Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

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Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 01, 2016 9:54 am

Não te canses de amar
Cláudia Marum

Espírito: Elias

Sinopse:

França: no passado, a jovem e bela Geny, em busca de ascensão material, casa-se com o conde de Martim, homem mais velho e sem grandes atractivos físicos.
Entediada com o casamento, vive uma aventura com Rafael, irmão mais novo de seu marido.
Flagrados em adultério, sofrem as consequências do acto praticado.

Brasil: no presente, os mesmos personagens recebem nova oportunidade de reconstruir o que destruíram.
Gisele, César e Murilo precisam superar as próprias fraquezas e, desta vez, optaram por melhores escolhas.
O espiritismo tem papel fundamental nesta nova fase de suas vidas.

Não te canses de amar.
É possível que a resposta do amor não te chegue imediatamente.
Talvez te causem surpresas as reacções que propicia.
É possível que as haja desencorajadoras, sucede que, desacostumadas aos sentimentos puros, as pessoas reagem por mecanismo de autodefesa.
Insistindo conseguirás demonstrar a excelência desse sentimento sem limite e mimetizarás aqueles a quem amas, recebendo de volta a bênção de que se reveste.
Ama, portanto, sempre.

Joanna de Angelis
Divaldo P. Franco

Dedicatória

Dedico este livro ao meu marido Francisco, aos meus filhos André e Daniel e às minhas filhas do coração Jamara e Samantha.
Ao Henrique, meu neto, todo o meu carinho.
Meus agradecimentos a Nice e a todos que comigo colaboraram.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 01, 2016 9:54 am

Sumário
Prólogo

Primeira Parte


1 - Visita inesperada
2 - Vida nova
3 - Aniversário de Pedro
4 - Dias de festa
5 - Assédio
6 - Pedro escuta uma conversa
7 - O flagrante

Segunda Parte

8 - O emprego
9 - Gisele trabalha com César
10 - Comemoração na firma
11 - César entrega o celular
12 - Reflexões de César
13 - Micaela faz uma viagem
14 - Convite irrecusável
15 - A pousada
16 - Coquetel
17 - Kyria se encontra com Gisele
18 - A procura
19 - Na casa da Rita
20 - Novo emprego
21- Gisele conhece Murilo
22- Adaptação
23 - Confidências
24 - A casa de Jota Ó
25 - Visita à cidade
26 - Conversa com Jota Ó
27 - O pavilhão
28 - Nova visita ao pavilhão
29 - Gisele vai a outro Centro Espírita
30 - Surpreendente pedido
31 - Surpreendente descoberta
32 - Preocupações de Gisele
33 - Sequestro
34 - Onde está Gisele?
35 - Final feliz
36 - Esclarecimentos finais
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 01, 2016 9:55 am

Prólogo

Nina Rosa, após a aula do curso de espiritismo, dirigiu-se à biblioteca circulante do Centro Espírita, pois fora informada que a biblioteca estava com livros novos.
Ao chegar, cumprimentou a encarregada.
- Olá, dona Isaura, eu soube que a Casa está com novos livros, será que a senhora pode me recomendar algum para leitura?
- Olá, querida.
Realmente, recebemos boas obras.
Temos aqui um romance interessante: Não te canses de amar.
- Não te canses de amar...
Que título interessante.
De que se trata?
- Trata-se de uma história de amor, que nos fala da lei de acção e reacção, e de laços de família fortalecidos pela reencarnação.
- Dona Isaura, já ouviu dizer que para um acerto, muitas vezes, as pessoas se unem com os mesmos parceiros de outras vidas.
Isso é verdade?
- Sim, muitas vezes isso acontece, porém, lembre-se de que cada caso é um caso.
A Doutrina Espírita nos esclarece que a vida não termina no túmulo, e que muito do que nos acontece é reflexo das nossas atitudes também desta vida.
Não podemos nos esquecer que existe o livre-arbítrio e cada um de nós é herdeiro de si próprio.
Então, quer levar o livro?
- Sim.
Ao chegar a sua casa, Nina Rosa acomodou-se em uma poltrona e pôs-se a ler.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 01, 2016 9:55 am

Primeira Parte

Capítulo 1 – Visita inesperada


O conde, ao chegar ao pequeno povoado, tinha a intenção de prosseguir viagem no mesmo dia, porém, com o tempo nublado e a tempestade que se avizinhava, não lhe restou recurso, senão pedir abrigo no castelo de Resplendor.
Tendo visto a comitiva através da janela de seu quarto, Cornélia – a proprietária do castelo – foi até o espelho, ajeitou o vestido e os cabelos.
Saiu do quarto, desceu a escada de pedra e se acomodou na sala de visitas.
Quando a sineta soou, mandou o lacaio abrir a porta.
Calmamente, aguardou, fingindo bordar uma tapeçaria.
- Senhora – disse o lacaio.
O conde de Martim está à porta e vos pede abrigo para ele e sua comitiva.
- O conde de Martim nos pede abrigo? - olhou para o homem.
Mande-o entrar, Carlos.
Informe que teremos o maior prazer em abrigá-lo - disse alto o suficiente para que os que estavam à porta a escutassem.
Após recebê-los e acomodá-los, Cornélia, muito contente, foi ao encontro de sua afilhada Geny.
Com seu talhe delgado, pele clara, cabelos cor de mel e olhos azuis, Geny era, aos dezassete anos, uma beleza rara, diferente das pessoas do local, morenas e corpulentas.
- Querida, sabe quem os céus mandaram até aqui?
- Quem, madrinha? - a jovem perguntou com o rosto carregado de curiosidade, pois naquele local ermo raramente aparecia algum visitante.
- O conde de Martim.
Ele me pediu abrigo - disse abrindo os braços.
- Ah, certamente veio até estes lados para conhecer Margarida, com quem dizem, pretende se casar.
- Hum, talvez.
Mas, Margarida não é a única moça casadoira que temos por aqui - disse com um sorriso nos lábios, olhando fixamente para o rosto da afilhada.
- Madrinha! A senhora acha que ele poderia se interessar por mim?
Sabe que nada tenho de dote.
- Psiu! - colocou o indicador em frente à boca, abaixou a mão -, nunca mais diga isso.
Seu dote é a sua beleza - olhou firme para a moça.
Nunca se esqueça de que os homens são loucos por uma mulher bonita.
Geny sorriu.
Já perdera as contas das vezes que a madrinha dissera: sua fortuna é a sua beleza.
O estrondo dos trovões e o vento carregado de chuva faziam as portas e janelas estremecerem.
Cornélia ergueu a voz.
- Quero que você coloque seu vestido verde.
Vou mandar Tieta vir ajeitar seus cabelos.
Quero que na hora do jantar esteja pronta e quando eu mandar chamá-la vá até a sala de fumar.
- Vamos jantar no salão? - perguntou surpresa.
- Não, eu tenho outras ideias, escute só...
O conde Pedro de Martim estava surpreso, não esperava encontrar em plena mata, uma refeição tão fina e elaborada.
Seu paladar experiente degustara com prazer as deliciosas iguarias e os vinhos de excelente qualidade.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 01, 2016 9:55 am

