Na sombra da montanha - António Carlos / Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

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Re: Na sombra da montanha - António Carlos / Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 30, 2016 11:15 am

No presente, não tem como estarem juntos.
Ele seguiu, não parou; para ele, a vida continuou.
Reencarnou numa família estruturada, estudou, tem um bom emprego, encontrou outro amor e tem um filho.
— Eu fiquei aqui lamentando e chorando por ele, que me esqueceu e agora está feliz com outra.
— Não lamente mais.
Quando amamos alguém, queremos que o ser amado esteja bem e feliz perto ou longe de nós.
O que você prefere:
vê-lo bem ou, como pensava, sofrendo horrores?
Quando ele teve seu corpo físico morto, entendeu que não poderia ficar ao seu lado, pois este acto é obsessão; ele sofreria e a faria padecer.
Desejou que você fosse feliz, refizesse sua vida.
Marcelo reencarnou porque foi aconselhado a continuar aprendendo e a fazer o bem.
Aceite nosso convite para morar num local onde aprenderá a ser útil.
Cuide agora de você para, no futuro, cuidar de outros e ser feliz.
— Vocês têm razão.
O que eu fiz por mim?
Muito pouco. Quero estudar.
Acho que já é hora de perdoar e pedir perdão.
Vou com vocês. Desculpem-me!
Não se preocupe, Estela:
depois do que ouvi, não volto mais aqui.
Marcelo, você me amou?
É tão triste partir daqui pensando que não fui amada por ninguém.
— O que recordo— - respondeu Marcelo— - é que, desde que a vi, queria fazê-la feliz.
Quando desencarnei, desejei ardentemente que você me esquecesse e refizesse sua vida.
Queria que se casasse com uma pessoa boa, tivesse um lar e filhos.
Estes desejos são de pessoas que amam.
Continuo a lhe desejar a mesma coisa, quero que seja feliz.
Eu amei você, Mimi!
E continuo lhe querendo bem.
— Acho que compreendi.
Vou aprender a amar assim.
Tentarei ficar bem. Obrigada.
Estou cansada. Adeus!
Elisa suspirou, enxugou o rosto.
Através da mediunidade de Marta, o orientador esclareceu:
— Meus companheiros de trabalho, os dois moradores da casa aqui presentes e Marcelo, nada é por acaso.
Você nos preocupava, sabíamos que tinha que resolver esta dificuldade e estamos contentes por tê-la solucionado.
Podemos tirar destas duas reuniões um bom exemplo.
Fazemos de nossa vida o que queremos.
Marcelo, na sua encarnação anterior, perdoou, sentiu por ver aqueles que amava sofrerem, não se importou por ser taxado de "suicida", continuou a viver no bem.
Quando Marcelo reencarnou nestas terras, tinha pedido para ter mediunidade para ajudar as pessoas deste local com benzimentos, orientando desencarnados e até sanando dores físicas.
Não teve tempo, desencarnou e não foi culpa dele.
Foi uma prova. E obteve êxito.
Perdoou na prática, como havia aprendido na teoria.
Quis voltar ao físico para fazer o que havia planeado anteriormente, e esperamos que continue fazendo o bem com sua mediunidade.
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Re: Na sombra da montanha - António Carlos / Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 30, 2016 11:15 am

Você se sentirá melhor porque Mimi não chorará mais por você e não sentirá mais tristeza.
Nem todas as tristezas que encarnados sentem sem entender são por esse motivo.
O seu, Marcelo, foi especial, como é para cada pessoa.
Cada um tem uma história de vida.
Uma causa comum de melancolia é deixar a mediunidade sem usá-la para o bem.
Agora me afastarei da médium, mas ficarei aqui. Boa noite!
— Boa noite! -— responderam todos.
Juarez orou agradecendo.
Acenderam a luz.
— Você está bem, Marcelo?
— Marta estava preocupada com seu companheiro de trabalho.
— Sinto-me aliviado!
Como falei, desde que cheguei aqui, senti conhecer o lugar.
Não dentro da casa, porque nunca entrei aqui, mas o morro, o jardim e o pomar.
Quando Mimi começou a contar, as cenas vieram à minha mente, e lembrei de mim jovem, dela, dos nossos encontros, do amor puro e sincero.
Ainda bem que não recordei do meu enforcamento.
Quando Mimi falou que me suicidara, tive a certeza que não e acabei por falar.
Peço-lhes desculpas pela intromissão.
Espero que ela aproveite esta oportunidade e fique bem.
— Com certeza, Mimi irá melhorar— - opinou Marta.
— Ela se desiludiu ao saber o que ocorreu aqui.
Saber a verdade lhe fez muito bem.
Se ela quiser reencarnar, o fará longe daqui e de Marcelo.
Este espírito precisa aprender a amar outras pessoas.
— Estou envergonhada— - falou Estela.
— Repeli os desencarnados que estavam aqui e agora, sabendo o que ocorreu com eles, percebi que eram eles quem mais precisavam de auxílio.
Espero mesmo que todos fiquem bem, que não sofram mais e que Mimi seja feliz.
Ela sofreu tanto, merece receber o bálsamo do esquecimento e um novo recomeço.
— Deseje isso a ela em oração.
Sua lembrança carinhosa a estimulará— - aconselhou Juarez.
— Como pode um desencarnado ficar tanto tempo num lugar? -— perguntou Epaminondas.
— Temos o nosso livre-arbítrio— - respondeu Marta.
— Se analisarmos o que escutamos, nenhum deles se arrependeu de seus erros, perdoou, e julgavam que o errado era o outro.
Não clamaram por socorro.
Se tivessem orado, pedido ajuda, seriam socorridos? -— o dono da casa quis saber.
— Com certeza— - explicou Marta.
— Se o pedido fosse sincero, seria ouvido por algum socorrista, que viria aqui para ajudar.
Orações não ficam no chão, como dizia minha mãe.
Elas têm respostas.
Se tivessem rogado por ajuda, receberiam.
— Uma das causas— - concluiu Epaminondas— - de eles terem ficado aqui foi porque não lembraram de orar, de Deus, não reconheceram seus erros e não perdoaram os erros dos outros.
Talvez, se eu tivesse orado por eles, os teria ajudado.
— Sem dúvida -— elucidou Juarez.
— Se você tivesse orado pelos desencarnados que aqui estavam, eles receberiam energias boas que os fariam orar também.
Quando oramos com sinceridade, recebemos conforto, energias salutares que nos modificam para melhor.
— Senti pena de Mimi -— falou Marcelo—, tanto tempo alimentando mágoa.
Queria ajudá-la!
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Re: Na sombra da montanha - António Carlos / Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 30, 2016 11:15 am

