Impulsos do coração - Leonel / Mónica de Castro

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Re: Impulsos do coração - Leonel / Mónica de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 11:36 am

A mente não obedeceu.
Pouco a pouco, a sensação de sonho foi cedendo lugar ao impacto da realidade, revelando que o impossível acontecera.
Os olhos de Augusto encheram-se de lágrimas, que iam transbordando à medida que a dúvida desvanecia.
Ele abriu a boca para falar, mas a voz tropeçou na emoção, e apenas um soluço escapuliu de sua garganta.
Não foi preciso dizer nada.
Entre lágrimas de surpresa e alegria, Augusto tomou Rafaela nos braços, estreitando-a com força de encontro ao peito, como se ela pudesse sumir ou ser roubada.
A fada etérea materializou-se na mulher de seus sonhos.
No silêncio de muitas dores, Augusto permaneceu abraçado a ela, aquietando a agonia da saudade.
Durante alguns minutos, só o que se ouvia era o pranto de ambos.
Tinham muito a falar, mas a emoção não permitia que se separassem.
Sentir o corpo um do outro era algo que fazia silenciar as perguntas e tornar sem sentido as respostas.
— Augusto... — Rafaela conseguiu, enfim, balbuciar.
— É você mesma, Rafaela? — tornou ele, ainda incrédulo.
Não estou sonhando?
- Não...
— Deus ouviu minhas preces.
Quando voltou? Onde esteve?
- Estive em Lisboa e voltei há uma semana.
- Uma semana! Como me encontrou?
- Padre Cláudio me deu seu endereço.
A vontade de Augusto era beijá-la, todavia, conseguiu conter-se e retrucou com o máximo de comedimento que conseguiu:
— Fico feliz que tenha se lembrado de mim.
Ela fungou várias vezes e segurou as mãos dele, beijando-as com ternura.
— Como poderia me esquecer de você, depois de tudo que vivemos?
Você foi o único homem que amei em toda minha vida.
Jamais houve outro.
— Não...? — surpreendeu-se ele.
Ela o interrompeu:
— Eu nunca me casei. Nunca.
Sei que você pensa que estou casada e com filhos, mas isso não é verdade.
— Não compreendo - tornou confuso.
Li a sua carta.
— A carta que Reinaldo me mandou escrever.
Só nesse instante, Augusto compreendeu toda a artimanha de Reinaldo.
Juntando os pedacinhos do que acontecera entre eles, deduziu a vingança.
— Passei anos pensando que você havia se casado.
Só Deus sabe o quanto me retorci no desespero da saudade.
O que me deu forças para suportar a vida foi saber que você estava em segurança, feliz ao lado de outro homem, mas viva e bem.
Ela sorriu timidamente e acrescentou com tristeza:
— Durante todos esses anos, eu só pensava em voltar para você.
Queria tanto falar com você, mandar-lhe notícias.
Mas não pude. Reinaldo me proibiu.
Ameaçou prender e torturar você, caso eu me comunicasse.
Como sabia que ele tinha meios de interceptar minha correspondência, obedeci.
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Re: Impulsos do coração - Leonel / Mónica de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 11:36 am

