Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 12, 2016 7:21 pm

O príncipe e todos os habitantes do palácio haviam desaparecido como desapareceram em todos os lugares os pregadores e os altares, sobre os quais fulguravam os crucifixos e onde o incenso ascendia em nuvens.
Aos gritos, gemidos e soluções prostraram-se de joelhos a multidão; olhares perdidos procuravam pela ajuda do ser divino; os pálidos e transtornados rostos denotavam pavor diante da iminência do momento terrível.
Nos templos satânicos ocorriam cenas estranhas e medonhas.
As multidões ali reunidas traziam sacrifícios e invocavam os demónios, obtendo em resposta risos de escárnio; o inferno enchia-se de gargalhadas horripilantes em resposta a essa humanidade cega e criminosa, que ele acariciou e seduziu e, por fim, entregou em sacrifício às forças cósmicas.
Nesse ínterim, na natureza ocorreu um novo fenómeno.
A profunda escuridão deu lugar a uma luz violeta-escura, que feito uma mortalha vestiu a Terra condenada, sua vegetação exuberante, edificações grandiosas e as multidões barulhentas que corriam desordenadas para todos os lados.
Vindos para pedir ajuda e conselho ao seu terrível senhor, os satanistas se comprimiam no palácio de Shelom.
Na praça, em frente, a multidão vociferava enlouquecida, exigindo que o filho de Satanás lhe devolvesse a luz e purificasse a atmosfera.
Pálido e sombrio, em pé ao lado da janela aberta, Shelom contemplava com olhar sinistro o céu violeta, inspirando pesadamente o ar denso saturado de aroma cáustico desconhecido e que lhe girava a cabeça. Decidindo algo rapidamente, ele se virou em direcção do trémulo e pálido Madim.
- Ordene que sejam levados imediatamente para a fogueira todos os presos que restaram inclusive Iskhet e Taíssa, e anuncie ao povo que se dirijam todos ao local da execução.
Eu vou ao templo principal fazer um sacrifício ao pai e pedir-lhe ajuda e conselho.
Madim correu para cumprir a ordem e fez um pronunciamento ao povo.
Parte dos presentes se espalhou; uns foram ao local onde estava armada uma grande fogueira, outros se dirigiram ao templo principal, para onde iria Shelom, mas a maioria nem se moveu, continuando a gritar e a fazer ameaças.
A notícia de que o príncipe hindu havia sumido e o palácio estava vazio espalhou-se e provocou pânico nacional.
Se o grande mago tinha ido embora, significava, então, que o perigo era inevitável e terrível – diziam.
Milhares de opções e pressuposições eram manifestadas com relação ao local onde o hindu poderia ter-se escondido.
Uma hora depois, uma triste procissão passou pelas ruas da cidade.
À frente dos sentenciados vinham Iskhet e Taíssa, com cruzes no peito.
Em vista de que em certos locais as luzes haviam se apagado e não se conseguia acende-las, os homens armados que acompanhavam a procissão levavam archotes, e a luz que deles se irradiava também adquiria uma estranha tonalidade violeta.
Imprimindo a todos os objectos iluminados um aspecto sombrio.
Os sentenciados iam para a execução calmos e corajosos, entoando um hino sagrado.
Na praça se comprimia uma massa popular, desordenada e preocupada.
Ao alcançarem a enorme fogueira, os condenados abraçaram-se uns aos outros e começaram a subir um após outro, no tablado.
Quando estava chegando a vez de Taíssa e Iskhet, Madim, em companhia de alguns homens, abriu o caminho e disse que o senhor ordenara que Taíssa fosse levada ao templo.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 12, 2016 7:21 pm

Sem protestar, as duas se abraçaram efusivamente e Iskhet subiu na fogueira.
Nesse ínterim, Madim amarrou Taíssa e levou-a embora.
Quando as chamas tremularam crepitando e nuvens de fumaça esconderam da multidão os condenados, que genuflexos continuavam a entoar orações, surgiu, subitamente no meio deles um homem de branco, com uma taça de ouro na mão.
Era Nivara.
- Irmãos e irmãs! – proferiu.
