A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 30, 2016 8:48 am

O DESTINO DAS CRIANÇAS APÓS A MORTE
" Livro dos Espíritos, pág.133 "

197 : " O Espírito de uma criança morta com poucos anos de idade é tão avançado quanto o de um adulto? "
" Algumas vezes muito mais, porque pode ter vivido muito mais e ter mais experiência, sobretudo se tiver progredido. "
" O Espírito de uma criança pode assim ser mais avançado que o de seu pai? "
" Isso é muito frequente não o vê você mesmo sobre a Terra?"
198 : " O Espírito de uma criança que morre em tenra idade, não tendo podido fazer mal, pertence a graus superiores? "
" Se não fez mal, também não fez bem, e Deus não o libera das provas que deve sofrer.
Se for puro isso não seria porque era criança, mas porque era mais avançado."
199 : " Porque tão frequentemente é a vida interrompida já na infância? "
" A duração da vida da criança pode ser para o Espírito que está encarnado nela o complemento de uma existência interrompida antes do momento devido, e sua morte é frequentemente uma prova ou uma expiação para os pais. "
" Que ocorre ao Espírito de uma criança que morre cedo? "
" Ele recomeça uma nova existência. "
Se o homem tivesse apenas uma só existência e se após esta existência sua sorte futura estivesse fixada para a eternidade, qual seria o mérito da metade da espécie humana que morre com pouca idade, para gozar sem esforço da felicidade eterna, e com que direito seria libertada das condições, frequentemente tão duras, impostas à outra metade?
Uma tal ordem de coisas não poderia estar segundo a justiça de Deus.
Pela reencarnação, a igualdade é para todos; o futuro pertence a todos sem excepção e sem favor para ninguém; os que chegarem por último não podem se queixar senão deles mesmos, o homem deve ter o mérito por seus actos, como tem a responsabilidade.
Além disso, não é racional considerar a infância como um estado de inocência.
Não se vê crianças dotadas dos piores instintos em uma idade onde a educação não pode ainda ter exercido sua influência?
Não se vê algumas que parecem trazer de nascimento a astúcia, a falsidade, a perfídia, o instinto mesmo do roubo e do assassinato, e isso não obstante os bons exemplos de que elas estão cercadas?
A lei civil as absolve de seus crimes porque, se diz, que elas agem sem discernimento; ela tem razão porque, com efeito, agem mais instintivamente do que propositadamente; mas de onde podem provir esses instintos tão diferentes entre crianças de mesma idade, criadas nas mesmas condições e submetidas às mesmas influências?
De onde vem esta perversidade precoce se não for da inferioridade do Espírito, pois que a educação aí não contribuiu em nada?
As que são viciosas, é que seus Espíritos progrediram menos, e então sofrem as consequências, não por seus actos de infância, mas por aqueles das existências anteriores e é assim que a lei é a mesma para todos, e que a justiça de Deus atinge a todo mundo.
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 30, 2016 8:48 am

PARENTESCO
" Livro dos Espíritos, pág. 135 "

203 : " Os pais transmitem a seus filhos uma parte de sua alma, ou não fazem senão lhes dar a vida animal à qual uma alma nova vem, mais tarde, adicionar a vida moral? "
" Somente a vida animal, porque a alma é indivisível.
Um pai obtuso pode ter filhos inteligentes, e vice-versa. "
204 : " Uma vez que temos várias existências, a parentela remonta além de nossa existência actual? "
" Não pode ser de outra forma.
A sucessão das existências corporais estabelece entre os Espíritos laços que remontam às suas existências anteriores; daí frequentemente as causas de simpatia entre vocês e certos Espíritos que lhes parecem estranhos. "
205 : " Aos olhos de certas pessoas a reencarnação parece destruir os laços da família ao fazê-los remontar além da existência actual. "
" Ela os estende, mas não os destrói.
O parentesco estando fundado sobre afeições anteriores, torna os laços que unem os membros de uma mesma família menos precários.
Ela aumenta os deveres da fraternidade, já que no seu vizinho, ou no seu servidor, pode se encontrar um Espírito a quem você tenha estado ligado pelos laços do sangue. "
" Ela diminui entretanto a importância que alguns ligam à sua afiliação, já que se pode ter tido por pai um Espírito que tenha pertencido a uma outra raça ou que tenha vivido em uma condição totalmente diferente. "
" Isso é verdade, mas esta importância está fundada sobre o orgulho; o que a maioria honra em seus ancestrais, são os títulos, a categoria, a fortuna.
Aquele que se envergonharia de ter tido por ascendente um honesto sapateiro, se vangloriaria de descender de um gentil-homem devasso.
Mas não importa o que digam ou façam, não impedirão as coisas de serem o que são, porque Deus não rege as leis da natureza baseando-se na sua vaidade. "
206 : " Do facto de que não haja filiação entre os descendentes de uma mesma família, se segue que o culto dos ancestrais seja uma coisa ridícula? "
" Certamente que não, porque deve-se sentir feliz de pertencer à uma família na qual os Espíritos elevados se encarnaram.
Ainda que os Espíritos não procedam uns dos outros, não têm menos afeição por aqueles que se ligaram à eles por laços de família, porque esses Espíritos são frequentemente atraídos para tal ou qual família pela simpatia ou pelos laços anteriores, mas creiam que os Espíritos de seus ancestrais não ficam honrados com o culto que vocês lhes rendem por orgulho; seu mérito não reflecte sobre vocês senão na medida em que vocês se esforcem por seguir os bons exemplos que eles deram, e somente então é que sua lembrança pode não somente lhes ser agradável, mas mesmo lhes ser útil. "
215 : " De onde vem o carácter distintivo que se observa em cada povo? "
" Os Espíritos têm também famílias formadas pela similaridade de seus pendores mais ou menos depurados segundo sua elevação.
Bem! Um povo é uma grande família onde se reúnem Espíritos simpáticos.
A tendência que têm os membros dessas famílias de se unir é a fonte da semelhança que existe nos caracteres distintivos de cada povo.
Crêem que os Espíritos bons e humanos buscarão um povo duro e grosseiro?
Não, os Espíritos simpatizam com os povos, como simpatizam com os indivíduos; assim estarão no seu meio. "
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 30, 2016 8:48 am

216. " O homem conserva, nas suas novas existências, traços do carácter moral de suas existências anteriores? "
" Sim, isso pode ocorrer; mas em se melhorando ele muda.
Sua posição social pode também não ser mais a mesma; se de senhor ele se torna escravo, seus gostos serão totalmente diferentes e vocês teriam dificuldade em reconhecê-lo.
O Espírito sendo o mesmo nas diversas encarnações, suas manifestações podem levar de uma para as outras certas analogias, modificadas.
Todavia, pelos hábitos de sua nova posição, quando um aperfeiçoamento notável tiver mudado completamente seu carácter, ele pode se tornar humilde e humano em vez de orgulhoso e malévolo, se estiver arrependido. "
217 : " O homem nas suas diferentes encarnações, conserva os traços do carácter físico das existências anteriores? "
" O corpo é destruído e o novo não tem nenhuma relação com o antigo.
Entretanto o Espírito se reflecte no corpo; certamente, o corpo não é senão matéria; mas malgrado isso ele é modelado pelas capacidades do Espírito que lhe imprime um certo carácter, principalmente sobre a fisionomia, e há verdade quando se diz que os olhos são o espelho da alma; quer dizer que, mais particularmente, a fisionomia reflecte a alma; porque uma pessoa excessivamente feia, quando possui um Espírito bom, sábio, humano, tem, entretanto qualquer coisa que agrada enquanto que há rostos mais belos que não provocam nenhuma aprovação e para os quais se tem mesmo repulsão.
Poderias crer que apenas os corpos bem feitos sejam o envelope dos Espíritos mais perfeitos enquanto que todos os dias encontramos homens de bem sob um exterior disforme.
Então, sem haver uma semelhança pronunciada, a similitude dos gostos e dos pendores pode dar o que se chama, um ar familiar. "
Não tendo o corpo que reveste a alma em uma nova encarnação, necessariamente, nenhuma relação com aquela que deixou, uma vez que pode ter vindo de outra procedência muito diferente, seria absurdo concluir que uma sucessão de existências possa ter alguma semelhança que seria apenas fortuita.
Entretanto as qualidades do Espírito frequentemente modificam os órgãos que servem às suas manifestações, e imprimem sobre a fisionomia, e mesmo ao conjunto de suas maneiras, um cunho distinto.
É assim que sob o envelope mais humilde se pode encontrar a expressão da grandeza e da dignidade, enquanto que sob as vestes de um grande senhor se vê algumas vezes a da baixeza e da ignomínia.
Certas pessoas saídas da mais ínfima posição tomam sem esforço os hábitos e as maneiras da alta sociedade, parecendo que aí reencontraram seu elemento, enquanto que outras, apesar de seu nascimento e de sua educação, estão aí sempre deslocadas.
Como explicar esse facto de outra maneira senão como um reflexo do que já foi o Espírito?
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 30, 2016 8:48 am

IDEIAS INATAS
" Livro dos Espíritos, pág. 140 "

