O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 04, 2015 9:34 pm

- Longe de mim. Eu não quero.
Já não chega o que eu passo mal, aqui entre esses encarnados?
- Passa mal porque quer.
Assim que desencarnou, recebeu uma visita para ir fazer tratamento numa colónia espiritual, não foi?
- Foi. Eu fui chamado por um parente, não me recordo ao certo.
Mas preferi ficar aqui porque tinha de alertar minha filha e...
Leónidas o cortou com firmeza.
- Pare! Não vamos trazer lembranças desagradáveis ao ambiente.
A sua aura está limpa.
A casa está higienizada e se começar a pensar por que ficou na Terra depois da morte, vai desequilibrar energeticamente o ambiente.
Nada de pensamentos negativos.
- Entendi - respondeu Emerson envergonhado.
- Fique aqui até elas acordarem.
Eu preciso sair.
- E o que faço?
- Procure ter bons pensamentos.
Chegou a hora de fazer exercícios para melhorar o teor de seus pensamentos.
- Como?
- Se aparecer algum pensamento desagradável, ruim, trate de transformá-lo imediatamente em algo bom, positivo.
Você viveu muitas coisas boas, teve uma vida dura, eu sei, mas obteve sucesso.
Foi um homem respeitado, empresário de sucesso.
Emerson afirmou com a cabeça.
- Fui mesmo.
- Construiu uma empresa sólida.
Gerou empregos que tem ajudado muitas famílias a prosperar.
Tem uma filha, quer dizer, duas filhas lindas, boas, de alma nobre.
Pense nessas coisas boas.
O resto não interessa.
Emerson sorriu.
- É verdade. Por que raios vou pensar em coisas ruins?
Você está certo - ele se animou.
Deixe comigo, quando voltar, esta casa estará radiante, cheia de energias benéficas que vão fazer tremendo bem às duas.
- Obrigado. Até mais tarde.
Leónidas falou e desapareceu no ar.
Emerson foi até a sala e sentou-se na ponta do sofá.
Enquanto Consuelo e Marina dormiam a sono solto, ele trazia na mente as mais felizes recordações de sua última existência no planeta.
De repente, teve um lampejo e sua memória voltou a uma encarnação passada.
Emerson viu-se como um nobre português vivendo num casarão, na época do Império.
Era casado com Letícia, uma linda jovem que perdera o noivo na Guerra do Paraguai.
Letícia não gostava do marido.
Casara-se porque os pais a obrigaram.
Se ao menos ela tivesse a presença da prima...
Mas Mila fugira com um estrangeiro e elas se correspondiam por cartas.
Letícia cuidava da casa e tinha uma governanta.
Consuelo fazia bem o trabalho, era uma mulher de princípios.
Tinha uma filha, Marina, uma menina mimada, fútil, e que odiava ser pobre.
Um dia Marina flagrou Emerson deitado com um dos escravos, Josias.
A jovem caminhou sorrateiramente pelo corredor e ficou num canto escondida, esperando que eles terminassem a brincadeira.
Se nos dias de hoje a bissexualidade é algo ainda complexo de entender e de aceitar, imagine cento e cinquenta anos atrás.
Os padrões morais eram muito, mas muito mais rígidos e se essa preferência de Emerson por rapazes fosse levada a público, seria o seu fim.
Emerson terminou de se vestir e, ao sair, Marina estava parada bem na sua frente, olhos brilhantes de cobiça.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 04, 2015 9:34 pm

- Eu vi o que o senhor fez.
Emerson lhe deu um tapa no rosto.
- Sua insolente, eu negarei tudo.
Sou nobre, você é filha da governanta.
Em quem vão acreditar?
Marina sorriu maliciosa.
- O Josias é meu amante também.
Estamos decididos a revelar essa sua preferência - salientou.
Emerson empalideceu.
Se Marina e Josias levassem o intento adiante, seria um escândalo sem precedentes.
- O que querem?
Marina exigiu boa soma em dinheiro.
Em seguida, fugiu com o escravo.
Anos depois, no Umbral, eles se reencontraram.
Marina havia se arrependido amargamente da atitude tomada.
Sentia-se mal por ter chantageado Emerson.
Arrependera-se sobremaneira e clamava por seu perdão.
Emerson voltou a si e olhou ao redor.
- Meu Deus!
Nós três vivemos juntos em outras vidas!
Ele ficou ali no sofá, pensando em tudo, nesta última vida e nos flashes que surgiam da anterior.
Depois de muito pensar e reflectir, Emerson disse para si:
- Todos mudamos bastante.
Entendo por que Marina teve uma vida tão difícil.
Mas agora tudo vai ser diferente.
Seu espírito aprendeu a lição e ela vai colher bons frutos.
Que Deus a ajude!
Marina despertou sentindo tremendo bem-estar.
Estava disposta, o corpo descansado, a mente serena.
- Nossa! Há quanto tempo não dormia tão bem!
Ela bocejou, espreguiçou-se e levantou da cama.
Não era dia de treino, dessa forma ela podia acordar um pouquinho mais tarde.
Caminhou até o banheiro e antes passou pelo quarto da mãe.
Consuelo dormia e seu semblante parecia sereno.
Marina sorriu e entrou no banheiro.
Abriu o chuveiro e, enquanto a água morna caía sobre seu corpo, ela lembrou-se dos acontecimentos da noite anterior.
Marina gostara de Edgar desde o primeiro instante.
Prometera anteriormente a si mesma, que nunca mais iria se apaixonar, depois do que passara com o ex-noivo.
Mas quem disse que mandamos no coração?
Podemos até tentar sufocar nossos sentimentos, mas o amor é mais forte que tudo; ele é como um rolo compressor que passa por cima de todas as desilusões, todas as mágoas.
E como se fosse um tsunami que se apodera de nosso corpo e nos abre o coração para viver tudo de novo, arriscando nossos sentimentos, apostando novamente numa chance real de felicidade.
Marina percebeu que não queria mais lutar contra seu coração.
Iria procurar Edgar para uma converse e ser franca.
O pior que poderia acontecer seria ele dizer que no momento não queria nada.
- Daí eu páro de alimentar esse sentimento e parto para outra.
Melhor assim.
Não gosto de ficar em cima do muro - disse, depois de fechar o registo e começar a se enxugar.
A moça espantou os pensamentos com as mãos e sua mente trouxe-lhe outro assunto:
a conversa que tivera com Patrícia e Adriano no jantar da noite anterior.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 04, 2015 9:34 pm

- Eles são pessoas de bem.
Ajudaram-me com dicas muito interessantes de trabalho e de postura diante da vida.
Os passes têm me feito um bem danado, assim como a corrida, e essas novas amizades, seja com eles, seja com Elisa.
A única coisa que falta eu me empenhar é em cima dessa relação ruim com Denise.
Mais nada - concluiu.
Marina começou a questionar seus valores, sua postura diante do trabalho, diante de Denise, diante da vida, inclusive.
Acreditava que pessoas medrosas e com baixa auto-estima profissional se deixavam ser conduzidas e maltratadas por chefes como Denise, espalhadas por vários cantos de empresas nacionais e ao redor do mundo.
Por outro lado, havia bons chefes, bons profissionais que reconheciam os talentos de seus funcionários e os tratavam com um mínimo de cordialidade, com um pingo que fosse de educação.
Marina pensou, pensou e decidiu que, na próxima vez que Denise a maltratasse, pediria as contas.
Precisava dar um basta nessa relação profissional tão desgastante - e por que não dizer - degradante.
- Marina, está acordada? - indagou Consuelo, do seu quarto.
Ela enrolou-se numa toalha e utilizava outra para enxugar e prender os cabelos.
- Sim, mãe.
- Perdemos a hora.
- Não, hoje não é dia de treino.
Posso me dar ao luxo de acordar um pouquinho mais tarde.
Ela falou do corredor e em seguida entrou no quarto.
Sentou-se na beirada da cama, abaixou-se e beijou Consuelo no rosto.
- Dormi tão bem, mãe.
Que sono reparador.
- Nem me diga. Eu também.
Fui dormir preocupada, mas acordei tão bem.
- Preocupada com o quê?
- Não sei. Eu fique pensando com meus botões sobre a venda do carro.
Deu quase nada.
- Eu estava a ponto de dar o carro para os rapazes da oficina.
Aquilo é praticamente uma sucata.
E eles me deram mil e quinhentos reais.
Não contava com esse dinheiro, mãe.
Coloquei na poupança.
Pelo menos, temos um dinheirinho para emergências.
- Você é tão positiva.
- E não é para ser?
Moramos nesta casinha, tudo bem que é bem apertadinha, mas é nossa, mãe.
Temos um teto, tenho um bom emprego, as nossas contas estão em dia...
- É tão esforçada, filha. Faz tanto por mim.
Nem sei como lhe agradecer.
Marina beijou-lhe a fronte novamente.
- Não tem o que me agradecer.
Você é minha mãezinha querida e eu a amo muito.
- Eu também a amo muito, minha filha.
- Agora preciso ir.
Tenho de me arrumar rápido e pegar metro e ónibus.
Deus me ajude a chegar no horário.
Marina saiu do quarto e foi trocar-se no quarto dela.
Consuelo mordia os lábios, numa dúvida cruel.
Emerson estava tocado.
Sentia o quanto Marina amava a mãe, o quanto era uma menina esforçada e um espírito ligado às forças superiores do bem.
De quando em vez, quando ela conversava com a mãe, sua aura emitia uma coloração próxima do lilás.
Parecia estar em paz consigo e ser uma pessoa verdadeira, de bom coração.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 04, 2015 9:35 pm

