O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

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Re: O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 03, 2016 8:16 pm

No princípio, o cheiro insuportável a deixava nauseada.
Depois, foi se acostumando com o odor pútrido.
O pior ainda estava por vir. Marion
sentia o corpo apodrecer e os bichos alimentarem-se de suas carnes mortas.
Ainda seriam necessários alguns anos para seu cordão prateado ser desligado17 e ela ser recolhida para um posto de socorro no astral.
Aqui no Brasil, numa pequena cidade do interior, uma senhora assistia ao noticiário e gargalhava.
Presa aos acontecimentos do passado e a um par de muletas, Lina praguejou:
-Você tentou me matar.
Espero que sofra e me aguarde.
Quando desencarnar vou te procurar,
demónio.
A cena do atropelamento, muitos anos atrás, veio nítida à sua mente e Lina sentiu raiva.
Um espírito aproximou-se dela e sussurrou:
-Chega de tanta raiva.
Você colheu o resultado de suas atitudes.
Faz algumas vidas que você e Marion se acusam e se machucam.
Mas, como temos a eternidade pela frente, um dia, obviamente, vocês vão mudar.
Lina não sentiu a presença do espírito.
Vociferou alguma coisa e entornou um copo de vodca.
Ainda precisaria de outra vida para limpar em seu coração a raiva que nutria por Marion.

16 Erraticidade é o estado em que se encontra o espírito entre duas encarnações.
Espírito errante é aquele que está desligado do corpo material e aguardando uma nova encarnação para continuar seu processo de crescimento e ampliação da lucidez.
Para mais detalhes, ver O Livro dos Espíritos, Livro II, Capítulo VI, Parte l - "Espíritos errantes", questões 223 a 233, e Parte II - "Mundos transitórios", questões 234 a 236.


17 Para entender melhor como ocorre o processo de desligamento do cordão prateado, sugerimos reler a nota de rodapé 13 na página 229 e a leitura do livro Obreiros da Vida Eterna, de André Luíz, em especial o Capítulo 13 - "Companheiro libertado".
Utilizamos a 22ª edição da FEB.
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Re: O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 03, 2016 8:17 pm

Capítulo vinte e nove

Olívia estava radiante.
A cirurgia correctiva e definitiva de seu olho fora um tremendo sucesso.
Não havia mais resquício de estrabismo.
Ela se tornou mais confiante e sua auto-estima se elevou.
Amante das artes, percebera que levava jeito para administração de empresas e para gerir os negócios da família.
Associou-se à mãe e juntas fizeram com que as cafetarias de Alzira chegassem a todas as capitais do país, pelo sistema de franquia.
-Fico tão feliz que tenha largado a vontade de ser atriz - suspirou Aríete, depois de verificar os balancetes enviados pelos franqueados.
-A fase passou, mãe.
Mas continuo amante das artes.
Penso em abrir uma galeria de arte.
-Uma galeria?
-Sim - respondeu Olívia, sorridente.
O meu lado artístico tem se manifestado por meio da pintura de telas.
É muito difícil conseguir patrocínio e decidi que os meus quadros serão expostos na minha galeria.
Assim, estarei contribuindo com a disseminação da cultura em nossa cidade.
Vou dar chance para artistas que não conseguem levar suas obras às galerias já consagradas.
Como vê, a arte continua alimentando meu espírito.
Aríete aproximou-se dela.
-Você amadureceu muito nesses últimos anos.
-Depois que papai morreu, percebi que precisava estar com os pés mais no chão e ajudar você.
Aríete ia falar, mas Olívia a interrompeu.
-Eu achava que só poderia ter contacto com as artes se fosse actriz.
Depois percebi que a arte se manifesta por outros caminhos.
Eu poderia ser musicista, poetisa, actriz...
Decidi aprender as técnicas de pintura e isso alegra minha alma.
No dia a dia, percebi que sou meio parecida com você, tia Alzira e tia Lurdes.
-Parecida como?
-Somos empreendedoras por natureza.
Aríete sorriu.
-É verdade.
Só fui perceber essa habilidade depois que Osvaldo morreu.
Até então eu cuidava dele, de você e da casa. Mais nada.
-Mais nada? - Olívia perguntou, surpresa.
Você sempre foi organizada, mãe.
Cuidava do orçamento doméstico, da empregada, não deixava faltar nada em casa.
Eu e papai nunca precisamos fazer uma compra se quer.
A despensa estava sempre cheia, a comida sempre à mesa, a casa sempre limpa e cheirosa.
Você aprendeu na marra a ser organizada e transferiu esse conhecimento adquirido ao longo do casamento para os negócios.
Tornou-se uma empresária de sucesso.
-Você muito me ajudou.
-Não vou tirar seu mérito.
Sempre houve atritos entre nós.
Aríete ficou sem graça.
Não sabia o que dizer.
Olívia prosseguiu:
-Papai era quem se colocava entre nós.
Ele apartava nossas brigas, aliviava o peso das discussões.
Depois que ele se foi, eu passei a usar mais minha consciência.
Se começávamos uma discussão, eu imediatamente tentava imaginar o que papai faria.
Daí eu saía, ou ia para meu quarto e pensava.
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Re: O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 03, 2016 8:17 pm

Aprendi que nunca vou mudar seu jeito de ser e tenho de gostar de você do jeito que é.
Amar, mamãe, é sentir o bem pelo outro sem condições.
No amor não existe "se":
se você fosse mais assim, mais assada, mais isso ou mais aquilo...
Você é o que é e cabe a mim entender seu jeito e aceitar conviver com você ou não.
Eu escolhi estar ao seu lado e fortalecer nossos laços de afecto.
Hoje, além de filha, também sou sua amiga.
Aríete deixou uma lágrima escapar pelo canto do olho.
Abraçou a filha com força.
-Eu sempre a amei. Sempre.
Creio que tinha um jeito autoritário e queria que você fosse tudo aquilo que eu não pude ser.
Tive uma infância e adolescência marcadas pela violência e censura.
Meu pai foi um homem bruto e só conversava comigo e sua tia na base da cinta e de tapas na cara.
Minha mãe, infelizmente, não soube enfrentá-lo e nos proteger.
Eu e Alzira tivemos de nos virar.
-Se não tivessem tido os pais que tiveram, talvez a força de ambas ainda estivesse escondida atrás de algum capricho.
Vocês duas não tiveram tempo para ser mimadas.
Tiveram de aprender na marra a acreditar na própria força.
Olhe para você hoje:
tornou-se uma mulher amada pelo marido nos anos que conviveram juntos, teve condições de aprender um ofício e realizar--se no trabalho, e tem a mim, que estarei sempre ao seu lado.
-Não. Você logo vai namorar e casar.
-Podemos sair e paquerar juntas, o que me diz?
-Isso é proposta que se faça à sua mãe? - Aríete estava estupefacta.
Olívia riu.
-Está encostando nos cinquenta anos e é independente.
Garanto que tem um monte de homem assim - ela fez um gesto jovial com os dedos - querendo namorar você, mãe.
-Eu não quero. Já vivi a minha cota de amor com Osvaldo.
-Ainda tem muito o que viver.
Não gostaria de encontrar um companheiro para sua velhice?
-De maneira alguma.
Eu amei e amo seu pai.
Acredito na continuidade da vida após a morte e sei que vamos continuar juntos.
Eu não sinto falta e não tenho vontade alguma de encontrar um companheiro.
Tenho amigas conhecidas que ficaram viúvas e casaram de novo.
Não tenho nada contra, porque sou a favor de que as pessoas sejam felizes.
Elas estavam infelizes e encontraram nos novos maridos companheiros ideais para essa nova fase de vida.
Eu não preciso e não quero isso.
Sou feliz e me sinto realizada com você, com meu trabalho e com o convívio de minha irmã e minha tia.
Eugénio é um óptimo cunhado e supre a figura de um homem na casa.
Quando tenho algum problema para resolver em casa, eu o chamo.
E, de mais a mais, você um dia vai casar e ter filhos.
Eu quero ser uma avó presente!
-Fala com tanta convicção!
-Mas é o que sinto.
Você vai se casar.
-Não sei - observou Olívia.
-Precisa sair mais.
Só quer saber de trabalho e de pintar suas telas.
Uma moça de vinte e seis anos precisa ter amigos, sair, ir para as baladas.
É assim que dizem hoje em dia, não?
Olívia riu.
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Re: O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 03, 2016 8:17 pm