— Ore para ela —- aconselhou Marta— - deseje que Mimi esteja bem, num óptimo lugar.
Pensando assim, você a fará querer ficar como você deseja.
Marcelo, esqueça essa história.
Você recordou de alguns acontecimentos de sua existência anterior, não pode modificá-la, o que passou, passou.
Você tem responsabilidades nesta, no presente.
Está casado, tem filho, trabalha com sua mediunidade fazendo o bem.
Com certeza não sentirá mais ter algo para resolver, porque foi resolvido.
— Sou grato por isso.
Aceitei o convite para vir aqui ajudar uma família e fui eu o ajudado.
— Isso sempre acontece -— falou Marta.
— Foram muitas as vezes que encontrei soluções para os meus problemas ajudando pessoas a solucionar os delas.
— De facto -— Marcelo estava realmente aliviado —- o que importa é o presente.
- Se Marcelo tivesse se suicidado, como estaria agora? -— Estela quis saber.
— É difícil responder a esta sua pergunta.
Não existe regra geral na espiritualidade -— respondeu Juarez.
— Cada caso é visto de maneira especial.
Porém, matar é um erro grave, pois priva alguém de ter seu aprendizado na matéria física.
Suicidar-se é quase sempre tentar fugir de um problema para tê-los maiores depois.
Mas nada é para sempre.
Todos os que erram poderão se arrepender, pedir perdão, perdoar a si mesmos e ter também um novo reinicio.
Isto ocorre também com o suicida, e são levados em conta como ocorreu e por quê.
— O suicida pode trazer na sua próxima encarnação sequelas de seu acto impensado? -— perguntou Estela.
— Você disse algo muito certo -— elucidou Juarez.
— "Ato impensado"! Creio que, se alguém com ideias suicidas pensasse bem, não o cometeria.
Volto a dizer que cada caso é um caso.
Pode ocorrer que, tendo matado um corpo sadio, poderá ter um corpo doente para aprender a dar valor a um corpo saudável.
Às vezes, o remorso que sente um suicida é destrutivo, não consegue harmonizar seu perispírito e poderá, sim, reencarnar com sequelas.
— A doutrinação de suicidas é difícil? -— indagou Epaminondas.
— Por muitas vezes -— contou Marcelo —- em reuniões de orientação a necessitados desencarnados, pela minha mediunidade, foram doutrinados imprudentes que se suicidaram e também espíritos desesperados que, pelo uso de drogas, foram considerados suicidas inconscientes.
— Abusaram do seu físico e mudaram de plano antes do previsto.
Suicidas inconscientes agem assim? -— perguntou o dono da casa.
— Temos o dever de cuidar do nosso corpo físico -— respondeu Juarez.
— Ele é a vestimenta do nosso espírito por um período.
Erramos quando não cuidamos bem dele.
O corpo físico deve ser higienizado, alimentado com alimentos saudáveis, não fadigado demais.
Bebidas alcoólicas, cigarros e principalmente entorpecentes prejudicam muito a vestimenta carnal e, se em excesso, o adoecem.
Temos visto muitas pessoas desencarnarem antes do previsto e, podem, sim, ser consideradas suicidas; dizemos "inconscientes", mas creio que podemos dizer que nem tanto, porque actualmente a maioria tem conhecimento, ao fazer uso destes tóxicos, que estão prejudicando a sua saúde.
A maioria dos viciados não quer desencarnar, quer somente continuar com seu vício.
Penso também que muitos dos suicidas não queriam morrer, mas se livrar de uma situação aflitiva.
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Re: Na sombra da montanha - António Carlos / Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 30, 2016 11:15 am

Juarez fez uma ligeira pausa e voltou a elucidar:
— Temos um carinho especial por esses espíritos, e eles são bem recebidos nas nossas reuniões.
Costumamos orientá-los.
Normalmente, eles estão muito desarmonizados, perturbados, então usamos da sugestão.
Com o auxílio da equipe espiritual, eles voltam a ser como antes de começar a se viciar ou a ter problemas aflitivos.
Nosso perispírito é modificável; desencarnados que sabem modificam a si mesmos e a outros, fazendo-se passar até por outros espíritos.
Usamos deste processo para socorrer.
Exemplo: um homem teve seu corpo físico morto aos quarenta anos, fez sua passagem viciado em cocaína.
Ele começou a se drogar aos dezassete anos.
O doutrinador encarnado sugestiona-o a lembrar de como era aos quinze anos, e seu perispírito vai se modificando até ter a aparência que tinha aos quinze anos.
O desespero desse socorrido passa, assim como as dores e a vontade de se drogar, então ele raciocina.
Mas não esquece o que lhe aconteceu.
Lembra-se de tudo, como nós recordamos do que nos ocorreu no mês passado.
Ele é levado para um dos hospitais no plano espiritual, onde continuará recebendo tratamento.
Este socorro tem dado resultado e, com os suicidas, muito mais.
Este necessitado tem seu perispírito modificado para antes de seu desencarne, é orientado e depois levado para um auxílio maior.
— Compreendo agora o porquê de orientadores e médiuns terem de estudar -— falou Estela.
— Realmente -— completou Juarez a conclusão de Estela.
— Quando se sabe, podemos, de facto, fazer o bem e ser úteis.
É pelo estudo que nos habilitamos a auxiliar os outros neste trabalho de orientação.
Porém, estes conhecimentos que adquirimos pelo estudo somente podem dar frutos se os vivenciarmos.
Teremos êxito se fizermos exactamente o que aprendemos.
— Estou conhecendo outra forma de caridade e estou maravilhado! -— suspirou Epaminondas.
— Alimentar pobres é uma boa obra, mas alimentar almas é ainda mais nobre e útil! -— exclamou Juarez.
— Estou muito agradecido por vocês terem vindo -— o dono da casa agradeceu.
— Ajudaram muito. Sinto-me auxiliado.
Não somente por estarmos livres dos desencarnados, mas por ter compreendido tantas coisas.
Uma delas foi:
a melhor coisa que pode um homem fazer por si é fazer o bem ao próximo.
Se um deles tivesse feito o bem, talvez um dos beneficiados teria tentado ajudá-lo.
Não é isto?
— É -— respondeu Marta.
— Quando fazemos o bem a alguém, a nós primeiro fazemos.
Isto ocorre também com as más atitudes.
Vamos encerrar a reunião, acho que estamos cansados, principalmente Elisa e Marcelo.
Vamos tomar o chá para depois descansar.
Saíram do escritório, foram à sala de refeição.
— A casa está diferente -— comentou Epaminondas.
— Está com boas energias -— afirmou Juarez.
— Vamos mantê-la assim -— prometeu o proprietário.
Tomaram o chá e foram descansar.
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Re: Na sombra da montanha - António Carlos / Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 30, 2016 11:16 am

