Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 27, 2016 7:32 pm

Ela estava feliz por ter o destino a unido a uma pessoa tão maravilhosa.
Havia muito tempo que o casamento do príncipe hindu, extremamente rico e interessante, era o tema preferido das fofocas das comadres e da curiosidade ociosa da multidão; por isso a praça e as ruas diante da catedral estavam tomadas de gente, e uma massa compacta espremia-se em torno do automóvel entalhado, cheio de incrustações, dos recém-casados.
Uma multidão não menos numerosa cercava o palácio de Supramati, magicamente iluminado.
Grinaldas luminosas de variadas flores contornavam em linhas ígneas os chafarizes e as torres, perdendo-se nas alamedas do jardim, jorrando em volta correntes de luzes brilhantes.
Nos salões do palácio reuniu-se toda a nata da capital; o vinho, tomado à saúde do jovem casal, era alvo de deslumbre dos entendidos.
Jamais eles haviam experimentado um néctar tão delicioso, o que, por sinal, não tinha nada de extraordinário, pois os vinhos nos porões dos palácios de Supramati tinham a mesma idade que o seu proprietário.
O banquete estava em seu auge, quando Supramati com a jovem esposa se retiraram sem serem vistos, deixando Dakhir e Narayana cuidarem dos convidados.
Através de uma galeria de vidro, eles foram pela escada acarpetada e enfeitada por flores até os cómodos da jovem princesa; depois, atravessando um boudoir pequeno e gracioso, entraram no dormitório, mobiliado com luxo imperial.
Era patente que Supramati, desde que o quisesse, sabia ser um sucessor digno de Narayana e de seu gosto refinado.
Pálida e nervosa entrou Olga no quarto de cabeça baixa.
Supramati atraiu-a carinhosamente junto a si e a beijou; mas, de súbito, ele estremeceu e virou-se rapidamente.
Seus grandes olhos faiscaram e ele ergueu a mão em ameaça.
Surpresa, Olga olhou na direcção da mão do esposo e soltou um grito de terror.
A dois passos dela, quase encostando na cauda de seu vestido, erguia-se a cauda de uma enorme serpente; seu corpo escamoso estorcia-se e os olhos verdes fitavam fosforescentes a jovem mulher com um olhar diabolicamente cruel.
Sua repulsiva cabeça assemelhava-se a um crânio de esqueleto e era envolta numa espécie de clarão sanguinolento; de sua goela escancarada gotejava espuma fétida.
Luzidia como uma lanceta de aço, sua língua descomunalmente comprida se esticava, tentando alcançar à jovem.
- Sufocando-se do bafo fétido que lhe batia no rosto, Supramati recuou abraçando a esposa; de sua mão erguida fulgurou uma labareda, a pedra de seu anel mágico no dedo inflamou-se numa luz ofuscante e o rolar de um trovão longínquo fez estremecer as paredes do quarto.
- Como você ousa aproximar-se de um mago, sua criatura diabólica!
Pagará caro por isso! – gritou ameaçador Supramati, sacando um punhal de lâmina lisa, que oscilava feito uma chama.
Sob a chuva das faíscas ígneas, a serpente começou a se contorcer chiando e sibilando forte; mas, subitamente empertigou-se lépida, tentando se lançar para frente e alcançar Olga com o ferrão.
Neste meio termo, Supramati pronunciou a fórmula mágica e lançou o punhal, que se cravou no crânio do réptil.
O monstro soltou um urro horripilante, enegreceu, inchou e em seguida explodiu, envolto numa fumaça negra que encheu o recinto com odor putrefacto e sufocante.
Durante esta cena – longa para ser descrita, mas que durou apenas um minuto -, Olga ficou agarrada à mão do marido, e depois se deixou levar para o sofá.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 27, 2016 7:33 pm

- Está terminado, minha querida!
O embaixador de Chiran voltou ao seu senhor.
Entretanto, o canalha é mais forte que eu imaginava.
Ele que ouse investir contra você novamente; eu acabo com ele! – disse Supramati cerrando o cenho.
Aproximando do armário, ele tirou um frasco, e com o seu conteúdo borrifou todo o quarto.
O odor fétido se dissipou imediatamente, dando lugar a um aroma suave e vivifico.
- Assustou-se - perguntou ele, sentado ao lado da jovem esposa, ainda lívida pelo acontecido.
- Sim, fui tão tola, que de facto me assustei.
O que eu haveria de temer, estando ao seu lado! – volveu ela, erguendo os olhos marejados e cheios de amor.
Sensibilizado com as palavras, Supramati beijou-a carinhosamente.
- O que aconteceu aqui, tal como foi na primeira investida de Chiran, vem a comprovar, minha querida, que no mundo invisível que nos rodeia há muitos mistérios estranhos e terríveis.
Entende que o homem a quem você se uniu não é um homem comum.
Com o tempo, você assistirá e passará por muita coisa incrível, jamais vista; mas seus lábios deverão estar selados no silêncio e tudo o que testemunhar ou descobrir como esposa de um mago deverá permanecer como segredo para os outros.
- Seu desejo é uma ordem.
Não tenho outra vontade além da sua, e ficarei muda, creia-me!
O que senti durante a cerimónia do casamento me fez entender que eu desposei um homem incomum.
Isto me fascina e me enche de orgulho, no entanto... eu nem posso apregoar isso – concluiu ela com tal pesadume ingénuo e franco, que Supramati se pôs a rir.
Os dias que se seguiram ao casamento passavam em alegria para Olga.
Supramati, ainda que se entretivesse bem menos que a esposa, submetia-se, com paciência inesgotável, às exigências mundanas.
No início eram aquelas visitas incontáveis; depois, a sua apresentação à corte e as infinitas solenidades em sua homenagem; por fim, realizaram-se o banquete e o baile prometidos.
Superando, em sua magnificência e originalidade, tudo até então visto.
Não raro, aquela balbúrdia, corre-corre e emanações impuras da sociedade em degeneração, oprimiam Supramati; ele tinha ímpetos de largar tudo e se retirar para o silêncio de seu palácio no Himalaia; mas dominava valorosamente aquele estado de espírito e, com fervor maior ainda, mergulhava na vida social, relacionando-se com as pessoas que vinha a conhecer, estudando minuciosamente os seus actos e pensamentos.
Por vezes, ao ver a naturalidade com que se divertia Olga, o entusiasmo com que ela dançava e se inebriava ingenuamente, a felicidade em vestir as luxuosas toaletes ou jóias ricas, ele era assomado por uma profunda tristeza; nesses minutos, ele pensava em como era bela a juventude autêntica, não como a dele:
falsa, ponderada pela experiência e pelas recordações dos séculos idos.
Frequentemente, no auge de uma festa barulhenta, o anfitrião enigmático daquele palácio mágico se escondia na vegetação densa do jardim ou se embrenhava em algum vão para, dela, observar com seus olhos penetrantes a multidão irrequieta, fulgindo em ouro e brilhantes, que enchia os salões e os jardins.
Como eram malévolos, maliciosos e invejosos os pensamentos e sentimentos da maioria daquelas pessoas; quantos delitos, actos desonestos e lubricidade incontrolável intentavam as mentes daquela turba ociosa, vazia e cega, vivendo somente do presente, esquecida das lições do passado e surda aos avisos do futuro.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 27, 2016 7:33 pm

Arrogantes e bestificadas, aquelas pessoas não enxergavam nem pressentiam que no céu, exposto às suas profanações, juntavam-se as nuvens lúgubres; já estrondeava surdamente o furacão, aproximando-se, tendo perdido o controlo por parte da natureza.
E ante os olhos do mago desdobravam-se nitidamente os sinais funestos das catástrofes eminentes.
Ele via que as irradiações puras estavam tão rarefeitas, que eram incapazes de deter as lavas dos elementos caóticos; e que estas, não mais contidas pela força disciplinada e firme, poderiam a qualquer momento abrir uma brecha e, feito um ciclone devastador, arrasar tudo em seu caminho.
A audição desenvolvida do mago já podia ouvir o alarido desconexo dos elementos desenfreados, prestes a se desencadearem, já a se manifestarem através da temperatura fora do
tempestades terríveis e oscilações no solo.
Ele tinha vontade de gritar para aqueles cegos:
- Arrependam-se, homens!
Parem com as farras, derrubem as mesas, tirem as vestes luxuosas e- ao invés de orgias – orem, jejuem e clamem por seus protectores invisíveis.
Através da humildade, arrependimento, fé e cânticos sagrados, tentem gerar fluídos astrais puros e límpidos que possam dispersar o caos e salvá-los das desgraças, prestes a resvalarem-se em suas cabeças.
Supramati sofria ao visionar o terrível porvir e se torturava com a sua impotência de evitar ou detê-lo.
A turba humana, entretanto, não dava a mínima atenção para algumas anormalidades:
tudo era festa, pecado e blasfémia sem escrúpulos, a gerarem poderosas forças negativas com as quais ela apressava as catástrofes.
A vida particular de Supramati ia às mil maravilhas, num ambiente de concórdia; a dócil, carinhosa e reservada esposa imprimia mais animação à sua vida em meio à inocência e amor; assim, ele nunca ficava entediado.
O instinto da mulher que o amava sinceramente guiava Olga e a fazia entender o quanto era enorme a distância que a separava de Supramati.
Sem a permissão do marido, ela jamais transpunha a soleira de seu gabinete, nunca se aproximava sem que ele a chamasse e, nas conversas com ele, tentava evitar aquilo que, a seu ver, pudesse parecer-lhe enfadonho ou sem graça; Supramati, por sua vez, afeiçoava-se cada vez mais à jovem esposa e fazia de tudo para que ela fosse feliz.
E Olga era feliz, enquanto que, graças à bondade e á transigência do marido, desaparecia, também, pouco a pouco, o medo supersticioso que ela nutria, no fundo de sua alma.
Ao ver a sua boa vontade em atender as exigências da sociedade, como ele era sempre um anfitrião gentil e um interlocutor agradável, ela deixava de enxergar nele um mago.
No entanto, Olga ignorava que Supramati se dedicava todas as noites a um regime especial de adepto, à meditação e à depuração dos fluídos maléficos que o infestavam durante o dia.
Ele exercitava-se também com a solução dos problemas mágicos ou ensaiava fórmulas complexas.
À semelhança de um pianista que ensaia constantemente para não perder a flexibilidade dos dedos, Supramati retirava-se ao mundo astral para não esquecer os conhecimentos por ele adquiridos.
Passaram cerca de três meses desde o casamento de Supramati e Olga começou a se acostumar às delícias da vida no palácio mais magnífico de Czargrado; habituou-se ao uso de roupas ricas e jóias valiosas; mas vez ou outra ficava acometida da vontade de ver alguma coisa da ciência misteriosa do marido, e este desejo aumentou ainda mais em virtude de diversos relatos que corriam pela cidade sobre alguns fenómenos curiosos e divertidos, realizados por adeptos do satanismo.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 27, 2016 7:33 pm

