O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 29, 2015 9:51 pm

Do jeito que gosto. Pode confiar em mim.
- Se você diz isso, eu acredito.
- Vou mandar redigir dessa forma.
Depois, entrego o contrato para o contador.
Vamos ganhar um bom dinheiro com essas cláusulas adulteradas.
- Muito dinheiro. Garanto que sua comissão será bem mais apetitosa.
Vou fazer de você uma mulher rica.
A rede Dommênyca é tão forte que não vai perceber essa mordidinha no seu lucro.
- Não mesmo.
Como você é advogado de confiança da empresa, há anos, tudo fica mais fácil.
E quero ficar rica para gastar os tubos na Daslu.
Quero viajar sempre de primeira classe.
Odeio viajar na classe económica, espremida entre aquela gente sem educação.
Dinheiro me dá uma sensação muito grande de poder.
Adoro ter poder sobre as situações, sobre as pessoas!
Quero comprar meu casarão no Jardim Europa e sair daquele maldito flat.
- Não está feliz no flat?
Você mesma o recomendou aos meus clientes chineses.
- Lembranças desagradáveis.
Inácio aproximou-se e passou o braço pelos ombros dela.
- O que está acontecendo com você?
- Nada.
- Eu a conheço bem, sua danada!
Desde a semana passada tem conversado pouco, a sua fala tem sido monossilábica.
Nossas reuniões eram animadas, discutíamos preços, e agora você mal abre a boca.
Concorda com tudo.
Não discute mais com os outros advogados.
Soube aí na empresa que você se separou, é esse o problema?
- Qual nada! A separação foi um bálsamo pare mim.
Deveria ter me separado do Edgar há muito mais tempo.
Eu me casei com ele por conta de uma herança ridícula deixada pela minha tia.
- A casa do Pacaembu.
- Que estava caindo aos pedaços.
Vendi por uma ninharia.
Apliquei o dinheiro, mas eu sou uma mulher cara.
Gastei em roupas, carros último tipo.
Não sobrou nada.
- E porquê então... - Inácio sorriu malicioso.
Hum tem outro na parada!
Está apaixonada por outro e ele sumiu, desapareceu.
Estou certo no meu diagnóstico?
- Não é questão de estar apaixonada.
É o desplante mesmo.
Estou me sentindo usada e descartada.
Este tão na cara assim?
- Se está!
- Não sei o que fiz.
Leandro não retorna minhas ligações.
Sumiu do mapa.
Ninguém me passa a perna desse jeito.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 29, 2015 9:52 pm

- Eu sabia que você e Leandro estavam juntos.
- Como? - Denise fuzilou o colega com os olhos.
Sempre fui muito discreta.
- Eu percebo as coisas.
Você era muito dócil ao lado dele.
Negociava sempre com um largo sorriso nos lábios.
Algumas vezes percebi seus pés roçando-nos dele por debaixo da mesa de reuniões.
E, de mais a mais, sou homem experiente e sei das coisas.
- Tomei um belo pé do Leandro.
Não esperava que fosse acontecer dessa forma.
- Tenho a impressão de que você nunca foi rejeitada. Estou certo?
- Eu?! - ela jogou a cabeça para trás e deu sonora gargalhada.
Imagine! Sempre dei as cartas, constantemente fui mulher que sabia das coisas e deixava os homens se arrastando aos meus pés.
Nunca senti o que estou sentindo.
Quer dizer, anos atrás senti um pouquinho desse desplante e acabei com o carro do sujeito.
- Está sentindo o gosto amargo da derrota.
- Isso me dá um ódio!
Tenho vontade de esganar o Leandro.
- Estava muito envolvida com ele?
- Um pouco. Mas vamos deixar esse assunto de lado.
- Vamos nada. Eu posso ajudá-la.
- De que maneira?
- Nunca pensou em vingança?
- Como assim?
- Vingança, o mesmo que desforra, vendida, castigo, punição...
Denise sorriu diabolicamente.
- Hum, gostei!
- Precisa dar uma lição nesse homem.
- Castigo, punição... Muito me interessa.
Leandro merece uma punição.
- Vamos almoçar? Eu pago.
E aproveito para lhe dar dicas de vingança.
- Isso me anima. Não sou de ficar para trás.
Bem que preciso dar uma saída.
Não quero comer aqui no refeitório da empresa.
Estou enjoada da comida e de olhar para a cara desses funcionários incompetentes.
- Vamos almoçar num restaurante badalado nos Jardins.
Poderemos conversar e esticar o papo.
- Combinado.
Bateram na porta e Denise pediu para entrar.
Era Marina.
- Está na hora do almoço e...
- Por falar em incompetência, olha quem aparece - falou Denise, fuzilando a assistente com o olhar.
- Deseja alguma coisa, Denise?
- Sim, que você suma da minha frente.
Inácio interveio:
- Não pode tratar sua assistente assim. Tenha modos.
- Estou ainda engasgada com o não comparecimento da senhorita lá no aeroporto.
- Eu lhe expliquei o que aconteceu.
Faz semanas.
- Mesmo que faça anos eu nunca vou me esquecer.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 29, 2015 9:52 pm

- Não tive culpa.
Não podia deixar seu marido ali, largado, necessitando de ajuda.
- Devia, sim. Devia deixar Edgar morrer.
Aquele fraco, idiota, merecia esse fim.
E por que foi se meter em assuntos de família?
Tinha de acompanhá-lo ao hospital?
- Foi preciso.
- Sei. Mais uma dessas e eu a coloco no olho da rua.
Marina não moveu um músculo, continuou olhando Denise nos olhos.
- Vou almoçar. Precisa que eu redija o contrato agora ou pode ficar para quando eu retornar?
- Pode ser na volta do almoço - tornou Inácio.
Denise está com a cabeça quente.
Prometo que vamos sair e na volta ela estará mais calma.
Marina fez uma mesura com a cabeça e saiu.
Fechou a porta e fungou.
- Essa mulher me tira do sério.
- Vai ver a menstruação dela desceu - sussurrou Elisa, a secretária da directoria.
- É grossa, estúpida, grita. E insensível.
O marido quase morreu e ela não está nem aí.
Ainda por cima fica em reuniões fechadas com o Dr. Inácio.
Não gosto dele.
Sinto que é um tremendo vigarista, isso sim.
- Eu também não gosto dele, Marina.
Tem cara de safado, no mau sentido mesmo.
Não me inspira confiança, mas fazer o quê?
Os donos o idolatram, assinam tudo o que ele entrega.
Confiam nele de maneira cega. Quer saber?
Melhor não nos ligarmos na energia que dele emana.
- É um tremendo salafrário.
E me olha com aquele olhar de homem babão, sabe?
Como se quisesse me comer viva.
Não gosto de homem assim.
- Vamos almoçar?
- Vamos, sim.
- Os deixemos de lado.
- Um pouco difícil, né, Elisa?
Eu trabalho o dia todo ao lado dessa mulher.
Passo mais tempo ao lado dela do que ao lado de minha mãe.
- Por esse motivo, devemos manter um bom clima no ambiente de trabalho.
Passamos muitas horas aqui dentro.
- Horas demais, confesso.
- Quanto menos falarmos deles, melhor.
Sabia que quando falamos mal de alguém nós nos ligamos negativamente a essa pessoa e a energia dela fica no nosso campo energético, na nossa aura?
- É mesmo, Elisa?
- É. Tem mais: quando alimentamos sentimentos negativos, a nossa aura fica com uma coloração escura, meio marrom.
Eu percebo isso nas pessoas e posso garantir que a sua, por exemplo, é dotada de cores claras.
- E é bom sinal?
- Por certo.
Cores claras significam que você tem uma boa saúde emocional, bons pensamentos, sabe?
A aura é um elemento etéreo, imaterial, que emana e envolve seres ou objectos; é um atributo inerente aos seres vivos.
Há quem diga que vê a aura de seres vivos, e que a forma e a cor da aura reflectem o estado físico, mental e emocional da pessoa (N.A.)
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 29, 2015 9:52 pm

