Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 22, 2016 7:25 pm

- Quando é que você vai parar de ser leviano? – Revidou Ebramar.
Você bem sabe que ninguém atrapalhou seus guerreiros a medirem forças com o inimigo e testarem a coragem.
Além disso, tudo o que era inútil e perigoso foi aniquilado.
Uma carnificina maior será desnecessária, pois a população de “macacos”, como Abrasack intitula os seus súbditos, foi reduzida.
Quanto a seus soldados, já com alto nível de desenvolvimento intelectual e físico, estes servirão para a formação de futuros reinos.
Os feridos serão recolhidos e receberão medicação; os cadáveres devem ser eliminados para evitar o risco de contaminação.
Acalme-se, pois, e mande os seus comandados voltarem para suas casas; depois, pegue duas aeronaves e vá resgatar Urjane.
Traga também as nossas discípulas com suas famílias.
E não se esqueça de seu ex-discípulo.
Vamos ter de reeducá-lo, já que você o agraciou com a imortalidade.
Algumas horas depois, duas aeronaves desciam numa pequena clareira diante do palácio de Abrasack.
Imensa foi à alegria do reencontro de Urjane com Narayana, após tanto tempo de separação.
Acalmada a primeira emoção, eles conversaram à vontade.
Narayana se informou de suas companheiras e anunciou que, caso elas quisessem, os magos lhes devolveriam a liberdade, tirando-as de seus maridos impostos.
Urjane sorriu.
- Duvido que elas queiram isso.
Foram grandes os seus sacrifícios para apurar e desenvolver seus homens; além disso elas têm filhos com eles e já se adaptaram a essa vida.
Conheço-lhes, entretanto, um desejo:
elas querem que a união seja sagrada pelos magos mediante um ritual apropriado, e que os filhos frequentem escola.
- Bem, os magos decidirão sua sorte; minha ordem é levá-las com a família para a cidade divina, assim, vou enviar gente para buscá-las.
Sombrios, mudos e cabisbaixos, vieram os companheiros de Abrasack com suas esposas, pálidas e alarmadas.
Narayana que conhecia as mulheres desde a infância, abraçou-as, assim como seus filhos, e depois anunciou que, atendendo às ordens dos magos, elas deveriam voltar para a cidade divina, onde os mestres decidiriam o seu futuro.
- Bem, agora preciso procurar o meu digníssimo líder – disse Narayana, e seu semblante cobriu-se de nuvens.
Era-=lhe difícil olhar para o discípulo, cuja perfídia lhe subtraíra a felicidade de fascinar-se pelo êxito, revelando-o indigno de sua protecção.
Urjane leu-lhe o pensamento, e premeu-lhe a mão meigamente.
- É verdade, foi grande a decadência de Abrasack, ofuscado pela prepotência e sentimentos lúbricos que escravizam homens imperfeitos.
Não de tudo, porém, foi inútil ele ter sido seu discípulo.
Ele é uma alma forte e poderosa, dona de inteligência activa; sendo assim, acabará por sacudir sua impetuosidade cega, irá se arrepender e sairá vitorioso, reconquistando-lhe a confiança; e, se for incumbido de alguma missão, sem dúvida a cumprirá condignamente.
- Esperemos que estejas certa!
Intercederei por ele junto aos mestres; eles decidirão.
Quando Narayana, Urjane e outros adeptos entraram no templo subterrâneo, encontraram Avani ajoelhada diante do altar, sobre o qual pairava uma cruz radiosa.
Estava ela imersa num prece extasiante; os raios prateados, a se irradiarem da cruz, envolviam-na numa névoa azulada.
Junto aos degraus, jazia imóvel Abrasack; a terrível agitação e luta interior, pelas quais passara no dia anterior, deixaram-no em estado cataplégico.
Narayana ordenou que ele fosse levado para a aeronave e, após conversar um pouco com Avani, todos se dirigiram de volta à cidade dos magos.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 22, 2016 7:25 pm

CAPÍTULO XII

Quando Abrasack acordou de seu longo desmaio, o corpo readquirira as forças anteriores, sua alma, porém, parecia cansada, a cabeça pesada; a angústia e o desânimo sentidos eram fruto de um enorme abalo moral e físico. Ele estava na cama, num lugar totalmente ignorado, e vestia o “traje dos arrependidos”.
Ele se levantou célere para se familiarizar com o lugar.
Era uma gruta ampla, esculpida num maciço rochoso e iluminada por uma lâmpada dentro de uma saliência.
Era uma instalação desprovida de conforto, ainda que não fosse totalmente austera.
Além da cama, havia uma mesa grande cercada de cadeiras, alguns livros, manuscritos, papiros antigos e outros materiais de escritório.
Contígua àquela gruta encontrava-se outra gruta de tamanho menor; lá, do paredão jorrava um filete cristalino de água que caía dentro de um tanque grande, destinado para os banhos; junto a outro paredão, via-se uma estante e um enorme baú de madeira aromática, atulhado de trajes brancos e negros, de linho.
Nos fundos da primeira gruta, à altura de um degrau do solo, estava instalado um altar; entremeavam-lhe as extremidades dois castiçais de ouro.
Com velas de cera vermelhas, e ali mesmo jazia um cálice de ouro de fino acabamento, adornado por gemas.
Sobre o altar, junto ao paredão, divisava-se uma gravura artisticamente trabalhada, cuja superfície de fundo branco, matizada por um substância lembrando madrepérola, se agitava como se estivesse sob a acção do vento e reverberava todas as cores do arco-íris.
A única saída daquele recinto era através de uma arcada que levava a um grande balcão com parapeito de madeira.
Ao sair para o balcão, Abrasack viu que sua moradia se achava no alto de um rochedo pontiagudo beirando um abismo; do outro lado, por toda a extensão, erguiam-se curiosas escarpas.
Um rio despencava-se aos estrondos para as entranhas do abismo insondável.
Ele se apoiou no parapeito e divisou com o olhar sombrio aquele panorama funesto; apenas o urro da cachoeira ou o eventual grito de um pássaro nocturno, provavelmente nidificado no rochedo, quebravam o silêncio mortal.
- Primeiro a prisão, e depois a forca! – Soltou-se de Abrasack, num esgar de riso seco.
Ele retornou à gruta, deixou-se cair na cadeira e agarrou a cabeça com as mãos; um minuto depois, lembrou-se da mesa cheia de livros.
Provavelmente eles me deram alguma tarefa.
De que trata essa literatura?
Aproximando a cadeira, começou a folhear os manuscritos e, então, compreendeu que dele se exigia um trabalho mental saneador antes de comparecer diante de seus juízes.
Subitamente, de um rolo levantado de manuscritos caiu uma folha, cujo título em letras garrafais dizia:
“A Purificação de Adepto Delinquente”.
“Constituem-se no mais grave crime relativo à iniciação o abuso do poder, favorecido pela ciência sagrada, no intuito de satisfazer paixões abjectas e imorais.
O adepto que incorreu neste acto culposo, provido do saber, mas que maculou a alma e saqueou-lhe as virtudes, se submeterá ao trabalho de purificação para que lhe seja restabelecida força límpida perdida”.
“Deverá este se entregar à meditação e desenvolver a maior sensibilidade possível, para apreender a força radiosa e reproduzir mentalmente as preces abaixo descritas”.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 22, 2016 7:25 pm

“Ao adquirir o poder suficiente para erguer com a mente uma cruz clarifica sobre um altar e contactar os espíritos elementais, protectores do símbolo sagrado, ele deverá, com sua ajuda e trabalho obstinado, abrir o caminho ao espírito Divino de Cristo”.
“Se por uma tríplice aspiração a profundo arrependimento, fé ardente e êxtase da prece, ele conseguir invocar em sua alma a imagem do Salvador e, depois, imprimi-la na substância da gravura, o cálice se encherá da essência divina, o adepto dele tomará, e as más excrescências, acumuladas por seus actos serão calcinadas pelas chamas celestes.
Então ele readquirirá a pureza da carne e espírito, com suas virtudes anteriores, e recuperará os poderes supremos”.
Abrasack imóvel, respirando pesado, não despregava os olhos da mensagem que apresentava o programa das provas impostas pelos juízes.
Instantes depois, ele se levantou febricitante.
Sua cabeça ardia, sua alma fervia de desespero amargo.
O que se lhe exigia estava além de suas forças, jamais ele conseguiria fazê-lo...
Com aquele programa impossível, zombavam de sua impotência...
Aquilo não passava de forma hipócrita de sentenciá-lo à reclusão eterna.
Sua respiração tornou-se difícil, imaginou-se sufocar.
Quase indistintamente, correu para o balcão e apoiou-se no parapeito.
O ar fresco da noite revigorou-lhe a alma, a tempestade ainda se agitava; ele lançou um olhar lúgubre sobre a paisagem desoladora, agora iluminada por duas luas.
Os rochedos pontiagudos lançavam aqui e ali sombras esdrúxulas; somente o retumbar vago das águas quebrava o silêncio.
Sentia-se realmente derrotado.
O véu de orgulho, presunção e rebeldia, a ocultar-lhe os equívocos, partiu-se em pedaços; lágrimas de vergonha e arrependimento cintilaram em suas faces.
- Perdoe, ó Juiz Todo-Misericordioso, minhas faltas pecaminosas contra as Suas leis sagradas – balbuciou ele, fitando esperançoso a cruz.
Este ímpeto de fé e arrependimento esgotou por completo as forças de Abrasack; ele caiu sobre o degrau do altar, e sua extenuação deu lugar a um sono profundo e reparador...
Já era bem tarde quando ele acordou.
Ao se levantar, ele se espreguiçou e quis ir à gruta anexa, quando sua atenção foi chamada para uma mesa pétrea, que não notara na véspera.
Ao se aproximar divisou uma folha de papel, onde estava escrito:
“Coma o quanto precisar seu organismo acostumado a alimentos fartos e pesados, pois você precisará de muitas forças no futuro”.
Sobre a mesa havia dois cestos:
um com pão e outro com ovos, frutas, manteiga e mel; havia também dois jarros: com vinho e leite.
Percorrendo com o olhar meio melancólico, meio irónico, aquelas iguarias fartas, ele foi à gruta contígua e tomou um banho.
Trocado numa túnica de linho, Abrasack ajoelhou-se diante do altar e começou a rezar.
Depois da oração, comeu um pedaço de pão e tomou uma taça de leite, retornou à mesa com os livros e releu o programa de purificação do adepto delinquente.
Relendo-o mais uma vez, apoiou o rosto nos cotovelos e o cobriu com as mãos.
Já não era bem a fúria e tampouco a indignação que se lhe transbordava da alma – mas um desânimo profundo, a consciência da fraqueza e impotência.
Unir-se ao espírito divino de Cristo, evocar a sua imagem e, ainda, com tal força que ela fique impressa na substância da gravura...
Que pureza e força seriam necessárias para tanto!
Não, não, jamais conseguiria isso...
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 22, 2016 7:25 pm

