Momentos Espíritas III

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O Hóspede

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 14, 2017 11:16 am

Quando sabemos que receberemos um hóspede, em casa, alguém de quem gostamos muito, tomamos muitas providências.
Organizamos tudo da melhor maneira possível.
Afinal, desejamos oferecer tudo de bom, de mais especial.
Por isso, limpamos e perfumamos nosso lar.
E o enfeitamos com flores delicadas e coloridas.
Providenciamos a quem chegará o melhor cómodo da casa.
Aquele onde o sol, pela manhã o virá saudar.
E se fizer frio, virá aquecê-lo, logo ao despertar.
Quando o hóspede chega, fazemos silêncio para não perturbar o seu repouso. Providenciamos para que as crianças não o incomodem.
Pensamos em todos os detalhes, nos desdobramos nas atenções quanto aos alimentos. Preparamos o que ele mais aprecia.
Desejamos que se sinta bem em nossa casa.
Para ele, o melhor. É nosso hóspede.
Tudo se torna um envolvimento de carinho para que esteja à vontade em nossa casa.
Poucos de nós nos damos conta de que existe um hóspede ansioso para penetrar a nossa casa interna.
Alguém que tem caminhado de um para outro lado, nas calçadas e ruas da nossa vida emocional, todos os dias.
Ele busca se insinuar para que tomemos a iniciativa de convidá-lO a entrar.
Ele conhece nosso íntimo.
Sabe dos nossos sentimentos feridos, da alegria que buscamos com ansiedade, da saúde que aguardamos se restabeleça.
Das esperanças tão embaladas...
Ele nos segue pelos corredores da solidão ou nos salões da alegria.
Ele se chama Jesus.
Quem sabe, ainda hoje, possamos convidá-lO para adentrar o nosso coração.
E, como o desejamos bem recepcionar, comecemos por realizar a higiene das peças interiores de nossa alma.
Espanemos para longe os pensamentos tristes.
Coloquemos perfumes em nossa casa íntima.
Envolvamos em silêncio cada compartimento interno para que Ele se faça o mais suave hóspede da nossa vida, dela jamais se apartando.
Não esperemos mais.
Vamos convidá-lO a se hospedar em nós, para sempre!
Todos os que permitiram que Ele adentrasse a porta dos seus corações, nunca mais foram os mesmos.
Ele penetrou o coração de Francesco Bernardone e o jovem se transformou em Francisco dos pobres, Francisco de Assis.
Ele visitou uma jovem freira na Índia e ela, deixando-se sensibilizar por Sua mensagem, se transformou na irmã dos pobres mais pobres:
Madre Teresa de Calcutá, para quem cada mendigo, doente ou necessitado era o próprio Cristo vivo e amado.
Se O convidarmos a estar connosco e nos dispusermos a viver a Sua mensagem, Ele, estrela fulgurante, fará sol em nossas vidas, acima e além de todos os problemas que possam colocar nuvens em nossos dias.
Jesus, Mestre, Amigo e Irmão Maior.
Ele prossegue de braços abertos, aguardando que nos permitamos o aconchego.
E que atendamos ao Seu convite:
Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados e eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração.
E achareis descanso para as vossas almas.
Porque meu jugo é suave e leve o meu fardo.
Atendamos ao convite e abriguemos o Hóspede Celeste na intimidade de nossa alma.

Momento Espírita, com base no cap. 16, do livro Rosângela, pelo Espírito Rosângela, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter e transcrição do Evangelho de Mateus, cap. 11, vers. 28 e 29.

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Falemos de Deus a nossos filhos

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 15, 2017 9:35 am

A infância é o período ideal para o aprendizado de todos nós.
Nessa fase, como uma esponja, a mente infantil melhor absorve o que lhe é apresentado.
Nossos pequenos respondem, de forma positiva, aos estímulos a que os expomos.
Esse é o motivo pelo qual os aprendizados da infância parecem marcados de maneira profunda, e se reflectem em nossos valores, conceitos e hábitos.
Assim, aqueles que na infância aprendemos a afectividade, o valor de um abraço, de um carinho, ao nos tornarmos adultos teremos tais expressões como naturais.
Seremos pessoas afectuosas, que conquistam e alimentam amizades, que se fazem gentis e simpáticas onde quer que se encontrem.
Porém, se formos expostos a estímulos de uma sensualidade precoce, com músicas, coreografias e comportamentos não condizentes com a ingenuidade infantil, logo nos primeiros passos da adolescência começaremos a enfrentar dificuldades emocionais.
O poder das palavras mas, principalmente, dos exemplos de mães e pais calam fundo na mente infantil.
Por isso, é necessário que reflictamos sobre o que estamos depositando na mente de nossas crianças.
Para isso, é importante que avaliemos de que maneira usamos o tempo que passamos com elas.
Os momentos da intimidade familiar são preciosos no processo da educação.
Será nessas horas que deveremos semear os valores e princípios que queremos lhes deixar, valores que marcarão sua vida adulta.
Fundamental, não esqueçamos, que falemos de Deus e das Suas obras aos nossos filhos.
Falemos naturalmente, sem exageros ou conceitos sem lógica, pois esses se desmantelarão à medida que eles forem desenvolvendo sua razão.
Falemos de Deus, mostrando a grandiosidade do céu, a beleza das flores, a providência da chuva, os benefícios dos raios solares, a carícia dos ventos brandos.
E lhes ensinemos a serem gratos a esse Criador extraordinário, Pai de amor e bondade.
Também os convidemos ao respeito à natureza, a todos os seres vivos, ao meio ambiente.
E, ensinando-os a orar, na intimidade do lar, iremos lhes oferecendo subsídios para melhor enfrentarem seus desafios, logo mais ou em anos ainda distantes.
Oração como recurso de reflexão, amparo, tranquilidade e fé.
Oração como fortalecimento das próprias forças. Oração de quem se sabe filho de um Pai generoso e bom.
Envolvidos por esses conceitos nobres, nossos filhos crescerão no respeito a si mesmos, ao seu próximo, tornando-se bons cidadãos, generosos e solidários.
E, entendendo, desde cedo, a importância do respeito aos recursos que a natureza oferece, ao planeta em que vivemos, actuarão em todos os seus dias, de forma coerente e exemplar.
Falemos, portanto, de Deus aos nossos pequenos.
Que eles saibam que poderão enfrentar adversidades, que poderão sofrer revezes, mas jamais estarão sós.
Porque a Providência Divina por eles vela, de forma constante.
Ofereçamos a eles o melhor legado, aquele da confiança em Deus, da dignidade, da honra, do respeito a si mesmo, a tudo e a todos.

