PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 11, 2016 8:47 pm

— Eu dramática?
— Sim. Está carregando nas tintas do drama.
Eu preciso seguir minha vida, ser dona de meu destino.
Não posso mais ficar sob as asas de um marido truculento.
— Aguente. Seja esperta.
Manipule-o.
Luísa suspirou fundo e falou num tom alto.
— Ele bateu em mim!
— Ah! Ele bateu em você? – rebateu Neuza, com desdém.
O que você fez para ele tomar atitude extremada?
— Está defendendo Genaro?
— Boa coisa não foi Luísa.
Você sempre foi muito mimada, muito cheia de nhenhenhém.
Um nojo de menina.
Luísa não podia acreditar no que estava ouvindo.
A mãe defendia o genro com unhas e dentes.
Tratava-a como um objecto, como um trampolim para que eles vivessem essa boa vida que Genaro lhes proporcionava.
— Eu vou me separar.
— Engravide.
— O quê?
— Isso mesmo – tornou Neuza de maneira veemente.
– Engravide. Tenha um filho dele.
Assim você poderá arrancar-lhe dinheiro pelo resto da vida.
Nada como um filho.
— Eu nunca faria isso, mãe.
Nunca usaria uma criança para arrancar dinheiro.
Não combina com meus princípios.
— Tola. Acha que princípios põem comida à mesa?
— Claro que não, mas pelo menos durmo com a consciência tranquila.
— Você está mudada.
O que tem feito?
— Nada de mais.
— Não Luísa, eu a conheço bem.
Você está diferente, mais dona de si.
De onde tirou essa panca?
— Que panca?
— Quem a ensinou a fazer isso?
Luísa titubeou.
— Não é bem assim...
Algum tempo atrás tive uma discussão horrível com Genaro.
Ele me bateu, sofri muito e fui procurar ajuda num Centro Espírita.
Neuza bufou de raiva.
Aquilo não podia ser verdade.
Ouvira errado.
— Não! – protestou num tom maledicente e, num riso forçado, disparou:
— você não pode estar metida com isso.
— Eu passei a frequentar um Centro Espírita e tenho melhorado muito.
Fiz tratamento espiritual, aprendi...
Neuza foi curta e grossa.
— Chega! – exclamou um tom grave.
— Deixe-me explicar, por favor.
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Ave sem Ninho

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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 11, 2016 8:47 pm

— Além de burra agora se meteu com essa gente ignorante que afirma se comunicar com espíritos?
Isso sim é o fim da picada.
Só mesmo uma tonta como você para cair na armadilha dessa gente que só quer tirar proveito da dor alheia.
— Quem lhe disse isso?
De onde tirou essas ideias?
— Não tirei. Elas existem.
É o que as pessoas dizem por aí.
Espírito, fantasma, é tudo invenção da mente humana.
Já foi comprovado que não passa de balela.
— Como também já comprovaram a existência da reencarnação.
Há livros sérios acerca do assunto e...
— Chega, Luísa.
— Mas, mãe...
— Não quero mais uma palavra sobre espírito aqui dentro de minha casa.
— Está certo. Eu vou respeitá-la.
Nossos pontos de vista são diferentes.
— Totalmente diferentes.
— Mas o Octávio e o Paulo podiam trabalhar e ajudar aqui no sustento da casa.
— Está louca?
— Por quê? Falei alguma bobagem?
— Seus irmãos não têm idade para trabalhar.
— Eles são adultos, oras!
— São estudantes universitários.
— Mãe! Quantos rapazes na idade deles cursam faculdade à noite e trabalham de dia para ajudar suas famílias?
Inúmeros.
— Seus irmãos são diferentes.
— O que há de diferente neles?
— Precisam de tempo para estudar.
— Você os defende.
Quer transformar seus filhos em quê?
Em inúteis?
Neuza não conteve a raiva e deu um tapa na cara da filha.
— Nunca mais fale assim de seus irmãos.
Eles não merecem a irmã que têm.
Luísa passou a mão pela face ardida e vermelha.
— Você nunca mais vai encostar o dedo em mim!
— Vai me ameaçar?
— Eu juro. Daqui para frente, vocês que se virem.
Eu vou me separar. Acabou a mamata.
— Nem pense nisso, sua...
Luísa nem quis ouvir mais.
Pegou sua bolsa e falou:
— Adeus, mãe.
Neuza gritava e dirigia à filha palavras duras e agressivas.
Por sorte, Luísa estava ligada aos espíritos de luz e não deu ouvidos às barbaridades proferidas por aquela mulher que podia ser qualquer coisa, menos sua mãe.
****
Guido conseguia manter-se com o dinheiro que arrancava de suas clientes, por meio da chantagem.
Mas isso era muito pouco para ele.
Tinha sede de mais, muito mais.
Certa noite ele foi à mansão de Gregório.
Precisava de mais dinheiro.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 11, 2016 8:47 pm

Entrou no jardim de inverno e Gregório o esperava, com um robe de seda preto.
— Vou directo ao assunto, Gregório.
Estou precisando de um adiantamento.
— Não.
— Por quê?
— Porque você já ganhou bastante dinheiro.
— Eu o ajudei.
Fiz tudo o que você mandou.
— E ainda fará mais.
— Quanto ao dinheiro?
— Semana que vem lhe dou mais.
— Jura?
— Palavra de Gregório Del Prate.
— Estou precisando agora.
— E o que recebe de suas chantagens com as ricaças?
— Esse dinheiro dá para pagar comida, mais nada.
Você precisa me ajudar.
Gregório levantou-se e dirigiu-se até uma parede ao lado da estante.
Tirou de lá um quadro e Guido percebeu que se tratava de um cofre.
Gregório abriu e de lá tirou algumas notas.
— Isso serve para você?
Guido apanhou os maços rapidamente, como se Gregório pudesse mudar de opinião.
Ele contou as notas e sorriu.
— Dá para mais alguns dias.
— Alguns dias? Está louco? – vociferou Gregório.
Esse dinheiro é para mais de mês.
Veja lá como gasta! Economize.
— Não sei fazer economia.
— Procure um panaca igual ao Maximiliano.
Aí fora – fez gesto com as mãos – tem um monte de homem carente e cheio de grana.
— Para que vou atrás deles se tenho você?
— Não gosto que fale comigo nesse tom!
— Eu posso arruinar sua vida, Gregório.
Gregório aproximou-se e lhe meteu o dedo em riste.
Guido nem se importou com aquele mau hálito ácido e insuportável.
— Se fizer novas ameaças a mim, eu acabo com a sua raça, entendeu?
— É que, depois de tudo o que lhe fiz...
— Cuidado comigo, Guido.
— Você podia me arrumar um apartamento, um carro...
— Ficou maluco?
— Eu fiz coisas que se vier a público, poderão acabar com a sua vida.
Gregório enfureceu-se.
Odiava ser chantageado.
Deu um tapa no rosto de Guido.
— Você nem ouse me chantagear!
Se eu ouvir outra vez dessa boca suja, mesmo nas entrelinhas, que vai me chantagear, eu dou cabo de sua vida, entendeu?
Eu acabo com você!
Gregório falou de maneira tão assustadora que Guido estremeceu.
O proprietário da Cia. De Perfumes era mais forte, sem dúvida.
Ele não podia criar uma situação de animosidade com Gregório.
Não agora. Precisava ganhar mais tempo.
Quem sabe o Juão não resolveria logo seus problemas?
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 11, 2016 8:47 pm

