A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Página 6 de 7 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 10, 2015 8:12 pm

Essa regra de estudo eles não quebravam.
Ao contrário. Antes, estudavam uma vez por semana.
Agora, já estavam estudando três vezes por semana.
Sentiam que deveriam estar preparados, com muito equilíbrio, para algo de muita responsabilidade.
E os estudos não os cansavam, de forma alguma.
Cada vez mais, os rapazes e as moças estudavam com afinco e amor.
Logo Pedro, Jacira, Rosa e Maria estavam fazendo parte do grupo de estudos.
De vez em quando requisitavam a presença de Pai Juca para discutirem algumas passagens que não entendiam do "Livro dos Espíritos".
Pai Juca, com sua sabedoria incomum, destrinchava-lhes os textos mais complexos.
Em pouco tempo, Pai Juca ensinava-lhes muito mais do que qualquer livro jamais lhes pudesse oferecer.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 10, 2015 8:12 pm

Capítulo 19

Chegou o dia da festa.
Os patrões deram folga aos escravos para que eles pudessem ajeitar a senzala, preparar o resto das iguarias e se arrumar prontamente para o evento, que se desenrolaria logo mais à noite.
Na casa-grande, o corre-corre também era intenso.
Maria, Rosa e Jacira preparavam os últimos quitutes.
Sam, Mark e Adolph ajeitaram as bandeirinhas pelo campo ao redor da senzala.
Emily e Anna ficaram se arrumando a manhã toda.
Além de fazer bonito aos maridos, queriam também impressionar os vizinhos.
Emily e Anna ficaram tão encantadas com Augusto que resolveram convidá-lo para a festa dos escravos.
Estenderam o convite para quem mais estivesse morando lá com ele, inclusive a madame adoecida.
Ao fim daquela tarde de dezembro, após uma rápida chuva de verão, iniciou-se a festa.
Os escravos estavam numa alegria só.
Os poucos que não quiseram mais continuar na fazenda foram embora assim que os americanos a compraram.
As pessoas que lá permaneceram estavam felizes, dentro de suas possibilidades.
Armaram uma enorme fogueira no pátio central.
Os escravos mostraram aos patrões um pouco de suas raízes.
Atabaques, cantos, danças.
Queriam mostrar aos novos proprietários um pouco de sua religiosidade.
E também, através daquele culto, demonstrar o agradecimento por uma vida melhor.
Muita carne, muita aguardente.
Sam e Mark não estavam acostumados a beber.
A pinga alterou-lhes a consciência.
No meio da festa, já estavam dançando alegremente com algumas escravas e tocando atabaques.
Adolph não era dado à bebida.
Estava bem sóbrio.
Tanto ele quanto Emily e Anna estavam encantados com a riqueza cultural daquela gente.
Como podiam ser considerados seres inferiores se eles possuíam uma cultura e uma religiosidade tão ricas?
Onde estava o erro?
Anna disse:
— É inacreditável. São tachados de seres inferiores.
E olhe o que estão nos mostrando.
— Concordo - falou Emily.
É por isso que iremos mudar muita coisa por aqui.
Estas pessoas precisam de roupas decentes, de casa decente, de higiene, de dignidade para viver.
— Eu também concordo - completou Adolph.
Eu e os rapazes estamos pensando em fazer uma casa para cada família.
Assim criaríamos uma vila, com casas, um pequeno armazém, uma escola...
Anna reforçou:
— Isso mesmo.
E também poderíamos montar um galpão para colocarmos em prática o que estudamos.
O que me diz?
— Óptima ideia, Anna.
Como não tinha pensado nisso antes?
Temos tanto espaço...
Podemos montar um grande galpão para atendermos pessoas com problemas emocionais e espirituais.
Que grande ideia!
Animadamente continuaram a conversa.
Sam, alterado pela pinga, começou a dançar com uma negrinha, inocentemente.
Ele realmente queria se divertir, no bom sentido.
Não havia maldade em sua atitude.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 10, 2015 8:12 pm

Mas não foi isso que Anna entendeu.
Ao ver o marido dançando alegremente com uma escrava, mais moça que ela e muito bonita, sentiu o sangue cobrir-lhe o rosto.
Emily e Adolph tentaram acalmá-la, em vão.
Toda a insegurança de Anna reapareceu.
Ela havia reformulado muita coisa, mas sua insegurança em relação a Sam deixava-a muito vulnerável.
Era-lhe difícil manter-se segura e firme.
Suas mãos ficaram frias, os lábios começaram a tremer.
Uma raiva surda brotou dentro de seu peito.
Anna sentiu um forte torpor e surpreendeu Adolph e Emily com um grito grave e seco:
— Calem a boca!
Não aguento mais vocês dois falando!
Emily e Adolph não sabiam o que fazer.
Anna estava transfigurada.
Jogou seu copo de pinga na cara de Adolph e saiu colérica na direcção de Sam.
— Maldito! Maldito! Você não presta!
Eu odeio você, Sam. Odeio!
Esta noite vamos acertar as contas!
Uma grave e sarcástica gargalhada saía da boca de Anna.
Avançou em seguida para seu lado:
- Sua negra imunda!
Como se atreve a dançar com o meu marido?
Não vê qual é o seu lugar? Safada!
E esbofeteou a negrinha.
Bateu tanto que logo a roupa branca da escrava estava repleta de sangue.
Sam estava aturdido.
Aquilo não podia ser real.
Beliscou-se no intuito de verificar se era realidade ou sonho.
Anna não podia estar fazendo aquilo.
Subitamente Pai Juca levantou a mão direita.
O som dos atabaques cessou.
Os negros, assustados com a atitude de Anna, estavam dispostos a correr para a senzala.
Para eles, a festa havia acabado.
Com os olhos arregalados, Emily e Adolph olhavam para Mark, assustados com a reacção da amiga.
Pai Juca fez um sinal.
Os negros, assustados, não responderam.
Ele falou algo numa língua africana.
Prontamente todos formaram um enorme círculo ao redor de Anna e Sam.
Pai Juca chamou Emily, Mark e Adolph para o centro da roda.
Pediu que os americanos fizessem um pequeno círculo ao redor de Anna.
Os negros começaram a orar em sua língua de origem.
Após alguns instantes, Pai Juca foi ao chão.
Os negros continuaram em suas orações.
Maria chegou próximo a Anna e começou a desobsessão.
— Minha filha, você não tem o direito de fazer isso.
Anna, com a voz pastosa, rouca, dizia:
— Outra negra imunda...
Cale a boca! O que quer?
— Não, minha filha, eu é que pergunto: o que quer?
Silêncio total. Anna nada falava.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 10, 2015 8:12 pm

Maria continuou:
— Você não pode simplesmente chegar e se aproximar das pessoas, usando o corpo delas para serem um veículo seu.
Os americanos concentravam-se ao máximo na oração.
Perceberam que Anna estava incorporada.
Anna interrompeu Maria:
— Eu faço o que quiser, entendeu?
Estou do lado dela há dias, mas não conseguia aproximar-me mais.
Agora a pouco a pamonha facilitou.
A insegurança dela permitiu a minha aproximação.
Ela é a responsável, não eu.
Se ela estivesse firme, não tivesse ciúme, eu não conseguiria misturar-me em suas energias.
Teria de me apresentar de outra forma.
E gargalhava sem parar.
Maria, por sua vez, continuava tranquila e firme:
— Ela facilitou, mas agora nós estamos complicando.
Olhe o tamanho da turma aqui.
Olhe os nossos guias ao seu redor.
Se você voltar a mexer com este pessoal aqui, vai amargar pelo resto da eternidade.
O corpo de Anna sacudia-se violentamente, de um lado para o outro.
Sua fisionomia foi se alterando.
Começou a sentir medo.
— Aramis! Aramis! Cadé você?
Quem são estas pessoas aqui? O que querem?
Maria explicava:
— Não querem nada, a não ser paz.
Aramis já foi pego.
Agora a vida lhe deu um basta.
Ele pensou que podia tripudiar sobre a vida, mas esqueceu que ela é soberana e vence sempre.
O caso dele agora só será resolvido com tratamento de choque.
E, se você voltar a perturbar meus amigos, estas entidades ao seu redor vão lhe dar o troco devido.
— Como se atreve? Isso é chantagem.
Você é igual àquela víbora da luz.
Esta vagabunda aqui roubou o meu marido.
Maria continuava firme:
— Ninguém é de ninguém.
Ela não roubou o seu marido.
Eles já compartilham desse amor há muito tempo.
Não misture amor com orgulho ferido.
Você está deixando a dor do ciúme ferir o seu coração.
— Não é verdade! Não é verdade!
Ele é meu e assim será até o dia em que eu não mais o quiser.
Sempre foi assim com Sam, e agora não vou mudar.
— Você até que poderia infernizar a vida deles, como vem fazendo.
Mas os graves delitos que cometeu, minha filha, tiram-lhe o direito de pleitear qualquer coisa.
Você matou e se matou, cometeu dois crimes, cujas consequências lhe negam o direito de interferir na vida dos outros desta maneira.
Anna suava frio.
Tentou agarrar Maria, mas Pai Juca não deixou.
Nervosa e chorosa, Anna gritava:
— Isso é mentira!
Eu não fiz nada! Foi Aramis.
Ele me obrigou. Foi ele.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 10, 2015 8:13 pm

