Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 19, 2016 7:09 pm

CAPÌTULO VII

Enquanto Abrasack se preparava para a sua audaciosa incursão, e embelezava como podia, a futura casa da mulher adorada, na cidade dos magos festejava-se o casamento de Narayana com Urjane.
Urjane estava trajando uma simples e larga túnica alva, cingida de faixa da mesma cor; sua cabeça era coberta por um véu prateado comprido fixado com coroa de flores, em cujos cálices tremeluziam luzes azuladas, e do pescoço descia sobre o colo a insígnia de ouro que distinguia a filha do mago de nível superior.
Em companhia de seus pais, jovens amigas e colegas de iniciação, a noiva dirigiu-se ao templo subterrâneo, onde já se encontravam Narayana, Udea, Nara, Olga e mais alguns amigos próximos.
A cerimónia era celebrada pro Ebramar, postado junto à pedra mística, sobre a qual reluzia o nome do Inefável.
Diante de uma grande taça com a matéria primeva do mundo novo, que se inflama e ebulia, havia um cálice também cheio de uma substância que se parecia com fogo líquido.
O noivo e a noiva colocaram-se de joelhos e Ebramar abençoou-os, sob o som de um coral invisível a entoar um hino suave e harmonioso.
Em seguida, tirando com o auxílio de uma colherzinha de cristal o fogo líquido do cálice, ele o verteu sobre a palma de sua mão e, pronunciando fórmulas pausadamente, fez dele, inicialmente uma esferinha e, depois, moldando duas alianças, colocou-as nos dedos dos noivos.
As deslumbrantes alianças pareciam executadas em ouro transparente, reverberando tonalidades multicolores.
Moldando em seguida, da mesma substância, mais duas esferas, ele as colocou sobre as cabeças dos noivos; estas lhes encaixaram, ao derreterem.
Ebramar deu-lhes de beber da taça, e colocando a mão sobre suas cabeças, pronunciou majestoso:
- Uno-os para uma vida em comum e de trabalho.
Ascendam-se juntos à luz perfeita, ao Pai de tudo o que é existente, e obedeçam às sagradas leis imutáveis, instituídas por Ele.
Sejam dignos de gerarem de sua união, não só carnal e voluptuosa seres superiores, corajosos e fortes em seu percurso na luta do bem contra a “fera” do homem, que deverá ser subjugada nessa nova terra, onde temos uma grande missão por cumprir.
Terminada a cerimónia, Ebramar beijou os recém-casados e todos se dirigiram à casa de Dakhir, totalmente engalanada de flores.
Ali foram cumprimentados pelos cavaleiros do Graal, que se juntaram mais tarde no banquete, passado em animada atmosfera.
Cheda à noite, um bando de aves domesticadas, semelhantes a cines brancos, levou de barca os recém-casados ao palácio de Narayana; na entrada, foram recepcionados pelos discípulos do mago, prodigalizando-lhes saudações e flores.
Como na casa não existiam empregados, os jovens atravessaram os cómodos silenciosos em direcção aos aposentos.
Todo o dormitório era pintado de branco; tanto as paredes, como as cortinas e toda a mobília, impunham-se pela simplicidade refinada.
Num nicho, ornado de plantas, repousava o cálice dos cavaleiros do Graal, encimado por um crucifixo.
A partir do momento em que Narayana entrou no palácio deu-se nele uma visível mudança.
Do velho pândego e brincalhão, parecia não ter restado nada; seu belo semblante estava sério e concentrado, e ao olhar para a jovem esposa lia-se uma grande perturbação.
Urjane!
A felicidade de chamá-la de minha esposa é totalmente desmerecida – disse ele, apertando aos seus lábios a mão dela.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 19, 2016 7:11 pm

Apesar do facho de que me adorna fronte, em minha alma ainda se espreitam muitas fraquezas humanas, que tentarei dominar com a sua ajuda, pois Você é a própria encarnação da harmonia que emana de seus pais.
Que seja abençoada a sua vinda à minha casa, meu anjo querido, e seja paciente com seu consorte imperfeito!
- Amo-o como Você é, e acredito em Você tanto quanto em meu amor.
E agora venha, vamos elevar uma prece!
Suplicaremos ao Pai de todo o existente que abençoe o nosso trabalho no caminho da ascensão – disse Urjane, puxando-o em direcção ao nicho.
Com o término de todas as festividades, a vida na cidade dos magos transcorria normalmente.
As escolas de iluminação já funcionavam, e em todos os campos da ciência, de todos os níveis, os colonos trazidos da terra extinta trabalhavam com muito afinco.
Narayana, “mais humano” dos magos – como era definido por Ebramar – abriu uma escola especializada para o desenvolvimento do espírito artístico.
Dentre os terráqueos, ele seleccionou um pequeno grupo de pessoas talentosas, ao qual ministrava música, canto, declamação, escultura, pintura e arquitectura – tudo com base nas leis esotéricas da ciência mágica.
E para seu génio fecundo e pródigo, descortinava-se um amplo campo de trabalho.
- Você será um óptimo administrador – observou certa vez Ebramar, sorrindo com ar de aprovação, após ter visitado a escola destinada aos primeiros artistas dos templos e reinos do novo mundo.
Dakhir também tinha alguns discípulos, mas fora da escola, pois, como já havíamos citado antes, ele executava um trabalho importante.
Aos poucos Kalitin, tornou-se seu discípulo dilecto; sua humildade, aplicação e disposição para o trabalho de carácter científico, tornavam fácil o aprendizado.
Todas as noites, Dakhir costumava dedicar-lhe uma, duas horas de palestra animada e proveitosa.
Certa vez, Dakhir notou que seu discípulo estava meio ansioso e um tanto distraído.
Após lhe fixar um olhar perscrutador, Dakhir sorriu e disse:
- Estou vendo que Você tem um monte de questões.
Por que essa vergonha de perguntar?
Você sabe que terei prazer em respondê-las.
Kalitin enrubesceu.
- Mestre, você lê os meus pensamento, sendo assim...
Já sabe que eu tenho um discípulo...
- Bem e daí!
Não há razão de se envergonhar disso.
Ao contrário, eu aprovo que Você compartilhe, com um irmão pela humanidade, os conhecimentos que adquire.
E agora, quais são as suas dúvidas?
- Bem, ontem eu estava conversando com o amigo sobre a origem do homem, e Nikolai tem como parecer que todo o género humano, que povoa este globo terrestre, foi constituído de espíritos que vieram da Terra morta.
Eu tenho uma opinião diferente, fundamentada em alguns ensinamentos recebidos de você.
Gostaria de dar para ele uma explicação consistente e correta sobre essa questão interessantíssima, e também entendê-la melhor.
Talvez Nikolai esteja certo, já que nós os terráqueos, estamos aqui precedidos pelos pioneiros enviados da Terra, finalmente, sei que os exércitos de espíritos desencarnados vieram para cá para nascerem.
Assim, mestre, se a informação não for ilícita, e se Você se dispuser a livrar-me da ignorância, diga de onde provêm os espíritos que povoam este planeta.
Você está no caminho certo.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 19, 2016 7:11 pm

Os aborígenes que povoam este mundo são filhos daquela mesma Terra e alcançaram a espiritualidade ao passarem pelos três reinos da natureza.
Os espíritos cósmicos foram acompanhando a ascensão dessas massas espirituais, no transcorrer das encarnações inferiores, conquanto os pioneiros terráqueos viessem mais tarde.
Uma vez que nossa missão era a de civilizar este mundo, foi preciso antes que os seus habitantes se parecessem connosco, o máximo possível.
- Agradeço a explicação. Não poderá você me dar uma noção de como se processa a passagem de um espírito através dos três reinos.
- Terei de explicar-lhe para isso, a própria evolução do espírito em seu caminho de ascensão.
Muito do que direi, você já conhece, é claro; no entanto isso ajudará a dilatar os horizontes do seu amigo.
Iniciaremos a partir do momento em que o espírito é gerado ignorante, dotado, porém, de todos os instintos do bem e do mal.
Ele se encontra num estado de torpor; como se acabasse de acordar, da mesma forma, quando nascido em um corpo que o espírito não reconhece.
Assim que a faísca indestrutível lhe formar a individualidade, ela gruda – se assim podemos dizer – ao átomo da matéria, que é o seu corpo astral, o qual juntamente com a sua individualidade, se transforma e se aperfeiçoa.
Posteriormente, a faísca e o astral se unem à matéria mais simples e vulgar, a ele predestinada no planeta.
Assim aconteceu, a propósito, com as faíscas psíquicas que actualmente animam os aborígenes deste globo.
O facto de que no cerne de todo o organismo repousa um sistema celular, disso Você sabe.
Da mesma forma que um mineral é constituído de agrupamento de células, ainda que externamente se apresente denso, na essência é poroso e permite a penetração do ar.
O centro de toda a célula é uma individualidade ainda não revelada, cujo único propósito é o de ser uma corrente vital, ou seja, afastar ou atrair diversos fluídos, nocivos ou dispensáveis, para a manutenção ou alimentação deste mundículo.
Durante o tempo da permanência em meio inorgânico, a essência astro-espiritual revela a existência de instinto, ou daquele germe da instintividade, que no caso, a sua ciência denomina como o “meio químico”, que faz os corpos se atraírem, rapidamente ou lentamente, ou se separarem, na ausência de afinidade.
Ainda que esta existência inconsciente possa parecer incrivelmente longa, do ponto de vista humano, ela, apesar de tudo, apresenta-se bastante ténue e, para romper a ligação da individualidade germinada do seu centro, pouco é preciso, desde que ela não esteja muito presa à matéria pelos espíritos.
Assim, abalos atmosféricos fortes, terremotos, etc. precipitam a transferência desses habitantes invisíveis.
Biliões de intelectos, prontos para a partida, se libertam e são arrastados por turbilhões formados, e seu lugar é ocupado por outros, postados no primeiro degrau da existência.
Passemos ao segundo reino.
Na peregrinação da vida, passando por formas rochosas minerais, e assim por diante a faísca indestrutível, aos poucos, vai aliviando-se dos fluídos pesados e adquirem entre outros, o primeiro sentido – a impressionabilidade às influências externas – o tacto.
O mercúrio, por exemplo, sente as menores oscilações da temperatura.
Então, a faísca está pronta para passar ao nível seguinte, e testar-se no reino vegetal.
Com base na lei imutável, a tudo aplicável, toda a habitabilidade adquirida deve ser utilizada em busca do aperfeiçoamento, e cada propriedade atende a uma necessidade conhecida.
A impressionabilidade adquirida é utilizada pela planta pêra sentir o ambiente em volta e suprir as suas necessidades, pois todo o vegetal, até o ínfimo, deve crescer e sustentar-se ela alimentação.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 19, 2016 7:12 pm

