Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 09, 2016 10:13 am

Depois ela pediu-lhe para que indicasse alguns livros espíritas.
Murilo pegou um romance e também um livro que continha várias explicações sobre o lado de lá, o outro lado da vida.
Conversaram tanto, que ficaram surpresos quando Lia veio chamá-los para o almoço.
Após a refeição, Murilo, que tinha um compromisso na cidade, levou a mãe e a avó ao condicionamento físico.
Gisele aproveitou a folga para ler, pegou um romance de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier, estava absorta com a interessante história, que se assustou quando bateram à porta.
Nair vinha avisar que já tinham voltado.
Discretamente lembrou a ela que esta noite fariam o Evangelho no Lar.
Reunidos na sala para as orações, Gisele se lembrou que estava fazendo uma semana que chegara e ingressara naquela família.
Uma família bem estruturada, alegre e que a tinha recebido com os braços abertos.
Apesar de fazer apenas dias que ali estava ela sentia como se os conhecesse a vida toda.
Renata fez as orações iniciais.

Depois Marlene abriu o Evangelho:
Capítulo XVI - "Salvação dos ricos -
1- Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque ou há de aborrecer a um e amar ao outro, ou há de entregar-se a um e não fazer caso do outro; vós não podeis servir a Deus e às riquezas. (Lucas 16, 13)
(...) 11- Não podeis servir a Deus e a Mamon, guardai bem isto vós que sois dominados pelo amor do ouro, vós que venderíeis a alma para enriquecer, porque isso poderia elevar-vos acima dos outros e proporcionar-vos o gozo das paixões.
Não, não podeis servir a Deus e a Mamon!
(...) Mas qual é então, o melhor emprego da fortuna?
Procurai nestas palavras:
"Amai-vos um ao outro", a solução desse problema, pois nelas está o segredo da boa aplicação das riquezas."

Marlene explicou que Mamon era o deus da riqueza.
Murilo teceu comentários sobre a ambição e o apego ao dinheiro, dizendo que Deus não condena ninguém por ter recursos.
Pelo contrário, todos devem procurar melhorar de vida e não ficarmos esperando as coisas caírem do céu.
Porém, não convém ficarmos atrelados ao dinheiro e darmos mais valor a este do que à vida, à caridade, à família... Enfim...
Em seguida, pediu a Renata para que fizesse as vibrações.
Fez as vibrações, pedindo as bênçãos de Deus para todos.
Foi pedida a Gisele que encerrasse com o Pai Nosso.
Findas as orações, foram à copa saborear chá com biscoitos.
Estavam em animada conversa quando foram interrompidos pelo som do telefone.
Nair foi atender.
Ada estava informando que Dinho tinha melhorado bastante.
Os médicos tinham esperança de dar alta na próxima semana.
Porém, ela estava preocupada.
Ao ir até o trabalho dele pegar uns documentos, encontrou entre suas coisas alguns bilhetes e cartões de mulher.
Intrigada, ela interrogara um funcionário de confiança.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 09, 2016 10:13 am