— Ninguém obriga ninguém a fazer o que não quer.
Se Aramis a influenciou, é porque você permitiu.
O mesmo ocorre com Anna.
Ela não é uma vítima da obsessão.
Como ela dá mais valor ao mundo do que a si mesma, trouxe você para perto.
Mesmo que Anna aja sob a sua influência, isso não impede que nós a responsabilizemos por ter batido naquela moça ali.
E agora chegou a hora de você encarar os seus actos.
Maria tocou levemente a testa de Anna.
Os gritos que se sucederam foram horríveis.
O espírito que dominara Anna via as imagens que se formavam à sua frente, como uma tela de cinema, mostrando os crimes que ele havia praticado.
Não aguentando o teor das barbaridades, o espírito desgrudou-se violentamente de Anna.
Maria e Pai Juca tentaram segurá-la, mas em vão.
Anna foi directo ao chão, e por lá permaneceu, desmaiada, devido à perda de energia vital.
Três velhas negras saíram do círculo e começaram a dar passes em Anna.
Emily, Mark, Sam e Adolph estavam perplexos.
Anna fora possuída. Mas por quem?
O que estava acontecendo?
Pai Juca fez mais um sinal com a mão direita.
Os escravos fizeram soar seus tambores.
Minutos depois de tocarem ritmada melodia, pararam.
Pai Juca fez outro sinal com os dedos.
Os escravos abriram mais ainda o círculo.
Sam, Anna, Mark, Emily e Adolph foram colocados um ao lado do outro.
Pai Juca encostou a mão na testa de Maria.
Seu corpo deu leve estremecida.
Ela foi em direcção aos americanos.
Sua voz estava alterada, com modulação cadenciada e firme:
— Queridos amigos, estou lhes falando pela última vez.
Minha parte com vocês se encerra hoje.
Os jovens ainda não estavam entendendo nada, mas Anna, já recuperada, percebeu quem estava falando através de Maria.
— Agnes! Você está aqui?
Por que não aparece e fala?
Por que precisa usar o corpo de Maria?
— Porque só você e Adolph têm a capacidade de ver e ouvir, Anna.
O que tenho a dizer também importa a Sam, Emily e Mark.
Agnes fez uma pausa.
O ambiente já estava equilibrado novamente.
Com a ajuda dos guias dos escravos, Agnes conseguira limpar o ambiente das energias pesadas de Brenda e Aramis.
Continuou:
— Vocês todos estão ligados há muitas vidas.
São espíritos que lutaram, choraram, magoaram e amaram.
Hoje estão mais próximos da luz, visto que estão praticando o bem.
Só quem pratica o bem tem mérito para subir.
E o bem de que falo é o bem a si próprio, é o bem da alma, o bem-estar.
É sentir que vocês são tão perfeitos quanto Deus, portanto não há imperfeições.
— Antes de nascerem, vocês assistiram juntos a algumas cenas marcantes de suas últimas vidas.
O arrependimento pelo que fizeram foi tão grande que decidiram desta vez não lutar mais por dinheiro ou por poder.
Aceitaram usar o dinheiro e o poder em benefício da melhoria de suas vidas e da vida de outras pessoas.
Tomaram por missão espalhar pelo Brasil os conceitos espiritualistas.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 10, 2015 8:13 pm

— Estão conseguindo, mas precisam ainda de muito trabalho interior.
Vocês não podem baixar o padrão de pensamento.
Vejam como é fácil alguém, seja encarnado ou desencarnado, interferir em suas vidas.
Mas tudo é responsabilidade de cada um.
Cabeça boa, energia boa.
Cabeça ruim, energia pesada.
O grupo chorava sem parar.
Estavam sensíveis demais.
Seus mentores, conforme Agnes ia falando, faziam-nos recordar algumas cenas do passado.
Começavam a entender muita coisa.
Anna, em lágrimas, perguntou:
— Mas, Agnes, diga-me:
quem estava do meu lado? Quem era?
— Brenda entrou no seu campo, Anna.
Sam deu um salto do chão. Estava pálido.
O nome de Brenda trouxe-lhe calafrios.
— Você disse Brenda? - perguntou Sam, assustadíssimo.
— Sim, Brenda - respondeu Agnes.
Ela já está atrás de você e de Anna há muito tempo.
Também estava desgostosa com Mark.
Vocês três estão presos a laços de ódio e vingança por vidas e mais vidas.
Mark, que ouvira seu nome, também assustado perguntou:
— Mas como eu vou fazer?
Eu não quero mais ficar ligado a ela.
Eu não quero mais o ódio.
Agnes, através de Maria, continuou tranquila:
— Mude a sua postura. Mude o seu jeito de ser, fique no bem, confie na vida.
Nada pode afectar-lhe. Mas o tempo que tenho agora é para esclarecer alguns pontos de suas vidas.
— Como eu estava dizendo, venho acompanhando todos por muito tempo.
Estou ligada a vocês por laços de muito amor.
Traçamos um plano em que tudo deveria correr com o aval dos níveis superiores.
Brenda iria morrer jovem, assim como as crianças, naquele rigoroso inverno.
O trunfo de Brenda seria a geração dos dois espíritos que tanto ela quanto você, Sam, muito odiavam.
Assim que as crianças partissem, Brenda sofreria de uma doença específica e voltaria triunfante para o plano astral.
Para isso, pedimos a ajuda de nosso instrutor aqui deste lado, Apolónio, para que afastasse Aramis, um cúmplice de actos maldosos em muitas vidas de Brenda.
— Em sua última encarnação, há muitos anos, vocês cinco foram filhos de Brenda.
Aqui, nesta mesma fazenda, ela abrigava também dois irmãos.
Quando enviuvou, Brenda deveria repartir a herança com vocês.
Levada pela ganância dos irmãos, ela envenenou os filhos, ainda adolescentes.
Mas o destino lhe seria mais cruel.
Os dois irmãos, inimigos já de outras vidas, envenenaram-na e ficaram com toda a fortuna.
Vocês se recuperaram bem quando chegaram no plano astral.
Perdoaram Brenda. Mas a encrenca ficou entre ela e os irmãos.
Após morrer, ela os perseguiu, obsediando-os por longos anos.
Como eles eram muito violentos com os escravos, acabaram sendo mortos pelos mesmos.
Ao saírem do corpo, começaram a correr da irmã.
E, para acabar com a obsessão no astral, Brenda, depois de muito relutar, acabou aceitando ser esposa de Sam e gerar os dois irmãos assassinos como filhos.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 10, 2015 8:13 pm