14. Sempre amigos

Estela acordou contente, foi preparar o café e encontrou Josemar na cozinha.
— Bom dia, dona Estela!
O dia está bonito como sempre, mas tem algo diferente, está mais agradável.
Acho que é por causa das visitas.
— Você tem razão, o dia está óptimo.
De facto, tem a ver com as visitas, elas são espíritas e vieram nos ajudar.
— Dona Estela, "desencarnados" são as assombrações?
— São pessoas que tiveram o corpo físico morto e continuaram vivos.
Os que estavam aqui eram perturbados e perturbavam, foram orientados e levados para um auxílio.
— Graças a Deus!
Todos se levantaram.
Com os hóspedes na casa, o sino não foi tocado.
Alegres, tomaram o desjejum.
— Como prometi -— falou Marta —- vamos agora nos reunir para fazer o Evangelho no lar.
Vamos ao escritório.
Reuniram-se no escritório e se acomodaram.
Isabela se sentou pertinho de Marta, que explicou:
— Faço o Evangelho na minha casa todo domingo às vinte horas.
É bom marcar dia e hora.
Nosso orientador espiritual está aqui e disse que, se vocês quiserem, ele virá para fazer o Evangelho com vocês.
— Será um prazer enorme recebê-lo! -— exclamou Epaminondas.
— O que você acha, Estela, de fazermos todos os domingos pela manhã?
Às oito horas?
— Combinado! -— Estela concordou.
— Se, por algum motivo -— Marta os orientou, -— uma viagem, quiserem mudar a data, avisem, fale alto, antes de iniciar, que a reunião seguinte não poderá acontecer no dia marcado e remarquem.
São muitas as maneiras de se fazer o Evangelho.
Se quiserem, podem colocar um recipiente com água por perto e tomar logo após; nosso orientador pode energizá-la ou qualquer bom espírito que vier participar deste culto no lar.
Pode-se também substituir a leitura do Evangelho de Kardec, pelos Evangelhos da Bíblia ou por leituras da literatura espírita.
Hoje iremos abrir por acaso o livro.
Depois, se vocês quiserem, podem começar do início, cada vez ler um texto.
Pode-se comentar o que foi lido, conversar sobre problemas e pedir a Deus e aos bons espíritos orientações, a Jesus que nos dê muita luz, e agradecer por tudo de bom que recebemos.
— Podemos pedir pelos desencarnados? -— perguntou Epaminondas.
— Sim -— respondeu Juarez -— podemos pensar numa luz maravilhosa, flores e enviar em pensamento para os desencarnados desejando que estejam bem e felizes.
Iniciamos o Evangelho sempre com uma prece.
Alguém quer fazê-la?
— Eu quero -— pediu Isabela.
— Pois faça, meu bem -— autorizou Marta.
— Jesus, eu te amo!
Nós o amamos!
Um beijo! -— a garotinha colocou as mãozinhas na boca e depois as levantou para o alto -— Muá! Muá!
Os adultos sorriram.
— Para quem está mandando beijos? -— perguntou Mariano.
— Para Jesus! -— respondeu a menina.
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Re: Na sombra da montanha - António Carlos / Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 30, 2016 11:16 am

— Você fez uma oração muito bonita! -— elogiou Juarez.
— Vamos abrir o livro O Evangelho Segundo o Espiritismo e ler um trecho -— Juarez fez compassadamente a leitura da lição: "O homem de bem".
— O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza... (1)
— Alguém quer comentar? -— indagou Marta.
- O que mais admiro nessa lição -— disse Juarez -— é que devemos amar verdadeiramente e seguirmos os ensinamentos de Jesus.
Porque, se o fizermos mais ou menos, podemos cair no risco de sermos pessoas mais ou menos.
— O que ouvi é o mais lindo ensinamento para bem viver -— comentou Epaminondas.
— Vou ser um menino do bem -— afirmou Felipe.
— É um texto muito bonito! -— exclamou Mariano.
— Quero ler essa página mais vezes.
— Vou deixar este livro com vocês e mandar pelo correio ou por Elisa as obras de Allan Kardec.
É nosso presente! -— falou Juarez.
— Obrigado, aceito o presente e fico contente, -— agradeceu o dono da casa.
— Como venho na quarta-feira à vila, posso passar por aqui e trazê-los -— ofereceu-se Elisa.
— Combinado, você os trará -— concordou Juarez.
— Quero agradecê-los -— Estela estava emocionada —- saíram de suas casas e vieram nos ajudar.
Sou muito grata pelo auxílio do grupo e, primeiramente, a Deus.
Faço o propósito de seguir seus exemplos, quero fazer o bem com minha mediunidade.
Vou aprender para isto. Muito obrigada!
— Aprendemos muito em todas as ajudas de que participamos -— falou Elisa.
— Foi muito agradável vir aqui.
Agradecemos a hospedagem.
— Mais grato, sou eu! -— exclamou Marcelo.
— Concluo que, quando ajudamos alguém, somos realmente ajudados.
É dando que se recebe.
Estou me sentindo tranquilo como nunca me senti.
Quando titia me convidou para vir aqui, pensei em recusar.
Tia Marta insistiu, disse que precisava de mim como médium.
Vim pensando em ajudar e penso que eu fui o maior beneficiado.
Sei agora porque sentia alguém chorar por mim, com certeza Mimi não irá mais chorar e esclareci que não me suicidei.
Quero fazer a oração final:
Deus, muito obrigado!
Agradeço aos bons espíritos que têm nos auxiliado trabalhando connosco e nos orientando.
Abençoem a nós e à nossa família.
Que assim seja!
—No final do Evangelho -— explicou Marta - fazemos uma oração de agradecimento.
Também podemos pedir auxílio para outras pessoas.
Vamos rogar a Deus para continuar ajudando os desencarnados que aqui estiveram e que eles recebam nosso incentivo, fiquem bem e que estejam em paz -— Marta tirou uma folha de papel do bolso e leu a mensagem escrita nela:
— "Senhor Deus, pai dos que choram, dos tristes, dos oprimidos, fortaleza dos vencidos, consolo de toda a dor.
Embora a miséria amarga dos prantos de nosso erro deste mundo de desterro, clamamos por vosso amor.
Nas aflições do caminho, na noite tormentosa, vossa fonte generosa é o bem que não secará.
Sois, em tudo, a luz eterna da alegria e da bonança, nossa porta de esperança que nunca se fechará".2
Todos se emocionaram com as prece.
— E se Mimi vier atrás de você, Marcelo? -— Estela, curiosa, quis saber.
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Re: Na sombra da montanha - António Carlos / Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 30, 2016 11:16 am

- Ela não o fará -— afirmou Marta.
— Mimi foi levada para um lugar que penso que gostará e poderá reencarnar logo.
Mas, se ela procurar por Marcelo, ele, trabalhando com sua mediunidade, tem um protector que impede espíritos perturbados de se aproximarem dele.
Porque, se Mimi sair do abrigo sem permissão, não ficará bem.
Conhecendo pessoas por anos de trabalho ajudando-as, creio que nenhum dos que foram orientados aqui voltará a vagar.
— Que trabalho fantástico, que auxílio maravilhoso se faz com a mediunidade! -— exclamou Epaminondas.
— Concordo —- Juarez sorriu —- nessas reuniões escutamos pensamentos dos desencarnados vestidos com as palavras do médium.
É um intercâmbio muito útil e bonito.
— Vamos agora passear? -— perguntou Epaminondas.
— Poderemos ir ao pomar apanhar frutas para vocês levarem.
Verduras também, se quiserem.
— Senhor Epaminondas, posso cortar a árvore seca? -— pediu Marcelo.
— Estava planeando, amanhã, contratar dois diaristas para cortá-la, arrancá-la pelas raízes e plantar outra; tirar também o cercado de pedras e plantar flores.
— Oba! -— gritou Isabela.
— O senhor vai mesmo tirar a árvore seca do jardim?!
Não a verei mais?!
Nem seca nem verde?!
Obrigada, titio!
— Gostaria de cortá-la, se o senhor não se importar -— insistiu Marcelo.
— Vou pedir para José Elídio ajudá-lo.
Faça como quiser -— concordou o dono da casa.
— Obrigado!
Saíram para o jardim, Estela e Marta ficaram para trás; curiosa, a mãe de Isabela perguntou:
— A mãe de Mimi se entusiasmou com a possibilidade de reencarnar.
Ela o fará desconhecendo que terá o retorno de seus actos?
— Ela saberá.
"O que aqui se faz, aqui se paga" é um ditado, além de verdadeiro, muito conhecido.
Isto é dito pensando nas más acções, mas o retorno é das acções em geral:
Recebemos o bem quando elas são boas.
Temos, no nosso íntimo, que somos sempre castigados pelos nossos erros.
Explico a você, Estela, que não sofremos somente por erros, podemos passar por momentos difíceis, por provas, por um aprendizado.
Essa senhora não reencarnará iludida.
Sabemos que estar no plano físico não tem somente facilidades, mesmo um espírito harmonizado passa por dificuldades por estar ainda num mundo de provas e expiações.
— Estou pensando agora que podemos explicar o porquê de algumas pessoas terem tantas dificuldades para aprender e outras não.
Vi, tempos atrás, uma reportagem sobre índios que vivem de modo muito primitivo.
Por que eles nasceram na floresta, e eu, na cidade?
— O espírito que estuda, aprende, adquire conhecimentos, estes são dele.
Quando volta ao físico, esquece, mas tem facilidade para aprender, pois de facto está reaprendendo.
Espíritos muito primitivos podem estar tendo a experiência das primeiras reencarnações na Terra.
O livro A Génese, de Allan Kardec, explica bem esta questão.3
Nesta obra, também se esclarece "que, sem a reencarnação, a missão do Cristo seria um contra-senso.
Se a alma de cada homem fosse criada no nascimento do corpo, nenhuma relação teria com as que tinha na Terra desde Adão até Jesus e depois Dele".4
Penso: Onde estariam tantos espíritos?
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Re: Na sombra da montanha - António Carlos / Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 30, 2016 11:16 am