Estava proibida de me corresponder com qualquer pessoa no Brasil, inclusive minha família... — ela fez uma pausa e acrescentou:
— Quero agradecer-lhe por ter procurado minha mãe e lhe contado que eu estava viva.
Sua visita foi muito importante para ela.
— Eu não podia permitir que ela sofresse sem saber o que lhe havia acontecido.
Depois, quando pensei que você tivesse se casado, escrevi-lhe uma carta, contando tudo.
— Ela recebeu.
— E agora você está aqui.
Minha menina! — ele a abraçou, dessa vez beijando-a com pressa.
Não sabe o quanto sonhei vê-la novamente.
— Eu também. Durante todos esses anos, só pensava em voltar para você.
— Foi muito dura sua vida em Lisboa?
— No princípio, sim.
Mas, depois, as coisas foram se ajeitando.
— Encontrou quem a ajudasse?
Ela meneou a cabeça, estabelecendo um silêncio constrangedor.
Desde que conhecera Francisco, em Lisboa, tivera muitos outros amantes.
No começo, ressentida com os acontecimentos, vira em Francisco seu salvador.
Mas ele não a queria para um compromisso sério.
A família dele jamais aceitaria que se envolvesse com uma mulher pobre e sem pátria.
Logo que percebeu que Francisco, apesar de carinhoso, queria apenas usá-la, Rafaela terminou tudo.
Não valia a pena sujeitar-se aos caprichos de um homem que não a amava, ainda mais quando seu coração pertencia a Augusto.
Depois dele, muitos outros vieram, mas ela não se apaixonou por nenhum.
Alguns lhe ofereceram ajuda, que ela aceitou de bom grado.
Não podia se dar ao luxo de recusar auxílio num país estrangeiro.
Com isso, conseguiu empregos melhores, que lhe deram condições de viver num bairro de classe média, sem luxos, porém, com dignidade.
Jamais esquecera Augusto nem o substituíra em seu coração.
Fizera amigos, relacionara-se com muitos homens, sempre pensando no dia em que voltaria para seus braços.
Toda sua vida girava em torno de um objectivo:
sobreviver para voltar ao Brasil e reencontrar o único e verdadeiro amor de sua vida.
Percebendo a súbita tristeza dela, e conhecendo-a como conhecia, Augusto intuiu o que lhe acontecera.
Apertou suas mãos com ternura e sussurrou com sinceridade:
— Eu a amo, Rafaela.
Não importa o que tenha feito, jamais deixarei de amá-la.
— Oh! Augusto! — soluçou ela.
Perdoe-me por não ter sido forte!
— Você é forte — tranquilizou ele, beijando-lhe os cabelos.
E mesmo que não fosse, em que isso importa?
— Em meu coração, sempre fui fiel a você.
Mas foi tão difícil...!
— Psiu! Acalme-se, minha querida.
Não estou lhe cobrando nada.
Isso não importa.
— Tenho medo de que me odeie.
— Jamais poderia odiá-la.
Não sabe que a amo?
— Mas eu...
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Re: Impulsos do coração - Leonel / Mónica de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 11:37 am

— Por favor, não diga nada — ele cortou, pondo um dedo em seus lábios.
Depois de tudo por que passamos, toda cobrança é desnecessária.
Fizemos o que foi preciso para sobreviver.
 — Mas você está sozinho. Não está?
 — Só porque somos pessoas diferentes não quer dizer que não sintamos o mesmo amor.
 — Jamais deixei de amá-lo.
Nunca! Acredita nisso?
 — Como poderia duvidar?
Você não está aqui?
Depois de todos esses anos, não veio me procurar?
 — Não sabia o que iria encontrar.
Todos diziam que eu era uma menina fútil e que o esqueceria na primeira oportunidade.
Mas isso jamais aconteceu.
 — Eu nunca me deixei impressionar pelas palavras dos que diziam tais coisas.
Sabia, em meu íntimo, que você me amava.
 — Tive medo de que você não me quisesse ver.
Por causa da carta...
 — Que tipo de homem você pensa que sou?
Acha mesmo que o meu ciúme seria maior do que o alívio pelo seu bem-estar?
 — Não — respondeu envergonhada. — Perdoe-me.
Devo tê-lo julgado por mim mesma.
Talvez eu tivesse me sentido traída.
 — Mas eu não me senti e não me importa como você se sentiria.
O importante, de facto, é que você está viva.
Depois que Reinaldo a levou, fiz de tudo para encontrá-la, procurei-a em todas as partes, recorri a ele várias vezes, humilhei-me...
Mas ele foi irredutível.
Um dia, mostrou-me a carta que pôs um ponto final em meus temores.
A partir daí, não a procurei mais.
 — Quero estar com você — afirmou ela, encarando-o com olhos expressivos.
Não importa como.
 Foi como se o céu se abrisse para dar passagem a uma chuva rósea de amor.
Agora ciente de que não havia empecilhos, Augusto puxou-a para si e beijou-a longamente, sentindo o corpo todo arder, não de desejo, mas de uma felicidade indescritível e plena.
Era como se ele, subitamente, houvesse redescoberto a vida através dos lábios de Rafaela.
 Foram interrompidos por um grito agudo e assombrado.
Com o susto, separaram-se e olharam ao mesmo tempo.
Parada no primeiro degrau da escada da varanda, Laura os fitava com espanto, a mão no peito demonstrando a surpresa.
 — Augusto... — balbuciou ela.
O que está acontecendo, meu filho?
Quem é essa moça?
 Com o grito, Nelma veio correndo lá de dentro e quase caiu para trás quando deu de cara com Rafaela, ainda nos braços de Augusto.
 — Rafaela! — exclamou estarrecida.
Como pode ser?
 — Eu voltei, Nelma — disse ela, entre lágrimas de emoção.
Voltei para o único amor da minha vida.
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Re: Impulsos do coração - Leonel / Mónica de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 11:37 am

