Criticando Kardec

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 21, 2014 9:22 pm

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Página 86
Dizem, ainda, que os médiuns só falam com clareza daquilo que é conhecido.
Como explicar o facto seguinte e cem outros da mesma espécie?

- Um dos meus amigos, muito bom médium escrevente, perguntou a um Espírito se uma pessoa que ele tinha perdido de vista, havia quinze anos, era ainda deste mundo.

"Sim, ainda vive, foi-lhe respondido; mora em Paris, rua tal, número tanto."
Ele foi e encontrou a pessoa no local indicado.

Como saber se o amigo dele não havia, consciente ou inconscientemente, visto a tal pessoa na tal rua?

Confiar em Kardec é uma coisa (eu a princípio confio nele), mas confiar nas pessoas que ele comenta[preto] (e sobre as quais inclusive ele não dá muitos subsídios) é outra coisa totalmente diferente.

Página 97
os Espíritos superiores não se ocupam com essas coisas, assim como os sábios da Terra não se entregam a exercícios de força muscular

Nessa época, valorizava-se a mente e desprezava-se a mão.
Muito mais do que hoje em dia.

Página 130
Mais bem observado depois que se vulgarizou, o Espiritismo vem derramar luz sobre grande número de questões, até hoje insolúveis ou mal compreendidas.

Seu verdadeiro carácter é, pois, o de uma ciência e não de uma religião;
e a prova disso é que ele conta entre seus aderentes homens de todas as crenças, que por esse facto não renunciaram às suas convicções:
católicos fervorosos que não deixam de praticar todos os deveres do seu culto, quando a Igreja os não repele
protestantes de todas as seitas, israelitas, muçulmanos e mesmo budistas e bramanistas.

Isso é um dado verdadeiro e curioso.
Havia espíritas de diversas religiões.
Daí a estranheza de perceber o espiritismo como uma religião então.
____________________________________________

O Livro dos Médiuns. 62.ª Edição. 1996. Rio de Janeiro.
ederação Espírita Brasileira.

Página 16
os Espíritos a corrigiram, com particular cuidado.

Como reviram tudo, aprovando-a, ou modificando-a à sua vontade, pode dizer-se que ela é, em grande parte, obra deles, porquanto a intervenção que tiveram não se limitou aos artigos que trazem assinaturas.

Kardec atesta a confiabilidade da obra, e a fidedignidade com o pensamento dos espíritos superiores.

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 22, 2014 9:35 pm

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Página 23
Não conhecemos a natureza íntima do perispírito.

Suponhamo-lo, todavia, formado de matéria eléctrica, ou de outra tão subtil quanto esta:
por que, quando dirigido por uma vontade, não teria propriedade idêntica à daquela matéria?

Esse ponto assinala uma ideia que havia na época, de que os fenómenos mediúnicos eram fruto do magnetismo.

Página 32
Assim, o Espiritismo não aceita todos os factos considerados maravilhosos, ou sobrenaturais.

Longe disso, demonstra a impossibilidade de grande número deles e o ridículo de certas crenças, que constituem a superstição propriamente dita.

Não só o kardecismo prova o que não deveria provar, ele vai além: desprova o que não tem base para desprovar!

Página 33
Entre os factos qualificados de sobrenaturais, muitos há cuja impossibilidade o Espiritismo demonstra, incluindo-os em o número das crenças supersticiosas.

O Espiritismo não pode considerar crítico sério, senão aquele que tudo tenha visto, estudado e aprofundado com a paciência e a perseverança de um observador consciencioso; que do assunto saiba tanto quanto qualquer adepto instruído;

que haja, por conseguinte, haurido seus conhecimentos algures, que não nos romances da ciência;

aquele a quem não se possa opor facto algum que lhe seja desconhecido, nenhum argumento de que já não tenha cogitado e cuja refutação faça, não por mera negação, mas por meio de outros argumentos mais peremptórios;

aquele, finalmente, que possa indicar, para os factos averiguados, causa mais lógica do que a que lhes aponta o Espiritismo.

Tal crítico ainda está por aparecer.

Idem ao acima.
Somado à exigência imensa com relação aos críticos.

Contudo, na prática, Kardec era bem mais razoável, e recebia com honestidade e racionalidade críticas bem construídas, e até as mal construídas.

Página 52
Isto pelo que nos diz respeito.

Os que desejem tudo conhecer de uma ciência devem necessariamente ler tudo o que se ache escrito sobre a matéria, ou, pelo menos, o que haja de principal, não se limitando a um único autor.

Devem mesmo ler os pró e o contra, as críticas como as apologias, inteirar-se dos diferentes sistemas, a fim de poderem julgar por comparação.

Interessante esse ponto.
Kardec recomenda expressamente que se leia os prós e os contras.
Muito bom.

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 22, 2014 9:35 pm

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Página 54
À medida que os factos se completam e vão sendo mais bem observados, as ideias prematuras se apagam e a unidade se estabelece, pelo menos com relação aos pontos fundamentais, senão a todos os pormenores.

Actualmente estamos longe disso.
Algumas vertentes da Umbanda são bem diferentes de outras formas de espiritismo, por exemplo.
A unidade se perdeu (e ainda temos Ramatis, etc.; sem falar em outros países).

Página 55
Demais, pessoas há, cujo carácter afasta toda suspeita de fraude e preciso é não saber absolutamente viver e carecer de toda urbanidade, para que alguém ouse vir dizer-lhe na face que são cúmplices de charlatanismo.

O charlatanismo não tem cabimento onde não há especulação.
Sistema da loucura.

- Alguns, por condescendência, concordam em pôr de lado a suspeita de embuste.
Pretendem então que os que não iludem são iludidos, o que equivale a qualificá-los de imbecis.

Quando os incrédulos se abstêm de usar de circunlóquios, declaram, pura e simplesmente, que os que crêem são loucos, atribuindo-se a si mesmos, desse modo e sem cerimonias, o privilégio do bom-senso.

Acima, a perigosa confiança de Kardec nas pessoas.
A loucura, ou similares, é muitas vezes explicação bem possível.
Mas é facto que os cépticos amiúde exageram nas acrobacias explanatórias evasivas...

Página 40
Sistema da alucinação.

Outra opinião, menos ofensiva essa, por trazer um ligeiro colorido científico, consiste em levar os fenómenos à conta de ilusão dos sentidos.
Assim, o observador estaria de muito boa-fé; apenas, julgaria ver o que não vê.

Isso pode acontecer mesmo, e o próprio Kardec aceita isso.
Creio que ele se opõe mais à recusa sistemática dos cépticos, somada à falta de disposição de sequer tentar conhecer a evidência.

Página 60
o pensamento expresso, não somente pode ser estranho ao dos assistentes, mas que lhes é, muitas vezes, contrário;
que contradiz todas as ideias preconcebidas e frustra todas as previsões.

Com efeito, difícil me é acreditar que a resposta provenha de mim mesmo, quando, a pensar no branco, se me fala em preto.

Aqui Kardec demonstra desconhecer o inconsciente (ou subconsciente).
A ideia do inconsciente tomou mais corpo a partir do final do século XIX, especialmente na Alemanha, aliás de onde Freud a bebeu.

Página 67
Quando se lhes objecta com os factos de identidade, que atestam, por meio de manifestações escritas, visuais, ou outras, a presença de parentes ou conhecidos dos circunstantes, respondem que é sempre o mesmo Espírito, o diabo, segundo aqueles, o Cristo, segundo estes, que toma todas as formas.