Elisa foi discorrendo naturalmente sobre o assunto enquanto ambas se dirigiam ao refeitório da empresa, no primeiro andar do prédio.
Pegaram a bandeja, escolheram a comida, apanharam um copo de suco e sentaram-se ao lado de outros funcionários.
- Você está com a aparência tão boa!
O que tem feito Elisa?
- Exercícios.
- Se eu tivesse tempo!
O trabalho e a pós-graduação me consomem.
- Tempo a gente arruma, é só querer.
Agora pratico corrida. Adoro correr.
Quer dizer, sempre sonho em participar de uma maratona, mas preciso ainda de muito treino.
Fiz amizade com um grupo muito bom.
A gente se reúne três vezes por semana no parque do Ibirapuera.
- Adoraria fazer algum exercício físico.
- Correr não custa nada.
Você não paga e ainda melhora seu condicionamento físico, sua saúde e faz boas amizades.
As pessoas são muito simpáticas.
- É tão bom assim?
- Se é, menina!
Eu não movia um músculo para fazer nada.
Agora sou viciada em corrida.
Chova ou faça sol.
- Percebi mesmo a mudança no seu corpo.
Está mais magra, mais durinha, a pele está com mais viço.
- O exercício físico melhora e fortalece a nossa auto estima.
- Interessante. Se eu morasse perto do parque talvez encarasse esses exercícios ao ar livre.
- Isso é desculpa Marina. Onde você mora?
- Não é desculpa. Moro no Tatuapé.
No outro lado da cidade.
- Não me diga! Somos vizinhas.
Eu moro no Jardim Anália Franco.
- Do lado de casa, maneira de dizer.
- No começo foi difícil.
Depois me acostumei a dormir mais cedo e acordar mais cedo ainda.
Acordo lá pelas cinco da manhã me arrumo, não pego nada de trânsito.
Depois da corrida venho directo ao vestiário da empresa.
Estamos a dez minutos do parque.
- E podemos usar o vestiário?
- Sim. O chuveiro daqui é muito bom.
Tomo banho, me arrumo, tomo meu café aqui no refeitório e em dois minutos estou na minha sala.
Não é o máximo?
- Puxa, Elisa, você me animou.
- Vamos sair no sábado e fazer um passeio no shopping?
Compramos shorts, camiseta e um bom ténis.
O resto é com você.
- Sinto que o exercício físico poderá tirar todo esse stresse que tem sido a minha vida.
Além dos problemas de casa, sou obrigada a engolir essa mulher - fez sinal apontando na direcção da sala de Denise.
- Você precisa mesmo do emprego?
- E como! Sou eu quem paga todas as contas de casa.
Minha mãe é doente.
- Não tem aposentadoria?
- Não. Ela foi doméstica por muitos anos, e naquele tempo as empregadas não tinham direito a nada, nem carteira assinada.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 29, 2015 9:52 pm

Entramos com os documentos no INSS para ela receber um salário-mínimo.
É pouco, mas ajuda nas despesas.
- Tem algum parente próximo, um irmão?
Marina lembrou-se de Jofre e fez muxoxo.
- Tenho um irmão - ela abaixou o tom de voz - e vou lhe confessar:
ele é um tremendo marginal.
- Marginal no sentido de sacana ou no sentido de bandido?
- De bandido mesmo.
Jofre cresceu torto, como se diz, aprontou muito, foi preso, encaminhado para a FEBEM e fugiu.
Nunca mais nos vimos.
Alguns anos atrás mandou um dinheiro para minha mãe.
Acho que ele é metido com tráfico, sabe Elisa?
- Bom, melhor se manter afastada dele.
Mas, quando se lembrar do seu irmão, mande vibrações positivas.
- Difícil.
- Tente. As pessoas não percebem, mas as nossas vibrações chegam até elas.
- Jofre nunca gostou de mim.
- Problema dele.
- Tampouco gosto dele.
- Tudo bem.
Mas, quando ele aparecer em sua mente, envie-lhe vibrações de paz, ao menos.
Vai ajudá-la a ficar afastada das energias ruins dele.
Se ficar ligada negativamente no seu irmão, vai atrair coisas ruins para seu lado.
Marina bateu três vezes na mesa do refeitório.
- Deus me livre e guarde!
- Precisa ter outra postura diante da vida, Marina.
Marina desconversou:
- A assistência médica da empresa é muito boa.
Minha mãe é doente e usa muito o convénio médico.
- Concordo com você.
Nosso plano de saúde é excelente, um dos melhores do mercado.
Ainda bem que pudemos incluir nossos pais como dependentes.
- Eu não posso, no momento, pedir as contas.
Preciso aguentar essa jararaca da Denise.
Gosto da empresa, dos funcionários, o ambiente de trabalho é muito bom.
O único problema é a chefe. Só isso.
- Se o problema é só em relação à Denise, precisa aprender a ser impessoal.
- Como assim?
Elisa sorriu.
- Mudar a postura diante das situações.
Eu faço sempre isso, seja aqui, com amigos ou familiares.
Ser impessoal é escutar o problema do outro sem entrar no problema, entende?
- Mais ou menos.
- É escutar sem se envolver emocionalmente com o outro.
Dessa forma, ficamos mais lúcidos e equilibrados para ajudar a encontrar uma saída para a situação, geralmente desagradável e que, por estarmos envolvidos com ela, não enxergamos soluções práticas.
- Você tem um jeito tão interessante de falar.
Sinto-me bem ao seu lado.
Elas terminaram o almoço, tomaram o elevador e encontraram colegas de outras áreas.
Entabularam conversação animada e, por ora, Marina esqueceu-se das grosserias da chefe e animou-se em acompanhar Elisa nas corridas matinais, além de se interessar pelo assunto da impessoalidade.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 29, 2015 9:53 pm

Denise e Inácio entraram no restaurante apinhado de gente e sentaram-se numa mesa mais ao fundo, que os deixava em privacidade e em liberdade para tratar de assuntos de foro íntimo.
O garção aproximou-se.
- Queremos duas cervejas bem geladas.
- Denise, eu posso beber porque vou para casa, encerrei o expediente.
Mas você vai voltar à empresa.
- Para aguentar aqueles tolos, nada como uma boa cerveja gelada.
Ela encarou o garção e ordenou:
- Traga logo duas cervejas e dois copos bem gelados. Vá, corra!
O rapaz se afastou meio sem-graça.
Enquanto ela e Inácio aguardavam a bebida, disparou:
- Estou possessa.
Ninguém me deixa assim.
O patife do Leandro me deixou feito boba naquele fim de semana lá no Rio.
- Faz semanas.
Eu sou partidário da vingança, mas quer mesmo perder tempo com Leandro?
- Quero. Ele tem de me dar explicações, exijo satisfações.
Ele pensa o quê?
Que me encontrou na rua, na sarjeta, no lixo?
- Está nervosa. Acalme-se.
O garção voltou com a bandeja e dois copos bem gelados.
Em seguida, despejou delicadamente a cerveja em cada tulipa.
Denise pegou a sua, bebericou e estalou a língua no céu da boca.
- Está divina.
- Esquecemos de brindar.
- Não tem problema, Inácio.
Ela encostou a sua tulipa na dele:
- Um viva à vingança!
Inácio esboçou um sorriso sinistro.
- Um brinde à vingança.
Fizeram o pedido, o garção se afastou e ela prosseguiu:
- O babaca tem um filho e é Deus no céu e o filhinho na Terra.
Ficou de me ligar no dia seguinte e sumiu, desapareceu.
- Pode ser algum problema de família - tornou ele, em tom jocoso, somente para provocá-la.
Denise não percebeu e continuou:
- Que nada, Inácio.
Cheguei ao flat depois da viagem e não havia um resquício do Leandro.
Nem sombra. Mandou um funcionário da empresa ir lá e pegar tudo.
Levou até o aparelho de barbear.
Não deixou nada. Ele não é homem de verdade.
Não teve coragem de ir sozinho e me enfrentar.
Mandou um motoboy durante o dia, depois de uma semana desaparecido, e, sorrateiramente, solicitou que o garoto pegasse suas coisas e sumisse.
- Vai ver voltou para a esposa.
Afinal de contas, não é comum ser casado com uma mulher bonita e carismática feito Letícia.
Ontem mesmo seu nome foi citado por uma actriz famosa como símbolo de simpatia, bondade e generosidade.
- Ai que ódio.
Essa Letícia se faz de santa, mas para mim, não passa de fachada.
- Não é fachada.
Ela é benquista pela sociedade.
Uma mulher bonita, fina, requisitada para dar dicas de etiqueta...
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 29, 2015 9:53 pm

