A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 23, 2016 9:56 am

Eles mergulharam o mundo em uma longa e fria noite de terror.
O que eles fizeram têm sido estudado, debatido e condenado por historiadores, políticos e estadistas.
Mas, para entender sua própria vida na Terra e o que isso significou, você precisa compreender Ernst.
Não o julgue, porque nós somos parte dele assim como ele faz parte de todos nós.
Ele divide connosco o mesmo brilho divino, porque todos nós somos espíritos e parte do criador.
No universo do criador, em certos lugares e épocas, o bem e o mal, o positivo e o negativo precisam e devem coexistir.
Para crescer e aprender, um espírito deve fazer escolhas e colher os resultados.
Se não há alternativas, não há o que escolher.
A Terra existe no universo porque é uma esfera onde os espíritos aprendem por meio de suas escolhas.
Ernst fez suas escolhas na Terra.
Quando seu espírito retornou para cá, ele não achou nada, excepto eu: a luz.
Eu estou aqui para todos vocês.
É meu trabalho e missão.
O que aprendo ajudando vocês também me ajuda em minha viagem eterna.
Entretanto, no caso de Ernst, não pude fazer minha presença ser notada por ele.
Naquela hora eu não podia oferecer conforto, esperança nem luz.
Seu espírito não estava pronto.
Ernst acreditava fanaticamente na máquina de propaganda nazista.
Seu espírito esperava ser resgatado para algum lugar especial.
Ele esperava que anjos wagnerianos viriam buscá-lo e o levariam de lá para o grande hall dos heróis caídos do nazismo.
Os anjos nunca vieram e Ernst rolava no escuro em vão.
Não havia desfiles com tochas para iluminar esse canto escuro do universo.
Em algumas horas ele chamava por algo fora da escuridão.
Ele se recordou de um esquecido Cristo lá de longe, de sua juventude.
O espírito do Cristo não apareceu, opostos não se atraem, as vibrações não combinam.
Porém eu estava lá, esperando.
Mas Ernst não estava pronto, ele teria de passar por esse abismo sozinho.
Seria esse vazio que as religiões da Terra chamam de inferno?
De acordo com a doutrina da Terra, o inferno é um castigo de Deus, mas Deus não castiga nem julga.
Deus é desenvolvimento constante.
Sua força está sempre presente em sua criação.
Logo Ernst sentirá a presença de Deus.
Ainda que seja por uma fracção de segundo, a porta se abrirá e ele sentirá a harmonia, o amor e a beleza de Deus.
Eu abrirei essa porta para ele e a fecharei rapidamente, para Ernst vislumbrar a luz, para saber o que está perdendo.
Eu pergunto a você:
isso não é o inferno?
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 23, 2016 9:57 am

Borunda Ni espera ansiosamente

Borunda Ni ainda estava no ciclo terrestre:
os primeiros raios de sol anunciam tanto o amanhecer quanto a suave aproximação da escuridão ao entardecer.
Foi durante um entardecer, neste cenário simples de sua aldeia africana, que nós conversamos.
Estávamos sentados ao lado da porta de sua cabana.
O sol estava se escondendo lentamente atrás das montanhas que rodeavam este lugar e as sombras da noite cresciam pelo chão.
Sentado de pernas cruzadas no chão sujo, Borunda comentou:
— Já estou aqui há algum tempo e com o passar dos dias vou percebendo certas mudanças.
Cada dia é um pouco diferente do dia anterior.
E o ar da noite vai ficando cada vez mais leve do que era antes.
Borunda levantou-se, olhou para as montanhas e então começou a perguntar:
— Há muito mais coisas além dessas montanhas, não há?
Mais ainda além do céu, e o ar está cheio de mistérios que não consigo captar.
Lá na Africa nós sabíamos da magia que os espíritos podem fazer com as forças ocultas.
Agora sei que isso era verdade, porque não estou mais na África e, embora tudo pareça igual, na verdade não o é.
Sei que estou no lugar onde os espíritos v i vem; às vezes eu os vejo.
Eu sou um deles agora.
Borunda tinha estado aqui por um bom tempo.
Lentamente e sem esforço, ele estava se adaptando a este outro mundo, o mundo onde os espíritos vivem.
Ele se levantou do chão em frente de sua cabana.
Para fazer-lhe companhia, caminhei até onde ele parou.
Olhei fixamente para as montanhas que cercavam a pequena aldeia.
— Sim, este é o lugar onde os espíritos vivem.
Eu sou um espírito e você também.
Foi daqui que nós viemos, e é aqui onde nós realmente vivemos.
A vida na Terra, lá na África, não era sua verdadeira vida, sua existência ou seu ser verdadeiro.
A Terra serve para passarmos um tempo longe de casa, é um lugar onde se aprende o que não se pode aprender aqui.
Ele me entendeu e esperou que eu continuasse.
— Escute, agora é a hora, você está pronto.
Olhe ao redor de sua aldeia.
É o local de sua última vida. Ela é como você se lembra.
Veja: há o centro da aldeia, onde sua tribo se reunia para conversar, cozinhar ou dançar.
E mais adiante, depois das cabanas e da clareira, está a floresta onde você brincava quando criança e caçava quando adulto.
Porém, antes que você estivesse lá, você esteve deste lado, e antes que você estivesse aqui, você estava lá.
Contudo, é aqui, onde nós estamos agora, "neste local onde os espíritos vivem", que você começou.
Onde todos nós começamos.
Ele concordou. Ele sabia.
Toquei seu ombro. Borunda virou-se e olhou-me nos olhos.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 23, 2016 9:57 am

Ele queria ouvir mais.
— Deixe-me mostrar e explicar.
Vamos voltar e eu lhe mostrarei como foi que você passou daqui para lá e por todos os caminhos intermediários.
Vou lhe mostrar tudo que você precisa saber.
Você vai passar por estradas pelas quais já passou, e por muitas outras que estão pela frente.
Sua aura estava mais forte agora e ele entendeu o que eu lhe disse.
A antecipação do que estava por vir pulsou em seu ser.
Mas eu também sabia que ele tinha suas dúvidas, dúvidas essas que, seguramente, provinham das crenças de sua tribo.
A princípio suas crenças o ajudaram a se ajustar rapidamente, mas algumas dessas ideias eram agora responsáveis por seu estado de confusão.
Aqueles que realmente acreditam em suas crenças piamente, sem reservas ou questionamento, têm uma grande dificuldade de entender uma realidade que não bate com suas expectativas.
Os iorubas davam muita ênfase à magia, encantamentos espirituais.
Não davam muita atenção para o outro lado da espiritualidade:
o significado de nossas vidas na Terra.
O nível de conhecimento de Borunda sobre o mundo espiritual era básico.
Agora era a hora de levá-lo além do ocultismo tribal.
Ele conhecia o local "onde os espíritos viviam" através de sua mágica.
Agora ele esperava ver esses espíritos e se tornar parte deles.
Isso era o que ele acreditava, porque isso era o que ele praticava.
— Borunda, deixe-me perguntar uma coisa.
Isso era o que você esperava?
Quero dizer, quando você estava na Terra, imaginava que os espíritos viviam num lugar parecido com este?
Ele reflectiu sobre minha pergunta e respondeu:
— Sim e não. Está claro que minha morte não foi nada.
Eu simplesmente deixei um corpo velho e cansado para trás.
Eu sabia que meus amigos e parentes iriam me receber.
Mas onde estão os deuses, as sete linhas do espírito?
Onde estão Xangô, Iemanjá, Ogum e todos os outros?
Eu não os vejo.
Na Terra eu os via claramente dançando diante de meus olhos.
Eles não estão aqui.
Esperei um pouco antes de explicar.
Ele precisava saber mais do que havia perguntado.
— Existem muitos grupos de espíritos aqui, Borunda.
Lá em sua aldeia não há muitas pessoas diferentes?
Não há jovens e velhos, homens e mulheres?
É a mesma coisa aqui.
Na crença dos iorubas, os espíritos são divididos em grupos.
Esse era provavelmente o melhor modo para explicar o mundo espiritual para ele.
— Os espíritos que você conhecia na Terra, aqueles que dançavam diante de seus olhos e vinham quando você os chamava, podem ser divididos em dois grupos.
O primeiro é formado por espíritos que se recusam a evoluir.
Por alguma razão eles não cortaram sua ligação com a Terra.
Não estão prontos ou não são capazes de dar um passo para a frente.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 23, 2016 9:57 am

