A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 28, 2016 1:03 pm

Ela concordou, mas disse que o reverendo Robeson provavelmente falaria com um sotaque sulista, então eu teria de fazer minhas perguntas com esse sotaque.
— Para parecer real — propôs ela.
Maryanne estava gostando disso.
O reverendo Robeson era um pregador astuto.
Ele estava vestindo um terno azul-escuro, uma camisa azul-clara e uma gravata de seda vermelha.
Esse reverendo poderia ser um banqueiro com um escritório em Wall Street, em Nova Iorque.
Excepto pelo sorriso.
O reverendo usava um sorriso permanente e, como todos sabem, os banqueiros de Wall Street não sorriem.
Então me transformei no reverendo Robeson:
unhas perfeitamente feitas, olhos azul-escuros, um pouco calvo e com cabelos grisalhos e... o sorriso permanente.
Mas não se confunda:
o reverendo está lá no show apontando uma arma para Maryanne.
O comercial do detergente que era "suave em suas mãos" estava quase para terminar, então o reverendo sentou-se ao lado de Maryanne, seu sorriso brilhante acompanhando-o.
O apresentador estava junto ao auditório, tomando uma postura que mostrava total concentração e interesse nos convidados.
E, no auditório, havia um clima de antecipação e alvoroço.
Era o reverendo contra essa tão falada pregadora do sul da Califórnia.
O auditório era formado por alguns turistas, e eles sentiam o cheiro de sangue no ar.
De um certo modo, era como os cristãos contra os leões, na Roma antiga.
O apresentador começou:
— Estamos de volta e, como prometi, temos aqui o reverendo William T. Robeson.
O reverendo Robeson não precisa de nenhuma apresentação, já que é conhecido em todo o país por seu programa semanal de TV e por seus programas de rádio.
Então, reverendo, porque o senhor não começa fazendo uma pergunta para Maryanne?
O reverendo procurou sua câmara e a achou.
Com um ar sério e sincero, ele encarou a lente e, em seu lento porém preciso modo de falar, começou o que considerava ser um bem-sucedido interrogatório.
— Bem, eu fiquei atrás do palco, ouvindo essa moça falar sobre o que ela tem pregado através deste país.
Tenho certeza de que ela é uma pessoa sincera e bem intencionada.
Mas ela está errada...
Senhoras e senhores, ela está mais do que errada.
Ela é perigosa.
Toda a sua heresia sobre um mundo sem céu, sem inferno, sem pecado e sem um dia de julgamento...
Isso vai contra todos os ensinamentos cristãos e desafia as próprias palavras da Bíblia.
Virando-se para Maryanne, o reverendo juntou suas mãos, como se fosse rezar, e disse:
— Por favor, não leve isso para o lado pessoal.
Mas preciso alertar o povo americano e o mundo sobre você.
A Bíblia alerta sobre pessoas de seu tipo.
Você é um dos muitos falsos profetas que Deus disse que apareceriam nos últimos dias, fingindo falar em seu nome, mas que, na verdade, são mensageiros do demónio.
Senhoras e senhores, ela nada mais é do que o demónio disfarçado.
Deixei meu papel de reverendo e perguntei a Maryanne como ela lidaria com esse pregador.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 28, 2016 1:03 pm

Ela olhou para mim e disse estar esperando isso, já com uma resposta pronta.
Mas nós tivemos de esperar o auditório se acalmar.
Esse conjunto de barulhentas vaias e aplausos é que torna esses programas bons.
Então, quando o auditório se acalmou, Maryanne começou a falar, de modo a retirar aquele ar de convencimento do rosto do reverendo.
— Bem, a Bíblia nos alerta contra os falsos profetas, mas o que é que eu disse que contradiz a Bíblia?
Se você realmente ouviu o que prego, então você me ouviu dizer às pessoas para viverem uma vida com moralidade, justiça e decência.
Para dizer a verdade, reverendo, eu falei sobre uma responsabilidade muito maior do que aquela que o senhor tem.
Eu nunca disse que nós podemos eliminar nossas falhas por meio da reza; pelo contrário, nós temos de nos esforçar para superá-las.
Eu não disse que a salvação era algo simples que poderia ser conseguida com uma mera ligação telefónica, eu disse que a salvação é uma estrada a qual trilhamos sozinhos, e cada um de nós encontra seu caminho em sua hora certa.
Cada acção tem um efeito, criando um resultado que precisa ser experimentado.
Meu caminho é o difícil, não o fácil.
Os tão chamados falsos profetas são aqueles que vendem e lucram por meio do caminho fácil.
O sorriso tinha desaparecido do rosto do reverendo.
Agora ele era apenas um banqueiro de Wall Street protegendo seus interesses.
Então, como uma naja preparando o bote, ele chamou Maryanne de blasfemadora e disse que a única salvação era por intermédio de Cristo.
E continuou:
— Jesus veio à Terra como um ser humano, e nos ordenou que seguíssemos seu caminho e não qualquer outro caminho pessoal para a salvação.
Pare de mudar suas palavras sagradas, mocinha, e conte a verdade, ou sua alma será condenada por toda a eternidade.
Agora era Maryanne quem procurava pela câmara, e ela falava directamente para milhões de telespectadores da América.
— Escute, Jesus veio para nos mostrar o caminho, e qualquer pessoa que leia sobre ele sabe que seu caminho não é fácil.
A estrada da qual ele falou é muito mais difícil do que aquela no mapa do reverendo Robeson.
Você não pode comprar um pedaço do paraíso e, embora essa farsa possa até gerar grandes contribuições para o reverendo, ela não comprará nem mesmo um tijolo, porque não há tijolos, nuvens ou harpas no céu.
Só existe o perfeito amor, harmonia e união com nosso criador.
Contribuições em dinheiro não podem comprar essa união.
Precisamos ser como Cristo para conseguir a harmonia com a criação.
Cristo foi mandado para cá como professor, um exemplo e uma luz que guia.
Ele encarnou para nos mostrar o potencial dentro de cada um de nós.
Consequentemente, não é suficiente dizer:
"Concordo com o que Cristo pregou e aceito isso".
Não, nós precisamos dizer:
"Eu sou Cristo", porque ele viveu encarnado como nós, superou a tentação, a injustiça, o ódio e a inveja.
Venceu o mal.
Se ele conseguiu, nós também podemos.
É só agirmos como ele agiu.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 28, 2016 1:04 pm

O apresentador estava para dizer algo para o auditório e para os telespectadores, mas ela não lhe deu tempo e continuou.
— Julguem por si mesmos.
Cristo veio para este planeta, assim como Buda, Maomé e Krishna, para abrir nossas mentes, não para fechá-las.
Quando você escuta alguém pregando algo como:
"Meu caminho é o caminho certo!", pode ter certeza de que você está escutando um falso profeta.
Jesus nunca pediu uma obediência cega, porque ele sabia que cada um deveria ir a ele por conta própria.
Quando você escutar qualquer pessoa condenar uma raça, uma religião ou uma ideia porque não concorda com eles, então, você precisa realmente ficar alerta, porque essa pessoa é um falso profeta.
Sempre que alguém disser para você não ler algo ou para não fazer algo, não confie nessa pessoa.
Agora sou eu que os alerto:
cuidado com os falsos profetas.
Jesus veio para libertar nossas mentes, não para dominá-las.
Então, tome cuidado com aqueles que julgam os outros em nome de Deus, porque eles são os maiores blasfemadores de todos.
Senti que, caso o auditório desse programa estivesse realmente escutando seu discurso, eles estariam em silêncio agora, porque suas palavras estariam ecoando em suas almas.
Eu então disse a Maryanne que estava muito orgulhoso dela.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 28, 2016 1:04 pm

