Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 07, 2016 12:02 pm

— Sim.
— Vamos repetir.
Diversas vezes, Nelson fez Reinaldo recordar o plano, a hora de começar a agir e tudo o mais.
Estava escurecendo, quando Reinaldo voltou ao hotel.
Estava cansado e com fome.
Tomou um banho, jantou e foi deitar-se.
Ficou rememorando o plano, nos mínimos detalhes.
Ele sabia que havia uma mulher que os ajudaria, colocando um sonífero na bebida dos vigias, que passavam a noite de guarda na porta do salão onde Estela estava presa.
Nas mãos de Reinaldo, havia um desenho com os mínimos detalhes do interior do salão, onde Estela estava presa.
Havia grades nas janelas e tranca nas portas.
Ele estava ansioso para que ela fosse libertada.
Não só para que aquela situação acabasse e ele pudesse retomar sua vida pessoal com Milena, como também para que Estela conseguisse atingir seus objectivos.
Esperar era-lhe angustiante.
Preferia agir logo, enfrentar a situação.
Mas prometera obedecer ao plano, conforme queriam.
Durante mais algum tempo, reviu várias vezes o que fariam.
Depois, pensou em Milena, nos beijos que haviam trocado, no prazer de estarem juntos, e ficou imaginando como seria bom poder reencontrá-la sem que nada os separasse.
Embalado por esse sonho, Reinaldo logo adormeceu.
Pouco depois, ele levantou-se, sentindo-se leve e disposto.
Olhou em volta e viu seu corpo adormecido sobre a cama.
O espírito de Lauro se aproximou, segurou o braço de Reinaldo e ordenou:
— Vamos. Temos de continuar.
— Mudaram os planos?
— Não.
— É uma pena. Eu gostaria que chegasse logo o momento.
— As coisas acontecem no tempo certo.
Quando as circunstâncias estão favoráveis.
Lauro conduziu Reinaldo ao local onde Estela estava presa e juntos entraram no salão.
Nervosa, Estela caminhava de um lado a outro.
Lauro aproximou-se dela, colocou a mão em sua testa, e disse:
— Acalme-se. Estamos aqui para ajudá-la.
Estela parou, olhou em volta, e depois perguntou baixinho:
— Lauro? É você?
— Sim. Trouxe o doutor Reinaldo.
Ele é médico e ainda está na carne.
É o namorado de Milena e juntou-se ao grupo para auxiliá-la.
— Estou ouvindo sua voz.
Gostaria de poder vê-los!
— Já sente minha presença e ouve o que lhe digo.
Isso já é uma conquista sua.
— Estou angustiada.
Soube que meu pai virá esta noite.
Não sei que maldade ele fará.
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 07, 2016 12:03 pm

— Confie em Deus. Estamos juntos.
Acalme seu coração.
Acredite, o bem sempre vence.
Estenda-se na cama, feche os olhos e relaxe.
Não tenha medo de nada.
Ficaremos aqui enquanto seu pai estiver.
Estela obedeceu, e Lauro pediu a Reinaldo:
— Ligue-se com seu mundo interior.
Sinta sua alma, estenda as mãos sobre o peito de Estela e envolva-a com energias de amor e luz.
Emocionado, Reinaldo obedeceu e sentiu que dentro do seu peito brotava uma alegria diferente, de paz, conforto e fé, que nunca se recordara de haver sentido.
Lauro estendeu as mãos sobre a testa de Estela e delas saíam energias coloridas, que desciam pelo corpo da mulher, fazendo-a estremecer levemente.
Estela suspirou e, aos poucos, foi relaxando e sentindo-se melhor.
— Lembre-se de que nós estamos aqui.
Não absorva nada do que seu pai lhe disser.
Não dramatize. Ignore a presença dele.
Pouco depois, ouviram o barulho de uma chave sendo introduzida na fechadura.
A porta abriu-se.
Um homem forte, moreno, alto, de cabelos grisalhos, entrou no salão acompanhado de um rapaz, que portava uma lanterna que iluminou o ambiente.
Ele aproximou-se de Estela, que continuou deitada, e fixou-a, dizendo:
— Levante-se. Eu estou aqui.
Ajoelhe-se e peça perdão por tudo o que você me fez!
Estela sentou-se na cama, encarou-o e respondeu:
— Eu nunca lhe fiz nada.
Não tenho que lhe pedir perdão.
— Você continua me enfrentando!
Onde estão meus netos?
Para onde os levou?
Enquanto não me disser, continuará presa aqui.
Eu tenho sido muito paciente com suas atitudes, mas prepare-se.
De agora em diante, vamos mudar e, então, você vai saber o que acontece com quem me enfrenta dessa forma.
— Tenho minha consciência tranquila.
Nunca o ofendi.
— Diga, para onde levou meus netos?
Onde eles estão?
— Eu não sei e se soubesse não lhe diria.
Eles devem estar em um lugar, a salvo de suas maldades.
— Pensa que me engana?
Claro que sabe onde estão!
Você tornou-se uma mulher adúltera e fez seu marido tornar-se um criminoso.
Por que não reconhece seu crime e tenta me pedir perdão?
Você envergonhou a família.
Nosso nome ficou maculado.
— Nada fiz contra ninguém.
Não tenho que lhe pedir perdão.
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 07, 2016 12:03 pm

Augusto Borges segurou o braço de Estela, dizendo irritado:
— Por que não me obedece?
Não aceito sua atitude.
Você não merece o meu nome.
Não sei por que ainda a estou aturando.
Diga-me, onde os meus netos estão? — gritou ele.
— Eu não sei. E se soubesse, nunca lhe diria!
O rosto do homem coloriu-se de vivo rubor.
Ele levantou a mão para bater em Estela, mas, nesse instante, empalideceu e teria caído se os dois homens, que estavam mais atrás, não o houvessem amparado.
Sentindo um forte mal-estar, Augusto não conseguia respirar e saiu cambaleando.
Lauro e Reinaldo continuavam orando, ao lado de Estela.
Pouco depois, ouviram o barulho de um carro, e Lauro disse aliviado:
— Ele foi embora.
Vamos refazer o ambiente.
Três espíritos se aproximaram, fizeram a limpeza das energias negativas e partiram.
Lauro aproximou-se de Estela e perguntou:
— Como se sente?
— Aliviada por ele ter saído daqui.
— O pior já passou.
Procure ficar calma. Está tudo bem.
Você precisa reagir e se alimentar.
Tem de ficar forte.
— Meu pai não vai aceitar minha atitude.
Assim que se sentir melhor, vai voltar pior.
Estou com medo...
— Acalme-se.
Desta vez, ele vai demorar a voltar.
Você está protegida e amparada por nossos amigos espirituais.
Lembre-se de que o bem vence o mal e confie na vida.
Estamos juntos.
— Assim que ficar bem, ele virá aqui outra vez.
— Não desta vez.
A raiva e a prepotência, quando contrariadas, fazem mal e o corpo sofre as consequências.
A saúde de Augusto já não é a mesma.
Não se esqueça de que você está sob a protecção de nossos maiores.
Reaja. Não é hora de ter medo, mas de pensar no bem para que o melhor aconteça.
— Vou me esforçar para isso.
— Agora, podemos ir.
O seu pai não voltará tão cedo.
Está sendo monitorado.
Quando decidir voltar, estaremos aqui para preveni-la.
Trate de alimentar-se melhor e ficar forte.
Lembre-se de que a calma e a confiança na protecção divina nos fortalece e ajuda, para que tudo aconteça da melhor forma.
Você não está só. Nós temos de ir.
Dois amigos nossos ficarão aqui para protegê-la.
Lauro abraçou Estela, dizendo emocionado:
— Fique na paz. Juntos venceremos!
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 07, 2016 12:03 pm

