PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 18, 2016 8:31 pm

Mal se recordava de tê-la visto naquele dia distante, em que a polícia apareceu em sua casa.
Ele simplesmente acreditou que o rosto dela era-lhe familiar.
Mas não quis entrar em detalhes.
Conversaram por duas horas.
Ele fez suas considerações, falou dos problemas da fábrica e explicou que queria se ver livre da empresa.
— E quanto aos funcionários?
Se não entrarmos num acordo – ponderou Renata –, muitos funcionários perderão trabalho e muitas famílias serão atingidas.
— Estou pouco me lixando para as famílias.
Eu quero me livrar desse abacaxi em minhas mãos.
Renata fechou o cenho.
Agora tinha certeza do carácter sem verniz de Genaro.
Ela tratou de ser rápida.
Apresentou sua proposta e, ao término das duas horas de conversa, Renata deixou o gabinete do deputado com uma alegria contagiante a invadir-lhe o peito.
— Eu vou transformar a Cia. De Perfumes na maior empresa de cosméticos deste país – disse para si mesma, de maneira convicta.
Ela retornou a São Paulo no mesmo dia e Telles fez questão de buscá-la no aeroporto.
Ela apareceu no desembarque e ele estava lá parado, com as mãos para trás.
Quando a viu, abriu largo sorriso.
— Quanta saudade!
Ela o beijou e respondeu.
— Vimo-nos hoje cedo.
Não fiquei fora um mês.
— Um dia longe de você é muito triste – antes que Renata pudesse falar alguma coisa, ele sacou de uma das mãos um lindo buquê de flores sortidas.
Para você.
Renata emocionou-se.
O romantismo de Telles era contagiante.
Ela pegou o buquê e aspirou o perfume delicado das flores.
Em seguida, beijaram-se demoradamente.
— Amanhã você vai conhecer minha mãe.
— Amanhã vai ser o grande dia! – replicou ela, de maneira engraçada.
— Vai adorar minha mãe.
Ela está louca para conhecê-la.
— Mesmo?
— Sim. Ela até que tentou arrumar uma candidata para mim algum tempo atrás.
— Não me diga!
Ela se preocupa tanto assim com a sua solidão?
— É. Minha mãe insistiu, mas eu não quis conhecer a moça.
— E quem era a moça?
— Não faço a mínima ideia – respondeu Telles.
E, agora que conheci você, não quero saber de mais ninguém.
— Olha lá. Esse é nosso quarto encontro.
Não acha cedo demais?
— O que posso fazer se eu a amo?
Esperar para quê?
Renata corou.
— Você me surpreende Telles.
Beijaram-se novamente.
Entraram no veículo, ele deu partida e o carro perdeu-se no meio da multidão de outros veículos que cortavam a avenida de acesso ao aeroporto.
****
Caio estava lendo um romance espírita envolvente, mal prestava atenção ao seu redor.
Juão tentava puxar conversa, mas Caio recusava-se a conversar.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 18, 2016 8:31 pm

Num dia, cansado de ser assediado pelo falso pai-de-santo, encarou-o com firmeza.
— Que tanto me azucrina?
Já não chega o mal que fez a tanta gente?
— Minha sensibilidade está em franco desequilíbrio.
Abusei de minha mediunidade, conduzi-a de maneira torpe.
Hoje sinto peso do mal que causei a muita gente.
— Ore meu amigo.
Peça perdão e recomece.
— Como?
— Ajude àqueles a quem você prejudicou.
Isso é um começo.
Um belo começo.
Juão estava sinceramente disposto a mudar.
Havia se comprometido com entidades de baixa vibração, abusara de seus poderes mediúnicos.
Entretanto, sua consciência lhe cobrava o acerto de contas com as pessoas que prejudicara.
Ele mal sabia como começar.
Ao que Caio respondeu:
— Comece fazendo o bem.
Eduque sua mediunidade para o bem, e, ao sair da cadeia, vá trabalhar num Centro Espírita.
Coloque-se à disposição de espíritos de luz, voltados à realização do bem.
Isso vai ajudá-lo a amenizar a culpa que corrói seu espírito.
— Pode ser – ponderou Juão.
— Peço a Deus que me ajude, todos os dias, mesmo pagando por um crime que não cometi.
— Sei do seu caso.
Você foi acusado do assassinato daquele empresário famoso.
— Pois é. Mas sou inocente.
Tive o azar de estar com o falecido justamente horas antes de ele ser assassinado.
— Sabe quem é o assassino?
— Desconfio.
— Algum conhecido?
— Por que quer saber? – perguntou Caio, desconfiado.
— Para ajudar.
Quem sabe, com minha mediunidade entrando na rota do bem, eu não possa ajudá-lo a localizar o assassino?
— Isso seria um milagre.
— Pois eu acredito neles.
Hoje tenho a consciência de que recebi um basta da vida.
Estou tendo a chance de mudar minhas crenças e atitudes.
Ainda posso me tornar uma pessoa de bem.
Caio condoeu-se com Juão.
O homem estava sendo sincero.
Mesmo perturbado por espíritos com os quais se comprometera Juão também recebia a visita de espíritos amigos, que conhecera em outras vidas.
Juão fora um feiticeiro poderoso no passado.
Nesta actual encarnação comprometeu-se a fazer o bem.
Levado pela cobiça e pelo dinheiro fácil, com seu poder natural de persuasão, e a sensibilidade bem desenvolvida, passou a fazer qualquer tipo de trabalho espiritual.
Tão logo foi preso, ele passou a reflectir bastante sobre suas acções.
Aos poucos, foi mudando seu jeito arrogante de ser.
Passou a ser mais humilde.
Ainda havia chance de Juão mudar, crescer e redireccionar sua vida de acordo com os anseios de sua alma.
— Eu vou ajudar você, Caio – tornou Juão, de maneira sincera.
— Como poderia?
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 18, 2016 8:31 pm

— Vou tirá-lo desta prisão.
— Que você e Deus me ajudem!
****
Luísa tomou coragem e reapareceu na delegacia.
Dessa vez, o encontro entre ela e Caio foi completamente diferente daquele triste primeiro encontro.
Ela aproximou-se e o chamou.
— Caio.
O rapaz abriu os olhos e mal conteve a emoção.
— Você! – exclamou, de maneira espontânea.
Pensei que nunca mais a veria.
Caio se levantou e aproximou-se das grades.
Luísa sentia o corpo tremer.
— Como está?
— Vou indo.
Ainda não apareceu nada que pudesse me ajudar a sair daqui.
— Você vai sair.
— Assim espero, entretanto, o tempo urge.
— Mafalda afirmou no Centro que você vai sair em breve.
Os espíritos estão trabalhando a seu favor.
— Eu acredito neles.
Refutei, mas tive de me render às verdades da vida.
Tenho lido tanto, que tudo agora para mim ficou mais claro, mais coerente.
— Para mim também.
As diferenças sociais, de cor, raça, sexo, tudo tem uma razão de ser quando analisamos pelo lado espiritual, quando abrimos à mente e ampliamos nossa lucidez em busca da verdade.
Eu mudei muito, Caio.
Depois de meu casamento, reflecti sobre o mal que me aconteceu e percebi o quanto estava longe de minha essência, da minha verdade.
— Eu também – considerou ele.
Não sei por que estou aqui encarcerado.
Minha mãe afirma que tem relação com o passado.
— Não importa, Caio.
Nesse tempo todo você amadureceu, cresceu, não ficou parado.
Pode ter tido essa sensação porque ficou aqui, privado do mundo.
Mas seu espírito cresceu.
Você é um campeão.
Ele sorriu. Ergueu os braços e suas mãos enlaçaram as de Luísa.
Ambos sentiram o coração bater descompassado.
— Eu prometo que vou sair daqui, recomeçar minha vida e, se você me quiser, farei de tudo para sermos uma família feliz.
Os olhos de Luísa humedeceram.
Havia tanto carinho nas palavras de Caio, que ela não pôde deixar de se emocionar.
— O que diz me enche a alma de contentamento.
Eu o amo muito.
Caio fechou os olhos e aproximou seu rosto da grade fria que os separava.
Forçou o rosto para frente.
Seus lábios e os de Luísa encontraram-se.
Beijaram-se longamente.
Após, ele tornou:
— Vamos ser muito felizes.
Eu prometo. Não vou decepcioná-la.
Dessa vez não vou ferir seus sentimentos.
— Por que diz isso?
Caio deu de ombros.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 18, 2016 8:32 pm

— Não sei. Talvez no passado eu a tenha feito sofrer.
Não quero que isso se repita.
Eu também a amo, com toda a minha força.
Luísa sentiu um brando calor invadir-lhe o peito.
Ela amava Caio, mais que tudo no mundo.
E se sentia amada, verdadeiramente amada.

