PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 08, 2016 8:23 pm

Até que numa noite apareceu Maximiliano em sua vida.
Homem na faixa dos quarenta, Max, como era conhecido pelos amigos, era um homem bonito, culto e trabalhava como curador de um museu.
Era responsável por trazer ao país exposições de artistas internacionais de vários ramos das artes, fossem pintores, artistas plásticos, escultores.
Pessoa boníssima, Maximiliano era adorado por muitos, pessoa conhecida na sociedade.
Ele era homossexual e afeiçoou-se sinceramente a Guido.
Foi aí que a vida do menino mudou, para melhor, é claro.
Guido foi morar no belo apartamento de Max.
Passou a ganhar uma gorda mesada para cuidar da casa, visto que Max estava sempre viajando, tratando de negociar com artistas ao redor do globo para que viessem expor suas obras no Brasil.
Guido aproveitou-se da generosidade de Max.
Passou a frequentar lugares sofisticados e conheceu Gregório.
Foi quando surgiu o convite para trabalhar como modelo.
Mas a campanha fracassou e Guido passou a fazer pequenos serviços escusos para Gregório.
Caio conhecia Maximiliano somente por fotos.
Chegou a atender ao telefone uma vez e ouviu sua voz.
Maximiliano fora gentil, discreto – nem perguntara sem nome – e pedira para transmitir um recado a Guido.
Esse fora o único contacto.
Maximiliano deveria retornar em fevereiro, porém estavam quase no fim daquele ano.
Será que ele voltaria?
Guido acendeu a luz do quarto.
Caio instintivamente levou as mãos aos olhos.
— Apague a luz, por favor.
Ainda é cedo.
— Você não dormiu nada esta noite – retorquiu Guido.
— Como sabe?
— Ouvi seus passos.
Caio jogou-se na cama.
— Preciso arrumar um jeito de trabalhar.
Guido riu alto.
— Você já trabalha.
E as clientes que atende?
Não lhe dão bom dinheiro?
— Isso não é vida.
Algo dentro de mim diz que tenho de parar com essa vida leviana.
A cada dia que passa estou me distanciando de meus objectivos.
Eu vim para cá para me tornar um modelo, um homem que minha mãe pudesse ter orgulho e admirar.
E veja no que estou me tornando: um prostituto.
Até quando Guido, até quando?
Caio estava nervoso e confuso.
Enquanto ele esteve dormindo, Norma aplicou-lhe um passe calmante e novamente inspirou-lhe bons pensamentos, para que acatasse suas ideias e tratasse de mudar de vida.
Ele mal se lembrava de ter ouvido algo, mas sentia que estava na hora de dar uma virada em sua vida.
Guido nunca o vira desse jeito.
Aproximou-se e sentou-se na cama.
— Você está bem?
— Sim, estou.
É que uma voz me diz que estou indo para o caminho da perdição.
Eu não quero ser michê, você me entende?
— Claro que entendo.
Mas você adia sua ida até o escritório do Gregório.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 08, 2016 8:24 pm

Caio abaixou a cabeça.
Guido tinha razão.
Ele evitava o contacto com Gregório, mas o que fazer?
O tempo urgia e ele precisava ir até o figurão da Cia. De Perfumes.
Embora atormentado com a possibilidade de que Gregório soubesse de sua ligação com Loreta, esse era um risco que ele deveria correr.
O rapaz estava com o prato e o queijo nas mãos.
Queria se tornar modelo.
Gregório precisava de um.
Era juntar a fome com a vontade de comer.
— E então? – prosseguiu Guido.
Vai deixar de arrumar desculpas esfarrapadas e ir ao encontro do presidente da Cia. De Perfumes?
— Devo ir. Estou adiando por quê? – perguntou.
Preciso e quero mudar.
E também preciso de um lugar próprio para morar.
Não posso viver sob o teto cujo dono mal conheço.
E ainda, logo o porteiro vai começar a desconfiar das visitas femininas que recebemos.
Isso não é justo com o Max.
— Justo ou não, você logo vai conhecê-lo – respondeu Guido, fazendo gestos com um dos indicadores.
Caio coçou o queixo.
— Agora é verdade?
Max vem mesmo para o Brasil?
— Ligou-me ontem.
Agora está tudo acertado.
Ele se meteu lá com um grupo de estudos, sei lá o que anda fazendo.
Esses caras ricos são muito excêntricos, sabe?
Max não foge à regra.
É um cara bom, legal, mas esquisito, cheio de manias.
Disse-me que, assim que regressar de Londres vai mudar algumas coisas aqui em casa.
— Mesmo?
— Bom, ele pode mudar o que quiser desde que eu não saia.
Daqui não saio daqui ninguém me tira.
— Eu vou ter de sair.
Não compreende?
— Quando Max chegar, em breve, você terá de partir.
Mas lugar a gente arruma.
— Não quero mais saber disso.
— O que deu em você? Acordou determinado!
— Algo dentro de mim exige mudanças em meu comportamento.
É como se eu já tivesse vivido situação parecida e terminasse mal.
Consegue compreender?
Guido fez ar de mofa.
— Não entendo, mas você é crescido e sabe o que é melhor para si.
Por acaso – Guido perguntou num tom malicioso – não preferiria fazer como eu e arrumar um coroa endinheirado e carente?
— Nunca! Eu jamais me uniria a alguém por isso – antes de Guido se pronunciar ele concluiu:
—não o estou julgando, mas não tenho estômago.
— Mas tem estômago para transar com várias mulheres ao mesmo tempo.
Isso é patético, Caio.
— Eu não quero mais essa vida.
Não tenho vínculo afectivo com as mulheres.
Eu faço sexo e pronto. Acabou.
Elas me pagam e vão embora.
Mas você alimenta sentimentos no Maximiliano.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 08, 2016 8:24 pm

Não tem compaixão?
Não se importa com os sentimentos dele?
Ou mesmo de machucar seu coração?
Guido levantou-se da cama.
Andou até a janela do quarto.
— Max é grandinho e sabe se defender.
Eu não sou responsável pelo que ele sente.
— Não é responsável, mas alimenta o sentimento.
Isso é comprometimento.
Você não pode simplesmente usá-lo e depois jogá-lo fora,
— Max vale muito para ser jogado fora.
Isso é algo que não pretendo.
Aliás, eu posso fazer o Max engolir você.
Quer ficar morando aqui connosco?
— Como assim, engolir?
— Posso ir lá naquele lugar que eu lhe falei, lembra?
— Nem pensar! – Caio levantou-se de um salto.
Não gosto disso.
— Por quê? Já teve alguma experiência ruim?
— Não é isso, mas ouço tantas histórias ruins sobre esses pedidos...
Guido sorriu.
— Comigo não tem problema, não. Eu posso tudo.
Quer dizer, esse senhor que faz os trabalhos para mim não falha.
Ele é muito bom.
— Peça então para ele cuidar dos seus negócios.
Dos meus, eu me entendo.
— Você é quem sabe.
Se quiser uma ajuda, não hesite em me chamar – Guido rodou nos calcanhares e apoiou-se no batente da porta.
Voltou o rosto para dentro do quarto e disse:
— tem certeza de que não vai querer a prestimosa ajuda dos espíritos?
— Tenho.
— Não gostaria de saber se os espíritos poderiam descobrir sobre esse bilhete estranho que você recebeu?
Caio voltou a sentar-se na beirada da cama, nervoso.
— Recebi faz tempo.
Deve ter sido uma brincadeira de extremo mau gosto.
— Quem sabe eu...
— Não! – bramiu Caio.
Absolutamente.
Isso compete somente a mim.
— Tudo bem – replicou Guido, num tom conciliador.
Estou às ordens para ajudá-lo, caso precise.
— Obrigado.
Guido saiu do quarto e, em seguida, Caio voltou a se levantar.
Havia dormido mal, as palavras daquela carta não saiam de sua cabeça.
Entretanto, sua mente registara as palavras da irmã e ele havia decidido que iria até o escritório de Gregório.
Havia mais de um mês que adiara sua ida à Cia. De Perfumes.
Maximiliano estava para regressar ao Brasil.
Caio precisava arrumar um novo lugar para morar, mas, para isso, necessitava de um emprego decente, de uma renda que pudesse ajudá-lo a se tornar independente.
E longe de sexo.
Ele não estava gostando de determinadas atitudes de Guido.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 08, 2016 8:24 pm