Eu lhe disse que, em outros locais na Terra, as pessoas chamavam esses espíritos de "fantasmas".
E esses espíritos ainda ligados à Terra se sentem poderosos quando se envolvem com assuntos terrestres.
Alguns deles não estão prontos para seguir adiante, estão presos à vibração da Terra por causa de seus egos e vaidades.
— Existem algumas regras aqui — eu disse.
Um espírito não pode ir aonde quer, vai só até onde suas vibrações conseguem chegar.
E não há polícia ou exército para fiscalizar essa regra.
Tudo funciona naturalmente.
Borunda perguntou-me se esses espíritos estavam presos à Terra porque suas vibrações não tinham sido purificadas.
Fiquei surpreso com essa pergunta.
Aparentemente, quando ele estava na Terra e esses espíritos dançavam diante de seus olhos, ele viu mais do que imaginei.
— Você está certo.
Mas existem ainda grupos de espíritos mais evoluídos em missão no mundo.
São os guias, os anjos ou, como eu, professores.
Eu lhe disse que, quando ele praticava seus encantamentos, invocava espíritos ligados à Terra.
Se o objectivo do encanto era negativo, então o primeiro grupo respondia.
A vibração de Borunda mostrava que ele estava pronto para aprender mais.
Os iorubas deram a ele uma compreensão sobre a continuação da vida após a morte.
Minha tarefa era mostrar-lhe que a festa continuava em vários lugares diferentes.
Ele poderia então escolher, entre os lugares que suas vibrações conseguiam alcançar, o mais adequado.
— Sabe, Borunda, você esqueceu muito.
Por exemplo, você sabe que você já viveu antes.
Está na hora de se lembrar dessas vidas.
Elas estão dentro de você.
Elas são parte de você.
Eu irei, se você permitir, ajudá-lo a encontrá-las.
Seu rosto demonstrou o encanto e o entusiasmo que sentiu.
Ele estava pronto, e eu também.
A tarefa de ajudar um espírito a juntar as peças de seu quebra-cabeças pessoal é a parte favorita de meu trabalho.
Eu e Borunda passamos por um túnel colorido e sinuoso, cheio de luzes e sons, sincronizados na mais perfeita harmonia.
Voltamos para seu último nascimento na aldeia africana.
Nós o vimos como uma criança, aprendendo com os mais velhos a brincar e a caçar.
Seus sessenta anos terrestres passaram rapidamente diante de seus olhos, porém mais intensamente do que quando ele os havia vivido.
Ele se viu crescendo, aprendendo com a Terra.
Ele viu que todos os animais e plantas dependiam uns dos outros.
Começou a entender a harmonia da natureza:
a chuva alimentando o solo, o sol trabalhando com aquele solo e as plantas nascendo dele.
Essas plantas morreriam, fertilizariam o solo e todo o ciclo começaria novamente, renovando-se a cada estação.
Borunda aprendeu os ritmos da Terra, não por meio de um livro, mas sendo uma parte desses ritmos.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 23, 2016 9:57 am

Naquele momento, episódios de sua vida passaram diante dele.
Notou que, quando agia contra as regras da natureza, era punido.
Viu que não era para ele dominar totalmente seu meio ambiente e aprendeu a ser mais humilde.
Descobriu elementos que ele não podia dominar por conta própria e precisou da ajuda de sua tribo, aprendendo assim a achar seu lugar no coral da natureza.
Eu então interrompi o filme de sua vida.
— Borunda, está na hora de mostrar-lhe outras coisas.
Vamos voltar para sua aldeia na Africa.
Vamos ver como ela se encontra nos dias de hoje, depois que você partiu.
No mesmo instante nós estávamos lá.
Tudo que separa o mundo terrestre deste mundo espiritual são frequências diferenciadas de vibrações.
Borunda e eu, como espíritos, estávamos em sua antiga aldeia terrestre.
Nada havia mudado. As mulheres continuavam a andar até o límpido rio para lavar roupas.
As crianças brincavam nas proximidades e os adolescentes se preparavam para uma caça na floresta.
— Tudo está do mesmo jeito — eu disse.
Todos os dias é a mesma coisa.
Mas, no futuro, aldeias como esta não existirão mais.
Essas esferas de aprendizado não serão mais necessárias.
Os vilarejos pequenos e ermos estão desaparecendo aos poucos.
— Por quê? — perguntou Borunda.
— Aldeias como esta existem para que certos espíritos, que estão começando a se desenvolver, possam entrar na vibração terrestre
em um nível básico.
Esses espíritos não estão preparados para fazer escolhas difíceis, e nessas aldeias não existem muitas escolhas para serem feitas.
Contudo, não pense que todas as pessoas que estão aqui estejam em um estágio inferior de desenvolvimento.
Pensar isso seria um grave erro.
Mas, conforme os espíritos evoluem e progridem, esse tipo de escola se torna cada vez menos necessário.
Dirigi sua atenção de volta para a aldeia e apontei para um grupo de jovens caminhando para a floresta.
Contei a ele que aqueles jovens eram seus bisnetos, que nasceram bem depois que ele se tornou um espírito.
— Como? Deixei este lugar alguns dias atrás.
Não é possível que eles sejam tão velhos — lamentou ele.
Compreendendo sua dúvida, sorri.
Disse a ele que falaríamos sobre o tempo depois.
E, por falar em tempo, estava na hora de irmos embora.
Havia muito ainda para ser visto.
— Viemos até aqui para termos um ponto de partida, um local que você pudesse reconhecer.
Então pedi a ele para lembrar-se do que havia visto:
uma aldeia minúscula numa parte remota da Nigéria, no continente africano, parte de um planeta chamado Terra.
Também pedi para olhar o sol no céu.
Era por volta de meio-dia, horário local.
— Venha, meu amigo, vamos visitar outros locais na esfera terrestre.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 24, 2016 10:41 am

Deixamos o futuro.
Eu disse a ele que faríamos uma viagem ao passado.
— Borunda, nós vamos fazer uma viagem pela Terra, na época em você viveu lá.
A primeira parada foi na Europa, para ver as cidades, fazendas e vilarejos.
Eu disse a ele que num lugar tão pequeno como aquele, muito menor do que a região da qual a Nigéria fazia parte, viviam pessoas dos mais variados tipos.
Depois fomos à Ásia, cujas florestas fizeram Borunda se lembrar de sua casa.
Ele viu as cidades novas do Oriente, que, como na Europa, o deixaram muito surpreso.
A seguir fomos para a América do Norte, e lhe mostrei prédios enormes, onde milhares de pessoas viviam e trabalhavam.
Ele viu os céus escuros e os rios envenenados pelos homens.
Voamos sobre fábricas, escritórios, trens, carros, cinemas.
Ele viu todas aquelas invenções e todas aquelas pessoas diferentes que viveram exactamente na mesma época de sua morte.
Borunda não fazia a mínima ideia de que essas civilizações existiam enquanto ele vivia sua vida simples e calma na remota Africa.
Nós então passamos pelo Oceano Atlântico e chegamos à sua pequena aldeia.
Seus netos, com os demais do grupo, estavam voltando de mais um dia na floresta.
Nós os observamos enquanto eles voltavam para suas cabanas.
Dois deles passaram do nosso lado.
Sei que ele gostaria de tê-los tocado, mas ele não podia.
(Novamente aquela história de vibração.)
— Borunda, foi aqui que nós começamos: em sua antiga aldeia.
Os homens já retomaram de mais um dia de trabalho e as mulheres vão começar a cozinhar.
Hoje, a vida seguiu seu caminho usual, exactamente como aconteceu trinta anos atrás, quando você morava aqui.
Nada mudou. A vida continua como era antes.
Enquanto as pessoas aqui estavam vivendo suas vidas, inúmeras outras, em cidades e vilarejos diferentes, estavam fazendo exactamente o mesmo:
vivendo a vida que deveriam viver. Você consegue entender isso, meu amigo?
O espírito não falou logo em seguida.
Borunda passou algum tempo olhando para sua aldeia, como se estivesse olhando para ela pela primeira e última vez.
De um certo modo, era isso mesmo.
Conforme o desenvolvimento, o passado jamais é visto da mesma forma de novo.
Finalmente ele falou.
Sua voz carregava o tom de sobriedade e também certa melancolia pelo que agora ele compreendia.
— Durante muitos anos eu dormi, cacei e brinquei aqui.
Ensinei às minhas crianças nosso modo de vida.
E, nesse mesmo tempo, no mundo todo, pessoas que eu jamais conheci fizeram as mesmas coisas.
O sol estava se pondo atrás das montanhas.
Um tom azul se espalhou pela paisagem, e os sons distantes da floresta chegavam a nossos ouvidos.
Eu expliquei a ele que todas aquelas pessoas tão distantes estavam ali para aprender, crescer e se desenvolver, assim como ele.
— Nós somos todos iguais.
Cada pessoa vive a vida que lhe foi destinada a viver — finalizei.
O velho entendeu.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 24, 2016 10:41 am