Nem mais se assemelhava à menina sem escrúpulos e que o chantageara em outra vida.
O espírito de Marina arrependera-se com sinceridade daquele comportamento tão ruim para ela e para aqueles que viviam ao seu redor.
Aprendera muito, fosse nos anos que passara no Umbral, fosse agora diante de uma vida tão difícil.
Emerson sentiu tremenda simpatia pela menina.
- Nossa como ela é bonita e agora tem, de facto, o coração puro.
Se parece muito com Consuelo na época em que nos conhecemos.
Assim que Marina saiu do quarto da mãe, Emerson captou os pensamentos de dúvida que pairavam sobre a mente de Consuelo.
- Se eu contar a verdade, Marina vai se decepcionar comigo.
Não posso permitir que isso aconteça.
Ele se aproximou e sentiu piedade da pobre mulher.
Aproximou-se e cochichou em seu ouvido:
- Conte a verdade.
Consuelo captava a voz de Emerson como sendo de sua cabeça.
Respondeu em voz alta:
- Não posso contar a verdade.
Se eu contar, Marina vai desaparecer como Jofre.
Se ele sumiu depois de saber, por que Marina faria diferente?
- Porque ela não é como Jofre - comentou Emerson.
Marina é uma boa menina, tem um coração puro e cheio de amor por você.
Se contar a ela toda a verdade, a vida de vocês poderá se transformar positivamente.
Terão dinheiro para comprar uma casa melhor.
Marina poderá estudar outros cursos sem depender de um emprego.
Ela será uma moça independente, rica e, pelo que sinto muito feliz.
Por que furtar sua filha dessa nova e fascinante possibilidade de vida?
- Eu tenho medo de ela descobrir.
- Consuelo, você não vai ficar muito mais tempo aqui no planeta.
Sua existência está chegando ao fim.
Seu corpo físico está no limite de suas forças.
Aja com o coração, não deixe que seu ego interfira numa decisão tão importante.
Não leve esse segredo para o túmulo, por favor.
As lágrimas escorriam pelo rosto e Consuelo estava desesperada.
Não sabia o que fazer.
O seu coração lhe pedia para contar toda a verdade.
Contudo, o medo e desespero eram bem maiores.
- Senhor! Ajude-me, por favor, a encontrar uma saída!
O trânsito de São Paulo é conhecido em todo o país por ter engarrafamentos quilométricos e atrapalhar a vida de muita gente.
Nesse começo de manhã, para variar, houve um acidente na marginal do Tietê.
Marina e o restante da população não contavam com o tamanho do congestionamento.
E ela chegou atrasada ao serviço.
Denise estava sentada em sua cadeira.
Ela tomou um susto.
- O que faz em minha mesa?
- Vim dar uma olhadinha - disse Denise, olhos injectados de fúria.
Marina tentou recompor-se.
Estava transpirando muito, ficara muito tempo presa no ónibus.
- Eu cheguei atrasada por conta do congestionamento e...
Denise a cortou de maneira abrupta.
- Olha lá!
Dar desculpa de trânsito congestionado nesta cidade é redundância.
Não cola. Sabemos que São Paulo vive com suas vias engarrafadas.
Saísse mais cedo de casa.
- Eu saí. Bem cedo. É que...
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 04, 2015 9:35 pm

- Nada de explicações.
Estou farta das suas desculpas esfarrapadas.
- Não são desculpas e...
- Cale-se! Não aguento mais ouvir a sua voz - bradou Denise.
Ela estava incontrolável havia alguns dias.
Conforme se aproximava o dia do sequestro, mais nervosa e ansiosa Denise ficava.
Se ela era um bicho em dias normais, agora estava praticamente se comportando como um monstro.
Ninguém mais tinha paciência com ela.
Os vizinhos haviam feito abaixo-assinado para ela deixar a casa, pois ligava o som no último volume e não respeitava horário, nada.
Alguns fornecedores estavam irritados com seu comportamento.
Muitos começaram a cancelar pedidos e trabalhar com outra empresa do ramo, cujo gerente era um rapaz muito mais simpático e profissional.
Denise estava, simplesmente, irascível.
Marina tentava argumentar:
- Eu me atrasei porque o trânsito estava pesado mesmo.
O que importa é que cheguei.
Estou aqui, não estou?
O que precisa?
Denise não esperava por uma atitude tão firme.
Estava acostumada a ver Marina abaixar a cabeça e não retrucar.
Ela levantou-se de um salto e quase avançou sobre a moça.
Os funcionários ficaram estáticos.
Esperavam pelo pior.
Com o dedo em riste, quase tocando a face de Marina, Denise explodiu:
- Olha aqui, sua insolente.
Quem pensa que é?
Sou sua chefe e exijo respeito.
- Sou sua funcionária e também exijo respeito.
Não vou mais permitir que me trate como se eu fosse uma qualquer.
- O que se passa?
- Eu tenho dignidade.
- Resolveu me enfrentar da noite para o dia?
- Não a estou enfrentando.
Só quero ser minimamente bem tratada.
Denise respirou fundo e fechou os olhos para não estapeá-la ali, na frente de todo mundo.
Precisava ter controle total da situação.
- Pode passar imediatamente no departamento de Recursos Humanos.
Você está despedida.
Entendeu! Des-pe-di-da!
Marina levou a mão ao peito.
- Despedida?
Só porque não abaixei a cabeço para você?
- E pode ir embora agora!
Nem precisa cumprir aviso-prévio.
Estou enjoada de ver essa cara de pobre coitada. Rua!
Ela gritou, virou-se abruptamente estugando o passo até sua sala.
Bateu a porta com tremenda força.
Alguns funcionários aproximaram-se de Marina.
Elisa foi até a copa buscar um copo de água com açúcar.
Veio apressada e o entregou à amiga.
- Obrigada - disse Marina, enquanto bebericava um gole.
Estou bem, por incrível que pareça.
Já esperava por isso, mais dia, menos dia.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 04, 2015 9:35 pm

- A empresa lhe custeia a assistência médica.
Não era esse o motivo de ficar aguentando os impropérios dessa mulher?
- Eu sei Elisa.
Mas não dava mais para segurar essa situação.
Eu sou uma pessoa que merece respeito.
Eu dou respeito e exijo o mesmo dos outros.
- É que me preocupo com a saúde de sua mãe.
- Eu sei, mas eu vendi o carro, ganhei uns trocados.
Tenho mais um dinheirinho na poupança.
Um rapaz se aproximou e tranquilizou:
- Fique sossegada, Marina.
Eu trabalho no Recursos Humanos e vou informar ao convénio médico de sua saída somente daqui um mês, como se você estivesse cumprindo aviso-prévio.
Marina comoveu-se:
- Obrigada, Paulo.
Você é muito bacana.
Obrigada mesmo.
- Não há de quê, Marina.
Você é mais competente do que a megera ali - apontou para a sala de Denise.
- É sim. Você é competente, e, além de tudo, carismática - emendou Elisa.
- Vai arrumar emprego fácil, fácil - finalizou Paulo.
Marina emocionou-se com o gesto de Elisa.
Abraçou-a com carinho.
- Sei que sempre poderei contar com sua amizade.
- Sempre - replicou Elisa.
Você é excelente amiga e óptima profissional.
Dessa forma Marina foi envolvida por uma onda de ânimo e serenidade.
Estava muito bem consigo própria, nem parecia ter acabado de ser demitida.
Despediu-se dos funcionários da sua área, um por um, e Elisa foi com ela até o Recursos Humanos.
Marina assinou os papéis e Paulo a acalmou:
- Fique tranquila quanto ao convénio médico.
- Eu preciso mesmo, Paulo.
Minha mãe vive doente.
- Você vai dar a volta por cima.
É uma boa pessoa e boas pessoas sempre se dão bem na vida.
Ela ficou sinceramente tocada.
Mal conhecia o rapaz do Recursos Humanos.
Apertou a mão dele e agradeceu.
- Obrigada, Paulo.
Você e Elisa são pessoas das quais vale a pena compartilhar e fortalecer os elos de amizade.
Jamais vou esquecer o que fizeram por mim no dia de hoje.
Ela se despediu do rapaz, depois, Elisa a acompanhou até sua mesa.
Marina pegou seus pertences colocou-os numa caixa de papelão e saiu acompanhada por um segurança da empresa.
Elisa pegou uns trocados da bolsa e colocou o punhadinho de notas discretamente em sua mão.
- O que é isso?
- Um dinheirinho.
- Não precisa...
Elisa sussurrou em seu ouvido:
- Para o táxi.
Não vai carregar essa caixa pesada no ónibus.
Lá na frente, qualquer dia, você me paga.
Assim que ganhou a rua, Marina, olhos marejados, olhou para o Alto e fez sentida prece.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 04, 2015 9:35 pm