Ernst e Kim Songh

Eu não via Ernst havia muito tempo.
Depois de ter deixado o vazio, ele decidiu permitir que suas vibrações o levassem para onde quisessem e, para seu crédito, Ernst não aceitou mais ficar com seus antigos companheiros nazistas.
Ele decidiu, pelo menos por enquanto, que ficaria sozinho.
Falei com ele no final de sua jornada, e a conversa foi diferente da última que tivemos.
Fui atraído em direcção a ele pela mesma força que guiava todas as nossas vidas.
Era o tempo certo e a hora certa.
Nós nos encontramos em um morro alto e coberto por grama de onde se via uma planície interminável.
Havia céu e terra até onde a vista alcançava.
Ele sorriu ao falar comigo, e eu percebi que uma mudança profunda havia ocorrido.
— E você! Não pensei que fôssemos nos encontrar de novo.
Aqui estamos, exactamente onde começamos.
— Na verdade, não, Ernst. Nada é como era.
Você mudou, eu mudei, e a criação também.
Nada permanece igual.
Mas, de um certo modo, você está certo.
Estamos no lugar de onde nós partimos e onde você começou suas viagens.
Talvez este lugar seja onde uma nova jornada vá começar.
Percebi que ele queria conversar, e, é claro, eu estava pronto para escutá-lo.
Minha missão com Ernst não tinha terminado.
Na verdade, mal iniciara.
Ele começou a falar de suas viagens.
— Tenho de admitir:
você estava certo sobre muitas coisas, Bob.
Ao ir de um lugar para outro, eu, aos poucos, comecei a sentir uma presença.
Estava sempre lá, porém fora de meu alcance.
Como um farol distante, a presença de Deus estava lá.
Pude sentir o calor de suas extremidades, mas, por mais que tentasse, eu não conseguia chegar mais perto.
Saber, mas negar o que sabe.
Isso é o inferno.
Ele continuou:
— Depois de um tempo, eu desisti.
Droga, se Deus não queria nada comigo, então eu, com certeza, não queria nada com ele.
Voltei-me para meu antigo modo de vida, e comecei a procurar por meus amigos.
Mas algo me impediu.
Mostraram-me, não sei como, partes de minha vida na Terra.
No início, eu me senti orgulhoso do que tinha construído: uma organização forte, disciplinada e eficiente.
Criei meu próprio universo, e eu era seu mestre.
Então, eu o construí de novo.
Com a força de minha vontade, eu estava vivendo na vibração de minha própria criação, uma criação completa com coturnos, desfiles e uniformes pretos.
Eu estava vivendo neste meu mundo sozinho, e estava satisfeito.
Ernst disse que ficou lá dentro por um tempo, onde encontrou satisfação e felicidade.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 28, 2016 1:04 pm

Porém, um dia a vibração mudou.
Uma vida nova começou.
— Um dia, acordei no meio de uma floresta fechada.
O chão estava coberto de folhas pontiagudas de pinheiros, o que me fez lembrar as florestas da Alemanha.
Revivi meus primeiros dias na SS, quando comecei a pensar em poder.
De repente, uma mulher apareceu a meu lado.
Não notei sua presença até o momento em que ela já estava lá.
Era uma oriental, não muito bonita, uma mulher comum que não tinha mais do que vinte e dois ou vinte e três anos.
Ela perguntou se podia sentar-se a meu lado.
Ela tinha viajado muito e precisava descansar.
Ernst dissera a ela que não queria ser perturbado, mas, não tendo nenhuma escolha, e contra sua vontade, ele a deixara sentar-se ali.
— Ela ficou ali sentada por um tempo, encostada em um pinheiro.
Ela fechou seus olhos, e eu achei que estivesse dormindo, mas, repentinamente, ela me fez uma pergunta.
— Você sabe como sair daqui?
Acho que estou perdida.
Estou andando sem rumo por tanto tempo, procurando por uma saída.
Você foi a primeira pessoa que encontrei.
Você é daqui?
Ernst então disse que aquela pergunta o fez perceber que ele mesmo não sabia como tinha chegado lá e onde ficava a saída.
Disse isso a ela.
— Ah, então você deve ser como eu — respondeu ela.
Ernst ficou irritado com o que ela disse.
— O que você quer dizer com isso?
Eu sou como você?
— Estou vagando sem rumo, sou uma alma procurando por meu caminho.
Ainda não o encontrei, mas acho que é importante achar a saída desta floresta.
Estou cansada de procurar.
— Você sabe quem eu sou?
— Não. Eu deveria saber?
— Bem, depende.
Quando você deixou a Terra?
Ela disse que não sabia realmente, mas achava que não fazia muito tempo.
Ele perguntou se fora antes ou depois da guerra.
— Ah, a guerra... Foi durante a guerra.
Meu marido morreu por causa dela.
Ele morreu queimado quando os americanos jogaram napalm em minha aldeia.
Ele lutou ao lado dos vietcongues e acabou sendo morro.
Ernst me disse que não fazia a mínima ideia de quem eram os vietcongues, mas ele entendeu que ela estava falando de uma guerra diferente, em um lugar diferente.
Ele confessou se sentir um pouco desapontado.
Queria ver a reacção dela ao se encontrar com uma personalidade tão famosa como ele.
Mas a mulher continuou a falar, não notando seu desapontamento por não ter sido reconhecido.
— Depois que meu marido morreu, corri de aldeia em aldeia.
Finalmente, fiquei em um lugar chamada My Lai, onde encontrei minha mãe.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 29, 2016 10:53 am

Ela tinha uma casa pequena, então mudei para lá.
A vida não era tão ruim nesse lugar.
Tínhamos um jardim pequeno e alguns porcos e frangos, o que era muito quando comparado ao que possuíam nossos vizinhos.
Ernst disse não estar interessado em sua história, mas ela, mesmo assim, continuou.
— Um dia, os soldados americanos chegaram.
Ela estava acostumada à rotina:
soldados americanos iam e vinham através das aldeias de sua terra destruída.
Um dia eram os vietcongues, no outro eram os sul-vietnamitas.
Naquele dia, porém, eram os americanos.
Ela continuou:
— Eu nunca tinha visto os soldados americanos tão de perto.
Eles eram grandes.
Entraram apressados na aldeia e bloquearam a saída dos dois lados.
Minha mãe e eu corremos para dentro de casa e trancamos a porta.
Do lado de fora, escutávamos gritos nas ruas e tiros sendo disparados.
Ficamos dentro de nosso único cómodo, tremendo e rezando para que eles fossem embora.
Mas não foram.
Ela disse a Ernst que os grandes soldados americanos arrombaram a porta da cabana com chutes e encontraram ela e sua mãe agachadas em um canto.
— Aqueles soldados estavam nervosos e assustados.
Para mim, eles pareciam demónios. Um deles apontou sua longa arma para mim, enquanto um outro puxou minha mãe para fora da cabana.
Eu a escutei chorar e gritar.
Não pude ajudá-la, porque um soldado estava de pé, a meu lado, com sua arma apontada para minha cabeça.
Eu escutava os gemidos de minha mãe enquanto eles a chutavam e a socavam.
Armas foram disparadas e eu escutei crianças e bebés chorando, nossos vizinhos implorando e gritando.
E não escutei mais nada.
Ernst não disse nada.
A aldeia inteira ficou em silêncio.
O único som que a mulher podia ouvir era a batida de seu coração.
O soldado que estava a seu lado gritou algo para os outros soldados que estavam fora.
Logo em seguida, dois deles entraram em sua cabana.
— O que estava de guarda colocou sua arma no chão e começou a desabotoar seu uniforme.
Eu sabia o que iria acontecer em seguida.
Primeiro ele, depois os outros dois.
Quando eles terminaram, os soldados americanos a deixaram tremendo em um canto de sua cabana, na aldeia silenciada e morta de My Lai.
— Eu senti vergonha.
Desonra. Solidão.
Minha mãe estava deitada no jardim com uma bala no peito.
Nossos vizinhos, tanto as crianças quanto os homens e mulheres, estavam todos mortos.
Ninguém sobrou. Só eu.
Eu estava sozinha e não desejava viver mais.
A guerra tinha tomado tudo que eu amava:
minha mãe, meu marido, meu lar.
Eu não tinha mais nada.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 29, 2016 10:53 am