- Pare Inácio! Assim me irrita.
Sei que é advogado.
Mas precisa ser advogado do diabo?
Está do meu lado, ou não?
- Claro que estou.
- Pois pare de falar bem dessa mulher.
Letícia não gosta de sexo, é frígida, além de ser uma dondoca fútil e cheia de regras rígidas de etiqueta.
Para que precisamos de etiqueta nos dias de hoje?
É um salve-se quem puder.
Vivemos num outro século. Cada um por si.
- Esse é o seu ponto de vista.
- Meu e de toda pessoa esperta.
Ninguém mais tem um pingo de civilidade.
Este país está de pernas para o ar.
Não há respeito, nada.
- Tem alguma coisa aí.
Quer que eu investigue?
Eu tenho amigos espalhados pelo mundo todo.
- Conheço bem seus amigos - replicou ela, fazendo mesura com as mãos.
- Poderemos descobrir o que aconteceu.
Ninguém muda assim de uma hora para outra.
- Faria isso por mim, Inácio?
- Você é minha amiga.
Está me tornando um homem rico.
O que você quiser eu faço.
Denise pegou o celular da bolsa e discou.
Caiu na caixa postal.
- Está vendo? Leandro não atende às minhas chamadas.
Deve ter trocado o número do celular. Não é possível!
- Claro que eu vou ajudá-la.
- Entre em contacto com Leandro.
- Vou pensar numa maneira.
Eu mal o conheço.
Não somos íntimos.
- Sei lá. Arrume uma desculpa.
- O que vou dizer?
Como vou entrar num assunto tão íntimo?
- Tem razão. Procurá-lo assim, sem mais nem menos, é ridículo.
Vai fazer eu me passar por carente e magoada.
- Deixe comigo.
Passe o número do celular dele para mim.
Eu sou mestre em arrancar confidencias sem que as pessoas desconfiem.
Sou um manipulador de primeira.
- Obrigada, Inácio.
Sabia poder contar com você.
Em seguida, o garção aproximou-se com os pratos e ambos voltaram à atenção para a comida.
Na hora de pedir o café e a conta, Inácio sorriu de maneira maliciosa.
- O que foi? - indagou Denise, tentando acompanhar os olhos de Inácio.
- Não viu?
- O quê? - perguntou ela, sem entender.
- Seu amado acaba de entrar.
- Edgar? Aqui?
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 29, 2015 9:53 pm

Inácio deu gostosa gargalhada.
- Não. Leandro acaba de entrar no restaurante.
Ele fez um sinal com os olhos e Denise acompanhou.
Ao avistar Leandro ela quase teve uma síncope.
E não é que o filho da mãe estava mais lindo do que nunca?
O terno escuro, de corte impecável, deixava-o parecido a um lorde inglês.
Os cabelos estavam curtos e sua aparência estava óptima.
Além de tudo isso, estava abraçado a uma linda mulher, que despertava e atiçava o desejo dos homens e a admiração das mulheres ao redor.
Houve até garção que disfarçou para apreciar aquela socialite carioca tão famosa colada ao bonitão.
Denise sentiu uma raiva sem igual.
Levantou-se de maneira abrupta.
Inácio levantou em seguida e tentou segurá-la.
- O que vai fazer?
- Tirar satisfações com esse patife.
- Não vai ser assim que você vai resolver a situação.
- Eu vou resolver do meu jeito - bradou ela ensandecida.
- Por favor, não faça cenas - implorou Inácio.
Denise nem deu ouvidos.
Estava cega de ódio.
Desenvencilhou-se de Inácio e apertou o passo até o casal.
Disse em alto e bom tom:
- Quem Leandro pensa que é?
Voltando um pouquinho nas semanas anteriores a essa tarde, assim que Ricardo verbalizara as palavras de Emerson, o ambiente tornara-se constrangedor.
- É verdade, pai? - perguntou o menino, sem jeito.
- Seu avô nunca simpatizou comigo.
Está de brincadeira, isso sim.
- Pode ser.
- Seu avô continua entre nós?
- Ele falou, riu e sumiu com um rapaz bem simpático.
O rapaz mandou um beijo para a Mila.
Mila se emocionou e lembrou-se imediatamente do pai.
Sorriu e indagou com naturalidade:
- Você sabe se ele vai voltar?
- Não sei se ele vai aparecer de novo.
Leandro deu um sorrisinho amarelo, sem graça.
Encarou Mila e ela percebeu sua angústia.
De súbito ela levantou-se e disse de maneira alegre:
- Bom, terminamos por hoje.
Ricardinho fique com O Livro dos Espíritos e, se aparecer alguma dúvida, anote-a num caderninho.
Na semana que vem retomaremos a reunião e nossos estudos, o que acha?
- Eu acho maneiro!
- Que bom!
- Sinto-me pronto para começar a estudar os mistérios da vida.
Ainda bem que você está me dando essa força.
O rapazinho pegou o livro das mãos de Mila, beijou-a no rosto e, sem perceber o clima tenso entre Leandro e Letícia, perguntou a eles:
- Vamos assistir a mais um episódio de CSI?
- Creio que fizemos muito esta noite - ponderou Letícia.
Melhor você se recolher, deitar-se.
O dia foi cansativo, você enfrentou hospital.
Amanhã assistiremos a quantos episódios você quiser certo?
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 29, 2015 9:53 pm

- Tem razão, mãe.
A bem da verdade estou cansado.
Você me acompanha até o quarto?
Letícia fez gesto afirmativo com a cabeça.
Ricardo despediu-se de Leandro e Mila.
Subiu abraçado à mãe.
Leandro aproximou-se de Mila.
- Desculpe-me pelo ocorrido.
Jamais poderia imaginar uma coisa dessas, uma situação tão vexatória e...
Mila o cortou com gesto suave.
- Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher, diz um sábio ditado.
Eu não tenho nada que ouvir, você não precisa se desculpar.
- Você é a melhor amiga de minha esposa.
- Sempre serei.
Eu vou estar sempre ao lado de Letícia, embora isso não queira dizer que eu vá destratá-lo por algum motivo.
Não tenho nada a ver com a vida íntima de vocês.
Ambos são adultos e têm condições de resolver seus problemas.
- O que faço?
Ela pegou delicadamente em seu braço e disse voz amiga:
- Diga a verdade. Abra seu coração.
- Tenho medo de perdê-la.
- Pois diga isso a ela.
Aproveite que Emerson foi tirado aqui da casa.
O ambiente está em harmonia, foi higienizado pelos espíritos amigos.
Mesmo com essa notícia tão constrangedora, a paz ainda reina nesta casa.
Se você ama Letícia de verdade, abra seu coração.
Aproveite o clima de paz.
Não esconda nada.
Ele a abraçou e percebeu uma lágrima escorrer pelo canto do olho.
- Você é uma grande amiga.
Não tenho palavras para agradecê-la.
- Não tem de quê.
Vou ao lavabo retocar a maquilhagem e depois irei embora. Com licença.
Mila saiu e Leandro deixou-se jogar pesadamente sobre uma poltrona.
Colocou as mãos sobre a cabeça e cobriu o rosto.
- Meu Deus, por que fui deixar as coisas chegarem a este ponto?
Enquanto ele se lamentava, Emerson dava gargalhadas do lado de fora da casa.
- Agora começarei a destruí-lo - disse com um misto de sarcasmo e fúria.
O espírito de aspecto jovem e esbanjando simpatia, que o tirara da casa minutos antes, foi enfático:
- Posso saber a piada?
- Que piada?
- Não sei, mas se você está rindo tanto, só pode ser de uma piada.
É das boas.
Emerson fechou o cenho.
Encarou o rapaz de cima a baixo com olhar investigativo.
- Quem é você?
Por que entrou na casa?
- Tive condições de interceder assim que terminaram de fazer o Evangelho no Lar.
O ambiente transmitia paz e serenidade.
Daí pude entrar, tirar você e deixá-los em paz, por ora.
- Nunca o vi por aqui antes.
- Prazer, meu nome é Leónidas - disse o espírito, enquanto estendia a mão para Emerson.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 29, 2015 9:53 pm

Este retribuiu o aperto de mão e inquiriu:
- O que faz aqui?
É servo dos chamados espíritos de luz?
- Trabalho para eles, sim.
- Tem algum parente no condomínio?
- Sou amigo da família - apontou para a casa.
- Nunca o vi antes.
Eu, sim, pertenço a essa família.
- Pertencia quando vivo.
Agora não pertence mais.
- Leónidas, Leónidas - Emerson coçou o queixo - nunca ouvi esse nome quando estava vivo.
A não ser que seja um parente do Leandro.
- Tenho ligações afectivas com Leandro e Ricardo.
- Só podia ser!
Bem que desconfiei dessa cara de anjo.
Quer me afastar daqui, não?
- Não preciso fazer isso.
A própria vibração energética da família o mantém afastado.
Já notou que quando os três estão em harmonia, você mal consegue chegar próximo da porta da casa?
- É verdade, porém a harmonia dura pouco.
Eu tenho poder sobre minha filha.
Ela acata todas as minhas sugestões.
- As coisas vão mudar, pode apostar.
- O que quer dizer?
- Que eles se amam e esse sentimento é mais forte do que qualquer negatividade, não importa de onde e de quem venha.
- Oras bolas!
- Você não vai mais atrapalhar a paz desta casa.
- Eu?! Atrapalhar?
- Toda vez que entra na casa cria confusão.
- Como ousa me dar ordens, seu moleque?
Leónidas permanecia calmo e sereno.
O sorriso jamais saía de seus lábios.
- O que falou para seu neto...
Emerson o cortou secamente:
- Falei a verdade, oras!
- Não foi para criar desarmonia na vida do casal?
- Foi. Eu tenho de afastar Letícia desse pulha.
- Eu me preocupo com o que acontece a essa família.
A sua atitude não foi das mais simpáticas.
- Eu digo a verdade para minha filha e sou acusado de atrapalhar a paz?
- Não deve se meter na vida dos outros.
- Trata-se da vida da minha filha!
Leandro é que deveria pensar mil vezes antes de traí-la.
Mil vezes! - bradou.
- Às vezes, a omissão é a melhor saída.
Às vezes, não estamos preparados para escutar a verdade.
- E viver na mentira?
Olha - Emerson passou a mão pela cabeça -, você não deve ser do lado da luz, não.
Fala tanta barbaridade!
- Não falei em mentira, mas em omissão do facto.
Deixar de falar não tem a ver com mentir.
- Sou partidário da verdade.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 29, 2015 9:54 pm