— Além de você, também gostaria de agradecer ao doutor Reinaldo.
— Ele fez questão de ingressar no nosso grupo.
Enquanto o corpo dele descansa no hotel, seu espírito fora do corpo está se preparando.
Logo mais, estará com Zito de corpo e alma.
— Deus os abençoe!
Estou certa de que ele e Milena serão muito felizes!
— Agora, relaxe.
Aproveite a calma do momento.
Vai dar tudo certo.
Os dois se despediram, e Lauro segurou o braço de Reinaldo dizendo:
— Vamos embora.
Os dois volitaram, e Reinaldo, emocionado, exclamou alegre:
— Que maravilha!
Sinto um prazer muito grande no peito, algo que não dá para descrever!
Algumas pessoas me contaram como era a viagem astral, afirmando que essa era a grande verdade da vida.
Viajar fora do corpo é uma sensação nova, maravilhosa de prazer e liberdade, que eu nunca esquecerei!
Você me mostrou a eternidade do espírito e isso é precioso!
— Você já tinha conhecimento para fazer isso sozinho, Reinaldo.
Só não o fez, porque, tendo encarnado, ficava uma dúvida sobre essa capacidade.
Mas agora, você sabe.
Amanhã, quando você for ao encontro do Zito, estarei do seu lado.
— Isso me deixa em paz.
Estou certo de que venceremos.
Lauro sorriu, Reinaldo acomodou-se no corpo e, cansado, logo adormeceu.
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 07, 2016 12:03 pm

Capítulo 14

Na manhã seguinte, Reinaldo acordou e viu os raios de sol infiltrarem-se pelas frestas da cortina.
Ele sentou-se na cama, olhou o relógio e notou que já passava das dez.
Ele gostaria que o tempo passasse rápido, para ir encontrar-se com o Zito e continuar o treinamento com o grupo, mas tentou conter a ansiedade.
Nada podia dar errado, e Reinaldo teria de estar consciente de sua responsabilidade.
Ele, então, tomou um banho, vestiu-se e, depois de tomar café no restaurante, voltou para o quarto e tratou de reler o plano de acção.
Reinaldo lembrou-se do local conforme vira durante a noite, fora do corpo, na companhia de Lauro.
Ao recordar essa viagem especial, o prazer que ele sentira se repetiu.
Entusiasmado, não se conteve e exclamou:
— E extraordinário!
Sinto-me privilegiado e forte!
O que mais ainda vou descobrir?
Extasiado, Reinaldo lembrou-se de que, fora do corpo, tivera uma visão diferente:
percebera todos os pensamentos dos homens que ficavam de guarda na porta do salão.
Um deles, aborrecido com a situação, descarregava sua raiva, desejando que o patrão fosse castigado pela maldade que fazia com a própria filha.
O homem obrigava-o a passar as noites tomando conta daquela porta, quando gostaria de estar na rede, abraçado com a mulher.
Por sua vez, o outro capanga, que estava fazendo a ronda, precisava passar de hora em hora em volta da casa e verificar se tudo estava em ordem.
Levava uma garrafa de aguardente consigo e, disfarçadamente, ia bebendo, a ponto de o companheiro chamar sua atenção para que não dormisse.
Reinaldo lembrou-se de que Lauro pretendia, na noite da acção, sugerir ao vigia de levar a bebida consigo, e Estela poder ser libertada sem violência e com mais facilidade.
O tempo estava custando a passar.
Reinaldo gostaria de não ter de esperar nem mais um minuto.
À tarde, o grupo reuniu-se e recomeçou a rever a estratégia, tentando antever quais situações de risco poderiam enfrentar.
Diante de tantas possibilidades mencionadas, Reinaldo entendeu que eles estavam certos.
Depois do treinamento, já anoitecia quando Elaine ligou para Zito, querendo saber detalhes sobre o andamento do projecto.
Enquanto conversavam, Reinaldo não perdeu a chance e pediu para falar com Milena.
Foi com emoção que a moça atendeu o telefone:
— Reinaldo, você está bem?
Tenho sonhado com você.
— Estou bem, mas gostaria que o tempo passasse mais rápido e que tudo isso acabasse.
— Você não deveria ter se envolvido no caso.
Eu não estou correndo nenhum risco, mas temo por você.
Poderia ter vindo ao meu encontro, teria sido melhor.
— Teria sido muito melhor, mas não posso ficar fora disso, enquanto duas crianças estão longe da mãe e você está distante de mim.
Não vejo a hora de realizar nosso casamento e de podermos ficar juntos para sempre.
— Tome cuidado.
Pelo que sei, o doutor Borges é um homem perigoso.
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 08, 2016 1:02 pm

Além de mau, é vingativo.
Não quero que nada de ruim lhe aconteça!
Tenho pedido aos meus amigos espirituais que o protejam.
— Você pediu, e eles estão me protegendo.
O espírito de Lauro tem me tirado do corpo.
Tem sido maravilhoso!
É uma sensação de prazer, de liberdade, que não consigo descrever-lhe.
Só experimentando!
Estou sendo privilegiado por ter a certeza de que a vida continua depois da morte!
Tinha ouvido relatos das pessoas, mas, agora, eu vivi, experimentei!
Você falava disso, mas precisei experimentar e hoje tenho a certeza de que é verdade!
Estou certo de que vamos conseguir e que tudo vai ficar bem.
— Eu também estou confiante.
Para quando será a acção?
— Logo.
Milena ficou em silêncio durante alguns segundos e depois disse baixinho:
— Eu amo você!
Estarei vibrando por vocês!
— Sonho com o momento em que estaremos juntos para sempre.
— Fique com Deus!
— Amém.
Reinaldo desligou o telefone, e Zito, que havia se afastado para que o médico tivesse privacidade, aproximou-se, com os olhos brilhantes de emoção:
— Gostaria também de ter um amor como o que vejo em seus olhos.
Mas minha vida tem tido outro objectivo.
— As coisas mudam.
Sua hora vai chegar!
Zito ficou em silêncio durante alguns segundos
e depois tornou:
— Quem sabe, depois de ficar livre dos compromissos, eu pense nisso!
Por enquanto, preciso terminar o que comecei.
Ainda tenho um longo caminho pela frente.
— Depois de resolver esse assunto, ficarei livre. Você não?
Zito fixou-o sério e depois respondeu com voz firme:
— Temos de nos fixar na acção que estamos preparando.
Tudo tem de sair conforme planejamos.
Vamos chamar os outros e rever tudo.
Todos reunidos, Zito conduziu o plano, fazendo com que cada um repetisse sua parte e falando sobre as possibilidades de surgir alguma surpresa.
Ele falou mais uma vez sobre os homens do doutor Borges e o que cada um faria para defesa do grupo.
Estava escurecendo, quando Reinaldo voltou ao hotel.
Ele sentia certa ansiedade, pensando que em pouco tempo participaria da libertação de Estela.
Sabia que precisava relaxar, confiar na vida, para obter sucesso nesse empreendimento.
Disso dependiam todos os seus projectos de felicidade.
No dia seguinte, no fim da tarde, o grupo se reuniria para entrar em acção.
O tempo ia custar a passar.
Ele vira no salão do hotel uma estante cheia de livros e, depois do jantar, escolheu um que lhe pareceu bom, foi para o quarto e começou a ler.
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 08, 2016 1:02 pm