Por que continuar?
Ela então lhe contou que usara uma faca para cortar os pulsos.
— Eu me lembro de abandonar meu corpo, lentamente, subindo acima da poça de sangue à minha volta.
Ainda subindo, vi minha aldeia, onde os corpos de meus vizinhos e amigos estavam jogados sobre ruas, bueiros e jardins.
Subi cada vez mais, até que vi uma luz.
A jovem disse a Ernst que aquela luz a confortava e a acolhia com amor.
Contudo, a luz disse que ela havia cometido a maior transgressão de todas; o suicídio.
Aquela luz, ela acrescentou, falava sobre coisas que ela não entendia.
— Eu era uma camponesa em um pequeno país esquecido.
Minha vida era simples.
Eu não sabia nada sobre destino e carma.
A luz me disse que eu tinha interferido em meu destino ao terminar com minha vida.
Todas as lições e testes que deveriam ser aprendidos na Terra, agora, devem ser aprendidos aqui.
Eu não entendi.
Mas a luz disse que, com o tempo, eu iria entender.
Ela disse que, de repente, estava em uma floresta e não conseguia se lembrar do caminho por onde entrara.
E, por um bom tempo, estava tentando encontrar a saída.
Reflectindo sobre isso, Ernst disse que não sabia como tinha ido parar lá.
— Não estamos aqui por acidente e não nos encontramos por acidente — ele disse a ela.
Se aprendi algo, esse algo é que nada acontece sem uma razão.
Dizendo isso, ele contou a ela sua história.
— Eu era um soldado também.
Mas não como seus americanos.
Eu não lutava em batalhas.
Eu era um comandante.
Meus soldados eram como aqueles que entraram em sua aldeia: brutos, cruéis e eficientes.
Treinei meus homens para matar.
A jovem balançou sua cabeça e perguntou por quê.
— Porque eu achava que estava certo.
Meu país foi derrotado e humilhado.
Tínhamos a missão de restaurar o orgulho e a disciplina.
Nossa nação e nosso povo tinham a sagrada missão de limpar as influências estrangeiras.
Seu marido morreu lutando contra invasores estrangeiros, não foi?
Será que você não entende?
Nós estávamos no meio de uma guerra santa.
Fomos à guerra para preservar o carácter nacional, nossa cultura e nossa raça.
A raça ariana está destinada a governar o mundo e restaurar a disciplina, a ordem e os valores morais.
A jovem então perguntou o que era a raça ariana.
Ernst estava irritado com a futilidade daquela conversa.
— Pare de me interromper! Deixe-me continuar!
Ele falou sobre suas conquistas e sobre como as traições e fraquezas levaram seu país a perder a guerra.
Seu líder estava morto, a sede de seu governo estava completamente destruída e ele, Ernst, preferiu morrer a viver em uma Alemanha derrotada.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 29, 2016 10:54 am

— Eu também acabei com minha vida.
Não com uma faca, mas com uma pílula.
Preferi morrer pelas minhas próprias mãos a morrer pelas mãos dos vencedores.
— Agora entendo. Você também cometeu a transgressão.
Você, assim como eu, interrompeu seu destino.
E, como eu, você também está procurando por uma saída desta floresta.
Sorrindo com um ar superior, Ernst disse-lhe que ela estava errada.
— Não, minha querida, eu não sou como você.
Eu não fui a vítima, eu fui conquistador. Eu comandei.
Você, por outro lado somente ficou no meio do caminho.
Eu fiz história. Você nem foi parte dela.
Você foi uma mera camponesa vivendo em uma aldeia isolada, no meio de um país subdesenvolvido.
Nem mesmo ouse se comparar a mim.
Ela não discutiu.
Como ele tinha dito, ela era uma simples camponesa de um país subdesenvolvido.
Sem se sentir ofendida ou com raiva, ela estendeu seus braços e o confortou.
— Mas nós estamos no mesmo lugar, certo?
E pelo mesmo motivo.
Estamos ambos perdidos e sozinhos.
Ernst me disse que não tinha uma resposta, então perguntou há quanto tempo ela estava lá.
— Não sei. Dia e noite não existem aqui.
Só a escuridão da floresta e a luz que vem lá de cima.
Você notou a luz?
Esta floresta não é como uma floresta da Terra, porque a luz está sempre presente.
Mas não dá para dizer de onde a luz vem.
Ernst estava ficando cada vez mais impaciente.
— Você disse que não há uma entrada e uma saída.
Ah, isso é impossível. Não quero mais ficar aqui.
Você pode vir comigo, se quiser, ou pode ficar, mas eu estou indo embora. E então?
Ela suspirou profundamente, mostrando seu cansaço.
Seu rosto tinha a dolorosa expressão de alguém que sabia mais, mas ela estava cansada demais para discutir.
— Não sei por que nos conhecemos.
Mas agora sei que não vamos sair desta floresta enquanto não descobrirmos por que estamos aqui.
E acho que chegaremos a saber o motivo, parados ou andando.
Não vai fazer diferença.
Se você quer andar nessas trilhas que não vão dar em lugar nenhum, eu irei com você.
Não tenho vontades ou desejos.
Só quero sobreviver.
Novamente, Ernst explodiu. Havia muita raiva em sua voz:
— Mulher, eu nem mesmo sei seu nome, mas sei que nós não temos absolutamente nada em comum.
Eu fui um líder e você não tem nem a coragem nem a convicção para ser um líder.
Eu preciso continuar.
Preciso deixar esta floresta e encontrar o lugar que me pertence.
Junte-se a mim, se desejar, mas pare com essa conversa fiada sobre coisas em comum.
Nós não temos nada em comum.
Ela respondeu, dizendo que seu nome era Kim Songh.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 29, 2016 10:54 am

— Sim, nós não somos iguais, mas temos uma coisa em comum:
nós nos matamos.
Você foi um conquistador que se tornou um conquistado.
Você se matou porque temia seu destino.
Eu também fui conquistada e tirei minha vida no desespero.
Quero sair deste lugar, mas sei que só poderei sair quando meu espírito estiver pronto.
Não vou segui-lo porque não vou seguir mais ninguém.
Mas vou acompanhá-lo, porque sinto que preciso fazer isso.
Ernst continuou calado.
Eles então começaram sua jornada pela floresta.
Pouco depois, ele descobriu o que Kim Songh já sabia:
a floresta era infinita, sem sons e sem noites.
Mas, teimoso como era, continuou procurando por uma saída.
Kim ficou a seu lado, sabendo que não havia como sair dali.
Porém, sempre havia luz.
Uma luz que não criava sombras, infalível e imutável.
Anos terrestres passaram, conforme o incessante metrónomo do tempo.
Ernst e Kim Songh permaneceram na floresta, e, sem seu conhecimento, em outras dimensões a vida continuava à sua volta.
Para eles, tudo que existia era a floresta.
Suas vibrações os aprisionavam lá.
Ernst continuava frustrado.
— Não consigo entender.
Já percorremos cada centímetro deste lugar e não há uma saída.
Nenhum animal, nenhum som, somente essa luz.
Se eles querem que eu passe minha eternidade aqui, com estas árvores infernais, então que seja.
Mas isso é impossível de entender.
Qual é o objectivo disso?
Kim então falou:
— Ernst, em vez de procurar uma saída que não existe, acho que deveríamos tentar entender por que estamos aqui.
Talvez, então, em vez de ficarmos dando cabeçadas através do mato, nós possamos aprender o que este lugar tem para nos oferecer.
Além do mais, ambos sabemos que não estamos mais na Terra.
Ernst sabia que ela estava certa, mas ele nunca iria admitir isso para ela.
— Então você, a camponesa, pretende liderar?
O que você nos sugere fazer?
Plantar verduras?
Ela ignorou o sarcasmo.
— Não, Ernst, eu não plantaria verduras.
Você com certeza sabe que não precisamos de alimento para nossos corpos, porque não temos corpos.
Nós precisamos de um tipo diferente de alimento, um alimento para nossas almas.
Esse alimento está aqui, em algum lugar.
E nós precisamos encontrá-lo juntos.
Ele então cedeu.
— Que caminho você sugere?
Já caminhamos por todas as trilhas.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 29, 2016 10:54 am

