Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 04, 2016 7:06 pm

Quando o fogo acendeu crepitando, sua alma encheu-se de prece jubilante, e à medida que ela ia ascendendo à morada da luz, ia desaparecendo e afastando-se dela o mundo visível.
Ele não sentia as flechas perpassando-lhe o corpo nem o sangue jorrando dos ferimentos.
Seu sangue tinha um aspecto claro e luminoso, e não denso e pesado tal como ele ocorre nas veias de homens comuns.
O invisível abriu-se diante dele e entes translúcidos cercaram Supramati, enquanto no ar saturado de suaves aromas, soava a música das esferas.
Subitamente, o céu cobriu-se de nuvens negras, um gigantesco raio ofuscante dissipou a escuridão, a terra tremeu e as pessoas precipitaram-se no chão.
Uma estrela purpúrea partiu da fogueira e feito seta ascendeu às alturas, perdendo-se nas nuvens.
Mais tarde, verificou-se que no local, onde antigamente havia uma nascente mineral e um reservatório, a terra havia formado uma larga fenda, da qual justamente jorrou a corrente de água da cor de safira, como que salpicada de fagulhas fosforescentes.
Vispala, logo trazida do calabouço, logo recuperou os sentidos.
Sem retornar ao palácio, cobriu o rosto com um véu e seguiu a procissão macabra.
Encontrando no caminho um grupo de discípulos e amigos, Vispala deteve-os e implorou que eles insurgissem o povo para salvar o rei e benfeitor.
Por mais quimérica que fosse a esperança, todos os seus amigos – sobretudo dois deles – agarraram-se a essa possibilidade de salvar o mestre e lançaram-se a diferentes cantos da cidade.
Entretanto, sob o efeito do elixir soporífero, a população dormia sem suspeitar que naquela hora seu amigo e protector estava sendo levado para a terrível execução.
O torpor, contudo, já começava a passar e a noticia sobre o acontecimento aturdiu e provocou na cidade uma ira furiosa.
Atendendo ao chamado da rainha, uns dirigiram-se às pressas para o penhasco, enquanto outros partiram para o ataque às casas dos membros do Conselho Monárquico – inimigos de Supramati – e acabaram por liquidá-los.
Era impossível descrever o desespero da multidão que ao chegar ao abismo constatou que tudo já estava acabado.
Os primeiros que chegaram com Vispala e Khaspati ainda puderam ver, por cerca de um minuto, o profeta envolto em chamas, o desencadeamento da tempestade, uma estrela ígnea partindo ao espaço e, por fim, uma forte corrente, vindo da gruta, levando da plataforma os últimos vestígios do torpe assassinato ali perpetrado.
No início a multidão ficou pasma, vindo a seguir um ímpeto de desespero furioso; as pessoas arrancavam os cabelos, rolavam na terra, ainda que seus gritos irados e gemidos fossem abafados com o bramir do furacão.
Mas, se a disposição dos adeptos de Supramati era tão latente, os inimigos do profeta, que se juntaram em número considerável, não estavam dispostos a permitir que o povo os justiçasse sumariamente.
Travou-se uma luta sanguinária e Vispala teve muita dificuldade de evitar o pior.
De joelhos na beirada do abismo ela orava, dando a impressão de nada ver ou ouvir.
- Rainha, tente acabar com essa carnificina, consequência das palavras do bruxo justiçado – gritou um dos conselheiros.
- Foram vocês que iniciaram a discórdia, portanto são vocês que terão de acabar com ela – respondeu com desprezo a rainha.
Mas, voltando-se para Khaspati, perguntou se o mestre não o havia instruído, em caso de sua ausência, de que forma as paixões humanas poderiam ser acalmadas.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 04, 2016 7:06 pm

Khaspati pensou um pouco e disse:
- Vamos depressa à caverna.
Lá se encontra escondida a harpa do mestre.
Certa vez ele me disse que fazendo uma prece fervorosa e pronunciando-se algumas palavras em idioma estranho, as quais ele me ensinou, a harpa produziria sons, como se por ele tocados e quê seriam ouvidos por todos, pois nessa harpa foram gravadas a sua voz e a música.
Rapidamente, usando de subterfúgios, eles alcançaram a margem oposta e subindo pela difícil escadaria em função da água escorrendo da gruta, vieram parar dentro da mesma; retirando do esconderijo a harpa de cristal, Khaspati e Vispala foram até a esplanada.
Do lado oposto, os combates continuavam, mas a tempestade já havia passado.
Após uma prece fervorosa, Khaspati levantou a harpa, pronunciando palavras misteriosas e uma nuvem azulada envolveu o instrumento.
A impressão de Vispala é que ela via seres de contornos vagos e transparentes.
De repente, oh, milagre!
As cordas soaram suavemente, acompanhando a voz aveludada e forte do mago em seu canto maravilhoso.
A medida que o surpreendente canto progredia, as paixões exaltadas dos revoltosos iam se acalmando, a luta cessou e a multidão caiu perplexa de joelhos.
Quando o canto cessou, o povo calmo e pensativo dirigiu-se à cidade, onde a narrativa sobre o ocorrido causou uma grande reacção.
No dia seguinte, os membros do Conselho de Estado que conseguiram se salvar reuniram-se e pediram que Vispala indicasse um regente até que ela pudesse se tranquilizar e escolher um novo esposo e rei.
- Eu não quero governar.
Meu infortúnio só irá terminar com a minha morte – respondeu ela decidida.
Não havia nada que pudesse convencê-la do contrário.
Vispala retirou-se à caverna, onde habitava Supramati, e ali ergueu o primeiro templo à Divindade, como já tinha sido profetizado pelo velho sacerdote, o último cultor do santuário.
Sucedeu-se um período de revoltas.
Os adeptos do ateísmo tentaram estabelecer a ordem antiga, mais "cómoda", entretanto, os últimos acontecimentos exerceram um efeito positivo sobre a população.
A morte de Supramati produziu uma reacção muito forte nas almas.
O número dos seguidores da doutrina do profeta crescia a cada dia e para isso contribuíam as maravilhosas curas feitas na gruta.
Verificou-se ser milagrosa a água que jorrava da nascente e os devotos vinham em multidões de todos os lugares para ali buscarem ajuda ou ouvirem as pregações de Vispala e dos discípulos do mago venerado. Alguns meses após a morte de Supramati foi reerguido o templo na floresta e logo depois muitos outros.
A luta contra o ateísmo não acabou de vez, pois o mal havia se enraizado muito profundamente; no entanto, as bases haviam sido lançadas:
um archote da fé foi aceso e o caminho a Deus foi reencontrado...
Amarrado ao poste da fogueira que deveria acabar com ele, Supramati não pensava sobre seu corpo, prestes a ser abandonado sem dó, nem sobre o fogo devastador.
Sua alma, repleta de fé, amor e aspiração a Deus, mergulhava-se em êxtase.
Com uma impressão vaga de que seu corpo, derretendo num oceano de chamas, aliviava-se de um enorme peso, pareceu-lhe que ele foi erguido por uma forte rajada de vento e em sua volta giravam, carregando-o, cinzentos e irreconhecíveis seres.
Ainda com menor nitidez, ele sentia-se atravessar, voando em velocidade estonteante, as camadas de nuvens, indo cair num abismo insondável, perdendo a seguir os sentidos...
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 04, 2016 7:06 pm

Sons doces e excepcionalmente suaves despertaram-no.
Ele ainda não tinha dado conta do que lhe sucedera; ondas de harmonia embalavam e sustentavam-no, enquanto seu olhar exausto vagava pelo cenário conhecido do jazigo de Hermes, como sempre iluminado por uma luz azul-prateada.
Subitamente, a memória voltou-lhe e ele se sobre ergueu.
Estava dentro do misterioso sarcófago, onde foi posto para cumprir sua missão.
Rodeado por fachos de luz ofuscante, acima de Supramati pairava o grandioso fundador primevo do mundo – Hermes Trimegisto.
Agora Supramati conseguia suportar aquela luz e olhar para o semblante maravilhoso do protector do Egipto Antigo.
A visão radiante estendeu-lhe os braços, que pareciam urdidos de luz, e Supramati pôs-se de pé:
- Venha aos meus braços, meu querido discípulo, e aceite a recompensa por seu trabalho – pronunciou a voz melodiosa, mas como que abafada pela distância.
– O primeiro facho de mago você recebeu por ter vencido a "fera" interior; o segundo, por ter adquirido os conhecimentos, e o terceiro, por amor à humanidade e a Deus até a morte.
A mão transparente tocou a cabeça de Supramati e em sua testa, entre um facho de luz azulada e outra verde, brilhou uma terceira – uma luz púrpura de matiz dourado.
Ele sentiu na testa um ósculo da visão e, em seguida, a imagem de Hermes dissipou-se na névoa azulada.
Uma corrente de forças vitais e energéticas tomou conta de Supramati, e ele, com o olhar de alegria radiante, examinou o jazigo.
E lá estavam reunidos os hierofantes, Ebramar, cavaleiros do Graal, e, entre eles, Dakhir, também com o olhar luminoso, também com três fachos de luz da coroa mística dos magos.
Supramati saltou rapidamente do sarcófago e atirou-se aos braços de Ebramar, o qual, com lágrimas nos olhos, apertou-o contra o peito.
- Querido filho da minha alma!
Que momento de felicidade você proporcionou a mim!
Logo depois, todos os presentes abraçaram e felicitaram Supramati.
O encontro mais emocionante foi com Dakhir – seu fiel companheiro no espinhoso caminho da perfeição.
Quando a emoção inicial se acalmou, todos os presentes caíram de joelhos e numa prece fervorosa agradeceram ao Senhor por tantas graças recebidas.
Ao fim da breve oração, ambos os heróis do evento foram levados a uma sala onde estava preparada uma modesta comemoração.
A misteriosa habitação dos magos tinha, naquele dia, um aspecto de festa.
Em todo lugar viam-se grinaldas, os discípulos enfeitaram o chão com pétalas de flores e durante o repasto belíssimas vozes de jovens adeptos alegraram as visitas com cantos.
Às mesas, conversavam animadamente.
Pelo visto, os espíritos dessas extraordinárias pessoas estavam repletos de satisfação.
Ebramar estava feliz e orgulhoso de ambos os filhos heróicos, frutos do seu conhecimento.
Eles, por sua vez, experimentavam um indescritível deleite ao sentirem que foram dignos das tarefas a eles incumbidas e cheios de amor e gratidão aos sábios e pacientes mentores que deles fizeram o que agora eram.
Após o almoço, Dakhir e Supramati souberam que Ebramar os levaria para ficar no Himalaia para descansarem num dos palácios de iniciação até que eles fossem chamados para cumprirem a última missão na Terra, já condenada à morte.
Dakhir e Supramati ajoelharam-se e agradeceram ao hierofante por tudo aquilo que adquiriram e aprenderam sob os seus auspícios.
Em seguida, eles se despediram dos hierofantes, de Siddártha e de todos os membros da irmandade.
Uma hora depois, uma nave espacial já os levava junto com Ebramar ao Himalaia para o descanso, até que, segundo o lema dos magos:
Avante à luz... eles empreenderiam uma nova jornada.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 04, 2016 7:07 pm