“(Em 1985 foi criada a primeira delegacia da mulher).
Em 1990, foi criada também, pela Prefeitura de São Paulo, a Casa Eliane de Grammont, um centro especializado no atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica e sexual.
(N.A.)”
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 18, 2016 8:32 pm

CAPÍTULO 29

Maximiliano terminou de realizar mais uma exposição.
Foi a última. Estava decidido a parar com as exposições no Brasil.
Tencionava regressar em definitivo para Londres, que julgava ser seu verdadeiro lar.
Ele estava cansado do trabalho extenuante.
Queria passar o resto do tempo estudando os fenómenos mediúnicos, a espiritualidade como um todo.
Londres seria sua casa, mas ele rodaria o mundo atrás de relatos, provas, declarações que comprovassem a reencarnação.
Esse era seu compromisso.
E Max estava muito feliz em poder retornar e reencontrar seu velho e querido amigo Bryan Scott.
Ele, Renata e Telles estavam almoçando em um restaurante pequeno e charmoso, na região dos Jardins.
Após os pedidos, brindaram à sua partida.
— Eu não queria que nos deixasse – protestou Renata.
— Eu não pertenço a este lugar – redarguiu Max.
Cansei da minha vida neste país.
Adoro o Brasil, mas a Inglaterra é o meu lar.
O que fazer? Eu sinto isso.
— Deve ser porque viveu lá muitas vidas – tornou Telles.
— Acredito que sim.
O Dr. Bryan Scott uma vez me disse que minha última encarnação foi em Londres.
— Ele revelou outros detalhes? – interessou-se Renata.
— Sim. Disse-me que você era minha sobrinha e que vivemos muito bem.
— Fui sua sobrinha? Mesmo?
— Sim. E casou-se com um implacável investigador de policia.
Seus olhos se dirigiram a Telles e Max riu malicioso.
– Pelo jeito, você reencarnou em outro país, mas com profissão semelhante.
Telles sorriu contente.
— Eu amo minha profissão.
— E não a deixaria para trabalhar na Cia. De Perfumes?
— Nunca! Negócios são com minha futura esposa.
Eu trato de investigar os crimes.
Um casal adorável, não acha?
Eles riram à beça.
— Eu sempre fui muito grato ao Telles – tornou Max.
Se não fosse você naquela noite, próximo àquela boate, eu seria roubado e morto por aquele garoto.
— Que história é essa? – inquiriu Renata.
— Certa vez, acompanhando um amigo meu em uma ronda nocturna, percebemos uma discussão acalorada entre dois rapazes.
Um deles era Max, acuado.
O outro sacou um canivete do bolso e só me lembro de quase jogar a viatura sobre o menino.
— Naquele dia você salvou a minha vida – disse Max, bastante emocionado.
— Foi aí que ficamos amigos.
— Por conta desse incidente, eu parei para reflectir e ver o rumo que minha vida estava levando.
Eu só queria dançar beber e sair da boate com qualquer um, só para me satisfazer sexualmente.
Depois dessa história em que Telles fora meu anjo guardião, larguei essa vida e debrucei-me nos estudos espirituais.
Como vê – Max deu uma piscada para Renata –, seu namorado é o responsável por eu estar metido até a cabeça com o mundo dos espíritos.
E vivo ainda por cima!
— Ainda bem que por uma boa causa – devolveu ela.
— Sim.
Max levantou-se e abraçou Telles.
— Você me salvou de novo da enrascada com o Guido.
— Se eu o conhecesse pessoalmente, eu já estaria no seu encalço – suspirou Telles, triste.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 18, 2016 8:32 pm

Max aproveitou e mudou o rumo do assunto.
Voltou a sua cadeira e, ao ajeitar o corpo, perguntou a Renata:
— Como anda a fábrica?
Ela suspirou.
— Trabalho é o que não falta.
Tem muita coisa para fazer.
Infelizmente, o Gregório não cuidava da empresa com a responsabilidade de um bom administrador.
Deixou-a nas mãos de pessoas incompetentes e por um triz a empresa não foi definitivamente para o buraco.
Estou trabalhando duro.
Estou lá há apenas alguns meses e ainda há muito, muito trabalho.
— Vai relançar os perfumes?
— Tiramos alguns do mercado, por ora – respondeu Renata.
Vamos reformular as campanhas.
Usar novos rostos.
Pretendo revolucionar o mercado.
— Torço para que você tenha muito sucesso – tornou Max, com sinceridade.
— Outro dia, um antigo modelo da Cia. De Perfumes foi me procurar.
— Quem, Renata? – indagou Max, curioso.
— Lembra-se do Marco António?
— Marco António – Max repetiu e coçou o queixo –, não era um rapaz loiro, muito bonito, de cabelos jogados para trás?
— Esse mesmo.
Fazia a campanha do perfume Nero, anos atrás.
— Lembro-me dele sim, de algumas festas.
Mas me parece que ele se acidentou e sumiu.
— Sofreu queimaduras pelo corpo todo.
Uma judiação – ajuntou Telles.
— Como sabe? – inquiriu Renata.
— Eu o conheço, mora no mesmo prédio que eu.
Ele realizou um churrasco para os amigos, a fim de comemorar a nova campanha do perfume que iria fazer e, num descuido, em vez de jogar água sobre a chapa, pegou o frasco errado e jogou álcool.
Max e Renata fizeram um esgar de incredulidade.
— Ele perdeu o contrato e ficou sem trabalho.
Continua lá no prédio, vive dando aulas de inglês, está com o condomínio atrasado...
— Ele foi me procurar na Cia. De Perfumes – tornou Renata.
Fiquei triste com seu estado, mas seu rosto está intacto.
Marco António continua bonito.
— Por que não o contrata para fazer alguma campanha?
— É o que pretendo fazer.
Vou chamá-lo para trabalhar connosco.
— Brilhante ideia – ponderou Max.
Esse rapaz, agora me lembro bem, é muito bonito, uma simpatia de pessoa.
Você está sendo justa ao contratá-lo.
Tenho certeza de que Gregório lhe virou as costas.
— Foi o que aconteceu.
Ele pediu ajuda e lhe foi negada.
Mas agora vai ser tudo diferente.
Marco António será um dos modelos escolhidos para o relançamento dos perfumes masculinos.
— Um dos modelos?
Você pretende contratar outros homens bonitos?
— Sim.
— Assim eu fico com ciúmes – Telles fez beicinho.
Renata o beijou delicadamente nos lábios.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 18, 2016 8:32 pm