Quando havia entre eles algum tipo de discórdia, um conflito que fosse Guido atirava-lhe na cara que ele estava vivendo bem na cidade grande graças a ele.
Isso o deixava triste e abatido.
Caio sentia algo de estranho no ar, uma desconfiança que não sabia de onde vinha.
O único registo no seu corpo era a clara sensação de medo, de fuga.
Ele sentia vontade de sair daquele apartamento o mais rápido possível.
Resolveu que iria procurar Gregório.
Não encontrava outra solução.
*****
Norma andava de um lado para o outro do quarto, sem saber qual atitude deveria tomar.
Carlota apareceu e aproximou-se dela.
— Você não deveria estar aqui.
O ambiente às vezes fica pesado devido ao padrão vibratório dos pensamentos negativos de Guido.
Ele não tem bons pensamentos e inunda o ambiente de energias de baixa vibração.
— Guido está manipulando meu irmão.
Caio deseja ter uma vida independente e está praticamente preso a ele.
Eu sinto que essa amizade não faz bem ao Caio.
— Seu irmão tem o livre-arbítrio, querida.
Não se esqueça disso, jamais.
Caio escolheu encontrar essas pessoas nesta etapa de sua jornada evolutiva.
Ele poderia escolher outros caminhos, mas desejou que as coisas fossem por esse lado.
— Pelo menos eu tento soprar-lhe palavras de encorajamento, de força, e de procura pela espiritualidade.
— Isso fará toda a diferença – tornou Carlota, esboçando lindo sorriso.
Se Caio procurar estudar e entender a vida espiritual poderá passar pelos dissabores de maneira menos dolorida.
Eu e você estamos fazendo nosso papel, inspirando-lhe bons pensamentos, ajudando-o a se afastar de actividades ilícitas, a manter um coração bom e puro.
A revolta, muitas vezes, só nos afasta do caminho que traçamos na vida, e, no fim das contas, percebemos que ficamos mais cansados e tristes.
— Meu irmão é bom.
Não canso de repetir isso.
— Todavia – rebateu Carlota, com candura –, Caio é quem precisa acreditar que é bom.
Enquanto isso não se concretizar, vamos vibrar e pedir às forças espirituais que o ajudem a manter-se em equilíbrio.
Os dois espíritos aproximaram-se do rapaz e lhe ministraram um passe revigorante.
Caio havia se sentado na cama e sentiu vontade de se deitar mais um pouco.
Assim que se deitou, imediatamente sentiu um bem-estar como há muito tempo não sentia.
Em seguida, espreguiçou-se, bocejou, esticou os braços e dirigiu-se ao banheiro.
Entregou-se a um duche forte, morna e reconfortante.
Passava das dez da manhã quando Caio entrou na elegante recepção da Cia. De Perfumes.
Foi atendido por uma simpática recepcionista.
— O que deseja senhor?
— Tenho entrevista com o Sr. Gregório Del Prate.
A moça pegou uma agenda ao seu lado e checou o nome.
— Desculpe-me, senhor, mas não consta reunião para esse horário.
Seu nome, por favor?
— Caio Abrantes Souza.
Ela novamente checou e nada.
Pegou outra lista e nada.
— Desculpe-me, senhor, mas não...
O rapaz a interrompeu com delicadeza.
— Eu é que devo pedir desculpas.
Essa reunião está marcada há bastante tempo e eu não avisei...
A recepcionista sorriu e lhe deu uma piscada.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 08, 2016 8:24 pm

— Como se trata de um moço bonito e simpático, creio que poderei checar com o Sr. Gregório.
Caio sorriu sem graça.
Afastou-se da recepção e sentou-se numa cadeira ali perto.
Alguns instantes depois ela o chamou.
— O Sr. Gregório vai atendê-lo.
Dirija-se até o fim deste corredor – ela fez um gesto sensual com os dedos.
Depois tome o elevador da esquerda até o último andar.
Vai sair directamente na sala do presidente.
— Obrigado.
— Por nada. Às ordens.
Meu nome é Meire.
Caio devolveu o sorriso.
— Obrigado Meire.
Assim que ele se afastou ela suspirou emocionada.
— Tão bonito!
Ele me lembra o Marco António.
Meire disse emocionada.
– Ah, Marco António, por onde anda você?
Caio tomou o elevador e, ao chegar ao último andar, as portas se abriram e ele saiu directamente na sala de Gregório.
O homem estava sentado em sua poltrona, atrás de sua mesa e de costas para quem entrava.
Parecia que Gregório apreciava a vista da cidade, através da imensa janela de sua sala.
Caio estugou o passo e aproximou-se da mesa.
Gregório fez delicado movimento com o corpo e girou a poltrona com os pés.
Os olhos de ambos se cruzaram.
Caio sentiu um estremecimento, um mal-estar sem igual.
— Até que enfim.
Se Maomé não vai à montanha...
Caio pigarreou.
— Bom dia, Sr. Gregório.
— Pode me chamar simplesmente de Gregório.
O senhor me deixa mais velho do que já aparento.
— Desculpe-me.
— Sente-se, criança – Gregório fez gesto para que o rapaz se sentasse.
Caio anuiu com a cabeça e sentou-se numa cadeira próxima à grande mesa talhada em ferro e com vidro.
– Sabe que parece que o conheço de algum lugar?
Caio estremeceu.
Será que Gregório o havia visto na casa de Loreta?
Não. Era impossível.
— Eu tenho um rosto comum.
Deve ser isso.
Gregório deu uma gargalhada espalhafatosa.
— Rosto comum?! Você?
Está tirando sarro da minha cara, isso sim.
Criança, você tem o rosto perfeito para minha nova campanha do perfume Nero.
Preciso desassociar a imagem do perfume ao rosto do antigo modelo, Marco António.
— Soube que ele se acidentou.
— De maneira tola.
Um acidente doméstico.
Imagine o que aconteceu ao garoto!
Pobre Marco António.
— E há chances de ele se recuperar?
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 08, 2016 8:24 pm

— Sim. Mas as queimaduras provocadas pelo álcool deixam marcas.
Sorte dele que o rosto não foi afectado, porém os braços, ah, os braços ficaram bem machucados.
— Se o rosto não sofreu queimaduras, então...
— Deixe de sentimentalismo, criança.
Os meus modelos aparecem de corpo inteiro nas propagandas.
Quem compra perfume quer ver um rosto bonito e corpo bem-feito, esculpido.
Marco António já era.
Agora quero um rosto novo.
E aposto em você.
— Puxa, seu... Quer dizer, Gregório.
Eu sempre quis ser modelo.
Você não sabe o bem que me faz ao me oferecer esse trabalho. Contudo...
Caio parou de falar.
Gregório o encorajou.
— Contudo?
— Eu nunca fiz propaganda, nunca posei para fotos.
Não precisaria fazer um curso?
— Eu arrumo uma equipe para você.
Terá tudo e todos aos seus pés.
Quando pode estar disponível para os primeiros ensaios fotográficos?
— No momento que quiser.
Estou disponível.
— Muito bem. Vou confeccionar o contrato.
Isso leva algum tempo, pois os advogados adoram encher os contratos com muitas cláusulas.
Eu tive muita dor de cabeça com o Marco António e não quero correr mais riscos.
— Você é que sabe.
— Eu vou adiantar parte de seu cachê – Gregório apertou um botão sobre um dispositivo em sua mesa.
Meire, peça para que o departamento financeiro preencha um cheque no valor de...
Caio arregalou os olhos quando ouviu o valor que lhe seria adiantado.
Nunca imaginara ganhar aquilo na vida.
Era muito dinheiro.
Pelo menos agora teria condições de alugar um apartamento modesto, largar a profissão de call boy e encher sua mãe de orgulho.
Faria Rosalina se sentir a mãe mais feliz do mundo.
Caio sorriu.
Despediu-se de Gregório com imenso sorriso nos lábios.
Chegaria até o apartamento e ligaria para suas clientes.
Não iria mais atendê-las.
Estava convicto disso.
O rapaz desceu e, ao entrar no elevador, olhou o cheque e conferiu o valor várias vezes.
— É muito dinheiro – disse para si mesmo.
Ao sair do elevador e deparar com Meire, retribuiu-lhe a piscada.
— Sua piscada me deu sorte. Obrigado.
Meire ficou sem palavras.
Abanou o rosto com as mãos.
— Além de bonito, é simpático.
Mas o Marco António é mais bonito.
Caio saiu do prédio da Cia. De Perfumes feliz e contente.
Tinha vontade de ligar para sua mãe e contar-lhe as novidades.
Mas iria esperar e assinar o contrato.
Guardou o cheque no bolso do paletó e tomou um táxi.
Deu ao motorista o endereço de seu banco.
Enquanto o motorista avançava pelo trânsito caótico da cidade, Caio cantarolava uma canção em voga, sentindo-se o mais feliz dos homens.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 08, 2016 8:25 pm