Terminado o jantar, do qual participara, além dele, Cosmo seu fiel escudeiro, a baronesa Cornélia e uma senhora muito idosa que lhe fora apresentada como tia Bela, e que se fora bela deixara a beleza muitos anos atrás, pediu licença para acender um charuto.
- É claro, conde, mas que tal irmos à sala ao lado?
Pediremos que nos tragam café com licor, ou talvez o senhor prefira conhaque - disse a anfitriã cortesmente.
- Excelente ideia, nada como um conhaque para aquecer os ossos - levantou-se.
Espero que a chuva cesse e que logo cedo possamos prosseguir viagem, levando connosco a boa impressão da sua acolhida, e nos desculpando pelo transtorno.
- Conde de Martim, a sua visita nos dá o maior prazer! - Cornélia respondeu fazendo uma mesura.
Acomodaram-se nas fofas poltronas da sala de fumar.
- Desculpe-nos, a curiosidade, porém, tia Bela e eu estamos nos perguntando:
será que o senhor está se dirigindo para o Castelo Chifom? - perguntou Cornélia, enquanto aceitava o licor que Carlos oferecia ao mesmo tempo em que o orientava para que servisse conhaque aos cavalheiros.
- Sim, senhora.
A baronesa conhece a família Chifom?
Conhece a jovem Margarida?
Cornélia, segurando o cálice na mão, trocou um olhar com Bela.
- Margarida...
O conde veio de longe para conhecê-la? - perguntou com voz velada.
- Sim - ele franziu a testa.
Por quê? Há algum problema nisso?
- Problema? - olhou novamente para Bela.
- Não, não, claro que não - respondeu depressa.
Sorveu um gole do licor.
- Será que ela já sarou? - Bela perguntou em voz baixa.
- Já sarou? - confuso Pedro olhou para elas e para Cosmo.
Margarida está doente?
Cornélia e Bela se entreolharam.
- Não, agora ela já deve estar bem.
Posso lhe servir mais uma dose de conhaque?
- Baronesa, o que Margarida tem? - perguntou, franzindo as sobrancelhas.
Novamente as duas se entreolharam.
- O senhor sabe, às vezes o ar frio do campo e a distância da cidade afectam algumas pessoas.
- Como assim? Por favor, me digam: Margarida sofre de algum mal?
- Eu não diria isso - disse Bela com sua voz gutural.
Mas, às vezes, fica trancada por dias em seus aposentos.
Ela é uma boa moça, borda e costura muito bem.
- Por Deus! - ergueu as palmas para cima.
- Fica trancada, por quê? - o conde havia se levantado e encarava Cornélia firmemente.
- Bom, dizem que tem umas crises de erupção na pele, fica toda vermelha, com o nariz escorrendo.
Às vezes, meio fora de si, fala coisas sem nexo e grita que está sendo perseguida.
- Coitadinha! - Cornélia falou em tom velado, olhando para as flores do tapete.
Depois o encarou.
- Tenho muita pena dela.
- Ela é uma boa moça - Bela tornou a repetir.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 01, 2016 9:55 am

O conde deu alguns passos pelo aposento, depois olhou para Cosmo e perguntou:
- Você sabia disso?
- Bem, me disseram que ela sofre de coceiras.
- Será ruim se, quando se casar, ela transmitir esse distúrbio para os filhos - disse Bela ao mesmo tempo em que se levantava da poltrona.
Peço licença para me retirar.
Vou me recolher, foi um prazer conhecê-los.
Após sua saída, Cornélia disfarçou um bocejo.
- Baronesa, já é tarde, nós também gostaríamos de nos recolher.
- Ah, certamente - bebeu um último gole do licor.
Passos soou no corredor.
Dali a instantes Geny adentrou a sala.
- Conde, permita-me lhe apresentar minha querida afilhada Geny.
Estou colocando-a a sua disposição para o que precisar.
O conde olhou para a porta.
Ao ver a bela moça, olhou para Cornélia.
- Baronesa, a senhora merece uma reprimenda.
- Eu? Por quê? - levou a mão ao peito.
O conde tem alguma queixa?
- Sim, tenho.
Onde estava escondida essa bela jovem? - ele perguntou ao mesmo tempo em que fazia cortesia à moça.
Cornélia sorriu e nada respondeu.
- Boa noite, senhor conde!
Seja bem-vindo a Resplendor - disse Geny, exibindo um cativante sorriso.
Na semana que se seguiu, parecia que os céus estavam a favor de Cornélia.
O tempo continuou horrível, o conde e sua comitiva ficaram retidos em Resplendor.
Pedro apaixonou-se perdidamente por Geny.
Em seis meses estavam casados.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 01, 2016 9:55 am

Capítulo 2 - Vida nova

Após uma longa e fatigante viagem, ao chegar à propriedade do marido, Geny ficou deslumbrada com o luxo e o requinte do castelo, completamente diferentes da casinha onde ela passara a infância com o pai bêbado e a passiva mãe, onde tinha que dividir a cama com mais quatro irmãs.
Muitas vezes fora se deitar com o estômago vazio.
Sentada em uma cadeira no terraço, enquanto contemplava o belo e bem tratado jardim da propriedade, pôs-se a recordar o passado.
Quando ela estava com doze anos, Cornélia, após ter casado o único filho, viúva, praticamente sozinha, fora visitar os compadres.
Vendo a situação precária da família, pediu para que a afilhada fosse morar com ela, como sua dama de companhia.
Os pais, divisando um futuro melhor para a filha e também para eles, mais que depressa permitiram que ela fosse.
Em Resplendor, a madrinha lhe ensinara as letras, e tudo o mais que uma moça fina devia saber.
Tendo assimilado os ensinamentos de Cornélia, Geny não teve problemas para se adaptar à nova vida.
Como não gostasse de ficar ociosa, apesar da excelente criadagem, ela fazia questão de tomar parte na direcção do castelo, o que deixou Pedro muito contente.
O único senão da sua magnífica vida de condessa era... O próprio conde.
Quarentão, corpulento, tinha nariz adunco e um olho mais fechado que o outro.
Geny o respeitava, mas era só.
Sabendo que uma boa esposa devia ser submissa, todas as noites ela orava pedindo a Deus que lhe desse o filho que o conde tanto queria.
Após dois anos, Deus ouviu suas preces.
Ela ficou feliz ao saber-se grávida.
Estava um pouco cansada de ouvir Pedro dizer, em voz velada, que sua mãe o tivera quando tinha apenas de dezassete anos.
Sua mãe era uma mulherona feiosa, morena e alta, que quando aparecia no castelo, dava palpite em tudo, dizendo veladamente que a nora não sabia administrar a casa.
Na época certa, deu à luz um menino, que recebeu o nome do pai.
A sogra apareceu para ajudá-la.
Ao tomar as rédeas da casa, disse que ia rogar a Deus para que Geny tivesse vários outros filhos, assim como ela, que tivera seis.
Infelizmente, três haviam morrido ainda crianças, restando, além de Pedro, a filha que decidira entrar para o convento e o caçula, que era anos e anos mais novo que os outros.
Dali a um ano e pouco, a sogra morreu.
Pelo facto de estar no final de uma nova gestação, Geny não pôde acompanhar o marido ao Norte, onde a sogra morava com o filho caçula e onde seria o funeral.
Ela deu à luz uma menina, que ao contrário de Pedrinho, com sua aparência de anjo, saiu ao pai e à avó, de quem herdou o nome: Filomena.
Geny ficou decepcionada com a aparência da filha, coisa que confessou a Cornélia, que viera para ajudá-la.
Nos anos que se seguiram, ela se dedicou de coração aos filhos.
Adorava o menino, porém muitas vezes, quando Filomena chegava perto dela e a abraçava, Geny tinha a sensação de que a sogra, implicante, havia saído do túmulo.
O conde, ao contrário, tinha adoração pela filha, talvez por ela lhe lembrar a mãe.
Durante esse tempo, apenas um facto empanou a vida de Geny.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 01, 2016 9:56 am

Certa tarde, uma carroça velha apareceu na frente do castelo, trazendo dentro, sua mãe e uma de suas irmãs.
Vinham elas informar que seu pai havia falecido e que as deixara praticamente sem nada.
- Geny, tendo se casado tão bem - disse a mãe -, poderia auxiliá-las, como era a obrigação dos filhos e...
Arrumar entre seus amigos alguém para se casar com Emília, que embora não tivesse dote, era uma excelente moça.
Geny, ao ver o olhar de desdém com que a criadagem olhava para as desarrumadas mulheres, deu graças aos céus pelo conde não estar.
Rapidamente encaminhou-as à estalagem local, onde pediu ao estalajadeiro que nada deixasse faltar às hóspedes.
No dia seguinte, dizendo que o conde era muito bom, porém não gostava muito de receber visitas e, como a mãe devia saber, Cornélia e Bela vinham bastante ao castelo.
Se ela ainda pedisse para receber a mãe e a irmã ele poderia se zangar.
Mandou encher a velha carroça com mantimentos e roupas e destacou uma carruagem para levá-las de volta.
Despediu-se e prometeu enviar uma quantia em dinheiro todos os meses.
Quanto a arrumar um noivo para a irmã, se aparecesse alguém, ela informaria.
Não, ela não podia ficar com Emília no castelo, o conde não permitiria.
Cumprindo a promessa de enviar o dinheiro, não se preocupou mais com a antiga família.
Quando, certo dia, vieram lhe informar que a mãe estava à morte, limitou-se a enviar mais dinheiro.
Não sentiu nenhuma culpa por não ir ao funeral.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 01, 2016 9:56 am