— Esta não foi a primeira vez que estive na Terra.
Vivi lá e em outros mundos muitas vezes.
Agora nós estamos onde os espíritos vivem.
Entendo que existem muitos lugares diferentes aqui também.
Eu só conhecia a pequena aldeia onde nasci, e nunca imaginei que pudessem estar acontecendo tantas coisas à minha volta.
É a mesma coisa aqui, não é?
Gostei muito do que ele disse.
Foi como se uma lâmpada acendesse e de repente o espírito com o qual eu estava trabalhando juntasse todas as peças do quebra-cabeças.
— Sim — respondi.
Assim como existem diferentes vidas que fazem parte da Terra, há diferentes vidas que fazem parte de você.
Está na hora de aprender mais.
Deixamos sua aldeia para trás.
Por cima do ombro ele ainda tentou dar uma última olhada para seu antigo lar:
as montanhas, a floresta, as cabanas marrons e as fogueiras acesas tentando dominar a escuridão.
Ele ainda estava olhando quando um de seus bisnetos passou correndo por uma das estradas empoeiradas da aldeia.
Eu sabia que o bisavô daquela criança não deixaria de protegê-la.
Nós deixamos a vibração terrestre e voltamos para o astral.
Não há nada de dramático nisso e, depois de um tempo, você nem percebe mais a mudança.
Estávamos andando numa praia de areia muito branca, com as ondas do mar suavemente se quebrando na costa.
Estávamos conversando sobre suas vidas passadas.
Ele estava prestes a analisar cada uma dessas vidas com seu guia e professor.
— Agora, Borunda, você vai encontrar mais espíritos para ajudá-lo.
Na verdade, você já os conhece há um bom tempo.
Então é só uma questão de se familiarizar de novo com eles.
Era a hora de Borunda se encontrar com seus guias e professores.
Eles são espíritos que estão connosco desde o dia em que nascemos, às vezes durante várias encarnações.
Nós nos encontraremos com Borunda mais tarde, durante sua própria jornada para casa.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 24, 2016 10:41 am

Maryanne e eu conversamos sobre o destino

— Ei, cara, sabe de uma coisa?
Eu não sei nem mesmo o teu nome, de onde você veio, o que significa tudo isso.
Quero dizer, a gente tá batendo papo todo esse tempo e você sabe quem eu sou, mas, até onde me diz respeito, pra mim você pode ter vindo de Marte.
Com essa observação tão encorajadora, começou um outro bate-papo com Maryanne.
Nós não estávamos mais nas ruas de Los Angeles.
Maryanne finalmente havia rompido com elas, mas não rompera com a raiva que fervia dentro de sua alma.
Onde estávamos? Na Terra, as pessoas chamariam de hospital, mas aqui este lugar não cura as doenças do corpo.
Nosso hospital é para curar ferimentos da alma.
Eu estava fazendo o melhor que podia.
E a gente até já tinha feito algum progresso, mas bastante lento.
Maryanne era muito impaciente.
Ela queria saber todas as razões, os porquês, os ses, os fins e os poréns.
Para explicar tudo, ir ao fundo, esclarecer todas as suas dúvidas, levaria bastante tempo.
A raiva dela e a total falta de preparação, aliados à violenta natureza de sua morte, tornavam seu progresso muito lento.
Deixe-me fazer um aviso:
"lento" e "devagar" têm um significado diferente para nós.
Podem ser dias, meses, anos ou mesmo séculos.
A grande verdade é que aqui o tempo é irrelevante.
Na Terra, estamos acostumados a ter as coisas resolvidas em pacotes:
o casamento, o divórcio, um novo emprego, a aposentadoria e a morte.
Porém, deste lado, nós não temos coisas como "você fez isso, agora faz aquilo".
A evolução espiritual não é composta de marcos ou eventos.
Você já viu o broto de uma folha?
Em um dia o galho está nu, mas no dia seguinte novas folhas verdes preenchem o vazio do dia anterior.
Tentei descrever esta jornada espiritual para Maryanne.
Pedi a ela para pensar num pequeno riacho.
Falei, devagar e suavemente, em como um pequeno riacho deve fluir: sem esforço, conquistando seu caminho através de um leito esculpido no solo, séculos antes da própria existência do riacho.
Ao longo do caminho, há muitas curvas e rectas.
Há pontos onde o leito é profundo; outros lugares onde a água é mais rasa.
Conforme o riacho caminha, ele chega a um ponto onde suas águas encontram um outro riacho e ambos formam uma corrente.
Os dois riachos fluem rápidos, juntos como se fossem um só, seguem um novo curso.
Outra corrente se junta a essa e assim vai, até que as águas, adquirindo volume, se transformam num poderoso rio, e esse rio se junta a outros rios no caminho que vai em direcção ao mar.
É dessa forma que nosso espírito evolui.
Ele capta conhecimentos, experiências, seguindo um curso traçado milénios antes.
Nossa jornada espiritual não é um acaso sem planeamento, sem memória, correndo em direcção à eternidade.
Não existe caos na criação; tudo é exactamente como deveria ser.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 24, 2016 10:41 am

Maryanne, como de praxe, não concordou.
— Espera um pouco — ela retrucou.
Destino, sina, o que são todas essas bobagens?
Se tamo fluindo como um riacho, então qual é a razão da vida?
Entende o que quero dizer?
Se tudo isso foi determinado antes da gente nascer, se Deus já sabe como tudo vai terminar, pra que serve tudo isso?
Maryanne possuía grande habilidade para simplificar.
Mas pelo menos se mostrava interessada o suficiente para discordar, e isso era bom.
— Está bem, vou dar uma explicação.
Sina, destino, carma... tudo é a mesma coisa.
Vou usar a palavra carma, Maryanne, porque é mais prática.
Guarde isso em sua mente.
Uma vez que você se liberte dos rótulos, todas essas palavras significam a mesma coisa.
Carma é como gravidade.
Gravidade é uma força que mantém a Terra junta, e carma junta todos nós um ao outro.
Sei que muitas pessoas ficam confusas a respeito do carma.
Alguns pensam que carma é o seguinte:
se faço alguma coisa ruim para fulano nesta vida, então o carma determina que, na próxima, fulano vai me dar o troco.
Portanto, é melhor ser bom com todo mundo que eu encontrar, assim não serei afectado por carma ruim.
Rindo, expliquei a Maryanne que não era assim tão simples.
Essa era a parte mais difícil.
Não porque carma seja complicado, mas porque é simples demais.
— Ouça o que vou dizer com muita atenção, garota.
Não retruque antes de eu terminar.
Depois você faz suas perguntas.
Ela ficou atenta, pronta para discordar de tudo que eu ia dizer.
Comecei com uma afirmação simples:
— Não existe essa coisa de mau, bom, certo, errado, sagrado ou amaldiçoado.
Maryanne, esta é a maior verdade que você ouviu na sua vida.
Fiquei atento à sua reacção. Não houve nenhuma.
— Fala, Bob, tô esperando o resto.
Vai em frente.
Pelo tom de sua voz, percebi que ela estava louca para acabar comigo.
— Lembro que, após minha última encarnação, minha professora pensou que eu estava pronto para entender essa ideia.
Quando ela me disse que não havia essas coisas de certo ou errado, foi como se todo o meu mundo viesse abaixo.
Ela estava afirmando que tudo que eu havia aprendido estava errado.
— Eu não disse que tô concordando com esse troço.
Disse apenas pra você continuar falando — respondeu ela, ofendida.
Respirei fundo.
Esperei uns segundos e continuei.
— Todos nós somos espíritos, feitos pelo criador e pertencentes a ele.
Portanto, todos os espíritos são iguais; nenhum é melhor ou maior que o outro.
Alguns podem ser mais iluminados porque se desenvolveram mais.
Mas todos nós somos iguais.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 24, 2016 10:41 am