Sim, dissera ele:
corria um boato que Dinho havia se envolvido com uma moça, que sem mais aquela o abandonara.
Parece que esse facto, aliado ao stress, uma vez que ele era um tanto escravo do trabalho, tinha ocasionado a crise.
Quando Nair terminou de falar, Marlene olhou para Gisele e fez um pedido.
- Querida - disse ela à moça - se já terminou seu chá, seria muito eu pedir para que me ajude a deitar?
- Claro, dona Marlene, vamos lá.
- Vovó, pode ser que Gisele ainda queira ficar mais algum tempo connosco - disse Murilo.
- Bem, se ela quiser, eu espero para subir - olhou para os lados - afinal Nicky ainda não apareceu.
- Gisele parece ter conquistado todos aqui.
Até a Sabrina abre um sorriso quando a vê - disse Renata.
- Sem falar no Boris - disse Murilo.
Escutando seu nome, o cão que estava deitado, quieto em um canto, emitiu um rosnado de satisfação.
Ao chegarem ao quarto de Marlene, ela virou-se para a moça:
- Sabe de uma coisa?
Sei que estou velha, mas ainda vejo as coisas, porém, quando teço algum comentário sobre Dinho, minha nora e meus netos saem em defesa dele.
Mas com você eu posso conversar.
Vamos nos sentar?
- A senhora quer que eu ligue a TV?
- Não - fez um gesto com a mão.
Hoje em dia eles só mostram tragédias.
Sente-se, sente-se.
Sabe, o Dinho é ávido por dinheiro.
Ele e a Ada gostam de servir a Mamon.
Acredito que Dinho deve estar desesperado para voltar ao trabalho.
Tem medo de perder dinheiro.
Imagine você, que com todos os problemas que a mulher dele enfrenta, ele acha tempo para arrumar namoradas - fez uma pausa.
Bem, sempre foi mulherengo, mas, pelo jeito a coisa agora foi feia!
Desculpe minha querida, mas...
Não sinto pena dele. Sabe?
É bem possível que esteja envolvido por entidades negativas.
A gente sabe que com a esposa ele...
Bom, eles não são aquele casal apaixonado.
Há muito tempo notei que ele mal a tolera, apesar dela ser óptima pessoa.
Feiosa, é verdade, mas religiosa e correcta, além de amá-lo muito.
- Por que a senhora crê que ele esteja envolvido com entidades negativas?
- Você sabe como é...
A mulher dele é muito religiosa e quer levá-lo para a igreja e a última coisa que nossos irmãos menos esclarecidos querem é que a pessoa siga Cristo - olhou para a moça.
O sexo. É através do sexo que costumam afastar as pessoas das orações.
Se a gente for espírita então... É bem pior.
- Do sexo? - Gisele estava confusa.
- Como assim?
- De várias maneiras.
Eles fazem a pessoa ter pensamentos, ham...
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 09, 2016 10:13 am

Ter desejo, muitas vezes pela pessoa errada.
Se um dos cônjuges é muito religioso, eles tentam ai afastar o outro através da paixão.
Hi, eles têm muitos métodos.
Você sabe, quando conseguem influenciar as pessoas eles, às vezes até participam do acto sexual e, bom, aproveitam tudo, tudo., os bordéis, as casas nocturnas onde rola sexo, droga e bebida estão cheios desse tipo de desencarnado.
- É mesmo? - Gisele estava surpresa.
- Sim - olhou firmemente para a moça.
Minha querida procure sempre se ligar com homens de bem.
Homens que seguem a Deus, e dessa forma vai evitar muitos sofrimentos - bocejou.
Gisele se levantou.
- Já é hora de dormir - cantarolou.
Vamos para a caminha?
- Vamos sim, já vou me preparar - fez uma pausa.
Obrigada, por ficar aqui comigo.
Sabe, você é muito legal, vou adoptá-la como neta.
Tenha uma boa noite de sono.
A moça estava com a mão na maçaneta quando ouviu Marlene dizer:
- Ainda bem que meu neto é um homem honrado.
Ele nunca daria mais valor a Mamon do que a Deus.
Também dificilmente trairia a esposa.
Feliz da mulher que com ele se casar.
Em seu quarto, Gisele ficou rememorando as palavras de Marlene.
- "Meu Deus, eu estava começando a fazer o Evangelho no Lar, com minha madrinha, estava pensando em ir ao Centro, será que...
Será que fui influenciada por algum Espírito?
Se eles gostam de nos afastar de Deus através do sexo, será que foi por isso que senti uma atracção tão grande por César?".
Sem ter respostas para essas indagações, decidiu ligar a tevê.
Estava passando uma comédia.
Acomodada em uma fofa poltrona, Gisele acompanhou o filme.
Subitamente uma cena a fez rir.
Confusa, levou à mão a boca.
Sua própria risada soou-lhe estranha.
Fazia tempo que não ria.
Tinha estado triste, mas esperava com o tempo sentir-se melhor.
Afinal, as tormentas também tinham seu fim.
Durante a madrugada, novamente sonhou com o ex-namorado.
Parecia que uma força forte impedia que ele chegasse até ela.
Pela manhã, abriu a porta-janela, saiu na varanda, ficou contemplando a paisagem, uma onda de optimismo a invadiu, sentia-se muito feliz por estar no seio daquela família tão agradável.
Aliás, parecia que sempre fizera parte dela.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 09, 2016 10:13 am