Retornando certo dia de uma reunião com as amazonas, onde só se falava sobre os “milagres” apresentados por um dos satanistas, ela relatou a conversa ao marido; este parecia não ter dado nenhuma atenção.
Na mesma noite daquele dia, o casal estava sozinho em casa – coisa difícil de acontecer -, sentados numa saleta ao lado do gabinete de Supramati.
Ele fazia o esboço de um asilo que queria construir para deficientes mentais, enquanto Olga instalada no sofá em frente ao marido segurava nas mãos um bordado.
Em vez de trabalhar, ela meditava sobre o que lhe contaram de manhã, desgostosa do facto de que seu marido, ainda que fosse um verdadeiro mago, jamais lhe demonstrou nada do campo de seus poderosos conhecimentos, que deveriam superar em milhares de vezes tudo o que os satanistas faziam.
Provavelmente ele a menosprezava por sua ignorância, permanecendo sempre para ele um mortal comum.
Ela estava tão absorta em seus pensamentos, que não notou um sorriso maroto nos lábios de Supramati.
- Você tem razão, minha querida – o disse com bonomia, pondo de lado o lápis.
Realmente, qual é a vantagem de ter um mago como marido se ele não apresenta para a esposa nenhuma amostra interessante de seus conhecimentos!
Olga estremeceu, ruborizou e olhou temerosa para o marido.
- Perdoe-me os pensamentos tolos.
Eu simplesmente esqueci de que você os escuta como se eu pensasse em voz alta – murmurou ela.
- Eu não estou zangado, querida.
Pelo contrário, acho que você está certa.
Já que hoje estamos sozinhos, vou aproveitar para lhe mostrar algo, que espero ser tão impressionante como os “milagres” do adorador do diabo.
Feliz, mas envergonhada, Olga atirou-se em seus braços.
Ordenando ao criado para não serem incomodados enquanto ele não o chamasse, Supramati levou a esposa ao gabinete de trabalho e pediu para esperar, enquanto ele ia ao laboratório.
Pouco depois, ele retornava envolto da cabeça aos pés numa grande capa branca de um tecido incrivelmente macio e sedoso, que reverberava cores do arco-íris.
Um capuz cobria-lhe a cabeça e o rosto; pela abertura só se viam os olhos.
Na mão ele segurava uma espada, cuja lâmina larga era coberta por sinais cabalísticos gravados, que emitiam luz fosforescente.
Colocando Olga ao seu Aldo, ele fez um círculo em volta, encerrou a esposa na capa e começou a entoar um canto estranho numa língua desconhecida para Olga.
Instantes após, ela sentiu que o chão lhe fugia dos pés e que amparada pelo marido, pairava sob um precipício profundo.
Agarrada por uma rajada de vento, ela perdeu os sentidos...
Ao abrir os olhos, Olga pensou no primeiro momento que estava sonhando.
Ela se viu num grande pátio sombreado.
Junto a uma piscina de mármore com chafariz passeava um elefante branco; no fundo, sob a colunata de mármore com arcos, via-se a entrada do palácio.
O elefante aproximou-se de Supramati e acariciou-o com a tromba; este o afagou e deu umas tapinhas leves com a mão.
Em seguida ele pegou Olga, emudecida de estupefacção, para o palácio.
Eles cruzaram uma infinidade de salas luxuosas e saíram para um enorme terraço, de onde se abria uma vista feérica para um vasto jardim florescente com chafarizes.
Um sofá, revestido com tecido vermelho com desenhos de ouro, era um convite para descansar.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 27, 2016 7:33 pm

- Meu Deus! – exclamou Olga, pálida e emocionada. – Onde estamos
- Estamos em casa, no meu palácio do Himalaia, e aqui passaremos o dia – respondeu alegre Supramati.
À chamada da campainha, vieram dois hindus.
Estes, pelo visto, não estranharam o aparecimento inesperado do príncipe; curvaram-se em saudação e, atendendo à sua ordem, trouxeram um desjejum de frutas.
Pouco depois, Supramati levou a esposa para examinar o palácio e os jardins.
Olga parecia estar sonhando, sua cabeça se recusava a entender como eles foram parar na Índia.
Ela colheu flores, apalpou pesados cortinados, acariciou pássaros e outros animais:
todos eles eram domesticados e se aproximaram sem medo.
A admiração exaltada e a alegria inocente da esposa divertiam Supramati.
Com a chegada da noite, voltaram ao terraço e Supramati disse alegre:
- Antes de voltarmos a Czargrado, quero lhe mostrar o exército que comando.
Só receio que você fique assustada com essas criaturas invisíveis aos seres humanos comuns.
- Assustar-me quando estou com você!
Ainda mais que elas lhe são submissas! – arrematou Olga, em tom de orgulho cómico na voz.
- Neste caso, vou-lhe apresentar os espíritos dos quatro elementos da natureza – disse Supramati, contendo-se para não rir.
Ele se posou com Olga no meio do terraço e, erguendo a mão, desenhou no ar alguns sinais cabalísticos, que imediatamente se inflamaram em luz fosforescente.
Pouco depois surgiu uma névoa suave que tudo cobriu; sobreveio um barulho estranho com estalidos em meio a bater de pés, de asas e rumor de ondas; finalmente, abriu-se um espectáculo incrível.
O chão parecia se afastar e da terra saíram milhares de pequenas criaturas escuras e atarracadas, que lembravam gnomos de contos de fadas.
Atrás deles vieram seres transparentes azul-celeste, alados e de contornos vagos; apenas se lhe destacavam os rostos inteligentes e expressivos.
Seguindo-os, em meio a estalidos apareceram figuras ágeis, rubras como metal em brasa; enquanto dos chafarizes, lagos e fontes subterrâneas, foram surgindo sombras prateadas e nevoentas.
Todo esse ajuntamento de incríveis seres foi cercando Supramati, fazendo-lhe mesuras e homenagens, enquanto este lhes respondia numa língua incompreensível.
Mas eis que ele fez um novo sinal e tudo desapareceu como se derretido no ar.
Olga, como enfeitiçada, contemplava aquele quadro mágico, e quando o marido a levou até o sofá, ela subitamente se pôs de joelhos e agarrou-lhe a mão.
- Oh, Supramati! – Sussurrou ela.
Só agora entendo como deve ter sido difícil para você abandonar este cantinho do paraíso e viver no meio daquela turba ignorante e viciosa; agora eu sei o quanto você é poderoso.
Não quero voltar para Czargrado!
Ficaremos aqui; viva para sua ciência e ficarei feliz.
Supramati colocou a mão sobre a cabeça abaixada, depois ergueu a esposa e a beijou.
- Os meus conhecimentos, que lhe parecem tão grandes, não são nada diante de Ebramar, e comparados aos dos génios do espaço eu sou um ignorante.
Agradeço-lhe pela disposição de deixar o seu lar e os seus costumes para viver aqui comigo, mas não posso ficar na índia.
Sou obrigado a viver no mundo dos homens e você me ajudará a aprender a amá-los como eles são.
Não é tão ruim assim e Czargrado.
Até que você não tem se queixado de solidão, não é verdade - ajuntou em tom de malícia Supramati.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 28, 2016 7:44 pm

Depois daquela viagem astral, Olga ficou alguns dias pensativa e preocupada.
Não conseguia esquecer o que havia visto, e a obrigação de não revelar a ninguém aquela aventura maravilhosa e fora misteriosa de seu marido foram para ela uma enorme provação, que ela suportava condignamente.
Entretanto, a juventude e os entretenimentos foram sobrepujando e apagando as impressões vividas.
Às vezes ela ainda se recordava de Chiran, que, segundo os rumores, havia saído da cidade; no entanto ela tinha a impressão de que ele estava por perto, ainda que invisível; por duas ocasiões até ela chegaram odores fétidos.
Mas esses casos só ocorriam quando Supramati estava ausente.
Cerca de seis meses depois do casamento, chegou o dia de aniversário de Olga; e, para alegrá-la, Supramati quis dar uma festa.
O baile estava em pleno apogeu; uma multidão festiva e barulhenta enchia os salões.
Afogueada e exausta com as danças, Olga saiu para o terraço e desceu ao jardim magicamente iluminado, para respirar ar fresco e dar uma volta perto do chafariz cintilante em feixes de rubi.
Ao voltar, quando se aproximava lentamente do terraço, ela estacou e um grito de pavor soltou-se de seu peito.
O cortinado que fechava a saída do terraço estava em chamas e as línguas ígneas com rapidez incrível corriam por todos os lados, lambiam as paredes, as cornijas e escapavam das janelas.
O incêndio parecia atingir todo o palácio.
Assombrada, Olga olhava para aquele espectáculo horripilante, mas ao ver Supramati, que descia correndo pelos degraus da escada, ela se atirou em sua direcção.
Do interior do palácio ouviam-se gritos de pavor, acompanhados pelo crepitar do incêndio.
Em alguns saltos, Supramati estava ao seu lado; mas no instante em que este lhe estendia as mãos, Olga sentiu uma forte dor no pescoço.
A corrente do seu talismã se rompeu, como se cortada, e o medalhão rolou para longe; Olga sentiu um forte golpe na cabeça.
Ela perdeu os sentidos e teria caído se não fosse amparada por um Supramati fictício.
Erguendo-a nos braços feito uma criança de colo, este começou a correr e logo desapareceu na alameda escura.
Não longe, numa plataforma coberta de areia, havia uma aeronave com um homem. O desconhecido passou Olga para o comparsa e também embarcou; um minuto depois o aparelho alçou voo assobiando e desapareceu na escuridão da noite.
Assim que a primeira labareda lambera os cortinados, Supramati sentiu uma forte sacudida.
Ao ver os palácios se enchendo de seres demoníacos espalhando fogo por todos os cantos, ele rapidamente concluiu que aquilo era obra de Chiran.
Um instante depois, a sensação de queimação no peito o fez deduzir que Olga havia perdido o talismã.
Tirando agilmente o bastão mágico, do qual nunca se separava, desenhou no ar os símbolos mágicos e pronunciou fórmulas que chamavam os espíritos dos quatro elementos a ele submissos.
Seus olhos lançavam chispas, as narinas tremiam e sob sua poderosa força de vontade começaram a aparecer os servidores do mago para enfrentar as chamas do incêndio evocado pelos demónios.
Iniciou-se então uma sangrenta luta; mas logo as falanges nevoentas, comandadas pelo mago, começaram a levar a melhor.
As sombras escuras desapareceram e o fogo se extinguiu como se por mágica; dez minutos depois, somente algumas paredes chamuscadas, trapos queimados das cortinas e alguns móveis derrubados, durante o pânico, testemunhavam o perigo que passou por perto.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 28, 2016 7:44 pm

