DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 17, 2016 9:50 am

O executivo balançou a cabeça, admitindo não ter entendido a pergunta.
- Eu não achei que ia entender - diz Joe a você.
Eu o estou usando para formular um argumento.
~ Essa companhia - esclarece o professor -, ou império, como você chama, tinha vida própria?
Podia pensar, agir ou criar?
Ou dependia de você e de seus executivos para suas decisões?
- Claro que a companhia dependia de mim e de minha equipe - responde Joshua sarcasticamente.
Como pode uma companhia pensar por si mesma?
Ela não tem cérebro, vontade ou personalidade.
O professor, notando a irritação com a pergunta aparentemente boba, franze os lábios e balança a cabeça, concordando.
- Você está certo.
Na verdade, você nem imagina quanto está certo.
E, sem dizer mais nada, ele se volta e faz a James a mesma pergunta:
- Você já criou alguma coisa?
O jovem negro, em vestes simples, olha para Joshua.
Ele sabe que não vai chegar nem perto de alguma coisa que aquele homem já realizou.
James vasculha a memória, tentando achar algo que havia criado, alguma coisa que tivesse feito.
Joe espera pacientemente.
Rosa olhava para suas unhas.
Ela está entediada e não pode sequer imaginar aonde a conversa vai levar.
"Qualquer imbecil pode ver que esse negro nunca criou nada", diz a si mesma.
Assan lança um sorriso encorajador para James.
Ele se sente mal pelo amigo.
E Josh, juntamente com os outros, paciente e confiantemente espera a resposta.
Nenhum deles se deu conta de que aquilo não era uma competição.
- Eles ainda não entenderam - revela o professor a você.
- Não há competição.
Não se trata de um torneio para vencer ou pessoas para derrotar, prazos para cumprir.
Nós evoluímos a nosso próprio modo.
E, às vezes - acrescenta travessamente -, esses modos surpreendem.
James ergue o braço.
Ele está pronto para responder.
- Uma vez, esculpi uma boneca para minha filhinha.
Talhei em madeira - disse humildemente.
Josh mal conteve o riso.
Rosa balançou a cabeça, num gesto de desprezo.
Ela se lembrou dos muitos poemas e ensaios que escreveu para que seus alunos da cola dominical pudessem louvar a Deus.
E tudo que aquele homem podia oferecer era uma boneca de madeira.
De Assan, sentado ao lado de James, veio um suave afago no antebraço.
O professor ignora os pequenos dramas que se desenrolam pela sala e pergunta a James se a boneca podia pensar por si mesma.
- Ela podia criar outra boneca ou qualquer outra coisa que seja?
James riu com a possibilidade e balançou a cabeça.
- Claro que não!
O professor virou-se e lentamente retornou para o primeiro degrau da escada, que ainda irradiava sua luz branca e brilhante.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 17, 2016 9:51 am

A classe estava para descobrir que aquilo não era uma aula sobre uma companhia de seguros contra uma boneca rústica de madeira.
O professor estava prestes a mostrar a todos por que fomos criados.
- É a resposta para o GRANDE PORQUÊ - diz Joe a você.
- James esculpiu uma boneca na madeira - resume o professor, o pé direito descansando sobre o Primeiro Degrau.
Em outras palavras, ele transformou uma coisa em outra.
Josh construiu seu negócio com talento e trabalho; ele também transformou uma coisa em outra.
Nós todos temos o desejo de criar, e esse impulso existe porque há uma chama do Criador em cada um de nós.
Mas nenhuma dessas criações têm vontade, personalidade ou vida própria.
No entanto, nós temos.
Fomos feitos pela mesma força viva e infinita que também fez - o professor olha para cima, em direcção à vastidão - o universo.
Joe explica que fomos criados da mesma forma que James talhou uma simples boneca para a filha: com amor.
Mas não fomos feitos de madeira.
Fomos feitos, como diz a Bíblia de Rosa, com o próprio "sopro de Deus".
E - enfatiza com dramaticidade - isso é o que nos faz diferentes.
Não somos feitos de qualquer coisa; somos feitos do mesmo sopro que tudo cria.
E, porque a nós foi dado o livre-arbítrio, fomos feitos para crescer e evoluir com o universo.
Fomos criados para criar.
Joe rapidamente volta para o semi-círculo, onde podia ficar mais perto dos alunos.
- Ele nos deu vontade própria. Consequentemente, temos habilidade de aprender e crescer.
E, desde que fomos feitos à imagem e semelhança do Criador, somos parceiros na Criação.
Nosso principal objectivo é nos reunir em harmonia com a força que nos criou.
- Acho que chegou a hora de acabar com essa história de competição - diz Joe a você.
- Nós todos fomos criados iguais; ninguém mais inteligente mais talentoso ou mais esperto.
Fomos todos criados simples.
Começamos nosso ciclo de vidas aprendendo como escolher; em outras palavras, como criar.
Fomos feitos ignorantes.
Cabe a nós descobri quem e o que somos.
Mais uma vez, Joe pediu a todos para que olhassem para o alto do domo.
- Depois que crescemos e evoluímos de nossa simplicidade ignorância, precisamos nos lembrar do que somos.
Mas, para que recordemos, temos que voltar a ser simples e ignorantes de novo.
Joe sabe que não é a hora de explicar uma contradição óbvia:
um espírito aparentemente volta para onde começou - à simplicidade e ignorância.
- É um tipo diferente de simplicidade e ignorância - diz a você.
- Mas vou deixá-los tentar descobrir sozinhos.
Não há pressa; estamos apenas no primeiro degrau!
O que o professor queria, mais do que qualquer outra coisa, era que cada um se deixasse perder no universo, para flutuar, mergulhar e sentir o ritmo da Criação.
Ele queria que os alunos se conectassem.
Ele instruiu a todos para que olhassem com outros olhos para a Criação brilhando acima deles.
- Façam isso sabendo que o universo é uma parte de vocês e que vocês são parte dele.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 17, 2016 9:51 am

Não digam nenhuma palavra.
Não pensem em nada.
Uma comunhão de solidão encheu o ambiente.
O tempo pára: nem segundos, nem minutos, horas, dias ou semanas.
Tudo que há é uma inegável presença do infinito.
Tudo está em silêncio.
Mas o silêncio não é vazio.
É preenchido com a plenitude do ser.
Não há medo, porque não há razão para temer.
Mão há querer, porque não existe desejo.
Mão há ego, porque todos são um só.
Assan deixa que lágrimas rolem por seu rosto.
Joshua olha além de si mesmo, perdido no tempo e espaço.
Rosa Maria olha para o alto, sua cabeça vibrando em arrebatamento.
James sorri enquanto fita o esplendor.
O professor, da maneira mais suave possível, diz que eles são parte da grandiosidade e poder ao redor deles.
- Não somos um acaso.
Fomos planeados.
Temos nosso lugar.
Os alunos estão absortos no espectáculo da vida brilhando acima.
Joe, sem perder o compasso, começa a preparar o terreno para suas próximas lições.
- Não somos irrelevantes; nossos egos, sim, o são.
Não somos fúteis; nossas vaidades, sim, o são.
Não estamos sozinhos, mas os preconceitos nos mantêm separados.
Lembrem-se do que são. Lembrem-se de que somos apenas um.
Lembrem-se, e poderemos todos nos reunir.
Quase que imperceptivelmente, o domo se fecha e sua luz suave e dourada novamente ilumina a sala.
Os alunos piscam e sacodem a cabeça, como se estivessem saindo de um transe.
De certa forma, era o que estavam fazendo.
Eles haviam sido hipnotizados pelo universo.
O professor disse a Josh e James que tinha mais uma pergunta para eles.
Perguntou a Josh se ele sabia o que havia acontecido com seu império e então para James se ele sabia qual havia sido o destino da boneca de madeira.
Josh informou que a multinacional que ele havia construído se desintegrara.
Eles não conseguiram mantê-la funcionando sem mim.
Vi acontecer daqui, sem poder fazer nada para impedir.
O professor não sabia dizer se o executivo havia ficado orgulhoso ou decepcionado com aquilo.
James disse que não tinha a menor ideia de onde a boneca de madeira fora parar.
- Dei-a para minha filhinha, é só o que sei.
O professor sorri.
Joe sabe onde a boneca está.
- Sua filha deu-a para a filha dela e então ela a deu para sua própria filha.
Sua bisneta está com ela.
Hoje ela a guarda numa gaveta ao lado da cama.
Sem se dirigir a ninguém, mas ao mesmo tempo falando para todos, o professor reflectiu:
- Um império de um bilião de dólares, moldado pelo ego, se desmoronou.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 17, 2016 9:51 am

Ninguém sequer se lembra da companhia ou de seu criador.
Mas a boneca rústica de madeira, moldada pelo amor, a partir de um pedaço de árvore, sobreviveu.
Joe olhou para James e sorriu.
- E a pessoa que a criou ainda é lembrada.
O professor moveu-se pela plataforma para parar perto de Rosa.
- E nós fomos feitos com amor.
Nosso criador não quer louvor ou hosanas.
Ele não precisa disso.
Ele não precisa que sejamos seus humildes servos.
Tudo que Ele quer - Joe agora olha para todo o grupo - é ser lembrado, como o criador da boneca de madeira é lembrado.
E, finalmente, Ele quer que nos lembremos do que realmente somos.
O professor sorri para a classe e dispensa-os:
- Fim da aula, por enquanto.
Mas mantenham isso em mente:
a boneca de madeira sobreviveu porque foi feita com amor, como nós.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 17, 2016 9:51 am

13 - Uma lição de Joe: quem somos, o que podemos ser e a questão de Jesus.