CAPÍTULO VII

O Himalaia esconde em suas entranhas rochosas inúmeros segredos surpreendentes.
Lá, por centenas de quilómetros, feito uma teia, estende-se uma rede de galerias.
Algumas delas dão em vales desconhecidos, com seus belos palácios de iniciação; umas dão acesso a templos e cidades subterrâneas; e outras, finalmente, levam a gigantescas grutas, onde, nos baús, nas gavetas das mesas e nas estantes estão arquivadas as colectâneas dos mais diversos escritos históricos.
Qualquer uma delas teria girado a cabeça de um cientista moderno que tivesse a felicidade de poder dar uma olhadela no desconhecido sorvedouro do passado.
Lá estão compilados os arquivos materiais do planeta, os mapas e a história dos continentes desaparecidos com os povos que neles habitavam.
Tudo aquilo está redigido em peles de animais, papiros, folhas de palmeiras e em placas de barro ou de metal.
Mas... nenhum pé profano jamais pisou o solo daqueles esconderijos enigmáticos, nenhum olhar indiscreto jamais pode vislumbrar as maravilhosas obras artísticas e a história da humanidade terrena ali colectadas...
No mundo subterrâneo reinava um movimento incomum.
Ao principal e maior templo daquele surpreendente cidade subterrânea dirigiam-se silenciosamente numerosas procissões.
Pelas galerias vinham, em pares, jovens mulheres em longas túnicas transparentes e sob capas verde-claras, azuis-celestes, vermelhas, violetas e brancas.
Suas cabeças eram enfeitadas por coroas de flores luminosas.
Majestosas e em silêncio, iam chegando, subindo pela escadaria e adentrando uma ampla gruta com colunas, decorada com estátuas de deuses e deusas.
O fundo da sala, em forma de semicírculo, era fechado por uma espécie de cortina metálica, pesada, porém flexível, e a seu lado havia dois largos degraus de pedra, onde se acomodavam as mulheres que acabavam de chegar.
Por diversos caminhos vinham novas e novas procissões.
Entraram jovens em trajes orientais e turbantes de musselina; em seguida, serpenteou-se um longo cordão de cavaleiros em armaduras prateadas, elmos alados e largas capas brancas.
Esses eram seguidos por mulheres da irmandade do Graal, e, no peito de cada uma, via-se, bordado a ouro, um cálice adornado por cruz.
Logo após, apareceu o cortejo dos filhos de magos – de ambos os sexos – com pequenas harpas douradas e outros instrumentos musicais.
Depois entraram mulheres magas de beleza realmente angelical, com vestes brancas e véus compridos, salpicados com que por pós de diamante.
Todos que entravam, perfazendo algumas milhares de pessoas, acomodavam-se em massa no templo e tão logo ocuparam seus lugares, da galeria aberta em frente da cortina, apareceu a procissão dos magos.
Eles estavam envoltos por uma larga aura de cor dourada e o número de fachos sobre suas cabeças indicava o grau de iniciação alcançado.
No peito de cada um brilhava uma estrela mágica.
Quando os representantes da grandiosa ciência se postaram em semi-círculo diante da cortina abaixada, esta se abriu em duas partes expondo um estrado de alguns degraus, e todo o salão iluminou-se com uma suave luz azulada.
No estrado, presidia o areópago dos magos superiores; deles, principalmente de suas cabeças e até de suas vestes, irradiava-se uma luz ofuscante, mas uma névoa esbranquiçada cobria-lhes as feições.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 04, 2016 7:07 pm

Aquele que se localizava no centro irradiava de sua fronte seis fachos e dirigia o areópago.
À medida que a cortina se abria, ouviu-se uma música de indescritível harmonia e beleza.
O mago-mor levantou-se e abençoou os presentes.
Após a bênção, todos, em coro, cantaram um hino e, em seguida, concentraram-se em uma breve oração.
Era impossível ver-lhe as feições, mas a voz sonora e metálica chegava melodiosa e nitidamente até as últimas fileiras.
Meus irmãos e meus filhos!
Une-vos, hoje, a chega do grande momento.
Aproxima-se o fim do planeta que habitamos.
Morre a nossa Terra, a mãe de todos, que nos alimentou e que foi a escola de nossos anos juvenis e na qual nos passamos difíceis provações na longa ascensão à luz.
Neste caso, a nossa Terra obedece somente a uma lei geral, pois tudo que nasce terá de morrer, e tendo servido de abrigo para biliões de gerações humanas, o planeta está esgotado; seus nutrientes já acabaram e ela já não pode oferecer aos seus filhos ingratos nada mais que a sepultura.
Chamo a humanidade de ingrata e até de cega porque ela, impiedosamente, explorou a mãe que a sustenta, sugou a medula de seus ossos e acabou com o equilíbrio de forças que lhe forneciam vida; por fim, afrontou-a com crimes e desonestidade, cujas consequências são catástrofes caóticas que acabarão com ela bem antes do limite que ela poderia e deveria alcançar.
Esse momento que se aproxima devera preocupar, sobretudo, a nós, imortais, que vivemos da vida do planeta.
Teremos que abandonar a Terra, que nos serviu de berço, mas não será nosso túmulo.
Romperemos com milhares de vínculos que nos atam a ela e procuraremos outro mundo para o nosso lar.
Lá, meus irmãos, seremos imortais e tiraremos o invólucro que o nosso surpreendente destino ordenou que portássemos.
Entretanto, eu os chamei não só para anunciar a catástrofe que se aproxima, mas também para falar sobre a última missão que teremos de empreender nesta Terra moribunda, para o que pela derradeira vez, teremos de entrar em contacto com os mortais.
É de conhecimento de vocês que, presentemente foi encarnado um grande número de almas de tipo bem específico.
São todos aqueles que por suas acções, exemplos e invencionices contribuíram para a devastação do planeta; são todos aqueles que rejeitaram, cometeram sacrilégios e combateram o Pai Celeste, destruíram os templos e profanaram os altares; são todos aqueles que, com seus sofismas e distorções da verdade, seduziram seus próximos, ensinando-os a desprezar a lei e a crença.
Finalmente, são os dirigentes dos Estados, os quais, em vez de dignificar, purificar e disciplinar os povos bestificados, em vez de preservar e apoiar as leis de moralidade, que asseguram o equilíbrio entregaram aos estúpidos ou criminosos o poder de prejudicar, roubar dos pobres e barganhar a justiça e os interesses populares.
A lei implacável do karma levou e juntou todos estes criminosos, que se venderam ao Satanás, no local de seus delitos, para que eles participem da catástrofe que eles prepararam.
Nesse juízo final, previsto por profetas inspirados, eles serão obrigados a prestar contas por suas vitimas assassinada e degeneradas, pelo sangue derramado dos inocentes, que alimenta o inferno.
Que castigo terrível será assistir a essa cena e sentir a agonia do mundo, ser testemunha de fenómenos terrificantes, anunciadores da catástrofe, quando o invisível será o visível e o pavor dominará até os mais corajosos!
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 04, 2016 7:07 pm

Que o seu destino se cumpra e o seu karma os alcance!
Mas entre as multidões criminosas, que será punida por seus actos, encontram-se almas escolhidas que resistiram contra as tentações que as cercavam, pronunciando-se corajosamente pela verdade, suportando escárnios e perseguições dos malfeitores e, não obstante a hostilidade praticamente geral, desprezo e insultos, levam corajosamente a luz para a região das trevas.
A fé em Deus jamais se apagou em seus corações, jamais eles rejeitaram o Criador em busca de efémeras vantagens terrenas, mesmo sendo menosprezados, abandonados e perseguidos.
Vocês, magos, identificarão esses humildes trabalhadores de coração puro e espírito ardente, e lhes prepararão um lugar de honra no novo mundo, para onde estamos indo.
É grandiosa a tarefa que lhes é incumbida neste importante momento.
Vão, meus irmãos, irmãs e filhos.
Propaguem a verdade, apoiem os fracos, consolem os sofredores, pois a misericórdia é o nosso dever e os conhecimentos lhes darão os meios poderosos para prestar esse auxílio.
Mas sejam cuidadosos na escolha dos que irão ano mundo novo, onde nós deveremos semear a religião e os conhecimentos por nós mesmos adquiridos, bem como ensinar as leis divinas e estabelecer as leis humanas.
Se acautelem de levar, quem quer que seja contaminado por crime ou abusos sanguinários, com o cérebro envenenado por hostilidade hereditária à Divindade e suas leis.
Essas instruções gerais são suficientes para traçar-lhes o caminho.
Vão, então, cumprir com a missão difícil, mas sublime.
Que o Criador os oriente, ensine e fortaleça!
O grande hierofante calou-se e durante alguns minutos reinou um silêncio profundo.
Os belos e espiritualizados semblantes daqueles seres que viviam pode-se dizer, fora da realidade, estavam tristemente concentrados.
Tudo o que lhes sobrou de humano sofria naquele momento da separação próxima daquela Terra, onde eles haviam nascido, e com a qual estavam unidos por milhares de difíceis e felizes lembranças no caminho da ascensão.
Pela última vez, ouviu-se a voz do hierofante:
Até logo irmãos e irmãs!
Que cada um vá para o lugar que lhe foi indicado para sua actividade!
Na grande hora, nós os encontraremos com as hostes que cada um trará consigo.
Ele abençoou os presentes.
Todos entoaram uma prece, a cortina metálica fechou-se atrás do areópago dos magos e, em seguida, a multidão dispersou-se pelas galerias do labirinto subterrâneo.
* * *
Nada mudou no belo vale, onde era o palácio de Ebramar.
Como antes, lá estava o verde exuberante dos pomares, silenciosamente murmuravam os chafarizes e numerosas floreiras alegravam a vista e enchiam o ar de doces aromas.
No terraço, junto à mesa com escritos, estava sentado o sábio.
Não estava trabalhando, mas envolto em pensamentos, apoiando a cabeça nas mãos.
Ebramar parecia mais belo que antes.
A suave luz prateada que se irradiava dele envolvia a sua figura como se por uma leve névoa, enquanto em seus grandes olhos negros brilhava tal força e ardor que era difícil suportar-lhe o olhar.
Subitamente o rosto de Ebramar iluminou-se de um sorriso alegre e bondoso.
Ele levantou-se e foi ao encontro de três pessoas que se aproximavam do terraço.
Todos estavam em trajes brancos e longos de magos, na cabeça de dois brilhavam três fachos de luz, na do outro só havia um.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 04, 2016 7:07 pm