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Última edição por O_Canto_da_Ave em Qua Jan 22, 2014 9:38 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 22, 2014 9:37 pm

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Porém, não nos dizem por que motivo os outros Espíritos não se podem comunicar, com que fim o Espírito da Verdade nos viria enganar, apresentando-se sob falsas aparências, iludir uma pobre mãe, fazendo-lhe crer que tem ao seu lado o filho por quem derrama lágrimas.

A razão se nega a admitir que o Espírito, entre todos santos, desça a representar semelhante comédia.

Aqui ele sugere que o Espírito de Verdade é o Cristo.

Página 71
opinião dos que consideram distintos a alma e o perispírito.

Ela se baseia no ensino dos Espíritos, que nunca divergiam a esse respeito.

Referimo-nos aos esclarecidos, porquanto, entre os Espíritos em geral, muitos há que não sabem mais, que sabem mesmo menos do que os homens, ao passo que a teoria contrária é de concepção humana.

Não inventamos, nem imaginamos o perispírito, para explicar os fenómenos.
Sua existência nos foi revelada pelos Espíritos e a experiência no-la confirmou

Vejam, "nunca houve divergência a respeito desse ponto".

Apenas, é lógico, por parte dos espíritos "não esclarecidos".

Como sabemos se um espírito é esclarecido? É fácil.
Se ele não diverge da doutrina, então ele é esclarecido...

Se diverge, então não é esclarecido.
Esse era um dos vícios do método de Kardec...

Página 79
Com pequenas diferenças quanto às particularidades e excepção feita das modificações orgânicas exigidas pelo meio em o qual o ser tem que viver, a forma humana se nos depara entre os habitantes de todos os globos.

Pelo menos, é o que dizem os Espíritos.
Essa igualmente a forma de todos os Espíritos não encarnados, que só têm o perispírito;
a com que, em todos os tempos, se representaram os anjos, ou Espíritos puros.

Devemos concluir de tudo isto que a forma humana é a forma tipo de todos os seres humanos, seja qual foro grau de evolução em que se achem.

[/i]A forma humana é a básica em todo o Universo (cabeça, tronco, braços, pernas, mãos, pés, e postura erecta).
Parece ser claramente um erro dos espíritos.

Página 88
Efectivamente, as respostas muito amiúde se achavam em oposição formal às ideias dos assistentes, fora do alcance intelectual do médium e eram até dadas em línguas que este ignorava, ou referia factos que todos desconheciam.

São tão numerosos os exemplos, que quase impossível é não ter sido disso testemunha muitas vezes quem quer que já um pouco se ocupou com as manifestações Espíritas.

Citaremos apenas um, que nos foi relatado por uma testemunha ocular.

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 23, 2014 9:47 pm

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Kardec cita então (a partir desse trecho que reproduzi acima) um facto.
Relatado por uma testemunha ocular.

Quem é essa testemunha?
Qual a credibilidade que podemos atribuir ao relato?
Simplesmente não dá para saber.

Página 112
Esses estudos, além disso, nos ensinam a distinguir o que é real do que é falso, ou exagerado, nos fenómenos de que não fomos testemunha.
Se um efeito insólito se produz: ruído, movimento, mesmo aparição, a primeira ideia que se deve ter é a de que provém de uma causa inteiramente natural, por ser a mais provável.

Nota-se nesse trecho acima a bagagem claramente científica e racionalista de Kardec.

Página 133
As pessoas que vemos em sonho são sempre as que parecem ser pelo seu aspecto?
"Quase sempre são mesmo as que os vossos Espíritos buscam, ou que vêm ao encontro deles."


Creio que isso é errado.
Mas é difícil falar sobre essas questões dos sonhos.

Na visão freudiana, os diversos personagens dos nossos sonhos somos nós mesmos, desempenhando papéis onde escondemos e mostramos nossos símbolos, nossas preocupações, etc.

Os sonhos parecem (parecem!) muito desprovidos de "paranormalidade".

Página 153
Há factos muito positivos, que nenhuma dúvida permitem a tal respeito.

Citaremos apenas alguns exemplos, de que temos conhecimento pessoal e cuja exactidão podemos garantir, sendo que a todos é possível registar outros análogos, consultando suas próprias reminiscências.

A mulher de um dos nossos amigos viu repetidas vezes entrar no seu quarto, durante a noite, houvesse ou não luz, uma vendedora de frutas que ela conhecia de vista, residente nas cercanias, mas com quem jamais falara.

De outras vezes, viu, da mesma maneira, um homem que lhe era desconhecido e, certo dia, viu seu próprio irmão, que se achava na Califórnia.

Este se lhe apresentou com a aparência tão perfeita de uma pessoa real, que, no primeiro momento, acreditou que ele houvesse regressado e quis dirigir-lhe a palavra.

Logo, entretanto, o vulto desapareceu, sem lhe dar tempo a isso.

Novamente, Kardec vai citar factos.

Aí fala: "A mulher de um amigo meu"...
Ora, sequer sabemos da confiabilidade do amigo dele, porque ele não disse nada a esse respeito.

Muito menos ainda sobre a confiabilidade da mulher do amigo.
O caso não possui força evidencial.

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 23, 2014 9:48 pm

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Página 154
Outra senhora, residente na província, estando gravemente enferma, viu certa noite, por volta das dez horas, um senhor idoso, que residia na mesma cidade e com quem ela se encontrava às vezes na sociedade, mas sem que existissem relações estreitas entre ambos.

Novo caso.
Dessa vez Kardec se limita a dizer "outra senhora"...
Igualmente trata-se de um caso com pouca força evidencial.

Página 155

Eis aqui agora outro facto ainda mais característico e grande curiosidade teríamos de ver como poderiam explicá-lo unicamente por meio da imaginação.

Trata-se de um senhor provinciano, que jamais quisera casar-se, mau grado às instâncias de sua família, que muito insistira notadamente a favor de uma moça residente em cidade próxima e que ele jamais vira.

Um dia, estando no seu quarto, teve a enorme surpresa de se ver em presença de uma donzela vestida de branco e com a cabeça ornada por uma coroa de flores.

Disse-lhe que era sua noiva, estendeu-lhe a mão, que ele tomou nas suas, vendo-lhe num dos dedos um anel.
Ao cabo de alguns instantes, desapareceu tudo.

Decorrido um ano, cedendo a novas solicitações de uma parenta, resolveu-se a ir ver a moça que lhe propunham.
Trajava tal qual a aparição, porquanto esta se verificara também num dia de Corpus-Christi.

Ficou atónito e a mocinha, por seu lado, soltou um grito e sentiu-se mal.
Voltando a si, disse já ter visto aquele senhor, um ano antes, em dia igual ao em que estavam.
Realizou-se o casamento.

Isso ocorreu em 1835, época em que ainda se não cogitava de Espíritos, acrescendo que ambos os protagonistas do episódio são extremamente positivistas e possuidores da imaginação menos exaltada que há no mundo.

Transcorreram 25 anos desde que esse caso ocorreu e o momento que Kardec o relatou no Livro dos Médiuns.

Também não é dado muita bagagem a respeito das pessoas envolvidas, e nem sabemos se Kardec ouviu isso directo deles ou através de terceiros.

Página 156
Antes de irmos adiante, devemos responder imediatamente a uma questão que não deixará de ser formulada:
como pode o corpo viver, enquanto está ausente o Espírito?