— O medo inconsciente deles de serem atacados por Brenda era muito forte, a ponto de terem provocado nela dois abortos.
Ao nascerem, o ódio de Brenda foi voltando aos poucos. Infelizmente, Aramis foi atraído por esse ódio e facilitou o atentado às crianças.
Sam e os amigos estavam perplexos.
As lágrimas banhavam suas faces.
Agora Mark entendia o fato de não haver um único suspeito na época do crime.
A própria mãe havia matado os filhos.
Mark abraçou calorosamente o amigo.
Enfim haviam descoberto o assassino dos bebés.
Ao mesmo tempo em que fechavam um buraco na consciência, abriam um buraco na alma, por saberem o autor da tragédia.
Agnes parou por um tempo.
Sam, soluçando, abraçado junto a Anna gritava:
— Por quê? Por que isso comigo, Senhor?
Que prova mais dura!
Casar-me com uma assassina?
Como pude fazer isso?
Agnes voltou a falar:
— Sam, tudo foi previamente acertado.
As mortes iriam ocorrer, de qualquer maneira.
A lição consistia em manter o equilíbrio, não importando a tarefa a que fossem submetidos.
E vocês todos triunfaram.
Estão aqui, hoje, cuidando da mesma fazenda que foi de vocês em outros tempos.
Estão retomando o que lhes era de direito.
Mark chegou perto de Agnes:
— Mas há duas coisas que eu gostaria de entender:
os meus sonhos com esta casa e o porquê de Brenda ter dado cabo da própria vida.
Mark esqueceu-se de que ninguém tinha ciência do suicídio de Brenda.
Somente ele e o Dr. Lawrence sabiam da verdade.
Sam imediatamente parou de chorar.
Ele não acreditou no que Mark acabara de falar:
— O que você está falando?
Que Brenda se matou? Isso é verdade, Mark?
Não foi parada cardíaca?
Essa pergunta foi feita por Adolph, Emily e Anna ao mesmo tempo.
Todos estavam incrédulos com o que estavam escutando.
Mark calou-se.
Não conseguia falar. Voltou a chorar.
Agnes solicitou a ajuda dos guias dos escravos, que começaram a cantarolar e dar passes nos personagens envolvidos pelas tramas do passado.
Era bom saberem de toda a verdade, mas era-lhes muito duro aceitá-la toda de uma vez.
Agnes prosseguiu:
— Isso foi outro acto desagradável, Sam.
Na outra vida, ela atormentou os dois irmãos até a morte.
Agora, na última vida, foi o contrário.
Eles resolveram atormentar Brenda até o momento em que ela ficasse louca.
Aramis, para impedir que ela se afastasse dele caso morresse louca, sugeriu mentalmente o suicídio.
Foram meses obsediando Brenda, sugerindo-lhe a morte.
E assim foi feito. Tão logo Brenda desencarnou, Aramis prendeu os dois espíritos que a atormentavam.
Hoje, esses espíritos capturados estão tão concentrados em formas-pensamentos negativas e destrutivas que seus perispíritos ficaram deformados.
Mark interrompeu-a.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 10, 2015 8:13 pm

Eram muitas informações.
Mas ainda queria a resposta do sonho.
Abraçado a Sam, que copiosamente chorava em seu peito, perguntou:
— E o porquê dos sonhos que eu tinha com a casa?
Agnes pacientemente continuou suas explicações:
— Você sonhava com a casa porque era louco por ela.
Você era o filho mais velho e ajudou o seu pai a construí-la.
A casa era-lhe muito especial.
Agnes deu leve suspiro.
E então prosseguiu desvendando todos os mistérios que rodeavam a vida daqueles espíritos:
— Aramis e Brenda vieram aqui hoje para se vingar de você, Mark, de Sam e de Anna.
Eles queriam a separação de Sam e Anna.
Gerado o desequilíbrio na festa, iriam influenciar alguns escravos bêbados para atacarem Emily.
Você iria tentar defendê-la e morreria numa sangrenta e violenta luta.
Eu disse que isso iria ocorrer, mas não vai mais.
Adolph, um pouco mais calmo pelo impacto de tantas informações, perguntou a Agnes:
— Mas, Agnes, isso não é interferir no arbítrio das pessoas?
Como podemos interferir no processo de desencarne de Mark?
Já não estava escrito?
— Sim, estava escrito.
Tudo aqui no astral já está escrito.
Como os espíritos vão reencarnar, como vão viver, como vão desencarnar.
Acontece que esse é um livro que cada um de nós possui, sendo escrito a lápis.
Usando uma borracha, podemos apagar e reescrever nossas vidas.
A borracha equivale à atitude interior de cada um.
Dependendo da sua postura diante dos fatos, dos pensamentos, enfim, das situações na sua vida, você pode alterar esse livro a todo e qualquer instante.
Lembrem-se de que todos vocês, nesta vida, sofreram tragédias.
Perderam seus familiares.
Foi uma maneira de a vida mostrar-lhes o preço que pagamos pelo apego.
Vocês já tinham condições de melhorar.
Mas o sofrimento foi necessário para despertar-lhes a consciência.
Apego é falta de confiança na vida.
Para afastá-los desse vício, a vida foi tirando de cada um de vocês tudo que mais amavam, mostrando-lhes a doação, permitindo que cada um aqui pudesse crescer completamente livre, de acordo com a sua necessidade interior.
Acredito que por enquanto seja isso.
— Não - gritou Sam.
Você não pode ir embora assim.
Como vamos fazer para que Brenda não interfira mais em nossas vidas?
— Atitude - disse Agnes.
É a única ferramenta que vocês têm para afastar um espírito que venha a lhes causar problemas.
Garanto que vocês estão melhorando muito o padrão no pensamento positivo.
Aliás, foi essa atitude que permitiu nossa interferência esta noite.
Aramis e Brenda já foram levados.
— Para onde? - perguntou Anna.
— Para um local de refazimento.
Eles não têm o direito de atrapalhar a vida dos outros, embora os outros é que permitam tal interferência.
Mas chegou a hora de Brenda e Aramis ficarem isolados do mundo.
Mais adiante, num futuro não muito distante, vocês estarão todos reunidos, só que através de laços de amor.
Irão perdoar Brenda e Aramis, devido ao grau de lucidez que vêm alcançando.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 10, 2015 8:14 pm

— Disso eu duvido - disse Emily.
Por mais que mudemos nossa postura, não acredito que possamos voltar a perdoá-los.
Embora nós tenhamos atraído tudo isso, hoje, para mim, fica difícil tomar essa decisão.
— Pois é - continuou Agnes.
Você disse certo, Emily: hoje. Mas e quanto ao amanhã?
Agora eu é que duvido que amanhã vocês não vão estar se amando.
Vamos aguardar. Eu quero desejar-lhes muito sucesso.
Logo, muitos amigos estarão reencarnando aqui na fazenda.
Seus filhos irão continuar a obra que vocês estão iniciando.
Fiquem com a luz, prestem sempre atenção às suas atitudes.
Não liguem para o mundo externo, mas sim para o mundo interior de cada um de vocês.
Continuem em seus estudos, conhecendo as leis universais, o encontro com Deus e a magnitude da vida.
Agnes afastou-se de Maria.
Logo esta abriu os olhos, seu corpo deu uma leve estremecida e assim voltou a seu estado natural.
Ela olhou para Pai Juca e ele lhe deu uma piscada maliciosa. Ela entendeu a mensagem.
Os escravos voltaram a tocar seus tambores, a cantar e a dançar.
Os jovens americanos se abraçaram emocionados e, com lágrimas nos olhos, permaneceram em silêncio.
Intimamente agradeceram a Deus por terem tido o mérito de saberem a verdade sobre suas vidas.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 10, 2015 8:14 pm

Capítulo 20

O sol já ia alto e o dia estava quente.
A festa terminou em plena madrugada.
Aquele dia seria de descanso tanto para os escravos quanto para os patrões.
A fazenda Santa Carolina estava envolta no mais profundo silêncio.
Os que acordaram mais cedo se esticavam em redes, embriagados ainda pela mistura de cachaça e vinho.
Adolph e Emily já haviam acordado.
Maria serviu-lhes um bule de café bem forte, fumegante, pois ambos sentiam leve tontura causada pelo excesso de bebida.
Sentados à grande mesa da sala de jantar, discursavam, ainda emocionados, sobre a mensagem recebida de Agnes na noite anterior.
— Sabe, Emily, eu estive pensado muito nestas poucas horas de sono a que tivemos direito e cheguei a uma conclusão.
— E qual é, Adolph? - inquiriu Emily, com a boca cheia de rosquinhas de goiaba.
— Antes de começar, queria dizer que a senhora já perdeu os bons hábitos.
Está falando de boca cheia.
— Mas, Adolph, somos tão íntimos que não vejo a mínima necessidade de ficarmos presos em etiqueta.
Se dependesse de mim, Maria, Rosa, Pedro e Jacira fariam as refeições connosco.
Essas regras sociais só servem para nos separar.
— Concordo com você.
Percebo que a educação é factor preponderante para vivermos bem.
Mas a pirâmide social é calçada em valores ligados à vaidade humana.
Só têm valor ou mais educação aqueles que estão no topo.
E sabemos que às vezes os mais humildes são os mais sábios.
Ou seja, dinheiro e poder não têm nada a ver com conduta, com postura.
Ele tomou um gole de café.
Enquanto passava a faca com manteiga sobre um pedaço de bolo de fubá, continuou:
— Ontem foi um dia importante.
Aprendi muito com a história de Aramis e Brenda.
Fiquei preocupado a princípio, mas descobri que sempre estamos amparados, seja por uma força maior, seja por um espírito amigo.
Deus está sempre do nosso lado.
— Isso é verdade. Deus está sempre do nosso lado.
Se eu não perdesse minha família, não teria saído jamais de Little Flower.
Teria ficado lá, amargurando cada minuto desta preciosa vida com lamentações, xingando Deus por ter me arrancado à família.
E veja: Ele me deu uma outra linda família, que são vocês, e um lugar maravilhoso para eu reconstruir a minha vida, ao lado do meu grande amor.
— Embora Deus tudo faça, sabemos que Ele só faz através de nós, Emily.
Se você não escolhesse mudar, confrontar os seus medos, as suas dores, realmente estaria vivendo lá em Little Flower.
Mas não se esqueça de que você vem mudando, todos nós estamos mudando a cada segundo, sempre.
E, graças aos nossos estudos, temos evoluído muito.
Nada como arrancar o véu da ignorância através do estudo, não é mesmo?
— Ah, sim. O estudo é primordial.
Sem dedicação, sem a disciplina que impusemos para nossos estudos, não teríamos feito grandes mudanças em nossas vidas.
— Pois é, Emily. O conhecimento fortalece a alma humana.
Qualquer tipo de conhecimento.
— Por também pensarmos assim, eu e Mark estávamos cogitando criar aqui na fazenda uma escola para os escravos.
O que você acha?
— Fantástico! - respondeu ele, entusiasmado.
Como já estamos criando uma vila para os escravos, com casas individuais para cada família e um pequeno comércio para terem o que comprar, acredito que a escola vai ser muito importante para o desenvolvimento e progresso dessa gente.
Eles precisam do nosso apoio. E nós vamos fazer isso.
— Sim - concordou Emily, meneando a cabeça.
Mas quem vai dar aulas para as crianças?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 11, 2015 8:32 pm