218 : " O Espírito encarnado não conserva nenhum traço das percepções e dos conhecimentos que adquiriu nas suas existências anteriores? "
" Fica uma vaga lembrança que lhe dá o que se costuma chamar de ideias inatas. "
" A teoria das ideias inatas não é, então, uma quimera? "
" Não, os conhecimentos adquiridos em cada existência não se perdem; o Espírito desligado da matéria sempre se recorda deles. Entretanto, na encarnação, pode esquecê-los em parte, momentaneamente, mas a intuição que nele permanece ajuda ao seu adiantamento; sem isso estaria sempre recomeçando.
A cada nova existência o Espírito parte de onde estava na sua existência precedente. "
" Deve existir uma grande conexão entre duas existências sucessivas? "
" Nem sempre tão grande quanto poderias crer, porque as posições são frequentemente bem diferentes e no intervalo entre encarnações o espírito pode progredir."
219 : " Qual é a origem das faculdades extraordinárias dos indivíduos que, sem estudo prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos como as línguas, o cálculo, etc. "
" A lembrança do passado e o progresso anterior da alma, mas dos quais não tem consciência. De onde queria que viessem?
O corpo muda, mas o Espírito não, ainda que troque de vestimenta. "
220 : " Mudando de corpo, pode-se perder certas faculdades intelectuais, não ter mais, por exemplo, o gosto pelas artes? "
" Sim, se tiver pervertido esta inteligência, ou se dela tiver feito mal emprego.
Por outro lado, uma faculdade pode ficar adormecida durante uma existência porque o Espírito quer exercer uma outra que não está com ela relacionada; então permanece em estado latente para reaparecer mais tarde. "
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 30, 2016 8:48 am

ESPÍRITOS ERRANTES
" Livro dos Espíritos, pág. 154 "

223 : " A alma reencarna imediatamente após sua separação do corpo? "
" Algumas vezes imediatamente, mas o mais frequentemente após intervalos mais ou menos longos.
Nos mundos superiores a reencarnação é quase sempre imediata; sendo menos grosseira a matéria corporal, o Espírito encarna gozando de quase de todas suas faculdades.
Seu estado normal é o dos sonâmbulos lúcidos. "
224 : "No que a alma se torna nos intervalos das encarnações?"
" Espírito errante que aspira a um novo destino; pelo qual aguarda."
" Qual pode ser a duração desses intervalos? "
" De algumas horas a alguns milhares de séculos.
De resto não há, propriamente falando, um limite estabelecido para o estado de erraticidade que pode se prolongar por um tempo longo, mas que, entretanto, nunca é perpétuo; cedo ou tarde, o Espírito sempre tem de recomeçar uma existência que servirá para a purificação de suas existências precedentes. "
" Esta duração está subordinada à vontade do Espírito ou pode ser imposta como expiação? "
" É uma consequência do livre-arbítrio; os Espíritos sabem perfeitamente o que fazem, mas há também aqueles para quem é uma punição infligida por Deus.
Outros pedem para prolongá-la para seguir estudos que só podem ser feitos com proveito no estado de Espírito. "
225 : "A erraticidade é, por si só, um sinal da inferioridade entre os Espíritos? "
" Não, porque há Espíritos errantes em todos os graus.
A encarnação é um estado transitório, já o dissemos:
no seu estado normal o Espírito está desligado da matéria."
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 01, 2016 9:58 am

ESCOLHA DAS PROVAS
" Livro dos Espíritos, pág. 125 "

258 : " No estado errante, e antes de começar uma nova existência corporal, o Espírito tem a consciência e a previsão do que lhe ocorrerá durante a vida?"
" Ele mesmo escolhe o género de provas a que quer se submeter, e é nisso que consiste o seu livre-arbítrio. "
" Então, não é Deus que lhe impõe as tribulações da vida como castigo? "
" Nada acontece sem a permissão de Deus, porque foi Ele quem estabeleceu todas as leis que regem o universo, você pode perguntar então porque fez uma lei em vez de outra.
Dando ao Espírito a liberdade de escolha, deixa-lhe toda a responsabilidade pelos seus actos e suas consequências; nada estorva seu futuro, pois tanto o caminho do bem quanto o do mal está disponível para todos.
Mas se sucumbir resta-lhe uma consolação, é que não está tudo acabado para ele, e que Deus, na sua bondade, o deixa livre para recomeçar o que tiver feito mal.
Ademais, é preciso distinguir o que é a obra da vontade de Deus, e o que é da do homem.
Se um perigo o ameaça, não foi ele quem criou esse perigo, foi Deus; mas foi dele a vontade de se expor por saber ser este um meio para seu adiantamento, e Deus o permite. "
259 : " Se o Espírito tem a escolha do género de provas a que deve se submeter, segue-se que todas as tribulações que experimentamos na vida foram previstas e escolhidas por nós? "
" Toda, não é a palavra adequada, porque isso seria dizer que vocês escolheram e previram tudo o que lhes acontece no mundo, até nos mínimos detalhes; escolheram o género de prova, os detalhes dos factos são consequência da posição e, frequentemente, de nossas próprias acções.
Se o Espírito quis nascer entre os malfeitores, por exemplo, ele sabia a que arrastamentos se exporia, mas não cada um dos actos que realizaria, esses actos são o efeito de sua vontade, ou de seu livre-arbítrio.
O Espírito sabe que em escolhendo certo caminho terá de manter certo tipo de luta; sabe então a natureza das vicissitudes que encontrará, mas não sabe se ocorrerá antes um evento em vez de outro.
Os detalhes dos eventos nascem das circunstâncias e da força das coisas.
Apenas são previstos os grandes eventos, aqueles que influem sobre o destino.
Se seguir um caminho cheio de sulcos, você sabe que deve tomar grandes precauções porque há a chance de cair, mas não sabe em qual direcção cairá e pode ser que você não caia se for bastante prudente.
Se passando na rua, uma telha cai sobre sua cabeça, não creia que isso estava escrito, como se diz vulgarmente."
260 : " Como o Espírito pode querer nascer entre pessoas de má vida? "
" É preciso que seja enviado para um meio onde possa sofrer a prova que pediu.
Pois bem! Então é necessário que se aja por analogia; para lutar contra o instinto de furto, é preciso que se encontre entre gente dessa espécie. "
" Então, se não houvesse pessoas de má vida sobre a Terra, o Espírito não poderia encontrar o meio necessário a certas provas? "
" É isso algo que se deva lastimar?
É o que tem lugar em mundos superiores onde o mal não tem acesso; é por isso que lá só há bons Espíritos.
Façam que, em breve, ocorra o mesmo sobre sua Terra. "
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 01, 2016 9:59 am

RETORNO À VIDA CORPORAL
"Livro dos Espíritos, pág. 195"

330 : " Os Espíritos sabem a época na qual reencarnarão? "
" Eles a pressentem, como o cego sente o fogo quando dele se aproxima.
Eles sabem que devem retomar um corpo, como vocês sabem que um dia vão morrer, mas não sabem quando isso ocorrerá. "
" A reencarnação é então uma necessidade da vida corporal? "
" Certamente é assim. "
331 : " Todos os Espíritos se preocupam com sua reencarnação? "
" Há os que nunca pensam nisso, que nem mesmo o compreendem; isso depende de sua natureza mais ou menos avançada.
Para alguns a incerteza de onde estarão no porvir é uma punição. "
332 : " O Espírito pode apressar ou retardar o momento de sua reencarnação? "
" Pode apressar demonstrando seu desejo ou pode retardá-lo se recuar diante da prova, porque entre os Espíritos também existem os covardes e os indiferentes, mas isso não ficará impune; sofrerá como todo aquele que recua diante de um remédio salutar que pode curá-lo. "
333 : " Se um Espírito se encontra bastante feliz em uma condição mediana entre os Espíritos errantes, e não tiver a ambição de se elevar, pode prolongar esse estado indefinidamente? "
" Não indefinidamente; o progresso é uma necessidade que o Espírito experimenta pois, cedo ou tarde, todos devem se elevar; é o seu destino. "
339 : " O momento da encarnação é acompanhado de uma perturbação semelhante àquela que tem lugar quando se deixa o corpo? "
" Muito maior e, sobretudo mais longa.
Na morte o Espírito sai, mas no nascimento entra na escravidão. "
340 : " O instante em que um Espírito deve encarnar é um momento solene para ele?
Realiza este ato como algo grave e importante? "
" É como um viajante que embarca para uma travessia perigosa, e não sabe se encontrará a morte nas vagas que irá afrontar. "
341 : " A incerteza em que se encontra o Espírito sobre a eventualidade do sucesso nas provas que vai sofrer na vida, é para ele causa de ansiedade antes de sua encarnação? "
" De ansiedade bem grande, uma vez que as provas de sua existência o retardarão ou o adiantarão segundo as tiverem suportado, bem ou mal. "
342 : "No momento de sua reencarnação, o Espírito está acompanhado por outros Espíritos seus amigos que vêm assistir à sua partida do mundo espiritual, como vêm recebê-lo quando para aí retorna? "
" Isso depende da esfera que o Espírito habita.
Se estiver nas esferas onde reina a afeição, os Espíritos que o amam o acompanham até o último momento, encorajando-o e frequentemente o seguem na vida."
343 : "Os Espíritos amigos que nos seguem na vida são por vezes aqueles que vemos em sonho, que nos testemunham afeição e que se nos apresentam com fisionomias desconhecidas? "
" Muito frequentemente são eles que os vão visitar assim como vocês vão ver um prisioneiro. "