- É mesmo?
- Sempre.
- E o que me diz de sua última vida no planeta?
- O que tem a minha última encarnação a ver com este assunto?
- Foi permeada tão somente pela verdade?
- Claro que foi.
- Ah, foi? - indagou Leónidas curioso.
- Fui um pai amoroso, marido exemplar, trabalhador.
- Pai amoroso, eu concordo.
Já em relação a ser um marido exemplar...
Você sempre deu suas puladas de cerca.
Não era sincero com sua esposa.
- Não admito que remexa assim a minha vida.
Na minha época as coisas eram diferentes.
- Entendo.
- Construí um império.
A Companhia é uma das únicas empresas do país com excelente reputação no exterior.
Deixei a minha família muito bem.
Teresa vai morrer rica e Ricardo, se quiser, nunca vai precisar trabalhar.
- Concordo com quase tudo o que disse.
De facto, foi um empresário de sucesso, sua empresa gerou muitos postos de trabalho e ajudou a melhorar a economia do país.
Contudo, foi, de fato, marido exemplar?
- Absolutamente!
Uma ou outra traição, nada de mais.
Coisas de homem.
- E qual a diferença entre as suas puladas de cerca e as de Leandro?
- É completamente diferente. Nada a ver.
Leandro é casado com a minha filha.
Mexeu com minha família, arrumou briga.
- Você só enxerga o que lhe convém, Emerson Theodoro Ferraz.
- Ei, cuidado no tom de sua voz, ô espírito de luz.
Pensa que pode falar assim comigo?
- Por que não?
- Minha morte foi anunciada em todas as emissoras de TV, em horário nobre!
- Sei de muitas coisas a seu respeito.
Emerson deu novo olhar investigativo sobre o moço, de cima a baixo.
- Sabe o quê?
- Algumas coisas.
- O que deu nos jornais por conta de minha morte?
Eu era figura conhecida, todo o país sabia da minha vida.
- Por exemplo, sei que teve um filho fora do casamento e nunca quis saber dele.
- Eu?!
- Sim.
- Mentira - tentou defender-se Emerson.
- Pode mentir para o mundo, mas não para a sua consciência.
Eu consigo ler os escaninhos de sua alma.
Emerson estremeceu.
Leónidas falou com uma firmeza estonteante.
Parecia mesmo que ele era capaz de perscrutar e vasculhar a alma de Emerson.
- O que quer dizer com isso?
- Você dormiu com uma de suas empregadas.
Ela engravidou e teve um bebé.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 29, 2015 9:54 pm

Você procurou abafar o caso, afastou-a de casa, deu-lhe dinheiro para ficar quieta e sumir de seu caminho.
- E ela sumiu mesmo.
- Sumiu porque tinha medo de você.
Ela sentiu-se humilhada.
A mulher era pobre, tinha outro filho, como não aceitar a sua oferta?
Para onde ela iria?
Morar embaixo da ponte, e, ainda por cima, grávida?
Aceitou seu dinheiro, claro.
Você era rico e ela sentiu medo de enfrentá-lo.
Comprou uma casinha e continuou tendo uma vida honesta.
- Ela poderia ter abortado e ficado com o dinheiro.
- Foi escolha de ela ter o filho.
- Quem me garante que o filho nasceu?
Ela pode ter perdido a criança.
- Não perdeu.
- Pode ter se deitado com outros homens.
Quem garante que eu sou o pai?
- Você bem sabe que ela não saía com ninguém.
Vivia para o trabalho e para o filho.
- Pode ser.
- Você nunca se interessou pela filha bastarda.
Só teve olhos para Letícia.
- Aquilo foi um acidente - esbracejou Emerson.
- Acidente? - perguntou Leónidas, impávido.
- É. Foi um acidente, um desvio de rota.
Não usávamos preservativo naquele tempo.
Não havia tantas doenças sexualmente transmissíveis.
Ela me deu bola e transamos.
Umas vezes. Mais nada. Foi puro acidente.
- Acidente?
- É.
- Acidente é quando batemos o carro, escorregamos numa casca de banana e tropeçamos.
Fazer um filho fora do casamento não é acidente.
- Nem sei se a criança sobreviveu.
E, além do mais, faz muitos anos.
Por que você veio me perturbar com esse assunto agora?
- Porque você só quer saber de Letícia.
E se sua outra filha estiver viva e passando necessidades?
Nunca parou para pensar nisso?
- Não! - bramiu Emerson.
Nunca parei e nunca vou parar.
Você estragou a minha noite.
- Estamos aqui para conversar.
- Eu não quero mais conversar com você.
Voltarei em outro momento.
Emerson falou e sumiu no ar.
Leónidas deu de ombros.
Fez estranho sinal com a mão esquerda voltada para o alto, e logo dois guardiões do astral apareceram na sua frente.
- Pois não, chefe - disse um.
- Quero que fiquem de sentinela e vigiem a casa até o fim da madrugada.
Durante o dia quero dois sentinelas rondando o condomínio.
Não quero nenhum espírito estranho aqui por perto.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 29, 2015 9:54 pm

Pelo menos nos próximos dias.
Vocês sabem por que estou aqui?
- Sim, sabemos.
Pode deixar com a gente.
Vamos limpar a casa das energias negativas e ficar de prontidão.
Qualquer problema avisaremos imediatamente.
- Obrigado.
Leónidas despediu-se dos guardiões e partiu para a sua colónia espiritual.
Dentro da casa, Letícia fazia o que podia para disfarçar o choque daquele comentário do filho.
Num primeiro momento suas pernas falsearam e ela sentiu falta de ar.
Procurou recompor-se de maneira rápida.
Dotada de elegância natural, conduziu Ricardo até seu quarto, sem deixar que o menino notasse qualquer traço de contrariedade em seu semblante.
- Mãe, o que o vovô disse é verdade?
- Sobre o quê?
- Sobre papai ter uma amante?
Eu não acredito nisso.
- Eu tampouco.
- Será que escutei direito?
Pode ser que ele tenha dito outra coisa, talvez amoque.
O som parece com o de amante.
Letícia esboçou um sorriso.
- Amoque? Nem sei o que é.
- Amoque é o mesmo que amouco.
Quer dizer mal humor.
- Como sabe dessas coisas?
- Aprendi com as palavras cruzadas.
Gravei esse nome.
- Pode ser.
- É, vai ver vovô quis dizer que papai é dotado de mau humor. Não é?
- Sim, meu querido - Letícia afagou seus cabelos anelados e o beijou na testa.
Agora precisa dormir.
Amanhã eu prometo que vamos assistir a todos os episódios de CSI.
- Jura?
- Prometo - ela fez uma cruz com os indicadores e os beijou.
- Eu amo muito você e papai.
Somos uma família feliz.
Letícia teve vontade de abraçar o filho e chorar.
Ricardo tinha um coração puro.
Ele ainda não entendia nada do mundo dos adultos.
Respirou fundo e o beijou novamente na testa.
- Também o amo demais.
Mais que tudo. Boa noite.
- Boa noite, mãe.
Despediram-se, ela se afastou e desceu.
Mila e Leandro estavam sentados na sala de estar, sem trocar uma palavra.
Letícia sorriu para a amiga:
- Importa-se se não assistirmos ao filme com o Patrick Dempsey hoje?
- De forma alguma, querida.
- Eu pediria que você fosse para sua casa.
Quero ter uma conversa com Leandro.
- Estava esperando você descer para me despedir.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 29, 2015 9:54 pm