– Para livrá-los da morte torturante no fogo, os nossos mentores enviam-lhes uma bebida que lhes tirará a vida.
Ele aproximou-se de Iskhet e estendeu-lhe a taça.
– Tome um gole, eu a segurarei – disse Nivara.
- Já, meu irmão.
Uma vez aqui sou a mais criminosa, peço-lhe que me dê um beijo fraterno como prova de que você não me despreza.
Diga ao mestre que eu lhe agradeço e o abençoo pela salvação de minha alma e lhe suplico para não me abandonar no espaço.
- Lhe prometo em nome dele – respondeu Nivara beijando a jovem, que tomou da taça, caindo a seguir fulminada.
Ao passar rapidamente por todos os condenados, eles beberam avidamente o líquido e caíram mortos tal como Iskhet.
Como ocorria frequentemente durante as execuções em massa, desabou-se então uma tempestade, trovões rolaram surdamente sem relâmpagos e só de tempos em tempos bafejavam rajadas de vento.
A fumaça que se levantava era tão densa que parecia apagar o fogo e atrás dessa espécie de cortina desceu sobre o local uma nave espacial.
Em poucos instantes os corpos das vítimas foram carregados e a nave, feito um pássaro, alçou voo para as alturas, desaparecendo a seguir.
No templo principal de Lúcifer, aos pés da gigantesca estátua do rei do inferno estava Shelom, cercado de sacerdotes satânicos e de multidão assustada que buscava ajuda e salvação junto ao tenebroso bruxo.
Shelom preparava-se para um grande sacrifício e tudo em volta exalava o cheiro fétido e sufocante das ervas resinosas que ardiam nas trípodes.
Shelom estava completamente nu; seus cabelos foram amarrados com uma fita vermelha contendo inscrições cabalísticas.
Numa das mãos ele segurava o tridente satânico e na outra um cumprido punhal de ponta afiada.
Observando os preparativos, vez ou outra ele olhava impacientemente em direcção à porta por onde deveria ser trazida Taíssa.
Mesmo o perigo mortal que ameaçava a Terra não podia sufocar-lhe a paixão carnal que tinha pela jovem, e a simples recordação de suas inúteis tentativas em possuí-la arrepiava seus pelos.
Em seu delírio, tentava ele imaginar que tipo de tortura ele poderia idealizar para obrigar a imprestável criatura sofrer o mais possível.
Antes de ser entregue em sacrifício a Satanás, irrigando com seu sangue os degraus da ara.
A todos os presentes foram distribuídas velas negras, e um canto selvagem e dissonante ouviu-se sob a abóbada com o surgimento de Madim arrastando Taíssa, amarrada, nua e sem a cruz no peito.
Mas os longos cabelos soltos cobriam como um manto a sua nudez e a cabeça era envolta por uma larga aura clara.
A jovem estava tranquila, seu destemido olhar fixou com indiferença e desprezo o servidor do Mal que a devorava com os olhos ardentes de paixão.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 12, 2016 7:21 pm

- Pela última vez lhe pergunto, criatura teimosa, se você quer voluntariamente, reverenciar Lúcifer e trazer-lhe em sacrifício a sua inocência? – gritou em vos rouca Shelom.
- Não. A minha alma pertence a Deus e com o corpo acontecerá o que for de sua sagrada vontade.
Mate-me rápido, anticristo, para que eu não possa mais ver essa gentalha que o cerca e para que meu sangue possa purificar esse lugar impuro – respondeu Taíssa valorosamente.
- Antes disso você pertencerá a mim! – respondeu Shelom com gargalhada nefasta e lançou-se sobre ela, derrubando-a no chão e, em seguida, agarrando-a pelos cabelos e arrastando-a junto à estátua.
- Jesus Cristo, salve-me!
Deixou escapar Taíssa e no mesmo instante, Shelom, como se golpeado por um chicote, saltou para trás largando sua vítima.
Uma fúria ensandecida apossou-se dele.
Com o rosto transfigurado por convulsões, olhos injectados de sangue e soltando espuma pela boca, lançou-se ele de novo sobre Taíssa.