Aonde mais nós podemos ir?
Ela sorriu e disse que a direcção não importava.
— O que precisámos fazer é olhar para as trilhas de um modo diferente.
Precisamos parar de procurar por uma saída.
Precisamos achar a razão de estarmos aqui.
Assim, com Kim liderando, eles recomeçaram a caminhar pela mesma trilha que já haviam percorrido inúmeras vezes.
Mas, dessa vez, a jornada seria diferente.
Seria o início.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 29, 2016 10:54 am

Jeffrey faz sua escolha

O guia de Jeffrey era um espírito com muita luz.
Na biblioteca, Jeffrey estava sentado no meio da longa mesa de carvalho onde seu guia conversava com ele sobre escolhas.
— Quando um espírito nasce na Terra, ele começa sua vida como um bebé.
Um bebé não pode fazer escolhas porque é totalmente dependente de seus pais.
Quando esses bebés se tornam crianças, passam a ter algumas escolhas.
Com o passar do tempo, crescem, amadurecem e se desenvolvem, transformando-se em adultos.
0 menu de escolhas aumenta e a responsabilidade também.
Você não é mais uma criança, meu amigo, e é chegada a hora de fazer uma escolha.
— Isso parece ser sério — comentou ele.
— Sempre é.
— Bom, eu sei que preciso voltar à esfera terrestre.
Como eles diriam lá:
"Eu posso sentir isso em minha alma!"
Agora, que doença séria é essa que vai me matar?
O guia disse que eles iriam falar sobre aquilo em breve.
— Neste exacto momento, quero ter certeza de que você entendeu o conceito de escolha.
Sua vibração abriu portas que levam a muitas possibilidades.
Você pode ficar aqui, deste lado...
— com a mão ele designou a biblioteca — procurando o que esta dimensão tem a oferecer quanto a ensinamentos e conhecimentos.
Você pode até escolher uma encarnação em uma outra dimensão, ou retornar à Terra.
Qualquer uma dessas escolhas é válida.
Eu não posso lhe dizer o que fazer.
Sou como o pai terrestre que não pode mais mandar no filho, pois este já se tornou adulto.
Posso apenas aconselhar.
Portanto, eu gostaria de mostrar-lhe uma outra escolha, sabendo que a decisão final é sua.
— Como eu disse, parece ser sério.
— E, como eu respondi, sempre é.
— Continue.
Seu guia era uma alma gentil.
Agora, ele estava falando sobre a criação e como ela evolui e se desenvolve constantemente.
A Terra é parte da criação, e grandes mudanças estavam acontecendo lá, porque a Terra se aproximava de um ponto crucial em seu desenvolvimento.
— Na Terra, as almas estão se apressando para expandir e melhorar seus sistemas de comunicação, tecnologia e informação.
Eles estão recebendo ajuda e inspiração de muitos espíritos deste lado.
Todavia, as pessoas na Terra estão se isolando, elas estão se esquecendo de sua humanidade, de sua ligação comum e de sua unidade uns com os outros e com Deus.
O guia explicou então que, além de trabalhar com Jeff, ele, junto com outros, estava profundamente envolvido com a evolução espiritual da Terra.
— O desenvolvimento e o desempenho espirituais exigem um esforço muito maior do que simplesmente ir a uma igreja ou sinagoga.
Os seres humanos precisam reconhecer a alma que carregam dentro de si mesmos e aprender a ver a criação com os olhos da alma.
Na Terra, há muita divisão: homens contra mulheres, filhos contra pais, negros contra brancos, religião contra religião.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 29, 2016 10:54 am

O medo e a raiva que estão dominando os seres humanos precisam ser eliminados.
Isso só vai ocorrer quando descobrirem que em cada pessoa há uma alma eterna em evolução e que ela um dia vai encontrar a luz.
Jeff interrompeu para concordar com seu guia.
— As almas terrestres ficam presas às diferenças ao invés de abraçar as semelhanças que há entre elas.
O guia continuou.
— A Terra atingiu um ponto em que está necessitando de alimento espiritual.
Mas as antigas fórmulas não preenchem o vazio na mente humana.
Os antigos provérbios não aquietam seus medos e incertezas.
As antigas pregações e discursos não dão mais conforto ao irrequieto e ansioso espírito humano.
E, como sempre, mudanças não acontecem facilmente na esfera terrestre.
A biblioteca estava quieta.
Jeff estava pensando nas palavras de seu guia.
Alguns minutos passaram, e nenhum dos dois falou.
Finalmente, Jeff rompeu o silêncio, fazendo uma pergunta:
— Esse negócio sobre a Aids é uma parte dessa tempestade de mudanças, não é?
— Usando uma outra expressão, meu amigo, ela está no centro dessa tempestade.
— Como? Por quê?
A curiosidade de Jeff tinha sido despertada e ele queria saber mais.
— Os preconceitos, medos e todas aquelas divisões sobre as quais tínhamos falado vão ser o centro das atenções devido a essa doença.
Pregadores falarão, em suas igrejas, que a Aids é uma punição de Deus, condenando todos aqueles que estão infectados.
Vizinhos irão evitar vizinhos e famílias irão se desintegrar.
Os infectados serão isolados por políticos oportunistas, os quais terão a ideia de colocá-los em campos de concentração, isolando-os do resto da sociedade.
— E você quer que eu morra dessa doença?
Por quê? Para que isso vai servir?
— Sua morte não vai mudar nada.
Mas sua vida vai, se você tomar as decisões certas ao longo do caminho.
Jeff pediu a seu guia para explicar melhor.
— A Aids não vai ser uma praga ou punição de Deus.
A Aids vai ser um agente para forçar os seres humanos a verem um ao outro como eles realmente são.
Essa doença vai ser chamada de "peste gay", porque no início irá infectar somente homossexuais masculinos.
Mais tarde negros africanos irão contrair essa doença; depois, viciados em drogas, e assim por diante.
O preconceito, o ódio e o medo irão ser unidos em uma única palavra: Aids.
Todos aqueles que forem infectados morrerão.
Os pesquisadores não encontrarão uma cura rápida e não haverá um tratamento fácil.
— Parece-se com a peste negra.
— A Aids vai ser diferente. Muito diferente.
A peste negra foi uma epidemia rápida que não se alastrou tanto, mas a Aids vai ser um abandono lento e público da vida.
E, agora, nós chegamos a você, meu amigo.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 29, 2016 10:55 am