Você é o único "brasileiro" da nossa turma, mas também tem todo o tempo tomado com as obras das casas, com a administração do dinheiro.
Eu e o resto do pessoal aqui estamos ainda penando com o português.
— Isso é verdade.
Tenho muitas coisas para fazer e vocês têm um português apenas razoável - disse ele rindo, bem-humorado.
Contudo, quem sabe não possamos trazer uma professora ou professor lá da cidade?
Só não sei se vamos conseguir, porque é difícil encontrar professores que aceitem dar aulas a negros.
— Estava me esquecendo desse ponto - disse Emily acabrunhada.
Será que o bonitão da fazenda aqui ao lado não conhece alguém?
Ele me pareceu tão simpático.
— Maria já me disse.
Você e Anna ficaram encantadas com o cavalheiro.
Estou sabendo.
E assim continuaram a prosa, num ambiente descontraído e alegre.
Próximo à hora do almoço, uma charrete chegou rápida até a casa-grande.
Um negro corpulento, de altura considerável e olhos assustados, correu para a soleira da porta da cozinha.
— Dona Maria, Dona Maria! - gritou o rapaz.
Maria prontamente largou seus afazeres e foi ao encontro do visitante.
Limpando as mãos em seu avental, perguntou:
— Bento, quanto tempo!
O que faz aqui com essa cara tão assustada?
— Sabe o que é, dona Maria?
Lá na fazenda a sinhá está muito mal.
Não sei o que vamos fazer.
Os rapazes estão tentando tudo, mas ela está cada dia mais fraca.
A senhora não podia ir lá ajudar agente?
Adolph e Emily ainda se encontravam em demorada e alegre conversa.
Estavam sentados na varanda e viram quando a charrete chegou.
Dirigiram-se até Maria, para saber o que estava acontecendo.
— Sinhá Emily, este é Bento, um amigo da fazenda aqui vizinha.
A sinhá dele está muito mal, sendo que eu preciso fazer umas rezas para a ela.
Adolph e Emily se olharam.
Ele perguntou:
— Qual o problema dela, Maria?
— É espiritual, sinhó. Desde que o marido morreu, ela está assim.
Eu acho que ele não quer se desgrudar.
Era muito apegado, muito possessivo.
— Então vamos juntos - disse Emily.
Depois do que passamos ontem à noite, acredito estarmos em condições de ajudar você em suas rezas. Vamos?
— Mas e o resto do pessoal? Tenho que terminar o almoço, sinhá. Estão todos se levantando.
— Ora - disse Adolph —, deixe o resto do almoço com Rosa e Jacira.
Não acredito que vamos comer muita coisa hoje.
Estamos um pouco de ressaca.
E, pela cara desse sujeito, a patroa dele deve estar muito mal. Vamos todos.
Bento levou Maria em sua charrete.
Pedro preparou a carruagem e levou Adolph e Emily até a propriedade vizinha.
Em pouco mais de meia hora, chegaram à fazenda.
Enquanto se dirigiam até a casa-grande, Emily fazia perguntas a Maria:
— O bonitão lá da cidade, então, não é marido dela?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 11, 2015 8:32 pm

— Não, senhora. Ele é um grande amigo, só isso.
Pelo que sei, ele e mais outro rapaz moram aí com ela.
Bento conduziu Maria até os aposentos da patroa enferma.
Adolph e Emily permaneceram na varanda da casa.
Alguns minutos depois, Bento, com os olhos assustados e as mãos trémulas, apareceu na varanda:
— Dona Maria está pedindo que vocês venham até o quarto. É urgente.
Levantaram-se rapidamente e procuraram manter a calma.
Só poderiam ajudar a mulher caso estivessem com a mente em equilíbrio.
Entraram pela sala de estar.
Num sofá bem grande, estava deitado um rapaz com as mãos sobre o rosto.
Percebia-se que ele estava muito angustiado com a situação.
Adolph e Emily procuraram manter silêncio para não o perturbar.
Chegando perto do corredor que dava acesso aos quartos, foram surpreendidos por um grito, misto de emoção e espanto, vindo do rapaz no sofá:
— Adolph? É você mesmo?
Adolph?
Adolph estava entre Bento e Emily.
Ao voltar-se para quem estava gritando, surpreendeu-se.
A emoção foi muito forte.
Bento teve de segurá-lo para que não fosse ao chão.
Emily não estava entendendo nada:
— O que houve?
Adolph não encontrava palavras para expressar seu estupor.
Seus lábios passaram a tremer e lágrimas escorriam de seus olhos, lavando seu rosto.
O mesmo ocorria com o rapaz à sua frente.
— Adolph, Deus mandou você.
Não acredito que o esteja vendo.
É verdade, meu amigo?
Adolph abriu e fechou a boca, sem conseguir articular som.
Correu pela sala e abraçou fortemente seu amigo sumido.
— Augusto! Meu Deus do céu!
Como pode uma coisa dessas?
Eu sinto tanta falta de vocês que às vezes sinto o meu coração chorar de saudade.
Continuaram abraçados por algum tempo.
Emily e Bento olhavam-se com um ar interrogativo.
— Mas o que você faz aqui?
— Eu é que pergunto, Adolph.
O que você faz aqui?
Pensei que estivesse nos Estados Unidos.
— E eu pensei que vocês tivessem fugido de mim.
E Carlos, onde está?
— Ele está lá no quarto. Adolph, temos tanta coisa para conversar...
— Com certeza. São dez anos sem saber onde estavam.
Eu não sabia sequer se estavam vivos.
E agora encontro você aqui como meu vizinho.
— Ah, então você faz parte da sociedade de americanos que compraram a fazenda de Alberto?
— Sim. Esta aqui é Emily.
Acho que vocês já se conhecem.
— Mais uma vez, prazer, minha senhora.
— O prazer é todo meu - disse Emily, encantada com a beleza de Augusto.
Adolph estava ainda tomado por forte emoção.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 11, 2015 8:32 pm