Apesar de o assunto ser interessante, Reinaldo não conseguia fixar a atenção no que lia.
Assim, fechou o livro e preferiu dar largas à imaginação, pensando em como seria sua vida ao lado de Milena.
Foi então que conseguiu relaxar e adormeceu.
Na manhã do outro dia, para que o tempo passasse mais rápido, Reinaldo saiu, pensando em comprar alguma coisa para oferecer a Milena quando se encontrassem.
Era-lhe agradável imaginar o reencontro, o prazer de estarem juntos e de realizarem todos os sonhos.
Na verdade, o que ele queria mesmo era continuar trabalhando na profissão, ter o amor de Milena e construir uma vida de progresso e paz.
À tarde, foi encontrar-se com o grupo, para rever todos os detalhes e se preparar para entrarem em acção naquela noite.
Anoiteceu e tudo estava em paz.
As crianças estavam alegres, continuavam brincando de serem uma família e divertiam-se tanto que acabavam esquecendo-se de que aquilo se tratava apenas de uma brincadeira.
Milena tornara-se a mãe das duas crianças e sentia imenso prazer em cuidar dos dois irmãos.
Ela dizia que Ernesto era o homem da casa e pedia sua opinião em tudo.
Sentindo-se valorizado, o menino esforçava-se para colaborar.
Saudosa da mãe que não via há muito tempo, Cláudia apegara-se a Milena, chegando a esquecer que não eram parentes.
Até Elaine, que por fim escolhera representar o papel de tia, havia se humanizado mais, chegando a contar histórias e mesmo a tocar um pouco de piano, ensinando às crianças algumas canções que aprendera na adolescência.
Como todas as noites, após o jantar, as duas mulheres e as duas crianças se reuniam na sala, Elaine, que prometera a Estela reforçar os estudos de Ernesto, enquanto a mãe dos dois irmãos estivesse ausente, aproveitava para dar-lhe aulas, e Milena alfabetizava Cláudia, inventando histórias e brincadeiras.
Às dez horas, Milena serviu um chá com biscoitos às crianças.
Depois, ela os auxiliou a escovar os dentes e a se preparar para dormir.
Uma vez na cama, Cláudia pediu que a moça contasse uma história de fadas.
Milena, então, começou a narrar a história com graça, caprichando nos detalhes, e logo a menininha adormeceu.
Ernesto, inteligente e sensível, estava sem sono e aproveitou para esclarecer suas dúvidas quanto ao futuro.
Ouvindo-a falar sobre sua relação com os espíritos, fez perguntas sobre a vida, a morte, inclusive sobre o que acontece depois dela.
Milena respondia a todas as perguntas do menino com naturalidade, pois esse era um assunto do qual ela entendia.
Elaine observava a cena em silêncio e, muitas vezes, ficava pensativa quando ouvia Milena falar com naturalidade sobre a eternidade, a manifestação dos espíritos e a vida em outras dimensões do universo.
A moça referia-se aos seus amigos espirituais de tal forma que as crianças expressaram vontade de conhecê-los pessoalmente.
Certa noite, para satisfazê-los, ela desenhou o rosto dos dois, e as crianças adoraram.
Elaine observou o retrato admirada e comentou:
— Você deveria dedicar-se à arte!
Eles parecem vivos!
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 08, 2016 1:03 pm

Milena sorriu e respondeu:
— Acertou! Eles estão vivos mesmo.
Só moram em outro lugar.
Elaine pensou um pouco e não respondeu.
Apanhou um livro e começou a ler.
As crianças dormiram logo, e, depois de fazer sua ligação com seus amigos espirituais, Milena também adormeceu.
Ninguém esperava pelo que aconteceria depois.
Eram duas horas da madrugada, quando Milena acordou assustada.
— Levante, vamos rápido!
Um homem forte, de meia-idade, estava do lado da cama.
— Quem é o senhor?
O que está acontecendo? — disse ela abraçando as crianças que choravam assustadas.
— Cale a boca e trate de vestir os dois.
Precisamos sair daqui imediatamente.
Trémula, Milena perguntou:
— Por quê? O que houve?
— Faça o que estou mandando.
E trate de mandar esses dois se calarem.
É melhor me obedecer se quiser sair disso viva.
Milena apertou as crianças nos braços e disse baixinho:
— Fiquem quietinhos.
Agora é preciso manter a calma.
Vistam-se rápidos.
Não temos muito tempo!
Calma. Não chorem.
Em seu íntimo, Milena lembrou-se dos seus amigos espirituais, pediu socorro e sentiu a presença de Marcos Vinícius, que a aconselhava:
— Calma. Obedeça.
Abraçada às crianças, ela disse baixinho:
— Temos de obedecê-lo. Não chorem.
Não vou deixar vocês um minuto sequer.
— Esse homem trabalha para meu avô — Ernesto disse baixinho.
Milena, rapidamente, pegou roupas para os três, levou os dois ao banheiro, vestiu-se e ajudou-os também, procurando acalmá-los.
O homem bateu na porta dizendo nervoso:
— Rápido!
Não temos a noite toda! Vamos logo!
Decidida, ela saiu e, encarando-o, perguntou:
— Para onde vai nos levar?
— Obedeça!
Quem dá as ordens aqui sou eu! Venha!
Milena segurou a mão das crianças e acompanhou o homem.
Ao deixar o quarto, viu que Elaine estava na sala, amordaçada e com os braços amarrados.
O homem empurrou-os para fora da casa, onde um carro os esperava, e mandou que eles entrassem e se sentassem no banco de trás.
Apesar do medo, Milena não se conteve e questionou:
— A tia não vai junto?
— Eu quero a minha tia! — pediu Ernesto, tentando reagir.
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 08, 2016 1:03 pm

— Eu quero a tia... — disse Cláudia chorando aflita.
— Calem a boca! Parem com isso!
Vão ter de me obedecer quietos.
Milena, abraçada às crianças, pediu que elas se calassem.
O homem deu uma ordem ao motorista, e o carro saiu.
A noite estava escura, e, enquanto o automóvel seguia em velocidade, Milena pedia auxílio aos amigos espirituais, ainda abraçada às crianças.
A moça notara que havia outro carro, que saíra logo atrás deles.
Estava escuro, e ela só conseguiu ver os dois homens sentados na parte dianteira do automóvel.
O coração de Milena bateu mais forte, ao sentir a presença do espírito de Marcos Vinícius.
— Tenha calma. Estamos aqui para ajudar.
Milena falou em pensamento:
“Estou preocupada com Elaine.
Ela ficou amarrada na casa...”.
“Não se preocupe.
Ela está no carro atrás”, Marcos Vinícius respondeu por meio de pensamento.
“Para onde eles estão nos levando?”, Milena indagou.
“Fique calma e confie.
Há um avião esperando para levá-los de volta ao Brasil, à fazenda do doutor Borges”, Marcos Vinícius tentou acalmá-la.
“O avô das crianças!
Elaine corre perigo!
Esse homem é malvado e deve estar com muita raiva dela.”
“Fique calma.
Coopere connosco, para obtermos o melhor.
Acredite que o bem sempre vence.
O mal só tem força quando o medo se instala.
Imagine que, apesar das circunstâncias, esse homem é o avô das crianças e está sob o domínio da força do ódio.
Não tem condições de perceber o mal que está fazendo à filha e aos netos, tentando separá-los.
É uma situação difícil, cujas circunstâncias são imprevisíveis, porque reflectem problemas de outras vidas, que estão reunindo agora todos os envolvidos para o desfecho”, Marcos Vinícius explicou.
“Você não sabe o que vai acontecer?”, Milena questionou.
“Eu acredito na sabedoria da vida, que ela só faz o melhor.
Pense que todos os envolvidos serão beneficiados, colhendo o resultado do que plantaram.
Confie. Todas as coisas irão para onde devem ir.
A vida não erra!”
“Estou pensando em Elaine...”, Milena retrucou reticente.
“É hora de ficar na confiança e na fé.
Acredite. A vida sempre faz tudo certo.
Acalme seu coração e fique em paz.
Eu e Lauro estamos aqui.
Mantenha sua paz!”, Marcos Vinícius orientou.
Milena sentiu que um calor agradável os envolveu e percebeu que as crianças haviam adormecido.
Emocionada, agradeceu aos amigos pela protecção recebida.
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 08, 2016 1:03 pm