Capítulo 30 - Surpreendente pedido

A semana passou sem novidades.
Gisele trabalhava no escritório.
Tinha dias que havia mais serviço, outros menos, quando então eles conversavam bastante.
Ela se deu conta que Murilo era daqueles raros tipos de homem que sabiam ouvir.
Ela levava também as senhoras ao condicionamento e ao dentista, quando então teve oportunidade de conhecer o consultório dos noivos.
Uma tarde acompanhou Murilo à cidade, onde Boris foi receber suas vacinas.
Em seus momentos de folga, lia sobre a Doutrina Espírita e assim ia adquirindo um bom conhecimento espiritual.
Antes de deitar, lia O Livro dos Espíritos, e através dele conseguiu dirimir muitas de suas dúvidas.
O sábado chegou e com ele o jantar de saladas e massas.
Pela manhã, Gisele foi perguntar a Renata e Nair qual tipo de roupa deveria comparecer.
- O jantar é considerado um acontecimento especial.
Geralmente, os homens vão de terno e as mulheres de social - disse Nair.
- Se não estiver prevenida, eu posso emprestar alguma coisa - Renata fez a gentil oferta.
- Eu tenho algumas roupas.
Será que poderia me ajudar, Renata? - na verdade ela tinha vários vestidos bons, mas...
Queria evitar sair com Murilo com uma roupa que tinha usado no tempo do César.
Um delicado vestido verde-água, sem mangas, que tinha discreto decote em forma de V, foi aprovado por todos.
Pronta para sair, Gisele olhou-se no espelho.
Virou-se de lá para cá e achou que estava bem.
No pescoço tinha colocado uma correntinha de ouro com uma pérola.
Adereço que ganhara de Letícia.
Ao colocar os brincos, também de pérolas, lembrou-se da música: Brincos iguais ao colar...
Ainda bem que não havia nenhuma ponta de um torturante bandeide em seu calcanhar.
Rindo para si mesma, pegou a bolsa e desceu.
Murilo a esperava ao pé da escada.
Ao vê-lo de terno, Gisele achou que ele estava "quase bonito".
- Gisele, você está muito bela!
Acho que todos no jantar vão me invejarem - ele disse estendendo a mão para ela.
- Vamos?
- Onde estão os noivos?
- Renata já foi.
Ela vai passar na casa dos sogros, pois vão juntos.
Saíram, sob protestos de Boris, chateado, por ter sido deixado de lado.
Ao chegarem, Murilo estacionou a van, pegou a bengala, desceu, deu a volta no carro, abriu a porta e a auxiliou a descer.
Depois sorriu dizendo:
- Pronta para conhecer o pessoal?
Aqui nós vamos encontrar todos os tipos de pessoas. Vamos?
Um pouco acanhada, Gisele se sentiu como se fosse entrar na arena.
Foram recebidos por um alegre casal de meia-idade, Olímpio e Cármen, organizadores do evento.
- Gisele! Que prazer conhecê-la...
Temos ouvido falar muito bem de você.
Venham, vou levá-los até sua mesa - disse Cármen.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 09, 2016 10:14 am