E o porquê de uma pessoa estar no corpo físico e ter vivido no período conflituante de uma guerra, e outra no tempo de paz?
Por que esta diferença?
O princípio da reencarnação é uma consequência necessária da lei do progresso.
Sem a reencarnação, como se explicariam as diferenças físicas, sociais, económicas e intelectuais que existem entre as pessoas?
Estela sorriu, e as duas se juntaram aos outros, no jardim.
A esposa de Mariano pensou:
"Tenho muito o que aprender.
Estou bastante interessada por esse assunto.
Vou ler todos os livros de Allan Kardec.
Penso que não só devo lê-los como estudá-los".
José Elídio trouxe as ferramentas, e Marcelo e ele começaram a cortar os galhos da árvore.
Marcelo começou pelo galho com o qual Estela havia pensado que poderia fazer um balanço.
Havia sido neste galho que anteriormente o namorado de Mimi fora enforcado.
Deixando os dois cortando a árvore, o grupo foi para o pomar, onde apanhariam frutas e as colocariam nos cestos.
Estela foi ajudar na cozinha; quando a refeição ficou pronta, ela foi chamá-los.
Aproximava-se de Juarez quando caiu perto dela uma goiaba.
Assustou-se. Onde estava não havia goiabeiras.
Felipe gargalhou com o susto da mãe e explicou:
— Elisa e eu estávamos nas goiabeiras.
Vim comendo uma, mas estava com bichos e a joguei fora.
Não quis assustá-la.
Estela lembrou-se do que Juarez contara e riu também.
"Com certeza", pensou, "todos os moradores do sítio, por uns tempos, se assustarão com objectos e frutas caindo".
— O almoço está pronto; se quiserem, podemos almoçar— convidou Estela.
O grupo se reuniu e, carregando as cestas, foram para o jardim.
Colocaram as frutas, umas em sacos e outras em cestas, na camionete.
Os hóspedes iriam embora logo após o almoço.
— Cortamos vários galhos! -— Marcelo estava contente.
— Deixem o resto para os diaristas, -— pediu o dono da casa.
— O que o senhor irá fazer com esses galhos secos? -— perguntou Marcelo.
— Queimá-los -— respondeu Epaminondas - mas não nos fogões.
Farei uma fogueira no pátio com eles.
Não quero nem resto desta árvore por aqui.
— Obrigado -— agradeceu Marcelo.
— Queria mesmo que isso ocorresse.
Vou tomar um banho e trocar de roupa.
O grupo esperava por Marcelo na área.
Conversaram sobre os animais e as plantas, riram muito, estavam contentes.
É bom estar com pessoas afins.
Passamos horas agradáveis com amigos.
Embora houvessem se conhecido recentemente, tinham os mesmos objectivos, gostos; seriam, com certeza, amigos para sempre.
Marcelo se reuniu com eles e foram almoçar.
Como sempre, Epaminondas orou e o fez emocionado.
— Hoje não vou, como faço todos os dias, agradecer pelo alimento à minha mesa e por ter saúde para comê-los.
Agradecerei por existir a amizade.
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Re: Na sombra da montanha - António Carlos / Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 30, 2016 11:17 am

Fazer refeições entre amigos é fazê-lo com redobrada alegria.
Estamos também alimentando nosso espírito.
Obrigado, Deus Nosso Pai!
Foi uma refeição muito agradável.
Terminaram; os hóspedes foram aos quartos pegar seus pertences.
Epaminondas chamou a sobrinha para ir à cozinha.
Ele pediu ajuda para colocar, em caixas, doces e pães e, no isopor, frangos congelados.
— Vamos pôr isto na camionete.
Eles levarão frutas, ovos e estas caixas.
Que ideia maravilhosa você teve quando pensou em pedir ajuda a eles!
Que pessoas boas!
José Elídio também havia tomado banho e carregou a camionete.
As visitas despediram-se com abraços, acomodaram-se no veículo e partiram.
— Não vou dormir esta tarde —- decidiu Epaminondas - vi, no pomar, um furo na cerca e vou consertar.
— Posso ir, titio? -— perguntou Felipe.
— Sim -— respondeu o tio.
— Também quero ir -— pediu Isabela.
— Vou também —- afirmou Mariano.
— Vocês vão; fico para ajudar na cozinha e depois irei organizar os quartos -— falou Estela.
Os quatro saíram para o pomar, e Estela foi aos quartos, tirou as roupas de cama e as toalhas dos banheiros.
"Nesta noite, volto para o meu quarto.
Sinto a vibração desta casa diferente.
Parece um lar, o meu!
Como estou contente! Obrigada, Deus!"
Organizou o essencial; no outro dia, lavaria as roupas e colocaria os móveis nos lugares.
Duas horas depois, os quatro voltaram eufóricos, e as crianças, sujas.
— Mamãe! -— exclamou Felipe.
— Titio irá nos levar nas férias de julho para um hotel!
— Vamos a uma cidade pitoresca a três horas de carro daqui.
É uma cidade turística.
Passaremos lá somente uns dias -— informou Epaminondas.
— Papai irá depois porque ainda não pode tirar férias -— contou Isabela.
— Iremos na quarta-feira pela manhã— planeou o tio.
— Mariano irá na sexta-feira à tarde, pedirei para Joaquim liberá-lo no sábado.
Ele irá de moto. Voltaremos no domingo à tarde.
— Nunca fui a um hotel, nem Isa -— comentou Felipe.
— Eu também não! -— exclamou Estela.
— Pois é tempo de irmos -— falou o tio.
— Em janeiro, nas férias de Mariano, iremos todos a um lugar mais longe e por mais dias.
Fui a esta cidade, a que iremos em julho, por duas vezes, gostei muito, mas não é bom ir sozinho.
Tendo vocês por companhia será mais divertido.
Todos ajudaram com o jantar, viram televisão e foram dormir contentes.
Na segunda-feira, no almoço, Mariano informou:
— Fui na frente do centro espírita; na porta, tem um informativo de dias e horário das actividades da casa.
Hoje tem palestra e passes às dezoito horas e trinta minutos.
— Vamos todos -— decidiu Epaminondas.
— As crianças também.
Lá, conversaremos com alguém da casa para sabermos como poderemos frequentar.
Às dezoito horas, tio, sobrinha e crianças saíram do sítio para ir ao centro espírita.
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Re: Na sombra da montanha - António Carlos / Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 30, 2016 11:17 am

