A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

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Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 12, 2015 9:16 pm

— A senhora é o máximo! Obrigada.
A última entrevista que concedeu foi na época do seu casamento.
As revistas querem a todo custo uma entrevista sua.
E eu consegui. Prometo que tudo que disser vai sair.
Até semana que vem.
Desculpe-me por abordá-la nesta hora.
Felicidades às suas filhas e genros.
Rosa saiu radiante do saguão do hotel.
Seria seu maior trabalho como jornalista.
Com a entrevista de Flora, conseguiria o tão esperado reconhecimento em sua profissão.
Ela era uma linda morena.
Filha única de professores, era uma pessoa bem-educada e de carácter.
Seus pais, Pedro e Jacira, haviam feito de tudo para que ela conseguisse se formar e conduzir sua vida, sem depender de ninguém.
Na semana seguinte, no horário marcado, lá estava Rosa, na porta da mansão de Flora, no Cosme Velho.
Tocou a campainha e logo em seguida foi recepcionada por uma gentil empregada, que a conduziu até o escritório.
— A madame já vai atender.
Aguarde um instante, por favor.
Rosa ficou deslumbrada com a decoração.
Embora fosse uma moça de boa classe social e morasse no Flamengo, nunca tivera contacto com tanto luxo e bom gosto.
Encantada, passou a verificar de perto os quadros a óleo nas paredes do escritório.
Leve emoção tomou conta de seu corpo.
Algumas figuras a impressionaram, fazendo-a sentir uma mistura de emoção e saudade.
"Devo estar louca", pensou.
"Conheço a história desta família desde menina.
Para mim é tudo tão familiar..."
— Boa tarde.
Rosa virou-se.
Elegantemente vestida, Flora estava em pé apreciando a postura da moça.
— Boa tarde, dona Flora.
Desculpe-me, mas estava aqui observando os quadros e fiquei um pouco impressionada. Quem são?
Flora, sempre bem-disposta, alegrou-se com a curiosidade da jovem repórter.
Com ternura em sua voz e apontando delicadamente o indicador, começou:
— Estes da direita são meus avós.
Eles vieram dos Estados Unidos em meados do século passado.
Casaram-se na América e estabeleceram-se na fazenda Santa Carolina.
— Na fazenda que originou aquela cidade?
— Isso mesmo.
Meus avós, Sam e Anna, compraram uma fazenda no Rio e juntaram-se em sociedade com meus tios-avós.
Estes da esquerda são meus tios-avós: Mark, Emily, Adolph e Helène.
— Foram eles que faleceram naquele terramoto?
— Isso mesmo. Foi muito doloroso para toda a família.
Por sorte, meus pais já eram adultos quando tudo aconteceu.
Foram calorosamente amparados por duas pessoas que para nossa família são os nossos anjos e tutores.
São estes dois quadros à sua direita, meus tios Augusto e Carlos.
Foi com o suporte deles que os filhos órfãos conseguiram seguir suas vidas.
— E estas duas moças lindas, quem são?
— Estas são minhas tias preferidas: Agnes e Júlia.
Elas eram filhas de meu tio Adolph e de minha tia Helène.
Eram gémeas. Aliás, a expansão do nosso Centro se deve à força e garra destas duas mulheres.
Elas introduziram uma série de novas técnicas de passe, de desobsessão e de aconselhamento que funcionam até hoje.
Foram as pioneiras na introdução de cursos sobre poder do pensamento e identificação de energias.
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Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 12, 2015 9:16 pm