- Morra e cale monstro do Céu!
Urrou Shelom, enterrando até o cabo o seu punhal no peito da jovem, que caiou sem soltar um gemido.
Do ferimento de onde Shelom arrancou a arma, jorrou em chafariz um sangue da cor de rubi, e os presentes, pasmos de assombro, viram como o líquido acendeu-se no ar como fogo de artifício e em seguida cobriu em véu ígneo o cadáver.
Ao mesmo tempo, sob as abóbadas assistiu-se a um espectáculo surpreendente.
Taíssa ficou flutuando no ar, cercada por seres transparentes que, com jactos de fogo, cortavam os últimos fios que a uniam com a matéria.
Depois os espíritos dos elementos suspenderam a jovem, e, feito uma nuvem empurrada pelo vento, a visão fulgurante desapareceu com rapidez de meteoro, enquanto que o templo foi tomado pelos sons harmónicos do canto das esferas, fazendo com que os satanistas presentes cambaleassem e gemessem de dor.
Shelom, caído no chão de joelhos, parecia sufocar. Quando o pânico acabou, todos viram que do corpo de Taíssa só havia sobrado um pouco de cinza, logo depois dispersado no ar em partículas invisíveis; a estátua de basalto de Lúcifer estava trincada de ponta a ponta.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 12, 2016 7:22 pm

CAPÍTULO XX

Nas montanhas do Himalaia, dentro do palácio de Supramati, a actividade era intensa:
lá se preparavam para o último repasto fraterno geral na Terra condenada.
De todos os santuários do mundo, das grutas do Santo Graal, dos jazigos misteriosos da pirâmide, vinham se juntando os filhos da luz para tomarem seus lugares nas naves espaciais que deveriam transportá-los para o campo de sua futura actividade.
No ar já flutuava a gigantesca e enigmática frota aérea.
Os jovens adeptos, em trajes brancos, arrancaram buques de flores em seus jardins exuberantes para enfeitarem as portas e as mesas arrumadas em amplas salas e decoradas por objectos de estilo desconhecido, monumentos arcaicos do mundo que também já se extinguira e que viera para nesta terra, já moribunda, trazidos pelos primeiros legisladores.
Destacava-se, principalmente, a mesa dos magos superiores.
A toalha de mesa bordada com fios de prata tinha uma barra decorada com pedras preciosas, representando flores, frutas, aves e insectos nunca vistos na Terra.
O trabalho era uma obra de arte sem igual, que só poderia ser feito pelas mãos dos imortais que viviam fora do tempo.
Nesse reduto selecto da ciência, aquela penumbra que envolvia toda a Terra, aqui dava lugar a um pálido lusco-fusco, lembrando o luar, que envolvia com cortina de mistério a mágica paisagem com toda a sua vegetação viçosa e seus chafarizes.
A gruta, onde anteriormente fora colocado o corpo de Olga estava novamente aberta.
Ao longo da alameda que levavam a ela, ficaram perfilados os filhos dos magos em túnicas brancas; de dentro da gruta cintilavam raios de luz ofuscante.
O espectáculo em seu interior era admirável.
Ali se reuniram sem excepção todos os antigos magos, juntamente com a irmandade do Graal; de um lado postaram-se os homens, de outro as mulheres, belas como visões celestiais.
No centro havia um reservatório oval largo, bastante profundo, feito de um metal prateado, cheio de um líquido estranho parecendo mercúrio que se agitava e reverberava em cores de arco-íris.
Junto ao reservatório, num disco de ouro, estava Ebramar em vestimentas sagradas e ao lado dele, em semicírculo, postaram-se seis magos que à semelhança de Ebramar, estavam coroados com cinco fachos de luz ofuscante e com insígnias fulgurantes no peito, conferidas em função de sua alta dignidade.
Nos degraus do nicho onde se estendia o corpo de Olga, estava Supramati em trajes de cavaleiro do Graal, e abaixo do degrau, como dois guardas de honra, Dakhir e Narayana.