Mariano encontrou-se com eles.
As pessoas presentes olharam disfarçadamente para Epaminondas; ele, embora não fosse da cidade, morava ali havia algum tempo, e todos o conheciam, assim como também a Mariano.
Acomodaram-se e escutaram a palestra.
Uma senhora falou sobre reencarnação, a partir de lições tiradas do livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, capítulo 4, "Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo".
"Meu Deus!", pensou Epaminondas.
"Creio que tinha preguiça de pensar.
Como pude acreditar que vivemos uma vez somente?
Como não prestei atenção nas diferenças existentes entre os seres humanos?"
"Amo mais a Deus por entender a reencarnação", pensou Estela.
"A ciência podia provar a reencarnação", desejou Mariano, "como provou que a Terra gira em torno do sol e que as estrelas são sóis e que existem muitos planetas.
Todos deveriam compreender esse processo."
Chamados por número que receberam ao chegar, foram tomar passes e voltaram aos seus lugares.
Depois que todos receberam passes, um homem fez uma oração finalizando.
As pessoas conversaram e muitas cumprimentaram Epaminondas, que explicou:
— Minha sobrinha frequentava uma casa espírita onde morava, eles querem continuar frequentando, e viemos todos.
Gostaria de saber como é feito o estudo neste centro.
Estela é médium e quer aprender para trabalhar com sua mediunidade, e eu quero estudar, estou curioso, porque, quanto mais escuto sobre o assunto, mais acho coerente e interessante.
— Temos palestras e passes nas segundas e sextas-feiras -— informou a senhora que deu a palestra.
— No sábado, temos, às dezassete horas, Evangelização Infantil:
as crianças são divididas em duas turmas, pela idade, e ficam nas salas que temos nos fundos; os pais se reúnem aqui, onde oramos e falamos das dificuldades que temos com os filhos, qual a melhor maneira de orientá-los e sobre a doutrina espírita.
— Posso vir? -— perguntou Estela.
— Minha filha tem mediunidade.
— Ela é muito nova para trabalhar essa sensibilidade -— respondeu a senhora.
— Vocês frequentando, a mediunidade dela não a atrapalhará.
Tudo é natural quando se tem conhecimento.
Ela, adulta, estará apta a ser útil.
Convido-os a vir, será um prazer recebê-los.
— Os cursos já começaram? -— Epaminondas quis saber.
— Sim, desde fevereiro.
Mas não tem importância, podem começar quando quiserem.
— Estela pode vir ao curso em que se aprende a lidar com a mediunidade? -— perguntou Mariano.
— Sim -— autorizou a senhora.
— Temos, na casa, às quartas-feiras, o curso para iniciantes; na quinta-feira, para os que já têm mais conhecimentos, para as pessoas que já fizeram o primeiro.
É um estudo deveras interessante.
— Viremos na quarta-feira -— determinou Epaminondas.
— Posso frequentar também?
Trarei minha sobrinha.
Não tenho mediunidade em potencial para trabalhar com ela.
Mas quero aprender.
— Pode vir. A maioria dos que estudam é para aprender e trabalhar para o bem com a mediunidade, mas alguns, como o senhor, frequentam para obter conhecimentos.
— Não iremos atrapalhar por entender pouco sobre o assunto? -— indagou Epaminondas.
— Não -— a senhora foi gentil.
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Re: Na sombra da montanha - António Carlos / Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 31, 2016 12:26 pm

— A dúvida de um é normalmente a dúvida de muitos.
— Posso vir também no estudo de terça-feira? -— perguntou Epaminondas.
— Sim e afirmo que com certeza irá gostar.
Estamos estudando O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.
Conversaram mais por alguns minutos e depois se despediram.
Voltaram para o sítio entusiasmados.
— Voltaremos no sábado— decidiu Estela.
— Mariano e eu ficaremos com os outros pais, e as crianças, na Evangelização.
Na quarta-feira, volto com titio para o estudo e, pelo menos por duas vezes por mês, viremos nas segundas-feiras para recebermos o passe.
— Titio, o senhor não estudará muito? -— perguntou Mariano.
O tempo que fiquei sem estudar passou e não posso recuperá-lo.
Quero ler, vou adquirir livros, quero aprender principalmente para, quando desencarnar, não ficar perdido sem saber o que aconteceu ou, pior, ficar vagando.
Não quero me tornar uma assombração, um desencarnado que assusta as pessoas.
Quero, meu sobrinho, fazer e aprender, enquanto tenho tempo.
Todos gostaram do centro espírita e das pessoas, voltaram contentes para a casa e dormiram tranquilos.

1. N. A. E.: A lição lida está no capítulo 17, "Sedes Perfeitos", itens 32 e 42, "Os Bons Espíritas".
2. N. A. E.: "Prece dos aflitos", do livro Paulo e Estevão, de Emmanuel; psicografia de Francisco Cândido Xavier, editora FEB, página 42.
3. N. A. E.: A Génese, de Allan Kardec, nos dá preciosas explicações.
É uma obra de estudo em que encontramos importantes esclarecimentos; capítulo XIV, item 10.

4. N. A. E.: A Génese, de Allan Kardec, capítulo XI, item 46.
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Re: Na sombra da montanha - António Carlos / Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 31, 2016 12:26 pm

15. O amor que acolhe

A terça-feira amanheceu um dia lindo.
Assim que as crianças saíram para a escola, dois diaristas chegaram e começaram a trabalhar no jardim, iriam tirar o que restara da árvore.
Os empregados comentaram sobre os hóspedes e ficaram aliviados por saberem que ali não haveria mais as manifestações provocadas pelos desencarnados.
José Elídio fez muitas perguntas ao patrão e demonstrou querer ir ao centro espírita e levar a irmã.
Os dois trabalhadores arrancaram as raízes da árvore, derrubaram a mureta e levaram as pedras na camionete para a divisa do sítio, nos fundos do pasto.
Com os galhos e o tronco da árvore fizeram uma fogueira.
Plantaram no local uma outra árvore e, em volta, muitas flores.
“Graças a Deus, não veremos mais a árvore seca", pensou Estela.
Tio e sobrinha olhavam a fogueira quando viram Isaurinha andando devagar, aproximando-se da área do jardim.
Cumprimentaram-na alegres.
— Que bom vê-la por aqui! -— exclamou Estela.
Com os hóspedes na casa, Estela não fora mais visitá-la.
"Ia muito à casa de Isaurinha com Isabela porque lá Mimi não entrava, mas gosto dela", pensou Estela.
— Vim ver como ficou o jardim sem a árvore feia -— disse Isaurinha.
— Estava planeando visitá-la amanhã.
Não tive tempo estes dias.
Sente-se aqui na área -— convidou a esposa de Mariano.
— Íamos entrar e tomar chá. Por favor, entre connosco -— pediu Epaminondas.
Isabela veio abraçá-la e, contente, contou:
— Isaurinha, estamos livres das almas penadas, ou seja, dos desencarnados. Mimi foi embora.
— Que bom!
Entraram e, enquanto tomavam o chá, contaram para ela o que ocorrera na casa.
Somente não falaram da comunicação de João Roberto.
— Gostaria de ir com vocês ao centro espírita para tomar passe -— falou Isaurinha.
— Planeamos ir na segunda-feira que vem, e a senhora poderá ir connosco -— convidou Epaminondas.
Combinaram a ida ao centro, assim como também combinaram que Isaurinha iria à casa-sede às terças e quintas-feiras à tarde para ensinar Estela a costurar.
Foi um encontro agradável.
Mãe e filha acompanharam-na de volta à sua casa.
Quando Silmara e José Elídio iam embora, Estela resolveu dar um empurrãozinho nos dois.
Agora não tinha mais o espírito para impedi-lo de ser feliz com alguém.
— Zé -— disse a esposa de Mariano —- Silmara precisa deixar a moto dela na oficina.
Você não poderia dar carona a ela?
— Mas... -— disse Silmara com expressão de não ter entendido.
Estela piscou para ela, sorriu e falou:
— Silmara está com vergonha de lhe pedir carona.
Por que vir a pé se você pode trazê-la?
— Claro, Silmara.
Passo às sete horas em sua casa -— combinou José Elídio.
Silmara sorriu contente.
Os dois foram embora.
À noite, Epaminondas foi ao centro espírita para o estudo.
Encontrou-se somente no outro dia com a sobrinha, mas, como esperavam por Elisa, não conversaram.
Elisa chegou ao sítio às nove horas.
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Re: Na sombra da montanha - António Carlos / Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 31, 2016 12:26 pm