Pouco depois, o carro parou, e Milena notou que estavam em um campo.
Ela viu também as luzes de um avião, que brilhavam na bruma da madrugada.
O outro carro parou atrás do veículo onde estavam, e ela viu que Elaine desceu.
Ela não estava amarrada, mas um dos homens caminhava atrás dela empunhando uma arma.
Como as crianças estavam sonolentas, Milena pediu a Elaine que a ajudasse a levá-las.
Enquanto a moça carregava Cláudia semi-adormecida, Ernesto apoiava-se em Elaine.
Um homem desceu do avião e auxiliou-os a subir pelas escadas, enquanto outro acomodava as malas.
O avião era pequeno.
A tripulação era composta de três pessoas.
Além do piloto e seu auxiliar, que aparentavam mais idade, havia um rapaz mais jovem, que se apresentou:
— Meu nome é Pedro.
Estou aqui para servi--los.
Temos café, chá e sanduíches.
Amanhecia, e Milena e as crianças aceitaram o chá e alguns lanches.
Os dois irmãos comeram com vontade.
Ernesto fixou Milena e perguntou ansioso:
— Mamãe está nos esperando?
— Não sei.
Acredito que estamos indo ao encontro do seu avô.
Não sei se sua mãe estará lá — explicou Milena.
— Quando minha mãe vai chegar? — indagou Cláudia chorosa.
Estou com saudade dela!
Milena abraçou-a, tentando acalmá-la:
— Tenha paciência.
Esse momento vai chegar.
— Eu queria que fosse logo...
Ernesto aduziu:
— Eu também!
Ela é amorosa, gentil e muito linda!
Elaine olhava-os em silêncio.
Tentava ser forte e não se envolver nas dificuldades daquela família.
Ela deixara a família muito cedo para estudar e tivera de aprender a cuidar de si mesma.
Seu pai era militar e a disciplina era mantida em casa.
E sua mãe obedecia passivamente às ordens dele, obrigando-a a fazer o mesmo.
Eram distantes, não se permitindo intimidades.
E Elaine sentia-se melhor longe deles.
A convivência com Milena, sempre alegre, amorosa, verdadeira e útil, a princípio despertara em Elaine uma admiração, que, com o tempo, foi transformando-se em um sentimento de amizade sincera, que ela nunca tivera com ninguém antes.
Além disso, ela fora a tia, quando brincaram de ser da mesma família e, muitas vezes, assumindo esse papel, ela se sentira participante da vida das crianças.
Pouco depois, Pedro aproximou-se:
— Querem tomar alguma coisa?
As crianças pediram um suco, e Milena sorriu para Pedro e perguntou:
— Para onde estamos indo?
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 08, 2016 1:03 pm

Ele ficou sério, pensou um pouco, e depois disse:
— É melhor perguntar para o co-piloto.
Se quiser, posso chamá-lo.
O nome dele é Sérgio.
— Ele deve estar ocupado, e eu não quero incomodá-lo.
— Eu tenho ordem apenas para servi-los e estou proibido de responder qualquer pergunta.
Milena sorriu amável e, olho no olho, tornou com voz suave:
— Eu sei ler pensamentos.
Vou lhe fazer uma só pergunta.
Não precisa responder nada, mas eu saberei ler a resposta.
Diga: estamos retornando para o Brasil, em especial para Minas Gerais?
Pedro arregalou os olhos, mas manteve-se em silêncio.
Milena sorriu alegre e continuou:
— Obrigada, já descobri o que queria.
Encabulado, Pedro, ainda em silêncio, sentou--se no seu lugar.
Elaine, que observara o diálogo calada, disse baixinho:
— Ele não disse nada.
Pensei que ele fosse responder.
— Ele respondeu.
Embora não quisesse, no momento em que ele ouviu a pergunta, pensou na resposta, e eu captei seu pensamento.
Fique tranquila. Estamos indo para Minas Gerais.
Imagino que seja para uma das fazendas do doutor Borges.
— Não dá para ficar tranquila.
Se formos para lá, estaremos nas mãos do doutor Borges.
E, se não formos, poderá nos acontecer algo pior.
Se ao menos eu pudesse ligar para o Gilberto...
— Acalme-se.
Meus amigos espirituais estão nos acompanhando nesta viagem.
Estamos protegidos. Acredite.
Elaine suspirou, passou a mão pela testa, como se tentasse afastar certos pensamentos, e depois disse:
— Não sei o que é pior:
os perigos de encontrar o doutor Borges, ou estar conversando com almas do outro mundo.
Eu queria ficar no mundo real, com gente normal.
— Aí sim é que você estaria realmente em perigo.
Um dia, você vai descobrir que a vida é muito mais do que parece ser.
Que o mal é uma ilusão de quem acredita que ele é forte.
A maioria das pessoas dá força para os outros e ignora a própria capacidade.
Mas, um dia, cada um vai descobrir a própria força e vai saber que só conquistará a felicidade por meio do próprio esforço.
Elaine meneou a cabeça e retrucou:
— Que coisa mais sem senso.
Isso é uma utopia. Nunca vai acontecer.
Olhe em volta! Isso nunca vai mudar.
O mundo é assim mesmo. Não se iluda.
Você é jovem, sonhadora, ainda não viveu.
Se tivesse visto o que eu já vi na minha profissão, entenderia a verdade.
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 08, 2016 1:04 pm

Com a fisionomia distendida, Milena fixou-a e respondeu suavemente:
— As aparências enganam, Elaine.
Meu mundo não se parece em nada com o que você disse.
A vida, seja vivendo aqui neste mundo, como em outras dimensões do universo, tem muitas coisas boas a serem conquistadas.
Mas é preciso querer assumir a própria vida e esforçar-se para ser uma pessoa melhor.
— Eu até gostaria que todas as pessoas fossem tão ingénuas como você, mas prefiro ficar com os pés no chão.
Cuidado, o excesso de confiança é perigoso.
Poderá levá-la à desilusão.
Milena sorriu e não respondeu.
Cláudia pediu que ela contasse mais uma vez a história da Branca de Neve, e Ernesto comentou:
— Eu preferia que você contasse a história do dragão e do menino.
— Eu não quero o dragão, eu quero a história da Branca de Neve!
— Ernesto vai ler o livro do dragão, enquanto eu conto a história que você quer.
— Eu gosto quando você conta as histórias, porque representa os personagens!
É muito diferente!
— Um de cada vez.
Temos muito tempo para contar histórias.
Sei de algumas que nunca lhes contei.
Leia seu livro, enquanto faço o que ela quer.
Cláudia colocou o braço de Milena em volta de seus ombros, enquanto a moça começava a contar a história.
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 08, 2016 1:04 pm

Capítulo 15

A noite estava escura, quando o avião pousou.
As crianças dormiam, e Milena chamou-as dizendo:
— Chegamos. Vamos nos preparar para descer.
Um dos homens da tripulação abriu a porta dizendo mal-humorado:
— Esperem! Só vão descer quando eu mandar!
Ele abriu a porta e esperou que a escada fosse colocada para que pudesse ajustá-la.
Depois, desceu e, fixando o rapaz que estava à sua frente, perguntou:
— Eu não conheço você! Onde está o João?
Nesse instante, surgiram dois homens empunhando armas e um disse com voz firme:
— Ponha as mãos para cima!
Se reagir, morrerá!
— O que está acontecendo?
Quem são vocês?
Deve haver um engano...
— Não há engano nenhum!
Podem amarrá-lo.
Vou subir para pegar os outros.
Assim que ele entrou no avião, Elaine não se conteve:
— Zito! Que bom vê-lo!
Depois dos abraços, Pedro, pálido, encolheu-se num canto, tentando esconder-se.
— Aproxime-se, rapaz.
Não tenha medo. Está tudo bem.
Fomos nós que arranjamos este emprego para você.
Pedro aproximou-se devagar, e Zito continuou:
— Nós somos de paz.
Venha, ajude-os a descerem do avião.
Ainda um pouco inseguro, Pedro auxiliou-os a descer as escadas.
Dois carros os aguardavam mais à frente.
Milena, Elaine e as crianças acomodaram-se no banco de trás de um dos veículos e Pedro seguiu no banco do passageiro.
— Eu vou com vocês.
Esperem um instante — esclareceu Zito.
Ele se aproximou do outro carro, onde havia dois homens amarrados, e disse:
— Tudo bem.
Vocês vão na frente e nós iremos atrás, conforme combinamos.
Zito entrou no carro, dizendo:
— Vocês estão cansados, mas agora é preciso que fiquem um pouco mais sob nossa protecção.
Elaine pediu:
— É melhor Pedro sentar atrás.
Quero ficar na frente.
— Faça isso.
Tudo está sob controle, mas cautela é sempre bom.
Tem uma arma no porta-luvas, caso precise.
Abraçado a Milena, Ernesto perguntou:
— Estamos indo esperar minha mãe?
Foi Zito quem respondeu:
— Estamos no caminho.
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 08, 2016 1:05 pm