- Obrigada, meu Deus, por estar ao meu lado.
Sei que jamais haverá de me abandonar.
Confio na Sua força e sei que em breve minha vida vai ficar melhor.
Em seguida, fez sinal para um táxi.
Deu a direcção de casa ao motorista e sorriu.
Tinha certeza de que iria dar a volta por cima.
Quando chegou a casa, Consuelo assustou-se.
Estava sentada em frente à TV, assistindo a um programa feminino, anotando a receita da torta salgada que a apresentadora acabara de tirar do forno.
- O que faz em casa tão cedo?
Entraram em greve?
- Fui despedida, mãe.
Consuelo levou a mão à boca.
- Não pode!
Você precisava, quer dizer, nós precisávamos muito desse emprego.
- Eu sei mãezinha. Mas o que fazer?
A minha chefe hoje estava insuportável.
Destratou-me na frente de outros funcionários.
Foi tudo muito chato, muito triste, muito constrangedor.
Ela falou e colocou a pesada caixa sobre a mesa da cozinha.
Consuelo levantou-se com dificuldade e a seguiu.
- E a assistência médica?
- O rapaz que trabalha no Recursos Humanos vai segurar o convénio até o mês que vem.
Temos trinta dias de cobertura.
- E depois?
- Depois, se eu ainda estiver desempregada, vou procurar um convénio mais em conta.
- Eu sou doente. Eles vão cobrar caro.
Pode haver carência a cumprir.
- Não vamos nos exasperar.
Temos um dinheirinho na poupança.
Não é muito, mas dá para segurar as pontas.
- Como vai arrumar emprego com essa crise? - perguntou Consuelo, em franco desespero.
- Não sei. Vou começar a procurar amanhã.
Vou naquela Lan House na esquina de casa para acessar a internet e procurar nos sites de empregos.
- Vi na televisão agora a pouco que o número de desempregados cresceu bastante nos últimos meses.
- Emprego a gente arruma mãe, nem que seja de faxineira.
Você não foi faxineira?
Perdão? Não foi doméstica?
- Fui, e o que isso tem a ver com a conversa?
- Você conseguiu comprar esta casa.
Eu sou jovem, tenho saúde e disposição.
Em último caso, vou trabalhar de doméstica.
Consuelo desesperou-se.
- Não! Você estudou muito, fez curso de línguas.
Não pode trabalhar de doméstica.
- Por que não? É um emprego digno como outro qualquer.
Posso trabalhar na casa de estrangeiros, pois falo inglês e espanhol.
Poderei até ganhar mais do que se estivesse numa empresa.
Sabe que é uma boa ideia?
- Boa ideia?
- É sim, mãe.
Estou cansada do mundo corporativo.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 04, 2015 9:35 pm

- Está prestes a terminar a sua pós-graduação.
- Se eu não arrumar nada até o mês que vem vou ter de trancar a matrícula.
Agora preciso corta todos os gastos possíveis.
Consuelo sentiu forte dor no peito.
- Sente-se bem, mãe?
- Uma dorzinha no peito. Logo passa.
- Sente-se aqui. Fique calma.
Consuelo obedeceu. Estava nervosa.
Se ao menos tivesse coragem para contar à filha sobre seu passado...
Mas sentia medo de Marina rejeitá-la, repudiá-la.
Ela era muito ligada à filha e preferia morre a contar-lhe a verdade sobre o passado.
Sua mente estava em total desespero:
- Se eu contar como consegui esta casa, Marina é capaz de me odiar pelo resto da vida.
Vai me culpar como Jofre. Ele teve razão.
Fui uma vadia, uma vagabunda que se deitou com o patrão.
Não mereci perdão, não mereço perdão...
Por mais que estivesse se atormentando com pensamentos tão negativos acerca de si própria, Consuelo tinha real noção de que estavam agora vivendo uma situação difícil.
O dinheiro ficaria curto, com certeza.
Ela tinha medo de que tivessem de vender a casa.
O que seria de suas vidas dali em diante?
Ela procurou espantar os pensamentos negativos com as mãos, mas eles persistiam e a incomodavam.
Consuelo adoptara uma postura pessimista em relação à vida.
Tornara-se mulher amargurada e desconfiada de tudo e de todos.
Sofrera no passado e tinha medo de que o seu deslize de conduta a afastasse da filha que tanto amava.
Emerson, mais uma vez, insistia.
Pedia para Consuelo mandar o medo às favas e contar toda a verdade para Marina.
Por mais que tentasse, Consuelo não conseguia se livrar dos pensamentos negativos que alimentara por tantos anos.
Eles estavam se tornando mais fortes que ela.
Mais fortes que tudo.
- Chega! - ela gritou.
Não aguento mais!
Marina veio correndo até a sala.
- O que foi mãe?
Consuelo não respondeu.
Sentiu uma forte dor na nuca, seus braços começaram a formigar e ela perdeu o equilíbrio.
Caiu sobre si mesma.
Consuelo acabara de ter um acidente vascular cerebral, ou, na linguagem comum, um derrame.
Denise largou todo o trabalho nas mãos de Elisa.
- Eu não tenho condições de cobrir o trabalho da Marina.
- Não quero nem saber, vire-se.
Vou viajar e volto daqui uma semana.
Os directores estão sabendo.
- Mas, D. Denise, os gerentes vão reclamar sua presença na reunião.
- Danem-se todos! - ela explodiu.
Preciso ir urgente ao Rio de Janeiro.
Volto daqui uma semana, no máximo dez dias.
Elisa abaixou a cabeça e nada disse.
Os demais gerentes da empresa vinham reclamando havia algum tempo da postura desleixada de Denise.
Havia inclusive boatos de que ela estava prestes a ser demitida.
Denise até chegou, a saber, dessa possibilidade e estava pouco se lixando.
Ela havia desfalcado a empresa e tinha uma boa quantia de dinheiro aplicado em Bancos estrangeiros.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 04, 2015 9:36 pm

Assim que terminasse o sequestro, ela iria viver com Jofre bem longe dali longe do país.
Ela saiu da empresa, pegou o carro e dirigiu-se até sua casa.
Buzinou várias vezes, até que uma vizinha apareceu e bateu levemente no vidro de seu carro.
Denise não abriu.
Mesmo com uma fina película preta sobre os vidros a vizinha a reconheceu e bateu novamente no vidro, com delicadeza.
Denise soltou um grunhido.
Estava irritada com a demora do segurança.
- Vou mandar esse desgraçado embora!
Vou mandar todos esses incompetentes embora.
Ela conhecia aquela perua que morava na casa ao lado.
Estava acostumada com suas reclamações.
Denise bramiu e desceu um pedacinho do vidro.
- O que é?
- Boa tarde.
Denise não respondeu.
A mulher falou:
- Eu queria conversar com você sobre...
Denise a cortou.
- Eu não a conheço não lhe dou o direito de ter intimidades comigo.
Me chame de senhora.
A moça corou do lado de fora.
Pigarreou:
- Eu gostaria de pedir à senhora que diminuísse o volume do seu aparelho de som, ao menos depois da dez da noite.
Eu tenho um bebé e...
- Eu quero que você e seu bebé se danem! - gritou ela.
Chico abriu o portão e ela acelerou, cantando os pneus.
Quase atropelou o segurança.
Parou o caro do lado dele e saiu feito uma leoa.
- Eu fiquei mais de dois minutos parada na porta.
- Desculpe D. Denise.
- Eu poderia ser assaltada por conta de tanta demora - ela olhou para a vizinha, ainda parada no portão - seria melhor ser assaltada do que ouvir as baboseiras dessa gente chata que mora do lado de casa.
Ainda bem que vou embora desta cidade, deste país ordinário.
Eu não mereço viver no terceiro mundo.
E quanto a você, Chico...
- Pois não, D. Denise.
- Pode fazer a sua trouxa, metê-la no meio das pernas e ir embora.
Está demitido.
- Mas, d. Denise.
- Rua! Entendeu?
Vou ligar agora mesmo para a empresa de segurança.
Não o quero mais aqui na minha casa, seu incompetente.
Chico abaixou a cabeça, desconsertado.
- Sim, senhora.
Denise bateu o salto e entrou em casa.
Chamou por Delis e pediu para ajudá-la a fazer a mala.
Delis fez tudo sem abrir a boca.
Tinha visto como Denise tratara Chico e sabia que se falasse um "a" que fosse também seria verbalmente agredida.
Arrumou as malas da patroa em total silêncio.
Chico caminhou até o portão e desculpou-se com a vizinha.
- Ela está nervosa.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 04, 2015 9:36 pm