— E estão vivas?
— Não, infelizmente morreram há alguns anos.
Mas eu as sinto por perto quando estudo, de vez em quando.
— Suas filhas trabalham no Centro?
— Por certo. Desde pequenas participavam dos trabalhos.
Anna, Emily e Helène lembram muito as suas bisavós.
E, graças a Deus, encontraram seus amores em família.
— Como assim?
— Sou filha única de Roger, que era filho de Sam e Anna, meus avós.
Maria, a mãe de meus genros, é filha de Donald.
— Ele era filho do Sr. Mark e de dona Emily, certo?
— Isso mesmo.
— E quanto aos netos do Sr. Adolph e de dona Helène?
— Suas filhas, Agnes e Júlia, não se casaram.
Dedicaram suas vidas aos estudos da psicologia, da metafísica e da mediunidade.
Dessa forma, eu e Maria somos as únicas descendentes.
Cabe agora aos nossos filhos aumentarem a família.
Descontraída com a amabilidade de Flora, Rosa arriscou:
— E eles se amam?
— Garanto a você que sim.
Muitas pessoas acham que o casamento foi arranjado, tamanha coincidência.
Mas não. Foi amor à primeira vista.
Sam, Mark e Adolph apaixonaram-se pelas minhas filhas tão logo começaram a engatinhar.
Foram feitos um para o outro. E o mais impressionante...
— O que é, dona Flora?
— Não é alucinação, mas venha aqui comigo.
Flora conduziu Rosa até a mesa do escritório.
Lá estava uma fotografia com os genros abraçados às suas filhas.
— Olhe bem para os rapazes - disse Flora.
Rosa franziu o cenho, procurando concentrar-se nas fisionomias dos rapazes e das moças.
— Agora, olhe para os retratos dos meus tios-avós.
Rosa olhou para a fotografia e para os quadros na parede.
Fez isso três vezes seguidas.
As fisionomias eram impressionantemente parecidas.
Ela cobriu a boca com a mão. Depois disse, emocionada:
— Dona Flora, eles são muito parecidos!
— Sim, eu também acho. Parecidos demais.
Às vezes chego a pensar que são os próprios.
Do mesmo modo que vejo certa semelhança entre minha avó e tias com minhas filhas.
— Vai saber... Talvez a vida esteja unindo todos de novo.
— Acredito que sim.
Tenho muito carinho por eles.
E adoro minhas filhas.
— Desculpe-me, dona Flora, mas correm boatos por aí de que Anna é a sua filha predilecta.
— Isso não me constrange.
Adoro minhas filhas. Amo-as muito.
Damo-nos muito bem.
Mas sempre me dei melhor com Anna.
Temos uma afinidade incrível.
Não temos problemas quanto a isso, aqui em casa.
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Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 12, 2015 9:16 pm

Nós nos amamos e nos respeitamos muito.
Minhas filhas compreendem.
É um estado natural, uma química que há entre mim e a minha filha Anna. Só isso.
Conversaram mais alguns minutos.
Rosa foi tomando nota das declarações de Flora sobre o crescimento das indústrias, o controle que ela tinha com o marido sobre as empresas da família.
Rosa estava encantada com a história toda.
— Agora eu gostaria de saber mais sobre os trabalhos no Centro, mesmo porque eu já estudei lá.
— É mesmo?
O que você estudou?
— Fiz o curso de "Desapego", e meus pais dão aulas lá.
— É o curso mais disputado.
É difícil conseguir vaga, pois as pessoas adoram.
Foi criado por minha tia Agnes.
Graças a esse curso, ganhamos credibilidade.
Mas diga-me: qual o nome dos seus pais?
— Pedro e Jacira.
Mas o Centro é tão grande que talvez a senhora não os conheça.
— Como não? - tornou Flora admirada.
Pedro e Jacira formam um lindo casal.
Eles nos têm ajudado muito.
Estão há muitos anos connosco.
Os cursos ministrados por eles são óptimos.
Seu pai é um excelente professor.
Gosto muito de sua mãe.
E agora estou gostando mais ainda de você.
— Obrigada, dona Flora.
— Em outra oportunidade, poderei lhe mostrar todas as dependências lá do Centro.
— Mas não é muito incómodo?
— Imagine, incómodo...
Quero que você veja que o nosso trabalho é digno, é honesto.
Queremos promover o bem das pessoas.
Eu mantenho o lugar para mostrar que a vida espiritual não é um bicho de sete cabeças.
Estamos sempre ligados a institutos de pesquisas espalhados pelo mundo.
Toda vez que surge material novo sobre pensamento positivo, mentalismo ou novas técnicas de aconselhamento metafísico, somos os primeiros a estudá-los e adoptá-los em nosso espaço.
— Isso meus pais me falaram.
A senhora e seu marido, embora desfrutando de vida boa, não param de estudar um minuto sequer.
Isso é admirável, e os jornais nunca escreveram nada a respeito.
— Porque não dá ibope, não vende.
Não estamos preocupados com isso.
Estudamos, ajudamos, fazemos o melhor para nós e para as pessoas que lá vão.
Essa é a nossa parte.
— E quanto ao centro de reabilitação para crianças defeituosas?
É um outro projecto?
— Sim, esse é um outro projecto.
Criamos uma equipe formada por médicos, professores e cientistas.
Estamos unindo ciência, metafísica e espiritualidade para entendermos melhor a causa das doenças.
Daí surgiu esse novo espaço.
Ele acolhe crianças que nasceram com graves problemas físicos.
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Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 12, 2015 9:17 pm

