente com sua presença e, mesmo assim, um grande número de pessoas evita receber os raios benéficos que tanto ajudam a fixação das vitaminas e o desenvolvimento dos ossos.

Mesmo quando nos afastamos do bem ou do código de ética moral que vige em todo o Universo, o bom Espírito nunca nos abandona. Nós é que o deixamos de lado.

Como excelente mestre, ele segue nos auxiliando, mas deixa que realizemos as tarefas para que o mérito seja nosso.

Se a sua assistência fosse mais ostensiva, nos prejudicaria o livre-arbítrio e deixaríamos de desenvolver as próprias aptidões.

Como bom educador, ele sabe que chegará o momento de nosso amadurecimento psicológico.

As nações e as cidades também possuem seus protectores espirituais.

Jesus é o guia espiritual do planeta terrestre.
Por isso mesmo, se apresentou como o Bom Pastor, o responsável por esse imenso rebanho.
Aquele que dá a vida por Suas ovelhas.

O Espírito Emmanuel,através do médium Francisco Cândido Xavier, nos apresenta uma imagem curiosa.
Ele compara o Espírito protector com um guarda-chuva.

Se, em determinada situação, deixarmos de lado essa protecção, o guarda-chuva não sairá correndo atrás de nós.

Seguiremos nossa vida, iremos adquirir experiências e, em algum momento, voltaremos a buscar o acolhimento daquela protecção que sempre esteve pronta a nos atender.

Importante que procuremos não fazer pedidos impróprios aos protectores, no sentido de certas conquistas, sem que façamos a nossa parte.

Melhor será proceder bem, trabalhar e assim obter o merecimento das leis soberanas da vida.
Através do trabalho digno, da consciência tranquila e do carácter recto alcançaremos a verdadeira felicidade.

Para que possamos estabelecer uma comunicação com o anjo protector e com os guias espirituais, é preciso que façamos uma viagem interior, que procuremos silenciar nossa mente.

No momento em que a mente aquietar, busquemos a oração.

Para isso, não se fazem necessárias fórmulas.
Orar é abrir a alma a Deus e falar-lhe, na condição de um filho que necessita da protecção de seu pai.

Dessa forma, iremos nos proporcionar um estado de paz íntima e de equilíbrio emocional.

E será quando se estabelecer esse silêncio interior que a orientação ou inspiração chegará à mente.

Perceberemos em nossa alma a voz desse amigo.

Para nos beneficiarmos das orientações que nos guiam para a trilha do bem, nos permitamos o contacto com nosso anjo protector, sempre à nossa disposição. Basta que façamos a sintonia.

E não nos esqueçamos de agradecer a Deus, Pai bondoso que nos permite ter ao lado esse guardião que sempre nos protege e vela por nossa caminhada.

Momento Espírita, com base em entrevista de Divaldo Pereira Franco, no Programa televisivo Transição.

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Iluminação de Consciências

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 16, 2013 9:07 am

Natanael Ben Elias, o paralítico de Cafarnaum, acabara de ser completamente curado por Jesus, voltando a andar.

Todos estavam em festa, excepto o Mestre, que meditava seriamente.

Simão, buscando romper o silêncio de Jesus, então pergunta:
Por que dizes que não Te compreendemos, Rabi?
Estamos todos tão felizes!

Simão, neste momento, enquanto consideras o Reino de Deus pelo que viste, Natanael, com alegria infantil, comenta o acontecimento entre amigos embriagados e mulheres infelizes.

Outros que recobraram o ânimo ou recuperaram a voz, entre exclamações de contentamento, precipitam-se nos despenhadeiros da insensatez, acarretando novos desequilíbrios, desta vez, irreversíveis.

Não creias que a Boa Nova traga alegrias superficiais, dessas que o desencanto e o sofrimento facilmente apagam.

O Filho do Homem, por isso mesmo, não é um remendão irresponsável, que sobre tecidos velhos e gastos costura pedaços novos, danificando mais a parte rasgada com um dilaceramento maior.

A mensagem do Reino, mais do que uma promessa para o futuro, é uma realidade para o presente.

Penetra o íntimo e dignifica, desvelando os painéis da vida em deslumbrantes cores...

Eu sei, porém, que Me não podeis entender, tu e eles, por enquanto.
E assim será por algum tempo.

Mais tarde, quando a dor produzir amadurecimento maior nos Espíritos, Eu enviarei alguém em Meu nome para dar prosseguimento ao serviço de iluminação de consciências.

As sepulturas quebrarão o silêncio que guardam e vozes, em toda parte, clamarão, leccionando esperanças sob os auspícios de mil consolações.

Séculos se passaram depois destes dizeres preciosos.

A dor amadureceu muitos corações desnorteados, e novamente a Humanidade suplicou a Jesus pela cura de suas mazelas.

Os sepulcros foram rompidos.
O silêncio dos aparentemente mortos foi quebrado, e os descobrimos vivos, imortais e reluzentes.

Sim, as estrelas caíram dos céus.
Estrelas de primeira grandeza espiritual se uniram em uma constelação admirável, e voltaram seu feixe de luz poderoso para aTerra.

Os Espíritos falaram, ensinaram, provaram que a vida futura prometida por Jesus é real.

A iluminação de consciências, proposta por Jesus, ganhou uma dimensão nova e maior.

A mensagem do Cristo se faz novamente presente como uma proposta para o presente, para a renovação imediata, urgente.

Na grande transição que o planeta atravessa, são eles, os Missionários do Mestre, que semeiam a verdade em todos os povos.

O amor volta a tomar seu lugar de evidência, nas propostas elevadas que são apresentadas aqui e acolá.

Atiramos as roupas velhas no tempo, e vestimos a roupagem do ESPIRITISMO, entendendo que a vida do Espírito, esta sim, é a verdadeira.

O Consolador - o Espiritismo - já está entre nós... Escutemo-Lo!

Fonte: Caminhos de luz - Amélia Rodrigues


§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

O maior revolucionário

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 17, 2013 9:55 am

Na Terra, sempre houve revolucionários e revoluções.

Talvez a mais célebre tenha sido a Revolução Francesa, na qual o levante do povo inverteu a ordem e o regime vigentes, substituindo a monarquia pela república.

Pouco mais de um século depois, na Rússia, outra revolução se fez, no propósito de implementar o comunismo.

Enfim, na história da Humanidade, contam-se, às centenas, os revolucionários e as revoluções.

Por mais variadas as intenções, por mais diversas que fossem as culturas onde aconteciam, em todas as épocas as revoluções surgiram.

Em comum, traziam o derramamento de sangue, as armas em punho, a violência para, muitas vezes, buscar o ideal de liberdade e paz.

Houve, no entanto, um homem que se tornou revolucionário sem nunca ter empunhado uma arma ou proposto a violência para que a Sua revolução se fizesse.

Foi revolucionário porque não teve medo de apontar as mazelas e defeitos que observava na sociedade.

Revolucionou quando colocou sobre o mesmo patamar de importância os párias, doentes, aleijados e cegos, religiosos, ricos e poderosos, homens e mulheres.

Revolucionou convenções sociais e religiosas quando essas não representavam senão simulacro externo, sem significado mais profundo.

Fez uma releitura das leis de Deus, mostrando a justiça e bondade Divinas permeando a tudo e a todos no Universo.

E chamou-O de Pai, quando tantos só O temiam ou não O entendiam.

Foi tal sua revolução silenciosa, que alguns poderosos, covardemente, preferiram calar-lhe o verbo de luz, desde que não suportavam as Suas verdades.

Contudo, quando morto, Sua mensagem ganhou mais força e venceu os séculos, convidando a todos que a ouvissem para aderir à Sua revolução.

Assim aconteceu com Saulo de Tarso, às portas de Damasco.
Também se passou com Francisco, Il Poverello, na montanhosa Úmbria.
Não diferente foi com Tereza D’Ávila, na Espanha medieval.

Não foram poucos aqueles que se permitiram imolar pela revolução que Jesus propôs.

Não uma revolução externa que visasse os ganhos do mundo.
Mas a revolução interna, a mais desafiadora, para os ganhos da alma.

Essa é a revolução que Ele ainda aguarda que todos nós, um dia, possamos aderir.

Se séculos nos separam, nos dias de hoje, da Palestina que ouviu Seu cantar de amor, Ele ainda aguarda de todos nós que Sua mensagem nos revolucione o mundo íntimo.

Enquanto tantos O têm estampado na camiseta, pendurado ao pescoço ou no adesivo do vidro do carro, Ele aguarda ainda, que encontremos espaço em nossa intimidade para Ele.

Nenhuma preocupação com grandes edificações, mas somente com o templo de nossa intimidade.
Não mais oferendas externas, mas os sacrifícios no altar de nosso coração.

Assim Ele aguarda que todos nós, tal como tantos que já O seguem, possamos fazer, definitivamente, da Sua mensagem, o nosso roteiro de conduta e a nossa estrada de luz.

Pensemos nisso e tomemos a sábia decisão de segui-lO, desde agora.

Este é o nosso momento de decisão.

Momento Espírita.

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Empatia

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 18, 2013 11:31 am

Um ancião que estava para morrer procurou um jovem e narrou uma história de heroísmo:

Durante a guerra, ajudou um homem a fugir.
Deu-lhe abrigo, alimento e protecção.
Quando já estavam chegando a um lugar seguro, esse homem decidiu traí-lo e entregá-lo ao inimigo.

E como você escapou? – Perguntou o jovem.
Não escapei. Eu sou o outro, sou aquele que traiu. – Diz o velho.
Mas, ao contar esta história como se fosse o herói, posso compreender tudo o que ele fez por mim.