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, pág. 84.
3. Após a transfiguração, seus discípulos o interrogaram e lhe disseram:
Por que então dizem os escribas que é preciso que primeiramente Elias volte?
Mas Jesus lhes respondeu:
É verdade que Elias deve retornar e restabelecer todas as coisas; mas eu lhes declaro que Elias já veio e eles não o reconheceram, mas o trataram como lhes aprouve.
É assim que farão sofrer o Filho do Homem.
Então seus discípulos compreenderam que era de João Baptista que lhes falara.
(São Mateus, capítulo XVII, v. 10 a 13 ; São Marcos, capítulo IX, v. 11, 11, 13)
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 01, 2016 9:59 am

RESSURREIÇÃO E REENCARNAÇÃO

4. A reencarnação fazia parte dos dogmas Judeus sob o nome de ressurreição:
somente os Saduceus, que pensavam que tudo acabava com a morte, nela não acreditavam.
As ideias dos Judeus sobre esse ponto, como sobre muitos outros, não estavam claramente definidas, porque apenas tinham noções vagas e incompletas sobre a alma e sua ligação com o corpo.
Acreditavam que um homem que tivesse morrido poderia reviver sem ter uma explicação precisa quanto à maneira pela qual teria lugar; designavam pela palavra ressurreição o que o espiritismo chama, mais judiciosamente, de reencarnação.
Com efeito, a ressurreição supõe o retorno à vida do corpo que já está morto, o que a ciência demonstra ser materialmente impossível, sobretudo quando os elementos do corpo estão dispersos e absorvidos desde há muito tempo.
A reencarnação é o retorno da alma ou Espírito à vida corporal, mas em um novo corpo, formado para ele, e que nada tem de comum com o antigo.
A ressurreição podia se aplicar a Lázaro, mas não a Elias, nem aos outros profetas.
Se então, segundo sua crença, João Batista era Elias, o corpo de João não podia ser o de Elias uma vez que João tinha sido visto ainda criança e seu pai e sua mãe eram conhecidos.
João podia ser Elias reencarnado, mas não ressuscitado.
5. Ora, havia um homem entre os Fariseus, de nome Nicodemos, senador dos Judeus, que veio à noite encontrar Jesus, e lhe disse:
Mestre, sabemos que veio da parte de Deus para nos instruir como um doutor; porque ninguém poderia fazer os milagres que faz, se Deus não estivesse com ele.
Jesus lhe respondeu:
Em verdade, em verdade, lhe digo:
Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo.
Nicodemos lhe disse:
Como pode nascer um homem que já está velho?
Pode reentrar no seio de sua mãe, para nascer uma segunda vez?
Jesus lhe respondeu:
Em verdade, em verdade, lhe digo:
Se um homem não renascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.
O que é nascido da carne é carne, o que é nascido do Espírito é Espírito.
Não se espante com o que lhes disse, que é preciso nascer de novo.
O Espírito sopra onde quer, e vocês escutam sua voz, mas não sabem de onde ele vem, nem para onde vai, ocorre o mesmo com todo homem que é nascido do Espírito.
Nicodemos lhe respondeu:
Como isso pode ser!
Jesus lhe disse:
O quê! Você é mestre em Israel e ignora essas coisas!
Em verdade, em verdade, lhe digo:
que dizemos o que sabemos e que não rendemos testemunha senão do que vimos; e, entretanto vocês não aceitam nosso testemunho.
Mas, se não me acreditam quando lhes falo das coisas da Terra, como acreditariam quando lhes falasse das coisas do Céu? (São João, cap. III, v. de 1 a 12).
6. O pensamento de que João Batista era Elias e de que os profetas poderiam viver de novo sobre a Terra se encontra em muitas passagens dos Evangelhos.
Se esta crença estivesse errada, Jesus não teria deixado de combatê-la, como combateu a tantas outras; longe disso Ele a sanciona com toda a sua autoridade e a põe por princípio e como uma condição necessária quando disse: Ninguém pode ver o reino dos céus se não nascer de novo; e insiste ao acrescentar:
Não se admirem de que lhes tenha dito que é preciso que nasçam de novo.
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 01, 2016 9:59 am

7. Essas palavras: 'se um homem não renascer da água e do Espírito', têm sido interpretadas no sentido da regeneração pela água do baptismo.
O texto primitivo diz simplesmente:
não renascer da água e do Espírito, porém, em certas traduções, 'do Espírito' foi substituída por:
'do Espírito Santo' que não corresponde mais ao mesmo pensamento.
Esse ponto capital ressalta dos primeiros comentários feitos sobre o Evangelho como será um dia constatado sem equívoco possível3.
8. Para compreender o verdadeiro sentido dessas palavras, é preciso igualmente se reportar à significação da palavra água que não era sempre empregada na sua acepção própria.
Os conhecimentos dos Antigos sobre as ciências físicas eram muito imperfeitos, eles acreditavam que a Terra tinha saído das águas, por isso consideravam a água como o elemento regenerador absoluto; é assim que na Génese é dito:
"O Espírito de Deus estava sobre as águas; flutuava na superfície das águas - que o firmamento seja feito no meio das águas - que as águas que estão sob o céu se reúnam em um só lugar e que o elemento árido apareça - que as águas produzam animais vivos que nadem na água e pássaros que voem sobre a Terra e sob o firmamento".
De acordo com esta crença, a água tinha se tornado o símbolo da natureza material, como o Espírito o da natureza inteligente.
Essas palavras:
"Se o homem não nascer da água e do Espírito, ou em água e em Espírito" significam então "Se o homem não renascer com seu corpo e sua alma".
É esse o sentido que estava incluído nesse princípio.
Esta interpretação é, além disso, justificada por essas outras palavras:
O que nasceu da carne é carne e o que nasceu do Espírito é Espírito.
Jesus fez aqui uma distinção positiva entre o Espírito e o corpo.
O que é nascido da carne é carne, indica claramente que o corpo só procede do corpo, e que o Espírito é independente do corpo.
9. O Espírito sopra onde quer; vocês ouvem sua voz, mas não sabem nem de onde ele vem nem para onde ele vai, pode-se entender que se fala do Espírito de Deus que dá a vida a quem ele quer, ou da alma do homem nesta última acepção:
" Vocês não sabem nem de onde ele vem nem para onde ele vai", significa que não se sabe nem o que foi, nem o que será o Espírito.
Se o Espírito ou a alma fosse criado ao mesmo tempo em que o corpo, saberíamos de onde ele vem, uma vez que conheceríamos seu começo.
Em todo caso, esta passagem á a consagração do princípio da pré-existência da alma e por consequência, o da pluralidade das existências.
10. Ora, desde o tempo de João Baptista até o presente o reino dos céus se toma pela violência e são os violentos que o arrebatam - porque até João todos os profetas, como também a lei, assim têm profetizado - e se vocês quiserem compreender o que lhes digo, é ele mesmo o Elias que há de vir - que ouça aquele que tiver ouvidos para ouvir (São Mateus, cap. XI, v, 12 a 15).
1l. Se o princípio da reencarnação, expresso em São João poderia, a rigor, ser interpretado em um sentido puramente místico, o mesmo não poderia ser com esta passagem de São Mateus, que não tem equívoco possível:
ELE MESMO é o Elias que há de vir; não há aí nem imagem nem alegoria; é uma afirmação positiva.
"Desde o tempo de João até o presente o reino dos céus se toma pela violência".
Que significam essas palavras, já que João Batista vivia ainda nesse momento.
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 01, 2016 10:00 am