- Não pode tratar a você e a mim dessa maneira.
É uma mulher muito sem educação.
Nunca tivemos vizinhos assim tão mal-educados.
- Desculpe-me, senhora.
- Eu moro aqui do lado e o conheço.
Sei que é um bom empregado.
- Obrigado.
- Se quiser, eu tenho uma amiga que mora na outra quadra e precisa dos serviços de um segurança.
Quer que eu fale com ela?
- A senhora faria isso por mim?
- Faria. Vá arrumar suas coisas e depois passe em casa.
Sabe onde moro.
Ela despediu-se e Chico sorriu emocionado.
- Ainda há gente boa no mundo.
Graças a Deus vou me livrar dessa patroa tão prepotente e arrogante.
Chico entrou pelos fundos da casa e encontrou Delis chorando na cozinha.
- O que foi?
- Ela o despediu.
- Não se preocupe comigo - ele se aproximou e a abraçou. - Calma.
- Não é justo, Chico.
Essa mulher não tem limites para a maldade.
Será que Deus não vê tudo isso?
Por que não coloca um freio nessa mulher?
- Deus faz tudo certo, Delis.
Pessoa como Denise nos ajudam a ser mais fortes.
- Ela é uma víbora.
- Não pense negativo.
Ela vai viajar você vai ter uns dias de paz.
- Tenho medo de ficar aqui sozinha neste casarão.
- A empresa de segurança vai mandar outro funcionário.
- E o que será de você?
Denise vai reclamar e talvez eles o demitam de facto.
Chico sorriu.
- Eu estou me sentindo muito bem.
- Como pode?
Acabou de ser demitido e se sente bem?
- Deus fecha uma porta e abre outra.
- Não entendi.
- A vizinha da casa ao lado viu Denise me demitir e me informou que uma vizinha do quarteirão precisa dos serviços de um segurança.
Parece que ela vai me indicar.
Delis o abraçou com carinho.
- Que bom Chico. Fico tão feliz!
Você é bom e merece trabalhar com patrões bacanas.
- Se quiser, eu posso conversar com a vizinha e saber se ela precisa de uma empregada.
- Eu faço qualquer coisa:
lavo passo, cozinho. Faria isso por mim?
- Claro! Sabe o quanto gosto de você.
Delis sentiu um frémito de emoção.
Gostava do Chico.
Fazia muito tempo que não sentia atracção por homem algum.
Ela era separada, tinha dois filhos para criar.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 04, 2015 9:36 pm

Fazia anos que estava sozinha.
Desde que o conhecera vinha sentindo algo diferente, especial.
Chico, por sua vez, também gostava de Delis.
Era viúvo, tinha uma filha que estava noiva, e também estava só.
Daquele abraço surgiu, na mente de ambos, outras possibilidades além da amizade.
Nascia o amor entre eles.
Denise estava impossível.
Excitada e nervosa com a aproximação do rapto de Ricardinho, ela descontava sua ansiedade em ondas de gritos com Deus e o mundo.
Não via a hora de estraçalhar o coração de Leandro, e, por conseguinte o de Letícia.
Sentia um ódio grande do menino, sem motivo aparente.
- Agora vamos ver!
Quero dar um susto nessa família.
Quero ver esse menino se borrar todo.
Ela falou e gargalhou, enquanto puxava sua mala de mão até o táxi que a esperava na porta de casa.
Ela nem se despediu de Delis.
Entrou no carro, pediu ao motorista correr até o aeroporto, evidentemente, de maneira ríspida e estúpida, como era de seu feitio.
Afinal, em que consistia esse sequestro?
Era algo nem tão complexo assim.
Jofre e seus comparsas pegariam o menino e o levariam para o sítio de Inácio.
Em torno de dez dias eles deixariam o menino numa estrada e assim Denise poderia sentir-se vingada de Leandro.
Uma brincadeira de tremendo mau gosto, que poderia trazer consequências terríveis a todos os envolvidos.
Jofre era traficante e trabalhava para um figurão que dominava o ponto de drogas num dos morros do Rio.
Era valente, temido e conhecido por eliminar friamente seus adversários.
Ele havia matado muita gente.
E não sentia um pingo de remorso por isso.
Seu espírito não sabia fazer diferente.
Havia algumas vidas matava sem dó nem piedade.
Deus, em Sua misericórdia, oferecia a ele a chance de reencarnar ao lado de espíritos que se preocupavam com a sua evolução espiritual e que tentavam ajudá-lo a seguir outro caminho que não fosse o do crime.
Em última fase de preparação para reencarnar no planeta, ele fora avisado por um dos colaboradores do Ministério do Auxílio à Reencarnação:
- Ficou muitos séculos no Umbral.
Sabe que está aqui comigo porque ainda há espíritos que acreditam na sua recuperação.
O funcionário falava de Consuelo.
Ela havia reencarnado ao lado de Jofre por muitas vidas, e sempre fora um espírito amigo.
Ao longo das encarnações Jofre fora contraindo cada vez mais inimigos e, na actual conjuntura, só lhe restara Consuelo.
- Eu vou melhorar.
Quando estou ao lado de Consuelo fico bem.
- Aqui não enganamos ninguém.
Se não cumprir com o que lhe traçamos, sabe que nem mais para o Umbral você vai voltar.
- Eu sei. Fui informado de que, se eu falhar nos meus intentos, irei para este outro planeta, que fica próximo do orbe terrestre.
- Esse planeta, que os astrónomos já descobriram, fica próximo da Terra.
Muitos espíritos, como você, estão sendo obrigados a reencarnar e, digamos, endireitar-se.
Se você falhar, não haverá mais perdão.
Irá directamente para esse lugar, tão ruim ou pior que o Umbral.
Sabe que lá só vivem espíritos que não querem, de forma alguma, melhorar e crescer.
Lá todos são iguais em termos de maldade e crueldade.
Matam-se por um punhado de comida.
É como se voltassem à época pré-histórica, onde a lei é a do mais forte.
Não há leis, justiça, nada que possa proteger o indivíduo, a não ser o seu instinto de sobrevivência.
Lá você poderá utilizar de toda sua ira, toda sua raiva para poder se manter vivo.
Poderá matar quantas vezes quiser, poderá ser morto quantas vezes for necessário.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 04, 2015 9:36 pm

- E, se eu me desviar da rota na Terra e for para lá, quanto tempo ficarei nesse planeta?
- Alguns séculos ou milhares de anos, tudo depende.
Os primeiros habitantes da Terra também eram assim como você.
Aliás, você não mudou muito desde que viera de Capela para o orbe terrestre.
Como você, há muitos espalhados pelo mundo terreno.
Todavia, a Terra passa por um período de mudanças, para melhor evidentemente, e a energia do planeta está mudando.
Somente quem tiver o sincero desejo de progredir e crescer, de cultivar a bondade e percorrer o caminho do amor é que vai poder ter o direito de lá reencarnar.
Os brutos de coração, infelizmente, terão de reencarnar em outro planeta. Fui claro?
- Foi. Eu juro que vou permear o caminho do bem.
Depois desta reunião, Jofre preparou-se para o reencarne e voltou a Terra.
O seu espírito deveria passar fome e necessidade.
Levaria surras do pai, comeria o pão que o diabo amassou, mas teria o amor de Consuelo.
Juntos eles iriam vencer as adversidades da vida.
Estava previsto Consuelo reencontrar Emerson.
Eles teriam uma filha e Jofre teria de dar duro para trabalhar e sustentar mãe e irmã.
Se ele perseverasse, mais à frente Consuelo revelaria a verdadeira identidade do pai de Marina, eles receberiam um bom dinheiro e sua vida poderia seguir um caminho feliz e cheio de recompensas.
Haveria ainda a possibilidade de ele reencontrar desafectos do passado e aí seria uma roleta-russa, dependeria do grau de evolução de cada espírito reencarnado.
Jofre poderia fundar uma organização não-governamental e cuidar de crianças carentes - espíritos que ele ceifara a vida em outros tempos - ou até poderia ser morto por um desafecto.
Tudo poderia acontecer.
Infelizmente, como sabemos Jofre não seguiu a rota traçada.
Seu espírito resvalou em erros graves, ele preferiu seguir e continuar, por conta do livre-arbítrio, no caminho do crime.
Ainda havia chance de ele mudar.
Tudo dependia única e exclusivamente de suas escolhas.
O dia seguinte chegou e o sol estava a pino quando Denise acordou.
Ela espreguiçou-se demoradamente, remexendo-se na cama, virando o corpo nu para um lado e para o outro.
Jofre vestia um jeans e uma camiseta.
- Está atrasada.
Dormiu demais da conta, mina.
- Você me deixou desgastada esta noite - ela sorriu maliciosa.
Nunca tive um amante tão viril, tão ardente como você!
Jofre aproximou-se e a beijou nos lábios.
- A gente fazemos o que podemos.
Denise sentiu leve irritação nos ouvidos.
- A gente faz o que pode querido.
- Tá certo. Hoje é o grande dia.
Ela consultou o relógio.
Eram dez e meia da manhã.
- Não se preocupe.
O fedelho sai da escola meio dia e meia.
Temos duas horas de sobra.
- Negativo. Os comparsa me ligaram.
Estão de tocaia.
- Quem vai pegar o menino?
O pai ou o motorista?
- Pelo dia da semana é o pai.
Denise sentiu um arrepio de prazer.
- Ai, que maravilha!
Leandro vai buscar o filho na escola?
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 04, 2015 9:36 pm