-É sim, mãe.
Mas não gosto de baladas.
Eu sou mais caseira.
-E acha que um marido vai cair do céu?
-E por que não?
Você e papai não se conheceram de maneira inusitada?
Aríete abriu enorme sorriso.
-Foi mágico.
Eu também não era namoradeira e seu pai veio até mim.
Tocou a campainha de casa.
-O mesmo ocorreu com tia Alzira.
Ela não encontrou o tio Eugénio assim, do nada?
-Verdade. Vai ver temos essa sorte com nossos amores.
O mesmo pode ocorrer com você.
-Por isso mãe, não tenho pressa.
-Não tem pressa ou ainda não se esqueceu daquele moço?
Olívia desconversou.
-Que moço?
-Aquele que você conheceu na Inglaterra.
Ele não era brasileiro?
Será que não voltou?
-Não sei.
-Hoje temos a internet, temos as redes sociais.
É tão fácil encontrar ou reencontrar alguém do passado.
-Eu só sei o nome dele, mãe. Frederico.
Não sei sobrenome, estado civil, nada.
Aríete piscou para a filha:
-Por que não entra em contacto com suas amigas da época do intercâmbio?
-Essa história faz parte do passado.
A última coisa que quero agora é arrumar namorado.
Vou conversar com tia Alzira sobre o projecto da galeria e também vou me inscrever naquele curso de pós-graduação.
-Para que fazer pós?
-Porque amo o conhecimento, mãe.
Quanto mais eu aprendo, mais segura eu me sinto para dar quantos passos forem necessários para o meu crescimento, seja ele pessoal, emocional ou espiritual.
-Está falando de maneira diferente hoje.
-Além de estar bem comigo mesma, também estive com Célia.
Aríete mexeu a cabeça para cima e para baixo.
-Célia e Ariovaldo são dois anjos que apareceram em nossa vida.
Eu e Alzira seremos sempre gratas a eles.
-Fiquei muito feliz de você e tia Alzira terem dado uma das cafetarias para os dois administrarem.
-Eles merecem muito mais.
Para nós, uma loja a mais ou a menos não vai interferir no nosso medidor de prosperidade.
Ariovaldo é homem honesto e competente.
Sinto que esse gesto meu e de Alzira foi o reconhecimento da ajuda que sempre nos deram, durante todos esses anos.
-Você é muito generosa, isso sim.
Quanto mais dá, mais a vida lhe retribui, seja em saúde, em dinheiro ou mesmo na harmonia familiar.
Sinto muito a falta de papai, porém somos uma família feliz.
As duas se abraçaram e foi com grande sensação de bem--estar que Olívia foi para o quarto e adormeceu.
Ela sonhou.
Abriu os olhos e viu-se ao lado de Lolla.
-Quanta saudade! - Olívia disse e abraçou o espírito amigo.
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Re: O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 03, 2016 8:17 pm

Lolla a abraçou com ternura.
- Vejo que seu progresso anda a passos largos.
-Ao menos aprendi a julgar menos.
Deixei um pouco de ser crítica comigo e com os outros.
Hoje entendo e aceito minha mãe do jeito que ela é.
Sabe, Lolla, se minha mãe quisesse se privar da minha amizade, eu me afastaria dela sem mágoas ou rancores.
-Aríete sempre a amou.
Em última vida você teve grande decepção com ela.
Acreditou que sua mãe tivesse morrido no mesmo acidente que matara seu pai.
Quando a viu, depois de muitos anos, não acreditou que Aríete tivesse ficado desmemoriada e perdida no mundo.
A sua baixa auto-estima contribuiu para que não aceitasse os factos como eram.
Colocou na cabeça que fora abandonada pela mãe e assim permaneceu, até mesmo depois de desencarnada.
-Hoje percebo que estava cega.
Não queria enxergar a realidade.
-Entende por que nasceu com leve estrabismo?
Olívia assentiu.
-A reencarnação é um bálsamo para nosso espírito.
Por meio dela, temos condições de encarar as mesmas situações, com o mesmo grupo de pessoas com as quais tivemos desapontamentos no passado.
Conforme damos um passo maior à nossa ampliação de consciência, mais fácil fica desatar os nós de inimizades e desentendimentos passados.
Cada encarnação vai clareando nossa consciência e iluminando nosso espírito.
-Hoje vejo minha mãe como uma grande amiga.
Acho que os resquícios do passado desapareceram.
Meu espírito aprendeu novas habilidades e hoje administro os negócios da família.
O meu contacto com as artes vai continuar por meio das pinturas.
-O seu progresso é espectacular, Olívia.
Sinto uma felicidade sem igual em vê-la bem. No entanto...
-Quando fala assim, é porque tem alguma surpresa.
-Pois é. Você se acertou com sua mãe.
E quanto ao amor de outra vida?
-Fala dele?
-Hum, hum.
Vocês se reencontraram e você o repeliu.
Ainda está traumatizada?
-Ele me matou. Quem mata não tem amor.
-Tem certeza de que ele a matou?
-Depois que morri, vi a cena.
-Viu a cena ou viu o que queria ver?
-Não estou entendendo, Lolla.
-Nós temos a tendência a ver somente aquilo que cremos.
Por vezes, a verdade está na nossa frente, contudo, diante das nossas ilusões, não a enxergamos.
Evitar contacto com a verdade machuca a alma e atrasa o processo de evolução do espírito.
Embora tenhamos toda a eternidade para desenvolver nossa lucidez e inteligência, não custa nada termos coragem para enxergar os factos como eles são, sem o peso dos sentimentos e sem o véu das ilusões.
-Fala como se eu não tivesse enxergado a verdade.
-Então vamos ver.
Feche os olhos.
Olívia concordou.
Em instantes, viu a cena que tanto temia.
Ela e Frederico se amavam.
Estavam apaixonados e se casariam dali a alguns meses.
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Re: O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 04, 2016 9:32 pm