- Tente! No início tudo é difícil, mas a vontade e a paciência superam qualquer dificuldade – sussurrou uma voz vibrante, como se vinda de longe.
Abrasack soergue-se e seus olhos brilharam.
Então ele não estava sozinho naquela provação; alguém compartilhava de sua sorte...
O apoiava naquele momento de infortúnio...
Quem seria essa alma amiga?
Ele parecia reconhecer a voz de Avani...
Fosse quem fosse, esse alguém acorria, encorajava-o, desejava-lhe sucesso.
A partir de então Abrasack iniciou o trabalho.
Ele lia, estudava os livros e os manuscritos que lhe forneciam subsídios preciosos; e se, eventualmente, era acometido de fraqueza ou cansaço, uma voz amiga encorajava-o.
Finalmente chegou a noite que se tornou memorável ao adepto arrependido.
Todo fremente em êxtase da prece, ele num ímpeto sincero de humildade e arrependimento, rejeitou para sempre todas as ambições mesquinhas, suplicando apenas pela graça de poder seguir constante pela senda de ascensão à luz divina e ao conhecimento sublime.
Súbito sobreveio um fenómeno incrível.
Ondas etéreas rodopiaram-lhe em volta com velocidade estonteante, raios cintilantes entrecortavam o ar em direcção à gravura.
Um rolar de trovão estremeceu os paredões, o interior do quadro encheu-se de luz esplendente, e, naquele fundo radioso, divisou-se a figura do Redentor, em todo o Seu esplendor sobrenatural.
Com docilidade divina e amor infinito, os grandes olhos desmesuradamente profundos, contemplaram o adepto prostrado; mão translúcida ergueu-se para abençoar o pecador arrependido; a outra segurava o cálice...
De súbito, a visão esmaeceu e apagou-se por completo.
A luz no interior da gravura se extinguira.
Mas, no fundo oscilante da substância nacarada, estava, como viva, a imagem do Filho de Deus.
Com a alma palpitando, ficou Abrasack contemplando aquela imagem divina, a sorrir-lhe de misericordiosa.
Então ele mereceu a graça de assimilar com todas as suas fibras a imagem translúcida e imprimi-la.
Ele suportara plenamente a provação prescrita, pois o cálice de ouro sobre o altar estava cheio de líquido púrpuro.
Abrasack tomou daquela substância misteriosa, que se espalhou em corrente vivifica por todo o corpo, proporcionando-lhe uma sensação jamais vivida de força, leveza e bem-estar, não obstante sentir tortura. Involuntariamente ele se apoiou sobre a cadeira mais próxima.
A terra parecia fugir-lhe dos pés, os paredões da gruta balançavam e pareciam afastar-se; de chofre, num deles abriu-se um porta em arco, revelando a escada pela qual vinha subindo um grupo de meninos da escola de adeptos.
Eles carregavam certos objectos que Abrasack não conseguia distinguir por causa da agitação; eram alvos trajes, semelhantes aos usados pelos magos.
Os jovens tiraram de Abrasack suas vestes velas e ataviaram-no com a recém trazida.
Atordoado, Abrasack ofereceu-se mudo a seus préstimos.
Tão logo lhe colocaram um cinto de prata de fino acabamento, no umbral da porta apareceu sorrindo Narayana.
Ao vê-lo, Abrasack caiu de joelhos e depositou-lhe aos pés a sua cabeça.
Arquejante de vergonha e arrependimento murmurou a muito custo:
- Mestre, perdoará você algum dia a minha vil ingratidão?
Narayana apressou-se em erguê-lo e o beijou.
- Nada tenho a perdoar-lhe.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 22, 2016 7:26 pm

Esta hora tudo redimiu, justificando diante dos meus mestres a protecção e a confiança em você.
Agora, compareça diante dos seus juízes.
Abrasack nem sequer imaginava que estava recluso numa ala afastada do palácio dos magos.
Eles desceram a escada, passaram por um longo corredor e deram numa ampla galeria abobadada.
Ouvia-se uma música melodiosa e um canto alegre e triunfante; meninas da escola das magas atiravam flores a seus pés.
O tribunal dos legisladores era um salão espaçoso em arcos.
O tecto, as colunas e as paredes pareciam um rendado de madeiras; as inscrições nos entalhes, executadas em pedras preciosas, diziam pensamentos de suprema sabedoria.
O salão findava num semicírculo, onde, em forma de um anfiteatro, estavam dispostas cadeiras.
Ali presidiam os juízes; na fileira de cima acomodavam-se os hierofantes, cujos semblantes estavam envoltos em névoa azulada; um pouco abaixo, encontravam-se os demais magos, e, no patamar inferior, estava Ebramar, o qual deveria pronunciar a sentença.
Pálido e fremente, Abrasack postou-se diante do tribunal, esperando, as mãos cruzadas ao peito.
Ebramar parecia rodeado de névoa leve e transparente; seis fachos formavam sobre a sua fronte uma coroa ígnea.
Seu olhar profundo fitou perscrutador os olhos ansiosos de Abrasack, por fim, ele pronunciou em tom afável:
- Bem vindo, filho pródigo.
Você lançou por terra as peias das trevas, retornando à luz e ao trabalho dignificante da morada de Deus.
Livrar-se das excrescências de tantas paixões impuras foi uma tarefa árdua, mas um trabalho espiritual magnífico.
Parabenizo por tê-lo cumprido como se esperava; com sua alma purificada e enobrecida, você pôde assimilar a imagem do Redentor; sua fé e o amor foram suficientes fortes para imprimir, de forma indelével, a imagem divina na matéria radiosa da gravura.
Aceite pois, o símbolo invisível que o colocará na mesma fileira dos servidores da verdade.
Abrasack ajoelhou-se, Ebramar tocou-lhe a testa com a espada mágica de gume ígneo.
Imediatamente, sobre a fronte de Abrasack fulgiu uma estrela brilhante envolta em símbolo cabalístico, como que desenhado por fogo.
- Enredado em trevas de orgulho e ambição, você queria se tornar rei; agora que isso rejeitou, doa-se-lhe este reinado, como prova de seus poderes.
Existem no planeta muitos povos amadurecidos que terão de ser governados com justiça, receber as leis, assimilar a ideia de Deus e outros fundamentos de iniciação.
Um deles fica-lhe confiado, e espero que você o governe com a isenção sábia de sacerdote, rei e legislador; lá, por você será fundada a primeira dinastia divina – uma das que existiram no despertar da humanidade, conforme testemunham as lendas populares de todas as nações.
Você receberá instruções detalhadas ao iniciar os preparativos para a nova missão.
Venha agora receber nossos ósculos, e depois festejaremos o retorno do irmão que reconquistou a nossa confiança.
Após abençoarem Abrasack, os hierofantes superiores e a maioria dos magos que presidiram o areópago se retiraram; um grande grupo de discípulos e amigos de Ebramar, e os ex-colegas de escola de Abrasack, dirigiram-se ao palácio do mago.
Junto com Nara, Edith, Olga, entre outras pessoas, estava presente também Urjane.
Narayana pegou a mão de seu antigo pupilo, levou-o até a esposa e, sorrindo maliciosamente, pilheriou:
- Você esqueceu rápido de sua ex-paixão tresloucada, tanto que a cumprimenta apenas com uma reverência indiferente?
- Não quero de Abrasack senão uma amizade boa e duradoura, ainda que proteste que me trate com indiferença – retrucou com bonomia Urjane, estendendo a mão para seu “raptor”.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 22, 2016 7:26 pm

Um rubor escuro cobriu o rosto pálido e emagrecido de Abrasack.
- A provação imposta curou-me de todas as sandices.
Se a digníssima Urjane me presentear com sua inestimável amizade e aceitar a promessa de minha lealdade, este dia será o mais feliz de minha vida, e uma prova de que o seu nobre coração perdoou o meu acto ignóbil – discorreu em voz baixa, beijando respeitosamente a mão de Urjane.
O almoço ocorreu num clima de muita animação; no final, Ebramar em companhia de Narayana e Supramati, levou Abrasack para o seu gabinete de trabalho e anunciou que a partir do dia seguinte se iniciariam os preparativos para sua nova posição, sob a direcção de Supramati e Narayana.
- Antes, porém, devemos tomar certas diligências quanto a seus companheiros, intimados do espaço e materializados com o auxílio da substância primeva; como também, quanto ao destino do povo simiesco que você soube subordinar a si.
O jeito que você imprimiu ao exército de domínio das tribos selvagens, lançando as primeiras sementes da civilização, é um prova de suas habilidades de governador, e seria uma pena não as aproveitar.
- Algumas tribos ainda sobreviveram? – Indagou Abrasack inquieto.
- Sim, apenas as desfalcamos; uma explosão de seu número seria perigosa e desnecessária.
Os sobreviventes serão divididos em duas partes e mais tarde transferidos para a outra região do continente.
Como as mudanças climáticas influíram muito sobre o crescimento da raça, uma região de clima frio temperado acelerará sua extinção.
Com uma miscigenação intensa, mais tarde melhoraremos significativamente a espécie.
Por enquanto, esse povo simiesco está aos cuidados de Jan D Igomer; achamos, entretanto, que é de seu desejo levá-lo consigo – uma atitude justa e natural.
Uma vez que seus companheiros sempre trabalharam sob a sua orientação e conhecem seu sistema, estarão aptos a prosseguir na tarefa por você começada.
Seleccione seis deles para a função de responsabilidade, de tal modo que um par dirija os destinos das ditas populações de nativos, e os dois restantes o ajudem no governo da cidade e do vilarejo a serem fundados.
Os demais companheiros você pode levar junto com as respectivas consortes que você cuidou de lhes providenciar; elas contribuirão no desenvolvimento dos aborígenes.
Devo dizer que as uniões perpetradas sob constrangimento foram legalizadas e sagradas por rituais divinos, com a anuência dos cônjuges.
A propósito, está na hora de você também arrumar uma companheira – uma rainha para o futuro reino e mãe da dinastia divina.
Ofereço-lhe a oportunidade de escolher uma de nossas jovens e receber o consentimento de sua eleita.
- Já tenho a minha eleita, desde que você a aprove e eu possa merecê-la por esposo.
Gostaria de me casar com Avani.
Ela foi o bondoso génio que me auxiliou com seus conselhos; além do mais, foram as suas orações que me ajudaram a purificar a alma, iluminar a razão e domar-me a “fera”.
Sou o que sou graças a ela.
Nutro um grande amor por ela e sou infinitamente grato; se não houver nenhum impedimento, buscarei obter a aprovação dela.
Não sei se consigo, mas pelo menos tentarei.
- Tem a minha permissão, e espero que vocês se unam.
O amor e o reconhecimento são os melhores cúmplices na jornada da vida – concluiu Ebramar, e espero que vocês se unam.
Depois de discutidos ainda alguns detalhes relacionados às decisões tomadas, eles se separaram; Narayana levou Supramati à sua casa.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 22, 2016 7:26 pm