— Eu quero minha mãe!
Estou com saudades! — exclamou Cláudia chorosa.
Milena tentou consolá-la:
— Ela está a caminho.
Vamos esperar sua mãe com alegria.
— Vai ser o dia mais alegre de minha vida! — exclamou Ernesto.
Os dois carros saíram, conforme Zito indicara:
um levava os presos na frente e o outro, com Elaine, Milena e as crianças, seguia atrás.
Vinte minutos depois, chegaram ao rancho, onde Zito organizara seu quartel-general.
A menos de dois quilómetros dali, ficava a fazenda dos Borges.
Era lá onde Estela estava presa.
Sabendo que seu pai havia capturado o grupo, ela temia que ele levasse seus filhos para longe e que ela nunca mais os encontraria.
Estela não era pessoa de fé, mas, naquele momento, muito aflita, ajoelhou-se e pediu a Deus que lhe desse a oportunidade de poder criar os filhos e ajudá-los a se tornarem pessoas de bem.
Aos poucos, ela foi acalmando-se, até que, devido ao cansaço, finalmente adormeceu.
Pouco depois, abriu os olhos, levantou-se, olhou em volta, e viu seu corpo adormecido na cama, mas não se admirou.
Aquilo lhe pareceu algo normal.
Foi então que ela viu um rapaz alto, de rosto moreno, cabelos dourados e olhos claros, se aproximar.
Estela não se conteve e gritou:
— Geraldo! É você?
Ele sorriu e abraçou-a com alegria, dizendo:
— Ter você de novo nos meus braços é divino!
— Você está vivo?
— Sim. A morte é uma ilusão.
Nosso espírito é eterno!
Um dia, estaremos juntos novamente e ninguém poderá nos separar!
— Mas o Arnaldo atirou em você!
Você não morreu?
Eu nem pude ir ao seu enterro, mas meu pai me disse que você estava morto!
— Nós somos eternos, Estela.
A morte não é o fim. Tudo continua.
A princípio, eu sofri muito, porque não aceitei o que aconteceu, mas, depois, compreendi que naquele momento seu marido estava dentro dos costumes da sociedade e eu havia infringido a lei dos homens.
Desde então, entendi o que aconteceu e aceitei pagar o preço da minha ignorância.
Hoje, sei que temos toda a eternidade pela frente e que, um dia, quando a vida achar o momento certo e se você ainda me quiser, poderemos viver uma vida melhor e mais feliz.
— Durante todo esse tempo, eu nunca deixei de amar você!
Ficarmos juntos seria a maior felicidade!
Nunca imaginei que isso fosse possível.
— Venha comigo.
Quero mostrar-lhe um pouco do que nos aguarda.
Geraldo passou o braço pela cintura de Estela e juntos atravessaram a parede e saíram volitando sobre a cidade adormecida.
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 08, 2016 1:05 pm

Ela sentia que seu peito se abria em uma alegria da qual nunca lembrava haver vivenciado e disse em êxtase:
— Se a morte é isso, eu gostaria de morrer agora!
— Na vida, as coisas não acontecem assim.
Para tudo há uma ordem.
Cada pessoa tem seu caminho.
Mas sinto que nosso amor é verdadeiro e, nesse caso, tem tudo para dar certo.
A questão é que, quando nos conhecemos, você já estava casada e não soubemos esperar o momento em que pudéssemos nos unir.
Querendo apressar a vida, acabamos prolongando nossa separação.
— Meu amor por você continua igual, como no primeiro dia.
— Eu também a amo.
É por isso que hoje eu vim até aqui.
Para que você tenha paciência de esperar e entenda como as coisas são.
— Tenho me sentido muito só!
Quero ficar com você agora.
Não vou mais voltar para o corpo.
— Se fizer isso, ficaremos muito mais tempo separados.
— Nunca mais me interessei por outro homem e não gosto de viver só.
— Você não está só.
Tem dois filhos que precisam do seu apoio.
Hoje, eu sei que reencarnar na Terra é um privilégio que precisamos valorizar.
Esquecer o passado nos permite recomeçar, experimentar situações novas, desenvolver a sensibilidade e perceber como as coisas são.
— Minha vida aqui tem sido só sofrimento!
Estou cansada!
— Lamentar-se, olhar o lado pior, só vai atrair mais sofrimento.
Não perca tempo com isso.
Faça o oposto, vire o jogo.
Acredite que a felicidade está dentro de sua alma e à sua disposição.
Experimente cultivá-la, perceba o que a deixa bem, em paz.
Mude sua vida e não se atormente com os problemas do mundo.
A vida é mais do que isso.
Não perca tempo!
Vim aqui para dizer-lhe isso.
Espero que me ouça e experimente.
Você é uma mulher inteligente, forte.
Está na hora de cuidar de si, desenvolver sua força e ficar bem.
— Ouvindo você falar essas coisas, sinto vontade de mudar, aprender, melhorar!
— Para isso, eu vim até aqui.
Quero que aproveite sua chance agora.
A vida está lhe oferecendo a oportunidade de aprender os segredos da felicidade e seguir adiante para uma vida melhor!
— E gostaria, mas como fazer isso?
— Cultivando o bem.
A ignorância e a maldade fazem-nos acreditar que o mal é inevitável e forte, mas isso não é verdade.
O mal não tem futuro.
Ele só fica forte porque você o alimenta.
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 08, 2016 1:05 pm

Agora, está na hora de você voltar.
Eu preciso ir embora.
Juntos, eles entraram no quarto, e Estela segurou as mãos de Geraldo, dizendo emocionada:
— Nunca vou esquecer esta noite!
Saber que um dia poderemos nos unir e ser felizes me faz aceitar os anos de vida que estarei na Terra e me esforçar para vencer meus medos e minhas fraquezas.
Isso faz também que eu seja uma pessoa melhor, mais alegre e mais feliz!
Geraldo abraçou-a com carinho, beijaram-se várias vezes, e depois ele disse:
— Tenho de ir.
Não quero abusar, porque, assim, poderei conseguir permissão de voltar a vê-la.
Fique na paz.
Ele auxiliou Estela a deitar-se sobre o corpo.
Ela, então, suspirou, acomodou-se e adormeceu.
Naquele momento, entrou no quarto uma mulher de meia-idade, pegou no braço dele e disse:
— Vim buscá-lo. Vamos embora.
Os dois se afastaram, e Estela virou para o lado e mergulhou em um sono sem sonhos.
Depois de algumas horas, assim que acordou, Estela sentou-se na cama, recordou-se do passeio e pensou:
“Tudo isso teria acontecido de facto ou fora apenas um sonho?”
Ela estivera com Geraldo, e ele parecia estar mais vivo do que nunca.
Suas palavras de amor e as possibilidades de viverem juntos para sempre no futuro fizeram-na antever momentos de felicidade, que existiam em seus sonhos desde a juventude.
Geraldo dissera-lhe que ainda teriam de esperar o momento certo e a aconselhara a esquecer o passado, cuidar de si, olhar a vida com alegria e viver em paz.
Cuidar dos filhos, orientá-los, auxiliá-los a tornarem-se pessoas de bem.
Pensando em tudo o que ele dissera, Estela sentia que esse seria seu caminho dali para frente.
Apesar dos acontecimentos, sempre lutara com unhas e dentes para poder ficar e cuidar dos filhos.
O amor que sentia por eles dava-lhe forças para enfrentar todas as dificuldades criadas por seu pai.
Depois do que acontecera horas antes, sentia-se mais forte e capaz de vencer todos os problemas.
A porta do quarto abriu-se, e doutor Augusto Borges entrou.
Com o rosto sério, fixou-a com raiva, e Estela sentiu um arrepio desagradável percorrer-lhe o corpo, mas levantou os ombros e encarou-o firme.
A um gesto de Augusto, dois homens entraram trazendo cordas, e ele ordenou:
— Sente-se na cadeira.
Estela não obedeceu, e ele continuou:
— Façam o serviço. Rápido.
Os dois, um de cada lado, a carregaram, e colocaram sobre uma cadeira.
Depois, amarraram seus braços e pernas.
Os olhos de Estela fixavam--no e ela mantinha sua cabeça erguida.
Irritado, Augusto disse com raiva:
— Vou perguntar-lhe só uma vez.
Se não falar agora, ficará sem falar por muito tempo!
Onde estão meus netos?
Para onde os levou?
— Eu não sei onde eles estão, mas se soubesse não lhe diria!
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 08, 2016 1:05 pm