O ser testa os seus primeiros passos visando atender a essas duas premências, já manifestando a sua capacidade instintiva de saber encontrar os elementos nutritivos, escolher os úteis, descartar os nocivos, adaptar-se ao meio ambiente, procurar por calor, luz, umidade, evitar os obstáculos ao desenvolvimento; enfim, há muitas provas de sua actividade racional embrionária.
Ainda com tudo isso, a sua individualidade não despontou, e a alma se encontra numa espécie de estado de sonolência, sem se dar conta de sua personalidade, ou seja, age por conta de suas emoções instintivas. Entretanto, o bem enraizado, com haste e folhas desenvolvidas, possui maior clareza da situação, e formam um mundo específico, pois a sua vida celular pulula de outras vidas invisíveis.
No reino vegetal também se desenvolvem os aspectos hostis, ou seja, um par de plantas pode possuir fluidos antagónicos; neste caso elas não se suportam.
No vegetal dessa forma claramente se delineia o modelo do futuro ser humano:
o vegetal toma água, alimenta-se, digere o alimento, dorme, possui um sistema nervoso, receptível aos fluídos, calor, frio, luz; consequentemente, ele está pronto para passar ao reino animal.
A vida animal inicia-se é claro, a partir das espécies menos evoluídas, que, aos poucos, adquirem a autonomia de locomoção.
Neste estágio, o instinto apresenta como um degrau à consciência e discernimento.
Para aperfeiçoar-se, trabalhar e desenvolver suas habilidades, no animal desperta duas grandes forças da natureza – o esforço e a auto-preservação.
Ele é obrigado a procurar alimento e defender-se dos inimigos, e, assim, reflectir, e até usar de artimanhas.
Mais tarde, inicia-se a necessidade de defender a fêmea e a prole, despontando também outra poderosa força-motriz:
o amor e a lei de atracção.
Neste período, começam a manifestar-se todos os gérmens do bem e do mal; o animal ama, odeia, torna-se predador, ciumento, grato, vingativo, lascivo e ambicioso, mas ainda não dispõe de livre arbítrio.
Seus defeitos e virtudes são tolhidos pela natureza, que o preserva de tudo aquilo que possa vir a ser nocivo, mas, ao se preparar para passar para a alma humana, e tendo adquirido as poderosas forças motrizes mencionadas na vida racional, no animal desperta a consciência da responsabilidade.
No carácter do animal, a sua personalidade já se acha nitidamente denotada, e, no nível de sua compreensão, ele sabe perfeitamente se age bem ou mal.
Além disso, nele assomam a teimosia, a indolência e a insubmissão, e ele conhece o medo da punição.
No animal, a consciência já se apresenta como uma voz interior incorruptível, que o leva à necessidade de cumprir com o dever, e constitui a base instintiva da consciência humana, ainda que num outro plano de desenvolvimento.
- Perdoe mestre, tenho mais uma pergunta:
possuem os animais uma linguagem espiritual, ou seja, podem eles, à semelhança dos seres humanos, trocar os pensamentos? – Indagou Kalitin.
- Sem dúvida, os animais têm sua linguagem espiritual, ainda que restrita, dependendo do grau de desenvolvimento em que se encontram.
Entenda bem:
em todo animal se espreita uma idêntica faísca psíquica divina, geradora do progresso de que é dotado um homem, ou até um espírito perfeito, em quem aquele deverá se transmutar.
Isto quer dizer, também, que existe uma raiz comum da linguagem de pensamento, na qual ele deverá se comunicar um dia; e estando no mesmo nível de seus semelhantes, ele se entende com eles perfeitamente.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 19, 2016 7:12 pm

- Possuem os animais a noção da morte?
- Um animal normal, ainda que de uma espécie bem ínfima, tem a noção da morte corpórea, por ele temida, visto que dela procura se salvaguardar.
Nos animais superiores, existe inclusive a consciência da Divindade, ou seja, da força da qual tudo depende.
Essa consciência, sem dúvida, é indefinida e obscura, mas, de qualquer forma, é profunda, de modo que num perigo ou desgraça ele recorre a ela.
Por falar da consciência da morte nos animais, devo mencionar que a sua percepção, no momento da passagem para o outro mundo, é idêntica à dos seres humanos, no mesmo nível de desenvolvimento.
Um animal experimenta o mesmo tipo de pavor, perturbação e choque forte, quando lhe é arrancado corpo astral; em seguida, vem o esquecimento.
Mas, por outro lado, o seu despertar no além e o retorno da consciência ocorrem mais rápido e mais facilmente do que quando se trata de um ser humano bestificado e onerado por delitos.
Agora, chegamos ao grande momento, quando começa a vida da alma humana.
- E ao momento em que a alma, por uma estranha casualidade, parece recuar; pois um grande número de seres humanos, principalmente os mais selvagens, é mais rudes, hostis, furiosos, vingativos e cruéis do que os próprios animais – Obtemperou Katilin.
- É verdade!
O espírito do animal, transmutando-se em humano, torna-se externamente pior, pois ele já não é contido pelas leis sábias da natureza que, até então, lhe criavam obstáculos intransponíveis.
Mas isso não significa, propriamente, que ele anda para trás, pois, nos recônditos de sua alma, espreitam- se as boas qualidades adquiridas; ele é arrastado até o entorpecimento da razão pelas paixões sórdidas desenfreadas, permitidas com total liberdade.
Somente com o tempo, em provações da vida, ele se acalma, aprende a se dominar, começa a encarar tudo correctamente e domina seus instintos.
Imagine, por exemplo, qua aos habitantes selvagens deste mundo, de repente, sejam revelados todos os mistérios da nossa ciência e eles se vejam detentores do poder de que dispomos.
Pense como eles utilizariam?
Aparvalhados, sem saberem o que fazer com eles, e não mais contidos por obediência obrigatória, tornar-se-iam insolentes, dissipadores, malfeitores, trazendo perigo tanto para si como para outros, enquanto não alcançassem o equilíbrio.
- Entendo mestre, mas eu ainda tenho uma questão jamais abordada por você.
Nós, os humanos, temos uma enorme graça, a de contarmos com os espíritos protectores, mentores invisíveis, que nos inspiram, apoiam e nos protegem dos inimigos invisíveis aos nossos olhos rudes.
E quanto aos animais?
Parece-me, já está escrito que eles se tornam humanos, que deveriam também ter uma protecção oculta.
- Totalmente certo!
Em todo o caminho da ascensão, a indestrutível faísca psíquica possui protectores, segundo seu nível de evolução.
Quanto menos for desenvolvido o espírito, menor será a delineação de sua individualidade e, consequentemente, a assistência a ele; mas, à medida que a consciência da individualidade o destacar das massas, ele será alvo das atenções.
Você há-de convir que compreender e orientar o espírito de uma ameba, por exemplo, é bem mais fácil do que fazê-lo com o seu, meu amigo, e por isso o seu orientador deve ter um feitio diferente.
Tanto nesta, como em outras questões da economia mundial, deve haver uma coerência.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 19, 2016 7:12 pm

Assim, para orientar os primeiros passos no reino animal, são designados os espíritos de animais, mas que estão muito acima no degrau da evolução.
Tal trabalho não só lhe desenvolve as habilidades, mas lhes serve de ocupação útil; ao mesmo tempo, eles vão retribuindo ao que antes usufruíram.
Devido a essa interacção imutável, a grandiosa evolução transcorre como um círculo vicioso, movida por um único princípio, progredindo lenta, mas firmemente; assim é, desde as almas que não têm a consciência de si, ainda insensíveis, mas ligadas ao átomo da matéria, que se ajudam que se apoiam uma na outra e, lentamente, vão tornando-se espíritos perfeitos.
A enorme espiral ascendente faz uma derivação, e aqueles que alcançaram uma determinada altura tornam a descer para trabalhar, velar e apoiar os que ainda estão subindo; o círculo é fechado, e este perpetuum móbile nunca cessa.
Dakhir silenciou pensativamente, Kalitin também se entregou a suas divagações; um minuto depois, ele observou:
- Obrigado mestre!
Quanto mais você me inicia nos mistérios da criação, tanto mais ínfimo e ignorante me sinto.
Cegos passamos ao largo da misteriosa escada da perfeição, que se desdobra dentro e em volta de nós.
Ao abrangermos com o olhar o passado e fitarmos o que ainda nos resta percorrer, começamos a nos dar conta da sabedoria infinita, que criou esse movimento governado por uma lei simplíssima, que mantém em perfeito equilíbrio os seus efeitos, tão variados e numerosos.
- Sim meu amigo!
A sabedoria do Ser inefável é para nós que somos simples átomos, inconcebível ainda que Sua bondade infinita nos tenha provido de forças para ascender e juntar-nos a Ele pelo arrebatamento da alma.
Aqueles que, em sua ignorância, rejeitam a existência do Ser superior, empolados de sua pífia vaidade humana, e presos a divagações tolas, sempre me pareceram ridículos.
- Tem toda razão mestre!
Só a ignorância é capaz de gerar a incredulidade e a não-existência; aquele que compreende o quanto são sábias e maravilhosas as leis que regem o desenvolvimento da alma não pode ser ateísta.
Após uma breve reflexão, Kalitin acrescentou:
- Diga-me mestre, como a humanidade, pôde, após tantos séculos de progresso e trabalho mental, mergulhar naquele caos social e religioso semelhante ao que vivenciei, infelizmente na Terra extinta?
Não consigo imaginar como puderam chegar a esse ponto de decadência os seus discípulos, aqueles eleitos que tiveram a sorte de conhecê-los, de tê-los por mestres, e compreender as leis imutáveis que nos governam.
Até para os discípulos daqui, seres inferiores, mas iluminados por vocês, tal terrível decadência causa indignação.
- Nós, imortais, somos seres diferentes, arrancados que fomos pelo destino do seio da humanidade convencional; espero que nenhum de vocês se encontre no rol dos remissos.
- Remissos? Como compreende-lo, e o que eles fizeram para receber essa pecha? – Alarmou-se Kalitin.
Dakhir sorriu desanimado.
- Para esclarecê-lo, devo expor em linhas gerais a evolução cíclica da humanidade.
Ademais, no decorrer dos ciclos, que vão se alternando neste ou noutro planeta, a população espiritual vai mudando, e os mesmos papéis são interpretados por um novo elenco de atores, a galgarem a escada social do Universo.
Assim, a orgia que você presenciou não passou de uma repetição ampliada da sucessão de fatos semelhantes.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 19, 2016 7:12 pm

