Momentos Espíritas III

Página 34 de 41 Anterior  1 ... 18 ... 33, 34, 35 ... 37 ... 41  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

O Hóspede

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 14, 2017 11:16 am

Quando sabemos que receberemos um hóspede, em casa, alguém de quem gostamos muito, tomamos muitas providências.
Organizamos tudo da melhor maneira possível.
Afinal, desejamos oferecer tudo de bom, de mais especial.
Por isso, limpamos e perfumamos nosso lar.
E o enfeitamos com flores delicadas e coloridas.
Providenciamos a quem chegará o melhor cómodo da casa.
Aquele onde o sol, pela manhã o virá saudar.
E se fizer frio, virá aquecê-lo, logo ao despertar.
Quando o hóspede chega, fazemos silêncio para não perturbar o seu repouso. Providenciamos para que as crianças não o incomodem.
Pensamos em todos os detalhes, nos desdobramos nas atenções quanto aos alimentos. Preparamos o que ele mais aprecia.
Desejamos que se sinta bem em nossa casa.
Para ele, o melhor. É nosso hóspede.
Tudo se torna um envolvimento de carinho para que esteja à vontade em nossa casa.
Poucos de nós nos damos conta de que existe um hóspede ansioso para penetrar a nossa casa interna.
Alguém que tem caminhado de um para outro lado, nas calçadas e ruas da nossa vida emocional, todos os dias.
Ele busca se insinuar para que tomemos a iniciativa de convidá-lO a entrar.
Ele conhece nosso íntimo.
Sabe dos nossos sentimentos feridos, da alegria que buscamos com ansiedade, da saúde que aguardamos se restabeleça.
Das esperanças tão embaladas...
Ele nos segue pelos corredores da solidão ou nos salões da alegria.
Ele se chama Jesus.
Quem sabe, ainda hoje, possamos convidá-lO para adentrar o nosso coração.
E, como o desejamos bem recepcionar, comecemos por realizar a higiene das peças interiores de nossa alma.
Espanemos para longe os pensamentos tristes.
Coloquemos perfumes em nossa casa íntima.
Envolvamos em silêncio cada compartimento interno para que Ele se faça o mais suave hóspede da nossa vida, dela jamais se apartando.
Não esperemos mais.
Vamos convidá-lO a se hospedar em nós, para sempre!
Todos os que permitiram que Ele adentrasse a porta dos seus corações, nunca mais foram os mesmos.
Ele penetrou o coração de Francesco Bernardone e o jovem se transformou em Francisco dos pobres, Francisco de Assis.
Ele visitou uma jovem freira na Índia e ela, deixando-se sensibilizar por Sua mensagem, se transformou na irmã dos pobres mais pobres:
Madre Teresa de Calcutá, para quem cada mendigo, doente ou necessitado era o próprio Cristo vivo e amado.
Se O convidarmos a estar connosco e nos dispusermos a viver a Sua mensagem, Ele, estrela fulgurante, fará sol em nossas vidas, acima e além de todos os problemas que possam colocar nuvens em nossos dias.
Jesus, Mestre, Amigo e Irmão Maior.
Ele prossegue de braços abertos, aguardando que nos permitamos o aconchego.
E que atendamos ao Seu convite:
Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados e eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração.
E achareis descanso para as vossas almas.
Porque meu jugo é suave e leve o meu fardo.
Atendamos ao convite e abriguemos o Hóspede Celeste na intimidade de nossa alma.

Momento Espírita, com base no cap. 16, do livro Rosângela, pelo Espírito Rosângela, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter e transcrição do Evangelho de Mateus, cap. 11, vers. 28 e 29.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Falemos de Deus a nossos filhos

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 15, 2017 9:35 am

A infância é o período ideal para o aprendizado de todos nós.
Nessa fase, como uma esponja, a mente infantil melhor absorve o que lhe é apresentado.
Nossos pequenos respondem, de forma positiva, aos estímulos a que os expomos.
Esse é o motivo pelo qual os aprendizados da infância parecem marcados de maneira profunda, e se reflectem em nossos valores, conceitos e hábitos.
Assim, aqueles que na infância aprendemos a afectividade, o valor de um abraço, de um carinho, ao nos tornarmos adultos teremos tais expressões como naturais.
Seremos pessoas afectuosas, que conquistam e alimentam amizades, que se fazem gentis e simpáticas onde quer que se encontrem.
Porém, se formos expostos a estímulos de uma sensualidade precoce, com músicas, coreografias e comportamentos não condizentes com a ingenuidade infantil, logo nos primeiros passos da adolescência começaremos a enfrentar dificuldades emocionais.
O poder das palavras mas, principalmente, dos exemplos de mães e pais calam fundo na mente infantil.
Por isso, é necessário que reflictamos sobre o que estamos depositando na mente de nossas crianças.
Para isso, é importante que avaliemos de que maneira usamos o tempo que passamos com elas.
Os momentos da intimidade familiar são preciosos no processo da educação.
Será nessas horas que deveremos semear os valores e princípios que queremos lhes deixar, valores que marcarão sua vida adulta.
Fundamental, não esqueçamos, que falemos de Deus e das Suas obras aos nossos filhos.
Falemos naturalmente, sem exageros ou conceitos sem lógica, pois esses se desmantelarão à medida que eles forem desenvolvendo sua razão.
Falemos de Deus, mostrando a grandiosidade do céu, a beleza das flores, a providência da chuva, os benefícios dos raios solares, a carícia dos ventos brandos.
E lhes ensinemos a serem gratos a esse Criador extraordinário, Pai de amor e bondade.
Também os convidemos ao respeito à natureza, a todos os seres vivos, ao meio ambiente.
E, ensinando-os a orar, na intimidade do lar, iremos lhes oferecendo subsídios para melhor enfrentarem seus desafios, logo mais ou em anos ainda distantes.
Oração como recurso de reflexão, amparo, tranquilidade e fé.
Oração como fortalecimento das próprias forças. Oração de quem se sabe filho de um Pai generoso e bom.
Envolvidos por esses conceitos nobres, nossos filhos crescerão no respeito a si mesmos, ao seu próximo, tornando-se bons cidadãos, generosos e solidários.
E, entendendo, desde cedo, a importância do respeito aos recursos que a natureza oferece, ao planeta em que vivemos, actuarão em todos os seus dias, de forma coerente e exemplar.
Falemos, portanto, de Deus aos nossos pequenos.
Que eles saibam que poderão enfrentar adversidades, que poderão sofrer revezes, mas jamais estarão sós.
Porque a Providência Divina por eles vela, de forma constante.
Ofereçamos a eles o melhor legado, aquele da confiança em Deus, da dignidade, da honra, do respeito a si mesmo, a tudo e a todos.

Momento Espírita, com base no cap. 53, do livro Acções corajosas para viver em paz, pelo Espírito Benedita Maria, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

A grave problemática da corrupção

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 16, 2017 9:19 am

Conforme o dicionário, corrupção é adulteração, deturpação, alteração, desvirtuamento, entre outros significados.
Nos dias em que vivemos, muito se tem falado a respeito dela.
E pensamos que corrupção esteja intimamente ligada aos que exercem o poder público.
Ledo engano. Está de tal forma disseminada entre nós, que, com certeza, somos poucos os que nela não estejamos envolvidos, de alguma forma.
Vejamos alguns exemplos.
Quando fabricamos um produto com qualificação inferior, para alcançar maiores lucros, e o vendemos como de qualidade superior, estamos sendo corruptos.
Quando adquirimos uma propriedade e, ao procedermos a escrituração, adulteramos o valor, a fim de pagar menos impostos, estamos disseminando corrupção.
Ao burlarmos o fisco, não pedindo ou não emitindo nota fiscal, estamos nos permitindo a corrupção.
É como se houvesse, entre todos, um contrato secretamente assinado no sentido de Eu faço, todos fazem e ninguém conta para ninguém.
Com a desculpa de protegermos pessoas que poderão vir a perder seus empregos, não denunciamos seus actos lesivos.
Actos como o do funcionário que se oferece para fazer, em seus dias de folga, o mesmo serviço, a preço menor do que aquele que a empresa a que está vinculado estabelece.
Ou daquele que orienta o cliente, no próprio balcão, entregando cartões de visita, a buscar produto de melhor qualidade e melhor preço, segundo ele, em loja de seu parente ou conhecido.
Esquece que ele tem seu salário pago pelos donos da empresa para quem deveria estar trabalhando, de verdade.
Desviando clientes, está desviando a finalidade da sua actividade, configurando corrupção.
Corrupção é sermos pagos para trabalharmos oito horas e chegarmos atrasados, ou sairmos antes, pedindo que colegas passem o nosso cartão pelo relógio electrónico.
É conseguirmos atestados falsos, de profissionais que a isso se prestam, para justificarmos nossa ausência do local de trabalho, em dias que antecedem feriados ou outras datas de nossa conveniência.
É promovermos a quebra ou avaria de algum equipamento na empresa, a fim de termos algumas horas de folga.
Corrupção é aplaudirmos nosso filho que nos apresenta notas altas nas matérias, mesmo sabendo que ele as adquiriu à custa de cola.
E que dizer dos que nos oferecemos para fazer prova no lugar do outro?
Ou realizar toda a pesquisa que a ele caberia fazer?
Examinemos com mais vagar tudo que fazemos.
Mesmo porque nossos filhos têm os olhos postos sobre nós e nossos exemplos sempre falarão mais alto do que nossas palavras.
Desejamos, acaso, que a situação que vivemos em nosso país tenha prosseguimento?
Ou almejamos uma nação forte, unida pelo bem, disposta a trabalhar para progredir, crescer em intelecto e moralidade?
Em nossas mãos, repousa a decisão.
Se desejarmos, podemos iniciar a poda da corrupção, hoje mesmo, agora.
E se acreditamos que somente um de nós fazendo, tudo continuará igual, não é verdade. Os exemplos arrastam.
Se começarmos a campanha da honestidade, da integridade, logo mais os corruptos sentirão vergonha dos seus actos.
Receberão admoestações e punições, em vez de aplausos e se perceberão desonestos em vez de espertos.
E, convenhamos, se não houver quem aceite a corrupção, aqueles que a propõem acabarão por si mesmos.
Pensemos nisso. E não percamos tempo.
O mundo, para ser melhor, aguarda isso de nós todos.