A sabedoria deste conto nos fala sobre a empatia, essa acção de nos colocarmos no lugar do outro, de procurar sentir o que o outro sente.

A empatia nos torna menos orgulhosos e egoístas, pois faz com que pensemos não só em nossos pontos de vista, em como estamos nos sentindo, mas também na vida alheia, no que se passa no íntimo de alguém.

Quando nos colocamos no lugar do outro, a compreensão se torna mais fácil de ser alcançada, e nossos corações se sentem mais aptos a perdoar.

Quando nos colocamos no lugar do outro, temos a oportunidade de acalmar a raiva e de evitar a vingança.

Quando nos colocamos no lugar do outro, desenvolvemos a compaixão, e procuramos fazer algo para amenizar o sofrimento do próximo.

Quando nos colocamos no lugar do outro, expandimos nossa capacidade de amar e de entender que precisamos viver em família para realizar nosso crescimento.

Quando nos colocamos no lugar do outro, preparamos nossa intimidade para receber as sementes da humildade, descobrindo a verdade de que somos todos irmãos, e que precisamos uns dos outros para colher os bons frutos da felicidade futura.

A empatia nos torna mais humanos, mais próximos da realidade do outro, de suas dificuldades e de seu caminho.

Passamos a analisar a vida através de outros pontos de vista, de outros ângulos e, assim, nos tornamos mais sábios, mais maduros.

O hábito de nos colocarmos no sentimento de alguém é um grande recurso de que dispomos para nossas conquistas espirituais elevadas.

O coração que se isola, que vê somente o que seus olhos permitem e não partilha da vida de seu próximo, está estacionado nas trilhas do tempo.

É chegado o momento das grandes modificações, das grandes revoluções no interior do homem, e a empatia aí está, como excelente agente de transformação moral.

Fazei aos homens tudo o que desejai que eles vos façam, pois é nisto que consistem a lei e os profetas.

O médico das almas, Jesus, sempre buscou mostrar os caminhos mais seguros para nossas vidas.
Nesta máxima revolucionária e, ao mesmo tempo, simples, introduz na Terra o conceito de empatia, de agir conforme aquilo que desejamos para nós mesmos.

As verdades estão connosco.
É tempo de instituí-las em nossos dias.

Momento Espírita, com base no livro Maktub, de Paulo Coelho, ed. Planeta e no item II, do cap. XI, de [b9O Evangelho segundo o Espiritismo[/b], de Allan Kardec, ed. FEB.

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ao meu amigo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 19, 2013 9:35 am

Se eu morrer antes de você, faça-me um favor:
Chore o quanto quiser, mas não brigue comigo.

Se não quiser chorar, não chore.
Se não conseguir chorar, não se preocupe.

Se tiver vontade de rir, ria.
Se os amigos contarem algum facto a meu respeito, ouça e acrescente a sua versão.

Se me elogiarem demais, corrija o exagero.
Se me criticarem demais, me defenda.

Se me quiserem fazer um santo só porque morri, mostre que eu tinha virtudes, mas estava longe de ser o santo que imaginam.
Se lhe disserem que cometi muitos erros, mostre que eu talvez tenha errado muitas vezes, mas que passei a vida inteira tentando acertar.

E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase:
“Foi meu amigo, acreditou em mim e sempre me quis por perto.”

Se então derramar uma lágrima, eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal.
Outros amigos farão isso no meu lugar.

Gostaria de dizer para você que viva como quem sabe que vai morrer um dia, e que morra como quem soube viver direito.

Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo.
Mas, se eu morrer antes de você, creio que não vou estranhar o céu, pois ser seu amigo, já é um pedaço dele.

Valorizemos sempre os amigos que conquistamos durante a jornada terrestre.
São eles que perfumam e suavizam nossos dias e preenchem nossa vida com as mais belas lembranças.

Alguns são como verdadeiros irmãos.
Caminham ao nosso lado nos dando a certeza de que podemos buscá-los, a qualquer momento, porque sempre estarão prontos a nos amparar.

Ofereçamos também a nossa lealdade.
Sejamos aquele que se preocupa verdadeiramente com o outro, que doa seu tempo, que oferta compreensão e acolhimento.

Por vezes guardamos a impressão de que os encontros com essas pessoas especiais são na verdade reencontros, que foram anteriormente combinados entre as almas para acontecer no momento certo, superando tempo e espaço.

Essa sensação ocorre quando acabamos de conhecer alguém e logo detectamos uma grande afinidade.
Também uma intensa alegria em estar próximo.

Mas, é possível que nos decepcionemos com esses companheiros, em algum momento.
É compreensível, pois somos todos falíveis. Nesses casos, procuremos não guardar rancor.

Recordemos que foi um amigo que acusou Jesus e que outro O negou.
Alguns O abandonaram e atribuíram-Lhe a responsabilidade pelas dores que passaram a experimentar.

E, mesmo assim, Jesus não os censurou e nem os abandonou.
Por amá-los em abundância, os buscou novamente e os conduziu de volta ao reino de Deus.

Por fim, não fiquemos tristes quando chegar a hora de nos despedirmos dessas pessoas queridas.
A despedida é necessária antes de podermos nos encontrar outra vez.
E, nos encontrar de novo, depois de momentos ou de vidas, é certo para os que são amigos.

Momento Espírita, com texto inicial, de autoria desconhecida.

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Um telefonema providencial

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 20, 2013 9:04 am

O médico e escritor A. J. Cronin conta, na obra Pelos caminhos da minha vida, que numa noite chuvosa de dezembro, retornou ao seu lar, exausto e decepcionado com a sua profissão.

Embora sua esposa insistisse, ele não quis jantar e tomou somente uma caneca de chocolate.
Deitou-se depois e, como fervoroso cristão, pediu em prece a Deus para que ninguém o incomodasse, naquela noite, com um chamado de urgência.

Adormeceu profundamente, para logo mais ser despertado pela campainha do telefone.
Tacteando no escuro, agarrou o aparelho e atendeu.
Era uma voz feminina que lhe pedia que fosse até a casa de determinada família para socorrer uma pessoa que se encontrava em grave estado de saúde.

O médico cansado disse que iria pela manhã.
Naquela noite de tempestade era quase impossível atender ao chamado.

A voz aflita insistiu:
Trata-se de minha filha, doutor.
É a mãe dela quem está falando.
Pelo amor de Deus, venha agora.


Impressionado, ele se levantou e saiu.
Uma senhora idosa abriu a porta e ele penetrou num quarto mal iluminado e com pouca mobília.
Sobre a cama estava uma adolescente em estado de inconsciência.
Um homem de meia idade estava sentado ao lado e parecia velar por ela.

Quando este soube que era o médico que ali estava, o mandou embora.
Muito bem, falou o médico, mas se sua filha vier a morrer, o senhor já sabe de quem é a culpa.
Está bem
, falou o homem.
Então a examine, já que está aqui mesmo.

Após meticuloso exame, o médico descobriu um tumor benigno por detrás da orelha direita da jovem, que estava quase se infiltrando na massa encefálica.

Ali mesmo, o médico realizou a pequena cirurgia de emergência.
Tendo concluído a sua tarefa e a menina começado a dar sinais de recuperação, ele olhou para a senhora que lhe abrira a porta e lhe disse:
Não fosse o seu telefonema me chamando e sua filha poderia estar morta, agora.

O pai da menina, surpreso, falou que aquela senhora era apenas a criada, que nem ao menos falava o seu idioma, que eles não tinham telefone e o mais próximo ficava a vários quilómetros daquela casa.

E acrescentou:
Minha esposa morreu, neste quarto mesmo, há cinco anos, porque eu não permiti que se chamasse um médico.

E começou a chorar.

A narrativa do médico acaba afirmando que, dias depois se descobriu que quem dera o telefonema fora uma plantonista da Agência Central Telefónica da cidade.
No entanto, ela não soube explicar porque fez aquilo.
Alguma coisa a motivara a telefonar, como se alguém a tivesse intuído, naquela noite.

Todos somos mais ou menos médiuns, mesmo que nem sempre nos demos conta.
Por isso, se faz importante a conquista dos valores morais para que sejamos sempre os médiuns do amor, da atenção, da renúncia.

Através de nós, os mensageiros do bem podem agir, beneficiando outros seres, socorrendo-os em suas necessidades.
Mesmo porque as mãos de Jesus, na Terra, são as mãos dos homens que se amoldam à lei de amor que Ele veio ensinar e exemplificar.

Momento Espírita, com base no artigo Um telefonema providencial, de autoria de José Ferraz, da revista Presença Espírita, ano XXVII, nº 226, de setembro/outubro 2001, ed. Leal.

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Gentilezas salvadoras

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 21, 2013 8:53 am

Quando você afasta do piso uma casca de fruta deixada pela negligência de alguém, não pratica apenas um acto de gentileza.
Evita que algum desavisado escorregue, sofrendo tombo violento.

Ao ceder o lugar no transporte colectivo a um idoso, você não realiza um gesto de cortesia somente.
Atende a um corpo cansado, poupando as energias de quem poderia ser seu avô ou seu pai.

Se você oferece auxílio na condução de um volume qualquer, poupando aquele que o carrega, não pratica unicamente uma delicadeza.
Contribui fraternalmente para a alegria de alguém que, raras vezes, encontra ajuda.

Utilizando a boa palavra em qualquer situação, você não atende exclusivamente à finura do trato.
Realiza entre os ouvintes o culto do verbo são, donde brotam proveitosos e salutares ensinamentos.