O quadro que eu queria lhe mostrar diz respeito ao passado remoto do nosso antigo lar, mas que se repetirá no futuro longínquo do mundo em que vivemos.
Nos tempos do porvir, quando a lembrança sobre nós for enterrada embaixo das cinzas dos séculos idos, preservar-se-á apenas, associada a nossos conhecimentos, as tradições populares, contos e lendas, longínquos, obscuros e incompreensíveis.
Assim, na época em que termina um determinado ciclo de grandes catástrofes, os atores do palco mundial dividem-se:
uns ascendem para um planeta superior, outros descem para terras inferiores na qualidade de promotores de progresso, e os terceiros, finalmente, ainda que evoluídos mentalmente, mas cuja moral ainda está longe do nível desejado, fica na terra, constituindo os assim chamados “anjos caídos” – um mistério que se repete em todos os mundos, tanto no nosso como nos sistemas a que correspondem.
Imagine, agora, que o ciclo se consumará; a divisão completou-se – uns sobem, outros descem, e os exércitos da terceira espécie recebem a ordem de seus juízes superiores e dirigentes, para que permaneçam na mesma terra, a fim de ensinar às pessoas, que acabaram de vir de um planeta inferior, tudo o que a razão dos primeiros já pesquisou, estudou e assimilou em termos da fé, da sociedade, da ciência e da moral. “Orientem essas mentes fracas e ensinem o que viram, conheceram e aprenderam” – essa é a sentença.
Agora, quanto aos “remissos”. Estes não parecem muito lisonjeados com a missão a eles confiada, ainda que grandiosa: sentem-se infelizes.
Estão longe de seus amigos, companheiros e até de desafectos, ou seja: de toda aquela família espiritual em que, por muitos séculos, concentraram a sua afeição ou hostilidade.
E você sabe que este último sentimento é causa de muitos aborrecimentos na trilha monótona de uma vida eterna.
Ambos riram da observação e Dakhir continuou:
- Então os nossos remissos, desgostosos e cheios de desdém em relação aos espíritos recém-chegados, são obrigados, por bem ou por mal, a se encarnarem entre esses.
Os espíritos que são arrastados, periodicamente, em avalanches racionais migratórias para um mundo novo, estão, em todos os sentidos, abaixo de seus antigos habitantes; eles se sentem deslocados, como que perdidos, sem saberem usufruir das benesses proporcionadas.
Entretanto, ainda que o manto carnal e o esquecimento contribuam em muito para não denunciar os “remissos”, eles não perderam a razão superior, o saber adquirido, a intuição, que lhes animam as recordações.
Tão logo os “remissos”, espalhados entre as massas, começam a se reconhecer um ao outro – não como pessoas individuais, mas como respectivos pares -, vão reunindo-se e juntando os fragmentos das tradições que se salvaram da destruição, formando entre si uma sólida corrente...
Tornam-se senhores de uma multidão ignara, à qual foram conclamados para orientar e prodigalizar os ensinamentos.
Cientes de que o poder sobre a consciência humana é o mais infalível, os “remissos”, astutos e ávidos por autoridade, restabelecem o sacerdócio e, dos fundos dos templos, envoltos em véu de mistério, governam os povos ingénuos, fazendo-os venerá-los e temê-los, já que intercedem por eles junto à Divindade, sem a qual não sobreviveriam.
Estes legisladores do novo ciclo se proclamam – e com fundamento, alias – representantes de Deus na terra.
Maus representantes, diga-se de passagem!
Não obstante, eles foram, de facto, designados pela vontade superior para orientar os irmãos menores, instituir a fé em Deus, as leis, traçar o caminho de ascensão à Divindade e impulsionar as ciências e as artes, das quais eram os curadores.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 19, 2016 7:12 pm

Mas, ao invés de tolerância e amor, que deveriam patentear os mentores dignos deste nome, os “remissos” dão asas à sua vaidade e egoísmo, dirigindo seu cabedal de conhecimento e forças da natureza unicamente para infundir medo, buscando solidificar o poder.
Dos templos têm saído todos aqueles que são indispensáveis na condução dos destinos dos povos – reis, sacerdotes, cientistas, médicos; mas todos eles ocultam ciosamente o seu saber; quando muito, compartilham, a contragosto, seus fragmentos, e, esteja onde estiver voltada a curiosidade arguta do irmão menor, este sempre se vê diante de um mistério impenetrável.
- Acho que não o estou entendendo bem – disse Kalitin, aproveitando de uma pequena pausa.
Parece-me que os servidores que você cita deveriam ser formados nos centros de iniciação...
Você parece culpar os “remissos” por esconderem os conhecimentos sob o véu do mistério, entretanto...
Ele silenciou confuso.
- Você quer dizer que nós também agimos assim, e não deveríamos julgar os imitadores? – Adiantou-se Dakhir, sorrindo zombeteiro, e fazendo afoguear-se o discípulo.
Não precisa se justificar!
De seu ponto de vista, você está certo; mas, sabe:
numa canção o importante é a afinação.
Medimos a verdade pela razão, e envolvemos em véu de mistério apenas as forças perigosas, pois, em mãos erradas, seriam nefastas e trariam inúmeras desgraças.
Entretanto, ficamos felizes em difundir a luz, e tentamos livrar da ignorância todos que nela se achem. Resumindo: buscamos discípulos voluntários, não rejeitamos ninguém com receio de rivalizá-lo connosco.
Preferimos elevar os espíritos, ao invés de mantê-los nas trevas, impedindo que satisfaçam a sede do poder e da ambição.
Quanto a reis, sacerdotes ou médicos, estes, sem dúvida, devem sempre estar acima da turba em relação a conhecimento, tanto espiritual como de carácter físico, e receber uma formação especial para cumprirem dignamente os seus compromissos sagrados.
Voltando à questão dos “remissos”, o lado positivo é que entre eles sempre se encontram espíritos muito evoluídos, que compreendem a sua destinação.
Justamente eles é que disseminam os ensinamentos para seus menores e aceitam discípulos, sendo ajudados por missionários.
Estes últimos, inspirados no verdadeiro amor ao próximo, saem da escuridão dos templos, anunciam as grandes verdades e propagam as leis imutáveis de concórdia e amor.
Entre esses missionários se encontram emissários divinos que abrem brechas de luz na escuridão e impulsionam o progresso por muitos séculos.
O tempo encarrega-se do resto.
Os graus de conhecimento que alcançam os povos e o sistema social, implantado pelos governantes para o seu próprio bem-estar, promovem o hábito, à ordem e contribuem para o desenvolvimento dos intelectos.
Assim, os mais enérgicos, persistentes e sensatos, ascendem-se a tal ponto que se tornam iniciados.
É claro que esses noviços, ainda são prepotentes e ególatras em compartilharem os conhecimentos e iluminarem os irmãos menores, esquivam-se, sob o pretexto do juramento de silêncio, exercendo um domínio ainda mais rigoroso de que o de seus predecessores.
Mas a brecha de luz está aberta, e o exército de mestres vai preenchendo-se de novos adeptos das camadas inferiores.
E mesmo entre os mestres há muitas transformações: um grande número, após cumprir sua missão, abandona o planeta; outros assumem alguma tarefa especial e, sob a égide de uma gigante descoberta, revelam ante os contemporâneos um segredo científico perdido ou esquecido.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 19, 2016 7:13 pm

Assim tem sido o desenvolvimento humano, iluminado e impulsionado para frente por missionários divinos; e toda vez que reacendem a luz da verdade, as trevas densificam-se e a fé começam a minguar.
Devo fazer aqui uma observação.
Os primeiros adeptos de qualquer revelação, ou, se quiser, de uma doutrina, ao vencerem o limiar da ignorância, tornam-se ciosos e moralmente altaneiros, propalando, de peito cheio, a verdade, e prometendo renovar o mundo.
Com o desaparecimento do grande pregador e de seus primeiros discípulos, os seres humanos habituam-se à luz; os seguidores ulteriores acabam por esquecer o terrível manto das trevas que enredava a humanidade, buscando, apenas, sem muito enlevo usufruir dos benefícios auferidos.
No homem, então assoma-se o mal; a luz, obtida com tanto sacrifício, torna-se um direito de poucos, que se vai esvanecendo até se extinguir por completo, em meio à total indiferença, descrença e rejeição...
Para você entender melhor, basta lembrar o que aconteceu na nossa amada terra morta, ou seja: como envelheceu, empanou e morreu Osíris, cedendo lugar a Júpiter, que, por sua vez, foi substituído pela doutrina divina de Cristo.
Observe também que, em todas as épocas de transição, os homens destronaram furiosos o que antes por eles era venerado; não existe nada sagrado para as mãos bárbaras dos fanáticos.
Mas esse desvario se volatiza rapidamente, e, no bojo de novas crenças transformadas, medram os imitadores do passado.
Mãos engenhosas, cabeças inteligentíssimas usurpam o poder e as massas ingénuas e ignorantes atam-se aos grilhões; então os que mais bradaram contra as atrocidades e despotismo dos templos, proclamam a intolerância religiosa, em todos os seus aspectos, e mantém a humanidade, por séculos, sob o mais cruel jugo espiritual.
Entrementes, nessa escola sanguinária, as habilidades se desenvolvem; até os de menor dom para o aprendizado alcançaram seus irmãos, e, respirando ódio e indignação, galgam os últimos degraus que os separam dos “remissos”.
Seus seres foram os que mais sofreram durante a longa jornada da árdua ascensão; seu intelecto, mais pesado e menos flexível, estava impregnado de vaidade e estreiteza.
Como certos, só existiam os seus conhecimentos, hauridos ao preço de muitos sacrifícios; eles só reconhecem o direito à existência naquilo que pudessem apalpar ou comprovar com seus instrumentos imperfeitos.
E, já que nenhum bisturi é capaz de descobrir uma alma na matéria dissecada, nenhum microscópio jamais lhe propiciou a visão de um corpo astral, e eles – muito menos – não estavam em condições de perceber o invisível, concluíram que só existe aquilo que se vê, descartando insolentemente qualquer princípio espiritual da criação.
Apresentando como explicação as leis da natureza – aquelas que conhecem, é claro -, eles propagam o materialismo; a não-existência toma o lugar de Deus; a intolerância científica, predecessora da intolerância religiosa, reina absoluta e...
Assim, chegamos até o fim de um ciclo.
As ciências exactas – cruéis, imutáveis e materialistas – crescem e florescem; mas em suas ramificações fenece a fé, a vergonha e as leis morais.
Desencadeia-se uma verdadeira orgia.
As descobertas se sucedem e a s terríveis forças da natureza são escravizadas para os trabalhos sujos; sem conhecerem as leis que governam os gigantes do espaço, estes são transformados em trabalhadores forçados; não lhes passa pela cabeça que pode acontecer o pior, como com o aprendiz do feiticeiro, que não conseguiu domar as forças invocadas.
Os conhecimentos esotéricos, dos quais lançavam mão somente em casos especiais, sendo transmitidos apenas ao círculo de pessoas de confiança, tornam-se património da turba; ao exorbitá-los, por conta de maus instintos desenfreados, a humanidade é levada à decadência, da qual você já foi testemunha.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 19, 2016 7:13 pm