CAPÍTULO 9
O avião que transportava Maximiliano aterrou na cidade numa linda manhã.
O céu era de um azul intenso, não havia uma nuvem sequer.
Max finalmente retornava ao seu país depois de longa ausência.
Fazia meses que partira para Londres a fim de negociar uma exposição de quadros com um pintor que despontava no circuito das artes.
Entretanto, Max conheceu, nesta estada em Londres, o Dr. Bryan Scott, médico fundador do Instituto Scott de Estudos Espirituais, voltado ao estudo de casos inexplicáveis para a ciência oficial.
Ele encantou-se com o médico, com suas experiências e resolveu ficar em Londres e absorver todo o conhecimento espiritual que esse médico pudesse lhe passar.
Foi pensando no médico inglês que Max desembarcou no aeroporto.
A história de Bryan Scott era impressionante.
Médico céptico e ateu, Bryan Scott nunca quis saber de religião ou mesmo de espiritualidade.
Considerava tudo isso uma grande bobagem, uma espécie de entorpecente para que as pessoas pudessem ser manipuladas e usadas por mentes mais fortes.
Não obstante, Scott teve todo o seu sistema de crenças sacudido e abalado quando sua filha Stella, de apenas doze anos, morreu num desastre de trem que ia do condado de Nolfork a Devon, no sul da Inglaterra.
Isso ocorrera no meio da Segunda Guerra Mundial, há muitos anos.
Triste e abatido, Scott fechou-se em seu mundo e tornou-se homem mais céptico ainda.
Deus, segundo sua observação, não passava de uma invenção, de uma força inventada por homens espertos a fim de aproveitar-se da dor alheia.
Os anos foram passando e o coração de Scott foi embrutecendo na mesma proporção.
Tornara-se homem amargo e descontente com a vida.
Aposentou-se e, num dia particular, sonhou com sua filha.
Stella dizia estar bem, já havia reencarnado e morava actualmente em Bristol.
Bryan Scott acordou com a cabeça embaralhada, não se recordava direito o que havia sonhado.
Só se lembrava de ter visto o rosto de uma menina parecida com sua Stella, mas com os cabelos e as feições alteradas.
O tempo passou e Scott foi convidado para dar uma palestra acerca do impacto do aquecimento global sobre as pessoas, tema que já era de preocupação de algumas pessoas no início da década de 1980.
O médico fez brilhante palestra, advertindo que aquela era a época certa para que toda a humanidade somasse esforços e todos os povos lutassem pela preservação do ambiente.
Essa palestra foi muito comentada e discutida anos depois.
Ao sair da palestra e dirigir-se para seu hotel, Bryan Scott foi abordado por uma moça, de olhos tristes e feições simpáticas.
Ela implorava para que o médico lhe desse um minuto de sua atenção.
— Necessito falar-lhe urgente.
— Em que posso ajudá-la? – questionou o médico, num tom polido.
— Minha filha Emily.
Ela deseja lhe falar.
Há meses quer conversar com o senhor.
— Sua filha? Mas você é muito jovem e...
Ela o cortou, com delicadeza.
— Desculpe-me, Dr. Scott, mas Emily jura que o conhece e deseja lha falar.
Foi ela quem me mandou vir aqui.
Disse que o senhor iria dar uma palestra e que ao terminar eu deveria convencê-lo a ir até a nossa casa.
— Por que eu iria até sua casa?
A moça apertou as mãos com certo nervosismo.
Seus lábios tremeram levemente e ela, por fim, declarou:
— Minha filha diz que é a reencarnação de sua filha Stella.
Uma bomba sob a cabeça do médico não teria surtido efeito tão devastador.
Scott ficou parado por alguns instantes, mudo estático, sem palavras mesmo.
Aquilo era aviltante.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 08, 2016 8:25 pm

Só podia ser brincadeira de mau gosto daquela desconhecida que vinha tocar-lhe em feridas profundas e não cicatrizadas do passado.
Ou tratava-se de um milagre?
Em que confiar?
Ou melhor, em quem confiar?
Scott voltou do choque e balbuciou.
— Senhorita, por favor, não brinque com meus sentimentos.
Uma lágrima sentida escapou pelo canto do olho da moça.
— Sinto muito doutor, mas minha filha afirma ter sido sua filha Stella.
— Ninguém sabe que tive uma filha.
Quer dizer, isso faz muitos anos.
As pessoas hoje nem se recordam e.
A moça tirou um pequeno papel do bolso. Havia ali algumas anotações.
— Emily diz que foi sua filha, que nasceu no condado de Norfolk em 1932 e desencarnou em 1945 e...
Bryan Scott fez um gesto com as mãos para que ela parasse de ler.
— Por favor – tornou emocionado –, leve-me até sua filha.
Eu lhe imploro.
O encontro do médico com a menina foi algo comovente e, ao mesmo tempo, surreal.
Eram duas pessoas que nunca haviam se visto na vida, mas ligadas pelos verdadeiros laços do espírito.
Assim que entrou na sala e viu a pequena Emily, Scott ainda teve certa desconfiança.
Achou que iria encontrar uma cópia perfeita de sua Stella, mas o que via na sua frente era uma menina magra, esquálida, doente.
Os cabelos de Stella eram ruivos e encaracolados, a pele era de alvura estupenda.
A menina à sua frente tinha os cabelos mal cortados, pretos e lisos.
A pele era mais para morena e a aparência, no geral, em nada lembrava sua finada filha.
Scott rodou nos calcanhares e fez menção de sair.
Aquilo devia ser armação, das boas.
E ainda tripudiaram sobre seus sentimentos.
Deveria isso sim, processar aquela mãe desmiolada e louca.
Claro! Havia notado que a casa ficava em um bairro pobre, que a família não tinha recursos e que, talvez com esse “golpe” da reencarnação, elas pudessem tirar algum dinheiro dele.
O médico mordeu os lábios de raiva, estava chegando perto da porta de saída quando a menina zangou-se:
— Papai, não faça isso.
Sou eu, Stella. Em outro corpo, mas sou eu.
Ele virou—se abruptamente e quase avançou sobre a menina.
Tinha uma vontade louca de desferir-lhe uns bons bofetões.
Antes de tomar atitude irascível, ela concluiu:
— O acidente de trem que me tirou deste mundo estava programado pelo plano maior.
Era a minha hora de partir.
A vovó Elizabeth resgatou meu espírito dos escombros.
Eu juro que não senti nada quando desencarnei.
Só me lembro de um forte estrondo, de alguns gritos e depois meu corpo começou a flutuar, como se eu estivesse boiando, como naquela vez que você me levou para nadar numa praia, na região de Brigthon.
Isso se deu logo depois que vovó Elizabeth morreu, lembra-se?
Scott não tinha palavras para rebater ou professar naquele momento.
Seus olhos marejaram e ele sentiu um perfume de flores bem característico que sua mãe costumava usar.
Antes que ele pudesse dizer algo, Emily alegou:
— Vovó está aqui e diz que está com aquele perfume de flores que você tanto gosta.
Diz que o ama muito e...
Emily não disse mais nada.
Scott ajoelhou-se e abraçou a menina, cuja debilidade física se fazia notar.
Emily beijou-lhe a face.
— Eu não vou viver muito mais aqui nesta dimensão.
Necessito partir.
Vim para lhe provar a existência da vida após a morte do corpo físico.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 08, 2016 8:25 pm