Silenciando uma afronta em público, você não demonstra apenas refinamento social.
Poupa-se ao diálogo violento, que dá margem a ódios irremediáveis.

Se você oferece agasalho a quem necessita, não só atende à delicadeza humana, por filantropia.
Amplia a cultura da caridade pura e simples.

Ao sorrir, discretamente, dando oportunidade a um desafecto de refazer a amizade, você não age tão-somente em tributo à educação.
Apaga mágoas e ressentimentos, enquanto "está a caminho com ele".

Procurando ajudar um enfermo cansado a vencer um obstáculo, você não age apenas por uma questão de gentileza.
Coopera para que a vida se dilate no debilitado, propiciando-lhe ensejos evolutivos.

Atendendo uma criança impertinente que o incomoda, num grupo de amigos, você não se situa só na formosura da conduta externa.
Liberta um homem futuro de uma decepção presente.

No exercício da gentileza, a alma dilata recursos evangélicos e vive o precioso ensino do Mestre ao enfático doutor da Lei, com afabilidade e doçura, quando Ele afirmou: “Vai e faz o mesmo!”

No exercício da afabilidade e da doçura, que atrairá para você as correntes da simpatia, use a compaixão para com todos e guarde, acima de tudo, a boa vontade e a sinceridade no coração.

Na alegria ou na dor, no verbo ou no silêncio, no estímulo ou no aviso, acenda a luz do amor no coração.

A doçura é essa gentileza das maneiras, uma das formas de benevolência para com o nosso próximo, caracterizada pela disposição de acolher o outro como alguém a quem queremos bem.

É uma coragem sem violência, uma força sem dureza, um amor sem cólera.

A doçura, a afabilidade, atraem. A dureza, a cólera, afastam.

Cultive a brandura sem afectação e a sinceridade, sem espinhos.
Somente o amor sabe ser doce e afável, para compreender e ajudar, usando situações e problemas, circunstâncias e experiências da vida, para elevar o Espírito eterno ao templo da luz Divina.

Se algo sobre a Terra merece o nome de felicidade, é aquela íntima satisfação, aquele íntimo sentimento moral que resulta do emprego das faculdades na pesquisa da verdade e na prática da virtude.

Pense nisso.

Momento Espírita, com base no cap. Gentilezas salvadoras, do livro Glossário espírita-cristão, pelo Espírito Marco Prisco, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal e no cap. Afabilidade e doçura, do livro Escrínio de luz, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. O clarim.

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Filhos do Calvário

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 22, 2013 9:35 am

A jovem Agnes desceu do trem com o qual chegara até a Índia.

Há poucos meses havia feito seus votos religiosos e agora chegava a esse país desconhecido para ela, a fim de lecionar inglês na escola mantida por sua Ordem.

Passados alguns meses, começou a se sentir incomodada por conhecer somente superficialmente aquele imenso país que a abrigava.

Dessa forma, chegando o feriado da Semana Santa, resolveu tomar um trem a fim de que, visitando outras cidades além da que residia, pudesse aprofundar seus conhecimentos sobre a cultura e a sociedade indiana.

E assim foi a jovem religiosa, de estação em estação, de diversas cidades.
Nesse giro, percebeu o quanto de sofrimento havia naquele país, oriundo da mais absoluta desigualdade social.

Agnes viu de perto a amargura dos párias.

É verdade que na Índia, legalmente, não há divisão entre castas.

Entretanto, culturalmente, aqueles que nascem párias são considerados impuros e qualquer proximidade com eles, até uma simples troca de olhares, acreditam, pode trazer má fortuna.

Ao desembarcar em uma das tantas estações, Agnes percebeu que, somente no vagão onde se encontrava, seis pessoas haviam caído mortas por conta das condições precárias de saúde e higiene ou asfixiadas pela grande lotação.

Tais mortes, aliadas a todo sofrimento que havia presenciado, fizeram com que a religiosa tomasse ciência, realmente, do que era a Índia.

Retornando de sua viagem, adentrou a capela na qual costumava fazer suas orações.
Duas palavras lhe vieram à mente: Tenho sede.

Agnes lembrou de que, naquela tarde vergonhosa na qual Jesus foi levado ao madeiro da cruz, Ele teve sede e os algozes lhe deram uma esponja embebida em vinagre.

Quase dois mil anos se passaram e Jesus continua com sede.
O que dei para Jesus beber?
Os malvados deram-lhe vinagre.
E eu? O que lhe dei?

Pensou a religiosa, com os olhos marejados de lágrimas.

Ali, imersa nas dores do Cristo e nas dores do mundo, nascia Madre Teresa de Calcutá.

Ela percebeu que todos os que sofriam eram, assim como Jesus, filhos do Calvário e que ela necessitava auxiliá-los.

Sob essa inspiração, ela iniciou a sua obra assistencial, que atendeu não somente os párias sociais, mas, principalmente, os párias morais.

Ela entregou sua vida a Jesus, encontrando-O nos abandonados pela mesquinhez humana.

Madre Teresa conseguiu enxergar aquilo que para muitos de nós passa despercebido ou que, então, não contabilizamos como uma responsabilidade nossa: as dores do mundo.

Passamos tanto tempo preocupados connosco mesmos, com nossas conquistas, sonhos e ideais, que nem nos lembramos de que grande é o número dos que perecem pela miséria, pelo abandono, pela solidão.

Buscamos a própria felicidade diariamente.
Mas será possível ser feliz quando se sabe que tantos são os que passam sede e recebem a esponja vinagrosa do descaso?

Pensemos nisso!

Momento Espírita, com base na palestra Vitória do amor, proferida por Divaldo Pereira Franco.

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

No Deserto

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 23, 2013 10:17 am

Há dias em que tudo se afigura desolador, caracterizado pela perda de sentido, sem qualquer estímulo para o trabalho de divulgação e de preservação do bem na Terra.

Há períodos na existência humana em que todas as florações da alegria e do entusiasmo emurchecem, demonstrando a aparente inutilidade da sua benéfica acção.

Há fases no percurso carnal, em que proliferam o mal e a agressividade em crescimento, asfixiando as débeis manifestações da bondade e da abnegação.

Há ocasiões em que a predominância da vulgaridade e do ressentimento golpeia as expressões da gentileza e da dignidade, parecendo conduzir tudo e todos ao caos.

Há ocorrências perturbadoras que se multiplicam na condição de escalracho maldito, dominando o trigal das experiências de amor e de caridade direccionadas às criaturas humanas.

Olhando-se superficialmente a cultura social vigente e os indivíduos, repontam alarmantes índices de perversidade, de gozo exaustivo e de loucura pelo poder e pelo prazer sem freio nem dimensão.

Todos os que se envolvem nos ideais de engrandecimento da sociedade interrogam, com frustração, se têm valido as propostas da honradez e as lições sublimes do Evangelho de Jesus com os seus mártires e apóstolos, pois que apraz aos viandantes carnais tudo quanto leva à consumpção, ao desar, ao invés da alegria pura e da harmonia indispensável ao equilíbrio e à plenitude.

Há, é certo, predominância do vício escancarado e, sob disfarces variados, o aspecto pandémico do cinismo e do desrespeito aos códigos de ética e de moral, prevalecendo a face zombeteira dos triunfadores da desonestidade, famosos e difamados, nos postos que conquistaram mediante o suborno, a traição e a astúcia.

Mas, não são realmente felizes, tranquilos...
Estão hipnotizados, esses triunfadores de um momento, marchando inexoravelmente na direcção do deserto que os aguarda, ardente e desolador.
Sorridentes, mas receosos, inseguros embora prepotentes, empanturram-se de poder e intoxicam-se no álcool e nas drogas ilícitas, porque não suportam a lucidez da consciência ultrajada, a fim de fugirem da presença da culpa e do desamor.

Reconhecem que ninguém os ama, embora se exibam ao seu lado, como cachorrinhos que aguardam as migalhas que venham a cair das suas mesas ricas.
Na primeira oportunidade, abominam-nos, abandonam-nos, execram-nos, porque tampouco se sentem amados e respeitados. Sabem que são utilizados na ruidosa corte da exibição, na qual um usa o outro, que é sempre descartável.

...Este é o deserto social!
Nunca duvides do êxito da verdade.
Nuvem alguma pode deter indefinidamente a luminosidade solar, por mais se demore em aparente impedimento.

Foi num desses desertos que, às portas de Damasco, Jesus apareceu a Saulo, triunfante e enganado, que seguia encarregado de infausta missão contra um dos Seus discípulos.
Ao impacto da Sua presença, derreou da animália ricamente adornada e percebeu a gloriosa figura luminescente, passando a sofrer o horror da cegueira que o tomou, acompanhada do tormentoso arrependimento em torno da hórrida conduta que se permitia.

Nesse deserto, a viagem foi para dentro, para a necessidade do autoencontro, do redescobrimento, da reidentificação com a vida e do retorno aos sagrados objectivos existenciais que desprezara até aquele momento.

Ali nasceu o apóstolo das gentes, o desbravador dos desertos humanos, expandindo o reino de Deus em todas as possíveis direcções.
A linguagem do tempo é um presente agora, um contínuo suceder que altera todas as paisagens: as agrestes reverdecem-se, as montanhosas são corroídas, as pantanosas abrem-se em valas de liberação dos fluidos pútridos.

A água suave, nesse largo, infinito tempo, vence a rocha, o vento cantante desgasta o granito vigoroso, o fogo altera a floresta...
Também o ser humano, mesmo quando soberbo e ingrato, arbitrário e dominador, corroído pelas viroses da culpa, necessitando de afeto que não soube despertar pelo caminho transforma-se, amolda-se, cede ao impositivo das inevitáveis alterações evolutivas.