Ocorre que outro rapaz, irmão enciumado de Frederico, apaixonara-se pela jovem e, diante da recusa em namorá-lo, o rapaz desesperou-se e a empurrou.
Ela perdeu o equilíbrio e caiu num canal.
Sem saber nadar, começou a afogar-se.
Frederico estava longe e viu a cena.
Correu e tentou salvar a amada.
Ela estendeu as mãos, mas Frederico não conseguiu salvá-la.
Olívia abriu os olhos e uma fina camada de suor escorria pela testa.
-Paço a empurrou para dentro do rio.
Frederico tentou salvá-la - disse Lolla.
-A impressão que eu tinha era de que Frederico me empurrava para baixo - disse, estupefacta.
-Você estava morrendo.
Seu corpo naturalmente começou a afundar.
Frederico tentou salvar a sua vida.
Olívia levou as mãos para o rosto, envergonhada.
-Eu o amaldiçoei por anos, no Umbral.
Acreditava que o perdão que ele me pedia era por ter se arrependido de ter me matado.
-Não. Frederico lhe pedia perdão porque não conseguira salvá-la.
Você viu o que quis ver.
-Pobre coitado!
Ele tentou me tirar daquelas água se eu o acusei injustamente.
Ficamos anos trocando acusações infundadas.
Oh, Lolla, me sinto tão envergonhada!
-É chegado o momento de vocês se reencontrarem.
-Vamos ter nova chance?
-Depende de vocês. A vida vai fazer com que se reencontrem.
Se vão ficar juntos ou não, é assunto ligado ao livre-arbítrio.
-O que seria isso? - perguntou Olívia.
-Livre-arbítrio é assumir as escolhas com lucidez.
-Lolla, e quanto ao rapaz que me atirou no rio?
-Depois dessa vida, ele renasceu e desencarnou jovem.
Paço reencarnou como Dário e é o pai de Frederico.
Olívia levou a mão à boca.
-Paço deu vida ao Frederico?
-Sim. Depois que desencarnou, Paço sentiu-se muito mal em ver você e Frederico trocando acusações injustas.
Sentiu--se responsável e desejou fazer algo, do fundo do coração, para ao menos ser perdoado pelo irmão.
Trazer Frederico de novo à vida foi um bálsamo para seu espírito.
-Onde ele está, hoje?
-Dário desencarnou há muitos anos.
Ele presta socorro num posto próximo da Terra e seu perispírito foi afectado pelo abuso de drogas.
-Oh!
-Seus pulmões foram lesionados e, numa possível volta ao planeta, vai nascer com deficiências nas vias respiratórias.
-Eu poderia vê-lo?
-Agora não, Olívia.
Primeiro precisa reencontrar Frederico e acabar com essa adversidade.
Se o reencontro de ambos acabar num possível acerto e decidirem seguir a vida juntos, Paço - ou Dário - terá chances de voltar como filho de vocês.
Eliel, um amigo espiritual de longa data, vai fazer o convite a Dário daqui a alguns anos.
Se tudo correr conforme as probabilidades, Dário voltará ao planeta por volta de 2015.
-Eu serei mãe dele?
-Será uma maneira bem interessante de acertarem as diferenças do passado.
Seu espírito aprendeu a lidar como sentimento de rejeição.
Agora é chegado o momento de colocar os ensinamentos em prática.
Você está aprendendo a direccionar o livre-arbítrio, fazendo escolhas cada vez melhores e direccionadas pela moral cósmica.
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Re: O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 04, 2016 9:32 pm

-Não sei o que seria da minha vida no planeta se não contasse com o seu apoio.
A ajuda de Eliel também tem sido muito importante.
Tenho sonhado com ele muitas vezes nos últimos anos.
Lolla sorriu.
-Fazemos parte de um grupo de desencarnados e encarnados que se ajudam mutuamente, em plena sintonia com o bem maior, sempre.
-Quando vou reencontrar Frederico?
-Tudo depende.
-Depende de que, Lolla?
-De você abraçar a verdade e aceitá-la.
Se sentir no coração que Frederico estava ajudando-a em vez de machucá-la, poderá fazer uma escolha positiva para o melhor do seu espírito.
-Vou tentar. Juro.
-Confio em você, Olívia.
Tenho certeza de que vai agir com clareza de ideias, sem julgamento.
Elas se abraçaram e Lolla concluiu:
-Precisa voltar ao corpo.
Logo vai acordar e terá mais um dia abençoado pela frente.
-Posso lhe fazer uma pergunta? - indagou Olívia, acanhada.
-Pode.
-Como está meu pai?
-Osvaldo está bem.
Demorou para aceitar o término de sua existência.
Estava muito apegado a você e Aríete.
Superou o apego, estudou e hoje trabalha no mesmo grupo que Dário.
Em breve terei condições de promover um encontro entre ele e sua mãe.
-Mamãe ficaria muito feliz.
Ela reclama que não sonha com ele.
-Porque ainda não chegou o momento de reencontro.
Se sua mãe tivesse contacto com Osvaldo alguns anos atrás, entraria num colapso emocional terrível.
Imagine você reencontrar a pessoa que tanto amou em vida e ter consciência de que estão temporariamente separadas?
É necessário muito equilíbrio emocional e conhecimento espiritual para aceitar e entender a situação.
-Tem razão.
Mas saber que meu pai está bem me enche o coração de alegria.
Você pode lhe mandar um abraço e um beijo?
-Por certo.
-Diga a ele, Lolla, que eu e mamãe o amamos muito.
Elas se despediram e Olívia voltou a adormecer.
No dia seguinte, acordou animada e cheia de energia para enfrentar mais um dia na Terra.
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Re: O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 04, 2016 9:32 pm