- Afirmativo.
- Quero ver a cara dele quando vocês pegarem o fedelho.
- Não. Você não pode estar perto.
- Eu queria tanto.
- Não pode, é arriscado.
Tu segue directo pró sítio.
- Mas vou poder ver o menino depois, certo?
- A gente botamos um capuz nele e...
- Não! - protestou ela.
Eu quero ver a carinha dele.
Quero ver aqueles olhinhos cheios de pavor.
Eu quero, eu preciso ver a cara desse menino.
- Por que odeia tanto ele?
Ela deu de ombros.
- Não sei. Acho que não é ódio.
É uma vontade mórbida de ver o infeliz sofrer.
Não sei explicar.
Coisas que estão aqui e que a gente sente - ela apontou para o peito.
Jofre a beijou e lhe entregou um envelope.
- Pega o carro na garagem.
Vá para o sítio do seu amigo.
O Dimas e o Tinhão vão levar o menino directo para lá.
Quero que você recebe eles.
O menino vai estar encapuzado.
Nada de ver ele antes de mim chegar.
- Vou seguir à risca as suas ordens.
Vou controlar minha ansiedade.
Eu espero você chegar para me mostrar o menino.
- Óptimo.
Jofre terminou de se arrumar, pegou uma pistola automática.
Meteu a arma por trás da calça.
Em seguida, pegou o celular e ligou:
- Como estão as coisa, Tinhão?
- Tudo certo, chefe. Estamos aqui de tocaia.
A hora que o menino sair à gente avança no carro.
Deixe com a gente.
- Qualquer problema, me ligue.
- Não vai ter problema algum.
Vai dar tudo certo. Pode acreditar.
- Valeu compadre.
Jofre desligou e foi tomar seu desjejum.
Enquanto se servia de café e leite, lembrou-se dos últimos dias, dos acontecimentos, das ordens dadas para a execução do plano.
Os capangas de Jofre eram figuras perigosas, frias e muito violentas.
Eles estudaram minuciosamente os passos de Ricardo, a hora que saía para a escola, a hora que voltava os horários de natação e de inglês.
Verificaram o esquema de segurança do condomínio e perceberam que lá seria impossível fazer alguma coisa.
O condomínio - um dos mais nobres, caros e seguros da Barra da Tijuca - era dotado de forte esquema de vigilância, dotado de muitas câmaras e seguranças bem treinados.
O menino deveria ser pego na saída da escola.
Mesmo que de maneira ousada, à luz do dia.
Esses marginais adoravam causar terror na população.
E não fariam diferente no caso do sequestro de Ricardo.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 04, 2015 9:37 pm

Jofre sorriu sinistramente.
Finalmente, o dia para a realização do plano sórdido havia chegado.
- É agora que metemos a mão na grana dessa família - disse para si, em voz alta.
Denise pensa que somos otário.
Achou que a gente estava realizando um capricho seu.
Claro que vamos realizar, mas a tonta não falou que a gente iríamos sequestrar o filho de um figurão, do Leandro Dantas.
A gente vamos fazer o capricho dela, sequestrar o menino e dar um susto na família.
Mas também queremos botar a mão na grana.
E falo em grana preta.
Vou querer uns milhão para torrar...
Ricardinho acordou com dor de cabeça nesse dia.
- Acho melhor você não ir à escola hoje, filho - disse Letícia, depois de colocar a mão sobre a testa do filho.
Está febril.
- Bobagem, mãe. Eu sou forte, saudável.
Deve ser uma indisposição.
Ontem eu exagerei no açaí com granola.
Deve ter sido isso.
- Já falei para não comer açaí antes de dormir.
- Eu sou um homenzinho.
Preciso comer açaí para ficar forte.
Meus amigos são todos fortes.
- E para que quer ser tão forte?
- Para proteger a nossa família:
o papai, você, esse nené que está para nascer - ele passou delicadamente a mão sobre o ventre avantajado de Letícia.
Ela se emocionou.
Beijou-o várias vezes no rosto.
- Você é o meu herói! Meu meninão!
- Sou mesmo - ele se levantou e calçou os chinelos para ir ao banheiro.
Quando vai nascer minha irmã?
- Como você soube?
Era para ser uma surpresa.
- Eu a escutei conversando com a Mila outra noite.
Vocês estavam escolhendo o nome da menina
Falaram em Gabriela, Júlia, Camila...
- Você anda escutando atrás das portas.
Que coisa feia! - disse num tom de censura, brincando com o filho.
- Eu fiquei contente. Não fiz por mal.
- E qual o nome que você mais gostou?
- Eu?!
- É, Ricardinho.
Que nome você mais gostou.
Ele levou o dedo ao queixo e pensou por instantes.
- Gostei muito do nome Camila.
- É mesmo?
- É. Acho bonito. Camila.
- Eu estava na dúvida entre Júlia e Camila.
Já que você gostou do nome, sua irmãzinha vai se chamar Camila.
- Pena que eu não vou acompanhar o seu crescimento.
- O que foi que disse?
- Que eu não vou acompanhar o crescimento da minha irmã.
- Por que diz isso? - Letícia levou a mão ao peito.
Sente alguma coisa?
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 04, 2015 9:37 pm

Está com alguma sensação de coisa ruim? O que...
O menino a tranquilizou.
- Calma mãe. Falei por falar.
Sei lá. Desculpe-me.
Ricardo aproximou-se de Letícia e a abraçou com carinho.
- É a melhor mãe do mundo. Amo você.
Ele a beijou e Letícia sentiu uma desagradável sensação no peito.
A pressão caiu e, se não fosse Ricardo, ela iria ao chão.
- O que foi mãe?
Não está se sentindo bem?
Ele conduziu Letícia até sua cama.
Ela se sentou com dificuldade.
- Não foi nada.
A pressão caiu só isso.
- Mesmo?
- Sim. O médico disse que sua irmã deve nascer entre semana que vem e dez dias.
- Vai ser uma festa só!
- Vai sim - falou ela, o rosto pálido feito cera.
- Melhor eu chamar o papai.
- Não. Deixe seu pai descansar.
Ele tem se esforçado muito para ficar mais aqui do que em São Paulo a fim de estar mais perto de nós.
Não vamos acordá-lo por besteira.
- Mas eu vou para a escola.
O motorista vai me levar e não pode ficar aqui assim, desse jeito.
- Mila vem tomar café comigo.
Daqui a pouco ela chega.
- Está certo.
Fique aqui descansando na minha cama.
Eu vou colocar o uniforme da escola.
Ricardinho levantou-se e foi até o banheiro.
Letícia abanava o rosto com as mãos.
Estava sentindo uma fraqueza sem igual.
O seu coração de mãe já estava prevendo o pior, porém ela, envolvida com a gravidez, pensou:
- Logo passa.
No dia anterior, Consuelo dera entrada no hospital e fora levada directamente para a UTI - Unidade de Terapia Intensiva.
Seu quadro de saúde inspirava cuidados e não era dos melhores.
Uma simpática médica veio ao encontro de Marina.
- Você é parente de Consuelo Maria da Silva?
- Sou eu, sim.
- Preciso ser franca com você.
O estado de saúde de sua mãe é grave.
Marina levou a mão ao peito.
Recompôs-se e falou:
- Mamãe há anos é hipertensa e vinha tomando seus remédios.
Cada mês estávamos num médico diferente.
- Ela sofreu um acidente vascular cerebral.
Faremos o possível para que o AVC isquémico não se transforme num acidente hemorrágico, o que pode ser fatal.
Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para salvar sua vida.
- Obrigada, doutora. Muito obrigada.
Marina continuou com a médica mais uns minutos.
Ela podia visitar a mãe duas vezes ao dia, à tarde e a noite, por meia hora cada visita.
Ela também teve de assinar os papéis de internação, fazer toda a parte burocrática.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 05, 2015 8:28 pm