Momento Espírita.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Deixai vir a mim...

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 17, 2017 9:05 am

Ela era apenas uma garota, e sua vida nunca fora um mar de rosas.
No entanto, a força interior, que trazia em si, permitiu suplantar os sofrimentos e amar a vida.
Tendo passado por desafios familiares na infância, Marilda não demonstrava as dores vivenciadas.
E tinha vontade de fazer algo diferente.
Quando via uma criança triste, se aproximava e tentava estabelecer um diálogo.
Conversando com carinho, destacava as raras coisas boas daquela vida sofrida, e as valorizava.
A comunidade onde vivia ficava distante do centro da cidade e as dificuldades só aumentavam, com a quantidade de pessoas que continuavam chegando.
Ela aprendera a ler.
Ganhara um livro contendo as lições do Evangelho e feliz, resolveu fazer algo pelas crianças.
Todas as tardes, as reunia no gramado do terreno ao lado de sua casa, e lia as histórias da vida de Jesus para elas.
A passagem preferida de todas era a que falava do Mestre chamando as crianças para junto de si.
Marilda ensinou-as a orar a Deus e ao seu anjo de guarda, o que elas faziam com uma emoção incrível.
Ela tinha consciência de que aquilo era muito pouco, mas o fazia com dedicação.
O sorriso das crianças era alimento para o seu coração.
Jesus citou as crianças como modelo da inocência que todos devemos buscar cultivar.
A criança não costuma enxergar as ironias, as maldades, os sentimentos menores, que fazem de certos homens muros de pretensão e de maldade.
Ao iniciar nova jornada, na Terra, o Espírito não possui no cérebro actual, os registos do que foi, viu e sentiu outrora.
Por isso os primeiros anos de vida devem ser muito bem conduzidos, com amor e responsabilidade, por seus pais ou por quem as atende.
Ser criança na Terra é recomeçar o aprendizado permanente, até atingir a perfeição.
Aprender, com base no Evangelho de Jesus, representa para todos os que nos aventuramos, nesta viagem, o recomeço seguro e promissor.
A criança é semelhante a um material moldável, onde podemos imprimir o que quisermos.
Não tendo ainda sua personalidade actual formada, tudo o que ensinarmos a ela hoje, será impresso fortemente em seu ser, reflectindo no seu comportamento, no amanhã.
Se as lições e exemplos que vivenciar forem negativos, ela os registará naturalmente, fazendo disso sua bagagem de aprendizado e vida.
Porém, se nos dispusermos a presentear esse Espírito com os melhores conteúdos e exemplos, com certeza, haveremos de colher frutos doces e nutritivos.
A criança sempre representará, no mundo, as expectativas da Humanidade para o futuro.
Resta nos questionarmos qual o futuro que queremos construir, a partir de agora.
Quando todos compreendermos essa realidade, os lares oferecerão para a sociedade o modelo sonhado, de homens e mulheres que haverão de construir nossa futura realidade.
Estamos aqui para dominarmos nossas más inclinações, e nos aprimorarmos na compreensão da vida.
Semeemos muito amor ao nosso redor, sempre.
Chegará o momento em que o perfume dele nos envolverá.

Momento Espírita.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

INTELIGÊNCIA PRÁTICA

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 18, 2017 11:44 am

Aprende a utilizar a tua capacidade intelectual em favor do teu crescimento íntimo.

Talvez não tenhas renascido dotado de recursos intelectivos para efectuares grandes descobertas ou mesmo para construíres engenhos que beneficiem a Humanidade.

Todavia, com a tua capacidade de raciocinar e discernir, podes efectuar escolhas que sejam as melhores para o teu espírito.

Quantos são os que deixam de dar um sentido prático à existência, por não saberem aproveitar com qualidade o tempo ao seu dispor?

Infelizmente, a grande maioria apenas concentra o pensamento, imaginando meios de mais amplo enriquecimento ou traçando planos de conforto e lazer.

Raros os que se dão o trabalho de pensar, elaborando programas e perseguindo metas que, uma vez cumpridos, haverão de fazer a diferença em prol de sua iluminação interior, fazendo com que se retirem de sua actual experiência no corpo em condições espirituais muito mais favoráveis.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli - do livro "Ajuda-te e o Céu te Ajudará")

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Soberba

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 19, 2017 11:04 am

Dia claro, sol a pino, lamaçal e uma flor solitária.
Gargalhando, zombeteira, a flor disse para a lama aos seus pés:
Desprezo-te e rogo ao sol que te abrase, retirando essa água imunda que te faz pútrida.
A lama silenciou.
No dia imediato, o solo estava ressequido e retalhado pelo beijo ardente do astro rei.
Na haste da planta, a antes tenra flor, morrera por falta d’água.
Soberba é a manifestação desse nosso falso sentimento de superioridade sobre as pessoas e também sobre as coisas.
Pode ser conhecida também como orgulho, altivez, presunção.
Exibicionista, a soberba carrega em si a necessidade de falar de todos os assuntos, de opinar sobre todas as questões e de se achar entendedora de tudo.
Muitas vezes, por mais contraditório que possa parecer, ela esconde uma alma insegura e que precisa de constante auto-afirmação.
A soberba nos faz sabedores únicos do que é melhor para nós e também para o próximo, não admitindo ouvir segundas e terceiras opiniões.
Só há um ponto de vista: o seu.
Só há uma verdade: a sua.
Ela nos faz utilizar com frequência as expressões Eu acho. Eu sei. Eu fiz... numa tentativa desesperada de mostrar o ego orgulhoso.
Com ela vem também a arrogância, essa forma agressiva de se posicionar, de utilizar as palavras e até de olhar para o outro.
A arrogância afasta e cria antipatia.
Difícil encontrar alguém que se sinta bem ao lado de uma pessoa arrogante.
Quem tem muito e está seguro disso, não precisa ficar mostrando suas posses a todo momento.
Quem tem grandes conquistas na área do saber, não necessita exibi-las em toda oportunidade, fazendo questão de mostrar que o outro sabe menos.
Aquele que está mais adiante, quando humilde, busca guiar os semelhantes pela estrada que já percorreu, e nunca medir os quilómetros que ainda os separam.
Os humildes entendem com mais facilidade a lama que os cerca, as dores, as dificuldades, enxergando ali a água que dá vida, molhando a terra e dando-lhes oportunidade de crescimento.
Sabem silenciar quando necessário.
Sabem expor sem impor.
Sabem discutir sem criar divisão.
Aprendem a ouvir e a aprender com quem quer que seja, e por isso são grandes, embora se mostrem como iguais.
Não enxergam adversários ou plateias, mas sim amigos e irmãos.
Os humildes não são fracos, são discretos.
São elegantes nas palavras e na postura corporal.
Olham nos olhos, curvam-se e servem, não como escravos, mas como doadores.
Nunca disputemos projecção e destaque, recordando o ensinamento de Jesus, quando informou que os primeiros serão os últimos e esses serão os primeiros.
Afeiçoemo-nos ao anonimato, não deixando sinais do bem que façamos, a fim de que não sejamos enaltecidos, qual ocorre com muitos fúteis e irresponsáveis, que são louvados e bajulados sem mérito real.
Mas não pensemos que humildade é menosprezo, desconsideração por nós mesmos, subalternidade, escondendo conflitos de inferioridade.
A verdadeira humildade permite o auto-cconhecimento em torno dos valores que são legítimos no ser, sem os exaltar nem engrandecer, compreendendo o quanto ainda necessitamos para atingir o ideal, tendo o prazer de nos sacrificarmos pelo conseguir.

Momento Espírita, com base no cap. Fevereiro, item 13, do livro Poemas de paz, pelo Espirito Simbá, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL e na mensagem Reflexões sobre a humildade, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica de 10.8.2015,no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ajuda dos céus

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 20, 2017 8:31 am

A garota de pernas longas e ossudas, cabelo crespo e bochechas cobertas de sardas, voltava para casa de bicicleta.
Distraída, pensava em que teria feito sua mãe para o jantar.
Ao virar a esquina, um carro surgiu ao lado, com dois jovens dentro.
Ela pensou se tratar de amigos de seu irmão.
O que estava no banco do carona se inclinou para fora da janela, em sua direcção.
Tinha cabelos longos e parecia com seu irmão Michael.
Ele sorriu e perguntou se ela não desejava uma carona até em casa.
Não, obrigada – respondeu – moro logo ali, depois da esquina.
Estou quase chegando.
Ele insistiu: Vem. Vai ser divertido.
Vem dar uma volta com a gente.
Ela olhou em torno. Não havia ninguém.
Nenhum carro passando. A rua estava vazia.
Começou a sentir um mal-estar, mas não conseguia se mexer.
Parecia estar hipnotizada.
Nesse instante, uma voz soou em seu ouvido.
Ou, ao menos, ela pensou que fosse em seu ouvido.
Corre! Se manda.
Imagens de sua casa começaram a piscar na mente daquela menina de onze anos.
Despertou da paralisia que o medo lhe provocara e pedalou o mais rápido que pôde, em direcção à sua casa.
O carro se afastou na direcção oposta.
Chegou em casa com dor no peito, por ter prendido a respiração e pedalado com tanta força.
Tremendo ainda, correu aos braços de sua mãe, contando o que acontecera.
Infelizmente, como fazem muitos pais, ela não deu maior importância àquilo que fora uma tentativa de sequestro infantil.
Mas o comando daquela voz salvara a garota.
O episódio a marcou profundamente.
Mais de vinte anos passados, ela recorda da cena em todos os detalhes.
Naquele dia, ela lembra ter prometido a si mesma que, ao crescer, faria algo para proteger as crianças de agressores.
Não sabia direito como, mas tinha certeza de que, um dia, se dedicaria a essa causa.
Pensou em ser advogada e juíza, para distribuir sentenças severas a pessoas que maltratavam crianças.
Adulta, ela ajudou a criar um sistema de alerta a rapto de crianças no Estado do Arizona, onde reside.
Mas, a grande certeza que guarda do episódio, é de que naquele dia aterrorizante, aos onze anos de idade, havia um anjo em seu ombro.
O anjo, tanto a protegeu naquela tarde quanto, diz ela mesma, a colocou no caminho que deveria seguir na vida adulta.
Traçando perfis de criminosos para a polícia, auxiliando na captura de raptores, ela se sente gratificada.
Mais ainda, quando suas palavras podem aliviar a dor dos parentes de uma vítima, retirando um peso de seus corações.
Poucos nos damos conta do quanto somos protegidos.
Isso porque a protecção é subtil.
As ideias brotam como uma intuição e quase sempre as creditamos à conta de nós mesmos.
Atravesse a rua. Siga por aquele caminho. Olhe para trás.
Por vezes, o socorro é providenciado através da interferência feliz de um parente, amigo, ou até de um desconhecido.
Alguém que chega e nos sugere algo.
Alguém que passa e nos socorre.
Pensemos nisso e fiquemos atentos à ajuda que os céus nos remetem todos os dias, aprendendo a ouvir com lucidez e sejamos gratos.