— Mas você não estava casada?
— Foi tudo mentira — esclareceu Augusto, comovido.
Rafaela nunca se casou, porque vai se casar comigo.
— Casar? — surpreendeu-se Laura.
Pelo amor de Deus, Augusto, você pode me explicar o que está acontecendo?
— Mamãe — disse ele, puxando Rafaela pela mão e aproximando-se dela —, quero lhe apresentar a única mulher que já amei.
A razão de eu nunca ter-me interessado por ninguém.
Rafaela, esta é Laura, minha mãe.
— Muito prazer, dona Laura — cumprimentou Rafaela, estendendo-lhe a mão, que a outra tomou, muda de espanto.
— Não diz nada, mãe? — perguntou Augusto.
— Não compreendo — balbuciou ela.
De onde saiu essa moça?
— Vamos entrar, que lhe contarei tudo.
Desde que se mudara para Uberlândia, Augusto nunca revelara à mãe o real motivo de sua saída da Igreja.
Contara-lhe que descobrira que não possuía mais vocação para padre, que não era homossexual e que estivera envolvido em uma organização contra-revolucionária de auxílio aos fugitivos políticos.
Omitira-lhe, porém, o envolvimento com Rafaela e toda a tragédia que se desenrolara desde então.
Laura ouviu tudo em silêncio, emocionando-se a cada passagem, vertendo lágrimas sinceras e compungidas.
Ao final, sentiu imensa admiração por aquela moça tão jovem e tão sofrida, que, mesmo com a distância e os reveses da vida, soubera manter o amor por seu filho.
— Eu a amo — finalizou Augusto.
Amo-a e vou me casar com ela.
A casa de Augusto não era grande, mas havia espaço mais do que suficiente para acomodar Rafaela.
Pela primeira vez na vida, dividiram o mesmo quarto sem medo ou vergonha.
— Estou feliz que tenha voltado — comentou Nelma, enquanto a ajudava a desfazer as malas.
De verdade.
Rafaela olhou de soslaio para Augusto, que fingiu nada perceber, e retrucou em dúvida:
— Está mesmo?
— Estou. Quero que saiba que não fui eu quem a delatou.
— Sei que não.
Foi padre Cláudio.
— Como soube disso? — surpreendeu-se Augusto.
— Ele mesmo me contou quando fui procurar você.
Quando cheguei à sua antiga paróquia e não o encontrei, parti em busca de padre Cláudio.
Fui informada de que ele também havia largado o sacerdócio, e me deram o endereço da universidade onde lecciona.
Logo que me viu, teve uma reacção estranha.
Caiu aos meus pés em lágrimas, pedindo-me perdão.
Augusto estava estupefacto.
— E você? Como reagiu?
— No começo, fiquei sem entender.
Mas depois, ouvindo a sua fala desencontrada e aflita, compreendi tudo.
Estranhamente, não lhe tive ódio.
Tive a sensação de que ele sofrera mais do que eu.
Vê-lo alquebrado, consumido pelo remorso, me deu essa certeza.
Aprendi com você, Augusto, que o perdão nos transforma em seres mais iluminados e livres.
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Re: Impulsos do coração - Leonel / Mónica de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 11:38 am

