DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

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DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 12, 2016 9:22 am

DIANTE DO ESPELHO da Vida
Ricky Medeiros

A morte é uma viagem rumo ao desconhecido.
Enquanto vivemos aqui, estamos esquecidos do nosso passado espiritual.
Isso pode parecer assustador e muitas vezes nos perguntamos:
Como será a vida após a morte?
A que lugar seremos arremessados?
Encontraremos parentes, amigos?
Este livro tem preciosas respostas, relatando o que aconteceu a um grupo de pessoas que, tendo vivenciado diferentes situações, depois da morte foram conduzidas para um lugar onde puderam rever passagens de suas vidas.
Nesta fantástica experiência, sua verdadeira realidade foi desvendada, revelando as causas profundas dos eventos vividos onde suas atitudes desenharam seus destinos, e eles descobriram como as leis cósmicas realmente actuam.
Perceberam a sabedoria do Universo, a justiça de suas leis, que ninguém consegue burlar, e as vantagens de unir-se aos seus objectivos de progresso.
A morte marca um encontro com nosso mundo interior.
Você terá que ficar frente a frente consigo mesmo.
DIANTE DO ESPELHO da Vida/ só aparece quem você realmente é.
Zibia Gasparetto

Uma história curta que não tem nada, mas que tem tudo a ver com este livro

Aqueles que leram PELO AMOR OU PELA DOR sabem que há uma canção que sempre associei com meu falecido irmão Joe.
Desde a primeira noite que eu e minha mãe visitamos a Igreja Espiritualista em Syracuse, Nova York (onde, uns três meses depois da morte de Joe, ele se comunicou connosco, através de uma médium), essa canção é um sinal de que ele está por perto.
Ela tocou no rádio antes de entrarmos na igreja.
Duas horas depois, quando saímos, ela tocou de novo na mesma estação.
O nome da canção é He Ain't Heavy, He's My Brother, originalmente gravada pelos Hollies, uma banda inglesa famosa dos anos 60.
Sempre que há dúvida, medo ou incerteza em minha vida, essa música, de uma forma ou de outra, acaba chegando a meus ouvidos.
Eu me lembro de assistir a uma entrevista com um astro da TV, na qual ele contava a história de seu pai.
A celebridade dizia que, logo antes de o pai morrer, eles haviam viajado para Las Vegas.
Uma música tocou no rádio e o pai falou para o filho:
- Toda vez que você ouvir essa canção, pense em mim.
O pai morreu e desde aquele dia, sempre que o artista enfrentava um problema ou dificuldade, de alguma maneira aquela música ecoava.
Na manhã depois de assistir àquela entrevista na televisão, eu estava dirigindo meu carro para o trabalho com o rádio desligado.
Perguntei em voz alta sobre essa coisa da música:
- Isso é real ou o produto de uma imaginação fértil?
Assim que fiz a pergunta, meus dedos giraram o botão do rádio.
Você já sabe.
Naquele mesmo instante, a canção He Ain't Heavy, He's My Brother estava tocando.
Nenhum jingle, nenhum comercial ou locutor.
Liguei o rádio, e lá estava ela.
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Ave sem Ninho

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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 12, 2016 9:23 am

Alguns anos depois, a canção provavelmente salvou minha vida.
Já contei essa história antes, em PELO AMOR OU PELA DOR.
Mas tenho que repetir a história para que você entenda a que vem a seguir.
Meu primeiro livro havia sido publicado e, para surpresa de todos, incluindo a minha, foi um best-seller.
Eu estava num shopping de São Paulo, saindo de uma academia onde havia acabado de me exercitar.
Estava indo para casa quando vi que um filme que eu queria assistir estava em cartaz num dos cinemas do shopping.
Decidi descer a escada rolante para ligar para casa e avisar que ia ao cinema.
Enquanto descia a escada, vi meu livro na vitrine de uma livraria e, no bolso de minha camisa, eu trazia a disquete com os originais do segundo livro.
Perguntei a meu irmão Joe, que sei que me inspira a escrever, se o segundo livro seria tão bom quanto o primeiro.
A resposta veio antes do esperado.
Cheguei ao final da escada e virei para minha esquerda em direcção a outra escada.
Ainda havia mais um andar para descer até o cinema.
Passei pela vitrine da livraria.
A disquete, não sei como, caiu do bolso de minha camisa, indo ao chão.
Eu me abaixei bem em frente ao display do meu livro na vitrine, para pegar a disquete.
Foi quando ouvi uma canção tocando nos alto-falantes do shopping.
He Ain't Heavy, He's My Brother.
Eu havia recebido minha resposta.
No meio do shopping lotado, comecei a chorar.
Esqueci o filme e fui para casa.
Contei para minha esposa o que aconteceu.
Ela também achou que eu havia recebido a resposta para minha pergunta.
Mas não foi só isso.
No dia seguinte, no caminho para o trabalho, não ouvi as notícias da manhã no rádio.
Assim que me sentei em minha escrivaninha, o telefone tocou.
Era minha esposa.
Ela me perguntou se eu sabia o que tinha acontecido.
Eu não tinha a menor ideia do que ela estava falando.
Ela começou a me bombardear com perguntas:
- Qual era o filme que você ia ver ontem à noite?
- O Clube da Luta, com Brad Pitt.
- Era o que estava passando no Morumbi Shopping?
- Era.
- A que horas?
Eu quis saber para que tudo aquilo, mas ela insistiu em perguntar a que horas eu ia ao cinema.
- Saí da academia um pouco depois das oito, então acho que ia pegar a sessão das nove.
Minha mulher disse que a canção foi mais que uma resposta para a pergunta sobre meu próximo livro.
Ela foi um alerta.
Um jovem, armado com uma metralhadora, entrou no cinema, abriu fogo, matou quatro pessoas e feriu tantas outras.
Se eu não tivesse ouvido aquela canção, He Ain't Heavy, He's My Brother, provavelmente eu estaria no interior daquela sala de cinema, em meio ao tiroteio.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 12, 2016 9:24 am

Alguns anos se passaram.
Estou de férias na Flórida, escrevendo este livro que você está lendo agora.
Minha mãe ligou da Pensilvânia.
Meu sobrinho Billy estava no hospital, morrendo de uma overdose de heroína.
Ele tinha apenas dezanove anos.
Ela pediu que eu me preparasse para viajar até lá, a fim de comparecer ao funeral.
Eu saberia quando nos próximos dias.
Tenho que admitir que me senti um pouco egoísta.
Eu realmente não estava a fim de trocar os trinta graus do clima da Flórida pelo inverno abaixo de zero da Pensilvânia, só para participar do funeral de um sobrinho que eu não via fazia oito anos.
Dois dias se passaram. Billy morreu.
Uma voz me impelia a ir:
- Se você não for, como pode escrever sobre amor, compaixão e compreensão?
Você estaria vivendo uma mentira.
Eu sabia que a voz estava certa.
No dia seguinte, eu e minha esposa partimos da Flórida para Nova York, onde alugamos um carro para a viagem de duas horas até Scranton, Pensilvânia.
Estávamos na estrada havia pelo menos uma hora e meia, e decidimos parar nas montanhas Pocono para comer.
Estava nevando.
Flocos de neve bem grandes caíam lentamente.
Já fazia uns cinco anos que eu não via a neve, e isso me fez perceber como era bonita.
No restaurante, decidi checar a caixa postal de meu celular.
Como não moramos nos Estados Unidos, apenas algumas pessoas têm o número.
Basicamente, só usamos o celular para fazer ligações, não para receber.
Por isso, achei estranho ver que havia nove mensagens na caixa postal.
Estivemos apenas no avião, por três horas, e depois no carro, por uma hora e meia.
A primeira mensagem era uma chamada interrompida, assim como a segunda, a terceira, a quarta e a quinta.
A sexta mensagem estava truncada; vozes irreconhecíveis soavam como se estivessem falando embaixo d'agua.
A sétima mensagem era uma repetição da sexta; mais vozes incompreensíveis no fundo do mar.
A oitava era uma série de vários cliques rápidos e mais nada.
A nona mensagem era tão abafada e confusa quanto a sexta e a sétima, só que nela não havia vozes.
Havia música.
E, apesar de parecer que estava tocando no fundo do Oceano Atlântico, instantaneamente eu reconheci a canção.
He Ain't Heavy, He's My Brother.
Eu não podia acreditar.
Salvei a mensagem e a ouvi de novo.
Passei o celular para minha esposa ouvir.
He Ain't Heavy, He's My Brother tocou para ela também.
Eu sabia por que Joe me mandava aquela mensagem.
Ele queria que eu soubesse que eu estava fazendo a coisa certa ao ir àquele funeral.
Ele queria que eu soubesse que ele estava sempre ao meu lado, principalmente quando escrevo, não apenas assegurando que eu escreva a verdade, mas também me ajudando (sem muito sucesso às vezes) a viver essa verdade.
Quando terminei este livro, eu soube que ele esteve presente comigo desde o início, porque esta obra, como você logo vai ver, é sobre ele.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 12, 2016 9:24 am