A colcha que cobria a falecida foi retirada e apesar dos séculos que passaram, o corpo tinha a aparência de uma mulher adormecida; apenas a palidez marmórea e uma expressão estranha em seu belo rosto apontavam que ali estava um cadáver.
Tudo era um profundo silencio.
Assim que Ebramar levantou sua espada, ouviu-se um majestoso canto, indescritivelmente suave.
Instantes depois, chegou a todos o som de um barulho surdo, como se ondas revoltas batessem em rochas, e sob as abóbadas, cercadas por transparentes grupos de espíritos dos elementos, surgiu uma imensa chama, envolta por uma névoa drapejante de prata.
Como se atraída por força superior, a chama concentrou-se na ponta da espada de Ebramar.
No mesmo instante, Supramati levantou o corpo de Olga e o mergulhou no reservatório.
O líquido que o enchia efervesceu, agitou-se em espuma prateada e, em seguida, com extraordinária rapidez, pareceu absorver-se no corpo inânime.
Ebramar baixou a espada e a chama agitada desapareceu nos lábios semi-abertos do cadáver.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 12, 2016 7:22 pm

Com o olhar faiscante e elevando as mãos, o mago pronunciou com voz autoritária:
- Pelo poder a mim conferido, como mago de quinto grau, ordeno-lhe, corpo de carne, juntar-se a esta chama purificada e renovadora e retornar a uma vida longa e gloriosa, que você, alma de Olga, mereceu com sua aspiração á verdade.
À medida que ele falava, o corpo da jovem estremecia, perdendo pelo visto, sua letargia; depois, ao redor de sua cabecinha clara formou-se um largo fulgor dourado, os grandes olhos se abriram e examinaram vagamente os presentes, mas, ao verem Supramati, acenderam em amor infinito.
Ele, neste ínterim, suspendeu-a do reservatório, colocou-a de pé e afastou-se, sendo a ressuscitada cercada por mulheres da irmandade do Graal.
Nara foi a primeira a beijá-la, depois a ajudou a trocar as antigas vestimentas por uma túnica de tecido brilhante, como se salpicado por pó de brilhantes, pendurou-lhe no pescoço uma cruz de diamantes, encimada por um cálice e sobre a cabeça colocou uma coroa de flores luminescentes.
Quando as mulheres que a cercavam se afastaram.
Olga que ficou sozinha, emocionada e com olhos abaixados, estava realmente bela como uma visão celestial.
Seu rosto espiritualizado reflectia embaraço e felicidade, os cabelos soltos cobriam-na como se por manto dourado, e sobre a cabeça abaixada luzia sua coroa de mártir.
Quando a ela se aproximou Ebramar, sorrindo afavelmente, ela pôs-se de joelhos e pegando a sua mão, encostou-a aos lábios.
Ebramar levantou-a apressadamente, beijou, cumprimentou e abençoou; em seguida pôs a sua mão na mão de Supramati e disse com voz metálica e sonora:
- Foi através da morte que ela se privou de você e através da morte ela o recuperou.
A custo de longos esforços, de penosas provações, ela alcançou o grau de pureza que lhe permitirá ser e permanecer unida a você por longo tempo.
Devolvo-lhe a sua fiel companheira.
Olga levantou a cabeça e, preocupada, olhou para Supramati, que lhe respondeu com um olhar cheio de profundo e ardente amor.
E quando ele a atraiu junto a si e a beijou, o rosto de Olga iluminou-se com expressão de indescritível felicidade.
- Agora, Olga, olhe aqui Airavana.
Ele também quer beijá-la – disse Supramati apontando para um belo jovem que se aproximou admirando-os alegremente.
- Airavana! Eu o deixei quando ainda era bem pequeno e agora o nosso pequerrucho é um homem!
Exclamou Olga, examinando-o emocionada pela felicidade e orgulho maternal.
Ela abraçou calorosamente o filho, cobrindo-o de beijos.
Os magos admiravam sorridentes as emocionantes cenas.
Olga notara isso e com as mãos em prece disse impulsionada pela gratidão:
- Oh, maravilhosos mentores!
Permitam-me agradecer-lhes pelo apoio que me deram durante o meu trabalho de purificação.