Capítulo 3 - Aniversário de Pedro

Pedro estava para completar cinquenta anos e, por conta disso, decidiu fazer uma grande festa.
Às vésperas do aniversário, Geny estava em seus aposentos, quando vieram lhe dizer que o conde a esperava no andar de baixo.
Ao adentrar a sala, viu que o marido estava acompanhado por um homem jovem e alto.
- Querida, veja quem chegou.
Meu irmão caçula, o Rafael!
Fiquei muito contente por ele ter aceitado nosso convite - colocou a mão no ombro do rapaz.
Venha conhecê-lo - disse, exibindo um ar feliz.
O homem que veio ao encontro de Geny, com negros e fartos cabelos e belos olhos azuis, tinha a aparência de um príncipe renascentista.
Quando ele se curvou, pegou em sua mão, e a levou aos lábios, Geny sentiu os pés pregados no chão, a pulsação se acelerou nas veias, uma sensação de arrebatamento a impedia de se mexer.
A sala lhe pareceu abafada, muito embora as janelas estivessem abertas.
- Condessa, que prazer conhecê-la! - disse Rafael, com seu belo timbre de voz, olhando-a nos olhos.
Estou muito feliz por ver que meu irmão encontrou uma esposa maravilhosa! - endireitando-se, soltou sua mão lentamente.
Tenho certeza de que a comemoração do aniversário de Pedro será inesquecível!
- Obrigada! - respirou fundo.
Pegou o leque, abanou-se.
Espero que o senhor tenha uma estada alegre ao nosso lado.
- Condessa, por favor, me chame de Rafael.
Olhou para o marido, que lhe fez um sinal afirmativo com a cabeça.
- Nada de cerimónias entre vocês, chame minha mulher pelo nome.
Agora, vamos brindar este encontro.
Ao pegar a taça de vinho, Rafael disse:
- Brindemos ao aniversário do meu querido irmão.
Mano, você não sabe como estou feliz por estar junto à minha família.
Olhou para a cunhada e sorriu.
- Esperamos que sua estada em nossa casa lhe dê muito prazer.
Não é querida?
- Eu também! - Rafael pensou, enquanto olhava sorrindo para Geny.
Tendo em vista que os principais cómodos do castelo já estavam ocupados pelos hóspedes, que haviam chegado anteriormente, Rafael foi acomodado em um quarto que fazia parte dos aposentos do casal.
À noite, pronto para se deitar, Rafael, recostado um uma poltrona, com os pés sobre um banquinho, fumava prazerosamente um charuto.
- Então meu velho e gordo irmão conseguiu se casar com uma linda mulher.
Hum... Talvez tenha chegado à hora de nosso acerto de contas - pensou.
Levou o charuto à boca.
Várias lembranças vieram à sua mente.
Desde que se dera por gente, os pais o comparavam com o irmão mais velho.
O correcto irmão mais velho, o favorito.
- Rafael, veja lá o que vai fazer.
Tenha cuidado, hein!
Siga o exemplo de seu irmão - diziam eles.
Porém, logo que atingiu a adolescência, ele sentiu uma grande atracção pelas mulheres.
Abraçava e beijava todas as que lhe apareciam pela frente.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 01, 2016 9:56 am

Nessa altura, seu pai já tinha falecido.
A mãe, quando soube do facto, chamou-o às falas:
- Rafael, deixe essa atitude para quando ficar mais velho.
O que está fazendo é pecado!
Seu irmão sempre se comportou bem e honrou o nome da nossa família.
Mas ele se sentia fraco para as tentações e logo os conselhos da mãe eram esquecidos.
Certa ocasião, quando um marido ciumento veio se queixar, Pedro, ao saber que ele fora encontrado com a dama, sem dó nem piedade, pegou uma chibata e lhe aplicou um correctivo.
Ainda hoje, quando se lembrava das chicotadas, sentia as costas arderem.
Além das chibatadas, ordenou que Rafael ficasse no castelo, sem sair por trinta dias.
Castigo estúpido, em sua opinião, pois logo encontrou entre as criadas algumas que lhe fizeram companhia.
Desde essa época tomara um ódio pelo irmão e jurara que se encontrasse uma oportunidade se vingaria.
Bem, parece que a oportunidade chegara.
Riu para si mesmo.
Notou que a cunhadinha tinha ficado bastante perturbada com sua presença.
Tinha a certeza de que não teria dificuldades para conquistá-la.
Apagou o charuto.
Ao deslizar entre os perfumados lençóis, lastimou que durante o jantar, Geny houvesse ficado longe dele, o que dificultara uma aproximação.
Mas, o jogo estava apenas começando.
Com um sorriso satisfeito, apagou o lampião.
Adormeceu.
Geny, insone, revirava-se na cama.
Só de pensar que apenas uma porta a separava de Rafael sentia um calor percorrê-la de cima abaixo.
Tentando se acalmar, ergueu-se nos cotovelos e tomou um pouco de água.
Ao seu lado, adormecido, Pedro resmungou.
Com cuidado, para não acordá-lo, voltou a se deitar.
Demorou bastante para conciliar o sono.
No dia seguinte, ao acordar, Rafael, que viera acompanhado apenas pelo palafreneiro, tocou a sineta para chamar um dos criados da casa.
Batidas soaram na porta.
- Entre.
- Licença, senhor.
Uma moça apareceu no umbral - o senhor chamou?
- Sim. - Surpreso olhou para ela - "hum... nada mal", pensou.
Meu criado particular está doente e não pôde vir comigo.
Peça que me trague água quente.
- Sim senhor, já vou providenciar - respondeu sem fitá-lo.
Inclinando-se, virou para sair.
- Espere, é você quem vai trazer?
Onde estão os valetes? - perguntou enquanto a olhava de cima abaixo.
- A casa está lotada e eles estão atendendo aos hóspedes que chegaram anteriormente. Com licença.
Dali a alguns minutos, ela voltou carregando uma grande jarra cheia de água.
- Licença, senhor.
Posso colocar a água na bacia?
- Espere, deixe-me ajudá-la.
Afinal, uma bela moça como você não deve carregar coisas pesadas - falou, exibindo seu belo sorriso.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

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- Senhor, essa é a minha função.
Já estou acostumada - sentindo o rosto vermelho, tentou afastar a jarra dele.
- De jeito nenhum!
Você é bonita e delicada demais para esse tipo de trabalho - tirando a jarra de suas mãos colocou a água na bacia.
Pronto - fitou-a no rosto.
Bonita como é, deve ter um noivo, não?
Ela corou, abaixou a cabeça.
- Eu sou viúva, Senhor.
- Viúva? Tão novinha? - colocou o dedo sob seu queixo e ergueu-lhe a cabeça.
Coitadinha! Faz tempo?
- Meu marido faleceu há dois anos.
- Tudo isso! E, até agora não arrumou outro noivo?
A moça negou com a cabeça, pegou a jarra.
- Ah, mas então deve se sentir muito sozinha - falou em tom suave.
Ela corou novamente.
Com a cabeça baixa, perguntou:
- O senhor precisa de mais alguma coisa?
- Sim. Sabe se meu irmão e a condessa já se levantaram?
- Sim, senhor. Agora mesmo estavam tomando o desjejum.
Rafael tirou o robe e a camisa do pijama, pegou o pincel e começou a ensaboar o rosto.
Ao ver a cena, a criada arregalou os olhos.
- O que foi? Não vai me dizer que nunca viu um homem fazer a barba.
- Eu? Sim, senhor. - e sem fitá-lo perguntou:
O senhor precisa de mais alguma coisa?
Enquanto falava ia em direcção à porta.
- Diga uma coisa, moça bonita.
O que os condes fazem após o café da manhã?
- O conde geralmente vai para o seu escritório.
Com o pincel na mão, perguntou:
- E a condessa?
- Ela geralmente vai para o canil - seu rosto se animou.
Muitas vezes, nós, quero dizer, as crianças e eu a acompanhamos.
Rafael pegou a navalha.
- Você gosta de cães?
- Eu, senhor?!
- Sim, você.
- Gosto, gosto muito.
- E a condessa?
- Ah, ela adora os cães - sua voz se animou.
Outro dia, ela comentou que gostaria de ter um cãozinho pequeno.
- Um cãozinho pequeno?
Os do canil são grandes?
- Sim, senhor. São de guarda.
Agora, se me der licença.
- Pode ir. Mas, antes me diga uma coisa, aquela porta à direita vai dar aonde?
- Ali são os aposentos dos condes. Com licença.
Enquanto terminava de fazer a barba, cantarolando, Rafael pensava que uma pequena atenção dada aos criados, poderia abrir muitas portas.
Satisfeito, tratou de se vestir.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

