O PREÇO DA PAZ - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

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Re: O PREÇO DA PAZ - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 23, 2015 8:00 pm

- Sim. E minha ligação com Ivana, por incrível que pareça, sempre foi permeada pelos laços do amor.
Infelizmente, nesta vida actual, tive de deixá-la mais cedo.
Fazia parte do nosso plano de encarnação.
- Quer dizer que...
- Sim, Everaldo.
Eu fui mãe de Ivana.
Desencarnei quando ela tinha apenas seis anos de idade.
- Eu sei disso.
A mãe de Ivana morreu tísica, tuberculosa.
- Quando adoeci, no final da década de 1940, fui levada a Campos do Jordão.
Fui tratada no Hospital Sanatorinhos.
Eu tinha duas filhas pequenas e não queria aceitar a doença.
Mesmo tendo recebido atendimento de qualidade e carinho dos médicos e enfermeiros, sucumbi à doença e desencarnei.
- Fechou mais um ciclo de existência terrena.
- Sim, mas fiquei tão grata ao hospital, que no astral estudei bastante e me especializei em enfermagem.
Trabalhei em vários postos de socorro, fui voluntária de muitos hospitais na crosta terrestre.
Agora divido meu trabalho entre cuidar de recém-desencarnados e Ivana.
Agora tenho condições de poder ficar próxima de minha filha.
- Não é fácil ver nossos entes queridos doentes e não poder fazer-lhes nada.
- Ivana poderia evitar o derrame, a doença, se acreditasse ser forte e fosse dotada de atitudes sadias.
O corpo de carne é uma máquina perfeita, contudo quem comanda o corpo é o espírito.
Assim, quando temos atitudes que nos desequilibram, ele reage e provoca sintomas a fim de nos mostrar que não estamos fazendo o melhor que podemos.
Minha filha maltratou seu corpo físico, encheu-o de substâncias tóxicas, não se alimentou direito, não fez exercícios, não tratou da mente nem do espírito.
O resultado não poderia ser outro.
Foi por isso que ela e Nicole encarnaram juntas.
O padrão destrutivo de suas mentes é semelhante.
- Nicole fez o mesmo com seu corpo e agora carrega marcas no perispírito.
Somente uma nova encarnação irá ajudá-la a reconstituir alguns órgãos lesados.
- Ela está bem?
- Sim. Conseguiu livrar-se da compulsão pelas drogas.
O facto de ter lesado os órgãos da visão mudaram-na completamente.
Ela procura se reequilibrar e se adequar a essa nova realidade.
- Espero que ela tenha uma nova chance.
- Ela não vai nascer cega, mas terá sérios problemas visuais.
Eles ocuparão bastante tempo de sua nova jornada e vão ajudá-la a ficar distante das drogas.
- Conversou com os espíritos superiores?
Everaldo sorriu.
- Sim. Eles estão elaborando nova etapa de vida na Terra para Nicole.
E o melhor de tudo é que recebi sinal verde para vir junto.
Consuelo abraçou-o.
- Fico muito feliz que vai voltar.
- Aprendi que preciso estar ao lado de Nicole.
Estamos numa época na Terra em que os valores estão sofrendo profundas mudanças.
Quando ela me conhecer, não vai se sentir constrangida em namorar um rapaz três ou quatro anos mais moço que ela.
- Ela vai primeiro?
- Sim. - Everaldo pigarreou.
Gostaria muito que você estivesse comigo quando ela renascesse em novo corpo físico.
- Mas será um grande prazer.
Estarei ao seu lado, pode acreditar.
- Obrigado.
Você é de facto, um espírito iluminado.
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Re: O PREÇO DA PAZ - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 23, 2015 8:00 pm