Mila levantou-se e despediu-se de Leandro.
Letícia acompanhou-a até a porta.
- Você está bem? - inquiriu Mila.
- Não. Estou aturdida.
- E Ricardo?
- Deitou-se e me parece bem.
Ele acha que entendeu errado, que o avô disse outra palavra.
- Se quiser, eu fico.
- Não, querida.
Preciso conversar a sós com o Leandro.
- Não prefere esfriar a cabeça, descansar e conversar amanhã ou num outro momento?
- De jeito nenhum.
- É um assunto delicado, Letícia.
- Se eu não falar agora, vou ficar entalada, perturbada e não vou pregar o olho a noite toda.
Fizemos orações e a casa está em paz, não é mesmo?
Preciso falar com ele para que a paz continue reinando.
Você me entende?
- Pensando assim, você tem razão.
Para que deixar para amanhã?
- Trata-se de nossa vida íntima.
Não posso mais ficar calada.
- Se acha melhor assim...
Quer dizer, Ricardinho está engatinhando para a adolescência, pode ser mesmo que escutou errado, fez confusão com o que o avô disse e...
Letícia a cortou com delicado gesto de mão.
- Por favor, Mila.
Você é minha melhor amiga.
Uma irmã para mim.
Não me faça eu me sentir mais idiota do que estou me sentindo.
Meu filho não faria um comentário assim tão vil à toa.
Ricardinho é ingénuo ainda.
Ele tem um coração puro e talvez tenha mesmo se confundido ou queira acreditar que ouviu errado.
Mas nós duas somos adultas.
Sabemos o que ocorre.
Minha mãe já tinha me alertado que amigas lá do clube viram Leandro ao lado de outra mulher.
- São mexeriqueiras, fofoqueiras.
Não pode ligar para esses comentários.
Você é uma pessoa pública e sabe que seus passos são vigiados pelo mundo todo.
Somos pessoas conhecidas da sociedade.
Qualquer deslize aparece imediatamente.
- Por essa razão você tem uma vida discreta.
Eu deveria fazer o mesmo.
Mila passou delicadamente a mão sobre o ombro de Letícia.
- Somos diferentes.
Você tem um carisma excepcional e é benquista.
Eu gosto de ficar anónima.
Em todo caso, saiba que o espírito de seu pai está perturbado.
Pode ter inventado e provocado.
Sabe que os dois nunca se deram bem.
Converse com Leandro.
- Pode deixar - elas se abraçaram e Letícia sorriu.
Prometo-lhe que não vou fazer barraco.
Não é do meu feitio.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 29, 2015 9:54 pm

- Estarei vibrando positivamente por ambos.
Sei que Leandro e você têm muito que conversar.
Espero que se entendam de uma vez por todas.
- Obrigada. Boa noite.
Letícia esperou Mila entrar no carro, dar partida e sair.
Depois, fechou a porta e caminhou vagarosamente até a sala de estar.
Leandro estava ainda sentado, tamborilando nervosamente os dedos sobre uma mesinha lateral.
- Importa-se de conversar comigo na biblioteca?
- Vamos, sim.
Ele levantou-se e acompanhou a esposa.
Letícia entrou no cómodo, fez sinal para ele entrar e se sentar.
Em seguida, ela fechou a porta e sentou-se próxima do marido, mantendo relativa distância.
- O que tem a me dizer? - perguntou, encarando-o nos olhos.
Leandro não sabia o que falar.
Sentia o ar lhe faltar, o rosto arder em chamas.
Tinha mesmo vontade de que um buraco se abrisse ali mesmo e ele pudesse ser tragado e sumisse, sem ter de enfrentar sua esposa.
O que fazer? Ele tinha medo de contar a verdade e perdê-la.
Amava Letícia e não queria, de maneira alguma, ferir seus sentimentos.
Uma voz amiga sussurrou em seu ouvido:
- Conte a verdade.
Leandro registou as palavras, porém estava com medo. Muito medo.
- Se eu lhe contar a verdade, meu casamento vai acabar.
Letícia não vai me perdoar - falou para si em pensamento.
- Seja verdadeiro. Não fuja.
Fale com seu coração.
- Não sei se devo.
- Ela vai lhe entender.
Ele respirou fundo e começou a falar, desviando o seu olhar do dela.
- Eu poderia dizer que Ricardinho escutou errado, estava delirando, ou usar de outras desculpas esfarrapadas.
Poderia inventar histórias e daríamos o caso por encerrado.
- Quero que me diga a verdade. Só isso.
- Bom - Leandro procurou forças para continuar.
A voz estava entrecortada pela emoção, mas ele assim mesmo prosseguiu:
- Tudo começou quando seu pai morreu...
Num relato verdadeiro, com a voz muitas vezes embargada, repleta de sinceridade, Leandro falou sobre o desinteresse de Letícia por ele, as desculpas que arrumava para não terem intimidade.
Contou tudo sobre seu envolvimento com Denise, sem esconder absolutamente nada.
- Ela não é minha amante.
Eu nunca quis ter uma.
Eu me encontrava com ela porque você não me queria.
Eu me senti perdido, largado.
O seu desinteresse muito me machuca porque prova que você não gosta de mim.
Eu fiz votos na casa de Deus e sempre desejei ficar ao seu lado até que a morte nos separasse.
Letícia sentiu um nó na garganta.
Ela o amava acima de tudo, porém não conseguia explicar o que acontecera desde a morte do pai.
Era como se houvesse uma grande barreira que a impedia de aproximar-se do marido.
O simples toque de Leandro a deixava enjoada.
Achava isso tudo natural, pois ela nunca fora uma mulher de ardentes desejos.
No início do casamento ela até que se deitava com o marido com certa regularidade.
Mesmo assim, era um tormento para ela.
Conseguia disfarçar e logo em seguida virava-se e procurava esquecer o acto sexual e dormir.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 30, 2015 8:44 pm

Quando o pai morreu, Letícia não conseguia nem mais disfarçar a falta de desejo como também nascera, nessa mesma época, a súbita repulsa ao menor contacto com Leandro.
Emerson aproveitara-se dessa certa falta de libido da filha e passara a influenciá-la de maneira a não mais se relacionar com Leandro.
Ele vinha fazendo isso havia dois anos, desde que morrera e descobrira que seu espírito estava mais vivo do que nunca.
Ao perceber que a filha acatava a sua aversão como se fosse dela própria, urrou de felicidade.
Afinal, seu real desejo era separar Letícia de Leandro.
Tinha muita raiva do genro, sem motivo aparente.
Leandro achegou-se a ela, ajoelhou-se e finalmente a encarou:
- Letícia, escute.
Eu sou homem e tenho vontades e desejos.
Você foi me repelindo, fazendo eu me sentir um lixo.
Eu a amo e sempre quis me relacionar tão somente com você.
Eu posso jurar que Denise nunca significou nada para mim.
Nada. Eu amo você.
Se me der uma chance, prometo-lhe ser o melhor marido do mundo e...
Ele não conseguiu terminar de falar.
As lágrimas escorriam incontroláveis e sinceramente Leandro mostrava estar arrependido.
Se pudesse voltar no tempo, nunca teria se envolvido com Denise.
Letícia relutou o quanto pôde, contudo, amava o marido.
De verdade. Havia sido criada com tantos condicionamentos errados acerca da sexualidade que achava a intimidade algo ruim, sujo e pecaminoso.
Fora criada sob os ditames da igreja.
E, na sua religião, sexo fora do casamento era um tremendo pecado.
Como ela se deixara envolver e engravidara antes de se casar, sentia que tinha cometido grave pecado e que Deus um dia iria julgá-la.
O seu analista a ajudava a livrar-se dessas crenças e mostrava que ela deveria deixar-se guiar pelo sentimento de amor.
Letícia mordiscou os lábios e, ao ver aquele homem apaixonado ali agachado, chorando e dizendo que a amava, não resistiu.
Abaixou-se e o abraçou com força.
- Desculpe querido.
Eu fui uma tola.
- Não diga isso.
- Estava afastando você de mim e iria perdê-lo.
- Desculpe-me. Jamais quis ferir seus sentimentos.
- O meu afastamento estava contribuindo para destruir nossa família.
Eu o amo tanto!
- Verdade?!
- Você não tem ideia do quanto eu o amo, Leandro.
- Mas nunca demonstrou.
- Eu tenho aprendido.
Quero mudar para melhor.
Você é o homem da minha vida!
Os dois abraçaram-se e beijaram-se com sofreguidão, misturando beijos e lágrimas.
Leandro e Letícia sentiam os corpos estremecerem tamanha emoção.
- Você me perdoa?
- Eu?! - perguntou ele, atónito.
- Sim.
- Eu é que preciso de seu perdão.
Prometo-lhe que vou ser mais paciente.
Sei que sou óptimo pai.
Também quero ser um óptimo marido.
- Você sempre foi um marido exemplar, de conduta irrepreensível.
- Eu falhei. Cometi adultério.
- Não pense dessa forma.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 30, 2015 8:44 pm