Precisava aquietar-se para poder ajudar a mulher enferma primeiro, e depois continuaria a conversar com os seus grandes amigos brasileiros.
— Adolph, só mesmo o dedo de Deus.
Eu e Carlos já tentamos fazer mentalização, orações, tudo que se possa imaginar, mas debalde.
Não estamos conseguindo o efeito desejado.
Você, e só você, é que poderá salvá-la.
Um brilho emotivo passou pelos olhos de Adolph.
Sentiu um pressentimento, mas considerou-o louco demais.
Apesar disso, não conseguia deixar de pensar nele.
Suando frio, perguntou ao amigo, com a voz embargada:
— Augusto... Não me diga que...
— Sim, Adolph. Helène está muito mal.
Sinto ser obsessão.
Só a força do seu amor poderá nos ajudar a tirá-la das amarras energéticas de seu marido.
Adolph teve ímpetos de gritar.
A ideia de estar próximo a Helène deixava seu peito em chamas.
O calor tomou conta de seu corpo.
Emily abraçou-o enternecida.
Com voz que procurou tornar amável, disse:
— Querido, veja como a vida é fantástica.
Você, sempre triste por não poder ter o seu amor, e agora fica com esta cara?
Devemos primeiro agradecer a Deus por permitir o reencontro.
— Não sei se devo.
Estou com o meu coração querendo sair pela boca
É muita emoção. Primeiro eu reencontro meu grande amigo, quase um irmão, e agora vou rever o meu grande amor.
Estou tremendo tal qual taquara agitada pelo vento.
— Por certo, Adolph, você tem o direito de se sentir assim.
Mas ela precisa muito de nossa ajuda e agora ainda mais da sua.
Não pára de falar em você.
Desde que o barão morreu, ela só pensa em tentar uma maneira de reencontrá-lo.
E solteiro, se possível.
Adolph não se conteve e sorriu emocionado:
— Estava esperando por ela, Augusto. Até hoje.
Faz dez anos que não me relaciono com ninguém.
Sempre tive a confiança, lá no fundo, de que um dia reencontraria minha Helène.
— Então não vamos perder tempo - disse Emily.
Maria está lá dentro.
Vamos, Adolph, dê-me aqui a sua mão e vamos para o quarto.
Seguiram para o dormitório de Helène.
Adolph foi estugando o passo, suando frio.
Apertava com força a mão de Emily.
— Calma, amigo - recomendou-o.
— Vamos pensar em Agnes, em Júlia.
Vamos nos sintonizar com os nossos amigos espirituais.
Vamos pedir ajuda a eles.
Tenho certeza de que não estamos aqui por acaso. Vamos.
Emily deu algumas batidas leves na porta.
Ouviram Maria lá dentro dizer:
— Entrem, por favor.
Abriram a porta.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 11, 2015 8:32 pm

O quarto estava parcialmente escuro.
Um pequeno candelabro próximo à cama iluminava parcamente o rosto de Helène.
Adolph não conteve o pranto.
Teve ímpetos de jogar-se sobre a amada.
Deitada na cama, com os cabelos em desalinho, a pele branca como cera, emitindo fracos gemidos de vez em quando, estava Helène.
Não lembrava a linda mulher de dez anos atrás.
O sofrimento estava estampado em seu rosto.
Adolph ajoelhou-se.
Pegou as mãos da amada, agora brancas, magras e enrugadas, e beijou-as repetidas vezes.
Sem nada dizer, intimamente proferiu comovida prece.
Maria viu o espírito do barão no canto do quarto.
Estava afónico, com dores por todo o corpo, principalmente no peito, pois morrera de ataque cardíaco.
Augusto e Carlos posicionaram-se um em cada lado da cama.
Levantaram as mãos para o alto e logo depois as colocaram próximas à testa de Helène.
Adolph continuou ajoelhado junto à cama, segurando as mãos dela.
Cenas e sentimentos misturavam-se em sua mente.
Procurava controlá-los e concentrar-se na oração.
Emily posicionou-se aos pés da cama.
Concentrou-se e proferiu sentida prece.
Maria podia enxergar além, e foi notando como o quarto foi se iluminando a medida que Emily ia orando.
Luzes coloridas saíam das mãos dos rapazes, entrando pela testa de Helène, revigorando seu corpo.
Maria sentiu que Agnes se aproximava.
Fechou os olhos, deu leve suspiro.
Maria, envolvida pelas energias de Agnes, dirigiu-se até o barão.
— Não chegue perto - alertou ele.
Só estou esperando-a morrer para partirmos juntos.
Mais uns dias e tudo estará acabado.
Não perturbarei mais ninguém.
— Você não pode se colocar no lugar de Deus - disse Agnes através de Maria.
— Somente Ele é que pode decidir o que é melhor para cada um.
Você já fez a sua parte na Terra.
Agora é hora de partir.
— Não vou fazer isso.
Posso deixar as terras, as propriedades para os amigos dela, não me importo.
Mas ela tem de vir comigo. Eu a amo demais.
Será minha para todo o sempre.
— Será que não está confundindo amor com apego?
Será que você realmente a ama?
Saiba que quem ama liberta, deseja a felicidade do ser amado.
Não tem medo de ficar separado do ser querido, e por conseguinte tem a vida a seu favor.
Quem ama nunca perde.
— Mas eu estou perdido. Perdi meu amor.
Helène é a minha mulher. Não posso viver sem ela.
— Não pode viver sem ela? Será?
Você não vivia antes de encontrá-la?
Não era feliz com o que tinha?
Ou será que tentou conquistá-la por capricho, para mostrar ao mundo que você podia fazer o que quisesse, inclusive comprar o amor?
Será que a sua vaidade não era maior do que qualquer outro sentimento seu?
O barão estava inquieto.
Não se levantara porque a dor no peito era muito forte.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 11, 2015 8:32 pm

Com a voz fraca e afónica rebateu:
— Não é verdade.
Sempre tive tudo que quis na vida.
— Sim, você teve tudo que quis.
Mas nunca suportou ouvir um "não" dos outros.
E Helène disse-lhe um "não".
Disse estar apaixonada por outro.
Você enlouqueceu e quase a matou.
Disse-lhe que, caso ela não se casasse com você, Adolph e seus amigos iriam morrer.
E que ela não teria mais ninguém no mundo.
Será que isso é amor, barão?
Será que o seu orgulho não consegue enxergar que tudo foi ilusão? Que o jogo acabou?
— Se ela me tivesse dito, sim, talvez eu a abandonasse.
Mas sempre gostei de desafios.
— Sim, e deixou seu grande amor escapar, não é mesmo?
— Do que você está falando?
— Do seu grande amor.
Da linda garota que o amou na juventude. Lembra-se dela?
Seus pais não permitiram que se casassem porque ela não era de família rica, era uma pobre camponesa.
Ele se sentiu invadido.
De onde ela tirara aquela história?
— Não sei do que está falando...
Ele sabia. Mesmo doente, tentou dissimular.
Um tremor gélido percorreu seu espírito.
Cenas do passado vinham-lhe à mente.
A jovem camponesa... Sua dor por não poder desposá-la...
Sua ira contra os pais... O desastre...
— Pois é, barão - continuou Agnes —, numa tentativa de fuga sua e dela, ocorreu à tragédia.
Seus pais, temerosos de que vocês se unissem, perseguiram-nos.
Sei que foi muito difícil perder o amor de Fátima.
O barão desatou a chorar.
Como aquela mulher sabia de seu segredo?
Por que lhe trazia mais dor naquele momento?
— Você não tem o direito de mexer no meu passado.
— E você não tem o direito de influenciar a vida dos outros.
Helène não tem culpa do que aconteceu com você.
Deixe-a viver a vida que Deus lhe deu.
Não permita que seu orgulho ferido prevaleça.
Helène não vai substituir o amor de Fátima no seu coração.
O barão definitivamente se entregou.
Sentidas lágrimas escorriam pelo seu rosto sofrido.
Ele sabia, no fundo, que havia se unido a Helène por orgulho, por vaidade.
E, agora que a ferida estava aberta, sentia novamente o seu amor por Fátima.
— Mas não se preocupe, barão.
Você vai conseguir superar tudo isso.
— É fácil falar, você não está na minha pele.
Aliás, pele eu nem tenho mais.
Você não está no meu lugar, é fácil avaliar.
Não dói em você, certo?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 11, 2015 8:33 pm

— Claro que não.
O barão plantou, agora está colhendo.
É simples. A responsabilidade é toda sua.
Mas se estiver disposto a mudar, a querer se desenvolver, evoluir, aprender o verdadeiro sentido do amor, eu posso lhe ajudar.
— Como vai me ajudar?
Agnes fez um sinal.
Um enorme arco iluminado abriu-se na frente do barão.
Aos poucos, uma linda moça foi surgindo:
morena, olhos grandes e verdes, cabelos cacheados balançando suavemente entre os ombros.
Trajando um lindo vestido verde-pérola que realçava seu corpo bem-feito, a jovem se aproximou do barão.
— Meu amor, quanto tempo!
Estou aqui. Vim lhe buscar.
Agora estamos prontos para continuarmos juntos, sem impedimentos.
Venha comigo, Heinz.
— Fátima! Minha Fátima, perdoe-me.
Não traí você.
Casei-me com Helène somente para esquecer-me da tragédia.
Eu estava maluco, estava a ponto de me matar.
Sou um canalha!
— Não é, meu amor.
Você fez o que achou melhor.
Poderia ser outra mulher.
Mas a vida usou Helène não por acaso.
Cada um precisa de certas experiências na vida.
E Deus vai unindo as pessoas, entrelaçando seus destinos, de acordo com a lição a ser aprendida.
Você fez o melhor possível, mesmo tomado pela vaidade e pelo orgulho.
Mas não tem mais tempo para lástimas.
Agora é hora de começarmos uma nova vida juntos.
Tenho certeza de que a partir deste momento saberemos dar valor ao nosso amor.
Ela estendeu as lindas e delicadas mãos para o barão.
Vagarosamente ele foi se levantando.
Fátima pegou-o pelos braços e deu-lhe um demorado beijo nos lábios.
— Meu amor, vamos embora.
E assim foram caminhando por um corredor comprido e estreito, iluminado por raios das mais variadas tonalidades.
O barão despediu-se de Agnes com um aceno.
Partiu com Fátima para um local de refazimento.
Agnes fez linda e comovida prece de agradecimento e se foi.
Maria estremeceu levemente e abriu os olhos.
Emily continuava orando e os rapazes continuavam energizando o corpo de Helène.
Adolph estava mais calmo.
— E agora, Maria, o que faremos?
— Nada, patrão. Por ora, nada.
O barão já foi embora.
Graças às orações e vibrações de todos vocês aqui no quarto, os espíritos conseguiram tirá-lo daqui.
Foi emocionante.
— E minha Helène, ela vai resistir?
— Claro que vai.
Ela estava sendo obsediada, sugada pelo barão.
Agora que ele se foi, espero que ela fique bem.
— Como assim, espero? Ela pode piorar?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 11, 2015 8:33 pm