Jesus lhes explica dizendo:
" Se querem compreender o que digo, é ele mesmo o Elias que há de vir."
Ora, João não sendo outro senão Elias, Jesus fazia alusão ao tempo em que João vivia sob o nome de Elias.
" Até o presente se entendia que o reino dos céus poderia ser alcançado pela violência", é uma outra alusão à violência da lei mosaica que comandava o extermínio dos infiéis para ganhar a Terra Prometida, Paraíso dos Hebreus, enquanto que, segundo a nova lei, o Céu se ganha pela caridade e pela doçura.
Depois acrescenta:
Que ouça aquele que tem ouvidos para ouvir.
Essas palavras tão frequentemente repetidas por Jesus, dizem claramente que nem todo mundo estava em condições de compreender certas verdades.
12. Aqueles de seu povo que foram mortos viverão de novo, os que estavam mortos em meio a mim ressuscitarão.
Despertem de seu sono e cantem louvores a Deus, vocês que habitam na poeira, porque a orvalho que cai sobre vocês é um orvalho de luz e vocês arruinarão a Terra, e o reino dos gigantes. (Isaías, capítulo XXVI, v19)
13. Essa passagem de Isaías é também muito explícita; aqueles de seu povo que foram mortos viverão de novo.
Se o profeta houvesse pretendido falar da vida espiritual, se ele tivesse querido dizer que aqueles que foram mortos não estavam mortos em Espírito, teria dito:
vivem ainda e não viverão de novo.
No sentido espiritual, essas palavras seriam sem sentido, pois implicariam em uma interrupção na vida da alma.
No sentido da regeneração moral, elas seriam a negação das penas eternas, uma vez que estabeleceriam, em princípio, que todos os que estão mortos reviverão.
14. Mas, quando o homem morre uma vez, quando seu corpo, separado de seu Espírito, estiver consumado, o que se torna ele?
O homem estando morto uma vez poderia reviver de novo?
Nesta guerra em que me encontro todos os dias de minha vida, espero que chegue minha mutação. (Job, capítulo XIV, v. 10, 14). (Tradução de Le Maistre de Sancy).
Quando o homem morre, perde toda sua força, expira; depois onde está ele?
Se o homem morre, reviverá?
Esperarei todos os dias de meu combate até que venha alguma mudança? (Tradução protestante de Osterwald.)
Quando o homem está morto, ele vive sempre; terminando os dias de minha existência terrestre, esperarei, porque a ela retornarei de novo. (Versão da Igreja grega.)
15. O princípio da pluralidade das existências está claramente expresso nestas três versões.
Não se pode supor que Job tenha querido falar da regeneração pela água do baptismo que certamente não conhecia.
" O homem estando morto uma vez, poderia reviver de novo ".
A ideia de morrer uma vez e depois reviver implica a de morrer e reviver várias vezes.
A versão da Igreja grega é ainda mais explícita, se isso é possível.
" Terminando os dias de minha existência terrestre, esperarei, porque para aqui retornarei", quer dizer, retornarei à existência terrestre.
Aqui está tão claro como se alguém dissesse:
"Saio de minha casa, mas para ela retornarei ".
"Nesta guerra em que me encontro todos os dias de minha vida, esperarei que chegue minha mutação."
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 01, 2016 10:00 am

Job quer, evidentemente, falar da luta que sustém contra as misérias da vida, ele espera sua mudança, quer dizer, se resigna.
Na versão grega, esperarei parece, sobretudo se aplicar a uma nova existência:
"Quando minha existência terrestre estiver acabada, esperarei porque retornarei ".
Job parece se colocar, após sua morte, no intervalo que separa uma existência de outra e dizer que lá ele esperará seu retorno.
16. Então não há dúvida de que, sob o nome de ressurreição, o princípio da reencarnação era uma das crenças fundamentais dos Judeus; o que é confirmado por Jesus e os profetas de uma maneira formal; de onde se segue que negar a reencarnação é renegar as palavras do Cristo.
Um dia, se meditarmos sem ideias preconcebidas, a autoridade de sua palavra, sobre esse ponto como sobre muitos outros, será reconhecida.
17. Mas a esta autoridade, do ponto de vista religioso, vem se juntar, do ponto de vista filosófico, a das provas que resultam da observação dos factos; quando se quer remontar dos efeitos às causas, a reencarnação aparece como uma necessidade absoluta, como uma condição inerente à humanidade, em uma palavra, como uma lei da natureza; ela se revela por seus resultados de maneira por assim dizer material, como um motor oculto se revela pelo movimento.
Ela sozinha pode dizer ao homem de onde ele vem, para onde ele vai, porque está sobre a Terra, e justificar todas as anomalias e injustiças aparentes que a vida apresenta.
Sem o princípio da pré-existência da alma e da pluralidade das existências, a maior parte das máximas do Evangelho seria ininteligível:
por isso têm dado lugar a interpretações tão contraditórias.
Este princípio é a chave que lhes deve restituir seu verdadeiro sentido.
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 01, 2016 10:00 am

OS LAÇOS DE FAMÍLIA
Fortalecidos pela reencarnação e rompidos pela unicidade das existências.

18. Os laços da família não são destruídos pela reencarnação, como assim o pensam certas pessoas; ao contrário são fortalecidos e apertados: é o princípio oposto que os destrói.
Os Espíritos formam no espaço grupos ou famílias unidos pela afeição, pela simpatia e pela similaridade das inclinações; esses Espíritos, ditosos por estarem juntos, se procuram.
A encarnação os separa apenas momentaneamente, porque, após sua reentrada na erraticidade, eles se reencontram como amigos no retorno de uma viagem. Frequentemente até, seguem juntos na encarnação, onde reunidos em uma mesma família, ou em um mesmo círculo, trabalham no seu mútuo adiantamento.
Se uns estão encarnados e outros não, ainda assim estarão unidos pelo pensamento; os que estão livres velam por aqueles que estão em cativeiro; os mais avançados procuram fazer progredir os retardatários.
Após cada existência terão dado mais um passo na via da perfeição; cada vez menos ligados à matéria, sua afeição é mais viva pela razão mesma de que é mais apurada, porque não é mais perturbada pelo egoísmo nem pelas sombras das paixões.
Podem assim percorrer um número ilimitado de existências corporais sem que nenhum dano seja feito à sua afeição mútua.
Deve ficar bem entendido que se trata aqui de afeição real de alma para alma, a única que sobrevive à destruição do corpo, porque os seres que se unem aqui apenas pelos sentido não têm nenhum motivo para se procurar no mundo dos Espíritos.
Nada existe de durável senão as afeições espirituais, as afeições carnais se extinguem com a causa que as fez nascer.
Ora esta causa não existe mais no mundo dos Espíritos, enquanto que a alma existe sempre.
Quanto às pessoas unidas pelo único móvel do interesse, nada são realmente uma para a outra, a morte as separa na Terra e no Céu.
19. A união e afeição que existem entre os parentes são um índice da simpatia anterior que os aproximava; também se diz de uma pessoa cujos gostos e inclinações não têm nenhuma similaridade com os de seus próximos, que não é da família.
Dizendo isso se enuncia uma verdade maior do que se supõe.
Deus permite, nas famílias, essas encarnações de Espíritos antipáticos ou estranhos com o duplo objectivo de servir de provação para uns e de meio de adiantamento para os outros.
Pois os maus melhoram pouco a pouco em contacto com os bons e pelos cuidados que recebem; seu carácter se adoça, seus costumes se depuram e as antipatias se desfazem; é assim que se estabelece a fusão entre diferentes categorias de Espíritos, como ocorre na Terra entre as raças e os povos.
20. O medo de que, com a reencarnação, aumente indefinidamente o parentesco, é um medo egoísta que prova não se ter bastante amor para se relacionar com um grande número de pessoas.
Um pai que tem vários filhos os ama menos do que se tivesse apenas um?
Mas que os egoístas se tranquilizem, não há fundamento neste temor.
Do facto de que um homem tenha tido dez encarnações, não se segue que encontrará no mundo dos Espíritos dez pais, dez mães, dez mulheres e um número proporcional de filhos e de novos parentes; aí encontrará sempre os mesmos que foram objecto de sua afeição e que a ele estiveram ligados sobre a Terra a títulos diferentes e talvez sob o mesmo título.
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 01, 2016 10:00 am

21. Vejamos agora as consequências da doutrina anti reencarnacionista.
Esta doutrina anula necessariamente a pré-existência da alma; sendo as almas criadas ao mesmo tempo em que o corpo, não existiria entre elas nenhuma ligação anterior; seriam completamente estranhas umas das outras; o pai seria estranho ao seu filho; a filiação das famílias se encontraria reduzida à única filiação corporal sem nenhum laço espiritual.
Não haveria então nenhum motivo de se vangloriar por ter tido por ancestrais personagens ilustres; ancestrais e descendentes, com a reencarnação, podem ter se conhecido, haver vivido juntos, ter se amado e se encontrar reunidos mais tarde para apertarem seus laços de simpatia.
22. Isso quanto ao passado.
Quanto ao futuro, segundo um dos dogmas fundamentais que decorre da anti reencarnação, a sorte das almas está irrevogavelmente fixada após uma só existência; a fixação definitiva da sorte implica na cessação de todo progresso, porque se há algum progresso não poderia haver sorte definitiva; elas vão imediatamente para a mansão dos bem-aventurados ou para o inferno eterno, segundo tenham vivido bem ou mal; estarão assim imediatamente separadas para sempre, sem esperança de se aproximar novamente, de modo que pais, mães, filhos, maridos e mulheres, irmãos ou irmãs e amigos e não podem jamais ter certeza de se reverem, é a ruptura mais absoluta dos laços da família.
Com a reencarnação, e seu consequente progresso, todos os que se amam se reencontram na Terra e no espaço, e juntos gravitam para chegar a Deus.
Se falharem no caminho, retardam seu adiantamento e sua felicidade; mas não perdem toda a esperança; ajudados, encorajados e sustentados por aqueles que os amam, sairão um dia da lama em que se colocaram.
Com a reencarnação, enfim, há solidariedade perpétua entre os encarnados e os desencarnados, daí o estreitamento dos laços de afeição.
23. Em resumo, apresentam-se quatro alternativas ao homem, para seu porvir de além-túmulo:
1º O nada, segundo a doutrina materialista;
2º A absorção no todo universal, segundo a doutrina panteísta;
3º A individualidade com fixação definitiva da sorte, segundo a doutrina da Igreja;
4º A individualidade com progresso indefinido, segundo a doutrina espírita.
Segundo as duas primeiras, os laços de família são rompidos após a morte, e não há nenhuma esperança de reencontro; com a terceira, há chance de se rever, desde que estejam no mesmo meio, e esse meio pode ser o inferno como o paraíso; com a pluralidade das existências que é inseparável do progresso gradual, há a certeza da continuidade das relações entre os que se amam e é isso o que constitui a verdadeira família.
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 01, 2016 10:00 am

LIMITES DA ENCARNAÇÃO
Quais são os limites da encarnação?