O que significam os sofrimentos suportados, angústia da separação, a vida repleta de provações e mortificação da carne, comparados a este minuto da felicidade sobre-humana, do instante límpido de amor, quando se sente nitidamente toda a grandiosa importância do triunfo do espírito sobre a carne?
Gloria ao Criador, cuja bênção, transforma as repelentes e insignificantes lagartas em resplandecentes borboletas, capazes de compreender e amá-lo.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 13, 2016 7:06 pm

- Qualquer trabalho, minha filha, carrega em si a recompensa, e não há alegria mais pura do que o momento de conscientização das provações suportadas – replicou Ebramar, aproximando-se.
E agora, cumprimento-a mais uma vez e desejo um feliz ingresso em nossa irmandade como membro oficial e dou-lhe um beijo fraterno.
Depois de beijar também Supramati, aproximaram-se deles em fila todos os membros reunidos.
Com especial carinho abraçaram-nos Nara, Edith, Dakhir e Narayana.
Após os cumprimentos, todos saíram da gruta e se dirigiram ao palácio, onde estava preparada a refeição da despedida, o último banquete na pátria agonizante, da qual eles se separariam para sempre.
O almoço passou em silencio.
Os rostos de todos estavam sérios e pensativos; em todos estava estampado o peso trágico do passado e a enormidade do trabalho que teriam pelo futuro.
Ao término do modesto almoço, todos os magos saíram para a enorme praça em frente do palácio, onde se reuniram todos os fiéis salvos pelos missionários e trazidos para o local para que fosse organizado o seu envio sob o controle dos jovens adeptos e magos de graus inferiores.
Pálidos feitos cadáveres, em túnicas brancas, eles se comprimiam inquietos uns aos outros.
Na primeira fila estava o jovem astrónomo convertido por Dakhir.
O mago supremo entrou mo meio da multidão e dirigiu-lhes um discurso, explicando que a firmeza da fé salvara-os da morte, mas que eles deveriam dedicar a vida preservada para o bem e para o trabalho útil.
- Na nova Terra, onde vocês serão humildes pioneiros do progresso, nenhum navegador irá abalar com fantasias e sofismas a sua fé, e nem os deterão em seu afã de purificação.
E agora, meus filhos, elevem suas últimas orações na terra e nós oraremos também com vocês.
Todos caíram de joelhos e os adeptos entoaram um hino e leram uma oração, repetida pela multidão, que chorava convulsionadamente.
Abençoando a multidão prostrada, os magos se retiraram, permanecendo apenas os adeptos e os discípulos que controlavam o embarque nas naves.
Os viajantes foram distribuídos em grupos.
Do alto começaram a serem abaixadas, alternadamente, colunas aéreas pelas quais os viajantes subiam.
Alguns, de tão apavorados, não conseguiam andar, sendo carregados e mal a nave ficava cheia, o responsável pelo embarque oferecia aos passageiros uma taça de vinho fortificante que os fazia, quase imediatamente, cair num sono que se prolongaria por toda a viagem.
Olga e Supramati foram aos seus antigos aposentos.
Pela primeira vez depois da separação que durará séculos, eles se achavam sozinhos e, saindo ao terraço com vista para o jardim, contemplavam pensativamente a paisagem de beleza mágica, apesar de uma luz estranha que a envolvia:
suas almas estavam repletas de harmonia serena.
- E assim, nós nos unimos para sempre, minha querida, e eu leio em seus lábios que você está totalmente feliz – disse Supramati sorrindo e apertando-a junto a si.
- Sim, Supramati, minha felicidade é total a partir do instante que eu notei em seus olhos que você não se arrependeu de que era eu, e não Nara, a sua companheira.
- Ela é tão superior a mim! - Nara pertence a Ebramar – respondeu Supramati sorrindo e balançando a cabeça; - Ela é criação dele; foi ele que formou a sua alma.