Momento Espírita, com base no cap. 3, do livro Não é preciso dizer adeus, de Allison DuBois, ed. Sextante.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Onde mora a paz?

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 21, 2017 11:01 am

Pedro mora próximo à uma rua central de grande capital, há quinze anos.
Nos últimos tempos, está à beira de um ataque de nervos, pois não consegue mais suportar o barulho contínuo dos carros.
Ele tem algumas escolhas:
trabalhar pelo fechamento da avenida, ao menos à noite; pela modificação da legislação de poluição sonora ou uso de automóveis; ou ainda, mudar-se.
É importante, porém, comentar também sobre seu vizinho, Bernardo, que mora no apartamento ao lado de Pedro, de frente para a mesma rua.
Perguntado a ele o que achava de viver naquele local, a resposta foi surpreendente.
Revelou que adora viver ali.
Ele acha linda a vista que tem do seu apartamento.
Disse que pode ver o maravilhoso nascer do sol de sua janela.
Adora observar a cidade.
Perceber os habitantes caminhando ou em seus carros, e os resistentes passarinhos que aprenderam a viver em meio à civilização.
Numa conversa entre os dois, Pedro não aguentou, e questionou:
Mas e o barulho?
Você não se incomoda com toda essa barulheira que não tem fim?!
Bernardo respondeu:
Olhe, fico tão concentrado nos meus afazeres, que eu nem percebo o barulho.
Pedro não podia acreditar.
Achou, por um instante, que o vizinho tinha problemas auditivos, e falando bem baixo, tentou descobrir se ele era surdo.
Mas não era. Ouvia muito bem.
Como explicar isso?
Ele ouvia muito bem e não se incomodava com o barulho?
E à noite? – Perguntou ainda Pedro, indignado.
Como você faz para dormir?
Vou ser bem sincero, caro amigo – respondeu Bernardo – à noite, ao deitar, sinto-me tão feliz com o dia vivido e com as coisas que tenho feito, que também não me incomodo com barulho algum.
Pedro pôde ver sinceridade e pureza nos olhos e nas palavras do vizinho.
Naquele momento, ele percebeu a razão de se incomodar tanto com aquelas coisas:
ele não era feliz com o dia que tinha, e nem com as coisas que fazia.
Um outro personagem também ilustra a reflexão proposta.
Trata-se de Daniel.
Jovem, de família abastada, casado, e morador de um condomínio fechado.
Ele foi presenteado por seus pais com uma casa no litoral.
Ficou, a princípio, muito animado com a mudança.
Afinal, haveria lugar mais tranquilo e pacífico do que próximo ao mar?
Os dias passaram e ele percebeu, pouco a pouco, que não seria capaz de suportar aquele estilo de vida.
Aquele barulho constante de ondas quebrando; gaivotas gritando logo cedo; aquela humidade de maresia; a areia que insistia em acompanhá-lo em seu carro e em sua casa.
Daniel entrou em crise.
Variava entre estados de irritação e depressão.
Começou a tomar remédios e decidiu: iria se mudar dali.
Ouvindo estes relatos, nos indagamos: Onde mora a paz?
Será que a paz está na ausência de ruídos externos?
Será que para dormir em paz precisamos apenas de silêncio?

A paz tem moradia em nosso íntimo, e enquanto não formos felizes com nossos dias, com as coisas que fazemos, não a encontraremos.
Não basta mudar desse para aquele local.
Faz-se necessário mudar-se na intimidade.
Deixar para trás o lar das actividades fúteis, das conquistas passageiras, e fixar morada na casinha aconchegante da alegria de viver, do amor à família, do prazer de servir.

Momento Espírita, com base em matéria publicada na Revista Vida e Yoga, nº 20, ed. Online.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

A nobreza de um gesto

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 22, 2017 9:44 am

Habitualmente falamos que somente coisas ruins ganham manchete.
Que notícia boa não é veiculada porque não vende nem jornal, nem revista.
No entanto, por vezes, um gesto nobre ganha o noticiário internacional.
Assim aconteceu com um palestino que virou manchete mundial, no ano 2005.
Ele não protagonizou nenhum dos conflitos que têm abalado as relações e a paz dos povos do Oriente.
O mecânico Ismael Khatib deu uma verdadeira lição de fraternidade ao doar os órgãos de seu filho Ahmed a pacientes israelenses, que necessitavam de transplantes.
O palestino teve seu filho, de apenas doze anos, alvejado por soldados de Israel, durante uma operação de busca no campo de refugiados de Jenin.
O mecânico optou pela doação, inspirado pela perda de seu irmão, de vinte e quatro anos que, não resistindo à longa espera por um transplante de fígado, veio a morrer.
Entre os beneficiados pelo gesto do palestino se encontravam um bebé de sete meses e uma mulher de cinquenta e oito anos.
Alguns eram judeus, árabes-israelenses e uma garota de origem drusa.
Conforme reproduziu o jornal Folha de São Paulo, Khatib teria dito:
Eu me sinto bem pensando que os órgãos de meu filho estão ajudando seis israelenses.
Acredito que o meu filho está agora no coração de todo israelense.
O facto repercutiu pelo mundo, exactamente pelos conflitos que envolvem as nações em questão.
Tanto mais que o menino fora morto por israelenses.
O facto é que aquele pai, dolorido pela separação violenta do filho amado, encontrou forças para beneficiar pessoas.
Não indagou se pertenciam à sua mesma nação, ao seu povo, à sua família.
Não perguntou se eram amigos ou inimigos.
Simplesmente doou.
Um gesto de humanidade, uma acção altruísta.
A nota nos remete aos versos do sublime Galileu há mais de dois milénios:
Ama o teu próximo... Faz o bem a quem te persegue... Ama o teu inimigo.
Em nosso Brasil, embora as campanhas promovidas e a facilidade que se tem para doar órgãos, ainda é muito grande a fila de espera.
Estatísticas apontam números bastante expressivos dos que aguardam transplante a fim de poderem prosseguir a viver.
A doação de órgãos não é contrária às leis da natureza porque beneficia a vida.
Os doadores colaboram com a vida.
O Espírito se liberta da carne e permite a outros o retorno da visão, a desvinculação de procedimentos morosos e dolorosos, como, por exemplo, as longas horas de diálise.
Permite que um pai retorne ao lar, aos braços dos filhos; que o profissional retome actividades interrompidas; que o jovem volte a tecer sonhos de estudo e produtividade.
Aqui, é a bomba cardíaca que torna a regularizar seu ritmo; ali é um fígado que volta a funcionar; além é um pulmão que se enche de ar, insuflando vida, um rim que reassume o seu papel no organismo físico.
Beneficiados os que recebem as doações dos órgãos.
Abençoados por Deus os que se fazem doadores da esperança e do pleno vigor da vida a outros seres, que ainda têm anos sobre a Terra.

Pensemos nisso.

Momento Espírita, a partir de notícia publicada no Jornal Folha de São Paulo, de 8 de novembro de 2005.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Pessoas e potes de geleia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 23, 2017 9:35 am