- Acho que Avani está com Urjane; vou lhe arrumar um encontro com ela para resolver logo a questão.
Não fique nervoso, sei que tudo vai dar certo.
Quando uma mulher se interessa tanto pelo destino do homem, e preocupa-se com sua recuperação, é que gosta dele.
Sua gratidão é uma bela oportunidade para consolidar a autoridade dela sobre o marido.
Nunca se esqueça Abrasack; a despeito da eminência espiritual da maga, ela jamais deixará de ser uma “filha de Eva”, por isso não tente traí-la; um dia, você há-de dar razão às minhas palavras.
Abrasack não conseguiu conter o riso.
- Bem, a lição que eu tive provavelmente me curou de toda a leviandade.
Avani está tão acima de mim que será difícil não me submeter à sua autoridade.
Deus queira que ela concorde! – Suspirou Abrasack.
Deixando-o numa das salas do andar térreo, Narayana foi ao quarto da esposa, quinze minutos depois ele retornou alegre.
- Vá até a varanda, lá você encontrará Avani, pronta para conversar!
Visivelmente perturbada, Avani estava acomodada na cadeira junto ao parapeito; ao lado jazia uma prenda, displicentemente largada.
Era um pano que bordava com fios sedosos e metálicos, um ornato de flores e borboletas do planeta extinto.
Abrasack aproximou-se célere, puxou uma cadeira e tomou-lhe a mão.
Pedi permissão para conversar com você sobre um assunto do qual dependerá o nosso futuro.
Eu a amo e ficaria infinitamente feliz tendo você como companheira de minha vida.
Espero não ser condenado por minhas palavras depois que de você testemunhar a louca paixão que tive por Urjane.
Juro-lhe que aquele sentimento impuro e criminoso foi dominado e esquecido; você da qual ousei fazer uma divindade, escravizou-me o coração.
Eu aprendi a dar valor à sua paciência, bondade, nobreza e inteligência notável, enquanto que sua autoridade dócil me tratou as feridas espirituais nos momentos mais difíceis.
Ele silenciou e fitou-a com olhar ansioso.
Avani cobriu-se de rubor.
- Não me venha censurar por ter tomado as dores de Urjane, a quem adoro.
Se eu tivesse reflectido melhor, como faria qualquer mulher sensata, não me teria oferecido ao inconsequente homem amado no lugar dela.
E, por sinal, a troca não o seduziu.
Aliás, devo reconhecer que você se saiu surpreendentemente dessa situação toda: renunciou a uma esposa normal, tornando-a uma “divindade”.
Foi uma ideia genial.
Avani largou uma risadinha; Abrasack também não se conteve.
- Uma vez que o meu orgulho foi poupado – continuou ela séria – não sinto raiva de você.
Aliviado e feliz, Abrasack a atraiu nos braços e deu-lhe um beijo, selando o consentimento.
No dia seguinte, conforme o combinado, ele foi a casa de Supramati para receber as devidas instruções de sua futura actividade.
Aquele trabalho o excitava; a missão confiada lhe abriria um vasto horizonte de obras dignificantes.
O mago o recebeu jovialmente e o fez sentar-se junto à mesa atravancada de manuscritos e aparelhos, cuja aplicação ignorava.
Depois de fazer algumas observações preliminares, Supramati abriu diante de Abrasack um mapa e disse:
- Estude esse mapa de seu futuro campo de acção!
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 22, 2016 7:26 pm

O país, como vê, é recortado por um grande rio; a terra é fértil, rica e boa para ser povoada.
Lá habita um povo primitivo, ainda que apto para receber os princípios da civilização.
Para auxiliá-lo, além de seus antigos companheiros, você levará alguns terráqueos.
Designe-lhes as tarefas que julgar necessárias e mostre-lhes o caminho a seguir.
Todas as ordens virão de você e eles deverão obedecer-lhe incondicionalmente.
Vamos lhe deixar um código de leis gerais que servirá de base para a futura legislação; cabe a você aplicá-lo conforme as características do povo nasciturno, herdadas de suas existências anteriores nos três reinos, e resultado das influências planetárias, cósmicas, cármicas, cliché astral, etc.
Sendo sacerdote, rei e legislador, você deve estudar todos esses detalhes para utilizá-los no âmbito da religião, ciências e artes, de forma que eles lhe sirvam de subsídio para o aprimoramento do povo.
Não será preciso dizer que tudo isso exigirá muita energia e paciência obstinada.
Devo acrescentar que no amparo da legislação se deve alicerçar a veneração à divindade, a consciência da vida além da morte e a responsabilidade pelos actos realizados.
O que é o bem e o que é o mal devem ser claramente definidos, para que os homens tomem conhecimento de que provocarão a ira Divina se desobedecerem às leis.
Sendo editadas para reprimir as paixões animais, responsáveis pelas desordens cósmicas – à semelhança da sujeira jogada no poço e que deixa a água fétida e saturada de miasmas nocivos -, estas leis devem ser tidas como divinas ou como mandamentos da Divindade.
Os ofícios religiosos, baseados num ritual especialmente desenvolvido, devem incluir actos de purificação.
É de conhecimento, a importância que desempenham, nestes casos, os cantos, os aromas, as recitações, cuja composição é direccionada para criar uma conjugação de sons que venham a atrair do espaço os eflúvios benéficos sobre homens, animais e plantas.
- Creio mestre, que determinados momentos da vida humana devem ser marcados com rituais cerimoniosos, principalmente o passamento, como um basta à impunidade terrena – observou Abrasack.
- Você está realmente certo, meu filho!
Todos os momentos importantes do ser humano devem ser devidamente marcados com um ritual; isso não é uma patranhada humana, mas se reveste de um profundo sentido arcano.
Assim, em primeiro lugar, é o nascimento, a junção do espírito com o seu novo corpo, que necessita da bênção, à semelhança de uma nova habitação que se quer ver acessível para receber os eflúvios das forças do bem; a segunda fase é a morte, uma separação do corpo terreno com o astral, que se desprende e começa a viver em novas condições, resultantes dos actos terrenos do homem.
Quanto às artes, necessárias para refinar os povos, as instruções lhe serão fornecidas por Narayana, assim como o manual arquitectónico.
A partir daquele dia, Abrasack pôs-se a trabalhar com entusiasmo.
Seu desejo era cumprir ciosamente todo o programa elaborado, como forma de corresponder às expectativas de seus mestres.
Certa tarde, repassando o mapa de seu futuro reino, Abrasack disse a Narayana:
- Você notou que essa região é muito parecida com uma de nosso velho mundo – o Egipto, para ser mais específico -, e que foi inundado na catástrofe, logo depois de você ter-me resgatado.
Narayana sorriu.
- Sem dúvida, existe uma certa semelhança.
De facto, esse sírio merece possuir uma civilização do mesmo modo grandiosa, uma ciência monumental e, sobretudo, que dure muito, pois nenhuma religião, nenhum sistema de governo, na nossa velhota Terra, jamais alcançou tal fôlego como o Egipto.
Segundos certos cálculos incompletos – e muitos confusos por sinal – de alguns historiadores egípcios e gregos, o Egipto teve seus monarcas nacionais – os faraós – por vinte e três mil anos; e o que é mais curioso; nos arquivos secretos dos templos, ainda se preservam dados bastante precisos, sobre as dinastias divinas, cuja origem data dos reinados seculares dos primeiros soberanos...
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Ave sem Ninho

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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 22, 2016 7:26 pm

CAPÍTULO XIII

Chegou finalmente o dia da partida de Abrasack, marcado também por duas consagrações: a de rei e a de seu casamento.
Ao interior do gigantesco templo da cidade dos magos, afluíram todos os seus habitantes; dois hierofantes introduziram Abrasack.
Após a missa cantada e as preces dos presentes, os hierofantes levaram Abrasack ao Sancta-Sanctorum, onde Abrasack recebeu a misteriosa sagração mágica que o qualificava a carregar o pesado fardo de rei.
Abrasack saiu de lá concentrado e visivelmente nervoso.
Trajava agora uma indumentária alva, orlada em púrpura; a cabeça adereçava uma larga coroa cravejada de gemas preciosas, do pescoço pendia um colar de várias voltas, e no peito luzia uma insígnia de ouro.
Nesse ínterim, dois jovens adeptos colocaram sobre um estrado, no centro do templo, um altar transportável, sobre o qual numa taça de cristal, tremeluzia uma chama.
Enquanto o novo monarca se encontrava no sacrário, Nara e Urjane trouxeram Avani.
Vestindo uma larga túnica simples, cingida por uma faixa dourada e encoberta por um véu prateado como névoa, a jovem estava encantadora, ainda que séria, pensativa, sem parar de orar.
Abrasack tomou-lhe a mão e ambos galgaram os degraus que conduziam ao altar.
Lá eram aguardados por um dos grandes hierofantes; este juntou sobre a chama as mãos dos noivos e recitou as fórmulas que os fundiram por laços fluídicos indissolúveis.
A chama de súbito se extinguiu e a taça se encheu de um líquido púrpuro, emitindo vapor.
Degustado o seu conteúdo, o hierofante lhes pôs as alianças.
Novamente, juntando-lhes as mãos, percorreu com eles três vezes em torno do altar, pronunciando solenemente:
- Como o Universo que gira em torno do centro arcano, morada do Inefável, assim vocês, partículas do Divino, orbitam pelo seu destino.
Que seja então a estrada da vida, a ser a trilhada em conjunto, eternamente inundada da luz clarifica do bem, e que ela os guie para o degrau seguinte da escada da perfeição.
Ao término do ritual, Avani desceu do estrado; um dos adeptos substituiu a taça pelo Código das Leis – um livro pesado e volumoso em ouro maciço.
Com a mão deitada sobre o livro, Abrasack pronunciou em voz alta, ouvida nas últimas fileiras, o juramento de cumprir escrupulosamente os mandamentos divinos, tanto na vida particular como na social, punindo severamente seus infractores, ou os que utilizassem os conhecimentos e o poder para o mal.
À cerimónia sucedeu-se um banquete e os presentes juntaram-se num repasto fraternal atrás de longas mesas, colocadas no pátio do palácio.
Abrasack e seus amigos, junto com as esposas, sentaram-se ao lado dos magos.
Ao término do almoço, Abrasack prostrou-se diante de cada mestre e agradeceu exaltado as graças recebidas.
Ao se despedirem, os recém-casados receberam um beijo fraternal de todos; os de Urjane em Abrasack deixou o novo monarca feliz e reconhecido.
Os viajantes acomodaram-se em várias aeronaves e a frota aérea alçou as alturas em direcção ao novo campo de trabalho.
Certa tarde, no gabinete de Ebramar, estavam reunidos alguns de seus amigos e discípulos, aguardando o retorno de Narayana e Udea de uma expedição importante.
Os dois chegaram logo; Narayana como sempre, alegre e animado; Udea, sério e pensativo.
- Cumprimos a incumbência, mestre – anunciou Narayana, com ar de satisfação.
Acabamos de dividir com o auxílio de nossos agrimensores, aquele território em dois grandes reinos: um para Udea, outro para mim.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 22, 2016 7:27 pm