Num átimo, surge uma nova catástrofe mundial, pondo fim à criminosa espécie humana, às suas ciências, delitos e abusos...
Nesta jornada da humanidade no decorrer de séculos, inserem-se à história moral e social dos povos, que se vão substituindo uns aos outros na Terra, durante o tempo de duração de um determinado ciclo.
É assim, meu filho, o caminho espinhoso das nações inferiores que ascendem à perfeição pela escada invisível.
Assim ele foi, e assim será; os intérpretes mudam, mas os papéis e as fraquezas continuam os mesmos.
E agora está na hora de nos separarmos.
Nossa conversa prolongou-se mais que de costume e, se você quiser outros esclarecimentos, poderemos conversar amanhã.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 19, 2016 7:13 pm

CAPÍTULO VIII

A vida na cidade divina corria tranquila, dedicada ao trabalho.
As escolas funcionavam bem; no grande templo, realizava-se um trabalho de grande importância.
Os hierofantes acharam que já era hora de serem instalados sacrários nas florestas e vales, onde a população pudesse elevar suas preces à Divindade, suplicar-lhes auxílio na dor, cura, cura de doenças, estabelecendo pela fé e orações um contacto indissolúvel entre a humanidade sofredora e as forças do bem.
Para tanto, estavam sendo fabricadas estátuas sagradas, que, mais tarde, seriam instaladas nas proximidades das fontes milagrosas, nas regiões prolíferas em ervas medicinais e demais locais de tratamento natural para a saúde.
A produção de estátuas era um ofício muito complexo, envolvendo um ritual mágico, e do qual só podiam participar os hierofantes-mores e as virgens de iniciação elevada.
Numa das grutas, junto ao templo, havia uma oficina iluminada por uma pálida luz azulada, onde se encontrava a matéria-prima de trabalho: minerais preciosos.
Certa feita, Supramati achava-se na oficina subterrânea com sete donzelas, vestidas, segundo o ritual, em trajes alvos, cingidas de cintas prateadas, e braços desnudados.
Supramati, também em traje branco e com a insígnia cintilante no peito, estava trabalhando ao lado de das enormes tinas, dispostas ao longo da parede.
À substância dentro da tina – algo como uma massa de farinha azul-clara – ele adicionou um líquido incolor de um frasco com rolha de ouro, pronunciando cadencialmente fórmulas mágicas.
O conteúdo da tina foi transferido para uma mesa de pedra e Supramati começou a moldar uma figura humana, de início muito rudimentar, em que se delineava apenas a cabeça e o torso.
As sete jovens, então, dando-se as mãos e formando um círculo ao redor do mago, entoaram um canto melodioso.
Quando aquele esboço da escultura foi terminado, Supramati pegou um pedaço da massa, reservou-o em separado, e sobre ele derramou algumas gotas da essência primeva, trazida do planeta extinto, e sovou a massa.
Depois, fez um sinal chamando uma das moças, e esta a repartiu em duas partes, sendo que de uma ele moldou o coração, e de outra – o cérebro. Supramati depositou os “órgãos” nos respectivos lugares do corpo da estátua.
Alguns dias mais tarde, esta já estava pronta.
A estátua representava uma mulher de beleza celestial, num traje longo e um véu comprido na cabeça.
Pelo acabamento e expressão maravilhosa do semblante, era uma verdadeira obra de arte.
À meia-noite, Supramati embebeu os olhos, as pontas dos pés e as palmas das mãos da imagem, com a matéria primeva, que ainda não perdera seus efeitos.
Feito isso, as jovens levaram a estátua para a gruta contígua, colocaram-na sobre um altar erguido à altura de alguns degraus, e, em torno dele, dispuseram trípodes, contendo galhos resinosos fartamente impregnados por uma substância vermelha, densa como o alcatrão, e que também continha a essência primeva.
Quando as trípodes foram acesas, todos se retiraram da gruta e trancaram a porta, para que, ao longo de três dias, ninguém entrasse lá.
Transcorrido o prazo, a gruta foi aberta e, em volta do altar, reuniu-se um grupo razoável de mulheres, com predominância das magas, mas também constituídas de discípulas da escola feminina.
Diante do altar, na frente de todos, estavam portadas as sete virgens que participaram da fabricação da estátua; encabeçava-as Nara.
Da coroa, que lhe adornava a cabeça loira, cintilavam feixes dourados.
As mulheres, segurando harpas de cristal, preparavam-se com as mãos nas cordas, aguardando o momento de começar o canto e acender as trípodes.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 19, 2016 7:13 pm

Nara pôs-se de joelhos e elevou uma prece, fixando o olhar sobre a estátua, que então começou a tomar um aspecto extraordinário.
O corpo, por trás do véu transparente, parecia arfar, como se ela respirasse, e os olhos aparentavam vida.
Nara ergueu-se e virou-se para as mulheres presentes.
Parecia transfigurada.
De todo seu corpo emanava uma névoa fosforescente, a respiração parecia abrasante, colorindo-se de púrpura; dos dedos delgados vertiam-se correntes de luz, e a cabeça cingiu-se de uma coroa ígnea.
Ela orava ardorosamente e, nessa poderosa súplica, clamava para a Divindade enviar-lhe seu reflexo, que se gravaria na terra, para proteger as criaturas humanas, os cegos e os pobres carnal e espiritualmente.
Ouviu-se então um violento estrondo, a abóbada partiu-se parecendo sumir; de cima jorravam torrentes de luz argêntea e, por sobre os feixes, cintilando feito neve sob o sol, foi descendo sobre o altar a imagem dourada de uma mulher de beleza celestial.
O semblante translúcido respirada de profunda tristeza; nos grandes olhos incrivelmente profundos, irradiavam-se benevolência e misericórdia compadecida pelas aflições e angústias do coração humano, que ela minoraria, já comovida por lágrimas que ainda jorrariam a seus pés.
À medida que se aproximava, o espectro parecia densificar-se e incorporar-se à estátua; a fronte e o peito e no lugar em que se localizavam o cérebro e o coração – como que se inflamaram momentaneamente, envolvendo toda a figura por um clarão aurifúlgido intenso.
No mesmo instante, os braços da estátua ergueram-se e ficaram na posição aberta, como para atrair os que dela se aproximassem, e em seus olhos fulgiram fagulhas de vida.
Após entoarem um hino de agradecimento, as mulheres retiraram-se da gruta.
Alguns dias depois, uma longa procissão de sacerdotisas deixava a cidade dos deuses e dirigia-se aos vales.
Umas carregavam alguma coisa embrulhada num pano de linho; outras se revezavam no transporte do andor, onde se via um objecto comprido e volumoso coberto por um manto prateado.
A manhã prometia um lindo dia; uma brisa fresca balouçava os longos véus transparentes e as vestes alvas das moças.
Ao descerem do platô, onde se erguia a cidade dos magos, a procissão tomou uma trilha e adentrou corajosamente a mata virgem.
Aparentemente o caminho lhes era conhecido e, após uma caminhada bastante longa, viram-se diante de um vale pitoresco.
Descendo pelo morro verdejante até o lago, cujo lado oposto era cercado de altos rochedos, as sacerdotisas voltearam o lago, até saírem na entrada de uma gruta oculta por parreiras silvestres.
A gruta era espaçosa e, pelo visto, especialmente preparada; no fundo, à altura de três degraus, assomava-se um altar de mármore, acima do qual se via um nicho alto e estreito.
Colocado o andor ante o altar, e retirado o manto, lá estava à estátua, que foi imediatamente instalada no nicho.
Acima daquela depressão, havia uma fenda ou rachadura, através da qual escapava uma claridade; subitamente, esta foi substituída por fulgores de raios solares, iluminando a estátua e toda a gruta com uma maravilhosa luz azul-safira.
Do paredão da gruta jorrava uma nascente, cujas águas cristalinas escorriam para um tanque natural e, através deste, desaguavam no lago.
Nara aproximou-se da fonte, nela aspergiu algumas gotas de matéria primeva e, depois, borrifou copiosamente os paredões da gruta e a terra.
O líquido foi instantaneamente absorvido pela rocha e terra e, alguns minutos depois, a água no tanque pareceu entrar em ebulição, e colorindo-se de tonalidade azul-clara.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 19, 2016 7:13 pm

E – facto curioso – ao desaguar no lago, a água da fonte não se misturava com a dele, rasgando pregas em faixa azul, em direcção à margem oposta.
Nara continuou seu trabalho, auxiliada por outras sacerdotisas, que lhe traziam frascos da matéria primeva diluída em proporções variadas, com a qual ela regava a terra em volta do lago.
Esses primeiros santuários, com suas fontes miraculosas, guardavam ainda outro objectivo:
os povos de primeira infância, ainda rudes por natureza, com seu intelecto obtuso e inculto, não detinham a menor força magnética, mediúnica ou intuitiva; no entanto, a partir daquela turba, formar-se-iam seres receptivos – clarividentes e saludadores -, ou seja, promover-se-ia a flexibilização de seus espíritos, apropriando-os para receberem o progresso.
A poderosa força astral contida na substância primeva, misturada à água das fontes, influiria sobre o corpo astral, resguardando-o das emanações mais vulgares, enquanto que o solo, impregnado por aquela incrível e tenra substância, produziria ervas e plantas – ou até influiria sobre os minerais – com vigorosas propriedades terapêuticas.
A utilização daquelas plantas, bem como os banhos em águas miraculosas, exerceria um efeito surpreendente sobre a população primitiva, fazendo com que ela fosse mais receptiva às irradiações fluídicas, aguçando-lhe bons instintos, permitindo aos magos ter influxo sobre seus organismos astrais, para, posteriormente, deles se utilizarem, na qualidade de um instrumento sensível e flexível.
Nos sacrários, semelhantes ao que foram implantados, viveriam alternadamente moças jovens ou mulheres, discípulas de grau inferior, com a missão de atrair, para o local, os habitantes dos vales e florestas, habituá-los a se banharem e tomarem as águas terapêuticas, a colectarem e utilizarem as ervas na medicina.
Depois de abençoar a jovem que ficaria na gruta, Nara retornou à cidade com as companheiras.
Cerimónias semelhantes a essa se repetiriam frequentemente; por todo o continente, em atendimento às determinações dos magos, foram sendo instalados aqueles sanatórios naturais, onde a humanidade sofredora poderia buscar um alívio para suas enfermidades.
Muitas daquelas fontes miraculosas de composição química complexa, e propiciadoras de cura para milhares de enfermos, são devidas às acções benfazejas dos antigos mestres primevos...
Entre as magas que trabalhavam na instalação das fontes medicinais, encontrava-se também Urjane, tendo liderado, por várias vezes, aquele tipo de expedição.
E eis que, novamente, ultimaram-se os preparativos para nova jornada, que se prolongaria por um tempo ainda maior, porque a gruta a ser inaugurada se localizava numa região bem afastada.
Para tal viagem, Urjane quis aproveitar a ausência de Narayana, que partiria com os alunos da escola de artes numa expedição para buscar materiais de que necessitava.
Para surpresa de Urjane, Dakhir lhe forneceu uma relação diferente das moças pessoalmente seleccionadas que a acompanhariam.
Logo após a partida de Narayana, o pai a chamou.
Dakhir estava em seu quarto, sentado junto à janela aberta, não estava trabalhando e parecia preocupado com algo.
Depois de beijar o pai, Urjane sentou-se à sua frente e, uma vez que seus pensamentos ainda estavam voltados para a determinação que recebera do pai pela manhã, perguntou-lhe imediatamente:
- Diga-me por que é que eu devo levar comigo as mulheres que não escolhi?
Com excepção da minha amiga Avani, todas as outras deixam a desejar, tanto em conhecimento como em grau de iniciação.
A vontade delas é menos poderosa e, assim, ser-nos-á mais custoso intimar a gravação divina.
Além do mais, nosso grupo é menor do que habitualmente.
- Suas observações são justas, no entanto, a ordem teve sem dúvida motivos muito importantes, e você deveria ter compreendido isso – retrucou, em tom severo, Dakhir. - Urjane olhou alarmada para o pai.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 19, 2016 7:14 pm