Transformamos as pessoas em potes de geleia.
Sim, toda vez que julgamos precipitadamente, que criamos rótulos, estamos comparando as pessoas a objectos.
Objectos podem, muitas vezes, ser facilmente explicados, descritos, compreendidos. Basta um desenho, um esquema, ou algumas palavras e está tudo resolvido.
São conhecidos os jogos de mímica, nos quais os oponentes precisam adivinhar uma palavra, uma frase, através da compreensão dos gestos do outro.
O problema está quando desejamos usar essa nossa habilidade de descrever rapidamente alguma coisa, no convívio com as pessoas.
Pessoas são Espíritos, almas complexas, de realidades múltiplas e possibilidades infinitas.
Avaliá-las com superficialidade é desrespeitá-las em sua essência divina.
O grande escritor russo Léon Tolstoi afirma que um dos nossos preconceitos mais comuns e disseminados, é o de que cada pessoa tem uma característica fixa.
Segundo ele, tal preconceito faz com que existam apenas pessoas boas ou pessoas más; pessoas inteligentes ou pessoas estúpidas; pessoas frias ou pessoas quentes.
Muitas vezes, com o objectivo de simplificar, nós empobrecemos e menosprezamos as pessoas.
Nossos próprios hábitos de linguagem precisam ser revistos, pois muitos deles nos acostumam ao rótulo fácil.
Você lembra de Fulano de tal?
– Não, não lembro. – Responde o outro.
Aquele magrinho com nariz pontudo, lembra?
Ah, sim, claro, agora lembrei!
Aí se encontra o embrião do vício dos rótulos.
Pode ser uma observação sem maldade, que apenas ajude a lembrar mais facilmente das pessoas, mas, por vezes, desenvolve em nós essa prática desagradável.
Logo mais, estaremos nos servindo, habitualmente, de expressões como:
Beltrano é falso mesmo. Cuidado com o que ele diz!
Obviamente que podemos identificar as dificuldades das pessoas.
É algo comum na vida de relacionamento.
Mas, avaliar toda uma personalidade, todo o universo de um Espírito reencarnado, e resumi-lo em uma frase, em um rótulo, é pequeno e simplista demais.
Aplicando um rótulo a alguém, principalmente os negativos, estamos afirmando que ele não é capaz de mudar, de crescer.
Estamos dizendo que a pessoa é assim e pronto.
Também aplicamos rótulos a nós mesmos.
Colamos na testa um adesivo dizendo: Sou teimoso.
Não pense em vencer qualquer discussão comigo.
É uma auto-rotulagem, uma expressão de acomodação perante uma imperfeição, da qual, muitas vezes chegamos a nos orgulhar.
Até mesmo os rótulos positivos são preocupantes.
Quando, por exemplo, aquele amigo que carregava em sua fronte o rótulo de bonzinho, faz connosco algo que mostra uma característica oposta, vem a decepção.
Nunca esperava isso dele. – Expressão típica de quem não conhece o outro em profundidade, e que preferiu ficar na superficialidade da rotulagem.
Todos somos almas sendo auto-moldadas a todo instante.
Nem temos imperfeições fixas, que ficarão para sempre connosco, nem virtudes em grau de excelência, que não nos permitam o equívoco em situação alguma.
Lembremos: rótulos são para potes de geleia, e não para pessoas.

Momento Espírita, com citações extraídas do livro Pensamentos para uma vida feliz, de Léon Tolstoi, ed. Prestígio, 1999.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

ILUSÕES DO ORGULHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 9:00 am

Melindre é o orgulho na mágoa.
Cultivemos a coragem de ser criticados.
Pretensão é o orgulho nas aspirações.
Aprendamos a contentar com a alegria de trabalhar, sem expectativas pessoais.
Presunção é o orgulho no saber.
Tomemos por divisa que toda opinião deve ser escutada com o desejo de aprender.
Preconceito é o orgulho nas concepções.
Habituemos a manter análises imparciais e flexíveis.
Indiferença é o orgulho na sensibilidade.
Adoptemos a aceitação e respeito em todas ocasiões de êxitos e insucessos alheios.
Desprezo é o orgulho no entendimento.
Acostumemos a pensar que para Deus tudo tem valor, mesmo que por agora não o compreendamos.
Personalismo é o orgulho centrado no eu.
Eduquemos a abnegação nas atitudes.
Vaidade é o orgulho do que se imagina ser.
Procuremos conhecer a nós mesmos e ter coragem para aceitarmo-nos tais quais somos, fazendo o melhor que pudermos na melhoria pessoal.
Inveja é o orgulho perante as vitórias alheias.
Admitamos que temos esse sentimento e o enfrentemos com dignidade e humildade.
A falsa modéstia é orgulho da “humildade artificial”.
Esforcemos pela simplicidade que vem da alma sem querer impressionar.
A prepotência é o orgulho de poder.
Aprendamos o poder interior connosco mesmos transformando a prepotência em autoridade.
Dissimulação é o orgulho nas aparências.
Esforcemos por ser quem somos, sem receios, amando-nos como somos.
A reeducação moral através das reencarnações nos levará a renovar esse quadro de penúria espiritual da Terra, sob a escravização das sombrias manifestações orgulhosas.
Estamos todos, encarnados e desencarnados, nessa busca de superação e enfrentamento com as nossas imperfeições milenares, e não será num salto que venceremos a grande e demorada luta.
Apliquemo-nos nas preciosas e universais lições de Jesus, iluminadas pelos raios da lógica espírita, e esforcemo-nos sem desistir da longa caminhada na conquista da humildade...
Precisaremos de muita coragem para ser humildes, ser o que somos...
Ser humilde é tirar as capas que colocamos com o orgulho ao longo dessa caminhada...

Blog Espiritismo Na Rede baseado em texto do livro: Mereça Ser Feliz Pelo Espírito Ermance Dufaux

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

A disputa

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 10:45 am

Acontece às vezes.
Os casais se separam e passam a disputar os filhos como se eles fossem seu património.
Não se preocupam em lhes perguntar como estão se sentindo, com quem desejariam morar.
Mesmo porque a resposta certa e fácil deles seria: Com os dois.
O que causaria para ambos um grande transtorno.
E as decisões são, habitualmente, muito frias.
São estabelecidos dias para visitas, dias em que os filhos poderão estar com aquele que não ficará com a guarda deles.
E os pequeninos, acostumados a terem mamãe e papai em casa, terão que obedecer a uma escala para amar, dia certo para abraçar, para passear, para gozar da companhia de quem tanto querem.
Em outras circunstâncias, ocorre, também, que pais, normalmente jovens, precisam trabalhar, estudar.
E o bebé fica com a avó, a tia, alguém da família.
Por vezes, uma babá de muita confiança.
Ocorre, o que é natural, que no transcorrer do tempo, o bebé vai crescendo e ele se sente seguro e feliz com aquela pessoa que ele vê, toda vez que chora por estar com dor, fome ou precisa ter as fraldas trocadas.
Aquela pessoa é quem com ele brinca, quem lhe ensina as primeiras palavras.
É quem lhe descobre o primeiro sorriso, o primeiro dentinho.
É quem lhe estende as mãos quando ele cai, ao tentar dar os seus primeiros passos.
É quem o incentiva a subir os degraus, é quem lhe serve a sopa.
É também esse alguém que ele beija, abraça e ama.
De forma natural vai para a casa dos pais, está com eles pois que eles também lhe dão atenção, nas horas em que não se encontram às voltas com seus afazeres e preocupações.
Mas é lógico que a criança sentirá falta daquele alguém a quem se acostumou, em quem confia.
É nesse momento, quando os pais percebem que não são exclusividade no coração da criança, que, às vezes, tomam atitudes inesperadas.
Resolvem quebrar, de vez, os elos entre seu pequeno e a pessoa que até então cuidava dele.
E afastam um do outro.
Colocam a criança na escolinha, diminuem de forma repentina os contactos com aquela pessoa: avó, tia ou babá.
Dizem que a criança deve aprender a amar os seus pais. E ela ama.
Mas o ciúme, o medo de serem preteridos faz com eles ajam assim.
Esquecem que com isso causarão no seu pequeno lesões, em nível afectivo, de carácter grave.
Esquecem que o amor não se impõe, não se compra.
O amor se conquista e a conquista é lenta, trabalhosa e incessante.
O amor, quanto mais se divide, mais se multiplica.
Não há limites para o amor, nem na sua intensidade, nem nas suas gradações.
Por isso mesmo, seu filho pode e amará você, mãe, você, pai, sem que deixe de amar também a avó, o tio, a tia, a babá.
O amor não deve ser entendido como uma disputa, como algo que pode ser exigido.
Ele necessita do trabalho lento dos dias, do aconchego constante, das demonstrações de carinho, dos pequenos nadas que fazem a nossa vida tão agradável.
Ame seu filho, mas não o impeça de amar a quem quer que seja.
Se você fizer isso, estará frustrando nele uma grande capacidade que Deus deu a todos nós:
amar sem medidas, sem restrições a tudo e a todos.

Momento Espírita

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Liberdade para ser feliz

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 26, 2017 9:22 am

No mundo em que vivemos, observamos situações repetidas, que acontecem motivadas pelo nosso orgulho e egoísmo, quando sobrepomos a satisfação dos nossos desejos aos dos familiares, especialmente dos nossos filhos.
Por vezes, isso acontece por não dialogarmos com clareza, ou por não aceitarmos os seus sonhos.
Recordamos daquele pai bem sucedido na vida, que alcançara o pleno sucesso que para si idealizara.
Quando seu jovem filho foi convidado, por um dos seus professores, a estagiar em seu escritório, por lhe reconhecer a capacidade e desejar que a desenvolvesse, ele não permitiu.
Mostrou-se indignado, dizendo que quem pode ser patrão não precisa ser empregado.
Sem se dar conta do olhar desolado do rapaz, o levou para sua empresa, deu-lhe um computador e o manteve ao seu lado.
Orgulhoso, a todos o apresentava como seu sucessor, sequer se dando conta da insatisfação do filho e da sua quase nula actividade.
O jovem alimentava outros sonhos.
Sentia-se ansioso para voar com suas próprias asas e em outros céus.
Finalmente, concluída a Faculdade de Direito, ele disse ao pai que resolvera trabalhar na área escolhida, criando seu próprio espaço.
Para o pai, foi um grande golpe que precisou administrar a duras penas.
Um dissabor que poderia ter sido evitado com um pouco mais de compreensão, diálogo, buscando o entendimento de que cada um tem seus próprios sonhos.
Bom seria se percebêssemos que somos todos seres livres e independentes, que trazemos nossas tendências e preferências.
Que embora vivamos neste mundo consumista, devemos estar atentos aos nossos e aos sonhos alheios.
Ninguém será feliz fazendo o que é obrigado a fazer, mas sim, trabalhando no que o deixa realizado, opção que deve ser analisada, avaliada e aceita, especialmente pelos pais, para que não venhamos a interferir em decisões importantes que dizem respeito à vida dos filhos.
Interferências que criarão infelicidade e até afastamento.
Somos todos Espíritos imortais em evolução, comandados por uma vontade própria e individual que nos leva a caminhar de acordo com as nossas possibilidades e tendências.
Possuímos, todos, a capacidade de aprender com nossos esforços e méritos.
Estamos na condição de filhos e pais passageiros, enquanto neste planeta.
Não nos encontramos sobre a Terra a passeio, nem tampouco para impormos gostos e desejos uns aos outros.
A vida nos é dada para o progresso, para o desenvolvimento das nossas potencialidades.
E uma das oportunidades de crescimento é a profissão.
Dessa forma, preparemos nossos filhos para serem úteis, éticos, honestos, respeitadores, fiéis.
Mas, permitamos que se dediquem àquilo que os dignifica e lhes dá prazer.
Para isso, deixemos que exerçam a profissão que elegeram para si e, felizes, vejamo-los crescer, produzir, serem felizes.
Por fim, confiemos no Pai Celestial, para o qual, todos somos filhos muito especiais.