Poderíamos dizer que o corpo vive a vida orgânica, que independe do Espírito, e a prova é que as plantas vivem e não têm Espírito.

Kardec sabe muito sobre plantas...
E ainda bota tal "conhecimento" como prova de um outro raciocínio...
("e a prova disso é que as plantas vivem e não têm Espírito")

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 23, 2014 9:49 pm

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Página 157
Santo António de Pádua estava pregando na Itália (vide Nota Especial à página 162), quando seu pai, em Lisboa, ia ser supliciado, sob a acusação de haver cometido um assassínio.

No momento da execução, Santo António aparece e demonstra a Inocência do acusado.
Comprovou-se que, naquele Instante, Santo António pregava na Itália, na cidade de Pádua.

Por nós evocado e interrogado, acerca do facto acima, Santo Afonso respondeu do seguinte modo:
l.ª Poderias explicar-nos esse fenómeno?
"Perfeitamente.

Quando o homem, por suas virtudes, chegou a desmaterializar-se completamente; quando conseguiu elevar sua alma para Deus, pode aparecer em dois lugares ao mesmo tempo.

Caso interessante.
Talvez haja mesmo registos históricos suficientes para vermos tal caso como evidencialmente forte.

Página 181
Já não há então simples manifestações inteligentes, mas verdadeiras comunicações.
Os meios de que hoje dispomos permitem que as obtenhamos tão extensas, tão explícitas e tão rápidas, como as que mantemos com os homens.

A crença de Kardec era de que já havia então comunicações quase plenamente confiáveis.
A crença hoje, em muitos centros espíritas brasileiros, está muito longe disso!

Página 212-213
Assistimos uma noite à representação da ópera Oberon, em companhia de um médium vidente muito bom.

Em seguida, evocamos o Espírito Weber, autor da ópera, e lhe perguntamos o que pensava da execução da sua obra.
"Não de todo má; porém, frouxa; os actores cantam, eis tudo. Não há inspiração.
Espera, acrescentou, vou tentar dar-lhes um pouco do fogo sagrado."

Foi visto, daí a nada, no palco, pairando acima dos atores.
Partindo dele, um como eflúvio se derramava sobre os intérpretes.
Houve, então, nestes, visível recrudescência de energia.

Outro facto que prova a influência que os Espíritos exercem sobre os homens, à revelia destes:
Assistíamos, como nessa noite, a uma representação teatral, com outro médium vidente.

Travando conversação com um Espírito espectador, disse-nos ele:
"Vês aquelas duas damas sós, naquele camarote da primeira ordem?
Pois bem, estou esforçando-me por fazer que deixem a sala."

Dizendo isso, o médium o viu ir colocar-se no camarote em questão e falar às duas.
De súbito, estas, que se mostravam muito atentas ao espectáculo, se entreolharam, parecendo consultar-se mutuamente.

Depois, vão-se e não mais voltam.
O Espírito nos fez então um gesto cómico, querendo significar que cumprira o que dissera.

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 24, 2014 9:48 pm

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O primeiro caso pode ter sido mera validação subjectiva de Kardec e dos amigos.

No segundo, parece ter ocorrido algo mais.
É um dos trechos, em toda a obra de Kardec, onde ele embaça melhor evidencialmente uma alegação de acção espiritual.

Ainda assim é bem fraco também, justamente por ser raro, por poder ter sido coincidência, e por talvez o médium ter percebido antes uma disposição das duas mulheres em saírem do teatro.

Contudo, eu ainda tendo a achar que houve de facto algo especial (extraordinário) no evento.

Página 365
NOTA.
Vimos um Espírito responder, servindo-se de dois médiuns ao mesmo tempo, às perguntas que lhe eram dirigidas, por um em francês, por outro em inglês, sendo idênticas as respostas quanto ao sentido;
algumas até eram a tradução literal de outras.

Esse caso é interessante, e aparece mais abaixo mais explicado. Comento mais abaixo.

Página 400
Longe, porém, não está o dia em que o ensino dos Espíritos será por toda parte uniforme, assim nas minúcias, como nos pontos principais.

[/i]Estamos esperando...

Página 403
Tenho-vos dito que a unidade se fará na crença espírita; ficai certos de que assim será;

Estamos esperando...
____________________________________________________

O Evangelho Segundo o Espiritismo. 113.ª Edição. 1997. Rio de Janeiro.
Federação Espírita Brasileira.

Página 53

CAPÍTULO I

NÃO VIM DESTRUIR A LEI


As três revelações: Moisés, Cristo, Espiritismo.
Aliança da Ciência e da Religião.

-Instruções dos Espíritos: A nova era.

Kardec acreditava de facto que o kardecismo (nesse caso é melhor dizer espiritismo mesmo) era a terceira revelação.
Actualmente, infelizmente, discordo.

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 24, 2014 9:49 pm

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Página 56
O Espiritismo é a ciência nova que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo.

Provas irrecusáveis! Infelizmente, longe disso...

Página 57
A lei do Antigo Testamento teve em Moisés a sua personificação;
a do Novo Testamento tem-na no Cristo.

O Espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus, mas não tem a personificá-la nenhuma individualidade, porque é fruto do ensino dado, não por um homem, sim pelos Espíritos, que são as vozes do Céu, em todos os pontos da Terra, com o concurso de uma multidão inumerável de intermediários.

Novamente o espiritismo como a terceira revelação...

O Céu e o Inferno. 42.ª Edição. 1998. Rio de Janeiro.
Federação Espírita Brasileira.

Explicação pós Subtítulo:
Exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, sobre as penalidades e recompensas futuras, sobre os anjos e demónios, sobre as penas, etc., seguido de numerosos exemplos acerca da situação real da alma durante e depois da morte

Página 77
Sendo em tudo infinito, Deus deve abranger o passado e o futuro;
deve saber, ao criar uma alma, se ela virá a falir, assaz gravemente, para ser eternamente condenada.

Se o não souber, a sua sabedoria deixará de ser infinita, e Ele deixará de ser Deus.
Sabendo-o, cria voluntariamente uma alma desde logo votada ao eterno suplício, e, nesse caso, deixa de ser bom.

No meu entendimento, e sob uma óptica estritamente científica (e olhando o kardecismo como uma doutrina que se afirma também como uma ciência) considero que esse livro jamais deveria ter sido escrito.

Nele Kardec transforma o possível (a hipótese espírita kardecista) ]no inegável (o kardecismo como facto incontestável).

Discorre sobre a vida de pessoas reais no pós morte, traça julgamentos, incorre em momentos a meu ver de falta de ética para com pessoas que viveram.
Enfim, todo um leque de problemas nada discretos.

Há alguns casos onde é bem possível que alguém que tenha lido o livro de Kardec na época tenha conseguido identificar de quem Kardec falava.
Lamentável.

Mas creio que nada diferente dos padrões da época (talvez melhor).
Exactamente nesse trecho acima, Kardec reafirma o carácter todo-poderoso das previsões de Deus.

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 24, 2014 9:49 pm

Continua...

Página 90
Código penal da vida futura

O Espiritismo não vem, pois, com sua autoridade privada, formular um código de fantasia, a sua lei, no que respeita ao futuro da alma, deduzida das observações do facto, pode resumir-se nos seguintes pontos:

Vejam só: "Código Penal"!
E não se trata de fantasia, ou sequer de hipótese ou teoria.
É facto! Esse é o grande problema do kardecismo.