Mais um dia ou mais um ano se passa - que diferença isso faz? - e Assan, Joshua, Rosa Maria e James estão de volta, prontos para o início de mais uma aula.
No meio do semi-círculo está o professor, ainda um garoto de doze anos usando as mesmas calças jeans, ténis e camisa xadrez.
E, como sempre, os suaves raios dourados da luz que vinha do domo iluminam a sala redonda.
- Fico feliz em tê-los de volta.
E, com um brilho nos olhos, o professor aponta para o domo:
- Vamos falar um pouco mais sobre vocês-sabem-quem.
A turma está pronta.
A visão da Criação ainda está viva em suas memórias, fazendo-os imaginar o que mais o professor iria tirar da manga.
Joe também está pronto.
Ele está cada vez mais confiante de que pode oferecer a seus alunos o impulso de que eles precisam.
Joe dá uma boa olhada para Rosa, que, como sempre, está sentada perfeitamente erecta em sua cadeira.
O professor sabe que ainda terá muito trabalho pela frente.
- Estamos chegando lá.
Em alguns instantes, ela vai entender que Deus não quer que sejamos robôs sem destino, vivendo sem pensar ou aprender.
O professor sorri quando vê Assan.
- Quando este curso chegar ao fim, esse espírito vai encontrar uma bifurcação na estrada.
A escolha será entrar ou sair; uma escolha por si mesmo ou uma escolha pelos outros - diz o professor, e então compara Assan a Rosa:
- Como Rosa, ele também tem suas muralhas, mas elas não foram erguidas com tijolos da religião, muito embora ele tenha sido enganado por duas Guerras Santas.
Sua muralha é ele mesmo; ele acha que a vida e o carma giram ao seu redor.
Ele tem que entender que o universo, por meio do carma que criamos, ensina.
Nós não usamos o carma; nós o fazemos pelas nossas escolhas e então ele é usado para nos ensinar.
Joe olha para Joshua e balança a cabeça.
- O lema dele poderia ser:
"Você é o que você teme, quanto mais tiver, mais você vai ser".
Joshua não acredita em nada além de si mesmo.
Sua ambição cega e seu ego dominante são as rochas de sua muralha.
Mas ele está começando a entender o porquê daquelas rochas e, uma vez que um espírito sabe o porquê, ele pode começar a se perguntar: "Porque não?"
O professor sabe que tanto Joshua quanto Rosa não apenas têm um encontro com o destino, mas um encontro um com o outro.
- E só uma questão de tempo.
Finalmente, havia James.
- Esse cara merece o melhor de mim.
Ele está realmente tentando superar o medo que o manteve aqui por mais de duzentos anos.
Chegou a hora de ir em frente.
O professor está decidido.
Ele já disse à classe que eles iriam descobrir um pouco mais sobre você-sabe-quem e, depois disso, James seria o próximo astro no palco da vida.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 17, 2016 9:52 am

- O show de William e Mary vai continuar mais tarde.
Mary ainda não está pronta.
Joe esfrega as mãos, ansioso.
Ele sabe que a classe está esperando algo mais do que uma aula comum.
- Eu já lhes dei uma amostra da Criação.
Por que não lhes dei uma amostra do Criador?
E, meio que brincando, acrescenta:
- Apertem os cintos!
Imediatamente e sem nenhum aviso, uma luz silenciosa e muito intensa vinda do domo atinge você e os alunos.
Você se sente - penso no tempo.
Não existe passado.
Não existe presente e não há necessidade de um futuro.
Existe apenas um momento, e esse momento é eterno.
Não existe você, existe apenas paz.
Não existe você, existe apenas a harmonia da unidade.
Você não é simplesmente uma parte dessa unidade; você é a unidade.
Seu orgulho, ambição, ego e vaidade ficaram para trás.
Agora é só você, simples e completo.
É só você e a união com Deus, a força criadora.
E só você e a conexão com toda e qualquer vida no universo.
Suavemente, como uma brisa morna, a voz do professor penetra na luz branca que cobre todo o seu ser.
- Não perca seu tempo pensando em Deus - a voz do professor diz a você e à classe.
Vocês podem ver como uma pequena centelha de seu poder nos domina por inteiro.
Nós nem sequer podemos começar a compreender quem, o que, onde ou como Ele ou Ela é.
Assim, ao invés de tentar imaginar o que Deus é ou não é, tente sentir Sua presença dentro de você.
Tão rapidamente quanto veio, a indescritível luz se vai.
Joe faz uma pausa de alguns momentos para deixar que todos reajustem seus sentidos e a classe volte ao normal.
- Qualquer tentativa de descrever Deus impõe limites a Deus.
Qualquer tentativa de compreender o Criador faz d'Ele e da Criação algo trivial.
Esqueçam tudo que lhes ensinaram e lembrem-se apenas de uma coisa:
a energia está dentro de todos nós.
Sua energia, chamada espírito, é o que nós somos.
Somos todos iguais, todos feitos da mesma matéria.
O professor tentava deixar a explicação o mais simples possível.
- Temos tudo:
a luz, a força e o universo.
O professor havia mostrado a eles um pouco da Criação; eles ficaram maravilhados.
Agora eles sentiram uma minúscula fagulha da energia do Criador; eles se sentiram dominados.
Era chegada a hora de responder o segundo porquê:
PORQUE fomos criados?
- O poder e a subtileza da força chamada Deus não existe no vácuo.
Ele é muito grandioso.
Ele cria e nós somos parte de sua criação.
O professor olhou para os alunos, um a um.
Ele precisava estabelecer uma ligação especial com eles, para ter certeza de que estariam seguindo tudo que ele dissesse.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 17, 2016 9:52 am

- Agora mesmo, não me importo se eles a aceitam. Quero apenas que entendam.
- E o poder de criar está dentro de nós - diz o professor a eles.
É a força motriz por trás de nosso aprendizado, crescimento e escolhas.
Pela milionésima vez, ele lembrou a todos que fomos criados"
Sua imagem e semelhança".
Escolhendo cuidadosamente o ritmo do que diria a seguir, o professor formulou seus argumentos em frases curtas e pausadas.
- Não somos clones, porque Ele não precisa de clones.
- Não somos robôs, porque Ele não precisa de escravos que o adorem.
- Não somos fantoches, porque fantoches não podem fazer escolhas.
- Ele nos deu livre-arbítrio, para que assim pudéssemos moldar nossa própria personalidade e, à nossa própria maneira e nosso próprio tempo, aprender com nossas experiências.
Sabendo como essa lição iria terminar e como as próximas começariam, Joe deu a cada um dos alunos uma mensagem pessoal, adaptada às escolhas que cada um deles logo teria de fazer.
Ele andou até James, que o professor sabia estar lutando contra o medo que o paralisava, trazido de sua mais recente encarnação.
- Somos indestrutíveis.
Nossas formas e aspectos podem mudar, mas, James, aquilo de que fomos feitos e nosso significado no universo jamais mudarão.
O professor deu alguns passos para sua esquerda e olhou dentro dos olhos de Joshua, mirando no egoísmo ambicioso do espírito.
- Fomos feitos à imagem de Deus, mas esquecemos isso quando estamos interpretando nossos papéis nos dramas que criamos na terra.
Ego, orgulho e desejos obstruem nossas memórias, fazendo com que esqueçamos quem somos.
Mas somos mais do que nossas carreiras, dinheiro, sucessos ou fracassos.
Nossos papéis vêm e vão, mas nunca deixamos de ser o que somos.
Joe foi até Rosa, um espírito que ele sabia querer desesperadamente fazer o que era certo, mas que sempre deixou que os outros lhe dissessem o que era o certo.
- Quando Jesus disse "Eu sou o caminho", Ele não quis dizer que devíamos louvá-lo com hosanas e aleluias.
Seu espírito de luz não precisa nem quer nada disso.
Ele quis dizer que nós devemos viver como Ele, amando e agindo como ele agiu.
O caminho é a vida de Jesus, não rituais, sermões ou leituras bíblicas.
São nossas acções, não a fé cega, o que nos leva de volta ao lar.
Quando Jesus disse:
"Eu sou o filho do homem", Ele quis dizer exactamente isso.
Ele encarnou na Terra para sentir o que os homens sentem e vivenciar o que os homens vivem.
E você sabe por que Ele fez isso, Rosa?
Para mostrar que é possível superar o ego, a tentação e o orgulho.
Rosa olhou para o professor, vagarosamente movendo sua cabeça para trás e para a frente.
Ela estava confusa.
Embora ela compreendesse o que dizia o professor, reconhecia que aquilo ia contra tudo que lhe ensinaram em sua mais recente vida na Terra.
E ela disse isso a ele.
- Jovenzinho, o que você está dizendo vai contra tudo aquilo que aprendi.
Mas há uma coisa que tenho que saber. É importante.
Jesus nos perdoa?
Seu sangue lava nossos pecados?
O professor sorriu e pegou a mão dela, fazendo-lhe uma carícia suave.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 17, 2016 9:52 am