Momento Espírita.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Atitude cristã

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 26, 2017 8:39 pm

A maioria das pessoas sabe que Jesus sintetizou na prática do amor todos os deveres dos homens.
Ele afirmou que no amor a Deus e ao próximo estão contidas todas as leis divinas.
Assim, quem se declara cristão, para ser coerente com sua fé, necessita amar a Deus e ao próximo.
Relativamente ao amor ao próximo, há um complicador, pois ele simboliza o conjunto das criaturas humanas.
Não se trata apenas da namorada, do irmão ou do amigo querido, mas de todo ser humano, incluindo os inimigos.
Mesmo os corruptos e os criminosos estão incluídos no conceito de próximo, de semelhante.
Surge então a dúvida:
Não é possível distinguir entre pessoas queridas e completamente desconhecidas?
Para cumprir a lei de amor é necessário sentir carinho por quem rouba nosso carro ou nos machuca?
No âmbito da legislação humana, sabe-se que uma lei não pode impor deveres muito artificiais.
Se uma determinação for muito difícil de ser cumprida, nunca será eficaz.
Por exemplo, um limite de velocidade de cinco quilómetros por hora jamais será respeitado.
Esse limite é muito artificial e impossível de ser cumprido.
Não importa a sanção que se aplique, as pessoas o burlarão tanto quanto possível.
Certamente Deus não é menos sábio do que o legislador humano.
A amizade é uma questão de afinidade de almas.
O afecto costuma se originar da semelhança de valores e de gostos.
Não é possível gostar do mesmo modo de um amigo e de um cruel criminoso.
Então, amar, no contexto das leis divinas, não implica necessariamente sentir afecto e externar ternura.
Em relação a desconhecidos ou desafectos, o amor é principalmente uma questão de atitude, de respeito.
O cumprimento da lei de amor pressupõe que o homem se coloque mentalmente no lugar do próximo.
E imagine como gostaria de ser tratado, se estivesse na situação dele.
Identificado esse desejo, ele deve agir desse modo.
Amar o próximo é tratá-lo como gostaríamos de ser tratados.
Como sempre desejamos o melhor para nós, temos o dever de dar ao próximo o melhor tratamento possível.
Talvez ainda não consigamos gostar dele.
Mas sempre devemos tratá-lo com correcção e generosidade.
Trata-se do amor como uma atitude.
Não é necessário sermos santos para amar os inimigos e os malfeitores.
Basta termos o firme propósito de viver como cristão.
O amor é uma proposta de vida, um compromisso com a própria consciência.
No fundo é algo simples e com profundo potencial transformador da sociedade.
Se cada homem adoptar o hábito de imaginar-se no lugar do outro antes de agir ou falar, certamente o padrão de relacionamento humano melhorará muito.
Não importa se o próximo é mesquinho, viciado ou corrupto.
Não se trata de gostar ou não, mas de agir correctamente.
Isso não implica um viver irreal, no qual não se tome cuidado com os indivíduos perigosos.
É preciso sermos mansos como as pombas e prudentes como as serpentes, conforme o dizer de Jesus.
É necessário percebermos o mal onde ele existe, para viabilizarmos a defesa.
Mas não valorizarmos o mal na pessoa do próximo e nem desprezá-lo por suas falhas.
Ajudá-lo a recuperar-se, sempre tendo em mente o nosso próprio desejo de auxílio, caso o corrupto ou o viciado fôssemos nós.

Pensemos nisso.

Momento Espírita

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

A nota da esperança

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 27, 2017 8:47 am

Foi num jornal de grande circulação que lemos a incrível história do violinista Isaac Perelman.
No dia 18 de novembro de 1995, ele se apresentou no Lincoln Center, em Nova Iorque.
Às oito horas daquela noite, pisou o palco.
O que para a maioria das pessoas seria uma tarefa simples, para Isaac esse momento sempre representava um tremendo esforço.
Apoiado por aparelhos ortopédicos presos às suas pernas e em duas muletas, Isaac caminhou, como sempre fazia, lentamente, em passos penosos, porém sem perder a majestade.
O público já estava acostumado a essa cena, fruto de uma poliomielite que o atingiu ainda em sua infância.
Isaac se aproximou da cadeira, se sentou, desatou os aparelhos ortopédicos, deixou as muletas ao seu lado, no chão.
Com o auxílio das mãos, encolheu uma perna para trás, esticou a outra para a frente.
Em seguida, retirou seu precioso violino da caixa, colocou-o sobre o ombro, apoiado em uma das mãos.
Com a outra mão segurou o arco, e apontou para o regente da orquestra, indicando que ele começasse.
O que se viu em seguida, como de hábito, foi a genialidade de um homem através de seu violino, embalando o público com acordes de talentosa maestria.
De repente se ouviu um estalo!
Uma das quatro cordas do violino havia se rompido!
Todos olharam, em silêncio absoluto, para Isaac.
Ele fechou os olhos, respirou profundamente, levantou o arco, pedindo ao regente que continuasse no exacto ponto em que haviam parado.
E Isaac tocou com incrível paixão, criando em sua mente, em sua alma, notas e acordes, de forma a produzir os mesmos sons da partitura original.
O público quase não podia acreditar.
Isaac estava tocando a mesma sinfonia em um violino com três cordas.
Quando terminou, o público se ergueu e não parava mais de aplaudir.
Finalmente, os aplausos cessaram a pedido do violinista.
As palavras que ele pronunciou tinham a doçura da convicção e continham uma grande lição:
Um músico deve produzir sonoridade com aquilo que lhe resta.
Todos somos músicos no concerto da vida.
Mesmo com o coração dilacerado, as cordas dos sentimentos quebradas, é preciso continuar a executar as notas musicais.
Podem ser notas simples, isoladas, mas que aos poucos formarão uma melodia.
E embalados pela melodia da nossa própria dor haveremos de encontrar forças para executar a bela sinfonia da vida.
Mesmo que os dias amanheçam chuvosos e frios.
Mesmo que o amor tenha partido.
Mesmo que tenhamos ontem acompanhado os corpos dos nossos amores ao cemitério.
Continuemos tocando a melodia e descobrindo as notas de esperança que a vida nos oferece, no sorriso de uma criança, na mão de um amigo, no abraço carinhoso de um companheiro.
Esperança. Doce melodia que nos diz que, após o inverno rigoroso, chegará a primavera outra vez.
E que, novamente, poderemos nos encantar com a harmonia dos botões desabrochando como numa grande apresentação sinfónica.
Música que nos chega aos ouvidos, pelas vozes das árvores que balançam, sussurrando a cada dia:
Espera. Espera. O sol voltará a brilhar.

Momento Espírita, com base no artigo A nota da esperança, assinado por Edmond Fatuch, publicado no Jornal Gazeta do Povo, em agosto. 2000.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Buscando nos conhecer

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 28, 2017 9:58 am

Será que sabemos realmente quem somos?
Nós nos preocupamos com essa questão ou acreditamos que ela seja apenas para os filósofos e para os livros de auto-ajuda?

Essa é uma busca fundamental se desejamos ter uma vida mais feliz, se procuramos nos relacionar melhor, se queremos enfrentar a vida e seus desafios com mais coragem.
É igualmente uma busca desafiadora, uma busca no sentido oposto de todas as que fizemos até hoje, uma vez que sempre fomos na direcção do mundo exterior.
Fomos exploradores, desbravadores, conquistadores.
Descobrimos novas terras, novas tecnologias, até novos mundos além do nosso.
Nossos pés pisaram na lua, o satélite natural da Terra.
Dispomos de instrumentos que nos propiciam observar astros a milhões de anos-luz da Terra.
Tornamo-nos extremamente hábeis em olhar para longe.
E olhar para dentro?
Será que lembramos de voltar nossa atenção para dentro de nós mesmos?
Há um universo inexplorado na alma humana, universo que precisamos descobrir e conhecer.
Se teremos que conviver connosco por toda a eternidade, uma vez que o Espírito é imortal, que tal convivermos bem?
Que tal convivermos em paz, sabendo o que vai em nosso íntimo, nossas imperfeições e potencialidades, por exemplo?
Comecemos pela essência de tudo: nossa criação.
Somos obra de uma Inteligência Superior, da maior de todas as inteligências, que também é causa primária de todas as coisas.
Assim, podemos afirmar que temos uma origem divina.
Nossa origem é importante, é grandiosa.
Carregamos em nós a assinatura de uma Inteligência que regula o Universo através de leis perfeitas.
Não somos pouco, somos muito.
Fazemos parte de uma engrenagem gigantesca que nossa compreensão ainda não alcança com profundidade, mas que nosso sentimento percebe e se rende, humildemente.
Como consequência disso há um segundo ponto, tão importante quanto esse: nossa destinação certa à felicidade.
Fomos todos criados simples e ignorantes, isto é, sem nenhum saber.
A cada nova existência, Deus nos confere determinada missão, com o fim de nos esclarecer e de nos fazer chegar progressivamente à perfeição, pelo conhecimento da verdade.
É na conquista dessa perfeição que vamos construindo naturalmente a pura e eterna felicidade.
Tudo que existe no meio desse caminho são mecanismos, experiências, estradas, que nos levam a esse objectivo.
Alguns o alcançamos facilmente, outros, rebeldes, relutamos e permanecemos tempo mais dilatado em sofrimento.
Contudo, são sempre escolhas nossas.