- Tem razão.
Perdoe-me a pergunta intempestiva!
Pelo seu aspecto sério, deveria saber que algo o oprime.
Não estaria você bravo por algum deslize meu, ou desapontado comigo por alguma coisa?
Talvez, devido à minha ignorância, eu tenha cometido algum erro.
Se não for o caso, o que poderia deixá-lo preocupado.
Já que somos imunes às fraquezas e inquietações humanas?
Não tememos doenças, ou morte, ao menos no futuro longínquo; somos imunes às desventuras, à malevolência, à hostilidade humana.
Um sorriso fugaz raiou pelo belo semblante de Dakhir ao ouvir aquelas palavras.
Ele afagou a cabecinha sedosa da filha e disse:
- Não querida, você nada fez de ruim e eu não tenho razões para algum desapontamento.
É verdade, nenhum dos infortúnios citados nos podem atingir; mas ainda sobram as provações, que tanto podem desabar sobre um mago, como sobre um mortal comum.
Quanto mais se ascende, tanto mais árduas são as provas na estreita trilha da ascensão.
Você se esquece de que a razão de termos evitado uma morte convencional foi a de nos tornarmos legisladores e iluminadores do mundo novo.
A vontade suprema colocou-nos nesta terra não para vivermos em palácios, gozar do luxo e beleza que nos cercam que nos propiciam graças aos nossos conhecimentos e à força mágica.
Não, estamos aqui para estabelecer relacionamento com povos rudes e selvagens, aptos, no entanto, a assimilar a civilização.
Esta humanidade, que levava até hoje uma existência praticamente vegetal, amadureceu, para ser dividido em nações, constituir reinos e, ao ser atingido o devido nível de seu desenvolvimento intelectual, iniciar o grande empreendimento espiritual de sua ascensão.
Dormente sem seu longo período vegetativo, o planeta deverá despertar para uma intensa actividade intelectual; concomitantemente, irromperão os conflitos ferrenhos das paixões – o orgulho, a vaidade, a hostilidade e outros instintos baixos.
Não obstante, este embate servirá de impulso ao progresso e forjará espíritos fortes que liderarão os povos.
Estamos, ainda, postados no degrau inferior da escada; mas, no primeiro abalo que sacudirá as massas humanas, é a você que o destino reservou o sublime sacrifício de suportar uma provação árdua, porém digna. Você se submete a estes desígnios sem rancor ou nojo?
Urjane levantou o olhar límpido e meigo.
- Sou sua filha, e submeto-me prontamente a qualquer sacrifício por você imposto; eu sei que você jamais proporcionaria algo além de minhas forças.
- Agradeço sua confiança, minha querida criança, e tenho certeza de que você estará à altura de sua missão, ainda que esta seja difícil.
Você ficará privada do bem-estar que desfruta nesta cidade divina; ficará longe de nós por algum tempo e num ambiente selvagem; terá de ser corajosa, amparar e liderar, utilizar sensatamente os conhecimentos e esperar, humilde e paciente, a hora de sua libertação.
E agora, diga-me, você se lembra de Abrasack?
- Aquele discípulo asqueroso de Narayana, que o rapinou e depois fugiu?
Sim, lembro-me dele.
Ele sempre me provocou aversão, principalmente no dia do meu noivado.
Abrasack veio com os demais discípulos para cumprimentar-nos, e, casualmente, eu interceptei o olhar abrasante, cheio de paixão impura, que me deixou arrepiada.
Mas Narayana sempre foi cego em relação a ele, embasbacado com sua inteligência – concluiu amargurada, Urjane.
Dakhir sorriu.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 19, 2016 7:14 pm

- Narayana não deixa de ter lá suas razões.
Abrasack é um homem de inteligência ímpar e de gigantesca força de vontade.
Infelizmente, sua moral é bem inferior ao intelecto; malgrado tudo, seus feitos serão enormes e seu nome legendário atravessará os séculos, ainda que hoje ele não passe de um criminoso, cego do orgulho e da paixão insana que você lhe inspira.
Para tê-la, ele está disposto a tomar o céu de assalto, mas antes irá raptá-la.
Um rubor intenso cobriu o rosto de Urjane, que se alternou por palor intenso.
E vocês permitirão este acto ignóbil?
Sei que não tenho direito de questionar a decisão dos mago-mores, mas em troca de que eles querem a minha vergonha?
Será que eu, indefesa, terei de ser entregue para saciar a paixão animal daquele homem imundo?
- Por certo que não!
Você será protegida contra a sua violência, dar-lhe-ei, agora mesmo, uma arma.
Traga-me a caixa esculpida que está na escrivaninha.
Deitando a caixa sobre o parapeito da janela, Dakhir abriu-a e tirou uma corrente de ouro fininha com um medalhão em forma de estrela, em cujo centro tremeluzia, reverberando, uma gotícula de substância estranha.
- Pendure no colo!
É um talismã muito poderoso, activado, toda a vez que a aura de Abrasack entrar em choque com você, fazendo repeli-lo.
Se você quiser que se ele se aproxime mais perto, para conversar ou apertar-lhe a mão, vire a estrela.
- E se ele perceber eu estou carregando o talismã...
Aquele animal irá arrancá-lo; ademais, ele é bastante esperto para conhecer a força mágica de um objecto da filha do mago de três fachos.
- Não tema, ele jamais saberá dele.
Para seus olhos, a estrela é invisível.
Quanto à forma de contactar-me, para conversar comigo ou Narayana, ou ver à distância o que por aqui acontece, não preciso lhe dizer, pois você recebeu uma iniciação suficiente e saberá se comunicar comigo para amenizar a angústia da separação.
- De qualquer forma, ficarei longe de você, da mãe e de Narayana por algum tempo, tendo que suportar a presença e a insolência daquele nojento – murmurou Urjane, e algumas lágrimas amargas cintilaram em suas faces.
Se ao menos soubesse quanto tempo duraria o meu expurgo! – Queixou-se ela.
- Durará tanto quanto durar a luta entre Abrasack e Narayana; o primeiro fará tudo para prendê-la, e o segundo para tê-la de volta.
Será a primeira guerra consciente no planeta, o primeiro choque armado, que fará despertar coragem, rivalidade, competitividade e orgulho, ou seja, os impulsos que reacendem as paixões e a potencialidade da alma humana.
- Mas de onde virão os exércitos?
Abrasack está sozinho, Narayana também.
Onde eles arrumarão guerreiros?
Os magos, é claro, não irão brigar, pois a sua potencialidade mental, graças a Deus, está bastante “desperta”.
Dakhir não conseguiu conter o riso.
- Não seja tão maldosa connosco, pobres magos, Urjane.
Quanto aos exércitos, fique tranquila:
estes se arrumam.
Abrasack não está sozinho, disso você se convencerá em seu palácio; os exércitos dele se constituirão de seres mais rudes e selvagens, mas que já estão trilhando o caminho do progresso.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 20, 2016 7:25 pm

Narayana, por sua vez, liderará as tribos educadas pelos missionários.
- Pobre Narayana, que terrível golpe será para ele a minha perda!
E se eu tiver que partir amanhã, conforme planeado, nem ao menos me despedirei dele!
Talvez o rapto intentado ainda demore a acontecer?
- Não estaria você acreditando que Narayana a deixaria viajar, se tivesse suspeitado da trama?
Não, ele é por demais “humano” e teria feito muitas bobagens.
O trabalho que ele vai ter para libertá-la lhe servirá de expiação; ele é teimoso, voluntarioso e tão seguro de si que não aceitaria sequer um conselho ou aviso, seja lá de quem fosse.
A dura lição, a ser servida por Abrasack, será proveitosa, e fará com que ele seja mais cuidadoso daqui para frente.
Urjane suspirou pesado.
- Obrigada pai, pelo aviso.
Pelo menos agora sei o que me aguarda e tentarei ficar à altura da missão confiada.
Dakhir lançou-lhe um olhar afectuoso.
A educação e a disciplina rígida na escola de magas tiveram seus frutos, semeando, na alma eleita, a submissão à vontade superior e a decisão firma e serena de aceitar a provação, que, por mais dura que fosse já era um passo à frente.
- Somos aprendizes do afã consciente no laboratório do Eterno e, por isso, o saber haurido, minha criança, não pode degenerar em orgulho e servir apenas em proveito próprio; nosso dever é levar a luz às trevas e ao caos, onde se encontram nossos irmãos inferiores.
Enquanto éramos fracos, ignorantes e incapazes de nos defender e nortear, éramos vítimas dos elementos, que nos dizimavam; agora os governamos da mesma forma que você o fará em relação aos seres inferiores.
Coragem! Estou plenamente convicto de que você suportará dignamente a provação exigida.
Despedindo-se meigamente dos pais, Urjane retirou-se.
Ela sentia necessidade de ficar sozinha e de orar; aceitava a prova de boa vontade, mas seu coração comprimia-se só de pensar em separar-se de tudo quanto amava.
Retornemos agora a Abrasack, que prosseguia febrilmente com seus preparativos.
O palácio já estava pronto, com excepção de alguns trabalhos em seu interior, que ofereciam muitas dificuldades.
Prosseguia-se também na construção de casas para os amigos, feita de dia, enquanto que à noite se trabalhava sem cessar, num dos salões da cidade iluminado por luz concentrada, no fabrico de móveis e louças, executadas a partir de metais preciosos, cujo grosseiro acabamento deixava a desejar.
Uma das grandes dificuldades era a fabricação de tecidos.
Não sabiam como produzi-los, tampouco dispunham de teares; entrementes, a roupa de Abrasack e de seus companheiros estava em farrapos.
Pacientemente, então, ele se pôs a pesquisar uma planta de cuja existência sabia, depois de ter lido a sua descrição num dos manuscritos de Narayana, versando sobre a flora do novo mundo; e, finalmente, acabou por descobri-la.
Crescia num lugar pantanoso à sombra dos penhascos que a protegia dos raios solares.
Os caules grossos vermelho-escuro rastejavam pela superfície; enormes flores brancas variegavam-se em filigranas coloridas; os frutos do tamanho de uma abóbora eram verde-cinza e possuíam um sabor acidulado, agradável e refrescante.
O mais curioso eram as raízes.
Da espessura de um braço humano, e áspero feito uma carapaça escamosa de tartaruga, elas se cravavam no solo pantanoso, findando-se em esferas ainda maiores que os frutos.
Quando cuidadosamente desenterradas, encontrava-se um material estranho que envolvia o caule, parecido com fios transparentes, e que podiam ser desenrolados.
Em cada uma dessa espécie de bulbo, havia de seis a dez metros desse material bruto, semelhante à gaze.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 20, 2016 7:25 pm