Ao examinarem os planos do reino de Narayana, este apontou um local marcado com lápis vermelho e disse:
- Veja, Ebramar, aqui será lançada a pedra inaugural da capital.
O local é incrível e a localização é maravilhosa.
Das margens do mar sobe um altiplano com florestas na altura de quinhentos metros; mais para frente, estende-se uma cordilheira e há um enorme lago que pode abastecer toda a cidade; as montanhas podem abrigar templos e grutas para a guarda dos arquivos.
De cima, o panorama é grandioso, e, bem no alto, eu erguerei um palácio para mim.
Oh, espero que vocês gostem da capital “Urjane”, quando forem visitar o meu reino.
- Acredito que você vai se dar bem – assegurou Ebramar com sorriso matreiro.
- Não ria caro mestre.
Conhecem o meu gosto pelas artes e sempre me apoiaram nessa paixão.
E agora, gostaria de fazer-lhes um grande pedido.
Temos a sua promessa de visitarem nossos reinos para avaliar o trabalho feito.
Queria que aproveitassem a ocasião para abençoar o lançamento da primeira pedra da minha capital e do templo a ser consagrado às forças cósmicas, manifestação visível da obra do Inefável.
Qual a sua resposta, Ebramar?
Levarei seu pedido à apreciação dos hierofantes e, mais tarde, darei a resposta.
E você, Udea, tem algum pedido especial?
- Não. Estou inteiramente entregue à vontade dos mentores e ficarei honrado com sua visita – respondeu Udea.
Apoiado sobre os cotovelos, Udea parecia mergulhado em pensamentos profundos; Ebramar, ao observar-lhe o rosto pálido e preocupado, perguntou:
- Está pensando na partida?
De facto, acho que você deve assumir rápido o seu papel de rei e legislados – observou Ebramar.
- estou praticamente pronto.
A propósito gostaria de um conselho seu quanto aos terráqueos que planejo levar.
Ele leu alguns nomes.
- Sua escolha é acertada; melhor nem eu faria.
Mas você se esqueceu do principal assistente:
a sua rainha e mãe dos reis divinos, que se responsabilizará pelas escolhas das mulheres e todos os assuntos femininos.
Você já a elegeu?
Como é que você poderá governar sem uma companheira de vida e ajudante em seu trabalho? – Observou, severamente Ebramar.
Udea suspirou;
- Não tenho ninguém em vista; ademais, é uma escolha muito difícil, ainda que necessária.
Suplico-lhe, Ebramar, ajude-me nessa delicada questão! Temo que a minha longa e dura expiação me embruteceu a alma... sou insociável... de pouca conversa... e enfadonho, ou seja: serei um rei insuportável.
Que mulher vai me querer, tanto mais por séculos a fio, quanto mais são necessárias a tolerância e muito afecto?
- A existência dos defeitos denota, apenas que o mago deve corrigi-los – replicou Ebramar.
Mas voltemos ao assunto principal!
Pareceu-me que você tem um especial interesse por Ariana, filha de Sunacefa, a julgar pelo tempo que você lhe dispensa nas conversas, em comparação com as outras jovens.
- É verdade!
Ariana é encantadora e sabe ser alegre ou séria, quando as circunstâncias o exigem; achava, contudo, que ela se destinava a Sandira, filho de Supramati.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 23, 2016 7:37 pm

- Não nego que isso se cogitou, porém os planos foram mudados.
Tenho razões para achar que a jovem se interessa por outro.
- Ah, então isso também se aplica a mim? – Deixou escapar Udea, com uma expressão no rosto um tanto indefinida.
- Sem dúvida!
Mas imagine que pendor estranho o de Ariana!
Aquele de quem ela gosta é insociável, taciturno, até enfadonho, e decididamente será um marido insuportável; apesar de tudo, eu sei que ela ficará feliz em aceitar a proposta do seu admirador de pouca conversa, e o futuro não lhe sugere o menor temor – disse Ebramar, fitando com um olhar malicioso o rosto afogueado de Udea.
- Obrigado Ebramar!
Já que Ariana é intimorata, não custa pedir-lhe a mão.
Se ela aceitar um marido mocho, o problema está resolvido, e após o casamento poderei partir... – Concluiu Udea, visivelmente perturbado.
Dois dias depois, no palácio de Sunacefa festejou-se o noivado de Udea com Ariana e, um mês mais tarde, deu-se a cerimónia de casamento; poucos dias depois, as aeronaves lavavam a terceira colónia de legisladores para o seu campo de actividade.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 23, 2016 7:37 pm

CAPÍTULO XIV

Era um entardecer maravilhoso, tépido e calmo.
Os raios do sol poente brincavam aurifulgentes sobre os palácios coloridos da cidade dos magos; o ar recendia suaves fragrâncias de seus vastos jardins floridos.
No amplo terraço de Ebramar estava reunido um grupo bastante numeroso.
Além do anfitrião, lá se encontravam Supramati e Dakhir, alguns discípulos e amigos do grande mago, membros do colegiado dos hierofantes egípcios e representantes femininas da escola superior de iniciação, entre as quais Nara, Edith e Olga.
Terminado o jantar frugal, discutiam-se os detalhes da excursão planejada.
- Iniciaremos a visitação a partir do reino de Udea – dizia Ebramar.
Hoje de manhã, recebi uma comunicação de que nos estará aguardando nas montanhas, perto da cabeceira do rio que irriga a maior parte de seus domínios.
Depois vamos até Narayana, que me informou em sua carta estar ultimando os preparativos para nossa recepção.
O sol erguia-se inundando de luz o vale verdejante, recortado por um largo rio já navegável, a julgar pela existência de inúmeras embarcações atracadas na margem.
Pintadas de branca, proa alta curvada, elas estavam equipadas de baldaquins de pano para proteger os viajantes do sol abrasador.
Na margem ajuntara-se um grupo de homens em trajes simples e escuros, cingidos por cintos de couro com fivelas finamente trabalhadas.
Sobre um montículo, divisava-se Udea, trajando uma túnica alva, orlada em ouro, cingida por cinta dourada.
Seu belo semblante mudara muito. Tal como antes, ele esbanjava força e juventude, mas sua anterior expressão de cansaço e abatimento deram lugar a uma serenidade enérgica; seu olhar continuava severo, mas, nas profundezas dos grandes olhos, claros, luzia aquela tranquilidade que só uma vida feliz poderia proporcionar.
- Estão vindo!
Regozijou-se Udea, apontando para a aeronave que se aproximava célere; logo esta pousou perto do grupo de homens.
No balcão da proa estava Ebramar, em companhia de diversos magos e hierofantes.
Udea apressou-se em sua direcção e ajudou-os a desembarcarem.
- Bem-vindos meu amigo e todos vocês, estimados mestres!
Estou muito feliz por me terem honrado com a visita para ver a minha obra – discorreu ele, ajoelhando-se para receber a bênção dos mentores.
Ebramar ergueu-o e o beijou; todos os outros lhe depositaram também seus ósculos.
Udea apresentou seus companheiros, que se prostraram diante dos hierofantes.
De todos eles, sobretudo de Ebramar, emanavam luzes esplendentes; suas vestes pareciam cobertas de pó de diamante.
Ao término do cerimonial de recepção, Ebramar indagou:
- Bem meu amigo Udea, como é que você nos pretende transportar?
É para isso são os barcos, ou você prefere ir de aeronave?
- Se não se opõem, gostaria de levá-los até a capital pelo rio.
É a melhor maneira de conhecerem uma parte do país com as suas cidades; mais tarde, poderemos visitar outras províncias para terem melhor noção do sistema de governo vigente e seus resultados.
- Por mim, está bem, e acho que os irmãos também estão de acordo – disse Ebramar.
Assim, quando todos se acomodaram no barco, fortes remadores impulsionaram-nos céleres pela mansa superfície caudalosa, que aos poucos se alargava.
Ao longo de uma das margens, agrupava-se uma baixa cadeia de montanhas; no lado oposto, até onde a vista alcançava, estendia-se um infindável planície.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 23, 2016 7:37 pm

Ampla rede de canais de irrigação recortava terras bem lavradas.
De tempos em tempos, viam-se aldeias de características uniformes, e casinhas de telhado chato, isoladas por jardins viçosos.
As aldeias eram circundadas por enormes cinturões de árvores frutíferas, vergando sob o peso dos frutos mais diversos.
No centro de cada povoado, via-se, normalmente tingindo de branco, um prédio de alvenaria com um obelisco ostentando uma placa de inscrição; ao lado, sempre se localizava um prédio bem maior.
Ma margem montanhosa, pedreiras alternavam-se com extensos vinhedos; nos relvados, pastava o gado.
Era época da colheita de trigo e uva; por todos os cantos, o trabalho fervia; uns ceifavam e juntavam grandes fardos, outros colhiam as uvas.
Apenas esporadicamente, algum grupo de moradores olhava curioso para a frota, saudava o rei e prostrava-se diante daqueles “deuses” desconhecidos que o acompanhavam.
- Tenho a satisfação de ver que os seus súbditos não são basbaques, aparvalhados por qualquer motivo para largar o trabalho – observou Ebramar.
- Dei ordens para que o trabalho não fosse interrompido, assim vocês podem ver o povo na sua actividade diária.
Os mais curiosos são as mulheres, velhos e crianças – ajuntou ele, apontando para um grupo mais numeroso.
Parados na margem, os representantes daquela raça não primavam pela beleza.
Os homens trajando camisas de linho, eram altos, fortes e atarracados, rostos largos e imberbes, olhos pequenos e espertos, de tez escura, um pouco avermelhada.
As mulheres, de saias coloridas, também eram horríveis.
- Pelo menos você sabe ser obedecido, o que é um sinal de muito trabalho – considerou Supramati.
- Sim, esforcei-me ao máximo, e trabalho é que não me falta, graças a Deus!
Ainda bem que conto com o meu pessoal que me ajuda nas tarefas. Mesmo assim, receio ter esquecido de algo.
Talvez eu não tenha compreendido todas as instruções dos mestres: ficaria, entretanto, infinitamente feliz se a minha obra for aprovada.
- Pelo que acabamos de ver, você soube instalar a ordem, infundir a obediência e fomentar o progresso, levando o país à fartura, condições indispensáveis para solidificar a futura prosperidade da nação – manifestou-se um dos hierofantes.
Entrementes, os barcos avançavam rio adentro, a se alargar recebendo numerosos afluentes.
Agora, a corrente caudalosa, empurrada por uma fresca brisa matinal, já rolava com um rumor audível.
A orla montanhosa aconchegou-se ao leito e os morros deram lugar a rochedos graníticos de contornos insólitos.
- Estamos perto do principal santuário do país, onde se veneram os quatros elementos do pensamento visível do Omnipresente – anunciou Udea.
Todos os anos, para lá se encaminham grandes romarias, buscando a cura e outras graças dos deuses e espíritos cósmicos.
Que o povo adora.
Gostariam de conhecer o lugar ou preferem fazê-lo num outra ocasião, caso me honrem?
- Sem dúvida agora! – Quase em uníssono devolveram os magos.
Os barcos atracaram à margem, os magos desceram e foram recebidos em meio à profunda reverência pelas pessoas presentes; um grupo de mulheres entoou um melodioso hino solene.
Com Udea na frente, seguido de sacerdotes e sacerdotisas do templo.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 23, 2016 7:37 pm