Augusto fixou-a durante alguns segundos e depois ordenou aos homens:
— Se quer ficar de boca fechada, o problema é seu.
Passem a mordaça.
Um dos homens passou uma fita adesiva nos lábios de Estela.
Augusto continuou:
— Você me obriga a chegar a esse ponto!
A culpa é sua! Eu não queria chegar a isso.
Mas foi você quem me forçou!
Augusto dispensou os dois homens, aproximou-se de Estela e disse sério:
— Você quer me vencer, mas eu sou mais forte!
Quanto mais você resistir, mais sofrerá.
E, no fim, terá de fazer o que eu quero.
Augusto saiu e fechou a porta à chave.
Lágrimas desceram pelo rosto de Estela, enquanto ela rezava, pedindo a ajuda de Geraldo.
Só ele poderia ouvi-la naquele momento.
Geraldo que havia voltado, estava lá, ao lado dela, e envolveu-a com carinho, dizendo palavras de amor ao seu ouvido.
Embora ela não ouvisse suas palavras, sentiu a proximidade dele e pediu em pensamento:
“Por favor, me ajude.
Não me abandone!”
Comovido, Geraldo abraçou-a dizendo:
— Eu estou aqui! Fique calma.
A ajuda está vindo.
Logo isso vai passar.
Acalme seu coração e confie.
Estamos juntos. Acredite!
Estela ouviu o ruído de um carro afastando--se e pensou aflita:
“Eles vão me deixar assim?”
Pouco depois, ela ouviu o barulho de uma chave, a porta abriu-se.
Uma mulher entrou segurando uma bandeja com comida e aproximou--se dizendo:
— Calma, falta pouco.
Ela tirou a fita adesiva da boca de Estela, jogou-a no lixo e passou creme em seus lábios.
Estela respirou aliviada.
— Fique tranquila.
Eles só voltarão mais tarde, e eu já cuidei do guarda que ficou.
Está dormindo como um anjo!
A mulher colocou a bandeja sobre a mesinha e continuou:
— Trouxe um jantar caprichado e uma sobremesa, que era a especialidade de minha mãe.
— Obrigada pelo carinho, mas agora estou sem fome.
— Pense na alegria da liberdade e nas duas crianças que, neste momento, a estão esperando com amor!
Zito mandou dizer-lhe que sua vitória está próxima.
Logo virão buscá-la.
Confie e se prepare para a fuga.
— Cuidado!
Os capangas de meu pai são tão perversos como ele!
Temo por você!
Ela deu de ombros e sorriu.
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 08, 2016 1:06 pm

Em seus olhos, havia um brilho maroto quando respondeu:
— Por que pensa que estou aqui?
Tenho contas a ajustar com todos eles!
Mas, vamos deixar isso de lado e tratar do que vai acontecer.
Eles deixaram um homem de guarda, mas eu já tratei dele e está dormindo profundamente.
Os outros dois deverão voltar só mais tarde.
Zito mandou avisá-la de que, depois que confirmar a saída dos capangas, virá buscá-la e a levará ao encontro dos seus filhos.
Em todo caso, neste envelope está uma fita igual à que eles usaram e vou deixar as cordas com duas amarrações, para prender braços e pernas, simulando o que eles fizeram.
Não creio que eles venham, mas, caso haja alguma surpresa, você poderá simular estar do jeito que eles a deixaram, que nada mudou.
— Estou nervosa.
Será que saberei fazer isso?
— Vamos experimentar.
Veja como é fácil.
A mulher experimentou pôr em prática as instruções que dera a Estela e tudo funcionou de maneira perfeita.
— Outra coisa importante:
quando Zito vier, vai arrombar a porta.
Mas, se você ouvir o barulho de uma chave na fechadura, é porque um deles voltou.
Nesse caso, simule estar presa.
Agora tenho que ir.
Não posso ser surpreendida aqui, mas ficarei escondida, vigiando.
Estela colocou a mão sobre a da mulher e agradeceu emocionada:
— Obrigada por estar arriscando sua vida para me ajudar.
Deus a abençoe.
A mulher abraçou-a, sorriu e respondeu:
— Fique na paz!
Ela se afastou, e Estela tentou controlar a ansiedade, manter a calma, mas estava difícil.
Sua vida estava dependendo do que iria acontecer nas horas a seguir.
Estela pensou em Geraldo e sentiu um calor agradável no peito.
Se ao menos ela conseguisse vê-lo ou ouvir o que ele dizia!
Depois daquela visita, em que Geraldo lhe falara da eternidade, das possibilidades de conquistar uma felicidade que ela nunca imaginara, Estela sentia-se mais forte e com coragem para enfrentar tudo que viesse pela frente.
Estar livre, poder criar os filhos, prepará-los para que pudessem assumir a própria vida com coragem e lucidez e se tornarem pessoas de bem, era tudo com que ela sonhava.
Era tudo que ela queria fazer nesta vida.
Estela sentia que, durante esse processo, Geraldo estaria do seu lado, apoiando-a, auxiliando-a, até que ela pudesse ir encontrá-lo.
Pensando na alegria de abraçar os filhos, ela alimentou-se bem e sentiu-se mais forte.
Depois, estirou-se na cama, tentando acalmar a ansiedade e notar qualquer ruído de alguém chegando.
Mas o tempo parecia não passar, pois só havia silêncio.
Quando Zito parou o carro, Reinaldo estava ansioso esperando-os.
Ele abraçou Milena, que, feliz, se aninhou em seus braços esquecida de tudo.
Beijaram-se, enquanto Cláudia puxava a manga do vestido da moça.
Os dois a abraçaram também e puxaram Ernesto, que, emocionado, observava a cena.
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 08, 2016 1:07 pm

Os quatro permaneceram abraçados, enquanto Elaine conversava com os demais integrantes do grupo, para inteirar-se dos detalhes.
Zito e seus homens tinham tudo preparado para libertar Estela e irem embora do lugar.
Tudo estava sendo preparado com cuidado e a vigilância era contínua.
Ninguém de fora poderia notar o movimento deles.
Os homens, que faziam as compras na vila, iam separados, como se fossem trabalhadores de uma fazenda próxima.
A mulher que fora socorrer Estela fazia parte do grupo e relatou-lhes como a encontrara:
amarrada e amordaçada.
Ela pedira a Zito que antecipasse a libertação de Estela, mas ele sabia que precisava ter todo o cuidado, porquanto Augusto Borges, além de malvado, era sagaz e seus homens eram iguais a ele.
Eram prepotentes, não tinham escrúpulos e gostavam de mostrar superioridade, jactando-se de suas maldades.
Zito informou a Elaine que marcara para libertar Estela naquela noite, por ter descoberto que doutor Borges estaria fora, o que facilitaria a acção.
Estava tudo preparado.
Depois de ser libertada, Estela se encontraria com os filhos e juntos viajariam para um local secreto, onde permaneceriam durante algum tempo, até que o pai dela desistisse de procurá-los e eles pudessem seguir a vida em paz.
Para isso, tinham até passaportes com nomes falsos e tudo fora preparado para que não deixassem rastros.
Enquanto esperavam, Reinaldo, feliz, convencia Milena a se casarem assim que o caso fosse resolvido.
Ela telefonara para os pais, informando-lhes que tudo estava bem e que, em breve, estariam de volta, para nunca mais se separarem.
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 08, 2016 1:07 pm