Página 92
Pela natureza dos sofrimentos e vicissitudes da vida corpórea, pode julgar-se a natureza das faltas cometidas em anterior existência, e das imperfeições que as originaram.

Afirmação altamente temerária.
Similar à feita com relação aos idiotas, que sofreriam por terem em vida anterior abusado da inteligência (usando-a para o mal).

Página 96
A responsabilidade das faltas é toda pessoal, ninguém sofre por erros alheios, salvo se a eles deu origem, quer provocando-os pelo exemplo, quer não os impedindo quando poderia fazê-lo.

Se você sofre, é por sua causa.
Se te mataram, esfolaram, estupraram, surraram, não aconteceu contigo mais do que o merecido.
Temerário!

Página 100
Ao contrário, a justiça divina patenteia-se na igualdade absoluta que preside à criação dos Espíritos, todos têm o mesmo ponto de partida e nenhum se distingue em sua formação por melhor aquinhoado, nenhum cuja marcha progressiva se facilite por excepção:
os que chegam ao fim, têm passado, como quaisquer outros, pelas fases de inferioridade e respectivas provas.

Igualdade absoluta na origem dos espíritos!

Página 113
Deus não criou o mal;
todas as suas leis são para o bem, e foi o homem que criou esse mal, divorciando-se dessas leis;
se ele as observasse escrupulosamente, jamais se desviaria do bom caminho.

Deus apenas criou um ser capaz de ser bem mauzinho...

Página 277-278-279

PASCAL LAVIC

(Havre, 9 de agosto de 1863)

Nota - Este Espírito, sem que o médium o conhecesse em vida, mesmo de nome, comunicou-se espontaneamente.

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 25, 2014 10:35 pm

Continua...

"Creio na bondade de Deus, que, na sua misericórdia, se compadecerá do meu Espírito.
Tenho sofrido muito, muito; pereci no mar.

Meu Espírito, ligado ao corpo, vagou por muito tempo sobre as ondas. Deus...
(A comunicação foi interrompida, e no dia seguinte o Espírito prosseguiu.)

...houve por bem permitir que as preces dos que ficaram na Terra me tirassem do estado de perturbação e incerteza em que me achava imerso.
Esperaram-me por muito tempo e puderam enfim achar meu corpo.
Este repousa actualmente, ao passo que o Espírito, libertado com dificuldade, vê as faltas cometidas.

Consumada a provação, Deus julga com justiça, a sua bondade estende-se aos arrependidos.
"Por muito tempo, juntos erraram o corpo e o Espírito, sendo essa a minha expiação.
Segui o caminho recto, se quiserdes que Deus facilite o desprendimento de vosso Espírito.

Vivei no seu amor, orai, e a morte, para tantos temerosa, vos será suavizada pelo conhecimento da vida que vos espera.
Sucumbi no mar, e por muito tempo me esperaram.

Não poder desligar-me do corpo era para mim uma terrível provação, eis por que necessito das preces de quem, como vós, possui a crença salvadora e pode pedir por mim ao Deus de justiça.

Arrependo-me e espero ser perdoado.
A 6 de agosto foi meu corpo encontrado.
Eu era um pobre marinheiro e há muito tempo que morri.
Orai por mim.

Pascal Lavic."

- P. Onde foi achado o vosso corpo?
- R. Não muito longe de vós.

Nota - O Journal du Havre, de 11 de agosto de 1863, continha o seguinte tópico, do qual o médium não podia ter ciência:
"Noticiamos que a 6 do corrente se encontrara um resto de cadáver encalhado entre Bléville e La Hève.

A cabeça, os braços e o busto tinham desaparecido, mas, apesar disso, pôde verificar-se a sua identidade pelos sapatos ainda presos aos pés.
Foi reconhecido o corpo do pescador Lavic, que fora arrebatado a 11 de dezembro de bordo do navio L'Alerte, por uma rajada de mar.

Lavic tinha 49 anos de idade e era natural da cidade de Calais.
Foi a viúva quem lhe reconheceu a identidade."

Nota - A 12 de agosto, como se tratasse desse acontecimento no Centro em que o Espírito se manifestara pela primeira vez, deu este de novo, e espontaneamente, a seguinte comunicação:

"Sou efectivamente Pascal Lavic, que tem necessidade das vossas preces.

Podeis beneficiar-me, pois terrível foi a provação por mim experimentada.
A separação do meu Espírito do corpo só se deu depois que reconheci as minhas faltas;
e depois disso, ainda não totalmente destacado, acompanhava-o no oceano que o tragara.

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 25, 2014 10:35 pm

Continua..

Orai, pois, para que Deus me perdoe e me conceda repouso.
Orai, eu vo-lo suplico.

Oxalá este desastrado fim de uma infeliz vida terrena vos sirva de grande ensinamento!
Deveis ter sempre em vista a vida futura, não deixando jamais de implorar a Deus a sua divina misericórdia.

Orai por mim; tenho necessidade que Deus de mim se compadeça.
Pascal Lavic."

Esse caso acima, que reproduzi na íntegra, é um dos raríssimos com certo peso evidencial.

Notem contudo que ele não é de Paris, e sim de Havre.
E as datas das mensagens iniciais e da reportagem no jornal são próximas.

Possivelmente Kardec não tinha contacto directo com tal centro e com tais médiuns, e sou fortemente inclinado a pensar que se trata de uma fraude.

Há contudo um caso similar, na verdade bem mais forte, ocorrido em 1937 na Islândia, estudado na época e posteriormente relatado e estudado em bons detalhes por Erlandur Haraldsson e Ian Stevenson, de um espírito que apareceu em uma sessão espírita e reclamou que havia sido enterrado sem sua perna.

Só sossegou depois que acharam a perna dele, seguindo as instruções do próprio...
(esse caso me foi indicado, pasmem, por um céptico ateu materialista, Keith Augustine, da Inglaterra, e pude ler sobre ele no livro "Immortal Remains", de 2003, do pesquisador psi Stephen Braude).

A Génese. 37.ª Edição. 1996. Rio de Janeiro.
Federação Espírita Brasileira.

Página 12

Os mesmos escrúpulos havendo presidido à redacção das nossas outras obras, pudemos, com toda verdade, dizê-las:
segundo o Espiritismo, porque estávamos certo da conformidade delas com o ensino geral dos Espíritos.

O mesmo sucede com esta, que podemos, por motivos semelhantes, apresentar como complemento das que a precederam, com excepção, todavia, de algumas teorias ainda hipotéticas, que tivemos o cuidado de indicar como tais e que devem ser consideradas simples opiniões pessoais, enquanto não forem confirmadas ou contraditadas, a fim de que não pese sobre a doutrina a responsabilidade delas.
(1)

(1) Nota da Editora:
Ao leitor cabe, pois, durante a leitura desta obra, distinguir a parte apresentada como complementar da Doutrina, daquela que o próprio Autor considera hipotética e pessoalmente dele.

A nota da FEB está errada.
Kardec está claramente dizendo que indicará quando a informação for uma hipótese dele.

Página 23
Certamente, a distância que separa o Espiritismo da magia e da feitiçaria é maior do que a que existe entre a Astronomia e a Astrologia, a Química e a Alquimia.
Confundi-las é provar que de nenhuma se sabe patavina.