Agora que você está aqui, deste lado, você pode ver que sua vida não terminou lá em Los Angeles.
Logo, quando você estiver pronta, vai entender que sua vida também não começou lá.
Maryanne encolheu os ombros e fez um sinal impaciente para que eu fosse em frente. Continuei.
— Vamos usar alguns exemplos da Terra.
Ela me interrompeu:
— Mas sem riacho, tá, Bob?
Qualquer coisa, menos isso.
Nós dois rimos.
— Como eu estava dizendo, se você olhar com cuidado, poderá ver alguns modelos de vida espiritual na Terra.
Lógico. A vida na Terra é feita de espíritos.
Veja: você nasce, aprende a andar, falar, amarrar seus sapatos, alimentar-se.
Vai à escola, você aprende a ler, escrever, somar e subtrair.
Em determinado ponto, um professor diz:
"Espere um pouco, você ainda não aprendeu bem sua lição, por isso vai ter de repetir de ano, começar tudo outra vez".
Maryanne deu um pulo.
— Disso eu entendo bem.
Eu disse a ela que repetir de ano não é uma punição.
Como alguém pode aprender mais se não tem uma base para construir?
Essa pessoa é um fracasso?
Tem alguma coisa má nela?
Claro que não.
Assim como também não há nada de bom ou de mau na criança que passa de ano.
Embaraçada, a garota de quinze anos confessou que levara bomba na quarta e na sétima séries e que no último ano ela teve mais faltas do que presenças.
— Eu sei, minha querida, foi por isso que usei esse exemplo.
Você não foi somente reprovada, você desistiu.
Não há nada demais em ser reprovada, mas desistir... isso é grave.
Se existe um pecado, é esse de desistir, porque você perde sua chance e renega seu espírito.
Vamos voltar a meu exemplo.
Na Terra, uma pessoa precisa estar hábil para ler, escrever e fazer contas.
Como uma criança pode se tornar um adulto e fazer suas escolhas, se ela não consegue pensar?
Como ela pode pensar se ela não sabe ler?
As pessoas constroem em cima daquilo que aprenderam.
Desculpe eu dar de novo esse exemplo, mas na verdade é como dois riachos se tornando uma corrente.
É dessa forma que evoluímos como espíritos.
Todos fomos criados para ocupar um lugar especial no universo, mas precisamos conquistar essa posição.
Se um espírito tem de aprender o que é compaixão, o único jeito de aprender é sofrendo.
Um espírito precisa aprender a amar antes que ele possa ser amado.
Precisa ver sua própria essência antes de ser capaz de ver essa mesma essência brilhar nos outros.
— O único lugar pra aprender tudo isso é na Terra?
Minha amiga estava começando a entender, e eu estava começando a compartilhar.
Foi um momento maravilhoso!
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 24, 2016 10:42 am

— Agora vamos falar sobre carma.
Antes de nascer, decidimos nosso destino.
Com a ajuda de nossos guias, traçamos o esboço de nossa próxima encarnação.
Um espírito planeia a forma geral de sua própria vida e as lições a serem aprendidas.
Fazemos isso levando em consideração nossas vidas passadas, nossos defeitos e nossas virtudes.
Nesse retrospecto podemos perceber as injustiças e as dores que causamos aos outros.
Todas as nossas virtudes, nossos defeitos, vícios, méritos e deficiências são colocados à luz do dia para que possamos vê-los claramente.
Não podemos ocultar nossas faltas nem esconder deles.
Também não podemos rogar a Deus para que leve embora essas qualidades negativas.
Deus não atenderá nosso pedido para purificar nossos espíritos.
O esforço de polir nossas almas é só nosso.
Como na escola, nós temos de aprender as lições.
E quando digo que não há preto ou branco, bom ou mau, estou dizendo que temos livre-arbítrio para escolher.
Nossas vidas são resultado dessas escolhas.
Os desafios são colocados em nossa frente e não são necessariamente bons ou maus.
São simplesmente chances de crescimento para o espírito.
Maryanne estava prestando atenção em cada uma de minhas palavras.
Mas, até então, eu não sabia se ela estava concordando comigo ou tomando notas mentalmente de tudo que eu dizia para depois contestar.
Em todo caso, continuei:
— Bem, nós nascemos.
As memórias passadas são apagadas.
Não nos lembramos de nossas vidas passadas nem dos testes que virão.
Isso é bom e justo, porque não podemos ser carregados por nosso passado nem podemos ser preparados para o futuro.
Maryanne protestou.
— Bob, ainda não entendi o que tudo isso tem a ver comigo.
Sabe, eu era só uma garota negra e estúpida dos cortiços de Los Angeles que levou um tiro numa guerra de traficantes.
Eu realmente devia tá muito atrapalhada pra escolher uma vida como aquela.
Maryanne, como todos quando chegamos aqui, insistia em tornar tudo muito pessoal.
De qualquer forma, é uma maneira de aprender.
— Os caminhos que escolhemos precisam ser percorridos até que tenhamos aprendido a conhecê-los bem.
Isto é carma. Nós temos a liberdade de chafurdar no ódio.
E, se nós fizermos isso, vamos entrar num círculo de ódio por séculos, até tomarmos a decisão de nos tornarmos livres.
Iremos criar um laço infinito de dor e sofrimento que o ódio sempre traz, até que tomemos a decisão de nos libertar dessas pesadas correntes e andar livremente em direcção à luz.
A cólera dominou-a e sua voz encheu-se de raiva.
— Então você está me dizendo que eu escolhi o que tinha de pior, que a minha vida foi inútil?
Em meu tom de voz mais suave, respondi:
— Sim, mas saiba que nenhuma vida é inútil.
Você aprendeu muito com ela e isso é o que conta.
Fui em frente, desejando muito que ela pudesse entender mais sobre carma.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 24, 2016 10:42 am

Expliquei:
— Carma é o resultado de suas acções.
E se você não muda, se continua a fazer as coisas do mesmo jeito, as mesmas situações continuam se repetindo em sua vida.
Você não pode progredir até que modifique suas atitudes.
Há justiça, e justiça é a oportunidade de experimentar de novo através da reencarnação.
Nosso criador e sua criação são perfeitos.
Nós é que estamos fora de sincronismo.
E aqui é que repousa a lógica, a compaixão e a rectidão da reencarnação.
São-nos dadas incontáveis oportunidades para movimentar e classificar nossas emoções, nossos desejos e nossas necessidades.
Não existe condenação eterna, mas sim a salvação eterna, quando cada um encontra seu próprio caminho para casa.
Seus olhos se encheram de lágrimas e foi com esforço que ela fez uma pergunta.
Sua voz soava distante e ela implorava por uma resposta.
— Por favor, me responde: por que levei um tiro?
Por que recebi uma bala no peito, eu que só tinha quinze anos? Que espécie de carma fez isso comigo?
Fui uma pessoa tão horrível assim em alguma outra vida?
Eu me aproximei, pegando sua mão.
Acariciando-a, senti toda a amargura e desespero que invadiam sua alma conturbada.
— Minha querida, é tudo tão simples!
A estrada difícil que você escolheu para percorrer chegou ao seu final.
Você aprendeu muito bem algumas lições, e algum dia irá decidir quais as outras que precisará aprender.
Mas seu tempo chegou e era seu carma ser morta por um tiro numa viela suja e escura.
Sua morte, no entanto, foi uma lição para outros.
Agora mesmo, sua mãe sofre por haver no passado escolhido as drogas ao invés dos filhos.
Seus amigos sofrem por terem sido tão estúpidos.
Pouco tempo atrás, o rapaz que puxou o gatilho da arma que a matou foi preso e irá provavelmente passar o resto de sua vida numa prisão.
Você agora entende o que quer dizer escolha?
Uma pedra jogada na água causa milhares de ondulações.
A vida de um toca a vida de muitos.
A maneira como vivemos nossas vidas é uma grande responsabilidade, não é?
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 24, 2016 10:42 am

Clara vai ao cinema

A vibração é uma frequência, e por aqui nós sintonizamos a frequência de cada um.
As vibrações nos levam aonde quisermos ir.
Quanto mais alta é nossa vibração, maior é nossa espiritualidade e mais para cima podemos ir.
Os espíritos procuram outros espíritos que estão na mesma frequência, e Clara quando chegou aqui passou um bom tempo com seu marido.
Eles ainda estão muito ligados um ao outro.
Na verdade, estão mais em sintonia aqui do que quando estavam na Terra.
Clara sabia por quê.
— Ele é um homem bom, mas eu não o amei.
Ele também não me amou.
Eu tinha catorze anos.
Ele tinha trinta e cinco.
Eu queria sair de casa e ele queria alguém para cuidar dele.
Quando eu tinha catorze, ainda nem sabia o que era amar.
Eu soube depois, quando já era tarde demais.
Clara estava deprimida, e então decidi interrompê-la antes que as coisas piorassem.
A depressão aqui tem o mesmo efeito que provoca na Terra: ela deixa a pessoa paralisada.
Perguntei se ela gostaria de ir ao cinema.
Nós iríamos ver um filme que eu tinha certeza de que prenderia sua atenção.
Era o filme de sua vida.
Ele começava antes de seu nascimento, quando ela e seus guias estavam decidindo se ela devia encarnar novamente na esfera terrestre.
Com um pouco de medo e ansiedade ela concordou, e então a primeira cena apareceu.
Não tinha nada de cortinas se abrindo, luzes se apagando ou aquele barulho do projector funcionando.
Sua história estava lá, ao vivo, à nossa frente.
Uma mulher alta e jovem apareceu.
Ela era linda: tinha um rosto com traços agradáveis, seus cabelos eram louros, na altura dos ombros e muito bem arrumados.
Clara assustou-se.
Ela havia reconhecido a mulher.
— Sou eu, não é?
— Sim, esta mulher era você em sua encarnação anterior.
Você se lembra?
— Foi na Noruega, no século dezoito.
Sim, eu me lembro.
Morri nova, por volta dos trinta e cinco anos.
Minha família era rica e poderosa.
Eu era casada com um homem de uma outra família muito rica.
Novamente, foi um casamento de conveniência.
Nossos pais eram sócios.
Eles queriam manter o dinheiro na família.
Clara olhou para aquela norueguesa alta e atraente com tristeza, e então suspirou:
— Outra vida desperdiçada!
— Por ora, vamos ver o que está por trás disso tudo.
Sua última encarnação foi importante para você.
Vamos deixar o filme contar a história.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 24, 2016 10:42 am