Momento Espírita, com base no cap. 53, do livro Acções corajosas para viver em paz, pelo Espírito Benedita Maria, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter.

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A grave problemática da corrupção

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 16, 2017 9:19 am

Conforme o dicionário, corrupção é adulteração, deturpação, alteração, desvirtuamento, entre outros significados.
Nos dias em que vivemos, muito se tem falado a respeito dela.
E pensamos que corrupção esteja intimamente ligada aos que exercem o poder público.
Ledo engano. Está de tal forma disseminada entre nós, que, com certeza, somos poucos os que nela não estejamos envolvidos, de alguma forma.
Vejamos alguns exemplos.
Quando fabricamos um produto com qualificação inferior, para alcançar maiores lucros, e o vendemos como de qualidade superior, estamos sendo corruptos.
Quando adquirimos uma propriedade e, ao procedermos a escrituração, adulteramos o valor, a fim de pagar menos impostos, estamos disseminando corrupção.
Ao burlarmos o fisco, não pedindo ou não emitindo nota fiscal, estamos nos permitindo a corrupção.
É como se houvesse, entre todos, um contrato secretamente assinado no sentido de Eu faço, todos fazem e ninguém conta para ninguém.
Com a desculpa de protegermos pessoas que poderão vir a perder seus empregos, não denunciamos seus actos lesivos.
Actos como o do funcionário que se oferece para fazer, em seus dias de folga, o mesmo serviço, a preço menor do que aquele que a empresa a que está vinculado estabelece.
Ou daquele que orienta o cliente, no próprio balcão, entregando cartões de visita, a buscar produto de melhor qualidade e melhor preço, segundo ele, em loja de seu parente ou conhecido.
Esquece que ele tem seu salário pago pelos donos da empresa para quem deveria estar trabalhando, de verdade.
Desviando clientes, está desviando a finalidade da sua actividade, configurando corrupção.
Corrupção é sermos pagos para trabalharmos oito horas e chegarmos atrasados, ou sairmos antes, pedindo que colegas passem o nosso cartão pelo relógio electrónico.
É conseguirmos atestados falsos, de profissionais que a isso se prestam, para justificarmos nossa ausência do local de trabalho, em dias que antecedem feriados ou outras datas de nossa conveniência.
É promovermos a quebra ou avaria de algum equipamento na empresa, a fim de termos algumas horas de folga.
Corrupção é aplaudirmos nosso filho que nos apresenta notas altas nas matérias, mesmo sabendo que ele as adquiriu à custa de cola.
E que dizer dos que nos oferecemos para fazer prova no lugar do outro?
Ou realizar toda a pesquisa que a ele caberia fazer?
Examinemos com mais vagar tudo que fazemos.
Mesmo porque nossos filhos têm os olhos postos sobre nós e nossos exemplos sempre falarão mais alto do que nossas palavras.
Desejamos, acaso, que a situação que vivemos em nosso país tenha prosseguimento?
Ou almejamos uma nação forte, unida pelo bem, disposta a trabalhar para progredir, crescer em intelecto e moralidade?
Em nossas mãos, repousa a decisão.
Se desejarmos, podemos iniciar a poda da corrupção, hoje mesmo, agora.
E se acreditamos que somente um de nós fazendo, tudo continuará igual, não é verdade. Os exemplos arrastam.
Se começarmos a campanha da honestidade, da integridade, logo mais os corruptos sentirão vergonha dos seus actos.
Receberão admoestações e punições, em vez de aplausos e se perceberão desonestos em vez de espertos.
E, convenhamos, se não houver quem aceite a corrupção, aqueles que a propõem acabarão por si mesmos.
Pensemos nisso. E não percamos tempo.
O mundo, para ser melhor, aguarda isso de nós todos.

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Deixai vir a mim...