Que o processo de morte nada mais é do que uma transformação e que nosso espírito é eterno.
As lágrimas de Scott corriam insopitáveis.
Ele acariciava os cabelos negros e lisos da menina, beijava-lhe as faces, inundado de felicidade.
— Você voltou para mim.
Você voltou para mim!
— Por pouco tempo, papai.
Você precisa acreditar na existência das forças superiores que regem o Universo.
Pode chamar de Deus, se quiser.
Mas não pode deixar de acreditar nessas forças.
Você é homem muito inteligente e sempre esteve ligado às verdades espirituais.
Médico de renome, no passado fez estudos que comprovaram a reencarnação.
Vítima de pessoas inescrupulosas e que se sentiram ameaçadas com as verdades que você iria revelar ao mundo, foi parar na fogueira dos inquisidores.
Por tudo isso, está tão relutante em aceitar a existência da vida após a morte do corpo físico.
Eu reencarnei neste corpo frágil – ela fez um sinal, apontando para o próprio corpinho adoecido – porque precisava chamá-lo para a sua missão.
Você não pode partir deste mundo sem antes se dedicar aos estudos espirituais.
— Eu vou estudar, eu quero estudar.
Entretanto, não quero perdê-la de novo. De novo, não.
— Não vai me perder papai.
Só vou para outra dimensão.
Assim que voltar para o nosso verdadeiro mundo, a pátria espiritual vou-me reequilibrar e logo estarei ao seu lado, inspirando-lhe, ajudando-o na fundação de seu instituto.
É um trabalho grande e árduo.
Você vai enfrentar preconceitos, mas não vai esmorecer, porquanto do outro lado estarão amigos espirituais determinados a ajudá-lo em seu intento.
— Não sei se nesta altura da vida...
— Nem pense nisso! – a pequena Emily o censurou.
Você ainda vai viver muito, vai morrer bem velhinho.
Nunca é tarde para se começar um novo trabalho.
Será de grande importância para a humanidade.
O mundo actualmente precisa cada vez mais se certificar da existência do Universo espiritual.
A humanidade encontra-se pronta para receber as verdades da vida.
Emily conversou algumas outras particularidades com Scott e, após se despedirem e marcarem novo encontro, ela finalizou:
— Mamãe ainda está em processo de recuperação, mas bem.
Quem lhe manda lembranças é o William Moore, seu colega de faculdade.
Ele está tão bem, que não tem mais medo de água.
William também fará parte do projecto de criação do instituto.
Não havia mais nenhuma possibilidade de dúvidas.
Bryan Scott nunca havia dito nem mesmo à sua finada filha, sobre a existência e a forte amizade entre ele e William, na época da universidade.
William não sabia nadar e afogara-se no lago do campus da universidade, depois que um forte vento virou o barco que ele remava.
Foi muito difícil para Scott superar a dor traumática da separação.
Entretanto, mais de cinquenta anos haviam se passado e muito raramente Scott lembrava-se do amigo.
— Fico contente que William esteja ao meu lado.
Sempre estimei muito sua amizade.
Bryan Scott despediu-se da pequena Emily e de sua mãe, Sarah.
Saiu daquela humilde casa, no subúrbio de Bristol, atordoado, perturbado e. feliz.
Sim, aquela conversa havia lhe aberto à mente.
Tudo fazia sentido, e Scott teve uma vontade louca de começar a estudar e contactar pessoas que se dedicavam seriamente aos estudos espirituais.
O médico pensou em mudar-se para perto da casa daquela que julgava ser sua filha.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 08, 2016 8:25 pm

Iria voltar na semana seguinte para visitá-la.
Queria voltar no dia seguinte, mas alguns compromissos inadiáveis não lhe permitiriam esse intento.
Ele faria uma proposta para Sarah.
Talvez até pudessem viver todos juntos, como uma família.
Ela nem imaginava quem era o pai de Emily”.
Tudo em vão. Na semana seguinte, quando ele estava livre para passar alguns dias ao lado de Emily, nova bomba.
A menina havia desencarnado dois dias antes.
Sarah, em prantos, entregou ao médico uma carta que a filha, em letrinhas miúdas e ainda infantis, escrevera para ele no seu leito de morte.
Na carta, Emily lhe dava indicações de como começar o projecto e quais pessoas deveria procurar inicialmente.
Deu nomes, profissões, endereços.
Tudo detalhado.
Bryan Scott encontrou todas as pessoas ali mencionadas.
Juntos, criaram o Instituto Scott de Estudos Espirituais, que foi um sucesso desde o início e agora contava com a colaboração de muitos profissionais sérios que corriam o mundo provando a existência da reencarnação.
Maximiliano empolgou-se de tal maneira que foi esticando sua estada na Grã-Bretanha até o último instante.
Uma exposição do pintor que ele queria trazer ao Brasil iria começar dali a uma semana.
Ele planeava cuidar da exposição e, ao seu término, iria mudar-se de vez para a Inglaterra.
Queria ingressar no instituto e dedicar-se ao estudo sério da espiritualidade.
Ele era homem culto e muito simpático.
Fora alertado por Bryan Scott de que havia energias densas, bem pesadas, pairando sobre sua casa.
Maximiliano deveria regressar ao Brasil, mas deveria ficar na casa de outra pessoa.
Não na dele.
Antes haveria a necessidade de uma boa limpeza energética para não interferir no seu sistema físico, psíquico e espiritual.
Maximiliano apanhou suas malas, botou-as no carrinho e sorriu feliz.
Após passar pela policia federal, atravessou a porta de saída e seus olhos perscrutaram o ambiente, em busca de sua amiga.
Mais adiante viu uma mão delicada e bem cuidada, que balançava euforicamente.
Ela deu um grito lá do fundo do saguão de desembarque.
— Sou eu, Max.
Cheguei a tempo.
Ele sorriu e, quando se aproximou dela, abraçaram-se com ternura.
Eram amigos de longa data.
E de longas vidas.
Max a beijou várias vezes na face.
— Renata, não sabe quanta saudade eu estava sentindo de você.
— E eu? Acha que vim do escritório até aqui para buscá-lo por quê?
Max riu gostoso.
— Você não larga o trabalho por nada!
Se veio até aqui no meio do serviço, é porque gosta de mim.
— Bobo! – exclamou ela, contente.
Eu sempre faço tudo pelos meus verdadeiros amigos.
Você me ajudou tanto, sou-lhe eternamente grata pela ajuda que me deu.
Aliás, esse emprego eu devo a você.
— Nem diga isso.
Eu sou amigo do dono da empresa.
Ele é serio competente, jamais contrataria alguém por conta de nossa amizade.
Você foi contratada porque é excelente profissional. É isso.
Abraçaram-se novamente.
Foram caminhando até o carro de Renata.
— Pensei que não voltaria mais.
— Eu também.
Vim a trabalho, mas quero voltar em definitivo.
Londres é minha casa.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 8:39 pm

— Mesmo? – uma nuvem de tristeza cobriu os olhos de Renata.
Pensei que estivesse enjoado dos ingleses.
Que agora iria ficar aqui com seus amigos.
— Eu adoro o Brasil, Renata.
Mas pertenço àquele mundo.
Eu gosto de cumprir horário, gosto de organização.
Nosso país é maravilhoso, mas ainda estamos longe disso.
Mesmo com os problemas existentes na Inglaterra, eu me identifico mais com aquele país.
— Vai ver, viveu lá muitas vezes.
Ele sorriu.
— Não tenha dúvidas.
Por falar nisso, tenho tanta coisa para lhe contar!
— Adoro suas histórias!
— Pena que eu tenha que voltar ao trabalho – suspirou ele, triste.
Renata piscou o olho de maneira maliciosa.
— Tirei o dia para nós.
Eu amo meu trabalho, mas está tudo acertado com meus funcionários.
Sabe o quanto sou organizada, e deixei todos sob as devidas orientações.
Transferi uma reunião com um cliente importante para amanhã.
Pode abusar de mim à vontade.
Max a abraçou novamente.
— Como gosto de você, Renata.
Se eu tivesse outra orientação sexual, com certeza você não me escaparia.
— É, nem tudo é perfeito...
Ele deu um tapinha em seu ombro e riram a valer.
— Está na hora do almoço. Sente fome?
— Muita. Sabe que sou um bom garfo.
— Vamos àquele nosso restaurante predilecto.
Depois para casa.
Você deve estar cansado da viagem.
— Um pouco.
Tenho de conversar seriamente com você sobre voltar para casa.
— O que aconteceu?
Max fez um sinal com o indicador, apontando para cima.
— Aviso dos amigos do Além.
Recebi um comunicado de que não devo, em hipótese alguma, botar os pés em minha casa, por ora.
A Mafalda, lá do Centro Espírita, alertou-me sobre algo esquisito lá no nosso prédio.
Talvez seja no seu apartamento que resida o problema.
O problema reside em Guido.
Mas não quero tocar neste assunto agora.
Vamos almoçar e, quando chegarmos a sua casa, eu lhe conto tudo.
— Minha casa? – perguntou Renata, exagerando propositadamente no tom.
— Sim, senhora.
Vou ficar hospedado na sua casa.
Não sei por quanto tempo, mas vou ficar lá, até os espíritos me liberarem para voltar para a minha casa.
Entraram no carro e Renata deu partida.
Saíram do aeroporto e, ao pegarem larga avenida, foram conversando, animados, sobre os mais variados assuntos.
*****
Genaro chegou à casa radiante.
Fora eleito deputado federal.
Um dos mais votados do país.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 8:39 pm