Eu queria animá-la, afastá-la da depressão, mas ali estava ela, atolada na lama da solidão.
A seguir nós a vimos com seus guias.
Eles estavam conversando sobre seu espírito e suas encarnações passadas.
Desde sua criação, Clara havia tido muitos nascimentos.
Um homem de negócios bem-sucedido em Veneza, na Itália, que se chamava Giovanni Petrucci.
Petrucci foi um membro vital de sua comunidade, contribuindo para o comércio e a cultura de sua cidade.
O espírito estava numa missão de desenvolvimento:
melhorar a vi la na Terra de modo que a esfera terrestre pudesse aceitar e abrigar mais espíritos encarnando lá.
A cena então mudou para um jovem casal que estava em prantos devido à morte de seu bebé recém-nascido.
Clara era aquele bebé, encarnada por um período muito breve para ensinar aos outros dois espíritos uma lição de amor e de perda.
E assim continuou uma interminável cadeia de nascimentos e mortes.
Ela encarnava tanto para ensinar quanto para aprender.
Durante uma encarnação ela foi um príncipe; em uma outra, ela foi um soldado que perdeu a vida numa batalha há muito tempo esquecida.
A seguir, nós a vimos logo após sua encarnação na Noruega e antes de sua encarnação na Pensilvânia.
O espírito estava questionando sobre as vidas anteriores, já cansado do ciclo de mortes e nascimentos.
Depois de sua vida na Noruega, Clara havia atingido um ponto de sua jornada em que ela estava aberta à luz vinda de seus guias e professores.
Inconformada, ela perguntou por que eles próprios não encarnavam na Terra.
Um dos guias mais novos respondeu com o brilho de sua aura e sua alta vibração.
Era sua primeira missão e ele estava ansioso para ajudar.
— Eu já estive lá muitas vezes.
Agora tenho esta nova missão.
Eu não sei por quanto tempo estarei fazendo isto.
Como você, também estou aprendendo.
Se você evolui, eu também evoluo.
Para falar a verdade, até o criador evolui.
Nós somos parte de uma mesma coisa porque nós viemos de uma mesma coisa.
Deixe-me ajudá-la ao longo de seu caminho.
Você me deixa fazer isso?
Clara disse que sim.
Ela acrescentou que estava consciente de que após cada encarnação seu espírito tinha mudado.
— Só há um problema — disse ela.
Quanto mais eu aprendo, mais tenho certeza de que existe muito mais para aprender.
— Excelente! — tornou um de seus guias.
Ele estava com ela desde sua primeira encarnação.
Esfregou as mãos feliz de ver que um de seus pupilos estava descobrindo a verdade.
— Isso é maravilhoso. É muito bom.
O guia mais velho sorriu.
— Suas vibrações estão sintonizando as luzes mais altas, mais puras, e as lições da carne estão sendo aprendidas.
Você diz isso porque seu espírito está sendo purgado da obstinação, do orgulho, da arrogância e do egoísmo.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 24, 2016 10:43 am

— É por isso que estou aqui — completou o mais novo.
Você agora está pronta para ouvir e aprender a partir de um outro nível.
Ela assistiu ao filme atentamente, revivendo as cenas.
Estava assistindo à mulher norueguesa quando perguntou:
— Isso quer dizer que posso ficar aqui agora?
Que não preciso voltar para o plano da Terra?
O guia mais jovem respondeu:
— Vamos dar uma olhada na estrada que você percorreu até agora. Uma vez você se prontificou a viver por um curto tempo.
Você morreu como um recém-nascido.
Foi uma missão de sacrifício; você nasceu para que outros pudessem crescer.
Durante outra encarnação você nasceu dentro da realeza e viveu uma vida privilegiada.
Todos os nossos caminhos e jornadas se unem em um só.
Você aprendeu as lições daquela vida quando não acreditou que era melhor do que os outros.
Você usou seu tempo livre para observar e apreciar o mundo em que viveu.
Existe um conceito erróneo que afirma que apenas através da miséria e da dor nós podemos entrar no chamado Reino dos Céus.
Na verdade existem muitos caminhos, muitas estradas e muitas voltas.
Seu guia mais velho continuou a narrar sua história de outra encarnação:
— Depois, você nasceu em uma pobre família de trabalhadores.
Um outro caminho, uma outra estrada, uma volta diferente, e, como sempre, havia uma razão.
Não a tola noção que algumas pessoas têm sobre o carma e a reencarnação, aquela que diz que se você nasceu rico em uma encarnação será pobre na outra.
Você se lembra por que você escolheu aquela vida?
Era para desenvolver sua autoconfiança.
Você queria confiar em seu próprio julgamento e desenvolver o livre-arbítrio.
Durante aquela encarnação você fez quase tudo por conta própria e superou as grandes dificuldades de seu nascimento.
Clara virou-se para mim.
Com um sorriso no rosto, ela disse ter entendido.
— Sim, está tudo aí.
As diferentes vidas, as possibilidades e as circunstâncias.
Como uma vida dá forma e molda a próxima.
— Você está muito certa, Clara.
Enquanto continuávamos conversando e assistindo ao filme, o guia mais novo e o mais velho chegaram.
Eles ficaram de pé ao nosso lado, e Clara estava feliz vendo-os.
Embora setenta anos terrestres houvessem passado desde que eles se haviam encontrado, parecia que eles tinham se visto apenas alguns momentos atrás.
— É um prazer revê-la.
Estou vendo que seu amigo Bob a está ajudando a se reajustar após sua última viagem à Terra.
A propósito, como vão as coisas por lá?
Ela sacudiu os ombros e disse que as coisas na Terra mudavam por fora, mas basicamente continuavam do mesmo jeito por dentro.
O homem mais velho concordou.
Ele sugeriu que voltássemos nossa atenção para o filme.
A mulher norueguesa estava prestes a entrar em desespero, pedindo para ficar nesta esfera.
— Sei que tenho muito que aprender.
Estou certa de que existem mistérios que ainda desconheço.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 25, 2016 11:20 am

Mas por que preciso voltar?
Numa outra vida morri para ajudar duas almas.
Depois, eu estudei com os melhores professores da Terra, e em outra vida aprendi a confiar em meus próprios sentimentos, julgamentos e recursos.
Meu espírito tem evoluído constantemente ao longo do tempo.
Clara, eu e os dois guias estávamos assistindo atentamente ao filme e nós quatro sabíamos qual seria a próxima cena.
No filme, o silêncio da cena foi interrompido por seu guia mais novo.
— Deste lado da vida, nós aprendemos as razões e podemos responder os muitos porquês.
Quando um espírito atingir a luz, ele poderá ficar aqui.
De nosso lado, como do lado terrestre, existe trabalho a ser feito.
Cada esfera, cada nível de existência tem seu lugar especial na criação.
A dama da Noruega olhou para seu jovem guia.
Ele era bonito, tinha cabelos pretos encaracolados, um rosto arredondado e infantil.
Ela disse:
— Eu sei tudo isso.
Também sei que existe muito mais para aprender.
Quero conhecer tudo que este mundo pode me ensinar.
Ela respirou fundo e continuou:
— Infelizmente, algo está faltando dentro de mim.
Tenho um vazio em minha alma.
Ela parou por um momento, esperando que algum de seus guias a fizesse continuar.
Mas nenhum fez isso.
No filme, podíamos ver sua luta interior.
Esta é a verdadeira "guerra santa" a que o Alcorão se refere: uma guerra pela alma, pela luz, uma luta pela verdade total.
— Compaixão. Eu nunca aprendi o que é compaixão.
Conheço, mas não sinto.
Isso é o que está faltando.
Tenho um vazio que precisa ser preenchido.
O homem mais velho falou, com sua voz rouca cheia de delicadeza e compreensão.
— Para ver a criação em você mesma, precisa vê-la em outros.
Compaixão abre as portas da alma do próximo assim como abre as nossas para a luz divina.
O guia de cabelos escuros acrescentou:
— Deste lado você pode aprender e compreender o que é compaixão.
Isso você já fez, pois reconhece que lhe falta esse sentimento.
Contudo, existe apenas um lugar onde você pode começar a ser a compassiva... e você sabe onde fica esse lugar.
A mulher ficou desapontada.
Ela sabia que eles estavam certos.
Poderia, se quisesse, continuar suas lições e jornadas deste lado.
Ela, como todos nós, poderia exercer sua vontade.
Ninguém disse que ela deveria voltar; ninguém a iria forçar.
Mas ela suspirou e aceitou essa dura tarefa.
Ela sabia que estaria de volta à escola terrestre.
A cena ficou embaçada e rapidamente uma nova apareceu.
Ela, junto a seus guias, estava olhando os arquivos de suas vidas, cuidadosamente observando e estudando cada uma delas.
Em breve eles estariam preparando uma nova encarnação, onde a jovem norueguesa loura se tornaria Clara, a obesa viúva italiana de uma cidadezinha da Pensilvânia.
Uma vida de solidão, de dor e sofrimentos seria escrita.
O sofrimento seria emocional.
A dor física e a solidão dariam a ela o tempo e o espaço para reflectir.
Empatia e compaixão não são fáceis de aprender.
E são apenas dois passos no caminho eterno.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 25, 2016 11:20 am