Uma parte dos convidados fugiu.
Outros, que ficaram, estavam assustados com o que aconteceu, sem entenderem as razões do incêndio e muito menos a rapidez surpreendente com que ele se apagou.
Olga havia desaparecido e Supramati não tinha a menor dúvida de que fora raptada por Chiran.
Externamente ele estava calmo e insistiu em que os convidados ficassem para o jantar.
Alegando que precisava conversar com sua esposa, abalada devido ao incêndio, Supramati desculpou-se por sua saída involuntária.
Num dos inóspitos e remotos desfiladeiros rochosos da Palestina, erguia-se uma velha construção enegrecida pela acção do tempo.
No início era um castelo romano; tornou-se depois uma fortaleza sarracena e permaneceu por muito tempo em escombros; mais tarde, homens desconhecidos recuperaram as paredes destruídas, as torres rachadas, o muro caído, e o velho ninho de falcão transformou-se num castelo fortificado do mal.
Os moradores locais, assim como os eventuais viajantes, evitavam passar perto daquele local funesto, sempre encoberto por nuvens negras e, à noite, iluminado com luzes vermelhas.
Não era sem fundamento que as pessoas fugiam daquele foco dos miasmas maléficos, capazes de fazerem recuar até as forças mais poderosas do bem.
Ali, assim como em inúmeras fortificações luciferianas, o local era o centro dos horrores mais impressionantes; ali se praticavam vilanias imagináveis e inimagináveis, todos os tipos de sacrilégios que só ódio do inferno poderia engendrar contra o céu.
Ali, as orgias de sabá alcançavam o ápice da torpeza em que os cadáveres revividos participavam dos banquetes satânicos.
Ali se praticavam também o culto de vampirismo requintado; para sua realizarão, crianças e moças eram raptadas, e as larvas densificadas e os vampiros satânicos lhes sugavam o sangue até a última gota; enfim, ali se concentravam os íncubos e os súcubos.
Foi para aquele ninho de todos os horrores e torpezas que Chiran levou Olga, a dormir num profundo sono letárgico sob efeito de narcóticos.
Lívida feito um cadáver, sem as vestes – queimadas logo no início =, ela jazia numa das torres, aguardando pela imolação, pois o ódio feroz de Chiran só poderia ser saciado com a morte de Olga.
Sim, ele deveria ser desonrada e mais tarde morta para punir Supramati, atingindo-se, de uma vez, o marido e o mago.
Naquela noite, realizava-se uma grande missa negra, acompanhada por um banquete vampírico; e Chiran resolveu ele mesmo, sugar todo o sangue de Olga.
Se este se revelasse muito impregnado com as radiações do mago, ela seria levada em sacrifício a Satanás.
De qualquer forma, ele queria possuí-la, não de outra forma, senão morta.
E para tanto, a fim de que a jovem não os constrangesse e não atrapalhasse, protegendo-se com as orações ou quaisquer outros expedientes da magia branca que o marido lhe tivesse ensinado, decidiu-se que a vítima permaneceria sem sentidos até o minuto supremo.
Ele não temia a interferência de Supramati:
naquele santuário do mal, onde nem mesmo o mago ousaria penetrar.
Chiran se imagina invulnerável.
De facto, naquele minuto Supramati experimentava uma luta moral atroz.
Um suor gelado cobriu-lhe o corpo quando, através de seu espelho mágico, ele verificou em que fortificação satânica estava Olga.
Para salvar a jovem, era necessário descer ao próprio inferno e entrar numa luta que lhe parecia acima de suas forças.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 28, 2016 7:44 pm

Teria ele forças suficientes para vencer tanto mal junto?
De qualquer forma, ele tinha de tentar.
Apresado, foi até o laboratório e chamou por Nivara.
Ajudado por ele, vestiu-se na armadura brilhante do cavaleiro do Graal e cingiu-se da espada ígnea; no peito cintilava em luzes multicolores a insígnia de mago. Pálido e preocupado, Nivara envolveu-o numa capa branca com cruz fosforescente bordada a ouro.
- Mestre, permita-me acompanhá-lo! – pediu Nivara.
- Não meu amigo, você seria uma vítima desnecessária; você se prejudicaria sem poder me ajudar.
Mas já que quer me apoiai neste terrível embate, fique aqui; ore, queime os incensos diante do altar e leia as fórmulas que atraem as forças do bem para triunfar sobre o mal – propôs Supramati, apertando a mão do jovem, e dirigindo-se rápido à porta que levava à nave esperando por ele.
No mesmo instante, o reposteiro se abriu e na soleira surgiu Dakhir, trajado como Supramati.
- Você, Dakhir? – exclamou Supramati alegre e surpreso.
- Como você poderia achar que eu o deixaria ir sozinho? – censurou-o Dakhir.
Subitamente no quarto ressoou um acorde sonoro e ouviu-se a voz estentórea de Ebramar.
- Avante, sem medo, meus filhos; estarei com vocês. E você, Supramati, como pode pensar que as trevas possam ser mais fortes que a luz?
Sem perderem um segundo, Supramati e Dakhir correram até a torre onde estava a aeronave.
Antes de embarcarem, Supramati levou até os lábios uma pequena corneta de marfim, pendurada na cintura.
Ouviu-se um estranho som trémulo e demorado.
Dakhir repetiu o sinal, ambos entraram na nave e esta partiu numa velocidade estonteante.
A fortaleza luciferiana esta naquela noite envolta numa luz vermelho-sanguínea; em seu interior, finalizavam-se os últimos preparativos para os rituais asquerosos.
Num imenso salão com altar a Satanás, erigido nos fundos, apinhavam-se os membros da comunidade demoníaca.
Sobre os leitos, guarnecidos por luxuosos tecidos vermelhos, jaziam os corpos nus de mulheres e homens; em volta deles voejavam seres repulsivos esperando por festejo e orgias, de rostos cadavéricos, olhos afundados apavorantes e lábios vermelho-sanguíneos.
Sobre o altar, estendia-se Olga exânime. Chiran anunciou estar ela totalmente contaminada por fluidos puros e só servir para o sacrifício.
Junto de grandes tinas de metal, comprimiam-se os sacerdotes satânicos; eles sacrificavam os animais e enchiam os recipientes com sangue, que mais tarde serviria para a materialização dos íncubos, larvas e outros representantes da população lúgubre do mundo do além. Sobre as altas trípodes ardiam as ervas, misturadas cãs entranhas dos cadáveres, espalhando um fedor nauseabundo; uma estranha orquestra de anões, monstros, aleijados e corcundas, executava melodias selvagens e desconexas a estremecerem o ar, cujos instrumentos de corda eram tendões humanos.
Perto do altar postavam-se em guarda pares de tigres, hienas e lobos de tamanhos enormes; eles pareciam dispostos a defenderem a vítima condenada para imolação e atacar o primeiro inimigo que se aproximasse.
Aqueles predadores só possuíam o aspecto de animais, enquanto que na realidade eram seres humanos, transformados por luciferianos em feras, como punição por apostasia, traição ou covardia.
Na parte restante do salão, comprimia-se a turba de luciferianos nus.
Seus rostos pálidos e medonhos, com os olhos injectados de sangue, tinham um expressão animalesca repulsiva.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 28, 2016 7:45 pm

Após o término da imolação dos animais, o sumo-sacerdote satânico galgou o degrau do altar com um punhal reluzente na mão; mas, de súbito, recuou soltando um grito desatinado; as feras deitadas no chão fugiram urrando.
Acima do corpo imóvel de Olga surgiu uma grande cruz cintilante, irradiando luz azul-celeste que parecia formar uma esfera fosforescente em torno dela.
Ao mesmo tempo, ouviu-se o ribombar do trovão e, de um forte abalo, as paredes tremeram. Fúria e pavor tomaram conta dos luciferianos.
Eles compreenderam que as forças do bem intencionavam disputar os despojos e então se prepararam para defendê-los.
Após terem alcançado o santuário luciferiano, Dakhir e Supramati viram chegando de todos os lados as reluzentes aeronaves com os cavaleiros do Graal, vindos em auxílio de seus irmãos.
O superior da irmandade, de coroa de sete pontas em seu elmo, postou-se entre os dois magos, e o exército translúcido perfilou-se em volta.
A porta principal da fortaleza estava trancada; mas os cavaleiros, então, iniciaram um hino sonoro e melodioso, desenharam no ar os sinais ígneos, e os pesados portões se descerraram com estrondo sinistro, possibilitando-lhe o acesso para o interior.
E os cavaleiros da luz foram avançando, empalidecendo ao contacto com as nuvens densas dos miasmas torturantes e malévolos que os envolviam.
Suas vestes alvas cobriam-se de placas negras, mas eles prosseguiam corajosos, liderados pelo superior da irmandade e por dois magos, cujas espadas faiscantes e crucifixos luzidios faziam os demónios retrocederem.
A sangrenta e decisiva batalha deu-se, entretanto, no salão principal.
O terrível chefe dos luciferianos surgiu para defender seus seguidores.
A figura alta e negra do repulsivo ser – semi-homem, semi-demónio – erguia-se diante do altar, iluminada por aura púrpura, na qual se desenhavam nitidamente enormes asas deitadas; na testa, entre os chifres encurvados, ardia uma chama.
Ele lutava contra os magos com muita coragem e fúria, decidido a vender caro uma derrota.
Lampejos flamejantes e sinais cabalísticos se cruzavam no ar; a vitória, aparentemente, pendia para o lado dos servidores do bem e o exército das larvas esvaecia-se.
Toda vez que um raio límpido e ofuscante fulminava algum dos monstros vampíricos, este tombava decompondo-se em massa putrefacta, enquanto que as flechas vermelho-ígneas dos luciferianos se voltavam contra os próprios atiradores.
Os cavaleiros avançavam de dois lados, tentando formar um círculo no salão; quando ambas as colunas se encontraram junto do altar, dois dos cavaleiros apossaram-se do corpo de Olga, enrolaram-no numa capa branca e levaram para fora do castelo.
Neste minuto o superior dos demónios soltou um grito exasperado e pronunciou uma fórmula; o rolar do trovão fez as paredes se sacudirem e a terra parecia ter-se aberto, enquanto o líder das trevas, juntamente com o seu bando do inferno, desapareceu em meio ao turbilhão de chamas e fumaça.
Em volta do altar apenas sobrou um grupo de luciferianos, liderados por Chiran; este, alucinado de fúria, lutava desesperadamente.
Supramati partiu para cima dele.
De todo o seu corpo irradiavam torrentes de luz; numa das mãos ele segurava a cruz dos magos, com a outra ele ergueu a espada ígnea e uma luz brilhante rasgou o ar.
Chiran tombou fulminado.
Seu corpo chamuscado inchou; aos urros e gemidos ele rolava pelo chão até ficar inerte.
- Todos aqui são nossos prisioneiros! – ordenou em voz alta o superior dos cavaleiros.
Joguemo-nos na piscina de ablução.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 28, 2016 7:45 pm