Feito um sábio e bom jardineiro, ele trabalhou por séculos para levar até o florescimento completo essa flor, ministrando-lhe conhecimentos e elevando-a até ele, sendo justo, então, ser recompensado por isso. Nara permanece minha fiel amiga por ter feito muita coisa para mim.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 13, 2016 7:06 pm

Ela abriu os olhos cegos de Ralf Morgan:
graças ao meu amor a ela, subi pelos degraus do conhecimento e o amor fez com que eu a seguisse dentro do labirinto das ciências ocultas e, por fim, o desejo de me tornar digno dela deu-me força e obstinação necessárias em nosso difícil trabalho.
O mesmo sentimento de amor que se agitava no âmago de seu ser impulsionava Nara a seguir Ebramar, da mesma forma que você Olga, trabalhou e sofreu por amor a mim.
Tudo é mantido e unido pelo amor – um fio de ouro de força e calor que atrai e torna mais fácil passar pelas dificuldades de provações, pela exaustão devido ao trabalho espiritual, ajudando a ascender a íngreme e estreita escada do conhecimento perfeito.
Só Deus único, por sua infinita misericórdia, poderia prover as suas criaturas de alma imortal e dessa gigantesca força que já arde com chama divina num insecto ou numa ave com amor paternal, obrigando o seu pequenino e imperfeito coração a bater.
Aquele que é dotado de amor em sua concepção sublime e pura mantém aceso um foco de luz na escuridão e um foco de calor no frio.
Aqueles que são desprovidos dessa chama sagrada, aqueles que não sabem amar, são renegados e o seu fardo é duas vezes mais pesado:
a escuridão anuvia-lhes o caminho, eles estão sozinhos, eles tropeçam sem a mão do seu guia, de seu coração não emana nada mais que animosidade ou revolta e eles mesmos se condenam a uma dura expiação.
Chegou o grande momento, Olga:
nós estamos passando as últimas horas na Terra, nosso antigo berço; logo, embarcaremos na nave espacial que nos levará para um mundo onde, finalmente, aliviaremos a carga do corpo.
- Irei com você aonde você for e lá será o meu lar e felicidade – respondeu Olga, apoiando a cabeça no ombro de Supramati.
– E nós vamos conseguir ver a catástrofe?
- Sim, de longe, através de um vidro óptico da nave.
Reinou um minuto de silêncio. De repente, Olga endireitou-se e perguntou com visível preocupação:
- Supramati, e que fim levaram as minhas mascotes:
o elefante branco e seu pifaupledonte?
Você me disse que a eles teria sido dada a essência primeva, então eles estariam vivos?
Não é cruel deixá-los aqui para a morte tenebrosa?
- Acalme-se – Supramati sorriu.
Nossos fiéis amigos nos seguirão, só que adormecidos e num estado em que seu peso não seja sentido.
Em novo lugar eles serão despertos e virão cumprimentar a sua dona e depois...
Ele começou a rir – alguns milhões de anos mais tarde, acharão os fósseis do animal "desconhecido", representante de uma espécie completamente desaparecida.
Agora vamos querida.
Você terá de suportar a última provação - ele levou-a junto da mesa que ficava ao lado do sofá e, pegando uma taça de cristal, estendeu-a a Olga.
– Aceite de minhas mãos a taça da vida, que fará de você a minha companheira até o fim da minha vida carnal.
- É o elixir vital?
Perguntou Olga e, ao sinal positivo do esposo, tomou-o de um gole.
Ocorreu o esperado e Supramati acomodou Olga sobre o sofá, cobrindo-a com uma coberta de seda.
Em seguida, afastando-se até o corrimão, mergulhou em pensamentos.
Enquanto Olga dormia o último sono na Terra moribunda que lhe deu a última oferenda – uma vida praticamente imortal – em todo o palácio o trabalho era febril.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 13, 2016 7:06 pm

Pessoas com rostos de bronze arrumavam apressadamente em sacos estranhos de material fosforescente e elástico, objectos arcaicos preciosos, usados no último banquete fraterno dos magos.
Toda essa bagagem foi colocada em grandes naves espaciais sem janelas, destinadas para o transporte dos arquivos terrenos, bagagem, passageiros e que tinham apenas uma cabina na proa para os mecânicos e seus ajudantes.