—Essa gente que vota é muito ignorante.
Como é fácil iludir o povo.
Daqui para frente, agora o caminho será o Planalto! – exclamou, enquanto batia a mão no peito.
— Falando sozinho, Genaro?
Ele virou-se para trás e deparou com Eunice. Sorriu.
— Estúpida!
Ela fez uma careta.
— Você é estúpida e deve me tratar com deferência.
De agora em diante devo ser chamado de Sr. deputado.
— Para mim será sempre Genaro.
Que é isso menino?
Quando você mal saiu dos cueiros eu já estava batalhando na vida.
Ele deu uma gargalhada.
— De que adiantou tanta batalha?
Vai terminar a vida lavando e passando roupa para os outros.
Vai morrer doméstica. Pobre.
— Valeu o esforço.
— De que valeu tanto esforço?
— Eu durmo com a consciência tranquila, Sr. deputado – ela aumentou o tom.
Não estou comprometida com nada nem ninguém.
— Não disse que você é estúpida?
O mundo, minha cara Eunice, pertence aos espertos, àqueles que sabem tirar proveito desse povo ignorante que habita o Brasil em profusão.
Adoro o povão.
Eunice balançou a cabeça para os lados, de maneira negativa.
— Isso ainda vai acabar mal.
Você deverá prestar conta do que faz.
Tem responsabilidade social e, se falhar, o peso da cobrança poderá ser muito maior do que talvez possa carregar.
— Que papo mais estúpido.
Que responsabilidade social que nada.
Eu quero mais é maracutaia.
Quero meter a mão no governo e ganhar muito dinheiro.
Acha que quero ser deputado e futuro presidente para quê?
Para fazer algo pelo país?
Ora, Eunice.
Eu quero é tirar tudo e um pouco mais.
Eu sou inteligente, preciso aproveitar a ignorância das pessoas.
— Vai se dar mal.
— Isso é praga?
— Pode ser.
— Praga de pobre não pega em mim.
— Cuidado para não ser preso.
Genro riu com desdém.
— Você já viu político ser preso ou cassado neste país?
Já viu?
— Ainda não, mas nunca é tarde.
Se continuar assim, vai se dar mal. Sei que vai.
Genaro fez gesto obsceno com um dos dedos.
Eunice levou a mão à boca, estupefacta.
— Grosso!
— Anda, anda.
Sai da minha frente, quero ver minha esposa.
Onde está a donzela?
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 8:39 pm

— No quarto, arrumando-se.
— Arrumando-se para ir aonde?
— Vai ao banco.
— Só torra o meu dinheiro.
Luísa pensa que eu sou o quê?
Cofre público?
Ela vai se ver comigo.
— Não a maltrate, por favor – suplicou Eunice.
Genaro deu-lhe um empurrão e ela caiu sentada no sofá.
— Eu não maltrato minha esposa.
Apenas lhe aplico uns correctivos, quando necessário.
Genaro falou e subiu as escadas.
Eunice balançou a cabeça para os lados.
Até quando Luísa iria suportar aquele homem?
Ela amava Luísa como filha.
Conhecera-a desde pequenina.
Havia uma ligação de amor muito forte que as mantinha unidas, sob quaisquer circunstâncias.
Eunice voltou à cozinha em seguida.
Foi atrás de seus afazeres.
Genaro entrou no quarto e Luísa estava sentada na banqueta defronte à penteadeira.
Escovava seus cabelos castanhos e sedosos.
— Estou feliz – admitiu ele.
Fui eleito. Agora sou deputado federal.
Ela continuou escovando os cabelos.
Sem virar o rosto, encarando-o pelo espelho que reflectia sua imagem, Luísa tornou:
— Você comprou quase todos do seu partido.
Estava na cara que seria eleito.
— Não importa como fui eleito.
O que importa é que fui eleito. Isso sim.
— Entendo.
— E trate de se preparar, porque nossa vida vai mudar.
— Mudar?
— Sim, viajaremos muito a Brasília.
Sempre que possível você vai me acompanhar.
— Está certo.
Serei a esposa de deputado mais correcta e educada do mundo.
Você vai ver.
— Isso sim. Nenhum deslize.
Não foi à toa que me casei com você.
Tem um passado imaculado.
Só falta agora me dar um filho.
Luísa estremeceu.
De novo Genaro vinha com a história de filhos.
O casamento ia de mal a pior.
Ela estava esperando o resultado das eleições para poderem sentar e falar sobre a separação e agora ele vinha tocar no assunto de filho?
— Você precisa ir ao consultório do Dr. Ribeiro.
Há exames que precisam ser feitos para diagnosticar se você é estéril.
O sangue subiu pelas faces de Genaro.
Ele aproximou-se e levantou a mão.
Luísa defendeu-se com a escova.
— Por favor, não me bata! – ela suplicou, de maneira comovente e apavorada.
— Você me irrita.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 8:39 pm

— Desculpe-me, mas...
Genaro a cortou, seco.
— Por que afirma que sou estéril?
Eu não lhe disse que já fui pai?
— Sim... Vo... Você me disse.
Mas aquele menino em Bauru não tem nenhum traço seu.
Como pode afirmar que seja mesmo seu filho?
Que aquela mulher não seja uma embusteira e esteja com vontade de chantageá-lo pelo resto da vida?
— Como saber?
Oras, eu me deitei com ela, puxa vida!
Tenho certeza de que o filho é meu.
E meus advogados acreditam que o melhor é aceitar e dar-lhe gorda mesada para que ela não venha a público arranhar minha imagem.
Imagine uma noticia dessas da imprensa?
Minha reputação conta muito.
— Eu fiz todos os exames, Genaro.
Não tenho problema algum.
Custa você ir ao consultório do Dr. Ribeiro?
Só para tirar essa dúvida?
— Vamos tirar a dúvida agora.
Genaro falou de maneira libidinosa.
Seus olhos ardiam de paixão e Luísa assustou-se.
Ela tentou se levantar, mas ele era bem mais forte.
Arrancou-lhe a escova das mãos, rasgou seu vestido e a arrastou até a cama, puxando-a com extrema força.
Genaro jogou a esposa sobre o leito, arrancou suas vestes de maneira rápida e, antes que Luísa pudesse escapar, ele se jogou sobre ela e a possuiu de maneira violenta.
Dessa vez Luísa não conteve a ira e o desespero invadiu sua alma.
Ela gritou de dor e de humilhação.
Eunice ouviu os gritos dela, mas não podia fazer nada.
Absolutamente nada.
Uma lágrima correu pelo canto de seu olho e ela chorou, chorou e rogou a Deus que ajudasse sua menina a se livrar daquele brutamontes sem coração.
Genaro foi rápido.
Em cinco minutos havia consumado o acto.
Suando muito, ele desprendeu-se do corpo da esposa.
Virou de lado e fez o mesmo ritual de sempre:
abriu à cómoda, pegou um paninho, limpou-se, virou-se novamente e caiu num sono profundo e pesado.
Em instantes seu ronco ecoou pelo quarto, de maneira irritante.
Luísa levantou-se, sentindo uma dor sem igual no baixo-ventre.
As lágrimas escorriam insopitáveis pelo rosto e ela mal tinha forças para se levantar.
Foi ao banheiro, encheu a banheira, temperou a água e entregou-se ao relaxamento.
Naquele instante pensou em se afogar. Era melhor.
Ela tentou uma vez. Depois outra.
Quando ia tomar coragem para cometer o acto insano, Eunice entrou no banheiro.
— Eu ouvi os gritos e orei bastante.
Quando ele começou a roncar, decidi entrar. Como está?
Luísa começou a chorar novamente.
— Genaro é um crápula, Eunice.
Trata-me como se eu fosse um objecto, uma boneca.
Ele mal liga para meus sentimentos.
Veio para cima de mim, machucou-me.
— Ele a estuprou, essa é a verdade.
— Eu não aguento mais viver ao lado dele.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 8:40 pm

— Então se separe.
Você tem seus pais e...
Luísa foi categórica.
— Meus pais foram comprados pelo Genaro.
Eles nunca permitirão que eu me separe dele.
Acha que minha mãe vai me defender?
Vai ficar ao lado da filha e correr o risco de perder a casa, o carro, a mesada que Genaro lhe dá?
Nunca, Eunice.
Eu não tenho ninguém que possa me ajudar.
Só tenho você. E Renata.
— Converse com sua amiga.
Vá ao Centro Espírita.
— Sinto medo.
— Mais medo do que apanhar de Genaro? Duvido.
Depois de tudo o que você tem passado ao lado desse brutamontes, nada mais poderá lhe causar medo.
Luísa titubeou por um instante.
— Creio que você tenha razão.
Renata me disse a mesma coisa dias atrás.
Em outras palavras, mas com o mesmo significado.
Talvez esse seja um sinal para eu procurar ajuda espiritual.
Estou a ponto de explodir, Eunice.
— Ligue para sua amiga.
Eu fiz almoço, mas posso guardar para o jantar.
Convide-a para almoçar.
— Até pensei em ligar, mas Renata tinha compromisso hoje.
Um amigo querido regressou de Londres e ela iria passar o dia com ele.
Não quero, de maneira alguma, atrapalhar.
Eles devem ter muitas coisas para conversar.
Eu prefiro sair, dar uma volta.
— Óptimo! Vá dar uma volta.
— Você poderia vir comigo, Eunice.
— Não posso.
O técnico vem consertar a máquina de lavar roupas logo mais.
Se ele não der um jeito nisso hoje, terei de voltar ao tanque e não tenho mais idade para esfregar roupa.
Imagine eu no tanque esfregando as cuecas de Genaro?
Não mereço esse sofrimento!
Luísa riu.
— Só você para me fazer rir numa hora dessas.
Não gostaria de vê-la fazendo os serviços da casa.
Poderia muito bem acompanhar-me nos eventos.
Eu contrato uma empregada.
— De maneira alguma.
Eu não vou deixar de fazer o que gosto.
Adoro cuidar da casa, das roupas, da comida, de deixar tudo limpo e em ordem.
Eu nasci para isso e gosto disso.
Por favor, não deprecie o meu trabalho.
Afinal de contas, eu não trabalho para você, mas conduzo os serviços da casa porque gosto.
Ponha isso na sua cabeça.
— Eu adoro você, Eunice.
— Eu também a adoro, minha querida.
Eunice levantou-se da beirada da banheira.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 8:40 pm