Eu gostaria que você embarcasse na seguinte missão:
viva sua vida como um homossexual masculino, seja infectado por essa doença, e tenha uma morte bem pública.
Com os talentos que adquiriu, você pode ser parte do plano divino e da razão para essa doença.
Viva sua vida com dignidade e passe essa dignidade para o povo.
Acorde suas almas para que se libertem das correntes que as prendem.
Ajude-os a superar as diferenças que os dividem.
— Parece ser difícil, mas importante.
Sei que tive uma missão parecida em minha última encarnação como Peter.
Eu não tive sucesso então, e não havia essa história de ser gay para lidar.
Contudo, acho que mereço isso.
Estraguei tudo da última vez e acabei pegando o caminho mais fácil.
Irritado, o guia respondeu:
— Você não aprendeu nada aqui?
Nós não somos seu juiz e júri.
Concordo que você não cumpriu a promessa de sua última encarnação.
Enganou a si mesmo e outros que precisavam de uma luz para chegar à verdade.
Mas saiba que essa "história de ser gay", como você diz, é irrelevante.
Essa doença não é sua punição.
Por favor, não coloque tanta importância em você mesmo.
Jeff abaixou a cabeça.
Ele sabia que seu guia estava certo.
Da última vez, sua missão era a de ensinar e trazer luz para vidas comuns.
Ele deveria escrever sobre a humanidade, espiritualidade e irmandade.
Ao invés disso, escreveu comédias de televisão e rádio que satirizavam as vidas comuns as quais ele deveria te. enriquecido.
— Você está certo. Sinto muito. — Ele suspirou.
Sei o que deveria ter feito.
As escolhas eram claras.
Meu espírito vai crescer a partir dos testes que essa nova encarnação oferecer.
Eu sempre fiz discursos bonitos deste lado, e minhas intenções sempre foram as melhores.
Mas, uma vez que entrava em um corpo, sempre pegava os caminhos mais fáceis.
Eu rezava para não falhar, mas fazia tudo de novo.
Bem, vamos continuar.
Jeff estava pronto para "elaborar o contrato" de sua próxima encarnação.
Isso é um ajuste entre o carma e o darma da alma e Deus.
O contrato precisa estar em sintonia com as vibrações do espírito, com as vibrações da esfera terrestre e com a vontade divina.
Os três precisam estar em sintonia um com o outro, caso contrário a encarnação não ocorre.
Todas as almas, antes de encarnar, precisam chegar a essa harmonia.
Nada, nem mesmo uma ave caindo do céu, pode ocorrer sem que isso seja parte do plano universal.
A aprovação do contrato não ocorre por meio de uma mensagem entre escritórios.
Ela simplesmente acontece, como aconteceu nesse caso.
O guia disse a Jeff que seu espírito estava em sintonia com essa missão e então explicou por quê.
— Primeiro, existe empatia.
Você se desenvolveu a um ponto em que consegue, facilmente, simplificar o complicado.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 29, 2016 10:55 am

Você não é somente um comunicador, você também é um filtro e instrumento.
Segundo, você não está somente em sintonia com o povo, você é o povo.
Aprendeu as verdades mais preciosas:
nós somos um espírito que pertence ao criador.
Jeff respondeu que aqueles que estão em contacto com os pensamentos, desejos e necessidades do povo são chamados de demagogos.
Em sua última encarnação, ele foi chamado de aproveitador barato porque escrevia comédias que faziam as pessoas rir.
— A Terra está cheia de contradições, assim como está cheia de vibrações conflituantes.
Sim, é verdade que em sua última encarnação você, às vezes, agiu de um modo interesseiro para agradar a todos.
Sua nova missão é apelar para a alma deles.
— Então me diga: o que devo fazer?
— Ao contrário da crença popular, nós somos os guardiões de nossos irmãos, meu amigo.
Quanto mais rápido outros espíritos se desenvolvem, mais rápido todos nós nos desenvolvemos.
A esfera terrestre está mudando e algumas almas terrestres estão paradas.
Elas continuam reencarnando porque não conseguem aprender uma lição simples:
todos nós somos espíritos divinos compartilhando do mesmo criador e com um mesmo destino.
Você tem talento, luz, e habilidade para alcançar alguns deles.
A vibração terrestre é densa e as palavras por si só não podem atravessar o ódio, os medos e os preconceitos.
A Terra está pronta para aprender sobre irmandade, amor e unidade com a criação.
Você não pode só escrever sobre essas verdades, você precisa vivê-las.
E o sofrimento público com a Aids irá ajudar a chamar a atenção dos outros para você e para sua humanidade.
Por meio de suas palavras, obras e acções, você poderá brilhar através do muro negro do preconceito e ensinar uma lição sobre a unidade de todas as almas.
Jeff citou exemplos de pessoas que tentaram viver através de tais palavras e acabaram sendo ridicularizadas ou mortas.
— Você já ouviu falar de Jesus, eu suponho? — brincou ele.
Seu guia respondeu sarcasticamente, dizendo que conhecia Jesus e que até o havia encontrado algumas vezes.
E continuou.
— Mais uma vez, não seja tão convencido.
Você não vai vi ver a vida de um mártir.
Você vai ser um escritor homossexual derrubado por uma doença que mata o próprio corpo.
Você irá escolher como viverá sua vida.
Poderá escolher entre lamentar atrás de uma porta fechada ou enfrentar abertamente a intolerância, o preconceito e o medo.
Você poderá viver com a Aids em público, onde todos possam ver seu sofrimento, ou você pode se esconder e ter uma morte sem sentido.
Você pode compartilhar seus medos e contar às pessoas sobre seus sonhos que acabaram e que nunca mais serão realizados.
Você pode fazer isso, de modo que outros possam ver a humanidade deles reflectida em você.
Ou você pode gastar sua vida inutilmente, morrer e voltar aqui.
Mais uma vez, Jeff rezou para que pudesse ter coragem.
Seu guia lembrou-lhe, novamente, de que somente ele próprio poderia superar as fraquezas de seu espírito.
Ele disse também que Jeff falhara devido à falta de coragem e fé.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 29, 2016 10:55 am

— Você sempre pegou o caminho mais fácil porque tinha medo de ser diferente, sem sucesso e ridicularizado.
Agora, sua missão envolverá não somente o avanço da humanidade mas também o avanço de sua alma. Uma missão completa a outra.
Esse é o modo que a vida, no plano terrestre, deveria seguir.
O guia falou ainda sobre o destino e sobre como Jeff, ou qualquer outro espírito, poderia mudar isso.
— Nascer gay — disse seu guia — é o destino desta sua encarnação.
Morrer de Aids é seu destino também.
O resto, meu amigo, depende de você.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 01, 2016 11:03 am