Capítulo 16

Na propriedade onde o grupo estava abrigado, tudo estava pronto para o resgate de Estela.
A mulher que estivera com ela entrou e Zito perguntou-lhe:
— E então, alguma novidade?
— Não. O doutor Borges não apareceu.
Eu dei sonífero para um dos guardas mas há outros dois que saíram e vão voltar logo mais, armados, que estavam vigiando dona Estela.
— Falou com ela, explicou tudo?
— Sim. Combinamos tudo.
Ela me pareceu mais animada.
Alimentou-se bem e está ansiosa para ver os filhos.
— Tem certeza de que há apenas esses guardas que você viu? — indagou Elaine.
— Sim.
— Está bem.
Pode voltar para seu trabalho na fazenda.
Se houver alguma novidade, nos avise.
Zito pediu:
— Chamem todos.
Os dois vigias que estavam fora entraram, e Zito continuou:
— Dentro de poucos instantes, precisamente às onze horas, iniciaremos a acção.
Cada um em seu posto e prontos para seguir o plano.
Convém rememorar as providências a serem tomadas se formos surpreendidos por alguém de fora.
Celina vai tossir.
Se isso acontecer, Mário e Ademir vão impedi-los de agir e amarrá-los.
Não se esqueçam da mordaça.
Lembrem-se de que estaremos no terreno deles e que, no alojamento da fazenda, há muitos homens prontos para agir.
Tudo terá de ser feito no mais absoluto silêncio.
Entendido?
— Sim. Estamos bem preparados — respondeu Mário.
— Muito bem.
Quanto a você, Elaine, cuide do casal e das crianças.
— Eu também quero ajudar — disse Reinaldo.
— Você é médico e fará muito mais acalmando Milena e as crianças.
Esse será seu papel.
Vocês vão permanecer aqui com Elaine e, se alguém do outro lado os surpreender, você terá que auxiliá-la.
— Eles não sabem que estamos aqui.
Não há perigo — retrucou Reinaldo.
— Estamos muito próximos da fazenda, nunca se sabe o que poderá acontecer.
Milena fechou os olhos e disse com voz firme:
— Um amigo espiritual quer nos dar um breve recado — ela respirou fundo e continuou:
— Meu nome é Geraldo.
Vocês não me conhecem, mas sou ligado à Estela.
Estou aqui para auxiliá-la, para que ela possa assumir seus filhos, educá-los, e para que, juntos, tenham uma vida de progresso e luz.
Nossa causa é justa, e a vida lhes dará a recompensa pelo trabalho que estão fazendo.
Deus os guie e abençoe seus passos.
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 09, 2016 10:51 am

Naquele momento, Reinaldo sentiu uma forte emoção e viu que, do alto, descia sobre todos eles uma luz muito branca, com delicados fios dourados em alguns pontos, e não se conteve:
— Sintam. Está descendo uma luz muito forte sobre nós...
É a primeira vez que vejo isso.
A voz de Zito estava um pouco trémula, quando ele disse:
— Eu não vi nada, mas senti que desta vez foi diferente e que a euforia que sempre tive antes de uma acção não apareceu.
Estou disposto, mas calmo.
Cada um no seu lugar. Está na hora.
Elaine, você fica aqui com eles, para evitar surpresas.
Elaine concordou.
Todos do grupo estavam vestidos de preto e saíram.
— Eles vão trazer minha mãe? — perguntou Ernesto emocionado.
— Eu quero minha mãe! — pediu Cláudia.
Milena sentou-se no meio das crianças e disse:
— Venham. Vamos nos dar as mãos e pedir a Deus que tragam Estela de volta.
Na calada da noite, os homens do grupo que resgataria Estela foram cada um para seu posto.
Enquanto Zito e dois homens seguiram cautelosamente para a fazenda, outros três espalharam-se pela retaguarda, prontos para agir se fosse o caso.
Celina, a copeira, desenhara o local onde Estela estava presa, e eles foram se aproximando.
Tudo estava em silêncio.
Ao chegarem perto da porta do salão onde Estela estava, viram, embaixo de uma das janelas, um homem sentado no chão dormindo.
Celina fizera bem o seu trabalho.
Estavam caminhando em direcção à porta da frente, quando o ruído de um carro quebrou o silêncio, e eles se esconderam.
O veículo parou perto da casa e o doutor Borges desceu e se deparou com um de seus capatazes dormindo alcoolizado.
Ficou furioso.
— Seu porco, safado!
Vou acabar com você!
Augusto Borges deu um empurrão no homem, que se esparramou no chão, continuando a dormir.
Zito fez sinal para fazerem silêncio e esperou.
Doutor Borges abriu o cadeado e entrou.
Imediatamente, Zito aproximou-se da janela para ouvir o que ele dizia.
— E então, gostou de ficar amarrada como um cão danado?
Estela havia colocado o disfarce nas mãos e nas pernas, mas na boca, não.
— Quem tirou a fita de sua boca?
Estela não respondeu, e Augusto continuou:
— O que está esperando?
Diga logo onde as crianças estão e acabaremos com isso de uma vez por todas!
Ela não respondeu, e ele, irritado, gritou:
— Responda, cadela!
Eu sou seu pai, não tolero sua impertinência!
Às vezes, tenho vontade de acabar logo com sua vida!
Você vai falar!
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 09, 2016 10:52 am

Augusto Borges deu uma bofetada no rosto da filha e, nesse momento, Zito entrou, com dois homens, todos empunhando armas, e gritou:
— Pare ou eu atiro!
Chegou a sua hora!
O susto deixou doutor Borges sem resposta.
Imediatamente, enquanto Zito e os outros dois o amarravam em uma cadeira, Estela tirou os disfarces dos braços e das pernas e se levantou.
Estava pálida.
Ela aproximou-se do pai e fixou-o séria.
Vendo--a, ele tentou escapar:
— Eu sou seu pai!
Como você deixou eles virem me espancar?
Ela voltou as costas e não respondeu.
Estava cansada e só sentia por ele raiva e desprezo.
Zito fez sinal para os dois homens, que apontavam a arma para o doutor Borges:
— Fiquem firmes de olho nele! — e abraçou Estela dizendo:
— Vamos sair daqui.
Assim que deixaram o galpão, ela perguntou ansiosa:
— As crianças estão bem?
— Sim. Estão esperando por você com Milena e Reinaldo, em um local próximo à fazenda.
Nosso carro está escondido perto da entrada. Vamos.
— Graças a Deus!
Eles acomodaram-se no carro e gastaram menos de dez minutos para alcançar o esconderijo, mas, devido à sua ansiedade, para Estela o trajecto pareceu-lhe uma eternidade.
O carro parou diante do rancho, e ela saiu apressada, com o coração batendo descompassado.
Um dos homens abriu a porta com cautela e, vendo-a com Zito, escancarou-a satisfeito.
Estela entrou no esconderijo, e Ernesto, recostado em uma poltrona, onde tentava dormir, abriu os olhos e exclamou:
— Mãe! Você veio!
Estela correu com os braços estendidos, e o garotinho, rapidamente, aninhou-se neles, enquanto ela o beijava.
Ernesto soluçava emocionado.
Cláudia, que dormia em um sofá, acordou e olhou em volta um pouco alheia.
Estela, ainda abraçada ao filho, aproximou-se da menina dizendo:
— Filha, sou eu! Estou aqui!
Cláudia sentou-se ainda sonolenta e esfregou os olhos, tentando acordar.
Os dois a abraçaram, e a menina exclamou alegre:
— Mamãe, é você mesmo?
Não vai mais embora?
— Vim para ficar.
Desta vez, é para sempre.
Nunca mais nos separaremos.
Os três permaneceram abraçados, trocando carinhos, enquanto Milena e Reinaldo, emocionados e felizes, assistiam à cena.
Quando se acalmaram, Estela abraçou Milena, dizendo alegre:
— Eu sentia que você era a pessoa certa para cuidar dos meus filhos.
Deus a abençoe por deixar sua família e seu namorado, para cuidar dos meus filhos e enfrentar a maldade de meu pai.
Reinaldo observava a cena emocionado.
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Ave sem Ninho

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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 09, 2016 10:52 am