Ninguém consegue fugir de si mesmo ou viver saudável sem um propósito, um sentido psicológico na sua existência.
O indivíduo mais inflexível nos seus ideais e convicções assim permanece até o momento em que a dor se lhe penetra, insinuante e contínua, passando a habitar-lhe as paisagens dos sentimentos.

Nesse deserto, porém, numa caminhada silenciosa e demorada, surgem os tesouros da reflexão, do entendimento dos valores espirituais, da necessidade de ser pleno.

Não importa quando esse sublime fenómeno venha a acontecer, porquanto o importante é que sucederá.
A bênção do tempo agora é responsável pela edificação do anjo e do holocausto de amor, porque o sofrimento é uma dádiva que Deus confere aos Seus eleitos.

Após a visita de Jesus a Saulo, no deserto em Damasco, o prepotente rabino, déspota e criminoso, teve necessidade de três anos em outro deserto, para diluir a construção de ferro do orgulho em que se encarcerava e argamassar a realidade do amor no coração ralado de sofrimentos.

Foi, portanto, reflorescendo as emoções que ele se deixou impregnar por Jesus e contribuiu vigorosamente para torná-lo conhecido e amado.
Trabalha o teu deserto interior com os instrumentos do amor e da compaixão e o transformarás em jardim de dádivas, tornando o mundo melhor,de onde o mal fugirá envergonhado.

Fonte: Caminhos de luz - Joanna de Ângelis

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Nosso problema sempre é o maior

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 24, 2013 10:00 am

Ele era jovem, bonito e herdeiro de vasta fortuna.
Requisitado pelas moças, por onde quer que transitasse.
Algumas, porque lhe admiravam a juventude, o cavalheirismo, a beleza.

Outras, porque nele vislumbravam a segurança económica, que poderia ser alcançada por meio de vantajoso consórcio matrimonial.

Transcorriam felizes os dias até o momento em que um acidente lhe retirou a capacidade visual.
A revolta se instalou.

Como viver sem o precioso sentido da visão?

Os médicos consultados não foram unânimes em seus prognósticos.
Uns afirmaram que a questão era irreversível.
Outros acenaram-lhe com a possibilidade de tornar a ver.

Como o tempo se arrastasse, sem alteração do quadro e desejando que o filho se adequasse à nova realidade, o pai contratou profissional orientadora.
A senhora, amadurecida na experiência, pacientemente foi vencendo a revolta do jovem e lhe mostrou como ele poderia se locomover pela casa, subindo e descendo as escadas, transitando de um aposento a outro.

Convidou-o a aguçar a audição e lhe demonstrou a diferença entre o ruído do café sendo despejado na xícara vazia e quando estava quase cheia.

Ensinou-o a reconhecer, pelo tacto, móveis e objectos, burilando-lhe a capacidade de percepção.
Ante fracassos, pequenas quedas ou a incapacidade de realizar algo que desejava, o jovem ficava muito angustiado, em quase desespero.

Achava-se um inútil.
Nessas horas, a bondosa professora lhe falava com calma, incentivando-o a tudo superar.
Irritado, ele respondia de forma grosseira e lhe dizia que para ela tudo era muito fácil, pois podia enxergar.

Sem se alterar, ela prosseguia no seu ensino.
Então, um dia, algo inusitado aconteceu.
Ele percebeu um raio de sol lhe ferindo os olhos.

Infinitamente alegre, deu-se conta que voltara a enxergar.
Entre gritos de alegrias, chamou o pai, o irmão, comemorando com efusivos abraços a ventura.

Por fim, lembrou-se da orientadora e correu a dar-lhe a notícia.
Então, e somente então, descobriu:
aquela a quem tantas vezes ele ofendera, com palavras ásperas, dizendo que para ela tudo era fácil por poder enxergar, era uma senhora totalmente cega.

Arrependido, abraçou-a e lhe rogou perdão...
Quantas vezes teremos agido como esse jovem?
Quantas vezes, em repartições públicas, teremos dito a quem nos atende que ele não pode aquilatar do nosso problema porque ele não os tem?

Quantas vezes, em ambientes hospitalares, para atendentes e enfermeiros, teremos manifestado nossa revolta, dizendo que eles não sabem o que é estar doente ou sentir dor?
Quantas vezes teremos ferido um coração em chaga viva, dizendo que ele é insensível e não pode nos entender porque nunca sofreu na vida?

Não sabemos quanta dor esconde um sorriso.
O profissional de qualquer área sofre tanto ou mais do que nós mesmos.
E se não esbraceja, nem manifesta sua problemática, é porque aprendeu a se superar, para melhor servir.

Aprendeu a represar as lágrimas para enxugar o pranto alheio.
Exercitou-se no suportar agruras a fim de estender o bálsamo nas alheias dores.

Pensemos nisso.

As aparências nem sempre demonstram a realidade e onde pensamos que somente haja felicidade, escondem-se, por vezes, dolorosas chagas.

Momento Espírita.

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Um novo mundo

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 25, 2013 9:18 am

Quem nunca sonhou com um mundo onde todos pudessem viver em constante clima de fraternidade, de amor e de esperança?

Um mundo no qual as armas não existissem e onde todos tivessem as mesmas oportunidades de crescimento pessoal e social?
Um mundo onde viveríamos sobretudo do amor; onde o Criador seria uma presença insubstituível e reinaria soberano na família humana, como fonte inesgotável de todas as dádivas.

Quem não sonhou com esse lugar?
Qual de nós não quer viver em um mundo regenerado?
Independente de nossas opções políticas, filosóficas ou religiosas, todos carregamos intimamente esse sonho.

Contudo, devemos nos conscientizar de que os elementos que irão promover as mudanças necessárias para transformar o mundo de hoje em um novo lugar somos nós mesmos.

A História nos diz que a transformação do planeta começou com a nossa própria modificação.
Há mais de dois mil anos, a Misericórdia Divina nos enviou Jesus que, através de Seus ensinamentos, veio nos oferecer directrizes para essa obra de recuperação moral e espiritual.

Ele nos trouxe o Evangelho e, com ele, mostrou-nos a possibilidade de seguirmos um novo caminho, que nos impulsiona a construirmos a própria grandeza espiritual e a mantermos uma verdadeira ligação com Deus.

O Divino Amigo nos apresentou a conduta adequada a todas as circunstâncias da vida.

A Boa Nova é roteiro infalível para alcançarmos a felicidade, que deve ser construída com base nas imutáveis leis Divinas.

E, a partir da vinda do sublime Galileu, o Evangelho prosseguiu transformando os corações, e continua assim fazendo, ao longo dos tempos.

Jesus sabe que ainda somos muito falíveis, mas que todos somos anjos em potencial.
Também que há sempre a esperança na renovação do ser humano.

A obra regeneradora do Cristo não é obra que exclui aquele que erra.
Ela é, antes de tudo, obra educativa.
Ele nos mostrou que não se reconstitui um mundo começando por fora e que essa regeneração do mundo é, na verdade, a regeneração de nós mesmos.

Deixemos que penetre em nosso espírito o amor desvelado do Cristo e, com certeza, encontraremos a luz que precisamos para iluminar nossos caminhos.

Não permitamos que um sonho comum a tantos de nós, o de viver em um lugar de paz duradoura, se perca no tempo de nossas vidas.

Busquemos a nossa melhora íntima e, dessa forma, estaremos trabalhando pela transformação de nosso planeta.

A Terra é hoje escola que, através de abençoadas provas, permite o nosso crescimento intelecto-moral.

Há de chegar o momento de vivermos intensamente em plenitude e harmonia.

Com pequenas e nobres acções, um mundo novo será construído.

Um mundo em que as leis Divinas serão os nossos códigos.

Um mundo em que a fraternidade será nosso quotidiano.

Nesse mundo regenerado, Jesus poderá caminhar calmamente entre nós, porque a obra do Evangelho, a obra Divina no coração dos homens, terá se completado na intimidade de cada um de nós.

Momento Espírita, com base na palestra A regeneração do mundo, de Haroldo Dutra Dias, proferida na XV Conferência Estadual Espírita, em Curitiba/Pr, no dia 9 de março de 2013.

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Para o resto de nossas vidas

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 26, 2013 9:21 am

Existem coisas pequenas e grandes, coisas que levaremos para o resto de nossas vidas.

Talvez sejam poucas, quem sabe sejam muitas, depende de cada um, depende da vida de cada um de nós.

Levaremos lembranças, coisas que sempre serão inesquecíveis para nós, coisas que nos marcaram e irão nos marcar, que irão mexer com a nossa existência em algum instante.

Provavelmente iremos pela vida afora coleccionando essas ocorrências, colocando em ordem de grandeza cada detalhe que nos foi importante, cada momento que interferiu em nossos dias, que deixou marcas; cada instante que foi cravado no nosso peito como uma tatuagem.

Marcas, isso, serão marcas.
Umas mais profundas, outras superficiais, porém, com algum significado também.

Serão detalhes que guardaremos dentro de nós e que se contarmos para terceiros, talvez não tenham a menor importância, pois só nós saberemos o quanto foi incrível vivê-los.

Poderá ser uma música, quem sabe um livro, talvez uma poesia, uma carta, um email, uma viagem, uma frase que alguém tenha nos dito num determinado momento.

Poderá ser um raiar de sol, um buquê de flores que se recebeu, um cartão de Natal, uma palavra amiga num momento preciso.