Foi assim que me senti.
Iluminada e livre do peso de carregar na alma sentimentos tão destrutivos como o ódio e a vingança.
Ao menos a padre Cláudio consegui perdoar de verdade.
Emocionado, Augusto aproximou-se dela e tomou-lhe as mãos entre as suas, acrescentando com voz embargada:
— Você é uma alma nobre.
Tenho orgulho de merecer o seu amor.
— Espero que você possa me perdoar também — pediu Nelma, igualmente emocionada.
— Você nunca me fez nada — afirmou Rafaela.
Acho que nós duas tínhamos nossas divergências.
E se você era implicante, eu era atrevida.
Boa combinação. Atraímo-nos mutuamente.
Hoje compreendo sua atitude, respeito-a pela dedicação e lealdade que sempre teve para com Augusto.
— Não tinha nada contra você.
Só não achava certo o que vocês faziam, pensava que tinha o direito de intervir para proteger seu Augusto.
Nelma começou a chorar, e Augusto apertou seu ombro com delicadeza.
— Tudo bem, Nelma, já passou.
— Eu sei, seu Augusto, mas é que foi tão difícil...
— Foi difícil para todo mundo — acrescentou Rafaela.
Mas passou.
Cada um teve seus motivos, e nenhum foi mais doloroso do que o do outro.
O importante agora é convivermos bem.
A não ser que você não pretenda mais trabalhar aqui.
— Só se vocês me mandarem embora.
— De jeito nenhum!
Jamais pensaria numa coisa dessas.
Nelma encarou Augusto, que confirmou:
— Já passamos por isso, Nelma, e não vejo razão para começarmos tudo de novo.
Você diz que não tem nada contra Rafaela.
Se não tem mesmo, por que não ficar?
— Não tenho não, eu juro.
E pode deixar, dona Rafaela, que sei o meu lugar.
— Mas o que é isso, Nelma?
Eu, hein! Você nunca me chamou de dona antes.
Por que isso agora?
— Você vai ser a mulher do patrão.
— Vou continuar sendo a mesma pessoa.
Não me chame de dona ou vou ficar constrangida.
— Nelma se prende a essas bobagens — concordou Augusto.
Já cansei de dizer que não precisa me chamar de seu Augusto, mas não tem jeito.
Nelma ia responder quando Laura entrou, chamando-os para o almoço, que foi servido no quintal atrás da casa.
Augusto sentou-se com a mãe de um lado e Rafaela do outro.
— Você tem um quintal e tanto aqui — observou Rafaela, admirada com o tamanho e a beleza do terreno.
E cheio de flores.
Como você gosta.
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Re: Impulsos do coração - Leonel / Mónica de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 11:38 am

Nelma os serviu com alegria, enquanto Spock, sentado ao lado da mesa, balançava o rabo à espera de que alguém lhe atirasse alguma guloseima.
O gato passou por eles com ar altivo, esfregando-se em suas pernas, olhando para o cão de um jeito desafiador e matreiro.
Indiferente à comida, foi deitar-se junto ao canteiro de rosas perto do muro.
Augusto sorriu, finalmente sentindo o início de uma realização plena.
Estava ao lado das pessoas que amava, de seus animais e de suas plantas.
Aquela era a vida perfeita, pela qual sempre lutara e por que valia a pena viver.
Em breve, a tudo isso se somariam os filhos.
O que mais poderia querer?
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Re: Impulsos do coração - Leonel / Mónica de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 11:38 am