— A água deve estar esfriando.
Vamos sair daí, antes que pegue um resfriado.
Luísa assentiu.
Levantou-se, apanhou a toalha das mãos de Eunice e enxugou-se com vagar.
— Por que não vai almoçar fora e depois compra alguma coisa para você?
Um vestido, um mimo qualquer.
Dar-se um presente sempre eleva a auto-estima.
— Você tem razão, querida.
Farei isso.
Entretanto, estou sem cheque e sem dinheiro.
O Genaro vive monitorando meus cartões de crédito.
Você me deu uma boa ideia.
Vou me arrumar e ir ao banco.
De lá vou a um shopping, almoço e depois compro algo para mim e para você.
— Eu não preciso de nada.
Seu bem-estar é o meu maior presente.
— Não senhora! Vou comprar sim.
Um vestido bem bonito, do jeito que você gosta.
— Obrigada.
Mas não vá gastar muito.
Não confio na fonte de onde vem esse dinheiro.
Luísa riu.
— Eu vendi algumas peças de roupas num bazar e tenho umas economias.
Vou comprar com o meu dinheiro.
Fique tranquila.
Eunice sorriu.
Fez sentida prece ao Alto, pedindo para que os amigos espirituais pudessem ajudar Luísa a se livrar de Genaro.
O mais rápido possível.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 8:40 pm

CAPÍTULO 10

Renata encostou o carro no meio-fio.
— Chegamos.
— Adoro esse lugar – aquiesceu Maximiliano.
— Eu também.
A comida é deliciosa e o atendimento, um primor.
Renata entregou a chave do carro ao manobrista.
Entraram no restaurante e, como ela e Max eram fregueses assíduos do estabelecimento, logo o gerente apareceu, cumprimentou-os e lhes conduziu a uma mesa afastada do burburinho.
Naquela hora de almoço, o restaurante estava quase lotado e eles queriam privacidade.
Sentaram-se atrás de uma coluna, fizeram seus pedidos e, quando o garção serviu-os de água e refrigerante, entabularam conversação.
— Eu tenho muitas coisas para lhe falar – tornou Max, de maneira alegre.
Agora faço parte do Instituto Scott de Estudos Espirituais.
— O instituto é rigoroso na selecção de seus alunos.
Como chegou lá?
— Uma noite, durante um jantar com um dos artistas que pretendia trazer ao Brasil, fui apresentado ao Dr. Bryan Scott.
— Você o conheceu?
— Em carne e osso, minha amiga.
Um homem admirável.
Está bem velhinho, mas tem uma lucidez, uma percepção das coisas que é fascinante.
Que homem brilhante!
— Eu adoraria conhecer o instituto.
— Poderá conhecê-lo, Renata.
O Dr. Scott quer fazer um intercâmbio com os médiuns e outros estudiosos da vida espiritual daqui.
Você bem sabe que o Brasil é o maior país espírita do mundo.
— Como também acolhemos as religiões africanas, que também acreditam no mundo espiritual e utilizam-se da mediunidade de seus trabalhadores.
— Por certo.
Não é a toa que muitos estudiosos estão de olho na nossa nação.
Renata estava exultante.
— Adoraria participar.
Tenho estudado muito e tornei-me amiga de Mafalda, a dirigente do Centro.
Você a conheceu, antes de ir para Londres.
— E se conheci.
A Mafalda foi quem me disse que essa viagem seria um marco decisivo em minha vida.
— Ela lhe disse isso?
— Disse. Mas foi um tanto vaga.
Talvez estivesse querendo que eu entrasse em contacto com os estudos para depois podermos conversar.
Pensei muito em Mafalda durante minha estada na Inglaterra.
O garção trouxe os pedidos e eles pararam de falar por instantes.
Após o rapaz se afastar, Maximiliano falou, com voz apreensiva:
— Sabe Renata, eu recebi um aviso de que preciso fazer um trabalho de limpeza espiritual em meu apartamento antes de voltar a morar lá.
Vou precisar dos préstimos de Mafalda.
E contarei com sua ajuda também.
Precisarei ficar em sua casa por alguns dias.
— Por mim, meu amigo, pode ficar em casa o tempo que for necessário.
— Eu fui invigilante, Renata.
Coloquei em minha casa um rapaz que mal conhecia.
Um perigo.
— Eu mal paro em casa.
É muito difícil encontrar algum vizinho.
Creio que nunca tenha visto esse...
Como é o nome?
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 8:40 pm

— Guido – respondeu ele, de maneira enfadonha.
Fui tomado de pena e comiseração e resolvi convidá-lo para morar comigo.
Nunca cometi um erro tão crasso em toda a minha vida.
— Você se deixou levar pela pena e esse sentimento nunca deve ser alimentado.
Mas você colocou o menino lá.
Por acaso aconteceu alguma coisa?
Eu recebi uma mensagem dos amigos espirituais de que havia algo de estranho no prédio e que deveria fazer determinadas orações.
Tive de comprar inclusive um livro de salmos.
Leio o de número 91 diariamente.
— A leitura dos salmos é poderoso instrumento de ligação com as forças espirituais superiores.
No instituto, há um grupo de estudiosos que se debruçam sobre o poder dos salmos e como sua leitura nos beneficia.
— Por enquanto é o que faço.
Mas você soube de mais alguma coisa?
Maximiliano passou a mão pelos cabelos.
— Sim. Fui alertado de que o ambiente em casa está impregnado de energia sexual de baixa vibração.
Parece que Guido usou minha casa como local para promover orgias.
— Nunca vi nenhum movimento estranho no prédio.
— Ele botou um rapaz para morar lá.
— É sério?
— Sim.
— Sem o seu consentimento?
— Eu nunca deveria ter deixado minha casa nas mãos de um estranho.
— Não adianta se lamentar.
O estrago foi feito e, pelo jeito, o apartamento está impregnado de energias negativas.
— Por essa razão eu não posso entrar lá.
Há necessidade de uma defumação e da utilização de algumas ervas que talvez Mafalda nos oriente a usar.
— Mafalda é boa na indicação de ervas.
Tenho certeza de que vão conseguir reequilibrar as energias de sua casa.
— Assim espero.
— Escute, Max.
— Sim?
— Você, eu, Mafalda e os espíritos amigos vamos promover essa limpeza no ambiente, certo?
— Certo.
— E o que vai fazer com esse tal de Guido?
Max suspirou.
— Precisaremos ter uma conversa dura e firme.
Eu não posso mais alimentar essa pena que sinto dele.
Isso só vai nos causar mais dissabores.
Um amigo meu, em viagem recente a Londres, disse que o viu várias vezes na companhia de outro jovem.
Eu sabia que ele tinha hospedado um moço no prédio, mas, engraçado, não sinto que esse rapaz passe algo de negativo.
— Vai ter de tirá-los de sua casa.
— O que me preocupa, Renata, é que alguns amigos me alertaram que Guido anda com aquele empresário, Gregório Del Prate.
Renata levou a mão à boca, estupefacta.
— Que horror! – ela bateu por três vezes a mão sobre a mesa.
Se seu amiguinho anda metido com Gregório Del Prate, então vamos ter de exorcizar a sua casa!
Maximiliano riu a valer.
— Você é danada, Renata. Danada!
— E não?
O mundo todo sabe que Gregório é o capeta em forma de gente.
Sabemos de tantas coisas ruins que ele aprontou com pessoas próximas a nós, gente do bem...
— Pois é.
Vou ter uma conversa definitiva com Guido.
Quero marcar um encontro com ele hoje mesmo.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 8:40 pm