EPÍLOGO

Mariana acabara de finalizar uma pesquisa para anexar à sua tese de doutorado.
Andava cansada havia dias, com inchaço nas pernas, um cansaço sem igual. Inácio, deitado na cama, ordenou:
- Dá para desligar esse computador e vir se deitar?
- Já vou querido.
- Você não pode ficar muito tempo sentada com esse barrigão.
O médico ordenou que repousasse bastante.
- Precisava terminar esta pesquisa.
Depois que o bebé nascer, eu vou defender minha tese.
Devo deixar tudo em ordem.
- Falou e disse: depois que nosso bebé nascer.
Agora venha, desligue esse computador e deite-se. É uma ordem.
Mariana riu alto.
Deixou as folhas sobre a escrivaninha, desligou o computador no escritório contíguo e voltou para o quarto.
Deitou-se na cama.
Ajeitou-se como pôde, afinal era-lhe difícil ficar numa posição confortável.
- Ligue a televisão, amor.
Inácio resmungou sorridente:
- Mania de assistir televisão no quarto...
- Ah, é tão bom! Fico aqui agarradinha ao seu lado, em baixo deste edredom, bem quentinha, e aproveito para saber as notícias do mundo.
- Mas já não fica ligada no computador o tempo todo?
Ela pousou a mão em sua boca:
- Fico montando minha tese, mais nada.
Não tenho tempo para navegar pela Internet.
Por essa razão, quero assistir ao noticiário nocturno.
- Só você mesmo!
Inácio apertou o controle remoto e ligou o aparelho.
Foi mudando os canais e, quando passou pela estação que transmitia o noticiário nocturno, Mariana pediu:
- Deixe aí. Adoro esse jornal.
E o apresentador é bem bonito.
Inácio fingiu ciúmes:
- Alto lá. E eu?
Mariana apertou sua bochecha.
- Você é o meu gatinho, meu marido, meu tudo!
O apresentador é só um amor platónico, um caso sem consequências.
Os dois riram juntos.
As notícias foram variadas.
Assuntos de toda natureza.
Desde a chance de reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso até o triste desfecho da Copa do Mundo na França, quando a selecção brasileira, infelizmente, perdera o título.
Mariana se divertia e acompanhava todas as notícias com avidez.
Adorava estar actualizada.
De repente, seus olhos ficaram estáticos.
Por um instante ela ficou sem acção.
Depois, cutucou Inácio.
Ele estava quase adormecendo e acordou assustado.
- O que foi? O bebé?
- Não. Assista à reportagem.
- Não gosto de jornal na televisão.
- Assista isso! - insistiu ela, sacudindo-o com força.
Inácio abriu os olhos e, meio a contragosto, prestou atenção ao repórter.
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Re: O PREÇO DA PAZ - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 23, 2015 8:01 pm