Capítulo trinta

Alzira era a emoção em pessoa!
Havia realizado o sonho de publicar seu livro de receitas.
O livro fora um estouro de vendas e ela era convidada para participar de diversos programas de culinária.
A receita preferida do público era, sem sombra de dúvidas, o seu famoso bolo de cenoura.
Embora a receita constasse do livro, Alzira confessara ao público que havia um pequeno detalhe que ela jamais revelava.
Era segredo de estado.
E essa aura de mistério em torno da receita fazia seu livro vender cada vez mais.
Cheia de carisma e simpatia, não demorou muito para um director de conhecida rede de televisão lhe fazer um convite para comandar um programa de culinária, todas as manhãs, das dez ao meio-dia.
Alzira aceitou e em poucos meses seu programa era o mais assistido e comentado da televisão brasileira.
Eugénio andava todo prosa.
Tinha orgulho em ver a esposa ser paparicada pela mídia e fazer sucesso.
O mesmo ocorria com Olívia e Aríete.
Elas torciam cada vez mais pelo sucesso de Alzira.
Lurdes já estava com mais de setenta anos de idade e continuava muito activa.
Ninguém diria que ela tinha tantos anos assim.
Tingira os cabelos de um louro escuro que realçara os olhos esverdeados.
A pele continuava sedosa, embora ela nunca tivesse enfrentado um bisturi.
Animada com o sucesso da sobrinha, estava sempre ao lado de Alzira nos programas de culinária.
Não demorou muito para virar assistente de palco de Alzira e também se tornar nacionalmente conhecida.
Lurdes esbanjava carisma e fazia belo par ao lado da sobrinha.
O programa tornara-se líder de audiência nas manhãs de segundas às sextas-feiras.
Uma aluna do curso de pós-graduação descobriu que Olívia era sobrinha da famosa Alzira, do programa de tv.
Ela procurava ser discreta e mal falava sobre a tia ou o sucesso do programa, contudo, os colegas de classe a enchiam de perguntas e um dos professores a convidou para fazer uma pequena palestra sobre a trajectória de sucesso de Alzira.
Olívia concordou e, na semana seguinte, veio novo convite:
queriam que ela trouxesse a tia para dar uma aula sobre gestão de negócios.
-E eu lá sei o que é isso? - rebateu Alzira.
-Tia, é só para você ir lá falar ao pessoal sobre sua trajectória de sucesso.
-Você disse que já fez isso.
Por que vou lá repetir tudo?
-Eu falei segundo o meu ponto de vista.
Tia - Olívia fez voz dengosa -, você hoje é uma celebridade!
Os meus colegas e as mães dos meus colegas adoram você.
Que custa ir até lá e falar só um pouquinho?
Meia hora, no máximo.
-Aproveite a sua maneira desinibida de se expressar - tornou Aríete.
-Eu não era assim.
Mudei ao longo dos anos - replicou Alzira.
-Por isso mesmo - asseverou Lurdes.
Falar sobre a sua vida e sobre seu passado poderá ajudar muitos outros jovens a direccionar suas carreiras.
-Será? - perguntou Alzira, insegura.
-Claro, tia!
Conte aos alunos sobre o exercício que a Célia lhe ensinou a fazer, anos atrás.
Lembra que você queria ser professora e ela lhe mostrou que você deveria fazer doces?
-Faz tantos anos isso.
Não sei se vale a pena falar sobre...
Olívia a cortou com amabilidade na voz.
- Vale a pena. Tem muita gente que estuda porque estuda, sem ânimo.
Não tem consciência do que quer.
A sua trajectória de vida mostra que o sucesso só acontece para quem acredita e ama o que faz.
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Re: O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 04, 2016 9:33 pm

-Todo mundo faz isso.
-Engano seu, tia.
Muita gente segue o conselho dos outros, esquece de consultar o coração.
A nossa sociedade valoriza as aparências e infelizmente muitos fazem o que não gostam e perdem o prazer da realização plena da alma.
Daí vem a tristeza, a depressão, a falta de ânimo...
-Está bem - concordou Alzira.
Eu vou.
Marcaram a palestra para a semana seguinte.
Américo sofrera uma crise forte de rinite e por conta da idade avançada fora hospitalizado.
Nada de mais.
Somente dois dias no hospital a fim de realizar exames diversos e tranquilizar os médicos e a família.
-Estou bem, oras.
Só porque estou velho me tratam feito criança?
-Calma, pai - tranquilizou Valéria.
A crise de rinite foi muito forte.
Você está espirrando muito e seus pulmões não podem trabalhar tão sobrecarregados.
-Estou bem. Tenho uma vida pela frente.
-Sei disso.
-Não preciso ser tratado como bebezinho.
Eu gosto de trabalhar.
Sou o braço direito de Frederico nas nossas organizações.
-Também sabemos disso - emendou Adamo.
No entanto, está na hora de refazer uma bateria de exames.
Se tudo estiver dentro da normalidade, eu e Natália o levaremos para uma temporada em Florença.
-Não posso sair agora.
Tenho muito trabalho.
-O trabalho pode esperar - interveio Natália.
Se tivesse uma esposa, estaria com outros planos na cabeça.
-Estou bem assim, sozinho.
Todos riram.
Valéria tornou:
-Vou com Natália para o escritório e voltaremos logo mais, depois do almoço.
Adamo vai lhe fazer companhia.
-Não preciso.
Fico bem sozinho.
Não estou doente.
-Se você permitir - Adamo disse - eu preciso ir até a agência de viagens para reservar nossa passagem de volta para a Itália.
-Tem certeza de que quer ir embora?
-Tenho - Adamo fez sim com a cabeça.
Eu e Natália pensamos bastante e chegamos à conclusão de que queremos viver em Florença.
-E o escritório? - perguntou Américo.
Vai largar minha filha?
Natália riu.
- Não vou largar sua filha.
Agora temos internet, computador...
A tecnologia está a nosso favor.
Vou gerenciar os projectos à distância.
E, a cada seis meses, voltaremos para uma temporada.
Concorda? - perguntou Natália, passando graciosamente os dedos no queixo de Américo.
Ele riu e assentiu.
-Está certo. Vocês têm de fazer o que manda o coração.
De repente ele se entristeceu.
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Re: O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 04, 2016 9:33 pm

-O que foi, pai?
-Nada, Valéria.
Estava aqui pensando se minha vida não seria diferente caso eu tivesse perseverado e ido atrás da minha namorada.
-Essa história tem mais de cinquenta anos! - exclamou Adamo.
Não acha melhor deixar para a próxima encarnação?
-Se eu pudesse, começaria tudo de novo.
A idade não é factor limitante para mim - respondeu Américo, maneira enérgica.
Todos concordaram e cada um foi atrás dos seus afazeres.
Américo ficou confortavelmente instalado no quarto do hospital.
Uma simpática enfermeira apareceu e mediu a pressão dele.
Depois outra veio e cuidadosamente tirou-lhe um frasco de sangue das veias.
Américo gostou do paparico e adormeceu.
Duas horas depois, ele acordou e, sem ter o que fazer, pegou o controle remoto ao lado da mesinha e ligou a televisão.
Ficou passando de um canal para outro, meio sem interesse, até que deixou num canal qualquer.
Uma simpática mulher na casa dos cinquenta anos apresentava o programa de culinária.
Américo sorriu.
-Eu não sei fritar um ovo.
Admiro pessoas que sabem cozinhar.
Essa mulher sabe muita coisa.
Ele ajeitou os travesseiros na cama e soergueu o corpo.
Ficou ali, fascinado com os ensinamentos de Alzira.
A maneira como ela falava dava a impressão de que qualquer ser humano era capaz de fazer os mesmos pratos, deliciosos por sinal, que ela apresentava.
Num determinado momento do programa, Alzira chamou pela sua assistente.
Lurdes entrou e, como o programa tinha plateia, foi aplaudida de pé e ovacionada.
As pessoas adoravam ela.
Américo foi prestando atenção e seus olhos, num determinado momento, espremeram.
-Será que é quem eu estou pensando? - perguntou para si, em voz alta.
Uma enfermeira entrou no quarto.
-Seu Américo, o médico daqui a pouco virá para conversar com o senhor.
Parece que está tudo em ordem.
O senhor deverá ser liberado hoje à tarde e...
Ela percebeu que Américo não lhe dava a mínima atenção.
Olhou para ele e para o aparelho de televisão.
-O senhor gosta de culinária?
-Não. Mas acho que conheço essa mulher.
-A Alzira?
O programa dela faz o maior sucesso, seu Américo.
Ele não desgrudava os olhos da tela.
Perguntou:
-Quem é essa senhora que está ao lado dela?
-É a Lurdes.
Conhecida como tia Lurdes, a quituteira.
-Você sabe o sobrenome dela?
A enfermeira fez não com a cabeça.
Em seguida, disse:
-Ah! Uma das enfermeiras trouxe uma revista de celebridades para a gente ler e passar o tempo.
Acho que tem uma nota sobre a Alzira e a tia Lurdes.
-Você poderia procurar essa revista?
-Sim, senhor.
A enfermeira saiu e Américo não desgrudava os olhos da tela.
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Re: O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 04, 2016 9:33 pm