Depois de espalhado na terra, o material secava rapidamente e aumentava de espessura e ao contacto dele, podia-se facilmente tomá-lo por seda macia; se sobreposto em camadas, ainda em estado cru, a estratificação desaparecia e obtinha-se um material acetinado, que se fundia firmemente.
Era um tecido extraordinariamente resistente, de várias cores, dependendo da cor dos cálices:
rosa, lilás, amarelo-ouro e azul-turquesa.
Ao obter aquele tecido maravilhoso, Abrasack sentiu-se dono da situação, e seu contentamento não tinha limites.
Fez-se então uma grande reserva de plantas e foram fabricados tecidos de diversas densidades e aplicação.
Finalmente tudo estava concluído na casa de Abrasack, e os seus partidários ultimavam, caprichosamente, e como podiam a decoração.
Algumas das mulheres aborígenes foram ensinadas a fabricar pregos, feitos morosamente nas oficinas com maestria; eram utilizados para juntar tábuas e outros materiais.
Com satisfação mista de amargura, examinava Abrasack as moradias pobres e canhestras, onde pretendia instalar Urjane e suas companheiras.
Apesar da abundância dos metais preciosos utilizados na decoração, a visão do conjunto era desordenada e até risível; resumindo:
não passavam de moradias de selvagens.
E quando Abrasack imagina com que desdém e escárnio Urjane reagiria ao seu humilde “palácio”, ele enrubescia de ira; no entanto, nada o faria hesitar diante da decisão de raptar a mulher adorada.
Por ora, ela deveria contentar-se com se amor, e assim que a cidade divina fosse tomada, ele a compensaria pelas privações vividas.
Com a energia e a determinação a ele inerentes, começou a arquitectar um plano para raptá-la.
Na cidade divina seria inviável; mas ele sabia das intenções de instalação, nos vales e florestas, de santuários com as estátuas fabricadas em segredo pelos magos superiores.
Sem dúvida, tantos anos, após sua fuga, muitos sacrários deveriam ter sido inaugurados; talvez, por boa sorte, Urjane os frequentasse e visitasse os enfermos.
Ao partir em suas expedições de reconhecimento, ele sempre vestia a malha que o fazia invisível e aproximava-se dos arredores da cidade dos magos, montando Tenebroso, cuja visão não atrairia tantas suspeitas.
Ele se convenceu de que foram instalados numerosos sacrários bem afastados da zona interdita.
Mais tarde, descobriu que num vale entre montanhas, não longe do lugar onde ele tinha o seu quartel-general, os terráqueos estavam preparando uma gruta para um novo santuário, sob a direcção de um mago e alguns iniciados.
Escondendo-se numa fenda próxima, ele ouviu a conversa de dois jovens iniciados, vindo a descobrir que dentro de alguns dias se faria uma cerimónia, cujo turno de celebração seria de Urjane.
Ouviu serem citadas, também, algumas adeptas que a acompanhariam; Abrasack conhecia todas pessoalmente – eram belas como visões celestes.
Voltou para casa, felicíssimo – pelo visto as forças ocultas patrocinavam sua causa e a de seus amigos.
Após conversar com os amigos e discutir o plano do rapto, Abrasack achou por bem não se envolver directamente na acção do rapto da jovens sacerdotisas, pois tal violência poderia gerar a ira e a aversão delas. Ele ficaria de fora e, mais tarde, se apresentaria no papel de um libertador.
Decidiu-se, assim, que o aprisionamento seria feito pelos aborígenes, cujo aspecto repugnante, por si só, deixaria as mulheres em pânico.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 20, 2016 7:26 pm

Procedeu-se então, à selecção dos selvagens mais espertos; deu-se um grande trabalho fazê-los entender o que se esperava; mas, com ajuda de presentes, iguarias e promessas, eles acabaram seduzidos, e o medo de desobedecer fez o restante, pois Abrasack provocava um misto de pavor e fascínio nos selvagens, que habitualmente se submetiam tanto a ele como os seus companheiros.
Com dor no coração, Urjane preparava-se para a viagem, cujo fim lamentável já conhecia.
Depois de orar ardorosamente, percorreu o seu palácio mágico, sítio de sua felicidade e paz.
Visto que o local de destino ficava afastado, a estátua foi carregada para a aeronave; seria dirigida por Urjane e sua amiga Avani, que também já havia passado pela primeira iniciação.
Não seriam acompanhadas pro nenhum dos homens, já que a viagem não apresentaria qualquer perigo, pois as tribos selvagens das nações vizinhas eram tidas como pacíficas e de índole inofensiva; ademais, nutriam pelos seres superiores sentimento de respeito, medo e adoração, tendo-os como mensageiros da boa saúde e muitos benefícios.
Quanto aos animais selvagens, estes não lhes inspiravam medo, o aroma que emanavam, em consequência da matéria primeva tomada, punha-os em fuga desabalada.
Sem qualquer contratempo, as sacerdotisas chegaram ao local de destino.
A estátua foi instalada nos moldes do ritual descrito; em vista de algumas pendências a serem resolvidas nos arredores do santuário, elas teriam de prolongar a estadia por três ou mais dias.
No fim da tarde, as sacerdotisas retiraram-se à gruta para descansar e dormir; ao amanhecer, todas já estavam de pé, preparando-se para ir até um riacho próximo.
De chofre, viram aterrorizada uma multidão de seres jamais antes vistos, aproximando-se.
Um grupo de gigantes peludos, caras de macacos, armados de paus e maças atrás de cintos, vinha saltitando na direcção das mulheres.
Tomadas de terror, não tiveram tempo de fugir; os selvagens lançaram-se aos gritos sobre elas, e erguendo cada um nos braços colossais, as suas presas saíram correndo de volta.
Aos pulos altos, eles alcançaram a mata e nela se refugiaram com seus despojos.
Em vão tentavam as jovens resistir; nos braços fortes de seus raptores, elas pareciam bebés debatendo-se, e finalmente, mudas de pavor, todas entraram numa espécie de entorpecimento.
A viagem foi longa e terrível.
Os galhos rangiam sob os pés pesados dos gigantes; as árvores, que lhes tolhiam o caminho, eram arrancadas pelas raízes, feito feixes de palha.
Finalmente eles desceram até um vale, no fundo do qual se via um lago.
A descida era feita por sobre as rochas pontiagudas atravancadas, mas os colossos, com agilidade de macacos, transpunham-nas aos saltos, soltando grunhidos guturais de tempos em tempos.
Ao se encontrarem no vale, os silvícolas pararam indecisos; neste ínterim, do mato surgiu Abrasack com seus companheiros.
Fingindo surpresa, eles lançaram-se sobre os gigantes, sacudindo machados.
Largando imediatamente a preciosa carga, os raptores fugiram em debandada, soltando gritos altos.
Abrasack e seus amigos começaram então a erguer do chão as sacerdotisas.
Todos trajavam suas melhores roupas; Abrasack inclusive, vestia uma túnica prateada de cavaleiro do Graal, surripiada antes da fuga.
A aparência deles até que era decente, se não fosse chamuscada pelos olhares com que devoravam as belas donzelas a tiritarem junto a Urjane e Avani.
Tremendo e mal contendo a felicidade de ter, finalmente, conseguido a mulher desejada, Abrasack inclinou-se em reverência a Urjane.
- Permita-me nobre Urjane, expressar-lhe a minha estima e alegria por tê-la livrado das mãos destes selvagens.
- Ah, é você Abrasack?
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 20, 2016 7:26 pm

Agradeço-lhe muito, e devo admitir que essas nojentas criaturas que nos atacaram me deixaram morta de medo.
Mas quem são essas pessoas que o acompanham?
Por acaso pertencem a alguma raça do planeta extinto?
Não são os que trouxemos de lá!
- Não, são meus amigos e companheiros.
Mais tarde, contarei sua história; você e suas amigas devem estar exaustas de nervoso, assim, proponho que descansem.
Permita-me acompanhá-las à humilde casa do fugitivo banido, onde encontrarão um abrigo.
- Agradeço e aceito com prazer o convite – acedeu Urjane, em tom frio, mas, comedido.
O olhar devorador de Abrasack e os eflúvios de sua paixão tempestuosa, ao atingirem o organismo puro e sensível da iniciada, eram causa de esgotamento inexprimível.
- O caminho por aqui é difícil, assim, deixe-me oferecer-lhes os préstimos dos nossos cavalos alados – ajuntou Abrasack, soerguendo Urjane, que, no entanto, não esboçou nenhuma resistência.
Cada um de seus companheiros se acercou de uma sacerdotisa, e só então, verificaram que para uma delas, Avani, faltava o par.
Abrasack hesitou um pouco, mas logo propôs decidido:
- Levarei as duas.
Vamos chamar a condução.
Ele assobiou forte, secundado por seus companheiros; minutos depois, os dragões alados apontaram no céu e pousaram obedientes na terra.
Abrasack montou Tenebroso, acomodou na frente Urjane, e disse a Avani para instalar-se atrás, agarrada firmemente a ele.
O destacamento alçou voo.
Urjane estava calma e impassível.
Já esperava os factos, e a consciência de sua força, e a certeza na protecção do pai e de Narayana devolveram-lhe o equilíbrio emocional.
A provação começara, e ela só tinha de suportá-la condignamente.
Curiosa, ela se pôs a observar aquelas plagas ignotas sobrevoadas pelo dragão alado.
Logo eles alcançaram as florestas virgens infindáveis; Urjane surpreendeu-se com o facto de que em alguns locais, havia clareiras marcadas de palhoças rudimentares e de telhados chatos, habitadas pela mesma espécie de gigantes peludos que praticaram o rapto.
Após o pouso, Urjane viu-se diante da entrada de uma grande casa de telhado chato; alguns degraus de pedra branca conduziam a uma galeria, sustentada por colunas tetraédricas; uma porção de plantas, dentro de tinas, dava certa vida ao ambiente.
Abrasack levou as visitas directamente ao salão da casa; no centro via-se uma mesa, posta com antecedência, provavelmente para um banquete.
As louças de acabamento rude continham frutas, pão e legumes cozidos; em jarras esdrúxulas, sequiosas por parecerem requintadas, engalanadas por gemas coloridas, havia leite e uma bebida forte, produzida pelo próprio anfitrião.
Ao percorrer com os olhos aqueles manjares aparatosos, o semblante de Urjane franziu-se numa expressão de mofa; taciturna, deixou-se conduzir à cadeira, um tanto mais alta que as outras, lembrando uma espécie de trono.
Abrasack acomodou-se entre ela e Avani; todos os outros se sentaram de modo que uma dama fosse entremeada por um cavaleiro.
Pálidas, as pobres jovens lançavam olhares preocupados ora para os estranhos ao lado, ora pra Urjane; dominando a inquietude, esta aceitou a taça com leite e as frutas.
Meio sem jeito, Abrasack parecia examinar impacientemente a reunião, reflectindo na melhor forma de encetar uma explicação definitiva; em meio ao nervosismo, ele esquecera que a maga podia ler os pensamentos.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 20, 2016 7:26 pm