Sem demora os cavaleiros puseram-se a irradiar correntes de luz que varriam e purificavam a atmosfera; aterrorizados, os luciferianos caíam, sufocando-se no chão, impossibilitados de se moverem.
- Aproximem-se, presas infelizes do mal que vocês mesmos geraram, e arrependam-se! – prosseguia o superior da irmandade do Graal.
Curvem-se a Cristo e nós os livraremos de suas condições de animais!
De todos os lados ouviram-se gemidos, lamentos e urros.
Algumas espécies de animais começaram a se arrastar em direcção à capa alva com as cruzes douradas, estendidas no chão por um dos cavaleiros.
O primeiro a prostrar-se sobre a capa foi um dos tigres.
O mago pronunciou uma fórmula, perfurou com a espada a pele do animal; esta estourou com um silvo sinistro e de dentro saiu um homem magro e pálido feito cadáver.
Ele foi banhado com a água purificadora, tendo que repetir, tremendo com todo o corpo, uma oração que lhe era ditada.
Assim foram libertadas cerca de sessenta vítimas, mais tarde levadas até o lago do jardim, onde foram mergulhadas, não sem antes de se instalar sob a sua superfície uma cruz.
Muitos deles morreram sem condições de suportar o contacto com a força purificadora.
Ao término da operação, os guerreiros do bem foram abandonando o maldito castelo; os magos, entretanto, resolveram destruir por completo o santuário luciferiano.
Uma chuva de raios desabou sobre a construção, dando início a um terrível incêndio; a terra tremia, as paredes ruíam sob a força das fórmulas mágicas, e entre as chamas logo apenas sobraram alguns montes de lixo enegrecido.
Após agradecerem calorosamente os irmãos pela ajuda, Supramati e Dakhir pegaram Olga, ainda desfalecida, e a levaram de aeronave ao palácio; lá, eles a purificaram e a fizeram voltar a si, pois desde que perdera os sentidos de nada se lembrava.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 28, 2016 7:45 pm

Capítulo XXI

O caso que acabamos de descrever produziu uma forte impressão sobre Olga.
Inquirido por ela, Supramati relatou parcialmente sobre o ocorrido e informou-a da morte de Chiran, não entrando, contudo, em detalhes.
Olga interessou-se vivamente pelo mundo oculto e pediu que o marido lhe transmitisse seus conhecimentos, o que ele se prontificou a fazer de bom grado.
Foi com grande fervor que ela começou a estudar.
À medida que lhe eram explicados os inúmeros assuntos, de cuja existência ela nem suspeitava, e tornando-se a cada dia que passava mais sensível às impressões externas, ela compreendeu com maior clareza quanto era difícil para o mago o contacto com o mundo agitado e cheio de vícios, onde ele vivia.
Ela começava a sentir a atmosfera carregada das emanações da turba humana, das brigas, intrigas, altercações com que se defrontavam no seio de seus familiares, e a sociedade tornavam-se asquerosa.
Por vezes, ela tinha uma vontade incontrolável de fugir daquela matilha humana e esconder-se em algum lugar, onde reinasse paz, silêncio e harmonia.
Certa vez, quando tal desejo despertou com mais força que de costume, ela começou a suplicar ao marido para eles partirem de Czargrado e irem ao palácio na índia, onde ela já havia estado para descansarem naquela tranquila harmonia de verdadeira felicidade.
Supramati a atraiu carinhosamente junto de si e em seus olhos brilharam o amor e a tristeza; a inquietação, que há muito tempo não dominava a alma do mago, foi surgindo desde que ele começou a perceber uma mudança em sua jovem esposa.
Ela ficou mais bela e a expressão de seu rosto espiritualizou-se; por outro lado, tornou-se tão diáfana, frágil e etérea, que se poderia conceber com toda a certeza que aquele flor encantadora não iria durar muito tempo.
Sim, o poderoso fogo que se desprendia do mago consumia o delicado e jovem organismo.
Uma nuvem de tristeza sombreou o olhar límpido de Supramati; mas, dominando imediatamente aquela emoção opressiva, ele a beijou e disse em tom jovial:
- Sim, minha querida, começará uma vida nova, só que não aquela que você sonha.
Chegou à hora de colocá-la a par sobre o futuro, sobre as desgraças que se aproximam, e fazê-la entender que agora não é hora de descansar na paz contemplativa, pois chegou o momento de um grandioso e árduo trabalho, para o qual eu gostaria de arregimentá-la.
Um rubor brilhante cobriu as faces diáfanas de Olga.
- Arregimentar-me para o seu trabalho? Será que eu sou digna e capaz de tanta honra? – exclamou ela, e uma alegria extasiada fulgiu em seus olhos.
Cada um de nós trabalhará à medida de suas forças para despertar os homens, encardidos de vícios e imoralidade, para lembrá-los de Deus e de Suas leis espezinhadas.
Logo virão tempos terríveis, quando a arrogância humana será despedaçada, quando esses cegos entenderão o quanto são medíocres e frágeis, e então eles tremerão sob o trovão da ira divina.
- Então se desencadearão as calamidades previstas pelo padre Filaretos? – indagou Olga empalidecendo.
É a próprias humanidade que desencadeia as calamidades e as catástrofes, aviltando todas as leis divinas e humanas.
Calcadas, as forças da natureza desabarão sobre esses pigmeus que ousaram provocá-las.
A terra se abrirá e engolirá os arrogantes; o furacão devastará a superfície terrestre; o fogo do céu aniquilará os monumentos e as fortunas dos malfeitores ambiciosos, enquanto a água inundará tudo que ainda sobrar, e em suas ondas retaliativas perecerão os povos que se rebelaram contra o seu Criador, subtraídos do auxílio das forças puras e benfazejas capazes de conter os elementos enfurecidos...
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 28, 2016 7:45 pm

A voz de Supramati foi-se alteando; o olhar atento e inspirado parecia penetrar no futuro e enxergar as horrendas catástrofes descritas.
Olga tremia assustada, não tirava os olhos dele, sem condições de pronunciar uma palavra.
Um minuto depois, Supramati pareceu despertar de sua vidência.
Seu olhar deteve-se sobre a jovem esposa e, notando-lhe no semblante uma aflição angustiosa, ele se inclinou sobre ela e disse em tom carinhoso:
- Não tema, querida!
Nós seremos amparados e salvos pela fé e oração; mas da Terra, infelizmente, não sobrará nada mais que uma fortaleza abandonada, desprovida das forças físicas e espirituais que poderiam protegê-la ou, talvez, salvá-la. Punida severamente, talvez ela se ajuíze, e os homens veneradores de seus vícios e de sua carne, que ousaram renegar a Deus, pedirão por clemência...
- Então eu devo ajudá-lo a despertar a consciência humana? – perguntou em voz baixinha Olga.
- Justamente! Eu pretendo realizar palestras, abrir uma escola esotérica para pessoas interessadas, iniciando-as para enfrentarem os tempos difíceis.
Você, nesse ínterim, se dedicará a desenvolver as mulheres capazes de entendê-la, falar-lhes-ia da verdade suprema, podendo mais tarde tentar persuadi-las a se arrependerem.
Faça isso, para começar, junto às amazonas}.
Já tranquilizada e sorridente Olga atirou-se no pescoço do marido, quase o sufocando em seus braços.
- Meu Deus, como você é bom; estou muito grata a você!
Acho isso muito interessante e útil.
Mas você me dará instruções, não é verdade?
- Sem dúvida, darei as instruções necessárias.
Ele tirou da gaveta algumas folhas impressas e as deu a Olga.
- Estes são os textos dos primeiros discursos que você deverá fazer.
Estude-os bem e preocupe-se, principalmente, com as inflexões da voz.
Na hora de você proferir um deles, eu lhe darei instruções especiais, pois a voz é um enorme aliado que pode hipnotizar e subjugar ou ouvintes.
Depois de fornecer a Olga – esta já impaciente em começar as actividades – mais algumas explicações, Supramati a deixou sozinha para estudar um dos textos e retirou-se ao seu gabinete.
Preocupado, sentou-se e mergulhou em pensamentos amargurastes.
Aproximava-se a hora de iniciar a missão social que fora imposta pelos magos superiores, mas que lhe era opressiva.
Sendo um sábio eremita, ele sentia uma aversão profunda por ter necessidade de abandonar sua vida reclusa e apresentar-se no palco diante de um público ignaro, imbecil, achincalhador e descrente.
Até então ele trabalhava apenas para si, aperfeiçoava o seu próprio “eu”, estudava as ciências superiores para desenvolver para si uma força poderosa.
Na paz e isolamento de seu palácio mágico, aprendeu a comandar os elementos e dirigir as forças da natureza; agora, teria de aprender a comandar as multidões e subjugá-las.
Tendo contemplado as terríveis forças da natureza e aprendido a lidar com elas, seu intelecto refinou-se; seu espírito adquiriu força e vontade férreas, mas a luta que ele tinha pela frente parecia-lhe humilhante e até ridícula.
Ele um mago iniciado – deveria descer até o vulgo, tentar provar-lhe factos tão claros como o dia de Deus, explicar as leis que aquela gente não tinha como entender; e, no final das contas, ele acabaria permanecendo, aos olhos da vil e raivosa turba de enganadores, nada mais que um palhaço, que tentou abusar de sua confiança.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 28, 2016 7:45 pm