24. A encarnação não tem, propriamente falando, limites nitidamente traçados, se entendemos como envoltório o que constitui o corpo do Espírito, uma vez que a materialidade desse envelope diminui à medida que o Espírito se purifica.
Em certos mundos mais avançados do que a Terra, ele já é menos compacto, pesado e grosseiro, e em consequência sujeito a menos vicissitudes; em grau mais elevado, se desmaterializa e acaba por se confundir com o perispírito.
Conforme o mundo no qual é chamado a viver, o Espírito toma o envoltório apropriado à natureza desse mundo.
O próprio perispírito sofre transformações sucessivas; tornando-se cada vez mais etéreo até a completa depuração, que constitui os puros Espíritos.
Se mundos especiais são designados, como estações, aos Espíritos mais avançados, estes últimos não estão a eles ligados como nos mundos inferiores; o estado de desprendimento em que se encontram permite-lhes se transportar a toda parte onde os chamem as missões que lhes são confiadas.
Se considerarmos a encarnação do ponto de vista material, tal como tem lugar na Terra, pode-se dizer que está limitada aos mundos inferiores; depende do Espírito, por conseguinte, se libertar dela, mais ou menos prontamente, trabalhando pela sua depuração.
Deve-se considerar, também, que no estado errante, quer dizer no intervalo das existências corporais, a situação do Espírito está relacionada com a natureza do mundo ao qual se liga por seu grau de adiantamento; assim, na erraticidade, será mais ou menos ditoso, livre e esclarecido conforme esteja mais ou menos desmaterializado.
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 01, 2016 10:01 am

NECESSIDADE DA ENCARNAÇÃO

25. A encarnação é uma punição, e apenas os Espíritos culpados estão sujeitos a ela?
A passagem dos Espíritos pela vida corporal é necessária para que, por meio de uma acção material, possam cumprir os desígnios cuja execução Deus lhes confiou; é necessária para eles mesmos porque a actividade, que são obrigados a exercer, ajuda no desenvolvimento de sua inteligência.
Sendo Deus soberanamente justo deve distribuir, igualmente, a todos seus filhos; é por isso que dá a todos um mesmo ponto de partida, a mesma aptidão, as mesmas obrigações a cumprir e a mesma liberdade de agir; todo privilégio seria uma preferência e toda preferência uma injustiça.
Mas a encarnação é para todos os Espíritos apenas um estado transitório, uma tarefa que Deus lhes impõe no início de sua vida, como primeira prova da optimização que farão de seu livre-arbítrio.
Os que cumprem esta tarefa com zelo transpõem rápida e menos penosamente esses primeiros degraus da iniciação e gozam mais cedo dos frutos de seus trabalhos.
Os que, ao contrário, usam mal a liberdade que Deus lhes concede, retardam seu adiantamento.
É assim que, por sua obstinação, podem prolongar indefinidamente a necessidade de reencarnar e é então que a encarnação se torna um castigo.
26. Nota. Uma comparação vulgar fará compreender melhor esta diferença.
O escolar não chega aos graus científicos senão após haverem percorrido a série das classes que aí conduzem.
Essas classes, qualquer que seja o trabalho que exigem, são um meio de chegar ao objectivo, e não uma punição.
O estudante laborioso abrevia o caminho, e encontra menos espinhos.
O mesmo não acontece para quem, por negligência e preguiça, é obrigado a repetir certas classes.
Não é o trabalho da classe que é uma punição, mas a obrigação de recomeçar o mesmo trabalho.
Assim é com o homem na Terra.
Para o Espírito do selvagem, que está quase no início da vida espiritual, a encarnação é um meio de desenvolver sua inteligência, mas para o homem esclarecido, em quem o senso moral está largamente desenvolvido, e que é obrigado a repetir as etapas de uma vida corporal plena de angústias, enquanto que poderia já ter chegado ao objectivo, é um castigo, pela necessidade em que está de prolongar sua permanência em mundos inferiores e infelizes.
Aquele que, ao contrário, trabalha activamente em seu progresso moral pode não somente abreviar a duração da encarnação material, mas transpor de uma só vez os degraus intermediários que o separam dos mundos superiores.
Poderiam os Espíritos encarnar uma só vez no mesmo globo, e assim cumprir suas diferentes existências em esferas diferentes?
Esta opinião seria admissível apenas se todos os homens na Terra estivessem, exactamente no mesmo nível intelectual e moral.
As diferenças que existem entre eles, desde o selvagem até o homem civilizado, mostram os degraus que terão de transpor.
A encarnação, além disso, deve ter um propósito útil; ora qual seria o das encarnações efémeras, das crianças que morrem em tenra idade?
Teriam sofrido sem proveito nem para si nem para ninguém; Deus, cujas leis são todas soberanamente sábias, nada faz inutilmente.
Pela reencarnação no mesmo globo, quis que os mesmos Espíritos entrassem novamente em contacto e tivessem ocasião de reparar seus danos recíprocos; por suas relações anteriores quis, por outro lado, fundar os laços de família sobre uma base espiritual e apoiar sobre uma lei da natureza os princípios de solidariedade, fraternidade e igualdade.
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 02, 2016 8:59 am

METEMPSICOSE E PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS
O que é o Espiritismo, pág. 142.

A metempsicose dos antigos consistia na transmigração da alma humana nos animais, o que implicaria numa degradação.
De resto esta doutrina não era o que se crê vulgarmente.
A transmigração nos animais não era considerada como uma condição inerente à natureza da alma humana, mas como um castigo temporário, de modo que as almas dos assassinos passavam para os corpos dos animais ferozes para neles receber uma punição; as dos impudicos para os porcos e os javalis, as dos inconstantes e levianos para os pássaros; as dos preguiçosos e dos ignorantes, para os animais aquáticos.
Após alguns milhares de anos nessa espécie de prisão, mais ou menos segundo a culpabilidade de cada um, a alma reentrava na humanidade.
A encarnação animal então não era uma condição absoluta e se aliava, como se vê, à reencarnação humana, e a prova disso está em que a punição dos homens tímidos consistia em passar para o corpo de mulheres expostas ao desprezo e às injúrias.
Isso funcionava como uma espécie de espantalho para os simples, antes que um artigo de fé entre os filósofos.
Da mesma forma que se diz às crianças:
"Se forem más, o lobo vai comer vocês", os Antigos diziam aos criminosos:
Vocês se tornarão lobos.
Hoje se lhes diz:
" O diabo os pegará e levará para o inferno ".
A pluralidade das existências, segundo o Espiritismo, difere essencialmente da metempsicose, ao não admitir a encarnação da alma nos animais, nem mesmo como punição.
Os Espíritos ensinam que a alma não retrograda, mas que progride sem cessar.
Suas diferentes encarnações corporais se cumprem na humanidade; cada existência é para ela um passo adiante na senda do progresso intelectual e moral, o que é bem diferente.
Não podendo adquirir um completo desenvolvimento em uma só existência, frequentemente abreviada por causas acidentais, Deus permite que continue em uma nova encarnação a tarefa que não pode acabar, ou recomeçar a que foi mal feita.
A expiação, na vida corporal, consiste nas tribulações que aqui se sofre.
Quanto à questão de saber se a pluralidade das existências é ou não contrária a certos dogmas da Igreja, limitar-me-ei a dizer isto:
de duas uma, ou a reencarnação existe ou não existe; se existe, é porque está nas leis da natureza.
Para provar que não existe, seria preciso provar ser ela contrária, não aos dogmas, mas a essas leis, e que se pudesse encontrar uma outra que explicasse mais clara e logicamente as questões que somente ela pode resolver.
De resto, é fácil demonstrar que certos dogmas aí encontram uma sanção racional que os faz serem aceitos por quem os repelia por falta de compreensão.
Não se trata então de destruir, mas de interpretar, o que teria lugar mais tarde pela força das coisas.
Os que não quiserem aceitar a interpretação estão perfeitamente livres, como o são hoje, de acreditar que é o sol que gira em torno da Terra.
A ideia da pluralidade das existências se vulgariza com uma espantosa rapidez, em razão de sua extrema lógica e de sua conformidade com a justiça de Deus.
Quando for reconhecida como verdade natural e aceita por todos, o que a Igreja fará?
Em resumo, a reencarnação não é um sistema imaginado para as necessidades de uma causa, nem uma opinião pessoal; ela é ou não é um facto.
Se estiver demonstrado que certas coisas que existem são materialmente impossíveis sem a reencarnação, é preciso admitir que são consequências da reencarnação, logo, se está na natureza, ela não poderia ser anulada por uma opinião contrária.
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 02, 2016 9:00 am

REENCARNAÇÃO
" A Génese, pág. 222 ".