Introdução

No rádio e na televisão, existe um tipo de comercial que recebe o nome de "flagrante da vida real".
Como essa expressão aparecerá diversas vezes neste livro, achei que este primeiro capítulo seria um bom lugar para explicar o que o termo significa.
Sabe aquele anúncio em que o marido chega em casa depois de um difícil dia de trabalho, é recebido pela esposa na porta e ele nota como a pele dela é macia?
Claro que a pele macia é por causa do novo sabonete que ela está usando...
E o comercial de companhia telefónica em que o velho se senta em sua cadeira favorita e olha para fotos antigas dele e do filho andando pela praia?
De repente, o telefone toca. O velho suspira, atende o telefone e... adivinhe quem é? Acertou: é o filho, que está em algum tipo de viagem de negócios em Hong Kong, mas decidiu dar uma ligadinha para o papai.
É esse tipo de comercial, no qual circunstâncias do cotidiano são usadas para vender um produto, que é chamado de "flagrante da vida real".
São comerciais muito eficientes, porque pegam situações comuns do dia-a-dia e as envolvem em dramas simples de trinta segundos com uma mensagem: compre este produto, compre esta ideia.
Por que esse comercial funciona?
A resposta é fácil: porque nós nos identificamos com ele.
Quantos de nós já nos sentamos para esperar pela ligação telefónica de uma pessoa especial?
Quantos de nós sonhamos com o casamento perfeito, em que o marido chega em casa do trabalho e é recebido por uma esposa linda, feliz e sorridente?
Se a vida fosse assim tão simples!
Se nossas vidas fossem um comercial de TV, em que tudo estivesse perfeitamente embalado, explicado e resolvido em apenas trinta segundos!
Não estou dizendo que nossas vidas são tão medíocres e idiotas quanto nos comerciais de televisão, mas, por outro lado, a vida não é tão complicada quanto às vezes fazemos com que ela seja.
Talvez, se víssemos nossas vidas em simples quadros de trinta segundos, pudéssemos ser capazes de ver além das barreiras que colocamos à nossa volta.
Se conseguíssemos nos separar de nós mesmos, deixando de lado o ego, a vaidade e a fantasia, seríamos capazes de ver a vida como ela realmente é.
Se víssemos nossas vidas como a continuação de um passado, entenderíamos a vida que vivemos hoje.
E, se pudéssemos ver a vida de hoje como um alicerce para o futuro, imagine quanto nosso comportamento iria mudar.
Se pudéssemos ver nós mesmos e os outros pelo que realmente somos, espíritos criados pelo mesmo Deus e pelas mesmas razões - para aprender, crescer e amadurecer -, não haveria razão para inveja, ódio ou medo.
Se pudéssemos fazer tudo isso, aprenderíamos e cresceríamos com os "flagrantes da vida real" em que nos encontramos.
Esses são enormes "Ses".
E possível? Estes "Ses" podem estar ao nosso alcance?
A vida é tão simples quanto é complexa.
Na realidade, a vida e uma série de "flagrantes" pelos quais passamos, descobrindo a nos mesmos.
Nossa vida é uma sequência de mini-vidas, cada uma trazendo seu próprio significado, lição e razão.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 12, 2016 9:24 am

Este livro, DIANTE DO ESPELHO, vai ajudar a entender e apreciar a beleza e perfeição da simplicidade da vida.
Estamos neste planeta para aprender.
Os "flagrantes" deste livro são lições desta escola chamada Terra, reflectindo as opções diárias que esta vibração coloca em nosso caminho:
amor e ódio, coragem e medo, sacrifício e orgulho.
O que você pode aprender com os "flagrantes" deste livro depende de sua perspectiva:
Se você acredita que já vivemos antes e que vamos viver novamente, você verá como tudo, de alguma forma, se encaixa em seu lugar.
Se você acredita que somos espíritos criados pelo mesmo Deus, você vai ver como todos nós estamos inter-relacionados com os outros.
Se você acredita que estamos neste planeta para aprender, vivenciar e crescer, você verá como nada acontece por acaso.
E, finalmente, se você acredita que encarnamos não apenas para progredir, mas às vezes para ajudar os outros, você verá a simplicidade e a beleza da vida.
Todas as histórias em DIANTE DO ESPELHO são verdadeiras.
São baseadas em factos que realmente aconteceram, mas datas, locais e nomes foram alterados.
Fiz isso por duas razões.
Primeiro, as pessoas têm direito à privacidade.
Esse é um direito humano básico, e eu simplesmente não tenho tempo ou recursos legais para entrar em contacto com cada indivíduo que aparece nestas histórias para pedir-lhe a permissão de usar seu nome.
Alguns nem mesmo estão nesta vibração.
A outra razão é pela fé.
Nem todo mundo acredita em vida após a morte, reencarnação ou carma.
Seria injusto explicar suas vidas por meio de meus valores.
Afinal, uma das razões pelas quais estamos aqui é para nos desenvolvermos por nossa própria razão e intelecto, e não pela de outra pessoa.
No entanto, por meio destas histórias reais e comuns, este livro espera mostrar o seguinte:
Nossas vidas não são uma série de fatos aleatórios.
Acho difícil entender como alguém, independentemente da religião ou crença filosófica, possa pensar isso.
Se, como algumas religiões ensinam, há apenas uma vida, como alguns possuem privilégios?
Porque alguns nascem ricos, enquanto outros lutam para simplesmente sobreviver?
Porque alguns vêm ao mundo com corpos e mentes belos e saudáveis, mas outros nascem tortos e deformados?
Porque alguns vivem com vantagens, enquanto outros cumprem sua jornada em desespero?
Este livro vai mostrar que nossas vidas são exactamente o que deveriam ser: escolhas, lições e aprendizado, em que o presente é moldado pelo passado, e o futuro forjado pelo presente.
Também espero trazer esperança e conforto para a vida que vivemos agora.
Esta é principal proposta deste e de todos os meus livros.
Quem sabe? Talvez depois de ler esta obra, alguns dos enormes "Ses" podem se tornar possíveis.
A primeira história é curta.
Ela trata de um flagrante de minha própria vida, do qual jamais me esquecerei até o dia em que deixar a Terra.
Como sempre, tem a ver com meu irmão Joe.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 12, 2016 9:24 am

1 - Uma lição para mim: um flagrante de minha vida

As mães são especiais.
Elas se lembram de coisas que nós esquecemos há muito tempo.
O que às vezes parece insignificante ou trivial para nós permanece em seus corações e mentes muito tempo depois que foi esquecido por nós.
Minha mãe não é diferente.
Estava falando com ela sobre meus livros, e meu irmão Joe surgiu na conversa.
- Sabe de uma coisa? - disse ela inesperadamente.
Acho que a morte dele teve alguma coisa a ver com você.
Pensei que tinha ouvido errado.
Afinal, moramos em dois continentes diferentes:
ela em Jessup, Pensilvânia, nos Estados Unidos, e eu em São Paulo, Brasil.
A única resposta que me veio à mente foi:
- Hã...
Pude ouvir minha mãe rindo, e ela disse que ia explicar.
Enquanto escrevo este livro, minha mãe está com setenta e cinco anos de idade, em perfeita saúde mental e física.
Mas ela tem a tendência de divagar e repetir a mesma história várias vezes.
(Ela tem sido assim desde que a conheço, então não é a idade, é simples-
mente como ela é.)
Então, quando ela disse "Eu vou explicar", eu me preparei para mais uma de suas histórias que não acabam nunca e que eu provavelmente já tinha ouvido dez ou vinte vezes.
- Quando seu irmão nasceu - ela começou -, eu costumava cantar para ele, como fiz para todos vocês.
"Aqui vamos nós", pensei.
"Começamos em 1958.
Esta vai ser uma das longas."
Eu me preparei para uma conta de ligação internacional das mais altas.
Mas, como todo mundo sabe, não dá para desligar quando sua mãe está falando.
- Havia uma canção chamada Happiness is Just a ThingCalled Joe (em tradução aproximada, "A felicidade é só uma coisa chamada Joe").
Toda vez que eu a cantava, Joe chorava.
Ele tinha apenas seis semanas de idade, e, quando eu cantava aquela canção, ele fazia biquinho e começava a chorar.
- Vai ver, você cantava mal - provoquei.
Mas eu estava intrigado.
Até que enfim, ela me contava uma história que eu nunca tinha ouvido antes.
- Cale a boca e escute!
Você já vai entender - ralhou minha mãe, e continuou:
- Eu até chamei Jenny Bellino para mostrar para ela.
Jenny Bellino era nossa vizinha em Frankfurt, Nova York, onde morávamos quando Joe nasceu.
Minha mãe começou então a descrever, com os detalhes mais meticulosos, como segurava o bebé em seus braços, gentilmente embalando-o para trás e para a frente enquanto cantava todo o seu repertório de músicas.
Com sua amiga Jenny assistindo, elas viam a criança rindo e sorrindo enquanto ouvia a voz de sua mãe.
- Aí, eu cantava Happiness is Just a Thing Called Joe.
Ela recordou como o bebé contorcia o rosto, encolhia-se em seus braços e começava a berrar.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 12, 2016 9:25 am

Jenny ficava impressionada e nenhuma das duas conseguia entender por que aquilo acontecia.
- E o que isso tem a ver comigo? - pressionei.
Olhei para o relógio: mais de quinze minutos desde o início da ligação, e ainda estamos em 1958.
Essa conta ia ficar cara.
- Não se lembra do que a Sra. Tice disse? - perguntou, com severidade.
Margaret Tice era uma médium de Syracuse, Nova York, por meio da qual meu irmão se comunicou connosco alguns meses depois que morreu.
Bem, pelo menos estamos em 1971.
"Progresso!", pensei.
- Mãe, a Sra. Tice disse uma porção de coisas - respondi, mas ela já tinha aguçado minha curiosidade.
- Foi naquela última vez que estive lá - declarou, referindo-se à semana anterior à que a família se mudou de Syracuse para a Pensilvânia.
Fiquei em Syracuse por mais três anos, para terminar a faculdade.
- Lembra como a Sra. Tice disse que finalmente tinha entendido tudo? -provocou.
Eu me lembrei.
Mas, naquele momento, minha memória voltou para nossa primeira visita à Igreja Espiritualista de Syracuse.
Era uma fria tarde de quarta-feira no inverno rigoroso de janeiro de 1971, cerca de três meses depois que Joe morrera atropelado.
A memória daquela noite ainda está viva em minha mente.
Uma das muitas coisas que Joe expressou através da médium era que sua morte tinha que ter acontecido.
- Ele insiste em me pedir - dizia a médium - que lhe diga que sua morte tinha que ter acontecido e nada nesta Terra poderia mudar isso.
Ele quer ter certeza de que você entendeu.
Minha mãe e eu pensamos que ele estivesse falando sobre destino.
Nas semanas e meses seguintes, visitamos a igreja com frequência.
E, sempre que íamos, Joe falava connosco por meio da Sra. Tice.
Ela nos disse que ele faria com que sentíssemos sua presença em nossa casa, para que minha mãe soubesse que seu espírito, assim como o de todos, perdura depois da morte.
E ele fez mesmo.
Certa vez, ele estragou uma carta que minha mãe estava escrevendo para um amigo dela sobre a morte e o funeral de Joe.
A Sra. Tice explicou que ele fez aquilo para mostrar à minha mãe que ela devia abandonar seu sofrimento, porque ela estava "presa a ele de uma maneira negativa".
A médium disse para minha mãe:
- Ele tem uma vida pela frente, apesar de essa vida ser no lado espiritual.
Mas, quando você pensa nele com tristeza, você o prende a você.
Toda quarta-feira à noite, por um ano inteiro, minha mãe e eu fomos à igreja.
Meu irmão sempre esteve lá.
Mas havia uma coisa que a Sra. Tice nunca nos contou.
Ela nunca disse que estava confusa.
Até aquela noite em que minha mãe foi à igreja pela última vez.
Agora, mais de trinta anos depois, numa ligação intercontinental, minha mãe se lembrava.
- Tudo faz sentido agora.
Jamais entendi como o espírito de uma pessoa recém-falecida podia se comunicar com tanta rapidez, força e clareza.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 12, 2016 9:25 am

Eu também comecei a me lembrar do que a médium explicou naquela noite.
- Até agora - continuou a Sra. Tice - eu não o tinha visto; eu apenas o ouvia e sentia.
Sua presença sempre foi forte e vibrante.
Mas agora - disse, movendo o olhar sobre meu ombro direito - consigo enxergá-lo.
Eu me lembro de olhar sobre meu ombro tentando enxergar qualquer vestígio de Joe.
Não vi nada. Mas ouvi a voz da médium descrevê-lo.
- Ele está vestido com um roupão vermelho, como um monge budista.
Suas vestes têm enfeites brancos de cima a baixo.
Ele é um espírito do mais alto grau, bem próximo ao Criador.
Ele não tinha que voltar.
Ele foi voluntário para uma missão, para viver por doze anos nesta Terra e então retornar ao espírito.
Não sei qual é essa missão, mas isso vai ser revelado algum dia.
- Acho que sei qual era a missão - declarou minha mãe ao telefone, a meio mundo de distância e trinta anos depois.
Senti arrepios correndo pelos braços.
Eu tinha uma ideia.
Mas decidi deixá-la terminar.
- Eu estava pensando nisso outro dia - disse ela.
Sobre como ele costumava chorar com Happiness is just a Thing Called Joe.
Acho que ele sabia que não ia me trazer felicidade.
Acho que ele sabia - disse, num suspiro - que ele ia me levar às lagrimas.
Ela fez uma pausa de um segundo ou dois.
Pensei que ela ia chorar.
Porém ela se recompôs e disse:
- Mas ele traz felicidade para outros, com os livros que você escreve.
Ele morreu - disse, quase num sussurro - para instigar você a fazer o que você faz.
Essa era a missão dele, a que a Sra. Tice mencionou.
Graças a seus livros, as pessoas sabem que há uma vida depois desta.
A morte de Joe, seus contactos por meio da Sra. Tice e o fenómeno pelo qual ele foi responsável (escrever na parede de nossa casa em Syracuse) levaram-me a procurar uma explicação para o inexplicado.
Aquela curiosidade tornou-se uma obsessão.
A obsessão tornou-se uma missão, e hoje estou convencido de que ele me trouxe até onde estou.
No entanto, minha mãe está apenas parcialmente certa.
Ele trouxe, sim, felicidade por meio de meus livros.
Ele ajuda aqueles que sofreram uma perda a encontrar segurança, conforto e esperança.
Mas não é só isso.
Acho que meu irmão me ajuda a escrever para que possamos dar sentido à vida que vivemos agora, aqui na Terra.
Eu me lembro de uma noite, na pequena igreja de Syracuse, em que a Sra. Tice repreendeu uma mulher para que não voltasse lá.
- Você vem aqui perguntar aos espíritos como viver sua vida.
Isso é errado.
Você deve viver sua vida aqui e agora, e não por meio dos que estão do lado espiritual.
Você pode pedir orientação, conforto e conselhos, mas não podemos viver nossas vidas através deles.
Estamos aqui para aprender e evoluir, e ninguém pode fazer isso por nós.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 12, 2016 9:25 am

Temos que fazer isso por nossa própria conta.
A Sra. Tice estava absolutamente certa.
Nosso progresso e nossa evolução dependem de nós, exclusivamente de nós.
Mas há ajuda e orientação ao longo do caminho.
Nunca estamos sozinhos.
Meu irmão me ajuda a escrever não apenas para dar esperança sobre a continuação da vida, mas também para dar conforto e segurança sobre a vida que vivemos agora.
- Sua morte tinha que acontecer...
Sua morte tinha que acontecer.
As palavras da médium continuam, depois de todos estes anos, ecoando em minha mente.
Nas páginas seguintes, você vai ler as palavras de Joe, e espero que suas palavras ecoem em seus ouvidos também.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 12, 2016 9:25 am

2 - Cinco dias depois da passagem do professor

Todos nós atravessamos de forma diferente a linha invisível entre a vida na Terra e a vida espiritual.
Alguns são recebidos por parentes falecidos:
mães, pais, irmãs, amantes.
Às vezes, até mesmo animais de estimação nos encontram para ajudar a fazer com que a transição da vida terrestre para a vida espiritual seja mais fácil.
Outros vêem luzes piscando e flutuam dentro de um longo túnel, onde um guia os aguarda.
E, ainda, outros vivem qualquer ilusão que suas crenças criaram: alguns passeiam com Jesus, enquanto outros jantam com Alá; alguns escalam a montanha com Moisés, enquanto outros meditam com Buda.
Cada passagem é especial, porque cada espírito traz suas próprias expectativas e cada um de nós teve vidas diferentes.
Uma vez que cada passagem da Terra para o espírito pode ser diferente, o tipo da passagem pode dizer muito sobre o espírito.
Para aqueles que estão apegados ao plano terrestre, pode haver confusão e até mesmo medo, ou esse apego pode fazer o espírito querer retornar o mais rapidamente possível.
Para espíritos que se envolveram com o mal, pode haver escuridão e desespero, porque a vida no lado astral é simplesmente a continuação da forma como levamos nossa vida na Terra.
Nenhum de nós vira santo do dia para a noite; nenhum de nós se torna mais inteligente.
Se tudo der certo, porém, veremos nossas vidas de uma perspectiva diferente.
Quando o garotinho morreu, sua passagem não foi em nada diferente; em outras palavras, foi especial.
Na verdade, sua passagem foi tão especial que poderia ser chamada de esquisita.
Não havia parentes, amigos ou animais de estimação esperando por ele.
Ele não seguiu uma luz forte e envolvente no final de um longo túnel escuro.
Ele simplesmente acordou, sem saber que estivera dormindo, num lindo vale verde em meio a montanhas altas e arborizadas.
Ele se viu deitado num gramado fofo, mas não conseguia se lembrar de como chegara ali.
O menino olhou ao redor.
Não conseguir ver mais ninguém, mas seu instinto dizia que ele não estava sozinho.
- Onde estou? - perguntou em voz alta.
Que lugar é este?
Como cheguei aqui?
Não houve respostas.
O garoto deveria estar com medo, afinal ele tinha apenas doze anos e estava sozinho num lugar estranho mas de certa forma familiar.
Mas ele não estava com medo.
Alguma coisa lá no fundo dava-lhe conforto e segurança, dizendo-lhe que tudo estava exactamente como deveria estar.
O garoto notou um pequeno riacho que cruzava o vale.
Suspirou e caminhou sobre seus bancos de areia e avistou, reflectida nas águas translúcidas, a face de um menino com cabelos pretos curtos e olhos castanho-escuros.
A imagem despertou uma lembrança.
Ele ouviu uma voz provocante, chamando-o de "Olhos de Chocolate".
A voz era de seu irmão mais velho.
Outras lembranças surgiram:
uma mãe, um pai, uma irmã e outro irmão.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 12, 2016 9:26 am

Uma estranha melancolia o envolveu.
Eles não estavam ali.
Eles estavam em algum outro lugar.
Ele os havia deixado para trás.
- Onde estou? - perguntou de novo.
Novamente, nenhuma resposta.
O menino notou como o verde da grama e das árvores era mais intenso do que o verde que estava em sua memória e o azul do céu era mais profundo, infinito e delicado do que o céu que ele costumava ver.
- Onde estou? - quis saber.
Ele sabia, mas não sabia.
- Como cheguei aqui? - falou em voz alta.
Ele sabia, mas não sabia.
O menino sabia que, momentos atrás, estivera em algum outro lugar, fazendo alguma outra coisa.
Mas ele não conseguia localizar esse outro lugar e não conseguia lembrar-se dessa outra coisa.
Ele não podia ver além do véu, da cortina que embaça a visão de todos os espíritos quando desencarnam da Terra.
Retirar esse véu pode ser fácil e rápido, ou pode ser demorado e doloroso.
Mais uma vez, não há regras.
Tudo depende do espírito.
Somos todos diferentes.
Um velho apareceu ao lado do menino.
O garoto não sabia de onde tinha vindo o velho, mas ao mesmo tempo sabia que o homem magro e careca não era um estranho.
Eles se conheciam de algum outro lugar, numa época diferente.
Mas o véu ainda estava em seu caminho, embaçando-lhe a visão e, pelo menos por enquanto, aquele outro lugar e tempo, como outros lugares e tempos, permanecia desconhecido.
"Eu mato essas charadas depois", disse a si mesmo, sorrindo e acenando ao homem baixinho, magro e careca.
O sorriso e o aceno foram correspondidos quando o velho apontou para um boné de beisebol, uma luva e uma bola aos pés do garoto.
Os "olhos de chocolate" se arregalaram:
ele tinha certeza de que aquilo não estava ali antes.
_Vista-os - encorajou o homem com um sorriso.
Olhos de Chocolate vestiu a luva de couro na mão esquerda e arrumou o boné sobre os cabelos pretos e curtos.
O boné trazia, na frente, as letras brancas NY, do time de beisebol New York Yankees.
A bola não é nova. Está gasta e suja, mas é gostosa de pegar.
Ele joga a bola na luva e o barulho de couro batendo contra couro é familiar e confortável.
O garoto arremessa a bola cada vez mais alto no ar, sempre apanhando-a com a luva antes que ela chegue ao chão.
A medida que o homem vai assistindo à cena, um sorriso malicioso cresce em seus lábios.
Ele aponta o dedo ossudo para a alta montanha à direita do garoto.
Instintivamente, o menino sabia o que o velho queria.
Não fazia sentido, mas, com toda a sua força, ele atirou a bola na direcção da montanha.
A pequena bola dura, branca e desbotada atravessou o ar em curva, caindo entre as árvores da encosta da montanha.


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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 12, 2016 9:26 am

O homem e o garoto ouviram-na agitar-se entre as folhas e desaparecer.
- Agora vou ter que procurar a bola - reclamou o menino.
O homem sacudiu a cabeça, riu e apontou para o ar.
Lá estava a bola, vagarosamente fazendo seu trajecto de volta.
- Isso é estranho - disse o garoto em voz alta enquanto apanhava a bola e jogava-a de volta à montanha.
Novamente a bola afundou-se entre os finos troncos, caiu entre as folhas e, em um segundo ou dois, voava de volta.
- Estou rebatendo bola com uma montanha - brincou Olhos de Chocolate, esquecendo-se das inúmeras perguntas e contradições que o envolviam.
Joga a bola. Apanha a bola.
Joga a bola. Apanha a bola.
O garoto deixou-se levar por aquele estranho e misterioso jogo.
O velho se fora.
O menino não fazia ideia do lugar para onde ele tinha ido.
Joga a bola. Apanha a bola.
Joga a bola. Apanha a bola.
A bola de beisebol sempre era devolvida pela montanha, abrindo caminho pelo ar para ser apanhada pela luva de couro do menino.
Joga a bola. Apanha a bola.
Joga a bola. Apanha a bola.
O garoto de doze anos está totalmente tomado pelo ritmo lento e constante do jogo, e isso desperta-lhe a sensação de que tudo está como deveria.
- Farei isto até estar pronto para entender o que raios estou fazendo aqui - murmurou em voz alta, para ninguém.
Joga a bola. Apanha a bola.
Joga a bola. Apanha a bola.
O movimento tranquilo e repetitivo hipnotizava-o.
Mas a magia do jogo se quebrou.
O velho estava de volta.
Só que dessa vez não estava sozinho.
Havia um rapaz de uns vinte anos caminhando acanhadamente alguns passos atrás dele.
O rapaz parecia confuso e um tanto amedrontado.
Ele é o irmão mais velho do menino, aquele que o chamava de Olhos de Chocolate.
O garoto de doze anos fica surpreso ao ver o irmão mais velho no amplo vale verde.
Ele pára o jogo.
Segurando a bola com a mão, pergunta ao irmão o que está acontecendo.
- Você não devia estar aqui - disse, sem querer e sem usar palavras.
O que está fazendo neste lugar? - insistiu, ainda segurando a bola na mão.
- Ele me trouxe - o irmão mais velho timidamente indicou com a cabeça o velho.
Ele disse:
"Vou levá-lo para ver seu irmão".
Os olhos do irmão mais velho, depois de vasculhar o vale verde, pousaram sobre o sorridente irmão menor, vestido com uma camisa xadrez, calça jeans e o boné de beisebol dos Yankees.
O rapaz de vinte anos sente-se desconfortável e tem dificuldade em formular suas próximas palavras:
? Ele queria que eu soubesse que você está bem.
Vamos enterrar você amanhã.
O sorriso rapidamente sumiu da face do menino.


Última edição por Ave sem Ninho em Sab Mar 12, 2016 9:29 am, editado 1 vez(es)
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 12, 2016 9:26 am

As palavras "Vamos enterrar você amanhã" romperam o véu.
Numa fracção de segundo, o véu desapareceu e um turbilhão de imagens despejou-se sobre ele.
As imagens tornaram-se reais.
Ele se lembrou daquela alguma coisa que ele estivera fazendo.
"Tenho doze anos e quero ganhar alguns trocados depois da escola", disse ele a si mesmo, seguindo a linha-guia de sua memória.
Ele se lembrou de outro lugar.
É a Terra, e ele está andando para cima e para baixo pelas ruas de seu bairro, entregando a edição da tarde do jornal.
Ele pára de casa em casa e anda de quarteirão em quarteirão, até que só restava uma rua para atravessar para que ele chegasse em sua casa.
E ele se recorda de tudo.
- Eu estava com pressa, estava indo encontrar os amigos.
Havia só mais uma rua para atravessar, e ele estaria em casa.
Ele vê a si mesmo correndo no meio daquela última rua.
- Eu estava com pressa.
Estava atrasado.
De onde veio aquele carro?
Ele o acertou do nada naquela última rua que faltava atravessar para que ele chegasse em casa.
Uma porção de sons:
um baque... os pneus cantando no asfalto... um grito.
Uma porção de cenas:
a grade de metal brilhante... o capo vermelho metálico... o céu cinza-chumbo... o asfalto negro e granulado...
Uma porção de lembranças:
o solavanco rápido e dolorido quando o carro avançou sobre seu corpo... o chão e o céu se movendo depressa enquanto o corpo voava pelo ar... a dor lancinante quando sua cabeça se espatifou contra a sólida rua.
- Mamãe, mamãe - o menino se lembra de ter gritado, mas ela não estava ali naquela última rua que ele precisava cruzar para que chegasse em casa.


Última edição por Ave sem Ninho em Sab Mar 12, 2016 9:30 am, editado 1 vez(es)
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 12, 2016 9:26 am

3 - Um tranco rápido.

O espírito está livre, já não é mais parte daquela criança sangrando, despedaçada sobre a rua.
O espírito atravessou sua última rua a caminho de casa, para o amplo vale verde onde ele encontrou um velho e jogou um arrastado jogo de bola com uma montanha.
O véu já não existia entre as sensações desordenadas, os sons e as lembranças do garoto, e agora ele via claramente quem ele era.
O espírito está feliz em ver seu irmão mais velho, mas sabe que ele não está ali para ficar.
Aquela não era sua hora, nem aquele o seu lugar.
- Rick, volte para casa.
Diga a eles que estou bem.
Peça-lhes que não chorem.
Estarei por perto, prometo - disse o garoto de doze anos, novamente sem usar palavras.
- Eu o trouxe aqui por uma razão.
Essa era a primeira vez que Olhos de Chocolate ouvia a voz do velho.
- Ele está dormindo.
Ele vai se lembrar dessa visita como um sonho.
O velho, que era o guia do menino, disse que o sonho "seria tão vívido e real que ele saberia que era a verdade".
- Será um sonho - o guia fez uma pausa e continuou: - que marcará sua alma.
- Vá para casa. Estou bem - insistiu o irmão mais novo. - Este não é o seu lugar.
Rick dá uma última olhada ao seu redor.
Ele também está impressionado com as cores e tons fortes do vale.
Ele não se lembra de ter visto nada assim antes.
- Aqui é o céu? - arrisca Rick humildemente.
O garoto sorri e lentamente balança a cabeça.
- Não. É apenas uma parada na estrada - responde Joe.
Rick suspira. Relutantemente, ele reconhece que é hora de ir, mas vai com uma sensação de paz e a certeza de que seu irmão Joe está vivo e em segurança.
Levado por seus mentores pessoais, Ricky sai flutuando e desliza para dentro de seu corpo terrestre adormecido.
Joe acena para o velho.
Ele finalmente se lembra do nome do guia: é Fred.
Eles estiveram juntos por muitas e muitas encarnações.
Em apenas alguns instantes, o garoto de doze anos estava transformado:
não só havia se lembrado de sua última encarnação, mas também se lembrava de todas elas.
Ele estava consciente de quem ele era e lentamente começava a recordar o significado de sua última viagem à Terra.
Fred testemunhou a transformação e balançou a cabeça, incrédulo.
- Nunca vi nada assim.
Joe lançou-lhe um olhar intrigado, esperando uma explicação.
- Foi a coisa mais extraordinária - respondeu Fred.
Percebendo que Joe não tinha a menor ideia do que ele estava falando, incitou:
- Pense no que acabou de acontecer.
Um vagaroso e conhecido sorriso se abriu na face do menino.
Cada vez mais o sorriso crescia. Ele compreendia.
- Ele retirou o véu.
Meu irmão retirou o véu - disse Joe quase num sussurro.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 12, 2016 9:31 am

O guia mantinha os olhos fixos no distante horizonte, tentando encontrar uma explicação.
- Quando um espírito faz a passagem, ele pode levar algumas semanas terrestres, meses e, às vezes, até anos para que esteja totalmente ciente não apenas de seu presente, mas também de seu passado.
O guia confessou ter certeza de que com Joe aquilo seria rápido.
Ele sabia que o menino era um espírito altamente evoluído.
- Na maioria das vezes, existe uma espécie de gatilho:
um facto, uma lembrança ou a sugestão oferecida por um guia.
As vezes, esse gatilho dispara em uma escola espiritual, um hospital ou ainda pelo próprio espírito, internamente, por meio de meditação ou contemplação.
- No entanto - reflectiu o guia - isso foi feito por um espírito encarnado, trazido até você enquanto ele dormia.
Isso é incrível!
Joe prestou atenção em cada palavra de Fred, mas, diferentemente do guia, ele não estava nem um pouco impressionado ou surpreso com aquilo.
- Você lembra por que voltei à Terra?
O guia assentiu. Ele sabia que Joe, como era conhecido em sua última vida, estava além das encarnações terrestres.
Esse espírito havia alcançado um nível de evolução em que não precisava mais vivenciar o plano terrestre.
Sua última encarnação tinha sido uma missão.
Durante doze anos, ele levaria alegria e felicidade à família com a qual nascera.
E levaria dor e tristeza a eles quando esses doze anos se acabassem.
Sua vida e sua morte precisavam acontecer para a mãe, o pai, irmã e dois irmãos.
Sua passagem mudaria o curso de suas vidas, especialmente a de Rick.
Joe soube, antes de nascer, que sua súbita e violenta morte abriria um abismo repleto de mágoa e saudade.
Tinha que ser assim.
Às vezes, no plano terrestre, a única maneira de progredir é por meio da dor.
Mas ele queria que Rick preenchesse aquele abismo com esperança, compreensão e luz.
Não podia ser de nenhuma outra forma, porque Rick estava predestinado a compartilhar aquela luz.
Mas, para compartilhar, Rick primeiro tinha que encontrar a esperança, compreensão e luz por sua própria conta.
E, como a maioria dos humanos, ele apenas procuraria isso se tivesse um abismo para preencher.
Foi por isso que, cinco dias depois de deixar a família, o menino de doze anos conhecido como Joe e seu ainda encarnado irmão Rick se encontraram no amplo vale verde.
O encontro foi importante para ambos, porque Joe compreendeu que sua missão não acabava com sua morte; estava somente começando.
Sua passagem preparou o palco, mas a peça só se desenrolaria nos próximos anos terrestres.
Pelos meses seguintes, a princípio com a ajuda de Fred, Joe falaria com Rick.
Ele plantaria as primeiras sementes de luz na escuridão do abismo.
O "sonho" de seu encontro no vale verde o confortaria e consolaria durante o funeral de Joe.
Quando Rick olhasse para o pequeno caixão branco, saberia que aquele corpo sem vida não era Joe.
Não há acaso no universo.
Não há coincidências na vida.
Os factos não são ruídos aleatórios na noite.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 13, 2016 11:28 am

Em 1964, a família mudou-se de uma pequena cidade nos Estados Unidos para São Paulo, Brasil.
Os filhos Joe, Rick, Cara e Billy tinham estudado numa escola americana católica, Maria Imaculada.
Mas, logo na primeira noite no estranha e exótica terra, Rick ouvia falar de uma mais estranha e exótica crença da secretária brasileira de seu pai.
Ela lhe mostrou um livro de um francês chamado Allan Kardec.
Os temas da obra eram reencarnação, vida após a morte e a unidade de toda a humanidade.
Nenhum acaso.
Nenhuma coincidência.
Nenhum ruído aleatório na noite.
Mas Rick não prestou atenção, afinal eles eram católicos, membros da única religião verdadeira.
Além disso, como qualquer menino de treze anos, ele tinha outras coisas na cabeça, e vida depois da morte não estava na lista dos principais interesses de um adolescente.
Mas o universo mandou um sinal.
E ele continuaria mandando, até que conseguisse atrair sua atenção.
Cinco anos depois, um amigo deu-lhe um presente.
Era um livro de Allan Kardec, o mesmo que a mulher lhe mostrou naquela primeira noite no Brasil.
Dessa vez ele leu o livro e ficou fascinado.
A obra forneceu-lhe respostas que "a única religião verdadeira" não dava.
O universo mandou outro sinal.
E começava a atrair sua atenção.
Nenhum acaso. Nenhuma coincidência.
Nenhum ruído aleatório na noite.
Enquanto ainda morava no Brasil, Rick decidiu que iria cursar a Universidade de Syracuse e que o faria assim que terminasse o segundo grau.
Quase um ano depois, o trabalho de seu pai acabou levando toda a família para... Syracuse.
De um continente para outro, de um hemisfério para outro, eles deixaram uma cidade de onze milhões de habitantes para viver numa cidade com cem mil pessoas.
Nenhum acaso. Nenhuma coincidência.
Nenhum ruído aleatório na noite.
O universo estava preparando o palco.
Foi em Syracuse que Joe morreu, atropelado por um carro na última rua que faltava para atravessar antes de chegar em casa.
Era em Syracuse que uma médium honesta e altamente sensitiva, chamada Margaret Tice, coordenava uma pequena igreja espiritualista.
E foi naquela igrejinha caindo aos pedaços, num bairro pobre da cidade, que Rick e sua mãe, guiados espiritualmente por Fred, chegaram, numa noite nevoenta de janeiro.
Um veio para ouvir sobre o irmão morto; outra, sobre o filho morto.
Mas ambos vieram porque tinham lido um livro de Kardec.
Nenhum acaso.
Nenhuma coincidência.
Nenhum ruído aleatório na noite.
A peça estava para começar.
Eles foram à igreja acreditando um pouco e confiando um pouco, mas esperando do fundo do coração poder ouvir algo que fizesse brilhar um raio de luz no abismo deixado pela morte de Joe.
A médium não conseguiu se comunicar com a mãe.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 13, 2016 11:28 am

Sua mágoa era tão profunda e suas vibrações tão carregadas de tristeza que não havia com o que a médium pudesse estabelecer uma conexão.
Os médiuns não usam apenas sua própria energia, mas também a energia daqueles que os rodeiam.
Com Rick, já era outra história.
Ele estava ansioso. Ele estava aberto.
Ele estava esperando.
Ele estava predestinado.
Mas Joe, que fizera a passagem havia apenas alguns meses, ainda não estava pronto para reduzir suas próprias vibrações para falar directamente com a médium.
Ele usou seu guia Fred, que mostrou à médium uma imagem de um garotinho atravessando uma rua, sendo atropelado por um carro, jornais voando pelo ar.
A médium contou o que tinha visto e o guia disse que o menino estava com ele.
- Diga a eles que é Joseph - instruiu o guia.
A Sra. Tice agradeceu e, do outro lado da vibração dividindo o plano espiritual e o terrestre, Joe viu o irmão e a mãe chorando de tristeza e alegria.
O garotinho e seu guia haviam completado a primeira etapa.
Ao fornecerem o nome de Joe e as circunstâncias da morte, eles tinham mostrado a Rick e sua mãe que era realmente ele quem se comunicava com os dois.
Agora, a segunda etapa.
Por meio de Fred, Joe deu instruções à médium para repetir exactamente essas palavras:
- Minha morte tinha que acontecer.
Rick, sua mãe e até mesmo a médium pensaram que a mensagem era sobre destino:
o menino deveria morrer naquele dia, naquela hora e lugar, e nada neste mundo poderia mudar isso.
De certa forma, eles estavam certos.
No entanto, havia outra mensagem por trás daquelas palavras.
Uma mensagem que, no entanto, só seria compreendida anos depois.
Fred avisou a médium que o contacto seria encerrado.
- Por esta noite, chega - disse ele.
Joe concluiu o que tinha se proposto a fazer.
Ele queria que sua família soubesse que ele havia sobrevivido.
Agora ele queria que seu irmão entendesse o que isso significava.
Joe sabia que isso ia levar algum tempo, porque seu irmão, encarnado na vibração terrestre, ainda estava coberto pelo véu.
Na semana seguinte, Rick e sua mãe voltaram à pequena igreja na Avenida Oakwood, em Syracuse.
Dessa vez foi mais fácil.
A médium havia se sintonizado com Joe, e ele começava a controlar suas vibrações.
- Ele disse que fará com que sua presença seja sentida, assim vocês saberão que ele, assim como nós, sobrevive à morte do corpo - relatou a Sra. Tice naquela noite.
Poucos dias depois, Joe escreveria numa das paredes da casa deles:
EU AMO MINHA MÃE, EU AMO MEU PAI.
NÂO FIQUEM TRISTES E NÃO CHOREM POR MIM.
JOE.

Foi isso.
Sua mãe estava convencida.
Seu pai, que estava céptico e começava a achar que a esposa vinha enlouquecendo, se convencera.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 13, 2016 11:28 am

Sua irmã estava convencida, assim como seu outro irmão, Billy.
Mas Rick estava mais do que convencido; ele estava intrigado.
Ele começou a ler todo livro sobre o assunto na biblioteca da Universidade de Syracuse.
Ele falou com religiosos fundamentalistas, rabinos judeus e cristãos renascidos, que pregavam contra a mediunidade e a comunicação com os chamados mortos.
Um pastor evangélico disse-lhe que isso era coisa do demónio.
Rick se contrapôs ao homem, perguntando por que o demónio iria querer que ele tivesse uma nova visão sobre sua vida:
- Por que o demónio quer que eu veja além do mundo em que vivemos?
Por que ele quer que eu repense meus valores e até mesmo meus princípios morais? - perguntou ao evangélico.
- A Bíblia proíbe contactos dessa natureza - foi tudo que o religioso pôde dizer.
Mas o abismo negro de Rick começava lentamente a se encher de luz.
Rick conferiu e reconferiu suas descobertas.
Ele testou a médium, fazendo-lhe perguntas que só Joe poderia responder.
Ele passava e repassava suas dúvidas.
Nunca se deixava convencer de que algo era inquestionável.
Até que, finalmente, ele chegou a uma conclusão:
- Meu irmão Joe está vivo.
Nós todos vivemos depois da morte.
É realmente ele quem está se comunicando comigo, não algum espírito maligno, porque os resultados desses contactos não são maus.
Muito tempo atrás, em São Paulo, uma semente fora plantada na mente de Rick.
A semente, infelizmente, precisou ser regada com as lágrimas derramadas pela morte do irmão.
Não existe acaso.
Não existe coincidência.
Não existem ruídos aleatórios na noite.
Os irmãos, um encarnado e outro desencarnado, visitariam aquela igreja muitas e muitas vezes durante os três anos seguintes.
O laço entre eles se fortalecia, e Joe, assim que seu irmão estivesse pronto, iria revelar mais sobre como era a vida no mundo espiritual.
Rick mudou-se de Syracuse depois de formar-se e começou sua vida pelo mundo afora.
De certa forma, Joe também se formou.
Ele ficou apenas alguns poucos dias no amplo vale verde, uma parada intermediária onde ele pôde se reajustar à vida no plano espiritual.
Mas os dois jamais se separariam.
Joe nasceu para que Rick, movido pela morte do irmão, examinasse, questionasse e explorasse a vida após a morte.
Essa curiosidade só poderia ser motivada pelo choque e pela dor do falecimento de um ente querido.
Joe era o professor; ele viveu muitas vidas.
Ele poderia ser chamado de uma "velha alma".
E sua escola é tanto no lado astral quanto na vibração terrestre.
Rick é um de seus alunos, e um aluno confiável.
Apesar de ter sido trazido para a escola da maneira mais difícil, ele aprendeu.
Ele foi movido pela fascinação e curiosidade do contacto com os mortos para entender os mais importantes e sublimes factores que tal contacto implica.
Muitos anos depois da morte de Joe, Rick estava tomando alguns drinques com amigos, depois do trabalho.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 13, 2016 11:28 am

Vida após morte e fenómenos psíquicos viraram assunto.
Depois das habituais piadas e histórias de fantasmas, Rick contou aos amigos o que havia aprendido.
- Se um espírito é capaz de se comunicar, por um médium ou por outros meios, significa que nossa identidade sobrevive.
Alguns dos presentes riram e imitaram a música do seriado Além da Imaginação. Dida dida, dida dida...
Rick riu com eles e continuou:
- Se um espírito mantém sua identidade depois da morte, então somos a soma dos desejos, acções e ideias que temos durante nossa vida na Terra.
E completou:
- Se vivemos antes e vamos viver novamente, então estamos todos, de alguma maneira, interligados e relacionados uns com os outros.
Uma mulher no grupo não quis ouvir mais nada:
- Se tudo isso for verdade, contraria tudo aquilo em que acredito.
Joe, invisível, estava ao lado de Rick, e acabou ouvindo toda a conversa.
Ele sorriu. Seu irmão aprendera muito bem as lições.
Mas Joe reconhecia que a mulher estava certa:
uma vez que você vai além da curiosidade, do entretenimento e da novidade que envolve o contacto com espíritos, você começa a entender a profundidade e o impacto que essas crenças têm sobre sua vida.
E essa nova perspectiva pode mesmo revirar todo o seu mundo.
Joe, em sua escola, ensina uma verdade fundamental:
não há salvador nem entidade mística ou santa que possa fazer seu trabalho por você.
Ele começa um de seus cursos dizendo:
- Somos responsáveis pelos nossos actos, pensamentos e intenções.
Suas consequências são sentidas única e exclusivamente por nós mesmos.
Ninguém, na Terra ou do lado de cá, vai lavar seus "pecados".
Temos que encontrar a salvação por nossa própria conta.
Ele diz a seus alunos que a lição que ele ensina é uma só:
- Somos livres para nos libertar de nós mesmos.
Somos prisioneiros de nossos desejos, ambições, cobiça e ego.
Apenas nós podemos nos libertar.
A aula está para começar.
E você está convidado a assisti-la.
Liberte-se!
E lembre-se: não existem acasos, coincidências ou ruídos aleatórios na noite.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 13, 2016 11:29 am

4 - O professor espera

O espírito flutua alguns metros acima do piso de pinho amarelo-claro.
Ele está meditando no meio da enorme rotunda, banhado pelos raios suaves e domados da luz que irradia através do domo de cristal, no alto.
Esse espírito percorreu uma longa distância.
Ele vem de outra dimensão e, enquanto descansa sob o domo, o espírito cuidadosamente se alinha às vibrações deste plano.
O espírito é de uma vibração carmim de harmonia e unidade e, como já esteve aqui muitas e muitas vezes, está achando fácil se misturar ao verde vivo e profundo da frequência de Summerland.
Summerland é onde os espíritos da Terra começam a entender quem e o que eles são.
É o plano de existência onde os espíritos podem avançar esta primeira etapa da dificuldade que se põe em seu caminho.
Essa vibração tem escolas, onde os espíritos podem escolher entre milhares de cursos.
Também existem hospitais, onde o espírito, e não o corpo, é tratado.
As salas de reunião de Summerland estão repletas de espíritos que compartilham suas experiências e ideias, e os grandes parques verdes são tranquilos recantos onde um espírito pode meditar e sentir a brisa morna e suave de Summerland, que refresca e inspira.
Summerland é um plano com um propósito: evolução espiritual.
Todo espírito nesta vibração está pronto e ansioso por explorar os muitos caminhos que Summerland oferece.
Aquele espírito estava ali para ensinar.
Flutuando sob os raios do domo de cristal, ele pensa na missão que tem pela frente.
Apesar de ter estado ali antes, cada classe é diferente e cada missão é única.
Em breve, outros espíritos estariam tomando seus lugares na sala de aula e o professor torce para que consiga ajudar a todos.
Ele sabe que a aula não vai ser fácil.
O espírito sabe que nem tudo que ele vai ensinar será compreendido ou mesmo aceito.
Neste exacto instante, ele está escolhendo a imagem em que vai se projectar.
Ele sabe que os alunos não podem vê-lo em sua forma verdadeira.
Suas vibrações são muito rápidas e altas para a capacidade de compreensão deles.
"Eu ficaria invisível", pensou.
O espírito lembrou-se da noite em que apareceu para uma médium na esfera terrestre.
"Ela me viu como eu era em minha última encarnação.
Eu disse a ela que havia nascido numa missão e minha morte era parte da missão."
A lembrança transformou-se numa ideia.
E a ideia transformou-se em realidade.
Uma onda de luz pulsou através da aura dourada do espírito.
"Por que não?"
O espírito decidiu e começou a imaginar as formas de um garoto de doze anos de idade.
"As missões têm muito em comum."
As lembranças de sua última encarnação na Terra encheram o espírito com um brilho vivo.
"Eu não tinha que voltar; eu fui voluntário.
Alguém precisava de um impulso."
O espírito sorriu pensando no espírito que recebeu o "impulso" e as semelhanças entre aquela encarnação e sua nova missão.
"São iguais, excepto que agora eu dou um impulso a grupos para que achem o caminho.
E às vezes esse impulso", ele fez uma pausa recordando sua última vida na Terra, "pode ser doloroso."
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 13, 2016 11:29 am

O espírito sentiu a forma de um menino de doze anos de idade se materializando à sua volta.
"É como ganhar um novo uniforme escolar."
O espírito, agora chamado Joe, riu, enquanto um garoto magro e baixinho, com uma face angulosa coberta com cabelos pretos lisos, se tornava parte dele.
Ele sorriu e sacudiu a cabeça.
O espírito viu que, como sempre, eram os olhos que chamavam a atenção:
castanho-escuros e profundos, atrás de cílios longos e finos.
"Olhos de uma alma velha."
A lembrança veio como um solavanco.
Era a de uma senhora da esfera terrestre.
Ela era uma completa estranha, mas parou-o numa esquina, para dizer-lhe que ele tinha olhos de uma alma velha.
Ele só tinha oito anos de idade e, para ser sincero, a mulher o assustou.
Agora ele sabia.
- Acho que estou pronto para a aula - declarou ele, e pensou sobre as diferenças entre aquela escola e as que ele frequentou, quando criança, na Terra.
Joe sabia que ali, naquela escola, ele seria mesmo um professor, não um juiz.
"Como alguém pode julgar?", reflectiu.
"Nós todos vivemos anteriormente, todos fizemos nossas escolhas, tomamos decisões.
Nenhum de nós foi feito mais inteligente ou mais talentoso do que os outros."
Ele não elaboraria provas de avaliação, porque as provas vêm da vida.
"Cada vida é única, cada vida tem um significado especial.
Talvez eu possa ajudar meus alunos a descobrir o 'por que' por trás de suas vidas."
Não haveria lições para estudar, porque as lições são encontradas nas diferentes vidas que o espírito leva.
"Carma é o grande professor, não eu.
O universo usa o carma que criamos para nos trazer para casa."
Não há álgebra, história ou geometria para aprender, porque os alunos nesta escola apenas aprendem sobre si mesmos.
"E, às vezes, essa é a matéria mais difícil de aprender."
Não há nada para se decorar, porque a única coisa que o professor quer de seus alunos é que eles se lembrem.
"Quanto mais rápido os espíritos se lembrarem do que eles realmente são, mais fácil sua jornada se tornará."
"Vibrações..." Joe repetia a palavra para si mesmo, várias vezes.
"Tenho de ensiná-los sobre vibrações. Esta é a chave.
Se eu os ajudar a abandonar seus medos, egos e vaidades, suas vibrações aumentarão.
E, quando as vibrações aumentam, os véus caem, facilitando que eles vejam o que realmente são."
Joe pensou naqueles véus, que não apenas são bloqueios à visão do espírito para suas vidas passadas, mas também são as mentiras que contamos a nós mesmos em nossa viagem através da eternidade.
Todo espírito tem suas mentiras.
Elas são as desculpas que usamos para justificar nossos pensamentos e acções, e as mentiras têm um modo furtivo de se tornarem verdades.
Mas, quando os véus desaparecem, as mentiras ficam expostas e murcham no vazio.
O professor termina de alinhar-se com aquela vibração, sentindo a paz que a etapa chamada Summerland lhe oferece.
O professor tacteia na vibração da esfera a que ele pertence.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 13, 2016 11:29 am

É o chamado sexto degrau.
Ele sente a ausência de interesses próprios e deixa-se levar pela vibração.
Ele sabe que essa ausência está muito além da compreensão de seus alunos.
Esse espírito passou por muitos nascimentos e renascimentos, apenas para compreender sua sublime grandeza.
Ele não se limitou a esvaziar-se do orgulho, ego, revolta e ódio.
Essa é a parte fácil.
Quando um espírito aprende com essas emoções, ele já não precisa delas.
Finalmente, depois de compreender o significado do vazio, Joe ainda precisou de muitos anos terrestres de estudo e trabalho para atingir o nada.
Ele se lembrou das palavras de seu próprio professor, o espírito que lhe deu seu primeiro impulso na estrada.
- Fomos feitos para nos reunir ao Criador.
Mas, para chegar lá, temos que nos esvaziar.
Durante nossos ciclos de nascimentos e renascimentos, quando lidamos com emoções, orgulho e ego, escolhemos identidades. Usamos essas identidades para aprender.
Mas chega uma hora em que não precisamos mais dessas personalidades.
Um espírito tem que se esvaziar de si mesmo, porque só assim ele pode começar a se lembrar do que ele realmente é: uma parte de um todo.
Com essas palavras flutuando ao seu redor, o professor jura a si mesmo que vai dar tudo de si.
"Sei que não vai ser um passeio no parque", admite.
"Mas, se posso lhes dar um pequeno impulso ou mesmo um pequeno toque no caminho para o vazio, estarei feliz."
A escada da vida materializa-se em sua mente.
"Mostrarei a eles a escada.
Vai ajudar a indicar o caminho."
Ele agora pensava em seus alunos.
Seriam apenas quatro, mas cada um traria consigo muitas e muitas vidas.
"Logo", disse o professor a si mesmo, "eles verão como uma vida leva à seguinte."
Joe também viu as ligações entre seus alunos.
"Eles vão ficar surpresos quando descobrirem quanto têm em comum."
O professor sabia que esse conhecimento tinha de ser revelado vagarosa e cuidadosamente e que os véus que cobriam o passado
estavam ali por uma razão.
Somente quando um espírito atinge certo nível de consciência, ele pode compreender e apreciar o carma.
"Nada antes de seu tempo", lembrou-se Joe, enquanto, uma a uma, as imagens de seus estudantes surgiam em frente a ele.
A figura de um adolescente revoltado e mal-encarado era a primeira.
- Esse espírito pensou que compreendia o carma.
Sua encarnação transformou-se num desastre para ele e para os que estavam ao seu redor.
Ele sabia que os quatro espíritos não estavam em sua classe por acaso.
Eles tinham compartilhado carma e experiência.
Quando as aulas acabassem, seus carmas e experiências se uniriam para oferecer a cada um deles novas escolhas e desafios.
O professor agora sacudia a cabeça, com uma sensação de respeito e admiração.
Novamente, o equilíbrio, a simetria e a perfeição da Criação impressionavam-no.
"É como uma roda gigante, sempre girando, mas constantemente se equilibrando e se realinhando.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 13, 2016 11:29 am

Ela nunca pára", pensou, enquanto outro aluno, com suas vidas singulares, desfilava diante de seus olhos.
Joe via uma jovem que deixou o plano terrestre coberta por uma poça de seu próprio sangue.
Ela morreu tentando satisfazer um homem que não podia ser satisfeito.
Então, depois de breve passagem pelo mundo astral, ela voltou à Terra e novamente deixou que outra pessoa tomasse decisões por ela.
E, ainda em outra encarnação, o espírito morreu numa cama de hospital, depois de confiar mais nos outros do que nela mesma.
"Se eu puder ajudá-la a ver o que ela é realmente, esse espírito pode começar a acreditar em si mesmo", reflectiu, observando como as três vidas se entrelaçavam umas com as outras.
"Não vai ser fácil, mas vou arriscar."
A seguir, veio a imagem de um espírito que não queria nada além de poder, dinheiro e posição social.
Tudo isso lhe foi negado e ele morreu, sem um tostão, sem amor e sozinho.
Em outra vida, porém, o espírito conseguiu tudo que queria: milhões de dólares, poder e status.
Mas ele deixou a Terra solitário e sem amor, mais uma vez.
O professor franziu os lábios, quando via os laços que uniam aqueles dois espíritos.
"Vai ser espectacular quando eles virem esses laços por si mesmos.
Mas eles são espíritos cujos caminhos já se cruzaram antes e, acho eu, vão se cruzar de novo."
Joe sacudiu a cabeça.
Novamente o rosto do adolescente revoltado surgiu diante dele.
"Esse é um espírito que não compreendeu o carma e não teve paciência para aprender.
Um sabe-tudo", presumiu.
O professor viu instantes de ódio e revolta misturando-se à aura do espírito.
Joe recordou o passado do adolescente:
em uma vida ele foi um torturador, em outra foi uma vítima e em sua última vida ele morreu numa explosão fulminante.
"Esse cara tem uma tonelada de carma para resolver.
O melhor que posso fazer é mostrar isso a ele. Se tudo der certo, quando seus véus se romperem, ele fará a escolha certa para ele."
Com um suspiro forte, Joe olhou para o derradeiro aluno.
"Um espírito que quis mudar o mundo, mas ao invés disso acabou morrendo cheio de medo e terror.
E agora tem medo de progredir. Está cansado e derrotado."
"Essa turminha foi feita de encomenda para mim", disse a si mesmo, sabendo que, naquele exacto momento, não por acaso nem por sorte, seus alunos começavam a achar o caminho para a classe de aula sob o domo de cristal.
"Quero que aprendam com o passado.
Então eu quero plantar uma semente que vai ajudá-los a aprender com as muitas e muitas vidas que eles ainda vão viver.
Cada um deles precisa lembrar quem é e de que é parte.
Eles precisam ver a Terra como ela é:
um degrau feito para que os espíritos aprendam, vivenciem e então possam ir em frente."
"Espíritos", o professor sabia, "se perdem no caminho e começam a ver a Terra como o fim de tudo.
Se eu puder mostrar a eles que nascemos não para sermos ricos, mas para aprendermos com a riqueza, terei ajudado a lembrar quem são.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 13, 2016 11:30 am

"Se eu puder fazer com que percebam que encarnamos não para sermos pobres, mas para aprendermos com a pobreza, eu lhes terei dado um impulso na estrada da evolução.
"Se eu os fizer ver que não nascemos para ser revoltados, para odiar ou ter inveja, mas sim para aprender com essas emoções, eles se livrarão delas, substituindo-as por amor, harmonia e paz.
"Se eu puder mostrar a eles com exactidão o que é a Terra no universo, eles vão entender que há muito, muito mais que suas próprias existências."
Novamente a escada da vida apareceu diante de seus olhos.
Ele sorriu para si mesmo e repetiu:
"Isso vai ajudar a mostrar o caminho."
Quando terminou sua reflexão, Joe gargalhou alto.
"Se eu puder fazer tudo isso, vou ser melhor professor do que Sidney Poitier em Ao Mestre com Carinho."
O professor sabia que ainda haveria um quinto aluno e que este seria diferente.
Ele não se sentaria com os outros quatro, na sala de aula; ele assistiria à aula na plateia, porque esse aluno ainda estava encarnado na Terra.
- Ele está aqui para aprender e levar com ele o que ele vê.
O professor sentiu um leve tremor quando uma tribuna redonda e branca se levantou no meio do piso de pinho.
"O palco da vida."
Ele sorriu, sabendo que a hora estava chegando.
"O círculo dentro do círculo."
Um por um, eles chegaram, cada um seguindo seu próprio feixe luminoso, cada um trazendo sua própria história.
O professor esperou embaixo do grande domo que banhava a enorme cúpula com serenos raios dourados.
As aulas iriam começar.
Ele estava pronto.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 13, 2016 11:30 am

5 - Seu primeiro dia na escola

Você está voando...
Flutuando sobre uma pradaria de verde infinito, deslizando no calor de um vento suave que se agita sobre as folhas verdes e macias embaixo de você.
Você nunca se sentiu tão livre, tão leve e tão vivo.
- Bem-vindo a Summerland - sussurra em seu ouvido uma voz invisível.
Você não está com medo.
Você sabe que está sendo guiado e observado.
Você se rende àquela voz.
Você até se permite rir.
- Summerland... - diz você a si mesmo.
Parece nome de motel barato de Atlantic City.
- É melhor do que Atlantic City.
Aqui eles têm tudo que o plano terrestre tem, com algumas diferenças.
Olhe ao seu redor:
as cores são mais brilhantes, o céu é mais profundo, a grama é mais verde.
E os ventos, ao invés de frios e cortantes, são carícias suaves e mornas.
E a voz continua:
- Temos escolas, onde espíritos aprendem sobre a vida e sobre si mesmos.
Há hospitais, onde tratamos da alma.
Todos têm empregos, mas não trabalhamos para ganhar a vida; trabalhamos para ajudar todos os seres viventes.
Deixe-se sentir.
Não há medo, nem revolta, nem competições aqui.
Aqui é Summerland, no mundo astral, onde seu espírito é livre.
Você olha ao seu redor e, pela primeira vez, nota como a grama é mesmo mais verde, o céu azul sobre você é mais profundo e infinito e as correntes de ar que carregam você são mais suaves e leves que a mais delicada brisa na Terra.
- Esta é a primeira vibração da consciência.
É onde os espíritos começam a aprender e lembrar-se do que esqueceram.
Flutuando livremente, você confessa à voz invisível que não tem a menor ideia do que ela está falando.
- Tudo bem, não esquente!
Você está aqui para aprender, meu amigo.
Se você soubesse de tudo, não estaria aqui.
Como numa conclusão, a voz admite:
- Nenhum de nós sabe de tudo.
Quanto mais aprendemos, mais há para descobrir.
De repente, bem em frente a você, surge um clarão luminoso.
Você se eleva, querendo ver de onde vem aquela luz.
Você flutua cada vez mais alto, até outro raio atrair seus olhos.
A luz torna-se seu feixe-guia.
Seu coração bate mais forte, em expectativa, e seus sentidos estão alertas.
Você finalmente vê de onde vem a luz.
Bem em frente, uma esfera alta de cristal ergue-se em meio à grama verde e macia, brilhando e resplandecendo como um diamante redondo. Você chegou.
- Pode entrar - chama a voz, e você percebe que não a está ouvindo com os ouvidos, mas com o espírito.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

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