Capítulo 54

Na véspera do casamento, Rafaela viu Carlos Augusto em sonho pela última vez.
Ele chegou em companhia de Paulina e a abraçou carinhosamente:
— Viemos nos despedir — avisou.
De agora em diante, você não precisa mais de nós.
— Você sabe que sempre vou precisar de você — contrapôs Rafaela.
— Vou estar presente em seu coração como um amigo distante, porém, não ausente.
Estarei orando pela sua felicidade.
— Você sempre foi muito bom para mim.
Quando achava que tudo estava perdido, você aparecia e me dava forças.
Mesmo que, ao acordar, me esquecesse de tudo.
— O amor nunca morre — observou Paulina.
E Carlos Augusto aprendeu a amá-la de forma genuína, sem apegos nem exageros.
Agora, contudo, você precisa viver sua vida ao lado do homem que sempre amou, desde muitas vidas.
É uma nova oportunidade que deve ser bem aproveitada.
— Os obstáculos se romperam — acrescentou Carlos Augusto.
Cada um deve retomar a vida de onde parou.
Esse é o seu momento de felicidade. Aproveite-o.
Despediram-se com abraços fraternos e amistosos.
Bem cedo na manhã seguinte, Rafaela acordou com uma sensação de euforia e contentamento, com a lembrança de Carlos Augusto na mente.
— Gostaria de acender uma vela para ele — comentou ela com Augusto.
Se você não se importar.
— É claro que não.
Vamos agora mesmo à igreja.
Ele estava sendo sincero.
Havia muito deixara de sentir ciúme do antigo namorado de Rafaela.
Aprendera com a vida que o ciúme é um sentimento destrutivo e enganador.
Sem vigilância, é capaz de arrasar bons sentimentos que têm tudo para florescer, e engana com a falsa ilusão de domínio e posse.
Na igreja, Rafaela acendeu a vela e orou pelo antigo namorado, sem saber por que sentia aquela estranha emoção.
Não era um sentimento de pesar ou dor, ou de remorso.
Era uma saudade mansa e serena, como uma lembrança alegre que se gosta de ter.
— Podemos ir? — indagou Augusto, certificando-se de que ela havia acabado suas orações.
Você não quer se atrasar muito, quer?
Ela sorriu e o abraçou, afirmando com alegria:
— Bobinho. Então não sabe que é tradição a noiva se atrasar no dia do casamento?
— Você não vai fazer isso em minha própria casa!
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Re: Impulsos do coração - Leonel / Mónica de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 11:38 am

Beijaram-se alegremente e voltaram.
O casamento se realizaria dali a algumas horas, e a movimentação já era grande desde cedo.
Os pais de Rafaela vieram do Rio de Janeiro, bem como sua amiga Silmara, que, com a abertura política, terminara o caso com o coronel e agora estava noiva de um jornalista.
Cláudio também comparecera, em companhia de uma sobrinha.
Estava velho, mas se orgulhava de ainda conseguir dirigir seu Fusca pelas estradas do país.
De braços dados com o pai, Rafaela pisou o tapete vermelho que conduzia ao altar improvisado no fundo do quintal, montado entre flores e árvores.
Quando a viu, Augusto chorou.
Pela primeira vez em sua vida, vertia lágrimas de felicidade.
Ela chegou aos braços dele contendo a emoção.
Quando suas mãos se tocaram, uma chuva de luzes brancas e brilhantes se derramou sobre eles, envolvendo-os num halo cristalino de bênçãos.
O sentimento que deles afluía retornava para seus corpos numa troca de energia rosada e pura, saciada e plena de amor.
Tudo acontecia no plano invisível, sem que os presentes se dessem conta da enorme quantidade de energia luminosa espalhada no ar.
Apenas Carlos Augusto e Paulina eram testemunhas dessa circulação energética, contribuindo para isso com seus próprios fluidos.
Embora ninguém visse, a sensação era quase palpável, principalmente para Rafaela e Augusto, foco central de tantas vibrações.
O padre começou a liturgia, enquanto lágrimas de felicidade e emoção se misturavam àquelas gotas de luz.
No último instante da cerimónia, quando seus olhos se cruzaram, em suas almas vibrava a certeza de que o amor é eterno, pois o sentimento que os unia nem o tempo nem ninguém seria capaz de apagar.

Fim

§.§.§- Ave sem Ninho
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Re: Impulsos do coração - Leonel / Mónica de Castro

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