33. O princípio da reencarnação é uma consequência necessária da lei do progresso.
Sem a reencarnação como explicar a diferença que existe entre o estado social actual e aquele dos tempos de barbárie?
Se as almas são criadas ao mesmo tempo em que os corpos, as que nascem hoje são, também, todas tão novas, tão primitivas quanto as que viviam há milhares de anos, acrescentemos que não haveria nenhuma conexão entre elas, nenhuma relação necessária; seriam completamente independentes umas das outras.
Por que as almas de hoje seriam então mais bem dotadas por Deus que suas precedentes?
Por que compreenderiam melhor?
Por que têm instintos mais apurados e costumes mais brandos?
Por que têm a intuição de certas coisas sem as terem aprendido?
Duvidamos que alguém possa resolver essas questões, a menos que admita que Deus criou almas de diversas qualidades segundo os tempos e os lugares, proposição inconciliável com a ideia de uma justiça soberana.
Admita, ao contrário, que as almas de agora já tenham vivido em tempos remotos, que possam ter sido tão bárbaras como seu século, mas que progrediram; que a cada nova existência traziam as aquisições das existências anteriores; que, por conseguinte, as almas dos tempos civilizados são almas imperfeitas, mas que têm se aperfeiçoado por si mesmas, com o tempo, e terão a única explicação plausível da causa do progresso dos Espíritos.
34. Algumas pessoas pensam que as diferentes existências da alma se cumprem de mundo em mundo, e não em um mesmo globo onde cada Espírito passaria uma única vez.
Esta doutrina seria admissível, se todos os habitantes da Terra estivessem exactamente no mesmo nível intelectual e moral; então eles poderiam progredir apenas indo para um outro mundo, e sua reencarnação na Terra não teria nenhuma utilidade; ora, Deus nada faz inutilmente.
Desde que aí se encontram todos os graus de inteligência e de moralidade, desde a selvageria que beira o animal até a civilização mais avançada, ela oferece um vasto campo ao progresso; então se poderia perguntar por que o selvagem seria obrigado a ir procurar alhures o grau acima dele quando o encontra ao seu lado e assim sucessivamente; por que o homem avançado apenas teria podido fazer suas primeiras etapas nos mundos inferiores, quando ao seu redor estão os análogos de todos esses mundos, quando há diferentes graus de adiantamento, não somente de povo a povo, mas no mesmo povo e na mesma família?
Se fosse assim, Deus teria feito alguma coisa inútil colocando lado a lado a ignorância e o saber, a barbárie e a civilização, o mal e o bem, enquanto que é precisamente esse contacto que faz avançar os retardatários.
Então não há necessidade de que os homens mudem de mundo a cada etapa, como não há por que um estudante mudar de colégio a cada série; longe de ser uma vantagem para o progresso, isso seria um entrave porque o Espírito estaria privado do exemplo que lhe oferece a observação dos graus superiores e a possibilidade de reparar seus erros no mesmo meio e na presença dos que foram ofendidos, possibilidade que é, para ele, o mais poderoso modo de adiantamento moral.
Após uma curta coabitação, os Espíritos se dispersariam e se tornariam estranhos uns aos outros e os laços de família e de amizade, não tendo tido tempo de se consolidar, seriam rompidos.
Ao inconveniente moral se juntaria um inconveniente material.
A natureza dos elementos, as leis orgânicas, as condições de existência variam de acordo com os mundos; sob esse aspecto, não há dois que sejam perfeitamente idênticos.
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 02, 2016 9:00 am

Os tratados de física, química, anatomia, medicina, botânica, etc., de nada serviriam nos outros mundos e, portanto, o que se aprende não é perdido; não somente isso desenvolve a inteligência, mas as ideias que aí se colhe ajudam na aquisição de novas.
Se o Espírito fizesse apenas uma única aparição em cada mundo, frequentemente de curta duração, a cada migração ele se encontraria em condições totalmente diferentes; sob elementos novos, com forças e segundo leis desconhecidas para ele, sem ter tido tempo para elaborar os elementos conhecidos, de os estudar, de nisso se exercitar.
Teria de, toda vez, fazer um novo aprendizado e essas mudanças incessantes seriam um obstáculo ao progresso.
Portanto, o Espírito deve permanecer no mesmo mundo até que tenha adquirido a soma de conhecimentos e o grau de perfeição que esse mundo comporte.
" 31. Génese". Pode-se comparar os Espíritos que vieram povoar a Terra a esses bandos de emigrantes de diversas origens que vão se estabelecer numa terra virgem.
Eles aí encontram madeira e pedra para construir suas habitações e cada um dá à sua um cunho diferente, conforme o grau de seu saber e sua inspiração particular.
Grupam-se por analogia de origem e de gostos, e esses grupos acabam formando tribos, depois povos tendo cada um seus costumes e seu carácter próprio.
(Pág. 224) Que os Espíritos deixam por um mundo mais avançado aquele sobre o qual nada mais podem auferir, é como deve ser e é o que ocorre; tal é o princípio.
Se alguns o deixam antecipadamente, é sem dúvida devido a causas individuais que Deus pesa em sua sabedoria.
Tudo na criação tem um objectivo, sem o que Deus não seria nem prudente nem sábio; ora, se a Terra devesse ser apenas uma etapa única para o progresso dos indivíduos, que utilidade haveria para as crianças que morrem em tenra idade, vir aí passar alguns anos, alguns meses, algumas horas, durante os quais nada podem adquirir?
O mesmo seria para os idiotas e os cretinos.
Uma teoria é boa apenas sob a condição de resolver todas as questões que a ela se relacionam.
A questão das mortes prematuras tem sido a pedra de tropeço para todas as doutrinas, excepto para a doutrina espírita que a resolveu de maneira racional e completa.
Há uma vantagem real para o progresso dos que cumprem na Terra uma missão normal em voltar ao mesmo meio para continuar o que deixaram inacabado, frequentemente na mesma família ou em contacto com as mesmas pessoas, de modo a reparar o mal que tenham feito ou para sofrer a pena de talião.
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 02, 2016 9:00 am

OS CRETINOS E A REENCARNAÇÃO
R. E., 1861, pág. 312.

Os cretinos são seres punidos na Terra pelo mau uso que fizeram de suas faculdades; sua alma está aprisionada num corpo cujos órgãos, impotentes, não podem exprimir seus pensamentos; esse mutismo moral e físico é uma das mais cruéis punições, frequentemente é ela escolhida por Espíritos arrependidos que desejam resgatar suas faltas.
Esta prova não é estéril, porque o Espírito não permanece estacionário na sua morada de carne; seus olhos bestificados vêem, seu cérebro deprimido concebe, mas nada consegue traduzir nem pela palavra nem pelo olhar, e, salvo o movimento, estão moralmente no estado dos letárgicos e dos catalépticos que vêem e ouvem o que se passa ao redor deles sem poder se exprimir.
Quando vocês têm em sonho esses terríveis pesadelos em que querem fugir de um perigo, que os leva a gritar para chamar por socorro enquanto que sua língua permanece ligada ao céu da boca e seus pés ao solo, vocês experimentam por um instante o que os cretinos sofrem sempre:
a paralisia do corpo em relação à vida do Espírito.
Quase todas as enfermidades têm assim sua razão de ser, pois nada acontece sem uma causa, e o que vocês chamam de injustiça do destino é a aplicação da mais alta justiça.
A loucura também é uma punição pelo abuso de altas faculdades; o louco tem duas personalidades, a que extravasa e a que tem consciência de seus actos sem poder dirigi-los.
Quanto ao cretino, a vida contemplativa e isolada de sua alma, que não tem as distracções do corpo, pode talvez ser tão agitada quanto as existências mais complicadas pelos acontecimentos; alguns se revoltam contra seu suplício voluntário; lamentam havê-lo escolhido e experimentam um furioso desejo de retornar a uma outra vida, desejo que os faz esquecer a resignação da vida presente e o remorso da vida passada do qual têm consciência, porque os cretinos e os loucos sabem mais do que vocês e sob sua impotência física se oculta uma poderosa moral da qual vocês não têm nenhuma ideia. Os actos de furor ou de imbecilidade, aos quais seu corpo se entrega, são julgados pelo ser interior que sofre e disso se envergonham.
Assim, zombá-los, injuriá-los, maltratá-los mesmo, como se faz algumas vezes, é aumentar seus sofrimentos, porque os faz sentir mais duramente sua fraqueza e sua abjecção e, se pudessem, acusariam de covardia os que agem dessa forma porque sabem que sua vítima não pode se defender.
Nota. - Houve um tempo em que se colocava em discussão a alma dos cretinos e perguntavam se eles verdadeiramente pertenciam à espécie humana.
A maneira pela qual o Espiritismo nos faz encarar esta questão não é de maior moralidade e ensinamento?
Não haveria aí matéria para sérias reflexões ao meditarmos que esses corpos desfavorecidos encerram almas que talvez tenham brilhado no mundo, que são tão lúcidas e tão pensantes quanto as nossas sob o espesso envoltório que lhes abafa as manifestações, e que talvez possa ocorrer o mesmo connosco, se abusarmos das faculdades que nos distribui a Providência?
De outra forma, como o cretinismo poderia ser explicado; como fazê-lo concordar com a justiça e a bondade de Deus, sem admitir a pluralidade das existências, ou dizendo de outra forma, a reencarnação?
Se a alma ainda não viveu, é porque foi criada ao mesmo tempo em que o corpo; nesta hipótese, como justificar a criação de almas tão deserdadas quanto a dos cretinos, partindo de um Deus justo e bom?
Porque não se trata de um desses acidentes, como a loucura, por exemplo, que se pode evitar ou curar; esses seres nascem e morrem no mesmo estado, não tendo nenhuma noção do bem e do mal.
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 02, 2016 9:00 am

Qual será seu destino na eternidade?
Serão felizes como os homens inteligentes e trabalhadores?
Mas por que este favor, uma vez que nada fizeram de bom?
Ficarão naquilo que se chama de limbo, quer dizer em um estado misto que não é nem felicidade nem infelicidade.
Por que esta inferioridade eterna?
Seria sua falta se Deus os criou cretinos?
Desafiamos todos os que repelem a doutrina da reencarnação a saírem deste impasse.
Com a reencarnação, ao contrário, o que parece uma injustiça se torna uma admirável justiça; o que é inexplicável se explica da maneira mais racional.
De resto, sabemos que os que repelem esta doutrina, jamais a combateram com argumentos mais peremptórios do que o de sua repugnância pessoal em retornar à Terra.
Estão bastante seguros de terem muitas virtudes para ganhar o céu de imediato!
Desejamos-lhes boa sorte.
Mas e os cretinos?
E as crianças que morrem em tenra idade?
Que títulos terão para apresentar?

A REENCARNAÇÃO
Advertência de um Espírito - R. E., 1861, pág. 33.

A reencarnação, diz-se, é o inferno; a reencarnação é o purgatório; a reencarnação é a expiação; a reencarnação é o progresso; ela é enfim a santa escada que todos os homens devem galgar; esses degraus são as fases das diferentes existências a percorrer para chegar ao cume, porque Deus o disse:
para ir à Ele, é preciso nascer, morrer, renascer, até que se tenha chegado aos limites da perfeição, e ninguém chega a Ele sem ter sido purificado pela reencarnação.
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Ave sem Ninho

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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 02, 2016 9:01 am

CONSEQÜÊNCIAS DA DOUTRINA DA REENCARNAÇÃO SOBRE A PROPAGAÇÃO DO ESPIRITISMO
R. E., ano 1862, pág. 106
O Espiritismo caminha com rapidez, este é um facto que ninguém poderia negar, ora quando uma coisa se propaga, é que ela convém; portanto, se o Espiritismo se propaga, é porque ele convém.
Para isso há várias causas; a primeira é, sem contradita, como o temos explicado em diversas circunstâncias, a satisfação moral que dá aos que o compreendem e praticam; mas esta mesma causa recebe seu poder, em parte, do princípio da reencarnação, é o que iremos tentar demonstrar.
Todo homem que reflecte não consegue deixar de ficar preocupado com o futuro depois da sua morte, e isso é muito bom.
Quem é aquele que não dá mais importância para sua situação sobre a Terra após alguns anos, do que para alguns dias?
Faz-se mais:
Durante a primeira parte da vida, trabalha-se, fica-se extenuado de fadiga, impõe-se toda sorte de privações para assegurar na outra metade um pouco de repouso e bem-estar.
Se ele toma tantos cuidados por alguns anos eventuais, não seria mais racional que tomasse ainda mais para a vida de além-túmulo, cuja duração é ilimitada?
Por que a maior parte das pessoas trabalha mais para o presente fugidio do que para o futuro sem fim?
É que se acredita na realidade do presente e se duvida do futuro; ora, não se duvida senão daquilo que não se compreende.
Basta que o futuro seja compreendido e a dúvida cessará.
Mesmo aos olhos de quem segue as crenças vulgares e está convencido sobre a vida futura, ela se apresenta de maneira tão vaga, que a fé nem sempre basta para fixar suas ideias e ela tem características mais de hipótese que de realidade.
O Espiritismo vem levantar esta incerteza pelo testemunho daqueles que viveram e por provas, de certa forma, materiais.

O CASO DE M. V...4
R. E., 1860, pág. 205
Dir-lhes-ei, por mais ridículo que isso possa parecer, que minha convicção é a de ter sido assassinado por ocasião dos massacres de São Bartolomeu.
Eu era criança quando esta lembrança veio ferir minha imaginação.
Mais tarde, quando li esta triste página de nossa história, pareceu que muitos desses detalhes me eram conhecidos e creio ainda que se a velha Paris pudesse ser reconstruída, reconheceria a sombria alameda em que, fugindo, senti o frio de três punhaladas, golpeadas em cheio nas costas.
Há detalhes desta cena sangrenta que estão em minha memória e que nunca desapareceram.
Por que tinha esta convicção antes de saber o que era a São Bartolomeu?
Por que, lendo o relato desse massacre, disse a mim mesmo: é o meu sonho, esse sonho ruim que tive quando criança, e do qual a recordação me restou tão vivaz?
Por que, quando quero consultar minhas recordações, concentrando meu pensamento, fico como um pobre louco a quem surgiu uma ideia e parece lutar para reencontrar sua razão?
Porquê? Nada sei sobre isso.
Vocês me acharão ridículo, sem dúvida, mas não perderei com isso minhas recordações e minha convicção.
Se lhes dissesse que tinha sete anos quando me veio esse sonho:
tinha vinte anos, era jovem, bem colocado, penso que era rico.
Vim duelar e fui morto.
Se lhes dissesse que essa saudação que se faz com as armas antes de lutar, eu a tinha feito na primeira vez em que tive um florete nas mãos.
Se lhes dissesse que cada preliminar, mais ou menos gracioso, que a educação ou a civilização colocou na arte de esgrima, me era conhecido antes de minha instrução nas armas, diriam sem dúvida que sou um louco, um maníaco; mas me parece por vezes que uma luz atravessa esse nevoeiro e tenho a convicção de que a lembrança do passado se restabelece em minha alma.
Não li nenhum autor tratando de assunto semelhante.
Talvez o faça em meu retorno, pois essa leitura lançará uma luz sobre mim.
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 02, 2016 9:01 am

A REENCARNAÇÃO NA ANTIGÜIDADE
Os Pandus e os Kurus - R. E., 1862, p. 241.

Tendo irrompido a guerra civil entre os descendentes de Pandu, legítimos herdeiros do trono, e os descendentes de Kuru, que o usurpou, os Pandus vieram à frente de um exército que o herói Arjuna comandava para atacar os usurpadores.
A batalha durou muito tempo e a vitória estava incerta; um armistício deu aos dois exércitos presentes o tempo de reagrupar suas forças; de repente as trombetas tocam: os dois exércitos se agitam totalmente, avançando para o combate; os cavalos brancos levam o carro de Arjuna, próximo do qual o deus Krischna se detém.
Repentinamente o herói se detém no meio do espaço que separa os dois exércitos; ele os percorre com o olhar:
"Irmãos contra irmãos, diz, parentes contra parentes, prestes a se degolarem sobre os cadáveres de seus irmãos! ".
Uma melancolia profunda, uma súbita dor o tomou.
Krischna! Gritou, eis nossos parentes armados, de pé, prestes a se degolarem!
Veja, meus membros tremem, minha face empalidece, meu sangue gela, um frio de morte circula em minhas veias e meus cabelos se eriçam de horror.
Meu arco fiel cai de minha mão, incapaz de sustentá-lo; vacilo, não posso avançar nem recuar, e minha alma embriagada de dor parece querer me abandonar.
Deus de cabelos louros, ah!
Diga-me, quando tiver assassinado os meus, será isso a felicidade?
A vitória, o império e a vida, de que me servirão então?
Aqueles pelos quais desejo obtê-lo e conservá-lo terão perecido nos combates?
Oh conquistador celeste, quando o triplo mundo for o preço de sua morte, eu não quereria degolá-los por esse miserável globo; não quero isso, ainda que eles se aprontem para me matar sem piedade.
Aqueles pelos quais você chora a morte, responde-lhe o Deus, não merecem que os chore; o sábio, quer viva ou quer morra, não tem lágrimas para a vida e para a morte.
Nunca houve o tempo em que eu não existi, em que você não existiu, em que esses guerreiros não existiam, e nunca se verá a hora em que soará nossa morte.
A alma colocada em nosso corpo atravessa a juventude, a idade madura e a decrepitude e passando para um corpo novo nele recomeça seu curso.
Indestrutível e eterno, um deus desenrola de suas mãos o universo em que estamos; e quem aniquilará a alma que ele criou?
Quem então destruirá a obra do indestrutível?
O corpo, envoltório frágil, se altera, se corrompe e perece, mas a alma, a alma eterna que não se pode conceber, essa não perece.
Ao combate, Arjuna!
Impele seus corcéis ao combate; a alma não mata, a alma não é morta; ela nunca desabrocha, nunca morre; ela conhece o presente, o passado, o futuro, ela é antiga, eterna, sempre virgem, sempre jovem, imutável, inalterável.
Cair no combate, degolar seus inimigos o que é senão despir uma vestimenta ou tirá-la daquele que a usava?
Vai então e nada tema; lança sem escrúpulos uma roupa usada; veja sem terror seus inimigos e seus irmãos deixar uma veste usada, seus corpos perecíveis, e sua alma vestir uma nova forma.
A alma é algo que o gládio não penetra, que o fogo não pode consumir, que as águas não deterioram, que o vento Sul não desseca.
Pára então de gemer.
Nota. - A ideia da reencarnação, com efeito, está muito bem definida nesta passagem, como de resto todas as crenças espíritas o estavam na Antiguidade; falta aí apenas um princípio - o da caridade.
Estava reservado ao Cristo proclamar esta lei suprema, fonte de todas as felicidades terrestres e celestes.
"Esta passagem foi tirada do livro em sânscrito Bhagavad Gita. "
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 02, 2016 9:01 am

A REENCARNAÇÃO NO JAPÃO
R. E., 1868, pág. 252.