- Bem-vindos Dakhir e Supramati, meus queridos irmãos! – saudou Ebramar, beijando-os calorosamente.
Depois, abraçou carinhosamente o terceiro, abençoando-o.
- Narayana, filho pródigo, finalmente você me proporcionou a felicidade, tornando-se ajuizado, aproveitando sensatamente o tempo e até merecendo o primeiro facho de nossa coroa imortal.
- Eu não estou menos feliz ao ouvir, finalmente um elogio seu.
E você, meu querido mestre, trabalhou mais ainda; tornou-se tão luminoso que para fitá-lo, da mesma forma que ao sol, são necessários óculos azuis ou vidro escuro – respondeu Narayana, visivelmente alegre e feliz.
Ebramar não conseguiu conter o riso.
- Incorrigível até no papel de mago.
Posso imaginar que companhia original ele nos trará!
- Mulheres excepcionalmente lindas tentarei salvar da morte.
Elas serão necessárias no novo planeta e vocês sabem que sou mestre na arte de conquistar corações femininos.
- Estou vendo que você não esqueceu esse ramo da ciência e vai nos proporcionar um surpreendente e raro espectáculo:
um mago no papel de Salomão com seu harém – observou maliciosamente Dakhir.
- Fazer o que?
Mesmo no novo planeta, até o rei Salomão será útil – replicou cheio de bonomia, Narayana.
Mas, no presente momento, eu sou apenas um mago e estou feliz em estar com vocês – completou ele.
Todos se sentaram à mesa e iniciou-se uma animada e amigável conversa.
Falou-se da iniciação de Narayana e este contou do seu trabalho, acrescentando depois:
- Bem chega de falar de mim.
Eu ainda não os felicitei, meus queridos amigos, pelos terceiros fachos que adornam suas testas.
Essas difíceis medalhas vocês ganharam durante a excursão aos planetas vizinhos?
A viagem foi boa?
- De qualquer forma, bem elucidantes! – respondeu Supramati.
- E bem sensível – acresceu Dakhir.
Narayana desatou a rir.
- Gozador! Acho que foi até espectacular!
Reconheça Supramati, você às vezes, achava que atravessar os limites da pior das provações era "coisa fácil".
Nivara me contou que aqueles miseráveis estavam prestes a queimá-lo vivo e você já estava na fogueira.
É verdade. Mas a fé não me abandonara nem no calabouço, nem na fogueira.
Eu acreditava que a provação suprema, imposta para o mago pelos dirigentes, é a morte pelas convicções – respondeu Supramati sério e pensativo.
- Eu passei por momentos surpreendentes na fogueira – acrescentou ele.
Eu não quis apelar para qualquer encantamento que pudesse evitar o que iria acontecer e concentrei-me, apenas, numa prece ardente.
Subitamente, senti uma agradável e refrescante brisa que me envolveu e não deixou que a fumaça encostasse-se ao meu rosto.
Em seguida, fui iluminado por uma nuvem vermelha, como que salpicada de raios, enquanto a terra e o ar estremeciam com os estrondos de trovões.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 04, 2016 7:07 pm

A fogueira se afastava dos meus pés e depois pareceu derreter e sumiu:
e eu fui erguido por um furação e num turbilhão tépido levado ao espaço.
Perdi os sentidos, recuperando-os já aqui, no meu lar.
- Há-há! Imagino o susto da coitada da multidão que ousou queimar um mago!
E você Dakhir, parece que, também, quiseram liquidá-lo – afirmou Narayana.
- Bem. Eu também tive que travar uma luta cruenta com a sacerdotisa-mor de um templo satânico – muito bonita por sinal – e por sua ordem eu fui jogado no precipício.
- Aposto que ela se apaixonou por você e o perseguiu de ciúmes – observou Narayana, piscando maliciosamente.
E o que aconteceu a ela?
- Ela perdeu o juízo e se lançou no mesmo precipício, achando que eu havia perecido.
- Brr! Que paixão "infernal"!
Mas, falando francamente, eu fico surpreso com a apatia dos iniciados de lá.
O que eles pensavam ao verem seus visitantes, os magos da Terra, torturados e até prestes a serem mortos?
E eles dormiam tranquilos em vez de cuidar deles e de protegê-los da selvageria daqueles animais – indignou-se Narayana.
Ebramar, que ouvia em silêncio, sorriu.
- Modere sua ira, meu filho.
Os iniciados, nossos vizinhos, não tem culpa nenhuma por parecerem ter dormido no ponto, enquanto torturavam e estavam prontos a executar Supramati e Dakhir.
Não, eles agiram de comum acordo connosco, e os nossos dois magos durante essa provação – que reconheço ser difícil até para estes – deveriam necessariamente ficar sozinhos e merecer o terceiro facho de sua coroa.
Assim sendo você também deveria saber que os imortais não tem acesso à morte comum.
- E agora eles irão como eu, "descansar" placidamente e estudar a sociedade contemporânea – disse rindo Narayana.
Acredito que esse descanso não seja longo e ainda menos prazer nos proporcionará aquele gente degenerada.
Mas onde, mestre, nós podemos colher as informações sobre a situação actual da Terra, antes de pisarmos nela? – perguntou Supramati.
- Nivara pediu-lhe a honra de iniciá-los na vida moderna.
A propósito, ele o adora, Supramati, e espera impaciente, um encontro com você – respondeu Ebramar.
- Eu já o vi e inclusive tive uma breve conversa com ele; o que me relatou da sociedade actual é bem nojento.
Posso até lhes passar algumas informações prévias – anunciou Narayana animado.
- Isso não deverá surpreendê-lo meu filho.
Não se esqueça de que estamos na véspera do fim do mundo.
É parecido com o fim de um grande reino que o inimigo passa a ferro e fogo, e tais catástrofes são sempre antecedidas e acompanhadas de vários horrores – observou Ebramar.
- Sim, sim, já por demais se desconjuntaram nossos queridos contemporâneos.
Nivara contou-me como eles negaram a Deus.
Não há mais lugar para o altar do Criador e o símbolo da expiação já não preserva a humanidade.
Significa que não há mais cristãos e a consequência deste estado de coisas é que todas as leis foram eliminadas, com excepção de uma – a lei do mais forte.
Pela mesma razão, não há mais juízes nem prisões; qualquer delito ou acto cruel é tolerável e não é punido, pois eles são vistos como resultado da liberdade pessoal.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 04, 2016 7:08 pm

Guerras internas, vinganças cruéis, perseguições selvagens são fenómenos normais.
O sangue jorra, mas ninguém se importa com isso.
Só não se mexe com fortes e poderosos por medo de represálias.
- A que belo mundinho teremos de ir!
Sobraram alguns Estados, Repúblicas ou Impérios ou algo assim?
Existem artes e algum templo? – indagou Dakhir.
- Somente os templos de Satanás, nos quais o povo bestificado venera suas paixões e vícios.
Quanto às artes, essas são cultivadas, pelo visto, em suas formas e a obscenidades que vai além dos limites do cinismo.
- A julgar pelo que você diz, foram eliminados todos os lugares sagrados – estremeceu Supramati.
- Certamente! Acabaram com todos os lugares sagrados onde os profanadores conseguiram penetrar – observou Narayana.
Mas Nivara contou-me que ainda existem os arquicristão, embora em número bastante reduzido.
Eles são perseguidos feito criminosos e se escondem, mas são inspirados por uma excepcional e jubilante força de espírito.
São pessoas de fé inabalável e coragem heróica.
Elas conseguiram preservar da profanação diversos ícones maravilhosos e os santuários excepcionalmente venerados, que foram escondidos em cavernas inacessíveis.
O segredo desses locais isolados é inviolável; apenas os crentes de verdade têm acesso para ali orarem e renovarem suas forças junto ao foco de luz e calor divinos.
A propósito Nivara relatou-me um caso surpreendente em Lourdes.
É um local venerado em função de muitos milagres que lá ocorrem e que provocou um excepcional ódio por parte dos asseclas do anticristo.
Finalmente, foi decidido acabar com a gruta sagrada e a fonte, sendo a primeira explodida e a última aterrada.
Para perpetrar tal profanação, um verdadeiro exército de ímpios dirigiu-se ao local, mas, no caminho, o céu cobriu-se de nuvens escuras, o calor tornou-se escaldante e o ar densificou-se a tal ponto que era difícil respirar.
Seguiu-se um terremoto e um furacão terrificante; da terra brotaram correntes de lava que encobriram todos os atacantes; e quando a tempestade se acalmou, todos viram que no local da antiga gruta havia um imenso lago e no meio dele erguia-se um solitário rochedo em forma de ilha.
A água do lago ficou com sabor salgado e amargo, cheia de betume como no Mar Morto; o ar se tornou saturado de evaporações sulfúricas.
Enfim, a área se transformou num deserto por todos evitado.
E eis que certa vez, uma jovem pastora descobriu no rochedo uma galeria natural que descia ao fundo do lago e levou-a à gruta da Virgem Santíssima, que escapou incólume de forma verdadeiramente inconcebível, como se tivesse si transferida para lá por mão benfazeja.
A fonte milagrosa continuava, como antes, pura como cristal, e jorrava pela areia.
Quando a notícia desse milagre se espalhou, os adeptos de Satanás quiseram tentar de novo acabar com o lugar sagrado, mas desistiram de sua intenção, pois vários deles ficaram asfixiados na galeria devido a gases venenosos. Baixou o silêncio e Dakhir com Supramati mergulharam em pensamentos sombrios.
Mas, Ebramar que os observava, para mudar o assunto, disse brincando:
- Bem meus filhos, não sonhem, por enquanto, sobre as delícias de sua excursão.
Logo vocês verão as pessoas, as coisas, a terra exaurida, cuja fertilidade é mantida apenas artificialmente por electricidade, o que levará, também, ao golpe derradeiro e mortal.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 04, 2016 7:08 pm