Ele será objecto de chacota, será coberto do ódio sórdido que todo ser inferior nutre por aquele que lhe é superior; não obstante, terá de agir, falar e provar para aquela turba desconfiada e hostil os grandiosos fenómenos do outro mundo; professar a fé e o arrependimento, totalmente contrários aos seus gostos, convicções e actos.
Oh, esta provação será a mais difícil de todas!
Supramati fechou os olhos e suspirou pesadamente.
Uma suave vibração harmónica e uma brisa aromática e tépida bafejou-lhe o rosto, fazendo com que Supramati voltasse à realidade.
Estremeceu e abriu os olhos.
A alguns passos dele pairava na penumbra uma nuvem esbranquiçada; em seguida, uma luz azulada inundou o quarto, a nuvem ampliou-se, densificou-se e subitamente surgiu Nara, trajando túnica branca, simples e esvoaçante.
Nos cabelos soltos havia uma coroa de flores mágicas, azuis como safira, cálices tremeluziam.
- Supramati, Supramati!
Para que lhe serve a coroa de mago se já se desespera antes de iniciar sua missão? – ouviu-se a voz amada.
- Finalmente você veio me visitar, sua mulher cruel! – soltou-se do peito dele, e ele saltou alegre de seu lugar.
- Poderia eu ficar longe quando você sofre; quando vejo que chegou a hora de partir para a luta inglória contra a dúvida e a desilusão? – alegou ela, fixando-o com olhar carinhoso.
Seja forte, Supramati!
Você domou o dragão, guardando a entrada, venceu os espíritos do inferno, mas desespera ante a necessidade de aproximar-se de pessoas!
Elas não passam de larvas que devem ser domadas.
Supramati agarrou-lhe as mãos.
Você tem razão.
Eu sofro e com isso perco a minha harmonia espiritual.
Sou um senhor dos seres e dos elementos, no entanto, sou dilacerado por angústia e aversão.
Ah, Nara, se nós pudéssemos trabalhar juntos!
E ele arrebatou-a junto de si.
- Você sabe muito bem como me é penoso o contacto com a turba inculta, submeter-me às suas chacotas, apregoar àqueles imbecis insolentes aquilo que eles nem desejam entender!
Nara desenvencilhou-se devagar e puxou para si uma cadeira.
- Será que a minha presença aqui já não é uma prova de que temos trabalhado juntos e de que a minha alma senta cada movimento seu?
E agora, espante a fraqueza indigna de um mago.
Não estamos acostumados a enfrentar os seres inferiores?
Basta você se convencer de sua superioridade.
Pense também um pouquinho naqueles que você irá alcançar nos que serão capazes de entendê-lo e avaliar a importância de seus bons actos.
Você é como um caçador de pérolas, que busca, no sorvedouro oceânico do mal e das trevas, uma concha de aspecto horroroso; dentro dela, entretanto, espreita-se uma valiosa pérola – a alma -, que, à semelhança da sua, é capaz de ser um agente da luz, uma aliada do bem.
O trabalho de arrancar esta jóia da concha não lhe pode parecer coisa insignificante.
É o que você tem feito agora.
A pequena Olga também é uma pérola que encontrou o seu joalheiro para ser aparelhada numa armação de ouro.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 28, 2016 7:46 pm

Esteja certo de que mesmo entre essa turba devassa você descobrirá uma pérola; encontrará almas empreendedoras, dispostas a se espiritualizarem, de quem você, com o tempo irá se orgulhar, tal como Ebramar se orgulha de nós.
- Tem razão, Nara!
Este minuto é indigno da fraqueza.
Eu não posso esquecer que nada se obtém sem sacrifícios; só que sair em busca de almas seja talvez mais difícil que conseguir uma coroa de mago – sustentou Supramati desalentado.
Aconchegando-se a Nara, ele disse, olhando para ela cheio de gratidão:
- Agradeço-lhe do fundo do coração por ter vindo me visitar, minha fiel amiga!
Nos momentos difíceis, a sua ajuda é sempre muito importante.
- Eu me sinto feliz ao saber que minha presença restabelece o seu equilíbrio emocional.
Graças a Deus, o objectivo foi alcançado e o meu mago voltou a si!
E agora – prosseguiu ela em tom maroto – vá consolar sua esposa.
Ela estava a ponto de entrar aqui, mas ao ouvir a minha voz não conseguiu resistir à tentação de levantar o reposteiro; quando me viu; seu coração ciumento inflamou-se em suspeita.
Ele me considera uma rival perigosa.
Feliz é esta criança que ainda consegue ter ciúmes; enquanto nós, pobres velhuscos, somos incapazes disso!
E Nara rompeu em riso, divertindo-se aparentemente com o espanto de Supramati, que logo se recompôs.
- E agora adeus!
Ela se aproximou, puxou a cabeça de Supramati com as mãos e o beijou na testa.
- Um beijo fraterno – sussurrou ela no ouvido.
No mesmo instante, ela encerrou-se numa nuvem de vapor azulado, dentro da qual parecia se derreter; no recinto, ouviu-se, como em sinal de despedida, um suave acorde harmónico.
Por alguns minutos, Supramati ficou em pé sem conseguir juntar as ideias.
Em sua alma reinava uma límpida e profunda tranquilidade; uma expressão de extraordinária felicidade iluminou-lhe o semblante.
Sim, como é bela esta harmonia pura que permite amar sem dúvidas nem ciúmes; a pobre Olga está longe disso...
Deu coração imperfeito ainda é perturbado pelas paixões terrenas e preciso ir acalmá-la.
De facto, a alma da jovem era palco de uma verdadeira tempestade de ciúmes e desespero.
Tendo relido por diversas vezes um dos textos que ela iria discursar, antes de decorá-lo, ela topou com alguns trechos incompreensíveis e decidiu antão pedir explicações ao marido.
Mas perto do seu gabinete ela estacou: uma voz argêntea chegou aos seus ouvidos falando numa língua estranha.
Supramati tinha uma mulher!
E ele lhe respondia na mesma língua; em sua voz podiam ser distintos os tons profundamente sentimentais, jamais ouvidos por ela e que exprimiam.
Inegavelmente, uma afeição calorosa.
O coração de Olga acelerou de angústia. Com quem ele poderia estar falando daquele jeito?
Sem forças para resistir à tentação. Levantou devagarzinho o reposteiro e ficou pasma.
Ao lado de Supramati estava em pé uma mulher de beleza realmente celestial.
Uma simples túnica branca delineava o seu porte esbelto; os cabelos loiros dourados, cujas melenas sedosas desciam praticamente até o chão, envolviam-na feito uma capa luzidia; um clarão azul-celeste envolvia-lhe a cabeça adereçada de incríveis flores fosforescente. Os grandes olhos escuros da feiticeira fitavam Supramati come expressão de amor; até mesmo o olhar dele para a desconhecida revelava admiração.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 28, 2016 7:46 pm

E, de repente, ele a abraçou...
O que aconteceu depois, Olga não quis ver...
Como se perseguida por fúrias, ela irrompeu nos eu quarto e, caindo de joelhos junto da janela, cobriu o rosto com a almofada que estava no peitoril.
Em seu coração tempestuava um verdadeiro furacão.
Aquela era, de facto, a rainha do seu coração!
Aquela mulher de beleza divina era-lhe um par em conhecimentos e harmonia; ele, sem dúvida, deveria amá-la com outro sentimento diferente da sua feição tranquila e protectora a ela, Olga – o que seria até natural.
Quão feia e insignificante ela deveria parecer ao lado daquela maga, que pertencia, sem sombra de dúvida, à irmandade de adeptos, vinda no intuito de revigorar o formoso ser imortal, tal como ele, e que se sentia eremítico ou banido entre eles – os mortais.
Sim, sim, Supramati poderia tolerar, é claro, o amor daquele ser insignificante como ela; por outro lado, ela também não podia ser tão pretensiosa e cega a ponto de imaginar ter-lhe conquistado o coração.
Não! É preferível a morte a este sofrimento, só de pensar que aquele homem seria capaz de enganar, ocultando-lhe as visitas da bela jovem desconhecida para descansar com ela conversando, aos e entediar em companhia de uma esposa estúpida e ignorante.
As lágrimas a sufocavam.
Subitamente uma ideia lhe aflorou à mente e ela agarrou a cabeça com as mãos.
- Como não deixar que ele perceba o que me fervilhava na cabeça?
Assim que ele entrar, acabará lendo o que tenho na alma...
E se ele se ofender e, além do mais, começar a desprezar-me?
Ela não notou quando o reposteiro foi erguido e Supramati parou na soleira, olhando para ela alegre e indulgente.
Ele se aproximou, puxou uma cadeira e sentou-se ao seu lado.
Totalmente absorvida com a tempestade que se desencadeava em sua alma. Olga nada via nem ouvia.
Ele lhe pegou a mão e disse em tom carinhoso, fingindo não saber o que a atormentava:
- Meu Deus, Olga, você parece inconsolada!
O que a aflige tanto?
Ao ouvir a sua voz, Olga saltou bruscamente e em seus belos olhos marejados reflectiam-se claramente os sentimentos tempestuosos que a afligiam.
- Perdoe... Eu sei perfeitamente que você já leu os meus pensamentos sujos, dos quais me envergonho; mas estou tão infeliz!
É insuportável sentir-me indigna de você.
Lágrimas jorravam de seus olhos e ela beijou a mão do marido, que lhe segurava as suas.
Supramati em riso puxou-a para perto de si.
- Bobinha! Você não se envergonha de ser tão ciumenta?
Seu coração está a ponto de explodir, suspeitando da minha infidelidade e encontros secretos.
E tal sentimento impuro, espreita-se na alma da esposa do mago!
- Supramati, seja bom e não me expulse por causa destes pensamentos criminosos!
Eu quero superar este sentimento ruim e angustiante, pois sei que não posso competir com aquela mulher – bela como uma visão celestial – que esteve com você. Comparada a ela, eu sou um espantalho e, ainda mais, ignorante; jamais o entenderei como ela o entende. Mas convenhamos:
é duro saber que é a ela que pertence os eu amor, enquanto que você só me tolera.
E eu, estúpida, achava que apesar da minha nulidade você me amava...
As lágrimas impediam-na de prosseguir.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 28, 2016 7:46 pm