Urjane, subitamente interrompeu suas reflexões:
- Tudo aqui me leva a crer que vocês premeditaram o banquete.
Ouvi dizer que você é bastante bom na arte de adivinhação; não teria previsto o nosso infortúnio e a ida à sua casa?
O rosto bronzeado de Abrasack afogueou-se e uma centelha túrbida raiou em seus olhos negros.
- Você não se enganou nobre Urjane.
Realmente, eu previ sua vinda; saúdo, pois, todas vocês como bons génios, que vieram por um fim à nossa solidão, e que, com habilidade e beleza adornarão a nossa monótona vida de ermitões.
Impelidos pela vontade do destino a iluminar os povos inferiores, ainda em estado animal, não nos foi possível encontrar, em seu meio, as consortes que se nos adequassem.
Vocês resolveram o nosso problema.
Suas companheiras, criaturas elevadas, belas, feito visões divinas, se tornarão esposas fiéis de meus amigos; jovens, bonitos e enérgicos, eles não as desmerecerão.
De sua união advirão novas gerações divinas, que reinarão sobre esses selvagens civilizando-os.
Você, Urjane, será a minha rainha, e se quilo que eu lhe posso oferecer no momento parecer-lhe por demais escassos e míseros, no futuro, depositar-lhe-ei aos pés o mundo; por enquanto – ele ergueu a taça – bebo a saúde das divinas esposas e a este dia de nosso casamento.
Urjane ouviu-o sem interromper; entre as suas jovens amigas, ouviram-se choros e gritos de indignação.
- Traidor! Ingrato!
Você nos raptou com a ajuda daqueles servos asquerosos e, agora, você e seus torpes cúmplices querem abusar de nós?
Ou você se esquecer de que sou esposa de Narayana, seu benfeitor, que o armou da força da qual você exorbita? – Indignou-se Urjane, medindo Abrasack com o olhar cheio de desprezo.
Devolva-nos a liberdade, caso contrário o seu acto ignominioso poderá custar muito caro.
Abrasack cruzou os braços e, insolente e desafiador, olhou para Urjane.
- Se eu tivesse medo das consequências do meu acto, não teria fugido da cidade dos magos e... até hoje, não vejo razão para me arrepender.
Espero que assim seja para sempre.
Não se irrite Urjane!
Vocês e suas companheiras pertencem-nos irremediavelmente; milhares de servos meus, medonhos e terríficos, vigiarão o palácio e as casas de meus amigos, com ordens de acabar com quem quer que seja que ouse aproximar-se de uma de vocês.
Você e suas amigas serão nossas esposas; desista, desde já, de resistir inutilmente.
Amigos! Levem as suas eleitas para casa, tão bela e confortável quanto às circunstâncias o permitiram.
Muito em breve, as mãos das feiticeiras adornarão tudo com as suas maravilhosas obras artísticas.
Os cúmplices de Abrasack, que aguardavam febricitantes por aquele momento, arrebataram cada qual a sua sacerdotisa e levaram-nas embora, desconsiderando as lágrimas e a resistência desesperada das virgens a se debaterem em seus braços.
Sobraram no salão apenas Urjane, Abrasack e Avani.
Sobreveio um silêncio pesado.
Urjane levantou-se, empurrou a cadeira, e, recostando-se nela, ficou aguardando, serenamente, o desenlace, somente a sua respiração acelerada e a expressão de ira no olhar traíam-lhe a perturbação.
- Bem, Urjane!
Você se submeterá voluntariamente ou terei de usar a violência?
Você será minha, sem dúvida! – Asseverou Abrasack em voz surda.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 20, 2016 7:26 pm

- Não poderei ser sua esposa, porque estou unida a Narayana; e ser sua amante de espontânea vontade seria esperar muito de uma mulher honesta e, ainda, iniciada – sustentou calmamente Urjane.
O rosto de Abrasack incendeu-se, e, visivelmente furioso, deu um passo na direcção dela; nesse instante, porém, Avani se interpôs entre eles e obrigou-o a recuar.
- Pare criatura insana, e não agrave mais sua culpa com o crime irremediável de agredir a esposa de seu benfeitor!
Intuo-lhe a necessidade de ter uma companheira de vida; tome-me, então, em seu lugar, e solte-a para o marido e seus familiares.
Apesar da violência a que recorreu para se apossar de nós, serei sua esposa e tentarei amolecer seu coração cruel e moderar seus actos ousados.
Desista, Abrasack, da luta desigual contra os seres, diante dos quais você não passa de pigmeu!
Estabeleça o seu poder sobre estes povos primitivos, ilumine-os, sugira-lhes a Divindade e, talvez, seja-lhe perdoado este grande pecado, o da sua desobediência.
Não inicie seu reinado com este acto torpe e ingrato!
Abrasack recuou e, surpreso, fitou a jovem sacerdotisa de beleza encantadora em seu arroubo de generosidade.
Seu semblante, de lilás branqueado, repuxou-se num suave rubor rosa e, em seus grandes olhos, escuros como uma noite sem luar, lia-se a grandeza de sua alma pura.
Sim, ela era tão bela quanto Urjane, mas não lhe inspirava amor, enquanto que aquela que o odiava lhe escravizara a alma para sempre.
Ele suspirou e respondeu após um minuto de hesitação:
- Agradeço Avani, por suas palavras sensatas e pela oferta dadivosa, tão depreendida, mas não posso aceitá-la.
Amo Urjane desde que a vi, e este amor se tornou fatal em minha vida.
Foi ela a inspiração de todas as minhas acções; arrisquei tudo para conquistá-la e estou disposto a defender a minha posse com unhas e dentes.
Até hoje o destino foi meu aliado, e tenho certeza de que o será no futuro, para concretizar o planeado.
Já que a ventura a desobriga de ser a esposa de um mortal, eu a designo, Avani, como a deusa do templo por mim erguido, para o qual faltava uma sacerdotisa.
Você predestinada a ser sempre bela e jovem, reinará no templo, e o povo a endeusará; o povo lhe trará oferendas e venerará, em sua pessoa, a inédita beleza divina.
Bem, por hoje chega!
Sou generoso e entendo que você Urjane, deve habituar-se às novas condições de vida e ir descansar de tantas emoções hoje vividas.
Eu as acompanharei aos seus aposentos.
Ele tirou detrás da cintura uma pequena corneta e a tocou.
Quase imediatamente, dois colossos felpudos abriram uma espécie de Cortina, onde, por toda a extensão, perfilavam-se os asquerosos gigantes armados de paus nodosos.
Abrasack fez sinal para que as magas o acompanhassem, e elas o seguiram, submissas.
Cabisbaixas, atravessaram a galeria e adentraram um quarto espaçoso com uma porta e uma grande janela.
- Tanto ao lado da porta, como embaixo da janela, meus fiéis servos estarão vigiando; por isso, nem pensem em fugir – preveniu ele em tom ameaçador.
Fazendo uma mesura, ele se retirou.
Avani deixou-se cair sobre o banco de madeira e cobriu o rosto com as mãos; Urjane iniciou uma inspecção do ambiente.
Pelo visto, a decoração do quarto dera muito trabalho ao anfitrião.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 20, 2016 7:26 pm

Guarnições cinzeladas em madeira adornavam as paredes, ao longo das quais se viam algumas cadeiras, uma prateleira e um baú em ouro e prata; tudo, porém, eram artefactos deveras bisonhos.
Nos fundos, encontrava-se uma larga cama baixa com baldaquim e cortinas executadas no surpreendente tecido fabricado por Abrasack; dele eram também feitos os cobertores e os lençóis.
No centro do quarto, uma mesa com cestos continha frutas, uma jarra de leite, mel e um vaso com flores maravilhosas.
Terminada a inspecção, Urjane sentou-se ao lado da amiga e disse em, tom meigo:
- Não chore Avani!
Para suportarmos dignamente a provação, devemos ter coragem e sangue frio; chorar não adianta.
Deixe-me agradecer-lhe com um beijo a sua grandiosa abnegação.
- De que adiantou a minha boa intenção?
O teimoso patife não vai soltá-la, e para o cúmulo da insolência quer me obrigar a perpetuar uma comédia profana; representar a Divindade.
Jamais deixarei que isso aconteça!
Só de pensar em você, não consigo conter as lágrimas.
Urjane pensou um pouco e ponderou:
- Não se aflija por mim!
Eu saberei me defender desse paranóico e de sua violência.
Quanto à estranha ideia, que persegue esse déspota.
De fazê-la uma deusa, acho melhor consultar o meu pai, o que farei sem falta, assim que escurecer.
Assim conversando e consolando uma a outra, elas esperaram, pela chegada da escuridão completa; para desapontamento, num dos quartos fulgiu, subitamente, uma esfera eléctrica.
Iluminando o ambiente com luz prateada.
Apesar disso, Urjane, iniciou a invocação.
Mal acabara de pronunciar as fórmulas e desenhar os devidos sinais cabalísticos com o pequeno bastão mágico, que guardava atrás da cinta, ouviu-se um rolar surdo de trovão e um estalido; o quarto foi varrido por uma rajada de vento impetuoso.
Uma espécie de esfera irrompeu, então, chamejante e incandescida; rodopiou por instantes, envolveu-se de névoa esbranquiçada, densificou-se, tomou a forma humana e...
A alguns passos das amigas surgiu a figura esbelta de Dakhir.
Urjane quis lançar-se em seus braços, mas ele ergueu rápida a mão e disse:
- Não me toque, estou todo impregnado de electricidade.
Ainda que você não me tenha invocado directamente, vim para ampará-las, queridas crianças, e dar provas de que não estão sozinhas nem abandonadas.
- Eu sei pai, que estou aqui para cumprir os desígnios de que me falara; Avani, porém, sente-se muito deprimida, em vista do papel que o insolente quer que ela represente.
Desolada, Avani transmitiu sôfrega a conversa com Abrasack, no tocante aos seus planos com ela; Dakhir ouviu-a atentamente e disse em tom sério:
- Seu papel seria indigno e profano, se sua alma transbordasse de orgulho e atrevesse a se julgar uma divindade, ante a qual se prosternariam os pobres selvagens inocentes.
Desde que você, com fé e humildade no coração, ore por eles, cure, console e ilumine, utilizando seu encanto para o bem, terá cumprido a sua tarefa.
Outro propósito, não menos importante, será alcançado naturalmente, alheio à sua vontade.
Para a gente primitiva e bruta, você será a personificação da pura beleza superior, jamais vista.
Ao elevarem suas preces e contemplarem-na em adoração, eles gravarão a sua imagem, criando assim, as primeiras imagens astrais da beleza, que, por sua vez, se reflectirão em seus descendentes.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 20, 2016 7:27 pm