Apresentou o irmão, pessoa muito agradável, e aceitaram tomar café.
— Saímos muito cedo de casa.
Meu irmão precisa voltar logo, ele me deixará na pousada e voltará no domingo para me buscar.
Espero que dê certo.
Por mais que tente me controlar, estou ansiosa.
Entregou um pacote ao dono da casa.
— Juarez lhe mandou.
— Que simpático! Que presente maravilhoso!
Agradeça por mim!
Elisa e o irmão não demoraram, foram para a vila.
Epaminondas abriu o pacote.
Como prometera, Juarez mandara toda a obra de Allan Kardec mais dois infantis para as crianças e um catálogo de uma distribuidora que atendia pelo reembolso postal.
— Vou comprar alguns:
outros infantis para as crianças lerem e uns romances.
Vou colocá-los no escritório e deixarei uma estante somente para as obras espíritas.
Ontem -— contou o tio, -— no curso, conheci outras pessoas e gostei da aula.
Eles estão estudando este livro -— pegou e mostrou - O livro dos espíritos; estão no capítulo dois do segundo livro.
Esta obra é dividida em livros, são quatro, e cada uma destas partes tem capítulos.
O estudo foi iniciado no primeiro livro.
Vou ler as partes já estudadas e tentar entender.
Nas aulas, as perguntas e respostas são lidas e comentadas.
Neste capítulo -— Epaminondas mostrou à sobrinha —- "Encarnação dos espíritos", na primeira parte, "Finalidade da encarnação", veja que interessante!
Na pergunta cento e trinta e dois, "Qual é a finalidade da encarnação dos espíritos?"
A resposta é:
"Deus a impõe com o fim de levá-los à perfeição (...)
A encarnação tem ainda outra finalidade, que é a de pôr o espírito em condições de enfrentar a sua parte da Criação".
Epaminondas leu toda a resposta.
— Realmente, é muito interessante! -— Estela concordou.
— Vou ler esse livro e, com o senhor fazendo o curso, poderá tirar minhas dúvidas.
Felipe, assim que chegou da escola, abraçou a mãe e contou:
— Mamãe, Paulo me convidou para o aniversário dele.
Aqui está o convite.
Será no domingo à tarde. Posso ir?
Ele convidou também Isa.
Terei de levar um presente!
— Isso é fácil -— intrometeu-se Epaminondas. -— Estela comprará.
— Às vezes em que eram convidados, se não tinha dinheiro para o presente, eles não iam — explicou Estela.
— Vou comprar com o dinheiro que Mariano me deu, comprarei junto com os agasalhos para eles.
— Vou lhe dar mais -— disse o tio —- quero as crianças bem agasalhadas.
Felipe logo fará aniversário.
Podemos fazer uma festa para ele.
— Festa! -— gritou Felipe entusiasmado.
— Nunca fiz festa de aniversário! Nunca tive uma!
— Pois terá! -— determinou Epaminondas.
— Você e Isabela! Faremos uma festa na frente do jardim.
Convidaremos seus coleguinhas da escola e da Evangelização Infantil.
Colocaremos balões coloridos.
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Re: Na sombra da montanha - António Carlos / Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 31, 2016 12:27 pm

Felipe, Isabela e Epaminondas combinaram os detalhes, estavam alegres.
— Titio, seu aniversário é perto do meu.
Vamos também fazer uma festa para o senhor? -— sugeriu Felipe.
— Confesso que eu também nunca fiz festa no meu aniversário -— falou o tio.
— Podemos convidar seus amigos -— opinou Estela -— para um almoço e, na sobremesa, teremos um bolo ou fazer um churrasco no pátio para mais pessoas.
— Vamos fazer um churrasco.
Este ano meu aniversário cai numa sexta-feira, farei no domingo -— decidiu o dono da casa.
— Convidaremos os empregados e suas famílias; até lá, conheceremos melhor os frequentadores do centro espírita e os convidaremos, assim como os meus amigos.
Conversaram à tarde sobre as festas.
As crianças estavam eufóricas.
José Elídio e Silmara iam embora, e Estela novamente se intrometeu.
— Silmara, moto é muito perigoso.
Senta mais perto do Zé e segura firme nele. Assim!
Empurrou Silmara e a fez abraçar o empregado.
Os dois foram embora contentes.
— Deste jeito, você irá casá-los -— riu o tio.
— Silmara gosta muito do Zé.
Não saiu daqui, embora com medo das manifestações, por causa dele.
Espero que namorem.
À noite, tio e sobrinha foram ao curso e gostaram muito.
Receberam uma apostila e ficaram sabendo que Coem era Centro de Orientação e Educação Mediúnica.
Quem dirigia, ministrava, as aulas era Neide, uma senhora agradável e de muitos conhecimentos.
O grupo estava na lição quarta da apostila que receberam, "Aula teórica dos médiuns, classificações gerais".
No final, Neide dirigiu-se a Epaminondas, Estela e um moço, Gustavo, que estavam indo pela primeira vez.
— Aconselho vocês a ler as primeiras lições e, se quiserem chegar trinta minutos antes da aula, aqui estarei para tirar dúvidas.
Assim, acompanharão a turma.
Tio e sobrinha gostaram da ideia e combinaram que iriam.
Marcaram para ler a apostila pela manhã, quando as crianças estavam na escola, e anotar as dúvidas.
No sábado, o casal levou os filhos à Evangelização Infantil.
As crianças gostaram muito.
Mariano e esposa também.
Puderam fazer perguntas e conheceram outros casais.
Na volta, Mariano comentou:
Com as dicas que escutamos e que escutaremos, seremos bons pais.
Não quero faltar.
Na segunda-feira, José Elídio, ao chegar com Silmara, contou contente:
—Silmara e eu estamos namorando!
E minha irmã e eu decidimos frequentar o centro espírita.
Epaminondas sorriu e falou baixinho para a sobrinha:
Com certeza, logo casarão.
Isabela trouxe um bilhete de sua professora para a mãe.
Estela, ansiosa, abriu e leu:
"Senhora Estela, informo que Isabela se adaptou, está atenta e fez amizades.
Está tudo bem".
Contente, mostrou o bilhete para o marido e depois ao tio.
Que bom que tudo voltou ao normal! -— exclamou Mariano aliviado.
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Re: Na sombra da montanha - António Carlos / Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 31, 2016 12:27 pm