Borunda Ni não existe mais

Chega um tempo em que o espírito sabe que precisa progredir.
Esse momento tinha chegado para Borunda Ni.
Seus dois guias lhe disseram que suas vibrações tinham alcançado um nível onde uma nova encarnação na Terra não seria mais necessária.
Contudo, Borunda Ni foi inflexível:
a Terra era exactamente para onde ele queria ir.
— Aprendi muito na Terra.
Tenho certeza de que possuo muito mais conhecimento do que antes.
E agora, mais do que nunca, sei que preciso ajudar outros a progredir em seu caminho.
Isso é o que desejo fazer.
Os dois guias lhe disseram que ficando aqui ele poderia também ajudar a humanidade.
— Afinal de contas, é exactamente isso que estamos fazendo, ajudando e nutrindo você e outros espíritos nessa caminhada.
Se quer ajudar, pode fazer isso aqui.
Borunda foi insistente, e seus olhos brilharam demonstrando confiança.
— Meu lugar não é aqui, pelo menos agora.
Eu pertenço àquele lado, à Terra, eu me sinto atraído para lá.
Não por causa da vibração da Terra, felizmente eu estou livre disso agora.
Mas a Terra é uma grande escola, com muitos de seus estudantes repetindo ano após ano.
Minha escolha é a de ajudar esses espíritos a aprender suas lições e é por isso que preciso voltar. Esse é meu desejo.
— O que você tem em mente? — perguntou o mais jovem de seus dois guias.
— Aprendi que, para um espírito evoluir, precisa ser forte o suficiente para tomar decisões.
Nossa evolução começa quando exercemos nossa habilidade de escolha.
Mesmo que nossas escolhas estejam erradas, precisamos aceitar suas consequências.
Isso é responsabilidade.
Muitos espíritos não aprenderam isso, seguem as verdades dos outros ao invés de buscarem a sua própria.
Borunda continuou e falou sobre as necessidades de sua própria alma.
— Durante as minhas outras vidas, nunca fui verdadeiramente forçado a fazer uma escolha.
Eu gostaria de ser tentado e de tentar.
Aprendi que o espírito de Cristo, quando estava na Terra, foi tentado pelo mal. Jesus superou a tentação mostrando-nos a força e o poder que brilham em cada um.
Quero testar meu conhecimento e minha consciência contra as tentações na Terra.
Se não fizer isso, esse conhecimento e essa consciência serão inúteis.
Ele disse a seus guias que estudou os locais da Terra, procurando por uma situação em que pudesse testar sua alma, e encontrou o lugar.
Era no oeste dos Estados Unidos.
Ele descreveu o cenário onde ele achava que poderia ajudar outros a cumprir sua missão e ao mesmo tempo confrontar sua alma com as intolerâncias da Terra.
— Há ainda um espírito deste lado que está querendo encarnar na esfera terrestre.
O espírito do qual estou falando tem uma grande luz e sabedoria.
Contudo, ele é fraco. Esse espírito está sendo conduzido para aceitar uma missão difícil e problemática:
uma missão que ele precisa cumprir não apenas para seu próprio engrandecimento, mas também para o engrandecimento e progresso da vibração de toda a Terra.
O discurso de Borunda produziu as vibrações de sua futura encarnação.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 01, 2016 11:04 am

Um homem jovem apareceu e ele estava lutando consigo mesmo tentando fazer uma escolha.
Esse jovem poderia ajudar outros a encontrar seu caminho através de trilhas ocultas da Terra, mas teria de encontrar a força e a fé para ouvir os apelos de sua alma.
O jovem foi criado por um pai severo e Borunda sabia que todos nessa família teriam de fazer suas próprias escolhas também.
O pai teria de escolher seu próprio filho ou seus preconceitos e crenças.
A escolha da mãe seria o filho ou o marido.
— Eu posso ver através dos relacionamentos cármicos:
um jovem é dado a esses pais.
O pai ama o filho, mas apaixonadamente odeia o que o filho é.
O filho precisa escolher entre ser o que é ou o que o pai deseja que ele seja.
Depois há a mãe, que pode separar ou reunir essa família.
Eu preciso ser ela. Eu posso ajudar ou posso destruir.
Esse é o derradeiro teste de uma alma.
Vou nascer em uma sociedade rígida, tradicional e intolerante.
Vou crescer como uma mulher nessa sociedade.
Minha leitura será a Bíblia, com seus pecados e suas proibições.
Vou então casar com um homem que rezará com fervor e acreditará piamente na Bíblia.
E muito submissa eu lhe darei um filho.
E aí então é que começará a disputa.
Seus guias ficaram satisfeitos.
— Peça permissão para esse passo que você escolheu, Borunda Ni, e se for concedido peça a graça do criador para acompanhar você.
Como sempre, nós também estaremos com você.
Seremos as vozes que você ouvirá dentro da alma.
Elas serão sua força e sua fé.
A permissão foi dada e Borunda Ni deixou de existir.
Ele se tornou um espírito à espera.
A espera de nascer de novo.
Nascer da água e do espírito.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 01, 2016 11:05 am

Ernst e Clara

Ernst continuou a contar sobre sua história na floresta e de sua jornada com Kim Songh.
— Ela tomou as rédeas da situação, depois de uma eternidade eu haver tentado e falhado em encontrar uma saída através daquelas árvores infernais.
Ela achava que era mais importante nós entendermos por que estávamos naquela floresta do que acharmos essa saída.
Eu estava zangado, e não podia admitir que uma mulher humilde estivesse certa.
Mas, lá no fundo, eu sabia que ela estava.
Na floresta, Kim Songh conduziu Ernst em direcção a um aglomerado de árvores que pareciam como qualquer outro tipo de árvore que eles já tinham visto.
Ernst me disse que já estava cheio de tudo:
das árvores, da luz incessante que brilhava por entre o topo delas.
— Vamos descansar — disse Kim Songh.
— Droga, eu ouvi você.
Caminhamos através dessas árvores, e agora você quer sentar e descansar.
Nada disso faz qualquer sentido.
Caminhar de uma árvore para outra, sentar e descansar e depois andar outra vez.
Mulher, acho que você está louca.
Kim Songh sorriu e respondeu à explosão de Ernst:
— Nós tentamos de seu jeito, correndo de um lado para o outro à procura da saída.
Mas não existe saída, e não compete a nós decidirmos quando vamos sair daqui.
Você ainda não entendeu isso?
Por favor, tente relembrar o que havíamos combinado.
Ernst estava cansado, frustrado e com raiva.
Ele sabia que tinha perdido o controle da situação e se odiava por isso.
Mas, como não tinha resposta, o melhor era desistir.
— Está bem, mulher, não existe saída.
Por favor, diga-me então:
você finalmente descobriu por que estamos aqui e por que fui sentenciado a passar a eternidade com você?
Se você sabe a razão, diga-me.
Até agora, tudo que ouvi de você foram enigmas.
É hora de você começar a dar as respostas.
King Songh concordou e sorriu.
Finalmente, respondeu:
— Medo. Nós estamos aqui por causa de nossos medos.
Isso foi o que nós trouxemos connosco.
Você tirou a própria vida por medo.
Você temeu pela vingança de suas vítimas.
Eu também terminei com minha vida por medo.
Eu estava com medo de viver, cansada de violência, da guerra, da solidão e do desespero.
Portanto, eu desisti.
Nós dois desistimos, e é por isso que nós dois estamos aqui juntos nesta floresta.
Ernst, agora pela primeira vez, estava realmente ouvindo-a.
— Continue — foi tudo que ele disse.
Ela continuou.
— Na Terra, nós, você e eu, vivemos em lugares e épocas diferentes.
Éramos pessoas diferentes.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 01, 2016 11:05 am

Eu, fraca e usada.
Você, forte e poderoso.
Se eu tivesse vivido no tempo e no lugar onde você viveu, eu bem poderia ter sido uma de suas vítimas.
Nada disso interessa agora.
Nós estamos aqui por causa de nossos medos.
Medo de justiça, ou medo de viver, no final tudo é a mesma coisa.
Almas na Terra podem ficar paralisadas pelo medo: medo de perder um emprego, uma vida, uma pessoa querida ou uma fortuna material.
O medo pode bloquear o desenvolvimento de uma alma, porque nos conduz a escolhas erradas.
Ernst disse que Kim Songh estava certa.
E esclareceu:
— A única coisa que realmente tínhamos em comum eram nossos medos.
Pensei nisso, sentado lá embaixo das árvores.
Por causa do medo, eu aprendi a odiar, e por meio do medo regi a vida de milhões.
Por causa do medo, chantageei amigos e destruí inimigos.
Meu império foi construído com meus medos e pelos medos daqueles que me rodeavam.
E ali estava eu naquela floresta, com medo de que não houvesse uma saída.
O tique-taque do metrónomo do tempo parou na floresta.
Não havia um som, nenhuma brisa, somente a luz através das copas daquelas árvores imensuráveis.
— Kim Songh — disse Ernst suavemente.
Posso lhe fazer uma pergunta? A resposta é muito importante.
Ele a esperou concordar, e então com grande apreensão ele perguntou sobre os sentimentos dela a respeito dos soldados americanos que destruíram sua aldeia, mataram sua mãe e a estupraram.
— O que você faria se eles estivessem aqui agora, à sua frente?
Você teria medo, você revidaria ou você os amaldiçoaria?
E, acima de tudo, você tem ódio deles?
Ela olhou para Ernst por algum tempo antes de responder.
— Vou lhe responder começando a dizer que não tenho mais medo, Ernst.
Eu não tenho medo.
Os soldados não podem mais me causar danos.
Se eu os odeio? Não.
Não tenho motivos para isso.
Eles são responsáveis por suas acções, assim como nós somos pelas nossas.
Penso que fizeram o que fizeram porque também estavam com medo.
Decidi deixar o medo e o ódio para trás.
Não quero carregar os pesados fardos daquelas vibrações.
Ernst, o ódio se transforma em medo, assim como o medo se transforma em ódio.
Você teve medo, portanto odiou.
Você odiou, portanto teve medo.
É tempo de nós dois aprendermos que o medo divide, confunde, prejudica nosso espírito.
Kim Songh ficou observando a reacção dele.
Não houve nenhuma.
— Agora, posso eu lhe fazer uma pergunta, Ernst?
Ele hesitou antes de responder, mas depois disse:
— Acho que sei o que você vai perguntar, mas vá em frente.
— Se alguma de suas vítimas estivesse aqui em sua frente, o que você diria a ela?
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 01, 2016 11:06 am