Ernst Luber estava apenas seguindo ordens

Ele ainda estava no abismo profundo e silencioso: o vácuo negro no qual ele havia chegado.
Em todo o universo, a única presença que ele sentia era a sua.
Na Terra ele acreditava na vida após a morte, como um louco pesadelo wagneriano produzido pela megalomania nazista.
Sabia que havia sobrevivido a seu suicídio, mas os deuses teutónicos não estavam ali para cumprimentá-lo.
Ele estava confuso, com raiva e frustrado.
Essa não era a vida após a morte que Ernst Luber estava esperando.
Meu trabalho não seria fácil.
O amor de Deus brilha dentro de cada sombra da criação, e minha missão era a de levar luz para aquela alma miserável e sofredora.
Mas eu não conseguia sentir nem um pouco de compaixão por esse espírito.
Ele era um homem com aparência comum e inexpressiva.
Aparentava meia-idade, com mais ou menos um metro e oitenta de altura, e seu corpo já estava enfraquecido.
Seu rosto era longo, fino e chupado e não possuía a força que eu imaginava.
Seus lábios eram finos, seus olhos castanho-claros eram pequenos e redondos.
Tudo isso encimado por uma interminável testa, pois seus cabelos eram bastante ralos na frente.
Esse era Ernst Luber, o monstro, o criminoso de guerra, o assassino?
Talvez esse fosse o modo de o universo nos mostrar que o mal podia vestir qualquer máscara.
No caso de Luber, o mal estava disfarçado de vendedor de sapatos.
Enquanto eu reflectia sobre tudo isso, Ernst percebeu minha presença.
Não cheguei com um coral de anjos, com carruagens de fogo ou no meio de luzes ofuscantes.
Simplesmente apareci ao lado dele de jeans velhos e com uma camisa xadrez azul.
Nós, na verdade, não nos vestimos por aqui, mas esse é o jeito como eu geralmente recebo alguém que acabou de chegar.
— Bem, finalmente alguém chegou até mim.
Já estava na hora. Sinto-me ofendido.
Não estou acostumado a essa espera desrespeitosa.
Vamos, vamos nos mexer.
Sei onde estou e eu, Ernst Luber, estou pronto para seguir meu caminho.
Sua força estava na voz:
profunda, dominadora e arrogante.
Ele não falava usando sentenças, mas frases curtas.
Sua voz parecia apunhalar cada palavra que saía.
— Ir para onde?
Essa era uma pergunta simples e francamente com duplo sentido.
— Você não sabe?
Você é quem vai me levar, não é?
Aquilo não era uma pergunta, era uma ordem.
Encolhendo os ombros, eu disse a ele que não estava lá para levá-lo a nenhum lugar.
Eu estava lá para ficar ao lado dele.
Bem simples, ou pelo menos eu achava que sim.
Ele não aceitou.
Ernst queria ser carregado pelos céus numa gloriosa chama vermelha.
Queria também que seus feitos heróicos fossem proclamados no paraíso.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 25, 2016 11:21 am

Ele realmente acreditava que isso iria acontecer, uma vez que ele havia se dedicado à sua causa e achava justa essa recompensa.
Os ideais ainda são ideais, e esse sujeito era alguém que realmente acreditava neles.
Porém as valquírias não iam chegar para transportá-lo a um paraíso nazista.
Ernst ficou com o rosto vermelho de raiva, e as veias de seu pescoço saltaram.
Ele então gritou:
— Para onde vou? Quem verei?
Já fiquei aqui o tempo suficiente.
Onde estão meus camaradas?
Preciso juntar-me a eles.
Ainda há trabalho a ser feito.
— Seus camaradas estão aqui, mas não pode vê-los agora.
Você está certo, há muito trabalho a ser feito.
Mas pare de reclamar sobre a espera.
Você não está esperando há tanto tempo assim.
Pareceu uma eternidade, não é?
Logo vai descobrir que o tempo aqui não existe, como não existe o espaço.
O aqui e o ali, os prazos, a correria e os horários...
Tudo acabou, Ernst, e tudo nem começou.
— Por que você usa essas charadas?
Suas frases se contradizem.
Diga logo o que está querendo dizer.
Esse era seu jeito de pedir para que eu ficasse.
Enquanto ele continuava com aquela conversa fiada sobre seus companheiros, tive uma ideia.
— Deixe-me mostrar-lhe algo.
Imediatamente ele ficou encoberto por uma luz branca e pura, por uma vibração sagrada e calma.
Em menos de um segundo seu espírito ficou unido ao todo, ligado às verdades que ele ainda desconhecia.
Por menos de um segundo, a verdade, o amor e a compreensão removeram a fria escuridão e trouxeram a confortadora graça de Deus.
Brilhantes luzes giraram, porque éramos parte do amor, da harmonia e da paz de Deus.
Num piscar de olhos aquela vibração desapareceu e ele voltou para o mundo das sombras.
A fracção de segundo com o criador tinha ido embora.
— Aquilo é seu, Ernst, e será de todos nós algum dia.
O espírito me encarou e vi um sorriso se formando em um canto de sua boca.
Seus olhos me transpassaram, tentando descobrir alguma coisa mais.
Eu sabia o que estava acontecendo:
ele estava me avaliando.
Quando na Terra, Ernst era um mestre em manipulação.
Até então ele não tivera razões para deixar seus velhos hábitos para trás.
Como eu havia pensado, ele se tornou dócil, conciliador, conspirador.
Sussurrou:
— Onde é aquele lugar?
Você o mostrou para mim.
Você tem o poder, leve-me para lá agora.
Você realmente deve ser um deus.
Deposito toda a confiança em você.
Leve-me para esse lugar de descanso e justiça.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 25, 2016 11:21 am

Eu mereço, depois da grande batalha na qual lutei.
Eu disse a ele que eu não tinha nenhum poder, que eu não era um deus, que era simplesmente um fazendeiro do Kansas.
Eu não criei aquilo que ele havia vivido alguns momentos atrás.
Eu não fazia feitiços e não invoquei nenhuma divindade.
— Ernst — acrescentei —, você não pode se unir ao poder que acabou de sentir.
Agora não.
Apenas por um breve momento você teve o privilégio de sentir a harmonia de Deus, para saber que ele existe.
Está dentro de você e ao seu redor.
Você é parte dele. Todos nós somos.
Mas você se esqueceu dessa fonte.
Por isso, por enquanto não lhe é possível senti-la.
A vibração de Deus é elevada e leve.
Já sua vibração, Ernst, é baixa e pesada.
Isso sim é o inferno:
saber que existe uma vibração tão maravilhosa, perfeita e harmoniosa, que é a união com Deus, e que isso no momento está fora de seu alcance.
O nazista de botas negras estava confuso.
Pela primeira vez vi um pouco de dúvida em seu rosto.
Ele havia visto, mas não entendia.
Ele havia sentido a felicidade da criação, e o vazio em que havia mergulhado pareceu-lhe maior e mais profundo.
Num piscar de olhos, sua alma havia se reunido ao criador.
Mas, tão rapidamente como ela se uniu, ela se separou.
Ele sabia que esse poder não podia ser manipulado, chantageado ou enganado.
— Você me disse que estou no inferno.
Por quê? Não fiz nada de errado.
— Você está no inferno.
Não no tipo de inferno que ensinaram a você.
Em vez de chamas famintas que comem sua carne, você tem um vazio que mastiga sua alma.
Isso não é um inferno?
Mas você não precisa ficar aí para sempre.
Só se você quiser. A escolha é sua.
O paraíso não está em cima ou embaixo, à direita ou à esquerda.
Para falar a verdade, tudo que lhe foi ensinado sobre o paraíso está errado:
não há anjos, harpas ou roupas esvoaçando.
Pode também esquecer a valhala e as valquírias que cantam; o paraíso não tem nada a ver com uma ópera melodramática.
O paraíso é a conquista de um estado interior de paz e harmonia, é tão tranquilo que eu nem consigo descrever.
Você sentiu isso, alguns momentos atrás, meu amigo.
Ela está em volta de você.
Mas por enquanto isso lhe é negado.
Não sou um santo, um deus, uma pessoa sagrada.
Sou um espírito, assim como você.
Tenho uma missão a cumprir, assim como você.
Meu tempo na Terra já terminou e meu trabalho é com você agora.
Esperei pelas perguntas. Não houve nenhuma.
Esperei pelas objecções. Não houve nenhuma.
Esperei pelos comentários. Não houve nenhum.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 25, 2016 11:21 am