- E achava correctamente – respondeu Supramati em tom firme e sério.
Sim, eu a amo por seu amor submisso e obstinado, e amo-a com o amor terreno.
Você para mim é com um reflexo do passado longínquo, quando eu conseguia amar com um simples mortal; seus temores agora são infundados.
Aquele que você viu é Nara, e os vínculos puros que unem as nossas almas não têm nada a ver com as paixões terrenas.
Ela é uma amiga experimentada, que raramente me visita; e sempre que o faz – como vê -, eu me encontro diante de alguma nova provação, tal como tenho agora.
Nara não é sua rival.
E o seu ciúme, minha querida, não me magoa:
é um sentimento natural.
Mas haverá de chegar à hora em que o seu amor por mim não será nada mais além da paz e harmonia.
Acalme-se, antão, e me ame incondicionalmente, pois também a amo muito.
Para você restabelecer a tranquilidade, posso chamar Nara?
Ela virá de bom grado e lhe dará um beijo de irmã.
Olga abraçou-se impetuosa ao marido e murmurou:
- Sim, eu quero falar com ela e pedir-lhe perdão.
Supramati se levantou, com a mão em que usava o anel do Graal fez um sinal cabalístico e depois pronunciou uma fórmula.
Da gema mágica desprendeu-se um feixe de luz tão brilhante, que Olga fechou os olhos e sentiu tontura.
Um suave toque de mão a fez voltar a si.
Ela viu Nara a fixá-la, estendendo-lhe a mão.
Por alguns instantes, Olga, como que enfeitiçada, ficou parada olhando em silêncio.
Jamais ela vira uma beleza tão divina, e a ideia da rivalidade parecia-lhe absurda.
- Perdoe-me a ingratidão e os pensamentos ruins, duplamente indignos, pois vocês dois são tão bons comigo!
Sussurrou ela, pondo-se de joelhos e encostando os lábios as mãos dela.
Esta se apressou em levantá-la e depois a abraçou.
- Nada tenho a perdoar-lhe, querida criança.
Ao contrário, eu é que peço que me dê uma partícula de seu amor.
Ame-o com toda a sua alma e adoce-lhe a vida entre os humanos; reconforte-o com seu amor nas horas em que a ingrata turba hostil e maldosa começar a vilipendiá-lo e atirar-lhe pedras pelo pão de cada dia recebido.
É dura a tarefa que ele tem pela frente, e ajudá-lo nisso é uma missão divina, que deverá preencher toda a sua vida.
E agora adeus, querida Olga, e fique com isto como uma lembrança minha!
Nara tirou da cinta um feixe de flores mágicas, semelhante às que formavam a sua coroa, e deu-as a Olga.
Em seguida um vapor azulado envolveu a figura formosa da maga e ela desapareceu como se diluída no ar.
Feliz e grata Olga começou a examinar as flores, e depois as colocou dentro de uma caixinha de cristal por cima de uma cama de musgo.
- São flores imortais, não é verdade?
Veja só como cintilam em brilho fosforescente, enquanto os cálices emitem uma luz cor de safira.
Supramati tirou do armário um frasco e borrifou as flores com um líquido transparente.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 28, 2016 7:46 pm

- Agora elas permanecerão sempre frescas e jamais murcharão – acrescentou ele, e seu coração comprimiu-se dolorosamente.
Você não tem mais ciúmes de mim? – gracejou ele.
Não! Eu entendi que em sua vida sou uma violeta que cresce em seu caminho, que deve florescer aromática junto aos seus pés; e eu me contento com este papel – adicionou à jovem, fitando o triste.
Algumas semanas depois, correu uma notícia curiosa; o príncipe Supramati planeava realizar em seu palácio um grande pronunciamento e fazer uma demonstração de alguns “milagres da magia indiana”.
Em todos os salões de Czargrado só se falava da ideia extravagante do príncipe, interpretada de todas as maneiras para se buscar a causa e o objectivo daquela intenção.
A opinião predominante era que, o facto de todos os prazeres e não sabendo mais o que inventar, o milionário queria se recrear no papel de orador; ou que enfastiado de ouro, palácios e banquetes, ele ansiava por glória e aplausos na qualidade de um mágico. Alguns, que tomavam Supramati por uma pessoa séria e sábia, intuíam, é verdade, que alguma outra razão convincente o movia a se apresentar como orador; mas como sempre, o número de tais pessoas reflectivas era escasso.
A curiosidade geral aumentou ainda mais, quando na cidade se soube dos preparativos no palácio. O enorme salão de baile no primeiro andar estava transformado num auditório; a sala de jantar iria abrigar bufês.
Noticiava-se ainda que seriam feitas algumas palestras em que o príncipe realizaria previsões de catástrofes e reviravoltas que estaria por acontecer; faria demonstrações com espelho mágico e materializaria os espíritos usando um método inédito.
Mas, além de proporcionar aquele divertido espectáculo, o que mais cativava era que os ingressos e as comidas seriam grátis; este pormenor deixou o público exultante.
A multidão selvagem disputava as entradas a ferro e fogo; os retardatários, que não conseguiram arrumar os ingressos, estavam fora de si de raiva.
Chegou, finalmente, o dia do evento.
Bem antes da hora marcada, o auditório estava com todas as cadeiras tomadas; olhares impacientes eram lançados em direcção aos bufês, onde Supramati, conhecendo o público, preparou iguarias mais requintadas, separou os melhores vinhos, e até charutos, costumeiramente servidos só em sua casa. Não com menos curiosidade eram examinadas as instalações do salão.
No fundo deste, num estrado, fora montada uma gruta iluminada com intensa luz azul; dentro havia uma mesa com cadeira de mármore e um estranho aparelho em forma de tela.
O público era bem variado. Pelo visto o secretário do príncipe distribuiu as entradas aleatoriamente; as damas todas adereçadas e cobertas de brilhantes – e os cavaleiros – com os peitos cheios de medalhas – compunham a maioria.
Aquela turba ataviada e ilustre – a nata da alta-roda – fingia interesse; mas, em meio ao burburinho, opiniões maledicentes e zombeteiras dardejavam em direcção ao anfitrião, gastando rios de dinheiro para mostrar alguns absurdos, se é que por trás daquilo tudo não se escondiam outros propósitos.
As fisionomias fartas, estioladas, cheias de auto-suficiência, daqueles representantes de vícios “apurados”, antigos e atuais, estampavam risos maldosos de escárnio.
Poucos, contudo, tinham ideia de que para eles seriam feitas grandes revelações ou dados conselhos de suma importância quanto ao perigo que se avizinhava; assim, a maioria ridicularizava levianamente os simplórios que ousavam não compartilhar da opinião geral e que não conseguiam entender que tudo aquilo era um “charlatanismo” e nada mais – um capricho do ricaço enfadado.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 28, 2016 7:47 pm

O sinal do início pôs termo a balburdia.
As lâmpadas foram apagadas; apenas uma luz misteriosa azul-celeste, que saía do estrado, iluminava o salão.
Nivara levantou no fundo da gruta uma cortina azul com franja de ouro, e surgiu Supramati.
Ele estava vestido em traje hindu, portando turbante branco de musselina, de cujas pregas sob a fronte cintilava em luzes multicolores uma estrela brilhante; na corrente de ouro que pendia do pescoço, um grande medalhão, provavelmente salpicado de pedraria valiosa, a julgar pelos feixes luminosos que dela se irradiavam.
O belo rosto de Supramati estava pálido e somente os olhos pareciam vivos; mas o seu porte alto e esbelto, envolto em trajes brancos, produzia uma impressão encantadora no fundo de safira escuro.
Uma salva de palmas recepcionou o aparecimento do príncipe e fez que ele corasse levemente.
A ele, um mago, era humilhante receber, feito a um prestidigitador, as saudações da turba vil; mas ele se dominou imediatamente.
Aquelas centenas de cabeças, variegando sob os seus pés, eram a própria “hidra humana” da qual lhe falariam os iluminados que ele deveria vencer.
Profunda e comovente soava sua voz e as palavras empolgadas foram desenhando o quadro predominante dos costumes da época, dos abusos e crimes que contaminavam o ar e abalavam as focas vitais do planeta.
Ele explicou a importância das forças puras e das emanações do bem para conter e rechaçar a pressão das forças enfurecidas do caos, prestes a explodirem em terríveis hecatombes.
Era com ardor que ele apelava aos homens para se voltarem a Deus, orarem, avocarem as forças puras, para evitar uma morte terrível, pois que os seus organismos ainda estavam cheios de vitalidade e os seus cadáveres seriam presas dos espíritos larvais, espreitando avidamente cada corpo a ser abandonado, para dele se saciarem...
Ao mencionar as larvas, pelo salão percorreu uma risada reprimida; dezenas de lenços tremularam para sufocar gargalhadas inoportunas.
Aqui ou acolá, entretanto, podiam se notar rostos perturbados daqueles que sérios e atentos ouviam o discurso.
Supramati não deixou transparecer que notava a impressão produzida por suas palavras e passou tranquilamente às experiências, mostrando o efeito dos fluidos viciosos sobre o corpo astral de homem.
O intervalo concentrou-se no assalto aos bufês e numa troca animada de impressões.
Muitos gracejavam com os dilúvios prognosticados e riam, principalmente do meio sugerido para evitar todas aquelas desgraças:
orar, ter fé em Deus e reintroduzir os “tolos” ritos eclesiásticos.
O caridoso príncipe queria simplesmente fazer o mundo voltar alguns séculos para trás e mergulhá-lo novamente nas trevas das superstições e crendices; mas, felizmente, as pessoas já não eram tão imbecis!
Os satanistas por sua vez ficaram melindrados com a infeliz definição que aquele “hindu” deu às larvas – seres encantadores e intrigantes, bem mais divertidos que os mortais ordinários. De qualquer forma, todos estavam curiosíssimos em dar uma espiada no espelho mágico para saber de seu futuro, já que o do planeta pouco lhes interessava.
A segunda parte da palestra, quando Supramati fez algumas experiências curiosas com a aura humana e apresentou algumas aparições do “outro” mundo, divertiu muito o público, ainda que o número de extraordinário realismo deixasse uma impressão desagradável.
Da tela saiu uma fumaça negra cobrindo toda a gruta e a figura do mago; subitamente apareceu a imagem de um bairro de Czargrado.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 28, 2016 7:47 pm

Relâmpagos cintilantes recortavam o céu escuro; rajadas de vento sacudiam as paredes dos edifícios, enquanto açoitados por furacão, os escuros vagalhões encrespados inundavam ruidosamente a cidade.
A ilusão completa: parecia que as águas revoltosas estavam prestes a alagarem os espectadores, e no salão ouviram-se gritos de pânico.
Quando a aparição sumiu, muitas das mulheres estavam desfalecidas, enquanto alguns homens, com os nervos abalados, sofreram crise de histeria, e outros prorromperam em choro desvairado.
Ligadas as luzes, todos se acalmaram; persistiu apenas na mente o deslumbre geral da “experiência cinematográfica”, ainda inédita, que superou todas as expectativas.
No dia seguinte, Nirvana informou a Supramati que várias pessoas pediram para serem recebidas e queriam algumas explicações sobre as questões levantadas na palestra; todos expressaram o desejo de aprenderem mais.
- Os simplesmente curiosos eu mandei embora; mas para cerca de dez pessoas, de facto crentes, eu marquei o dia para virem, conforme o senhor me instruiu mestre.
Muito bem, Nirvana!
Quando o número chegar a uns cinquenta, você me avisa.
E Supramati deu as instruções necessárias para a instalação da escola esotérica a ser fundada, com acomodação para dois jovens adeptos, que logo viriam para ajudá-lo no ensino.
Mal o secretário se havia retirado, apareceu Narayana, no melhor do seu estado de humor, cantarolando uma cançoneta.
- Sabe o que fiz?
Acabei de transformar em porcos dez dos seus ouvintes de ontem – anunciou ele satisfeito.
Não acredita? Estou falando sério!
- Você não tem vergonha de abusar de seus poderes?
- Nem um pouco.
Não entendi como você tinha que deitar tantas pérolas aos porcos ontem.
Bem, foi assim:
estava eu passeando no parque do palácio teatral e cruzo com um grupo de jovens, rindo de você, das tragédias iminentes e, sobretudo, de seus conselhos de orar.
Você não imagina quantas bobagens e ultrajes eles falavam; mas, a certa altura, um deles anunciou que, já que você tem esperanças de encontrar os ouvintes dentro de templos e igrejas, deveria então domesticar uns porcos e levá-los lá.
Eu fingi gostar da ideia e disse-lhes que eu era um mestre na domesticação de animais, e se eles estivessem dispostos a irem comigo até a minha vila, ali ao lado do palácio dos artistas, eu poderia mostrar-lhes muita coisa interessante nesse sentido.
Eles foram. E lá, por um método que você já conhece, eu os transformei em porcos e depois os enxotei para a rua.
Você nem pode imaginar como eles ficaram ao compreenderem o seu estado!
Grunhindo desesperadamente, desembestaram em desabalada carreira pelas ruas, gritando em vozes humanas que o príncipe Narayana os havia enfeitiçado.
Juntou-se, obviamente, uma enorme multidão, que acabou por acompanhar os digníssimos mamíferos correndo para suas casa.
Ali, aquela tragicomédia teve um desfecho ainda mais cómico:
os de casa não quiseram aceitar os estranhos parentes e, apesar dos gritos dos pobres leitõezinhos, chutaram-nos para fora sem qualquer cerimónia.
A multidão indignada se voltou contra mim e, aos gritos e ameaças, investiu contra meu palácio.
-Meu Deus! Como é que você se arrisca tanto, Narayana!
Devemos, entretanto, libertar aqueles infelizes – exclamou Supramati.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 28, 2016 7:47 pm