Minhas filhas, que se formaram em Medicina, conduzem todo o trabalho de lá.
É muito complexo, exige dedicação, estudo, paciência e, acima de tudo, amor.
— De onde vêm essas crianças?
— A maioria delas vem da periferia, dos morros.
Mães que não têm condições de cuidar.
Elas não têm como gastar tempo e dinheiro, e as crianças passam o dia connosco.
A noite são levadas para casa, pelos pais.
Mas tenho lá três crianças que foram abandonadas logo que nasceram.
Isso ocorreu no mesmo hospital.
— Então a senhora cuida delas dia e noite?
— Sim, é por isso que estamos legalizando os papéis e criando uma fundação.
Nossa família é muito conceituada nos Estados Unidos.
Eu tenho parentes distantes por lá, que também estão ligados a questões espirituais.
Queremos propagar o conhecimento das leis universais, das verdades da vida.
— E quanto a essas crianças abandonadas?
— Ah, elas são especiais!
Minhas filhas e genros as adoram.
Temos muito amor por elas desde que chegaram.
Já que você quer conhecer, vamos até lá.
Flora chamou o motorista.
Em menos de meia hora estavam em frente a belíssimo edifício, muito bem cuidado, com amplos e generosos jardins.
Nem parecia um centro de reabilitação, pois era rodeado de frondosas árvores e lindas flores.
Flora foi cumprimentada por dois médicos que lá se encontravam.
Rosa cumprimentou-os e ficou fascinada pela beleza de ambos.
Meio sem jeito, perguntou a Flora:
— Nossa! Quem são?
Flora, percebendo a intenção nas palavras de Rosa, com suave sorriso nos lábios respondeu:
— Esses médicos têm muito nos ajudado.
São como parentes, tamanha a afinidade que temos.
Chamam-se Augusto e Carlos.
Com voz que procurou tornar amável, aconselhou:
— Mas não se iluda com eles.
Rosa, sem entender, tornou:
— Por quê?
Sorrindo, Flora lhe disse:
— Por nada, minha filha.
Com o tempo você saberá.
Mas venha comigo até o andar de cima, onde estão as crianças.
Atravessaram um imenso e largo corredor, delicadamente decorado com motivos infantis, e subiram as escadas.
Um cheiro delicado de perfume embriagava docemente o recinto.
— Aqui estamos. Venha.
Um salão cheio de brinquedos.
Pinturas e desenhos estavam pendurados nas paredes.
No meio do salão, uma mesa com lápis, canetas, massas, giz e tesouras para as crianças.
Numa pequena cama, próxima à mesa, estavam três crianças.
Rosa precisou controlar-se para não dar um grito, tamanho o susto.
Levou a mão ao rosto.
Abriu e fechou os olhos como a constatar a cena à sua frente.
Eram crianças esteticamente muito feias, com o corpo todo deformado.
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Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 12, 2015 9:17 pm