Ele levou a mão ao rosto e contemporizou.
— Está certo. Perdi a cabeça.
Desculpe-me.
— Assim está melhor.
Agora pegue esse dinheiro e suma.
Guido assentiu com a cabeça e saiu.
Pelo menos agora teria dinheiro para mais alguns dias.
Entretanto, ao sair da mansão, ele mentalizou o local onde ficava o cofre.
Era lá que ele tinha de atacar.
****
Maximiliano estava confortavelmente sentado em sua sala quando a campainha tocou.
A empregada foi atender e, em seguida, Renata surgiu linda e exuberante.
Trazia Luísa a tiracolo.
— Boa noite, amigo.
Max levantou-se e foi ao encontro delas.
Cumprimentou Renata e, em seguida, Luísa.
— Eu a vi no Centro da Mafalda algumas vezes, mas não quis me aproximar.
Você parecia estar num outro mundo – comentou Max, enquanto conduzia as duas moças para se sentarem ao seu lado, num gracioso sofá.
— Eu passei por momentos muito difíceis.
Recentemente perdi meu pai e parece que também perdi minha família.
Renata aduziu:
— Luísa é casada com Genaro Del Prate.
— O político? – inquiriu Max.
— Esse mesmo – respondeu Luísa.
Nosso casamento sempre foi um fiasco e eu tentei me separar.
Genaro me bateu sempre me ameaçou com surras e outras ameaças.
— Por que não prestou queixa na delegacia?
— Genaro ameaçou-me caso eu fizesse um boletim de ocorrência.
E, de mais a mais, de que adiantaria prestar queixa?
Nós, mulheres, não temos direito algum.
Os delegados riem de nós.
— Riem? – perguntou Max, estupefacto.
Renato afirmou.
— Certa vez acompanhei uma amiga à delegacia para prestar queixa contra o marido.
Fiquei impressionada com o descaso das autoridades.
Eles trataram-na como se fosse culpada por ter apanhado.
Como se o marido tivesse razão para espancá-la.
— É uma pena – disse Max.
Os homens não podem continuar cometendo agressões contra suas companheiras.
É injusto e desumano.
Luísa tornou, de maneira doce.
— Agora me sinto forte para seguir adiante.
— Seu marido é um homem covarde.
Homem que agride sua mulher deveria ser preso, mas infelizmente vocês ainda – fez, apontando para as duas – são recriminadas.
Eles batem, matam e ainda declaram, com a maior cara lavada, terem sido feridos na honra.
Renata intercedeu.
— Está havendo mudança de valores no Brasil.
Infelizmente, ainda, a sociedade é chamada a rever seus conceitos diante de crimes bárbaros e aí sim, clama para que certas leis sejam revistas e mudadas.
— Concordo – ajuntou Max.
Lembre-se do caso Lindomar Castilho (O cantor Lindomar Castilho foi condenado a doze anos de reclusão, por homicídio doloso e tentativa de homicídio.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 11, 2016 8:47 pm

Ele cumpriu seis anos em regime semi-aberto, por bom comportamento, tendo ganhado a liberdade em 1996, retornando sua carreira artística em seguida – Nota do Autor), quando o tema é a violência contra a mulher.
O cantor matou sua esposa, aliás, ex-esposa – porquanto a separação havia já sido assinada por ambos – e também cantora Eliane de Grammont recentemente.
Até agora o caso reverbera na sociedade e tenho certeza de que, por conta desse crime bárbaro e de tantos outros nunca noticiados, muitas mudanças virão, para benefício das mulheres que sofrem como você, Luísa, nas mãos de homens covardes e que, em breve, não mais terão a lei a seu favor.
— Ainda vale a figura da “legítima defesa da honra”, que justificava crimes covardes como o cometido pelo cantor.
As entidades feministas, porém, estão pressionando as autoridades para que a justiça seja feita – ajuntou Renata.
— Afinal – concluiu Luísa –, quem ama, não mata.
— Pois é. E você – Max apontou para Luísa – precisa se fortalecer e procurar meios de se desligar de seu marido antes que seja tarde demais.
— Por que me diz isso?
— Pela ficha dele...
— Falando assim, Max você me assusta.
— Genaro é homem vil, inescrupuloso.
Você temia se separar, porquanto seu pai necessitava de ajuda no tratamento médico.
Estava atordoada e preocupada porque não via possibilidade de arrumar um trabalho que pudesse cobrir essas despesas.
Entretanto, a vida foi generosa com você.
— Generosa? Como?!
— Luísa, a vida tirou seu pai de cena.
Você está enxergando as coisas de maneira muito torpe.
Veja o lado positivo das coisas, mesmo que se trate de uma perda, de uma tragédia, até.
Tudo na vida é para o nosso melhor, para o nosso crescimento, para a nossa evolução.
— Max tem razão – concordou Renata.
Você se preocupava com seu pai, com seu tratamento.
Ele partiu, terminou sua jornada nesta vida.
Seu pai cumpriu o que tinha de cumprir.
Você deve orar para que o espírito dele possa estar recebendo ajuda num Posto de Socorro no astral e agradecer a Deus por não ter de se preocupar com seu tratamento.
É uma maneira diferente de enxergar o que nos acontece na vida.
A morte de Inácio, no fim das contas, fez um bem a você.
— Pensando desse modo, sim – asseverou Luísa.
Concordo.
— E sua mãe e irmãos terão de se virar.
Você não está fazendo tudo sozinha? – perguntou Max.
— De certa forma.
— Claro, você tem seus amigos, tem a Renata, a mim, Mafalda e os bons amigos espirituais.
Mas você é que tem feito as mudanças por si.
Que sua família também aprenda a mudar com as adversidades da vida.
Você não é responsável pela vida deles. Só pela sua.
— E minha mãe não me quer por perto.
Não gosta de mim.
Eu sinto – contrapôs Luísa.
— E por que vai ficar ao lado de quem não lhe quer bem?
— Mas ela é minha mãe, Max.
— E daí?
— Eu sinto culpa.
— Neuza comprometeu-se a lhe dar a vida.
Ela foi responsável pelo seu reencarne.
Merece todo o seu respeito.
Entretanto, você não é obrigada, de maneira alguma, a ter de aturá-la pelo resto da vida, a não ser que você a ame.
Você a ama?
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 12, 2016 8:16 pm

— Não. Sinceramente, não.
— Mas pode fazer um esforço para também não nutrir nenhum sentimento de raiva.
Isso não nos faz bem, Luísa.
Quer voltar junto dela na próxima encarnação?
— Eu?!
— É
— Deus me livre – Luísa bateu na madeira três vezes.
— O amor e a raiva caminham juntos.
Esses sentimentos criam laços entre os espíritos.
E, se nos ligam, vão nos manter juntos em outras vidas, movidos pelo sentimento de amor ou de ódio.
Por tudo isso, mesmo que você não goste de sua mãe, procure compreendê-la e perdoá-la pelos seus actos insanos.
— Compreender e perdoar?
— Sim. Perdoar para você se livrar do sentimento de raiva que as une.
E compreendê-la porque Neuza foi criada de outra maneira, numa outra época, faz parte de outra geração.
É uma mulher embrutecida, perdeu tudo na vida.
— Mas... – Luísa ia protestar.
Max fez sinal com a cabeça e continuou:
— tudo bem, a vida de cada um é reflexo do conjunto de suas atitudes e crenças, ninguém no mundo é punido, digamos assim, em vão.
Sua mãe atraiu essa experiência para sua vida e, se tirou proveito ou não das experiências pela qual passou, isso é problema dela.
Mas você cresceu, procurou forças dentro de si para mudar.
Tem estudado bastante, procurado entender os mecanismos que regem nossa vida.
Tem condições de perdoar e seguir em frente.
Renata concluiu:
— Você não precisa, minha amiga, ficar lambendo sua mãe ou mesmo manter com ela uma relação de falsidade, visto que ambas não se dão bem.
Mas não custa nada perdoá-la e vibrar para que ela acorde e saia das teias de ilusões que criou.
— Isso mesmo – ajuntou Max.
Vibre para que Neuza possa crescer e se libertar das ilusões que a impedem de enxergar a força que seu espírito tem para viver sem depender de ninguém.
Esse trabalho é só da sua mãe.
Ninguém poderá fazer por ela.
Mas perdoar, deixar de sentir rancor e mágoa, isso vai ajudar você a se libertar e seguir adiante, com mais segurança, mais fé.
Luísa emocionou-se.
As palavras dos amigos ajudavam-na bastante a reflectir e ver que poderia, sem dúvida, perdoar sua mãe e seguir adiante.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 12, 2016 8:16 pm