O que diria para esse esqueleto de pele e osso de um de seus campos de concentração?
Ernst me disse que ele vinha pensando nessa questão há muito tempo, bem antes de Kim Songh lhe fazer essa pergunta.
— Não sei. Uns tempos atrás eu teria tentado justificar meus actos.
Eu me lembro de, pouco depois que passei para este lado, perder muito tempo fazendo justamente isso.
Agora eu não saberia o que fazer.
Um simples pedido de desculpas seria sem sentido.
Eu fiz o que fiz porque eu fiz o que fiz, e lentamente estou aprendendo que preciso fazer reparações pelas decisões que tomei.
Eu queria tanto ser parte dessa luz que constantemente brilha, mas sei que ainda não estou pronto.
Neste momento, só posso sentir o formigamento de seus raios quando eles aquecem o frio de minha alma.
Preciso encontrar meu caminho.
Sinto que precisamos de ajuda para encontrar a saída deste pesadelo que é esta floresta solitária e interminável.
Ernst disse que sabia que a hora de encarar seu passado havia chegado.
Ele jamais poderia ser uma parte dessa luz se ele não fizesse isso.
Sabia que as escolhas feitas na Alemanha causaram incontáveis sofrimentos, dor e morte.
Ele sabia que havia sido a causa e teria de colher os resultados.
Naquele momento, Ernst testemunhou uma tremenda transformação em Kim Songh.
Um arco-íris de cores pulsou através dela, e surgiu um caleidoscópio sincronizado de brancos, azuis, vermelhos, verdes, dourados e violetas como nunca Ernst tinha visto antes.
E, através desse redemoinho de cores, ele pode vê-la sorrindo, até que finalmente ela foi envolvida por aquela espiral de cores.
A mulher asiática, passiva, humilde e submissa se foi, e no lugar surgiu uma nova entidade, com uma energia forte e vibrante, que envolveu Ernst com sua luz.
— O que é isso?
O que aconteceu com Kim Songh? — perguntou o ex-nazista, assustado.
— Eu ainda sou ela.
Kim Songh era um personagem que assumi para poder alcançar você.
Eu sou seu guia, seu professor, seu anjo e, acima de tudo, seu amigo.
Estarei sempre com você.
As lágrimas escorreram por aquela face antes orgulhosa e arrogante.
Seus olhos, quase cegos pela luz, tentavam focar a nova entidade.
— Qual é seu nome?
— Meu nome não importa.
Você me conheceu como Kim Songh, pode continuar me chamando assim, ou pode me chamar do jeito que quiser, é tudo a mesma coisa.
Que tal um dos nomes de uma das muitas de minhas vidas na Terra, o que eu gostava mais?
Você pode me chamar de Clara.
O metrónomo tinha dado tique-taque muitas e muitas vezes quando Ernst me contou essa história.
Ele ainda está aqui deste lado, não está pronto para uma outra encarnação.
Se ele não tivesse se suicidado, teria encarado suas vítimas.
Teria sido julgado, e seu julgamento teria servido para mostrar as consequências da tirania, a imoralidade do poder e o vício do ódio.
As almas terrestres precisam de exemplos, a Terra precisa de marcos na estrada.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 01, 2016 11:06 am

Ernst negou na Terra a chance de ver o mal disfarçado na pele de cordeiro.
Se ele tivesse permanecido na Terra e enfrentado sua punição, não teria carregado com ele o medo do castigo.
Seu medo teria sido deixado para trás, ficando apenas para ele responder por suas atitudes.
Deste lado não há punição, apenas as consequências de nossas atitudes.
Ernst carregou o medo em sua vibração.
Mas, de qualquer forma, Ernst me contou o que aconteceu quando Clara deixou a "floresta".
Ela explicou que estaria sempre ali com ele, mas havia chegado a hora de ela ir embora.
E finalizou:
— Você precisa responder suas próprias perguntas, Ernst.
Eu estarei sempre por perto, mas você já tem uma dose suficiente de perspicácia e consciência para olhar dentro de si mesmo.
Ele me disse que implorou para ela ficar. Estava com medo.
Sua luz brilhou ainda mais, quando Clara com sua voz suave e reconfortante inundou inteiramente seu ser.
— Isto é o que eu sou, Ernst.
Isto é o que todos nós somos, inclusive você.
Nós somos espírito, uma parte do todo.
Assim eram aqueles que você temeu e odiou.
Nós somos todos iguais.
Fique aqui e abandone seus ódios e seus medos.
Está na hora de eu ir, mas estarei sempre aqui.
Não posso ir muito além antes que você também vá.
Somos todos parte do criador, e as partes não se juntarão ao todo até que tudo esteja pronto.
Você, eu, suas vítimas, os anjos, os demónios, os conquistadores e os conquistados.
Os ricos, os pobres, os inteligentes e os menos dotados.
Nós somos todos iguais.
Em uma encarnação, podemos ser os poderosos; em outra, poderemos ser os oprimidos.
O ciclo não acaba nunca, é por isso que somos um só e iguais.
Não esqueça isso, Ernst.
Clara partiu, e ele ficou sozinho.
Ficando só, ele murchou. Sentiu-se completamente vazio.
Restaram apenas seus medos, suas memórias e sua solidão.
Passou um longo tempo afastado e solitário e finalmente desesperado ele chamou pelo espírito de Cristo.
Dessa vez, ele veio.
Assim como Clara.
Quando Ernst chegou aqui pela primeira vez, ele esperava um coro de valquírias para saudá-lo.
Agora ele estava abraçado pela luz do amor do filho de um carpinteiro e por seu anjo da guarda: uma viúva italiana da cidade de Jessup, na Pensilvânia.
Ernst foi levado da floresta.
Com a lição aprendida, o tempo para curar sua alma tinha chegado.
Essa cura levaria tempo, mas ela viria.
Seu espírito precisa progredir, harmonizar-se com o todo.
Essa é a verdade e a ordem da vida.
Isso servia também para as vítimas do holocausto, cujas almas igualmente precisam curar-se e aprender o que é o perdão.
O ódio, assim como o medo, não tem lugar no nível mais alto de nosso universo.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 01, 2016 11:06 am