— Depende dela, sinhó.
Se ela acredita que não é boa o bastante, que é imperfeita, vai atrair uma legião de gente que pensa como ela, tanto do nosso mundo quanto do outro mundo.
Agora, se ela firmar o pensamento no bem, no melhor, ninguém chega perto, a não ser espírito de luz.
— Maria, você tem razão.
Confiar no bem, entregar-se ao bem, eis a lição.
— Sim, patrão. Não adianta ler os livros e achar que está protegido.
Precisamos sentir em nossos corações o bem real.
E olhar com os olhos do bem também.
Esta é a verdadeira comunhão com Deus, com o universo, com a vida.
Todos se sentiram tocados com as palavras de Maria.
Sabiam que ela não estava incorporada.
Falava com a alma.
Helène começou a remexer-se na cama.
Os rapazes terminaram a energização.
Lentamente ela abriu os olhos.
Acreditou estar morta.
— Adolph, meu amor, você veio me buscar.
Agora estaremos juntos no céu.
E voltou a adormecer. Adolph recomeçou a chorar.
Beijou repetidas vezes o rosto de Helène.
Com voz que a emoção enrouquecia, disse:
— Não, meu amor, eu nunca mais vou deixá-la partir.
Ficaremos juntos para sempre, eu prometo. Eu a amo demais.
— Está bem, sinhó. Ela sabe e todos nós sabemos.
Mas agora vão até lá fora que eu vou arrumar a sinhá Helène.
— Eu fico com você, Maria - disse Emily.
Os rapazes saíram do quarto.
Adolph estava embriagado pela emoção.
Era muita coisa num dia só.
Além de encontrar seus dois maiores amigos, reencontrava seu grande e verdadeiro amor.
Abraçou demoradamente Carlos.
Ambos choraram muito.
— Amigos, quanta falta!
Como senti saudade de vocês, meus companheiros de verdade.
Agora podem me dizer o que aconteceu, antes que eu morra de vez sem saber?
Riram bem-humorados.
O ambiente estava leve, descontraído.
Augusto e Carlos estavam radiantes por terem encontrado Adolph novamente.
Carlos, mais ponderado, começou a falar:
— Tudo aconteceu naqueles dias em que você foi com seu pai para a Itália.
Helène já vinha sendo assediada pelo barão havia um bom tempo.
Aliás, mesmo antes de você aparecer na vida dela.
Helène estava cansada da vida que levava em Paris, lá no bordel.
Quando conheceu o barão, percebeu a real possibilidade de mudar de vida, mesmo sem amor.
Para Helène não existia amor. Até encontrar você.
Adolph permanecia em silêncio, com os olhos marejados.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 11, 2015 8:33 pm

Carlos continuou:
— Helène tentou livrar-se do barão.
Quis voltar atrás e acabar com a relação.
Disse que estava amando outro.
O barão sabia tratar-se de você.
Jurou que, se Helène o largasse, ele mandaria matar você.
Ela ficou muito assustada, pois sabia que o barão tinha amigos influentes na Europa.
Astuto e ardiloso, ele imaginava ser impossível você os encontrar aqui no Brasil.
Lá em Paris acertou com o pai de Alberto a compra desta fazenda.
Eu e Augusto, com medo do que pudesse acontecer a Helène, nos prontificamos a acompanhá-los até o Brasil, pois nem ele nem ela falavam português.
Helène percebeu que não havia saída e que comigo e Augusto por perto as coisas não seriam tão difíceis.
Carlos suspirou. Adolph surpreendia-se com cada palavra.
— Achávamos que, assim que chegássemos ao Brasil, poderíamos tramar uma fuga.
Fomos inocentes.
O barão, com a sua influência, havia comprado muita gente aqui.
Eu e Augusto fomos morar na capital, mas as coisas por lá não estavam nada boas.
— Compreendo - disse Adolph —, não deve ser fácil para vocês viverem juntos no Rio de Janeiro.
Por que não continuaram em Paris?
Não estava tudo mais fácil por lá?
— Sim, estava - disse Augusto.
Mas, Adolph, Helène é como uma irmã para nós.
Você também. Se não estivéssemos por perto, nunca saberíamos o paradeiro dela.
— Isso é verdade.
Mas vocês abriram mão da liberdade de vocês por nós?
— E daí? Isso não é o fim, Adolph.
Não nos sentimos culpados pelo sentimento puro que carregamos dentro de nós.
Também é um grande treino. Não é fácil.
Augusto continuou:
— Muitos pensam que escolhemos este tipo de vida, o que digo ser mentira.
O espírito já carrega suas preferências afectivas.
O mundo não nos influencia.
Adolph, passando delicadamente a mão pela cabeça dos amigos, disse:
— Vocês são verdadeiros homens.
Abdicaram de uma vida boa na Europa, vieram enfrentar os preconceitos aqui no Brasil, só para estarem perto de Helène.
Isso não tem preço.
Serei grato a vocês por toda a minha vida.
— Agradecemos - tornou Carlos.
A pressão na cidade estava grande.
Durante o dia passávamos bem, mantendo-nos em postura digna diante da sociedade.
Mas, na calada da noite, muitas das pessoas desta sociedade corriam ao nosso encontro, nos tomando por devassos.
Helène não estava suportando ficar sozinha na fazenda e, sabendo da situação aviltante em que vivíamos na corte, fez o convite para passarmos uma temporada com ela.
O barão tratava-nos muito bem.
Não se importava com o nosso relacionamento.
Era até engraçado, porque ele preferia nos ter por perto, sabendo que nenhum de nós iria tentar algo com sua esposa.
Caíram em sonora risada.
Adolph novamente abraçou-os.
— Vocês são meus irmãos. Adoro vocês.
E tudo que estiver ao meu alcance eu farei para que ninguém os amole.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 11, 2015 8:33 pm

Maria e Emily apareceram na sala.
— Sinhozinho Adolph, a sinhá Helène quer ver o senhor. Por favor.
Adolph levantou-se.
Seu coração estava a ponto de saltar pela boca.
Não conseguia segurar a emoção.
Com as pernas bambas, foi para o quarto.
Emily ficou sentada na sala, conversando com Augusto e Carlos, enquanto Maria foi para a cozinha preparar um café.
Adolph entrou no quarto. Helène estava bem melhor.
O rosto mais corado, os cabelos lindamente penteados.
Sentiu que os toques femininos de Emily e Maria haviam alcançado um bom resultado.
Com a voz cansada, ela sussurrou ao amado:
— Chegue mais perto, querido.
Ele se abaixou e amorosamente tomou-lhe as mãos:
— Meu amor, nunca mais a deixarei.
Por nada neste mundo.
Você é a mulher que eu amo. Sempre a amarei.
— Eu também, Adolph, eu também. Desculpe-me.
— Desculpá-la de quê?
Você não teve culpa de nada.
— Não é isso. Eu falhei comigo, como ser humano.
Tive medo de dizer "não" ao barão, de enfrentá-lo.
Ele não era um homem mau. Nunca me maltratou.
Só queria o meu amor, à força.
E eu não soube me posicionar.
Eu me sentia inferiorizada, sem valor.
Sucumbi e aqui estou.
Desde que o barão morreu, há um ano, eu venho sentindo a presença dele.
Augusto e Carlos me ajudaram muito, caso contrário eu enlouqueceria.
Mas a vida me mostrou que eu estava certa.
Você está aqui, esta é a maior prova de que ninguém pode tirar de nós aquilo que nos pertence.
A vida sempre vence, e estamos aqui, juntos.
— Helène, meu amor.
Ao meu lado, você vai ter os dias mais felizes de sua vida.
Farei de você a mulher mais feliz do mundo.
Se quiser, podemos voltar a Paris e recomeçar nossas vidas.
— De jeito algum.
Eu quero viver aqui no Brasil.
Eu amo esta terra, esta gente.
Afeiçoei-me muito aos escravos, consegui grandes melhorias em termos de trabalho, alimentação e moradia.
Quero recomeçar minha vida aqui, ajudando estas pessoas.
O barão deixou-me muito dinheiro, Adolph.
Sou uma viúva muito rica.
Olhe que partido!
Sorriram e abraçaram-se.
Adolph beijou-lhe os lábios com amor, repetidas vezes.
Esqueceu-se do estado prostrado da amada e deitou-se ao seu lado.
Por dez longos e sofridos anos ele esperou por aquele momento.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 11, 2015 8:33 pm