— Nossa menina voltou a ser a garotinha de sempre, feliz e carinhosa.
Na quinta-feira, Estela comentou:
Tio Bino, combinei com Elisa de telefonar para ela às onze horas para saber como ela está com a menina.
Fiquei sabendo que Elisa levou a menina como planeou, no domingo.
E que a mãe, em seguida, foi para o hospital e não está passando bem.
Telefone também para Marta e a agradeça pelos livros.
Estela telefonou.
Marta estava bem, quis saber notícias e ficou contente por eles estarem frequentando o centro espírita.
Elisa também estava bem; contou, entusiasmada, que a filhinha se adaptava, era alvo de atenção e carinho de todos os seus familiares e que estava muito feliz por ser mãe.
No sítio, todos se alegraram com as notícias.
Epaminondas, em todos os seus momentos livres, lia os livros que ganhara de Juarez.
Conversava com a sobrinha sobre o que aprendia.
— Quero -— concluiu ele -— me vigiar para não perder a oportunidade de auxiliar alguém.
Porque não basta não fazer o mal, é preciso ser activo no bem.
Tenho pensado que, quando deixo de fazer um bem, afecto negativamente alguém.
Na terça-feira, no dia em que tiramos a árvore seca do jardim, José Elídio não levou, como de costume, ovos e verduras à creche; ao fazê-lo, na quarta-feira, ficou sabendo que as crianças, no dia anterior, alimentaram-se somente de arroz.
Pensando neste facto, compreendi que, ao não fazer, podemos causar dores, desconforto, fome etc. a alguém.
Estou pensando em ser mais activo, fazer o que posso e devo no momento.
Se fizermos pequenas coisas, com certeza estaremos aptos a fazer mais e melhor as coisas grandes, porque somente assim progrediremos.
Dez dias se passaram tranquilos.
José Elídio, ao chegar da cidade em que fora buscar Mariano e as crianças, entregou uma carta para Estela.
Ao vê-la admirada, explicou:
Toda a correspondência endereçada ao sítio fica no correio.
Vou pegá-la três vezes por semana.
Felipe recebe muitas cartas.
Hoje tem uma para a senhora.
Estela, curiosa, leu o remetente, era do seu irmão.
Deixou-a no balcão e foi almoçar, porque todos a esperavam.
Assim que almoçaram, Estela despediu-se do marido e foi ler a carta.
Seu irmão escrevera perguntando se eles estavam de facto convidados a passar as férias no sítio, que Felipe convidara seus filhos, mandara fotos do lugar.
Ele e a esposa até duvidaram, mas, como Elisa fora ao sítio e contara como era, eles se interessaram em ir.
E sugeriu que convidasse a mãe e o padrasto.
Estela tremeu de indignação.
Felipe e o tio estavam ainda na sala de jantar, conversavam.
— Felipe! -— a mãe estava nervosa.
— Venha comigo! Vamos conversar no escritório!
— Eu não fiz nada! -— exclamou o garoto.
— Venha!
O menino acompanhou a mãe.
Os dois entraram no escritório.
Estela sacudiu a carta, mas tentou se controlar e falar baixo.
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Re: Na sombra da montanha - António Carlos / Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 31, 2016 12:27 pm

— Sabe o que é isto?
É uma carta de seu tio.
Meu irmão. Sabe o que ele escreveu?
Pergunta se pode aceitar o convite para passar as férias aqui.
Você convidou seus primos?
Mandou fotos do sítio nas cartas?
Estava se correspondendo com eles?
Conte-me tudo!
Como convidar se a casa nem é nossa?
Por que fez isto sem me consultar?
Felipe raramente via a mãe brava, sentiu medo e respondeu baixinho.
— Mamãe, gostei, gosto tanto daqui!
Nunca morei num lugar tão legal, bonito assim.
Quis contar aos meus primos e amigos, queria que soubessem como estou bem, feliz e que moro neste sítio maravilhoso.
— Por que isso, meu filho? -— Estela se acalmou.
— Tales estava sempre me zoando, dizendo que minha casa era alugada e feia, que ia jantar na sua casa por não ter o que comer.
Os garotos riam de mim.
Estela se lembrou do sobrinho Tales, seu irmão e cunhada não estavam orientando devidamente o garoto, que era muito levado, e concluiu, naquele momento, que era mal educado.
"Meus filhos", pensou a mãe e suspirou, "sentiram as nossas dificuldades.
Felipe, por ser mais velho e entender melhor a situação, sentiu mais".
Teve vontade de abraçá-lo, porém compreendeu que tinha de educá-lo.
— Meu filho, você devia ter me contado.
— Você já estava muito triste -— Felipe suspirou.
— Assim mesmo devia ter me contado.
Deve sempre me contar seus problemas e dificuldades.
Não devia ter dado importância ao que seu primo lhe dizia, nem seus colegas.
A vida é assim, ora podemos estar com problemas, ora não.
Não deveria ter mandado as fotos.
— Se lhe pedisse, iria deixar? -— perguntou o garoto.
— Não. E sabe por quê?
Porque estamos aqui no momento.
Esta casa não é nossa.
Somos convidados do tio Bino.
O melhor seria se você tivesse esquecido essas ofensas, os desculpado e se concentrado nos seus novos amigos.
O que importa o que pensam e falam de nós? De você?
— Eu os desculpei, mas sentia quando zoavam de mim.
Somente quis mostrar a eles que estava bem, melhor do que antes.
— Isto lhe fez bem? Sentiu-se melhor por isto? -— Estela quis saber.
— Senti-me -— o garoto estava sendo sincero.
— Filho, deve ficar contente por estarmos bem, com saúde, seu pai trabalhando, por titio nos tratar bem.
Isto são valores reais.
Não podemos viver preocupados com o que as pessoas pensam de nós.
Passamos por dificuldades, e você não deveria se importar com comentários nem se gabar agora de estar vivendo melhor.
Você agiu errado convidando seus primos para virem aqui.
Convidou mais alguém?
— Dois amigos -— respondeu Felipe.
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Re: Na sombra da montanha - António Carlos / Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 31, 2016 12:28 pm