- A propósito do derradeiro golpe, será que você não poderia nos mostrar a frota aérea que nos levará ao nosso novo lar?
Tenho conhecimento que as naves estão sendo construídas por hierofantes e magos superiores e estou ansioso por vê-las – exclamou Narayana.
A frota não está pronta totalmente, mas eu gostaria de convidá-los para verem aquilo que eu construí e que está quase pronto.
Só temos de subir um pouco – respondeu Ebramar sorrindo.
- Oh agradecemos, agradecemos!
Vamos com você até as esferas se for necessário! – exclamaram os três com tal entusiasmo que Ebramar desatou a rir.
- Vamos, amigos, eu lhes servirei um jantar na nossa nave de campanha.
Ele levou-os a um laboratório e abriu uma portinhola, artificialmente camuflada de tal forma que era impossível suspeitar de sua existência.
O laboratório dava na montanha e através de um pequeno corredor eles entraram numa pequena sala, esculpida dentro da rocha, no tecto da qual subia um tubo escuro e embaixo dela havia um elevador.
Quando todos os quatro entraram nele, Ebramar accionou os mecanismos e a máquina, com velocidade estonteante, partiu para cima.
O elevador parou na plataforma de rochedo escarpado, onde se achava amarrado um barco espacial no qual os magos adentraram.
- Agora, - disse Ebramar – nos vamos para onde nunca esteve um ser vivo ou mortal:
a perdida e inacessível geleira.
Um minuto depois, o barco espacial estacionou numa imensa geleira, cercada por escuras e pontiagudas escarpas.
No meio desse vale, coberto de neve, como se afundado numa névoa alva, divisava-se um objecto comprido que brilhava sob a luz pálida do luar feito um cristal lapidado.
Olhando de perto, era uma imensa nave espacial de forma alongada, feita de um material fosforescente estranho e transparente, semelhante a um cristal.
Na ponta da nave havia uma única entrada.
Quando Ebramar acendeu as luzes, verificou-se que no seu interior era composto de três ambientes e numerosos camarotes, pequenos, mas confortáveis, de luxuoso acabamento.
Em cada camarote havia uma janela, feita do mesmo material que a nave, não muito fino.
A janela podia ser fechada por uma Corina feita de um material tão flexível como o gás, mas impermeável como couro, o que foi demonstrado por Ebramar aos seus convidados.
Em todos os lugares, nas salas e nas cabinas, havia suportes com largos vasos da mesma substância de cristal.
- Nos porões existem compartimentos para as necessárias provisões e coisas que os viajantes levarão consigo.
- E o que eles levarão consigo? – interessou-se Supramati.
O que há de mais valioso, aquilo que está sendo preservado nos laboratórios, bibliotecas herméticas e nas obras de arte para efeito de amostra.
Tudo isso deverá ser levado, pois será necessário para erguer novos palácios de ciência e iniciação.
- Será que existe aparelhagem que possa levantar no ar todo esse peso colossal? – observou Supramati.
- Mais tarde eu lhe mostrarei, pois ainda não terminei a construção desses aparelhos que nos levarão, e você poderá convencer-se de que eles são capazes de levantar e carregar um peso praticamente ilimitado.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 05, 2016 7:16 pm

Por enquanto, a relação de tudo que deverá ser levado em cada nave está pronta para que não se esqueça de alguma coisa indispensável ou não se carregue a mesma coisa duas ou três vezes.
No momento devido, quando todos os viajantes estiverem reunidos, esta porta se fechará hermeticamente e nós vamos respirar somente a essência original, que será acesa em todas as trípodes.
Assim conversando, eles entraram na nave, mas Dakhir pediu ainda mais explicações, enquanto Supramati parou para esperá-los e, baixando a cabeça mergulhou em tristes pensamentos.
Tudo que lhe restava de "humano" e "terreno" agitou-se naquele minuto e ele sentiu o coração apertado por uma angústia indescritível...
Pois, no momento em que ele atravessasse pela última vez aquele limiar e atrás dele se fechasse a porta da nave espacial, desmoronar-se-ia, sob os seus pés, aquele mundo em que ele havia nascido, desapareceria essa extraordinária obra do Criador, com o seu imenso e maravilhoso passado...
Nesse instante, ele sentiu no ombro uma mão e levantando a cabeça encontrou o olhar profundo de Ebramar, que com seu brilho luminoso penetrou nos seus olhos rendidos pela tristeza.
- Não encasquete Supramati, e chame para auxiliá-lo a sensatez.
Você é oprimido pelo porvir, porque você vai presenciar o fim do mundo pela primeira vez.
Mas chegará o tempo em que, como uma andorinha, você voará facilmente de um mundo para outro, de esfera a esfera, e vai se acostumar a assistir à morte de um planeta, como por exemplo, a morte de uma célula num organismo qualquer.
Aquilo que lhe parece agora tão importante e comovente nada é no grandioso Tudo do universo.
Olhe – ele levantou a mão – para a Via-Láctea, onde se revolvem milhões de sóis com seus sistemas planetários.
Os mundos pululam ali, feito poeira no raio solar; no entanto, em cada um desses átomos do espaço, nascem, vivem e morrem gerações humanas.
Somente a nossa profunda ignorância, em todos os aspectos, e o egoísmo mesquinho ofuscam-nos.
Ficamos assustados e trememos, achando que acontecerá algo que possa revirar o universo.
Na realidade não acontecerá nada disso:
apenas se apagará um dos inúmeros átomos do grande infinito.
Supramati levantou a cabeça e admirou a abóbada celeste como que salpicada de ouro e brilhantes.
Àquela altitude, o ar era excepcionalmente transparente e as estrelas, no azul-escuro do céu, luziam com brilho surpreendente.
Subitamente, de uma parte do céu, cintilou um feixe de faíscas que se espalhou como um foguete explodido.
Por instantes, as faíscas brilharam como uma luz rubra redemoinharam e apagaram-se.
Um enigmático sorriso apareceu nos lábios de Ebramar.
- Por um acaso, Supramati, teria você ouvido algum barulho ou estrondo?
Sentiu alguma coisa, ao menos um movimento do ar?
Não? No entanto, esse redemoinho faiscante indicou-nos o fim de um mundo, cuja existência nos presenciamos de longe.
Sim, meu filho, a grandiosidade e a insignificância são conceitos relativos; nós somos grandes perante nossos próprios olhos.
Uma formiga, talvez também se considere "grande" acomodada no seu montículo aos pés de uma alta montanha e apenas compreenderá a sua nulidade no momento em que for subir ao topo da mesma.
Assim somos nós – seres frágeis – poeirinha insignificante do espaço, apesar dos fachos dos magos que nos coroam.
A única coisa de que a gente poderia se gabar, sem içar vermelho, é que somos apenas úteis abelhas na grande colmeia do Eterno.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 05, 2016 7:17 pm

Supramati baixou a cabeça e cobriu os olhos com a mão.
Ele compreendeu que também tinha se considerado grande e poderoso, quando na sua testa se acendeu o terceiro facho, mas as palavras de Ebramar ceifaram o orgulho do mago e o reduziram a nada.
Nesse instante, ele sentiu-se insignificante, um ignorante digno de dó.
Será que conseguiria ele um dia, as remotas e vagas alturas do conhecimento perfeito?
A dúvida, a amargura e o desespero – três inimigos que ele sempre considerou vencidos – desabaram subitamente sobre ele.
- Cuidado, Supramati, e espante para longe tais fraquezas!
Fique atento, pois o inimigo está próximo! – pronunciou com rigor Ebramar com sua voz sonora e, erguendo a mão sobre a cabeça de Supramati, aplicou-lhe um facho de luz prateada.
Supramati estremeceu, olhou em volta e viu uma figura negra que lhe apareceu por trás e que, em seguida, recuou e recostou-se na escarpa em anexo.
Ali, aquela sombra negra pareceu densificar-se, iluminada por aura purpúrea, e, naquele fundo sanguinolento, desenhou-se nitidamente a alta figura de Sarmiel, que se fechou em suas negras asas dentadas:
em seu semblante característico, desfigurado naquele minuto com uma nítida decepção, lia-se ódio, inveja e hostilidade infernal.
- Veja esse servo do caos até ousou aproximar-se de você – disse Ebramar.
Afaste-se e desapareça, criatura do inferno, que se atreveu a declarar guerra ao Todo-Poderoso.
O Eterno somente o tolera na qualidade de uma pedra experimental para almas humanas, enquanto você ousou tentar inclusive o Filho de Deus e agora espreita o puro cultor do Bem.
A figura de Sarmiel começou a derreter e, por fim, com silvo horripilante, desapareceu no redemoinho de fumaça, salpicada de chamas ígneas.
- Vê como o perigo ronda sempre próximo?
O tentador diabólico espera por nosso menor descuido, e somente aquele que conseguir resistir diante dele poderá continuar a sua ascensão à luz.
Os fracos, entretanto, são levados por ele ao abismo das trevas.
Nunca duvide de si, Supramati, nem deprecie as virtudes de seu espírito.
Por mais mísera que seja a elevação do homem, ele já está a meio-caminho da ascensão.
Toda boa acção, toda oração e trabalho espiritual para o bem do próximo, toda boa intenção, o desejo de melhorar e vencer "o carnal" no homem serão os elos da corrente salvadora que o amar à Divindade e, ao mesmo tempo, aproximam todos os fracos e humildes em nossa associação; e esta luta pelo bem lhes dará o apoio e orientará esses seres na medida de suas forças espirituais.
Um poderá levantar somente uns quilos; um atleta levantará centenas, mas isso não têm importância: pois não se pode menosprezar nada.
A cada um é dado o necessário, e se num determinado momento, faltarem-lhe forças, o próprio esforço e o mérito desse esforço têm o mesmo valor.
Você pessoalmente Supramati, não tem motivos para a desesperança – acrescentou sério Ebramar.
A ambição é inerente a qualquer um, enquanto que a ambição nobre é um sentimento digno.
Diante de sua ambição abre-se um amplo campo de trabalho e ciência.
Apoiado pela luz dos conhecimentos já adquiridos, você subirá pela escada mágica que leva ao santuário do conhecimento perfeito.
Com o tempo você se tornará o génio do planeta, o protector de todo o sistema e governará sobre os caóticos elementos primários para deixá-los em harmonia e neles criar os mundos.
Você pesquisará e dirigirá as forças cósmicas:
governará sobre as falanges dos espíritos superiores; sua mente será capaz de apreender e julgar: sua vontade disciplinada manterá o equilíbrio das esferas e você se tornará um servo sensato da Sabedoria Suprema.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 05, 2016 7:17 pm