Capítulo 21

Júlia encontrou Agnes sentada em um banco, situado em lindíssimo bosque.
— Agnes, você anda muito pensativa ultimamente.
Agora que as coisas estão resolvidas lá na Terra, por que não vamos tratar de nossas coisas por aqui?
Temos tanto por fazer.
— É isso que venho pensando, Júlia.
Vou ter uma reunião com Apolónio logo mais.
Estou pensando em uma coisa. Quer ouvir?
Júlia meneou afirmativamente a cabeça.
Agnes começou a confiar-lhe o que tinha em mente.
Júlia ficou estupefacta com o relato.
— E então, concorda em participar disso comigo, Júlia?
Você é a pessoa mais próxima, poderia me ajudar nessa tarefa.
— Pensando bem, Agnes, concordo com você.
A que horas você vai ter com Apolónio?
— Agora mesmo. Já está na hora.
Foram até a sala de Apolónio, que ficava na cobertura de um imenso prédio.
Da cobertura pendiam trepadeiras, que se agarravam à estrutura do edifício, em direcção ao chão, dando-lhe uma aparência belíssima.
— Meninas, que bom revê-las!
Quase tive de intervir no caso dos americanos, mas vocês foram firmes.
— Obrigada - responderam as duas.
— Devido ao facto de terem sido bem-sucedidas nesta missão, o plano maior decidiu que vocês podem partir desta colónia, estão aptas a irem para outras esferas.
Ambas se olharam. Agnes tomou a palavra.
— É sobre isso mesmo que queremos conversar, Apolónio.
Queremos voltar para a Terra.
— Como?
— Isso mesmo. Queremos voltar.
— Vocês não têm mais a necessidade de voltar.
Estão livres da reencarnação.
Por que isso agora?
— Porque nos envolvemos demais com nossos amigos na Terra.
E gostaríamos de fazer parte do centro que eles vão montar em breve.
Queremos estar lá, em carne e osso, participando dessa obra.
— Mas, Agnes, você não precisa disso. Nem você, Júlia.
Podem ir ter com eles a hora que quiserem.
Vocês estão aqui há tantos séculos.
Vão se submeter a viver na Terra?
Pensem bem, há outros planos melhores esperando por vocês.
— Já pensamos - tornou Agnes, firme.
Depois que terminarmos esta tarefa, iremos para outros planos.
Mas, agora, a minha alma e a alma de Júlia clamam pelo retorno.
E, afinal de contas, o que são sessenta, setenta anos na Terra?
É muito pouco.
Por isso, queremos sua permissão para partirmos o mais rápido possível. Juntas.
Ele não sabia o que dizer.
Era-lhe incomum um pedido como o delas.
Só mesmo duas almas fortes e em cumplicidade intensiva com Deus poderiam solicitar um pedido desses.
— Está bem. Se desejarem ajudá-los dessa forma, assim será feito.
E pelo jeito já devem ter marcado entrevista com os pais encarnados.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 11, 2015 8:34 pm

Ambas sorriram. Júlia limitou-se a dizer:
— Vamos tirar os pais do corpo hoje à noite e conversaremos com eles.
Tenho certeza de que vão concordar e aprovar.
— Vocês são terríveis!
Fizeram tudo premeditadamente.
Não tenho como não concordar.
Como presente de encarnação, vou solicitar uma dupla de mentores de primeira linha, que irão ajudá-las em todos os momentos.
Agradeceram emocionadas.
Abraçaram Apolónio.
De mãos dadas, Agnes e Júlia foram caminhando entre bosques floridos, na colónia Encantada, aguardando o momento de se prepararem para o retorno a Terra.
Helène juntou-se ao grupo dos americanos.
Sua chegada foi comemorada com alegria e festa.
Simpatizaram-se na hora.
O reencontro estava selado.
Adolph e Helène, Sam e Anna, Mark e Emily.
Os três casais agora estavam juntos para continuar com a missão a que se haviam proposto.
A fazenda dos americanos e a de Helène, de Augusto e de Carlos foram transformadas em uma única propriedade.
A fazenda Santa Carolina tornou-se uma das maiores propriedades privadas tio Rio de Janeiro.
Com o passar dos anos, foram dando dignas condições de vida aos escravos.
Ao fim da escravidão, muitos fazendeiros perderam suas colheitas, pois os escravos libertados foram para a cidade.
Os escravos dos americanos ficaram.
A abolição para eles não significou nada.
Já se sentiam livres vivendo em Santa Carolina.
Isso ajudou Adolph, Mark e Sam a aumentarem suas fortunas.
Era a única fazenda com larga produção de café da região.
Não perderam suas colheitas.
Em pouco tempo, já estavam com uma refinaria de açúcar, aumentando as instalações da fazenda e gerando prosperidade na região.
Formaram um grande centro de aprendizado e desenvolvimento espiritual.
Todos se dedicavam ao estudos e acolhiam, com prazer, as novas ideias sobre psicologia, metafísica e espiritualidade que chegavam com o advento do século XX.
Muitos ex-escravos aderiram aos estudos, ajudando nos trabalhos espirituais.
Assim, na virada do século, com os filhos adultos, os três casais haviam cumprido a missão à qual se propuseram antes de reencarnar.
Já maduros e sem tanta disposição para viagens, Sam e Anna tinham de tomar uma decisão em relação à casa que possuíam nos Estados Unidos.
Norma morrera havia alguns anos, e os netos do Dr. Lawrence, também já falecido, tomavam conta da propriedade.
O dinheiro da aposentadoria de Mark estava ainda sendo regularmente depositado no banco de San Francisco.
Precisavam dar um jeito nas coisas.
Numa noite quente de verão, sentados na varanda do centro, após terminarem os trabalhos espirituais, começaram a trocar ideias sobre seus negócios nos Estados Unidos.
Sam, com leve pigarro, pausadamente começou a falar:
— Meus amigos, devemos resolver nossas pendências na América.
Eu e Anna não pretendemos mais voltar.
Deram muitas risadas.
Mesmo com a idade avançada, todos mantinham um vigor e uma vitalidade incríveis.
Não se deixaram abater pelo passar dos anos.
Estavam muito conservados.
A pele de todos ainda possuía muito viço. Mark prosseguiu:
— Minha família sempre envia cartas dizendo que eu preciso fazer alguma coisa com o dinheiro que tenho no banco.
Estava pensando em mandar um de nossos filhos para San Francisco.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 11, 2015 8:34 pm