Adultério seria se você se deitasse comigo e com outra.
Eu não queria me deitar com você.
Acabei empurrando-o para os braços de outra.
- Fui um fraco.
- E eu fui intransigente - finalizou Letícia.
Sou mulher, de carne e osso, e também sinto desejos.
Eu estou aprendendo a lidar melhor com minha sexualidade.
Tenha paciência comigo.
- Oh, minha querida.
Eu a amo! Amo!
Leandro a beijou novamente nos lábios.
Não falaram mais nada. Levantaram-se.
Ele estendeu o braço e ela tomou sua mão.
Subiram até o quarto em silêncio e fecharam a porta.
- Vamos deitar e dormir um pouco.
Foi uma noite muito difícil - tornou ele.
Letícia sorriu maliciosamente.
- A noite mal começou...
Ela falou e foi desabotoando o vestido de maneira sensual.
Leandro mal podia acreditar no que via.
Abriu largo sorriso e abraçou a esposa.
- Eu a amo. Muito!
- Eu também o amo. Demais!
Foi a primeira vez que Letícia entregou-se totalmente ao marido.
Sem repúdios, sem medo. De corpo e alma.
Foi uma noite inesquecível de prazer e reconquista, para ambos.
Depois que espíritos guardiões e sentinelas passaram a fazer ronda Emerson não podia mais se aproximar da casa de sua filha, todavia podia influenciai negativamente as pessoas ao seu redor.
Quer dizer podia influenciar as pessoas que eram invigilantes que não tomavam conta dos próprios pensamentos.
Era uma questão de afinidade energética.
Se a pessoa tivesse uma cabeça boa e estivesse ligada no bem, com bons pensamentos, ele não conseguiu estabelecer nenhum tipo de influência.
O contacto, ou a influência, eram nulos.
Se a pessoa tivesse uma cabeça cheia de dúvidas, preocupações e negatividades tornava-se prato cheio para que Emerson pudesse transferir por meio dessa vibração pesada toda a sua ira.
No Rio de Janeiro ele tinha algum domínio energético sobre Teresa.
Sua esposa era mulher fútil e deslumbrada.
Teresa era muito ligada nas aparências e vivia dentro de um mundo de regras rígidas de comportamento.
Seguia à risca todas as grandes cartilhas de comportamento.
A palavra dos outros era muito mais forte do que a palavra dela própria.
De certa maneira ela tornara-se escrava dos comentários maledicentes dos outros.
E também agiu dessa forma.
Adorava falar mal de alguém e fofocar sobre a vida alheia.
Não por maldade.
Teresa fora criada assim e acreditava que falar mal de alguém era algo absolutamente natural.
Afinal de contas, todas as suas amigas também agiam dessa forma.
Por esse motivo era muito fácil mesclar suas energias com as de Emerson para atazanar a vida de Letícia e Leandro.
Ocorre que desde o incidente com o romance espírita, Teresa evitava visitar a filha.
Sempre à distância, Emerson perseguia o casal.
Estava possesso.
Dissera para a filha - por intermédio do neto - que o marido a traía e agora os via juntos, abraçadinhos e cheios de amor para dar.
Tentava emitir vibrações de desconforto, mas elas iam e se desmanchavam no ar ao se aproximar do casal.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 30, 2015 8:45 pm

- Não pode ser!
Se eu fosse dado a beber, talvez estivesse alucinando.
Depois que revelei a verdade e o carácter duvidoso do meu genro, parece que minha filha está mais ligada a ele!
Eu não entendo. Confesso que não entendo.
Estão mais unidos do que nunca.
Deveriam estar separados, isso sim!
Estava ele perambulando nas proximidades do condomínio, alguns dias depois, quando leu o pensamento do motorista.
O rapaz iria levar a filha e o genro até o aeroporto.
Ele não teve dúvidas.
Esperou-os entrar no carro e em seguida transportou-se até a área de embarque do Santos-Dumont.
Meia hora depois, Emerson viu os dois saírem do carro rumo ao balcão da companhia aérea.
Pareciam dois enamorados.
O espírito irritado tentou aproximar-se, mas uma barreira energética o mantinha a alguns metros de distância.
Mesmo assim escutou-os:
- Confesso que abrir meu coração, falar a verdade foi à melhor coisa do mundo. Lavei a alma.
- Eu também, querido.
- Eu a amo e sempre vou amá-la.
Minha vida não tem sentido sem você por perto.
Letícia abriu largo sorriso.
- A minha também não.
- Nascemos um para o outro.
- Acho que Mila me ajudou muito mais que o analista.
Eu me machucava emocionalmente para não ter prazer.
Eu também sempre o amei.
Fui a culpada por ter feito você se aninhar nos braços de outra.
- Não diga isso.
- Vamos ser verdadeiros.
Eu sempre senti deseje por você, mas algo dentro de mim evitava a aproximação.
Entendo que você deve ter se sentido rejeitado.
- Perdi minha auto-estima.
Passei por períodos difíceis.
Eu a amava e não podia tê-la.
Imagina o sofrimento?
- Claro que imagino.
Como também acredito que você possa sentir a minha angústia toda vez que tinha de me deitar ao seu lado.
- Faz parte do passado. Quero tê-la sempre!
- Agora pode. Sempre vai me ter.
- Eu sou o homem mais feliz do mundo.
Nada vai atrapalhar a nossa união.
Beijaram-se com carinho e Emerson quase explodiu de raiva.
- Maldição! Mil vezes maldição!
Como Letícia pode se deixar levar pelas palavras desse cretino?
O que eu fiz de errado?
Ela deveria estar odiando esse homem.
- Não está. Muito pelo contrário.
- Eu tentei abrir o olho dela.
Revelei ao meu neto a verdade.
Não entendo. Sinceramente, não entendo.
- Eu disse que não seria fácil.
Emerson por um momento perdeu o contacto com a filha e o genro.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 30, 2015 8:45 pm

Olhou para Leónidas e falou com desdém:
- Ah, você de novo.
O tal espírito de luz.
- Por que não vai cuidar dos seus sentimentos, meu amigo?
- Por que não vai cuidar da sua vida? - rebateu Emerson.
- Não entendo por que se preocupa com pessoas e com um mundo que não lhe pertence mais.
- Eu pertenço a este mundo.
- Como? Diga-me.
- Hã?
- Consegue interagir e participar? Não.
Você só consegue atrapalhar as pessoas com a sua energia de desequilíbrio.
Por que não vem comigo para um tratamento?
- Nem mil vezes morto!
Daqui não saio.
Aliás, estou perdendo-os de vista.
Preciso saber onde os pombinhos estão indo. Até.
Leónidas deu de ombros.
Vislumbrou um halo de luz violeta e o projectou em direcção a Leandro e Letícia.
Desejava o bem-estar do casal.
Na chegada a São Paulo, Leandro hospedou-se com a esposa num luxuoso hotel.
Ele era benquisto pelos funcionários, tinha carisma e era muito simpático.
Letícia era figura conhecida e também benquista.
Não fizeram reserva, o hotel estava lotado, contudo não foi difícil para que lhes arrumassem rapidamente uma excelente suíte.
Leandro cochichou algo no ouvido do gerente do hotel.
O rapaz sorriu e fez sinal afirmativo com a cabeça.
Em seguida, Leandro conduziu a esposa até o bar.
- Não podemos subir?
- Ainda não. As camareiras estão arrumando.
Quer tomar um refresco, um drinque?
- Um suco de tomate.
Leandro fez o pedido no bar e meia hora depois subiram para a suíte.
Quando Letícia entrou no quarto, seus olhos amendoados brilharam emotivos.
- Como fez tudo isso?
- Pedi ajuda aos funcionários.
Havia um balde de prata, finíssimo, com gelo e champanhe sobre uma das mesinhas de cabeceira.
Um lindo vaso com rosas amarelas e brancas foram colocado sobre uma mesa lateral.
O quarto estava agradavelmente perfumado e sobre a cama havia uma pequena caixa de veludo.
- Não vai abrir?
Ela sorriu e correu até a cama.
Sentou-se e abriu a caixinha, mãos trémulas de emoção.
- Oh, Leandro, é lindo!
Letícia levantou-se e o beijou emocionada.
Era uma corrente de ouro com dois menininhos também feitos do mesmo material.
Num estava escrito com amor, Leandro, e no outro com amor, Ricardo.
- Que coisa mais linda.
- Foi ideia minha e de nosso filho.
Para você estar sempre connosco.
Leandro pegou a corrente e delicadamente colocou sobre o pescoço da esposa.
Letícia fez gesto delicado e levantou os cabelos acima da nuca.
- Pronto. Agora você está cercada pelos dois homens de sua vida.
Ela riu e o beijou com ternura.
- Por falar em dois amores, preciso ligar para Iara saber se Ricardinho chegou da escola, se ele não se acidentou novamente...
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 30, 2015 8:45 pm