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 25, 2014 10:36 pm

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Humildemente, acho que Kardec exagerou um pouco no trecho acima.

Página 29
o futuro já não é uma vaga esperança: é um fato positivo, uma certeza matemática.
Desde então, a morte nada mais tem de aterrador, por lhe ser a libertação, a porta da verdadeira vida.

Certeza matemática!
A vida pós morte, descrita inclusive em minúcias, é tão certa quanto "dois mais dois igual a quatro". Forte e perigoso erro...

Página 52
Existência de Deus

1. - Sendo Deus a causa primária de todas as coisas, a origem de tudo o que existe, a base sobre que repousa o edifício da criação, é também o ponto que importa consideremos antes de tudo.

2. - Constitui princípio elementar que pelos seus efeitos é que se julga de uma causa, mesmo quando ela se conserve oculta.

Se, fendendo os ares, um pássaro é atingido por mortífero grão de chumbo, deduz-se que hábil atirador o alvejou, ainda que este último não seja visto.

Nem sempre, pois, se faz necessário vejamos uma coisa, para sabermos que ela existe.
Em tudo, observando os efeitos é que se chega ao conhecimento das causas.


3. - Outro princípio igualmente elementar e que, de tão verdadeiro, passou a axioma é o de que todo efeito inteligente tem que decorrer de uma causa inteligente.

Já comentado em outros pontos.

Página 56
Da natureza divina

Não é dado ao homem sondar a natureza íntima de Deus.
Para compreendê-Lo, ainda nos falta o sentido próprio, que só se adquire por meio da completa depuração do Espírito.

Mas, se não pode penetrar na essência de Deus, o homem, desde que aceite como premissa a sua existência, pode, pelo raciocínio, chegar a conhecer-lhe os atributos necessários, porquanto, vendo o que ele absolutamente não pode ser, sem deixar de ser Deus, deduz daí o que ele deve ser.

Sem o conhecimento dos atributos de Deus, impossível seria compreender-se a obra da criação.

Esse o ponto de partida de todas as crenças religiosas e é por não se terem reportado a isso, como ao farol capaz de as orientar, que a maioria das religiões errou em seus dogmas.

As que não atribuíram a Deus a omnipotência imaginaram muitos deuses, as que não lhe atribuíram soberana bondade fizeram dele um Deus cioso, colérico, parcial e vingativo.

Kardec crê poder inferir os atributos de Deus. Pessoalmente, acho isso difícil.

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 26, 2014 9:22 pm

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Página 69
Origem do bem e do mal

1. - Sendo Deus o princípio de todas as coisas e sendo todo sabedoria, todo bondade, todo justiça, tudo o que dele procede há de participar dos seus atributos, porquanto o que é infinitamente sábio, justo e bom nada pode produzir que seja ininteligente, mau e injusto.

O mal que observamos não pode ter nele a sua origem.

Então teríamos que concluir que a matéria é inteligente...

Página 73
Decorrendo, o mal, das imperfeições do homem e tendo sido este criado por Deus, dir-se-á, Deus não deixa de ter criado, se não o mal, pelo menos, a causa do mal, se houvesse criado perfeito o homem, o mal não existiria.

Se fora criado perfeito, o homem fatalmente penderia para o bem.

Ora, em virtude do seu livre-arbítrio, ele não pende fatalmente nem para o bem, nem para o mal.
Quis Deus que ele ficasse sujeito à lei do progresso e que o progresso resulte do seu trabalho,

Questão já comentada acima.

Página 190
Compreende-se que, existindo um primeiro casal, os indivíduos se multiplicaram.

Mas, esse primeiro casal, donde saiu?
É um desses mistérios que entendem com o princípio das coisas e sobre os quais apenas se podem formular hipóteses.

A Ciência ainda não pede resolver o problema;
pode entretanto, pelo menos, encaminhá-lo para a solução.

Nesse trecho, e seguintes, Kardec imbica na direcção do darwinismo.

Página 191
Tudo, pois, concorre a provar que houve criação simultânea e múltipla dos primeiros casais de cada espécie animal e vegetal.

Idem a acima.

Página 195
Alguns exemplos comuns darão a compreender as transformações que se operam no reino orgânico, pela só modificação dos elementos constitutivos.

No suco da uva, não há vinho, nem álcool, mas apenas água e açúcar.
Quando o suco fica maduro e são propícias as condições, produz-se nele um trabalho íntimo a que se dá o nome de fermentação.

Por esse trabalho, uma parte do açúcar se decompõe, o oxigénio, o hidrogénio e o carbono se separam e combinam nas proporções necessárias a produzir o álcool, de sorte que, em se bebendo suco de uva, não se bebe realmente álcool, pois que este ainda não existe.

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 26, 2014 9:22 pm

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Ele se forma das partes constituintes da água e do açúcar, sem que haja, em suma, uma molécula a mais ou a menos.

Interessante que aqui Kardec demonstra agora saber que não há álcool no suco de uva. Bem que ele poderia ter modificado os prolegómenos do Livro dos Espíritos então (ou ele mesmo ter acusado o erro dos "Espíritos Superiores" na metáfora por eles criada ali).

Página 199-200
Geração espontânea

É natural se pergunte por que não mais se formam seres vivos nas mesmas condições em que se formaram os primeiros que surgiram na Terra.

Sobre esse ponto, não pode deixar de lançar luz a questão da geração espontânea, que tanto preocupa a Ciência, embora ainda esteja diversamente resolvida.

O problema é este:
Formam-se, nos tempos actuais, seres orgânicos pela simples reunião dos elementos que os constituem, sem germens, previamente produzidos pelo modo ordinário de geração, ou, por outra, sem pais nem mães?

Os partidários da geração espontânea respondem afirmativamente, apoiando-se em observações directas, que parecem concludentes.

Pensam outros que...

Sem discutir os dois sistemas, convém acentuar que o princípio da geração espontânea evidentemente só se pode aplicar aos seres das ordens mais ínfimas do reino vegetal e do reino animal, àqueles em os quais a vida começa a despontar e cujo organismo, extremamente simples, é, de certo modo, rudimentar.

Foram esses, com efeito, os primeiros que apareceram na Terra e cuja formação houve de ser espontânea.
Assistiríamos assim a uma criação permanente, análoga à que se produziu nas primeiras idades do mundo.

Mas, então, por que não se formam da mesma maneira os seres de complexa organização?
Que esses seres não existiram sempre, é facto positivo;
logo, tiveram um começo.

Se o musgo, o líquen, o zoófito, o infusório, os vermes intestinais e outros podem produzir-se espontaneamente, por que não se dá o mesmo com as árvores, os peixes, os cães, os cavalos?

Param aí, por enquanto, as investigações; desaparece o fio condutor e, até que ele seja encontrado, fica aberto o campo às hipóteses.

Kardec continua em seu caminho cauteloso rumo ao darwinismo.

Página 202-203
Se se considerarem apenas os dois pontos extremos da cadeia, nenhuma analogia aparente haverá;
mas, se se passar de um anel a outro sem solução de continuidade, chega-se, sem transição brusca, da planta aos animais vertebrados.

Compreende-se então a possibilidade de que os animais de organização complexa não sejam mais do que uma transformação, ou, se quiserem, um desenvolvimento gradual, a princípio insensível, da espécie imediatamente inferior e, assim, sucessivamente, até ao primitivo ser elementar.