Adentraram os magos o interior do rochedo, por uma entrada estreita que se trancava por fora com uma pesada travessa de metal.
Um corredor sinuoso natural conduzia a uma gruta de aspecto estranho.
Uma abóbada de colossais proporções perdia-se na escuridão; através de quatro fendas, dispostas em forma de crucifixo e correspondendo aos quatro pontos cardinais, filtravam-se feixes de luz de diferentes tonalidades:
vermelhos, azuis, brancos e amarelo-laranja, passando à verde.
Todas essas luzes se concentravam em torno de uma coluna de mármore branco; ela sustentava uma enorme esfera que tremeluzia feito mercúrio, cuja superfície oscilava e reverberava multicolor.
Nos fundos da caverna, à altura de alguns degraus do solo, erguia-se uma espécie de altar com estátuas ornadas de flores e envoltas em cortinas.
Os sacerdotes e sacerdotisas, postados nos degraus e em torno do altar, entoaram um hino aos deuses – senhores das forças cósmicas e servos do Grande Deus invisível, executores de Sua vontade e encarnação de Seu sopro divino.
Terminado o hino, Udea acendeu no altar ramos resinosos, verteu incenso sobre as chamas e depositou a oferenda frutas, mel e leite.
Era com grande reverência que os magos assistiam àquela primeira liturgia.
Udea cedeu o lugar para Ebramar e um hierofante.
Após uma prece silenciosa, Ebramar ergueu a mão, pronunciando palavras místicas e, no nicho sobre o altar, assomou-se no ar uma cruz branca reluzente.
Depois foi a vez do hierofante que ergueu as mãos para cima e entoando em tom pausado, uma prece sagrada, fez aparecer, de súbito, em torno da cruz, uma faixa larga de sete cores.
Udea agradeceu emocionado aos mestres a graça recebida; os magos, depois de abençoarem o público presente, retornaram aos barcos.
Por fim, eles chegaram à capital, espalhada por ambas as margens do rio.
Assenhoreando-se sobre a metrópole, erguia-se o palácio real e os enormes prédios das escolas de iniciação, de construção simples, mas, sólida.
As moradias, feitas de tijolos, também eram humildes, porém bastante amplas, possuindo quintais cercados por jardins, pelo visto, obrigatórios até aos habitantes mais pobres.
Aliás, toda a cidade parecia um jardim viçoso, tal era a profusão de plantas e flores.
Toda a população estava de pé, espremendo-se no caminho do cortejo que se dirigia ao palácio real.
Lá, por eles aguardava Ariana em companhia de dois filhos e uma filha; esta última e o seu irmão mais velho já eram casados e tinham crianças.
Após um repasto oferecido pela anfitriã, a maior parte das visitas se recolheu aos aposentos especialmente reservados para descansar.
No gabinete de Udea reuniram-se Ebramar, Supramati, Dakhir, Sunascph e outros íntimos do rei, encerrando-se então uma conversa amigável.
- Todo o seu rosto é uma expressão só de contentamento por ter derrotado as sombras do passado – observou Ebramar, sorrindo.
- Tem razão, meu mestre e amigo, estou tão feliz quanto o pode ser um mortal ou a um imortal – ajuntou ele, rindo.
Em Ariana não só encontrei uma excelente esposa e bondoso génio do meu lar, como uma colaboradora previdente e conselheira em meu trabalho.
Depois, adoro esta vida intensa; o país prodigaliza riquezas que quero ver usufruído pelo povo trabalhador.
Estou encantado como esta nação infante progrediu.
Agora aqui é um paraíso, comparado à época em que vim!
E aquele terrível isolamento em meio aos pântanos nevoentos, a luta inumana contra as forças da natureza!
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 23, 2016 7:37 pm

Agora tenho situação privilegiada; graças à ajuda de amigos e companheiros muito já foi feito, mas há muito mais por fazer, tanto é que sinto vergonha de descansar – confessou Udea.
O que vimos hoje já diz por si mesmo o quanto você trabalhou e avançou nesses últimos tempos – disse Supramati.
Aparentemente sua obra é magnífica; nada, porém, sabemos da estrutura interna e das leis que sustentam a ordem na própria construção – acrescentou ele.
- Entendo. Vocês estão curiosos com os aspectos éticos da minha obra.
Amanhã mostrarei aos mentores os estatutos legislativos e, na viagem pelo país, vocês terão a oportunidade de ver a máquina em funcionamento.
Com a permissão de vocês, gostaria de relatar sucintamente as minhas realizações e aproveitar para pedir alguns conselhos.
- É claro, faça isso!
Seu depoimento nos ajudará a compreender alguns detalhes – asseverou prontamente Ebramar.
- Agradeço. Assim iniciarei a minha história.
Quando vim para cá com os meus ajudantes, encontramos uma terra estéril e virgem, povoada por selvagens, seres no mais baixo nível da civilização.
Andavam nus, matavam a qualquer pretexto e eram canibais.
A situação era pior do que eu imaginava.
Entre os meus súbditos selvagens, havia remanescentes das populações dos continentes afundados, criaturas ainda mais primitivas, cujo aspecto medonho e ferocidade assustavam todos.
Minha primeira preocupação foi a de promover uma limpeza; assim, decidi aniquilar aquele povo inútil e incapaz, pela sua natureza física, de assimilar uma cultura mais elevada.
Era a parte mais difícil dos meus projectos, resolvi então, iniciar uma guerra.
Ainda que eu soubesse do axioma básico que proibia a prática de morticínios, não tinha como evitá-los em mundos tão ínferos, onde a guerra lhe era um atributo.
O gosto pela briga, o desejo cruel de tirar a vida de outros, remontam a tempos antigos e suas origens perdem-se no passado infinito.
Se, já numa gota de sangue, enfrentam-se ferozmente batalhões de glóbulos brancos e vermelhos, devorando-se uns aos outros, a guerra entre humanos é inevitável.
Meu intento obteve o resultado esperado; os monstros primitivos foram dizimados e os meus súbditos benignos se refestelaram com os corpos dos feridos e até mortos.
Decidi aproveitar aquele “banquete” canibalesco para dar o primeiro passo, na difícil e grandiosa transformação.
O expediente era cruel, mas eu não podia delongar, se quisesse atingir meus objectivos.
Fiz com que proliferasse uma repugnante doença contagiosa, que cobria de ulcerações todo o corpo, causando sofrimentos terríveis.
Achei um momento propício para consolidar o poder.
Todo o país foi dividido temporariamente e, províncias, governadas por meus auxiliares, que, após enfeitiçarem a imaginação dos silvícolas com os fenómenos paranormais, começaram a me enviar ajuda.
A metodologia era a seguinte:
os que se serviam da carne humana morriam, os que não a utilizavam em sua dieta acabavam sobrevivendo, ainda que fracos e doentios.
Sugeria-se que a causa das mortes era a utilização da carne humana, e que os cadáveres eram particularmente tóxicos.
As mentes obtusas puderam finalmente entender a mensagem:
não há nada como sofrimentos físicos para mudar as atitudes.
Assim, para a geração seguinte, a carne humana tornou-se aversiva.
Subdividindo as populações em tribos, concentramos nossos esforços para desenvolver a agricultura, pois era o meu objectivo educar os súbditos seguindo uma dieta baseada em alimentos vegetais, tornando-os pessoas pacíficas, activas e trabalhadoras, num ambiente sadio e limpo, preservado das influências demoníacas do mundo astral.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 23, 2016 7:38 pm