- Por certo.
Ligue para casa enquanto eu ligo meu notebook.
Preciso responder a alguns e-mails do pessoal do escritório.
Foi na hora do almoço que ambos decidiram ir ao restaurante ali perto.
Entraram sorridentes e abraçados.
Letícia estava se sentindo a mulher mais feliz do mundo e exalava uma energia inebriante, contagiosa, gostosa, que naturalmente atraía a atenção das pessoas.
Não parava de passar os dedos sobre as miniaturas em seu pescoço.
Denise deixou Inácio falando sozinho e caminhou de maneira abrupta, batendo o salto com força.
Quase derrubou o garção que passava ao lado.
Feito um tufão, foi cortando as mesas até parar na frente de Leandro.
Ele a olhou de cima a baixo e fingiu não conhecê-la.
A atitude só contribuiu para Denise querer matá-lo de tanto ódio.
Disse com voz tremendamente irritadiça e quase esganiçada:
- Como vai, Leandro?
- Oi - falou ele com a voz fria e lacónica.
- Temos reunião amanhã.
- Não quero tratar de negócios agora.
- Estamos tentando ligar e você não atende.
Precisamos acertar alguns detalhes antes.
- Olha, eu não participo mais dessas reuniões.
Um funcionário competente será designado para tratar do assunto - ele retirou um cartão e anotou um nome.
Ligue para a Companhia e procure por este funcionário.
Garanto que será prontamente atendida.
Denise espumava de ódio.
Mediu Letícia com olhar odioso.
- Eu sou Denise.
Com a maior delicadeza do mundo, Letícia respondeu:
- Prazer. Eu sou Letícia, esposa de Leandro.
- Ele já falou de mim?
- Querida, vamos para a nossa mesa.
O maître está chamando - emendou-o, tentando evitar dissabores.
Letícia fez uma mesura negativa com as mãos.
- Imagine querido.
Já vamos - e, virando para Denise, respondeu de forma natural - Leandro já falou de você.
Eu sei de tudo.
- Tudo o quê? Quero saber!
- Tudo sobre o envolvimento de vocês dois.
- Mesmo? - perguntou Denise, acreditando que Letícia estivesse blefando por pura educação.
- Sim, tudo.
Sei que Leandro se deitava com você por exemplo.
Sei que foram amantes por um período.
Mas agora ele não vai se deitar mais com você.
- Ele não pode me largar assim, sem mais nem menos.
Eu tenho sentimentos - mentiu.
- Não acredito.
Soube que estava casada quando teve um caso com meu marido.
Denise fechou os punhos para conter a raiva.
- Eu faço um escândalo!
Vamos todas parar no jornais.
Não teme pela sua reputação? - arriscou.
- Nem um pouco.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 30, 2015 8:46 pm

- As pessoas podem rir de você.
Letícia deu de ombros.
- Não me importo com o comentário dos outros.
Não me importo com os seus comentários.
Tudo que me interessa é que eu viva em paz com me marido e meu filho.
Mais nada.
Denise alteou o tom da voz:
- Eu disse que faço um escândalo!
Vou naquele programas vespertinos que adoram espinafrar a vida das pessoas.
Conto tudo sobre meu envolvimento com Leandro.
Letícia meteu-lhe o dedo em riste.
Encarou-a nos olhos.
Denise recuou o passo.
- Eu não tenho medo de você.
- Não?! Duvido.
- Faça um escândalo que eu faço outro.
Vamos ver de que lado as pessoas vão ficar:
do meu lado, que sou uma mulher de bem, ou do seu lado, sua víbora.
Letícia abaixou o tom de voz:
- Vá procurar outro homem para se deitar, sua vadia!
Denise levantou a mão, porém Leandro foi mais rápido e a segurou no ar.
- Se encostar um dedo em minha mulher eu não sei do que sou capaz.
- Solte-me, seu cretino!
- Por favor, saia da nossa frente, suma da nossa vida.
- Se continuar a se comportar de maneira inconveniente, vamos à polícia dar queixa.
- De nada vai adiantar.
- Acaso não tem dignidade? - perguntou por fim Letícia, de maneira surpreendentemente firme.
Vá procurar as pessoas da sua laia.
- Vocês me pagam! Seus ordinários.
Denise falou e saiu pisando duro.
Nem esperou por Inácio.
Chegou à porta do restaurante, passou na frente de outros clientes e gritou com o manobrista para pegar seu carro.
No estado de fúria em que se encontrava, bateu boca com clientes.
A fim de evitar mais confusão, o manobrista correu e passou o carro dela na frente.
Denise entrou, bateu a porta com força e acelerou feito uma desvairada, cantando os pneus.
Dentro do restaurante, já sentados, o maître perguntou sem graça:
- Está tudo bem?
- Sim.
- Peço desculpas em nome de toda nossa equipe.
Lamentamos o incidente - continuou o maître.
- Não se preocupe. Estou bem.
Já passou - falou Letícia.
- O almoço será por conta da casa.
- Imagine - protestou Leandro.
- Fazemos questão.
Alguns minutos depois uma simpática garçonete trouxe um buquê de rosas e o entregou para Letícia.
- Em nome de todos os funcionários do restaurante, d. Letícia.
- Oh, são lindas - ela aspirou o perfume suave das rosas.
Obrigada. De coração.
- Admiramos muito a senhora.
É uma honra servi-la. Com licença.
A moça fez uma mesura com a cabeça e retirou-se.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 30, 2015 8:46 pm

Leandro sorriu e pousou as suas mãos sobre as da esposa.
- Você é uma mulher carismática, uma mulher que exala bondade.
Sinto tanto orgulho de você, minha querida.
- Estou emocionada com o carinho dessas pessoas que mal conheço.
Quanta gentileza!
- Você foi forte. Corajosa.
- Nunca pensei que tivesse de passar por uma situação dessas.
- Nem eu. Você foi espectacular.
Foi digna.
- Fiz tudo isso guiada pelo meu coração.
Não quero ninguém atrapalhando a nossa vida daqui por diante, nem essa mulher, nem minha mãe, nem ninguém.
Mila sempre me falou que somos responsáveis por tudo o que nos acontece.
Agora começo a entender o significado disso.
Se não formos firmes e claros, as pessoas não nos entendem.
- Você se fez respeitar.
Denise é mulher agressiva e vingativa.
- Mas não deixa de ser uma mulher como qualquer outra.
Nem ela, nem ninguém, poderão ser mais fortes do que o amor que sinto por nós.
Ele levou delicadamente a mão dela até os lábios e beijou-a.
- Obrigado por tudo. Eu a amo.
Longe dali, Emerson era pura alegria.
Estava tão feliz!
Encontrara uma parceira na cidade.
Denise dava largas a todo pensamento vil que ele emitia.
- Eles não prestam! - esbracejou ela, depois de cortar um veículo à sua frente e parar sobre a faixa de pedestres, assustando os passantes.
Emerson, sentado no banco do passageiro, mexia a cabeça para os lados.
- Não! Ele é que não presta.
Letícia não tem nada a ver com isso.
Denise registava a fala do espírito como se fosse dela própria.
Repetia em alto som:
- E, a mulher foi meio dura, mas caiu na lábia dele.
Leandro não presta.
Ele é que é o safado da história.
- Precisamos dar uma lição nele.
- Isso. Preciso dar uma lição nele - repetia ela.
Enquanto ela praguejava, Emerson se contorcia de felicidade.
- Mais uma aliada!
Os dias passados na casa dos pais fizeram muito bem a Edgar.
Algumas semanas depois ele estava de volta às suas actividades rotineiras.
O amigo Adriano fez questão de pegá-lo e levá-lo até seu apartamento.
- Não precisavas te incomodar.
Eu e Fernando faríamos isso.
- De maneira alguma, d. Maria José.
Eu e Patrícia queremos levar seu filho para a casa dele.
- Está tudo arrumado?
- Sim. Conversamos com a Delis.
Ela fez uma bela faxina, escondeu porta-retratos.
Deixou o apartamento bem arrumadinho, sem rastros aparentes de Denise.
- Edgar vai se lembrar de tudo o que aconteceu assim que colocar os pés lá dentro.
- Precisa entender que seu filho não pode fugir da realidade - tornou Patrícia com a voz doce, porém firme.
- Meu filho não é um fujão.
Foi abandonado por aquela mulher.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 30, 2015 8:46 pm