Como forma da derradeira provação, cabe-lhe, corajosamente transpor a última barreira que o separa de seu Criador para compreendê-lo, finalmente, em toda a Sua grandeza e infinita sapiência...
Será que isso não é suficiente para satisfazer e avaliar os conhecimentos por você adquiridos?
Levante a cabeça, Supramati, e abra as suas asas espirituais.
Nunca olhe para baixo; lá é o abismo e nele o espreitam a dúvida e os equívocos.
Olhe para as alturas luminosas e as suas asas o levarão ao infinito, onde reina a harmonia.
Supramati corou levemente, seus olhos brilharam e ele estendeu as mãos em direcção a Ebramar.
- Agradeço-lhe querido mestre, jamais esquecerei este momento.
Suas palavras fortaleceram-me e me fizeram compreender como sempre é próximo o terrível perigo que espreita até a alma de um mago preparado.
Como deveremos estar sempre alerta quanto ao hábil e insistente inimigo que nos persegue!
Ebramar apertou-lhe a mão e disse em tom alegre:
- Chega de pensamentos sérios.
Vamos entrar na nave espacial.
Eu lhes prometi um jantar. Lembram?
Ele os levou a uma das salas, onde eles se sentaram à mesa.
Ebramar tirou do armário um cesto com torradas, excepcionalmente leves, saborosas e muito nutritivas.
Depois das torradas, ele serviu legumes, assados em massa de farinha e geleia de frutas que eles comeram tomando vinho.
Narayana voltou ao seu humor habitual de brejeirice, e todos, mais alegres, conversaram animados e calmos sobre a grande viagem.
- Seus pratos são bem aéreos e nada maus – disse ele rindo -, ainda que não se possam comparar a um jantar com javalis assados que eu, certa vez, comi no palácio do rei Richard: e com toda a certeza estes não seriam aprovados por nenhuma das beldades daquela época.
Mas, para uma viagem tão longa, não se stokcam javalis.
- Tirando o facto de que os javalis não existem mais – disse rindo Dakhir.
Bem nos vamos achá-los em nosso novo lar.
Eu prevejo que nós nos daremos bem lá.
Assim que pousarmos, eu, imediatamente ponho para trabalhar todo o nosso pessoal que será salvo, confiscarei os rebanhos locais e construirei um palácio – decidiu Narayana.
- Que belo pastor você vai dar!
Quanto a se dar bem, eu sei que você não vai falhar!
Observou em tom levemente jocoso Ebramar.
- Oh meu Deus! Temos que lhes dar alguma ocupação!
Pois se todos vão partir somente para comes-e-bebes e para pairar em volta do novo planeta, cairão em pecado.
Você mesmo me disse centenas de vezes, que o ócio é a mãe de todos os pecados.
É, uma vez que lá não haverá nem teatros, nem restaurantes, nem jornais e nem divertimentos de alta roda, todos começarão a morrer de tédio e terão muito prazer em trabalhar.
- Claro. Estou vendo que você vai ser um administrador exemplar, querido Narayana; e assim que dividirmos o planeta em nações, sem falta faremos de você um rei.
- Agradeço Ebramar, e espero corresponder à sua confiança.
E, assim, sobre mim se formará uma lenda, tal qual sobre Rama ou Hermes, de que eu fora um exemplo de sabedoria e conhecimento, e que sob meu ceptro reinou o século de ouro – arrematou, brincando Narayana.
- Tudo isso são sonhos remotos – acrescentou ele, suspirando.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 05, 2016 7:17 pm

Agora me preocupa o presente.
Está chegando a hora de introduzirmo-nos na sociedade e eu nem sequer tenho a ideia de onde encomendar a roupa.
Talvez não haja nem alfaiates e eu terei de costurar algo, porque nesta túnica, bonita para os magos, eu não me arriscarei a comparecer num salão.
- Acame-se, ainda há alfaiates e Nivara foi incumbido de cuidar da toalete de vocês e vesti-los de forma que ninguém suspeite de sua origem – tranquilizou Ebramar.
Espero que a dama do século XX que nos deixou uma descrição tão completa de nossas pessoas não tenha predito que nós iríamos aparecer com a chegada do fim do mundo.
Ela têm o péssimo hábito de ser por demais precisa em seus vaticínios – disse Supramati.
Em todo caso, é o nosso dever de cavaleiros verificar se ele não se reencarnará nesse momento crítico.
Nesse caso, ela poderá descrever-nos como legisladores e génios do novo planeta – acrescentou Dakhir.
Todos riram.
- Santo de casa não faz milagres.
Assim, também, essa pobre dama.
Pois, tivessem as pessoas acreditado nas suas profecias, teriam elas se corrigido e a humanidade não estaria agora na véspera do seu fim – observou Ebramar, levantando-se.
Eles saíram e quinze minutos depois estavam no gabinete de Ebramar.
Lá, eles eram aguardados por Nivara, que se lançou com entusiasmo para abraçar Supramati.
Supramati abraçou-o e agradeceu pelo carinho manifestado.
- É com alegria que eu vejo – acrescentou ele – que você trabalhou espontaneamente e já deu um grande passo à frente.
Narayana prendeu, imediatamente, a atenção do jovem adepto e começou a indagá-lo sobre as vestimentas e os costumes modernos; e como Dakhir havia se sentado e ouvia com muita atenção a conversa, Ebramar levou Supramati ao seu laboratório.
Era uma ampla sala redonda com colunas, cheia de instrumentos estranhos de forma desconhecida.
Ebramar mostrou ao discípulo uma parte do equipamento que deveria levar ao espaço a nave com os emigrantes terrestres.
Após uma conversa animada, os sábios foram a uma sala escura em anexo, iluminada apenas por uma fraca luz azulada.
Esta sala, com um tecto tão alto como o de uma catedral, também era de aspecto inusitado.
No meio dela havia uma enorme mesa de ouro maciço e sobre ela encontrava-se um aparelho cuja visão deixava a cabeça tonta.
Diante dele parecia estar um enorme mecanismo de relógio; pequenos discos de cristal ou de metal e rodinhas brilhantes de diversos tamanhos giravam velozmente e espargiam faíscas multicolores.
Longos e finos como cabelos, ponteiros corriam pelos discos, e, dos compridos tubos, alargados nas extremidades, saíam fitas fosforescentes, que se desenrolavam em espiral, subiam e desapareciam na escuridão da abóbada.
Tudo isso resfolegava, rangia e tremia, enquanto pequenos martelos tilintavam o ritmo feito sininhos.
Nas bordas da mesa havia uma série de botões coloridos que se ligavam através de fios eléctricos ao mecanismo.
- Você já conhece parcialmente o mecanismo desse telégrafo, ainda que não o tenha visto em operação – disse Ebramar, mostrando ao seu discípulo os detalhes do aparelho e explicando o seu funcionamento.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 05, 2016 7:17 pm

- É com auxílio dessa máquina que nos mantemos contacto com os santuários de iniciação dos planetas do nosso sistema e conversamos com os hierofantes dos mundos remotos.
O princípio de funcionamento é idêntico ao telégrafo sem fio; basta saber controlar as ondas vibratórias e captar a direcção desejada.
Todos os santuários do nosso sistema se acham em permanente contacto, pois uma mesma construção cósmica mantém entre nós o equilíbrio mútuo.
É totalmente desnecessário e até perigoso entregar este segredo às multidões.
Se os profanos conhecessem os nossos recursos de comunicação com as humanidades vizinhas, por certo se tornariam valentes, sonhariam em conquistar os novos planetas e até inventariam apoderar-se de nossa frota espacial; em seguida, tomariam o nosso lugar na jornada – finalizou Ebramar sorrindo.
- Você está certo, mestre.
Os amigos hierofantes tinham razões sólidas para cercar de segredo a sua ciência.
As terríveis forças dos elementos da natureza em mãos despreparadas causam mais estragos do que bênçãos.
A enormidade das descobertas, mal empregadas ou empregadas para o mal.
Foi justamente o que contribuiu para a devastação do nosso planeta bem antes do prazo para ele estabelecido – disse suspirando Supramati.
- Diga-me mestre – acrescentou ele um minuto depois -, teremos nós a permissão de utilizar lá os nossos conhecimentos para arrumar a nossa vida parecida com a actual?
- Sem dúvida.
Para o nosso trabalho e estudo devemos ter um abrigo calmo e confortável; mas nós, naturalmente, não abusaremos de nossa ciência e a envolveremos, como de hábito por um segredo impenetrável.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 05, 2016 7:17 pm

CAPÍTULO VIII

Uma hora mais tarde Supramati conversava em seu quarto com Nivara, o qual abriu sobre a mesa uma grande cesta com roupas, colocando-as sobre o sofá.
- Está claro que você quer me enfeitar pessoalmente, meu caro, Nivara.
Francamente, a necessidade de trocar a minha túnica branca, leve e confortável, por esta ridícula roupa moderna é praticamente um castigo – observou Supramati.
- Sim, eu considero uma honra servi-lo e com prazer serei seu secretário, meu caro mestre, enquanto que o adepto mais novo, designado para você, poderá ser o meu auxiliar – disse Nivara olhando-o, afavelmente, com seus olhos brilhantes e alegres.
Supramati levantou-se e apertou-lhe a mão.
- Bem, vamos vestir a fantasia.
Vejo que já abriu a sua loja – acrescentou, rindo.
- Primeiramente a malha de seda negra, a peça principal do vestuário, já que não se usam mais camisas.
Não tema, a malha não vai desbotar, pois é de primeira qualidade; entretanto imaginei que você poderia não se sentir bem vestindo negro e trouxe também uma malha de cor branca, muito fina, que não irá constrangê-lo.
- Agradeço você antecipou-se ao meu desejo.
Confesso que não me apraz esta "pele negra" – respondeu Supramati vestindo a malha.
- E aqui estão as botas.
Actualmente elas não são feitas de couro; os rebanhos de gado são muito raros para calçar toda a humanidade.
Mas veja que óptima imitação, muito resistente e elegante.
Supramati calçou as botas e fechou o largo cinto de couro; Nivara fez um grande laço com o cachecol de seda em seu pescoço e passou-lhe um chapéu de abas longas, uma carteira e um relógio, preso a uma corrente de ouro e guardado no bolso da cintura.
Em seguida, Nivara vestiu-o com uma sobrecasaca sem mangas, feita de um tecido negro, muito macio, fino e brilhante como cetim; o forro, bastante espesso, parecia veludo.
Não possuía colarinho, nem punhos.
- E quanto aos meus cabelos?
Será que o corte "ala girafe" já saiu de moda? – perguntou Supramati curioso.
- Oh! Há muito tempo.
Agora usam cabelos soltos, sem preocupação com o cumprimento: somente os homens é que deixam os cabelos crescerem até os ombros.
Seu corte estará de acordo com a moda.
Supramati foi até um grande espelho e mirou-se curioso, estranhando-se.
A vestimenta não lhe agradou:
tinha algo de excêntrico e impudente devido às suas linhas bem soltas.
Mesmo assim, Supramati estava muito bem; a malha realçava a sua alta e esbelta figura, conquanto as espessas mechas de cabelo escuro lhe dessem um ar juvenil.
É claro que nenhum simples mortal poderia desconfiar que aquele homem bonito e jovem, com olhar flamejante, era um mago de três fachos de luz, em cujos ombros repousavam tantos séculos.
Entretanto, um observador mais atento, e, principalmente, mais sensível, perceberia que nas profundezas daqueles olhos claros se escondia algo que fazia daquele homem um ser totalmente diferente dos outros seres mortais.
Supramati estava experimentando o chapéu quando entraram Narayana e Dakhir vestidos como ele, acompanhados por Niebo e três jovens adeptos de escalão inferior, designados para serem secretários, ajudantes ou mensageiros dos magos.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 05, 2016 7:18 pm