CAPÍTULO 15

Caio abraçou sua mãe e assim permaneceram por longo tempo.
A emoção impedia que pudessem dizer alguma coisa.
O abraço sincero, forte, quente e afectuoso causou-lhes uma sensação de indescritível bem estar.
Rosalina afastou-se e mediu o filho da cabeça aos pés.
— Você está tão bonito!
Diferente, bem vestido.
— Obrigado, mãe.
— O que anda fazendo?
— Tenho muita coisa para contar, mas agora quero saber o que você faz aqui.
Que surpresa é essa?
Veio para ficar?
— Sim. A proposta de Fani foi irrecusável.
— Mas você estava trabalhando na escola, ganhando bem, pensava até em comprar uma casinha...
— Pois é, meu filho, entretanto muitas coisas aconteceram.
A escola fechou por falta de verbas públicas.
Eu perdi me emprego.
Por sorte, consegui concluir o supletivo.
Formei-me no ginásio.
— Fico feliz que tenha se graduado.
Era um sonho antigo.
— Agora sei ler, escrever e fazer contas diversas.
Tornei-me uma mulher muito mais inteligente, mais culta e mais lúcida.
Mais feliz.
— Como fez para se sustentar?
— Voltei a fazer faxina e lavar roupa para fora.
Consegui me manter.
Foi quando reencontrei a Fani em Bauru.
Um dia estava saindo da venda do seu Gomes e ela lembrou-se de mim.
Conversamos, falei de minha situação e foi então que veio a proposta.
— Qual proposta?
— Eu vou trabalhar só na cozinha fazer as refeições.
O salário é bom e eu terei um tecto para morar.
E agora, vendo que você está aqui ao meu lado, o que mais quero?
Ele a abraçou e a beijou várias vezes no rosto.
— Estava mesmo morrendo de saudades, sabia?
Muita saudade.
— Eu também.
— Ninguém mais vai nos separar.
— Sabe, filho, a Norma me falou que iríamos nos encontrar.
Só não sabia como.
Esta cidade é tão grande, e veja só:
mal cheguei e o reencontrei.
Caio afastou-se e coçou a cabeça.
— Continua com essas ideias?
— Que ideias?
Eu disse que sua irmã me procurou, oras.
— Mãe!
— Norma mandou uma carta para mim.
— Como assim?
Uma carta?! – perguntou estupefacto.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 12, 2016 8:17 pm

— Uma carta psicografada.
— Mãe, não entendo dessas coisas e...
Rosalina silenciou o filho com o indicador em seus lábios.
— Chi! Calma.
Deixe-me explicar melhor.
Ela foi até sua bolsa e pegou um envelope.
— No Centro Espírita que eu frequentava em Bauru, havia sessões em que levávamos o nome de nossos entes queridos desencarnados e esperávamos até que eles se comunicassem.
Isso poderia levar dias ou semanas, sendo que algumas pessoas eram chamadas, outras não.
Eu custei a receber notícias de sua irmã.
Quando fui chamada, certa noite, após uma sessão, meu coração transbordou de alegria.
Uma carta endereçada a mim!
— E o que diz a carta?
Rosalina riu misteriosa.
— Para você tomar cuidado e prestar mais atenção às pessoas a sua volta.
— Grande coisa.
— E disse-me que vou me casar de novo!
— Mãe, que absurdo é esse?
— Por que absurdo?
— Não creio que Norma esteja entre nós.
Por acaso – perguntou de maneira desafiadora – a letra na carta é dela?
Rosalina moveu a cabeça para os lados.
— Você não entende nada das coisas espirituais.
Claro que a carta vem com a letra do médium que a escreveu.
— Sei...
— Segundo a doutrina espírita, meu filho, a psicografia é uma das múltiplas possibilidades de expressão mediúnica existentes.
Allan Kardec classifica-a como um tipo de manifestação inteligente, digamos assim, por consistir na comunicação discursiva escrita de um espírito, por intermédio de um médium, seja homem ou mulher, com quantos se prestem a ler-lhe os textos.
Ele coçou o queixo, meio intrigado.
Rosalina prosseguiu:
— O fenómeno ocorre pela intercessão da vontade do espírito comunicante sobre a vontade passiva do médium que, apesar de ceder sua vontade para que a comunicação se dê, estando consciente, interfere mais ou menos no seu teor e forma.
— Nunca ouvi falar disso.
— Porque não lê, oras!
— Existe publicação sobre esse assunto é? – perguntou em tom de deboche.
Rosalina nem ligou.
Sentia que Caio era resistente para aceitar e compreender os fenómenos mediúnicos.
Ela finalizou:
— Em descrições contidas nas obras da série André Luíz (colecção intitulada A Vida no mundo espiritual, do espírito André Luíz, composta por dezasseis livros psicografados pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira e publicados pela FEB – Federação Espírita Brasileira Editora – Brasília, DF.
No movimento espírita brasileiro a colecção também é conhecida como Série Nosso Lar (N.A.)), existe uma interligação entre os chamados centros de força do perispírito do desencarnado com o encarnado intermediário, permitindo que ele actue na produção de textos, consoante sua vontade.
— Está falando difícil para me impressionar?
— Não, para que você desperte para a verdade.
Só isso.
A postura de Rosalina surpreendeu Caio.
Ela falava com propriedade, de maneira articulada, usando até palavras mais difíceis.
Sua aparência estava melhorada, ela estava mais bonita, embora algumas rugas teimassem em ocupar o canto dos olhos.
— Você acredita mesmo que Norma tenha se comunicado?
— Sem dúvida alguma.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 12, 2016 8:17 pm

Caio pegou o envelope das mãos da mãe.
Abriu e tirou a carta.
Era uma comunicação curta, de algumas linhas, mas Norma falava em Roberval e que também estivera com Elsa.
Ele abriu e fechou a boca sem poder articular som.
— As pessoas desse Centro Espírita a conhecem?
— Não a ponto de saberem que seu pai se chamava Roberval e que sua avó se chamava Elsa.
Caio abraçou a mãe.
Sentiu forte emoção, e a lembrança de Norma veio forte à sua mente.
— Ah, mãe – tornou ele, emocionado –, será que Norma está perto de mim?
Será que ela me protege?
— Caio querido! – Rosalina alisou seus cabelos.
Norma afirma na carta que está sempre ao seu lado.
Será que você não poderia ser mais flexível e abrir-se ao conhecimento espiritual?
— Ainda estou confuso, mas prometo que, qualquer hora, pego um livro seu.
— Está certo, meu filho.
Abraçaram-se e continuaram conversando.
Caio contou de maneira empolgada à mãe sobre o contrato e a campanha do perfume.
Rosalina sentiu uma pontada no peito, um desconforto sem igual.
Alertou o filho.
— Creio que você poderia ir atrás de outra actividade.
Esta cidade é tão grande, pode lhe proporcionar muitas coisas boas.
Lembre-se do que sua irmã disse na carta.
Cuidado com quem você se envolve.
— Ouvi isso hoje do José.
Ele me falou a mesma coisa.
— Caio meu filho, preste atenção aos sinais que a vida lhe dá.
Eu mal conheço esse José e tanto ele quanto eu, mais a carta de sua irmã, dizem-lhe a mesma coisa?
— Bom...
Rosalina aumentou o tom.
— No mesmo dia?
Não é para pensar?
— É. Creio que sim.
— Abra os olhos, meu filho.
Cuidado com gente que é lobo em pele de cordeiro.
Você sabe do carácter desse Gregório Del Prate, ou melhor, da falta de carácter.
Você não está sendo enganado.
— Eu sei.
— Os factos se mostram à sua frente.
— Entendo.
— Tome cuidado com o que você vai fazer.
— Mas e se eu não aceitar?
— Assinou alguma coisa?
— Não.
— Fica mais fácil.
— Não é tão fácil assim, mãe.
— Por quê?
— O Gregório me deu um adiantamento.
— Devolva.
— Como?
— Devolva o dinheiro.
— Contudo, eu usei um pouco do dinheiro.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 12, 2016 8:17 pm

— Não tem problema.
Você poderia pegar o dinheiro e sumir.
Não assinou nada.
Mas você tem carácter, é um homem bom.
Por esse motivo, pegue o que tem no banco, não importa a quantia e devolva ao Gregório.
— E o resto do dinheiro?
— Diga que no tempo certo vai lhe pagar aquilo que falta.
E pronto. Livre-se dele.
— Você tem razão.
Mas, mãe, se eu devolver o dinheiro, vou viver de quê?
— Eu converso com Fani.
Você fica no meu quarto e não pagará mais a pensão.
Ficaremos apertados, mas sobreviveremos.
Depois, você vai se ajeitar colocar uma roupa bonita e ir à cata de emprego.
Tenho certeza de que logo estará estudando e trabalhando.
Vamos, meu filho, força!
Caio a beijou demoradamente na fronte.
— Você é a melhor mãe do mundo.
— Você é o melhor filho do mundo – rebateu Rosalina.
Caio despediu-se da mãe e foi para seu quarto.
Deitou-se na cama e lembrou-se da irmã querida.
— Será que Norma tentou se comunicar comigo?
Será que depois da morte existe algo? Será?
Caio pensou na irmã, na saudade que sentia dela e, dessa forma, adormeceu.
Norma estava com ele desde que Rosalina chegou.
Não queria perder o reencontro entre mãe e filho.
Ficou emocionada ao vê-los juntos.
— Ele continua resistente – disse para Carlota.
— Você fez o que lhe foi permitido, Norma.
— Infelizmente, ele vai arrumar encrenca.
— Se o espírito dele precisar passar por essa experiência, paciência.
Não podemos, de maneira alguma, interferir na escolha das pessoas.
Você lhe mandou a mensagem.
Para bom entendedor, bastam as entrelinhas.
Isso é sinal de que a espiritualidade entendeu que Caio não precisaria passar por situações desagradáveis.
Entretanto, o espírito dele anseia passar por isso.
Entende que é algo mais forte que a própria vida?
— Sim, entendo.
— Seu irmão precisa, deseja, mesmo que inconscientemente, passar por essa provação.
Caso contrário Caio teria grande vontade de procurar um Centro Espírita.
Isso faria toda a diferença.
— Você tem razão, Carlota.
Isso faria toda a diferença.
Todavia, meu irmão está fazendo suas escolhas.
O melhor a fazer é orar e pedir para que seja feito o melhor.
— Isso mesmo.
Que tal darmos um passe no perispírito de seu irmão?
Aproveitamos que ele adormeceu e lhe ministramos um passe revitalizante.
Amanhã, com certeza, ele vai acordar mais bem-disposto.
Norma pendeu a cabeça afirmativamente.
Os dois espíritos ergueram as mãos.
Fecharam os olhos, concentraram-se e aplicaram um passe sobre o perispírito de Caio, que descansava há alguns palmos do corpo físico.
Feito isso, as duas desvaneceram no ar.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 12, 2016 8:17 pm