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 17, 2017 9:05 am

Ela era apenas uma garota, e sua vida nunca fora um mar de rosas.
No entanto, a força interior, que trazia em si, permitiu suplantar os sofrimentos e amar a vida.
Tendo passado por desafios familiares na infância, Marilda não demonstrava as dores vivenciadas.
E tinha vontade de fazer algo diferente.
Quando via uma criança triste, se aproximava e tentava estabelecer um diálogo.
Conversando com carinho, destacava as raras coisas boas daquela vida sofrida, e as valorizava.
A comunidade onde vivia ficava distante do centro da cidade e as dificuldades só aumentavam, com a quantidade de pessoas que continuavam chegando.
Ela aprendera a ler.
Ganhara um livro contendo as lições do Evangelho e feliz, resolveu fazer algo pelas crianças.
Todas as tardes, as reunia no gramado do terreno ao lado de sua casa, e lia as histórias da vida de Jesus para elas.
A passagem preferida de todas era a que falava do Mestre chamando as crianças para junto de si.
Marilda ensinou-as a orar a Deus e ao seu anjo de guarda, o que elas faziam com uma emoção incrível.
Ela tinha consciência de que aquilo era muito pouco, mas o fazia com dedicação.
O sorriso das crianças era alimento para o seu coração.
Jesus citou as crianças como modelo da inocência que todos devemos buscar cultivar.
A criança não costuma enxergar as ironias, as maldades, os sentimentos menores, que fazem de certos homens muros de pretensão e de maldade.
Ao iniciar nova jornada, na Terra, o Espírito não possui no cérebro actual, os registos do que foi, viu e sentiu outrora.
Por isso os primeiros anos de vida devem ser muito bem conduzidos, com amor e responsabilidade, por seus pais ou por quem as atende.
Ser criança na Terra é recomeçar o aprendizado permanente, até atingir a perfeição.
Aprender, com base no Evangelho de Jesus, representa para todos os que nos aventuramos, nesta viagem, o recomeço seguro e promissor.
A criança é semelhante a um material moldável, onde podemos imprimir o que quisermos.
Não tendo ainda sua personalidade actual formada, tudo o que ensinarmos a ela hoje, será impresso fortemente em seu ser, reflectindo no seu comportamento, no amanhã.
Se as lições e exemplos que vivenciar forem negativos, ela os registará naturalmente, fazendo disso sua bagagem de aprendizado e vida.
Porém, se nos dispusermos a presentear esse Espírito com os melhores conteúdos e exemplos, com certeza, haveremos de colher frutos doces e nutritivos.
A criança sempre representará, no mundo, as expectativas da Humanidade para o futuro.
Resta nos questionarmos qual o futuro que queremos construir, a partir de agora.
Quando todos compreendermos essa realidade, os lares oferecerão para a sociedade o modelo sonhado, de homens e mulheres que haverão de construir nossa futura realidade.
Estamos aqui para dominarmos nossas más inclinações, e nos aprimorarmos na compreensão da vida.
Semeemos muito amor ao nosso redor, sempre.
Chegará o momento em que o perfume dele nos envolverá.

Momento Espírita.

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INTELIGÊNCIA PRÁTICA

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 18, 2017 11:44 am

Aprende a utilizar a tua capacidade intelectual em favor do teu crescimento íntimo.

Talvez não tenhas renascido dotado de recursos intelectivos para efectuares grandes descobertas ou mesmo para construíres engenhos que beneficiem a Humanidade.

Todavia, com a tua capacidade de raciocinar e discernir, podes efectuar escolhas que sejam as melhores para o teu espírito.

Quantos são os que deixam de dar um sentido prático à existência, por não saberem aproveitar com qualidade o tempo ao seu dispor?

Infelizmente, a grande maioria apenas concentra o pensamento, imaginando meios de mais amplo enriquecimento ou traçando planos de conforto e lazer.

Raros os que se dão o trabalho de pensar, elaborando programas e perseguindo metas que, uma vez cumpridos, haverão de fazer a diferença em prol de sua iluminação interior, fazendo com que se retirem de sua actual experiência no corpo em condições espirituais muito mais favoráveis.

Irmão José (psic. Carlos Baccelli - do livro "Ajuda-te e o Céu te Ajudará")

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Soberba

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 19, 2017 11:04 am

Dia claro, sol a pino, lamaçal e uma flor solitária.
Gargalhando, zombeteira, a flor disse para a lama aos seus pés:
Desprezo-te e rogo ao sol que te abrase, retirando essa água imunda que te faz pútrida.
A lama silenciou.
No dia imediato, o solo estava ressequido e retalhado pelo beijo ardente do astro rei.
Na haste da planta, a antes tenra flor, morrera por falta d’água.
Soberba é a manifestação desse nosso falso sentimento de superioridade sobre as pessoas e também sobre as coisas.
Pode ser conhecida também como orgulho, altivez, presunção.
Exibicionista, a soberba carrega em si a necessidade de falar de todos os assuntos, de opinar sobre todas as questões e de se achar entendedora de tudo.
Muitas vezes, por mais contraditório que possa parecer, ela esconde uma alma insegura e que precisa de constante auto-afirmação.
A soberba nos faz sabedores únicos do que é melhor para nós e também para o próximo, não admitindo ouvir segundas e terceiras opiniões.
Só há um ponto de vista: o seu.
Só há uma verdade: a sua.
Ela nos faz utilizar com frequência as expressões Eu acho. Eu sei. Eu fiz... numa tentativa desesperada de mostrar o ego orgulhoso.
Com ela vem também a arrogância, essa forma agressiva de se posicionar, de utilizar as palavras e até de olhar para o outro.
A arrogância afasta e cria antipatia.
Difícil encontrar alguém que se sinta bem ao lado de uma pessoa arrogante.
Quem tem muito e está seguro disso, não precisa ficar mostrando suas posses a todo momento.
Quem tem grandes conquistas na área do saber, não necessita exibi-las em toda oportunidade, fazendo questão de mostrar que o outro sabe menos.
Aquele que está mais adiante, quando humilde, busca guiar os semelhantes pela estrada que já percorreu, e nunca medir os quilómetros que ainda os separam.
Os humildes entendem com mais facilidade a lama que os cerca, as dores, as dificuldades, enxergando ali a água que dá vida, molhando a terra e dando-lhes oportunidade de crescimento.
Sabem silenciar quando necessário.
Sabem expor sem impor.
Sabem discutir sem criar divisão.
Aprendem a ouvir e a aprender com quem quer que seja, e por isso são grandes, embora se mostrem como iguais.
Não enxergam adversários ou plateias, mas sim amigos e irmãos.
Os humildes não são fracos, são discretos.
São elegantes nas palavras e na postura corporal.
Olham nos olhos, curvam-se e servem, não como escravos, mas como doadores.
Nunca disputemos projecção e destaque, recordando o ensinamento de Jesus, quando informou que os primeiros serão os últimos e esses serão os primeiros.
Afeiçoemo-nos ao anonimato, não deixando sinais do bem que façamos, a fim de que não sejamos enaltecidos, qual ocorre com muitos fúteis e irresponsáveis, que são louvados e bajulados sem mérito real.
Mas não pensemos que humildade é menosprezo, desconsideração por nós mesmos, subalternidade, escondendo conflitos de inferioridade.
A verdadeira humildade permite o auto-cconhecimento em torno dos valores que são legítimos no ser, sem os exaltar nem engrandecer, compreendendo o quanto ainda necessitamos para atingir o ideal, tendo o prazer de nos sacrificarmos pelo conseguir.