Narayana estava bem alegre.
Exibia-se e fazia palhaçadas com a sua vestimenta extremamente apertada e os grandes olhos brilhavam com malícia e jactância.
Ele apresentou os três adeptos a Supramati, explicando que cada um daqueles belos jovens tinha, no máximo, duzentos anos de idade.
- São ainda crianças.
E agora, vamos despedir-nos rapidamente de Ebramar e partir.
Precisamos apressar-nos para chegar à estação antes da partida do trem – disse ele.
- Então voltaram a utilizar as estradas de ferro?
- Não, Vossa Alteza – apressou-se em responder um dos jovens secretários.
Agora utilizamos os rapidíssimos e confortáveis trens aéreos.
Após se despedirem rápida e efusivamente de Ebramar, os magos e a sua corte tomaram o trem aéreo e logo adormeceram com o sono dos mortais.
Quando foram acordados, o dia já raiava.
Mal acabaram de se lavar, o trem parou perto de um enorme e estranho edifício, feito inteiramente de metal e vidro.
Era uma série de maciças torres quadrangulares, com alturas equivalentes à da torre Eiffel, separadas por grandes vãos.
Em seu interior havia elevadores para viajantes e bagagem, restaurantes, bilheterias e outras modernidades, tudo funcionando automaticamente.
Os topos das torres eram interligados por uma enorme ponte metálica, que era um atracadouro junto ao qual, amarrado por pontes aéreas, balançava no ar algo parecido com uma enorme serpente.
De facto, o trem aéreo parecia uma serpente.
Tinha-se a impressão de que a cabeça escancarava uma goela gigantesca em cujo interior rugia, soltando faíscas, um enorme aparelho eléctrico; sob o ventre do mostro aéreo localizavam-se centenas de esferas e no dorso destacava-se uma espécie de asas móveis, transparentes.
Os nossos viajantes, liderados por Nivara, embarcaram no trem por meio de uma das pontes de acesso e examinaram-no rapidamente antes de ocuparem suas cabines.
O corredor que atravessava os vagões – se assim pudermos chamá-los – era suficientemente largo para instalar, em certas partes, prateleiras com livros e, em outras, bares.
As cabines pequenas, de dois ou quatro lugares, eram baratas.
As mais caras possuíam dois cómodos:
sala e dormitório, mais ou menos amplos.
E foi uma dessas de dimensões maiores, que ocuparam Dakhir, Supramati e Narayana.
O local tinha todas as comodidades e luxo refinado.
No geral não está nada mal; Mas aconselho-os, amigos, a saírem para o corredor e darem uma olhada nas toaletes femininas – propôs Narayana, após examinar tudo com ar de especialista no assunto.
Dakhir e Supramati não conseguiram conter as gargalhadas e sugeriram que ele chamasse Nivara para servi-lhes de guia nesse passeio, mas Narayana não quis nem ouvi-los e arrastou todos quase a força.
Parando junto ao bar, eles viram aproximarem-se duas mulheres que, com a ajuda de uma máquina automática, encheram seus copos com um líquido gasoso, parecido com água gaseificada.
Eram jovens e bonitas, mas Supramati achou seus trajes indecentes e deselegantes.
Uma delas morena alta, de olhos negros usava uma malha rósea, dando a impressão de que ela estava nua, e por cima da malha vestia algo parecido com um quimono com largas mangas, feito de um tecido cor-de-rosa com bordados prateados e forro branco.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 05, 2016 7:18 pm

Sobre os cabelos negros, maravilhosamente penteados, havia uma boina de veludo cor-de-rosa com um fecho de brilhante.
A outra lourinha de porte médio vestia uma malha preta e um quimono, também negro com um forro azul.
Uma boina azul com flores brancas cobria-lhe a cabeça.
Também não estava mal, sinceramente, um pouco exagerado – observou Narayana com leve ironia depois que as viajantes se afastaram.
- Pois é. Os vestidos antigos já não se usam mais – disse Nivara, quando todos voltaram à cabine.
Não me diga que também as velhas usam estas ridículas e asquerosas roupas? – perguntou Supramati sentando-se junto à janela.
- Que velhas? Já não existem mais velhas nem velhos; a ciência eliminou totalmente a velhice.
Um dos últimos inventos tornou desnecessários os dentes artificiais.
Assim que um dente cai, nasce outro em seu lugar...
- Da mesma forma funcionam os banhos eléctricos, com diversos tipos de massagens que eliminam as rugas.
Quanto aos cabelos, esses também são cultivados como grama e na cor preferida – explicou Nivara.
- Diabos! Estas pessoas estão em melhores condições do que nós.
Eles aproveitam sua juventude eterna sem o fardo da imortalidade! – exclamou em gargalhadas Dakhir.
Mas também há o reverso da medalha.
Toda essa falsa mocidade artificial e ultra-intelectual é fraca, débil e nervosa, sujeita a graves doenças.
De modo geral, esta é uma geração condenada – respondeu Nivara suspirando.
- Que pena! Tempos difíceis para a pobre humanidade! – observou Supramati.
– E poderia ser diferente num mundo sem Deus, sem igreja, sem leis, sem verdade; num mundo onde reina somente o culto ao "animal"?
Aliás, Nivara, Narayana descreveu-nos o milagre de Lourdes e disse que ainda restaram alguns cristãos, em outras palavras crentes.
Serão muitos?
- Oh, não, são muito poucos.
Os cristão formam uma seita muito pobre e perseguida.
Eles vivem em lugares isolados, devastados por terremotos, em ilhas abandonadas ou em lugares subterrâneos; em outras palavras, praticamente em desertos, onde os "boas-vidas" da nossa época sequer ficariam um dia.
Eles se estabelecem em lugares próximos aos antigos locais sagrados ou perto de esconderijos onde se guardam relíquias ou ícones milagrosos e muito venerados.
- Nivara, poderia nos contar sobre outros locais sagrados que ainda sobraram além de Lourdes? – perguntou Dakhir.
- Conservou-se, graças a um milagre ainda maior que o de Lourdes, o templo do Santo Sepulcro.
Deve descrever-lhes este evento extremamente interessante.
Vocês sabem que um local sagrado que acumula durante centenas de anos emissões de preces provoca um profundo ódio nos satanistas.
Essa fonte de luz e calor, que renovou e fortaleceu tantas almas, não lhes dava sossego; as conversões à fé em Deus que ali ocorriam deixavam-nos totalmente enlouquecidos.
E uma dessas conversões, particularmente brilhante, aconteceu com um arrependido, justamente de suas próprias fileiras.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 05, 2016 7:18 pm

Essa foi, diria, a gota d‘água.
Na reunião dos chefes luciferianos com os descrentes tanto em Deus, como em Satanás, os últimos foram convencidos de que aquele ninho dos fantásticos estava contaminando as mentes com "obscurantismo".
Ficou decidido então por unanimidade, explodir o templo e o Sagrado Sepulcro, proferindo-se na reunião toda espécie de sacrilégios e blasfémias, impossíveis de serem repetidas.
Resumindo o plano criminoso teve muitos partidários.
Um exercito armado de bombas e outros meios de destruição, entoando canções sacrílegas, à maneira dos cantos sagrados, avançou sobre Jerusalém.
À medida que se aproximavam do local, aumentava a excitação da turba bestificada.
À frente da procissão era carregada a estátua de Bafomé, enquanto a "Rainha do Sabbat" executava uma dança despudorada.
Isso porque, antes de destruir o local sagrado, eles pretendiam profaná-lo, realizando ali o seu "sabbat" satânico.
A noticia da aproximação dessa tropa satânica chegou a Jerusalém, deixando os crentes horrorizados e atónitos.
Eles estavam reunidos, num número relativamente grande, preparando-se para comemorar a Páscoa, um costume secular.
Todos sabiam perfeitamente por que os sacrílegos haviam escolhido, propositadamente, a santa noite para tomar e destruir o templo.
Naquela época, o bispo de Jerusalém era um ancião de grande ascetismo, fervor religioso e coragem heróica.
O anúncio do perigo eminente não perturbou a coragem e a firmeza do seu espírito.
Após passar a noite em preces junto ao sepulcro de Cristo, ele chamou os fiéis e, com discurso eloquente, convenceu-os a não se acovardarem nem fugirem, defendendo o lugar sagrado na media de suas forças e deixando o resto à vontade divina.
Suas palavras surtiram o efeito desejado e uma sensação de entusiasmo tomou conta dos devotos.
Eles sabiam que pagariam com a vida pela fidelidade ao Salvador, mas seu entusiasmo não diminuía com isso.
Ajoelhados e com velas acesas nas mãos, todos entoaram em coro o hino da ressurreição.
Sua fé era tão ardente e o clamor a Deus, pedindo ajuda e apoio, era tão forte que a prece conjunta se elevou feito coluna de fogo e transformou-se numa nuvem radiante sobre o templo.
Todo o templo cintilava com luz astral, mas os fiéis, mergulhados em prece, não se davam conta disso; menos ainda os satanistas, que não perceberam a imensa força invisível que se concentrou sobre o lugar sagrado que eles tencionavam destruir-
Enfim, a horda diabólica chegou perto do templo e seus gritos e cantos indecentes já se ouviam de longe.
Nesse momento, os fiéis entoaram "Cristo ressuscitou" e o casto bispo, empunhando o crucifixo e elevando os olhos para o céu, rezava com fé extasiada.
E, no instante em que a "Rainha do Sabbat" e a estátua de Bafomé iam entrando no pátio do templo, o céu pareceu incendiar-se, a terra tremeu e abriu-se, formando enormes fendas que expeliam chamas e fumaça.
Dizem que foi algo horrível; os tremores subterrâneos, alternados com o rolar do trovão, foram uma coisa inédita.
A armada satânica foi literalmente engolida pelo abismo, que se abriu abaixo dele:
a montanha, sobre a qual estava Jerusalém parecia desmoronar.
O dia seguinte iluminou o horrível quadro da ira divina.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 05, 2016 7:18 pm