***
Luísa sentia-se mais forte.
Renata tinha lhe conseguido entrevista na empresa em que trabalhava.
Era para o cargo de recepcionista.
O salário era pouco, mas dava para Luísa começar a sentir o sabor da independência e a pagar suas contas.
Após a entrevista, ela foi almoçar com Renata.
— Fiquei tão feliz!
A gerente de recursos humanos gostou de mim.
Disse que sou simpática, comunicativa e que talvez o cargo seja meu.
Ela tem mais duas moças para entrevistar, mas sinto que o cargo será meu.
— Eu também acredito nisso – ponderou Renata.
Você quer mudar crescer, está colocando muita força em seu caminho.
Isso faz com que tudo ao nosso redor comece a mudar.
Para melhor, sempre.
— Genaro mal sabe disso.
— Mas vai saber.
Ele vem para as festas de fim de ano?
— Não. Disse que tem compromissos inadiáveis.
— É verdade?
— Não. Papo furado.
Sei que ele deve estar se divertindo com mulheres e desviando dinheiro publico a torto e a direito.
— Problema dele, Luísa.
Um dia Genaro terá de arcar com as consequências de suas atitudes.
Sejam elas boas ou não.
— Será?
— Mas é claro, minha amiga!
E, se a justiça dos homens for cega e falha, ninguém escapará da justiça divina.
— Não sei, não.
Isso me incomoda profundamente.
Genaro aprontou muito quando era vereador em Bauru.
Desviou dinheiro e veja: ele foi um dos deputados federais mais votados do país.
Como pode?
— Todo político inescrupuloso um dia acaba metendo os pés pelas mãos.
Genaro começou com pequenos golpes, pequenos desvios de dinheiro público.
Ele vai querer mais e, uma hora, vai se dar mal.
— Duvido. Todo político é esperto.
— Também não vamos generalizar Luísa.
Um político é um indivíduo activo que actua em nome de um grupo social.
Pode ser formalmente reconhecido como membro activo de um governo ou uma pessoa que influencia a maneira como a sociedade é governada por meio de conhecimentos sobre poder político e dinâmica de grupo.
Essa definição inclui pessoas que estão em cargos de decisão no governo, e pessoas que almejam esses cargos tanto por eleição, quanto por indicação, fraude eleitoral, hereditariedade etc.
Apesar de a política ter historicamente sido considerada uma profissão honrada – existem políticos que efectivamente promovem o bem-estar de seu eleitorado ou de seu povo –, muitas pessoas, actualmente.
Mesmo em países democráticos, tem uma opinião negativa a respeito dos políticos como classe.
Existem muitos Genaros por aí, inescrupulosos, cujas promessas não são verdadeiras.
Também são, ocasionalmente, acusados de desvios de verba para o seu próprio interesse e não para o interesse do povo.
De facto, casos de corrupção política não são raros.
— Conheço políticos que dariam seu sangue para que nosso país melhorasse em todos os aspectos.
— Sei disso, Luísa.
No entanto, Genaro não é o tipo.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 12, 2016 8:18 pm

Políticos como Genaro são poucos, mas causam grande estrago, seja pelo desvio de dinheiro, seja por arranhar a imagem da classe por expressiva parcela da população.
E não devemos nos importar com eles.
Neste mundo ou em outro, um dia eles terão de se acertar com o Universo.
— Pedi que Genaro viesse a São Paulo para conversarmos sobre a separação.
Ele disse que isso é conversa fiada e que não vai me dar nada.
Que estou delirando.
— Você não precisa ficar à mercê dele. Sabe disso.
— E se ele não der a separação?
O que faço?
Ficarei presa a ele pelo resto da vida?
— Claro que não, amiga.
Ninguém fica preso a ninguém.
O tempo da escravidão acabou há muito tempo.
— Sei, mas Genaro afirmou com todas as letras que não me dará a separação.
Divórcio nem pensar.
— Então, contrate um advogado e entre com o pedido de separação litigiosa.
— Como assim?
— Existem dois tipos de separação judicial.
A consensual, que é a mais comum e todos saem ganhando, porque é mais simples e rápida.
Todavia, isso ocorre quando o marido e a mulher estão de pleno acordo quanto à separação.
No seu caso, como Genaro não quer, em hipótese alguma, dar-lhe a separação, então, Luísa, não tem jeito.
Você terá de requerer uma separação litigiosa.
Isso quem vai tratar são os advogados de ambos.
Eles vão lá brigar com o juiz.
— Eu não tenho dinheiro, Renata.
— Você pode exigir pensão.
— Não quero dinheiro de Genaro.
Quero assinar os papéis, separar-me e viver minha vida.
— Se precisar de advogado, eu posso lhe arrumar um.
— Ai é que está.
Eu estou completamente dura.
— Você pode requerer assistência judicial gratuita.
Todavia, creio que o melhor a fazer é arrumar dinheiro para pagar o advogado.
O que conheço é muito bom, cobra um valor justo e parcela.
— Eu tenho algumas jóias.
Poderia vendê-las.
— Excelente ideia, Luísa.
— Jóias caras.
— Pegue as suas jóias, leve-as até um avaliador, faça cotação de preço e venda.
Você já terá dinheiro para pagar seu advogado.
E tem a casa de vocês.
Pelo menos, meio a meio.
Luísa meneou a cabeça para os lados, de forma negativa.
— A casa é de Genaro.
Ele a comprou antes do casamento.
E nos casamos em regime de comunhão parcial de bens, ou seja, só temos de dividir algo caso Genaro tenha comprado após nosso casamento.
— Se você quiser, pode ir para casa e por lá ficar, quanto tempo necessitar.
— Agradeço, mas eu tenho Eunice.
Não posso deixá-la.
Ela sempre me ajudou, ela sempre foi uma mãe para mim.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 12, 2016 8:18 pm

— Eu posso dispensar a minha empregada e Eunice pode trabalhar para mim.
Luísa mordeu os lábios, aflita.
— Não sei ao certo.
Não seria justo invadirmos sua privacidade.
Você é solteira e...
— E nada – rebateu Renata.
Sou independente, solteira e não estou à procura de um amor.
Não por enquanto.
Estou mais focada em minha carreira, em fazer o meu pé-de-meia.
Na hora certa vai aparecer um homem bom, de preferência bonito – ela riu –, que eu ame com todas as minhas forças.
Saberei disso no dia em que eu pousar meus olhos nos dele.
— Como tem tanta certeza de que será assim?
— É a minha intuição trabalhando a meu favor.
Você verá Luísa, logo vou encontrar o amor de minha vida.
Eu mesma vou lhe dizer.
Luísa ergueu seu copo.
— Façamos um brinde ao amor!
— Ao amor – respondeu Renata.
*****
Caio estava sentado no banco do jardim da pensão quando Celinha veio correndo ao seu encontro.
— O que foi?
— Chegou carta para você! – exclamou ela, de maneira graciosa.
— Obrigado.
Caio apanhou o envelope pardo e, ao constatar que não havia remetente, sentiu um frio no estômago.
Fazia tantos meses que não recebera carta, e por um fio de esperança acreditou que aquele trote de mau gosto havia parado lá trás.
Ledo engano.
Com as mãos trémulas, ele abriu o envelope e lá estava escrito a mesma frase, cujas letras coladas na carta, eram recortadas de revistas e jornais.