O alimento de origem animal é extremamente nocivo para a saúde do corpo e também o é sob o aspecto ocultista, pois o sangue dos animais sacrificados permite aos espíritos umbrosos condensarem seus corpos fluídicos, e, nos humanos, excita a crueldade em relação aos irmãos inferiores.
Tal condição é particularmente perigosa em relação às espécies animais mais evoluídos, uma vez que a ferocidade humana faz com que elas se convertam em seres satânicos, fervendo em ódio e ávidas de vingança.
O meu povo é vegetariano.
A agricultura, bem desenvolvida, propicia uma fartura de produtos; alcançamos grandes progressos mo cultivo de frutas, vinicultura, flores e fabricação de lacticínios; vocês devem ter notado a quantidade de gado, pastando, que nos fornece leite e lá para tecido.
Da pele dos animais perecidos, fabricamos calçados, cintos e outros artefactos.
Graças a tudo isso, a criminalidade é um fenómeno raro; para tanto, também contribui o sistema legislativo implantado, que impede a progressão de delitos.
As leis são severas, até crudelíssimas, em casos de abuso e desobediência; mas, na minha opinião, um sentimentalismo benevolente seria maléfico para um povo nesse patamar de progresso, ainda susceptível aos instintos sanguinários animalescos.
Assim, a primeira medida aplicada a quem pratica um crime faltoso é a sua expulsão da tribo, pois todo crime contamina, o respirar do criminoso exala miasmas putrefactos de desejos impuros, raiva, rebeldia contra as leis vigentes e hostilidade em relação ao próximo.
Tais indivíduos disseminam o contágio dos delitos; ao violarem as leis cósmicas, propagam-se as doenças hereditárias; torna-se então necessário isolar os agentes desta difusão.
Assim, em cada província existem instituições onde os criminosos ficam reclusos e coagidos a se arrependerem; só retornam para casa os que conseguem dominar as paixões e corrigir as faltas.
Uma atenção especial foi dada à religião, à devoção e fé nas forças divinas.
Lembram que disse em cada aldeia há um pequeno templo pintado de branco?
Pois ao seu lado sempre reside um funcionário, cuja atribuição é a de ser sacerdote, médico e mentor, dois ou três funcionários, dependendo da necessidade, administram a agricultura e a pecuária, cuidam dos assuntos de mineração, de ofícios e etc.
Diariamente, ao alvorecer antes do início dos trabalhos, os habitantes se reúnem no templo e, juntamente com o sacerdote, fazem as orações; em seguida, o superior ou o padre – como é chamado o sacerdote – lê aos presentes os 21 mandamentos divinos, gravados no obelisco, que rezam todas as obrigações do homem em relação ao seu próximo e à Divindade, de modo que os preceitos sempre estejam frescos na memória do povo.
Em sua função de médico, o sacerdote cuida da saúde dos paroquianos; como mentor ele os provê de noções sobre as plantas medicinais; aos que demonstrarem aptidão para a aprendizagem ele ministra as primeiras regras da escrita.
Os mais evoluídos intelectualmente são enviados para as escolas superiores, onde se formam funcionários de carreiras.
Todo o país é subdividido em 21 províncias, cada uma administrada por um governador e seus auxiliares; todo mês ele efectua uma ronda pelos seus domínios para inspeccionar os trabalhos realizados, resolver litígios e, se for o caso aplicar punições conforme a lei.
Vocês terão a oportunidade de ver a tranquilidade pública e como cada um desenvolve uma actividade segundo a sua aptidão; a vadiagem não é tolerada.
- Você nada nos disse da importância que se dá em seu reino às artes, ao poder de cura das cores, aromas... – Interpelou Dakhir, ao ver Udea muito pensativo.
- Devo reconhecer que em razão da pouca cultura do povo, as artes não têm se desenvolvido como deveriam.
A pintura é incipiente, a escultura e a arquitectura já evoluíram de modo significativo, pois tenho trabalhado muito para isso.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 23, 2016 7:38 pm

Cuidei que a música, essa faca de dois gumes, ficasse bem restrita a certas ocasiões.
Canta-se e toca-se harpa nas liturgias, festejos, danças, e após o término do trabalho, mas a musicalidade deixa a desejar.
Qualquer ritmo novo é submetido à regulamentação, para evitar que se excitem prematuramente tantos sentidos diferentes.
Para extrair os aromas, usamos flores.
Elas vicejam por todos os cantos, seu cultivo – obrigatório – é restrito às espécies permitidas, com base no critério da salubridade das fragrâncias.
Tanto no templo principal como aqui, no palácio, cultivamos as plantas que são usadas na magia superior.
Assim, há pouco tempo consegui produzir um curioso arbusto cujas flores irisantes cantam, ou melhor, geram condições vibratórias melódicas; se olor parece exalar respiração, condensando-se em gotículas de orvalho.
Preciso, entretanto, melhorar-lhe a tonalidade; falta também, aprimorar a transparência das gotículas aromatizantes.
Devo ter-me descuidado de algo e peço-lhes que me ajudem a solucionar o problema.
- Sem dúvida, faremos o possível para ajudá-lo neste trabalho tão útil e interessante, e que aprovo – assegurou Ebramar.
- Obrigado. Todas as actividades me dão muito prazer; tenho dó dos ignaros, para quem a natureza é surda e muda.
Que visão maravilhosa vislumbra aquele que alcança o saber e desenvolve os seus cinco sentidos, tornando-se capaz de aprender e enxergar tudo a sua volta!
Para ele, toda a natureza transborda de vida; cada plantinha respira, exala o seu colorido, o aroma e a luz; e quanto mais você aprende, mais descobertas faz e se fascina com a sabedoria inesgotável do Omnipotente.
O dia seguinte iniciou-se com a visita ao templo principal – uma edificação imponente e majestosas -, sustentado por colunas tetraédricas.
Seu interior era decorado por objectos sacros, no sacrário encontrava-se a imagem da Divindade abscôndita do povo.
Multidões densas de moradores apinhavam-se nas ruas e no templo, prostrando-se de joelhos com a passagem dos hierofantes, julgados divinos.
No centro do templo, as águas do reservatório eram tidas como consagradas por deuses.
Lá eram baptizados os recém-nascidos, após o que lhe davam os nomes; a mesma água era levada para curar os enfermos e benzer as casas.
Enfim, naquele tempo se atendiam a todas as necessidades espirituais do povo.
Agradáveis e suaves aromas impregnavam o local sagrado.
Adentrada a procissão, Ebramar ergueu a mão; chamas radiosas irisaram-se imediatamente em todas as trípodes.
Procederam-se então, à solenidade de oferendar flores, leite, vinho, manteiga e outros produtos da terra, entoando-se hinos a gloria dos deuses.
O canto dos sacerdotes e sacerdotisas destacava-se pela imponência da melodia séria e agia como calmante sobre o público presente.
Ao fim da cerimónia, enquanto Udea levava os magos para as escolas de iniciação masculina, a rainha foi mostrar para as magas as escolas femininas, em que ela era a mentora superior e onde se ministravam aulas de canto e harpa, juntamente com os primeiros ofícios e os fundamentos básicos de ocultismo.
- E então, meus ilustres mestres, terei cumprido suas prescrições sem omitir nada de importante nesta minha incumbência?
- Em nome de todos, meu filho, devo dizer que você solucionou, com muita sabedoria, o problema da educação da jovem nação – começou Ebramar.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 23, 2016 7:38 pm

E em muitas questões fez mais do que esperávamos.
Assim, com pequenos recursos e muita simplicidade, seus súbditos alcançaram um progresso incrível na arte de tecelagem, produzindo tecidos resistentes e bonitos.
Da mesma forma, podemos elogiar as artes aplicadas à cerâmica, as técnicas de tingimento.
Quanto a seus pomares, os resultados são ainda mais notáveis.
A árvore frutífera sem as sementes, que você desenvolveu, é uma prova de seu trabalho perseverante.
Tenho a impressão de que você se inspirou nas bananeiras do nosso planeta extinto, a julgar pela forma da multiplicação rizomática, ausência de sementes e de bulbo, e com uma raiz arboriforme.
Resumindo: só podemos elogiar-lhe o trabalho.
Seu povo, religioso, humilde e extremamente asseado.
Sobreviverá a muitos outros, ainda que o sobrepujem em termos de bem-estar material e riquezas.
Receba, pois, o galardão por seu trabalho secular!
Com a permissão dos hierofantes-mores, faço-lhe fulgir na fronte o segundo facho de mago.
Emocionado, Udea pôs-se de joelhos e, quando sobre a sua face flamejou o segundo facho dourado, Ebramar beijou o discípulo e disse:
- Que receba os meus louvores o primeiro monarca divino deste século de ouro; essas lembranças viverão na memória das lendas populares por tempos imemoráveis, rezando que houve um tempo em que os povos prosperavam e eram felizes, quando os deuses desceram dos céus para conversar com os humanos, governando-os e prodigalizando-lhes ensinamentos.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 23, 2016 7:38 pm

CAPÍTULO XV

No pináculo da montanha refulgente ao sol, como uma colossal safira em ouro, resplandecia o palácio real ao lado do templo de colunas vermelhas, como esculpidas de rubi, a entreverem-se por entre o verde exuberante dos jardins.
Três muros fortificados cingiam a cidade, dividindo-a em três partes concêntricas; aos pés de cada muro, largos canais alimentavam-se das águas, cujo curso, iniciando no alto da residência real, descia em cascata.
Além dos limites do muro inferior, espalhavam-se por todos os cantos as ricas vilas coloridas dos homens públicos, variegando feito inflorescências as alturas arbóreas do horizonte.
Era um dia de festa em Urjane.
Todas as casas – até as mais humildes, ribeirinhas, engalanaram-se em verde; as casas mais ricas foram decoradas com flâmulas multicores e coroas de flores, a cobrirem portas, paredes e telhados.
Toda a população estava de pé e as multidões alindadas reuniram-se nas margens do porto marítimo, agora riscado por numerosos barcos.
Outra parte dos moradores se apinhava ao longo de larga via e das escadarias que subiam do vale até a residência real, magicamente decorada.
No alto da torre astronómica do palácio tremulava a bandeira azul, tendo bordada em ouro um cálice encimado por cruz, que resplandecia, naquele momento, sob os raios do sol nascente.
Logo, no horizonte apontou um barco à vela, aproximando-se rapidamente do porto.
Era uma embarcação de beleza peculiar; toda entalhada em madeira, com desenhos em ouro, parecia uma jóia com velas vermelhas.
Na frente da ponte de comando, estavam em pé os magos e as magas, Udea com a esposa e outros viajantes, olhando curiosos para a margem a se delinear.
- Que vista maravilhosa!
Como é linda esta cidade que sobe em terraços por entre os jardins e as cachoeiras, encimada por um palácio mágico.
Não se compara à nossa, onde tudo é tão simples e bronco – observou Ariana.
Udea sorriu.
- Você tem razão.
Mas o que se há-de fazer, já que você escolheu um marido tão prosaico que prefere a praticidade à beleza; agora você terá de se contentar com o que temos; Narayana, como já lhe disse, é um mimo do destino; ele é um artista atraído pelo belo, como as abelhas por néctar.
É um verdadeiro herói legendário do porvir, cuja lembrança pairará na imaginação dos povos, envolta pelo véu enigmático dos contos de fadas.
- E lá está o próprio herói, vindo ao nosso encontro – ajuntou Ebramar, e, voltando-se para Ariana, completou – não compartilho de sua opinião sobre o reino de vocês.
Lá há muitos locais pitorescos de beleza selvagem.
Ele silenciou; o barco de Narayana acabou de se aproximar deles naquele instante.
Em dois pulos Narayana se viu na ponte e saudou respeitosamente os magos; beijou Ebramar, Dakhir, Udea e Supramati.
Estava radiante.
Sua felicidade se reflectia nos grandes olhos negros; os trajes de cavaleiro do Graal, que tão bem lhe caiam, acentuavam ainda mais a sua beleza clássica.
Aliás, ele fizera algumas alterações na indumentária trivial da irmandade.
Assim, no peito da túnica prateada estava bordada uma espécie de águia ou falcão de asas abertas e em cima de um elmo fulgia uma coroa pontiaguda.
- Se o seu reino ou capital que daqui estamos vendo, for tão gracioso, rico e confortável como o barco que nos veio buscar, é sinal de que a sua civilização é um sucesso – observou Ebramar, em tom brejeiro.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 23, 2016 7:39 pm