-Só pode ser ela! É a Lurdes!
A moça voltou com a revista a tiracolo.
Abriu na página e mostrou para Américo.
Ao ler o nome completo e a idade, não teve dúvidas: ele havia reencontrado a namorada de sua juventude.
-Preciso receber alta hoje!
-O médico já vem e...
Américo a cortou:
- Agora! Vá chamar o médico agora, minha filha.
Eu preciso sair daqui.
A enfermeira assentiu e foi chamar o médico.
Américo tremia feito folha ao vento.
-Lurdes! Você está viva.
Será que ainda se lembra de mim?
A palestra que Alzira fizera na faculdade foi um sucesso.
Ao terminar foi aplaudida de pé.
Muitos dos alunos estavam com o livro de receitas sob os braços e fizeram fila para que ela autografasse.
Ela concordou e disse a Olívia:
-Vamos demorar.
Ligue para o celular do seu tio.
Diga a Eugénio que vamos nos atrasar.
-Pode deixar, tia. Mas terei de ir ao pátio.
Aqui no auditório não tem sinal.
Alzira começou a autografar os livros e Olívia saiu.
Foi até o pátio, levantou o celular para o alto com uma das mãos, à procura de sinal.
Assim que o aparelho deu sinal, ligou para Eugénio.
Ao desligar, foi cumprimentada por um colega do curso.
-Olívia, a sua tia foi magnífica no discurso.
-Obrigada, Ismael.
-Que história de vida!
Alzira teve uma vida difícil, uma infância ruim e tornou-se uma mulher de sucesso.
É um exemplo a ser seguido.
-Também acho.
-Eu adoraria conhecê-la.
Você depois me apresenta a ela?
Minha mãe é super fã e vai adorar ganhar um livro autografado.
-Claro. Vamos esperar as pessoas irem embora.
Assim você conversa um pouquinho com ela.
-Mesmo?
-Claro, Ismael.
Você é um dos melhores amigos que tenho.
-Também gosto muito de você.
Os dois se abraçaram e Ismael perguntou:
-Você viu o novo professor de economia?
-Não. Fiquei triste que o professor Durval tenha sido afastado por estar doente.
-Dizem que esse é bom.
Estudou fora do país.
É doutor em economia.
-Pelo preço que pagamos o curso, nada mais justo do que um profissional competente para nos dar aula.
Ainda mais de economia!
-Ele é amigo do meu pai - Ismael baixou o tom de voz.
Sábado vamos dar um jantar.
Quer vir e conhecê-lo?
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Re: O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 04, 2016 9:33 pm

-Não sei...
-Olívia, você não sai, só trabalha.
Não vai me dizer que tem trabalho para o sábado à noite!
Ela riu.
-Tem razão. Estou me tornando viciada em trabalho, uma workaholic.
-Precisa dar um tempo para o lazer.
Você vai jantar com a gente no sábado. É um ultimato.
-Está certo. Eu vou.
A semana correu rápida e o sábado chegou.
No fim da tarde, depois de preparar alguns relatórios, Olívia fechou os olhos e suspirou.
Estava um pouco cansada de só trabalhar.
Mas fazer o quê?
Ela não gostava de sair, era avessa a baladas e declinava todos os convites de Ismael.
Preferia ficar vendo tevê ou assistindo a séries americanas em dvd.
Adorava ficar em casa na companhia da mãe.
Ela chegou em casa, jogou a bolsa sobre a cómoda e sentou-se no sofá.
Tirou os sapatos e começou a massajar os dedos.
Aríete entrou na sala e sorriu:
-Chegou cedo.
-Resolvi parar mais cedo.
É sábado e o Ismael vai dar um jantar.
-Vai sair? - indagou Aríete surpresa. - Até que enfim.
-Ah, mãe. Pare com isso.
Eu gosto de ficar em casa.
-Mas ficar em casa não vai trazer namorado.
-E quem disse que eu quero namorar?
Aríete aproximou-se de Olívia e beijou-lhe a testa.
Sentou--se ao seu lado.
-Querida filha, todos queremos conhecer o amor.
Nascemos para viver em grupo, em sociedade.
-Não gosto de sair a noite.
Essas baladas tocam uma música insuportável, irritante.
As pessoas se drogam a valer.
Não condeno ninguém, pois cada um é responsável por suas escolhas.
Mas é um tipo de ambiente que não combina comigo. Pronto.
-Saia com suas amigas.
-Todas casaram, mãe.
Não sobrou ninguém.
-Ao menos tem a amizade de Ismael.
-Não é a mesma coisa. Talvez eu termine como tia Lurdes, que renunciou ao amor.
-Sinto que sua tia fechou-se em copas por medo.
Se ela se permitisse amar de novo, fatalmente a vida lhe traria alguém.
Afinal, atraímos nossos pares pelo teor de nossa energia.
-Você bem que podia atrair alguém em seu caminho.
-Negativo. Já tive meu amor.
Seu pai significou e significa muito para mim.
-Não sonhou mais com ele? - indagou Olívia, curiosa.
-Não. A nossa separação foi triste e sinto saudade de Osvaldo até hoje.
No entanto, não posso negar que, ao ficar viúva, perdi o chão.
Seu pai era tudo para mim e eu era demasiadamente dependente dele.
Pedia opinião para tudo.
Depois de algum tempo, aceitei a situação e aprendi a valorizar minhas qualidades, desenvolvendo a própria força.
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Re: O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 04, 2016 9:34 pm

Isso fez eu me sentir mais capaz.
A morte é irreversível e aceitá-la revela sabedoria.
-Eu a admiro muito.
-Obrigada, filha.
E, de mais a mais, a vida só permite um encontro entre encarnado e desencarnado quando esse encontro beneficia ambos.
Sinto seu pai muito ligado a nós duas, mesmo depois de tantos anos desencarnado.
No dia em que o espírito de Osvaldo estiver emocionalmente equilibrado, poderemos nos encontrar.
-A morte de papai nos aproximou sobremaneira.
-Isso é facto.
Olívia respirou fundo e exalou agradável suspiro.
-A conversa está boa, mas preciso me arrumar.
Tenho de estar na casa de Ismael às oito em ponto.
Ela falou, levantou-se e subiu para o quarto.
Tomou uma duche morna e refrescante.
Como não havia tido tempo de ir ao cabeleireiro, Olívia escovou os longos cabelos castanhos e fez um gracioso rabo de cavalo.
Maquiou-se com sobriedade e colocou um lindo vestido tomara que caia na cor verde-esmeralda, realçando o colo.
Passou delicado perfume sobre o pescoço e os pulsos.
Calçou um par de saltos altos e escolheu uma bolsinha.
Desceu as escadas e apanhou a chave do carro.
-Está muito bonita - afirmou Aríete.
-Obrigada, mãe. Bom, não tenho hora para voltar.
-Não esquece de colocar o cinto de segurança.
Dirija com cuidado.
Não atenda o celular enquanto dirige e...
Olívia cortou Aríete com docilidade na voz:
-Menos, mãe. Menos.
Beijou-a no rosto e saiu.
Entrou no carro, colocou o cinto, deu partida e logo seu carro sumia na curva.
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Re: O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 04, 2016 9:34 pm