“Você matou Loreta. Eu sei.
Estou de olho em você.”


Celinha notou que a cor do rosto dele mudou repentinamente e perguntou:
— Recebeu alguma noticia ruim?
— Na... Não – ele balbuciou.
É carta de um amigo. – Mentiu.
— Vou para a cozinha.
Aceita um copo d’água com açúcar?
— Sim, Celinha. Aceito.
A menina correu até a cozinha e, em seguida, voltou ao pátio com o copo d’água com açúcar.
— Beba, vai lhe fazer bem.
Caio sorveu cada gole com vontade.
Devagar, acalmou-se.
— Obrigado, Celinha.
José estava fazendo manutenção no telhado e desceu para o lanche da tarde.
Notou o ar preocupado estampado na face do rapaz.
— O que foi?
— Nada, José.
— Tem certeza?
Caio não aguentava mais.
Tinha de dividir com alguém essa brincadeira de mau gosto que estava lhe azucrinando a vida.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 12, 2016 8:18 pm

— Sente-se aqui, José.
O senhor obedeceu e, em poucas palavras, Caio lhe contou tudo.
José já sabia de Loreta, mas não das circunstancias em que ela tinha morrido.
Ele coçou o queixo, mordiscou os lábios.
— Deixe-me ver a carta.
Caio a retirou do bolso. José checou.
— Onde está o envelope?
— O envelope?
— Sim. Deixe-me vê-lo.
Caio meteu a mão no bolso e retirou o envelope pardo.
— De nada vai adiantar José.
O envelope não tem remetente.
Nunca saberei quem manda isso para mim.
— Alguém que o conhece bem e que está bem perto.
— Como pode afirmar isso?
— Eu adoro ler romances policiais, inclusive li muitos livros da Agatha Christie – José riu.
Quem está lhe mandando estas cartas nunca leu livro algum da maior escritora policial de todos os tempos.
Está tudo muito fácil.
— Não estou seguindo-o.
Explique-se melhor.
José ajeitou-se no banco.
— Meu filho, primeiro, você recebeu uma carta no apartamento de seu amigo, certo?
Quem sabia que você estava lá?
- Hum, bem, quando me mudei para lá as únicas pessoas que sabiam de meu endereço eram minha mãe e Sarita.
— Pois bem, esqueçamos de sua mãe.
Rosalina não faria uma brincadeira dessas com você e – ele salientou – nem desconfia que você era metido com essa dona, certo?
— Sim.
— Vamos à segunda pessoa.
— Sarita.
Ela foi um anjo bom que me ajudou.
Ela não pode estar metida nisso.
— Por que não?
— Porque Sarita nem imagina que eu estou morando na pensão.
Como a carta veio directo para este endereço?
— Puxa – José deu uma batida de leve no peito de Caio –, o garoto está ficando esperto.
Portanto, descartamos sua mãe e Sarita.
Quem mais conviveu com você aqui na cidade?
— O Guido. Mas ele é meu amigo.
Quer dizer, foi meu amigo.
Ajudou-me desde que cheguei.
Ofereceu-me um teto para morar, foi muito gentil.
José o olhou desconfiado.
— Quando a ajuda é demais, o santo desconfia.
— E, de mais a mais – completou Caio –, Guido não é de Bauru, jamais saberia do meu envolvimento com Loreta.
José ficou pensativo por instantes.
De repente veio um flash em sua mente.
Ele pegou o envelope da mão de Caio e olhou no carimbo dos correios.
Mostrou para Caio:
— Veja.
— O que?
— Veja o carimbo do correio.
— O que tem?
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 12, 2016 8:18 pm

— Foi postado na região central da cidade.
— E daí?
— Daí que temos uma pista.
Quem o está chantageando mora aqui na cidade.
Quem mora no centro?
— Eh, bem – ele coçou a cabeça – o Guido mudou-se para um hotel no centro da cidade e...
José o interrompeu.
— Você tem o outro envelope?
— Tenho.
Está lá no quarto.
— Suba e pegue-o.
Vamos ver onde foi postado.
Caio subiu rapidamente os lances de escada.
Apanhou o envelope e o carimbo era claro: Jardins.
Ele desceu as escadas e, esbaforido, entregou-o a José.
— Foi carimbado na agência dos Jardins.
— Quem mora nos Jardins?
— Eu morava nos Jardins...
Com o Guido!
— Se eu fosse você, meu caro, iria atrás desse rapaz.
Creio que ele tenha de lhe dar muitas explicações.
— Não sei onde ele mora.
Nunca mais nos vimos.
Já faz algum tempo.
— Vocês conhecem alguém em comum?
— Sim. O dono da Cia. De Perfumes.
José sentiu um aperto no peito, uma sensação muito desagradável.
— Não fale com esse homem.
Algo me diz que você deve ficar quieto.
Tente achar esse Guido.
Ele poderá contar a verdade.
— Mas a cidade é grande.
Mesmo sabendo que a carta foi postada no centro, sabe que a região é enorme, lotada de hotéis.
— Aguarde meu filho.
Tudo acontece no tempo certo.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 12, 2016 8:19 pm

CAPÍTULO 16

Naquela noite, os trabalhos espirituais no Centro Espírita dirigido por Mafalda correram de maneira tranquila, como de costume.
Luísa além de participar do curso sobre mediunidade, ajudava na triagem das pessoas que eram atendidas.
Renata e Maximiliano trabalhavam como atendentes e encaminhavam as pessoas para os devidos tratamentos, após pequena entrevista.
Mafalda havia proferido uma linda palestra sobre a força interior que há em cada um de nós.
Ressaltou a disciplina necessária para que nossos pensamentos sempre estejam voltados para o bem, não importa a situação em que nos encontremos.
O desânimo e a maledicência, como ela disse no final, são os grandes vilões que emperram a nossa escalada evolutiva no bem.
Em seguida, ela deu passagem para outro médium que, incorporado, falou sobre a evolução do Espiritismo no Brasil.
Falou também sobre as religiões africanas trazidas ao Brasil pelos escravos.
Um tabu entre as casas espíritas brasileiras.
Todavia, como Mafalda era mulher sem preconceitos e à frente de seu tempo, deixava que seus médiuns incorporassem espíritos que geralmente não se manifestavam num Centro Espírita convencional.
O médium pigarreou e a modulação de sua voz alterou-se levemente.
— Gostaria de lhes falar hoje sobre a história do médium Zélio Fernandino de Moraes.
A plateia estava num silêncio só.
O médium prosseguiu.
— Nos idos de 1908, acometido de doença misteriosa, o médium fora levado à Federação Espírita de Niterói e, durante os trabalhos da sessão espírita, incorporou espíritos que afirmavam ser de índio e escravo.
O dirigente da mesa exigiu de todas as maneiras, que eles se retirassem, por acreditar que não passavam de espíritos atrasados ou até mesmo mistificadores.
Mais tarde, naquela mesma noite, um dos espíritos se nomeou como Caboclo das 7 Encruzilhadas.
Devido à hostilidade e à forma como essas entidades de luz foram tratadas, porquanto imaginem o preconceito ao negro ou então a um espírito que afirmava ter sido negro, quando encarnado, no início deste século, elas resolveram iniciar uma nova forma de culto, onde qualquer espírito pudesse trabalhar.
No dia seguinte, os espíritos começaram a atender na residência de Zélio a todos os que necessitavam de ajuda, e, posteriormente, fundaram a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade.
Essa nova forma de religião, inicialmente chamada de Alabanda, acabou recebendo o nome de Umbanda, religião sem preconceitos, que acolheria a todos que a procurassem: encarnados e desencarnados, em todas as bandas, quer dizer, em todos os lugares.
O espírito terminou sua explanação e agradeceu emocionado.
Em seguida, o médium voltou a si, pigarreou e sentou-se.
Mafalda tomou a palavra:
— Nosso Centro foi fundado sob os preceitos de Allan Kardec.
Seguimos os ensinamentos contidos em seus livros.
Entretanto, por que o Brasil sempre foi tido como pátria do Espiritismo?
A plateia meneou a cabeça para os lados.
— Porque neste solo sagrado, existe uma infinidade de espíritos amigos que vêm prestar ajuda e auxílio, não importando se é em um Centro Espírita convencional ou Centro de Umbanda.
Aqui em meu centro, recebemos a assistência de falanges de espíritos ligados a várias religiões.
Ora, se recebemos ajuda de espíritos que fazem parte da falange de Maria, que são da corrente de Clara e Francisco, ligados ao catolicismo, por que devemos recusar a ajuda de espíritos que se apresentam como preto-velhos, caboclos, ou índios?
Por que iremos ser preconceituosos a ponto de impedir que essas entidades evoluídas – ela frisou – e cheias de luz e conhecimento sejam tratadas diferentemente de um espírito que vivera encarnado como padre ou freira?
Por quê?
Mafalda suspirou e esboçou leve sorriso.
— Quando você tem dor de dente, vai ao dentista.
Quando tem dor de barriga, vai a outro especialista.
Quando tem dor de cabeça, vai a outro.
Cada médico é especialista numa determinada parte do corpo, num determinado órgão.
E, da mesma maneira que funciona a medicina, funcionam as coisas no astral.
Se você precisa de um passe restaurador, a fim de manter seu equilíbrio, receberá fluidos da corrente de espíritos ligados a Maria, mãe de Jesus.
Se você necessita de, além do passe, um banho de ervas, a fim de higienizar sua aura e arrancar os miasmas negativos que circundam seu corpo energético, precisará que um espírito ligado à mata ou à manipulação de ervas lhe dê a receita certa.
Por essa razão, nosso Centro é diferente.
Não tocamos atabaques porque não nos familiarizamos somente com os espíritos ligados à Umbanda.
Entretanto, nossa casa é espírita, sim, trabalha com equipas de espíritos de luz, não importando a que bando pertença.
Desde que trabalhem para o bem da humanidade, todos serão bem-vindos nesta casa.
Mafalda recebeu uma salva de palmas dos presentes.
Ela teve bastante fibra e coragem para admitir que sua casa era aberta para todo e qualquer tipo de espírito de luz, desde que trabalhasse ou mesmo orientasse as pessoas para o bem, para o seu melhor, para evoluir, sempre.
Quando todos se retiraram do Centro, Max, Luísa e Renata foram ter com ela.
— Fiquei impressionado com o discurso, Mafalda.
Impressionado. Parabéns.
— Obrigada.
Mas eu precisava falar isso para as pessoas.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 12, 2016 8:19 pm