Talvez venha a ser um sentimento que foi abandonado, uma decepção, a perda de alguém querido, um certo encontro casual, um desencontro proposital.

Quem sabe uma amizade incomparável, um sonho que foi alcançado após muita luta, um que deixou de existir por puro fracasso.

Pode ser simplesmente um instante, um olhar, um sorriso, um perfume, um beijo.

Para o resto de nossas vidas levaremos pessoas guardadas em nossas memórias.

Umas porque nos dedicaram um carinho enorme, outras porque foram objecto do nosso amor e, ainda outras por terem nos magoado profundamente – essas que aguardam nosso perdão.

Lá na frente é que poderemos realmente saber a qualidade de vida que tivemos, a quantidade de marcas que conseguimos carregar connosco e a riqueza que cada uma delas guardou dentro de si.

Bem lá na frente é que poderemos avaliar do que exactamente foi feita a nossa vida, se de amor ou de rancor, se de alegrias ou de tristezas, se de vitórias ou derrotas, se de ilusões ou de realidades.

Pensemos sempre que hoje é só o começo de tudo, e que se houver algo de errado, ainda está em tempo de ser mudado, e que o resto de nossas vidas de certa forma ainda está em nossas mãos.

A vida não é uma correnteza bravia que nos leva adiante, ou, pelo menos, não deveria ser.

Precisamos saber que estamos no comando de nossa embarcação, e que somos nós que escolhemos as direcções, as velocidades, os destinos.

Não nos deixemos levar pelo transcorrer dos dias.
Não deixemos a vida passar por nós e, sim, passemos pela vida, conscientes de tudo, do que devemos fazer, de quem precisamos amar, de quem precisamos perdoar.

A vida não é uma correnteza bravia que nos leva adiante, é o rio que vislumbramos do alto da cabine de comando de nosso Espírito, o rio que devemos percorrer empregando todo o nosso esforço.

Momento Espírita, com base em artigo de autoria desconhecida.

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

O mais caro presente

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 27, 2013 11:16 am

Toda vez que uma data importante se aproxima, uma data dessas que, em algum momento, as convenções humanas estabeleceram que alguém especial seria homenageado, os anúncios comerciais tomam conta da mídia.

Dia dos pais, dia das mães, dia da criança, dia da secretária e assim por diante.
Os anúncios convidam a presentear com bom gosto e elegância.
Frisam que dar um bom presente é demonstrar que não nos esquecemos da pessoa e da sua importância em nossa vida.

Acenam com presentes que farão a felicidade de quem os receber.
No entanto, não lembramos do mais precioso presente que podemos oferecer.
Um presente que pode ser dado, sem olharmos os números de nossa conta bancária ou do nosso salário.

Esse presente tão raro se chama nosso tempo.
Pode ficar difícil dispormos de algumas horas para estar ao lado de alguém.
Afinal, a vida nos exige tanto, de forma que estamos sempre correndo.

São afazeres profissionais, compromissos sociais, o trabalho voluntário.
E, se fizermos um bom exame de consciência, é bem possível que constatemos que estamos nos afastando das pessoas, dia a dia.

E não somente pelos motivos enumerados.
Primeiro o rádio, depois a televisão e, mais recentemente, a internet têm propiciado que nos distanciemos uns dos outros.

Há alguns anos, sobretudo nas cidades interioranas, as notícias circulavam na barbearia, na praça da cidade, no café, no armazém.
As pessoas se encontravam, conversavam a respeito de quase tudo: futebol, política, a inflação, o nascimento dos filhos, o crescimento das crianças.

O rádio e a televisão foram, a pouco e pouco, permitindo-nos o saber das novas, sem sair de casa.

Hoje, a notícia anda com a velocidade de cada clique do mouse.
Compartilhamos notícias com milhares de pessoas, em segundos, mesmo que não as conheçamos.

A carta pessoal, escrita com letra trabalhada, caprichada, cedeu lugar ao e-mail, digitado às pressas.
Tão apressadamente, por vezes, que as frases são repletas de erros ortográficos e gramaticais.

Acentos, vírgulas, pontos, tudo foi sendo abandonado.
E, quando nos servimos do envio de torpedos, pelo celular, adoptamos abreviaturas em substituição às palavras.

Fomos perdendo o gosto por uma boa conversa, o velho e salutar hábito de contar casos, de saborear histórias da vida.
De deter-se para ouvir, rir, emocionar-se, chorar, se for o caso.

Sim, o mais caro e o melhor presente que se pode dar ao outro é nosso tempo.
É estarmos presentes.

Por isso, compremos flores, livros, perfumes, acessórios, mil nadas que fazem a alegria de quem amamos.
Mas não façamos isso somente no dia que lhe é dedicado no calendário.

Surpreendamos pela data de não ser data de nada.
Somente de nossa vontade de dizer: Você é importante para mim.
Mais do que tudo, reservemos um tempo para abraçar, para olhar nos olhos, para embebermo-nos da luminosidade do outro, para senti-lo.

Reservemos um tempo para nos darmos de presente:
Hoje, vou passar o dia inteiro com você.
Vamos passear, brincar, ir ao cinema, andar pela praia, o que você quiser que façamos juntos.

Isso vale para namorados, casais, amigos, pais, jovens.
Para todos e cada um de nós.

Pensemos nisso. Façamos isso.

Momento Espírita.

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Felicidade simples

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 28, 2013 9:17 am

O que verdadeiramente nos faz felizes?
Se alguém nos fizer esta pergunta, ou se nós mesmos fizermos esta pergunta ao nosso coração, qual será a resposta?

Pensemos se o carro que temos nos faz felizes por completo.
E nossa casa, ela tem a capacidade de nos fazer plenamente felizes?
Pensemos nos nossos bens materiais, na roupa cara, na conta do banco, nos adornos... Isso nos faz efectivamente felizes?

Vários pesquisadores, ao estudarem as causas da felicidade, chegam sempre a conclusões muito semelhantes.
Nossa felicidade não se constrói com o aumento do salário, com o ganhar na loteria, com algum bem caro que possamos adquirir.

Mesmo que mudemos nosso patamar de vida, que passemos a ganhar o dobro ou o triplo do salário, isso não é sinónimo de uma verdadeira felicidade.

Rapidamente nos adaptamos a um novo estilo de vida, a um novo padrão de consumo, e o que, no início, parecia ser felicidade, torna-se trivial e quotidiano.

Porém, muitos nos iludimos achando que a felicidade mora no ter, no possuir, no aparentar, no exibir.
Imaginamos que a felicidade estará naquilo que é difícil de se obter, no objecto raro, no produto caro, que sonhamos um dia possuir.

Porém, a felicidade verdadeira e perene é simples e modesta.

Se não a temos, é porque complicamos a vida, e assim não conseguimos entender e aprender como buscar a felicidade.

As moedas que compram a felicidade são apenas aquelas que conseguimos guardar no cofre do coração.

Não raro, nos lares humildes, nos ambientes de carência sócio-económica, encontramos olhares felizes, corações plenos.

Não menos frequente, vemos na opulência e na fartura de bens terrenos grassarem os desequilíbrios e dores de grande monta.

Assim, se anelamos a felicidade, devemos investir no tesouro correcto.

Analisemos qual a qualidade das moedas que guardamos em nosso coração.

Percebamos quais valores estamos juntando em nossos cofres íntimos.

Serão sempre eles que nos traçarão o destino da felicidade ou da desdita.

Não falamos aqui da felicidade que imaginamos haver no riso fácil, no brilho social, no sucesso das capas de revista.

Por não se sustentarem, não preencherem a alma em plenitude, são momentos efémeros e passageiros.

Porém, se guardamos a consciência tranquila, o olhar sereno, a espinha erecta da boa conduta, usufruiremos, certamente, da felicidade.

Mesmo sob o guante da doença, ainda que sob vendavais intensos da vida, ou mesmo quando na ausência dos amores que partem, perceberemos que os valores que guardamos no coração são nossos tesouros.

Nenhuma moeda de ouro, nenhuma grande conquista financeira, muito menos uma grande conta bancária.

Independente daquilo que temos, ser feliz é o simples resultado de como agimos e do que conquistamos para nosso coração.

Em suma, a felicidade nasce da simples equação de bem nos conduzirmos na vida, perante nós mesmos, perante nosso próximo e perante Deus.

Momento Espírita.

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Pedro e Paulo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 29, 2013 10:21 am

Foi no dia vinte e nove de junho do ano sessenta e sete ou sessenta e oito, que o Apóstolo Pedro foi retirado da prisão, em Roma, levado para uma colina e crucificado.

Dizendo não ser digno de morrer como seu Mestre, os seus algozes o colocaram na cruz com a cabeça para baixo.

A posição de Pedro entre os apóstolos é especial.
Ele é sempre o porta-voz do grupo para o Cristo.
É por essa razão que tantas e tantas vezes é mencionado a fazer indagações a Jesus.

Pescador por profissão, abandonou as redes para segui-lO.
Pescador de almas haveria de se tornar.

Após a morte de Jesus, acentua-se a sua liderança.
É ele que preside a primeira comunidade cristã.
Em Jerusalém, cria a Casa do Caminho, para acolher os órfãos, doentes, idosos, em nome do amor.

No seu trabalho missionário viaja à Samaria, Lida, Jope, Cesareia e Antioquia.
Não sendo um homem letrado, possuía, no entanto, raro bom senso e muita fé.

Curava pela imposição das mãos e pelo toque.
Até sua sombra era considerada poderosa para curar os doentes, que eram colocados, em macas, no caminho pelo qual ele passaria.
Conhecido como o que negou Jesus, teve sempre a coragem de afirmar que o fizera, reconhecendo que o homem é muito mais fraco do que perverso.