A seguinte narração foi extraída da história de São Francisco Xavier, pelo padre Bonhours.
É uma discussão teológica entre um monge japonês, chamado Tucarondono, e São Francisco Xavier, então missionário no Japão.
"Não sei se você me conhece, ou, melhor dizendo, se me reconheceria, disse Tucarondono a Francisco Xavier.
Não me lembro de lhe ter visto antes, respondeu ele.
Então o monge, explodindo de rir, e virando-se para outros monges, seus confrades, que tinha trazido com ele:
Bem que lhes disse, falou, que não valeria a pena vencer um homem que tratou comigo mais de cem vezes e que fizesse cara de nunca me ter visto.
Em seguida, olhando Xavier com um sorriso de desprezo:
não lhe resta nada, prosseguiu ele, das mercadorias que você me vendeu no porto de Frenasoma?
Em verdade, replicou Xavier com um semblante sempre sereno e modesto, em minha vida, nunca fui comerciante e jamais vi Frenasoma.
Ah! Que esquecimento e que bobagem, retomou o monge, fazendo-se de admirado e continuando suas risadas:
o que pode ter ocorrido para que você tenha esquecido isso?
Reavivem minha lembrança, replicou docemente o padre, vocês que tem mais de espírito e de memória que eu.
Bem que quero, disse o monge, todo orgulhoso do elogio que Xavier lhe tinha dado.
Faz hoje justamente quinze centenas de anos que você e eu, que éramos comerciantes, fizemos nosso tráfico em Frenasoma, eu comprei de você cem peças de seda em um mercado muito bom.
Lembra-se disso agora?
O santo que julgava aonde iria o discurso do monge, lhe perguntou honestamente que idade ele tinha.
Tenho cinquenta e dois anos, disse Tucarondono.
Como pode ser, respondeu Xavier, que você fosse comerciante há quinze séculos, se há apenas meio século que está no mundo e como traficamos naquele tempo, você e eu em Frenasoma, se a maior parte dentre vocês, monges, ensinam que o Japão não era mais que um deserto há mil e quinhentos anos?
Escute-me, disse o monge, você ouvirá os oráculos e concordará que temos mais conhecimento das coisas passadas do que vocês têm das coisas presentes.
Você deve saber então que o mundo jamais teve começo e que as almas, propriamente falando, não morrem.
A alma se desliga do corpo em que está encerrada, procura um outro, saudável e vigoroso, onde renasce tanto com o sexo nobre, quanto com o sexo imperfeito, segundo as diversas constelações do céu e os diferentes aspectos da lua.
Essas mudanças de nascimento fazem que nossa sorte também mude.
Ora, é a recompensa daqueles que viveram de forma santa ter a memória fresca de todas as vidas que teve nos séculos passados e de se representar a si mesmo inteiramente tal como tem sido desde uma eternidade sob a forma de príncipe, de comerciante, de homem de letras, de guerreiro, e sob outros aspectos.
Ao contrário, qualquer um, como você, sabe tão pouco dos próprios afazeres, que ignora o que têm sido e o que têm feito durante o curso de uma infinidade de séculos, mostrando que todas as suas faltas o tornaram merecedor da morte tantas vezes que perdeu a lembrança das vidas que tem trocado.
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 02, 2016 9:01 am

Nota. - Não se pode supor que Francisco Xavier tivesse inventado esta história que não lhe era proveitosa, nem suspeitar da boa fé de seu historiador, o Pe. Bonhours.
Por outro lado, não é menos certo que era uma peça pregada pelo monge ao missionário, uma vez que sabemos que a lembrança das existências anteriores é um caso excepcional e que nunca comporta detalhes tão precisos; mas o que ressalta desse facto é que a doutrina da reencarnação existia no Japão nessa época, em condições idênticas, salvo a intervenção das constelações e da lua, àquelas que são ensinadas nos dias de hoje pelos Espíritos.
Uma outra semelhança não menos notável é a ideia de que a precisão da lembrança é um sinal de superioridade.
Os Espíritos nos dizem, com efeito, que nos mundos superiores à Terra, onde o corpo é menos material e a alma está em um estado normal de desligamento, a lembrança do passado é uma faculdade comum a todos e aí se recordam de suas existências anteriores como nos lembramos dos primeiros anos de nossa infância.
É bem evidente que os Japoneses não estão nesse grau de desmaterialização que não existe sobre a Terra, mas o facto prova que disso têm intuição.
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Re: A REENCARNAÇÃO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC / M. Henri SAUSSE

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 02, 2016 9:01 am

A REENCARNAÇÃO NA AMÉRICA
R. E., 1862, pág. 50.

Frequentemente fica-se surpreso que a doutrina da reencarnação não tenha sido ensinada na América, e os incrédulos não deixaram de se apoiar nisso para acusar os Espíritos de contradição.
Não repetiremos aqui as explicações que temos dado e publicado sobre esse assunto.
Nos limitaremos a lembrar que os Espíritos mostraram sua prudência habitual.
Quiseram que o Espiritismo nascesse em um país de liberdade absoluta quanto à emissão de opiniões; o ponto essencial era a adopção do princípio e, para isso, não quiseram a nada estar presos.
Não ocorria o mesmo em todas as suas consequências e, sobretudo a reencarnação, que teria se chocado contra os preconceitos da escravidão e da cor.
A ideia de que um negro pudesse se tornar branco, que um branco pudesse ter sido negro, que um senhor havia sido escravo, teria parecido de tal forma monstruoso que teria bastado para rejeitá-lo de todo; os Espíritos preferiram sacrificar momentaneamente o acessório pelo principal, e nos disseram sempre que, mais tarde, a unidade se faria sobre esse ponto como sobre todos os outros.
É, com efeito, o que começa a ter lugar; várias pessoas do país nos têm dito que esta doutrina encontra ali, agora, numerosos partidários; que certos Espíritos, após havê-la feito pressentir, vieram a confirmar.
Eis o que nos escreveu nesse assunto, de Montreal, Canadá, M. Henry Lacroix, natural dos Estados-Unidos:
"A questão da reencarnação da qual vocês têm sido os primeiros promotores visíveis, nos pegou de surpresa aqui, mas hoje estamos reconciliados com ela, com essa filha do seu pensamento.
Tudo se tornou compreensível por esta nova claridade; agora podemos ver bem longe, diante de nós, no caminho eterno.
Portanto, isso nos parecia bem absurdo no começo, como o dissemos; mas hoje negamos, amanhã acreditamos, eis a humanidade.
Felizes daqueles que querem saber, porque a luz se fará para eles; infelizes são os outros, porque permanecem nas trevas. "
Assim foi a lógica, a força do raciocínio que os levaram a esta doutrina e porque aí encontraram a única chave que podia resolver os problemas até então insolúveis.
Todavia nosso honorável correspondente se engana sobre um facto importante, ao nos atribuir a iniciativa desta doutrina que chama de filha de nosso pensamento.
É uma honra que não nos cabe; a reencarnação foi ensinada a outros além de nós, antes da publicação de O Livro dos Espíritos; além disso, o princípio tem sido claramente colocado em várias obras anteriores não somente às nossas, mas antes da aparição das mesas girantes, entre outras em Céu e Terra, de Jean Renaud e em um encantador livrinho de Jourdan, intitulado Preces de Ludovic, publicado em 1849.
Sem levar em conta que esse dogma era professado pelos druidas, aos quais certamente nada havíamos ensinado.
Quando nos foi revelada, fomos surpreendidos e a acolhemos com hesitação, com desconfiança, nós a combatemos mesmo, durante algum tempo, até que a evidência nos fosse demonstrada.
Assim, esse dogma, nós o aceitamos e não o inventamos, o que é bem diferente.
Isso responde à objecção de um de nossos assinantes.
M. Salynes, de Angers, que é um dos antagonistas confessos da reencarnação, e que pretende que os Espíritos e os médiuns que a ensinaram sofressem a nossa influência, tendo em vista que aqueles que se comunicavam com eles diziam o contrário.
De resto, M. Salgues alega contra a reencarnação objecções especiais, das quais faremos, num desses dias, o objecto de um exame particular.
Nesse ínterim constatamos um facto, é que o número de partidários cresce sem cessar e que os dos adversários diminui; se esse resultado for devido à nossa influência, é nos atribuir uma influência bem grande, pois que se estende da Europa à América, à Ásia, à África e até à Oceania.
Se a opinião contrária for verdadeira, como acontece de não ter tido a preponderância?
O erro seria então mais poderoso que a Verdade?
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