Somos obras divinas criadas para a felicidade.
Buscando nos conhecer vamos entendendo como funcionamos internamente, vamos entendendo nossas emoções, nossos sentimentos.
Buscando nos conhecer vamos percebendo nossas tendências boas e más, reforçando as boas e combatendo as que não mais queremos em nossa vida.
Reflectindo diariamente sobre quem somos, vamos nos melhorando, tomando decisões sobre nós mesmos e resistindo à atracção do mal.
Assim conquistamos o auto-amor, construindo paralelamente o amor ao nosso próximo e, como consequência, entendendo mais do amor ao nosso Criador.
É a reforma íntima o caminho que nos leva ao nosso destino certo.

Momento Espírita.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Modelos

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 29, 2017 8:54 am

Que modelos temos apresentado aos nossos filhos para que eles possam seguir?
Às vezes, buscamos modelos de longe, nomes expressivos que tenham realizado grandes benefícios para a Humanidade.
Se são autênticos, naturalmente falam à alma do jovem, que é idealista por natureza.
Contudo, existem, por vezes, criaturas bem próximas a nós, que não valorizamos devidamente.
Avós, parentes, amigos que traduziram sua vida em legado de paz, que sacrificaram tudo por seus ideais, que exerceram suas actividades para além do dever.
Lemos, certa feita, acerca de um prisioneiro político romeno que somente aos setenta e seis anos, graças à queda do regime, pôde visitar seus filhos e conhecer seus netos.
Um homem de setenta e seis anos, de profundos olhos azuis que, apesar de toda a dureza e maus tratos sofridos na prisão, manteve seu entusiasmo pela vida, na certeza de que tudo valera a pena.
Mesmo o sacrifício da família, do prestígio, do poder que gozava.
Contemplando o mar, nas areias das praias americanas, comendo batatas fritas e aprendendo com os netos a atirar um disco de plástico, exclamava:
Que belo sonho. Que maravilha.
A vida vale a pena ser vivida em toda sua plenitude.
Um de seus netos, alguns dias depois, precisou escrever uma redacção para a escola.
Durante várias horas ele trabalhou duro, sobre as folhas de papel.
Quando terminou, leu em voz alta, para sua mãe emocionada:
Conheci um verdadeiro herói.
O pai de minha mãe foi parar na cadeia por falar abertamente contra o governo.
Depois de seis anos de solitária prisão, ele foi libertado.
Minha mãe, meu tio e minha avó saíram do país.
Ele não foi autorizado a ir embora com eles.
Sozinho, ficou em seu país amargando a dor da separação e o desrespeito de amigos e parentes que o consideravam um fracassado.
Ouvir falar de meu avô fez com que eu entendesse que lutar por minhas crenças é muito importante para mim.
Na quinta série escrevi à professora uma carta de protesto porque considerei que ela tomara uma decisão injusta em relação a um de meus amigos.
Actualmente, sou o representante da turma no Conselho de alunos e estou lutando com firmeza para melhorar nossa escola.
Tenho orgulho de meu avô romeno.
Espero em Deus que possa vê-lo outra vez.
O exemplo é nobre e, como percebemos, estabeleceu rumos dignos a outras vidas.
Sua lição foi a de que não devemos silenciar nossa voz na defesa dos valores e da verdade.
Ao contrário, devemos falar para sermos ouvidos.
Senão, como já aprendemos a sentir, sempre haverá uma parte em nós que permanecerá insatisfeita.
Lutar pelos ideais de enobrecimento é ensinamento que não devemos relegar a segundo plano, em se falando de nossos filhos, nossos tesouros e responsabilidade maior.
Aproveitemos todas as lições com que a vida nos honra as horas.
Estejamos atentos, tendo olhos de ver e ouvidos de ouvir.
Os exemplos passam ao nosso lado e suas experiências são lições significativas que não podemos ignorar.

Momento Espírita, com base no Artigo O que os heróis nos ensinam, da Revista Selecções Reader’s Digest, de fevereiro de 1998.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Quando chega o outono

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 30, 2017 10:15 am

Quando chega o outono, as folhas das árvores mudam seus tons de verde para uma variedade de cores inigualável.
Se a primavera é uma explosão de flores e perfumes, a estação outonal é a dos coloridos mais exuberantes.
A impressão que se tem é de que algumas árvores disputam entre si qual se vestirá com a cor mais exótica.
Olhamos para suas folhas e difícil nos é dizer qual a cor verdadeira, pois elas se mostram em tons que variam entre o laranja, amarelo e vermelho.
Algumas apresentam uma mistura de cobre e cinza, levando-nos a um quase êxtase ao contemplá-las.
E ficarão assim, trocando os tons, nos surpreendendo a cada dia, durante os meses em que se preparam para se vestir de inverno.
Outras simplesmente vão, paulatinamente, se jogando ao chão, uma a uma, como num desmaio constante, despindo os galhos e formando arabescos e tapetes pelas calçadas, praças e ruas.
Em nossas vidas, as estações também se apresentam.
E no outono da idade alguns de nós optamos por desistir de viver.
Olhamos o rosto que apresenta as linhas modeladas pelo tempo e dizemos que estamos no fim da vida.
Passou a juventude. Passou o entusiasmo.
Passou a alegria de viver.
Os sonhos foram armazenados para sempre.
Por vezes, um tanto dramáticos, até acrescentamos:
Agora, é só esperar a morte.
E se somos incentivados a aproveitar as horas de que dispomos, com leituras, estudo, algo que nos ilustre um tanto mais, invocamos os vacilos da memória, as dificuldades de guardar informações.
Um verdadeiro declínio.
No entanto, deveríamos aprender com a natureza.
A primavera é a estação das flores, dos dias amenos, da profusão de frutos se esparramando pelos pomares.
No verão, as cores quentes se apresentam com todo o vigor.
Os arbustos com sua perenidade se vestem de um verde mais intenso.
Nos canteiros, as flores se revezam em cores e perfumes.
E, quando chega o inverno, ela se deixa despir pelos ventos gélidos, pelas chuvas insistentes, pela geada que se estende branca e fria.
Parece adormecer. É uma espécie de reclusão para, logo mais, despertar gloriosa aos beijos da primavera que se permite reprisar em beleza e cores.
E a quadra do outono é exactamente aquela dos dias lentos, do sol que se apresenta morno e preguiçoso, das folhas que caem.
Poderíamos viver assim. Considerando a infância a primavera.
Época de aproveitar todos os folguedos, os dias de despreocupação e abastança de horas.
Depois, na maturidade do verão, mostrarmos as nossas produções, assinalando nossa passagem pelo mundo.
E no outono, nos servirmos da oportunidade de demonstrarmos todas as nossas nuances, conquistadas ao longo das primeiras estações.
Demonstrar nossa habilidade como profissional, que atravessou os anos, esmerando-se na qualificação; como ser humano que vivenciou dias conturbados, experimentou a alegria e a tristeza, presenciou o progresso chegar e precisou se adequar.
Demonstrar nossa qualidade de amante das coisas belas, que se debruça nas horas para contemplar os dias de luz.
Pensemos nisso e vivamos melhor essa quadra outonal que nos chega, às vezes, com algumas limitações, mas, com certeza, cheia de oportunidades de usufruir cada hora, em totalidade.
Utilizemos de forma sábia o tempo que tenhamos, convivendo com a família mais estreitamente, compartilhando as conquistas realizadas.

Momento Espírita.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Deus é amor

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 01, 2017 9:58 am

A busca do conhecimento e a ânsia por saber tem acelerado o progresso da Humanidade de tal forma, que hoje ele se encontra à disposição de todos, tanto nas academias, nas mídias, através das modernas tecnologias.
Em diversas áreas científicas, o homem tem investido recursos incontáveis, resultando vasto conhecimento, que tem beneficiado profundamente a criatura humana.
Apesar de todo esse conhecimento, permanece uma dúvida que gera muitas e polémicas indagações:
a identificação da nossa origem, por quem ou pelo quê fomos criados.
Quem ou o quê criou o Universo e tudo o que nele se encontra?
Tem sido constante a busca do homem em desvendar esse mistério que a uns inspira temor e a outros um amor tido por inexplicável.
Desde muito tempo, várias interpretações foram sendo construídas, nem sempre satisfazendo a todos.
Por esse motivo é importante meditarmos em certas riquezas que nos cercam.
Atentemos para nosso corpo físico, uma máquina perfeita com funções que nos garantem a vida na Terra, bem como a reprodução dessa vida em nossos filhos.
Diante de uma pequena ave a preparar seu ninho para receber seus ovos, pensemos:
os ovos trazem no seu interior a matriz para gerar aves da mesma espécie, que mais tarde, quando adultas, tecerão seus próprios ninhos, nos mesmos moldes de milénios.
Observemos uma árvore gigantesca e lembremo-nos de que ela surgiu de uma simples semente.
Quem elaborou esse projecto tão especial e colocou numa simples semente a capacidade de se transformar nessa maravilha?
Que milagres de vida são esses?
Quem ou o quê os determinou e os administra?
Não podemos aceitar que tudo seja obra do acaso, pois as obras à nossa volta confirmam a inteligência da Criação.
A curiosidade e a percepção do ser humano a tal respeito vem gradativamente se ampliando, e ele vai se aproximando dessa compreensão.
Nessa busca, destaca-se um nome: Deus.
Quem é? Ou que é? Onde encontrá-lo?
Espíritos de superior elevação o definiram como a Inteligência Suprema do Universo e a causa primária de todas as coisas.
Isso significa o Criador de tudo:
do Universo, dos milhões de galáxias, das constelações formadas por um número incalculável de mundos, e de todas as propriedades e leis que a tudo regem.
Igualmente nos criou.
Dessa forma, somos Seus filhos, Espíritos imortais, destinados à perfeição.
Só uma Inteligência suprema, com qualidades igualmente supremas, conseguiria realizar tal prodígio.
Não podemos vê-lO, mas podemos senti-lO, pois todos trazemos no íntimo essa intuição.
Ele não se mostra, mas se revela pelas Suas obras.
O Universo é a manifestação da Sua presença e do Seu amor.
Como filhos, importante manifestarmos nossa gratidão para com esse Pai e Criador.
E como o amor a Deus deverá ser uma consequência do amor a nós mesmos, ao próximo, à natureza e à vida, na medida em que fizermos da sua prática o real sentido de nossas vidas, mais haveremos de sentir a Divina Presença em nós.
Deus é amor! Ao nos criar, legou a cada um de nós essa mesma extraordinária capacidade de amar, de querer bem.