Momento Espírita, com base no cap. Fevereiro, item 13, do livro Poemas de paz, pelo Espirito Simbá, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL e na mensagem Reflexões sobre a humildade, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica de 10.8.2015,no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

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Ajuda dos céus

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 20, 2017 8:31 am

A garota de pernas longas e ossudas, cabelo crespo e bochechas cobertas de sardas, voltava para casa de bicicleta.
Distraída, pensava em que teria feito sua mãe para o jantar.
Ao virar a esquina, um carro surgiu ao lado, com dois jovens dentro.
Ela pensou se tratar de amigos de seu irmão.
O que estava no banco do carona se inclinou para fora da janela, em sua direcção.
Tinha cabelos longos e parecia com seu irmão Michael.
Ele sorriu e perguntou se ela não desejava uma carona até em casa.
Não, obrigada – respondeu – moro logo ali, depois da esquina.
Estou quase chegando.
Ele insistiu: Vem. Vai ser divertido.
Vem dar uma volta com a gente.
Ela olhou em torno. Não havia ninguém.
Nenhum carro passando. A rua estava vazia.
Começou a sentir um mal-estar, mas não conseguia se mexer.
Parecia estar hipnotizada.
Nesse instante, uma voz soou em seu ouvido.
Ou, ao menos, ela pensou que fosse em seu ouvido.
Corre! Se manda.
Imagens de sua casa começaram a piscar na mente daquela menina de onze anos.
Despertou da paralisia que o medo lhe provocara e pedalou o mais rápido que pôde, em direcção à sua casa.
O carro se afastou na direcção oposta.
Chegou em casa com dor no peito, por ter prendido a respiração e pedalado com tanta força.
Tremendo ainda, correu aos braços de sua mãe, contando o que acontecera.
Infelizmente, como fazem muitos pais, ela não deu maior importância àquilo que fora uma tentativa de sequestro infantil.
Mas o comando daquela voz salvara a garota.
O episódio a marcou profundamente.
Mais de vinte anos passados, ela recorda da cena em todos os detalhes.
Naquele dia, ela lembra ter prometido a si mesma que, ao crescer, faria algo para proteger as crianças de agressores.
Não sabia direito como, mas tinha certeza de que, um dia, se dedicaria a essa causa.
Pensou em ser advogada e juíza, para distribuir sentenças severas a pessoas que maltratavam crianças.
Adulta, ela ajudou a criar um sistema de alerta a rapto de crianças no Estado do Arizona, onde reside.
Mas, a grande certeza que guarda do episódio, é de que naquele dia aterrorizante, aos onze anos de idade, havia um anjo em seu ombro.
O anjo, tanto a protegeu naquela tarde quanto, diz ela mesma, a colocou no caminho que deveria seguir na vida adulta.
Traçando perfis de criminosos para a polícia, auxiliando na captura de raptores, ela se sente gratificada.
Mais ainda, quando suas palavras podem aliviar a dor dos parentes de uma vítima, retirando um peso de seus corações.
Poucos nos damos conta do quanto somos protegidos.
Isso porque a protecção é subtil.
As ideias brotam como uma intuição e quase sempre as creditamos à conta de nós mesmos.
Atravesse a rua. Siga por aquele caminho. Olhe para trás.
Por vezes, o socorro é providenciado através da interferência feliz de um parente, amigo, ou até de um desconhecido.
Alguém que chega e nos sugere algo.
Alguém que passa e nos socorre.
Pensemos nisso e fiquemos atentos à ajuda que os céus nos remetem todos os dias, aprendendo a ouvir com lucidez e sejamos gratos.

Momento Espírita, com base no cap. 3, do livro Não é preciso dizer adeus, de Allison DuBois, ed. Sextante.

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Onde mora a paz?