Não podemos criar preconceito dentro do Espiritismo.
Isso não se faz.
Se Allan Kardec não citou essa gama de espíritos formidáveis em seus livros, é porque não teve tempo para estudá-los e conhecê-los.
O Espiritismo, assim como o mundo espiritual, está em crescimento e renovação constantes.
Devemos sempre estudar os livros básicos da doutrina espírita.
Lá encontraremos sempre material que vai nos ajudar a compreender o mundo espiritual e, acima de tudo, o nosso mundo.
Mas cabe a nós percebermos que o mundo espiritual é muito maior, cheio de equipas ligadas às mais variadas correntes.
Como acontece na Terra.
Procuramos manter a paz e harmonia entre brancos, negros, orientais, árabes, muçulmanos, palestinos, judeus, católicos e evangélicos.
O nosso país sempre teve a característica de acolher todo e qualquer imigrante.
As religiões aqui se respeitam. Não seria diferente com os espíritos.
— Concordo com você, Mafalda – tornou Renata.
Se orássemos e pedíssemos aos espíritos do bem que limpassem a casa de Max, isso seria impossível.
Mafalda sorriu.
— Isso mesmo!
A casa de Max estava tão impregnada de energias astrais de baixa vibração, que orações não seriam suficientes para dissipá-las do ambiente.
Necessitávamos também de defumação, porquanto o poder higienizador das ervas, extraído da queima delas, é que pôde, efectivamente, limpar o ambiente daquelas energias nocivas.
— Isso prova que devemos ter a mente aberta e o coração também.
Creio que não podemos, em hipótese alguma, tratar nossos amigos espirituais de acordo com a hierarquia da Terra – ponderou Maximiliano.
— Você está certo, Max – concordou Mafalda.
Eu passei por uma situação muito parecida a do médium Zélio, fundador da Umbanda, anos atrás.
— É mesmo? – perguntou Luísa, interessada.
E o que aconteceu?
— Eu fazia parte de um grupo de doutrinação num Centro Espírita kardecista, há muitos anos.
Num determinado momento da sessão, por meio da vidência, vi o espírito de um preto-velho aproximar-se, com sua candura, e pedir para que ajudássemos outro espírito que ele havia resgatado no Umbral, depois de um longo período de negociações com entidades que o mantinham preso.
O dirigente de nosso trabalho, não só insultou o espírito amigo, como pediu que ele se retirasse da casa.
Mentalmente, conversei com o preto-velho e prestei o auxílio necessário ao outro, que precisava ser doutrinado e encaminhado, posteriormente, a um Posto de Socorro no astral.
Depois deste incidente, passei a estudar com profundidade as obras de Kardec e algumas publicações de religiões africanas.
Actualmente, procuro, aqui em meu Centro, dar passagem a todo e qualquer espírito, desde que seja para fazer o bem.
— Não teme ser julgada por espíritas ou mesmo umbandistas ortodoxos?
— Não, Renata.
Eu tenho a minha consciência tranquila e sei que estou amparada por espíritos de luz.
Afinal, fazemos parte do mesmo Universo, somos governados por um mesmo Deus.
Isso é o que importa.
Continuaram a conversa.
Na saída, Max foi buscar o carro e elas aguardaram no portão.
Mafalda foi cumprimentada por uma senhora que ficara encantada com a casa espírita.
- Devo dizer que adorei o lugar e gostaria muito de frequentá-lo, amiúde.
— Seja bem vinda.
Ela estendeu a mão.
— Prazer, meu nome é Rosalina.
— Prazer, chamo-me Mafalda.
— Eu sei.
Foi uma amiga que me indicou o seu Centro.
Vim para tomar um passe e confesso que me senti muito bem.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 12, 2016 8:19 pm

— Que bom.
Venha quantas vezes quiser.
Aliás, você não veio aqui por acaso.
— Não?
— Não. Você foi enviada aqui pela sua filha Norma.
Rosalina levou a mão à boca, estupefacta.
— Minha... Minha filha?
— Sim. Ela esteve presente na sessão de hoje.
É espírito lúcido e zela muito por você e seu filho.
Eu sabia que iria encontrá-la em breve, porquanto Norma me pediu que eu intercedesse e pedisse a você que trouxesse seu filho para cá.
Ele necessita fazer um tratamento espiritual e aprender a lidar com sua sensibilidade.
Rosalina não tinha palavras.
Estava profundamente emocionada.
Renata e Luísa também se emocionaram e cumprimentaram-na.
Iriam entabular conversação, mas Maximiliano apareceu com o carro próximo à calçada, buzinando.
— Vamos meninas, senão hoje não voltaremos para casa.
Muita mulher junto dá muita conversa.
Todos riram.
Mafalda despediu-se deles.
Rosalina fez o mesmo, mas como a sessão acabara tarde, Maximiliano lhe ofereceu carona.
— Eu moro não muito longe daqui.
Vou pegar o ónibus e...
Max não a deixou terminar de falar.
— Não senhora.
Suba no carro, é uma ordem.
Rosalina aceitou de bom grado.
Fazia pouco que chegara a São Paulo e ainda se perdia com os ónibus.
Embora soubesse o ponto e o ónibus que deveria tomar para regressar à pensão, preferiu ir ao carro com eles.
Simpatizou com os três.
Max parou no meio-fio.
Rosalina saltou do carro e despediu-se.
Luísa saltou também para passar para o banco da frente.
Nesse momento, Caio apareceu na porta da pensão.
Os olhos dos dois se encontraram.
E, efectivamente, ambos sentiram um friozinho na barriga.
— Você aqui? – perguntou ele, de maneira surpresa.
— Vim dar carona a esta senhora.
— Minha mãe, por sinal.
Luísa sorriu surpresa.
— Rosalina é sua mãe?
Rosalina respondeu:
— Pelo menos é o que consta na certidão de nascimento.
Os três riram.
Maximiliano e Renata cumprimentaram o jovem de dentro do carro.
Caio abaixou e acenou.
— Queria encontrá-la, mas fiquei com receio.
— Eu passei por tanta coisa.
Depois eu lhe conto.
— Podemos nos ver?
— Sim. Você mora aqui?
— Moro.
— Amanhã eu dou uma passadinha aqui.
Pode ser na hora do almoço?
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 12, 2016 8:19 pm