Jeffrey retorna

O tempo de Jeffrey aqui tinha acabado.
Muito em breve ele entraria no útero de sua mãe terrestre e nasceria em seguida.
Enquanto a vibração de Jeffrey se ajustava à Terra, seu guia estava com ele, assim como estaria através de toda a sua estada terrestre.
Com uma voz suave e calma, o guia disse:
— Esta encarnação será de grande sofrimento e provação.
Você está em uma missão, e a maioria das encarnações missionárias transbordam de dor e sacrifício.
Prepare-se, então.
O caminho que você escolheu é longo e difícil.
Mas você conhece suas fraquezas, assim como conhece seus poderes.
Use esses poderes para iluminar o caminho que você escolheu.
Peça orientação, e o caminho será iluminado para você.
Ele sorriu.
Sabia do que seu guia estava falando.
Jeff era um espírito de conhecimento e perspicácia.
Mas era também um espírito fraco.
Seu espírito desistia facilmente, rendendo-se ao prazer, ao conforto e à popularidade.
Como se estivesse lendo os pensamentos de Jeff, o guia falou suavemente:
— E em breve você nascerá um homem homossexual numa família americana conservadora e religiosa.
Seus próprios pais talvez o rejeitem, você mesmo talvez não se aceite.
Será uma provação não só para eles, mas também para você.
Ele sabia que iria morrer de uma doença terrível.
O vírus iria dolorosa e implacavelmente destruir seu corpo.
Mas isso não faria diferença para ele.
Jeff sabia que o corpo de carne era meramente uma concha onde o espírito vivia.
Ciente da própria fraqueza, ele pedia pela força que iria precisar para vencer.
Força, não para suplantar a dor física, mas para resistir aos sofrimentos emocionais que teria de suportar.
Ele conhecia sua missão:
morrer de um vírus chamado Aids, para tocar aqueles que não o aceitavam e ensinar por meio de sua morte que ele não era diferente de nenhuma outra pessoa.
— Tenho o talento para alcançar minha meta — disse ele para si mesmo.
Por meio de minha vida e de minha morte, serei uma voz que se erguerá e tocará a divindade que vibra em cada pessoa.
Aquele que em breve seria Jeff sabia que seria um entre milhões que morreriam de Aids.
Mas ele também sabia que poderia tornar-se um dos poucos a chamar a atenção do mundo para o verdadeiro sentido da vida, graças à sua morte.
Se ele conseguisse, teria realizado sua missão, vencido suas fraquezas que haviam causado seu fracasso no passado.
Todas as peças do mosaico se encaixaram no lugar.
Um espírito que no passado fracassou por fraqueza morreria por isso.
Não porque sua homossexualidade fosse um pecado ou uma abominação diante de Deus, mas porque sua morte fazia parte de um plano divino.
O mosaico estava completo agora: um espírito avançado encarnando para ensinar a humanidade uma lição de fraternidade.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 01, 2016 11:07 am

Se aqueles na esfera terrestre aprendessem com ele, eles avançariam, a humanidade progrediria e sua missão estaria cumprida.
Assim que o espírito se ajustou à vibração da Terra, Jeff viu sua encarnação diante dele.
Nascendo como um bebé, ele seria chamado de Jeff por seus pais e lentamente, normalmente, ele iria se transformar num rapaz.
E no tempo prescrito, se tornaria um homem.
Então o homem morreria, relegando o espírito de volta a esta vibração.
O plano estava traçado.
Ele, por meio de suas escolhas, iria determinar o resultado.
Jeff poderia renegar sua homossexualidade para si mesmo e para seus pais, assim privando sua mãe e seu pai de terem a chance de fazer suas próprias escolhas, vencendo os preconceitos.
Ele poderia escolher não tornar pública sua doença, e assim negar seu testemunho a milhões de almas terrestres que teriam a chance de se desenvolver.
Ele poderia divulgar, dramatizar sua vida, e assim milhões poderiam ser tocados, ou ele poderia morrer de forma lenta e anónima.
Agora, momentos antes de sua alma deslizar para dentro do embrião que se formava, ele tinha conhecimento de suas responsabilidades.
Ele estava nascendo nessa específica família não apenas para ser testado, mas para testar também.
Ele seria talvez o pivô que forçaria sua mãe a fazer uma escolha entre sua própria moralidade, seu marido e seu querido filho.
Ele seria uma provação para o pai, um homem intolerante e fanático.
Continuaria ele a amar um filho que escolhera para si mesmo uma vida sexual proibida e tida como depravada?
Ele seria um teste para milhões de almas.
Poderiam eles colocar seus próprios ódios e preconceitos de lado e serem mais humanitários?
Enxergar a humanidade como um todo?
E acima de tudo isso estava a provação pessoal do próprio Jeff.
Se ele não pudesse superar sua própria vergonha, suas próprias fraquezas e a própria rejeição de si mesmo, nada disso iria acontecer.
A maior prova era para ele.
Ele precisava compensar o talento perdido no passado.
Se não conseguisse isso, sua morte e até mesmo seu nascimento não teriam razão de ser.
Suavemente ele deslizou desta dimensão para a de vocês.
Ele era Jeff, e o seria pelos próximos quarenta e três anos terrestres.
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Re: A PASSAGEM - Bob / Richy Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 01, 2016 11:07 am

Adeus

O tique-taque do metrónomo continua na Terra e através da criação.
Dia e noite, em cada momento de nossas vidas, o metrónomo nunca perde suas batidas ou seu ritmo.
Tempo e espaço ocupam um segundo lugar em seu interminável e incessante tiquetaque.
Nossas vidas continuam, nossas vidas mudam, mas nossas vidas nunca terminam.
Clara ficou deste lado.
Ela se tornou uma luz, esperando no portão.
Na Terra, ela nunca recebeu amor, porque ela também nunca deu.
Ela não sabia como fazer isso.
Aqui, Clara está preenchendo esse vazio em sua alma e está ajudando Ernst a encontrar seu caminho através do vazio negro de sua própria alma.
Ernst era um monstro?
Alguns de vocês dirão que sim, mas, como você, ele é um espírito.
Nós, como ele, somos parte de uma mesma criação.
O todo não pode ser um todo de novo até que todas as partes se ajustem.
Ele irá encontrar o amor, o perdão, a compaixão e a ajuda de que precisa.
Ele irá encontrar a sabedoria de sua salvação.
Está procurando por isso e Clara o está ajudando.
Mas lembre-se: ele é uma parte de nós, assim como nós somos uma parte dele.
Pense nisso por um momento.
E Jeff, o que lhe aconteceu?
Ele realizou tudo que havia planeado?
Eu poderia olhar para o futuro na Terra e garantir que ele realizou, sim.
Mas prefiro que vocês julguem por si mesmos.
Ele está entre vocês agora.
Borunda? Essa alma gentil nutriu seu filho e confortou seu marido.
Os dois fizeram uma escolha:
amar o filho deles.
Maryanne? Onde está essa pobre e esquecida criança do bairro negro?
Ela chegou aqui confusa, perdida e com raiva: cheia de perguntas e dúvidas.
De certa forma, Maryanne foi você.
Ela se transportou para uma vibração maior, assim como espero que tenha acontecido com você.
Lembra como no começo ela não achava nenhum sentido na vida?
Agora ela vê isso através de uma nova luz.
Talvez você fosse como ela, quando começou a ler este livro.
Sentia-se confuso, temeroso e subjugado por sua própria condição.
Talvez você tenha tentado se ordenar e dar um sentido à sua vida.
E, agora que você acabou de ler este livro, espero que, como Maryanne, tenha aprendido a encarar a vida e a se preparar para vencer seus desafios.
Só existe um denominador comum na Terra.
É a morte! Mas a morte significa uma outra vida, cheia de possibilidades e de novas escolhas.
Pense nisso.
Todo mundo que você conhece morrerá:
você, seus filhos, seus pais, seus amigos e inimigos. Todos.
Portanto não tema a trilha da morte. Você nascerá outra vez.
Espero que estas histórias tenham ajudado você a caminhar através dessa trilha.
Lembre-se: todas as vidas têm uma razão de ser.
Especialmente a sua.
Que Deus o abençoe!

Fim

§.§.§- Ave sem Ninho
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