No local, onde se elevava a montanha com Jerusalém, surgiu um profundo vale, cercado de rochedos negros e desfiladeiros.
A grande e exuberante cidade foi completamente destruída pelo terremoto, e os arredores, antes cheios de vegetação, reduzida a cinzas, transformaram-se num deserto inóspito e estéril.
Entretanto o mais interessante é que os rochedos, durante a catástrofe, formaram uma espécie de parede que salvaguardava e protegia a parte do templo onde se localizava o Santo Sepulcro; parecia que todo o templo havia descido junto com a terra, e, descontando pequenos estragos, ele parecia nada ter sofrido.
Os fiéis que estavam em seu interior ficaram desacordados durante a catástrofe ao desfalecerem, como que asfixiados, voltando a si somente algumas horas depois.
Entre esses estava também o velho bispo que, nem bem recuperara as forças, rezou uma missa de acção de graças.
A partir de então, naquele inóspito vale reúnem-se os cristãos remanescentes.
Lá existem duas pequenas comunidades secretas, uma masculina e outra feminina, que passam a vida em jejum e preces, sem se atreverem, entretanto, a sair do vale ou dos limites dos muros da igreja, visto o lugar ser evitado e temido pelos cultores de Lúcifer.
- Isso significa que o mal está profundamente enraizado, já que nem a evidente demonstração do poder e protecção Divina conseguiu converter os infiéis e não os levou ao arrependimento – observou Supramati, agradecendo a Nivara pela interessante narrativa.
Pela conversa que se seguiu, eles souberam que iam para Czargrado.
Em seguida, Dakhir, alegando cansaço, retirou-se para o seu alojamento.
Supramati, entretanto, que pretendia visitar todos os lugares onde habitavam os remanescentes fiéis a Deus, ficou mais algum tempo conversando com Nivara e Narayana sobre o passado e o futuro.
Todos os magos não alimentavam muitas esperanças, sabendo que a luta seria árdua e desgastante, pois os satanistas, convictos de sua impunidade, sequer desconfiavam do fim próximo do planeta.
As recentes grandes descobertas suscitaram na humanidade um orgulho desmedido e os espíritos das trevas, ao apoderarem-se das massas, acenavam-lhes com as esperanças de maiores conquistas.
No seu entender, a vida deveria ser uma festa total e infinita, não podendo ser estragada seja por velhice, seja por doença ou morte.
Ofuscado pelo próprio orgulho e pela louca sede dos prazeres, o rebanho humano usufruía as benesses à beira do abismo, sem suspeitar de que aqueles que o incitavam para a prática de delitos, blasfémias e sacrilégios, passariam, antes do tempo, por colossais hecatombes que o fim do mundo lhes preparava.
Quanta carne humana palpitante, quanto sangue fumegante, quanto fluido vital serviriam de repasto para as vis hienas do espaço que se alimentam de carniça.
Narayana fez uma observação a propósito e Nivara exclamou:
Ah, como somos felizes!
Que recompensa de incalculável valor receberemos pelo nosso trabalho:
a possibilidade de nos transferirmos para um novo mundo e conseguirmos um final feliz para a luz da esfera superior, em vez de suportarmos um terrível castigo e nos tornarmos presas dos vampiros do inferno!
- Sim – respondeu Supramati.
- A misericórdia do Criador é feito a sua sabedoria e, para lhe demonstrarmos o quanto estamos agradecidos, devemos trabalhar bem e salvar os filhos de Cristo, ratificando a parábola sobre as sete virgens sábias e as sete virgens néscias.
Esta parábola se encaixa perfeitamente nos dias de hoje.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 05, 2016 7:18 pm

As virgens sábias suportaram estoicamente as provações, seu amor a Deus não enfraqueceu, e elas resignadamente, esperaram o Juízo Final, enquanto que a fé e a prece, tal qual lamparinas sempre acesas, iluminam suas almas.
Já as virgens néscias esqueceram-se de sua origem divina, renegaram seu Criador e foram envoltas pelas trevas; elas apagaram a chama celestial que conduz a Deus e ilumina o espinhoso caminho da ascensão.
Pobres cegas!
Que terrível castigo as espera, sem que alguma luz ilumine suas almas durante o terrível caos eminente – completou o mago, com tristeza.
A conversa prosseguiu por algum tempo sobre o mesmo tema, Narayana, sentindo que o compartimento estava abafado, lamentou que não fosse possível abrir a janela.
- No fim do trem, perto das máquinas, existe um pequeno balcão, coberto e eu posso levá-lo até lá – propôs Nivara.
Logos os três estavam no estreito corredor em frente a uma larga e escancarada janela, em cujo parapeito se encostaram.
Era necessário ter uma cabeça resistente para não sentir vertigens ao olhar para fora, pois até onde se podia enxergar nada se via além do céu e um oceano de nuvens que cobriam a Terra.
Mas os imortais não conheciam o medo nem vertigens; tranquilos e curiosos apreciavam a vista realmente empolgante que se abria diante deles.
Em todas as direcções cruzavam-se naves e trens aéreos, parecendo imensos monstros serpenteando, agitando o ar com ruídos e apitos, e a multidão que se aglomerava no interior daquelas serpentes negras, amarelas ou verdes, entrega cegamente seu destino aos geniais mecanismos e à maioria dos mecânicos, como outrora se entregava à vontade divina.
- Que enorme passo deram as descobertas desde o tempo da nossa última excursão ao mundo! – admirou-se Supramati.
- Oh! O senhor ainda pouco viu dos inventos "milagrosos".
Pode-se dizer, com toda a certeza, que o homem submeteu e colocou a seu serviço todos os elementos da natureza.
A mente está apurada, enquanto que a alma divina se acha subjugada e a carne comemora a vitória; ela é senhora de tudo; reduziu o trabalho ao mínimo, nivelou o senhorio ao servo e escravizou as forças da natureza – explicou Nivara.
- Pois é.
No momento em que eles forem comemorar considerando-se senhores dos elementos da natureza, a caldeira trincará e contra eles se levantarão os mesmos servos com os quais eles pretendiam controlar deus – observou ironicamente Narayana.
Após respirarem o ar fresco e frio, eles voltaram à cabine, retomando-se o assunto da permanência deles em Czargrado.
- E você, Nivara, para onde gostaria que nós o mandássemos trabalhar?
Não teria preferência por um país ou povo que você quisesse salvar e proteger? – perguntou Supramati sorrindo.
- Não mestre, para mim a Terra toda é repugnante e os meus seres predilectos estarão melhor sob sua tutela.
Por isso, meu único desejo é permanecer como seu discípulo e executivo – respondeu o jovem adepto, fitando-o com seus olhos brilhantes e gratos.
* * *
Czargrado ainda existia.
Graças à sua localização inigualável, a cidade sobreviveu a todas as catástrofes que a atingiram durante os últimos séculos.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 05, 2016 7:19 pm

Obviamente estava mudada.
Expandiu-se e adquiriu feições modernas.
Mas o antigo palácio de Supramati ainda resistia de pé, milagrosamente conservado apesar da idade, servindo por séculos de refúgio, primeiramente à vitimas do terremoto, seguido de inundação que arrasou metade da cidade e, depois, como abrigo para viúvas e órfãos.
Mais tarde, quando a beneficência começou a sair de moda cada vez mais, nele foi instalado um museu pornográfico que foi destruído por um incêndio alguns dias após a sua inauguração.
Passado algum tempo, o imóvel foi comprado por um estrangeiro que lá realizou as reformas necessárias, mas que raramente residia no palácio.
Aos poucos, o ponto chique de diversão da cidade mudou de local e o antigo palácio de Supramati permaneceu isolado, sem chamar mais atenção.
Os proprietários, aparentemente, não queriam alugar ou reconstruí-lo.
De repente, correu o boato de que o palácio foi comprado por um príncipe indiano chamado Supramati, o qual pelo visto, pretendia fixar ali a sua residência, pois o imóvel começou a sofrer obras de recuperação. Vieram alguns forasteiros, homens de tez escura, sob cuja supervisão foi feito um luxuoso mobiliário das dependências do palácio e a recuperação dos jardins.
Novamente funcionaram os chafarizes, as jardineiras cobriram-se de flores e, em meio à vegetação, apareceram estátuas.
Resumindo, o velho palácio ressuscitou, enfeitou-se e seu luxo passou a despertar a curiosidade da massa ociosa e bem alimentada que se interessava somente pelos assuntos alheios.
Certo dia correu a notícia de que o proprietário havia chegado, sem ser notado, para grande decepção dos curiosos, num simples trem aéreo, acompanhado por um irmão e um primo; os boatos diziam que os três príncipes indianos eram jovens, de boa aparência e ricos – verdadeiros bilionários.
Junto com eles vieram seus amigos e um séquito, formado por administradores das imensas propriedades e por três secretários.
A multidão de basbaques ficou ainda mais decepcionada quando soube que os estrangeiros não apareciam em nenhum lugar nem saiam muros do palácio, podendo ser vistos só quando saíam dos muros do palácio, podendo ser vistos só quando saíam para passear.
Realmente, os magos evitavam, por enquanto, aparecer na sociedade, esforçando-se no estudo da língua cosmopolita, da história, costumes e quadro geral da humanidade daquela época em que deveriam iniciar o cumprimento de sua difícil missão.
O panorama que se abria diante deles, tanto do passado como do presente, deixava muito a desejar.
Em alguns séculos, que se escoaram imperceptivelmente em paralelo com a sua estranha e misteriosa vida, o mundo sofreu terríveis comoções e as revoluções geológicas alteraram consideravelmente a sua geografia em alguns lugares.
As transformações políticas foram ainda mais horríveis e funestas, abalando até os alicerces da sociedade.
O mal, semeado generosamente e com requinte entre as massas humanas, por judeus e anticristos, trouxe seus frutos.
Por todos os lugares se desencadeavam terríveis revoluções, solapando os costumes e arrastando tudo que ainda sobrava dos antigos preceitos que ditavam o modo de vida da humanidade.
Essa devastadora crise gerou nova sociedade, que teria sido incompreensível e repulsiva para as gerações passadas.
As alegações de falso humanitarismo destruíram todas as punições e tornaram ociosa toda a instituição de direito, com toda sua montanha de leis flexíveis, obscuras para a massa.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 05, 2016 7:19 pm