Ele sabia que a resposta que ia dar ia chocá-la.
- Não há nada para ser perdoado, Rosa.
Sem esperar, o professor começou a explicar exactamente o que ele quis dizer.
- Nenhum de nós foi feito com pecado.
Como poderia alguém ser culpado por alguma coisa que nunca fez?
A vida não é algo injusto, em que as pessoas têm que começar com vantagens desvantagens.
Joe faz breve pausa e volta a discorrer sobre Jesus.
- Ele é um mensageiro do mais alto plano de existência, e Ele veio à Terra sabendo exactamente o que a Terra é: uma escola.
Ele veio para nos mostrar como encarar as lições dessa escola.
Ele veio para nos lembrar de que todos nós somos filhos de Deus.
Joe larga a mão de Rosa e caminha de volta para seu lugar no meio da classe, de onde ele estava determinado a expor seu argumento.
- De volta à Terra, há muita confusão sobre Jesus.
Seu nome suas palavras e suas mensagens foram usados, modificados e distorcidos pelos homens por séculos.
Ele mudou o modo como o homem vê Deus.
Até que Jesus encarnasse na Terra, o homem via Deus com distante, frio e impiedoso.
Jesus mudou tudo isso.
Ele esclareceu que Deus é amor, caridade e está sempre connosco, porque somos criado à Sua imagem e semelhança.
Joe deu as costas para a classe por um instante, para olhar para o oitavo degrau da escada brilhante, e, com nova inspiração, volto a encarar os alunos.
- Agora, permitam que eu relembre vocês novamente.
Ele chamou a si mesmo de filho do homem.
Na Terra, Ele era um de nós.
Ele estava exposto às tentações, fraquezas, medos e incertezas que todos nós enfrentamos durante nossas encarnações.
O espírito que chamamos Jesus sabe como evoluímos e como progredimos.
Ele compreende nossos medos, dúvidas e conflitos.
Ele é, verdadeiramente, o filho do homem.
Ele nos compreende.
Joe fechou os olhos e levou a mão até a testa.
Depois de um ou dois segundos, ele abriu os olhos novamente e disse a Rosa que estava pronto para responder à sua pergunta: Jesus nos perdoa?
- Compreensão é perdão, e Jesus perdoa porque Ele compreende.
Ele não passou os tais quarenta dias e quarenta noites no deserto à toa - disse, com um sorriso.
Ele esteve lá para sentir o que sentimos e provar, de uma vez por todas, que todos temos de nós o poder de escolher, e através desse poder podemos aprender e crescer.
O professor novamente deu as costas para a classe, a fim de olhar para a escada iluminada.
Como um maestro, ele ergueu as mãos no ar, pedindo à classe que desse uma boa olhada naqueles nove degraus.
- Todos eles levam para cima.
Não interessa em qual nível você está, aquela escada nos leva de volta para onde nós começamos: para o Criador.
Ainda de costas para eles, ele apontou para o oitavo degrau, o penúltimo.
Ele brilhava em dourado.
- Lembram-se do que eu disse sobre a casa de nossos patrocinadores?
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 17, 2016 9:52 am

Aquele é o plano de Jesus.
Para alcançar aquele plano, temos que nos tornar, como Ele mesmo disse uma vez, "como as criancinhas", inocentes no ego, sem orgulho ou vaidades.
É também a esfera de Buda; ele a chamava de Nirvana.
Aquele mestre passou anos meditando dentro de si mesmo, descobrindo o espírito eterno que havia nele.
Sua missão foi a mesma de Jesus:
mostrar a nós o caminho para casa.
O oitavo degrau é o mesmo degrau onde Moisés recebeu seus mandamentos, onde Maomé aprendeu sobre o paraíso.
O professor girou o corpo e encarou a classe novamente, e, quando o fez, viu que Assan tinha os olhos fixos nele. Joe brincou:
- Aposto que você pensou que eu tinha me esquecido de você - disse, lembrando que ele havia falado directamente com todos os outros, mas não com Assan.
- Você foi enganado por homens que nunca entenderam o caminho de seu profeta.
A Guerra Santa que eles pregam não é uma guerra contra os outros, mas sim uma guerra que se trava dentro de nós.
É nossa luta pela escolha.
É uma batalha pessoal contra a tentação, o ego e o orgulho.
Como tez com Rosa, o professor agora pára bem na frente de Assan, confrontando o adolescente:
- Como pode haver glória ou salvação na morte de outros ou acrescentando com uma ênfase especial - na nossa morte?
Joe falou a Assan e à classe sobre a verdadeira morte.
- A única glória na morte é como Gandhi um dia falou:
"caminho sobre o fio da espada diariamente".
Ele falava sobre luta que travamos dentro de nós mesmos, a batalha para subjugar nossas vontades individuais a um desejo superior.
Mas, quando isso é feito, nós renascemos.
Quando matamos nossos egos para nos reunir com nosso Criador, atingimos o paraíso.
Sem virgens. Sem Guerras Santas.
Sem bobagens bíblicas.
Apenas um renascimento na eternidade.
E, falando directamente para o espírito de Assan, ele disse:
- Comece a se separar de seu "eu". Pare de dar a si mesmo comece a dar de si mesmo.
A luz dourada caía suavemente do domo sobre a sala de aula, enquanto os alunos pensavam nas palavras ditas pelo professor.
Eles nem sequer notaram que Joe havia saído de seu lugar no meio da sala para parar sobre o segundo degrau na escada, sua face iluminada pela intensa luz azul.
- Segundo degrau.
Vocês o conhecem bem.
É chamado de Terra - relembrou.
Deus nos criou e desejou que este planeta e milhares de outros se espalhassem pelo universo.
- A Terra é nossa escola.
Às vezes - ele olhou para Joshua - pensamos nela como um lar:
o fim e o começo de tudo. Mas apenas uma de muitas esferas que existem com um propósito e apenas um propósito: evolução.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 17, 2016 9:53 am