Mas, em sua agitação, Narayana não lhe notou a brejeirice.
- Sim mestre, fiz todo o possível e o impossível para evoluir rápido o povo.
Que raça maravilhosa!
Ela lembra os meus velhos conterrâneos, os gregos, um povo ricamente dotado, passional, guerreiro e impulsivo, que terá um futuro brilhante.
Quanto à riqueza e ao conforto, isso é o de menos.
O solo nos fornece produtos em abundância; os metais, a pedraria, na maioria dos casos, já se encontram em estado maleável, facilitando o uso.
Bem, já chegamos! – Disse ele, aproximando-se da borda do barco e erguendo o braço.
Imediatamente, um coral de inúmeras vozes fez retumbarem um hino de boas-vindas; a complexa melodia foi executada com rara perfeição.
No porto, perfilavam-se os guerreiros magnificamente adereçados em armaduras leves, reverberando em escâmulas, em seus elmos dourados e armados de lanças, espadas curtas de lâmina larga, arcos e aljavas de flechas.
As crianças cobriam de pétalas de flores o caminho das ilustres visitas; estas logo tomaram os assentos em liteiras transportadas por oito carregadores, e a procissão pôs-se a caminho, protegida por escolta e seguida por enorme multidão.
Em cada trecho da cidade, fortificado pelos muros, a procissão dos sacerdotes, sacerdotisas e magos era recebida com cânticos sob os acordes de harpas; os moradores prostravam-se de joelhos com aquela passagem.
Feles alcançaram o cimo e dirigiram-se inicialmente ao templo – um prédio monumental, construído de material transparente, lembrando rubi.
Na entrada, eram esperados por Urjane com seus dois filhos.
Ricamente vestida e irradiando a felicidade de reencontrar os pais e amigos, ela estava mais encantadora do que nunca.
Ao término da missa, todos se dirigiram para ver a cidade.
Muitas coisas pareciam ter sido inspiradas nas lembranças do planeta extinto, ainda vivas na alma de Narayana.
Assim, nos limites do muro superior, logo abaixo do palácio real, ele construiu um campo de hipismo, uma série de jardins públicos e outro edifício – uma ideia antiga, à qual dera uma solução diferente.
Era um hotel, um abrigo para viajantes estrangeiros, ou para os que ali passassem vindos de províncias afastadas do reino, onde se hospedavam como visitas do governo.
O prédio era colossal, com todo o conforto possível e adaptado para receber cerca de um milhar de viajantes, que ali poderiam hospedar-se em uma viagem de negócios, de uma semana a um mês.
Na cidade alta morava a maior parte dos funcionários públicos e localizavam-se as escolas de artes e ciências.
Atrás da murada seguinte, concentrava-se a vida industrial da cidade, já bastante desenvolvida.
Lá ficavam as escolas de ofícios e centros fabris de vestuário, tecidos, utensílios domésticos, etc.
Lá, também, encontravam-se as casernas, pois Narayana contava com um numeroso exército.
Aliás, dentro da cidade, aquartelava-se somente a guarda real, bem equipada e armada; uma parte dessa guarda possuía suas guarnições perto do palácio e seus destacamentos revezavam-se em vigilância.
O restante do exército era distribuído nas províncias e fronteiras.
Finalmente, dentro da murada inferior, assim como no vale e nas regiões à beira-mar, vivia a parte mais pobre da população, que ganhava o sustento da pesca e navegação.
Suas casas eram construídas mais próximas uma das outras do que nas fortificações de cima, eram mais humildes e não tinham tanto luxo; mas, de qualquer forma, eram bem limpas e possuíam jardim próprio, bem cuidado.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 23, 2016 7:39 pm

Para abastecer com água a imensa cidade, contando com cerca de cem mil habitantes, os engenheiros de Narayana valeram-se de um sistema bem engenhoso.
Do lago vulcânico puxou-se um duto até o reservatório especial, junto à base do altiplano em que se localizava a cidade.
Deste depósito principal, suspenso na rocha escavada, partia um outro duto, de quinhentos pés de altura, que elevava a água com pressão fortíssima até o local onde se encontrava o palácio real, sendo Dali distribuída para diversas partes da cidade, suprindo as casas dos moradores e os chafarizes públicos.
Os templos todos identicamente majestosos, eram servidos por uma casta especial de sacerdotes; o povo venerava o disco solar como símbolo do deus superior e invisível.
Esse disco, em ouro maciço, fora instalado de forma que nele incidisse o primeiro raio de sol do equinócio da primavera.
À noitinha, entabulou-se no terraço uma animada conversação a respeito das impressões dos magos sobre a cidade; estes inquiriam a Narayana dos detalhes do sistema de governo, dos aspectos relacionados com a liturgia e a fé professada.
- Para a casta de sacerdotes, ou seja, aos iniciados de nível inferior introduzi o culto ao fogo e ao sol, pois a luz e o calor constituem-se de símbolos mais adequados para a inteligência do povo infante intuir a causa da criação do Universo.
Não obstante o grau incipiente da casta sacerdotal, a esta foi sugerida uma simbologia mais significativa e profunda e precisa.
Assim, sem revelar a própria essência do mistério da trindade do Uno, aqueles símbolos se lhe representam o Ser Superior, em seu poder cósmico com Criador, Protector e Destruidor.
Acredito que eu não extrapolei os limites do meu mandato, revelando-lhes isso?
- Absolutamente! Gostaríamos até de conhecer melhor esse sistema de pré-iniciação.
- Elaborei-o de forma que os mais desenvolvidos em relação à multidão restante, os mais activos e os mais ávidos de ascensão, tenham a oportunidade de se enriquecerem com conhecimentos maiores.
Acabei também com os sacrifícios sanguinolentos.
As oferendas à divindade resumem-se a flores, frutas, leite e essências aromáticas; não consegui como fez Udea, proibir o uso da carne na alimentação.
A fartura de peixe no mar e nos rios é uma sedução para os meus pescadores; da mesma forma as florestas, repletas de aves, atraem os caçadores e fornecem ao povo carne de aves barata e sadia.
Não compartilho a opinião de Udea de que a carne seja tão nociva, e acredito que no futuro, não tão longínquo, seu povo dela também se utilizará.
- É possível, mas por enquanto, eles passam sem esse alimento que excita os instintos animais e a perversidade; espero que no decorrer de séculos de vegetarismo frutifique uma geração respeitada e pacifica.
Com o tempo, todo o nosso trabalho será esquecido e a vida humana tomará um novo rumo – sustentou Udea.
- De qualquer forma eu consegui enfraquecer o hábito à carne, ao instituir períodos de jejum; sem dizer que as próprias refeições são rigorosamente reguladas.
Não adiantava prescrever uma abstinência da carne, tal qual era na nossa pobre Terra; por conta da gula, criavam-se as iguarias das mais requintadas, e as pessoas enchiam o bucho imaginando manter o jejum.
Além disso, no período da iniciação, a alimentação vegetariana é obrigatória.
Tudo que no país existe, pertence a mim, ou seja: as colheitas, os pastos, o gado, etc., são uma propriedade do rei.
A nação é subdividida em trinta e duas províncias, cada uma tem o seu governador, por mim designado, responsável pelo bem-estar de seus súbditos.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 23, 2016 7:39 pm

O governador é assessorado por um conselho de camponeses, representantes locais de trabalhadores e um colegiado de iniciados, formado por um astrónomo e alguns cientistas na arte ocultista de invocação de chuvas e prevenção de cataclismos, ou seja, os controladores dos agentes que influem na vida vegetal e animal.
A maior parte dos produtos da terra é consumida na própria província que os gera, mas há também o escambo.
Uma parcela do que é produzido é colocada à disposição do rei e governo central; em seguida, a colheita da província é distribuída entre os camponeses, incluindo o governador, recebe o seu quinhão de acordo com posição, o que lhes assegura o devido bem-estar.
Qualquer aumento do volume da produção agrícola ou dos recursos naturais é distribuído proporcionalmente entre todos, assim o povo fica interessado no trabalho.
Até hoje esse sistema se tem mostrado eficiente e, em consequência disso, a pobreza inexiste no meu reino – muito menos a miséria, ou uma classe proletária, existente na nossa Terra extinta.
- Deus permita que o sistema governamental instituído continue a florescer duradouro!
Fazemos votos, também, que a classe governante continue ainda, por muitos séculos, imbuída de seu dever sagrado de servir ao povo, não largando desleixada a grandiosa missão sobre os ombros dos medíocres, entregando-se a rapinagem e à busca exclusiva de seu bem-estar e prazeres.
No dia seguinte, os magos promoveram visitações a várias províncias de Narayana, assim como o fizeram no reino de Udea, e convenceram-se da ordem e da abastança reinantes; não lês escapou também o facto de ser a população mais evoluída e agitada que os pacíficos camponeses e pastores de Udea.
No caso, a música tinha um papel de muita influência.
Em cada bairro havia pelo menos uma escola, onde se leccionava o canto e diferentes instrumentos.
O dia de trabalho findava, normalmente com cantos e danças; as festas eram marcadas por procissões religiosas cantadas; os bailados surpreenderam os magos pelo ritmo apurado e beleza plástica.
Na véspera da última viagem, à noite, Ebramar e Narayana encontravam-se sozinhos num dos aposentos do mago.
Narayana ficou observando o amigo e protector recostado sobre o parapeito da janela e mergulhado em profundos pensamentos.
- Querido mestre – disse ele após um silêncio angustiante -, por que essa sombra de tristeza a anuvia-lhe os olhos – estrelas que guiaram a minha vida?
Está aborrecido comigo?
Empenhei todas as minhas forças para fazer progredir o meu povo, concentrei todos os meus esforços e conhecimentos para apresentar-me diante de você dignificado pelo dever cumprido.
Ebramar voltou-se, olhando com amor infinito para aquele seu “filho pródigo”, arduamente conduzido pelos sorvedouros das tentações e fraquezas humanas; quanta alegria ele sentira ao ver surgir na fronte do filho espiritual o facho de mago!
- Não, meu querido filho, nada lhe tenho a reprovar, senão elogiar-lhe o enorme trabalho.
Gostaria apenas de fazer um pequeno reparo por certo descuido...
- Qual mestre?
Perdoe-me então essa falta involuntária! – Exclamou alarmado Narayana.
Ebramar lhe pousou a mão no ombro e disse em tom amigável:
- Tolo! Já lhe disse que nada tenho a reprová-lo, pois como culpar-lhe a alma ígnea, arrebatada pelas belas-artes, pairando sobre a turba que você foi obrigado a governar.
Eu mesmo gosto de pintar, e entendo o poder do belo e da fascinação que este exerce sobre a alma; não serei eu, então, a julgá-lo por não resistir ao acercamento das obras de arte, cujas marcas você ainda carrega.
Somente este compreensível e...
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 23, 2016 7:39 pm