Uma hora depois, aflita e sem querer sair do hospital, ligou para Patrícia.
Contou sobre o ocorrido e Patrícia lhe pediu calma, em duas horas no máximo, estaria no hospital.
Ela anotou o endereço e finalizou:
- Aguente firme que logo eu e Adriano estaremos aí.
- Obrigada.
Patrícia ligou para o marido e sugeriu:
- O que acha de ligar para o Edgar?
- Marina e ele não se bicaram no jantar.
Acha mesmo que devo chamá-lo?
- Sinto que sim.
Se Edgar sente algo por Marina, vai ser agora que vai poder mostrar.
Ela está fragilizada.
Contou-me superficialmente que hoje não foi um bom dia para ela.
Sabia que Denise a demitiu?
- Sério?
- Pois é. Ela foi demitida e, ao que tudo indica, quando d. Consuelo soube do ocorrido, passou mal e teve o derrame.
- Puxa vida! Marina não merece passar por isso.
- Acho que por ora os amigos devem estar ao seu lado.
Ela não tem família, não tem parentes, não tem ninguém.
Nós somos a família dela.
- Tem razão, amor.
Eu vou sair mais cedo do trabalho e pego você no seu.
Vou ligar agora mesmo para o Edgar.
Desligaram o telefone e Adriano ligou para o celular de Edgar.
Caiu na caixa postal.
Adriano ligou mais uma duas vezes.
Nada de atender. Ele ficou ressabiado.
- Estranho. Edgar sempre atende ao telefone, mesmo no trabalho.
Não satisfeito, Adriano ligou para a empresa onde Edgar trabalhava.
A secretária atendeu e o cumprimentou:
- Como vai, Adriano? Tudo bem?
- Tudo.
Antes de ele perguntar ela disparou:
- Por onde anda seu amigo?
- Eu iria lhe fazer a mesma pergunta, Rose.
- Edgar não veio trabalhar hoje.
E eu achei muito esquisito porque os directores marcaram uma reunião importantíssima para logo cedo.
Essa reunião estava marcada havia dias.
O Edgar nunca foi de faltar assim.
Quer dizer, teve aquele afastamento por conta da caxumba meses atrás, mas nunca faltou um dia sequer.
E, quando se atrasa, sempre me liga.
- Você tentou o celular dele?
- Liguei umas cinco vezes.
Só deu caixa postal.
Adriano desligou o telefone e nem achou graça na desculpa que Edgar inventara ao pessoal do escritório quando ficara afastado por conta da tentativa de suicídio.
Rose era funcionária competente, trabalhava para Edgar havia anos e não era mexeriqueira.
Se ela não conseguira localizar o chefe, coisa boa não havia de ser.
Adriano pousou seu celular na mesa e sentiu um gosto amargo na boca.
Enfiou o dedo no colarinho e afrouxou a gravata.
Teve a mesma sensação de quando Edgar tentara se matar. Idêntica.
Uma sensação estranha no peito.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 05, 2015 8:28 pm

- Ele estava tão bem ontem no jantar.
Estava acompanhado de uma loira de fechar o comércio.
Adriano ficou pensativo por instantes e pensou em ligar para João, o porteiro do prédio.
Desde a tentativa de suicídio, ele mantinha em sua agenda todos os telefones de pessoas ligadas a Edgar:
os pais dele, a secretária e o porteiro do prédio.
João atendeu:
- Olá, seu Adriano.
- Como vai, João, tudo bem?
- Tudo em ordem.
O senhor deseja alguma coisa?
- Diga-me, você está no prédio?
- Estou. Hoje entrei às seis da manhã e vou ficar até as seis da tarde. Por quê?
- Você viu que horas o Edgar foi trabalhar?
- Olha, eu acho que ele não foi trabalhar, não.
Não o vi sair com o carro da garagem e também não o vi sair pela portaria.
Adriano desesperou-se.
Procurou manter a voz menos tensa.
- João, por favor, interfone agora mesmo para o apartamento dele.
- Sim, senhor - João interfonou, uma, duas, três vezes.
Ninguém atende.
- Você faz uma gentileza?
Suba e dê uma olhada.
- Eu não tenho autorização, seu Adriano.
Se eu for lá e abrir o apartamento, posso ir para o olho da rua.
- Mas sabe o que aconteceu no passado.
João coçou o queixo, pensativo.
- Tem razão.
- Por favor, João, vá até o apartamento.
Pegue aquela chave reserva que eu lhe dei.
Eu me responsabilizo por tudo.
Fique sossegado.
- Não sei, não, seu Adriano.
- Por favor.
Eu sinto que Edgar não esteja bem.
- Está certo.
- Vá até o apartamento e me ligue em seguida, pode ser?
- Combinado.
Adriano desligou o telefone, mas não esperou pela ligação de João.
Terminou o expediente, entregou uns relatórios para a sua assistente e foi embora.
Pegou o carro no estacionamento do prédio em que trabalhava na região da Avenida Paulista.
De lá, seguiu directo para a casa de Edgar.
Quando estava próximo ao prédio, coisa de dez minutos, o celular tocou.
Ele colocou no viva-voz e continuou prestando atenção no trânsito.
- Seu Adriano...
João estava com uma voz chorosa, desesperado.
- O que foi?
- Corra para cá, pelo amor de Deus!
Acho que seu Edgar dessa vez conseguiu se matar...
Faltavam vinte minutos para Ricardo sair da escola.
As terças e quintas-feiras, Leandro viajava para São Paulo e cuidava dos negócios.
Havia contratado um óptimo executivo para ficar em seu lugar nos outros dias da semana.
Ele decidira desde que Letícia engravidara ficar mais próximo dela e do filho.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 05, 2015 8:28 pm

Estavam estudando a possibilidade de mudar para São Paulo, mas isso tudo eram conjecturas.
Eles iriam conversar depois que a menina nascesse.
Leandro buscava o filho as segundas, quartas e sextas-feiras.
Nesta sexta-feira ele estava radiante.
Acordou bem-disposto, cumprimentou Letícia, tomou café da manhã com ela e Mila.
Depois, trancou-se no escritório e por meio do computador conversava com funcionários, realizava conferências.
Ele deixava um despertador para tocar por volta do meio-dia.
Era o momento de buscar o filho na escola.
Leandro chegou próximo à escola e entrou com seu carro no pequeno pátio destinado aos pais.
Esperou um pouco, escutava uma estação que tocava música antigas.
Ficou cantarolando uma até que o filho apareceu.
Ele destravou as portas do carro e Ricardo entrou.
Eles se beijaram e o filho disse todo animado:
- Tirei dez na prova, pai.
- É mesmo?
Leandro deu partida e saíram por uma ruazinha que dava acesso à Avenida das Américas.
Ricardo estava todo empolgado.
- É. Eu sabia que era bom em história e geografia.
- Difícil um garoto na sua idade gostar dessas matérias.
Aliás, na sua idade, eu francamente não gostava de nenhuma.
Os dois riram.
- Eu adoro pai.
Conhecer outros países, outras culturas.
Acho o mundo uma maravilha, um lugar delicioso de se viver.
- O que tem vontade de ser quando crescer?
- Não sei. Talvez trabalhar no mundo todo, ser um funcionário da ONU ou mesmo um embaixador do Brasil lá no estrangeiro.
- Muito me admira você pensar tão grande assim.
- Eu penso.
- Fico feliz, porque sua mãe hoje, na mesa do café, disse-me que você não iria acompanhar o crescimento da sua irmã.
Por que disse isso, meu filho?
Ricardo ia responder, mas subitamente Leandro foi obrigado a frear bruscamente.
Um carro veio feito louco na contramão e o fez frear, caso contrário iriam se chocar.
Leandro achou se tratar de um louco varrido, desses delinquentes que usam o carro como se estivessem guiando um tanque de guerra.
- Você está bem, meu filho?
- Estou pai.
Ainda bem que estou usando o cinto de segurança.
Leandro ia sair do carro, mas aconteceu tudo rápido demais.
Dois homens encapuzados saíram do veículo e cada um foi para um lado da porta.
O que parou ao lado da porta de Leandro apontava um pistola.
O que estava parado na porta de Ricardo apontava um fuzil.
Não tiveram tempo de fazer nada.
Tinhão gritou mandou abrirem a porta.
Leandro apavorou-se e não conseguia apertar o botão de destravamento da portas.
O capanga então meteu o fuzil no vidro do lado do passageiro.
Arrebentou o vidro e mandou o menino sair.
Ricardo estava apavorado e paralisado pela brutalidade.
Leandro fez um movimento para tirar o cinto de segurança e ajudar o filho a tirar o dele.
Tinhão achou que ele fosse reagir, nem pestanejou.
Disparou a arma e meteu três tiros nele.
Ricardo deu um grito de pavor.
- Pai!
Os rapazes arrancaram o menino do carro e o levaram para outro veículo.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 05, 2015 8:29 pm