Epílogo

Olívia chegou ao apartamento de Ismael às oito em ponto.
Era um jantar para poucas pessoas:
Ismael, a irmã e os pais deles, mais Olívia e o tal professor.
Ela foi recebida com carinho pelos pais de Ismael.
-Seja bem-vinda à nossa casa - tornou Norma.
-Obrigada.
Ismael a puxou para o lado e sentaram-se num sofá.
Amelinha, irmã de Ismael, uma simpática jovem de dezoito anos, cumprimentou Olívia e sentou-se junto deles.
-Depois do jantar vamos sair para dançar.
Gostaria de nos acompanhar? - perguntou Amelinha.
-Não, obrigada.
Depois do jantar vou para casa descansar.
-A noite está linda.
Contei até algumas estrelas no céu.
-É mesmo?
-Sim, Olívia. Ismael me disse que você é muito caseira.
-Passei da idade de frequentar baladas.
Na sua idade eu saía bastante.
-Quantos anos tem?
-Vou fazer trinta no mês que vem.
Amelinha levou a mão à boca.
-Não acredito.
Não parece a idade que tem.
Que cremes você usa?
Os três caíram na risada e logo o convidado que faltava chegou.
Olívia estava sentada de costas e nem percebeu quando Norma tocou-lhe delicadamente o ombro para fazer a apresentação.
-Olívia, este é nosso amigo, professor Frederico Calini.
Ela levantou o rosto e congelou.
Mais de uma década havia se passado, contudo Olívia teve certeza de que estava diante de Frederico.
Os cabelos dele começavam a ficar prateados nas têmporas e usava óculos.
No resto, ele continuava o mesmo de quando o conhecera em Londres: bonito e elegante.
Ela tentou se levantar, mas não conseguiu.
Frederico aproximou-se e a beijou no rosto.
-Os anos passaram e você ficou ainda mais linda.
Como vai, Olívia?
-B... bem - balbuciou.
E você?
Ismael interrompeu:
-Não acredito!
Vocês se conhecem de onde?
-Eu conheci Frederico quando fiz intercâmbio, muitos anos atrás - respondeu Olívia.
-E tomei um bolo dessa menina.
Inesquecível - interveio Frederico.
Ismael percebeu o clima entre os dois e foi cordial.
-Vou apanhar uma bebida e já volto.
Olívia levantou-se e sorriu.
-Ao menos se lembra de mim. Menos mal.
Importa-se de conversarmos na varanda? - convidou Frederico.
Olívia assentiu com a cabeça.
Ismael trouxe uma taça de vinho para cada um e se afastou.
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Re: O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 04, 2016 9:34 pm

Frederico ergueu a taça:
-Saúde!
-Saúde!
Bebericaram o vinho tinto e Frederico foi directo:
-Entendo que você era muito jovem naqueles tempos, mas fiquei muito triste com o seu sumiço repentino.
-Entendo perfeitamente a sua posição.
Se eu estivesse no seu lugar, sentiria o mesmo.
Eu bem que tentei procurá-lo, mas só sabia seu primeiro nome, mais nada.
-Por que me rejeitou?
-Eu não o rejeitei - suspirou Olívia.
-Como não?
Você sumiu e me abandonou.
Não deixou recado, aviso, nada.
Norma apareceu e anunciou que o jantar estava servido.
-Depois vamos continuar a conversa - sentenciou Frederico.
-Sim.
O jantar transcorreu agradável.
Norma e Bonifácio, pais de Ismael, eram pessoas cultas e divertidas.
Frederico falou sobre como conseguia conciliar a carreira de executivo com a de professor.
Olívia falou sobre a "famosa" tia Alzira.
Ao término do jantar, Amelinha despediu-se de todos para encontrar os amigos na balada.
Iam dançar na Pacha.
-É um dos clubes mais descolados da cidade.
Tem filial em outras metrópoles, como Florianópolis, Ibiza e NovaYork - tornou, animada.
Mesmo com a animação da jovem, os dois declinaram do convite.
Frederico aproximou-se de Olívia:
-Você tem compromisso?
-Tenho.
-Ah, que pena.
-Tenho dois filmes para assistir.
Mas posso deixar para amanhã.
Ele riu.
-Pensei que tivesse alguém.
-Não tenho.
-Eu também estou sem ninguém.
Gostaria de ir a um bar para continuarmos a nossa conversa?
-Não gosto de bar, Frederico.
Geralmente o barulho é demasiado e temos de falar gritando.
-Conheço um bistrô nos Jardins que fica aberto a noite toda.
É um lugar aconchegante e não há barulho.
Poderemos conversar a vontade.
-Está bem.
-Veio de carro? - indagou, atencioso.
-Vim.
-Deixe seu carro e venha no meu.
Depois eu a levarei até sua casa.
-Não precisa se preocupar.
-Sou um homem moderno, mas de princípios considerados antiquados.
Eu vou levá-la até a sua casa e amanhã apanho você para pegarmos o seu carro.
Olívia nada disse. Estava encantada.
Eles se despediram da família e saíram.
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Re: O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 04, 2016 9:34 pm

Norma cutucou o filho:
-Esses dois têm alguma coisa?
-Olha, mãe, se não tinham, pode ter certeza de que vão ter! - exclamou Ismael.
-Formam um casal tão bonito - afirmou Bonifácio.
-Concordo - respondeu Norma.
No trajecto até o bistrô, Frederico e Olívia conversaram trivialidades.
Falaram da bolha americana, das eleições que se aproximavam.
Nada que fosse pessoal.
Chegaram e entraram no pequeno restaurante.
De fato era um lugar aconchegante, decorado no estilo provençal francês.
Os móveis eram patinados na cor branca e a decoração era de extremo bom gosto.
Sentaram-se numa mesa mais nos fundos do bistrô.
Pediram uma torta doce, uma água com gás, dois cafés.
Assim que o garção trouxe os doces e o café, Frederico repetiu a frase:
-Você sumiu e me abandonou.
Não deixou recado, aviso, nada.
-Fiquei muito abalada.
Naquele dia do nosso passeio, ao chegar na república, fui informada de que meu pai havia sofrido um enfarto e estava muito mal.
-Passei anos esperando reencontrá-la e imaginei muitas respostas, centenas delas.
Confesso que nunca imaginei essa resposta.
-Ao menos falo a verdade.
Não tenho o que esconder.
-E como vai seu pai? Melhorou?
-Morreu.
-Sinto muito.
Não imaginava...
Olívia deu de ombros:
-Quando me ligaram em Londres para avisar ele já estava morto.
A família me ocultou a verdade para que eu não me desequilibrasse.
-Sinto muito, mesmo.
Imagino como deve ter sido duro para você.
-Foi. Logo depois da morte de papai, eu concluí o colegial e fui trabalhar.
Ajudei minha mãe e algum tempo depois me matriculei num curso de administração de empresas.
-Você queria ser artista. - Olívia riu.
-Quem sabe um dia?
Eu pus os pés no chão e percebi que tinha vocação para administração.
Hoje eu sou uma profissional realizada e satisfeita.
Quanto a ser artista, faço aulas de pintura em tela.
Sonho em montar uma galeria de arte e patrocinar artistas desconhecidos e sem recursos.
-Sua alma é de artista, não tem como negar.
Frederico falou e seus dedos se tocaram.
Ambos sentiram uma pequena faísca.
-Olívia, eu tenho tanto para lhe falar!
Gostaria tanto de vê-la novamente.
-Eu também.
-Agora que entendo o seu sumiço, tudo o que sentia por você voltou com mais força.
Ela não respondeu.
-Você está linda!
-Fiz uma cirurgia correctiva e não sou mais estrábica.
-Eu não me importava.
Achava um charme à parte.
-Pois vai ter de encontrar outro.
Esse "charme" não mais me pertence!
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Re: O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 04, 2016 9:34 pm