Momento Espírita.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Vidas e caminhos

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 02, 2017 11:58 am

Nós, viajantes do mundo na imensidão das Casas do Pai, quando do planeamento reencarnatório firmamos com a Espiritualidade Superior compromissos a serem cumpridos nos planetas que inundam o universo.
Quando Jesus disse, conforme João, 14:6, “(...) Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”, deixou evidente que o seu exemplo é o roteiro que devemos seguir.
Para tal é exigido um esforço muito grande, considerando que somos todos Espíritos com incontáveis reencarnações e, por conta disso, trazemos arraigados em nosso interior sentimentos os mais diversos, predominando aqueles imperfeitos, os quais precisamos burilar.
O caminho é um só!
Mas pela teimosia, o ser humano procura atalhos ou trilhas discordantes das Leis de Deus e confrontantes com o exemplo do Divino Mestre.
Agindo dessa forma, sofremos presentemente e plantamos sementes que na próxima reencarnação nos legarão caminhos tortuosos, retardando nossa trajectória evolutiva...
Nossa redenção será conquistada, mas o tempo dependerá das atitudes de cada um que, por sua vez, são consequências dos pensamentos – nascedouro de todas as acções do homem, desde as palavras, sentimentos e práticas no dia a dia.
Depreende-se, pois, que a base de tudo está no “pensamento”, que é a mola-mestra de tudo que fazemos.
Então, sabendo dessa realidade inconteste, o ser humano precisa avaliar inicialmente o teor de suas ideias, evitando aquelas que emitem energias densas e impuras, que geram um campo magnético deletério.
Saná-las é a grande atitude que nos abrirá a porta que levará àquele Caminho que Jesus nos exortou com palavras e actos.
Difícil? Claro que sim!
Mas o próprio Cristo com sua grandeza espiritual inimaginável enfrentou agruras, as mais diversas, mesmo sem ter imperfeições a corrigir como nós.
O Apóstolo Paulo e tantos outros foram vítimas da insanidade humana por pregarem o amor, que é o sentimento que nos libertará das trevas em que nos encontramos.
Assim, o mérito está no esforço onde a coragem, paciência e resignação nos levarão adiante, carregando o fardo que nos compete nessa e futuras vidas.
A glória do Pai é ver o filho triunfante nas jornadas empreendidas e, por sermos responsáveis pelos equívocos que praticarmos, cabe tão somente a cada um de nós corrigi-los.
Com esse entendimento e convicção de que a reencarnação é uma dádiva que Deus nos oferece oportunizando-nos resgatar os erros do passado, devemos ser felizes pela Sua misericórdia ao nos permitir galgar degraus evolutivos até chegarmos à perfeição relativa que nos espera.
“A prece eleva os sentimentos d´alma e ilumina nossos caminhos.”

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

A lição do perdão

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 03, 2017 9:53 am

O que faríamos se, de repente, por uma circunstância qualquer, tivéssemos nas mãos a possibilidade de decidir a respeito do destino de uma pessoa que nos provocou muitos problemas?
Alguém que estendeu o manto da calúnia e destruiu nosso bom nome perante os amigos.
Alguém que se apossou da empresa, fruto do nosso labor de tantos anos.
Alguém que tenha ferido brutalmente a um membro da nossa família.
Será que lembraríamos da lição do perdão, ensinada por Jesus?
Será que viriam à nossa mente as palavras do Mestre Galileu:
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia?
Ou, ainda, a exortação a respeito de nos reconciliarmos o mais depressa possível com nosso adversário?
A propósito, conta-se que um escravo tornou-se de grande valor para o seu senhor, por causa da sua honradez e bom comportamento.
Em razão disso, foi elevado a uma posição de importância, na qualidade de administrador de suas fazendas.
Numa ocasião, o senhor desejou comprar mais vinte escravos.
Foram juntos ao mercado e o administrador foi encarregado de observar e escolher.
Deveriam ser, naturalmente, homens fortes, para que pudessem desempenhar bem as rudes tarefas nas fazendas.
O administrador foi ao mercado e começou a sua busca.
Em certo momento, fixou a vista num velho e decrépito escravo.
Apontando-o para o seu senhor, disse-lhe que aquele devia ser um dos que deveria ser adquirido.
O fazendeiro ficou surpreendido com a escolha e não concordou.
Ouvindo o diálogo, o negociante de escravos disse que se fossem comprados vinte homens, ele daria o velho de graça.
Realizada a negociação, foram todos levados para uma das propriedades.
O administrador passou a tratar o velho com maior cuidado e atenção do que a qualquer dos outros.
Levou-o para sua casa. Dava-lhe da sua comida.
Quando tinha frio, levava-o para o sol.
Quando tinha calor, colocava-o debaixo das árvores de cacau, à sombra.
Admirado daquelas atenções dispensadas a um escravo, o senhor perguntou por que ele procedia daquele forma.
Decerto deveria ter algum motivo especial:
É seu parente, talvez seu pai?
A resposta foi negativa.
É seu irmão mais velho?
Também não, respondeu.
É seu tio ou outro parente?
Não tenho parentesco algum com ele. Nem mesmo é meu amigo.
Então, perguntou o fazendeiro, porque motivo tem tanto interesse por ele?
Ele é meu inimigo, senhor.
Vendeu-me a um negociante e foi assim que me tornei escravo.
Mas eu aprendi, nos ensinamentos de Jesus, que devemos perdoar aos nossos inimigos.
Esta é a oportunidade de exercitar meu aprendizado.
O perdão acalma e abençoa o seu doador.
Maior é a felicidade de quem expressa o perdão.
O perdoado é alguém em processo de recuperação.
No entanto, aquele que lhe dispensa o esquecimento do mal, já alcançou as alturas do bem e da solidariedade.
Quando entendermos que perdoar é conquistar enobrecimento, nos faremos fortes pelas concessões de amor e compreensão que sejamos capazes de distribuir.

Momento Espírita, com base em texto de autoria desconhecida e no cap. 18 do livro Trigo de Deus, pelo Espírito Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Aja enquanto é tempo

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 04, 2017 8:40 am

Os homens são os artífices de seu destino.
Essa verdade é constatada mediante singela observação do mundo que os cerca.
O aluno estudioso tira boas notas, passa por média e não se angustia com exames e repetências.
Já o estudante preguiçoso está sempre envolto com notas baixas e reprovações.
O profissional competente costuma ter mais clientes do que consegue atender.
Vagas que exigem maiores qualificações permanecem abertas por longos períodos, embora haja muitos desempregados.
Sem dúvida, ninguém está livre de percalços.
Uma pessoa inteligente e preparada pode ser surpreendida com desemprego ou momentos profissionais difíceis.
Mas as crises são mais frequentes para aquele que não tem formação sólida e fama de profissional competente.
Assim, quem opta por assistir novelas em vez de estudar não pode reclamar se o sucesso não bater em sua porta.
Mesmo no âmbito das relações pessoais, cada um vive as consequências de seus actos.
Alguém prudente no falar jamais se envolve nos transtornos que a maledicência provoca.
Contudo, o tagarela sempre corre o risco de amealhar inimizades.
A pessoa generosa suscita simpatias por onde passa.
Quando necessita de ajuda, muitas mãos se movimentam em seu favor.
Mas a criatura mesquinha e implacável está sujeita a ficar desamparada, pela antipatia que seu agir provoca.
Não é difícil verificar a lei de causa e efeito actuando.
Comportamento digno e sensato traz tranquilidade e boa reputação.
Desonestidade, preguiça e leviandade causam infinitos transtornos.
Certamente há eventos que superam qualquer expectativa e semeiam dores na vida de pessoas honradas e previdentes.
Mas aí em geral se tem o efeito de causas remotas.
As grandes dores que nada pode evitar e não são causadas pelo agir actual, reflectem o acertamento de antigos equívocos.
A justiça Divina reina soberana no Universo.
Ela propicia liberdade para os Espíritos viverem conforme seus gostos e opções.
Mas cada qual é estritamente responsável pelo que faz.
Muitas vezes, a consequência do agir equivocado não se produz rapidamente e nem na mesma existência.
A Lei Divina não se engana e nunca perde o endereço de quem a ofendeu.
Mas ela não se mostra apenas como justiça, mas também como misericórdia.
Por isso dá tempo para o calceta adquirir forças para os resgates necessários.
E principalmente aguarda que ele se resolva quitar os equívocos do passado com a moeda boa do amor.
Como afirmou o Apóstolo Pedro, o amor cobre a multidão de pecados.
Não é preciso sofrer para recompor o passado de erros.
Mas é imperioso resgatar todo o mal feito.
Ciente dessa realidade e de seu viver milenar, dedique-se a fazer o bem.
Viva de forma honrada.
Trabalhe, estude, amealhe recursos intelectuais e morais.
Seja um bom exemplo para todos que convivem com você.
Mas vá um pouco além disso.
Dedique-se a uma causa, ampare os necessitados, eduque os ignorantes.
Em seu passado espiritual há certamente muitos erros.
Antes que o resultado deles o atinja, gere causas de felicidade ao agir de modo altruísta.
Aja enquanto é tempo.
A rigor, o bem é sempre possível, agora ou mais tarde.
Mas é uma tolice aguardara dor cobrar a conta que o amor pode pagar.