— Pode sim.
Despediram-se.
Rosalina e Caio entraram na pensão e Luísa sentou-se no banco da frente do carro.
Max deu partida e, logo adiante, assim que o carro dobrou a esquina, Renata deu uma cutucada na amiga.
— Conhece esse bonitão de onde?
— Conheci há algum tempo, na porta do banco.
— Sei...
Luísa virou o corpo para trás.
— É verdade.
Conhecemo-nos de maneira engraçada até.
Demos um esbarrão um no outro e fui ao chão.
Ele foi educado, fomos a uma lanchonete, tomamos um refresco e depois...
— Depois? – perguntou Max, interessado.
— Depois nada, oras.
Dei meu telefone a ele.
— Ele ligou? – indagou Renata.
— Não. Creio que ficou triste ao saber que eu era casada.
— Esse rapaz é correcto e bom, além de possuir rara beleza.
Faz o quê? – inquiriu Max.
— Ele me disse que é modelo.
— Pelo menos tem rosto para isso.
É muito bonito.
— Também achei – ajuntou Renata.
Será que Luísa vai desencalhar?
— O que é isso?
Eu mal me separei do Genaro.
— Questão de tempo, somente.
Logo você será livre e poderá amar de novo.
— Não sei se quero isso para minha vida.
— O quê? Vai me dizer que não quer mais saber de um amor na sua vida?
Você só tem vinte e quatro anos de idade! – exclamou Renata.
— Entretanto, tenho outros planos.
Quero arrumar emprego, separar-me.
Depois pensarei nisso.
— Acho que vai ter de pensar nisso antes do tempo – revidou Max.
— Eu também acho.
Você não virá aqui amanhã?
— Sim, mas...
— Nada de, mas, seus olhos a incriminam.
Você está gostando desse moço.
— Não dá para negar – disse Max.
— Será? – Luísa voltou o rosto para frente do carro.
Ela havia achado Caio um tipo bem interessante.
Talvez tivessem a mesma idade ou até fosse mais novo que ela.
Bom, isso não importava.
Mas ele não ligara também.
— Vou admitir que ele mexe com qualquer mulher – disse ela entre risos.
— Você virá conversar com ele amanhã? – inquiriu Max.
— Sim. Espero.
— Acho que desse mato vai sair coelho.
— Por que me diz isso?
— Intuição, minha amiga. Intuição.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 12, 2016 8:20 pm

CAPÍTULO 17

No dia seguinte, Luísa acordou bem-disposta.
Tomou uma chuveirada, escolheu um vestido de alças azul-claro – o calor estava insuportável –, maquilhou-se levemente, passou batom e aspergiu delicioso perfume sobre o corpo.
Estava encantadora.
Apanhou sua bolsa e desceu as escadas sorridente e feliz.
Chegou até a cozinha e sentiu o cheiro gostoso do café.
— Hum! Fez café para mim?
— Fiz – respondeu Eunice.
Do jeito que você gosta.
Luísa estalou nela um beijo na bochecha.
— Você é tudo para mim, Eunice.
— E você é meu tesouro, minha linda.
Por favor, sente-se.
Vou servir o café.
— Está tarde. Eu tenho um almoço e...
— Um cafezinho com leite e uma torrada.
Só isso. Você está muito magra.
— Estou com o corpo óptimo.
— Precisa ficar mais forte.
— Preocupação boba, a sua.
— A Neuza ligou hoje cedo.
— O que minha mãe queria?
— Estava fula da vida.
Disse que não quer mais ver você na frente, nem pintada de ouro.
— Minha mãe disse isso?
— Disse sim.
— Bom, depois de nosso último encontro, tive certeza de que nunca mais iríamos nos falar.
— Entendo.
— Ela me bateu em defesa de meus irmãos.
Não gosta de mim.
— Mas você deve esquecer.
Perdoar e esquecer.
Não carregue mágoas em seu coraçãozinho.
Isso não faz bem para sua alma.
— Você tem razão.
Quando vou ao Centro, sempre coloco o nome dela e de meus irmãos na caixinha de orações.
— Continue assim.
Não se ligue à sua mãe ou aos seus irmãos pelos laços da discórdia.
— Assim pretendo.
Em todo o caso – Luísa mordeu uma torrada com manteiga e, em seguida, sorveu um pouco de café com leite – o que minha mãe queria tão cedo?
E tão nervosa?
Ela disse que você arruinou a vida dela.
— Por que motivo?
— O Genaro cortou-lhes a mesada.
Ela disse que o Paulo está trabalhando numa fazenda lá perto e que vai ter de parar de estudar.
E que Octávio está deprimido.
Que tudo é culpa sua.
— A culpa que minha mãe tenta jogar em mim não cola mais.
Meus irmãos são adultos, saudáveis, inteligentes.
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Ave sem Ninho

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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 13, 2016 8:13 pm

Podem arrumar emprego e dar outro rumo às suas vidas.
E mamãe também é jovem.
Mal completou quarenta e três anos.
Eu não estou à cata de um?
Ela que também vá à procura de trabalho.
— Concordo com você, mas Neuza estava muito brava.
Luísa riu.
— Isso quer dizer que Genaro está me pressionando.
Imagine quando eu contratar um advogado e lhe pedir a separação?
Que Deus me dê forças.
Foi só falar no nome do capeta, ele apareceu.
Genaro abriu a porta de casa de maneira escancarada e bruta, como de costume.
Luísa levou a mão ao peito.
Seu coração disparou.
— É ele Eunice. Ele voltou.
— Calma, minha filha.
Muita calma. Vamos orar.
— Não dá tempo...
Luísa estava muito nervosa.
Mal conseguia concatenar os pensamentos.
Genaro entrou na cozinha e a encarou com desdém.
— Olá. Vim dar uma passadinha para saber como andam as coisas.
— Olá – disse Luísa, de forma lacónica.
O que veio fazer aqui?
— Nada especial.
Tinha uns contratos para assinar, uns amigos da Câmara dos Vereadores para conversar.
Volto logo mais a Brasília.
— Como anda a vida por lá?
— Muito boa!
— Tenho visto seu nome nos jornais.
— Estou fazendo amigos e conquistando a simpatia do povo.
Você sabe o quanto sou carismático.
Luísa segurou o riso.
— O que foi?
Não acha que sou carismático?
— Você tem poder persuasivo, Genaro.
Mas de que adianta enganar as pessoas?
— Porque elas merecem ser enganadas.
Só isso. Eu sou esperto.
Estou acima do bem e do mal.
— Está se sentindo muito dono de si.
— Eu não me sinto, eu sou dono de mim – ele corrigiu.
— Estou atrasada. Volto mais tarde.
Ah – ela aproximou-se do ouvido de Genaro –, espere-me para conversarmos.
— O que é que temos para conversar?
Não pode ser agora?
Luísa consultou o relógio.
Ainda tinha tempo de sobra.
Sentiu-se temerosa, mas tinha de enfrentar o marido.
Talvez, depois da conversa, ele a mandaria sair de casa.
Renata já sabia desta possibilidade e avisara Malaquias, o porteiro, de que Luísa e Eunice poderiam aparecer a qualquer momento.
Ela estava pronta para tudo.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 13, 2016 8:14 pm

— Está bem. Vamos ao escritório.
— Não. Prefiro conversar lá em cima.
— Lá em cima?
— Sim.
Luísa olhou de esguelha para Eunice.
Ela assentiu com a cabeça.
Luísa saiu da cozinha e subiu para o quarto.
Genaro foi logo atrás.
Ele fechou a porta, sentou-se na beirada da cama.
Ela sentou-se na banqueta da penteadeira.
— Pois bem – disse ele – o que quer conversar?
— Precisamos falar de nosso futuro.
— Nosso futuro?
— É Genaro. Você mal pára em casa e...
— Você não quis ir comigo para Brasília.
Aliás, temos de resolver essa situação.
As pessoas me cobram a presença de minha esposa.
Você vai ter de começar a frequentar algumas festas comigo.
— Não tenciono ir a Brasília.
— Mulher de político tem de ir a Brasília.
Ninguém mandou casar-se comigo.
— Pois é sobre isso que quero conversar.
— O que é?
— Bom, Genaro, acho que nosso casamento chegou ao fim.
— Você acha?
Luísa estranhou a maneira como ele falava.
A voz estava pastosa, os olhos esbugalhados.
Genaro parecia estar drogado. Só podia ser isso.
Ele jamais se comportaria de maneira tão tranquila.
— Vou procurar um advogado.
Chegamos ao fim do ano e quero começar o próximo dentro de nova perspectiva de vida.
Genaro balançou a cabeça para cima e para baixo.
- Você faça o que achar melhor.
— Só isso? – ela espantou-se.
— Só.
Genaro falou, levantou-se e foi para a porta.
Passou a chave pelo trinco, tirou-a e meteu no bolso.
Voltou-se para Luísa.
— Agora vamos conversar no meu tom.
— Como assim? – ela assustou-se de verdade.
O rosto de Genaro parecia estar transfigurado.
O sorriso cínico no canto dos lábios denotava que ele iria aprontar alguma.
– O que vai fazer?
Ele não respondeu.
Tirou o cinto da calça e o levantou.
Virou a parte da fivela em direcção a Luísa.
Ela mal teve tempo de se defender.
Os golpes foram em todo o corpo.
A fúria de Genaro era demoníaca.
Dessa vez ele foi longe demais.
— Cadela! – vociferava ele.
Pensa que pode comigo?
Pensa que pode se separar de mim?
Nunca. Ouviu? Nunca!
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 13, 2016 8:14 pm