Eles riram e ele pousou delicadamente suas mãos nas dela.
Trouxe uma delas até a boca e beijou.
-Será que você vai me dar nova chance?
-Vamos começar do zero.
Frederico não respondeu. Inclinou a cabeça e seus lábios se tocaram.
Um beijo demorado e delicado.
Ambos sentiram o coração bater descompassado.
-Quer ser minha mulher?
-Não seria namorada? - perguntou, sorridente.
-Negativo.
Eu a conheci há mais de dez anos e nunca a esqueci.
Estou com trinta e três anos de idade.
Não tenho mais tempo para brincadeiras.
-Não estou falando em brincadeiras, mas em nos conhecer melhor.
Preciso saber mais de você, da sua vida.
Quero conhecer sua família e quero que conheça a minha.
-Faremos tudo isso, desde que não se afaste mais de mim.
Beijaram-se novamente.
Do Alto, pétalas de rosas iluminadas caíam suavemente sobre a aura do casal.
Lolla sorriu feliz.
-Eliel, meu amigo. Conseguimos o nosso intento.
-Eles se reencontraram e, pela cor de suas auras, tem um longo caminho de amor e cumplicidade pela frente.
-Vamos deixá-los a sós e partir.
-Sim - concordou o espírito.
Antes, vamos até aquele lugar?
Gostaria de aliviar a dor de Marion.
Lolla concordou com a cabeça.
Num piscar de olhos estavam na cidade de Los Angeles, no mesmo cemitério onde estavam enterradas estrelas como Natalie Wood e Marilyn Monroe.
Eliel aproximou-se do espírito de Marion, ainda preso aos restos mortais.
Ela continuava sem saber onde estava.
Gritava pedindo ajuda, implorava por socorro.
Eliel deixou que uma lágrima escapasse pelo canto do olho.
Lolla tocou em seu ombro.
-Não fique assim, meu amigo.
Sabemos que outros caminhos teriam dado resultados melhores.
-O suicídio18 de Marion foi um acto de rebeldia.
Entendo que ela quis fugir das situações com as quais sufocava a alma.
Sei que, com os anos, vai aprender a cultivar os verdadeiros valores.
-Vamos orar por ela.
Os dois fecharam os olhos e se deram as mãos.
Fizeram sentida prece e, por alguns minutos, Marion deixou de sentir dores.
Serenou e adormeceu.
Eliel agradeceu:
-Obrigado, Lolla.
-Que nada. Marion não precisa de julgamento, mas de compaixão.
-É - concordou Eliel.
Deus cuida de tudo e todos com perfeição e amor.
Vamos embora.
-Daqui a um ano voltaremos - assegurou Lolla.
O reencontro de Américo e Lurdes foi comovente.
Os dois, com idade bem avançada, decidiram dar nova chance ao amor represado por tantos anos.
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Re: O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 04, 2016 9:35 pm

-Vamos casar e seremos felizes - disse Américo.
-Não senhor! - protestou Lurdes.
Eu não quero casar.
-Como não? Estamos quase no fim de nossa vida!
Não tenho tempo para namorar e noivar.
-Se eu me casar serei sua esposa.
-É isso o que mais desejo:
que você se torne minha esposa.
-Não quero ser esposa.
Quero continuar sendo a Lurdes independente e que está com você porque gosta.
Não preciso do seu dinheiro.
Os anos passaram e eu amadureci.
Quando namorávamos, eu era uma garota ingénua e cheia de sonhos.
Fui criada para casar, ter um marido, filhos e cuidar da casa.
Não foi o que aconteceu.
-Eu já lhe expliquei milhares de vezes que Amélia engravidou e...
Lurdes o cortou com docilidade na voz.
-Sei disso e o entendo.
Não estou aqui para julgá-lo.
Somos todos responsáveis por nossas escolhas.
Eu me tornei uma mulher forte, joguei as ilusões para fora, passei a enxergar a vida como ela é.
Tornei-me mais segura e passei a gostar mais de mim mesma.
Quando eu me aposentei, as minhas sobrinhas vieram morar comigo e a vida mudou completamente.
Formamos uma família unida, permeada por laços sinceros de afecto.
Montamos um negócio, prosperamos e ficamos bem de vida.
Eu já passei dos setenta anos de idade e o que quero é tão somente um companheiro.
Quero estar ao seu lado, Américo, porque gosto, mais nada.
Sem cobranças, sem papéis.
-As pessoas vão fazer comentários.
Lurdes deu de ombros.
-Pois que façam.
Passei da idade de me importar com os fuxicos da sociedade.
Se quiser ficar comigo, será nesses termos.
Seremos livres, porém fiéis.
Mas cada um morando na sua casa.
Passo três dias na sua e você passa três dias na minha.
-São seis dias.
A semana tem sete.
Ainda falta um dia - contou Américo.
-Eu preciso de um dia para ficar comigo mesma.
Uma pessoa, quando vive sozinha, acaba adquirindo hábitos ao longo dos anos.
Eu vou procurar me adaptar à nossa nova vida de casal, mas é fundamental que eu fique um dia comigo mesma, cuidando do meu jardim, das minhas plantas, lendo um livro, ou não fazendo nada, só curtindo o momento.
Muita gente não tem ideia de como é bom ser seu próprio amigo.
Estou feliz à beça comigo mesma.
-Mas...
Antes que ele continuasse, ela finalizou:
-Nem mas, nem meio mas.
Essas são as condições.
Se quiser reatar nosso namoro, óptimo.
Se não quiser, não tem problema.
Ficamos cinquenta anos separados.
Posso ficar mais cinquenta comigo mesma!
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Re: O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 04, 2016 9:35 pm