Continuei.
— Você disse que não fez nada de errado.
Bom, aposto que o que você fez vai ser muito debatido na Terra.
E posso lhe garantir que a maioria das pessoas não vai concordar com você.
Eles vão dizer que o que você fez foi hediondo, deplorável e desprezível.
Seu nome vai ser sinónimo de assassinato, terror, tortura e derramamento de sangue.
Contudo, isso é lá na Terra, não aqui.
Ele sorriu.
— Entendo. Eu sabia disso o tempo todo.
Não fiz nada de errado.
Tudo que eu queria era liberdade para meu país, meu amigo.
O destino do povo ariano é o de unir, governar e colocar ordem no caos.
É a sobrevivência dos mais fortes.
Nós estávamos certos e estaremos certos sempre.
Não fomos compreendidos, fomos ridicularizados e perseguidos por causa de nossos ideais, mas o mundo, no fundo, sabia que estávamos certos.
As gerações futuras verão a pureza de nossos ideais.
Sim, tivemos de tomar atitudes drásticas, mas tivemos a coragem de fazer o que outros só sussurravam.
Matamos os mais velhos, os fracos, os aleijados e aqueles com deficiências mentais.
É melhor aliviar o sofrimento deles do que os ver acabar com os recursos da nação.
Nós matamos os homossexuais, que pervertem os mandamentos do todo-poderoso.
Nós matamos os ciganos, que não se apegam a nenhuma bandeira, e os judeus, a maldição da humanidade.
Eles mataram Cristo, corrompem os que são decentes e, como ratos, consomem os recursos de todas as nações.
Quem é você para me dizer que não estou pronto para continuar?
Você não é nada, a não ser um pobre fazendeiro americano.
Ah! O que você conseguiu realizar em sua vida?
Você chegou a organizar um povo, uma nação ou um continente?
Você lutou por algum sonho ou morreu por algum princípio?
Besteira, eu vou para a frente.
É meu direito. Já cumpri meu dever!
Nada daquilo foi surpresa.
Era mais ou menos o que eu esperava de Herr Luber, o nazista.
Tentei não perder a paciência quando respondi.
— Eu não o estou julgando ou acusando. Pode ir.
Você é livre para tomar suas decisões.
No momento há apenas dois caminhos:
você pode encontrar seus velhos camaradas.
Acho que eles têm um desfile programado para hoje.
Muitos ainda estão em sua vibração.
Você se sentirá em casa com eles.
Ou você pode ficar aqui.
Ernst, você não tem outras escolhas.
Tendo conseguido despertar a atenção dele, continuei:
— Lembra-se daquele breve momento de paz, amor e perfeição que você sentiu alguns momentos atrás?
Você não vai encontrar isso nem aqui nem com seus camaradas.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 25, 2016 11:21 am

No momento você só tem essas duas escolhas.
Em nenhuma delas você vai encontrar aquela vibração.
Ela é para quando você estiver pronto.
Hoje você recebeu um presente:
vislumbrou a luz que espera cada um de nós.
O tempo que vai levar para alcançá-la depende de você.
A escolha é sua.
Em sua vibração a decisão se torna difícil, mas estou aqui para ajudar se você desejar.
Ele fez bico, como um garotinho mimado.
— Mas você disse que não fiz nada de errado.
Lá na Terra eles irão acabar com minha imagem.
Bando de fracotes.
Eu não me importo com o que eles falam de mim.
Você disse que o que fiz não tem importância aqui.
Deixe as coisas claras.
Quem está certo:
os fracotes da Terra ou eu?
Eu rezei em silêncio.
Pedi a Deus para me iluminar para que eu pudesse dizer as palavras certas.
Minha missão era a de ajudar esse espírito, mas eu ainda não conseguia sentir nada por ele.
— Ernst, eu nunca disse que suas acções na Terra não significavam nada aqui.
Eu somente disse que os julgamentos da Terra não têm significado aqui.
Mas na Terra, bem, lá é uma outra história.
Lá, o julgamento e a justiça trazem ordem ao caos.
Os julgamentos ajudam as almas terrestres a determinar fronteiras e limites para que eles possam viver.
A Terra desenvolve sua moralidade desse modo.
Você disse não ter feito nada de errado.
Podemos discutir isso mais tarde, mas agora isso é irrelevante.
Ele reagiu quando ouviu a palavra "irrelevante", e estava prestes a levantar o tom de voz e gritar comigo.
Com um gesto de mão, pedi a ele para se acalmar por um minuto.
Eu queria lhe explicar algumas verdades e precisava de sua paciência.
— O que quero lhe contar é simples porém confuso para almas terrestres.
Escute com cuidado o que tenho a lhe dizer.
O nome Ernst Luber estará ligado a ódio, preconceito e tirania por vários séculos, assim como o nome de seu líder, Adolf Hitler.
Você não somente levou adiante as ordens dele para matar como também as aperfeiçoou.
Um raio de desespero e escuridão surgiu de sua alma e cobriu todos os cantos da Europa.
Você precisa entender isso.
Está na hora de você escutar e ouvir não as ordens para semear ódio, matança e destruição.
Você precisa ouvir sua alma.
O raio de escuridão apagou sua luz.
Ele estava prestando atenção. Então continuei.
— Não foi um acidente o facto de você ter encarnado onde e quando você nasceu.
Antes de ter nascido, você traçou seu caminho com seus guias e professores, e fez um contrato com você mesmo, com seu carma e com seu destino.
Então você encarnou e os acontecimentos de sua vida ocorreram.
O holocausto era para ocorrer, pois nada acontece por acaso.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 25, 2016 11:21 am

Tudo faz parte do plano de desenvolvimento e de evolução do universo.
Ernst disse irónico:
— Por que você está desperdiçando meu tempo com essa conversa?
Está vendo? Eu não fiz nada de errado.
Você acabou de dizer que eu segui um plano divino, ordens que me foram passadas antes que eu nascesse.
Então fui um instrumento de Deus.
Não sou responsável.
Foi a minha vez de ser irónico:
— Você tem uma mente manipuladora e muito criativa, Herr Luber.
Por favor, lembre-se do que eu lhe disse:
a interpretação da verdade pode levar a perigosas conclusões.
Bem, vamos continuar.
Ele continuava a manter seu ar presunçoso.
Eu comecei a rezar em silêncio.
— Deus, dai-me a paciência e a compaixão de que necessito para ajudar esta alma, porque neste momento tudo que eu queria era dar-lhe um soco.
Controlei minha impaciência e prossegui:
— Quando você estiver pronto, e ainda não está, você olhará seu passado.
Fará isso com seus guias e professores.
Por enquanto, vamos falar desse negócio de certo e errado.
Esfregando minhas mãos, eu andava de lá para cá na frente dele.
Precisava fazer isso, porque o que iria explicar era muito importante.
— Você diz que não é responsável por suas acções, visto que você fazia parte de um plano divino.
Se houvesse só um pouquinho de verdade no que você diz, nossas vidas não teriam nenhum significado.
Seríamos como robôs, destituídos e absolvidos de qualquer responsabilidade.
Sim, Ernst, vocês nazistas eram para existir.
Vocês foram a consequência do ódio, preconceito, agressão e violência que fazem parte da vibração terrestre.
A sombra que vocês provocaram era uma consequência das atitudes humanas, e tinha de acontecer.
Ernst tentou me interromper.
Ele estava pronto para dizer algo como:
"Viu, eu não disse?"
Meu gesto com a mão o fez se calar.
— Talvez você pergunte como pode a morte de milhões de pessoas ser parte de um plano divino.
Olhe para a Terra.
Como o universo, a Terra também está constantemente evoluindo.
A própria natureza destrói e depois cria e transforma.
A época que você viveu na Terra foi um marco no desenvolvimento da humanidade.
Das cinzas de seus crematórios crescerão novos códigos de moralidade, humanidade e fraternidade.
Muitas de suas vítimas foram voluntariamente para sua bola de fogo, a fim de chocar a consciência colectiva da humanidade.
A missão deles, o carma deles, era passar fome em seus imundos campos de concentração, morrer asfixiados em suas câmaras de gás e ser queimados em seus fornos, para que dessa forma a esfera terrestre pudesse mover-se para o próximo estágio.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 25, 2016 11:22 am