— Fique tranquilo, meu amor.
Você me fisgou desde o primeiro olhar.
Só tenho olhos para você e mais ninguém.
— Quisera eu ser amado assim – suspirou Max.
— Nunca se sabe...
— Quem sabe – ajuntou Telles – o seu príncipe encantado não esteja lá em Londres?
— Pode ser, pode ser – respondeu Max, de maneira jovial.
O semblante de Renata ficou mais sério.
Ela fitou o nada e declarou:
— O Caio vai trabalhar comigo.
Vai fazer muitas campanhas.
Vai ser famoso. E vai ser feliz.
— Como tem tanta certeza disso? – perguntou Telles.
— Eu sinto.
Caio vai se safar dessa e vai ser muito feliz.
— Gostaria de vê-lo – solicitou Max.
— Podemos ir amanha.
O que acha? – perguntou Renata.
— Perfeito. Quero conversar com esse menino.
Tenho algumas considerações a lhe fazer sobre a vida espiritual.
— O que é?
— Recebi uma carta do Dr. Bryan Scott dois dias atrás.
Ele me relatou um caso espantoso.
— O que é Max? – inquiriu Renata.
— Estou curioso – completou Telles.
Max relatou o caso descrito por Bryan Scott.
Ambos ficaram estupefactos com a história.
— Você precisa contar ao Caio – replicou Renata.
— É fascinante – finalizou Telles.
— Sim. Vou contar a ele.
Os espíritos querem que Caio aprofunde-se cada vez mais nos estudos do mundo espiritual.
Aí estará a sua salvação.
Um dia depois, Renata, Max e Telles foram à delegacia.
Luísa tinha prova na faculdade e não pôde comparecer.
Iria visitar seu amado no dia seguinte.
Eles aproximaram-se de Caio.
O rapaz os cumprimentou e Renata os apresentou.
— Esse aqui é o nosso amigo Maximiliano.
Pode chamá-lo de Max.
Caio estendeu a mão pela grade.
Max o cumprimentou.
— Nós nos conhecemos rapidamente, há muito tempo, na porta da pensão.
Dei carona à sua mãe.
— Eu me lembro.
Entretanto, mal nos falamos.
Eu queria muito conhecê-lo.
— É mesmo?
— Sim. Morei em sua casa, na época do Guido, faz um bom tempo.
Max meneou a cabeça para cima e para baixo.
— Eu me recordo.
Falamo-nos umas duas vezes por telefone.
Vocês deixaram uma energia pesada naquela casa – disse Max, entre sorrisos.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 18, 2016 8:32 pm

— Perdoe-me, Max.
Eu não entendia nada do mundo espiritual nem mesmo queria acreditar que ele existia.
Entretanto, o tempo aqui na prisão tem me mostrado que eu estava enganado.
— O conhecimento em geral nos abre muitas portas.
O conhecimento espiritual, por conseguinte, nos abre as portas do desconhecido, ajudando-nos a compreender melhor o mundo em que vivemos e a nós mesmos.
— Tem razão – ponderou Caio.
Mudei muito nesse tempo todo.
Tenho lido bastante e até arrumei um companheiro que discute comigo temas espirituais.
— Quem é?
Caio apontou para Juão, que estava na outra cela, e baixou o tom de voz.
— Ele está dormindo agora.
Teve uma noite de pesadelos.
Às vezes Juão é assediado por uma leva de espíritos que vem lhe cobrar satisfações.
Tem a ver com seu passado, com sua consciência pesada.
— Espero que ele possa se livrar desses ataques – afirmou Telles.
— E vai – disse Caio.
O Juão prometeu que vai me ajudar a sair daqui.
— Tomara – retrucou Renata.
Preciso de você para trabalharmos bastante.
— Trabalhar?
— Sim. Pensa que vai sair da cadeia e não fazer nada?
Não senhor.
Vai trabalhar comigo.
— Eu não sei fazer nada – disse Caio, em tom humilde.
— Tem um rosto bonito.
Está maltratado pelo tipo de vida que leva, mas com o tempo a beleza ressurgirá.
Você vai ser um dos modelos da Cia. De Perfumes.
Os olhos de Caio brilharam emocionados.
— Jura?
— Sim. Não é o seu sonho?
— É.
— Não veio a São Paulo para ser modelo?
— Sem dúvida.
— Então aproveite seus dias de férias.
Quando sair da cadeia, você vai trabalhar bastante.
Caio não cabia em si tamanho era seu contentamento.
— Obrigado por tudo, Renata.
Não tenho palavras para lhe agradecer.
— Não tem de agradecer.
Tem de fazer os homens comprarem meus perfumes.
Só isso.
Caíram numa risada gostosa.
Foi então que Max aproximou-se e contou a Caio sobre a carta que recebera de Bryan Scott.
— A reencarnação, meu amigo Caio, é um assunto cheio de controvérsias.
— Sei. Tenho lido a respeito.
— Neste ano, lá na Inglaterra, foi revelado um dos casos mais convincentes da história.
— É mesmo?
— Sim.
— Gostaria de me contar?
Max assentiu com a cabeça.
— Vim justamente para lhe contar essa fascinante história.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 18, 2016 8:33 pm

— Sou todo ouvidos – afirmou Caio.
Max apoiou-se nas grades e iniciou seu relato.
— O Dr. Joe Keeton já havia conduzido várias regressões por meio da hipnose quando conheceu o jornalista Ray Bryant.
O Evening Post, periódico em que o jornalista trabalhava, encomendara-lhe a uma série de artigos ligados à paranormalidade.
Em um desses artigos, Ray pretendia enfocar as evidências de reencarnação.
E, a fim de dar à matéria um enfoque pessoal, o jornalista propôs ao Dr. Keeton que o hipnotizasse.
Embora Bryant jamais tivesse sido hipnotizado, acreditou na seriedade com que Keeton conduzia seu trabalho.
Caio mostrou-se veementemente interessado.
Maximiliano continuou:
— Sob efeito hipnótico, o jornalista Ray Bryant lembrou-se de algumas vidas passadas.
A mais marcante, durante as sessões de hipnose, foi quando o jornalista havia vivido como um soldado, de nome Reuben Stafford, que lutou na Guerra da Criméia e, ao retornar à Inglaterra, passou os últimos anos da vida trabalhando como barqueiro no Tamisa.
De acordo com as lembranças de Bryant durante a regressão, ele reencarnou em 1822, quando nasceu em Brighthelmston, e desencarnou em 1879, quando morreu afogado em um acidente em Londres.
Nessa vida anterior, o jornalista londrino adquiriu um acentuado sotaque da região de Lancashire, detalhe que reflectia o facto de que Stafford passara grande parte de sua vida no norte da Inglaterra.
A regressão do jornalista, em si, não constituía prova de nada, e, após testemunharem a manifestação do soldado vitoriano, dois membros da equipe de Keeton, Andrew e Margaret Selby, foram buscar evidências da existência real daquele homem.
Max suspirou e deu prosseguimento.
— Em Londres, na biblioteca Guildhall, o casal teve acesso, por coincidência, digamos assim, a uma lista com nomes de vítimas da Guerra da Criméia.
Dela constava o sargento Reuben Stafford, que servia no 47º Regimento de Infantaria de Lancashire, e fora ferido na mão, na Batalha dos Quarries.
Na sessão de hipnose seguinte, essas informações foram ditas por Ray Bryant.
A data, o local, e o nome da batalha foram recordados por “Stafford”, assim como outros factos da sua carreira militar.
Todos absolutamente correctos.
— Isso é formidável – replicou Caio.
— Tem mais – finalizou Max.
Todavia, a pesquisa do casal Selby não parou.
Trabalhando alguns dias nos registos do cartório, descobriram a certidão de óbito do soldado Stafford, e puderam verificar que o militar morrera por afogamento, tendo sido enterrado em East Ham, como o jornalista revelara na primeira sessão de regressão.
E, de mais a mais, os dados biográficos do soldado morto não eram publicamente conhecidos.
— Estou estupefacto – concluiu Caio.
E esse caso foi revelado agora?
— Sim – tornou Max. – Faz duas semanas.
O Dr. Bryan Scott me escreveu tão logo o artigo foi publicado.
Por essa razão, quero voltar o mais rápido possível para Londres e debruçar-me cada vez mais sobre as evidências da reencarnação.
Não há mais como duvidar.
— Estou fascinado.
Tenho aprendido muito com os livros que mamãe me trouxe.
— O Max queria vir até aqui e contar esse caso pessoalmente a você – redarguiu Telles.
— Obrigado – tornou o rapaz.
Vocês fizeram meu dia.
Ouvir essa explanação que prova a reencarnação e ainda ser convidado para ser modelo!
Só falta a minha Luísa aqui para eu explodir de felicidade.
— Luísa está estudando bastante – ajuntou Renata.
Ela encontrou-se no Direito.
— E me encontrou – rebateu Caio.
O que mais ela quer?
Os três riram à beça.
Continuaram entabulando conversação por mais alguns minutos e, algum tempo depois, Renata, Max e Telles despediram-se de Caio.
O rapaz deitou-se em sua cama e a expressão em seu rosto era puro contentamento.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 18, 2016 8:33 pm