Entre a glande e o carvalho é grande a diferença; entretanto, se acompanharmos passo a passo o desenvolvimento da glande, chegaremos ao carvalho e já não nos admiraremos de que este proceda de tão pequena semente.

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 26, 2014 9:23 pm

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Ora, se a glande encerra em latência os elementos próprios à formação de uma árvore gigantesca, porque não se daria o mesmo do oução ao elefante?
(Nº 23.)

De acordo com o que fica dito, percebe-se que não exista geração espontânea senão para os seres orgânicos elementares;
as espécies superiores seriam produto das transformações sucessivas desses mesmos seres, realizadas à proporção que as condições atmosféricas se lhes foram tornando propícias.

Quem nos diz que o nosso oução actual seja idêntico ao que, de transformação em transformação, produziu o elefante?
Explicar-se-ia assim porque não há geração espontânea entre os animais de complexa organização.

Esta teoria, sem estar admitida ainda, de maneira definitiva, é a que tende evidentemente a predominar hoje na Ciência.
Os observadores sérios aceitam-na como a mais racional.

Nesse trecho acima, Kardec adentra o darwinismo com "mala e cuia".

Página 206
Princípio espiritual

A existência do princípio espiritual é um facto que, por assim dizer, não precisa de demonstração, do mesmo modo que o da existência do princípio material.
E, de certa forma, uma verdade axiomática.
Ele se afirma pelos seus efeitos, como a matéria pelos que lhe são próprios.

De acordo com este princípio:
«Todo efeito tendo uma causa, todo efeito inteligente há de ter uma causa inteligente», ninguém há que não faça distinção entre o movimento mecânico de um sino que o vento agite e o movimento desse mesmo sino para dar um sinal, um aviso, atestando, só por isso, que obedece a um pensamento, a uma intenção.

Ora, não podendo acudir a ninguém a ideia de atribuir pensamento à matéria do sino, tem-se de concluir que o move uma inteligência à qual ele serve de instrumento para que ela se manifeste.

Afirmação da credulidade no princípio espiritual.

Página 302

(1) Tal o princípio dos fenómenos de trazimento, fenómeno este muito real, mas que não convém se admita, senão com extrema reserva, porquanto é um dos que mais se prestam à imitação e à trapacearia.

Devem tomar-se em séria consideração a honradez irrecusável da pessoa que os obtém, seu absoluto desinteresse, material e moral, e o concurso das circunstâncias acessórias.

Importa, sobretudo, desconfiar da produção de tais efeitos, quando eles se dêem com excessiva facilidade e ter por suspeitos os que se renovem com extrema frequência e, por assim dizer, à vontade.

Os prestidigitadores fazem coisas mais extraordinárias.

Interessante como Kardec alerta para as fraudes.
Havia de facto boa dose de racionalidade, de cepticismo positivo, e de visão científica nele.

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 27, 2014 9:52 pm

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Página 337
Tempestade aplacada

Ainda não conhecemos bastante os segredos da Natureza para dizer se há ou não inteligências ocultas presidindo à acção dos elementos.

Na hipótese de haver, o fenómeno em questão poderia ter resultado de um acto de autoridade sobre essas inteligências e provaria um poder que a nenhum homem é dado exercer.

Curioso Kardec nesse ponto afirmar que a acção dos espíritos sobre a matéria, no caso de tempestades, seria hipótese, já que no Livro dos Espíritos ele já havia apresentado isso como revelação dos espíritos superiores.

Página 357-358
TEORIA DA PRESCIÊNCIA

Como é possível o conhecimento do futuro?
Compreende-se a possibilidade da previsão dos acontecimentos que devam resultar do estado presente;
orém, não a dos que nenhuma relação guardem com esse estado, nem, ainda menos, a dos que são comumente atribuídos ao acaso.

Não existem as coisas futuras, dizem;
elas ainda se encontram no nada; como, pois, se há de saber que se darão?

São, no entanto, em grande número os casos de predições realizadas, donde forçosa se torna a conclusão de que ocorre aí um fenómeno para cuja explicação falta a chave, porquanto não há efeito sem causa.

É essa causa que vamos tentar descobrir e é ainda o Espiritismo, já de si mesmo chave de tantos mistérios, que no-la fornecerá, mostrando-nos, ao demais, que o próprio fato das predições não se produz com exclusão das leis naturais.

Para o homem que está em cima da montanha e que o acompanha com o olhar, tudo aquilo está presente.

Suponhamos que esse homem desce do seu ponto de observação e, indo ao encontro do viajante, lhe diz:
«Em tal momento, encontrarás tal coisa, serás atacado e socorrido.»

Estará predizendo o futuro, mas, futuro para o viajante, não para ele, autor da previsão, pois que, para ele, esse futuro é presente.

Se, agora, sairmos do âmbito das coisas puramente materiais e entrarmos, pelo pensamento, no domínio da vida espiritual, veremos o mesmo fenómeno produzir-se em maior escala.
Os Espíritos desmaterializados são como o homem da montanha; o espaço e a duração não existem para eles.

Mas, a extensão e a penetração da vista são proporcionadas à depuração deles e à elevação que alcançaram na hierarquia espiritual.

A premonição, segundo o kardecismo, se dá através do conhecimento do estado actual de um sistema, e não através da retro-causalidade (ou seja, de uma informação do futuro retornar ao passado).

Obras Póstumas. 27.ª Edição. 1995. Rio de Janeiro.
Federação Espírita Brasileira.

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 27, 2014 9:53 pm

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Página 103

Livre dos entraves da carne, ela julga dos efeitos e das causas melhor do que nós, que não podemos fazer outro tanto;
vê as consequências das coisas presentes e pode levar-nos a pressenti-las.

É neste sentido que se deve entender o dom de presciência atribuído aos videntes.
Suas previsões resultam de ter a alma consciência mais nítida do que existe e não de uma predição de coisas fortuitas, sem ligação com o presente.

É por dedução lógica do conhecido que ela chega ao desconhecido, dependente muitas vezes da nossa maneira de proceder.

Há que se ter enorme cautela ao comentar as Obras Póstumas.
São textos que Kardec não publicou.
Foram publicados após sua morte.
Talvez ele nem os quisesse publicados.

Talvez ele possuísse posicionamento ambivalente com relação a algumas das próprias coisas que escreveu.

Ainda assim, é válido observar o conteúdo de tais textos.
No trecho acima, Kardec reafirma a mecânica da premonição como dedução do estado futuro a partir do conhecimento do estado presente.

Página 168

O negro pode ser belo para o negro, como um gato é belo para um gato;
mas, não é belo em sentido absoluto, porque seus traços grosseiros, seus lábios espessos acusam a materialidade dos instintos;
podem exprimir as paixões violentas, mas não podem prestar-se a evidenciar os delicados matizes do sentimento, nem as modulações de um espírito fino.

Daí o podermos, sem fatuidade, creio, dizer-nos mais belos do que os negros e os hotentotes.

Aposto que Kardec não conhecia negros. Não de facto.
Assim como não conhecia crianças ou camponeses. Não na intimidade.
Falava coisas preconceituosas e incorrectas com relação a tais tipos humanos.

Já a mulher, que ele conhecia bem[preto] (era casado e parecia desfrutar de uma união conjugal feliz, companheira, e fraterna), ele via com olhos bem realistas, assumindo uma postura bem vanguardista para com os direitos das mulheres.