O aspecto deles é medonho, porque é fruto das forças brutas da natureza.
Sendo assim, eu acredito que você deve interpretar o papel que foi engendrado por este homem criminoso, mas genial, cuja falta de sabedoria é compensada por intuição espiritual.
Você, Urjane, também terá muitos afazeres por aqui.
A esta hora, você deve ter compreendido quais foram os critérios que orientaram a escolha de suas companheiras, compelida a serem esposas dos amigos de Abrasack.
Console-as e oriente-as, sugira-=lhes o compromisso de levar juízo àqueles homens, cultivando-lhes o espírito para o bem; que elas jamais venham a odiar ou pensar em vingar-se da violência praticada.
Os povos primitivos que as rodeiam se apresentam como um amplo campo de trabalho.
Aproveitando de sua influência sobre Abrasack, ou seja, da paixão que lhe inspira, você poderá orientar para o bem as enormes qualidades desse homem, logrando um grande feito.
Vocês têm tempo à vontade, pois não tangerão tão logo os grandes combates a marcarem uma nova era.
Para nós, imortais, o tempo é o que menos importa.
Eis aqui um pequeno presente para as duas, que lhes ajudará a consolidar a supremacia – prosseguiu Dakhir, colocando sobre a mesa dois frascos de cristal tampados com rolhas de ouro.
– Uma gota desse líquido diluído em um balde de água, é suficiente para se obter um remédio contra as doenças, ferimentos e assim por diante.
E agora, até a vista e sejam fortes!
Ele abençoou a filha e a amiga, desaparecendo em seguida.
Urjane e Avani habituadas às ordens dos magos superiores, graças à rígida disciplina e obediência irrestrita, nem pensaram em protestar.
Ainda aflitas, mas resignadas, conversaram por algum tempo, deitaram e adormeceram.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 20, 2016 7:27 pm

CAPÍTULO IX

Por alguns dias, as duas prisioneiras ficaram completamente sozinhas.
Nem Abrasack, nem qualquer das amigas delas, apareceram.
Todos os dias, de manhã, um dos amigos do anfitrião trazia, mudo, as refeições diárias; na galeria e sob a janela.
Os asquerosos serviçais do seu amo continuavam a vigiá-las.
Finalmente numa certa manhã, apareceu Abrasack, esbanjando contentamento, anunciando que o templo estava concluído e que fora buscar Avani para levá-la ao seu novo local de trabalho.
Sem trocar uma única palavra, Avani deu um beijo na amiga e saiu com Abrasack.
Ao deixarem a cidade, não muito longe dos muros de protecção, eles tomaram um caminho desértico atravancado de rochas, e deram numa fenda estreita, por onde passava uma pessoa magra de estatura mediana.
A fenda estendia-se por todo o maciço rochoso, findando num espaço aberto, no centro do qual havia uma cavidade na terra, em que se entreviam degraus grotescos de uma escada.
Após uma descida bastante longa através de uma passagem sinuosa, alcançaram uma abertura da largura de uma porta, cerrada por uma Cortina.
Assim que Abrasack a abriu, Avani estancou estupefacta.
Ela se viu diante de uma enorme gruta, perdendo-se ao longe, sustentada por colunas naturais e formando uma abóbada, como que numa catedral.
Por um estranho capricho da natureza, a luz que penetrava por uma fenda invisível era de um azul claro que conferia todo seu interior uma coloração celeste; a água transparente, de tonalidade azul-safira, que brotava de uma fonte farta, escorria borbulhando para um tanque natural no centro da gruta.
Que fim levava a água excedente – era impossível de saber.
Oculta por cortina, a entrada achava-se num nível acima do piso; ao lado, no interior de um alto e profundo nicho, divisava-se um baldaquim, em forma de um trono.
Em frente do nicho, na altura de dois degraus pétreos do chão, via-se um altar alongado, tetraédrico, de ouro maciço, entremeado por duas trípodes bizarras; sobre o altar, distinguiam-se ainda diversos objectos para o culto das oferendas.
- Descobri casualmente esta gruta e mandei que ela fosse transformada em templo – declarou Abrasack, transbordando de satisfação.
A minha intenção era prove-lo de estátua; antes, porém, o destino me enviou uma divindade em carne e osso.
Fizemos o máximo para dar uma ordem no templo.
Nele entronizada, sua missão será a de prodigalizar sabedoria espiritual ao povo, que a terá por deusa.
Só falta lhe mostrar agora as suas instalações de moradia.
Ele a levou a uma gruta contígua, também iluminada em azul, provida de tanto conforto quanto se podia oferecer naquelas circunstâncias.
- Naquela caixa, você encontrará diversos tipos de pó, ervas e tudo mais que precisar e posso lhe oferecer. – acrescentou Abrasack, apontando para uma grande caixa junto da parede.
Seu culto inicia-se com o nascer do sol e dura até as três horas da tarde; depois disso, a entrada do templo será proibida, de modo que você poderá descansar e fazer o que quiser.
Urjane vai poder visitá-la.
À noite, se quiser você poderá nos visitar...
Escoltada por guarda, é claro.
Seu serviço de culto começa amanhã.
Depois de fazer um gesto de despedida, ele se retirou.
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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 20, 2016 7:27 pm

Algum tempo depois, os selvagens começaram a se reunir em multidões, na ampla planície que se estendia defronte da entrada da gruta, atravancada tanto quanto nos picos da montanha, por enormes blocos de rochedo.
Lá estavam os habitantes da cidadezinha e de muitos outros povoados vizinhos; os que moravam mais afastados enviaram seus representantes para a reunião marcada por Abrasack.
A aglomeração dos gigantes penugentos agitava-se feito mar bravio; todos estavam ansiosos para saberem o motivo pelo qual o rei os conclamara.
Subitamente das alturas desceu Abrasack, montado no dragão.
Apeando no meio do descampado, ele anunciou altíssono ao povo que o grande Deus – sobre o Qual ele já lhes havia falado que governa o Universo, e quem com Suas mãos criara tudo que era visível, inclusive eles próprios – havia falado com ele, Abrasack.
Deus, que habitava atrás das nuvens, num palácio de beleza indescritível, proferiu que o povo Gaia (assim se chamavam os gigantes simiescos) se tornava digno, a partir daquele dia, de vislumbrar a divindade visível – filha única do grande Deus; ela desceria do palácio do pai, vindo a habitar o palacete subterrâneo, caminho que ele, Abrasack, lhes indicaria.
A essa divindade personificada e viva eles poderiam dirigir-se com os seus pedidos.
No dia seguinte, ao nascer do sol, ele os levaria aos pés da divindade, mas até lá deveriam permanecer ali no vale.
Ainda no momento em que Abrasack falava, nuvens escuras cobriram o céu, e desencadeou-se um temporal medonho; raios cintilantes rasgavam o firmamento em todas as direcções e os estrondos dos trovões estremeciam a terra.
A turba teria se dispersado aterrorizada, se não fosse uma ordem imperial que a pregara no lugar.
Por fim, ao amanhecer, a tempestade amainou e Abrasack ressurgiu.
Antes aterrorizou o povo, agora se pôs a acalmá-lo, explicando que a tempestade fora gerada pela descida dos céus da filha de Deus; que ele levaria os súbditos até ela, que ele atenderia às súplicas e auxiliaria em todas as suas necessidades.
Ao fim do discurso, ele levou a multidão à gruta, que apesar das dimensões, não tinha lugar para tanta gente.
Uma parte dos nativos ficou aguardando fora a sua vez.
Abrasack acendeu as trípodes, depositou flores no altar e, galgando os degraus, abriu à cortina, urdida com fios de ouro, ocultando o nicho em que se encontrava Avani.
Serena e concentrada, a jovem sacerdotisa fitou pensativamente a turba de gigantes medonhos a pulularem a seus pés; por ordem de Abrasack, estes se prostraram e prodigalizaram-lhe glórias em exclamações desconexas.
Alva, translúcida em suas vestes brancas, Avani, de facto, parecia um ser celestial aos pobres selvagens ignorantes.
Depois que todos puderam visitar a gruta e reuniram-se no vale, Abrasack, sem qualquer constrangimento, assumindo o papel de interprete da vontade divina, transmitiu-lhes que todas as manhãs, a partir da ascensão do sol – morada do grande Deus e Senhor do Universo – até o seu poente, a filha divina ficaria visível, e que todos deveriam lhe levar oferenda, diariamente, flores ou frutos, expondo diante da divindade as suas necessidades, enquanto que os enfermos teriam de se banhar no reservatório natural.
Ao retornar para casa, Abrasack decidiu visitar Urjane.
Com Avani afastada, ele tinha o caminho livre para a felicidade.
Urjane, sentada à janela, parecia mergulhada em reflexões tristes.
Com o aparecimento de Abrasack, ela levantou-se e mediu-o com o olhar severo e frio; ele aproximou-se e fitou-a, cheio de paixão.
Uma força desconhecida parecia mantê-lo distanciado; mas, absorto em seus sentimentos impetuosos, ele nem sequer notou o facto.
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Ave sem Ninho

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Re: Conde J. W. Rochester - Os Magos 5: OS LEGISLADORES / Wera Ivanovna Krijanovskaia

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