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Após degustar o café da manhã, dirigiu-se ao escritório do irmão.
Bateu na porta e entrou.
- Bom dia, Pedro.
- Bom dia.
Então, está gostando daqui?
As coisas estão ao seu gosto?
Se precisar de algo é só me dizer.
- Obrigado, está tudo óptimo.
Aproximando-se da escrivaninha, onde o irmão estava sentado, acomodou-se em uma poltrona.
- Mano, como sabe, vim de carruagem.
Se for possível, gostaria de dar umas voltas por aí - fez um gesto com a mão.
Sei que você tem excelentes montarias e...
- Claro Rafael. Meus cavalos estão à sua disposição.
Faço questão de acompanhá-lo até as cocheiras - ergueu-se.
Tenho aqui um árabe que, com certeza, vai agradá-lo muito.
Realmente, Rafael adorou o corcel negro, cujo nome era Caprichoso.
Ao montá-lo, percebeu o porquê do nome: era preciso pulso firme para contê-lo.
Se o cavalheiro não tomasse cuidado poderia acabar no chão.
O ímpeto do animal agradou bastante a Rafael, que adorava desafios.
Na manhã seguinte, ele acordou a tempo de tomar o café com os condes e alguns convidados madrugadores, entre eles Cornélia e Bela.
Após, o que pediu licença para se ausentar.
Queria explorar as redondezas.
Geny estava apreensiva, pois a tarde chegava ao fim e Rafael ainda não havia retornado.
Amiúde, ela ia até a sacada de seu quarto e apurava a vista tentando ver alguma coisa.
Quando sua apreensão estava chegando à beira do desespero, eis que Caprichoso surgiu ao longe.
Disfarçadamente, continuou a olhar através da cortina.
Rafael apeou e amarrou a montaria.
Depois, tirou cuidadosamente uma caixa de trás da sela.
Com ela na mão entrou no castelo.
Em seu quarto, ele colocou a caixa no chão.
Abriu, deu uma olhadinha, voltou a fechar.
Tocou a sineta. A criada apareceu.
- Ora, ora, eu tinha me esquecido de que neste castelo tinha uma mulher tão bonita!
Seu olhar insolente novamente, a percorreu de cima abaixo.
Ela corou até a raiz do cabelo.
- O senhor está precisando de alguma coisa?
- Sim, preciso de um banho.
Você pode preparar para mim? - perguntou, com suavidade na voz.
Mergulhado na água, com a cabeça encostada na beira da tina, Rafael tinha os olhos fechados e um sorriso nos lábios.
O dia tinha sido muito interessante.
Sacudindo a cabeça, esticou a mão, pegou a sineta, bateu.
Ouviu quando ela abriu a porta.
- Moça bonita, por favor, venha até aqui.
- Onde, senhor?
- Aqui atrás do biombo.
Ao vê-lo dentro d'água, ela novamente corou até a raiz do cabelo.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 01, 2016 9:57 am

Após olhar em seu rosto, ele perguntou:
- Como é o seu nome?
- Anabela, senhor - respondeu com os olhos baixos.
- Anabela! Um nome lindo, para uma bela mulher! - disse com voz de aprovação.
Sabe? Enquanto tomo banho, me apetece um bom vinho.
Será que poderia me providenciar uma jarra?
Pediu com ar de menino travesso.
- Sim senhor - respondeu com os olhos baixos.
Quando ela voltou, ele pediu para que o servisse.
Em seu quarto, Geny apurou os ouvidos: alguns sons vinham do quarto do cunhado.
Animada com a expectativa de encontrá-lo no jantar, rapidamente tratou de acabar de se arrumar.
Mais tarde, Geny estava de volta aos seus aposentos, quando passos soaram no corredor.
- Geny, Bela e eu podemos entrar? - perguntou Cornélia, após entreabrir a porta.
- Claro, entrem.
- Como é, está tudo pronto para a recepção de amanhã?
- Como? Ah, sim, está tudo sob controle.
- O que houve? Você parece agitada.
Geny foi até a janela, ficou de costas para elas, olhou para o jardim.
Lentamente se virou.
- Madrinha, o que achou do irmão de Pedro?
- Você não nos convida para sentar?
- Desculpem-me.
Vamos nos sentar.
- Geny, estou sentindo que o rapaz, irmão de Pedro, lhe causou funda emoção.
Ela levou as mãos ao rosto.
Lentamente as abaixou.
- Ele é um homem...
Um homem sensacional - olhou para elas, como à espera de concordância.
Hoje, após o jantar, tivemos a oportunidade de conversar - seu rosto se iluminou.
Ele é animado. Desde que chegou, parece que o castelo ganhou vida nova.
- Então, nós não estamos enganadas, Rafael a abalou.
- Desde que nos vimos, pela primeira vez, senti alguma coisa se remexer dentro de mim - levou a mão ao coração.
Elas se entreolharam.
- Geny, cuidado.
Você conseguiu um óptimo casamento.
Seu marido é um homem de muitas posses.
Margarida, até hoje, não se conforma em tê-lo perdido.
- Sei disso, madrinha.
Mas, às vezes, sinto uma ânsia dentro do peito - suspirou.
Pedro é bom, mas... Não preenche minha vida - levantou-se do sofá, abriu os braços.
- Sinto falta de alguém para conversar.
Além do que, ele é bem mais velho que eu.
Ultimamente, tem estado muito cansado.
Onde encosta a cabeça, dorme...
- Eu entendo.
Como sabe, a vida pode ter suas compensações - olhou para a afilhada.
Não estou dizendo para que se prive das alegrias.
Mas... É necessário ter cautela, está me entendendo?
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 01, 2016 9:57 am

- Sim, creio que sim.
- Tenha cuidado. Não se comprometa.
Olhou para o relógio que estava sobre uma cómoda.
- Bom, vamos deixá-la. - ergueu-se.
Para sermos felizes, às vezes é necessário saber conduzir a vida.
Ao chegarem à porta, Bela, que até então estivera calada, disse:
- Homens bonitos, geralmente, é uma perdição para as mulheres. Tenha cautela.
Apenas recentemente Geny descobrira que Bela, na verdade, era mãe de Cornélia.
Fruto de um amor clandestino, que as sustentara e que, ao morrer, deixara alguns bens para elas.
Cornélia, sendo bonita, conseguira se casar com o marquês de Resplendor.
- Então, a vida pode ter suas compensações. Será?
Estava imersa nesses pensamentos, quando Pedro entrou no quarto.
Era hora de dormir.
No dia seguinte, quando passou pela porta do quarto de Rafael, Geny pensou ter ouvido sons de risadas.
Imagine só, quem poderia estar com ele àquela hora da manhã?
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 01, 2016 9:57 am