Conforme eu falava, ele via as enormes chaminés de Auschwitz, as chamas vermelho-alaranjadas iluminando uma noite de inverno coberta de neve.
Ernst assistia às escuras cinzas humanas se misturarem com o branco da neve, caindo suavemente na terra congelada.
Ele não demonstrava nenhuma emoção ao ouvir o fogo crepitar lá no fundo.
— Seu holocausto não foi o primeiro.
Ao longo da história do mundo, a luz espiritual do género humano brilha depois que a humanidade despenca num abismo.
A evolução nunca é fácil.
Alguns daqueles que se jogaram em suas covas o fizeram não para morrer, mas para liberar a humanidade.
Seu holocausto mostrou às almas terrestres as consequências do ódio.
Agora, quando eles vêem um filme de uma criança inocente marchando para a morte, eles pensam em suas próprias crianças.
Lentamente, através de um véu escuro, as almas terrestres começam a ver os laços eternos que ligam uns aos outros.
Já passaram as noites vermelho-alaranjadas de Auschwitz, foram trocadas por profundas covas acinzentadas com corpos apodrecendo.
Ernst continuou me olhando e ouvindo o que eu falava, mas não demonstrando nenhum interesse ou emoção.
— Haverá mais massacres e mais assassinatos antes de a Terra entrar em sua nova era.
Esses novos holocaustos são parte do plano.
A Terra não pode se desenvolver de outro modo.
Para eliminar as vibrações inferiores, estas precisam ser erguidas das entranhas da Terra e murchar sob a luz do sol.
Portanto, meu irmão Ernst, o genocídio do qual você fez parte tinha de acontecer.
Contudo, você é responsável por suas escolhas e tem de prestar contas de suas acções.
Como se não tivesse ouvido nem uma palavra do que eu tinha dito, Ernst gritou:
— Não perca tempo.
Se o que você está me dizendo é verdade, eu fiz parte do plano divino para purificar a Terra.
Portanto, eu deveria receber o mesmo crédito daqueles que pularam nas covas pela liberação da humanidade.
Sua voz forte e dominadora era cheia de ácido sarcasmo.
Ridicularizando-me, ele acrescentou:
— De acordo com o que você me disse, eu e minhas vítimas cumprimos nossos papéis muito bem.
Eu sabia que minha missão com Ernst não era um acidente.
Compreensão e compaixão não eram meu forte e, com ele, eu estava sendo testado até meu limite.
— Você, eu e todos os espíritos da criação temos o livre-arbítrio.
Nós fazemos escolhas e por meio delas encontramos o caminho de volta para o início, a unidade com a criação.
Ernst, foi proposital sua encarnação na Alemanha nazista.
E, enquanto vivo, você fez escolhas que o levaram às acções.
Essas acções trouxeram seu carma.
Em qualquer ponto, você poderia ter escolhido uma outra estrada.
Ao invés de colaborar, você poderia ter resistido.
Ao invés de provocar dor, você poderia tê-la aliviado.
Você até poderia ter escolhido não fazer absolutamente nada.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 25, 2016 11:22 am

Você nasceu naquele tempo e naquele lugar porque aquela época era uma época de escolhas claras e sua evolução espiritual havia atingido um ponto em que seria possível você exercer seu livre-arbítrio.
Você fez suas escolhas livremente, assim como eu.
Neste momento eu poderia deixá-lo para trás.
Em breve, um outro guia virá e, se ele for mais paciente e iluminado do que eu, você poderá encontrar seu caminho.
Mas neste momento e neste local, eu devo ficar com você.
Eu sei disso e escolho ficar.
Eu estava pronto para terminar meu serviço e deixá-lo pensando no que eu tinha dito, quando uma nova presença apareceu.
Era um de seus guias.
Era uma mulher, e interveio:
— Ele está certo, você sabia?
Virando-se para mim, ela perguntou se podia tomar meu lugar.
Grato e aliviado, concordei.
Apresentei-a a Ernst.
Ele estava totalmente indiferente diante da pequena e gorda mulher que sorria à sua frente.
— Você está aqui para apoiar o que ele disse?
Está bem, então vamos continuar, por favor.
Assim eu posso tentar entender toda essa baboseira.
— É por isso que estamos aqui, Ernst.
Sei que você não vai se lembrar de tudo que vou lhe contar.
Quando for a hora, repassaremos tudo de novo.
Agora escute.
Ernst concordou com um grunhido.
Ela continuou.
— Na Alemanha foi sua primeira encarnação na vibração terrestre.
Você já havia vivido diversas vezes em outros mundos mais violentos.
Você evoluiu e ficou pronto para prosseguir.
Suas vibrações estavam em sintonia com as da Europa.
Sabíamos o que sua alma tinha de aprender.
Suas vibrações o levaram à sua encarnação naquele local e época.
Seu espírito estava num nível básico e importante de desenvolvimento.
Durante essa primeira encarnação na Terra você iria aprender a usar seu livre-arbítrio.
Era um presente por seu progresso.
Irritado, o oficial da SS explodiu de raiva.
— Isso é uma grande besteira.
Se eu tivesse escolha, e tivesse feito algo diferente, o império que ajudei a construir nunca teria existido.
Eu não era um mero sargento na Alemanha, se você quer saber.
Eu sou Ernst Luber, e construí o Terceiro Reich com Hitler.
Se não estivesse lá, nada teria acontecido.
Seu guia o ignorou e continuou a falar:
— Com ou sem você, o Terceiro Reich teria existido.
Talvez tivesse tomado uma outra forma, mas o resultado teria sido o mesmo.
Todavia, você tinha se formado para entrar no plano terrestre.
Você ganhou o presente do livre-arbítrio e nenhuma vida é sem significado por causa desse presente.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 25, 2016 11:22 am

A mulher repetiu várias vezes o que eu já lhe dissera:
que ele havia nascido na hora certa, no local adequado, dentro dos acontecimentos programados.
Mas era livre para suas escolhas e acções.
— Está vendo, Ernst?
Você não pode ser responsável por aquilo que não está sob seu controle.
Mas é totalmente responsável por suas escolhas e colherá os resultados delas.
Ele não respondeu.
Não estava arrependido, não sentia nem um pouco de remorso.
Estava simplesmente esperando para ouvir mais.
Diante disso, perguntei quais as atitudes pelas quais ele se sentia totalmente responsável.
— A tortura e a morte dos judeus, dos velhos e dos fracos.
Todos aqueles que despachei em razão de meus ideais.
Seu guia perguntou se ele realmente acreditava naquilo.
— Claro que não, sua tonta.
Eu sabia que essa era a resposta que vocês queriam, então eu disse.
Como eu tinha dito, a morte não muda a personalidade de uma pessoa.
Ela interveio:
— Bem, você foi parte do holocausto e vai ter de lidar com isso.
Seu desejo por poder, sadismo e morte são cargas negativas em sua vibração, carma e espírito, não tenho dúvidas quanto a isso.
E tem mais, Ernst...
Ela parou propositadamente por alguns segundos e depois disse a ele e, no entanto, havia algo bem mais sério do que aquilo.
— Você abusou de seu livre-arbítrio e criou um carma que terá de se cumprir.
Lembre-se do que foi explicado sobre causa e efeito.
Você foi a faísca que deu origem às chamas de sofrimento.
Você ajudou a causar o holocausto.
Por outro lado, você não percebeu que as forças que você libertou se viraram contra você.
Você escolheu o suicídio.
Você cortou o fluxo da vida.
O suicídio nunca é o destino de um espírito.
Eu me juntei a ela, dizendo que ele deixou a esfera terrestre antes de haver esgotado seu tempo, o que lhe permitiria modificar seu carma.
— Você, por escolha própria, alterou seu destino.
Agora o ciclo precisa recomeçar.
Precisa enfrentar esse desafio, Ernst.
Você vai tomar consciência dos resultados de suas acções.
Nós então o deixamos sozinho no vazio negro, com seus pensamentos e as lembranças daquela fracção de segundo de paz, amor e harmonia perfeita que ele havia visualizado.
Ele ficou lá por um bom tempo.
Como ponto positivo, ele nunca procurou seus camaradas e jamais voltou a marchar em outro desfile militar.
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