Assan, lembrando o que o professor disse sobre os homens que o ensinaram sobre os "sins" e "nãos" de sua religião, interpôs:
- Para aprender o quê?
Aprender bondade, quando só existe o ódio?
Aprender amor, onde só existe revolta?
O quê, exactamente, deveríamos aprender?
- Que garoto!
Ele não podia ter me dado uma deixa melhor, nem que eu tivesse escrito uma para ele! - sussurra o professor para você.
- Devemos aprender uma coisa simples e ao mesmo tem, complicada.
Nós encarnamos para aprender quem somos.
Joshua entrou na conversa e disse asperamente:
Acho que é você quem está complicando as coisas.
Esse de lembrar e aprender está me dando dor de cabeça.
Rosa, Assan e até mesmo James concordaram.
Todos eles estavam tendo dificuldade em acompanhar o raciocínio do professor.
Joe sabe que eles precisam compreender, antes que ele possa ir adiante.
- O que estou tentando explicar é a base de nossa existência - diz ele a você.
- Nós estamos aqui por algo mais do que uma mera consequência do amor do Criador.
Nós estamos aqui pela necessidade do Criador de criar.
- OK, isso nós entendemos - diz Joshua impacientemente.
Joe procura por uma palavra que ele sabia que existia, uma palavra que iria resumir de uma vez por todas a forma como fomos criados.
Ele faz uma pausa. Ele hesita.
Seus alunos inquietam-se, esperando por suas próximas palavras.
O professor espera por uma inspiração. E ela vem.
A palavra é "cru".
"Isso", diz ele a si mesmo, "essa é a palavra."
- Um espírito é feito simples e ignorante. Em outras palavras: cru.
- Entendemos isso - Joshua intervém, autoproclamando-se porta-voz da turma.
- Nós temos a habilidade de escolher - continua o professor, andando pelo palco até parar em frente a Joshua.
E por meio dessas escolhas adquirimos experiência.
- Continue, estamos com você.
Dessa vez foi Assan, que falou antes de Joshua.
- Não estamos mais "crus".
Personalidades se formaram.
Podemos, através de nossas escolhas, alimentar o ego, a vaidade e o orgulho dessas personalidades.
O professor deu uma boa olhada em Joshua.
- E nossos egos nos cegam, dificultando-nos ver quem nós, aqueles ao nosso redor, realmente somos.
Joshua sabia que aquelas palavras tinham sido direccionadas para ele, e decidiu manter a boca calada.
O professor esperou alguns segundos e dirigiu-se a Rosa Maria.
- Podemos escolher nossos próprios caminhos, ou deixar que outros os escolham para nós.
Podemos chegar às nossas próprias conclusões ou comprá-las prontas e embrulhadinhas.
Deixando Rosa digerir essas palavras, ele atravessou o palco para parar em frente a Assan.
- Podemos escolher o amor ou o ódio, a revolta ou a compaixão.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 17, 2016 9:53 am

Você pode ouvir a voz de Deus dentro de você ou pode ouvir as vozes da intolerância ao seu redor.
E então para James:
- A escolha é sua:
coragem ou medo; ressentimento ou perdão.
Você escolhe.
E agora, de volta ao centro do semicírculo, o professor dramaticamente declara que Deus nos criou "para que possamos ser como Ele".
Rosa está chocada.
Dando o habitual puxão em seu blazer, ela grita não apenas para o professor mas também para os outros alunos:
- Você está beirando o sacrilégio.
Como ousa dizer que somos como Deus?
O professor pacientemente diz a ela e ao grupo que ele não está ensinando nenhum tipo de blasfémia.
- Estou dizendo a verdade a vocês.
Rosa agora está de pé, tentando arrebanhar os outros para ficarem a seu lado.
- Como podemos nos tornar deuses? - interroga ela.
Há apenas um Deus, todo-poderoso, e não levarás diante d'Ele falsos deuses.
James falou, mas não em apoio a ela.
- Sente-se. Fique quieta.
Dê uma chance a ele.
Até agora, tudo que ele disse fez sentido, pelo menos para mim.
Rosa corou e olhou para Assan e Joshua.
Os dois deram de ombros.
Mais uma vez suas fantasias de rebelião se desfizeram, e ela fez a única coisa que podia fazer: recuou e sentou-se.
Vá em frente, professor, estamos ouvindo - encorajou James dando a Rosa um olhar de "Mantenha a boca fechada".
- Fomos feitos à Sua imagem e semelhança.
Fomos feitos crus.
Aprendemos, criamos e adquirimos experiências.
Enquanto evoluímos, nós começamos, do nosso próprio modo e tempo, a nos esvaziar dos nossos egos.
Até que percebemos que não precisamos mais de nossas personalidades, porque nos lembramos de quem e do que somos.
Então, vazios de nós mesmos, nós nos reunimos com o Criador.
Nós nos tornamos um com Ele.
E - o professor sorri para Rosa - se somos um com Ele, nos tornamos não Ele, mas como Ele. É isso.
As palavras "Nós nos tornamos não Ele, mas como Ele" percorreram o ser de Rosa Maria e, finalmente, começaram a fazer sentido.
- Foi o que Jesus quis dizer - ela exortou à classe - ao afirmar que o caminho para o Pai é por meio d'Ele.
Para chegar a Deus, tenho que ser como Jesus.
Rosa, olhando para a aura dourada do oitavo degrau, sabia que não estava nem perto de se tornar como Ele.
- Eu menti - confessou ela.
- E quem não mentiu? - James disse a ela.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 17, 2016 9:53 am

- Tive inveja dos outros - ela admitiu.
- Todos nós já não tivemos? - Joshua replicou.
- Fui intolerante e fanática - reflectiu Rosa.
Assan balançou a cabeça e riu, dizendo simplesmente:
- Olhe para mim:
passei duas vidas na intolerância e no ódio.
Joe estava em êxtase.
Rosa finalmente se abriu, assim como Joshua, Assan e James - confidência a você.
Agora é o momento perfeito para fazer minha fedaração final.
- Não há nada errado com as religiões.
Elas estão lá para guiar, confortar e ensinar.
Mas, às vezes, a religião se esquece da espiritualidade.
Às vezes, a religião não passa de uma tirania organizada.
Ele pede a todos que reflictam sobre Buda, Moisés, Jesus, Maomé e Krishna.
- Todos eles encarnaram com a missão de lembrar a nós mesmos quem somos.
Eles vieram para nos dar um impulso no caminho para a reunião com o Criador.
O resto - finaliza enfaticamente - é irrelevante.
- Agora é a hora de mais lembranças - diz Joe a você.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 17, 2016 9:53 am

14 - Uma lição da vida: James

Você está na plateia, sem participar dos dramas que se desenrolam no palco da vida.
Você está distante das emoções e paixões.
Você vê além delas.
Você está de fora.
Você não está envolvido.
Você assistiu a três encarnações de Assan e viu claramente o "EU" interligando-as.
Você testemunhou uma parte do show de William e Mary e viu as sementes da ambição germinando no espírito que você conhece como Joshua, formando o 'EU' que interligava "minha" fortuna, "meus" direitos, "minha" vida.
Quando você olha para o palco da vida quase pronto para apresentar a história de James, uma suspeita percorre sua mente.
Você começa a desconfiar que há uma conexão entre os quatro alunos e que é algo mais forte e mais profundo do que se viu até agora.
O professor observa você, do centro do semi-círculo.
Ele ergue uma sobrancelha, ostentando um sorriso malicioso.
- Você está certo.
Não é por acaso que esses quatro estão assistindo a suas vidas juntos.
Continuando a confabular com você, ele diz:
- Todos eles, com excepção de Rosa, conhecem suas vidas passadas mais recentes.
Todos os espíritos, ao romper o véu entre a Terra e o espírito, fazem uma retrospectiva da alma, analisando a vida terrestre que deixaram para trás, comparando o que preparamos para fazer e o que realmente foi feito.
No entanto, o professor explica que o que está acontecendo ali agora é diferente.
- Assan sabia que era um homem-bomba; mas ele não sabia que e como se tornou um.
O véu que cobria suas outras duas vidas foi retirado.
Agora, ele está vendo sua revolta e os fios do "EU".
O show de William e Mary não foi a última visita de Joshua à Terra; foi a penúltima.
Quem sabe, ele ligue os pontos para encontrar seus próprios fios.
James sabe o que ele vai ver.
O que ele não sabe é como isso vai levar a fazer uma escolha.
Você está curioso sobre uma coisa, mas, como sempre, o professor antecipa sua pergunta.
- Você quer saber por que Rosa não fez uma retrospectiva da alma.
Ela não estava pronta.
Ela estava muito ocupada procura Jesus, muito ocupada para entender que Seu espírito iluminado está ao nosso redor.
Suas revelações vão surgir ali - Joe indica o palco da vida com a cabeça -, porque, como você desconfia, há uma ligação entre todos eles.
Outra pergunta nasce em sua mente, e o professor ri.
Ele está, novamente, um passo à sua frente.
- Nem pensar!
Você vai ter que esperar para descobrir quais são as ligações entre eles.
Você sabe que não vai conseguir tirar mais nada dele, e, com uma piscadela, Joe diz à classe que está na hora de começar mais um flagrante da vida real no palco da vida, onde a projecção mostra um garoto alto e negro de treze anos de idade.
- Esse é James - revela Joe.
Mas ele não se chama James, ainda.
Seu nome é Kuntai.
Kuntai é o filho do chefe de uma tribo e, um dia, esse príncipe será rei.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 17, 2016 9:53 am

Na imagem viva, o garoto de treze anos traz um sorriso confiante e cheio de orgulho, rodeado pelos anciãos de sua tribo, depois de conseguir completar os rituais de sua iniciação.
Kuntai deixou de ser menino, para ser um homem.
O ano é 1840.
O lugar é a África, uma vibração no planeta Terra.
Rápida e imperceptivelmente, a cena muda da ensolarada planície da África para os porões escuros de um navio negreiro deslizando lentamente em algum lugar do Oceano Atlântico.
Estamos agora em 1850.
O garoto é um homem de vinte e três anos.
O jovem príncipe foi arrancado de seu lar, arrebanhado, acorrentado e jogado nos fundos de um navio para uma assustadora viagem, da liberdade à escravidão.
Trezentas almas aterrorizadas lotam as pequenas jaulas dos porões do navio negreiro.
Eles viajam sem contacto com a luz do sol e respiram o ar viciado e apodrecido pelo cheiro de seus próprios medos, desespero e angústia.
Dois meses se passam.
Ainda preso aos outros por algemas e correntes, Kuntai chega à América, onde é imediatamente levado para uma praça de leilões.
- Muitos espíritos encarnaram como escravos para aprender sobre a humildade - interrompe o professor, congelando a imagem sobre o palco da vida.
Lembram-se dos soldados arrogantes do Império Romano?
Lembram-se dos orgulhosos reis, rainhas e príncipes da Europa medieval?
Muitos deles estão no navio com Kuntai.
Mas ainda existem outros que foram voluntários como escravos, para que o mundo pudesse aprender como a cobiça de um faz a miséria de outro.
Lembrem-se:
nada acontece na Terra sem uma razão; nada acontece na Terra sem que haja uma lição para ser aprendida.
Joe decide revelar algo mais a você.
- Apesar de James não ter sido um soldado, rei ou rainha, sua lição era a mesma que a deles: humildade.
A mesma lição, mas por razões diferentes.
Joe voltou a atenção para a imagem parada de Kuntai na praça leilões e, imitando um director de Hollywood, gritou:
- Acção!
O leiloeiro aponta para o peito forte e bem torneado do negro:
- Muito trabalho pode ser extraído deste crioulo.
Mas havia desafio nos olhos escuros de Kuntai, e foi esse desafio que chamou a atenção de um jovem fazendeiro branco chamado Samuel.
Começaram os lances.
O negro, apesar de algemado e acorrentado, estava em pé, erecto, exibindo seu orgulho, mesmo enquanto era examinado como se fosse um animal.
Ele é jovem e viril.
O jovem fazendeiro pagou alta soma para levá-lo para casa, mas o novo senhor de Kuntai sabe que vai fazer esse dinheiro valer a pena.
Além disso, Samuel queria saborear o prazer de arrancar o olhar desafiador do rosto do negro.
Anos se passaram.
Do nascer do sol até o cair da noite, e de chicotada em chicotada, o jovem foi envelhecendo.
Ele já não tem a postura erecta; suas costas estão curvadas, não apenas por colher algodão debaixo do sol do Alabama, mas também pela humilhação e pelo medo.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 17, 2016 9:54 am

- Ele não é mais Kuntai, o príncipe africano.
Seu senhor lhe deu um novo nome.
Eles o tiraram de seu lar.
Eles tiraram sua liberdade, seu passado, e agora tiraram seu nome.
Ele agora é James, propriedade do senhor Samuel.
James casa-se e tem uma filha, que nunca será uma princesa africana.
Ela nasce uma escrava crioula, propriedade do senhor.
Os tambores da guerra chegam à fazenda.
Um homem de quem ele nunca ouviu falar declarou que ele e todos os outros escravos estavam livres.
Livre, sem nenhum lugar para ir.
Livre, num país estranho.
Livre, e a única coisa que ele sabe fazer é colher algodão debaixo do sol impiedoso do Alabama.
Então ele permanece com o senhor, que ainda é o dono das terras.
Surge um novo estilo de escravos.
Eram chamados de meeiros.
James alugava um pedaço de terra de Samuel.
Ele vende ao senhor o algodão que cultiva, ao preço que o senhor decide.
O senhor deduz do pagamento o aluguel das terras e o custo das sementes do algodão.
O que quer que restasse, dava apenas para comprar comida no armazém mantido pelo senhor.
James ainda era propriedade do senhor, e Samuel sabia disso.
A amargura reina no sul.
Numa noite estrelada de luar, um Samuel bêbado e seus amigos são tomados pela fúria.
A vítima é James, o ex-escravo, que o exército do Norte declarou ser um cidadão livre e pleno de direitos.
Os alunos vêem Samuel e sua gangue amarrarem o ex-escravo.
Eles testemunham o terror nos olhos de James. As faíscas de desafio que ali estavam há muito se transformaram em cinzas. Eles assistem à sua esposa e sua filhinha vendo, sem nada poder fazer, Samuel arrastar James, amarrado a seu cavalo, para a escuridão da floresta no Alabama.
Caído no chão, o sangue escorrendo de incontáveis cortes, o ex-escravo olha, sem acção, enquanto o Samuel e seus amigos fazem seus ajustes finais.
E, de sua cadeira no semicírculo, James silenciosamente assiste aos momentos finais de sua última encarnação, que passam diante de seus olhos.
Duas enormes cruzes são acesas, suas chamas bruxuleantes criando desenhos bizarros e projectando sombras que dançam na noite.
Uma corda com um laço pende de uma árvore.
Um homem com um capuz branco, parado no meio das duas cruzes em chamas, incita o pequeno grupo, dizendo-lhes que "o Sul vai se erguer novamente".
- Essas cruzes são os símbolos de nossa fé cristã e branca - grita ele na escuridão.
Que esses poderosos símbolos enviem o medo ao coração dos crioulos selvagens.
A classe vê a cena que rapidamente se desenrola.
A gangue carrega o negro, que se debate, até a árvore.
Eles passam o laço por sua cabeça.
James implora pela vida.
Aos gritos, ele clama por sua mulher e sua filha.
Ele é derrubado em direcção ao chão.
A corda quebra-lhe o pescoço, interrompendo a passagem do ar que lhe dava vida.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 18, 2016 10:03 am

O corpo, em convulsão, balança no galho da árvore, na escura floresta do Alabama.
A sombras sinistras que dançavam na noite eram alimentadas pelo brilho macabro das cruzes em chamas.
O corpo se contorce, lutando para voltar a respirar.
Seus olhos se arregalam aterrorizados ao perceber que não conseguiria.
Um murmúrio profundo e áspero escapa da garganta esmagada.
Repentinamente, o espírito se solta do corpo que sufoca e se contorce.
Confuso, aterrorizado e desnorteado, ele olha para baixo e vê o senhor e seus amigos compartilhando uma garrafa de uísque e celebrando os espasmos mortais do negro balançando na ponta de uma corda.
Ele ouve o senhor gritar para o corpo que se debate:
- Você me pertence.
Eu paguei um bom dinheiro por você.
Eu o alimentei. Eu o vesti.
E agora - ele espeta a carcaça pendurada com um pedaço de pau - você ganhou a liberdade que merece.
James e seus colegas viam o espírito dele sendo elevado do plano terrestre por braços carinhosos.
Há um grande número de espíritos a seu lado, cada um se esforçando em tornar mais fácil sua passagem das torturas da Terra para a liberdade.
O espírito está muito entorpecido pelo choque para que sinta os braços que tentam envolvê-lo.
Ele está muito absorto ao assistir a seus momentos finais na Terra para notar os muitos espíritos que estão a seu lado tentando confortá-lo.
- Isso aconteceu há mais de cento e cinquenta anos - narra o professor -, no fim da Guerra Civil Americana.
Joe prossegue e diz que James já viu muitas e muitas vezes sua última vida na Terra e que nada daquilo era novidade para ele.
- Ele sabe quem ele foi.
Seu problema é que simplesmente não sabe quem ele quer ser.
Todos os olhos se voltam para o jovem negro, jogado em sua cadeira, com o olhar para o alto, no domo.
Rosa mostra simpatia.
- Aqueles homens não eram cristãos - consola ela.
Pelo menos, não do tipo que eu conheço.
Sentado perto de James, Assan permite-se discordar:
- Conheço alguns como esses.
Mas, antes que Rosa responda ao desafio, Joe ergue a mão:
- Agora, não - repreende-os firmemente.
- Não consigo lidar com as coisas - James confessa.
Quando cheguei aqui, minha guia disse que, quando fosse a hora, eu saberia o que fazer.
Ainda estou esperando essa hora chegar.
- Foi para isso que a luz o trouxe até aqui - revela Joe.
Chegou a hora.
Logo, você terá a chance de fazer uma escolha.
E, como dizem na Terra, vai ser "pegar ou largar".
Você decide. Ninguém mais.
Até esse momento, Joshua estava quieto.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 18, 2016 10:03 am

Quando ele assistiu ao flagrante da vida de James, ele se lembrou do que o professor perguntou a Rosa no primeiro dia de aula: a questão sobre ele e James.
- Por que suas vidas foram tão diferentes, Rosa?
Se Deus os ama da mesma maneira, por que um passou a vida construindo um império e o outro rastejou pela sua, mal se sustentando?
A pergunta repetia-se sem parar na mente de Joshua, enquanto ele via a corpo moribundo se debatendo para continuar a viver.
O homem de negócios ainda não tinha uma resposta, mas, mesmo assim, chamou James.
- Amigo, você tirou umas cartas bem ruins.
Sinto por você.
Mas deixe isso para lá. Vá em frente.
Apague essa expressão de cão sem dono de sua face.
Todos estão com pena de você.
Deixe que eu lhe diga uma coisa:
pena não leva você a lugar nenhum.
Rosa e Assan ficaram chocados, depois revoltados, com as colocações frias e insensíveis do executivo.
Mas foi o que ele disse depois o que provocou a explosão de ambos:
- Você não pode mudar o mundo, rapaz.
Rosa engasgou.
- Como pode ser tão cruel?
Assan sacudiu a cabeça e disparou:
- Você não passa de um almofadinha rico que não se importa com nada além de si mesmo.
Até mesmo você, da plateia, fica espantado com a grosseria do empresário.
Talvez Joshua tenha sido insensível.
Talvez tenha sido cruel Talvez tenha sido grosseiro, mas suas palavras não apenas pairavam pela sala de aula, mas também ecoavam dentro de James.
- Você não pode mudar o mundo, rapaz.
- Você não pode mudar o mundo, rapaz.
As palavras romperam um véu.
O professor sorri quando uma nova imagem aparece no centro do palco da vida.
Lá estão dois espíritos.
Um é o espírito de um jovem rapaz branco, que, em sua vida que acabava de encerrar, fora um talentoso escritor.
O outro é o espírito de uma mulher mais velha.
- É James - esclarece Joe - antes dessa encarnação que vimos.
Ele é o espírito à esquerda.
A mulher mais velha é sua guia.
James, conhecido como Aldo, era um jornalista famoso vivendo na Itália.
Sua guia está tentando alertar o espírito sobre seu ego.
A classe, assim como James, presta atenção à conversa entre eles.
- Não há razão para isso - explicava a guia para Aldo.
Não há nenhum carma envolvido, nenhum equilíbrio para ajustar.
Ela o impelia a pensar sobre o que realmente estava por trás de sua escolha.
O jovem colunista, com os olhos cheios de paixão, disse à guia que os espíritos precisam realizar alguma coisa durante suas encarnações.
- Temos que fazer os outros despertar - disse ele.
Temos que abrir suas mentes para as injustiças e o sofrimento no mundo.
Apenas assim todos nós vamos progredir.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 18, 2016 10:04 am

Apenas assim o mundo vai se tornar um lugar melhor.
A guia sorriu pacientemente.
Aldo havia sido um jornalista impetuoso e radical.
Seu alvo favorito era a classe dominante do continente, a quem ele chamava de "parasitas decadentes".
- Quero voltar à Terra.
Desta vez não quero escrever; quero agir.
O jornalista, antes de sua morte, havia investigado a prática da escravidão nos territórios denominados Novo Mundo.
- Quero ser um escravo.
Quero ser um deles.
Quero liderá-los numa revolta pela liberdade.
Essa é minha missão para mudar o mundo.
A mulher disse que nada poderia impedi-lo, "se essa é a sua escolha".
Mas ela alertou:
- Esteja certo das intenções por trás dessas nobres palavras.
E cuidado com missões delegadas a si mesmo.
Joe interrompeu a exibição para explicar o que estava acontecendo.
- James, ou Aldo, se vocês preferirem, tinha permissão para fazer sua escolha.
Mas ele aprendeu o que não esperava aprender, porque seu ego, e não seus ideais, é que estava por trás daquela escolha - disse o professor.
O universo deixou-o sentir as consequências de seu ego, ao ensinar-lhe uma lição de humildade.
Os alunos desviaram o olhar do palco da vida para encarar James.
Assan, em particular, via o colega de classe com outros olhos.
- Nós fazemos nossas escolhas.
Um guia simplesmente aconselha.
Um espírito pode ouvir ou não - explicou Joe.
Aldo tornou-se Kuntai porque essa foi sua escolha.
Não existe carma para impedi-lo, nem razão para que sua escolha lhe seja negada.
- Eu fracassei - murmurou James de sua cadeira, e, olhando para Joshua, admitiu:
- Você estava certo.
Não se pode mudar o mundo.
O homem de negócios, sentindo-se justificado, sorriu presunçosamente e disse de forma generosa:
- Tudo bem, garoto.
Também já passei por maus bocados.
É uma selva lá fora; ou você joga pela regras ou não joga.
Apenas os fortes sobrevivem.
O professor concordou:
- Ele está certo.
Não se pode mudar o mundo.
Rosa e Assan, momentaneamente unidos contra os argumentos de Joshua, ficaram boquiabertos com a concordância do professor.
No entanto, depois de pequena pausa, Joe acrescentou dramaticamente:
- Porque essa não é a sua missão.
O professor andou até a escada, novamente parando sobre segundo degrau, que ainda brilhava em azul.
Ele lembrou os quatro alunos que a Terra, representada por aquele degrau, foi criada por um poder maior que o deles e esse poder nunca fez nada por acaso.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 18, 2016 10:04 am

- Deus criou a Terra para ser exactamente o que ela é: uma escola.
Nada mais, nada menos.
Apenas Ele pode mudada, porque Ele é quem está no comando.
Com o degrau-Terra brilhando um azul de néon atrás dele, o professor moveu-se pelo palco para parar exactamente diante de James.
- Você pensa que fracassou, mas não fracassou.
Você aprendeu as consequências do ego, meu amigo, e nenhuma encarnação é um fracasso quando o espírito aprende.
O negro piscou e disse que não realizara o que se havia proposto a fazer.
O professor disse a James que ninguém podia realizar o impossível.
- Você queria corrigir injustiças, mas não existem injustiças.
Tudo na Terra é do jeito que deveria ser.
Como você poderia corrigir o que está certo?
James olhou de volta para o professor, sem acreditar.
- Então qual é a razão disso?
Por que nascemos, se não para fazer do mundo um lugar melhor?
O professor não respondeu imediatamente.
O que ele queria dizer era simples, mas também muito complicado.
No outro lado do semicírculo, Joshua disfarçou o tédio olhando para suas unhas perfeitamente cortadas e tratadas.
Rosa e Assan esperavam, ansiosos.
Alguns segundos se passaram antes que Joe estivesse pronto para falar.
- Nascemos para que, eventualmente, possamos lembrar o que somos e voltar a ser parte do que éramos.
E começamos a nos lembrar do que somos ao começar a esquecer quem somos.
Todos vocês ainda estão aprendendo as lições de ser quem são.
- Agora vem a parte difícil - o professor lhe dá uma dica.
Eles vão ter que compreender isso.
De uma certa forma, James está certo.
Estamos nisso juntos.
Somos responsáveis pelo progresso de cada um.
Mas, por outro lado, estamos nisso cada um por si.
- Isto, sim, é que é contradição:
estamos todos juntos e cada um por si.
Aposto que eles estão com dificuldade de engolir isso? - Joe brinca com você.
- Não apenas eles - é sua resposta.
Você também se pergunta aonde o professor quer chegar.
- Aguente firme. Tudo vai ficar mais claro em um segundo.
- Às vezes... - começa Joe, mas rapidamente corrige a si mesmo.
Na maioria das vezes, as coisas não acontecem da forma como planeamos.
Mas, quando olhamos para trás, vemos que elas aconteceram da maneira como deveriam ter acontecido.
- Mais uma contradição para dar um nó em suas mentes - diz ele a você.
- Ena minha também ? você responde.
- Vou começar a desfazer o nó agora - tranquiliza o professor, e volta-se para confrontar James sobre Aldo.
- Você foi um jornalista arrogante e intolerante, que pensava ser o dono da verdade.
Você agia como se só você soubesse o que era certo ou errado.
Quem é você, ou qualquer um de nós, para julgar?
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 18, 2016 10:04 am

James recuou, mas defendeu a si mesmo e a Aldo.
- Ele queria o melhor.
Ele pensou que todo mundo tivesse direito à dignidade.
Assan concordou veementemente.
- Ele queria lutar por aqueles que não tinham vez.
Finalmente, o adolescente compreendeu por que ele, desde o momento em que se encontraram, sentiu que tinha algo em comum com James.
Com um gesto brusco de sua mão, o professor despachou os dois, dizendo que a defesa deles para James ou Aldo era "irrelevante".
- Intenções. Os motivos por trás de nossos actos é o que conta - disse Joe.
Ensinei a vocês que o poder de criar está em cada Um de nós, e que ficamos com as consequências do que criamos, ou seja, são nossas as consequências de nossas intenções.
Isso se chama carma, ou, citando um provérbio terrestre, "aqui se faz, aqui se paga".
O professor compartilha um pensamento com você:
- Nenhum deles ainda compreendeu que o progresso e a evolução não vêm quando impomos nossa vontade aos outros; eles vêm quando impomos nossa vontade sobre nós mesmos.
Joe avisa os alunos que as palavras de Aldo serão reproduzidas novamente no palco da vida, e pede a eles que prestem atenção ao que motivava Aldo.
- Quero liderá-los numa revolta pela liberdade.
Essa é minha missão para mudar o mundo.
- Melhor do que replay tira-teimas - brinca Joe com você.
- A única preocupação dele é com ele mesmo - observou Rosa secamente.
O professor faz a ela um sinal de positivo e mostra de forma irreverente como as intenções por trás da encarnação não foram tão nobres quanto anunciadas:
- Eu... Eu... Eu sou o líder, eu vou liderar - dizia Joe à classe, mostrando que a intenção do espírito era a de se tornar um salvador, um líder.
Ele queria ser o centro das atenções.
Como jornalista, ele se fez juiz e júri daqueles sobre quem escrevia.
Ele pouco ou nada ligava para as injustiças ao seu redor.
Ele as usava em seu espectáculo.
- Como Assan - você pensou, para o professor.
- Você entendeu - confidencia ele a você.
- Eu fracassei por minha arrogância - murmurou James, deixando a cabeça cair e fitando o chão.
- Errado - responde o professor enfaticamente.
Nenhuma vida é um fracasso.
Aldo passou a ser James com um ego do tamanho de uma cidade.
Acho que diminuiu pelo menos até o tamanho de um quarteirão - divertiu-se o professor, conseguindo arrancar um fraco sorriso de James.
E, com essa frase, Joe inicia um breve interrogatório com James.
Você compreende que ninguém pode mudar o mundo?
Que mundo é como é porque uma força superior quer que ele seja dessa maneira?
O aluno concorda, obediente.
- Você compreende que o que quis fazer, embora nobre, desde o começo estava comprometido por suas intenções manchadas pelo orgulho, ego e arrogância?
O aluno assente com um sorriso tímido.
O professor dá uma piscadela e pede a James que se prepare para as próximas perguntas.
- Vamos para a rodada de fogo - brinca.
Você percebe que é você, e não o mundo, que mudou?
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 18, 2016 10:04 am

Consegue ver que você não é mais o Aldo arrogante, egocêntrico e egoísta?
Um sorriso maior e mais confiante preenche o rosto do negro.
- Então, como pode dizer que sua encarnação foi um fracasso? - diz o professor num sussurro.
Não havia necessidade de uma resposta.
- James, você é quem vai explicar o "Estamos nisso juntos, mas cada um por si".
Acho que já está pronto.
O aluno olha ao seu redor na sala.
Primeiro, para Assan, à sua direita, depois para o outro lado da classe, para Rosa e Joshua.
Ele não está procurando ajuda, apenas procura as palavras certas para explicar o que havia aprendido.
Seus olhos voltam para o professor e encontram um gesto encorajador.
- Estamos nisso juntos - ele começa, hesitante, tomando fôlego.
Nós todos temos dentro de nós a mesma divina chama de nosso Criador.
Viemos da mesma matéria e encarnamos para aprender uns com os outros.
- Até aqui, tudo bem.
Joe fala secretamente com você, mas para James ele ergue as sobrancelhas, sinalizando que está esperando mais.
O aluno agora lida com a segunda parte da contradição. Outra vez, respira fundo.
- Primeiro, a parte de nós mesmos:
não podemos mudar os outros.
O melhor que podemos fazer talvez seja mudar o ponto de vista de outro espírito, dessa forma ele pode mudar seus valores começar a mudar a si mesmo.
Somos responsáveis por nosso próprio desenvolvimento, e cada um de nós precisa lembrar o que somos esquecendo quem somos.
Rosa, Joshua e Assan olham para o professor.
Ele está certo ou errado? A classe espera.
Eles vão ter que esperar um pouco mais.
Joe quer ter certeza de que eles entenderam completamente as implicações do "Estamos nisso juntos, cada um por si".
- Em outras palavras - sugere Joe a James -, estamos unidos uns aos outros porque fomos criado à Sua imagem e semelhança.
E encarnamos para aprender, evoluir e nos reunir ao Criador.
- É, é isso - concorda James.
- Mas o caminho para casa é uma viagem particular.
Ninguém pode fazê-la por nós.
Cada espírito tem que achar seu próprio caminho.
- Parece certo para mim - responde o negro, aliviado por descobrir que compreendeu a contradição.
- Mas há mais - intervém o professor.
- O que foi apenas um, somente poderá voltar a ser um se todo o grupo voltar ao lar.
Isso significa todo e qualquer espírito que já foi criado.
Estamos nisso juntos, somos responsáveis por nós e por todos os outros, mas a forma como encontramos o caminho de volta depende apenas de nós.
James assente.
- Foi o que eu disse.
Assan diz que compreendeu.
Rosa olha para o tecto.
Ela ainda está lidando com os conflitos que se reviram dentro dela, tentando conciliar suas crenças com o que está aprendendo naquela escola.
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Ave sem Ninho

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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 18, 2016 10:05 am

- Estou ouvindo - é tudo que ela diz.
E Joshua, que sem querer pôs a bola em jogo, relaxado em sua cadeira, boceja e diz:
- Vou pensar no assunto.
- A propósito - diz Joe, numa ideia de última hora -, há alguém a quem você deve agradecer, James.
O aluno encolhe os ombros.
- Alguém que o ajudou a achar seu caminho - provocou o professor.
- Está falando de você?
O professor sacode a cabeça negativamente.
James arriscou mais um nome: Joshua.
O negro recebe um sorriso e mais uma negativa do professor.
- Não tenho ideia - admite James.
- O homem que o ensinou sobre humildade - cutuca Joe.
- O homem que... - James murmura, procurando pela resposta.
De repente, ela ficou clara para ele.
Seus olhos se arregalam.
- O senhor Samuel, aquele bastardo que me comprou, acorrentou, açoitou e me matou?
É a ele que se refere? - grita o ex-escravo.
Você deve estar brincando!
O professor calma e deliberadamente responde:
- Não estou, não. Ele o ajudou bastante.
Lembre-se do que eu disse:
na maioria das vezes, as coisas não acontecem como planeamos.
Mas, quando olhamos para trás, vemos que aconteceram da forma como deveriam ter acontecido.
James olha para Assan:
nenhum dos dois acredita no que está ouvindo, mas o pensamento rápido de Assan vê uma chance de provocar Joe.
- Ora, professor, você sabe que aquele senhor de escravos não queria ajudar.
Pensei que tivesse dito que a intenção é o que contava!
Assan exibia um sorriso triunfante que não iria durar além de alguns segundos.
O professor admite que Assan tem razão:
a intenção por trás da acção é o que realmente conta.
- Mas por que James deveria se importar com as intenções de seu senhor?
Ele aprendeu uma dura lição:
o que significa a escola Terra.
Ele deu um importante passo no aprendizado para subjugar seu ego.
Ele deveria ser grato a seu senhor, e não odiá-lo.
James olha para o domo, tentando imaginar o que o professor quer.
- Isso vai além do perdão - diz James em voz alta.
Você está me pedindo para ser grato a ele.
- Não. Estou pedindo que não julgue.
Estou pedindo que seja como Jesus - sugere Joe, lembrando a James e à classe sua última aula.
Estou pedindo que saiba o que significa a Terra.
Estou pedindo para ser como Buda:
olhe dentro de si mesmo e veja quanto você mudou.
A classe fica em silêncio enquanto James, Assan, Rosa e até mesmo Joshua reflectem sobre as palavras do professor.
Joe queria ir em frente e começar a segunda parte do show de William e Mary.
Mas, dando mais uma olhada para Joshua e Rosa ele muda de ideia e anuncia:
- A seguir, uma palavrinha de nossos patrocinadores.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 18, 2016 10:05 am

15 - Uma lição de Joe: o elevador e uma visita ao inferno

Joshua, como sempre, estava impaciente.
Ele tinha certeza de que o professor ia apresentar a próxima parte do show de William e Mary.
Joshua achava que, assim que sua vida tivesse sido apresentada, ele estaria livre para ir embora.
Vendo como Aldo foi autorizado a reencarnar, mesmo contra os conselhos de sua guia, Joshua havia chegado a uma decisão:
ele iria voltar à Terra e continuar de onde parou:
na corrida pelo dinheiro, poder e status.
Mas ele estava intrigado com a forma com que a última aula acabara.
E ele ainda não entendia por que o professor continuava se referindo aos flagrantes de sua vida como o "show de William e Mary".
Ele sabia que havia sido William, mas que negócio era aquele de Mary, afinal?
Joshua, assim como os colegas de classe, admitiria prontamente que não concordava com tudo que o professor dissera.
Porém admitiriam que, durante as aulas, participaram de alguns momentos espectaculares e até estimulantes:
uma amostra da Criação, um rápido e Poderoso vislumbre de Deus e os fascinantes flagrantes da vida real.
A lembrança desses eventos deixou-os imaginando o que seria a tal "palavrinha de nosso patrocinador".
Joe também sabia que os alunos não podiam compreender aceitar tudo que ele ensinava.
Isso seria impossível.
- Cada um de nós evolui à sua própria maneira.
Aprendemos quando estamos prontos; vemos apenas o que somos capazes de ver - reflecte ele com você.
Uma nova lição logo ia começar, e o palco foi cuidadosamente preparado.
A primeira coisa que os alunos notaram foi a escada larga e colorida:
ela estava novamente toda iluminada.
Os nove degraus brilhavam e piscavam, cada um irradiando sua própria e especial tonalidade e vibração, formando uma exuberante harmonia de cores.
Joshua maravilhou-se com o jeito que a escada iluminava a sala de aula:
- É melhor que Las Vegas.
Joe, em pé no meio de seus quatro alunos, mostrou-lhes um largo sorriso.
- Eu sei que vocês provavelmente já cansaram de ouvir o que vou dizer agora:
fomos feitos com o poder de criar, que nos dá o poder de escolher.
Quero que vocês percebam que suas acções, palavras e até mesmo pensamentos têm consequências, porque com o poder vem a responsabilidade.
Rosa bufou e, como sempre, antes de fazer suas considerações ou um anúncio importante, arrumou seu blazer e aprumou-se em sua cadeira.
- Essa mulher deve ter usado espartilho quando estava viva.
Ela é tão aprumada! - observa Joe.
- Como boa cristã, sei da importância de uma mente limpa e de uma boca pura.
Pensamentos impuros são as tentações do próprio Satã - discursou ela.
E, Deus é minha testemunha, nenhuma palavra profana jamais passou por estes lábios.
A atitude da mulher surpreende você.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 18, 2016 10:05 am

No final da última aula, você estava convencido de que Rosa finalmente havia aberto sua mente.
Ainda estava viva em sua memória a confissão de que ela não estava nem perto de ser como Jesus.
Mas lá estava ela, de volta à velha forma.
Ela está dando uma de tartaruga.
É normal - o professor brinca com você.
Ela esticou a cabeça para fora do casco, mas não está completamente segura, então voltou para dentro.
Vai levar algum tempo.
Ela não está habituada a pensar por si mesma.
Mas o resto da classe não é tão paciente ou compreensivo quanto o professor.
Assan revirou os olhos.
Ele não sabia por quanto tempo iria suportar aqueles sermões da velhota.
- Essa mulher está me dando nos nervos - murmura ele em voz alta.
James lança um sorriso emblemático para Rosa Maria, e Joshua, novamente assumindo sua postura de homem de negócios impaciente e entediado, finge não ouvir nenhuma palavra que ela diz.
Joe ignora tudo isso.
- Hora de ir em frente ? diz a você, ao deixar o semicírculo em direcção à escada, parando sobre o primeiro degrau.
- Degrau 1: Deus nos cria.
Subindo um patamar, ele relembra aos alunos:
- Degrau 2. Ele enseja um plano terrestre e os milhares de outros mundos onde espíritos encarnam para aprender e crescer.
Mas... e esses outros sete degraus? Quem os fez?
A pergunta flutua pela sala.
O professor acena para James, esperando uma resposta.
James procura ajuda.
Vendo que ninguém partiria em seu auxílio, ele arriscou timidamente:
- Deus. Meio óbvio, não é?
- Você está certo e errado - sorriu Joe, e com um ar de mistério acrescentou:
- Não é tão óbvio quanto você pensa.
Ainda do alto do segundo degrau, Joe agora se vira para Joshua, que responde:
- Não dá para saber, a menos que você explique o que são os outros degraus.
- Boa resposta - admite o professor, e para você ele confidencia:
- Esse cara não teria construído um império se fosse bobo. Ao menos está prestando atenção.
Rosa e Assan estavam prestando atenção não apenas no professor, mas também um no outro.
A momentânea aliança contra a insensibilidade de Joshua já se havia dissolvido e uma inexplicável inimizade tomou seu lugar.
- Bem, estou esperando - diz o professor a eles.
Quem fez os degraus restantes?
Rosa, olhando cautelosamente para Assan, responde primeiro.
- Eu diria que, depois de criar o homem e a Terra, Deus criou o céu e o inferno.
São quatro. Sobram cinco, e eu...
Ela emite um suspiro, enquanto sua voz cai no silêncio da incerteza.
Assan segue no vácuo criado pela dúvida de Rosa.
- Ele nos fez, e então fez a Terra. Dois degraus.
Os outros são degraus para o paraíso - declara ele, em tom triunfante.
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Re: DIANTE DO ESPELHO da Vida / Ricky Medeiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 18, 2016 10:05 am

- Bingo! - exclama Joe.
Agora, a pergunta principal:
Assan, o que cada um desses sete degraus representa?
Um sorriso explode no rosto do adolescente.
- Sei lá! Foi só um palpite.
Até Rosa cai na risada. Joe diz:
- É, foi um bom palpite.
E, já que está fazendo um bom trabalho, arrisque um chute sobre quem os fez.
Assan girou os olhos e balançou a cabeça.
- Você disse que James estava apenas metade certo, ao dizer Deus.
Não tenho nem ideia de qual é a outra metade.
O professor disse que ia explicar tudo fazendo algumas perguntas a Rosa.
Ninguém se surpreendeu:
Joe adorava usar Rosa para formular seus argumentos.
Ela se apruma com firmeza.
Não seria a primeira vez que aceitava um desafio do professor.
- Por que você não encontrou o paraíso que procurava? - questiona Joe.
Dica: talvez seja porque o paraíso que você quer não existe ou porque você não está pronta para ele.
Qual das opções?
Rosa estava perplexa.
A única coisa que conseguiu responder, com um sorriso retorcido, foi:
- Já estou feliz de não ter encontrado o inferno.
A piadinha de Rosa dá a Joe uma ideia.
Acho que descobri um jeito de fazê-los sentir o que estou ensinando murmura ele, dividindo sua empolgação com você.
Prepare-se. Você também está nessa.
- Quero que todos vocês façam de conta.
Vamos imaginar que estamos dentro de um elevador de carga.
Joshua, com uma das mãos cobrindo a boca, sussurra para Rosa:
- De Las Vegas para um armazém.
Onde é que isto vai parar?
Rosa abafou uma risada, tentando prestar atenção ao professor.
- Estamos indo ao subsolo - olhando intencionalmente para Joshua - do armazém.
Devo avisados, porém, que este elevador está com excesso de peso.
O clima na classe mudou quando os alunos viram o olhar sério e solene no rosto do professor ao dar um vagaroso e deliberado passo para o terceiro degrau.
Os raios dourados suaves que caíam do domo se apagaram.
Todas as cores pulsantes da escada se apagaram, com excepção do terceiro degrau, cujo violeta iluminava sombriamente a sala de aula.
- Aqui está o inferno, Rosa - declara o professor.
E, acredite, nosso Deus não fez isso.
Ele conta a ela e aos outros que aquele não era exactamente o inferno descrito pelos cristãos.
- Não fomos feitos para sermos condenados.
Fomos feitos para aprender e evoluir. Prefiro chamar este degrau de "O Abismo".
Um chiado assustador ecoa pela sala, seguido do ranger de engrenagens de metal.
Um ruído surdo sacode a classe.
Um solavanco rápido e inesperado faz com que você perca o fôlego.
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