- Acalme-se! Ebramar já lhes devolveu a beleza natural e você, que me conhece, sabe que costumo tomar as minhas precauções; assim preparei um álibi irrefutável.
Durante o tempo daquele episódio, eu me encontrava no teatro com seis dos meus amigos – altos dignitários -, que já confirmaram isso.
Amanhã, em todos os jornais sairá uma carta minha anunciando que um patife ignóbil se fez passar por mim para intentar um transformismo diabólico, já que eu estava sentado no camarote com os meus amigos.
E ninguém poderá duvidar da minha probidade! – concluiu satisfeito Narayana.
Você se duplicou, seu trapaceiro!
Não seria melhor você nos ajudar do que se dedicar a essas bobagens? – observou Supramati balançando a cabeça.
- Ajudar na salvação desses animais bípedes?
Não há nenhuma esperança de que sejam salvos.
- Se de uma centena pudermos salvar pelo menos um, já vai valer o esforço
Narayana fez uma careta.
- Se você assim quiser, vou lhe ajudar, só para lhe dar prazer.
Mas que terei que fazer?
- Primeiramente, tente excitar um movimento na aura densa daquelas pessoas, tornando-as mais sensíveis e receptivas.
Nota-se que a pegajosa massa escura, a envolver-lhes a cabeça, impede que sintam as correntes puras, obstruindo a transmissão de seus pensamentos.
A atmosfera que os cerca e as pessoas com as quais eles têm contacto impregnaram seus cérebros com conceitos materialistas estreitos e baniram a compreensão de Deus.
A atracção inconsciente por algo desconhecido, cuja existência eles pressentem, espreita-se enclausurada no fundo de suas almas; a aura densa e pegajosa não permite, entretanto, que o pássaro espiritual desdobre as suas asas.
Possibilitar aos cegos compreenderem o mecanismo do Universo, eis um trabalho digno de nós!
Por que é que nós podemos enxergar o horizonte infinito do mundo astral, ler através da matéria os mistérios da criação e as leis ocultas?
É porque, nós descerramos a nossa visão espiritual; mesmo assim, ela ainda é extremamente limitada em comparação ao grande intelecto de nossos mestres.
Quanta luz teremos de adquirir ainda para transpor o limiar do mistério supremo?
Em nós, a chama livre e submissa brilha através do corpo e ilumina o nosso caminho no labirinto dos mistérios da criação; naqueles que queremos salvar, a força astral está enclausurada, sem condições de sair dos limites da atmosfera carregada que a envolve, e os pensamentos permanecem estreitos e limitados, enquanto a razão superior não consegue se manifestar.
Eles não percebem a corrente poderosa, não enxergam a brilhante luz astral que emana do ser superior, ainda que sintam aquela irradiação da luz e do calor que se precipita, feito enxurrada de centelhas, sobre a massa escura que impede que o cérebro funcione livremente.
Mas a chuva dourada acaba perfurando a atmosfera densa, vai formando rombos, através dos quais, aos poucos, começa a escapar a luz astral do indivíduo, e esta se torna mais leve e os pensamentos mais flexíveis.
Começam a despertar as aspirações morais e investigativas, restabelece-se a troca, e a luz interior infiltra-se para fora e inicia o trabalho.
Não é à toa que um velho e sábio provérbio dia:
“Du choc dês opinions jaillit la vérite – Do choque das opiniões, surge a verdade”.
Você sabe tudo isso tanto quanto eu; mas só lhe falo estas coisas para imprimir uma forma mais nítida ao programa do seu trabalho.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 29, 2016 7:27 pm

A obrigação de cada ser superior é libertar o divino legado – a indestrutível centelha psíquica que pede por trabalho e alimentação para se inflamar em calor e fora, quebra os grilhões da carne e escapar para a liberdade.
- Sim, o primeiro esforço inato de derrotar a carne, que impede o caminho para a liberdade, é a aspiração a Deus.
É a concepção mais compreensível a qualquer criatura.
Ah, o que eu não daria para compreender o princípio misterioso pelo qual a centelha perfeita povoa a matéria inferior, para depois se tornar novamente perfeita, mas a custo de milhares de sofrimentos! – exclamou em voz surda Narayana.
- Compreenderemos isso quando atravessarmos o muro flamejante que esconde o mistério superior da criação. Ma que caminho longo, quase infinito, temos ainda que andar! – considerou em tom triste Supramati.
Narayana pensou um pouco, olhando para o espaço, estremeceu nervosamente e em seu rosto irrequieto estampou-se uma expressão de desilusão e cansaço.
- Temos pela frente um trabalho infindo e um tempo ilimitado para alcançarmos este objectivo desconhecido; já deixamos para trás um abismo desnorteante, por nós percorrido através dos três reinos até nos tornarmos o que somos – disse ele como se falasse sozinho.
Sim, é árdua a ascensão do espírito, do protoplasma até o mago.
Mas não fomos ajudados, orientados e apoiados neste caminho espinhoso?
Veja até onde você chegou!
E Supramati levou o amigo até um grande espelho.
- Olhe! E em seus olhos brilha uma grande inteligência; a ampla irradiação do cérebro torna-o capaz de alcançar a grandeza do Criador, que lhe inseriu o Seu sopro Divino no corpo, gerando criaturas magníficas que lentamente se reencarnam pela força da atracção a Ele.
Narayana sorriu, mas ao olha para Supramati, cuja aura brilhava feito uma manta de prata salpicada de faíscas, pegou-lhe a mão e apertou-a fortemente.
- Estou pronto para trabalhar!
Agradeço meu irmão e amigo!
Você me fez um grande bem ao lembrar-me do meu dever em relação aos meus irmãos inferiores.
Sou obrigado a retribuir o que recebi de outros.
Supramati abraçou o amigo e deu-lhe um beijo fraterno.
Neste instante, ouviu-se um acorde harmónico e sobre o piso mosaico incidiu um feixe azulado de luz, no qual os amigos reconheceram o terraço do palácio do Himalaia com Ebramar nele postado.
Tendo participado de longe daquela conversa, ele saudou os discípulos com um gesto e um sorriso, acompanho-os agora com a sua irradiação astral.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 29, 2016 7:27 pm

Capítulo XXII

Cheia de tristeza, mas decidida a seguir o caminho escolhido, Edith retornou à América e, apesar da crescente insatisfação do pai, continuou a visitar os pobres e doentes, enquanto que nos serões e nas recepções que Dickson realizava constantemente sua participação era forçada e com evidente aversão.
O banqueiro tomou firme decisão de casar a filha, custasse o que custasse.
Queria por futuro genro um parente longínquo, apaixonado por Edith, e que sabia granjear as simpatias do seu progenitor.
Indignado com a indiferença da mocinha, o pretendente decidiu influir por intermédio do pai sobre a filha, para lhe quebrar a resistência.
Graças a seus esforços, rumores ofensivos correram sobre Edith e, por fim tomaram tal dimensão, que um dos amigos do banqueiro julgou por bem preveni-lo.
- Você deveria dar um basta a essas fofocas maldosas – concluiu ele.
É óbvio que sua filha não é uma pessoa normal.
Que moça, bonita e rica, em são juízo, iria esquivar-se de divertimentos normais para a sua idade, e embrenhar-se pelos casebres, relacionando-se com a plebe.
Que será de seu património, se você não encontrar para ele um administrador sensato; pois, sem dúvida, ela o dissipará em dois tempos.
Incandescido com aquela conversa, o banqueiro ralhou com a filha, como jamais havia feito, e anunciou que se ela não tomasse juízo, ele a internaria num hospital psiquiátrico.
- Já estou cheio de todas essas fofocas endereçadas a nós.
Tente ser sensata e escolha um marido do rol de seus pretendentes; dos eu primo Sidney eu gosto mais do que de todos.
Aconteça o que acontecer, eu vou-lhe achar, enquanto estou vivo, um homem sensato que evite desperdiçar os meus bens com pobres.
Se você resistir, eu a julgarei por incapacitada, precisando de tutela.
Dou-lhe uma semana para as reflexões e a decisão.
Sidney, mister Hampdom e mister Lorris querem a sua mão; se você quiser evitar grandes dissabores, fique noiva de um deles dentro de uma semana.
Sem esperar pela resposta, ele se retirou do quarto.
Edith, ao ficar sozinha, desatou em prato.
Em função da enorme liberdade que as mulheres usufruíam a filha, é claro, poderia lutar contra o pai, mas o preço seria um escândalo, pois ela era menor de idade.
Por outro lado, ela o amava; ele sempre foi bom para ela e desejava-lhe, sem dúvida, apenas o bem; estava em jogo o seu orgulho ferido, por causa dos torpes boatos dirigidos à sua pessoa.
Mas não seria com nenhum daqueles senhores que ela iria se casar; todos os três ateístas e perdulários notórios, enquanto que Sidney era conhecido inclusive como satanista.
Somente uma imagem reinava dominadora no coração:
da jovem, a do cavaleiro misterioso que lhe salvara a vida.
Não saberia dizer se ele era um homem ou anjo, mas no momento do desespero ela apelou para ele.
De joelhos em seu quarto, mal reprimindo as lágrimas, orava a Deus para lhe enviar aquele libertador, para aconselhar e confortá-la.
No dia seguinte, Edith ficou em casa devido a uma dor de cabeça; a janela estava aberta e ela observava distraída o movimento da rua.
Subitamente estremeceu e ficou pálida.
Naquele momento por sua casa passava um belíssimo carro, dirigido por seu cavaleiro, ou então um sósia, agora em trajes modernos.
O desconhecido levantou a cabeça e seus olhares se cruzaram; ele sorriu.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 29, 2016 7:27 pm