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 21, 2017 11:01 am

Pedro mora próximo à uma rua central de grande capital, há quinze anos.
Nos últimos tempos, está à beira de um ataque de nervos, pois não consegue mais suportar o barulho contínuo dos carros.
Ele tem algumas escolhas:
trabalhar pelo fechamento da avenida, ao menos à noite; pela modificação da legislação de poluição sonora ou uso de automóveis; ou ainda, mudar-se.
É importante, porém, comentar também sobre seu vizinho, Bernardo, que mora no apartamento ao lado de Pedro, de frente para a mesma rua.
Perguntado a ele o que achava de viver naquele local, a resposta foi surpreendente.
Revelou que adora viver ali.
Ele acha linda a vista que tem do seu apartamento.
Disse que pode ver o maravilhoso nascer do sol de sua janela.
Adora observar a cidade.
Perceber os habitantes caminhando ou em seus carros, e os resistentes passarinhos que aprenderam a viver em meio à civilização.
Numa conversa entre os dois, Pedro não aguentou, e questionou:
Mas e o barulho?
Você não se incomoda com toda essa barulheira que não tem fim?!
Bernardo respondeu:
Olhe, fico tão concentrado nos meus afazeres, que eu nem percebo o barulho.
Pedro não podia acreditar.
Achou, por um instante, que o vizinho tinha problemas auditivos, e falando bem baixo, tentou descobrir se ele era surdo.
Mas não era. Ouvia muito bem.
Como explicar isso?
Ele ouvia muito bem e não se incomodava com o barulho?
E à noite? – Perguntou ainda Pedro, indignado.
Como você faz para dormir?
Vou ser bem sincero, caro amigo – respondeu Bernardo – à noite, ao deitar, sinto-me tão feliz com o dia vivido e com as coisas que tenho feito, que também não me incomodo com barulho algum.
Pedro pôde ver sinceridade e pureza nos olhos e nas palavras do vizinho.
Naquele momento, ele percebeu a razão de se incomodar tanto com aquelas coisas:
ele não era feliz com o dia que tinha, e nem com as coisas que fazia.
Um outro personagem também ilustra a reflexão proposta.
Trata-se de Daniel.
Jovem, de família abastada, casado, e morador de um condomínio fechado.
Ele foi presenteado por seus pais com uma casa no litoral.
Ficou, a princípio, muito animado com a mudança.
Afinal, haveria lugar mais tranquilo e pacífico do que próximo ao mar?
Os dias passaram e ele percebeu, pouco a pouco, que não seria capaz de suportar aquele estilo de vida.
Aquele barulho constante de ondas quebrando; gaivotas gritando logo cedo; aquela humidade de maresia; a areia que insistia em acompanhá-lo em seu carro e em sua casa.
Daniel entrou em crise.
Variava entre estados de irritação e depressão.
Começou a tomar remédios e decidiu: iria se mudar dali.
Ouvindo estes relatos, nos indagamos: Onde mora a paz?
Será que a paz está na ausência de ruídos externos?
Será que para dormir em paz precisamos apenas de silêncio?

A paz tem moradia em nosso íntimo, e enquanto não formos felizes com nossos dias, com as coisas que fazemos, não a encontraremos.
Não basta mudar desse para aquele local.
Faz-se necessário mudar-se na intimidade.
Deixar para trás o lar das actividades fúteis, das conquistas passageiras, e fixar morada na casinha aconchegante da alegria de viver, do amor à família, do prazer de servir.

Momento Espírita, com base em matéria publicada na Revista Vida e Yoga, nº 20, ed. Online.

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A nobreza de um gesto

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 22, 2017 9:44 am

Habitualmente falamos que somente coisas ruins ganham manchete.
Que notícia boa não é veiculada porque não vende nem jornal, nem revista.
No entanto, por vezes, um gesto nobre ganha o noticiário internacional.
Assim aconteceu com um palestino que virou manchete mundial, no ano 2005.
Ele não protagonizou nenhum dos conflitos que têm abalado as relações e a paz dos povos do Oriente.
O mecânico Ismael Khatib deu uma verdadeira lição de fraternidade ao doar os órgãos de seu filho Ahmed a pacientes israelenses, que necessitavam de transplantes.
O palestino teve seu filho, de apenas doze anos, alvejado por soldados de Israel, durante uma operação de busca no campo de refugiados de Jenin.
O mecânico optou pela doação, inspirado pela perda de seu irmão, de vinte e quatro anos que, não resistindo à longa espera por um transplante de fígado, veio a morrer.
Entre os beneficiados pelo gesto do palestino se encontravam um bebé de sete meses e uma mulher de cinquenta e oito anos.
Alguns eram judeus, árabes-israelenses e uma garota de origem drusa.
Conforme reproduziu o jornal Folha de São Paulo, Khatib teria dito:
Eu me sinto bem pensando que os órgãos de meu filho estão ajudando seis israelenses.
Acredito que o meu filho está agora no coração de todo israelense.
O facto repercutiu pelo mundo, exactamente pelos conflitos que envolvem as nações em questão.
Tanto mais que o menino fora morto por israelenses.
O facto é que aquele pai, dolorido pela separação violenta do filho amado, encontrou forças para beneficiar pessoas.
Não indagou se pertenciam à sua mesma nação, ao seu povo, à sua família.
Não perguntou se eram amigos ou inimigos.
Simplesmente doou.
Um gesto de humanidade, uma acção altruísta.
A nota nos remete aos versos do sublime Galileu há mais de dois milénios:
Ama o teu próximo... Faz o bem a quem te persegue... Ama o teu inimigo.
Em nosso Brasil, embora as campanhas promovidas e a facilidade que se tem para doar órgãos, ainda é muito grande a fila de espera.
Estatísticas apontam números bastante expressivos dos que aguardam transplante a fim de poderem prosseguir a viver.
A doação de órgãos não é contrária às leis da natureza porque beneficia a vida.
Os doadores colaboram com a vida.
O Espírito se liberta da carne e permite a outros o retorno da visão, a desvinculação de procedimentos morosos e dolorosos, como, por exemplo, as longas horas de diálise.
Permite que um pai retorne ao lar, aos braços dos filhos; que o profissional retome actividades interrompidas; que o jovem volte a tecer sonhos de estudo e produtividade.
Aqui, é a bomba cardíaca que torna a regularizar seu ritmo; ali é um fígado que volta a funcionar; além é um pulmão que se enche de ar, insuflando vida, um rim que reassume o seu papel no organismo físico.
Beneficiados os que recebem as doações dos órgãos.
Abençoados por Deus os que se fazem doadores da esperança e do pleno vigor da vida a outros seres, que ainda têm anos sobre a Terra.