A mesa a eles reservada (na qual só sentou o casal), era bem localizada.
Ficava quase em frente ao palco, onde seriam realizados os sorteios e o bingo.
Durante o antepasto e o jantar (que estavam muito bons), vários amigos chegaram até a mesa, curiosos que estavam para conhecer a secretária de Murilo.
Foi apresentada aos pais de Ronaldo, um casal muito simpático.
Arlete, a mãe, era afro-brasileira, escura, de olhos cor de mel.
Pedro, o pai, era mais claro.
Gisele e Murilo não tiveram muita sorte nos sorteios e nem no bingo.
Arlete, em compensação saiu de lá com um belo edredão.
Quando eles saíram, Sónia, que estava na porta, olhou para eles e disse a velha frase:
- Infeliz no jogo, feliz no amor.
Murilo olhou para ela, pegou em sua mão.
- Vamos?
Na van, antes de dar a partida, disse:
- Se não estiver muito cansada, quer ir até a fonte luminosa?
Parece que quando a noite está clara, ela fica ainda mais bonita.
Bem, em minha opinião.
A fonte era realmente muito linda!
Ficaram, assim como outras pessoas, por uns 15 minutos admirando a dança das águas.
De volta a van, Gisele notou que Murilo estava muito calado, seu rosto tinha uma expressão que ela não sabia definir.
Perto da entrada do caminho que levava ao pesqueiro, ele parou no acostamento.
Tamborilou com os dedos, como se tocasse piano, na direcção do carro.
Olhou para ela sorrindo.
- Gisele, parei aqui porque quero conversar com você, sem interrupções.
Por favor, não pense que tenho segundas intenções.
- Isso nunca me passou pela cabeça.
"Não agora que o conhecia melhor" - pensou.
- Bom, pigarreou, o que eu tenho a dizer é...
É um pouco difícil, é sério. Nem sei como começar...
- Que tal pelo começo? - o que ele poderia ter para dizer que fosse assim tão sério?
Será que lhe pediria algum favor?
Meu Deus! Será que tinha alguma queixa e ia despedi-la?
Estremeceu só de pensar nessa probabilidade.
Procurou relaxar.
Ele começou a falar:
- Gisele, eu tenho 36 anos, o que vou lhe dizer nunca falei a mulher nenhuma.
Eu gosto de você - olhou para ela.
Na verdade eu a amo.
Amo-a como jamais imaginei amar uma mulher...
Sua imagem, seu perfume, sua voz estão tão dentro de mim que nada poderá arrancá-los.
Pensando bem, acho que comecei a amá-la desde o primeiro instante em que a vi.
Você é a mulher dos meus sonhos - fez uma pausa.
Será que, será que...
Poderia considerar a hipótese de namorar comigo? - falou aos borbotões, a voz saiu até um pouco rouca.
Gisele ficou muda e estática.
Sabia que tinham muita afinidade, mas amor?
- Sei que talvez eu não mereça o seu amor, sei também, que tenho minha aparência contra mim.
Se não quiser me responder, ou não estiver afim... Bem... - deu de ombros.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 09, 2016 10:14 am

Podemos apagar tudo isso - ficou olhando para frente.
Depois se voltou para ela.
Por alguns instantes nada foi dito.
Então, Gisele respirou fundo.
- Eu, eu... Nem sei o que dizer.
Murilo, você me pegou de surpresa - respirou fundo, novamente.
Sobre aparências, isso importa para as adolescentes.
Você é muito charmoso - ela não estava mentindo.
Tem sua beleza pessoal e sua luz, muito bela.
Agora... Sobre o namoro - olhou para o rapaz.
Fui pega de surpresa - repetiu.
- Quer dizer que não me acha... Sem graça?
- Claro que não - mais controlada continuou.
Mas nem sei o que te responder.
Será que posso pensar no seu pedido?
Eu estou confusa. - Fez uma pausa, passou a mão na testa.
Como deve saber, vim parar aqui devido a um romance mal sucedido.
- Gisele, quem você amou, ou o que fez no passado não me interessa.
É passado. Tudo pode começar, aqui e agora, se você quiser.
Ou melhor: é claro que pode e até deve pensar com calma no meu pedido.
Posso ter alguma esperança?
Rindo, ela respondeu:
- Talvez.
De volta a casa, estacionaram.
Murilo olhou para ela:
- Por favor, pense no meu pedido - disse com sua voz bonita.
Em seguida, inclinou-se e lhe deu um rápido beijo nos lábios.
Muito doce. Era algo novo e perturbador.
Na semi-penumbra ele sorriu, um sorriso cálido e agradável.
- Não sei como isto pôde acontecer comigo...
Desde que a vi pensei que teria que fazer isso, mais cedo ou mais tarde.
- Me pedir em namoro?
Ele meneou a cabeça.
- Beijá-la.
A fragrância do ar era embriagadora, como se a natureza tivesse querido derramar no lugar todo o seu perfume.
Rapidamente ela desceu da van.
Disse boa noite e foi em direcção a casa, sem olhar para trás.
Nessa noite, Gisele dormiu muito bem, como há tempos não dormia.
Na manhã seguinte, após o café, Gisele colocou o chapéu na cabeça e saiu para ir dar sua caminhada.
Encontrou Jota Ó, no lugar de costume.
Beijaram-se.
- Estou louco para saber como foi o jantar de ontem - ele disse.
- Ah, foi muito bom.
Serviram um antepasto muito gostoso.
As massas, então! Precisei me controlar para não comer demais.
Nós tomamos um vinho tinto suave, delicioso!
- E a sobremesa?
- Eles serviram sorvete.
Aquele casal... Cármen e...
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 09, 2016 10:14 am