— Pode ser lá em casa.
— Não acho uma boa ideia.
Ele pode se revoltar e...
— E o quê?
Ora, Max, estamos ligados ao bem.
Aliás, somos pessoas de bem.
Vamos orar e pedir a ajuda aos nossos amigos do astral superior.
Minha casa é um santuário e tenho certeza de que, sendo lugar neutro, seu amiguinho Guido não vai fazer nada.
Podemos também recorrer à Mafalda.
— Ela poderia nos atender hoje?
Renata deu um risinho abafado.
— Conversei ontem com Mafalda.
Ela disse que posso procurá-la a hora que quiser.
Podemos almoçar e ir ao Centro Espírita.
Não está cansado?
— Não. Estou óptimo.
Quero resolver essa situação o mais rápido possível.
*****
Caio entrou no banco e foi até o caixa.
A instituição estava vazia e ele logo foi atendido.
Chegou ao caixa e fez o depósito em sua conta.
— Preciso sacar algum dinheiro.
— Vou verificar com o gerente, senhor.
O cheque é desta mesma agência e, se tiver fundo, o senhor poderá retirar quantia limitada.
Este valor – o caixa apontou para o cheque – somente é liberado caso o senhor faça pedido de saque com quarenta e oito horas de antecedência.
— Onde aguardo?
— Aqui mesmo. Já volto.
Caio sorriu e assentiu com a cabeça.
O caixa foi até o gerente, que viu o cheque e imediatamente ligou para a Cia. de Perfumes.
Conversou com Gregório e, em seguida, permitiu que Caio sacasse determinada quantia.
O gerente assinou o cheque e o devolveu ao caixa, que pegou o dinheiro, contou as notas por duas vezes e, em seguida, entregou-as a Caio.
— O senhor pode conferir?
— Não é necessário, você já fez isso por duas vezes.
O caixa sorriu e agradeceu.
Caio rodou nos calcanhares e, enquanto contava algumas notas, de cabeça baixa, deu tremendo esbarrão na moça que também saía do banco.
O choque foi tão grande que ela se desequilibrou e caiu.
— Mil desculpas – foi o que ele pôde pronunciar.
Abaixou-se imediatamente e a ajudou a se levantar e se recompor.
Machucou-se?
— De maneira alguma.
Eu me desequilibrei, mais nada.
Está tudo bem.
— Mesmo?
Não quer um copo d’água?
Luísa sorriu e Caio estremeceu.
Nunca vira mulher mais bonita em toda a sua vida.
Seu coração bateu descompassado e ele procurou ocultar a emoção.
— Desculpe-me mais uma vez.
Ela estendeu a mão.
Achou-o bonito e simpático.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 8:41 pm

— Eu adoraria tomar um refresco.
— Está muito calor – tornou Caio.
— Quer me acompanhar?
— Desde que eu pague.
— Oras, por quê?
— Eu fui o responsável pelo acidente.
Depois, vou levá-la para casa.
— Não será necessário – Luísa apontou com o dedo.
Há uma lanchonete na outra esquina.
Vamos até lá?
— Meu nome é Caio.
— Muito prazer.
O meu é Luísa.
Caio assentiu com a cabeça.
Não tinha palavras.
Estava atordoado com tamanha beleza.
Seu coração continuava batendo descompassado.
A cada esbarradinha, a cada toque entre seus corpos, Caio sentia um leve tremor, uma sensação que nunca sentira na vida.
Nem mesmo nos braços de Sarita.
Será que isso era o que Sarita lhe dissera sobre cara-metade?
Caio estava com os pensamentos confusos, não conseguia articular direito as palavras, tamanha a emoção diante daquela mulher que lhe despertava os mais nobres e puros sentimentos.
Caio estava encantado.
Era como se a conhecesse, como se já a tivesse visto em algum lugar?
Ele tinha essa certeza.
De onde a conhecia?
Enquanto caminhavam em direcção à lanchonete, Henry suspirou feliz.
— Até que enfim eles se encontraram.
Eu pensei que isso nunca fosse acontecer.
— Continua ansioso, não é mesmo? – inquiriu Carlota.
— Por certo.
Eles foram meus pais.
E serão de novo.
— Você não vê que tudo na vida ocorre na hora e no tempo certos?
— Sim, mas...
Carlota prosseguiu, sem deixá-lo falar.
— Quantos cursos fez aqui no astral?
Será que não aprendeu nada?
Henry abaixou a cabeça, envergonhado.
— Não é isso, Carlota.
A ansiedade é natural.
Sei que tudo corre no tempo certo, tudo está programado no Universo e não cai uma folha de uma árvore sem o consentimento do Alto.
Entretanto, fui abandonado pelo meu pai e demorei muito para perdoá-lo.
Amargurado pelo seu abandono, tornei-me um péssimo filho para minha mãe.
Ela não merecia esse desgosto.
Já havia sido abandonada, e eu me senti revoltado.
Não juntei forças para lhe dar suporte, carinho e atenção.
Carlota levou a mão delicadamente sobre seus lábios.
— Você fez o que achou melhor.
— Agora quero fazer tudo diferente.
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Ave sem Ninho

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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 8:41 pm

— Primeiro aguardemos até que Luísa torne-se mais forte, dona de si.
Há necessidade de ela mudar crenças e atitudes que a impedem de crescer.
Ela é muito insegura, ainda, ao lado de Genaro.
Ela deve ter a noção de que também tem força, e, assim, tudo poderá ser diferente.
— Eu gosto de Caio.
Ele aprontou muito e deixou minha mãe numa situação de penúria.
— Ele fez o melhor que pôde.
Sabe que ele se comprometeu a ajustar-se com vocês dois.
Vamos ver se ele é forte o suficiente para aguentar o tranco que virá pela frente.
— Farei o possível para ajudá-lo.
Meu pai ontem, meu pai hoje...
— Calma Henry.
Ainda nem conversamos com eles.
Essa etapa – o seu reencarne – só poderá ocorrer depois de determinadas situações mal resolvidas entre Caio, Gregório, Luísa e Genaro.
Depois que isso se resolver, poderemos traçar sua nova vida.
— Estou louco para voltar ao orbe, Carlota.
Quero jogar bola, dormir de tarde, tirar férias.
Aqui no astral se trabalha e se estuda muito.
Estou cansado de tantas actividades.
Carlota riu.
— Pena que os encarnados não pensem como você.
Para os habitantes da crosta terrestre, o nosso mundo é o do descanso.
Pobres coitados, não sabem aproveitar essa vida cheia de situações que lhes permitem viver entre doses cavalares de descanso.
— Quem me dera poder ir a uma praia e refastelar-me na areia, tomar banho de mar, ficar deitado e receber os raios benéficos do sol em minha pele.
Ah, Carlota, que saudade dessa vida boa.
— Ora, ora, você nunca viveu no Brasil!
— Mas agora eu quero viver aí sim.
Quero reencarnar neste solo sagrado e, se possível, fazer meus pais se mudarem para uma cidade litorânea.
— Você e seus planos.
Vamos Henry.
Deixemos Caio e Luísa se conhecerem, ou melhor, se reconhecerem.
Era chegado o momento.
— Só um instante.
Henry afastou-se e aproximou-se de Luísa, beijando-lhe a fronte.
— Se cuida mãe!
Logo estaremos juntos.
Luísa não registou o beijo, mas sentiu tremendo bem-estar.
Assim que recebeu o beijo de Henry ela sorriu.
Caio novamente encantou-se com aquele sorriso singelo e sincero.
Entraram na lanchonete, sentaram-se em banquetas ao redor do balcão.
Pediram um guaraná.
— O que você faz afinal, Caio? – perguntou Luísa, de maneira inocente.
— Sou modelo.
— Modelo?
— Sim. Farei campanha para um perfume.
— Adoro perfume.
Puxa um rapaz importante.
Caio sorriu.
— Nem tanto.
Ainda não assinei contrato, sabe?
Mas recebi um adiantamento.
Estava agora a pouco no banco para efectuar o depósito em minha conta.
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Ave sem Ninho

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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 8:41 pm