— Não se assuste, Rosa.
Elas não vão lhe fazer mal. São os nossos encantos.
Amamos muito os três.
Rosa não conseguia mover um músculo.
Das três crianças, uma em especial chamava-lhe a atenção.
Não sabia o porquê, mas um ódio surdo brotou de seu peito.
Quando os seus olhos cruzaram os do menino, ela empalideceu.
Sua vista turvou-se e ela se apoiou numa cadeira ali perto, com o coração batendo descompassado.
Flora estava entretida, beijando amorosamente as três crianças, não notando o estado alterado da repórter.
Recomposta do susto inicial, porém com o ódio ainda no peito, Rosa, lábios trémulos, perguntou:
— Quem é este?
— Ah, este aqui é Alberto.
Um garoto negro, abandonado pelos pais tão logo se descobriu que ele tinha problemas mentais e na pele.
Veja, essas erupções lhe causam muito sofrimento.
— E ele não fala?
— Não. Ele não pode falar devido à sua deficiência mental.
Rosa estava impressionada.
Teve a intenção de sair de lá, mas controlou-se.
Rapidamente fez sentida prece.
Seu coração sossegou.
Em seguida, pousou levemente a mão na cabeça de Alberto.
Os olhos do garoto fixaram-se em Rosa.
Começou a agitar-se.
— Não se assuste, Rosa.
Esta é a maneira que Alberto encontrou para se expressar.
Ele gostaria de abraçá-la.
Rosa abaixou-se
Olhando nos olhos de Alberto, sem perceber, disse-lhe:
— Eu o perdoo. Esqueça o passado.
Cada um fez o melhor que pôde.
Estarei ao seu lado no que for preciso.
Lágrimas banhavam o rosto do menino.
Delicadamente ele tomou as mãos de Rosa e levou-as aos lábios.
Flora olhou para ambos com os olhos marejados.
Sentiu um agradável cheiro de perfume.
Suas tias estavam lá.
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Re: A Vida Sempre Vence - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 12, 2015 9:17 pm

Sem que Rosa notasse, orou agradecida:
— Obrigada, tias.
Eu sabia que Rosa e Alberto iriam se encontrar.
Agora sei que tudo está certo.
Rosa, passada a emoção, levantou-se e recompôs-se.
Passou para outra criança.
— E esta aqui, dona Flora?
— Esta garotinha chama-se Brenda.
Tem sérios problemas na garganta, o que a impede de falar.
É deficiente mental, como Alberto.
E este outro é seu irmão gémeo Aramis, que é surdo-mudo.
— Mas, dona Flora, é incrível.
Os dois não falam mas ficam assim grudados?
— Isso é muito interessante.
Aramis não desgruda um instante de Brenda.
Estão assim desde que vieram para cá.
Mesmo deficientes, eles expressam o amor que sentem um pelo outro.
Nossa equipe está estudando com afinco esses dois.
Esperamos, através de passes, medicamentos e tratamento adequado, além de outras terapias, melhorar-lhes o corpo, a mente e o espírito.
— Mas que horror viver assim...
— Não diga isso.
Achar um horror é desacreditar que Deus não está ao nosso favor.
A vida nunca se engana. Ela sempre faz o certo.
Não sei por que esses espíritos nasceram dessa maneira, mas garanto que alguma razão nobre deve haver.
O homem engana, mata, tripudia os outros e se esquece da imortalidade da alma.
Esquece que estamos vivendo de acordo com as leis da vida.
Podemos fazer mal ao próximo, mas nunca à vida.
— É, dona Flora, olhando por esse prisma parece-me que não podemos fugir da vida.
— Não, Rosa, não podemos.
Por mais que tentemos enganá-la, a vida sempre vence.
Perto das crianças, dois espíritos lhes davam conforto espiritual.
Agnes e Júlia lá estavam.
Sabiam o porquê de Aramis, Brenda e Alberto estarem vivendo daquele jeito.
Aos olhos humanos, tratava-se de uma desgraça.
Aos olhos de Deus, tratava-se de uma bênção.

Fim

§.§.§- Ave sem Ninho
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