- Olímpio.
- Isso mesmo, é maravilhoso!
Gentis, a toda hora vinham perguntar se faltava alguma coisa - continuou falando do jantar, por mais alguns minutos.
- Vocês ganharam alguma coisa?
- Bem, só umas coisinhas: lápis, vasinho de flor - ao falar, corou lembrando-se da observação de Sónia.
Nada de valor. Por que você não foi?
- Ah, não tenho mais idade para me empanturrar à noite.
Andaram um pouco, chegaram ao mirante.
Ficaram apreciando a vista.
Subitamente, Gisele se virou, olhou para o ancião:
- Jota Ó, Murilo me pediu em namoro.
O que devo fazer?
- Murilo... O bom amigo.
O que você tem vontade de fazer?
Ela riu:
- Estou pedindo um conselho.
- Se conselho fosse bom a gente vendia.
- Ah, por favor, não brinque! - olhou para a paisagem.
Eu estou tão confusa! - passou a mão nos cabelos que o vento despenteava.
Acho que não estava esperando por isso - voltou-se para ele.
Me ajude, me aconselhe, como se o senhor fosse meu pai, por favor.
- Gisele, nossa vida às vezes toma um rumo diferente do que esperamos.
Agora que já sabe dos sentimentos do Murilo cabe a você decidir o que quer fazer.
Se fosse antigamente e seu pai viesse me pedir informações sobre ele, eu diria:
mais bonito que ele, sua filha pode encontrar muitos, mais rico que ele também tem muitos, porém, bom como Murilo, ela não vai encontrar nenhum.
Ela sorriu:
- Bom como ele.
Realmente, Murilo é muito bom, mesmo!
- Mas, você não o ama.
- Não sei... - balançou a cabeça.
Eu o estimo. Ele é muito simpático.
- Diz o poeta que simpatia é quase amor - fez uma pausa.
Sente alguma aversão por ele devido ao seu defeito físico?
- Não! Claro que não! Que pergunta!
- Não precisa ficar brava - fez uma pausa.
Que tal se você tentasse?
Diga a ele que vocês podem fazer uma experiência.
Saiam juntos, passeiem.
- Nós temos feito isso.
- Sim, eu sei, mas que tal, fazer como namorados?
- Será?
- Se você fosse minha filha, eu diria que Murilo é especial.
Eu teria honra de tê-lo como genro.
A ideia de começar um namoro é boa, mas depois do que passei...
- Gisele, um homem é diferente do outro.
Murilo faz parte dos correctos, dos sérios.
Ele não brinca com os sentimentos das pessoas - sorriu.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 09, 2016 10:14 am

Nós nunca ouvimos falar que tivesse tido uma namorada.
E, vou dizer uma coisa, candidatas não faltaram.
- O senhor é um ferrenho defensor do meu patrão.
- E seu também, podes crer.
Em casa, Gisele guardou o chapéu, lavou as mãos e o rosto, e rumou para o escritório.
Estava ligando o computador, quando Murilo assomou à porta, que dava para a varanda.
- Oi, fez uma boa caminhada? - ele perguntou, ao mesmo tempo, que tirava a mão direita das costas.
Para você, por conta do "talvez" - esticou para ela um ramalhete de flores do campo.
- Murilo! Que lindas! - Gisele sentiu algumas lágrimas virem aos olhos.
Rapidamente as limpou.
- Muito obrigada! - com o ramalhete nas mãos disse:
- Precisamos conversar sobre o talvez...
- Quando quiser...
- Será que não temos serviço? - olhou para o computador.
- Nada que não possa esperar.
Venha, vamos sentar.
Deixe as flores sobre a mesa.
Então? Como está o "talvez"?
- Murilo, como já sabe estou saindo de um mau relacionamento.
Não sou... Bem...
Já tenho experiência, já estive com...
Ele colocou o dedo sobre sua boca.
- Psiu! Não quero saber de nada.
Esqueça isso.
- O rei morreu, viva o rei! É isso?
- Sim. Vamos conversar sobre o talvez.
- Certo, mas não nasci ontem, já vivi - fez uma pausa.
Bem, estive conversando sobre nós com Jota Ó.
Se você soubesse o cabo eleitoral que tem!
- Hum... Que bom ter amigos.
E o talvez? - perguntou com meiguice.
- O talvez... Talvez possamos começar um namoro, para nos conhecermos melhor - falou sem encará-lo.
Sem "aquele" compromisso - olhou para ele.
O que acha?
Murilo pegou em sua mão, e a beijou.
- Você não imagina como estou feliz!
Nesse nosso namoro, vamos poder sair juntos?
- Sim, com certeza - olhou para ele.
Que tal nos conhecer melhor?
- Eu tenho a impressão de tê-la conhecido durante toda a minha vida.
Mas, respeito seu pedido.
Ele sorriu, depois a envolveu em seus braços e a trouxe de encontro a si, antes que ela pudesse esboçar um protesto.
Assim que se sentiu abraçada, Gisele percebeu que não queria protestar.
Nos braços de Murilo, sentia-se no lugar mais seguro que já encontrou na vida.
Teria ficado ali para sempre, se ele não a tivesse soltado.
- Desculpe.
Vamos trabalhar? - perguntou com um sorriso nos lábios.
Durante o jantar disseram à família, que estavam fortalecendo a amizade para se conhecerem melhor.
Por isso, iam começar a sair à noite, aos sábados e às vezes aos domingos.
- "Quem sabe tudo daria certo, quem sabe"... - pensavam Nair e Marlene, que em suas orações rogavam a Deus, por essa graça.
Letícia e Toninha que haviam sido informadas do "namoro", através de interurbanos, também faziam a mesma rogativa.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 09, 2016 10:15 am