Luísa mal pode gritar.
A dor era tanta que ela tentou, em vez de gritar, correr para a porta.
Estava trancada.
Ela fechou os olhos e pensou no Centro Espírita.
Mais nada.
Genaro bateu e bateu.
Depois, quando ela estava desacordada, ele baixou suas calças, arrancou-lhe o vestido e ainda a possuiu.
Luísa não sentiu nada.
Ajudada pelos espíritos, ela desmaiou e seu perispírito fora afastado do corpo físico.
Quando Genaro terminou o acto, ouviu o barulho de sirene lá embaixo.
Chegou perto da janela e avistou uma viatura e alguns policiais que saltaram do veículo e entraram correndo em sua casa.
— Meu Deus! – exclamou ele.
Estou perdido.
****
Caio também acordara bem-disposto naquele dia.
Dormira e sonhara com Luísa.
Pareciam discutir.
No sonho, ambos usavam roupas antigas – ele recordava vagamente deste detalhe – e ele pedia seu perdão.
Ela chorava e lhe dizia não.
Ele despertou ainda com as imagens nítidas na mente.
— Que estranho! – disse para si mesmo, ao levantar-se da cama.
Lembrou-se de que logo mais ela viria ao seu encontro.
Iria lhe falar do sonho estranho.
Caio tomou um banho demorado e, em seguida, vestiu-se com apuro.
Colocou uma camisa pólo, uma calça jeans e mocassim.
Perfumou-se. Desceu para o desjejum.
Entrou na cozinha e cumprimentou sua mãe.
— Bom dia, mãe.
— Bom dia, filho.
Hoje é o dia que vai devolver o dinheiro?
— Vou ligar para o Gregório.
Preciso saber se ele pode me atender hoje.
— É bom resolver logo essa pendência.
— Vou resolver, mãe.
Depois vou atrás de uma agência de modelos.
Quem sabe eu arrumo alguma coisa?
— Faça isso – ponderou Rosalina.
No entanto, o mais importante é livrar-se desse homem.
Ele não é bom.
Caio sentou-se na mesa e serviu-se de café e leite.
Pegou um pedaço de pão e, enquanto passava manteiga, tornou:
— Luísa vem para cá logo mais.
Rosalina abriu largo sorriso.
— É uma moça encantadora.
Conheci-a ontem, no Centro Espírita.
Gostei dela.
— Eu também.
— Você a conhece de onde?
— Encontramo-nos por acaso.
Faz uns meses.
Mas o corre-corre do dia-a-dia não permitiu que nos encontrássemos novamente.
— Vocês formam um lindo par.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 13, 2016 8:14 pm

Caio rebateu.
— Ora, mãe, Luísa é casada.
Por mais que eu tenha sentido uma forte atracção, não posso me declarar.
Rosalina fechou o cenho.
— Ela é casada?
— Sim.
— Que pena.
Assim que os vi, senti que nasceram um para o outro.
Caio riu.
— Não delire, mãe.
— Mas é verdade. Eu senti isso.
Aprendi a dar muito valor à minha intuição e ela me diz que há uma boa chance de vocês se entenderem.
— E de que adiantaria isso?
Não tenho estudo nem profissão definida.
O que poderia oferecer a ela? Nada.
— Pois trate de arrumar algo para oferecer a ela.
Vá atrás de uma agência de modelos ou de empregos.
Não importa.
Depois, como não precisamos pagar aluguer, economizamos e você volta a estudar.
Tudo tem jeito na vida, meu filho.
— Sei disso. Vou pensar no caso.
Entretanto, deixe-me primeiro conversar com Luísa.
Como ela é casada, creio que seremos bons amigos, a principio.
Rosalina nada disse.
Voltou aos seus afazeres.
Caio terminou seu café, estalou um beijo na face da mãe e foi para o jardim.
Faltava pouco para o horário combinado.
O tempo passou.
Minutos, mais minutos, até completar uma hora.
Depois outra e depois mais outra hora.
Passava das três quando Caio desistiu de esperar.
Sentiu-se verdadeiramente desapontado.
Estava com vontade de conversar com Luísa, falar de seus planos, de sua vida, contar inclusive sobre o sonho que tivera na noite anterior.
Pelo jeito – pensou ele – Luísa havia pensado bem e, por ser casada, preferiu não ir ao seu encontro.
Uma pena.
Ele sentiu uma dor no peito sem igual.
Triste por não revê-la, o coração apertado e a mente confusa, Caio foi tratar de resolver suas pendências com Gregório.
Ligou para a Cia. De Perfumes e foi informado de que Gregório estava viajando e voltaria somente após os festejos de Ano Novo.
— O que fazer? – perguntou para si mesmo.
Melhor esperar.
Deixarei o dinheiro aplicado no banco e, assim que Gregório voltar de viagem, devolverei tudo.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 13, 2016 8:14 pm

CAPÍTULO 18

O barulho ensurdecedor da sirene causou pânico em Genaro.
Ele mal teve tempo de concatenar suas ideias.
Antes que pudesse destrancar a porta do quarto, um grupo de policiais armados invadiu o cómodo.
Genaro acuou-se num canto.
Max foi um dos primeiros que entrou e viu o corpo de Luísa desfalecido no chão, ao pé da cama.
— Chamem uma ambulância.
Temos uma mulher gravemente ferida – falou a um dos policiais.
Renata entrou logo atrás.
Ao ver o corpo da amiga caído e ferido, correu ao seu encontro.
— Minha amiga, por favor, não desista!
Estamos aqui.
As pessoas que a amam estão aqui.
Vai ficar tudo bem.
Luísa não emitia um som, um movimento.
Estava desacordada.
A surra de Genaro foi de uma violência inenarrável.
Um quadro triste de se ver.
Em seguida, a ambulância chegou e Luísa foi socorrida.
Eunice e Renata acompanharam a amiga na ambulância.
Maximiliano e um policial tentavam fazer com que Genaro saísse daquele estado catatónico.
— Você está bem? – perguntou o policial.
Nenhuma resposta.
Os olhos de Genaro permaneciam fixos no chão.
Ele estava de cócoras e parecia estar alheio a tudo e a todos ao seu redor.
Max tentou trazê-lo de volta à realidade.
Deu um tapinha em seu ombro.
— Genaro, você pode nos escutar?
Nada. Nenhum movimento.
O policial declarou:
— Precisamos levá-lo à delegacia.
Teremos de tomar o depoimento dele, da empregada, que nos ligou e, assim que possível, colher o depoimento de Luísa.
— Esse caso vai cair como uma bomba na carreira política de Genaro – sentenciou Max.
— Não creio – ajuntou o policial.
Ele é político bem relacionado e tem muito carisma junto ao seu eleitorado.
— Mas o que ele fez foi um acto insano, desprezível.
A violência contra a mulher precisa ser levada ao conhecimento de toda a sociedade.
Não podemos mais permitir actos de agressão desse porte.
— Todavia – afirmou o policial –, infelizmente ainda não temos mecanismos legais que possam dar protecção às mulheres que sofrem agressões de seus companheiros.
Espero que logo possamos ter leis mais justas e mais duras contra esse tipo de acto.
— As mulheres ficarão contra Genaro.
— Não creio – rebateu o policial.
Depende da maneira como o caso vai parar nos jornais.
Haverá a versão de Luísa, mas Genaro poderá criar a sua.
— Isso é desumano!
— Mas o que fazer?
Eu adoraria colocar esse cidadão atrás das grades.
Todavia, ele é político, deputado conceituado.
Não é fácil meter uma figura pública dessas no xadrez.
Um político tem imunidade, tem protecção.
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