Vanda muito o ajudou na recuperação, mas ainda sinto que Edgar precisaria ficar mais um pouco connosco.
- Ele precisa ir para sua própria casa, ter contacto com as suas coisas.
Ele não é mais um garoto e precisa tomar as rédeas de sua vida.
- Ela tem razão - disse Fernando ao entrar na sala.
Nosso filho precisa voltar a ter uma vida normal.
Maria José ficou um tanto contrariada.
Acostumada sempre a ditar as regras e proteger o filho, sentiu que não tinha como argumentar.
Sempre tivera forte ascendência sobre Edgar e, nesses dias em que ele ficara em sua casa, ela pôde novamente exercer as funções de mãe super protectora.
- Podemos passar essa noite ao lado dele.
- Negativo Maria José.
Edgar precisa enfrentar sozinho a realidade dos factos.
Patrícia interveio:
- O apartamento agora está com uma energia boa.
Antes de vir para cá eu passei lá e conferi o serviço da empregada.
Depois, fiz sentida prece para que Edgar volte a ser feliz naquele lar abençoado.
Seu filho vai se recuperar prontamente.
- Energia boa?
Que história é essa de energia? - perguntou Maria José, interessada nas palavras doces daquela moça tão simpática.
- O apartamento está com bom astral - respondeu Patrícia.
O ambiente está agradável.
A gente sente paz e serenidade quando entra.
Posso tentar explicar.
A senhora gostaria de me ouvir?
- Por certo.
- Vou subir e ver se Edgar está pronto - disse Adriano.
- Eu o acompanho - tornou Fernando.
Patrícia sorriu e conduziu Maria José até o sofá.
Sentaram-se lado a lado.
- Dona Maria José, algum tempo atrás uma amiga me convidou para jantar em sua casa.
Aceitei o convite, pois ela é uma pessoa óptima, bem-humorada, uma companhia muito agradável.
Iríamos aproveitar para matar as saudades também.
- Continue.
- Quando eu estava pronta para sair de casa, ela me ligou pedindo para desmarcar o jantar.
De uma hora para outra ela ficou com dor de cabeça, mal-estar, quebradeira...
- Assim, de repente?
- De repente. Num estalar de dedos.
- Pobrezinha. Deve ter tido um mal-estar súbito.
- Por acaso, a senhora já se sentiu tomada por um desconforto, sem motivo aparente?
- Sim.
- Já aconteceu de estar bem, alegre, disposta e, numa questão de horas ou até minutos, ficar irritada, ou como se diz popularmente, de bode?
- Afirmativo.
- Já sentiu aquela coisa esquisita no quarto, como se fosse uma presença, sendo que estava sozinha?
- Acontece muitas vezes.
Penso ser Fernando passando no corredor e não há ninguém.
Chego até a sentir arrepios e calafrios pelo corpo.
- Tanto a senhora quanto eu sentimos essas coisas porque a natureza nos deu a sensibilidade, a amplitude de percepção.
Dona Maria José, já percebeu como a senhora é uma pessoa sensível?
- Que eu saiba assuntos ligados à sensibilidade são características de médiuns, fenómenos espíritas, Centro Espírita, não?
- De forma alguma.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 30, 2015 8:46 pm

A sensibilidade é uma característica do ser humano.
Tanto eu, como à senhora, seu marido e o meu, seu filho, enfim, todas as pessoas neste mundo a têm.
Compreenda que todos nós temos sensibilidade, e que algumas pessoas têm a sensibilidade mais aguçada que outras só isso.
Ninguém é melhor ou pior por ter essa qualidade mais forte.
Só é diferente!
- Não existe o mais burro ou o menos burro, mas aquele que se prontifica a estudar, entender, absorver conhecimentos, e aquele que não gosta muito de dar atenção ao estudo, sendo que a inteligência também está aí para todo mundo.
Vejo muito isso acontecer no meio académico.
E com a sensibilidade não é diferente.
Se passar a dar mais atenção à sua sensibilidade, a como sente as coisas e às pessoas, o mundo vai lhe dar o alimento para que essa característica cresça em você.
Tudo o que pomos atenção, tudo o que estimulamos dentro de nós, acaba crescendo, sempre.
Isso me fez perceber como todos nós somos sensíveis.
- Isso é verdade, miúda.
Não quero que meu filho pegue as energias perniciosas daquela mulher.
Gostaria de evitar um mal maior.
O meu coração está tão apertado!
- Edgar precisa tornar-se emocionalmente forte.
Só dessa maneira vai se livrar das influências de Denise.
Ele tem seus amigos, a mim e Adriano, tem seu Fernando e tem a senhora, que é uma mulher de fibra, inteligente, determinada e boa.
Maria José emocionou-se.
Abraçou-a com carinho.
- Tuas palavras tocam fundo a minh'alma.
- É porque falo também com o coração.
- Que Deus nos abençoe para que possamos ajudar o meu filho.
- Todos vamos nos fortalecer com isso.
Pode acreditar.
Logo ouviram passos na escada e Edgar descia acompanhado do pai.
Adriano vinha logo atrás carregando pequena mala.
Ele sorriu e disse:
- Bom, acho que está na hora de eu partir.
Ele abraçou a mãe.
Maria José beijou-o nas bochechas com carinho.
- Sabes que esta casa é tua.
- Claro que sei mãe.
Agradeço imensamente a hospitalidade, o carinho e dedicação que me dispensou nestas últimas semanas.
- Volte sempre que quiseres.
- Obrigado, mãe.
Tudo vai ficar bem.
- Juras?
- Prometo. Juro.
Maria José procurou retribuir o sorriso.
Queria e desejava o melhor para seu filho, mas seu coração de mãe não acreditava na melhora súbita de Edgar.
No entanto, depois da conversa agradável com Patrícia, resolveu não falar.
Abraçou-o com carinho, beijou-o novamente na face e finalizou:
- Que Deus te acompanhes meu filho.
Em seguida, Edgar abraçou-se ao pai e saiu.
Entraram no carro e o trajecto transcorreu agradável.
Chegaram ao prédio no finzinho da tarde.
O porteiro abriu largo sorriso ao vê-lo no banco de trás do carro.
- Seja bem-vindo, Edgar.
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Re: O AMOR É PARA OS FORTES - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 30, 2015 8:47 pm

O rapaz abriu a janela e acenou.
- Hum, o portão foi arrumado. Até que enfim.
- Sim, Edgar. Está tudo em ordem.
- Obrigado, João.
- Não tem que agradecer rapaz.
Edgar saiu do carro e foi até o porteiro.
Abraçou João e o agradeceu com sinceridade tocante.
- Você salvou a minha vida.
- Que nada - respondeu ele, meio sem jeito, desacostumado a receber esse tipo de tratamento.
- Muito obrigado por tudo.
João não respondeu tamanha emoção.
Edgar deu as costas e entrou no carro.
Adriano desceu a rampa da garagem.
João disse para si:
- Esse homem merece uma mulher de coração tão nobre quanto o dele.
Espero que a d. Denise suma de vez da vida dele.
Que ela nunca mais apareça por aqui.
Que Deus a mantenha afastada desse rapaz.
Dentro do apartamento, Edgar sentou-se no sofá.
- A casa está arrumada e perfumada do jeito que eu gosto.
- Delis veio ontem. Deixou tudo em ordem.
Há até uma travessa com beringela à parmegiana na geladeira.
É só esquentar no micro-ondas.
Ele esboçou leve sorriso.
- Delis sabe do que gosto.
Adoro esse prato.
- Só que tenho uma notícia chata - emendou Patrícia.
- O que foi?
- Delis disse que não vem mais.
- Por quê? - perguntou Edgar.
Sempre nos demos tão bem!
- Ela recebeu uma proposta de trabalho em outra casa.
Parece que é uma família dos Jardins, bem rica.
Ela vai ganhar bem mais do que ganhava como diarista.
- Se for para o melhor da Delis, óptimo.
- Se quiser - disse prontamente Patrícia - posso perguntar para minha empregada se ela tem algum dia de folga.
- Você cuidaria disso para mim?
- Claro Edgar.
Somos seus amigos.
- É que a Denise é quem cuidava desses assuntos.
Agora não sei como fazer.
Sinto-me meio perdido ainda.
- É natural. Logo você aprende.
É bom aprender a gerenciar a casa, as compras, as coisas.
- Não sei. Denise é quem fazia tudo. Tudo.
Adriano percebeu que o assunto iria ficar pairando sobre Denise.
Procurou dar outro rumo à conversa:
- Pois bem, campeão.
- Diga!
- Quando vamos retomar nossas corridas no parque?
Edgar olhou para o teto, pensativo.
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