Capítulo 31 - Surpreendente descoberta

Duas semanas depois, em um sábado, pela manhã, Murilo e Gisele, após terem ido verificar as obras no pavilhão, (que haviam tido início no dia seguinte ao jantar de massas e saladas), foram até o chalé, para se refrescar.
Estavam prontos para voltar a casa quando ele disse com voz rouca:
- Gisele - abriu os braços, ela se aninhou neles.
Ele a beijou nos lábios, a princípio com gentileza, depois com paixão.
Gisele foi sentindo como se uma onda muito forte a envolvesse.
A onda era forte e ao mesmo tempo suave.
O chão pareceu lhe escapar dos pés.
Quando ele a abraçou com mais força, ela percebeu que naquele momento não queria estar em nenhum outro lugar do mundo.
Ficaram juntos, compartilhando um momento muito especial e intenso.
Neste dia, chegaram um pouco tarde para o almoço.
Na quarta-feira seguinte, um dia bastante quente, Gisele entrou no escritório, ligou o som e embalada pela bela melodia vinda do aparelho, ligou o computador.
Antes de iniciar o trabalho, decidiu abrir seu e-mail.
A provedora indicou que sua caixa postal estava 100% cheia.
- Puxa como posso estar com tantas mensagens?
Olhou os remetentes:
Kyria, Valéria, Rita, alguns anúncios e... César!
Diversas de César.
Gisele se jogou na cadeira giratória com tanta rapidez que esta se mexeu e quase a derrubou.
- Meu Deus! César me mandando e-mail.
Eu pensei que eleja estivesse fora da minha vida.
Decidida, abriu as outras mensagens, deixando as dele de lado.
Depois trabalhou até Murilo chegar.
Ele puxou-a contra si, abraçou-a e beijou-a docemente.
Em seguida, disse que, nesta noite não poderiam dar uma saidinha, pois tinha uma reunião no Centro Espírita na qual precisava comparecer, juntamente com Nair e Jota Ó, pois faziam parte da directoria.
À tarde, enquanto Nair e Marlene dormiam a sesta, ela foi ao escritório pegar um livro para ler.
O computador estava ligado.
Meio com vontade, meio a contragosto, abriu o e-mail de César, com data mais antiga.
- "Gisele, amor, onde você está?
Eu não consigo viver sem seu amor.
Por favor, me mande seu endereço.
Preciso vê-la, precisamos conversar.
Assim que nos encontrarmos vou dar entrada no pedido de divórcio.
Meu amor, eu não consigo viver sem você.
Sabe que é tudo para mim.
Desde que se foi eu não estive com mais ninguém.
Sonho que estamos nos braços, um do outro e..."
- "Divórcio? Não.
Fez às contas nos dedos, Micaela devia estar com seis ou sete meses de gravidez.
Deixar um nené nascer com os pais divorciados?
Acabar com um casamento? Nunca!".
Decidida, excluiu todas as mensagens dele, sem ler.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 09, 2016 10:15 am