— Acontece - continuou Sam — que eu não tenho como fazer uma procuração aqui para que meu filho possa vender a nossa casa.
Procuração brasileira não serve.
Helène, a mais animada de todos, questionou:
— Por que não vamos todos aos Estados Unidos?
Eu não conheço a América.
Mesmo velha, ainda sinto que posso viajar.
Estamos trabalhando tanto no centro, nos dedicando de segunda a domingo.
Por que não deixamos nossos filhos tomarem conta de
tudo e partimos em viagem de lua-de-mel?
— Lua-de-mel? - perguntou Emily, com espanto na voz.
Todos caíram na risada.
Só mesmo a espiritualidade de Helène para fazer uma proposta dessas.
— Lua-de-mel, sim, senhora.
Emily, nós estamos com mais de sessenta anos.
Temos muito pela frente.
Espero que mais uns vinte pelo menos.
Começaram a discutir alegremente.
A ideia era-lhes muito atraente.
Deixariam os negócios e o centro nas mãos dos filhos e ficariam um tempo fora.
Pela idade que tinham, sentiam ser aquela a última chance de poderem viajar até os Estados Unidos.
Helène tinha razão.
Tal qual crianças em dia de festa, despediram-se dos filhos no porto do Rio.
— Papai, ainda achamos que vocês estão com há idade um pouco avançada para fazerem uma viagem tão longa.
Não acha que podíamos resolver isso de outra forma?
— Donald, meu filho - respondeu Mark —, não se preocupe.
Queremos farrear. Vamos nos divertir muito.
Faz mais de trinta anos que eu, sua mãe e seus tios não viajamos.
Pode ficar tranquilo, que estaremos muito bem.
São poucos meses.
Logo estaremos aqui de novo. Não se preocupe.
O vapor partiu do Rio de Janeiro rumo a Buenos Aires.
De lá o navio iria contornar o oceano Pacífico, subindo em direcção aos Estados Unidos.
Era uma viagem muito longa, mas estavam ansiosos e, por que não dizer, saudosos do país de origem.
Semanas se passaram.
Numa tarde ensolarada, com leve brisa vinda do oceano, o navio aportou na baía de San Francisco.
Uma linda cidade, completamente diferente do Rio de Janeiro.
O estilo das casas, o jeito das pessoas, tudo era diferente.
Helène estava impressionada.
San Francisco tinha alguma coisa de Paris, sua terra natal.
A paisagem era-lhe muito familiar.
Sam, Anna, Mark, Emily e Adolph contemplavam cada edifício, cada rua, cada detalhe da cidade.
Seus olhos não deixavam escapar nada.
Estavam atentos a tudo.
A América havia mudado muito.
O país entrara no novo século como uma ameaça ao poderio inglês, crescendo a olhos vistos.
Sam, Mark e Adolph sentiram orgulho daquela terra.
— Vejam - disse Adolph.
E nós achamos um dia que este país iria afundar.
Meu Deus, como cresceu!
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 11, 2015 8:34 pm

— Você tem razão, Adolph - afirmou Sam.
O país cresceu muito. É uma potência.
Mas não vivo mais sem café, sem feijão, sem pinga...
Foram conversando animadamente no caminho do porto até o hotel.
Instalaram-se em um prédio sumptuoso, finamente decorado.
Ficava próximo à baía de San Francisco.
Da janela dos quartos, podia-se avistar o mar.
Resolveram jantar num restaurante próximo ao hotel.
Queriam respirar um pouco do ar americano.
Estavam muito saudosos.
Adolph mostrava para Helène os pontos turísticos, a vida nocturna alegre e agitada da cidade.
Fizeram delicioso jantar num sofisticado bistrô próximo à baía.
Conversaram sobre os negócios a serem feitos.
Queriam terminar tudo o mais rápido possível.
Embora saudosos da América, sentiam-se muito brasileiros.
Durante o jantar, Sam disse:
— Bem, amigos, depois de amanhã partiremos de San Francisco.
Pegaremos o trem que nos levará até Ohio.
Chegando lá, vendemos a casa e depois vamos para Nova Iorque.
Ficamos uma semana lá e depois partimos rumo ao Rio de Janeiro.
— Ah, Sam - suspirou Helène —, como eu quero conhecer Nova Iorque...
É uma cidade tão chique, tão glamurosa.
Nem acredito que vou realizar este sonho.
— Comigo, meu amor - disse Adolph —, você pode realizar todos os sonhos de sua vida.
Beijou-a com amor e foram aplaudidos pelos amigos.
Ao término do jantar, estavam cansados.
Resolveram voltar ao hotel. Precisavam descansar.
O dia seguinte seria tomado por passeios, idas ao banco e compras.
Despediram-se calorosamente e cada casal foi para o respectivo quarto.
Anna, ao deitar-se, beijou Sam com paixão, repetidas vezes.
Bem-humorado, ele a tomou nos braços:
— Hum... Estou me lembrando daquela noite na varanda, enquanto você apanhava aqueles cacos de vidro, recorda-se?
— E como não, meu querido?
Foi uma das noites mais lindas que tive ao seu lado.
Maliciosamente, Sam sussurrou no ouvido de Anna:
— Que tal continuarmos?
Acredito que Adolph não irá nos atrapalhar desta vez...
Riram bem-humorados e entregaram-se ao amor que extravasava de suas almas.
Dormiram abraçados.
Cinco e quinze da manhã.
Um forte e assustador tremor de terra foi sentido por toda a cidade.
Durou somente um minuto.
Milhares de casas e prédios foram destruídos.
Um grandioso incêndio iniciou-se mal a terra terminara de tremer.
San Francisco ficou arrasada.
Milhares de desabrigados. Centenas de mortos.
O hotel onde os casais estavam hospedados foi completamente ao chão.
Não restou sobrevivente.
Estavam todos mortos.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 11, 2015 8:34 pm

O Dr. Lawrence resgatou Sam.
O Dr. Anderson resgatou Mark.
Júnior, o filho de Anderson, resgatou Adolph.
Bob resgatou sua irmã Emily.
Flora resgatou sua filha querida, Anna.
E Pai Juca resgatou Helène.
Carregando em seus braços os espíritos em sono profundo, alçaram voo em direcção à colónia Encantada.
Nota:
Para melhor compreensão do próximo capítulo, tomamos a liberdade de manter os mesmos nomes nos personagens, a fim de facilitar seu reconhecimento.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 11, 2015 8:35 pm

Capítulo 22

21 de abril, 1960.

O Brasil ganhava sua mais moderna cidade, Brasília.
O Rio de Janeiro deixava de ser, naquele dia, a capital do país.
Nascia o estado da Guanabara.
Milhares de pessoas nas ruas comemoravam a criação do novo estado.
Buzinas, carros alegóricos, discursos calorosos.
Os toques dos sinos da igreja da Candelária fundiam-se à algazarra generalizada.
As três filhas de Flora Lewis Magalhães casavam-se naquela noite com os três filhos de Maria Stevens de Albuquerque.
Uniam-se ali duas das mais tradicionais, ricas e influentes famílias do Brasil.
Por obra do destino, Anna, Emily e Helène, filhas de Flora, haviam se apaixonado por Sam, Mark e Adolph, respectivamente, filhos de Maria.
Teria sido o maior acontecimento da cidade, não fosse o nascimento do novo estado.
Mas Flora quis assim.
Para não ser incomodada pela legião de fotógrafos e repórteres que aguardavam o tão esperado casamento, resolveu realizá-lo naquela data, não tornando o evento um acontecimento isolado e chamativo.
Após a cerimónia, os convidados foram para a festa, realizada no hotel Copacabana Palace.
Ao entrar no saguão, Flora foi surpreendida por uma repórter:
— Dona Flora, desculpe-me.
Eu sei que hoje é uma data muito importante para a senhora...
— Por certo - disse educadamente Flora.
Eu até que lhe concederia uma entrevista, mas para quê?
Para dizer qual o perfume que uso?
Que tipo de comida eu tenho na geladeira?
Eu não sou ligada às futilidades sociais, minha filha.
— Eu sei disso, dona Flora.
Mas eu não quero uma entrevista fútil, porque não sou fútil.
Quero entrevistá-la porque eu a acho uma grande mulher.
A senhora dirige um conglomerado de indústrias, e além do mais possui um centro de estudos e desenvolvimento espiritual que pertence à sua família há mais de meio século e é muito respeitado no Brasil.
Quero entrevistá-la pela mulher que é, pela sua garra, coragem e determinação. Só por isso.
Flora sentiu-se atraída pela moça.
Havia tal brilho em seu olhar, firmeza em sua postura e sinceridade em suas palavras, que ela se encantou.
— Qual o seu nome, menina?
— Meu nome é Rosa.
Sou repórter da revista "O Cruzeiro".
— Boa revista.
Caso eu lhe conceda uma entrevista, você promete escrever tudo que eu falar, sem suprimir nada?
— Sim, senhora.
O que a senhora falar, eu escreverei, sem tirar nem pôr.
— Mesmo falando sobre o Centro?
— Sim, não há problema.
Até acho bom, porque há gente que acredita que esses lugares abrigam tão-somente pessoas ignorantes, supersticiosas e pobres.
E a senhora, sendo uma dama da sociedade brasileira, vai fazer muitos pensarem um pouco mais antes de fazer tal julgamento. O que acha?
— Nunca enxerguei por esse ângulo.
Você é muito esperta, menina.
Vamos fazer o seguinte: semana que vem, eu estarei descansada de tudo isto aqui.
Flora parou por um instante.
Abriu sua pequena bolsa e retirou um cartão.
Delicadamente pousou-o na mão de Rosa.
— Tome o meu cartão.
Esperarei por você na próxima terça-feira, às duas da tarde, em minha casa.
Estamos combinadas?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70168
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 6 de 7 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum