Conde J. W. Rochester - Os Magos 1: O ELIXIR DA LONGA VIDA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 1: O ELIXIR DA LONGA VIDA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 04, 2016 7:22 pm

"Hebramar leu meus pensamentos e me respondeu sorrindo:
"- Tranquilize-se.
A vaidade não a cega, não... você é sempre jovem e bela...
"Ele então tirou do armário e me pôs na mão um cristal feito de uma substância desconhecida.
Esse espelho era melhor que aqueles dos quais me servia em Roma, todos metálicos.
Muito emocionada, olhei minha imagem e me convenci de que não tinha mudado em nada, - tanto quanto Hebramar.
"- Veja a si mesma; nada tem a temer da justiça romana, disse Hebramar.
Licínia teria cabelos brancos, seria uma matrona talvez curvada e enrugada, e não uma adorável adolescente de olhar brilhante, nas chispas dos seus dezassete anos!
"- Que é este prodígio?
A ciência possuiria o segredo da juventude eterna? - exclamei emocionada.
"- Virá dia em que isto terá resposta...
Agora vá e se arrume...
Partimos para Roma em três dias."
"Não falarei de nossa viagem.
Em Alexandria nós nos vestimos nos costumes gregos.
E Hebramar chegou a Roma na qualidade de sábio ateniense, acompanhado de sua mulher Eu-kharissa.
Um empregado partiu antes de nós, alugou uma casa e tudo estava pronto para nos receber.
"Imagine meus sentimentos quando atravessei as ruas onde eu tinha sido levada em padiola fúnebre!
A impressão produzida por essa lembrança foi tão intensa que desmaiei, perdendo a consciência.
"Na manhã de nossa chegada, Hebramar anunciou que meu pai já nos esperava e que eu poderia ir vê-lo à tarde.
"Entrando em sua casa, vi um velho descarnado sentado em uma poltrona; ele parecia ser um esqueleto vivo.
Perto dele estava um outro velho, todo curvado, a barba branca, o rosto todo marcado de rugas.
Pareceu-me reconhecer seu olhar, mas não tive tempo de analisar minhas impressões, pois os dois soltaram um grito surdo quando tirei meu véu.
"Meu pai ficou tão emocionado que se prostrou em sua poltrona e acreditei que ele iria morrer.
Caí de joelhos, o abracei e o cobri de beijos.
Ele abriu enfim os olhos, tomou minha cabeça em suas mãos e me olhou chorando.
Após ter dominado sua dupla emoção - aquela de me rever após tantos anos e de me reencontrar jovem e bonita - ele indicou o outro velho que estava silencioso, apoiado na parede, o rosto escondido entre as mãos.
"- Olhe; você não o reconhece?
É Creon, ajuntou ele docemente.
"Profundamente emocionada, me aproximei de Creon, lhe estendi as mãos e balbuciei:
"- Não quer me olhar?
"Ele se endireitou e me fixando com uma expressão amarga e desesperada, respondeu:
"- É penoso vê-la!
Eu sou um velho curvado pela idade...
Enquanto que os deuses tocados por sua beleza lhe concederam eterna juventude; a dor causada por sua perda embranqueceu meus cabelos e curvou minhas costas; o traidor feliz vivia com a mulher que eu amava, que ele tinha prometido me reconduzir de volta e ma roubou...
Homem sem fé! ele tinha tudo e levou embora de um infeliz seu único tesouro, nos condenando, seu pai e a mim, à solidão completa, terminou ele cerrando os punhos.
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Ave sem Ninho

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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 1: O ELIXIR DA LONGA VIDA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 04, 2016 7:22 pm

"- Você é injusto e ingrato, respondi severamente.
Devemos-lhe, os dois, o ter escapado a uma morte vergonhosa e terrível!
Se você tivesse sido mais paciente e mais sábio, nós teríamos fugido os dois, eu não teria sido uma criminosa e nossa vida teria sido diferente.
"Creon empalideceu e baixou a cabeça.
Esta dor silenciosa provocou minha piedade.
Aproximei-me dele e o abracei.
"- Esqueça e perdoe o irreparável!
Sejamos amigos e agradeçamos aos deuses que nos permitiu o reencontro.
"A calma voltou aos nossos espíritos.
Meu pai contou que depois de minha libertação, recebeu de Hebramar apenas estas palavras lacónicas:
"Ela está salva!"
"Muitos anos se passaram; ele não recebeu mais nenhuma notícia...
"Caius, meu irmão, morreu; minha cunhada se casou de novo.
E meu pai, pensando que eu vivia em Atenas, com Creon, e que tinha medo de lhe escrever, partiu para a Grécia e reencontrou o escultor.
Creon nada sabia de mim.
Teve para com meu pai todas as atenções de um filho devotado.
Tornaram-se amigos e viveram muitos anos na Grécia.
"Sentindo a morte vir, meu pai quis rever Roma e morrer em sua casa.
Veio com Creon, que ninguém reconheceu, pois se haviam passado trinta anos; o antigo drama tinha sido esquecido.
"Alguns dias depois de minha primeira visita, Hebramar veio ele mesmo ver meu pai e se reconciliar com Creon, que se tornava cada dia mais fraco e três meses após minha chegada, foi achado morto perto da estátua da Vestal.
"Ele havia gravado no pedestal:
"Criação de minhas mãos, alegre fantasma da felicidade de minha juventude, a ti meu último pensamento!
Aquela que talhei no mármore me amava e me pertencia.
Seus traços adorados eram minha consolação."
"A inscrição ainda permanece visível.
Depois da morte de meu pai, e após algumas semanas da morte de Creon, deixei Roma e levei a estátua.
Desde então esse souvenir precioso não mais me deixa...
A estátua é um elo real que me une fortemente a esse passado..."
Nara se calou e lágrimas correram em suas faces aveludadas...
Ela reencontrou o olhar triste e dolorido de seu marido e se esforçou por sorrir.
- Você vê, apesar da imortalidade e de todo nosso conhecimento, o coração insubmisso do homem não pode dominar a dor das separações dos seres queridos e das lembranças das duras provas vividas.
- Nara! pronunciou com voz trémula Supramati extremamente pálido.
Sua narrativa evocou em mim sensações, imagens desconhecidas... eu diria quase reminiscências dos sentimentos vividos... mas é caótico, incompreensível...
Se você afirma que as almas reencarnam, que elas habitam novos corpos...
Você o sabe...
Dissipe essas sombras, aclare meu espírito!
Os olhos de Nara brilharam.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 1: O ELIXIR DA LONGA VIDA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 04, 2016 7:22 pm

Ela se inclinou, pôs sua mão sobre a fronte de seu marido.
Depois de um instante de silêncio, ela murmurou:
- Creon! Lembre-se das horas de alegria que nós expiamos duramente!...
Um raio pareceu atravessar o espírito de Supramati, um véu pesado caiu de seus olhos.
E, de repente, ele viu o templo de Vesta, o altar onde queimava o fogo sagrado, a silhueta branca da vestal que ele abraçava...
Então ele reviveu toda a felicidade e a angústia do passado.
Cismarento, colocou sua cabeça sobre os joelhos de Nara que, docemente, lhe acariciou os cabelos.
Ele se abandonou à alegria de ter achado novamente, após tantos séculos, sua amante perdida.
Uma imensa ventura se abria diante do casal imortal.
Na manhã seguinte, bem cedo, partiram secretamente para o seu castelo na Escócia, escondendo na mais estranha e na mais solitária das naturezas, sobre o rochedo, sempre batido pelas ondas, uma felicidade que não teria limite e que os retirava da própria humanidade.

In-fólio (forma latina): na folha; diz-se de, ou livro ou formato, em que cada olha é apenas dobrada em duas. (Dicionário Aurélio). N.T.

§.§.§- O-canto-da-ave
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 1: O ELIXIR DA LONGA VIDA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

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