Allan Kardec - Pesquisa Bibliográfica e Ensaios de Interpretação.
Volume 3. Zeus Wantuil e Francisco Thiesen. 1a edição.
Federação Espírita Brasileira. Rio de Janeiro. 1980.

Página 295-296

Assistindo às referidas reuniões da SPEE (Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas), nas quais se exerciam diversas formas de mediunidade, notadamente a escrita automática, o jovem francês (Camille Flammarion), no estado semiconsciente, escrevia dissertações sobre astronomia assinadas Galileu, que, mais tarde, Kardec incluiria na obra "A Génese" (1868), constituindo-lhe o capítulo VI.

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 27, 2014 9:55 pm

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Tais dissertações - estudos uranográficos -, foram denominadas, na obra acima, "Uranografia Geral", pois abrangiam campo suficientemente extenso para assim serem classificadas.

As comunicações, que [/i]"eram deixadas sobre a mesa das sessões e publicadas por Allan Kardec", seriam ulteriormente interpretadas por Flammarion da maneira seguinte, receoso, ao que parece, de incorrer em equívoco - pois continuava alimentando dúvidas, para ele difíceis de serem afastadas:
tais "comunicações mediúnicas reflectiam simplesmente nossas ideias pessoais e Galileu, para mim, e os habitantes de Júpiter, para Sardou, eram estranhos a essas produções inconscientes de nosso espírito";

"não demoraria a concluir que elas (as páginas psicografadas) eram apenas o eco daquilo que eu sabia, nelas nada existindo de Galileu.
Era como uma espécie de sonho acordado.

Além do mais, minha mão parava assim que eu pensava em outros assuntos".

Flammarion e Sardou, pelo visto, eram da opinião de que as próprias comunicações que haviam fornecido vieram não dos espíritos, mas de si próprios.

Kardec devia ser mais cauteloso ao afirmar que eram os espíritos os autores de tais trechos.
________________________________________________

Revista Espírita - Jornal de Estudos Psicológicos - Colectânea Francesa.
Publicado sob a direcção de Allan Kardec.
Instituto de Difusão Espírita, Araras, SP. 1996. Tradução da Revue Spirite.

Ano de 1858

Página 02
Não se poderia, pois, contestar a utilidade de um órgão especial, que mantenha o público ao corrente dos progressos dessa ciência nova, e o premuna dos exageros da credulidade, tão bem quanto ao cepticismo.

Notem o duplo objectivo de Kardec, ao mesmo tempo cuidar dos excessos e descaminhos do cepticismo, e dos perigos da credulidade.
A meu ver, muito bom! Sinceramente, creio que Kardec era, em muitos aspectos, um homem adiante do seu tempo.

Página 05
Faremos anotar, a esse respeito, que esses princípios são aqueles que decorrem do próprio ensinamento dado pelos Espíritos,

Credulidade com relação às revelações espíritas.

Página 65
Artigo a respeito da Pluralidade dos Mundos Habitados.

Neste artigo, Kardec expõe as revelações dos espíritos a respeito dos mundos habitados no nosso sistema solar.

Há diversas afirmações que parecem claramente ser erros científicos nesse texto.
É muito interessante que o leitor leia o artigo na íntegra, e eu o incluí neste link http://www.criticandokardec.com.br/revue_mundos_1858.htm para os interessados.

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 28, 2014 9:40 pm

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Kardec acrescenta uma nota bastante racional, ao ele dizer que [preto]"todavia, não lhes damos senão sob benefício de inventário, a título de notícias, aos quais cada um está livre para ligara importância que julga adequada".

Contudo, imediatamente antes, ele faz uma afirmação muito interessante:
"O que dá aqui, um certo peso ao dizer dos Espíritos, é a correlação que existe entre eles, pelo menos nos pontos principais.

Para nós, que fomos cem vezes testemunhas dessas comunicações, que pudemos apreciá-las em seus menores detalhes, que nelas escoltamos o forte e o fraco, observamos as semelhanças e as contradições, encontramos todos os caracteres da probabilidade".

Esses dois trechos em francês, na ordem correcta (e não invertida como eu coloquei acima) é:
"Pour nous qui avons été cent fois témoins de ces communications, qui avons pu les apprécier dans les moindres détails, qui en avons scruté le fort et le faible, observé les similitudes et les contradictions, nous y trouvons tous les caractères de la probabilité, toutefois, nous ne les donnons que sous bénéfice d'inventaire, à titre de renseignements auxquels chacun sera libre d'attacher l'importance qu'il jugera à propos.".

Esse comentário de Kardec é muito interessante, pois ele afirma que "cem vezes fomos testemunhas", e que "apreciamos os seus menores detalhes", e também que "observamos nelas o forte e o fraco, as semelhanças e contradições", e no fim Kardec conclui sua análise dizendo que:
"Elas possuem todos os caracteres da probabilidade".

Contudo, à luz do conhecido pela ciência hoje, as afirmações deste artigo parecem claramente possuir todos os caracteres da mais extrema improbabilidade...

O que podemos concluir disso?

Penso que a principal conclusão é que a aplicação que Kardec fazia do critério da "universalidade do ensino dos espíritos" era muito fraca e falha.

Ano de 1859

Página 94-95

Nessas páginas, Kardec inclui interessante artigo onde alerta para as fraudes dos prestidigitadores.
Muito interessante e benéfico.

Página 162
Pergunta a São Luís:
A raça negra é verdadeiramente uma raça inferior?

Resposta: A raça negra desaparecerá da Terra.
Ela foi feita para uma latitude diferente da vossa.

Essa foi, em toda a obra de Kardec, uma das afirmações mais pesadas e obtusas.
Veio de São Luís, Espírito Superior presidente espiritual da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas...
Para mim, ele era um espírito inferior (se de facto era um espírito).

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 28, 2014 9:42 pm

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Ano de 1860

Página 132
Boletim da SPEE, sexta-feira, 20 de abril de 1860:

3.º - O Sr. Col... começa a leitura de uma evocação de São Lucas, evangelista, que fez particularmente.
O Presidente, percebendo que nessa evocação são tratadas diversas questões de dogmas religiosos, interrompe-lhe a leitura, em virtude do regulamento que proíbe ocupar-se dessa espécie de matéria.

Esse trecho é muito interessante.
Ele mostra não só que era de facto norma da SPEE evitar viéses religiosos (ou melhor, defender ou atacar dogmas religiosos, creio),[ mas que tal normal não era letra morta.

Isso de facto era um dos factores que tornava difícil ver o kardecismo como uma religião.

Página 164

Nessa página há uma transcrição de interessante conversa de Kardec com São Luís, que era o presidente espiritual da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, onde Kardec questiona o facto de um impostor ter falado por São Luís sem que São Luís tivesse impedido tal facto.

Mostra a postura não submissa, e inquiridora, de Kardec frente aos espíritos.

Página 259

[O Sr. Allan Kardec dá conta de um facto interessante que se passou em sua casa, numa sessão particular.
A esta sessão assistia o Sr. Rabache, muito bom médium, e ao qual se comunicara espontaneamente Adam Smith, num café em Londres.

Tendo sido Adam Smith evocado, por intermédio de um outro médium, a senhora Costel, ele respondeu simultaneamente por esta senhora, em francês, e pelo Sr. Rabache, em inglês;
várias respostas foram encontradas com uma identidade perfeita, e mesmo será tradução literal uma da outra.

Esse foi o ponto que também aparece mais acima, e que eu disse que comentaria.
Trata-se de um raro momento onde Kardec relata um facto com algum peso evidencial.