Capítulo 4 - Dias de festa

Ao entrar no salão, Geny se deparou com vários convidados tomando o desjejum.
Percorreu o local discretamente com os olhos.
Rafael não estava entre eles.
A conversa à mesa não podia ser outra.
Todos ansiavam pela chegada da noite e a comemoração do aniversário.
Após o café, as pessoas se espalharam.
Geny mandou buscar os filhos para que fossem com ela até o canil.
Estavam distraídos brincando com os cães quando ela ouviu uma voz agradável perguntar:
- Bom dia, será que posso me juntar a vocês?
- Rafael! Senti sua falta hoje no café da manhã - após falar, Geny teve vontade de morder a língua.
- Hoje levantei cedo.
Eu precisava resolver uns assuntos.
Então, como vão meus sobrinhos?
Hein? - chegou junto às crianças e abraçou-as.
Vocês gostam de cavalgar, certo? - olhou para os sobrinhos, mostrando interesse.
- Gostamos.
- Eu tenho aqui uma lembrança para vocês - enfiou a mão no bolso do casaco, tirou dois pacotes e entregou um para cada criança.
Eram dois pequenos chicotes com elaborado cabo de prata.
Os sobrinhos adoraram o presente.
Enquanto ele conversava com as crianças, Geny tentava contar as batidas "malucas" que seu coração dava.
De repente, ele se virou:
- Ah, mas para a mamãe também há uma lembrança.
Deu alguns passos, abaixou-se e pegou a caixa que trouxera no dia anterior.
- Upa, preciso tomar cuidado para não deixar cair - chegou junto da cunhada, esticou a caixa.
Espero que goste.
- Para mim? - Geny estava surpresa.
Eu... - olhou para ele.
- Mamãe, a senhora não vai abrir a caixa? - Pedrinho perguntou.
- Sim, vou sim - pegou e abriu.
Meu Deus, o que é isso?
Que gracinha! Vejam! - exibiu para os filhos um cachorrinho peludo todo branco.
Que amor! - encostou-se ao rosto, olhou para Rafael - eu nem sei o que dizer.
- Gostou?
- Adorei!
- Mamãe, deixa-me ver, deixa...
- Espere Filomena, primeiro seu irmão.
Veja Pedrinho, que coisa fofa!
- Ah, mamãe, esse é um cachorro para mulheres.
- É verdade, Pedrinho.
Eu notei que no canil havia muitos cães, mas nenhum adequado a uma senhora - Rafael disse.
- É mesmo, titio.
Filomena passou os olhos pelos cães.
- Agora nós já temos um cachorrinho para nós - olhou para o irmão.
Viu só que bom? Tio Rafael é um amor.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 01, 2016 9:57 am

- Bah, eu gostei mais do chicote - balançou-o no ar.
- Hoje mesmo quero usá-lo.
- Rafael, eu nem sei dizer como seu presente me agradou! - Geny falou.
Eu sempre quis ter um cão pequeno, mas... - poderia dizer que o marido nunca satisfizera sua vontade, mas preferiu ficar calada.
Quer dizer que você saiu por aí à cata de presente para mim?
Para nós? Corrigiu.
- É claro, quando eu me for, vocês terão algo para se lembrar de mim.
Geny preferiu não pensar no dia da partida dele.
À tarde, Geny estava brincando com o cachorrinho, quando soaram batidas na porta que separava seus aposentos dos de Rafael.
Sentindo um misto de emoção e ansiedade, ela foi até a porta e abriu.
- Oi, Geny. Pedro está por aí? - Rafael perguntou, olhando para o cómodo, por cima da cabeça dela.
- Pe... Pedro? - gaguejou.
Não, ele só deve subir daqui a pouco.
Por quê? Precisa de alguma coisa?
- Ah, me desculpe! - passou a mão no rosto.
Eu não quero incomodar.
Bem, preciso fazer a barba e minha navalha não está boa.
Queria ver se meu irmão tinha uma para emprestar - olhou para ela, exibiu seu belo sorriso.
Desculpe incomodá-la - pegou a porta e fez menção de fechar.
- Espere. Creio que deve haver algumas navalhas ali na cómoda. Quer ver?
- Eu... Não estou vestido adequadamente para entrar nos aposentos de uma senhora.
Só então Geny notou que ele usava um robe.
- Deixe depois eu falo com Pedro.
Com licença - deu um sorriso e fechou a porta.
Geny se sentou em uma poltrona.
Cobriu os olhos com as mãos e assim ficou até Anabela chegar para lhe preparar o banho.
Pedro não poupou esforços e nem dinheiro para que sua festa fosse um sucesso.
Durante a deliciosa ceia, uma magnífica orquestra, instalada sobre um tablado no grande salão de baile, tocava em surdina suaves melodias.
Após a refeição, todos se dirigiram ao salão de bailes.
A um sinal de Pedro, os músicos passaram a tocar uma valsa dançante.
Pegando Geny pela mão ele a enlaçou e deu início ao baile.
Vários casais passaram a acompanhá-los.
Após dançar com o marido pesadão, Geny, muito linda em seu vestido de seda florido, dançou com vários convidados.
Entre uma música e outra, ela procurava Rafael com o olhar - sabia agora que ele não era casado.
Notou que ele parecia estar muito contente conversando, rindo e dançando com todas as moças casadoiras que lá estavam.
Ao vê-lo se divertindo com as outras, alguma coisa se apertava em seu peito.
Dizendo a si mesma que nada tinha a ver com ele, tratou de se divertir.
Por sua vez, Rafael, sempre com um sorriso nos lábios, procurava ficar se divertindo nos locais que ficavam bem à vista de todos, especialmente de sua bela cunhada.
Geny já havia tomado várias taças de vinho, quando Cornélia chegando junto dela, disse:
- Cuidado para não se embebedar.
Bêbados não sabem o que fazem.
- Ora, madrinha, eu estou bem sóbria, não se preocupe.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 02, 2016 9:00 am

- Será? Tenha cuidado não se meta em complicações - olhou para Rafael que, mais lindo do que nunca, em seu traje de gala, nesse momento conversava com Pedro.
Tocou com a mão enluvada no rosto da afilhada e sorriu.
- Mas como eu já disse a vida pode ter algumas alegrias. Desfrute-as...
Geny respirou fundo, colocou a taça vazia sobre uma mesa.
Olhou ao redor a procura de um garção, continuava sentindo muita sede.
- Geny, será que me daria à honra dessa dança? - Rafael perguntou, enquanto se curvava e estendia a mão.
- Eu... - olhou para onde havia visto o marido.
- Eu já pedi licença ao meu irmão.
- Já... Já pediu? - gaguejou.
Está bem.
Ele a enlaçou e saiu rodopiando pelo salão.
De vez em quando a apertava contra si, talvez um pouco mais que o exigido pela dança.
Certo instante, Geny teve a impressão de sentir seus lábios roçarem em seus cabelos.
Quando a valsa terminou Rafael a levou até Pedro.
- Irmão, muito obrigado! - olhou para ela.
Minha cunhada é uma excelente dançarina.
Se não se importar, mais tarde quero tirá-la novamente para dançar.
Com licença! - fazendo uma mesura afastou-se.
- Querida, você parece cansada, está ofegante.
Quer uma taça de champanhe?
- Sim - ela respondeu, enquanto se abanava com seu belo leque.
O baile estava para terminar quando Rafael novamente a tirou para dançar.
Desta vez, ele a apertou mais nos braços.
Depois, quando a música terminou, olhando em seus olhos disse:
- Meu irmão é um homem de sorte, de muita sorte.
Beijando sua mão continuou:
- Obrigado, espero que estes momentos tenham sido tão especiais para você como foram para mim.
Mais tarde, em sua cama, após o magnífico espectáculo pirotécnico que Pedro contratara, Geny revirava-se sem conseguir dormir.
Parecia que em todos os locais nos qual Rafael tocara sua pele queimava.
Revirou-se tanto até Pedro reclamar que não conseguia dormir devido à sua agitação.
Ela respondeu que estava assim, devido à alegria que sentira durante a festa.
O que não era de todo mentira.
Ao contrário de Geny, Rafael dormia feliz com um sorriso nos lábios.
No dia seguinte, a maioria das pessoas levantou tarde.
Geny, após verificar se tudo estava a contento para os hóspedes, arriscou dar uma volta pelas salas e mesmo pelo terraço, para ver se Rafael estava por ali.
Não tendo encontrado o cunhado, sentiu certa decepção.
De repente, no meio da conversação geral, sons de cascos de cavalo foram ouvidos.
Rafael entrou na sala, muito elegante, usando uma roupa de montaria toda negra que ressaltava sua bela aparência.
Disse lamentar não haver chegado a tempo para tomar o desjejum com eles.
Neste momento, seu olhar procurou o de Geny.
Havia saído para um passeio e pudera apreciar a beleza da propriedade.
Olhando para o irmão concluiu:
- Pedro, Caprichoso é realmente um cavalo especial.
Hoje tive a impressão de que ele estava a fim de me derrubar.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 02, 2016 9:00 am

- Conde Rafael, que perigo!
Então o senhor deve escolher outra montaria.
Imagine só como seria desagradável se tivesse sofrido algum acidente! - disse uma bela mocinha, de nome Laura, com a qual ele havia dançado várias vezes na noite anterior, e cuja mãe tentava, a todo custo, impingi-la ao rapaz.
Geny teve vontade de dar-lhe umas tapas.
- Realmente, Caprichoso é um cavalo difícil, mas Rafael sempre gostou de desafios - disse Pedro.
- Ah, eu gosto mesmo.
Afinal, que graça teria a vida se não houvesse os desafios? - novamente olhou para Geny.
Mais tarde, Geny, pronta para o almoço, estava em seu quarto e brincava com a cachorrinha à qual havia dado o nome de Bianca, quando novamente soaram batidas na porta divisória.
- Meu Deus! - levou a mão ao peito.
Será que é o Rafael? - pensou, e achando melhor ter algo na mão, pegou Bianca no colo e foi abrir.
- Oi Geny, ah você está brincando com a cadelinha?
Então ela está se comportando? Já tem nome?
- A cadelinha? Ah, sim está, sim.
Eu coloquei nela o nome de Bianca e procurando não olhar para a camisa entreaberta, ela continuou.
Você precisa de alguma coisa?
Ele a fitou intensamente, depois abriu um sorriso.
- Sim, preciso de sua ajuda.
Eu estou em dúvida sobre qual gravata devo usar no almoço.
Você poderia me dar uma opinião?
Já percebi que além de ser muito bonita, você tem muito bom gosto.
- Eu? Ora, imagine só - respondeu corando.
Onde estão as gravatas? - perguntou evitando olhar para ele.
- Venha até aqui.
Pegou em sua mão e puxou-a para dentro de seus aposentos.
- Ali estão elas, sobre a cómoda.
Ao se curvar para olhar as gravatas, percebeu que ele também se curvara.
Sua respiração junto dela, causou um arrepio.
Rapidamente ela se endireitou, ele também foi rápido.
Abaixando a cabeça, ergueu a mão e acariciou seu queixo.
- Geny, Geny, você é capaz de enlouquecer qualquer homem - sua voz e seu olhar eram como que uma carícia.
Assustada, deu um passo para trás e correu de volta para seu quarto, apertando Bianca com força.
A cadelinha emitiu um lamento.
Rafael fechou mansamente a porta.
Durante o almoço, Geny sentiu o olhar do cunhado várias vezes sobre si.
Após a refeição a conversa corria solta.
Subitamente fez um momentâneo silêncio e todos puderam ouvir quando uma mulher disse:
- Conde Rafael, não sei se sabe, mas depois de amanhã iremos embora.
Não queremos abusar mais da hospitalidade dos condes.
Era a mãe de Laura, quem falava.
- Nós temos o maior prazer em ter os amigos connosco - Pedro disse cortesmente.
- Muito grata, mas realmente precisamos voltar para casa.
Pois é, suponho que o senhor - olhou para Rafael - também qualquer dia deverá retornar aos seus afazeres, então quero dizer que nossa propriedade fica no caminho para o norte, e teremos o maior prazer se quiser parar para nos fazer uma visita.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 02, 2016 9:00 am

Quero colocar nossa casa à sua disposição.
- A casa e a filha - pensou Geny.
Antes que ele pudesse responder, outra mulher, mãe de duas moças falou:
- Ah, é claro que também vamos esperar sua visita.
Aliás, nem precisa ser quando for embora, pois moramos aqui bem perto.
Nossas propriedades fazem limite a leste.
Após falar olhou para a outra com ar de satisfação no olhar.
- Eu agradeço profundamente tão honrosos convites - olhou de uma para outra.
Certamente farei o possível para ir visitá-las.
- Mulheres sem graça - Geny pensou.
Arriscando, disse:
- Bem, esperamos que Rafael ainda fique bastante connosco.
Afinal, minha madrinha e tia Bela irão embora amanhã e ficaremos Pedro, as crianças e eu muito sós.
Você não pensa querido, que seu irmão deva ficar mais algum tempo connosco?
- Sim, sim, é claro.
- Conde Rafael, será que não poderia nos indicar algum jogo?
O senhor conhece tantas brincadeiras interessantes - disse Laura, olhando embevecida para ele.
Geny fuzilou-a com o olhar.
No dia seguinte, pela manhã, a maioria das pessoas decidiu fazer uma cavalgada.
Lá pelas tantas se afastaram, indo cada grupo para o lado que mais lhe agradasse.
Várias pessoas já haviam voltado para o castelo quando subitamente Caprichoso apareceu galopando sem seu cavaleiro.
Geny, ao vê-lo, rapidamente levantou da cadeira em que estava sentada.
- Meu Deus! Cadê o Rafael? - perguntou para ninguém.
Correu à procura do marido.
- Pedro, Caprichoso voltou sozinho.
- Como? Sozinho?
Rafael não havia saído com ele?
Onde está meu irmão?
- Não sei. O cavalo voltou só.
Estou muito preocupada - disse, torcendo as mãos.
- Eu falei para ele tomar cuidado.
Rafael sempre foi impetuoso - levantando-se da cadeira, foi caminhando para fora do castelo.
Estavam em meio ao alvoroço, sem saber bem o que fazer quando alguém disse:
- Vejam, lá está o Rafael.
Ele chegou mancando.
Contou que Caprichoso, subitamente disparara, jogando-o no chão.
Colocando a mão direita sobre a perna esquerda, disse que havia se machucado um pouco.
Um médico foi chamado.
Enquanto ele não chegava, Anabela foi destacada para lhe fazer umas compressas.
Em seu quarto, Geny, preocupada, torcia as mãos.
Ouvindo os sons que vinham dos aposentos do cunhado, não sabia se devia ir até lá para ver como ele estava, ou se devia ficar quieta.
Finalmente, decidiu que quando o médico chegasse, o acompanharia durante a visita.
Assim ninguém poderia fazer nenhum comentário.
Batidas soaram na porta.
Cornélia, Pedrinho e Filomena surgiram no umbral.
- Geny, eu e as crianças estamos preocupadas com Rafael.
Estamos pensando em ir ver como ele está.
Você nos acompanha?
Cornélia perguntou erguendo as sobrancelhas.
- É claro que sim - respondeu feliz.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 02, 2016 9:01 am

Capítulo 5 - Assédio

O médico, após mandar que todos saíssem do quarto, fez minucioso exame na perna esquerda de Rafael.
Depois, tirando os óculos, limpou-os cuidadosamente, voltou a colocá-los.
Franzindo o sobrolho olhou para Rafael.
- Senhor conde eu... Não estou encontrando...
- Doutor, sei o que vai dizer - fez um gesto com a mão eu realmente estou bem, nada tenho na perna.
- Como? Então me chamou aqui para quê?
Como sabe, tenho outras pessoas para atender - falou em tom exaltado.
- Calma, doutor, eu posso explicar.
Ajeitou-se na cama.
- O senhor há de entender.
Bem, como deve saber, meu irmão fez aniversário.
Eu, ao chegar, vi que ele havia convidado muitas pessoas, entre elas muitas famílias com moças em idade de se casar - ergueu os ombros.
O médico riu.
- Já sei, elas caíram sobre você.
Bonito, rico e nobre é claro que as mulheres o assediavam - pensou.
- Pois é. - Novamente fez um gesto com a mão.
Eu gosto muito de mulheres...
Mas não estou disposto a ficar servindo de distracção para meninotas.
Então, quando levei uma pequena queda do cavalo, tive a ideia de fingir uma queda maior - deu de ombros.
E se o senhor determinar que deva ficar de repouso e passar algum unguento para melhorar a dor, elas terão que entender - olhou para o médico.
Sem contar meus sobrinhos traquinas que ficam o tempo todo atrás de mim.
- Bem... Eu... Sabe, tenho minha reputação.
- Sei que o senhor é um homem ocupado.
Sei também que faz muita caridade e muitas vezes atende pessoas humildes, que não têm como lhe pagar.
Bem, eu gostaria de colaborar, afinal, o senhor deve ter um gasto grande com os remédios que distribui aos carentes - abriu a gaveta do criado-mudo e pegou várias notas.
Por favor, aceite - olhou para o médico com ar de coitado.
- Bem... Eu...
- Por favor, doutor.
Eu só lhe peço que diga que preciso de massagens com unguento e que devo fazer repouso por um ou dois dias.
Assim, quando eu melhorar, a maior parte dos convidados já terá ido embora.
Depois que o médico saiu, Rafael bateu a sineta.
Quando Anabela apareceu, ele disse que, devido à queda, estava sentindo um pouco de dor.
Gostaria que ela lhe trouxesse uma bandeja com algo para comer e depois dissesse aos outros que ele ia tentar dormir um pouco.
Cansado da noite mal dormida, devido ao aniversário, dormiu quase a tarde inteira.
Quando acordou, o crepúsculo se avizinhava.
Levantando-se, foi até a cómoda, penteou os cabelos, perfumou-se e ensaiou no espelho uma cara de vítima.
Satisfeito, sorriu para si mesmo.
Foi até a porta divisória e bateu.
Ele sabia que neste horário Geny geralmente vinha se arrumar para o jantar.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 02, 2016 9:01 am