Fizeram Ricardo cheirar um pano com éter, ele desmaiou e eles o encapuzaram, jogando-o dentro do porta-malas do veiculo.
Os dois marginais saíram em disparada, cantando pneus e atirando para os lados e para o alto, assustando os passantes.
A última cena que o menino viu foi o pai cerrando os olhos, inconsciente.
Ensanguentado e sem força para reagir, Leandro sentiu o gosto amargo de sangue e foi perdendo a consciência.
Antes de ver o filho sumir, seus olhos se fecharam e seu corpo pendeu pesadamente para a frente.
Leandro em espírito viu seu corpo físico inerte caído sobre a direcção do veículo.
Não entendeu nada.
Ele olhava para o seu perispírito e para seu corpo sem nada entender.
O que estaria acontecendo?
Eu não conseguia concatenar os pensamentos.
Em seguida, olhou para a frente e viu o filho sendo encapuzado e colocado no porta-malas do veículo.
O seu espírito se sentiu tão mal que não suportou.
Também perdeu a consciência e desmaiou.
Adriano jogou o carro praticamente no meio da rua, saiu correndo e entrou o prédio.
João estava aflito.
- Eu não tive coragem de ficar lá.
Acho que ele endoidou antes de morrer.
Os móveis estão revirados, tudo fora do lugar.
Uma bagunça. O corpo está caído no chão do quarto, pelado.
Eu coloquei um lençol sobre o corpo, pobrezinho.
Adriano entrou no elevador e parecia uma eternidade chegar ao décimo andar do edifício.
Entrou no apartamento e não acreditou no que viu.
Estava mesmo uma bagunça.
Ele correu até o quarto.
Edgar estava estendido no chão, um lençol cobria seu corpo até o pescoço.
Adriano se aproximou e instintivamente colocou o nariz próximo da boca de Edgar.
Ele respirava!
- Graças a Deus!
Adriano enlaçou o amigo, sentou-o e posicionou-o para que suas costas ficassem encostadas nos pés da cama.
Bateu levemente no rosto do amigo.
Edgar não respondeu.
- Por favor, Edgar.
O que você fez desta vez?
O que tomou homem de Deus?
Ele continuou de olhos fechados.
Adriano foi ao banheiro, pegou um copo com água fria e começou a passar nos pulsos e rosto do amigo.
- Acorde, Edgar, pelo amor de Deus, acorde.
Não vai morrer agora, por favor.
Adriano começou a chorar e abraçou o amigo.
Como era triste ver Edgar daquele jeito.
Sabia que, em alguns casos, o suicida fazia nova tentativa de tirar a vida.
As lágrimas escorriam insopitáveis.
- Por que, Edgar? Por quê?
Aos poucos, Edgar foi balbuciando.
- Hã, eu... O que... Fiz...
Não quero... É 34-00-03...
- Graças a Deus! - Adriano vibrou contente.
Seja lá o que tomou, está recobrando a consciência.
- 34-00-03.
Edgar não parava de repetir essa estranha combinação de números.
Adriano correu até a lavandaria e pegou o amoníaco.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 05, 2015 8:29 pm

Misturou com água e trouxe para o amigo cheirar. Edgar foi abrindo os olhos e de repente deu um grito:
- O que foi?!
- Eu é que pergunto homem.
O que aconteceu?
Edgar foi concatenando aos poucos os pensamentos.
Olhou ao redor, reconheceu o quarto.
Depois, olhou para o corpo desnudo e em seguida para Adriano.
- O que aconteceu?
- Não faço ideia, mas antes de qualquer coisa, diga-me:
o que você tomou desta vez?
- Hã?
-Tomou barbitúricos, ansiolíticos, o quê?
Eu não achei nada de remédio, nada de veneno.
Com o que tentou se matar desta vez, Edgar?
- Eu não tentei...
- O que você tomou?
- Não sei.
- Vou ligar imediatamente para uma ambulância.
Precisamos ir urgentemente ao hospital.
Edgar mexeu a cabeça para os lados de maneira negativa.
- Não. Não é preciso ligar.
- Como não?
Olha o seu estado!
- Estou me recompondo. Calma.
Me dê um copo com água.
A minha garganta está seca, muito seca.
- Preciso saber o que você tomou.
- Não sei, mas me dê um copo com água.
Adriano foi até o banheiro e encheu um copo.
Voltou correndo.
- Tome.
Edgar tomou de maneira apressada, quase num gole só.
Engasgou-se e tossiu.
- O que foi?
O que está acontecendo? - indagou o amigo, aflito.
- Calma Adriano.
Eu me engasguei. Só isso.
- Sente-se melhor?
Vou ligar para a emergência.
- Não precisa.
Agora eu me lembro.
- Se lembra de quê?
- De tudo.
Lembra-se da loira que eu levei para jantar?
- Sim.
- Pois bem.
Depois do jantar ela foi se insinuando, falando melado e eu não resisti.
Eu a convidei para vir aqui em casa.
Fiz um drinque para ela, outro para mim.
Fui ao banheiro e quando voltei bebi meu drinque e apaguei.
Adriano passou a mão na testa.
- Ufa! Menos pior.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 05, 2015 8:29 pm

- O que acha que aconteceu?
Eu apaguei e acordei agora, com você gritando no meu ouvido.
- Desculpe amigo.
Pensei que você tivesse cometido aquela loucura novamente.
- Qual nada!
Aquilo foi um acto desesperado para chamar a atenção da Denise.
Eu queria que ela sentisse pena de mim, fosse correndo ao hospital e falasse que me amava mais que tudo.
Fiz de caso pensado.
Tanto que tomei um pouquinho só de veneno.
- Mas não deixou de ser loucura.
Você nos preocupou muito daquela vez.
- Mas o que me aconteceu?
- Você foi vítima do chamado Boa-Noite Cinderela. Só isso.
- Eu? Imagine. Eu sou esperto.
- Muito esperto.
Tão esperto, que o seu apartamento está todinho revirado.
Os móveis estão fora do lugar, às gavetas remexidas.
Olhe seu closet - apontou - está todo bagunçado.
- Minha nossa!
Edgar levantou-se sentindo pequena tontura.
Vestiu uma cueca e, conduzido por Adriano, foi olhando cómodo por cómodo da casa.
- Fui roubado!
- Onde está a sua carteira?
- Ali em cima da mesa de jantar.
A carteira estava aberta e vazia.
Somente com uma folha de louro que Edgar ganhava da mãe no réveillon.
Era para ter a carteira sempre cheia, o ano inteiro.
- A loira levou seus cartões e dinheiro.
Você tem talões de cheque, dinheiro ou jóias?
- Não. Só tenho os cartões de crédito.
Os talões ficam no cofre da empresa.
Eu não tenho jóias.
Quer dizer, tinha um relógio do meu pai, antigo.
Foram até o armário e o relógio havia sumido.
Adriano falou de forma inesperada:
- Você ficava repetindo 34-00-03.
O que quer dizer?
- O quê?
- Você falou algumas vezes essa sequência numérica:
34-00-03.
Edgar levou a mão à testa.
- Putz!
- O que foi?
- Essa é a senha do meu cartão do Banco!
- Acho melhor você ligar imediatamente para o Banco e para as operadoras de cartão.
Edgar ligou e cancelou o cartão do Banco e os de crédito.
Em seguida, tomou um banho bem demorado mais frio que morno.
Saiu do banho e Adriano falou:
- Vamos ao hospital.
- Estou bem.
- Não sabemos o que tomou.
Não temos ideia do que essa loira meteu na sua bebida.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 05, 2015 8:29 pm