Trabalhou durante os anos de sua vida, demonstrando como pode ser forte um homem movido pelo amor e pela fé.

Também nesse mesmo dia, vinte e nove de junho, o Apóstolo Paulo foi morto.
Por possuir cidadania romana, foi decapitado, fora dos muros da chamada cidade eterna, Roma.

É chamado de o Apóstolo dos gentios.
Natural de Tarso, Paulo era ardente fariseu.
Distinguia-se pelas perseguições aos seguidores de Jesus.

Foi na estrada de Damasco, ante a visão e audição do Cristo que modificou o rumo da sua vida.
Contava trinta anos de idade.
Percorreu o império romano, sempre ameaçado e perseguido pelo ódio implacável das gentes.

Foi acusado, caluniado, traído, lapidado, espancado.
Ao fim dos seus anos, dizia trazer no físico as marcas do Cristo, mostrando as cicatrizes que lhe bordavam o corpo.

Suas viagens são etapas gloriosas.
Capítulos imorredouros da História do Cristianismo nascente.
Escreveu quatorze epístolas, que podem ser consideradas como o pensamento vivo do próprio Cristo aos discípulos da Boa Nova.

Viveu de tal modo o Evangelho que afirmou:
Já não sou eu quem vive. É o Cristo que vive em mim.

Você sabia...
..que Pedro ocupa sempre o primeiro lugar nas listas de discípulos mencionados nos Evangelhos?
E que, no Novo Testamento, o seu nome é citado cento e oitenta e quatro vezes?

E você sabia que foi em Antioquia que, pela primeira vez, os seguidores de Jesus foram chamados cristãos?
Até então eram conhecidos como os homens do caminho.

A ideia partiu do Evangelista Lucas, companheiro de Paulo de Tarso.

Momento Espírita, com base no cap. 26, do livro Boa nova, pelo Espírito Humberto de Campos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb e nos verbetes Paulo e Pedro, da Enciclopédia Mirador, v. XVI.

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Motivos para Desculpar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 30, 2013 10:21 am

“Eu vos digo, porém, amai os vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, faz bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem.”
Jesus – Mateus, 5:44

Em muitas ocasiões, quem imaginas te haja ferido, não tem disso a mínima ideia, de vez que terá agido sob a acção compulsiva de obsessão ou enfermidade.

Se recebeste comprovadamente uma ofensa de alguém, esse alguém terá dilapidado a tranquilidade própria, passando a carregar arrependimento e remorso, em posição de sofrimento que desconheces.

Perante os ofensores, dispõe da oportunidade de revelar compreensão e proveito, em matéria de aperfeiçoamento espiritual.

Aquele, a quem desculpas hoje uma falta cometida contra ti, será talvez, amanhã, o teu melhor defensor, se caíres em falta contra os outros.

Diante da desilusão recolhida do comportamento de alguém, coloca-te no lugar desse alguém, observando se conseguirias agir de outra forma, nas mesmas circunstâncias.

Capacitemo-nos de que condenar o companheiro que erra é agravar a infelicidade de quem já se vê suficientemente infeliz.

Revide de qualquer procedência, mesmo quando se enquiste unicamente na mágoa, não resolve problema algum.

Quem fere o próximo efectivamente não sabe o que faz, porquanto ignora as responsabilidades que assume na lei de causa e efeito.

Ressentimento não adianta de vez que todos somos espíritos eternos destinados a confraternizar-nos todos, algum dia, à frente da Bondade de Deus.

Desculpar ofensas e esquecê-las é livrar-se de perturbação e doença, permanecendo acima de qualquer sombra que se nos enderece na vida, razão por que, em nosso próprio benefício, advertiu-nos Jesus de que se deve perdoar qualquer falta não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete vezes.

Fonte: Caminhos de luz - Emmanuel

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

A matemática da vida

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 01, 2013 10:09 am

Quando somos estudantes, nem sempre conseguimos atinar com o objectivo de se estudar determinadas matérias.
É comum ouvirmos de garotos e garotas comentários a respeito dessa ou daquela matéria, da qual não conseguem vislumbrar necessidade para suas vidas.

Contudo, tudo é aplicável na nossa vida.
Vejamos, por exemplo, a matemática.
Além de nos fornecer possibilidades no trato com cálculos, sem os quais ficaria comprometido o nosso conforto pois não se poderiam construir as maravilhas da engenharia moderna, nem estabelecer relações comerciais com os indivíduos e as nações, verificamos que ela se encontra presente em nossa intimidade.

Contam-se as batidas da bomba cardíaca e os movimentos respiratórios para avaliação do estado de saúde ou enfermidade dos indivíduos.
E, na nossa vida moral, podemos utilizar muito das operações aritméticas mais simples.

Assim, podemos subtrair um pouco do conforto de algumas horas e as aplicarmos em benefício do próximo.
Somamos méritos para nós mesmos.

Se subtrairmos do nosso coração o orgulho, somaremos humildade à nossa personalidade e a soma final será grandiosa.

Subtraindo erros das nossas vidas, somaremos mais anos de paz à nossa existência.

Subtraindo a maldade da nossa mente, somaremos amor e bondade à nossa fé, conquistando em resultado um saldo de alegrias.

Subtraindo o desespero das nossas tarefas, encontraremos a esperança que, somada à renúncia, nos ofertará dias de muita ventura.

Subtraindo o ódio dos nossos passos e somando dedicação ao serviço do bem, teremos um resultado equilibrado.

Subtraindo a inquietação das nossas noites, receberemos uma soma de repouso benéfico.

Subtraindo a ironia dos nossos lábios, somaremos piedade às nossas palavras, resultando em compreensão ao nosso semelhante.

Subtraindo a inveja dos nossos olhos, somaremos caridade às vidas alheias, habilitando-nos para a claridade da vida maior.

Subtraindo o mal das nossas horas e somando aos minutos acções abençoadas, nosso saldo será de dias povoados de oportunidades de auxílio.

Enfim, subtraindo os maus instintos, que nos infelicitam os dias, colocando em seu lugar a soma dos nossos esforços na ternura, descobriremos um saldo extra de conquistas valiosas na operação final da existência.

E quem não deseja um saldo extra?

Quanto menos lutas redentoras, mais dores nos alcançarão na vida.

Quanto menos disposição para a renovação, mais inquietudes em nossas noites.

Quanto menos esforço pessoal, mais desespero em nossos labores diários.

Quanto menos amor nos nossos dias, mais tortura a nos afligir os corações.

Subtrair coisas negativas e somar as positivas determinará exactamente o padrão das nossas vidas, concedendo-nos harmonia e nos habilitando para o grande voo rumo às estrelas, ao infinito, à perfeição.

Momento Espírita, com base no cap. Na subtracção e na soma, do livro Ementário espírita, pelo Espírito Marco Prisco, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. O clarim.

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Perdoar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 02, 2013 10:04 am

Perdoar, dizem, é muito difícil.

Parece mesmo que, no actual estágio da Humanidade, é impossível, tantas são as cenas de vingança que as criaturas arquitectam umas contra as outras.

A mágoa é cultivada com esmero, no transcorrer dos dias e dos meses, até se consolidar em fatídico ódio, que acaba por consumir aquele mesmo que o alimenta.

As manchetes dão conta de pessoas que planeiam, com detalhes, a sua desforra, ainda que ela demore a se concretizar, no tempo.

Mesmo no lar, muitas vezes, os pais incentivam os filhos a não receber desaforos sem revidar, de imediato, e a detestar e perseguir aqueles que, de alguma forma, os agridem.

Entre tantos factos desabonadores dos que nos afirmamos seres humanos, brilham vez ou outra excelentes exemplos.

Lembramos, pela oportunidade, de Bud Welch, pai de uma única filha, Julie Marie.
Ela foi morta na explosão ocorrida em um prédio federal, no dia 19 de abril de 1995, em Oklahoma City.

Outras cento e sessenta e sete pessoas morreram na mesma oportunidade e o terrorista Timothy Macveigh, autor do atentado, foi preso, julgado e condenado à morte.

Pois Bud Welch, que participa do grupo famílias de vítimas de assassinatos pela reconciliação, cujos membros pregam o perdão, lutou pela suspensão da execução do terrorista, até o último momento.

Contrário à pena de morte, Bud se afirmava satisfeito por estar fazendo tudo o que era humanamente possível para suspender a execução daquele homem.

Vou me sentir bem por ter tentado. - Afirmou.

Ao lado desse coração de pai ferido, que teve sua única filha arrebatada pela morte na explosão da bomba, outros tantos se movimentaram nos dias que antecederam à execução.

A Amnistia Internacional pediu ao Presidente americano que a execução não se desse.
O grupo americano da Organização de Defesa dos Direitos Humanos, encarregado do programa para o fim da pena de morte, sugeriu a introdução imediata de uma moratória sobre a aplicação da pena de morte nos Estados Unidos.

Apesar de tudo, Timothy Macveigh foi morto.
Mas, ficou a lição de um coração paterno movendo céus e terra, para que uma vida fosse preservada, a do assassino de sua filha.

Perdoar significa valiosa conquista do Espírito sobre si mesmo, superando imposições inferiores do ego.

O grande desafio para o homem inteligente, que tem os olhos postos no infinito, é se dedicar ao equilíbrio.
Assim, relevar o mal recebido é atitude que demonstra o desenvolvimento de aptidões superiores que, afinal, se encontram inatas em todas as criaturas e aguardam, somente, serem accionadas e colocadas em prática.