- Geny, Geny.
Ela apareceu exibindo ar de preocupação no rosto.
- Rafael? O que foi? Está com dor?
- Sim. Por favor, preciso de sua ajuda - fez uma careta.
O doutor recomendou que eu passasse um unguento, mas sozinho estou tendo alguma dificuldade.
Será que você poderia passar para mim?
- Você quer que eu passe unguento em sua perna?
- Sim, por favor.
- Bem... Nós podemos chamar algum criado para ajudá-lo.
- Geny, por favor!
Sabe bem que esse pessoal é muito bruto.
Eles só iriam me machucar mais.
Por favor, me ajude - disse com aquele olhar de coitadinho.
Foi manquitolando até a cama, onde se sentou.
Encostou a cabeça no espaldar e fechou os olhos por uns instantes, como se estivesse com dor.
Geny se aproximou, curvando-se, ergueu o robe dele, passou o líquido e começou a massajar.
Rafael fez cara de dor.
- Ai, ai -, gemeu.
Subitamente ele veio para frente, passou um braço sobre cintura dela e a puxou contra si.
Sem que ela pudesse esboçar um movimento ele beijou-a nos lábios.
Geny tentou se debater.
Ele a apertou mais e beijou-a com mais ardor.
- Minha querida, meu amor.
Assim que eu a avistei desejei te beijar e abraçar.
- Rafael, por favor...
Largue-me. - Tentava se soltar.
- De jeito nenhum, você é meu amor! - enquanto falava, beijava todo o seu rosto.
Querida, querida. Sabe por que eu caí do cavalo? - beijou-a.
Porque Caprichoso é difícil e eu me distraí pensando em você - beijou-a novamente.
Eu sempre estou com você no meu pensamento, posso estar pensando em outra coisa, mas você sempre está em meu pensamento.
Querida, querida me abrace... Abrace-me...
Geny sentia-se sufocada.
A razão dizia para ela deixá-lo, o coração não.
- Rafael, por favor - olhou para a porta -, pode aparecer alguém.
Relutante ele a largou.
- Querida, eu quero que você fique comigo - olhou para ela com carinho.
Eu a amo. Por favor, meu amor, diga que me ama.
Ela abaixou a cabeça e tampou o rosto com as mãos.
Lentamente retirou as mãos.
- Eu...
Antes que ela dissesse mais alguma coisa, ele a abraçou novamente e a beijou ardorosamente nos lábios.
- Não precisa responder apenas me deixe amá-la.
Olhou para ela, acariciou seu rosto.
- Deixe eu te amar.
Eu vejo em seus olhos que gosta de mim...
Por favor, meu amor, diga que sim!
Silêncio.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 02, 2016 9:01 am

- Minha querida, se aceitar meu amor, fará de mim o homem mais feliz do mundo!
Por favor, me aceite!
- Rafael, me largue, me largue - erguendo-se, virou-se e voltou correndo para seu quarto.
Bateu a porta com estrondo.
Dali a segundos, Pedro entrou assobiando no quarto.
- Geny? Ainda não está se preparando para o jantar?
Naquela noite, Geny mal conseguiu pregar os olhos.
Seus lábios queimavam.
Entretanto, Rafael dormiu muito bem, sonhando com a esposa do irmão.
Pela manhã, Rafael, deitado no leito, com as mãos sob a cabeça, pensava nos beijos que dera na cunhada, quando fortes batidas soaram na porta.
Pedro entrou.
- Bom dia. Então, como está se sentindo?
Precisa de alguma coisa?
- Bom dia, mano. Eu estou melhor.
Soergueu-se, fez uma careta.
- Ai! - tocou na perna.
Mas ainda não dá para dançar. - Olhou para o irmão e sorriu.
- É uma pena. Hoje eu e os amigos que ainda estão aqui decidimos ir pescar.
Gostaríamos muito que fosse connosco.
- Pescar? Onde?
Vão voltar para o almoço? - perguntou com ansiedade.
Pedro se sentou em uma poltrona, acendeu um charuto.
- Vamos até o rio Limpo a umas duas horas daqui, lá há muitos peixes.
Nós só vamos voltar amanhã.
Pedi a Geny para que providenciasse algumas galinhas assadas, pães, frutas e vinho, é claro.
- É mesmo? - "mas que óptimo!", pensou.
- Então, voltarão amanhã.
Pedro limpou a cinza do charuto que caíra em seu crescente abdómen.
- Sim. Os criados vão armar algumas barracas junto às margens - olhou para o irmão.
Ficaremos bem acomodados.
- Mas, o local é seguro?
Será que não há algum perigo? - perguntou com ar de preocupação no rosto.
- O local é muito seguro, e muito bonito - disse, olhando para a perna do irmão.
Pena que você não possa ir...
- Pois é. Mas mano, como sabe, o grande pescador é você.
Eu sou um desastre com o anzol.
Ainda me lembro quando você ia pescar e trazia tilápia para nós.
- Você se lembra? - Pedro deu um sorriso saudoso.
Naquela época, mamãe ainda vivia - levantou-se.
Mas, meu irmão, se é um desastre com os peixes, é um sucesso com as mulheres, está sempre pescando alguma sereia - disse rindo - não é?
As moçoilas não param de me perguntar sobre seu estado.
Quer que elas venham lhe ver?
- Ah, mano, por enquanto não - fez uma careta -, porém, espero estar melhor até a noite.
Pretendo descer para jantar no salão.
Olhou para o irmão.
- Mas, para isso vou descansar o dia todo.
- Muito bem. Vou pedir que lhe tragam o desjejum - ia saindo, voltou.
Ah, sim, como alguns convidados já foram embora, destaquei um valete, o Nicanor, para lhe servir.
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Ave sem Ninho

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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 02, 2016 9:01 am

Rafael esfregou as mãos de contentamento.
As coisas estavam se encaminhando melhor do que ele esperava.
Logo após o almoço, que Rafael também degustou em seu quarto, ele foi até a porta de comunicação.
Tinha esperança que pela manhã Geny houvesse se esquecido de trancá-la.
Girou a maçaneta: a porta se abriu. Entrou.
Cautelosamente procurou por Bianca.
Encontrou a cachorrinha dormindo placidamente em sua cestinha.
Pegou o animalzinho e levou-o consigo.
Dali a algum tempo escutou Geny entrar no quarto.
Escutou-a chamar por Bianca.
Lentamente ele pegou a cachorra, aproximando-se da porta bateu com os nós dos dedos, e em seguida a abriu.
- Geny, você está procurando a Bianca?
- Rafael! O que aconteceu?
Bianca está bem? - veio em direcção a ele e tentou pegá-la.
Rafael ergueu o braço.
- Bianca agora está bem.
Porém, chorou muito esta manhã.
Fui obrigado a ficar com ela.
- Está certo, desculpe pelo incómodo.
Agora me dê à cachorra. - falou Geny sem olhar em seu rosto.
- Você quer a cachorra? - ele foi voltando de costas para o quarto.
Venha até aqui.
- Eu... Eu... Não sei... - Geny sentia forte emoção.
- Venha, meu amor - falou as palavras em tom bem suave.
Rapidamente colocou Bianca sobre uma poltrona, esticando a mão puxou a moça contra si e a beijou nos lábios.
- Rafael, por favor, me largue. Alguém pode entrar.
- Querida, todos devem estar descansando - disse, continuando a beijá-la.
Eu passei a noite acordado, pensando em você.
Meu amor, deixe eu te amar.
Geny sentia uma forte onda de calor a envolver.
De repente, ela estava em seus braços e se sentia a mulher mais feliz do mundo.
Seu desejo era que o relógio não marcasse mais as horas e que o crepúsculo nunca chegasse.
No final da tarde, já em seu quarto, olhou-se no espelho e quase não reconheceu a aparência feliz de mulher que o cristal lhe devolveu.
Fechou os olhos, tocou os lábios com a mão.
Ficou uns instantes imersa nas lembranças dos momentos felizes que passara.
Tirou a roupa, colocou um robe, acabou de desmanchar os cabelos, que Rafael dissera serem lindos, e bateu a sineta.
Quando Anabela apareceu, deu um bocejo e pediu a ela para que lhe preparasse um banho.
Trajando o seu vestido verde-musgo, que sabia lhe cair muito bem, Geny, com a cabeça bem erguida, entrou na sala de jantar.
Ao olhar para frente viu que aos fundos fora colocada uma poltrona.
Rafael, comodamente sentado com a perna sobre um banquinho, tinha ao seu redor várias moças.
Uma onda forte de ciúmes invadiu o peito de Geny.
Respirando fundo, procurou se controlar.
Seu olhar cruzou com o de Cornélia.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 02, 2016 9:01 am

A madrinha sorriu e aproximando-se, falou:
- Minha querida, saiba aproveitar as coisas boas que a vida oferece.
Fique calma. Há momentos que precisamos saber agir com tacto - e batendo de leve com o leque no ombro da afilhada concluiu:
A noite é uma criança...
- Sou tão transparente assim? - Geny perguntou olhando ao redor, para ver se mais alguém escutava a conversa.
- Só para mim que a conheço bem - riu.
Mande servir o jantar.
Após o jantar, todos foram para o grande salão.
Rafael, manquitolando, foi até o piano.
Sentou-se no banquinho, abriu o piano e começou a tocar e a cantar canções de amor, para as quais as jovens faziam coro.
Geny, sentada em uma poltrona, tendo ao seu lado Cornélia e Bela, tinha vontade de mandar trancar as moças em seus quartos.
Depois de quase uma hora de sarau, ela se aproximou do piano e perguntou:
- As meninas aceitam um licor?
E meu cunhado? Talvez um conhaque?
- Que óptimo Geny - respondeu ele virando-se para ela.
Eu estou com sede.
E essas lindas moças também - levantando-se devagar.
Vou sentar em minha cadeira, minha perna está doendo.
- Posso ajudar? - Laura perguntou com ansiedade.
- Claro, só um tolo recusaria a ajuda de uma jovem tão bonita. - e apoiando-se nela, foi manquitolando até uma poltrona.
Após fuzilar Laura com o olhar, Geny mandou providenciar as bebidas.
Mais tarde, vendo que Rafael continuava a conversar e rir com as moças, ela decidiu que era hora de se retirar.
Estava pensando em alegar uma dor de cabeça, quando ouviu Rafael dizer:
- Meus amigos - olhou no relógio -, já está tarde, quero pedir licença para me retirar.
- Conde, realmente já está ficando tarde.
Creio que o senhor precisa descansar bastante para sarar logo.
Temos sentido sua falta - disse a mãe de Laura.
Rafael se levantou, despediu-se de todos.
Passando por Geny disse baixinho:
- Até mais tarde meu amor! - deu uma piscadinha.
Auxiliado por Nicanor, subiu a escada em direcção aos seus aposentos.
No dia seguinte, quando Geny acordou, tocou com a mão o travesseiro que ainda mantinha a forma da cabeça de Rafael.
Ela tinha percebido quando alta madrugada ele foi para seu quarto.
Cantarolando, levantou-se e bateu a sineta.
Quando Anabela entrou, ela achou que a criada parecia ter chorado.
Dando de ombros, ordenou a roupa que queria usar.
Depois de pronta, sentindo-se imensamente feliz, desceu para tomar o desjejum.
Ao entrar na sala, seus olhos procuraram por Rafael.
Ele estava de costas, olhando para uma pintura dela que Pedro mandara fazer logo que haviam se casado.
- Então, que tal?
Gostou do quadro? - Geny perguntou.
- Geny, meu amor, pincel nenhum será capaz de captar toda a sua beleza!
Geny teve vontade de sair cantando e dançando de alegria.
No final da tarde, alegres, os pescadores retornaram.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 02, 2016 9:02 am

Capítulo 6 - Pedro escuta uma conversa

Nos dias que se seguiram, os convidados retornaram aos seus lares.
As últimas a irem embora foram Cornélia e Bela.
Geny, devido à presença do marido, não estava tendo oportunidade de ficar com Rafael.
Para não se sentir ansiosa demais, saía para cavalgar e procurava cuidar dos filhos, negligenciados nos últimos tempos.
Certa tarde, Rafael foi ao encontro de Pedro, no escritório.
Informou que sua perna já não doía, portanto, talvez fosse melhor retornar ao seu lar, pois não queria abusar da hospitalidade do irmão.
Pedro, porém, disse que era um absurdo ele pensar que estava abusando, afinal, agora que estava recuperado, os dois poderiam ficar juntos mais tempo e até ir pescar.
- Mano, eu agradeço o convite, porém, como sabe, não tenho paciência para a pesca.
Gostaria de procurar alguma outra actividade para me distrair - disse Rafael; e com ar de coitado continuou.
Como sabe, estou confinado há muitos dias nesta casa e confesso já estar um pouco cansado.
- Claro, claro. Entendo o que quer dizer.
Naturalmente esse tempo que ficou confinado, praticamente só na companhia de tolas mulheres, deve estar lhe dando nos nervos.
Muito bem, amanhã eu preciso ir fiscalizar os vinhedos, logo, vamos iniciar a colheita da uva, que tal ir comigo?
- Óptimo, vamos sim! - Rafael acendeu um charuto e após tragar continuou.
Você costuma ir sempre aos vinhedos, não é?
- Sim, nesta época do ano, quase todos os dias.
Como sabe o olho do dono engorda a boiada.
- Falando sério, para que a colheita nos renda bem, precisamos cuidar da uva.
Mas, você não precisa me acompanhar o tempo todo.
O trabalho, às vezes, é maçante.
Se quiser, pode ir à cidade - olhou para o irmão com ar maroto.
Lá há um lupanar com belas meninas - riu estrondosamente, ao mesmo tempo em que batia com a mão na coxa.
- É mesmo? Então o mano costuma encontrá-las?
- Eu? - fez cara de sério.
Não. Sou um homem casado. Sou um homem sério.
Rafael não acreditou muito na seriedade do irmão.
Nos dias que se seguiram, Rafael foi algumas vezes com o irmão aos vinhedos e observou que Pedro, durante a colheita da uva, costumava sair bem cedo e voltar apenas à noitinha.
Feliz pensou que enquanto o tonto do irmão ficasse labutando sob o sol quente, ele poderia passar horas agradáveis ao lado de Geny.
Nos dias que se seguiram, Rafael e Geny tiveram alguns encontros breves, pois com a casa vazia, tais encontros corriam o risco de serem interrompidos pelas crianças ou mesmo por um serviçal.
Irritado, Rafael, certa tarde disse a Geny que queria passar mais, tempo ao lado dela.
- Eu sei meu amor, mas como vamos fazer?
Ela respondeu meigamente.
Eu também não gosto de precisarmos nos apressar tanto.
- Não gosta, não gosta...
Porém, é capaz de passar a noite com Pedro, enquanto eu fico aqui pensando em você...
- Meu amor - ela se levantou da cama e tentou abraçá-lo.
Ele se esquivou.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

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