— Primeiro, teria de me consultar; segundo, a casa não é nossa.
Por este motivo, não podia fazer isso.
— Pensei que eles não viriam.
— Meu irmão me escreveu -— Estela mostrou novamente a carta -— perguntando se poderiam mesmo vir.
Vou lhe responder que não, e você escreverá a todos que convidou, que fez o convite sem consultar os adultos e que não poderia ter feito isso e que eu não deixei porque estamos morando na casa de tio Bino.
Entendeu? Vou pensar no castigo que vou lhe dar.
Você agiu como seu primo e colegas que riram de você.
Ao ficar bem, melhorar de vida, quis mostrar a eles.
— Não, mamãe, não agi como eles.
Meu primo e colegas zombavam de mim, que estava na pior, e eles não estão.
A porta fez um barulho.
Estela olhou e viu o tio, que lhe fez um sinal, chamando-a.
Felipe não viu porque estava com a cabeça baixa.
—Fique aqui pensando no que fez.
Volto logo -— ordenou a mãe.
Epaminondas esperava-a no final do corredor.
— Desculpe-me, sobrinha, ao vê-la nervosa fiquei curioso para saber o que o Felipe fizera de errado e escutei atrás da porta.
Não costumo fazer isto. Ouvi tudo.
Queria lhe pedir para não castigar Felipe.
O garoto é inteligente e compreendeu que agiu errado.
— Meu filho sofria e eu não percebi -— lamentou-se Estela.
— Estava tão envolvida com meus problemas.
Não quero mais agir assim.
Por mais que seja difícil a situação do momento, quero ver o que acontece ao meu lado.
Quero estar atenta ao próximo mais próximo, à família e ao próximo que me rodeia.
— O menino sofreu e não quis lhe contar porque a sentia triste.
Quero que leve isto em conta.
Quando vieram para cá, percebi que foi ele quem mais gostou.
Tirou fotos, mandou a eles para mostrar que estava bem.
— Meu irmão não acreditou em Felipe, somente o fez quando Elisa confirmou.
— Estela, se você fizer questão, pode convidá-los.
Não, titio, meus sobrinhos, principalmente Tales, são muito levados.
Não é certo convidá-los, sei que o senhor não gosta de visitas.
— Foi muito agradável receber o grupo espírita; depois, eles nos ajudaram.
Realmente não gosto de visitas por muitos dias nem de crianças mal educadas.
— Titio, contei ao senhor de mamãe, do meu padrasto, não desejo mal a eles, mas também não os quero por perto.
Se vierem aqui, terei de vigiar Isabela.
Se um dia mamãe precisar de mim, no que puder, ajudarei, poderei até recebê-la em minha casa, isto quando tiver uma, e cuidar dela, mas meu padrasto, por enquanto, não.
Meu irmão negou comida para meus filhos.
Não tenho mágoa, não quero sentir nenhum sentimento ruim.
Mas não quero recebê-los.
Não posso abusar de sua hospedagem.
Vou responder ao meu irmão explicando e farei Felipe escrever para quem convidou que não podemos recebê-los.
— Estela, quero lhe pedir para não castigar Felipe, vou conversar com ele -— insistiu o tio.
— Está bem, titio.
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Re: Na sombra da montanha - António Carlos / Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 31, 2016 12:28 pm

Vou agora escrever para meu irmão.
Epaminondas foi para o seu quarto, e Estela voltou ao escritório.
— Mamãe, pensei e peço-lhe desculpas.
Entendi que não deveria tê-los convidado para vir aqui porque a casa é do tio Bino.
— Isto mesmo, nem se fosse minha e de seu pai, não seria só sua.
Quero lhe pedir para que não esconda mais nada de mim.
Quero saber se algo o aborrecer, seja aqui, na escola, na rua. Entendeu?
— Sim. Não deveria ter mandado as fotos.
Mas queria tanto que eles soubessem que estou bem.
Basta você saber.
Vamos agora responder às cartas.
Direi ao meu irmão que a casa não é nossa e que não poderemos recebê-los; você escreverá a mesma coisa, e irei ler depois. Pode começar.
Estela escreveu ao irmão, disse que de facto estavam bem, mas que o dono da casa era o tio de Mariano, que desculpasse Felipe que os convidara sem informá-la e que, infelizmente, não poderia recebê-los.
Estavam planeando, Mariano e ela, em alugar no futuro uma casinha na cidade e equipá-la e aí, na casa dela, poderia recebê-los para um final de semana.
Escreveu também à irmã contando que estavam bem e que planeavam, num prazo de uns dois anos, morar na cidade, ter a casa deles e que então a convidaria para passar uns dias com ela.
Felipe também escreveu.
As cartas dele foram mais um bilhete.
— Convidei somente estes! -— mostrou as cartas à mãe.
Estela leu, o filho escrevera que não poderia hospedá-los nas férias porque os convidara sem o consentimento da mãe e que ela não deixara porque a casa é do tio e que iriam viajar nas férias, iriam para uma cidade turística e ficariam hospedados num hotel.
Para o primo, deu mais detalhes da viagem.
— Vamos viajar, mas não é durante as férias toda —- lembrou Estela.
— Eu não escrevi que era -— defendeu-se Felipe.
— Mamãe, não vou mais mandar fotos, demorarei para responder quando receber cartas e as mostrarei antes a você.
Também vou lhe contar tudo, não vou fazer mais nada escondido.
Não daria certo mesmo meu primo vir aqui, ele não gosta de obedecer, iria chatear o tio Bino.
Vou ficar de castigo?
— Se entendeu e promete não agir mais assim, não vou deixá-lo. Pode ir agora.
Felipe saiu correndo.
Estela fechou as cartas, depois iria pedir para José Elídio colocá-las no correio.
Estava organizando o escritório quando Epaminondas entrou.
— Resolveu-se com Felipe? -— perguntou ele.
— Sim, ele escreveu cartas para os amigos que convidara explicando que eu não havia deixado e que a casa é do senhor.
Fiz isto também com meu irmão.
— Estela, penso que é o momento de lhe falar duas coisas.
Primeiro, a loja que Mariano trabalha é dele.
— O quê?! -— ela se admirou.
— Joaquim estava com uma situação financeira difícil e precisando de dinheiro porque seu filho estava doente.
Comprei a loja em nome de Mariano, e meu amigo Joaquim ficou como gerente.
Pensei que, escondendo este facto, ensinaria meu sobrinho a trabalhar.
Agora conto com você para fazer de Mariano uma pessoa responsável.
Ele começou como simples vendedor, logo irá para a parte administrativa, aprenderá a fazer de tudo na loja.
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Re: Na sombra da montanha - António Carlos / Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 31, 2016 12:29 pm

Quando sentir que está responsável, contarei a ele.
— Nem sei o que dizer!
Isto é maravilhoso!
Conte comigo para ajudar Mariano -— Estela se alegrou.
— Segundo, tudo o que tenho será de Mariano.
Já organizei, deixei a documentação em ordem.
O sítio, esta casa, é de vocês também.
Quero que sinta isto. Não quero que falem em mudar.
Não saberia mais ficar sozinho.
É tão bom ter vocês aqui comigo!
— Oh, titio!
— Estela tentou segurar o choro, mas lágrimas escorreram abundantes pelo rosto.
— O senhor é tão bom!
Eu, nós pensávamos em nos mudar para não abusar de sua hospedagem.
Porém, queríamos ficar porque gostamos muito daqui e do senhor.
Agora afirmo: vamos ficar! Obrigada!
Queria que o senhor fosse meu pai!
— Posso ser tio-pai!
Que bom que gostou da notícia!
Vamos, nós dois, educar os três, Mariano, Felipe e Isabela, para serem pessoas do bem.
Minha sobrinha, às vezes sou mandão, decido tudo, quero que, quando achar que estou me excedendo, fale comigo.
Poderemos conviver muito bem.
Estela beijou o tio no rosto, e ele enxugou suas lágrimas.
Mais tarde, quando o sol declinava, Felipe gritou:
— Titio! Mamãe! Isa!
Venham ver o sol se esconder atrás da montanha!
Saíram para o jardim.
O espaço onde antes ficava a árvore seca estava lindo com o canteiro de flores.
O sol, como que se espreguiçasse, devagar se escondeu atrás do morro, fazendo sombra na casa.
— Não disse que a montanha nos acolhe? -— Epaminondas sorriu.
— É o amor que nos acolhe! -— exclamou Estela.
O grupo continuou olhando até que o sol ficasse completamente escondido atrás do morro, da montanha.

FIM

§.§.§- O-canto-da-ave
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Ave sem Ninho

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Re: Na sombra da montanha - António Carlos / Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho

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