Pense nisso.

Momento Espírita.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Procura

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 05, 2017 9:26 am

Numa época em que as carências afectivas parecem estar em alta, um anúncio anónimo em um mural chama a atenção dos que passam.
Todos, sem excepção, param e lêem:
Procura-se um homem.
Um homem que não tema a ternura.
Que se atreva a ser frágil quando necessite se deter para recuperar as forças para a luta diária.
Um homem que saiba proteger o ser a quem devotar o seu amor.
Um homem que queira e saiba reconhecer os valores espirituais e que sobre eles saiba construir todo um mundo.
Um homem que, em cada amanhecer, saiba ofertar amor com toda a delicadeza para que uma flor entregue com um beijo tenha mais valor que uma jóia.
Procura-se um homem com o qual se possa falar, que jamais corte a ponte de comunicação.
Um homem a quem se possa dizer o que se pensa, sem temor de que se ofenda e que seja capaz de dizer a sua esposa, namorada ou mãe que a ama.
Procura-se um homem que tenha braços abertos para que sua amada neles possa se refugiar quando se sentir insegura.
Que conheça sua fortaleza, mas que nunca se aproveite disso.
Um homem que tenha os olhos abertos para a beleza.
Que domine o entusiasmo e que ame intensamente a vida.
Um homem para quem cada dia seja um presente de valor incalculável que deve ser vivido plenamente, aceitando a dor e a alegria com igual serenidade.
Um homem que saiba ser sempre mais forte que os obstáculos.
Que jamais se apavore ante a derrota e para quem os contratempos sejam mais estímulos que adversidade, mas que esteja tão seguro de seu poder que não sinta necessidade de demonstrá-lo a cada minuto em empreendimentos absurdos somente para prová-lo.
Um homem que não seja egoísta.
Que não peça o que não ganhou, mas que sempre faça esforços para ter o melhor.
Um homem que saiba receber carinho, tanto quanto demonstrá-lo.
Um homem que respeite a si mesmo, porque assim saberá respeitar os demais.
Que não recorra jamais à ofensa, que sempre rebaixa quem a faz.
Um homem que não tenha medo de amar, nem que se envaideça porque é amado.
Que goze o minuto como se fosse o último.
Que não viva esperando o amanhã porque talvez ele nunca chegue.
Finalmente, quando este homem for encontrado, qualquer mulher o desejará amar com intensidade e com ele compartilhar a sua vida.

Todos temos fome.
Fome de pão, fome de amor, fome de conhecimentos, de paz e de amizade.
A fome de pão que tanto aparece é a que mais comove e, contudo, existem outros tipos de fome.
A fome de amor, dentre todas, é a mais difícil de ser saciada.
Muitos passam a vida inteira sem que ninguém lhes estenda uma migalha de carinho.
Aprendamos a reconhecer a fome de quem nos fala, de quem connosco convive, entendendo que quanto maior a fome, mais escondida se encontra e a busquemos saciar.
Recordemos os versos da oração franciscana:
Senhor, que eu ame mais do que pretenda ser amado...

Momento Espírita, com base no cap. Todos temos fome, de Amado Nervo e no cap. Minha procura não é simples, de autoria ignorada, do livro Um presente especial, de Roger Patrón Luján, ed. Aquariana.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Deus e nós

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 06, 2017 8:51 am

Quando o mundo geme, atormentado, é como um soluço que escapa de nosso peito e busca o Pai Celeste.
Quando as provações visitam a nossa vida, e tudo parece cinza, o coração se agita em busca do Senhor dos mundos.
E Deus está presente.
A grande certeza que assinala nossa vida é a existência de um Pai amoroso, que vela por nós.
Esqueçamos tudo o que nos disseram sobre um Deus vingativo.
Apaguemos de nossa mente a imagem de um Deus mesquinho, que aplica punições para Seus filhos.
Essas coisas são criação humana.
Deus é todo amor.
Causa de todas as coisas, Senhor dos mundos, Ele nos criou por Sua vontade.
Deu-nos a preciosa vida, plantou em nós as sementes dos sentimentos, deixou florescer inteligência, livre-arbítrio e sorrisos.
Ao longo dos milénios, esse Divino amor nos segue.
Acompanha nossa trajectória, testemunha nossos erros e acertos.
E aguarda. Sim, pacientemente Deus aguarda.
Ele espera o fim de nosso tempo de tempestades, de turbulência íntima.
Sabe que é passageira essa época atormentada, em que ainda não sabemos domar os sentimentos, controlar a mente ou ser feliz com as coisas do Espírito.
Ele sabe que estamos em plena era de descobertas.
É paciente com esses filhos que agem como crianças tolas, embora sejam homens maduros.
Sim, Deus está ao nosso lado.
Para ver os sinais dessa presença grandiosa, basta aprender a ler o grande livro da natureza.
Cada estrela que reluz no céu é um recado do Pai Celeste.
O brilho dos sóis, nas galáxias distantes, nos fala da magnífica Criação além da Terra.
E nos transmite a mensagem silenciosa:
mesmo no breu das noites escuras, há luzes de esperança.
Deus está vivo nas flores que criou para enfeitar jardins e campos.
Girassóis, lírios, rosas e margaridas traduzem o carinho Divino por todos nós.
Se Deus os veste tão ricamente, muito mais faz por nós.
Cantoria de passarinhos, brisa que agita os cabelos, o espectáculo do mar que brilha ao sol – tudo isso é Deus sussurrando mensagens de beleza e harmonia aos nossos ouvidos cansados, como um hino de esperança.
Por isso não demoremos mais: abramos a janela da alma para Deus.
Ele está ali, no templo do nosso coração.
Para amá-lO, aprendamos a cuidar de tudo o que Ele criou.
Mesmo que não entendamos alguém, não concordemos com algo ou não gostemos de alguma coisa, esforcemo-nos, ao menos, para respeitar o fruto do trabalho Divino.
Já é um belo começo.
Deus sorri de volta quando O buscamos. Portanto, busquemo-lO.
Um dia, estaremos frente a frente com a morte.
E mesmo que tenhamos milhares de amigos, essa será uma experiência solitária, uma viagem individual.
Estaremos diante de nós mesmos.
Os parentes, amigos e amores ficarão para trás. Ou terão partido antes.
E, nessa hora suprema, haverá somente um Ser a quem poderemos chamar com inteira confiança: Deus.
É ao nosso Pai que volveremos os olhos cheios de esperança.
E Ele – que nos ama muito – estenderá até nós o Seu amor e seremos abraçados, acolhidos.
No colo desse Pai Divino, nos sentiremos embalados como pequenas crianças.
E nosso coração se encherá de imortal alegria.

Momento Espírita.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

A grandeza de servir

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 07, 2017 10:31 am

Servir tem sido um verbo difícil de ser conjugado.
Todos apreciam ser servidos.
Vê-se como as crianças apreciam que todos estejam ao seu serviço.
Gostam de pedir as coisas e que essas lhes sejam dadas de forma rápida.
O Mestre Jesus, contudo, leccionou diferente.
Quem quiser ser o maior, seja esse o servo de todos.
Na última ceia que fez com os discípulos, lavou os pés de todos, ante a surpresa deles.
Aquela era uma noite de despedidas e Jesus lhes deixou as mais belas lições de serviço ao próximo.
Como se já não bastasse ter exemplificado durante seus quase três anos de vida pública.
No lago de Genesaré, nas estradas da Galileia, em casa de Pedro, na sinagoga, no templo, Ele serviu aos Seus irmãos.
Se observarmos bem, perceberemos que toda a natureza serve ao homem.
Serve a chuva, serve o vento, serve a nuvem.
A semente enclausurada na terra, rebenta, brota e se transforma em árvore frondosa, servindo ao homem, dando-lhe sombra, abrigo, flores e frutos.
Os animais se esmeram por servir.
Dão ao homem alimento, produzindo leite, ovos, carne.
Envolvem-no nas noites de inverno, com suas peles e lãs.
Conduzem-no por ruas, praças e avenidas com segurança, quando o homem se apresenta desprovido de visão.
Aprendamos com a natureza. Aprendamos com Jesus.
Onde houver uma árvore para plantar, sejamos voluntários.
Onde houver um erro a ser corrigido, coloquemo-nos à disposição para corrigir.
Onde houver uma tarefa que ninguém deseje, aceitemos e a desempenhemos com alegria.
Se houver uma pedra no caminho, não esperemos por outros. Retiremo-la nós mesmos.
Mas também nos disponhamos a retirar as pedras das dificuldades e o ódio dos corações.
Tenhamos em mente que não devemos fazer somente as coisas fáceis.
É maravilhoso poder executar o que os outros se recusam a fazer.
Existem pequenas tarefas que são bons serviços:
enfeitar uma mesa para a refeição; arrumar livros sobre a estante; colher flores e dispô-las no vaso; pentear uma criança; acomodar um idoso em seu leito.
O mundo é verdadeiramente belo porque há muito por fazer.
Imaginemos como ele seria triste se tudo estivesse feito.
Se não houvesse uma roseira para plantar; uma iniciativa para tomar; uma cerca para pintar; uma casa para embelezar; uma criança para educar; um idoso para acarinhar; um amor para amar.
Servir é um verbo que se conjuga na comunidade.
O primeiro tempo se inicia no ninho doméstico, entre as quatro paredes do lar. É o tempo presente.
Desde cedo, a criança aprende a servir, executando pequenas tarefas, sentindo-se responsável e útil.
O aprendizado prossegue com os vizinhos, os colegas, os amigos.
É a conjugação do futuro.
Um animal a alimentar, um jardim para regar, uma árvore para podar.
Servindo sempre, estaremos dando o exemplo àqueles que nos são próximos.

Momento Espírita, com base no poema O prazer de servir, de Gabriela Mistral.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75713
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Momentos Espíritas III

Mensagem  Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 34 de 41 Anterior  1 ... 18 ... 33, 34, 35 ... 37 ... 41  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum