Autistas do Além - EDUARDO / NELSON MORAES

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Re: Autistas do Além - EDUARDO / NELSON MORAES

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 30, 2016 9:46 am

Elza tem sido vítima das suas omissões, influenciado pelo espírito da mãe a tem feito experimentar a solidão e o abandono, mas a jovem, nessa trilha de sofrimentos, adquiriu bastante compreensão.
Antes de reencarnar, ela se comprometeu a ajudá-lo, e seu amor por ele cresce a cada nova experiência na Terra.
_ Como ela poderá ajudá-lo mais do que já ajudou até aqui?
_ Elza e Sérgio preparam-se para recebê-lo como filho querido.
Raul, como tal, gozará da influência dela desde pequenino, com certeza aprenderá com ela a ser forte e responsável.
_ E Elizete?
_ A nossa irmã, atendendo às necessidades do seu espírito comprometido com as leis de causa e efeito, experimentará a solidão e o abandono; Renato em breve retorna ao nosso plano.
Eliza, quando atingir a juventude deixará o lar, partindo par um país distante, acompanhando o futuro marido.
_ Raul aceitará submeter-se à condição de filho de Elza?
_ É a única perspectiva para ele, caso rejeite, o ministério das reencarnações provavelmente promoverá a reencarnação compulsória.
Esperemos que isso não venha a acontecer, vamos nos dedicar a convencê-lo das vantagens que isso representa.
_ Hoje, Décio insinuou a possibilidade do seu retorno à Terá, ele pareceu gostar da ideia.
_ Não se iluda, Eduardo, temos visto muitos espíritos decididos recuarem no momento de renascer, causando muitos transtornos aos benfeitores que se dedicam à tarefa de auxiliá-los nos processos da reencarnação.
_ Então está confiante de que ele venha a aceitar?
_ Apenas guardo algumas reservas, devido às experiências que tenho vivido, onde a mente humana tem me surpreendido a cada momento com reacções inesperadas.
Aguardemos os próximos dias, e peçamos a Deus que nos ajude, para que colaboremos com a sua vontade que visa à felicidade de todos nós.
Afrânio despediu-se, deixando-nos para o descanso daquela noite.
Passados alguns dias do nosso diálogo com Afrânio, caminhávamos eu e Décio pelo parque que circunda nossa colónia, quando encontramos Raul sentado sob uma árvore.
Décio, sempre com bom humor, abordou-o, falando na gíria.
_ Como é, "cara", "ta numa boa"?
_ "To" amargando aqui com as minhas dores.
_ Qual é "cara", onde está doendo?
_ Aqui, bem no coração.
Falou batendo no peito.
_ Isso é mau, qual é o "grilo"?
_ Saudades, saudades...
_ De quem?
_ De todos e de tudo, da vida lá em baixo, da "gata" principalmente.
Preciso falar urgente com Afrânio, estou com vontade de voltar à crosta para ver o pessoal novamente, não estou aguentando a saudade.
_ Afrânio irá encontrá-lo esta noite, eu acho que ele tem novidades para você.
_ Espero que sejam boas.
_ Provavelmente serão, pois tudo o que é feito nesta colónia é para o nosso bem.
Conversamos ainda por algum tempo e pudemos perceber o descontentamento que apresentava ante a situação em que se encontrava.
Percorremos a colónia, visitando quase todos os pavilhões, depois nos recolhemos ao nosso dormitório onde Afrânio nos aguardava.
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Re: Autistas do Além - EDUARDO / NELSON MORAES

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 30, 2016 9:47 am

_ Como está Raul? - perguntou-nos.
_ Bastante contrariado - respondi.
_ Eu previa tal comportamento, essa atitude talvez venha a contribuir para que tudo se encaminhe em direcção aos objectivos a serem alcançados.
O seu retorno à crosta na condição de desencarnado se lhe afigura como um paraíso sem responsabilidades.
_ Quando pretende comunicar-lhe a sua reencarnação?
_ Pretendia esta noite, mas antes vou conversar com Venâncio.
_ Podemos ajudar em algo?
_ Sim, procurem distraí-lo conversem o mais que puderem, logo mais irei encontrá-lo no pavilhão de enfermaria.
O sol, naquele momento, tingia a lua de vermelho, formando maravilhoso crepúsculo.
Dirigimo-nos ao pavilhão onde se encontrava Raul e lá ficamos conversando com ele.
Raul mostrava-se arredio às nossas interpelações, parecia ocultar-nos algo que guardava dentro de si.
Afrânio tinha razão, ele pretendia alguma coisa que não queria que soubéssemos.
Percebia-se pelas perguntas que nos fazia.
_ Vocês já foram sozinhos à crosta?
_ Sim, algumas vezes, por quê?
_ Vou poder ir algum dia?
_ Sim, desde que demonstre estar plenamente equilibrado para isso.
_ Que tipo de equilíbrio?
_ Das emoções principalmente.
_ Caso contrário ficarei preso aqui eternamente?
_ Não. Você é livre, só que não é aconselhável tal investida sem que esteja preparo para isso.
_ Se eu quiser ir embora agora, o que pode me acontecer?
_ ninguém vai impedi-lo, só que você vai se comprometer gravemente com as leis que ora o beneficiam, perdendo valiosas oportunidades de libertação legítima.
Sabe, sinto-me fortemente atraído por Elza, e isso está crescendo dentro de mim e a cada dia torna-se irresistível, sinto que preciso estar perto dela.
Nesse instante, Afrânio chegou, ouvindo esse desabafo de Raul.
_ Como está, meu querido irmão?
Perguntou Afrânio, acomodando-se entre nós.
_ Estou bem - respondeu timidamente.
_ Como é, gostaria de uma nova incursão na crosta?
_ É o que mais desejo neste momento.
_ Vou preparar para os próximos dias, procure participar das actividades em nossa colónia, para que não fique muito ansioso aguardando o momento de nossa jornada.
Assim que nos for permitido, viremos buscá-lo.
Afrânio fez um sinal e nos despedimos, saindo com ele em direcção ao nosso dormitório.
Estava surpreso com a atitude dele, pensei que ia comunicar-lhe a necessidade de retornar às experiências na matéria e ele o convidava para um passeio na crosta!
Chegamos ao dormitório.
Décio não aguentou a curiosidade e perguntou-lhe:
_ O que aconteceu que fez com que mudasse os planos?
_ Analisei o caso juntamente com Venâncio e dois benfeitores da área das reencarnações que foram unânimes em afirmar que devíamos confrontá-lo novamente com Elza antes de lhe darmos a notícia.
Talvez o comportamento que assumir venha a contribuir ao desiderato da reencarnação.
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Re: Autistas do Além - EDUARDO / NELSON MORAES

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 30, 2016 9:47 am

_ E se ele se negar a retornar connosco?
_ Vamos aguardar, não nos antecipemos aos fatos.
Afrânio despediu-se, deixando-nos com algumas recomendações referentes a Raul.
Passaram-se três dias daquela noite.
Raul comportou-se segundo a orientação de Afrânio, ajudou nas tarefas colaborando com os jovens que trabalhavam no parque, cuidando das flores e das árvores.
Afrânio havia nos comunicado que podíamos avisá-lo que naquela noite o levaríamos à crosta.
Aproximamo-nos dele, enquanto se dedicava a um pequeno jardim de flores silvestres.
_ Como é, amigão, vamos passear?- perguntou Décio.
_ Só se for já - respondeu sorridente.
_ Já não, mas à noite é certeza, Afrânio pediu para avisá-lo.
_ Verdade? Eu pensei que era "papo furado" dele só para me acalmar.
_ Afrânio não iria usar de argumento falso com você, concorda?
_ É, realmente, ele tem sido um "cara bacana" comigo.
_ Quando for o momento, nós vamos buscá-lo lá no pavilhão, vai se preparando.
_ Fiquem tranquilos, estarei esperando numa "boa".
Caminhávamos em direcção aos pavilhões que ainda não havíamos visitado naquela manhã, quando Afrânio surge ao nosso lado.
_ Ué, de onde você veio? _ perguntei surpreso.
_ De lugar nenhum, estive o tempo todo ao lado de vocês.
Nós só não podemos nos ocultar daqueles que nos são superiores.
_ Então você esteve invisível o tempo todo enquanto conversávamos com Raul?
Assistiu ao nosso diálogo?
_ Naturalmente que sim, ali estive com essa finalidade a fim de aquilatar as reacções dele.
_ Foram normais?
_ Até certo ponto, sim.
_ E hoje à noite na crosta o que você acha?
_ Vamos aguardar, continuem a visitação nos pavilhões e logo mais nos reuniremos".
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Re: Autistas do Além - EDUARDO / NELSON MORAES

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 30, 2016 9:47 am

PERMISSÃO PARA VOLTAR

"Afrânio seguiu em direcção ao edifício central e nós; continuamos o nosso roteiro.
Anoitecera.
Eu e Décio aguardávamos a chegada de Afrânio.
Comentávamos entre nós sobre a transformação de Raul, já não se via nele aquele jovem assustado, mas sim um espírito ardiloso, e um tanto resguardado e insatisfeito.
Estávamos envolvidos nessas avaliações sobre o comportamento dele, quando chegou Afrânio.
_ Estão prontos? - perguntou.
_ Sim, partiremos já? - respondeu Décio.
_ Agora mesmo, vamos apanhar o nosso irmão.
Saímos ao encontro de Raul.
Estava nos aguardando bastante tenso.
Amparados por Afrânio, rumamos em direcção à crosta.
Chegamos àquela praça próxima da casa de Elizete.
Afrânio fez-lhe algumas advertências, depois seguimos.
Eram vinte e uma horas, entramos na residência; estavam todos reunidos à volta da mesa da cozinha, Dona Florinda, Renato, Elizete, Júlia e Eliza.
Aproximamo-nos, Artur e Dr. Armando nos acenaram!
Dona Florinda acabava de ler um trecho do Evangelho Segundo o Espiritismo.
Desde a recuperação de Eliza, Elizete sofrera profundas transformações, aquela cena que assistíamos se repetia todas as semanas.
Dona Florinda começou a comentar sobre a lição da noite, quando Raul, mostrando-se um tanto perturbado, dirigiu-se ao quarto que lhe pertencera, sentiu-se frustrado ao constatar a transformação dos seus aposentos em escritório.
Voltou à cozinha, e, no momento em que faziam as orações onde citavam seu nome, correu para junto da mãe tentando envolve-la, mas foi em vão.
Elizete, tomada pelo fervor da prece, irradiava uma ténue luz a sua volta o que lhe bloqueou as intenções.
Dona Florinda, registando-lhe a presença, falou de uma forma geral, abordando-o indirectamente:
_ Se algum espírito foi atraído pelas nossas preces, receba neste momento nossa manifestação de carinho e compreensão, procure assimilar os ensinamentos dos benfeitores que os assistem, a fim de que possa assumir a nova condição de vida a que foi chamado, que Deus o abençoe, vá, na paz de Jesus.
Naquele momento, Raul saiu à rua desesperado, eu fui ao seu encalço, mas detive-me ao vê-lo em desabalada carreira.
Afrânio chamou-me e recomendou:
_ Provavelmente foi ao encontro de Elza.
Você vai acompanhá-lo o tempo que for necessário, ele não poderá perceber que está sendo acompanhado por você; eu e Décio vamos retornar à nossa colónia, mas continuarei atento para que, no momento oportuno, possamos auxiliá-lo novamente.
Despedimo-nos e eu rumei apreensivo em direcção à residência de Elza.
Aquele encargo para mim era inédito nas minhas experiências de espírito desencarnado.
Temia falhar ao ser descoberto por ele, orei bastante enquanto me dirigia ao apartamento de Elza.
Entrei...
O casal estava na sala assistindo à televisão.
Quando vi Raul ao lado dela, reagi instintivamente, tentando ocultar-me.
Abraçado a ela mostrava-se transfigurado, seus olhos tornaram-se vermelhos novamente, o corpo perdera as fulgurações que mantinha quando em nossa colónia, parecia mais velho.
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Re: Autistas do Além - EDUARDO / NELSON MORAES

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 30, 2016 9:47 am

Sentido a sua influência, Elza demonstrava sinais de sonolência, desculpou-se com Sérgio dirigindo-se para o quarto.
Passaram rente a mim.
Quando percebi que ele realmente não registara minha presença, acompanhei-os, ela já estava vestida com as trajes de dormir.
Deitou-se, ele continuava abraçado a ela que logo adormeceu.
Em determinado momento, ela começou a agitar-se tentando sair do corpo, mas ele a dominava, beijando-a e abraçando-a com volúpia.
Nesse momento ela acordou gritando, o que atraiu Sérgio.
_ O que aconteceu?- perguntou o esposo.
_ Acho que tive um pesadelo.
Sérgio acalmou-a ela acomodou-se novamente para dormir.
Raul, desprendendo-se dela, colocou-se em pé à frente da cama, observando-a.
Ela adormeceu novamente, em poucos instantes desdobrava-se do corpo.
Quando viu Raul, afastou-se, temendo-o.
_ O que você faz aqui?
Onde estão os seus amigos?- perguntou-lhe, aflita.
_ Desta vez eu vim só.
Falou, aproximando-se dela, ela recuou sentindo que ele não estava bem.
_ O que você quer? - perguntou-lhe.
_ Eu vim para ficar, você me pertence, vamos ficar juntos para sempre.
_ Isso não é possível, não vê que estamos em planos diferentes?
_ Não importa, eu não vou voltar para aquele lugar, prefiro ficar aqui com você, mesmo nessas condições, agora ninguém pode me atrapalhar.
Raul tentou agarra-la, mas ela escapou-lhe, refugiando-se no corpo e novamente acordou gritando com crises de choro.
Sérgio, atraído novamente pelos seus gritos, veio ao seu encontro.
_ Elza o que está acontecendo?
_ Estou com medo, tive outro pesadelo, alguém tentava me agarrar.
Sérgio foi até a sala, desligou o aparelho de televisão, deitou-se ao seu lado, acalmando-a.
Nesse momento, Raul, demonstrando certa revolta, saiu para a rua.
Eu o acompanhei, dirigiu-se para a casa dos pais, andando lentamente.
No caminho, um grupo de espíritos embriagados que acompanhavam um alcoólatra encarnado barrou-lhe os passos como pedindo alguma coisa.
Em determinado momento mostraram-se agressivos, então interferi mostrando-me a eles que, ao ver-me, se projectaram em desabalada carreira, tropeçando uns sobre os outros.
Raul não me percebeu, continuando a sua caminhada.
Doía-me vê-lo naquele estado, agia contra a própria felicidade.
Eu já tinha acompanhado muitos casos de espíritos que nos primeiros momentos se revoltavam ante as circunstâncias da morte, mas em pouco tempo se reajustavam à nova realidade, tornando-se mais tarde a colaboradores da própria família.
Raul mostrava-se diferente, agindo completamente oposto.
Entramos novamente naquele lar.
Artur, quando o viu, meneou a cabeça como que lamentando o estado dele.
O jovem foi directo para o quarto da mãe.
Ali sentou em um dos cantos, como que esperando que ela viesse ao seu encontro.
Elizete, porém, dormia sem registar-lhe a presença.
O dia começava despontar, a claridade invadia o quarto através das frestas da janela.
Raul adormecera.
Renato levantou-se saindo para o trabalho, Elizete preparava Eliza para a escola demonstrando alegria, pois cantarolava baixinho, entretida com a filha.
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Re: Autistas do Além - EDUARDO / NELSON MORAES

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 31, 2016 8:41 am

Já haviam saído quando Raul despertou, vasculhou a casa toda como quem procura alguma coisa e saiu para a rua novamente, andando agora mais apressado.
Em poucos instantes estávamos no apartamento de Elza.
Ela tomava café da manhã.
Raul abraçou-a, beijando-lhe abaixo da nuca, ela pareceu sentir, passou a mão no local suspirando profundamente!
Enquanto se movimentava, ele acompanhava-lhe os movimentos, sugando-lhe as forças.
Com muita dificuldade conseguiu preparar o almoço.
Sérgio, quando chegou para almoçar, percebeu que ela não estava bem.
_ O que você tem?
Está abatida, sente alguma coisa?
_ Eu não sei, sinto um peso sobre minha cabeça, às vezes penso que vou desmaiar.
_ Talvez seja gripe.
_ Não sei não, será que não é por causa dos comprimidos que eu estou tomando?
_ Pode ser, talvez tenha que substituí-los por outra marca.
_ Você não acha que devíamos parar de evitar?
Esses comprimidos não fazem bem à saúde, minha mãe sempre fala isso.
_ Eu acho que é muito cedo para termos filhos, deixa eu me organizar primeiro.
_ Você é quem sabe.
_ Se piorar, ligue para mim, que eu venho apanhá-la para levá-la ao médico.
Almoçaram e logo após Sérgio saiu.
Raul mostrou certo contentamento.
Elza não conseguiu terminar a arrumação da cozinha, acometida de sorte sonolência, provocada por Raul que não se desprendia dela, obrigando-a a deitar-se.
Dormiu a tarde toda, dominada por ele.
Quando Sérgio chegou à noite, precisou de muito esforço para acordá-la.
_ O que foi? O que foi? - acordou assustada.
_ Tudo bem, sou eu, acalme-se.
_ Que hora são?
_ São quase oito horas da noite.
_ Como? Eu dormi até agora?
_ Dormiu sim, não importa, você está bem?
Elza contou-lhe o que havia sentido durante o dia, Raul, naquele momento, retirou-se alcançando a rua em direcção à casa de Elizete.
Foram quase quarenta dias que permaneci ao lado dele nesse vaivém.
Elza, sob a influência dele, emagrecera visivelmente, peregrinando pelos médicos.
Ele a dominava de tal forma que a fizera esquecer-se da fé que alimentava, privando-a dos seus recursos.
Em uma das noites, quando Raul deixou a residência de Elza, eu permaneci junto ao casal com a finalidade de inspirá-la a buscar os recursos da Doutrina Espírita, atendendo à orientação de Afrânio.
Sérgio chegou por volta das oito horas da noite.
Elza preparava um lanche, pois se viu impossibilitada de cozinhar, dada a fraqueza em que se encontrava.
Sentados à mesa, acompanhei o diálogo dos dois, colocando-me ao lado dela.
_ O que vamos fazer?
A cada dia estamos nos distanciando um do outro.
Eu não tenho culpa de ter ficado doente, parece até que você não acredita em mim - falou Elza, quase chorando.
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Re: Autistas do Além - EDUARDO / NELSON MORAES

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 31, 2016 8:41 am

_ Não é nada disso, apenas estou preocupado com você, os médicos não encontram nada que justifique seu estado se saúde.
O Dr. Oliveira disse tratar-se de um esgotamento nervoso, aconselhou-me a levá-la a um neurologista.
_ Você acha que é da minha cabeça?
_ Não sei, Elza, precisamos descobrir.
Nesse instante actuei sobre ela, estimulando-lhe o ânimo.
_ Por que não pensei antes?
_ O que foi? - perguntou Sérgio preocupado.
_ Nós vamos a um Centro Espírita.
_ Você acredita que será uma solução?
_ Quem sabe?
Eu já li muito a respeito, pode ser mediunidade.
Quando eu assistia às palestras na Federação Espírita, quase sempre abordavam a influência que sofremos por parte dos espíritos desencarnados, talvez seja este o meu problema.
Sérgio relutou um pouco, mas acabou concordando em levá-la no dia seguinte.
Deixei-os, retornando para o lar de Elizete onde Raul se encontrava.
Afrânio aguardava-me, contei-lhe sobre a resolução do casal, ele mostrou-se satisfeito.
Raul estava acomodado no canto quarto, quando sua mãe, de madrugada, desdobrou-se do corpo em sua direcção e acariciando-lhe a cabeça começou a falar:
_ Meu filho, o que está fazendo com a sua vida?
_ Não importa, você me abandonou.
_ Eu não o abandonei, tenho orado bastante por você, desejo a sua felicidade.
_ Agora eu tenho a felicidade que desejava, estou com ela e você não pode impedir.
_ Raul, meu filho, depois que você partiu tenho aprendido muitas coisas boas, agora sei que não somos donos da vida de ninguém, muito menos das pessoas que amamos; mesmo nossos filhos não nos pertencem, devemos nos amar como irmãos.
_ Deixe-me... Deixe-me.
Senti-me penalizado ao vê-lo transfigurado daquele jeito.
Parecia um molambo humano.
Por outro lado, sentia-me feliz ao ver Elizete totalmente transformada, seu próprio espírito mostrava-se mais radiante.
Lembrei-me das provações que ainda teria que enfrentar nos próximos anos, então pedi a Deus para lhe dar bastante força para superá-las.
Afrânio despediu-se e eu aproveitei para descansar um pouco, pois me sentia exausto, aqueles dias absorveram-me as forças.
Cochilei até o amanhecer.
Artur acordou-me quando Raul se preparava para sair, eu o acompanhei.
Logo que chegamos ao apartamento de Elza, Raul foi se ajustando a sua organização perispiritual tentando domina-la.
Ela, porém, mostrava-se revigorada no ânimo, dificultando-lhe a manobra.
Permaneci com eles até a noite, colaborando para que ela se mantivesse disposta a levar avante a decisão de comparecer à reunião".
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Re: Autistas do Além - EDUARDO / NELSON MORAES

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 31, 2016 8:41 am

RESGATANDO DÍVIDAS

"Afrânio chegou quase no mesmo instante que Sérgio.
_ Como é, está tudo sob controle? - perguntou-me.
_ Parece que sim, pelo menos Elza está pronta, só aguardava a chegada de Sérgio.
_ Óptimo!
Raul, parecendo pressentir alguma coisa, começou a envolver Sérgio que se mostrou contrariado.
_ Eu acho que não devemos ir; você não está bem e pode piorar.
_ Vamos sim, eu já estou pronta - falou Elza decidida.
_ Vamos só perder tempo, eu acho que isso é bobagem, você precisa mesmo é de médico.
_ Nada disso, se você não for eu vou sozinha.
Sérgio, contrariado, acabou concordando.
Raul imediatamente, agarrou-se novamente em Elza causando-lhe mal-estar, mas mesmo assim ela se equilibrou em Sérgio e saíram.
Entramos todos no carro, Raul nem sequer cogitava da nossa presença.
Em poucos instantes chegamos ao local; era um salão pequeno com uma porta lateral, onde, para minha surpresa, dona Florinda recepcionava as pessoas que iam chegando.
Elza conversou com ela, contou-lhe o que estava acontecendo.
Dona Florinda então mandou que aguardassem, e que mandaria chamá-los.
Eles se acomodaram nos bancos no meio da assistência.
Dona Florinda dirigiu-se à frente do público presente, abrindo a reunião com uma prece, depois chamou um senhor que iniciou um comentário sobre o Evangelho.
Enquanto se desenrolava sua palestra, dona Florinda atendia as pessoas com problemas de saúde, visto ser ela uma médium de cura.
Sérgio e Elza foram chamados, entraram em uma pequena sala, onde ela falou novamente tudo o que estava sentindo, e o que acontecia com ela.
Naquele momento, Dr. Armando, que assistia dona Florinda, cedeu seu lugar a Afrânio que dominando os recursos mediúnicos dela começou a falar:
_ Irmã, você não tem nada fisicamente, nem sofre os sintomas da mediunidade que suspeita; apenas você precisa cumprir a missão de mãe, recebendo um filho em seu lar.
_ Nós achamos que ainda é muito cedo - retrucou Sérgio.
_ Irmão querido, como podemos saber quando é cedo ou quando é tarde para um renascimento?
Só Deus sabe.
Raul agitava-se enquanto dona Florinda falava sob a influência de Afrânio.
_ A senhora acha que já estamos preparados?
_ Não só acho; como devem providenciar o mais breve possível, caso contrário sua saúde correrá sérios riscos.
Nesse momento Elza começou a passar mal, dona Florinda aplicou-lhe um passe, desligando Raul que, naquele instante, retirou-se em direcção à rua.
Após Sérgio também beneficiar-se do passe, retornamos ao salão, onde os dois se acomodaram até o encerramento da reunião.
Aproveitando os momentos em que Sérgio ouvia o comentário do Evangelho, Afrânio actuou sobre ele, conscientizando-o da necessidade de ter um filho.
Raul havia retornado para a casa de Elizete.
Acompanhamos o casal até o apartamento deles.
_ Raul, meu irmão, não se desespere, para tudo existe uma solução.
Estamos aqui para isso, precisamos de sua colaboração.
Sabemos da insegurança de que está acometido, por isso mesmo queremos oferta-lhe meios seguros de sair dessa situação difícil em que se colocou.
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Re: Autistas do Além - EDUARDO / NELSON MORAES

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 31, 2016 8:41 am

O único caminho que nos aponta a misericórdia divina é a bênção do renascimento.
Raul agitou-se quase em desespero, entregando-se ao pranto convulsivo.
Após chorar muito, acalmou-se.
_ Então, meu irmão?
O que me diz?
_ Eu não sei nada, estou com muito medo.
_ Antes de você reencarnar foi feita uma programação incluindo o seu retorno quase imediato para novas experiências na matéria.
Elza prontificou-se a recebê-lo nos braços como filho querido do seu coração.
Naquele instante, o rapaz voltou a chorar.
Afrânio actuou sobre ele, procurando fortalecê-lo.
Venâncio insistiu, conversando.
_ O que devo fazer? - perguntou assustado.
_ Não se preocupe, apenas se entregue à nossa vontade, colaborando connosco com os seus pensamentos, dentro em pouco chegarão os benfeitores da reencarnação que nos ajudarão a prepará-lo."
Não demorou muito e chegaram dois espíritos.
Um deles, de barbas brancas, vestia-se com um traje longo.
O outro era de aparência jovem e olhar penetrante.
Sorriram nos cumprimentando.
Eles, juntamente com Afrânio e Venâncio, rodearam Raul.
_ Agora você nos ajude, concentrando seu pensamento em sua imagem do tempo em que era menino; mantenha essa imagem nítida na mente.
Naquele momento, todos se transfiguraram diante de mim, o quarto foi tomado de uma luz diante de mim, o quarto foi tomado de uma luz prateada, deixando-os quase invisíveis aos meus olhos.
Raul agitava-se como se estivesse em convulsão, aos poucos foi se retraindo até que se transformou em uma criança quase do tamanho de um recém-nascido.
Elizete, naquele momento, desdobrou-se do corpo físico dirigindo-se até ele, tomou-o nos braços, voltando-se para os benfeitores que pelo seu gesto compreenderam suas intenções.
Concentraram-se novamente e todos nos vimos transportados para o apartamento do jovem casal.
Elza estava fora do corpo, e registou a nossa presença.
Elizete entregou-me Raul e foi ao seu encontro.
Ela afastou-se, temendo-a.
_ Não tema, minha filha, quero abraçá-la, pedindo perdão pelo quanto tenho feito você sofrer.
Elza abaixou a cabeça.
Elizete aproximou-se, envolvendo-a num demorado abraço.
_ Minha filha, vim reparar um erro que há muito nos tem feito sofre.
Prisioneira do egoísmo; tornei-me cega durante tanto tempo que não conseguia enxergar a felicidade que você lhe oferecia.
Graças ao sofrimento que venho experimentando, dobro-me à realidade.
Voltando-se para mim, tomou novamente Raul em seus braços, entregando-o a Elza.
_ Em nome de Deus, entrego-o sob os seus cuidados, confiante de que você lhe dará a felicidade que eu não fui capaz.
Elza o abraçou, envolvendo-o em suas vibrações de amor, olhou para nós, um por um e, expressando um sorriso de contentamento, retornou ao corpo com Raul ajustando-se à sua organização perispiritual.
Venâncio fez um sinal, convidando-nos a partir.
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Re: Autistas do Além - EDUARDO / NELSON MORAES

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 31, 2016 8:42 am

Os benfeitores da reencarnação permaneceram.
Nós, após acompanharmos Elizete em retorno ao corpo, seguimos rumo à Estância de Amor!
Reunidos no gabinete de Venâncio, fizemos algumas considerações sobre os acontecimentos e nos recolhemos.
Eu e Décio retornamos ao nosso pavilhão, cheios de contentamentos pelas experiências que havíamos vivido durante aqueles meses.
Mais uma vez a bênção do trabalho se exaltou ao nosso entendimento, como o maior tesouro que a vida pode nos oferecer, principalmente quando dirigido a uma causa nobre e que envolve o bem-estar do nosso próximo. "

§.§.§- Ave sem Ninho
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