Tudo isso não era apenas a consequência da ilimitada e desenfreada "liberdade de consciência", que aos poucos destronou qualquer noção de religião; já não existiam nem cadeias, Deus, nem igrejas, onde eram pregadas as "desconfortáveis" leis para as massas.
Ninguém reconhecia as obrigações mútuas e cada um vivia como bem entendia, fazendo sua própria autocrítica de acordo com seus instintos animais.
Já não existiam fronteiras, exércitos e nacionalidades; formou-se um único rebanho humano, dirigido por administrações municipais comunitárias que, aliás, possuíam pouca autoridade.
A população reduziu-se a um nível ameaçador, já que as mulheres se negavam a assumir as responsabilidades maternas e famílias com dois filhos era uma raridade.
As mudanças no modo de vida não eram menores.
As invenções científicas e industriais transformaram, por fim, não só a aparência da superfície terrestre, mas também os costumes, carácter, necessidades, manias e o modo de vida do formigueiro humano, eliminando praticamente o trabalho individual.
Já não havia trabalhadores, restando somente os especialistas, que recebiam enormes salários para trabalharem nas máquinas ou dirigirem naves espaciais.
Mas, com menos trabalho, aumentava o ócio, que, aos poucos, tornou-se uma instituição das massas.
A máxima dos romanos do período da decadência "Pão e circo!" ressurgiu em proporções gigantescas; todos almejavam gozar a vida, sem freio ou descanso; e como este tipo de vida de orgias custava caro, lançava-se mão, abertamente, das mais descaradas falcatruas, sendo que, por um pouco de ouro, qualquer meio, indistintamente, era bom e legal.
É compreensível que em tal sociedade, consumida em vícios, vadiagem e "civilização" em franca decadência, qualquer esforço mental ficava difícil.
As massas humanas eram de uma ignorância crassa que se escondia atrás de uma camada de suposta educação.
E – que estranha situação – talvez por foca da lei do atavismo, o secular trabalho intelectual desta humanidade em extinção por vezes se cristalizava e, dentre a multidão ignara e insolente, surgiam pessoas geniais, as quais realizavam descobertas magníficas e com isso provocavam verdadeiras revoluções.
Contudo, infelizmente, essas cabeças prodigiosas eram dirigidas com precisão pelo espírito canhoto, e tudo por eles inventado propiciava, sobretudo, o aumento do poder maligno, a disseminação dos vícios, preguiça e sórdidas paixões.
O parasitismo, que servia de base a toda a organização social, alterou também o sistema de educação.
Não havia escolas, a não ser as de primeiro grau e "cursos" especializados nos quais a juventude se formava nas matérias escolhidas e ensinadas superficialmente; isso porque, por letargia, a maioria recusava-se a trabalhar intelectualmente e com seriedade.
Restaram somente algumas instituições onde se reuniam mentes selectas e dali surgiam grandes invenções, diabólicos, porém geniais cientistas ou especialistas dignos desse nome, que supervisionavam a construção e o funcionamento de máquinas complexas.
Mas esses eram minoria e todos tinham um alto conceito em sua localidade.
Já a multidão se divertia com as ciências, por desporto, e ficava satisfeita com o estudo superficial de conhecimentos básicos.
Satisfazia-se com a língua internacional, com a qual podia dar a volta ao mundo e ser entendida de ponta a ponta, enquanto que aqueles que ainda estudavam linguística eram motivo de risos e considerados retardados ou maníacos.
Junto com a queda do nível moral e intelectual, começou a decadência da arte e literatura.
A primeira produzia somente péssimas imitações de antigas obras de arte, adaptando-as ao gosto cínico da época, e a segunda, ainda mais miserável, limitava-se à leitura de jornais com as últimas fofocas sobre os acontecimentos diários e escândalos picantes.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 05, 2016 7:19 pm

Ninguém mais dispunha de tempo nem de vontade pra ler as grandes obras.
As pessoas gracejavam, curtiam a vida e divertiam-se à beira do abismo.
Era um verdadeiro idílio pastoral, faltando somente a inocência.
Para preencher a necessidade de diversão e encontrar um substituto para a antiga literatura e leitura apelava-se para teatros.
Estes se multiplicaram tanto que cada rua tinha o seu.
Os cinemas também proliferaram como nunca.
E, como sempre, eles reflectiam os costumes da época.
Mas a verdadeira arte dramática desapareceu, estavam na moda somente as farsas grosseiras e "vaudevilles", nos quais o cinismo era levado ao absurdo e representá-las não exigia nenhum esforço dos Artistas, o que era primordial.
O público rompia em gargalhadas, "matando" assim algumas horas – o que era também o primordial...
A vida transcorria em teatros, restaurantes ou templos satânicos, onde a franca depravação triunfava sobeja em incríveis orgias.
Contaminadas pela gangrena da moral, as engenhosas mentes daquele tempo inventavam e procuravam paixões cada vez mais agudas pervertidas e enervantes.
Delinquentes científicos dirigiam a humanidade. Forças malignas do ocultismo eram estudadas e aplicadas – onde somente o inferno o faria.
As pessoas que perderam Deus, privadas do auxílio celeste do seu Criador, afundavam cada vez mais mo mal, que os levava à morte.
E então, às cegas, distraídas e desencaminhadas multidões de crias de Satanás dirigiam-se para os templos diabólicos.
E não pensem os leitores que o autor escreva isso sob a influência de algum pesadelo infernal.
Se olharem de maneira critica e fria em sua volta, perceberão claramente os embriões de todos os horrores que irão brotar profusamente no porvir.
Arme-se de microscópio e bisturi, meu pensador consciente e imparcial, e sobre o verniz enganador da nossa "brilhante civilização" você encontrará os funestos embriões do fratricídio, ateísmo fanático e ócio – esse monstro que a sabedoria popular chamou apropriadamente, de "mãe de todos os vícios e pecados".
A redução, a qualquer preço, da jornada de trabalho junto com o aumento de salários já não se tornaram palavras de ordem das massas e o objectivo dos homens em tentarem alcançá-los por todos os meios, lícitos ou não?
A ociosidade que tomou conta da juventude e que se espalhou, feito uma epidemia de tifo, constituiu-se naquele solo fértil sobre o qual crescerá e florescerá o grande contestador.
Este conduzirá as almas ao sofrimento, a uma longa expiação e à destruição do planeta.
Nosso mundo, enfim, é minúsculo. É somente um grão imperceptível de um todo – um átomo no infinito plano do Universo.
Grande é somente a ideia do mal, que se manifesta em toda sua plenitude nessa célula contaminada do corpo celestial.
Esta história, aliás, não é nova.
Antes e depois de nós, nos mundos extintos e nos do futuro, aconteceu, acontece e acontecera a mesma tragédia infernal das almas desencaminhadas, enganadas, tragadas pela voragem do sofrimento contínuo, com a expiação tão dura e amarga quanto mais revoltante for o pecado.
A compreensão das antigas tradições ficou obscura ou perdeu-se ao longo dos séculos; esta, por exemplo, é a lenda sobre o pecado original, que possui um profundo e místico sentido:
a tentação através da devassidão, o inferno que incute no homem a insubmissão, que lhe promete conhecimentos fáceis e ciência maldita que aniquila as almas banindo-as do paraíso, privando-as da ordem, paz e protecção divinas.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 05, 2016 7:19 pm

E os homens, proscritos para um mundo de desgraças e sofrimentos, transformam-se em servidores do inferno, que os incita e atormenta ininterruptamente com desejos impuros e ensandecidos com ímpetos de praticar o mal sem trégua.
Para finalizar a descrição da sociedade na qual os magos terão de aparecer para cumprir sua difícil missão, resta sublinhar uma faceta, ainda que insignificante diante do quadro geral, mas que possui a sua curiosidade.
Quando explodiu a primeira das revoluções "niveladoras", a plebe, conquistando o poder, satisfez sua cobiça secular e o ódio reprimido, arrasando tudo o que lhe parecia privilegio nato, posição social e até riqueza.
Entretanto, sendo a igualdade absoluta nada mais do que uma utopia inatingível, que nunca poderá ser realizada por nenhuma arqui-revolução, o mal amainou a tempestade política e a sociedade rapidamente se transformou, ressurgindo daí, mas com cara nova, um velho princípio: a vaidade.
Sem bem que já não existia mais a hierarquia serviçal com suas patentes e títulos honoríficos, com condecorações, nobreza ou quaisquer privilégios, mesmo assim – oh! Que cruel ironia - existiam títulos de nobreza.
Isso aconteceu da seguinte forma. Quando tudo se acalmou, ressurgiram os ricos e os pobres, e a vaidade apressou-se em compensar as antigas diferenciações, as luxuosas cruzes e magníficas fitas de condecoração que antes adornavam com tanta graça os peitos e as abotoaduras das pessoas ilustres. Recuperar tudo aquilo era difícil e arriscado, mas restava ainda uma antiquíssima distinção, esquecida e sem dono. Essa distinção podia ser usada sem menor perigo, devido ao facto de que a liberdade de escolher um nome era ilimitada, permitindo-se trocá-lo e alterá-lo a seu bel-prazer.
Os descendentes de antigas famílias nobres foram os primeiros a se arriscar, voltando a ser condes e marqueses, surgindo depois tantos imitadores que nem no auge do feudalismo havia tantos "condes", "príncipes" e "barões" como nesta sociedade democrática de diferentes calibres, onde qualquer um que tivesse vontade podia autonomear-se com um título de nobreza que não lhe dava nenhum direito, mas que soava muito bem...
Por várias vezes, um triste sorriso percorreu as faces de Dakhir e Supramati quando, ao estudarem os documentos, abriam-se diante deles quadros semelhantes aos que descrevemos resumidamente; já Narayana dava sonoras gargalhadas ao ler aos amigos os engraçadíssimos episódios do passado, sobretudo a história do renascimento dos títulos de nobreza.
- Pelo jeito, não vamos receber muitas honrarias, já que actualmente ser príncipe é tão comum quanto antigamente era ser carregador – acrescentou ele, enxugando as lágrimas de tanto rir.
Sem que os magos se mostrassem a ninguém, os curiosos imaginavam que eles tinham muitos conhecidos, entre os quais até conterrâneos, preferindo, assim, divertir-se em sua companhia, visto que frequentemente um grande número de veículos aéreos aterrissava nos fundos ou nos jardins do palácio e levantava voo ao amanhecer.
Na realidade, de tempos em tempos, vinham os mago-missionários para discutir com os amigos os diversos detalhes do plano geral de acção, em diferentes partes do mundo sentenciado à morte.
No palácio de Supramati reunia-se uma selecta sociedade: homens de uma beleza sóbria, de olhar radiante e profundo, cujas cabeças inspiradas eram envolvidas por uma larga aura.
Certa noite, no quarto de trabalho de Supramati juntaram-se uns quinze magos e cerca de vinte jovens adeptos para estabelecerem definitivamente os locais de trabalho de cada um.
- Amigos, então está decidido que inicialmente vamos estudar o campo de batalha onde deveremos travar a luta, e visitar os locais sagrados onde se ocultam e vegetam os defensores da fé – disse Supramati.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 4: A MORTE DO PLANETA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

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