Pensemos nisso.

Momento Espírita, a partir de notícia publicada no Jornal Folha de São Paulo, de 8 de novembro de 2005.

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Pessoas e potes de geleia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 23, 2017 9:35 am

Transformamos as pessoas em potes de geleia.
Sim, toda vez que julgamos precipitadamente, que criamos rótulos, estamos comparando as pessoas a objectos.
Objectos podem, muitas vezes, ser facilmente explicados, descritos, compreendidos. Basta um desenho, um esquema, ou algumas palavras e está tudo resolvido.
São conhecidos os jogos de mímica, nos quais os oponentes precisam adivinhar uma palavra, uma frase, através da compreensão dos gestos do outro.
O problema está quando desejamos usar essa nossa habilidade de descrever rapidamente alguma coisa, no convívio com as pessoas.
Pessoas são Espíritos, almas complexas, de realidades múltiplas e possibilidades infinitas.
Avaliá-las com superficialidade é desrespeitá-las em sua essência divina.
O grande escritor russo Léon Tolstoi afirma que um dos nossos preconceitos mais comuns e disseminados, é o de que cada pessoa tem uma característica fixa.
Segundo ele, tal preconceito faz com que existam apenas pessoas boas ou pessoas más; pessoas inteligentes ou pessoas estúpidas; pessoas frias ou pessoas quentes.
Muitas vezes, com o objectivo de simplificar, nós empobrecemos e menosprezamos as pessoas.
Nossos próprios hábitos de linguagem precisam ser revistos, pois muitos deles nos acostumam ao rótulo fácil.
Você lembra de Fulano de tal?
– Não, não lembro. – Responde o outro.
Aquele magrinho com nariz pontudo, lembra?
Ah, sim, claro, agora lembrei!
Aí se encontra o embrião do vício dos rótulos.
Pode ser uma observação sem maldade, que apenas ajude a lembrar mais facilmente das pessoas, mas, por vezes, desenvolve em nós essa prática desagradável.
Logo mais, estaremos nos servindo, habitualmente, de expressões como:
Beltrano é falso mesmo. Cuidado com o que ele diz!
Obviamente que podemos identificar as dificuldades das pessoas.
É algo comum na vida de relacionamento.
Mas, avaliar toda uma personalidade, todo o universo de um Espírito reencarnado, e resumi-lo em uma frase, em um rótulo, é pequeno e simplista demais.
Aplicando um rótulo a alguém, principalmente os negativos, estamos afirmando que ele não é capaz de mudar, de crescer.
Estamos dizendo que a pessoa é assim e pronto.
Também aplicamos rótulos a nós mesmos.
Colamos na testa um adesivo dizendo: Sou teimoso.
Não pense em vencer qualquer discussão comigo.
É uma auto-rotulagem, uma expressão de acomodação perante uma imperfeição, da qual, muitas vezes chegamos a nos orgulhar.
Até mesmo os rótulos positivos são preocupantes.
Quando, por exemplo, aquele amigo que carregava em sua fronte o rótulo de bonzinho, faz connosco algo que mostra uma característica oposta, vem a decepção.
Nunca esperava isso dele. – Expressão típica de quem não conhece o outro em profundidade, e que preferiu ficar na superficialidade da rotulagem.
Todos somos almas sendo auto-moldadas a todo instante.
Nem temos imperfeições fixas, que ficarão para sempre connosco, nem virtudes em grau de excelência, que não nos permitam o equívoco em situação alguma.
Lembremos: rótulos são para potes de geleia, e não para pessoas.

Momento Espírita, com citações extraídas do livro Pensamentos para uma vida feliz, de Léon Tolstoi, ed. Prestígio, 1999.

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ILUSÕES DO ORGULHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 9:00 am

Melindre é o orgulho na mágoa.
Cultivemos a coragem de ser criticados.
Pretensão é o orgulho nas aspirações.
Aprendamos a contentar com a alegria de trabalhar, sem expectativas pessoais.
Presunção é o orgulho no saber.
Tomemos por divisa que toda opinião deve ser escutada com o desejo de aprender.
Preconceito é o orgulho nas concepções.
Habituemos a manter análises imparciais e flexíveis.
Indiferença é o orgulho na sensibilidade.
Adoptemos a aceitação e respeito em todas ocasiões de êxitos e insucessos alheios.
Desprezo é o orgulho no entendimento.
Acostumemos a pensar que para Deus tudo tem valor, mesmo que por agora não o compreendamos.
Personalismo é o orgulho centrado no eu.
Eduquemos a abnegação nas atitudes.
Vaidade é o orgulho do que se imagina ser.
Procuremos conhecer a nós mesmos e ter coragem para aceitarmo-nos tais quais somos, fazendo o melhor que pudermos na melhoria pessoal.
Inveja é o orgulho perante as vitórias alheias.
Admitamos que temos esse sentimento e o enfrentemos com dignidade e humildade.
A falsa modéstia é orgulho da “humildade artificial”.
Esforcemos pela simplicidade que vem da alma sem querer impressionar.
A prepotência é o orgulho de poder.
Aprendamos o poder interior connosco mesmos transformando a prepotência em autoridade.
Dissimulação é o orgulho nas aparências.
Esforcemos por ser quem somos, sem receios, amando-nos como somos.
A reeducação moral através das reencarnações nos levará a renovar esse quadro de penúria espiritual da Terra, sob a escravização das sombrias manifestações orgulhosas.
Estamos todos, encarnados e desencarnados, nessa busca de superação e enfrentamento com as nossas imperfeições milenares, e não será num salto que venceremos a grande e demorada luta.
Apliquemo-nos nas preciosas e universais lições de Jesus, iluminadas pelos raios da lógica espírita, e esforcemo-nos sem desistir da longa caminhada na conquista da humildade...
Precisaremos de muita coragem para ser humildes, ser o que somos...
Ser humilde é tirar as capas que colocamos com o orgulho ao longo dessa caminhada...