Perdoável enlevo o fez se esquecer das normas de segurança.
Pense na quantidade de novos sentimentos que você despertou, prematuramente, na alma de seu povo!
- Entendo. Você fala de música, aromas e efeito das cores?
Acha que exorbitei dessas três poderosas forças, tendo em vista o despreparo do meu povo?
Mas eu reitero mestre, esta raça é extremamente dotada e só precisava de um empurrãozinho.
Pensei estar agindo certo ao despertar-lhes a razão, sacudir-lhes os sentidos, criar-lhes novos desejos, para obter os efeitos desejados.
Exemplo disso são as mulheres; belas e formosas pareciam estátuas vivas; não davam a mínima para sua aparência externa ou intenção de serem amadas, tampouco tinham a noção de sua graciosidade e beleza.
Por isso, pus para funcionar as vibrações sonoras que pudessem penetrar através do revestimento rudimentar e agitara alma, despertando nela novas imagens, e os aromas contribuindo com as vibrações.
Ebramar sorriu maliciosamente.
- Vejo que os tentáculos do passado ainda o envolvem; antes de qualquer coisa, você cuidou de desenvolver o belo sexo...
Concordo que a alma feminina deve encarnar os ideais em todas as suas formas.
Bem, isso não vem ao caso!
O problema é que você despertou demais este povo de seu sono embrionário, nele semeou desejos refinados e sensações além de seu nível.
Daí hão-de nascer às paixões e as lutas perniciosas, cuja consequência é a catástrofe cósmica.
Esqueceu você, por um acaso, que as colossais forças por você desencadeadas são uma faca de dois gumes?
Você sabe que a música – seu ritmo e sons – devem ser escrupulosamente dimensionados com a densidade do corpo astral, no intuito de evitar os malefícios; no caso das massas humanas, este princípio básico deve ser ainda mais rigoroso, pois uma excitação exagerada pode levar ao desequilíbrio e a toda espécie de efeitos nocivos, cuja enumeração seria por demais longas.
As vibrações musicais, pela acção que exercem sobre o corpo astral, podem tanto ser terapêuticas como danosas, acarretando enfermidades de pele, loucura e até a morte.
Ao mesmo tempo, benéficos e traiçoeiros são os aromas, não é por acaso que a produção e uso de certos aromas, especialmente fortes, eram segredos dos templos no nosso velho planeta.
Quanto à luz, esta dispensa qualquer comentário.
Até um pobre mortal sabe que sem ela a vida perece e que ela é capaz de cegar e matar.
Na nossa magia aprendemos a lidar cuidadosamente com essas duas poderosíssimas forças.
- Você está certo!
Agradeço pelo aviso e tentarei no futuro não me entusiasmar e agir conforme os princípios de razoabilidade e cuidado.
No dia seguinte, em sua última visitação, os mestres foram levados para uma ilha; de tão afastada que era, viam-se apenas o céu e o oceano.
Lá Narayana instalara uma colónia de correcção bastante original.
Enviavam-se para aquele local os infractores pelos crimes graves, dos mais incorrigíveis, sendo submetidos à coacção moral, baseada exclusivamente na conjunção das vibrações sonoras, aromas e cores, dentro de recintos especialmente adaptados nas grutas e celas.
Exaustivamente reexaminados, os resultados de tal sistema criam, porém contraditórios.
Havia casos de recuperação moral indiscutivelmente positivos:
uma grande quantidade de bandidos de alta periculosidade tornou-se equilibrados emocionalmente, certos instintos nefastos, vícios ignomiosos e toda uma sorte de perversões foram erradicados.
Às vezes, porém, o tratamento redundava em demência, idiotismo, doenças estranhas e mortes súbitas.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 23, 2016 7:40 pm

À noite Supramati passou no aposento de Ebramar e encontrou-o pensativo e preocupado.
Eles trocaram algumas opiniões sobre a inspecção feita e, principalmente sobre o método engendrado por Narayana de recuperar os delinquentes.
Ele está exagerando em se adiantar no tempo, fazendo experiências perigosas.
Quanta outra tolice ainda terá perpetuado, não estando eu aqui com vocês?
Sem dúvida, tudo que ele faz é original e engenhoso, como ele próprio, mas agora está se excedendo, repito.
Ele precisa de um amigo que lhe freie os excessos e guie esta força poderosa, inspirada nas melhores das intenções.
- Concordo. Com sua permissão, terei prazer de ficar aqui com ele e assumir a função de sumo sacerdote e hierofante.
Ele me confidenciou que ficaria feliz em ver um mago, hierarquicamente superior a ele, chefiando a sua escola de iniciação e a casta sacerdotal.
Ebramar estendeu-lhe a mão, fitando-o com olhar de gratidão.
- Aprovo a sua oferta e aprecio-lhe o sacrifício, resultado de seu amor por mim.
Consta-me ter você preparado para o seu futuro reino uma legislação tão sábia quanto erudita, e seria um sacrifício de sua parte desistir de uma actividade tão ampla e interessante.
- Não é sacrifício, é uma enorme felicidade proporcionar-lhe, meu grande mestre e benfeitor, ainda que um minuto de alegria, afastando-o de qualquer preocupação, justamente quando você está por nos deixar.
Além disso, será uma forma de retribuição a Narayana.
Devo a ele o que sou hoje; é a ele que devo agradecer por ter você como orientador.
Quanto à actividade de iluminador no país a mim designado, ela poderá ser exercida por outro mago.
Pessoas dignas e capazes não nos faltam, graças a Deus!
Ebramar levantou-se e abraçou-o.
- Agradeço Supramati!
Você realmente me proporcionou um minuto de grande felicidade, provando ter dominado qualquer mesquinhez humana.
Ainda hoje conversarei com os mentores, e não tenho dúvidas de que aprovarão a escolha.
Seu substituto será seu filho mais velho, Sandira, de cuja educação cuidei desde o nascimento.
Você lhe passará todos os seus projectos.
Mas ai vem vindo a nossa ventoinha – acrescentou ele, interrompendo as manifestações de agradecimento de Supramati.
De facto, no recinto contíguo ouviram-se os leves e apressados passos de Narayana e a sua voz pedindo permissão para entrar.
Mal este acabara de sentar, disse:
- Pelas suas expressões radiosas, porém nubladas, vejo, mestre, que os meus métodos correccionais não lhe agradaram.
Aliás, eu já estava prevendo a bronca, assim deixei a visita da ilha como surpresa derradeira.
- Já que você mesmo sabia de antemão que sua obra não agradaria, deixe-me fazer alguns comentários.
De um modo geral, a técnica empregada merece ser elogiada, contudo...
Só poderiam ser implantados daqui uns cem mil anos e, mesmo assim, entre uma geração de povo evoluído, tanto no plano físico, como moral e intelectual, principalmente.
Como prova disso, vamos recapitular os factos.
As curas observadas, ou melhor, as recuperações morais, foram raras, e todas se processaram nos descendentes dos terráqueos – rebentos de raças um tanto evoluídas; as que apresentaram melhores resultados foram justamente a de pessoas pertencentes às famílias dos iniciados de nível inferior, ou seja; os que já alcançaram algum progresso intelectual e físico, ainda que prematuro.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 23, 2016 7:40 pm

Quanto ao grosso de aborígenes, submetidos ao tratamento, você há-de concordar que os resultados são lastimáveis.
Nos casos em que predominava a técnica de vibração sonora, ocorreram muitas mortes súbitas, resultado do rompimento do ele entre o corpo físico e o astral, de flexibilidade e dilatação insuficientes.
Os fortes aromas, agindo sobre um cérebro obtuso e denso, incapaz de os absorverem, levam ao idiotismo ou loucura.
Um cérebro evoluído, habituado através do intenso trabalho mental à rápida e constante troca de substâncias, teria absorvido os aromas e assimilado os efeitos benéficos.
O que se refere às cores, cujo poder é suave, porém perigoso, elas podem desencadear moléstias de pele e outras manifestações estranhas.
- Ah! Acabei cometendo uma gafe; jamais pensei que era tão difícil dimensionar o conhecimento com sua aplicação!
Exclamou visivelmente decepcionado Narayana.
– Pobres dos meus sucessores, são eles que sofrerão as consequências! – Sentenciou ele, meio condoído, meio debochado.
- Ninguém está livre de cometer gafes ao longo de sua árdua ascensão.
Mas, com o objectivo de resguardá-lo de ocasionais erros futuros, deixo-lhe aqui um orientador, um amigo leal; seu amor iluminado e enorme saber o assistirá.
Supramati aceita a função de sumo hierofante, que você desejava que fosse exercida por um mago superior – anunciou Ebramar.
- Você quer ficar comigo Supramati?
Mas você ultimava os preparativos para ser o rei e o legislador de um povo já eleito! – Exclamou surpreso Narayana.
- Outra pessoa se incumbira disso.
Como Ebramar me considerou digno desse cargo e não há ninguém que me substitua, serei seu conselheiro, tão logo ele for embora.
Além disso, na qualidade de seu sucessor, tenho certas obrigações em relação a você – completou Supramati jovialmente.
Com o arrebatamento que lhe era característico, Narayana lançou-se em direcção à Supramati e abraçou-o fortemente.
- Obrigado, obrigado, meu amigo e meu melhor sucessor!
Não acho palavras para agradecer-lhe; minha felicidade seria completa se não fosse o peso da separação iminente de Ebramar.
Não me conformo com a ideia de não vê-lo mais, nem de só alcançar, ainda que mentalmente, aquelas longínquas esferas por onde ele ficará como um ser perfeito!
- Engano seu, Narayana, considerar-me um ser perfeito – observou Ebramar com sorriso melancólico nos lábios.
Apenas nessa terra ínfera eu posso parecer algo elevado devido à nossa ridícula vaidade de nos intitularmos de filhos da Razão ou de Luz; depois de deixá-los e estando num sistema planetário superior, em relação ao nosso, muita coisa inesperada pode acontecer, como a de tornar-me um reles ignorante diante dos obreiros que serão os meus mestres e me iluminarão.
Lá os meus conhecimentos de pouco me valerão, pois terei de pesquisar e aprender a controlar um aparelho cósmico bem mais complexo de que os nossos elementos, ainda muito rudes e pesados.
Nos sistemas superiores, a matéria cósmica é tão complexa em sua composição que terei de passar por um curso completo de aprendizado cientifico.
Sim, meus filhos, são inconcebíveis, grandiosa e enigmática a morada do Omnipotente e, no crepitar da criação ininterrupta e da devastação incomensurável, pululam bilhões de obreiros no espaço insondável.
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Ave sem Ninho

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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

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