No dia seguinte haveria um grande baile na mansão do embaixador de uma grande potência europeia.
Edith deveria ir lá pela vontade do pai.
Para grande surpresa dele, a filha não fez nenhuma objecção.
Ela tinha a sensação de que algo de bom estava por acontecer; talvez ela encontrasse o estranho do dia anterior, e só de pensar nisso o seu coração palpitava fortemente.
Seu pressentimento estava correto.
Por entre a multidão ela divisou o jovem:
um retrato vivo do seu ideal.
Mais tarde, o próprio pai apresentou-o como o príncipe Dakhir.
Um rubor vivo, que cobriu instantaneamente o rosto da filha, o fez suspeitar de que ela tivesse conhecido casualmente o belo hindu na Europa, estivesse apaixonada por ele, e que aquele amor seria a causa de suas estranhas atitudes.
Quando o príncipe pediu permissão de visitar a casa deles, as suspeitas de Dickson cresceram, mas isto o animou.
Ela havia visto Dakhir e Supramati em Czargrado e sabia que eram muito ricos; e, caso o hindu conhecesse Edith, vindo ao seu encontro na América, então as coisas estavam se ajeitando para melhor.
Edith nesse ínterim atravessava momentos de vaga inquietação.
A felicidade e o medo confrontavam-se nela.
O príncipe em suas conversas cortejava-a abertamente, porém nenhuma palavra ou olhar alvitrara o encontro anterior.
A dúvida “é ele ou outro, parecido com ele” a tiranizava e absorvia a tal ponto, que ela por vezes não respondia as perguntas de seu interlocutor e não notava o sorriso fugaz que ora se estampava em seu rosto.
No dia seguinte Dakhir foi à casa de Dickson; este o recebeu cordialmente e convidou para almoçar.
Depois, Edith começou a se encontrar com o príncipe quase todos os dias e, para o grande desgosto de seus outros pretendentes, a jovem não via ninguém além do belo estrangeiro.
Não raro eles conversavam longamente:
na ponta da sua língua insistia em ficar engatilhada a pergunta sobre o passado dele e da sua misteriosa cura, mas a timidez insuperável sempre a detinha.
Apesar dessas dúvidas, ela se perguntava o que iria responder caso ele lhe pedisse a mão.
- Sim, sim!
Seja ele quem for eu o amo e pertencer-lhe será a maior aventura – sussurrava ela, tremendo de felicidade e esperança.
E assim, certa noite Dakhir perguntou-lhe se ela aceitava pertencer-lhe.
Edith respondeu baixinho, com os olhos húmidos de felicidade.
- Oh, eu sou sua há muito tempo.
No dia seguinte, de manhã, mister Dickson veio aos aposentos da filha e transmitiu-lhe contente o pedido de Dakhir.
- Devo informar ao príncipe a sua recusa ou você se emendou? – a indagou, maroto.
- Emendei! – devolveu Edith, corando feito pimentão e escondendo o rosto no peito do pai.
Diga ao príncipe que eu aceito.
Os esponsais foram comemorados pomposamente.
O primo Sidney não estava presente e arquitectava um plano de vingança.
Um acontecimento inesperado atrapalhou, contudo, seus intentos danosos.
Durante a viagem, a sua aeronave quebrou e caiu; ele quebrou a perna e ficou alguns meses hospitalizado.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 29, 2016 7:28 pm

O casamento de Dakhir e Edith não menos magnífico que o noivado e realizou-se sem qualquer ritual religioso, para grande desgosto da noiva.
Mister Dickson, sendo ateísta e materialista ferrenho, não reconhecia nenhuma religião.
Ao término de um espectacular almoço, os recém-casados embarcaram na aeronave do príncipe e partiram numa viagem de núpcias que findaria em Czargrado.
Quando finalmente eles se encontravam sozinhos na sala, Dakhir fez Edith sentar-se no sofá e disse em tom alegre:
- Bem querida, e agora que nós somos marido e esposa, você fará a pergunta que a atormenta:
“é ele ou outro, parecido com ele?”
Ruborizada e confusa, Edith olhou para ele boquiaberta,
- Você já sabe você adivinhou meu pensamento?
Verdade, eu vi o homem misterioso apenas uma vez – seu retrato vivo – e até hoje não estou certa, mas...
Ela vacilou e recostou a cabeça no ombro do marido.
- Eu queria que você fosse o “outro”, mas não anjo.
Dakhir riu com gosto.
- Acalme-se querida, não sou anjo, ainda que não seja uma pessoa comum.
Mas a minha esposa tem de saber de tudo. Sou membro de uma irmandade secreta de sábios, com conhecimentos de comandar as forças desconhecidas aos profanos.
Eu a vi amei-a e quis lhe devolver a saúde; com ao auxílio de meus irmãos consegui fazê-lo.
Quero informá-la de que este saber oculto, para que seja utilizado na prática, exige certas condições.
Prepare-se então, na qualidade de minha esposa, para assistir a muita coisa que pode lhe parecer fora do comum ou inconcebível.
Poderá você me prometer não ser curiosa e, principalmente, não tagarelar e não revelar jamais a seu pai ou a quem quer que seja aquilo que vier, a saber, ou suspeitar quanto aos mistérios da minha vida?
Dominada por um medo supersticioso, Edith estremeceu e ficou calada por cerca de um minuto; em seguida, em seus olhos cintilou um amor infinito e apertando forte a mão de Dakhir ela respondeu enfática:
Você me ama e eu sou sua; o que mais eu poderia desejar?
Você me salvou e isso só faz aumentar o meu amor e a gratidão.
E o que tenho a ver com tudo o mais?
Não tema da parte nem indiscrição, nem curiosidade.
Dakhir a atraiu para si e a beijou carinhosamente.
- Agradeço-lhe querida, pelo amor e confiança, mas deixe-me avisar que a partir de agora é que começa a sua maravilhosa vida.
Estamos indo à índia encontrar o meu mestre e guia um dos sábios a quem você deve a sua vida, a quem você pedirá para abençoar a nossa união, que não recebeu a consagração do alto.
Finalmente a aeronave parou diante do terrão de Ebramar.
Os jovens saltaram e, depois de atravessarem algumas magníficas salas, entraram no gabinete do sábio.
Na parede de fundo estava aberto um profundo nicho semicircular, iluminado por luz azul-celeste, e lá estava em pé o mago.
Um feixe de luz ofuscante envolvia-o numa auréola e as vestes alvas brilhavam feito a neve sob o sol.
Trémula Edith baixou-se de joelhos ao lado de Dakhir.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 29, 2016 7:28 pm

Ebramar ergueu sobre eles os braços e sob as palmas de suas mãos saíram chispando duas esferas luminosas que pairaram, no início, sobre os recém-casados e, em seguida, neles penetraram.
Ebramar pronunciou uma oração, abençoou-os, levantou, beijou-os e depois os felicitou.
Em seguida, foram todos ao refeitório, onde por Dakhir esperava uma agradável surpresa.
Supramati com a esposa vieram cumprimentá-los.
Olga contou animada com ela já se estava preparando para dormir, quando entrou de repente o marido e lhe propôs viajarem para felicitar Dakhir.
- Ebramar está nos convidando, disse ele.
No mesmo instante, surgiu um largo facho de luz e no chão formou-se um triângulo vermelho.
Nós entramos nele, Supramati me envolveu com sua capa branca e... não sei como, nós viermos parar aqui.
Que viagem maravilhosa, não é verdade?
Que sorte a nossa estarmos casadas com estes sábios! – acrescentou ela beijando Edith.
O jantar passou em animada conversa.
Ebramar foi um anfitrião solícito e tratou paternalmente as jovens mulheres; para lembrar aquele dia ele deu de presente, para cada uma, um antigo medalhão decorado por esmeraldas.
Após o jantar Supramati preparou-se para partir, mas quando Dakhir também quis lhe seguir o exemplo, Ebramar interveio:
Você não gostaria de ficar e passar aqui a sua lua-de-mel?
Eu lhes preparei umas acomodações; quanto a mim, irei até uns amigos que moram numa ilha, outrora desértica e inabitável – ele sorriu maroto – onde nós pretendemos realizar algumas experiências interessantes.
Depois vocês se juntarão a Supramati para ajudá-lo, até que se ache um trabalho útil para você Dakhir.
Edith ficou empolgada e agradeceu calorosamente a Ebramar, que os levou aos aposentos luxuosamente guarnecidos, com uma vista maravilhosa das janelas para o jardim e montanhas.
Inundado pelo luar, o panorama era feérico.
No silêncio profundo do palácio mágico, Dakhir e Edith passaram algumas semanas de felicidade despreocupada.
Apesar de sua longa vida, Dakhir nunca havia desfrutado as alegrias de um lar, da felicidade silenciosa de um amor verdadeiro.
A paixão impetuosa e ilimitada de Edith acalorou e amoleceu o coração do sábio – tão jovem de corpo e velho de alma.
Ele se afeiçoou fortemente à delicada e encantadora mulher, lia nos olhos dela os menores desejos e, ao mesmo tempo, trabalhava energicamente sobre o desenvolvimento da mente e aquisição de conhecimentos, para que dele, ela se aproximasse espiritualmente.
Foi contra a vontade que eles abandonaram a Índia e foram fixar residência em Czargrado, numa mansão preparada para eles por Supramati.
Apos se instalarem, Dakhir começou a ajudar Supramati nas palestras, que continuaram a atrair público, e na direcção da escola esotérica, que já contava com cerca de trezentos alunos.
- É pouco para uma população de alguns milhões; mas, pelo menos, são pessoas sérias, com as quais se pode contar.
As reuniões de Olga também deram frutos.
No início, é claro, a amazona recém-convertida era ridicularizada por professar virtudes familiares, superstições e crendices do passado, supostamente eliminados e tão impossíveis nos tempos modernos, quanto um retorno ao passado.
Entretanto, apesar de todas aquelas chacotas, verificou-se haver não poucas mulheres nas quais os princípios morais preconizados pela princesa Supramati encontraram eco.
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Ave sem Ninho

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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 3: A IRA DIVINA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

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