Após a tempestade violenta, que fere a paisagem majestosa, a natureza toda se recompõe e retorna a brilhar, colorida e festiva.
É o sinal do seu perdão a quem a maltratou há poucas horas.

Depois da sombra da noite pavorosa, a claridade do dia se apresenta, restabelecendo a confiança e preservando a paz.

O coração ferido por golpes agressivos, que se ergue para perdoar e esquecer, é mensagem de esperança que se derrama pela Terra, pois, se pensarmos bem, quem de nós não necessita do perdão do outro?

Quem de nós não aguarda a madrugada sorridente, após a noite de sombras?

Quem de nós não espera, ansioso, o retorno do sol após a chuva torrencial?

Momento Espírita, com base em notícia divulgada pelo Boletim da Federação Espírita Roraimense, de maio 2001.

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Dimensão do Amor de Deus

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 03, 2013 10:29 am

Depois do drama da cruz, o Apóstolo João se retirou para a cidade de Éfeso, onde ganhara um pedaço de terra cultivável.
Levou consigo Maria, a mãe de Jesus.

Era um ponto geográfico privilegiado, aconchegante, de rara beleza.
Logo além podia-se ver o mar bordado pelas velas coloridas das embarcações.
Miosótis, flores miúdas e tamareiras completavam a harmonia do local.

Quatro anos depois da morte de Jesus, João encontrou uma criança de seus oito anos.
Chamava-se Inácio.
Era um daqueles meninos que haviam rodeado o Mestre, no célebre episódio do Deixai vir a mim os pequeninos.

João o lembrava de perninhas magras, pendendo frouxas e confiantes do colo do Divino Amigo.
Pareceu rever, na tela da alma, as divinas mãos acariciando os cabelos desgrenhados daquela criança.
Com ternura, resolveu adoptá-lo e o levou para sua casa.

Ali, o pequeno cresceu sob os carinhos de Maria, enquanto João lhe cultivou o carácter nos ensinos cristãos.
Já adulto, propagador entusiasta da Boa Nova, Inácio de Antioquia foi preso.
Num dia ensolarado e quente, foi levado a Roma.

Desembarcando no porto de Óstia, cercado por legionários, seguiu pela via Ápia.
Chegando ao cume de uma colina que circundava a cidade, ele começou a sorrir.
Aquele homem alquebrado sorria, a ponto de comover-se até as lágrimas.

Um legionário se aproximou dele, bateu-lhe na face e colérico, lhe falou:
Tu deves estar louco. Por que sorris?

Inácio, ainda emocionado, respondeu:
Sorrio diante de tanta beleza que os meus olhos descortinam.
Sorrio porque chego a Roma e vejo uma cidade imponente.

Sorrio ao olhar o casario de mármore, as estátuas que rutilam ao sol, as águas prateadas do Tibre que circundam as montanhas como um alaúde. Sorrio...

Antes que Inácio pudesse prosseguir, o soldado gritou:
Mas tu vais morrer, miserável. Como podes sorrir?

Sorrio, continuou o pregador do Evangelho, sorrio de felicidade porque agora eu posso ter uma dimensão do amor de Deus.
Porque, se para vós, que sois corrompidos, se para vós que sois criminosos, Deus concede uma cidade tão bela e tão harmónica, o que não haverá de oferecer para aqueles que lhe são fiéis?

Sorrio de felicidade, antecipadamente, e desejo que o sofrimento que me apontas venha logo, a fim de que Ele me leve...

Gratidão deve ser o pensamento primeiro ao despertarmos pela manhã, na bendita escola que chamamos Terra.
Gratidão pela vida e pela oportunidade de progresso que nos é concedida na carne.

Gratidão especial pela imensidão das belezas que reflectem o grande amor de Deus por Seus filhos.
Belezas que o homem não se cansa de descobrir, toda vez que sobe as montanhas ou se aventura no abismo dos mares.
Toda vez que alonga o olhar ao horizonte, observando o nascente e o poente, num extraordinário colorido, de variantes sempre renováveis, diversas das que lhe alegraram o coração no dia anterior.

Pensemos nisso: toda a beleza da Terra é o amor de Deus esparramado para os Seus herdeiros, nós, os Seus filhos.

Momento Espírita, com base no artigo O holocausto maior, de Rogério Coelho, da revista Reformador, de março de 2001, ed. Feb.

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Chamas

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 04, 2013 10:44 am

Quatro velas estavam queimando calmamente.
O ambiente estava tão silencioso que se podia ouvir o diálogo entre elas.

A primeira, expandindo a sua chama, disse:
Eu sou a paz. Peregrino pelas estradas do sentimento, buscando morada no coração dos homens.
Viajo pelos campos devastados pelas guerras e canto a minha canção aos ouvidos dos que ainda persistem nas batalhas cruentas.

Penetro os lares e espalho o perfume da minha presença.
Devo admitir que apesar da minha luz, as pessoas não têm conseguido me manter acesa.

E, diminuindo sua chama, devagarzinho, apagou-se totalmente.

A segunda, mostrando o colorido da sua chama, falou:
Eu me chamo fé. Tenho me sentido supérflua entre os homens.
Eles se encontram cheios de tanta tecnologia e conquistas que não me escutam.
Não querem saber de Deus e das verdades espirituais.

Insistentemente, tenho batido às portas da razão humana, demonstrando que sem a minha luz, logo, logo, quedarão em trevas densas e sofridas.
Porque eu sou a chama que se apresenta quando o desengano aparece.
Sou a luz que brilha na noite da desilusão.
Sou a companheira dos que padecem agruras sem conta.

Mas, como tenho sido rechaçada, não faz sentido eu continuar queimando.
Ao terminar sua fala, um vento bateu levemente sobre ela e a chama se apagou.

Baixinho e triste, a terceira se manifestou:
Eu sou o amor! Não tenho mais forças para queimar.
As pessoas me deixam de lado, porque tudo é mais importante do que eu: a carreira, os prazeres, as coisas materiais.

Os homens só conseguem enxergar a si próprios, esquecendo até dos que estão à sua volta.

Dito isto, o amor recolheu a sua chama e se apagou.

De repente, entrou uma criança.
Olhou as três velas apagadas e falou, espontânea:
Que é isso? Vocês devem ficar acesas e queimar até o fim!

Foi daí que a quarta vela, que havia permanecido queimando, sem nada dizer, falou:
Não tenha medo, criança. Nem se preocupe.
Enquanto a minha chama estiver acesa, podemos acender as outras velas.

Então a criança apanhou a vela da esperança e acendeu novamente as velas da paz, da fé e do amor.

A esperança é a virtude através da qual o cristão confia em receber a misericórdia de Deus na Terra e a plenitude espiritual após a morte do corpo físico.
A vida, sem a esperança, perde o colorido e as suas elevadas motivações porque é a esperança que concede forças para enfrentar os desafios e vencer as vicissitudes que surgem a cada passo.

Ninguém consegue viver com alegria sem o concurso da esperança.
Esperança de melhores dias. Esperança de realizações superiores.
Esperança de paz. Esperança de fé. Esperança de amor. Esperança de elevação.


A esperança faz claridade que ilumina o caminho.
Com esperança, o homem aprende a ver o lado melhor dos acontecimentos, não se permite o insucesso e não receia repetir a experiência.

Momento Espírita, com base no texto Chamas, de autoria ignorada e com pensamentos finais da Apresentação, do livro Momentos de esperança, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Carência e dignidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 05, 2013 9:44 am

Estamos vivendo uma fase de transição na Terra.
Valores que até ontem regiam a vida em sociedade são colocados em dúvida.
Padrões de comportamento estão em constante alteração.

Em um mundo onde tudo muda demais, atenua-se a fronteira entre o correcto e o incorrecto.
Os freios morais tornam-se frágeis e nada mais parece chocante.

Nesse contexto, é frequente os homens perderem seus referenciais de valores.
Em consequência, acabam achando que tudo é válido e que o importante é realizarem as mais delirantes fantasias.
Os maiores desatinos são cometidos na seara afectiva, sob a singela justificativa de serem fruto de carência.

A liberdade tende a ser invocada como um valor absoluto, que não experimenta quaisquer limites.
O problema são as consequências desse género de comportamento.

Será que a ausência completa de pudor prepara dias de paz para as criaturas?
Experiências sexuais exóticas ou relacionamentos fugazes podem trazer algum sentimento de plenitude para os seus praticantes?
A falta de comedimento no vestir, no comer e no viver colabora para a saúde do corpo e da alma?

Em face da aparente ausência de limites para o comportamento humano, é conveniente recordar a sentença do apóstolo Paulo segundo a qual tudo nos é lícito, mas nem tudo nos convém.

Ante as muitas opções que nos são ofertadas, devemos verificar quais delas nos ajudam a atingir os nossos objectivos.
Se o mundo e seus valores não nos satisfazem e o fruir de estranhos divertimentos nos deixa uma sensação de vazio e insatisfação, eis um sinal a ser considerado.
Provavelmente, isso significa que já sentimos necessidade de plenitude, auto-conhecimento, saúde e paz.

Sendo assim, não importa que à nossa volta imperem a libertinagem e a leviandade.
Somos responsáveis apenas por nossas decisões e por gerir nosso próprio processo evolutivo.

Na verdade, o homem moderno é profundamente carente.
Mas o facto de experimentar gozos de efémera duração não lhe trará felicidade efectiva.

A carência real da Humanidade é de dignidade e de paz.
Ninguém se pacifica e dignifica instigando seus instintos e vivendo suas mais baixas fantasias.
Tal espécie de comportamento apenas estabelece laços com seres ainda desequilibrados.