- Você não lê jornais?
Não vê como esse crime tem se disseminado no país todo?
São homens e mulheres bem-vestidos, aparentemente cultos e refinados, que entorpecem o outro para roubar e também matar.
Santo Deus, Edgar!
- Pare de gritar comigo.
Fui vítima, fazer o quê?
- Onde estão os copos?
- Os copos estão em cima da mesa da sala.
Adriano foi até a sala e nada.
Foi até a cozinha e os copos estavam lavados e secos.
A loira fora esperta, não deixara marcas de batom ou mesmo impressões digitais.
Seria praticamente impossível descobrir a autora do atentado.
Em todo caso tinha sido uma grande lição para Edgar.
Nunca mais levaria estranho que fosse até o seu apartamento.
Ele voltou ao quarto.
- Ela foi esperta.
Lavou os copos e aparentemente não deixou impressões.
Acho que não vamos conseguir pegá-la.
Em todo caso, se quiser prestar queixa...
- Quero ir à delegacia, sim.
Não importa. Tenho de denunciá-la.
E, ademais, precisarei do boletim de ocorrência caso tenha problemas com saques nos cartões do Banco e gastos com as administradoras de cartão de crédito.
- Bem pensado.
Vamos até a delegacia e depois ao hospital.
Você conhece o Hospital São Basílio?
- Sim. Acho que meu convénio me dá direito a usar esse hospital.
Por quê?
- Porque depois de fazer o boletim de ocorrência vamos para lá.
Os médicos podem fazer alguns exames e nos tranquilizar.
- Você se preocupa muito comigo.
- Claro! Você é meu irmão.
Atrapalhado e inconsequente, mas é meu irmão. De coração.
Edgar o abraçou com carinho.
- Obrigado, Adriano.
Você é meu grande irmão. Meu protector.
- Aproveitamos e matamos dois coelhos com uma cajadada só.
- Como assim?
- A mãe da Marina teve um derrame e foi internada nesse mesmo hospital.
- Puxa! Sério?
- É. Ela está sozinha e fragilizada.
Não tem parentes, ninguém.
- Ela é muito bacana - disse Edgar, enquanto se vestia.
- Bacana e apaixonada.
- A Marina está apaixonada?
Aposto que deve ser por um dos fortões do nosso grupo de corrida.
- Você não sente nada por ela? - indagou Adriano.
- Acho ela bonita inteligente.
Mas é muita areia para o meu caminhão.
- Você acredita nisso?
- Hum, hum.
Marina nunca iria olhar para mim. Bobagem.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 05, 2015 8:30 pm

- Prepare-se para escutar a bomba do ano.
- O que foi?
- Marina está apaixonada por você!
Ricardo abriu os olhos e pendeu a cabeça para os lados.
Havia uma luz fraca no quarto.
Ele estava numa cama, ao lado havia uma pequena mesinha para refeições e duas portas mais à frente.
Uma era do banheiro e outra da saída do quarto.
A janela estava vedada com uma lâmina de madeira.
O ambiente estava bem abafado e ele pensou que iria sufocar, de tanto calor.
O menino foi mexer as mãos e percebeu um dos pulsos algemado à estrutura de ferro da cabeceira da cama.
Ele respirou fundo, revirou-se sobre o colchão duro e pensou no pai.
As lágrimas desceram rápidas.
A cena tinha sido muito forte.
Ver o pai morrer, ali na sua frente o devastara, estraçalhara seu coraçãozinho de doze anos de idade.
Naquele momento, Ricardo pensou na mãe e na irmã que estava por nascer.
As ideias estavam meio embaralhadas.
Mas suspeitava que fora sequestrado.
Tinhão entrou no quarto.
Estava com um capuz sobre a cabeça.
- E aí, garoto, ta com fome?
- Não. Não quero comer.
- Desse jeito vai morrer.
Precisa comer alguma coisa.
Faz um dia que você está aqui e o chefe mandou você comer.
- Não vou comer.
Tinhão deu de ombros.
Pegou o sanduíche de presunto e jogou sobre a mesinha.
Saiu e voltou em seguida com uma garrafa de guaraná.
- O prato do dia é esse.
Se quiser, coma.
Se não quiser, o problema é seu.
É a sua barriga que vai roncar, e não a minha.
Ele riu e saiu.
Bateu a porta e passou o trinco.
Do lado de fora, ordenou para Dimas:
- Fica de olho na porta.
O garoto ta arredio.
Acho que vai dar trabalho.
- Deixa comigo.
Se ele der uma de engraçadinho eu lhe aplico um correctivo.
Sabe que eu sou bom com crianças.
Tinhão riu.
- Seu filho da mãe!
Ta a fim de abusar do garoto, né?
Dimas deu uma gargalhada maliciosa.
- Pode crer!
Se esse garoto der mole eu traço.
Adoro garotinhos.
- Seu sem-vergonha.
Tinhão falou e saiu.
Ricardo estava no quarto da casa do caseiro, um pouco afastada da casa principal do sítio.
Nela, Denise estava deitada no sofá, a cabeça no colo de Jofre.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 05, 2015 8:30 pm

- Pena que tiveram de apagar o Leandro.
Eu não queria que chegasse a tanto, mas paciência.
- Ele tentou revidar e levou chumbo.
O meu bando não perdoa - ele bebericou um pouco de cerveja, estalou a língua no céu da boca e emendou:
Não saiu nada nos jornais.
- Esse tipo de sequestro, de gente rica e conhecida não sai na mídia.
É sigiloso.
- Eu liguei para a casa deles hoje e falamos com uma mulher.
Acho que era a sogra do falecido.
Denise interessou-se.
- O que você disse?
- Que o garoto ta vivo e bem.
Que queremos dez milhões de dólares para domingo à noite.
Ou eles me dão o dinheiro, ou apagamos o menino.
Denise levantou de um salto.
- Não!
- Como não?
- Não foi o combinado.
- E eu com isso?
Assinei algum papel?
Denise exasperou-se.
- Eu só queria dar um susto na família, Jofre.
Tudo bem que os planos não saíram como o combinado, o Leandro morreu.
Mas a gente acertou de largar o menino semana que vem na estrada, num ponto da rodovia Fernão Dias.
Jofre balançou a cabeça para os lados.
- Negativo mina.
Queremos arrancar muita grana dessa família.
Eles têm grana pacas.
Queremos botar a mão na grana e depois a gente largamos o menino na estrada.
Mas só depois de receber meus milhão.
- Jofre, eu acho arriscado demais.
O Leandro é profissional conhecido no país todo, a polícia já deve estar atrás de pistas.
Se devolvermos o menino rapidamente, não corremos riscos.
Mas se você o mantiver preso aqui até receber o dinheiro, podemos entrar numa fria.
Ele gargalhou.
- Qual é que é agora? Ta me gorando?
- Não é isso. Mas veja bem...
- Cala a boca, mina.
Jofre falou e deu-lhe um sonoro tapa no rosto.
Denise sentiu a face arder e desequilibrou-se.
Escorregou e esparramou-se no sofá.
- Como pode me bater?
- Tu merece.
Ta esgotando a minha paciência.
Não para de falar. Que coisa!
- Jofre...
- Se abri a boca de novo te enchemos de porrada, ta ligada?
Ta entendendo ou precisa levar outro tapa?
Ela encolheu-se toda no sofá.
- Não. Não preciso.
- Acha que a gente íamos perder essa oportunidade?
Quando falou do menino, a gente achamos graça.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 05, 2015 8:30 pm

Faria o sequestro para te agradar.
Sabia que era um capricho.
Mas depois descobrimos de quem se tratava, aí, mina, os olho cresceram.
Resolvemos tirar proveito.
- Dessa forma vamos ser presos.
Eu não quero ser presa!
Jofre não aguentava mais escutar a voz irritante e esganiçada de Denise.
Deu um grito, um assobio, e chamou Tinhão.
- Pega essa daí e leva para fazer companhia pró menino.
Os olhos de Tinhão iam de Jofre a Denise e voltavam.
O rapaz estava numa dúvida tremenda.
- O que foi? Não entendeu?
Leva essa daí - apontou para Denise - pró cativeiro.
Tinhão obedeceu com um aceno de cabeça.
Pegou Denise pelos braços.
- Solte-me! Está me machucando.
- Se ela der trabalho, mete bala.
Pode apagar.
Denise entrou em pânico.
- Como pode fazer isso comigo, Jofre?
Fui eu quem bolou o plano.
Espere aí, vamos conversar.
- Não temos nada para conversar contigo.
- Podemos dividir o dinheiro, eu fico com quarenta por cento e lhe dou sessenta.
Jofre deu nova gargalhada.
- Ta pensando o quê?
Que somos otário?
- Eu fico com vinte por cento.
Desculpe-me querer parecer mesquinha...
Denise falava para ganhar tempo e acalmar os ânimos de Jofre.
Negativo. Ele fez um sinal com a cabeça e Tinhão foi arrastando-a até a casa do caseiro.
Dimas estava sentado na porta, de tocaia.
Ao vê-lo levantou-se imediatamente.
- O que aconteceu?
- O patrão mandou botar essa daí na casinha com o garoto.
Dimas abriu largo sorriso.
Seus dentes eram manchados de nicotina.
Ele mastigava um palito de fósforo entre os dentes amarelados.
- Sabia que ia dar nisso.
Ele abaixou-se e pegou um frasco que estava ao seu lado.
Molhou um pedaço de pano com éter e virou-se abruptamente na direcção do rosto de Denise.
Ela nem se debateu.
Desmaiou no mesmo instante.
Tinhão a tomou nos braços, Dimas abriu a porta.
Ricardo acordou num susto.
- Calma aí, garoto.
Não se assusta, não.
Trouxemos companhia.
Tinhão deitou o corpo de Denise no chão, próximo à cama.
Sacou uma algema do bolso de trás da calça e prendeu o pulso esquerdo dela ao pé da cama.
- Não quero ninguém fazendo sacanagem aqui - disse Dimas.
Só eu é que posso brincar - e dei uma gargalhada que ecoou por todo o cómodo.
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