— Eu estava sem dinheiro e vim para pegar algum.
Caio notou a aliança dourada no dedo anular dela.
Sentiu uma tristeza, um desapontamento sem igual.
Quis que o chão se abrisse e ele sumisse.
— O que foi?
Parece triste.
Caio dissimulou.
— Seu marido não lhe dá dinheiro?
— Como sabe que sou casada?
— Notei sua aliança.
Luísa corou.
— Bom observador – ela baixou os olhos, um pouco envergonhada.
— Você está bem?
Também me parece triste.
— Eu sou uma mulher triste.
Vivo presa a um casamento sem amor.
O semblante de Caio iluminou-se.
Havia uma chance...
— Oras, então por que não se separa?
Hoje é tão comum entre os casais.
— Adoraria ter essa coragem.
Mas meu marido é político, acabou de se eleger deputado federal.
Uma separação a essa altura dos acontecimentos não lhe faria bem.
— Você é pura de coração – rebateu Caio.
— Por que diz isso?
— Está interessada no bem-estar de seu marido.
— Não é bem assim.
Minha família também está metida nisso – Luísa afastou os pensamentos com as mãos.
A história é longa.
— E quem vai cuidar do seu bem-estar?
— Você tem razão.
Entretanto, o que fazer?
Eu não tenho formação, sempre fui criada para ser dona de casa.
Se eu me separar de meu marido, como sobreviverei?
— Para tudo tem jeito na vida – redarguiu Caio.
Eu sou do interior, sabe?
Cheguei a São Paulo determinado, a princípio para seguir a carreira de modelo.
Mas no começo eu me afastei de meus objectivos e acabei me envolvendo em outras actividades.
— O que você fez?
Caio enrubesceu.
Luísa o fitou.
Estava esperando a resposta.
Será que podia confiar nela?
Eles mal se conheciam, entretanto, Caio sentiu-se tão à vontade na companhia dela, que não hesitou em ser franco e directo.
— Eu sempre fui ligado em sexo – ele pigarreou e Luísa arregalou os olhos.
Ele iria parar, mas ela fez menção com a cabeça para que ele continuasse.
– Cheguei a São Paulo e, influenciado por um amigo, comecei a ganhar dinheiro com sexo.
Eu me prostituía.
Luísa levou a mão à boca.
— Oh, que triste.
Como pôde ter estômago para viver disso?
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 8:41 pm

— Prazer e necessidade, aliados.
Eu sempre tive um fraco por sexo e também precisava de dinheiro.
Juntei a fome com a vontade de comer.
— E você ainda faz... Isso?
— Não mais.
— Não mesmo?
Caio meneou a cabeça para os lados.
— Pensei muito em minha mãe, que vive lá no interior.
Ela não merece isso.
Deu duro para criar a mim e minha irmã.
— Ah, você tem uma irmã?
— Tive. Norma morreu anos atrás.
— Sinto muito – respondeu Luísa.
Eu também não tenho pai.
Ele morreu quando éramos pequenos.
Eu tinha dois anos e nem me lembro da figura paterna.
Mamãe sempre foi mulher batalhadora e fez de tudo para que eu me tornasse alguém na vida.
Por esse motivo, prometi a mim mesmo que, de agora em diante, só serei motivo de orgulho para ela.
— Fico feliz que pense dessa forma.
— Você continua sorrindo e conversando comigo.
— E daí?
— Não me recrimina pela vida que tive?
— Por que o recriminaria?
— Preconceito, talvez...
— Eu acabei de conhecê-lo e o que você fez de sua vida até agora não é do meu interesse.
Claro, de agora em diante, ficarei de olho em você.
Creio que ganhei um amigo.
Caio sentiu brando calor no peito.
Nunca tinha sentido algo semelhante por alguém antes.
Ele se sentiu imediatamente atraído por ela.
Apaixonado seria o termo mais adequado.
Amor à primeira vista seria perfeito para traduzir esse encontro.
Mas o que fazer?
Luísa era casada.
Acima de tudo, deveria – e queria – respeitá-la.
— Você é muito legal, Luísa.
Obrigado por não me recriminar.
Eu prometo a você que serei um grande amigo e você terá muito orgulho de mim.
— Assim espero.
Terminaram de beber o refrigerante.
Caio pagou a conta e, antes de se despedirem, ele disse:
— Eu ainda não tenho lugar para ficar.
Estou de mudança.
Importa se me der seu telefone?
Espero, até a semana que vem estar em outro apartamento.
Só meu.
— Que inveja.
Adoraria ter um apartamento só para mim, uma vida independente, ser feliz.
Caio encarou-a nos olhos.
— Você tem tudo para ser feliz.
Luísa estremeceu.
A presença de Caio a desestabilizou.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 8:42 pm

Não sabia se pela beleza ou pela inocência.
Ou por outros factores que por ora ela não saberia explicar.
Mas sentia algo como há muito tempo não sentia.
Ela disfarçou.
— Espero que um dia isso aconteça.
— Bom, preciso ir e cuidar de minha vida.
Apenas diga-me uma coisa...
— Sim?
— Gostaria de me ajudar na decoração do apartamento?
— Oh, adoraria!
— Eu devo arrumar um lugar por estes dias.
Depois, terei de comprar móveis, objectos para a casa e não levo muito jeito para isso.
Você me ajudaria?
— Mas é claro.
Façamos o seguinte.
Eu vou lhe dar o telefone de casa.
Caio hesitou.
— E seu marido?
Não pode arrumar encrenca com você?
— Não. Ele é muito ocupado com política.
Agora que se elegeu deputado deve ficar mais em Brasília que em casa.
Graças a Deus.
Caio riu por dentro.
Parecia que Luísa era infeliz no casamento.
Para ele, havia uma chance.
Ele disfarçou o que ia a seu coração.
— Assim que arrumar o apartamento, eu ligo.
— Combinado – Luísa abriu a bolsa e retirou um cartão.
É melhor me ligar após o almoço.
Nesse horário meu marido nunca está em casa.
— Eu ligarei sim – Caio lhe estendeu a mão.
Prazer em conhecê-la, Luísa.
— O prazer foi todo meu.
Caio a viu sumir pela rua.
Sentiu novamente aquele calor no peito.
Não queria se separar dela.
Não queria que aquela conversa terminasse.
Já sentia saudade da companhia de Luísa.
Será que era normal?
Ele não saberia responder.
Sorriu para si mesmo e voltou para casa, feliz.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 09, 2016 8:42 pm

CAPÍTULO 11

Maximiliano e Renata chegaram ao Centro Espírita pouco antes da abertura dos trabalhos espirituais da tarde.
Geralmente, durante as tardes, eram feitas consultas e tratamento de passes.
Caso houvesse algum problema espiritual mais sério – como obsessão, por exemplo –, a pessoa era encaminhada para o horário da noite, no qual havia um grupo de médiuns da casa treinados para esse tipo de trabalho.
Os dois foram recebidos por uma moça simpática que os conduziu imediatamente à sala de Mafalda.
Ela bateu levemente e Mafalda deu ordem de entrar.
— Mafalda, aqui está a Renata e seu amigo.
— Faça—os entrar.
A moça fez sinal para os dois e eles entraram.
Em seguida, perguntou solícita:
— Aceita uma água, um café?
— Não quero nada – respondeu Renata.
— Eu também não desejo nada.
Obrigado – redarguiu Maximiliano.
Mafalda levantou-se e foi até eles.
Cumprimentou Renata com um beijo e um abraço.
Era mulher muito afectuosa e demonstrava isso nos cumprimentos e trato com as pessoas.
— Como vai, minha querida?
— Estou muito bem, Mafalda.
Melhor, impossível.
Sempre ligada com os amigos espirituais do bem.
— É assim que se faz – ela encarou Maximiliano e abriu largo sorriso.
Estava lhe esperando, meu amigo.
Bom ter vindo aqui.
— Nosso último encontro foi tão rápido!
Espero poder ter mais de seu tempo.
Mafalda o beijou na face e o abraçou efusivamente.
De seu corpo emanava um calor agradável, que fez Max se sentir muito confortável.
— Os espíritos me avisaram que você viria.
— Mesmo?
— Sim. Por favor – ela fez sinal para duas poltronas –, sentem-se.
— Eu sabia que você poderia nos atender, Mafalda.
— Você foi intuída a trazer o Max até aqui.
— Eu?!
— Sim. Você tem progredido bastante aqui em nosso Centro.
Procura estudar com afinco, tem construído dentro de si uma fé inabalável.
Tem progredido bastante no caminho do bem.
Os espíritos amigos contam com encarnados como você.
— Obrigada, Mafalda.
Desde que vim para cá, minha vida mudou para melhor.
Eu cresci muito, em todos os níveis.
E creio que os espíritos amigos podem contar comigo para o que der e vier.
— Por tudo isso, usaram-na como instrumento para trazer nosso nobre amigo até aqui.
— Eu sou um simples mortal – rebateu Max.
Tenho ainda muito que aprender.
— Por certo, meu amigo.
Entretanto você se ligou a um poderoso grupo de estudiosos lá na Inglaterra e juntos realizarão grandes feitos no mundo.
Max estava estupefacto.
— Como sabe disso?
— Eu sei de muitas coisas – respondeu Mafalda, num sorriso encantador.
E sei que, neste momento, precisamos nos dedicar à limpeza astral de sua casa.
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Re: PARA SEMPRE COMIGO - Marco Aurélio / Marcelo Cezar

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