Em seguida ele sentiu um frio no estômago quando viu aquela foto estampada na tela da TV.
Era ela. Mais velha e acabada, mas era ela.
A reportagem era a seguinte:
- A carioca Teresa Aguilar, 29 anos, foi condenada à morte por fuzilamento pela Justiça da Indonésia.
Mariana levou a mão à boca para evitar o estupor.
O repórter, enviado especial da emissora para fazer a cobertura do caso, prosseguiu:
- Teresa Aguilar é acusada de tráfico internacional de drogas, em julgamento realizado na tarde de ontem pela Corte Provincial de Tangerang, em Jacarta.
Teresa foi presa há cinco anos, no aeroporto de Jacarta, acusada de transportar três quilos de cocaína escondidos em suas malas.
Na ocasião, ela disse ter sido usada por um grupo de traficantes cariocas.
Sem testemunhas a seu favor, foi condenada.
O repórter prosseguiu, enquanto imagens de Teresa, após o julgamento, apareciam no vídeo.
- Maior país muçulmano do mundo, a Indonésia combate com severidade o tráfico de drogas.
A pena máxima é o fuzilamento.
Teresa Aguilar teve duas chances para tentar rever o julgamento, recorrendo em duas instâncias, processo que durou três anos.
Sem sucesso, ela apelou à Corte Superior.
Em último caso, ela formalizou pedido de clemência ao governo indonésio, que lhe foi negado nesta semana.
A extradição da brasileira não é possível porque a Indonésia não figura na lista de países com os quais o Brasil mantém acordo de transferência de presos.
A embaixada do Brasil na Indonésia confirmou que não pode interferir na jurisdição do país, informando que há, inclusive, um aviso no aeroporto alertando estrangeiros sobre o rigor da justiça local com o narcotráfico.
Mariana estava estupefacta:
- Meu Deus, o que Teresa foi aprontar?
- Não sei meu bem, mas ela se meteu numa grande enrascada.
- Que Deus tenha misericórdia dela.
Mariana levantou-se e foi tomar um pouco de água.
Condoeu-se pelo triste fim de Teresa.
Ela meneou a cabeça para os lados, incrédula.
O telefone tocou e ela foi arrancada de seus pensamentos.
- Alô?
- Mariana?
- Sim.
- Virgílio.
- O que foi?
- Mariana, não sei o que fazer.
Estou tão nervoso!
- Calma o que aconteceu?
- Sua mãe...
Ele não conseguia articular palavra.
Estava muito exaltado.
- A bolsa de Nair estourou e...
- Coloque-a no carro e vá para a maternidade.
Eu e Inácio vamos em seguida.
Consegue fazer isso?
- Consigo.
- Já nos encontramos.
Mariana pousou o fone no gancho e chamou o marido.
- Inácio!
- Sim.
- A bolsa de minha mãe estourou.
Precisamos ir já para a maternidade.
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Re: O PREÇO DA PAZ - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 23, 2015 8:01 pm

Ele foi correndo até a cozinha e gritou feliz:
- Ganhei!
- Como foi?
- Ganhei a aposta.
Virgílio vai ter de nos levar ao Fasano.
Eu disse que o filho dele e de Nair nasceria primeiro.
- Bobo! - disse ela, rindo.
Apanhe minha bolsa. Vamos descer.
Consuelo, como prometido, acompanhou Everaldo até a maternidade.
Chegaram no exacto instante em que o médico dava uma palmadinha no bebé e seu choro ecoava forte pela sala de parto.
Virgílio chorava emocionado e pegou sua filhinha, frágil, mas linda e rechonchuda.
Encostou sua cabecinha próximo ao rosto de Nair.
- Não disse que íamos ter uma menina?
Ela respondeu, entre lágrimas:
- Você acertou.
E, como ganhou a aposta, o nome dela será Nicole.
Virgílio beijou a filhinha com amor.
- Eu vou ser o melhor pai do mundo.
Eu juro. Você vai ver.
Consuelo apertou a mão de Everaldo.
- Que linda menina!
- Linda, minha Nicole vai ser sempre linda - tornou emocionado.
Claro que daqui a um ano seus olhinhos vão lhe dar um pouco de trabalho.
Mas a ciência e os médicos, aliados à sua força de vencer, vão ajudá-la a superar sua deficiência.
E não se esqueça de que vou aparecer na sua vida quando ela achar que perdeu todas as esperanças de melhora.
- Vai ser médico?
- Seguirei a profissão de meu pai.
Consuelo sorriu.
- Sidnei e Cininha concordaram em ser seus pais?
- Sim.
- Vai especializar-se em Oftalmologia?
- É o que pretendo.
- Desejo-lhe toda a sorte do mundo.
Se porventura eu ainda estiver do lado de cá, irei visitá-los amiúde.
Eu os estimo muito.
- Obrigado, Consuelo, por tudo que fez por mim e por Nicole.
Que Deus a abençoe.
- Que Deus nos abençoe a todos.
Os dois espíritos beijaram o bebezinho e desejaram-lhe sorte na nova jornada.
Depois, cada qual voltou às suas actividades.
Consuelo retornou ao quarto de Ivana e Everaldo dirigiu-se para sua colónia, feliz e radiante.
No caminho, enquanto se entretinha e admirava o brilho das estrelas, ele teve plena certeza de que a vida sempre torna possível, a cada um de nós, uma nova chance de ser feliz.

§.§.§- Ave sem Ninho
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