Próximo dele, os espíritos de Norma e Carlota mantinham conversação.
— Estou tão feliz! – exclamou Norma.
Fiquei afastada algum tempo, dando assistência ao Gregório, quer dizer, Lucy, e nem vi o tempo passar.
Parece que caminhamos para um desfecho feliz para todos.
— Sim – tornou Carlota.
Logo Caio será solto e poderá recomeçar sua vida ao lado de Luísa.
— E Henry?
Eu não mais o vi – perguntou Norma.
— Ele está fazendo um curso preparatório próprio para aqueles que vão reencarnar.
Henry anseia muito por uma vida feliz ao lado de Luísa e Caio.
— Ele fora privado do convívio do pai no passado.
Não vai estranhar o convívio com Caio?
— De forma alguma.
Caio em outra vida os abandonou, mas agora sua consciência o chama para a responsabilidade do matrimónio e da paternidade.
No fundo, ele anseia por ser bom marido e bom pai.
Henry o perdoou de coração e vai nascer num lar muito feliz.
— Pelo menos alguns nós do passado foram desatados.
— Sim, Norma.
E por falar em nós – Carlota adquiriu um olhar sério –, onde está Loreta?
Ela não queria ver o Caio?
— Loreta virá em outra oportunidade.
Está ao lado de Lucy.
Elas estão se entendendo.
— Mãe e filho nesta vida, irmãs no passado.
Como a vida é mágica, proporcionando-nos oportunidades diversas de reencontros e ajustes!
— Nem me fale Carlota.
Sinto-me gratificada em poder ajudar a todos.
Afinal, fazemos parte de uma grande família.
Carlota assentiu com a cabeça.
Em seguida, beijaram a fronte de Caio e dirigiram-se para a cela ao lado.
— Vamos assoprar em Juão a evidência? – perguntou Norma, em tom de malícia.
Carlota deu uma piscadela.
— Creio que está na hora.
O espírito de Caio amadureceu e ele se libertou das culpas do passado.
Não precisa mais passar por essa experiência.
Chegou o momento de lhe ajudar.
— E também ao Juão.
— Por certo, Juão falhou muito nesta vida, mas encontra-se sinceramente arrependido.
Ele merece uma nova chance.
Quem sabe, ligado ao nosso grupo, ele não venha a desenvolver um bonito trabalho espiritual na Terra?
— Tem razão, Carlota, todos merecemos uma nova chance.
As duas aproximaram-se de Juão.
Ele estava adormecido.
Carlota pousou a mão em sua fronte.
Uma luz cristalina irradiou de sua mão e entrou na mente do rapaz.
Em seguida, Norma abaixou-se na altura da nuca dele e assoprou.
Juão remexeu-se na cama, seu corpo estremeceu por instantes e ele voltou a dormir.
— Terminamos nossa parte – tornou Norma.
— Que Deus abençoe a todos – finalizou Carlota.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 19, 2016 8:15 pm

CAPÍTULO 30

Renata chegou cedo ao Centro Espírita naquela noite.
O trabalho na Cia. De Perfumes ia de vento em popa, era pesado, mas ela começava a colher os resultados de sua dedicação extremada.
Ela conseguiu renegociar as dívidas com os fornecedores, pagou os salários atrasados dos funcionários e a campanha do novo perfume Adónis, estrelada por Marco António, fez tremendo sucesso.
O dinheiro entrava aos montes no caixa da empresa e Renata sentia-se realizada.
Era o que desejava.
Ter seu próprio negócio.
Aliás, um negócio bem rentável.
Ela estava intrigada com algo que acontecera no finalzinho da tarde.
Não era costume, não obstante, naquela tarde em particular, Renata decidiu largar o batente mais cedo.
Deixou algumas recomendações a Meire, que agora era sua secretária.
— Pode ir mais cedo.
O dia foi puxado e nós merecemos um descanso maior.
— Obrigada, Renata – agradeceu Meire, sincera.
Entretanto, tenho me sentido feliz em ver a empresa voltar a crescer.
Tenho orgulho de fazer parte do quadro de funcionários da Cia. De Perfumes.
— Vocês fazem por merecer.
Tenho excelentes funcionários.
Sem vocês, eu não conseguiria tamanho sucesso.
— Obrigada.
— Por esse motivo, hoje você pode ir para a casa mais cedo para descansar.
— Eu vou ficar mais um pouco.
— Por quê?
Meire riu.
— Marco António está assinando um contrato lá no departamento de recursos humanos.
Ele vai me levar para casa.
Renata balançou a cabeça para cima e para baixo.
— Entendo.
Meire ruborizou.
— Assim que ele sair, vamos embora.
— Está namorando o Marco António?
— Estamos saindo.
— Torço por vocês.
Marco António é um bom moço e, cá entre nós, muito bonito.
Veja como o rosto dele vende meu perfume!
— Ele é lindo, sim, Renata.
Mas é cavalheiro, sensível.
O homem dos meus sonhos.
— Vocês formam um lindo casal.
Você também é muito bonita, Meire.
— Obrigada.
— Que sejam felizes.
Vibrarei por vocês.
Meire sorriu e, ao chegar na porta da sala de Renata, virou o corpo e perguntou:
— Vou passar o tempo e quero jogar alguns papéis fora.
Tem muita coisa do seu Gregório na minha sala.
— O quê, por exemplo?
— Contas, correspondências que fui guardando após sua morte.
Há um monte lá nas minhas gavetas – ela fez um sinal com as mãos.
Posso me livrar delas?
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 19, 2016 8:15 pm

— Pode sim.
Afinal, faz mais de um ano que Gregório morreu.
Genaro vendeu-me a companhia e, quando vendeu a mansão do Morumbi, mandou para cá todas as correspondências de Gregório.
Creio que podem ir para o lixo.
— E – ajuntou Meire – quando a casa foi vendida, o Genaro mandou todas as contas para cá também.
Tem muito papel para jogar fora.
Renata sentiu um aperto no peito, parecia que sua intuição queria lhe dizer algo.
— Façamos o seguinte.
Separe as correspondências de Gregório, as contas e tudo o mais que estiver no nome dele, coloque-as numa caixa e deixe aqui na minha sala.
Faria essa gentileza?
— Não quer que eu jogue fora?
Vieram muitas contas antigas lá da casa do seu Gregório.
É muita papelada sem valor.
— Algo me diz que não devemos, ainda, jogá-las fora.
Deixe-as aqui na minha mesa.
— Está certo. Boa noite.
— Boa noite, Meire.
Até amanhã.
Mafalda deu-lhe um cutucão de leve.
— Está aqui ou em outro mundo?
— Olá Mafalda.
Por que já chegou?
— Os espíritos me avisaram que você viria mais cedo.
Pediram para que façamos uma corrente de orações para o Caio.
Renata preocupou-se.
— Algo ruim?
— Não creio.
Vamos atender às recomendações do Alto.
Elas continuaram a conversar.
Em seguida, Zulmira apareceu na recepção.
Após o tratamento espiritual, ela passou a frequentar a casa espírita amiúde.
Cumprimentou-as com beijinhos na face.
Mafalda pediu licença, dizendo:
— Conto com você, Renata, para a corrente de orações no término dos trabalhos.
Se quiser – convidou Zulmira – poderá participar também.
— Adoraria.
— Espero-as logo depois das dez horas.
Mafalda afastou-se, e Zulmira ajuntou:
— Adoro sentir-me útil.
Hoje vamos orar por alguém em especial?
— Sim. Um amigo nosso precisa de nossas vibrações positivas.
Será um prazer ter você connosco.
— Gosto muito de você, Renata – disse ela, de maneira bem espontânea.
— Eu também prezo muito a sua amizade, Zulmira.
Simpatizei com você desde aquele distante dia, aqui na recepção.
— Eu também a achei muito simpática.
Algo me dizia que eu a conhecia.
Mas de onde?
Renata sorriu.
— Talvez de outras vidas.
— Será?
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 19, 2016 8:16 pm

— Como diz Mafalda, os encarnados nunca se encontram por acaso.
— Creio que – Zulmira suspirou – se você conhecesse meu filho, tenho certeza de que se dariam muito bem.
Entretanto – disse ela de maneira triste –, ele está apaixonado, morre de amores por uma moça.
— E isso não é bom? – perguntou Renata.
O amor não é espontâneo, não vem de graça.
Amor é potencial que se desenvolve, que se educa.
Seu filho merece ser feliz.
Não é o que almeja?
— Sem dúvida! – exclamou Zulmira.
Bom, ele vai levá-la para jantar na minha casa qualquer dias desses.
Sempre que marcamos, alguma coisa dá errado.
Ou eu não posso, ou ela não pode, ou até mesmo meu filho não pode.
— Na hora certa você vai conhecê-la e tenho certeza de que vai adorá-la.
— Será?
— Confie, Zulmira.
Se seu filho é tão bom como você diz, então a moça também deve ter lá seu charme, sua simpatia.
Não se esqueça de que nos unimos por afinidades.
— Assim espero.
Por falar nisso – ela baixou o tom de voz –, meu filho vem conhecer o Centro hoje.
Eu falo tão bem daqui, que ele está curioso para saber onde sua mãe se meteu.
Elas riram, Renata perguntou:
— Ele é médium, não é?
Lembro-me de você ter me falado que ele escutava os espíritos.
— É. Você se lembra mesmo!
Na profissão dele...
Zulmira começou a contar sobre a profissão do filho, todavia Renata não lhe deu ouvidos.
Enquanto prestava atenção ao relato de Zulmira, ela ficou estática, dura, ao ver aquele homem barbudo entrar no Centro Espírita.
Seu coração bateu descompassado e Renata sentiu a boca secar, tamanha era sua emoção.
Zulmira percebeu o estado apopléctico da moça e acompanhou os seus olhos.
Ela abriu largo sorriso e estendeu os braços.
— Filho! Que bom que chegou.
Telles deu um abraço bem apertado na mãe, enquanto seus olhos não desgrudavam dos de Renata.
Zulmira desprendeu-se dele e apresentou:
— Essa é a moça de que lhe falo tanto.
— Renata?
— Sim.
— Você queria me apresentar a Renata, mãe?
— É! Como sabe o nome dela?
Zulmira não disse mais nada.
Notou o olhar apaixonado de ambos.
Telles beijou delicadamente os lábios de Renata e, antes que sua mãe pudesse articular som, ele contrapôs:
— Mãe, esta é a moça que eu tanto quero lhe apresentar.
— Como assim? – inquiriu Zulmira, sem entender.
— A Renata é a moça por quem estou perdidamente apaixonado.
Zulmira não conteve a emoção.
As lágrimas escorriam pelo seu rosto.
Ela abraçou-se a Renata.
— Você não sabe como estou feliz hoje.
Sempre roguei a Deus que pudesse intervir e aproximar você do meu filho.
Eu sentia que vocês iam se dar bem.
Nasceram um para o outro.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 19, 2016 8:16 pm

— Você tem razão – tornou Renata, profundamente emocionada.
Nascemos um para o outro.
Os três fecharam-se num abraço caloroso.
Após baixar o calor da emoção, conversaram animados, sobre as coincidências da vida.
Se é que aquilo era coincidência.
***
Caio acordou com o grito desesperado de Juão.
— Eu sei! Eu sei!
Dois outros presos gritaram impropérios para Juão.
Ele nem ligou.
Chamou Caio, insistentemente.
— Ouça-me.
É importante. Eu descobri!
Caio levantou-se de maneira irritada.
— Cale a boca, Juão.
Não vê que é tarde?
— Por favor – ele fazia movimentos frenéticos com as mãos –, escute-me.
É importante.
— O que foi dessa vez?
— Eu descobri a prova que vai inocentá-lo.
Caio não entendeu de pronto.
— O que foi que disse?
— Descobri a evidência que vai livrá-lo das grades.
— Deixe de besteiras, homem.
Volte a dormir.
— Caio, por favor, escute-me.
Eu orei muito nesses dias e comecei, sinceramente, a me perdoar e a pedir perdão aos meus desafectos, tanto encarnados quanto desencarnados.
Eu jurei que se pudesse ajudar você de alguma maneira, que minha mediunidade servisse de veículo para tal.
Eu quero fazer o bem, somente o bem.
E jurei que, se eu pudesse ajudá-lo para valer, eu iria me redimir e usar minha mediunidade para ajudar outras pessoas.
Só para fazer o bem. É verdade.
Juao falava de maneira comovente.
As lágrimas escorriam pela fronte e sua voz era entrecortada por soluços.
Caio sentiu que ele falava a verdade.
Ele aproximou-se das grades.
— O que tem a me dizer?
— Sonhei que estava na casa do empresário assassinado.
— Gregório?
— Esse mesmo.
Eu estava na casa dele e de repente eu vi um papel.
Aproximei—me e, chegando bem perto, era como se eu estivesse acordado.
Foi muito nítido.
— O que você viu?
— Uma conta.
— Uma conta, Juão?
— É. Uma conta de telefone.
Nela está a prova de que você não matou o empresário.
Caio não conseguia articular as palavras nem mesmo concatenar os pensamentos.
Juão prosseguiu:
— Eu peguei a conta nas mãos e li no canto superior: fevereiro de 1983.
Você deve mandar procurar essa conta de telefone, desse mês especifico.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 19, 2016 8:16 pm

Nela vai estar à evidência que faltava.
Caio sentiu que seu coração ia explodir.
Ele mordeu os lábios, mas não conseguiu conter o pranto.
Precisava falar com Telles, com Dr. Lopes, com Luísa...
Ele mal cabia em si tamanho era seu contentamento.
— Prometo – ele disse a Juão – que se isso for verdade e eu for solto, farei de tudo para tirá-lo da cadeia.
— E vou trabalhar num Centro Espírita.
Usarei minha mediunidade em benefício das pessoas.
Serei um homem de bem. Eu juro.
Depois de hoje, eu não tenho mais dúvidas de que o Alto está me ajudando.
Os espíritos de luz voltaram a ficar do meu lado – exultava Juao, profundamente emocionado.
Aquela noite foi difícil para Caio conciliar o sono.
Ele bem que tentou, mas a ansiedade não lhe permitia fechar os olhos.
Não obstante, a corrente de orações vindas do Centro Espírita e endereçadas a ele surtiram efeito.
Caio sentiu-se bem, como há muito tempo não se sentia.
Num dado momento, suas pálpebras cerraram e ele dormiu um sono profundo e reconfortante.
Na manhã seguinte, após ouvirem o relato emocionado de Juão, Telles e Dr. Lopes correram até a Cia. De Perfumes.
Relataram o sonho do médium a Renata.
— É impressionante – disse ela.
Com tanta riqueza de detalhes?
— Sim – afirmou Telles.
E Juão declarou que a conta está por aqui, nos pertences de Gregório.
Renata levou a mão ao peito.
— O que foi? – inquiriu o advogado.
— Meire ontem me falou que ia fazer uma limpeza e jogar fora as contas e correspondências de Gregório.
Telles sentiu o sangue gelar.
— Você não...
Renata tranquilizou o namorado, encostando o indicador na boca dele.
— Chi! Calma.
Eu tive um pressentimento de que deveria guardar essas correspondências.
Segui minha intuição.
— Graças a Deus! – ponderou Telles.
— Elas estão naquela caixa – apontou.
Telles e Lopes vasculharam os documentos, as correspondências, as contas.
Acharam à conta de telefone que Juão garantiu ver no sonho.
Lopes checou e, para seu espanto, verificou:
— Olhe só isso! – apontou.
Telles espremeu os olhos e não podia acreditar no que via.
— Uma chamada à distância para Vassouras?
Na madrugada do crime?
Às quatro e meia da manhã?
— É. Como não atentamos a esse detalhe?
Por que deixamos de verificar as contas telefónicas?
— Agora não vem ao caso, Dr. Telles.
Vamos rastrear essa ligação.
E assim foi feito.
A polícia entrou em contacto com a companhia telefónica e descobriu-se que na madrugada que Gregório fora assassinado, de sua casa fizeram uma ligação para Vassouras, no Rio de Janeiro.
Com posse do número discado, chegaram à casa de um humilde caseiro de um sítio.
Finalmente, descobriram o paradeiro de Guido.
Ele estava morando com os pais, na casinha anexa ao sítio.
Mas Guido não pôde ir a julgamento.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 19, 2016 8:16 pm

E nem teria condições de esperar pela sentença condenatória.
Era como se seu corpo, combalido e doente, estivesse esperando por aquele momento, a fim de se redimir e desencarnar com a consciência menos pesada.
Os investigadores de polícia tomaram seu depoimento.
Ele confessou ter assassinado Gregório.
Um dos investigadores, vendo o estado precário em que Guido se encontrava, perguntou ao pai:
— O que ele tem?
— Doença ruim.
Parece que ele pegou esse câncer que está matando os homossexuais – falou, num tom envergonhado e triste.
Guido desencarnou três dias depois de assinar seu depoimento.
Pressentindo que a morte o levaria naquela noite, solicitou ao pai que entregasse uma carta a Caio.
*****
A imprensa não se interessou pela prova que inocentava Caio.
Como o culpado do assassinato de Gregório havia morrido e o crime já começava a desaparecer da mente social, nenhum alarde foi feito no dia em que o juiz expediu o alvará de soltura.
Luísa, Rosalina e José chegaram cedo ao distrito policial.
Em seguida, chegaram Telles, Renata e Max.
Até Celinha estava presente.
Todos estavam ali para abraçá-lo, beijá-lo e ajudá-lo a reintegrar-se à sociedade, depois de um longo período preso.
As lágrimas banhavam a face de Caio.
Ele não tinha palavras para expressar a sua gratidão.
Todos aqueles à sua volta prezavam pelo seu bem-estar.
Caio nunca se sentiu tão amado em toda sua vida.
Luísa entregou-lhe a carta de Guido.
Caio abriu o envelope e tirou o papel amarelado pelo tempo.
As letras continham vários garranchos, mas ele conseguiu entender.

Prezado Caio,
Não sei quando esta carta vai chegar em suas mãos.
Mas tenha a certeza de que, quando você estiver lendo essas linhas, eu não estarei mais entre o mundo dos vivos...
Eu o conhecia muito antes de nos encontrarmos no ponto de ónibus, afinal, tudo não passou de uma armação do Gregório.
Ele descobriu que Loreta, sua mãe, tinha-o como amante e sentiu-se ultrajado, porém fixou na mente que se ela podia ter um rapaz lindo em sua cama, ele também podia.
Eu tentei demovê-lo da ideia, mas Gregório me deu um bom dinheiro para ir a Bauru e vigiar seus passos.
Ele arquitectou tudo.
Loreta não morreu de ataque cardíaco, foi assassinada, por Gregório.
Isilda colocou um pó na taça de champanhe de Loreta, pó esse fornecido por Gregório, na noite do crime.
A mãe estava morta e assim comecei a persegui-lo.
Eu fiquei na espreita e vi quando você saiu da casa de Loreta, aturdido.
Sabia que você ia fugir como Gregório previu.
Eu o segui na viagem de ónibus.
Você nem notou minha presença.
Em São Paulo, eu fui um dos últimos a sair do ónibus.
Fui atrás de você e, num dado momento, fingi estar na fila do ponto e apresentei-me como amigo.
Mas eu estava fazendo tudo o que Gregório queria.
A ideia dele era tê-lo a todo custo.
Por esse motivo quis atrai-lo para a Cia. De Perfumes.
E, para atormentá-lo, ele escrevia aquelas cartas em que dizia ser você o autor da morte de Loreta.
Foi uma espécie de vingança, não sei ao certo.
Quando Max me deixou, eu procurei Gregório e o extorqui.
Arranquei bastante dinheiro dele, porque, se ele não me desse o que eu queria, eu contaria tudo sobre a morte de Loreta.
Na noite em que você esteve para lhe devolver o dinheiro, eu estava no quarto.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 19, 2016 8:17 pm

Eu precisava de mais dinheiro e estava me deitando com Gregório.
Assim que você saiu, ele subiu para o quarto, aos prantos, dizendo que o amava e que você não podia ser de ninguém.
Eu afirmei que ele era doente e que estava bêbado.
Gregório pegou um papel e começou a escrever seu nome.
Eu arranquei o papel da mão dele.
A nossa discussão durou até umas quatro da manhã.
Eu exigi que ele me desse a combinação do cofre.
Gregório me esbofeteou.
Fiquei fora de mim.
Corri ao banheiro, olhei-me no espelho e ao ver a marca de seus dedos no meu rosto, fiquei possesso.
Peguei um par de luvas plásticas na gaveta sob a pia, porque tencionava esganá-lo.
Mas aí eu vi uma tesoura e não pensei duas vezes.
Saí do banheiro e mudei o tom de voz.
Implorei para que Gregório se deitasse na cama.
Ele me dizia ser Lucy.
Falava que você era dele e deitou-se de costas.
Aproveitei aquele momento, amarrei seus braços, peguei a tesoura e...
O resto você já sabe.
Não preciso dizer como o matei.
Após meu ataque de fúria, eu concatenei os pensamentos, mas já era tarde.
Gregório estava morto e eu me apavorei.
Pensei em meu pai e liguei para Vassouras.
Meu pai ainda brigou comigo porque era madrugada e ordenou que eu ligasse pela manhã.
Eu estava atordoado, perturbado.
Ainda sob o efeito do álcool e da maconha, eu meti as luvas no bolso da jaqueta, peguei o dinheiro que você deixou sobre a mesinha no jardim de inverno e, propositadamente, deixei sobre ela o papel em que Gregório escrevera seu nome.
Fui até o cofre e não consegui abri-lo.
Eu estava muito nervoso.
Os cães me conheciam e só latiram.
Não me morderam.
Eu escalei o portão, ganhei a rua e tomei um táxi em direcção à rodoviária.
Comprei uma passagem para o Rio de Janeiro.
Quando desci na rodoviária, comprei o bilhete para Vassouras.
Eu me arrependi e decidi procurar a polícia.
Entretanto, comecei a ter diarreia constante e febre.
Encharcava os lençóis.
Descobri estar com AIDS.
A doença evoluiu de maneira rápida e, envergonhado e doente, não tive coragem de me entregar a policia.
Eu orei muito para que, de alguma forma, você pudesse não ir a julgamento.
Deus me ouviu.
Provavelmente agora, você está livre.
Estou com medo.
Sinto que vou morrer e nunca pensei que um dia isso fosse acontecer.
Pelo menos não tão cedo.
Eu não enfrentei um tribunal, mas vou enfrentar o de minha consciência.
Que Deus o abençoe.
Guido.


Caio terminou de ler e enxugou os olhos com as costas das mãos.
Ele abraçou-se a Luísa e chorou, chorou muito.
Não adiantava sentir raiva de Guido.
Ele estava colhendo o que havia plantado.
E, o mais importante era que ele estava livre.
Estava solto.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 19, 2016 8:18 pm

EPÍLOGO

Os dias que se seguiram foram de imensa felicidade para Caio.
Ele mudou-se para o apartamento de Luísa.
Marcaram a data do casamento para dali três meses.
Telles e Renata animaram-se e marcaram a data de seu enlace para logo mais.
Maximiliano ficaria até o casamento de Telles e Renata, e no dia imediato partiria para Londres.
Não tencionava mais regressar ao Brasil.
Isilda foi localizada e presa, mas não pôde também ir a julgamento.
Estava louca, atormentada por espíritos zombeteiros com os quais ela se comprometera no passado.
Terminou seus dias trancafiada em uma instituição para doentes mentais.
Juão saiu da prisão com a ajuda de Caio.
Não quis fazer outra coisa na vida a não ser trabalhar para o benefício das pessoas, assessorado sempre por espíritos de luz.
Foi trabalhar no Centro Espírita de Mafalda.
Genaro foi pego em um esquema monstruoso de corrupção, que lesou bastante os cofres públicos.
O deputado federal foi preso e seus amigos poderosos sumiram.
Sentindo-se abandonado e traído, Genaro chamou repórteres de todas as mídias e descreveu o funcionamento de um sistema articulado que arrancava verbas do governo e distribuía propinas.
Depois, dedurou ministros, governadores, senadores e outros deputados.
Foi um escândalo.
Ele teve seu mandato cassado, perdeu seu eleitorado e nunca mais conseguiu retornar à política.
Seu filho, anos depois, tornou-se importante activista em defesa dos direitos homossexuais.
Só então, Genaro percebeu que o telhado de sua casa também era de vidro...
*****
Em uma tarde chuvosa, Caio ficou no estúdio até mais tarde, para ensaio de nova campanha publicitária.
Seu rosto começava a despontar em outdoors, cartazes e páginas de revistas.
A cada foto impressa, Luísa exultava de felicidade.
Nesse dia, passava das quatro, quando Luísa entrou no estúdio.
Era pausa para o café e ela aproveitou para beijar o noivo.
— Não tem aula na faculdade?
— Hoje não.
E, mesmo que tivesse, eu não iria.
— Por quê?
Luísa fez ar de mistério.
— Trouxe alguém que deseja muito vê-lo.
— Alguém?
— Sim, que você gosta muito.
Caio deu de ombros.
— Mande entrar.
Luísa afastou-se e saiu da sala.
Caio pegou uma xícara de café.
Estava de costas quando ouviu a voz familiar:
— Não vai cumprimentar a sua pantera?
A xícara de café quase foi ao chão.
Caio rodou lentamente nos calcanhares e gritou:
— Sarita!
Abraçaram-se de maneira afectuosa.
Havia muito que Caio queria encontrá-la, mas soube que ela se casara e sumira no mundo.
— Não faz ideia do quanto desejava revê-la – ele a enlaçou pela cintura e disse à Luísa:
— esse é o meu anjo bom.
— Eu sei – concordou Luísa.
E eu sou o quê?
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 19, 2016 8:18 pm

— E agora? – perguntou Sarita.
Está numa enrascada!
— Não – objectou ele.
Luísa é meu grande amor.
Elas riram.
Luísa balançou a cabeça para cima e para baixo.
— Se saiu bem, hein?
Sedutor de araque.
Caio notou a barriga proeminente de Sarita.
— Você está grávida!
— Sim. De meu primeiro filho.
Eu me casei e fomos para a Europa.
Osório ganhou uma bolsa de estudos e eu o acompanhei.
Decidimos que iríamos morar em Lisboa, entretanto, quando engravidei, decidimos que queríamos criar nosso filho em solo brasileiro.
Aqui podemos ser livres, podemos nos expressar à vontade, não precisamos seguir regras rígidas de comportamento.
Quero que Caio cresça nesse ambiente descontraído.
— Você disse Caio?
— Sim – respondeu Sarita.
Nosso filho vai receber o seu nome.
É homenagem minha e de meu marido pela sua garra, pela sua luta, pelo que passou na cadeia esse tempo todo.
Você é um vencedor.
E meu filho vai ter o privilégio e o orgulho de levar o seu nome.
Caio emocionou-se.
Beijou a testa de Sarita e a abraçou mais uma vez.
— Você não imagina o quanto me deixa feliz com essa homenagem. Obrigado.
— Queremos que você e Luísa sejam os padrinhos de nosso filho.
— Fico lisonjeada. – afirmou Luísa.
— Obrigado – disse Caio, enquanto segurava e beijava as mãos de Sarita.
Quando eu e Luísa tivermos nosso primeiro filho, você e seu marido também serão os padrinhos.
Concorda?
— Sim. Espero que nossos filhos cresçam juntos, amigos, rodeados de carinho e de amor.
Unidos pelos laços sagrados da amizade.
— É isso aí – tornou Caio, com a voz embargada.
— Quero apresentar a você meu marido.
Sarita foi até a porta e chamou.
O homem era alto, os cabelos negros jogados naturalmente para trás.
A camisa estava aberta até o meio do peito e dele saltavam tufos de pêlos.
Era um tipão.
E Caio jurou que conhecia aquele rosto quadrado e bem apessoado de algum lugar.
Osório estendeu a mão e o cumprimentou.
— Como vai?
Caio observou mais atentamente e seus olhos quase saltaram das órbitas ao constatar quem era aquele homem.
— Padre Osório?
Osório riu.
— Padre não. Ex-padre.
Larguei o sacerdócio por amor a Sarita.
Desliguei-me da igreja, casamo-nos e ganhei uma bolsa para fazer pós-graduação em Teologia.
Caio abriu e fechou a boca, sem articular som.
Abraçou Osório com carinho.
— Padre... Quer dizer, Osório, como estou feliz por você e Sarita.
— Eu não lhe dizia que ele me olhava de esguelha na igreja? – falou Sarita, de maneira divertida.
— É – tornou Caio, emocionado –, você estava certa.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 19, 2016 8:18 pm