Não banalizemos nossos carinhos e nem degrademos nossos corpos.
Sejamos criteriosos em nossos relacionamentos, pois as pessoas não são descartáveis.
Experiências fortuitas às vezes suscitam expectativas que talvez não estejamos dispostos a atender.

Mas, uma vez estabelecido o vínculo, este pode se tornar duradouro e pesado.
Afinal, ninguém brinca impunemente com a vida e os sentimentos dos outros.
A paz pressupõe poder observar os próprios actos com satisfação, sem remorso ou vergonha.

A dignidade é uma conquista do ser que domina a si próprio, que desenvolve valores e hábitos nobres.
Não devemos utilizar a solidão como desculpa para manter condutas ou relacionamentos levianos.
Esse sentimento pode ser melhor gerenciado com a prestação de serviços aos semelhantes, a adesão a grupos de estudo, ou de auxílio aos necessitados.

Do mesmo modo, a libido pede esforço educativo, para não se converter em fonte de dores e doenças.
Ao falarmos em carência, reflictamos sobre o que de facto nos falta.
Se nossa carência for de paz, plenitude de sentimentos e bem-estar, agir de modo digno e prudente é o melhor modo de supri-la.

Pensemos nisso.

Momento Espírita.

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Sol das almas

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 06, 2013 10:19 am

É pelo amor, sol das almas, que Deus mais eficazmente actua no mundo.

Já notamos como um belo dia de sol consegue nos fazer bem?
A temperatura pode estar baixa, mostrando os prenúncios do inverno, mas mesmo assim, o brilho intenso da estrela solar consegue nos trazer ânimo e esperança.

Algum poeta apaixonado poderia dizer que os raios solares são como um abraço do Criador, fazendo-nos acreditar que estamos seguros, que estamos protegidos.

Mas é através de um outro sol, um sol interior, que o Pai se mostra mais presente em nossas vidas: o amor.

O amor encontrado no coração do homem, manifestado em seus pensamentos e acções, o amor, condição indispensável, para que tudo na vida faça sentido e tenha valor.

Paulo de Tarso, em sua carta ao povo da cidade de Corinto, afirmava que se não houvesse amor em suas acções, elas não teriam validade, e que se não existisse amor em sua alma, ele nada seria.

O Apóstolo ainda trazia a aplicação prática desse ensino, dizendo que o amor é paciente, mostrando-nos a virtude da paciência, essa disposição íntima que nos faz esperar com calma, que nos auxilia a evitar a precipitação, que não é passiva, mas é actuante e dinâmica.

O amor é benigno, isto é, ele deve irradiar de nossa casa interior, para iluminar outros lares através da caridade, da intenção de fazer felizes aqueles que estão ao nosso redor.

O amor não arde em ciúmes, não guarda o sentimento de posse sobre ninguém, pois sabe que não possuímos as pessoas, e que se as amamos, devemos libertá-las.

O amor não se orgulha, nem se ensoberbece, é humilde, e faz com que saibamos o nosso devido lugar, conhecendo nossas imperfeições e reconhecendo as dificuldades do próximo, jamais nos proclamando melhores que alguém.

O amor não se conduz inconvenientemente, é delicado, sensível, e se expressa nas pequenas coisas, nas pequenas ações, que são invisíveis aos olhos do mundo, mas que para Deus demonstram nosso interesse e preocupação com as outras pessoas.

O amor não procura seus interesses, é espontâneo, não age visando a vantagem, a recompensa.
Ele simplesmente ama, se doa, sem exigir retorno.

O amor não se exaspera, é tolerante, compreensivo, e sabe que necessitamos compreender as dificuldades alheias, pois todos, sem exceção, ainda as temos.

O amor não se ressente do mal, perdoa. Não permite que o veneno do ressentimento prejudique nossa saúde física e espiritual.

E, finalmente, Paulo de Tarso nos ensina que o amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade, mostrando-nos que devemos ser defensores da verdade, da sinceridade, mas não dessa sinceridade dura que atira as verdades no rosto dos outros - deixando assim de ser virtude.

A verdade deve ser revelada com psicologia, com cautela, visando construir, e não destruir o semelhante.

O amor decompõe-se em muitas cores, em muitas virtudes.

É este sol das almas que buscamos, cada um de uma forma, cada um a seu tempo.

Sempre amparados pelo astro de primeira grandeza que é Jesus, que veio à Terra e permaneceu nestes ares para nos guiar aos caminhos que nos conduzirão ao Criador.

Momento Espírita, com base no texto O dom supremo, de Henri Drummond, e no cap. XXV, pt. 3, do livro O problema do ser, do destino e da dor, de Léon Denis, ed. FEB.

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Presente de Deus

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 07, 2013 9:43 am

O momento não poderia ter sido mais impróprio.
As dificuldades financeiras se somavam aos problemas com a saúde e o desespero quase a dominava, naqueles dias em que a gravidez foi confirmada.

Num segundo, pela sua mente desfilaram as tarefas intermináveis no lar, roubando-lhe as madrugadas, no trato com a enfermidade de sua mãe.
Acudiram-lhe ao cérebro, em seguida, as horas exaustivas à mesa profissional, a fim de garantir o pão, o abrigo, o tecto.

O cansaço a abraçava de há muito tempo.
Sentiu que as lágrimas represadas deslizavam como uma torrente, humedecendo-lhe as faces pálidas.

Um bebé! Pensou nas canseiras das noites mal dormidas que teria que enfrentar, dos gastos com fraldas, leite, medicamentos. Tanta coisa.

Acariciou o ventre que abrigava o serzinho em formação.
Uma emoção diferente a envolveu.
Decidiu. Teria a criança e a iria receber com amor.

Se Deus a convocara para ser mãe, com certeza, a haveria de auxiliar.

Não foi fácil a gestação e a criança nasceu prematura.
Quanta preocupação! Tanto medo de que ela não sobrevivesse.

Os meses se passaram e a menina, loura, de olhos claros, se desenvolveu.

Então, e só então Marina se deu conta do infinito amor do Pai.
Brindando-a com a maternidade, conferiu-lhe a oportunidade das mais doces alegrias.

Quando a tristeza lhe nublava o semblante, o bebé parecia adivinhar-lhe as dores, e sorria, estendendo os bracinhos, batendo as pernas, feliz, emitindo sons de contentamento.

Quando a morte adentrou o lar, arrebatando a mãe de Marina, foi a pequenina que lhe preencheu os dias, não permitindo que a saudade imensa lhe atingisse a vontade de viver.

Quando a depressão pretendia lançar seus tentáculos, envolvendo-a, foram os risos da pequerrucha que a trouxeram de retorno à realidade doce das suas carícias, estimulando-a a lutar ainda mais.

Deus lhe mandara aquele tesouro que desperta cantarolando, acordando o sol, que mal se espreguiça no horizonte.

Uma preciosidade que retribui em carinho, beijos e abraços os cuidados e atenção que recebe.

Sentindo as mãozinhas quentes lhe tocando o rosto, e ouvindo-a dizer espontaneamente:
Mamãe, eu te amo!, as emoções mais sublimes invadem Marina e lhe falam, na acústica da alma: Deus te envia o Seu amor.

A criança é sempre portadora de alegrias, na inocência das brincadeiras, na espontaneidade dos seus sentimentos.
É bem a mensagem da esperança que não fenece e do amor que se multiplica, inesgotável.

Enquanto houver crianças nos lares, envolvendo de risos os ares, a Humanidade poderá caminhar esperançosa e feliz, pois a criança é o sorriso de Deus materializado na Terra.

Momento Espírita.

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Se Trabalharmos

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 08, 2013 9:58 am

É verdade que as dissensões são ainda grandes no campo de actividade que nos foi concedido lavrar, mas se trabalharmos pela harmonia, a harmonia nos assegurará mais amplo rendimento na Seara do Bem.

É verdade que a incompreensão ainda nos afronta as melhores esperanças nas obras em andamento, nos vários sectores do Cristianismo Redivivo, entretanto, se trabalharmos a aceitação das realidades do Espírito nos facilitará as tarefas de ordem geral, a fim de que todos nos irmanemos para o êxito desejado, na desincumbência dos compromissos assumidos.

É verdade que lutas e deserções se observam, aqui e além, dificultando-nos a movimentação em serviço na lavoura da Luz, todavia, se trabalharmos é possível sanar todas as falhas e claros abertos nas fileiras da nossa legião de fraternidade em Jesus para que as promessas dele – o Senhor – se cumpram devidamente

É verdade que problemas e desafios nos visitam em todas as direcções, no entanto, se trabalharmos obstáculos e crises serão afastados, em definitivo, através de soluções generosas e justas, para que os programas do Mais Alto se realizem no levantamento da Terra Melhor do futuro.

Esta é a verdade: não nos é lícito negar a existência de faltas, conflitos, fraquezas, negações, tentações, omissões, empeços e provas na área bendita de acção em que a Doutrina Espírita foi trazia, a operar, cooperando com Jesus na edificação do porvir...

Nada disso podemos realmente desconhecer...

Mas se trabalharmos – se nos dispuser-mos a trabalhar servindo sempre, com esquecimento de nós mesmos – todo ódio se converterá em amor, todo sofrimento se transubstanciará em alegria, toda lágrima se fará, bênção, toda aflição se erigirá por ensinamento e toda sombra se transformará em luz para sempre.

Fonte: Caminhos de luz - Batuira

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72053
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Momentos Espíritas II

Mensagem  Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 2 de 41 Anterior  1, 2, 3 ... 21 ... 41  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum