DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 18, 2016 10:05 am

Um forte puxão faz sua cabeça cair para trás.
Um mergulho. Rápido.
Queda livre, cada vez mais rápida. O vento golpeia seu rosto.
Urna parada barulhenta. Um tranco repentino interrompe a queda.
- O andar mais baixo de todos. O Abismo.
O mal que ferve aqui se alimenta dos pensamentos e escolhas dos espíritos que vivem neste plano - anuncia o professor.
Sem nenhum aviso, o chão literalmente desaparece.
O palco vibra e se escancara.
A classe se equilibra na beirada de um abismo negro.
O lamento de um vento forte e ensurdecedor ecoa pelas paredes da classe.
- É como o rugido de cem furacões - Joshua se lembraria mais tarde.
Uma névoa pesada e escura faz com que os alunos tenham arrepios pelo corpo.
De seu lugar na plateia, você os vê agrupados na beirada de um buraco de onde uma umidade podre emana para a sala.
O rosto do professor reflecte o brilho macabro do violeta-escuro e sua voz, carregada pelo vento ameaçador, preenche o ambiente.
- Todo espírito cria, por pensamentos e acções, sua própria vibração.
Elas podem ser pesadas e escuras ou podem ser leves e iluminadas.
Iguais atraem iguais.
Uma vibração densa atrai vibrações densas, quer seja no mundo astral, quer seja na Terra.
Outros sons competem com a voz do professor.
Eles tentam atrair a atenção dos alunos.
A princípio, nada mais são do que sussurros abafados.
Lentamente, eles crescem em força e intensidade, transformando-se numa muralha sonora sobrecarregada de uma poderosa fúria, em meio à ventania.
Lamentos de suplício e gemidos de sofrimento emergem do Abismo e penetram os sentidos dos alunos, ecoando com as enormes sombras violeta que tingem as paredes da sala.
A voz de Joe soa como uma espada iluminada cortando o desagradável som da revolta.
- Aqui é onde se pode encontrar o pior do pior:
assassinos que matam por prazer, estupradores que estupram por poder e mercadores de ódio que espalham seu veneno porque esqueceram o que é ser eterno e o que é ser divino.
Eles fizeram desse lugar seu lar, porque se sentem confortáveis uns nas vibrações dos outros.
Espíritos carregados com a escuridão formam mais escuridão, e a escuridão forma o Abismo.
Rosa Maria, com os olhos totalmente fechados, rezava em voz alta pela protecção de Jesus.
Livrai-nos do mal, Senhor - repetia sem parar.
Ironicamente, foi preciso esse espectáculo de escuridão para abalar a confiança de Joshua em seu mundo material.
Ele está agora obrigado a aceitar que há algo além de sua adoração pelo poder, dinheiro e glória.
- Espíritos diferentes têm reacções diferentes - diz o professor a você.
A beleza e harmonia das vibrações mais elevadas são muito subtis para Joshua.
O Abismo é tudo, menos subtil.
Mas o engraçado é que isso foi o que lhe despertou o desejo de aprender mais.
James, com um tremor na voz, cautelosamente faz uma pergunta.
E está com medo da resposta.
- Esses espíritos encarnam na Terra?
Joe assente, lembrando que a Terra nada mais é do que uma escola aberta a todas as vibrações.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 18, 2016 10:06 am

- E esses espíritos ainda podem, daqui, influenciar vidas na Terra.
Assan está aterrorizado com o pesadelo vivo ao seu redor, mas o rapaz reúne coragem para esticar o pescoço e espiar dentro do Abismo.
Depois de uma rápida olhada, o adolescente cai de volta em sua cadeira, enojado.
- São como vermes luminosos - diz, quase sem fôlego.
Eu os vi, serpenteando e deslizando em meio a uma lama negra e grossa.
Eles estavam uns sobre os outros, como se estivessem se alimentando de si mesmos.
A lamentação transforma-se em canto.
A horda de vozes intensifica-se, cada voz sobrepondo-se à outra, até que um balbucio de linguagem se ouve.
Milhares de dialectos diferentes preenchem o ar com uma mensagem constante carregada pelas vibrações do ódio, desespero, intolerância e vingança.
- Nós mandamos, nós ordenamos, nós dominamos.
Nossa vontade é mais forte, nosso poder é maior.
Elas chamam Assan:
- Você sabe que estamos certos. Junte-se a nós.
Sinta o poder em sua alma outra vez.
Elas começam a provocar Joshua:
- Tudo que quiser...
Tudo que você sempre sonhou está aqui.
Elas falam de modo sedutor a James:
- Você nunca mais terá medo.
O poder está aqui.
E tentam Rosa Maria:
- Seu Jesus é uma farsa, seu Deus abandonou você.
Venha a nós, mulher, e comece a viver.
As vozes também roncam em seus ouvidos.
- Seu professor mente.
Não há nada além de nós. Somos fortes.
Estamos aqui desde o início dos tempos, derrotando os fracos e os tolos.
Nada mais importa.
As vozes não chegam até o professor.
Ele silenciosamente observa a reacção de seus alunos.
Joe está satisfeito em ver que nenhum deles fraquejou, deixou-se abalar ou flertou com as vozes da tentação.
Excepto Assan. O professor viu em seu espírito uma pequena faísca de afinidade com as vibrações de revolta.
- Hora de ir - anuncia o professor, e uma onda de alívio preenche a sala.
Mas a sensação de alívio dura pouco.
O professor lembra a todos que o elevador está sobrecarregado.
Cada um deles vai ter que se livrar de algum peso extra.
- Vamos aliviar a carga, para que possamos subir - diz, apressando-os a deixar algo de si no Abismo.
- Você primeiro, Rosa.
Livre-se de alguma coisa.
Deixe aqui para sempre.
A mulher, sentindo uma dor horrível na cabeça e tremendo de frio, olha para o professor, em busca de orientação.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 18, 2016 10:06 am

Ele balança a cabeça:
- Tem que fazer isso sozinha.
A mulher não está acostumada a tomar suas próprias decisões.
Ela sempre deixou que alguém o fizesse por ela, entregando-se a uma religião que já vinha com respostas prontas, regras bem definidas e crenças simples.
Ela se demora. Ela pensa.
Pondera. E, finalmente, decide.
- Fraqueza. Eu dependo de outros.
Tenho medo de pensar ou agir por conta própria.
Joe acena a ela, solenemente.
- Deve ter sido a primeira vez que esse espírito parou para olhar para si mesmo - explica o professor a você.
Na verdade, nenhum deles vai deixar nada para trás aqui.
Apenas por meio das lições da vida é que eles podem purificar seus espíritos.
Isto é um mero exercício.
Quero que eles compreendam que, para crescer, precisam deixar algumas coisas para trás e quero que eles, por si mesmos, descubram o que deixar. Esta escola é para isso.
Ele aponta para James, que, sem nenhuma hesitação oferece seu medo.
- Ele me paralisa e me controla.
Não deixa que eu tome decisões.
O professor faz um sinal a Joshua.
O homem de negócios é directo e enérgico:
- Orgulho. É hora de desistir, antes que ele passe a me controlar totalmente.
Assan sabe que é sua vez.
Ele nem sequer espera pelo chamado do professor.
"Quanto mais rápido eu lhe disser o que jogar fora, mais rápido saímos daqui", pensa.
O adolescente oferece a revolta.
- Ela me controla e consome.
Que ela apodreça aqui, neste Abismo.
Fraqueza, revolta, medo e orgulho.
Mal sabiam eles que há muito tempo tiveram a chance de lidar com essas emoções.
Um estalo.
Um solavanco.
Ruído de cabos e engrenagens.
O elevador, com um pouco menos de carga, lentamente começa a subir, fazendo as vozes do Abismo começarem a sumir.
O chão da sala vagarosamente foi se fechando e os raios dourados suaves que vêm do domo novamente iluminam a classe.
Joe ainda parado no terceiro degrau, ostenta um sorriso orgulhoso para os alunos, agradecidos por estarem de volta ao ambiente familiar seguro.
- Até eles - disse, referindo-se aos espíritos que ficaram no Abismo - vão retornar ao todo.
Eles vêm do mesmo lugar que nó:
A porta nunca se fecha.
Não há - falando directamente a Rosa - danação eterna.
Joshua vagarosamente ergueu a mão.
- Se isso é um degrau, todos nós temos que usá-lo?
Quero dizer, se esse degrau está no caminho lá para cima - diz, apontando para o alto da escada -, todos temos que passar por ele?
O professor ficou satisfeito por ter sido Joshua quem fez a pergunta.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 18, 2016 10:06 am

Isso demonstrava que ele já não era mais o executivo entediado e desinteressado.
Enquanto os alunos esperavam pela resposta, Joe desceu da escada, voltando a seu ponto de sempre no meio do semicírculo.
- Ao passar pela vida, aprendemos sobre o ódio.
Podemos escolher entre ignorá-lo e abraçá-lo.
O mesmo se dá com o amor:
podemos aceitá-lo ou rejeitá-lo.
A escolha é nossa e apenas nossa.
Vibrações iguais atraem vibrações iguais.
Só podemos ir até onde - ele aponta para a escada - nossa vibração nos permite.
Aqueles espíritos no Abismo estão lá pelas escolhas que fizeram, mas nem todos os espíritos fazem aquelas escolhas.
Assan, que viu as vibrações densas e húmidas, imaginava como aqueles espíritos um dia sairiam de lá.
- Afinal, parece bem óbvio para mim que eles já fizeram sua escolha.
- A medida que o tempo passar, esses nossos amigos - Joe aponta para baixo - vão ficar cansados de seu ciclo interminável de revolta que leva ao ódio, de ódio que leva à vingança e de vingança que leva de volta ao ódio.
Ele lembrou a Assan o que aconteceu quando ele fez a passagem como André:
Lembra-se de como você, depois de passar um tempo na vibração de violência, quis seguir em frente?
Por um instante, o professor voltou sua atenção para Joshua, dando a ele uma piscadela de cumplicidade.
- Assim como ocorreu com André, alguns deles vão começar a desejar algo melhor.
E, quando isso acontecer, guias e mentores espirituais vão estar lá para ajudá-los a sair da lama e seguir para a luz.
Joe andou devagar até Assan e, parando exactamente em frente a ele, declarou:
- Você pode ter ajudado alguns deles, hoje.
O adolescente quis ter certeza do que estava ouvindo.
- Você quer dizer eu? - perguntou, incrédulo.
- É - riu o professor. - Quero dizer você.
Você se recusou a ouvir.
Foi tudo que fez.
As vibrações mais baixas são como sanguessugas:
precisam ser alimentadas com alguma coisa.
Você os calou e talvez, apenas talvez, alguns deles tenham entendido a mensagem.
Joe disse aos alunos que suas atitudes tinham sido exemplos de como "estamos nisso juntos, mas cada um por si".
- Vocês os calaram, bateram a porta e a trancaram na cara deles.
Vocês lhes deram uma chance de aprender.
A escolha, entretanto, é deles.
Rosa, recuperada de sua visita ao inferno, entrou na conversa e observou:
- Como fez Jesus no deserto.
Ele resistiu à tentação, subjugando o próprio Satã.
- O Mestre encarnou para mostrar, Ele mesmo, que isso pode ser feito - concordou Joe, dando a ela um sorriso.
- Hoje vocês seguiram o exemplo d'Ele.
Cada vez que o mal é rejeitado, a corrente se enfraquece.
Quando a revolta é respondida com compaixão, as vibrações mais escuras desaparecem.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 18, 2016 10:06 am

James queria saber mais.
Ele queria saber como o Abismo e os espíritos que viviam naquele mundo podiam influenciar a vida na Terra.
Um ruído calmo e suave foi ouvido na sala, seguido de solavanco que provocou certo desconforto entre os alunos.
- Não se preocupem.
Desta vez vamos para cima, não para baixo - assegurou Joe, dizendo a James que seria lá que sua pergunta seria respondida.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 19, 2016 10:41 am

16 - Uma lição de Joe: escada acima

Imediatamente após dizer à classe que iriam "para cima, não para baixo", o professor começou a subir a escada, lembrando-lhes o significado de cada degrau.
- Degrau 1: fomos criados com livre-arbítrio.
Acho que vocês já entenderam isso agora - brincou ele.
O professor sabia que estava sendo repetitivo, mas ele tinha que ter certeza de que sua mensagem estava sendo captada.
Então, rapidamente subindo para o segundo degrau, ele disse aos alunos:
- Degrau 2: a escola Terra.
Usamos nosso livre-arbítrio para escolher.
Aprendemos por meio das emoções e paixões.
Nossas escolhas criam carma e relacionamentos uns com os outros.
Parando sobre o terceiro degrau, de cor violeta, Joe relembrou a recente descida do grupo ao Abismo.
- Vocês sentiram a vibração criada pelas acções e pensamentos dos espíritos.
Mal intenso, revolta e ódio se espalharam por aqui, atraindo espíritos que nadam e chafurdam no ódio, na revolta e na inveja.
Não é um lugar muito agradável - diz, com um suspiro.
Joe sorri. Ele está feliz em ir adiante, e num pequeno salto chega ao próximo patamar.
- Degrau 4. Vamos chamá-lo de Primeiro Plano Astral.
Rosa ri abafado e sussurra para Joshua que o professor, ao subir a escada, a fez lembrar de um homem que dançava ao subir as escadas em musicais da Metro que ela adorava ver.
O executivo não se contém e gargalha ao pensar em Fred Astaire dançando pela escada em caracol.
- Talvez eu devesse estar usando fraque e cartola - diz Joe, ao escutar o gracejo.
Depois, reassumindo o tom sério, alerta:
- Subimos a um degrau nos planos astrais, mas deixem-me esclarecer uma coisa.
Ele está preocupado com a possibilidade de os alunos, como fazem todos os alunos, entenderem as palavras ao pé-da-letra.
- Não quero criar mais nenhum fundamentalista - brinca o professor com você.
- Lembram-se do que eu disse sobre vibrações?
Bom, entre o Abismo e o Degrau 4 existe um número infinito delas.
Elas não têm fronteiras organizadas, onde um agente da imigração checa seu passaporte.
Um espírito pode evoluir rápida ou lentamente. Não há regras.
Ele pode se mover lentamente entre um degrau e outro, pode pular um degrau ou pode ficar por centenas de anos terrestres em uma vibração.
Ele continua a explicação:
- No entanto, os espíritos que vivem nos vários níveis entre o Abismo e o Primeiro Plano Astral estão presos pelo orgulho e egoísmo.
Eles sofrem em sua inveja e se acomodam em seus egos.
Eles estão acorrentados a suas paixões.
São prisioneiros de si mesmos.
Um terreno árido apareceu no palco da vida.
Está vazio e sujo.
Apenas algumas plantas em pontos espalhados sobrevivem bravamente ao solo arenoso.
O céu está azul, mas, entre ele e o solo, uma neblina pesada e densa serpenteia.
Algumas casas simples e mal-acabadas, separadas por quilómetros, aparecem como pontos na paisagem deserta.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 19, 2016 10:41 am

- Depois do Abismo, este é o mais baixo nível no mundo astral.
É por isso que o chamamos de Primeiro Plano Astral.
Ê um nível solitário e escuro, também criado pelos pensamentos e vibrações dos espíritos que vivem aqui.
Uma mente escura cria vibrações escuras; uma mente brilhante cria vibrações brilhantes. Simples.
James lembra ao professor sobre sua pergunta feita no Abismo:
esses espíritos também encarnam na Terra?
E o professor lhe deu a mesma resposta:
- Sim, porque a Terra é aberta a todas as vibrações.
Só dessa forma é que ela pode ser uma escola.
Joe ensinou à classe como reconhecer esses espíritos na Terra.
- Eles vivem na hipocrisia, cobiça e trapaça.
Alguns são extremamente espertos e inteligentes.
Nunca confundam o mal com burrice.
Esses espíritos são mestres no disfarce, enfeitando a si mesmos com palavras bonitas e frases bem-feitas.
A Bíblia - disse, dirigindo-se a Rosa - os chama de falsos profetas.
Quando a religião ensina os homens a odiar, você sabe o que está por trás dessa doutrina.
Quando os tais "homens santos" pregam a violência, não importa como eles escolhem suas palavras, você sabe o que está por trás dessa pregação.
Deus não nos ensina a odiar; Deus nos convida a lembrar quem e o que somos.
Assan viu velhos homens em vestes pretas e brancas, ensinando a ele e seus jovens amigos como "apenas sua fé era santa, apenas suas almas seriam salvas".
Rosa ouviu um pregador jovem impecavelmente bem vestido gritando sobre o som de várias vozes a respeito dos "verdadeiros cristãos e as santas cruzadas para converter os condenados".
James lembrou-se de uma noite entre as árvores no Alabama, onde ele foi pendurado numa corda com "o símbolo do cristianismo branco" queimando ao fundo.
Joe perguntou se eles queriam repetir o exercício que fizeram no Abismo, quando cada um deles deixou algo para trás "para aliviar a carga".
Joshua foi o primeiro voluntário.
- Em minha última vida, só fiz o que era bom para mim.
Meu mundo girava ao redor de meus desejos, vontades e sonhos.
Joshua decidiu deixar seu egoísmo no Primeiro Plano Astral.
Assan foi o próximo.
- Já abri mão de minha revolta.
Agora, abandono o ódio, porcaria que alimenta a revolta.
Se não tenho revolta, não preciso do ódio.
- Nosso Assan está se transformando num belo filósofo - comenta o professor com você.
James respirou fundo e disse:
- Falsa humildade.
Todos, incluindo o professor, olharam para ele, esperando uma explicação.
- Eu dava uma de humilde para não ser surrado.
Estou cansado disso tudo.
Quero ser eu mesmo.
O negro olhou com profundidade para o professor e anunciou:
- Quero ser o que você disse que sou: uma parte da Criação.
O professor olha para você e sorri.
- Alguém está começando a se lembrar.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 19, 2016 10:41 am

Quando for a hora de tomar decisões, vamos ver se ele realmente se lembrou.
Rosa hesita.
Ela observa a paisagem deserta e pergunta ao professor se pode ir em frente sem ter que deixar alguma coisa para trás.
- Há mais coisas em que eu gostaria de pensar - confessa ela.
- Acho que minha vida é como aquilo - diz, apontando para a desolação à sua frente.
E quero entender por quê.
De seu lugar na escada, Joe está radiante.
Seus alunos realmente estavam progredindo.
- É hora de mostrar a vocês como os espíritos que vivem aqui - o braço de Joe fez um gesto largo indicando o espaço entre o Abismo e o Primeiro Plano Astral - influenciam a Terra.
Às vezes, eles fazem isso reencarnando com o exacto propósito de fazer o mal.
Eles são autorizados a fazer isso porque nós podemos aprender com o mal.
Mas, outras vezes, eles influenciam espíritos encarnados daqui e podem fazer isso porque, como eu disse antes, a Terra é um lugar para se fazer escolhas.
Nada mais, nada menos.
- Chegou a hora de mostrar-lhes os espelho - esclarece Joe a você.
E, também, como esses espelhos nos iludem.
Joe está satisfeito com o andamento das coisas.
Ele diz a você que apesar de ainda haver muito trabalho pela frente, já se andou um bom pedaço de chão.
- Eles estão começando a ver que somos partes da Criação e estamos unidos por ela.
Quando um espírito vê as ligações entre nós, ele começa a ver além das ilusões que nos dividem.
Quando um espírito entende que somos todos vindos do mesmo lugar e estamos destinados a retornar para lá, ele lentamente se afasta do "eu", começando a perceber que há um "nós".
Então, e só então, seu comportamento começa a mudar.
Você diz ao professor que você também começa a entender, mas admite:
- Não é tão fácil desistir do "eu", afinal é a única coisa que conheço.
O professor faz uma pausa e respira fundo.
- Não é só você.
Não é só Assan, Joshua, James ou Rosa.
Sou eu também.
Todos nós que ainda não chegamos ao último degrau.
Joe olhou para o alto, onde estava o nono degrau.
Depois de alguns momentos fitando sua cor branca intensa e brilhante, os olhos dele encontram os seus.
- Eu nunca disse que seria fácil.
Não é por meio de orações que evoluímos até aquele plano; temos que chegar lá por nossa própria conta.
Existe ajuda a cada degrau do caminho, mas, como venho dizendo estamos nisso juntos e cada um por si.
O professor, percebendo que a classe já estava descansada, encerrou a conversa particular que estava tendo com você:
- Eu os levei ao inferno e os trouxe de volta - finaliza -, e agora é hora de mostrar-lhes algumas coisas que estão no caminho.
Ele chamou a atenção da classe ao perguntar se alguém ali já havia olhado para um espelho.
O professor sabia que era uma pergunta boba, mas logo iria ficar claro que não era tão boba quanto parecia.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 19, 2016 10:41 am

- E hora de falar a eles sobre os espelhos e mostrar como eles influenciam a vida.
Os alunos já estavam acostumados às perguntas aparentemente bobas.
Eles sabiam que essa, como outras, iria trazer respostas que nem imaginavam.
Então, com uma seriedade forçada, eles fizeram que sim com a cabeça, enquanto recitavam em uma só voz:
- Sim, já olhamos num espelho.
Assan ainda acrescentou uma careta sarcástica.
Sorrindo para Assan, o professor apontou para os degraus.
Mais e mais, a escada brilhante estava assumindo um papel importante e central em suas aulas.
- Dêem uma olhada - instruiu ele.
Ela está cheia de espelhos.
Os alunos fizeram o que ele pediu, mas não conseguiam ver nenhum espelho na escada.
Eles já a conheciam de cor: cada um dos nove degraus, irradiando sua própria cor, estava brilhando ali
quase desde o início das aulas.
Havia degraus e cores, mas, definitivamente, não havia nenhum espelho.
Eles pacientemente esperaram até que o professor lhes desse uma pista, como ele sempre fazia. E, dessa vez, não foi excepção.
- Os degraus são espelhos - ele disparou.
Novamente, todos olharam para a escada.
Assan balançou a cabeça.
Ele não viu nenhum espelho.
Nem James. Nem Joshua.
Mas Rosa Maria achou que tinha visto alguma coisa no brilho emanava dos degraus.
Ela lentamente se levantou da cadeira, que caminhou hesitante até a escada e examinou-a de perto, como uma criança olhando para as peças de um enorme quebra-cabeças.
Os brilhantes tons multicoloridos dançavam em seu rosto, e, depois de ponderar sobre alguma coisa, ela fez um sinal afirmativo com a cabeça e voltou-se para o professor e para a classe.
- Espelhos são opostos - arriscou, com cautela.
Em pé, com as mãos pendendo junto ao corpo, ela ergueu as sobrancelhas, em expectativa, aguardando pela reacção do professor.
Ela silenciosamente se amaldiçoava por ter aberto a boca.
O espírito já estava cansado de se confrontar com Joe e esperava não ter iniciado mais uma batalha.
- Está dizendo que cada degrau - a mão de Joe indicou a escada - tem seu oposto?
Rosa corou, mas tinha a sensação de que estava certa e, então, enquanto fazia o percurso de volta para sua cadeira, fez que sim com a cabeça.
- Você ganhou o grande prémio - disse o professor, com entusiasmo.
Tudo naquela escada tem seu espelho:
em outras palavras, um oposto.
É assim que o universo foi planeado.
Um sorriso se abriu no rosto de Rosa.
Ela estava orgulhosa por finalmente acertar uma resposta, apesar de não ter a menor ideia do que o professor estava falando.
Mas ela estava aliviada em ver que, também, nenhum de seus colegas tinha entendido.
O professor riu e balançou a cabeça, dizendo ao grupo que eles não estavam vendo o óbvio.
- Está bem diante de seus olhos - insistiu, vagamente.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 19, 2016 10:42 am

Estamos falando sobre isso desde o primeiro dia.
Joe sabia que eles ainda não haviam entendido.
Nem mesmo Rosa, que saboreava seu sucesso recente, tinha a menor ideia.
- Escolhas... escolhas... escolhas... - repetiu o professor.
Tudo tem a ver com as escolhas.
Cada plano, ou degrau, é um reflexo do outro.
O plano terrestre, por ser uma escola, é o foco desses reflexos.
Ele chamou Assan e perguntou-lhe como uma pessoa faz escolhas.
A princípio, o adolescente fez uma careta, mas, depois alguns segundos pensando, as rugas em seu rosto deram espaço para um sorriso.
- Entendi - disse, estalando os dedos.
- Então nos conte.
- É simples.
Para fazer uma escolha, optamos: sim ou não.
Esquerda ou direita. Branco ou preto.
Nós escolhemos entre opostos.
James fez um sinal de positivo:
ele também compreendia, agora.
Joshua friamente acenou com a cabeça:
ele também captou ideia.
E Rosa Maria, olhando directo nos olhos de Assan, sinalizou concordando.
O professor sorriu.
- A classe está tinindo!
- Aqueles degraus, ou planos de existência - Joe apontou para a escada -, reflectem na Terra, porque a Terra é uma escola que ensina por escolhas.
Aprendemos vivenciando os opostos.
O professor passeou de volta até a escada e parou no primeiro degrau.
- Já notaram como o primeiro e o último degraus brilham na mesma cor: branca?
Já se perguntaram por que esses dois, nas pontas opostas da escada, são iguais?
James adiantou-se.
- Nós sabíamos que havia uma conexão.
E, encolhendo os ombros, acrescentou:
- Nós também sabíamos que, quando chegasse a hora, você nos falaria qual era a conexão.
Os outros três espíritos exprimiram sua concordância.
O professor, com o pé firmemente plantado no primeiro degrau, agitou a mão direita.
Num piscar de olhos, os degraus do meio ficaram escuros, deixando apenas o branco do primeiro e do nono degraus iluminando o palco.
- Efeitos especiais ordinários mas bem eficientes - observa Joe com uma careta, e então decide falar sobre a conexão:
- Esses degraus são seus próprios espelhos:
opostos, mas iguais.
O primeiro é o começo; Deus nos criou simples e ignorantes.
O último é a evolução:
todos os espíritos se reúnem a Deus, simples, mas não mais ignorantes.
Aprendemos com os egos que escolhemos pelo caminho e depois deixamos esses egos para trás.
Aprendemos com as personalidades que criamos, e depois deixamos essas personalidades para trás.
Somos simples novamente; livres de apegos, mas não ignorantes, porque aprendemos.
Em outras palavras, estamos vazios de nós mesmos, porque não precisamos mais de nós mesmos.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 19, 2016 10:42 am

Joe bateu palmas e riu:
- Mais efeitos especiais de segunda categoria.
Novamente, todos os degraus estavam acesos.
- Evolução lembra o modo como se anunciavam o embarque e desembarque de trens no passado - disse Joe e, imitando um maquinista, brincou:
- "De Nova York a Chicago, com todas as paradas no caminho!"
Espíritos caminham de Deus até Deus, passando pelas paradas, ou degraus, no caminho.
Os alunos começavam a compreender e agora estavam prontos para ver o próximo conjunto de espelhos.
Com um grito de "abracadabra" digno de qualquer mágico, Joe estalou os dedos.
Agora, brilham apenas o violeta profundo do Abismo e os serenos raios dourados do oitavo degrau.
- Estivemos no Abismo - o professor indica com a cabeça a luz violeta -, o nível mais baixo de todos.
Vocês viram, ouviram e sentiram as vibrações pesadas e escuras de ódio, revolta e inveja.
Assan fechou os olhos e suspirou.
A imagem das criaturas distorcidas e repugnantes alimentando-se umas das outras ainda estava viva em sua memória.
- Mas não podemos ir ao Degrau 8 - alertou Joe.
Nenhum de nós, nem mesmo eu.
Nossas vibrações não nos levam até lá.
Para simplificar, nós não nos encaixamos lá.
Joshua exprimiu com amargor o que todos estavam pensando:
- Você quer dizer que podemos visitar o inferno - disse, indicando o pulsante degrau roxo -, mas não somos bem-vindos lá? - acenando indignadamente para o oitavo degrau - Por que isso?
- Vou ter que explicar isso direito - diz Joe a você.
Não quero deixá-los desmotivados.
Um espírito pode viajar para qualquer lugar que sua vibração permita.
Por exemplo, espíritos da mais alta vibração, como Jesus Buda ou - olhando para Assan - Maomé, visitaram a Terra.
Um espírito do abismo também pode tê-la visitada.
Como já expliquei, a Terra é aberta a todas as vibrações.
Ele perguntou aos alunos se o estavam acompanhando.
Todos disseram que sim, excepto James.
Desde que o professor dissera que a Terra era o foco dos espelhos, ele permanecia com os olhos fixos no degrau sem luz chamado de Terra.
Joe viu que James tentava chegar sozinho a uma conclusão sobre alguma coisa.
O professor sabia, como explicou a você, que "todos encontramos nossas próprias respostas, da nossa própria maneira e no nosso próprio tempo".
Assim, ele decidiu deixar James descobrir sua própria inspiração e continuou falando com a classe sobre vibrações.
- Os de cima podem descer - demonstrou o professor, erguendo seu braço direito e depois deixando que flutuasse a seu lado.
- Uma vibração superior pode ir para uma inferior.
Mas - e agora a mesma mão agia como uma barreira que impedia a mão esquerda de se erguer - os de baixo não podem subir, a menos que estejam prontos.
As vibrações densas e pesadas que vocês sentiram no Abismo simplesmente não se enredam com as vibrações de outras esferas.
Rosa fez uma pergunta, mas tinha medo da resposta.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 19, 2016 10:42 am

- Quer dizer que somos todos espíritos vindos do inferno?
O professor respondeu a ela com uma risada e um rolar de olhos:
- Claro que não!
E, sem lhe dar chance de replicar, acrescentou:
- Nem mesmo Assan, o homem-bomba.
Assan não estava prestando muita atenção à disputa entre Rosa e Joe (ele e o resto da classe já estavam habituados a isso).
Sua atenção estava centrada no oitavo degrau.
- Se aquele degrau é o oposto do Abismo, ele é o céu?
- Existem muitos céus - respondeu o professor, lembrando a todos o que Jesus disse:
- Na casa de meu Pai há muitas moradas.
Jesus estava falando sobre os diferentes níveis de vibração.
Nosso destino final é o último degrau, o nono - disse, respondendo à pergunta de Assan.
- Aquele degrau significa a reunião com o Criador.
Mas vocês ficarão felizes em saber - apontando para o oitavo degrau - que ali é onde está Jesus.
Em alguns lugares chamam aquele degrau de faixa crística - mas, antes que Rosa pudesse começar com suas hosanas, ele logo acrescentou:
- Também é a faixa de Buda, de Maomé e de Moisés.
Eles são os mestres de luz para a esfera terrestre.
Por meio deles, vocês encontrarão o caminho de casa.
Por meio deles, vocês podem se lembrar de quem e do que são.
Por meio deles, os portões do céu, do Nirvana, da salvação, ou como quer que chamem, estarão abertos.
Joe afirmou que cada um daqueles mestres de luz trouxe uma mensagem para a Terra, adaptada ao tempo, povo e cultura onde encarnaram.
- Cada um começou onde o outro parou.
Esses mestres não vieram para destruir ou competir um com o outro.
Eles vieram para mostrar os muitos caminhos levando ao mesmo degrau.
Um único raio de luz dourada, sólido e puro, surgiu atrás do professor.
- Quando Jesus disse "Ninguém vai ao Pai senão por Mim", ele quis dizer que o plano em que ele estava era a etapa final.
A união com o Criador só se dá depois que nos despojamos de nossas personalidades e estamos prontos para desistir do resto de nossa individualidade para obedecer ao que disse Cristo: "Vinde a Mim".
O professor olhou para Rosa e confessou que, por vezes, pareceu que ele a estava provocando.
- Mas, acredite, eu não estava.
Estava tentando ajudá-la a entender que não são nem a fé nem as palavras que vão levá-la até Jesus:
são suas acções e escolhas.
Rosa deu-lhe um raro sorriso, admitindo que estava começando a compreender.
Uma forte luz brilhou atrás de Joe, e a classe viu o feixe dourado se dividir, formando dois feixes igualmente dourados e brilhantes.
- Quando Moisés carregou as tábuas de pedra com os Mandamentos, o Senhor ensinou ao povo como subir os degrau "Não mentir, não enganar, não roubar nem matar."
Quando esses mandamentos se tornam parte do espírito da mesma forma a respiração é parte do corpo físico, estamos no caminho de nossa reunião com Deus.
Mais uma explosão luminosa, e outro feixe dourado toma seu lugar ao lado dos outros dois.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 19, 2016 10:42 am

O profeta Maomé ensinou:
"Se você não é capaz de ajuda seu irmão, não lhe faça mal; e, se não puder dar a ele, não tire dele".
Em outras palavras, ele falou de uma regra que é repetida em todas as mensagens por milénios e que vem da faixa crística:
"Ama o teu próximo como a ti mesmo".
O professor olha para Assan.
- Nem Jesus nem Maomé nos disse para explodirmos a nós mesmos e aos outros.
Nem Jesus nem Maomé ordenou que matássemos em seus nomes.
São seus opostos que o disseram.
Os três raios de luz dourada agora se transformaram em quatro, separados mas iguais, todos brilhando com a mesma luz.
- Buda ensinou que o caminho para o Nirvana é através do despojamento.
Precisamos nos aliviar de nós mesmos na bagagem que trazemos durante nossa jornada espiritual, de simples e ignorantes para simples novamente.
Uma voz tranquila e pensativa interrompeu o discurso do professor.
- É por isso que é desse jeito.
A voz pertencia a James.
Rosa irritou-se com a intervenção. Juntou os lábios e deixou escapar um chiado repreensivo.
No lado esquerdo, Joshua também estava incomodado.
O executivo balançou a cabeça e ralhou com James:
- Fique quieto!
Assan estava prestes a perguntar a seu amigo o que ele quis dizer, quando, pelo canto do olho, viu o professor se aproximando.
- Por que é desse jeito? - o professor, parando diante de James, apropriou-se da pergunta de Assan.
O negro sorriu e murmurou uma única palavra: Terra.
Mas, antes que Joe pudesse manifestar qualquer comentário, James disse que precisava fazer uma pergunta.
- Esses espíritos - indicou os degraus mais baixos - sabem que podem progredir?
Eles sabem o que você nos ensinou, que, mais cedo ou mais tarde, todos os espíritos vão retornar ao Criador?
O professor reprimiu um sorriso.
Ele tinha uma ideia de onde James queria chegar, e não podia estar mais feliz com isso.
- Absolutamente não - disse Joe, categoricamente.
Eles não chegaram ao estágio onde podem começar a entender que há algo melhor.
Eles pensam que sua vibração escura e pegajosa é tudo e só o que existe.
James pensou por uns segundos antes de lançar a próxima pergunta:
- Mas os espíritos nas vibrações superiores sabem que nós todos, de uma forma ou de outra, vamos para casa, não sabem?
Joe respondeu apontando a escada. Imediatamente, o sexto degrau acendeu-se em intensa luz verde-esmeralda.
- Esse é o lugar que chamamos de Summerland.
E onde estamos agora.
A Terra é um reflexo pálido deste plano.
Notaram como a grama aqui é mais verde, as flores mais coloridas e o céu mais profundo?
Todos os quatro assentiram, com Joshua observando:
- Sem vento, sem chuva, sem frio, nem neve. Tudo está sempre perfeito aqui.
- É por isso que recebe o nome de Summerland, a terra do verão.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 19, 2016 10:43 am

Mas Joe acrescentou que havia mais nesse nome do que o tempo:
- A consciência floresce nesse degrau.
Os espíritos começam a ver que há alguma coisa melhor.
Rosa estava impaciente.
Ela queria saber o que aquilo tudo tinha a ver com os espelhos.
- Não vou responder à sua pergunta, Rosa.
Vou deixar que James responda.
Ele sabe a resposta.
Um James bastante surpreso olha para o professor, e depois para Rosa.
Ele olha para o alto, para o domo de cristal, em busca de inspiração.
Respira fundo e começa a dizer o que lhe veio à cabeça depois que ele viu os raios dourados formando-se atrás do professor.
- Aqueles espíritos - disse, indicando os degraus mais altos da escada - sabem que cada um de nós um dia vai alcançar o estágio da união com Deus.
Ele fez uma pausa e indicou com o olhar os degraus mais baixos:
- Mas aqueles ali não sabem.
E, se a Terra é o foco daqueles espelhos ou opostos - ergueu o braço, acompanhando o arco da escada -, então a Terra, para as vibrações inferiores, é um campo de batalha.
Eles não conhecem nada melhor.
Eles pensam que a Terra é tudo e só o que existe, e eles querem controlá-la.
James olhou para Joe para ter certeza de que estava na direcção certa.
Ele recebeu um sorriso e uma piscadela.
- Como eu dizia, os espíritos dos degraus mais baixos não conhecem nada melhor, mas os dos degraus superiores conhecem.
As vibrações superiores estão ao nosso redor, esperando que as alcancemos quando estivermos prontos.
Mas as inferiores tentam nos influenciar.
É por isso que a Terra parece estar cheia de ódio, revolta e inveja.
Não é porque as vibrações inferiores são mais fortes; elas simplesmente são mais visíveis.
James recebe de Joe, que ainda estava parado diante dele, um firme e forte aperto de mão.
O professor, orgulhoso e feliz, pede a James que vá em frente:
- Você está fazendo um óptimo trabalho.
- As vibrações mais leves - prosseguiu James, cheio de confiança - compreendem que temos que progredir por nossa própria conta; elas não estão por aí nos oferecendo nada.
Mas as inferiores estão tentando nos atrair a cada instante de nossas vidas terrestres, porque não sabem que até mesmo elas, um dia, vão se tornar parte da unidade de Deus.
Assim como os vendedores de carros usados e os correctores de imóveis - brincou Joshua.
A classe toda riu e, quando as gargalhadas silenciaram, Joe anunciou o fim da aula.
- E é por isso que a Terra é como é - concluiu o professor.
- Amanhã, um flagrante da vida real sobre os espelhos.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 19, 2016 10:43 am

17 - Uma lição da vida: aprisionado pelos espelhos

professor se senta, os pés balançando a alguns metros do chão, na beirada do palco da vida.
Ele está mais do que feliz com seus alunos:
eles estão fazendo perguntas, participando e, mais do que tudo, estão começando a pensar.
- Quem poderia pedir mais do que isso? - diz Joe a você.
Dirigindo-se aos alunos, ele relembra que está na hora de mais um flagrante da vida real.
- Mas este é diferente.
Ele não pertence a nenhum de vocês.
De seu assento na plateia, você ouve Joe adiantar o que será esse flagrante.
? Vamos ver histórias de dois espíritos que, até poucos anos atrás, viviam na Terra.
Nenhum deles era mau ou tinha más intenções.
E por isso que escolhi essas histórias.
A maioria dos espíritos na Terra não é má, e a maioria das pessoas que vive lá não traz o mal em seus corações.
Essa foi a maneira como Joe explicou aos alunos.
Mas, com você, ele vai além:
- Há outras razões para eu ter escolhido essa história.
Quero preparar Rosa para a segunda parte do show de William e Mary.
E Assan tem que estar pronto para sua escolha.
Você fica imaginando o que está por vir.
O que o show de William e Mary tinha a ver com Rosa?
Até agora, tinha sido sobre Joshua.
E para o que Assan tinha que estar preparado?
Você não tinha a menor pista sobre isso, e a única opção era mesmo ficar por ali.
Você estava certo de que as respostas iam acabar aparecendo.
- A história que vocês vão ver é verdadeira - anunciou o professor dramaticamente.
Ela começa há mais de vinte anos, na esfera terrestre.
- Parece até o início de programa policial, não parece? - brinca Joe com você.
É porque é mesmo uma história policial.
Sempre que um flagrante da vida real estava para começar a atmosfera da sala de aula se modificava, e esta vez não foi uma excepção.
A luz que vinha do domo de cristal lentamente se apagou, deixando um feixe solitário de luz branca sobre o palco da vida.
Mas alguma coisa está diferente.
Há uma tranquilidade no ar e total silêncio na sala.
Joe, como sempre, ouviu seus pensamentos.
- Fique frio.
Tudo está sob controle.
Atrás do professor, que ainda está na beirada do palco da vida, um minuto se passa até que se forme completamente, sob a luz incessante do holofote, a imagem de um homem.
Ele tem quarenta e poucos anos, um metro e oitenta de altura, cabelos começando a rarear e um rosto dos mais comuns.
Ele é simples, um tipo sem nada de mais, que passaria despercebido por qualquer lugar.
Quando a imagem está completamente formada, suas suspeita se confirmam:
alguma coisa está mesmo diferente.
Até agora, Joe havia sido o narrador dos flagrantes da vida real, mas agora esse espírito, falando com uma voz suave, quase frágil, é quem apresenta a si mesmo.
- Eu era conhecido como pastor Bill Hall.
Faleci há mais ou menos doze anos.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 19, 2016 10:43 am

O espírito hesita por um instante e, com uma melancolia carregada na voz, reflecte:
Parece que foi ontem.
Joe interrompe para informar a classe que aquele espírito teve uma passagem relativamente fácil.
- Ele sabia que ia morrer, porque a morte era parte de seu plano.
E, depois de dar uma piscadela de cumplicidade para Rosa e Assan, o professor comentou:
- Mas, como muitos outros, o pastor Hall não encontrou o que esperava.
À esquerda do espírito, um quarto todo de azulejos brancos apareceu.
Está totalmente limpo e vazio, excepto por uma maca com lençóis brancos, com suportes especiais para os braços.
Os alunos presumiram tratar-se do pronto-socorro de um hospital.
- Esse cata deve ter morrido ali - sussurrou Assan para James, que concordou com um aceno de cabeça.
- Ele morreu - confirmou Joe -, mas esse não é um pronto-socorro.
Nenhum dos alunos tinha a mais remota ideia do que estava vendo.
O quarto, com as paredes brancas, piso branco e a maca pareciam ser de um hospital.
- É onde morri, com certeza - disse o pastor -, mas aquilo não é um hospital.
É uma sala de execuções.
Fui julgado culpado de assassinato e, em alguns minutos, vou ser executado.
Um mal-estar tomou conta da classe.
Todos os olhos estão voltados para o palco da vida, onde o espírito, sem nenhuma emoção, declara:
- Eles vão injectar três compostos químicos em minhas veias.
O primeiro põe você para dormir, o segundo faz com que os pulmões entrem em colapso e o terceiro faz seu coração parar.
Em uns quatro minutos, tudo está acabado.
A classe toda está hipnotizada pelo drama mortal que acontece diante deles, e, embora ainda não saibam, dois deles serão particularmente tocados pela história.
A imagem no palco da vida lentamente se abre, dando à classe uma visão mais ampla do quarto de azulejos brancos.
O pastor conta que viu essa parte de sua última vida muitas e muitas vezes.
- Não liguem para mim.
Isso já não me aborrece mais.
Prestem atenção no que está acontecendo.
Quando a imagem pára de abrir, a classe pode ver a sala de execuções através de duas janelas de vidros temperados bem grossos separadas entre si por uma parede de concreto pintada de branco.
No lado esquerdo da parede estão os parentes e amigos do condenado e, à direita, os amigos e parentes da vítima - aponta professor.
As duas salas estão lotadas.
- Deve ter sido a primeira vez - observa Hall, ironicamente - que os dois lados quiseram ver o prisioneiro ser executado.
O professor adicionou uma explicação à frase de Hall:
- Mas por razões diferentes.
Dentro da câmara da morte, há um burburinho de movimento.
A porta de aço se abre.
Um paramédico, vestido num uniforme branco, entra por ela.
- Ele está ali para testar o equipamento - reporta Hall secamente.
Não se pode cometer nenhum erro.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 19, 2016 10:43 am

A morte é um negócio sério.
Alguns minutos se passam.
Orações ecoam no lado esquerdo da parede divisora. Mas não são orações de tristeza ou pesar.
Estranhamente, elas soam como orações de alegria e agradecimento.
- Não falei que eles me queriam morto? - interpõe o pastor.
Mais movimentos na câmara.
Um oficial sombrio, num terno preto, anda pela sala e faz uma inspecção visual.
Ele dá um aceno rápido e satisfeito ao paramédico.
O homem do terno preto assume sua posição na entrada da sala das execuções.
- Aquele é o director da prisão.
Ele está esperando por mim.
Ele sabe que isso não vai ser como nos filmes.
Nenhuma ligação telefónica do governador no último minuto, nenhum cancelamento.
As orações transformam-se em hinos, quando Hall, com a cabeça desafiadoramente erguida, é escoltado para dentro da câmara.
Os guardas, rápida e eficientemente, acomodam-no na maca, e, antes que qualquer um possa notar, Hall já está devidamente amarrado.
- Eles são muito bem treinados - comenta o espírito.
Não há lugar para emoções.
Tudo rápido e impessoal.
Hall pensa sobre o que acabou de dizer e, depois de uma pequena pausa, ele repete as palavras com um sorriso amargo:
- Rápido e impessoal, da mesma forma como matei.
Sem avisos, a cena no palco da vida pára, suspendendo os "atores" no tempo.
A classe vê o pastor Hall preso à maca, olhos voltados para o céu, um sorriso consciente e confiante aberto em seu rosto.
Ele está pronto pata morrer.
Isso é o que ele quer.
- Pensei que estava morrendo por Cristo.
- Enganamos você, não foi? - uma voz invisível ecoou pela classe, respondendo a Hall.
Ao escutar isso, Assan dá um pulo em sua cadeira.
Ele já ouviu aquela voz antes, mas não consegue se lembrar de onde foi.
De volta ao centro do palco, o director da prisão também está com sua imagem congelada, como numa foto, checando seu relógio de pulso, certificando-se de que tudo está dentro do horário.
- Eu não estava com medo.
Deus estava comigo, pensei, e logo eu estaria com ele - contou Hall à classe.
- Aposto que ficou decepcionado - zombou a voz.
Assan e seus colegas de classe procuraram pela sala com os olhos, tentando ver de onde vinha aquela voz.
No palco da vida, os guardas da câmara da morte também estavam aprisionados no tempo:
suas faces estão voltadas para o vazio, esperando o veneno fluir para que o turno da noite chegue logo ao fim.
- Eu queria a morte, porque eu sabia que Jesus me encontraria no outro lado.
Eu teria minha justa recompensa - recordou o espírito.
- Justa recompensa... justa recompensa... - repetia voz invisível em falsete, como se fosse um papagaio.
Os olhos de Assan arregalam-se de medo e incredulidade.
Ela finalmente sabe onde ouviu aquela voz, no passado.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 19, 2016 10:44 am

- Vem lá do Abismo - grita.
A voz vem lá de baixo.
O professor sorri e acalma os alunos com um gesto das mãos pedindo-lhes que não se preocupem.
- Há muito o que aprender.
Podemos aprender com o mal.
É por isso que ele existe e por isso que o abismo tem permissão para se manifestar.
Aquela voz pode ensinar-lhes mais sobre espelhos e opostos do que eu mesmo poderia.
O drama mortal congelado sobre o palco da vida se desfaz no vazio, e uma cena nova e mais alegre toma seu lugar.
Um Hall mais novo, bronzeado e cheio de vida, ri e corre com a esposa e os filhos numa praia ensolarada.
O espírito assiste àquelas imagens do passado e reflecte sobre elas.
- Esse foi o dia em que tomei minha decisão, enquanto brincava na praia com meus filhos.
- Éramos nós que estávamos sussurrando em seu ouvido aquele dia - revela a voz do Abismo.
Estivemos falando à sua volta por um longo tempo, desde que você começou a pensar que apenas você tinha as respostas, que você era o dono da verdade. Foi fácil.
O dia ensolarado da praia foi substituído no palco pelas sombras de um anoitecei chuvoso.
Hall está sozinho, num quarto barato de motel, curvado sobre uma frágil mesa, lendo a Bíblia.
- Eu queria ficar sozinho para falar com Deus.
Eu estava certo de que Ele me revelaria Sua vontade.
Eu havia tomado minha decisão.
Estava confiante. Estava aliviado.
Em Aos Romanos, 14:23 lê-se:
"...e tudo que não é de fé é pecado".
Minha decisão veio pensei, da fé.
Estava certo de que não era pecado.
Deus seria o pai de minha família.
Ele tomaria conta deles, porque o Senhor estava me usando para ajudar seus filhos ainda não nascidos.
- Nós usamos sua fé - proclamou a voz.
Nós falamos ao seu ego.
Você achava que tinha todas as respostas.
Você achava que seu caminho era o único caminho. Foi fácil.
O professor interrompeu:
- Anjos, demónios e todas as entidades intermediárias fazem sentir sua presença na Terra.
O pastor Hall procurava pela luz de Deus. mas sua arrogância e intolerância o deixaram aberto para o outro lado da luz.
O quarto de motel desaparece, enquanto a noite dá lugar à manhã.
Um prédio baixo e rosado aparece.
Uma placa na porta diz "Clínica Feminina".
- O Senhor ordenou: "Não matarás".
Nós tentamos alertá-lo, mas ele não ouviu.
O pastor Hall balança a cabeça, fecha os olhos, pensativo, e lamenta:
- Nunca me passou pela cabeça que o 'Não matarás' também valia para mim.
Um homem e seu motorista param o carro no estacionamento da clínica.
Os alunos vêem Hall atravessando a rua às pressas.
Ele tem um revólver escondido sob a camisa.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 19, 2016 10:44 am

Disparos. Sangue escorrendo.
Dois corpos jazem encolhidos no pátio.
Com a arma ainda nas mãos, sentado próximo aos corpos ensanguentados, o pastor Hall espera pela polícia.
- Eu obedecia à Sua palavra - explicou o espírito.
Achava que Jesus tinha falado comigo, não havia mais volta. Eu tinha que obedecer.
- Você podia ter dito "não" - disse voz, tentando segurar o riso -, mas nós sabíamos que não diria.
- Hall fez o que achou que Jesus queria que ele fizesse - explicou Joe.
Ele moldou, adaptou e usou as palavras de Jesus para que encaixassem em seu próprio modo de pensar.
O espírito esqueceu que o Caminho de Luz não traz escuridão e que o Caminho de Luz nunca passa por intolerância, ódio e violência.
Sirenes. Luzes vermelhas e brancas girando.
Policiais vestidos em uniformes cinza.
- Eu fiz isso - confessa o pregador enquanto é algemado.
- Nosso Deus é um Deus poderoso.
Ele realmente é! - grita, quanto é empurrado para dentro da viatura.
- Nosso Deus é um Deus poderoso - comenta o professor - porque ele nos permite aprender, reflectir e progredir.
É um Deus poderoso que sabe que um dia todos os seus filhos retornarão a Ele.
Algumas rápidas mudanças de cena ocorrem no palco da vida.
O pastor é levado para a cadeia.
O julgamento.
Os anos numa cela solitária, esperando pela morte.
E, finalmente, a câmara da morte.
Os compostos químicos haviam terminado seu trabalho.
O pastor Bill Hall repousa sobre a maca, um sorriso nos lábios, morto.
A sala das testemunhas, onde familiares da vítima assistiram â rápida e limpa execução, agora está vazia.
A outra sala, separada pela parede branca de blocos de cimento, ainda lotada de amigos do executado, ferve com orações e hosanas.
- Ele morreu como um mártir de Deus - iria declarar um dos amigos de Hall para uma câmara de TV que aguardava do lado de fora da prisão.
Ele morreu executando uma missão do Senhor.
Enquanto a classe olhava para o corpo morto de Hall sendo levado da câmara de execuções, o espírito lhes confessou:
- Eu matei um médico que fazia abortos, que usava seu dom de curar para matar inocentes que nem sequer haviam nascido.
Um silêncio apreensivo preencheu a sala de aula.
Mas o silêncio logo foi rompido por um choro abafado e delicado. Era Rosa.
Assan não tinha a menor ideia do motivo do choro.
Poderia ser por ela descobrir que um venerado "homem de Deus" nada mais era do que um assassino, como ele mesmo foi?
James estava certo de que ela estava impressionada com a tragédia que haviam acabado de assistir:
primeiro, o frio assassinato do médico e, depois, a execução de seu assassino.
Mas tanto Assan quanto James estavam errados.
Apenas Joe e Joshua, curvando-se na cadeira para segurar a mão de Rosa, sabiam o porquê daquelas lágrimas.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 19, 2016 10:44 am

- Agora não. Não é o momento - disse o professor a Joshua, que balançou a cabeça compreensivamente.
Um véu havia sido retirado, mas a classe não teve tempo de ponderar sobre o motivo das lágrimas de sua colega.
A atenção de todos foi chamada novamente para o palco da vida, por uma voz grossa e vibrante.
- Eu sou o sujeito que ele assassinou.
Sou o médico que ele baleou no estacionamento, há mais de quinze anos.
As palavras vêm de um homem alto e magro, de cinquenta e poucos anos.
O espírito tinha um rosto comprido e enrugado, coberto por fartos cabelos castanhos, salpicados de fios grisalhos.
Joe havia deixado seu lugar na borda do palco da vida para parar entre os dois espíritos.
De lá, ele apresentou o Dr. Jim Bowman, ex-proprietário da Clínica Feminina.
- Os dois espíritos se encontraram do lado de cá muitas vezes antes - revelou.
O Dr. Bowman até já encontrou o pastor Hall depois que Hall chegou aqui.
O médico complementou as palavras do professor, dizendo que fazia muito tempo que se desfizera do ódio que sentira por seu assassino.
- Aqui você acaba tendo uma visão diferente da vida - afirmou o médico, com um sorriso.
As coisas que eram importantes pata mim na Terra importam muito pouco aqui, e coisas em que nunca pensei agora me fascinam.
Acho que tem algo a ver com a paisagem - disse, rindo.
Fica mais claro quando você entende os espelhos.
Bowman deu à classe uma pequena amostra do que fora seu passado.
- Meu pai era um motorista de ônibus que criou cinco filhos da melhor maneira que pôde.
Eu sempre quis ser um médico.
Mas eu queria ser um tipo diferente de médico.
Não queria apenas curar corpo; queria ser um médico que pudesse reconstruir vidas.
Hall interpôs:
- Eu também, desde criança, quis ser um ministro de Deus.
Queria mostrar às pessoas o caminho da salvação.
O professor, olhando para os dois espíritos em pé ao lado dele, lembrou à classe como ele apresentara aquele flagrante da vida real.
- Como eu disse, nenhum dos dois é mau e nenhum deles tinha más intenções.
Cada um começou com o que podemos chamar de "os mais nobres ideais".
No entanto, os ideais de ambos os levaram a escolhas desastrosas.
O professor acenou para Bowman, solicitando que ele continuasse com sua história.
O médico explicou como, depois de ganhar várias bolsas de estudo, conseguir empréstimos e aceitar os mais disparatados empregos, ele finalmente conseguiu se formar na faculdade de medicina e começou a praticar num dos hospitais de periferia da cidade de Nova York.
- Vi as chagas da humanidade passarem por aquelas portas. Viciados em drogas, crianças mutiladas moribundas, idosos morrendo por falta de cuidados. Eu vi tudo isso.
- Ele teve a oportunidade de praticar a compaixão - comentou Joe.
- E eu estava feliz. Foi para aquilo que eu havia trabalhado, estudado e me sacrificado tanto - confirmou o espírito.
Ele havia encarnado, como assinalou Joe, para aprender sobre empatia e compaixão.
Ele nasceu numa família pobre para que pudesse compreender as dificuldades.
Com seu próprio suor e trabalho, ele superou os obstáculos e se tornou um médico.
- Finalmente - resumiu o professor -, ele poderia praticar a compaixão a qual nascera para aprender.
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Ave sem Ninho

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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 20, 2016 12:08 pm

Bowman concordou plenamente com tudo que disse o professor.
Mas a amargura podia ser sentida em sua voz quando ele recordou a noite em que se tornou um médico de abortos.
- Uma menina de quinze anos de idade chegou às pressas no pronto-socorro.
Ela estava com hemorragia e eu imediatamente soube por quê um aborto malfeito.
Tinha quinze anos, havia feito sexo com um garoto desconhecido e não queria uma criança para compartilhar sua vida miserável.
O aborto era ilegal naquela época, tão ela foi em algum charlatão de fundo de quintal, que enfiou um cabide em seu útero.
Ela estava sobre a maca, morrendo porque a sociedade era muito hipócrita para encarar os factos da vida.
Daquele momento em diante, relatou o médico, ele se uniu à batalha pela legalização do aborto em seu país e, quando isso foi conseguido, ele abriu uma clínica de abortos.
- Era onde eu podia tratar o corpo e a pessoa.
- Um evento se impôs em seu caminho - observou o professor e o espírito fez uma escolha.
- Os médicos pensam que são deuses - gargalhou a voz, que os alunos erradamente achavam que tinha ido embora.
Ele foi quase tão fácil quanto o reverendo.
- Hoje eu sei que estava errado - admitiu o médico.
- Assim como eu - incluiu-se o pastor.
- Os dois espíritos, à sua própria maneira, foram pretensiosos e bancaram deuses.
Eles julgaram, decidiram e agiram - apontou Joe.
- E nós fomos atraídos por seus egos - disse a voz.
Suas vibrações se afinaram com as nossas.
- Ei, espere um minuto!
Há uma coisa errada aqui...
Era Assan.
Ele via o mundo de maneira simples, preto no branco.
- Como podem os dois estar errados?
Vocês são opostos; um tem que estar certo.
O médico sorriu.
O pastor encolheu os ombros.
Eles deixaram que o professor desse a resposta que eles tinham aprendido havia muito tempo.
- Os dois foram pegos pelos espelhos da escolha.
Por um lado, você tem um espírito - o professor volta-se para Hall e então olha Para Rosa - que viveu tentando servir seu Senhor, Jesus Cristo.
O pastor respirou fundo.
- Eu queria ser um cristão perfeito.
Eu lia a Bíblia e vivia estritamente sob o que eu pensava que ela dizia.
O único problema foi que me tomei um péssimo ser humano.
Eu acreditava que apenas aqueles que pensavam como eu estavam certos e só aqueles que agiam como eu é que eram santos.
Passei a crer que eu era um instrumento da justiça de Deus - disse, balançando a cabeça, resignado - Como fui tolo, pomposo e arrogante!
Rosa Maria, já sem lágrimas nos olhos, sorriu para o pastor e fez-lhe uma reverência, compreensiva.
- E de outro lado ? o professor, com um gesto, indicou o médico - temos um espírito que desejava servir à humanidade.
- Eu também achava que estava certo e que todo mundo estava errado.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 20, 2016 12:08 pm

Eu também acreditava que tinha o monopólio da virtude compaixão e rectidão ? afirmou Bowman.
- Os dois - resumiu o professor - foram pegos pelos espelhos.
Somente na Terra o amor de Deus pode levar ao assassinato.
Se mesmo na Terra a compaixão pode trazer a morte.
James ergueu a mão.
Ele não via o que os "planos de espelhos da existência tinham a ver com aquilo.
Mas foi Hall, e não o professor, que respondeu à pergunta.
- E bem simples.
Assim que fiz minha passagem, comecei a ver que havia mais na vida do que eu imaginava.
- Amém! - concordou o médico, rindo.
Hall olhou pela sala, para os alunos.
Ele estava buscando palavras no fundo de sua alma, para conseguir responder às dúvida da classe.
- Achei que estava numa missão de Deus.
Eu queria levar pessoas a uma vida mais religiosa e espiritual.
Mas - o pastor agora fazia uma pergunta à classe - quem somos nós para querer que os outros façam qualquer coisa?
Hall deixou a pergunta flutuando no ar por alguns instantes, antes de respondê-la.
- Eu me deixei ser influenciado pelos opostos, ou, como dizia seu professor, pelos espelhos da religião e da espiritualidade.
Eu me tornei um ser humano intolerante, fanático e inflexível, que considerava malignos todos aqueles que não acreditavam no mesmo que eu Matei em nome de Deus, e que eu seja perdoado por tamanha arrogância.
Não falei que nós o sugamos pelo seu orgulho e ego?
Esse cara pensava que sabia o que era melhor para todo mundo - gritou a voz.
Bowman, que ouviu cuidadosamente a explicação do pastor, admitiu que nunca se ligou muito em religião e nunca sequer pensou na morte.
- Eu imaginava que teria que lidar com o inevitável quando o inevitável viesse, já que não haveria muito o que fazer.
Eu queria aliviar o sofrimento, mas usei minhas habilidades para abortar vidas humanas.
Eu não tinha ideia das consequências de minhas acções e, para ser honesto, eu nem ligava, porque nunca me preocupei com nada além de mim mesmo e do mundo em que eu vivia.
- Pegamos os dois do mesmo jeito.
O outro pensava que era um instrumento de Deus; este aqui pensava que era Deus - zombou a voz, acrescentando:
- O orgulho sempre terá esse tipo de resultado.
O professor sabia que estava na hora de apresentar as conclusões daquela aula.
- Amor e compaixão são opostos.
Um desses espíritos queria desesperadamente pregar as palavras do amor.
Mas essas palavras se transformaram em ódio.
São os espelhos em acção:
um plano enviando vibrações de amor, o outro de ódio.
O pastor Hall, parado ao lado de Joe, declarou que o professor estava absolutamente certo.
- Deus nunca falou comigo, porque Deus jamais ordenaria a violência.
Qualquer um que pregue o ódio em nome de Deus e um impostor e vai ter que enfrentar as consequências de suas mentiras.
Com um aceno de cabeça, Rosa e Assan denotaram concordância, e, quando eles se viraram para o pastor, havia mais do que compaixão em seus olhos; havia compreensão.
- O outro espírito tornou-se um médico para "curar não apenas o corpo, mas vidas".
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 20, 2016 12:08 pm

E acabou não fazendo nem uma coisa outra - concluiu o professor.
Mas Assan não estava satisfeito e insistiu na resposta à pergunta:
como é que os dois podiam estar errados?
Joe afastou-se dos dois espíritos sobre o palco da vida e andou até seu lugar no meio do semi-círculo.
- Vou começar com Bowman.
O médico abortava vidas.
Ele interferiu com o carma.
Vocês viram como, espiritualmente, escolhemos nossos pais, nossas famílias e nosso passado antes de nascermos.
A vida na Terra é uma oportunidade para aprender; é para isso que a Terra existe.
O médico estava bloqueando o caminho para essa oportunidade.
Ele interferiu na chance que um espírito teria de aprender.
O professor olhou para o pastor Hall e disse para Assan:
- E o pastor estava errado não apenas por ter tirado uma vida, mas também por querer impor suas crenças a outras pessoas.
Além disso, ele quis acabar com as escolhas.
Nem mesmo Deus faz isso.
Ele permite a escolha porque é com ela que aprendemos.
Ele até deixa que o mal exista, porque o mal é uma escolha.
Rosa absorvia cada palavra do professor.
Essa aula, mais do que qualquer outra, não apenas atraiu seu interesse, mas também a tocou no fundo da alma.
Joe relembrou à classe que havia muitos na Terra que não viam nada de mais no aborto.
- Para eles, é simplesmente uma questão de escolha.
Eles precisam reconhecer, por si mesmos, as consequências de seus actos.
Isso significa evoluir.
James levantou uma questão que estava em sua cabeça desde que a classe ouviu pela primeira vez a voz vinda do Abismo.
- Como apenas a voz do Abismo está aqui?
Onde está seu espelho?
Por que não está por aqui também?
Joe nem se incomodou em responder.
Ele deixou que outra voz falasse por ele.
- Estamos aqui. Estamos sempre por perto.
Tudo que você tem que fazer é procurar por nós.
Não gritamos nem tentamos mudar suas decisões - Isso não é certo.
Sabemos que você tem que fazer tudo por sua própria conta. Estamos aqui para inspirar e guiar.
Somos o suave sussurro da luz, não o estrondo dos tambores em seus ouvidos.
Todos na sala, incluindo o médico e o pastor, fecharam os olhos, pensativos.
Todos, excepto Rosa.
Ela simplesmente ficou sentada em sua cadeira, olhando para o palco da vida.
- Chegou a vez dela.
Seus véus foram erguidos - sussurra o professor em seu ouvido.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 20, 2016 12:08 pm

18 - Uma lição da vida: o show de William e Mary - Parte 2

As imagens do Dr. Bowman e do pastor Hall mal tinham desaparecido quando uma nova se materializou no palco da vida.
Era Joshua como William, trabalhando na sala de expedição das Indústrias Eaton.
- A última vez que vimos William foi no escritório de seu tio.
Ele conseguiu um emprego e o que pode ser chamado de seis meses de período de experiência - recapitulou Joe, marcando o início da prometida segunda parte do show de William e Mary.
- Rosa está pronta, Joshua está pronto.
Estamos chegando ao clímax da história - avisa-lhe o professor.
- É, eu me lembro - disse Assan.
O velho meteu a mão na herança, pôs o cara para trabalhar num serviço qualquer, disse a ele que ficasse de boca fechada e em seis meses eles voltariam a conversar, se William provasse - e, imitando o sotaque britânico de Sir Walter - ser um legítimo Eaton.
A classe riu.
Até Joshua, que esteve emburrado em sua cadeira durante toda a primeira parte do show de William e Mary, divertiu-se com a imitação da afectação de seu tio.
Mas Joshua sabia que haveria mais amargura e sofrimento pela frente.
No palco da vida, a classe assistia ao jovem William trabalhar zelosamente na tecelagem, tentando ansiosamente provar que era um "legítimo Eaton" e desejando desesperadamente poder adentrar o selecto círculo de riqueza, prestígio e poder que parecia tão perto e tão longe dele ao mesmo tempo.
- Eu me matei de tanto trabalhar - recordou Joshua.
Dei sugestões ao meu supervisor sobre como fazer as coisas funcionarem melhor.
Aquilo era uma bagunça.
Algumas de minhas ideias economizaram uma fortuna para meu tio.
O professor informou que Sir Walter ficou de olho no progresso do sobrinho, acompanhando de perto seu comportamento, sua conduta e suas atitudes.
- Todos os relatórios foram positivos e, quase no fim do prazo de seis meses, Sir Walter estava pronto para estender, ao menos parcialmente, a mão que havia negado quando William veio bater à sua porta.
Joshua resmungou.
- Mas - relatou o professor - havia uma coisa que nunca foi incluída nos relatórios semanais sobre William.
Apesar de seus guardas, supervisores, espiões, detectives e até os serviços particulares da polícia local, Sir Walter não sabia que William havia arrumado uma namorada.
Seu nome era Mary.
Ela era uma garota do interior, que trabalhava de faxineira no complexo industrial Eaton.
Eles se conheceram na pensão onde ela e William moravam.
Quando Mary perdeu os pais, um ano antes, ela deixou a pequena cidade e também os rapazes do interior que ela imaginava que estavam destinados a ser seu futuro.
O destino levou-a às Indústrias Eaton, onde ela era uma jovem solitária e um tanto assustada, tentando encontrar seu lugar num mundo que ela mal conhecia.
Mas, assim como William, Mary tinha sonhos.
A menina simples queria um lar, uma família e um marido com um emprego estável.
Ela achava que o rapaz que ela conhecia como William Peyton era o começo da realização desse sonho.
Ela se apaixonou.
As ambições de William, porém, eram alimentadas pela mansão por trás dos portões de ferro:
riqueza, posição social, privilégios e poder.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 20, 2016 12:08 pm

Mas William estava sozinho, um estrangeiro numa terra desconhecida.
Ele encontrou conforto e companheirismo em Mary.
Ele se apaixonou por ela.
Lutou contra seus sentimentos, contra aquele amor:
ela não era a mulher sensual, sofisticada e maravilhosa com que ele sempre sonhara.
Mas, naquele momento, seus sonhos estavam aprisionados por cercas de aço, e suas ambições confinadas numa monótona sala de expedição.
O inevitável aconteceu.
Mary deixou-se levar por seus sonhos e William deixou-se levar por seu coração.
Um romance secreto florescia tarde da noite nos limites da pensão.
Eles descobriram um ao outro em meio à própria solidão.
Eles se ajudaram e se confortaram um ao outro no ambiente hostil em que viviam.
A garota que queria a simplicidade da rotina diária e o rapaz que ansiava por mais, juntos, preenchiam o vazio um do outro.
O inevitável aconteceu.
O palco da vida levou a classe de volta ao escritório particular de Sir Walter Eaton.
Novamente, eles vêem William sentado nervosamente na sala de espera, de frente para o rosto severo e sem emoções da secretária do tio.
- Os seis meses se passaram - explicou Joshua.
Como prometido, ele mandou me chamar.
Cumpri minha parte do acordo:
trabalhei duro, fiquei fora de encrencas, nunca revelei minha identidade para ninguém.
E, olhando em volta pela sala, acrescentou:
- Nem mesmo para Mary.
- E agora - observa o professor - você está de volta aonde esteve seis meses antes.
Esperando sua "justa recompensa".
Você se senta esperando que as chaves do império Eaton sejam colocadas em suas mãos: as chaves da riqueza, da posição social, do poder.
- Pode apostar - retorquiu Joshua.
Era tudo meu, para começar.
Meu pai era um Eaton assim como ele.
Sir Walter tinha Passado a perna nele e agora tentava fazer a mesma coisa comigo.
A classe concordou silenciosamente.
Entretanto, Assan, que não sabia se conter, foi além em seus pensamentos:
- Aposto que aprendeu a ser um executivo sangue-frio com esse seu tio.
Vocês dois têm muito em comum.
O executivo ficou perplexo com a afirmação, mas sabia que Assan estava certo.
Ele percebeu, assistindo àquele flagrante de uma de suas muitas encarnações, que ele secretamente respeitava o tio e copiou muitos dos gestos e maneirismos de Sir Walter em sua última encarnação.
- Acho que sim - foi sua resposta curta e grossa, ao que Assan replicou com uma piscadela.
Joe não queria que aquele flagrante da vida real se transformasse numa discussão sobre o relacionamento entre Sir Walter, William e o pai de William.
- Isso é carma familiar e um dia, mais cedo ou mais tarde, vai se ajustar - disse o professor a você.
Há outra lição aqui.
Tem a ver com o propósito desta escola:
aprender para desaprender.
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