Blog Espiritismo Na Rede baseado em texto do livro: Mereça Ser Feliz Pelo Espírito Ermance Dufaux

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A disputa

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 10:45 am

Acontece às vezes.
Os casais se separam e passam a disputar os filhos como se eles fossem seu património.
Não se preocupam em lhes perguntar como estão se sentindo, com quem desejariam morar.
Mesmo porque a resposta certa e fácil deles seria: Com os dois.
O que causaria para ambos um grande transtorno.
E as decisões são, habitualmente, muito frias.
São estabelecidos dias para visitas, dias em que os filhos poderão estar com aquele que não ficará com a guarda deles.
E os pequeninos, acostumados a terem mamãe e papai em casa, terão que obedecer a uma escala para amar, dia certo para abraçar, para passear, para gozar da companhia de quem tanto querem.
Em outras circunstâncias, ocorre, também, que pais, normalmente jovens, precisam trabalhar, estudar.
E o bebé fica com a avó, a tia, alguém da família.
Por vezes, uma babá de muita confiança.
Ocorre, o que é natural, que no transcorrer do tempo, o bebé vai crescendo e ele se sente seguro e feliz com aquela pessoa que ele vê, toda vez que chora por estar com dor, fome ou precisa ter as fraldas trocadas.
Aquela pessoa é quem com ele brinca, quem lhe ensina as primeiras palavras.
É quem lhe descobre o primeiro sorriso, o primeiro dentinho.
É quem lhe estende as mãos quando ele cai, ao tentar dar os seus primeiros passos.
É quem o incentiva a subir os degraus, é quem lhe serve a sopa.
É também esse alguém que ele beija, abraça e ama.
De forma natural vai para a casa dos pais, está com eles pois que eles também lhe dão atenção, nas horas em que não se encontram às voltas com seus afazeres e preocupações.
Mas é lógico que a criança sentirá falta daquele alguém a quem se acostumou, em quem confia.
É nesse momento, quando os pais percebem que não são exclusividade no coração da criança, que, às vezes, tomam atitudes inesperadas.
Resolvem quebrar, de vez, os elos entre seu pequeno e a pessoa que até então cuidava dele.
E afastam um do outro.
Colocam a criança na escolinha, diminuem de forma repentina os contactos com aquela pessoa: avó, tia ou babá.
Dizem que a criança deve aprender a amar os seus pais. E ela ama.
Mas o ciúme, o medo de serem preteridos faz com eles ajam assim.
Esquecem que com isso causarão no seu pequeno lesões, em nível afectivo, de carácter grave.
Esquecem que o amor não se impõe, não se compra.
O amor se conquista e a conquista é lenta, trabalhosa e incessante.
O amor, quanto mais se divide, mais se multiplica.
Não há limites para o amor, nem na sua intensidade, nem nas suas gradações.
Por isso mesmo, seu filho pode e amará você, mãe, você, pai, sem que deixe de amar também a avó, o tio, a tia, a babá.
O amor não deve ser entendido como uma disputa, como algo que pode ser exigido.
Ele necessita do trabalho lento dos dias, do aconchego constante, das demonstrações de carinho, dos pequenos nadas que fazem a nossa vida tão agradável.
Ame seu filho, mas não o impeça de amar a quem quer que seja.
Se você fizer isso, estará frustrando nele uma grande capacidade que Deus deu a todos nós:
amar sem medidas, sem restrições a tudo e a todos.