Contudo, como Kardec não transcreveu os textos e não deu outras informações adicionais, isso enfraquece imensamente tal relato.
(O texto que coloquei acima reproduz na íntegra o que foi dito por Kardec na Revue em 1860 página 259).

Ano de 1862

Página 75-76-78

Sr. Jobart morreu porque queria ultrapassar os limites estipulados para o espiritismo:
"Jobart pôs as mãos sobre a Arca, e foi fulminado".
(Espírito Verdade).

O Espírito Verdade, Jesus, afirma que Jobart, colaborador de Kardec, foi levado de volta ao mundo dos mortos por estar tentando descobrir demais...

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 28, 2014 9:43 pm

Página 97

Nesta página há artigo onde Kardec afirma que a raça negra não é perfectível.

Página 232-233

Nestas páginas, é mostrado comunicação onde o Bispo de barcelona, feroz opositor do espiritismo, se retrata logo após a sua morte (foi evocado por Kardec e colaboradores).

Kardec relata credulamente tais factos.
Ele parece claramente acreditar, sem sombra de dúvidas, que era o próprio Bispo de Barcelona se manifestando.

Ano de 1864

Página 26
Artigo onde Kardec responde a uma interessante pergunta a respeito da aleatoriedade das virtudes na primeira encarnação.

Nesse artigo, que incluí na íntegra neste link http://www.criticandokardec.com.br/aleatoriedade_das_virtudes.htm, um missivista alega que na primeira encarnação as virtudes deveriam ser aleatórias, pois que o espírito não havia vivido ainda.

Kardec objecta fortemente.
Alega principalmente que as encarnações começam muito antes da linhagem humana (se dando presumivelmente nos seres inferiores da criação, ou em outros planetas, etc.).

Contudo, se Kardec remetesse tal raciocínio à encarnação primeira mesma, ele veria que o fundo da lógica do missivista é impecável, e mostra uma falha grave na lógica teológica kardecista.

Página 241
Artigo onde um missivista pergunta a respeito da justiça no extermínio dos primeiros nativos americanos contactados por Colombo (indígenas de ilhas do Caribe) e o espírito Erasto responde justificando o facto devido aos Incas terem paralisado no tempo (não progrediam nem regrediam)...

Esse caso foi comentado por mim em kardec1.htm.
É por causa de factos como esse que eu penso que Erasto, assim como São Luís, ou não eram espíritos, ou eram espíritos inferiores.

Ano de 1865

Página 297-302
Um Abade anti-espírita se retrata após a morte.

O bom do kardecismo era isso.
Os opositores se retratavam depois da morte...

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 29, 2014 9:36 pm

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Ano de 1866

Página 01
Interessante artigo com o título "As mulheres têm alma?".

Nesse artigo, Kardec se mostra adiante do seu tempo, e reconhece nas mulheres o valor e a igualdade com os homens que elas têm.
Muito bom.

Página 106
Comentários de Kardec a respeito de um interessante incidente, grupos que, apesar de acreditarem nos espíritos, alegam que eles não ensinam nada de novo que não seja conhecido pela humanidade...

Muitos cépticos se queixam actualmente de que os espíritos não revelam nada de novo.
Eles nem imaginam o quanto tal queixa é... velha!

Ano de 1867

Página 55
Artigo onde se fala sobre as causas das doenças:
não se falam de bactérias ou de saneamento básico, apenas do corpo, do espírito e do perispírito.

Ou seja, é difícil os espíritos falarem coisas que já não sabemos.

Ano de 1868

Página 201

Artigo que comenta os trechos sobre a teoria da geração espontânea conforme analisados no livro de Kardec "A Génese".

Kardec, nesse artigo da Revue Spirite, se manifesta pró evolução (ou seja, diversas espécies tendo se originado de uma ou de algumas espécies anteriores mais simples), hipotizando que a evolução se dá a partir de seres menos complexos que teriam por sua vez se originado por geração espontânea.

Ano de 1869

Página 65
Na questão "carne vs espírito", o espírito só é vencido nas patologias.

Já comentado acima.

Página 98
Artigo sobre "A Profissão de Fé Espírita Americana".

Este artigo está disponível neste link, http://www.criticandokardec.com.br/revue_espiritismo_nos_estadosunidosdaamerica_1869.htm e é muito interessante que o leitor o leia com atenção.

Continua...
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Ave sem Ninho

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 29, 2014 9:36 pm

Continua...

O curioso neste artigo é que Kardec afirma, com relação ao espiritismo nos Estados Unidos e na França, que "Ambos reconhecem o progresso indefinido da alma como a lei essencial do futuro, ambos admitem a pluralidade das existências sucessivas em mundos mais ou menos avançados, a única diferença consiste em que o Espiritismo europeu admite essa pluralidade de existências sobre a Terra até que o Espírito tenha adquirido o grau de adiantamento intelectual e moral que comporte este globo, depois do que ele o deixa por outros mundos, onde adquire novas qualidades e novos conhecimentos.".

Estranhamente, ao contrário do que afirma Kardec, em nenhum lugar na exposição que Kardec fez da Profissão de Fé dos Espíritas dos Estados Unidos (extraída da quinta convenção nacional dos espíritas de tal país) é afirmado isso que Kardec imaginou ter visto, ou seja, que:
"o espiritismo nos Estados Unidos admite a pluralidade de existências sucessivas (ou seja: reencarnação) em mundos mais ou menos avançados".

Esse é um exemplo bem ilustrativo do quanto Kardec por vezes "via justamente aquilo que ele queria ver" em algo que na verdade não continha o que ele imaginava estar vendo.

Penso que podemos concluir que tal tendência influiu negativamente ao ele analisar as diversas mensagens mediúnicas e aplicar o "método da sanção universal dos espíritos".

Bem, me arriscando a chegar a uma conclusão da obra de Kardec, eu diria que é um conjunto altamente respeitável, mas que necessita ser re-estudado e re-avaliado a fundo.

Especialmente, penso ser necessário a investigação com médiuns em condições laboratoriais rígidas.

Júlio Siqueira
Agosto, 2005

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Re: Criticando Kardec

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 29, 2014 9:38 pm

Chegando ao final exponho esta mensagem de Allan Kardec... não sendo uma crítica, mas apenas um Apêndice... que cada um tire as suas ilacções.

R. E. 1863, p. 75:
“Esses falsos sábios falam de tudo, reavivando os sistemas, criando utopias, ou ditando as coisas mais excêntricas, e ficam felizes de encontrar intérpretes complacentes e crédulos que aceitem suas elucubrações de olhos fechados.

Esse tipo de publicações são inconvenientes muito graves, porque o médium, tendo enganado a si mesmo, seduzido mais frequentemente por um nome apócrifo, as dá como coisas sérias;
do que a crítica se apodera com empenho para denegrir o Espiritismo, ao passo que, com menos presunção, seria suficiente tomar conselhos de seus colegas para ser esclarecido.

É muito raro que, nesse caso, o médium não ceda à injunção de um Espírito que quer - ai de mim! - como certos homens, de qualquer modo se impor;
com mais experiência, saberia que os Espíritos verdadeiramente superiores aconselham, mas não se impõem nem nunca se envaidecem, e que toda prescrição imperiosa é um sinal suspeito.”


§.§.§- O-canto-da-ave
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Re: Criticando Kardec

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