Estela o abraçou e continuou:
— E você, um médico, deixou tudo para nos apoiar.
Nunca esquecerei o que fizeram por nós.
Não sei ainda onde iremos morar, porque precisamos ir para um lugar no qual meu pai não possa nos prejudicar, mas vocês estarão sempre em meu coração.
Onde estivermos, estaremos pedindo a Deus que lhes conceda toda a felicidade do mundo!
— Obrigado.
E eu estou feliz por ter colaborado, de alguma forma, para esse desfecho.
É um direito que a vida lhe deu!
Estela voltou-se para Zito:
— Vamos embora daqui, antes que os homens de meu pai nos impeçam.
— Acalme-se.
Tudo está sob controle.
— Quero ir para um lugar distante, onde ele nunca possa nos descobrir.
— Doutor Gilberto já entrou na justiça com uma acção criminal contra o doutor Augusto Borges.
Você é uma mulher livre, está lúcida e tem posses suficientes para cuidar de seus filhos.
Diante do que ele fez para separá-los, você terá ganho de causa.
Se ele interferir novamente, poderá até ser preso.
— Meu pai é prepotente e não vai aceitar perder.
Estou certa de que ele fará tudo para nos perseguir e prejudicar.
Quero sumir pelo mundo e ficar em paz.
Zito fixou-a e disse sério:
— Ele já sequestrou seus filhos uma vez.
A melhor forma de agir será responsabilizá-lo por isso judicialmente, para impedir que ele tente de novo.
— Eu prefiro ir embora daqui o quanto antes.
Só assim ficarei em paz.
— Mas antes, terá de voltar ao Rio, falar com doutor Gilberto, assinar alguns papéis para garantir que seu pai não os incomode mais.
Estela ficou pensativa durante alguns segundos e depois concordou:
— Está bem.
Passaremos por lá.
Agora vamos embora.
Zito meneou a cabeça negativamente:
— Não acho razoável sair daqui durante a noite.
Embora estejamos no controle, precisamos ficar alertas e não dar oportunidade para que eles tentem algo.
Não sabemos quantos homens há na fazenda.
Um está desacordado e prendemos dois, mas pode haver outros.
É melhor esperarmos e irmos embora quando amanhecer.
Estela pensou um pouco, suspirou e disse:
— Está bem.
As crianças estão com muito sono e poderão descansar um pouco mais.
— Faça isso.
Avisarei quando for a hora de partir.
Podem dormir em paz.
Estaremos vigiando o local.
Estela agradeceu e procurou acomodar as crianças.
Depois, sentou-se ao lado de Milena e Reinaldo, falando de seus projectos de reprogramar a vida em paz.
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 09, 2016 10:52 am

Capítulo 17

Assim que o dia clareou, Estela acordou.
Como todos ainda dormiam, ela aproveitou para separar os pertences de Ernesto e Cláudia.
Com os olhos brilhantes de emoção, examinou as malas das crianças, suas roupas e objectos de uso, pensando que nunca mais se separariam.
Uma onda de alegria inundou sua alma, e Estela sentiu que, dali para frente, se dedicaria a educar os filhos e a ensiná-los a viver melhor, para que encontrassem o próprio caminho.
Ela nunca tivera liberdade para fazer nada.
Alguns meses após seu nascimento, Estela fora enviada para um internato e, mais tarde, para colégios, onde seu pai a colocou desde que sua esposa o abandonara quando Estela tinha apenas alguns meses.
Ela nunca vira nenhuma foto da mãe.
Sabia apenas que se chamava Marta e que morrera pouco tempo depois do seu nascimento.
Doutor Augusto Borges, seu pai, a visitava de vez em quando, para informar-se sobre o andamento de seus estudos.
Ele sempre fora um homem exigente.
Quando Estela completou dezasseis anos, doutor Borges acertou seu casamento com Arnaldo Mendonça, um homem muito rico de trinta e cinco anos.
Durante os dois meses de namoro, Arnaldo a visitava.
Era sempre muito educado e a enchia de presentes.
Estela, então, o aceitou, pensando que assim se libertaria do domínio do pai.
Depois de um ano de casamento, nasceu o primeiro filho do casal: Ernesto.
Arnaldo era um homem metódico.
Tratava-a com respeito e dignidade, mas sem arroubos amorosos.
Ele costumava frequentar a alta sociedade regularmente, com a finalidade de construir relações que favorecessem seus negócios, e não titubeava em usar a beleza e o brilho de sua mulher, que atraía a admiração dos homens e a inveja de outras mulheres, como um meio de realizar seu sucesso e ficar cada vez mais rico e poderoso.
Estela notava isso e esforçava-se para ser e parecer o mais natural possível, não colaborando em nada com o que o marido pretendia.
Dois anos depois do nascimento de Ernesto, o casal fora a um evento social muito importante.
Um baile, no qual uma grande orquestra tocava e abrilhantava a noite.
Quando Estela entrou no salão onde acontecia o evento, um dos violinistas a fixou.
Seus olhos se encontraram e o inesperado aconteceu.
De repente, ela sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo.
Acompanhada do marido, Estela caminhou até a mesa, mas suas pernas estavam trémulas.
Ela, então, sentou-se e esforçou-se para recuperar a calma.
De onde o conhecia?
A partir desse momento, Estela sentiu que os olhos do violinista a observavam e, durante todo o tempo, não conseguiu pensar em outra coisa.
Emocionada, rosto afogueado, foi ao terraço pensando em livrar-se daquela emoção, mas, ao final da apresentação, o violinista deixou a orquestra e foi procurá-la.
Ele aproximou-se, fixou-a e perguntou:
— De onde nos conhecemos?
— Nós nunca nos vimos.
Você está enganado.
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 09, 2016 10:52 am

— Sua presença me faz recordar de algo forte, que não consigo esquecer.
Sinto que você me reconheceu.
Estela baixou os olhos, ficou pensativa e depois meneou a cabeça dizendo:
— Isso é uma loucura, não tem lógica.
Não me lembro sequer de termos sido apresentados.
É melhor eu ir embora.
Meu marido poderá não gostar.
Estela afastou-se rapidamente, procurou por Arnaldo e pediu:
— Vamos embora.
Não estou me sentindo bem.
Ela estava pálida, e Arnaldo, preocupado, mandou buscar o carro.
Enquanto Estela esperava, um garçom aproximou-se e entregou-lhe um botão de rosa e um cartão onde estava escrito “Geraldo de Luca” e um número de telefone.
Emocionada, mas notando que o marido se aproximava, Estela guardou rapidamente o cartão e o botão de rosa na bolsa.
Notando que os olhos de Geraldo estavam fixos nela, empalideceu com receio de que o marido percebesse algo.
Arnaldo notou a palidez da esposa e perguntou preocupado:
— Aconteceu alguma coisa?
— Estou cansada.
Só quero ir para casa e descansar.
Durante o trajecto, Arnaldo insistiu para chamar um médico para examiná-la, mas ela não aceitou:
— Não estou doente, apenas cansada.
Só preciso descansar.
A partir dessa noite, as coisas se precipitaram.
Estela decidiu ligar para Geraldo, que pediu para marcarem um encontro, em que pudessem conversar e tentar entender o que estava acontecendo.
Ela tentou resistir, mas acabou indo ao apartamento dele.
Assim que a viu entrar, Geraldo abraçou-a dizendo emocionado:
— Eu sabia que um dia a encontraria de novo.
Era você que eu via em meus sonhos.
Estela esqueceu-se de tudo e entregou-se ao amor que sentia.
Foi um deslumbramento.
A partir desse dia, sempre que podia, Estela ia ao apartamento de Geraldo.
O desejo aumentava com o passar do tempo, e eles queriam mais.
Quando Estela ficou grávida de Cláudia, ambos sabiam que Geraldo era o pai.
Um mês depois do nascimento da menina, os dois se encontraram para comemorar.
À distância, o violinista costumava ver a filha, que crescia saudável e linda.
E ele, emocionado, notava nela os traços de sua família.
Depois de algum tempo, Arnaldo começou a notar algumas mudanças nos hábitos de Estela.
Percebeu que a esposa estava diferente e que fazia o possível para evitar sua intimidade.
Quando ele exigia, notava que ela ficava insensível, ausente, querendo que ele acabasse logo.
E Estela justificava sua atitude, explicando que não estava se sentindo bem, precisava descansar e não queria ter mais filhos.
Desconfiado, Arnaldo colocou uma pessoa para seguir sua esposa e descobriu que estava sendo traído.
Ele não pensou duas vezes:
comprou uma arma e, em uma noite, quando o violinista saía do ensaio, matou-o com dois tiros.
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Re: Série Lucius - Ela Confiou na Vida / Zibia Gasparetto

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