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Liberdade para ser feliz

Mensagem  Ave sem Ninho Ontem à(s) 9:22 am

No mundo em que vivemos, observamos situações repetidas, que acontecem motivadas pelo nosso orgulho e egoísmo, quando sobrepomos a satisfação dos nossos desejos aos dos familiares, especialmente dos nossos filhos.
Por vezes, isso acontece por não dialogarmos com clareza, ou por não aceitarmos os seus sonhos.
Recordamos daquele pai bem sucedido na vida, que alcançara o pleno sucesso que para si idealizara.
Quando seu jovem filho foi convidado, por um dos seus professores, a estagiar em seu escritório, por lhe reconhecer a capacidade e desejar que a desenvolvesse, ele não permitiu.
Mostrou-se indignado, dizendo que quem pode ser patrão não precisa ser empregado.
Sem se dar conta do olhar desolado do rapaz, o levou para sua empresa, deu-lhe um computador e o manteve ao seu lado.
Orgulhoso, a todos o apresentava como seu sucessor, sequer se dando conta da insatisfação do filho e da sua quase nula actividade.
O jovem alimentava outros sonhos.
Sentia-se ansioso para voar com suas próprias asas e em outros céus.
Finalmente, concluída a Faculdade de Direito, ele disse ao pai que resolvera trabalhar na área escolhida, criando seu próprio espaço.
Para o pai, foi um grande golpe que precisou administrar a duras penas.
Um dissabor que poderia ter sido evitado com um pouco mais de compreensão, diálogo, buscando o entendimento de que cada um tem seus próprios sonhos.
Bom seria se percebêssemos que somos todos seres livres e independentes, que trazemos nossas tendências e preferências.
Que embora vivamos neste mundo consumista, devemos estar atentos aos nossos e aos sonhos alheios.
Ninguém será feliz fazendo o que é obrigado a fazer, mas sim, trabalhando no que o deixa realizado, opção que deve ser analisada, avaliada e aceita, especialmente pelos pais, para que não venhamos a interferir em decisões importantes que dizem respeito à vida dos filhos.
Interferências que criarão infelicidade e até afastamento.
Somos todos Espíritos imortais em evolução, comandados por uma vontade própria e individual que nos leva a caminhar de acordo com as nossas possibilidades e tendências.
Possuímos, todos, a capacidade de aprender com nossos esforços e méritos.
Estamos na condição de filhos e pais passageiros, enquanto neste planeta.
Não nos encontramos sobre a Terra a passeio, nem tampouco para impormos gostos e desejos uns aos outros.
A vida nos é dada para o progresso, para o desenvolvimento das nossas potencialidades.
E uma das oportunidades de crescimento é a profissão.
Dessa forma, preparemos nossos filhos para serem úteis, éticos, honestos, respeitadores, fiéis.
Mas, permitamos que se dediquem àquilo que os dignifica e lhes dá prazer.
Para isso, deixemos que exerçam a profissão que elegeram para si e, felizes, vejamo-los crescer, produzir, serem felizes.
Por fim, confiemos no Pai Celestial, para o qual, todos somos filhos muito especiais.

Momento Espírita.

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Atitude cristã

Mensagem  Ave sem Ninho Ontem à(s) 8:39 pm

A maioria das pessoas sabe que Jesus sintetizou na prática do amor todos os deveres dos homens.
Ele afirmou que no amor a Deus e ao próximo estão contidas todas as leis divinas.
Assim, quem se declara cristão, para ser coerente com sua fé, necessita amar a Deus e ao próximo.
Relativamente ao amor ao próximo, há um complicador, pois ele simboliza o conjunto das criaturas humanas.
Não se trata apenas da namorada, do irmão ou do amigo querido, mas de todo ser humano, incluindo os inimigos.
Mesmo os corruptos e os criminosos estão incluídos no conceito de próximo, de semelhante.
Surge então a dúvida:
Não é possível distinguir entre pessoas queridas e completamente desconhecidas?
Para cumprir a lei de amor é necessário sentir carinho por quem rouba nosso carro ou nos machuca?
No âmbito da legislação humana, sabe-se que uma lei não pode impor deveres muito artificiais.
Se uma determinação for muito difícil de ser cumprida, nunca será eficaz.
Por exemplo, um limite de velocidade de cinco quilómetros por hora jamais será respeitado.
Esse limite é muito artificial e impossível de ser cumprido.
Não importa a sanção que se aplique, as pessoas o burlarão tanto quanto possível.
Certamente Deus não é menos sábio do que o legislador humano.
A amizade é uma questão de afinidade de almas.
O afecto costuma se originar da semelhança de valores e de gostos.
Não é possível gostar do mesmo modo de um amigo e de um cruel criminoso.
Então, amar, no contexto das leis divinas, não implica necessariamente sentir afecto e externar ternura.
Em relação a desconhecidos ou desafectos, o amor é principalmente uma questão de atitude, de respeito.
O cumprimento da lei de amor pressupõe que o homem se coloque mentalmente no lugar do próximo.
E imagine como gostaria de ser tratado, se estivesse na situação dele.
Identificado esse desejo, ele deve agir desse modo.
Amar o próximo é tratá-lo como gostaríamos de ser tratados.
Como sempre desejamos o melhor para nós, temos o dever de dar ao próximo o melhor tratamento possível.
Talvez ainda não consigamos gostar dele.
Mas sempre devemos tratá-lo com correcção e generosidade.
Trata-se do amor como uma atitude.
Não é necessário sermos santos para amar os inimigos e os malfeitores.
Basta termos o firme propósito de viver como cristão.
O amor é uma proposta de vida, um compromisso com a própria consciência.
No fundo é algo simples e com profundo potencial transformador da sociedade.
Se cada homem adoptar o hábito de imaginar-se no lugar do outro antes de agir ou falar, certamente o padrão de relacionamento humano melhorará muito.
Não importa se o próximo é mesquinho, viciado ou corrupto.
Não se trata de gostar ou não, mas de agir correctamente.
Isso não implica um viver irreal, no qual não se tome cuidado com os indivíduos perigosos.
É preciso sermos mansos como as pombas e prudentes como as serpentes, conforme o dizer de Jesus.
É necessário percebermos o mal onde ele existe, para viabilizarmos a defesa.
Mas não valorizarmos o mal na pessoa do próximo e nem desprezá-lo por suas falhas.
Ajudá-lo a recuperar-se, sempre tendo em mente o nosso próprio desejo de auxílio, caso o corrupto ou o viciado fôssemos nós.

Pensemos nisso.

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Re: Momentos Espíritas III

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