-Você é ardida como pimenta! Que mulher!
-É por esse motivo e por muitos outros que o maior empresário do país quer ficar comigo.
Os dois caíram na risada e beijaram-se com amor.
-Prometo que serei o "namorado" mais carinhoso, romântico e companheiro que você pôde sonhar em toda vida.
Eu a amo, Lurdes.
-Também o amo, Américo.
Nesse clima parecido com final de novela, Tomás pressionou Valéria:
-Vamos nos casar.
-Ora, ora. E não somos "casados"? - perguntou ela, enquanto penteava os cabelos, pronta para ir para a cama.
-Vivemos juntos há anos, mas quero me casar, no duro.
-Vamos fazer como meu pai e Lurdes.
Nada de papel.
-O caso deles é diferente.
-Diferente em quê?
Cada um tem seu próprio dinheiro.
Cada um tem sua própria casa.
O mesmo ocorre com a gente.
Estou com você porque o amo, mais nada.
Para que uma certidão?
Acaso vamos fazer um filho nessa altura do campeonato?
Tomás riu.
-Claro que não.
Deixemos esse trabalho para Alice e Frederico.
Eu quero ter uma certidão de casamento, andar com aliança no dedo da mão esquerda, fazer festinha...
-Ai, meu Deus!
Um homem de quase sessenta anos sonhando feito garotão.
-E não sou seu garotão? Vai, diz.
Valéria meneou a cabeça.
Levantou-se e deitou-se na cama.
Abraçou-se a Tomás.
-Você é meu garotão.
-Repete.
-É meu amor, é meu tudo.
Agora, me faça um pedido irrecusável de casamento.
Talvez eu pense com carinho na sua proposta.
-Bom, eu estava aqui pensando com os meus botões...
Frederico e Olívia vão se casar daqui três meses, certo?
-Certo.
-Então, a gente bem que podia aproveitar e casar todo mundo junto.
Uma mesma festa.
Mãe e filho casando no mesmo dia! O que me diz?
Valéria sorriu alegre.
-Sabe que parece uma ideia muito interessante?
Vamos primeiro conversar com Frederico e depois...
Tomás levou o dedo até os lábios dela.
-Tolinha. Eu já acertei tudo com o Frederico.
O meu filho postiço adorou a ideia.
A sua futura nora também aprovou.
Natália já mandou confeccionar os convites, e Adamo vai lhe dar o vestido de presente.
Será uma recepção íntima, para poucos amigos, na mansão do seu pai, no Morumbi.
-Isso quer dizer que a família toda estava conspirando pelas minhas costas?
-Ah, e a viagem de núpcias será presente de sua madrasta, a Lurdes.
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Re: O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 04, 2016 9:35 pm

-Você me pegou!
Não tenho como recusar.
Tomás a abraçou e beijou várias vezes no rosto e nos lábios.
-Vamos casar!
Vamos casar!
A festa de casamento de mãe e filho foi destaque na mídia.
Valéria e Tomás foram curtir a lua de mel na Europa.
Preferiam o charme de Paris.
Olívia e Frederico foram para o paradisíaco arquipélago de Fernando de Noronha.
O casal estava deslumbrado com a beleza do local.
Fizeram mergulho, apreciaram os golfinhos, as praias em geral.
Ficaram especialmente maravilhados com a praia do Sancho.
Desceram do barco, tiraram as sandálias e correram pela areia.
A Baía do Sancho é uma das praias mais belas do Brasil.
Isolada, coberta por vegetação nativa, areia branca e mar verde--esmeralda, é local de rara beleza.
Olívia mirou o horizonte e disse:
-A vida é bela.
-Concordo.
-Desejo mostrar a beleza da vida por meio das obras de arte.
Fiquei muito feliz em saber que sua mãe irá patrocinar a minha galeria de arte.
Não sabe o quanto a minha alma se sente realizada.
Quero também fazer exposições itinerantes, levar a arte para lugares distantes e sem acesso à cultura.
Estou empolgada.
Frederico escutava a esposa e sorria.
A felicidade de Olívia exalava pelos poros.
Ele a virou para si e a encarou nos olhos:
-Está feliz?
-Estou.
-Tem ideia do quanto eu amo você? - perguntou Frederico, enquanto ajeitava os cabelos de Olívia, cujos fios dançavam ao ritmo do vento.
-Tenho. Muitas vezes, lá em Londres, quando você se aproximava, eu ficava dividida.
Uma parte de mim queria abraçá-lo e outra parte o repelia naturalmente.
Graças a Deus essa sensação passou e eu só sinto amor quando estou ao seu lado.
-Fico feliz que se sinta assim.
Eu jamais faria algo que a desapontasse ou a fizesse ficar triste.
Há muitas pessoas no planeta e há muitas almas afins.
Eu tenho a felicidade de ter encontrado, ou reencontrado - ele sorriu -, você.
Olívia nada disse.
Abraçou-o com força.
Ficaram assim por um bom tempo, abraçados e quietos, sentindo o coração bater de maneira serena.
-Vamos caminhar? - ela convidou.
Logo vai anoitecer.
-Vamos, querida - respondeu Frederico.
Ambos estavam com o peito leve, uma sensação de total sintonia com o plano espiritual.
Agora aceitavam e compreendiam verdadeiramente que toda essa experiência de vida fora benéfica e necessária para darem o próximo passo rumo à conquista da felicidade.
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Re: O próximo passo - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 04, 2016 9:35 pm

Frederico estendeu o braço para Olívia e suas mãos se entrelaçaram.
Ele virou o rosto e seus lábios se aproximaram.
Beijaram-se com amor e sorriram.
Continuaram a caminhar pela praia, enquanto o sol se despedia.
Estavam apaixonados e felizes.

18 Mais detalhes sobre o suicídio, consultar as seguintes obras de Allan Kardec:
O Livro dos Espíritos, Livro IV, Capítulo VI - "Desgosto pela vida", questões 943 a 957;
O Evangelho segundo o Espiritismo, Capítulo V - "Bem-aventurados os aflitos";
O Céu e o Inferno, Segunda Parte, Capítulo V - "Suicidas".


Fim


Caros leitores

Há mais de trinta anos tenho contacto com o espiritismo, e a minha vida se transformou positivamente, pois me encontrei diante da eternidade do espírito e da grandeza da vida.
Os livros que psicografei me enriqueceram com valores, e sei que muitos leitores despertaram para a espiritualidade por meio desses romances.
Por intermédio dos livros, eu e você construímos automaticamente um grande elo invisível aos olhos humanos, porém forte e poderoso aos olhos espirituais.
Mesmo distantes fisicamente, estamos ligados por esses laços que fortalecem nossos espíritos, unidos no mesmo objectivo de progresso e de sintonia com o bem, sempre!
Espero que, ao ler nossas histórias, você possa conscientizar-se do seu grau de responsabilidade diante da vida e accionar a chave interior para viver melhor consigo e com os outros, tornando nosso mundo um lugar bem mais interessante e prazeroso para se viver.
Eu e Marco Aurélio desejamos que você continue trilhando o seu caminho do bem e que a sua vida seja cada vez mais repleta de felicidade, sucesso e paz.
Gostaria muito que você me escrevesse para contar os sentimentos que meus livros despertaram em você.
Para isso, acesse o nosso site: www.vidaeconsciencia.com.br ou escreva para meu e-mail: leitoresdomarcelo@vidaeconsciencia.com.br.
Aguardo o seu contacto.


Com carinho, Marcelo Cezar

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Ave sem Ninho

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