Quando o último volume foi embarcado, os trabalhadores prostraram-se, beijaram o solo e entoaram uma triste e lastimosa canção; seus corpos fortes tremiam em convulsões de tristeza no minuto do adeus final.
Com tez carregada e olhos abaixados, eles subiram nas naves de transporte, as entradas se fecharam hermeticamente, e todas as naves se alinharam aguardando as naves dos magos.
Algumas horas depois, num grande prado do parque reuniram-se todos os sábios em trajes solenes:
os hierofantes das pirâmides, os cavaleiros do Graal, os magos do Himalaia – ou seja, todos os filhos da luz eterna e da Sabedoria.
Com pensamentos concentrados, todos caíram de joelhos e entoaram um magnífico hino que estremeceu a atmosfera.
No mesmo instante ouviu-se um som estranho, como o repique de um sino poderoso e harmónico, que fez tremer cada fibra do organismo.
Subitamente, a densa escuridão se agitou e se abriu em duas, deixando antever uma abertura aos raios do sol.
Mais uma vez o majestoso e triunfante astro-rei apareceu em todo o seu esplendor, cobrindo de luz os rostos inspirados da multidão genuflexa e seus raios fulgiram nas túnicas alvas, véus de diamantes, panóplias de prata.
Ouviu-se um grito de admiração, e o Hierofante Supremo exclamou levantando as mãos:
- Astro divino, portador do calor e da vida, misericordioso Rá, você veio para despedir-se de seus leais servos!
Felizes e enlevados, olhavam todos para aquele amigo tanto de ricos como de pobres, que vertia inesgotavelmente os seus benéficos raios sobre a Terra condenada à morte, como se de facto fosse despedir-se de seus filhos e com raios luminosos, pela última vez em sinal de adeus, iluminando o areópago dos sábios.
Em seguida o sol empalideceu, a escuridão ficou ainda mais acentuada e o grande gerador de vida sumiu para sempre da Terra...
Um profundo silêncio durou cerca de um minuto. Por fim, todos se levantaram e se dirigiram para as naves.
À frente da procissão iam os magos de hierarquia superior carregando cruzes e cálices.
Na nave de Ebramar ficaram os seus amigos, discípulos e todos aqueles que lhe eram íntimos.
A entrada foi hermeticamente fechada, os aparelhos foram ligados, fornecendo um ar habitual puro de aroma vivificante.
Numa sala alongada mo centro da nave havia um reservatório com um líquido prateado e, de lá, emanava uma névoa azulada, espalhando-se por toda aquela nave estranha, produzindo uma impressão de ser um vento refrescante.
Todos se dispersaram pelas cabines preestabelecidas, mas aceitando o convite de Ebramar, Supramati com Olga e dois filhos, Dakhir com a família e Narayana se reuniram em sua cabine, mais espaçosa.
Na parede externa havia um orifício bastante grande, fechado por um grosso vidro convexo de composição especial que permitia enxergar a longas distâncias.
Junto a uma espécie de telescópio, Ebramar com os amigos fixaram o olhar no já longínquo planeta, outrora berço deles.
Ali continuava a desprender uma fumaça negra que aos poucos ia tomando a forma de uma larga película que se desenrolava e se afastava no espaço.
- Aproxima-se o minuto final.
Vejam como se desenrolam os clichés astrais indo parar nos arquivos do Universo – disse em voz baixa Ebramar, apertando a mão de Nara, que chorando copiosamente lhe colocara a cabeça sobre o ombro.
Os olhos de todos estavam húmidos e os corações apertados, enquanto os olhares permaneciam fixos no pequeno mundículo moribundo, agora envolto por uma aura sanguínea, feito clarão, que paulatinamente ia empalidecendo devido ao afastamento.
As naves prosseguiam seu voo à velocidade vertiginosa, feito um bando de estrelas cadentes, a misteriosa frota prateada cortava a atmosfera, desaparecendo no infinito, levando o passado de um mundo e o futuro de outro...

O final da série está no romance “Os Legisladores”.

§.§.§- O-canto-da-ave
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