Eles abraçaram-se e continuaram a conversa por longo tempo.
Caio deixou os ensaios para o outro dia.
Queria passar cada minuto ao lado de seu anjo bom.
Quanta saudade sentiu de Sarita.
E agora não mais se desgrudariam.
Nunca mais.
****
Alguns meses depois, Caio e Luísa baptizaram, conforme o prometido, o filho de Sarita e Osório, o pequeno Caio.
Dois anos se passaram e agora era o momento de Sarita e Osório fazerem o mesmo com o pequeno Henrique, um menininho lindo, forte, robusto, vendendo saúde e parecido com o pai.
Luísa e Caio, acompanhados por Rosalina, José e Eunice, chegaram primeiro à igreja de Santa Rita de Cássia.
Celinha e Malaquias vieram logo atrás.
Eles haviam se conhecido no dia em que Celinha ajudou Caio na mudança para o apartamento de Luísa.
O namoro ia muito bem.
— É aqui que quero me casar, entendeu? – falou Celinha.
— Não sei se poderei arcar com as despesas.
— Nem pense nisso! – ela protestou.
Vamos conseguir pagar e...
Caio os interrompeu.
— Eu ajudarei nas despesas.
Será meu presente de casamento para vocês.
Malaquias riu com gosto.
— Agora não tenho como dar desculpas.
Celinha fez ar de mofa, enquanto os demais caíram em sonora risada.
No caminho para o altar, Caio puxou José pelo braço.
— Eu prometi a você, meu pai, que meu filho seria baptizado nesta igreja.
Em sua homenagem.
José sentiu a voz embargada.
Adorava quando Caio o chamava de pai.
— Obrigado, meu filho.
Estou muito feliz...
José parou de falar.
As lágrimas o impediam de continuar.
Caio o abraçou.
— Eu o amo, José.
Você é o pai que nunca tive.
E – ele afastou-se e riu, procurando ocultar a emoção –, trate de cuidar bem de seu neto.
José enlaçou o braço no de Rosalina.
As lágrimas teimavam em cair.
Sarita e Osório chegaram em seguida.
Cumprimentaram-se e ela pegou o pequeno Henrique do colo de Luísa.
O padre iniciou a missa de baptismo.
Próximo deles, os espíritos de Norma e Carlota sorriam felizes.
— Carlota, como estou feliz que tudo tenha dado certo.
— Como vê, Norma, nada como um dia após o outro.
Veja nosso pequeno Henrique.
Ontem estava aqui connosco como Henry e hoje está iniciando uma nova etapa reencarnatória.
— Formam uma linda família.
— Concordo.
— Visitei Loreta e Lucy na semana passada.
Lucy recusa-se a recordar-se de sua existência como Gregório.
Continua presa ao passado.
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Ave sem Ninho

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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 19, 2016 8:18 pm

Carlota suspirou.
— Isso vai ajudar esse espírito a amadurecer, rever suas atitudes pretéritas e preparar-se para mudar.
Um dia chegará em que Lucy terá de enfrentar Gregório, porquanto ambos são e estão no mesmo espírito.
Enfim, tudo tem seu tempo certo.
Sabemos que nenhuma folha cai sem o consentimento do Pai.
— Entendo. E quanto aos que estão encarnados?
Terão acesso ao passado?
— Isso não se faz necessário – ponderou Carlota.
Eles estão felizes. É o que importa.
— Tive acesso ao passado deles e agora entendo muita coisa – redarguiu Norma.
Caio e Luísa eram casados, moravam em Londres.
Entretanto, Caio tinha uma queda pelo sexo fácil e traía a esposa a torto e a direito.
Ele a amava, mas seus instintos falavam mais alto.
Até que Caio conheceu Loreta e tiveram um tórrido romance.
Loreta também tinha um fraco pelo sexo e ambos se entregaram à paixão descontrolada.
Triste e com o coração partido, Luísa se separou e casou-se com Genaro.
Viviam relativamente bem, até que Caio, cansado da vida degenerada que tinha, quis voltar para seu verdadeiro amor.
Luísa não o aceitou e ele fez de tudo para tê-la de volta.
Carlota tornou, de maneira calma:
— Foi então que Caio arquitectou o plano para que Genaro fosse preso, por um desfalque que jamais cometera.
Luísa, mesmo assim, não voltou para Caio.
Amargurado, ele foi pedir ajuda a Guido.
Ardiloso e inescrupuloso, Guido era casado com Lucy, irmã de Loreta e apaixonada secretamente por Caio.
Lucy encheu-se de coragem e um dia declarou seu amor a Caio – naquele tempo, Philip.
Ele rejeitou-a, humilhou-a.
Ela o embebedou para que ele fizesse amor com ela.
Quando Caio despertou, tiveram uma calorosa discussão.
Caio não queria saber de Lucy, de jeito algum.
Decidida de que Caio deveria ser dela, e só dela, Lucy quis matá-lo, para que ele não fosse de mais ninguém.
— E assim foi feito – concluiu Norma.
Lucy, depois reencarnada como Gregório, preparou poderoso veneno e entregou o cálice mortal ao amado.
Por um lapso, a taça foi parar nas mãos de Guido.
E, pelas imagens a que tive acesso, a morte de Guido foi lenta e cruel.
— Anos depois, já no mundo espiritual, Caio arrependeu-se de ter arquitectado a prisão contra Genaro e afirmou aos amigos espirituais que sua consciência só o deixaria em paz caso ele passasse pelo mesmo.
— Ele não precisava passar por isso – objectou Norma.
Eu tinha sido sua irmã também naquela vida e aqui no astral tentei demovê-lo dessa ideia de ser preso.
Mas ele insistiu e coube a mim estar ao seu lado para que não esmorecesse.
— Mas Caio quis.
Seu espírito ainda precisa passar pelas experiências desagradáveis, precisa do sofrimento para crescer.
Há outros espíritos que crescem de maneira menos sofrida.
Como você, por exemplo.
Norma sorriu.
— Cada caso é um caso.
— Guido está muito atormentado.
— Será que vai se recuperar de tudo o que fez? – perguntou Norma.
— Na eternidade tudo é possível – ponderou Carlota.
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Ave sem Ninho

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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 19, 2016 8:19 pm

Num momento mais à frente, Guido vai ter de enfrentar a si mesmo.
Essa triste e dolorosa experiência deve ser realizada, por ele, tão somente por ele.
— Que Deus o abençoe.
Norma falou e, em seguida, o padre falou o mesmo.
— Que Deus o abençoe, Henrique Galvão Souza...
As duas sorriram.
Aproximaram-se do pequenino e Henrique notou-lhes a presença.
O bebé esboçou largo sorriso, o que comoveu os padrinhos e os pais.
Elas se afastaram e chegaram à porta da igreja.
Olharam para o sol que já ia alto e para o céu azul.
Fecharam os olhos e fizeram sentida prece de agradecimento.
Em seguida, avistaram lindo jardim rodeado por árvores e flores de várias espécies.
— O que acha de caminharmos pelo jardim antes de nossa partida?
— Excelente ideia, Norma.
Os dois espíritos iluminados deram-se as mãos e entraram no jardim.
Uma brisa gostosa tocou-lhes o rosto, e ambas aspiraram o ar puro e delicado daquela linda manhã.
Logo a atenção de seus espíritos foi desviada para agitado, porém gracioso, beija-flor, que, suspenso no ar, alimentava-se do néctar de uma flor.
Carlota e Norma sorriram e tiveram a certeza de que o dedo de Deus está em tudo, até mesmo em pequenos gestos que nós, muitas vezes, não damos à mínima atenção.

F I M

§.§.§- Ave sem Ninho
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