Logo após o jantar, durante a sobremesa, Nair disse:
- Hoje à tarde, Ada me ligou.
Disse que eles vêm para cá, vão chegar à sexta-feira.
Já fizeram reserva na pousada.
- Quem vem, Dinho? - Murilo perguntou, enquanto levava uma colher de pudim à boca.
- Sim, com Ada e a mulher dele.
Imagine que loucura, ela viajar naquele estado!
- O que ele vem fazer aqui? - perguntou com rispidez.
- Filho, faz dias que Ada falou que tinha vontade de vir, lembra-se?
- Dinho está com problemas, imagine se tiver algum surto, aqui.
- Bom, é nosso dever dar uma mão para ele.
Murilo suspirou.
- Não sei, não.
Essa ideia não me agrada.
Tem jeito de falar para ele não vir?
- Eu concordo com Murilo, nem ele, nem a mulher estão em condições de viajar.
- Vovó, os médicos devem ter autorizado - disse Renata.
- Os médicos do meu tempo não teriam deixado.
Mulher grávida tem que fazer repouso.
- Vovó, do seu tempo para cá as coisas mudaram.
- Certo, mas não mudaram tanto assim.
Uma mulher grávida deve fazer repouso, ainda mais quando tem problemas - disse Marlene, enquanto levava um bago de uva à boca.
- Acho que ela não vai querer ter novamente um aborto.
- Sei lá, vai ver ela quer acompanhar o marido, afinal, Dinho teve estafa.
Não entendo por que vocês não querem que venham - disse Renata.
Gisele que não participava da conversa também não estava entendendo.
- Só falta o nené nascer aqui - disse Marlene.
- Vovó, vire essa boca para lá! - disse Renata.
Bom, pessoal, vou me arrumar.
Ronaldo e eu vamos ao aniversário da Aline, nossa secretária.
Marlene se levantou, pegou Nicky, que estava se enrolando em suas pernas, no braço:
- Bom, já que todos vão sair, Gisele e eu podemos aproveitar o tempo conversando.
Você fica comigo em meu quarto?
- Está certo - por não estar se sentindo muito bem, desde a tarde tinha uma leve dor de cabeça, preferia ir se deitar, mas enfim...
Enquanto a senhora assiste ao capítulo da novela vou ajudar com a louça, depois subo para a gente conversar.
Levou a mão à testa.
- O que foi? - Murilo perguntou.
- Nada, uma dorzinha de cabeça.
- Também, com o calor que está fazendo, não há quem não sinta um pouco de mal-estar - disse Renata.
Dorzinha, ou não, o namorado fez questão de dar um comprimido a ela.
Sabendo que a novela ainda ia demorar uns 40 minutos, ela tocou Nair da cozinha, ajeitou a louça na máquina, pôs ordem em tudo.
Esperou todos saírem, subiu.
Bateu de leve na porta, não houve resposta, girou a maçaneta e entrou.
Marlene estava na cadeira de balanço dormindo, com Nicky no colo, enquanto a tevê exibia o capítulo da novela.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 12, 2016 11:37 am

Sem fazer ruído, sentou-se em uma poltrona, cujo estofamento era fofo demais. Afundou.
O quarto de Marlene era - como os outros cómodos da casa - bastante amplo.
Além da cama e do guarda-roupa, lá estavam alguns móveis que ela trouxera de sua casa na cidade, quando ficara viúva e viera morar com a nora.
Quando a novela terminou e entrou o noticiário, local a senhora acordou.
Esfregou os olhos, viu a moça.
- Puxa, pedi para você vir aqui e dormi.
Sabe como são os velhos - disse sorrindo.
Antes que ela respondesse, continuou.
- Viu só? O Dinho vem para cá - balançou a cabeça.
Só espero que não traga confusão.
- Por que traria confusão?
- Ah, sei lá. Quando eles eram menores, todas as vezes que Murilo operava a perna, ele ficava fazendo caçoada.
Sempre que podia dizia ser óptimo jogador de futebol.
Ele é casca de ferida.
A atitude do meu neto, durante o jantar, mostra que também não está aprovando a vinda deles.
Estou meio apreensiva, coisas de velha, sabe né?
- Está com medo que o nené nasça aqui?
- Não é isso, aqui na Santa Casa também nascem prematuros.
Não, estou cismada, mas nem sei com o quê.
- É verdade, em todo lugar nascem crianças prematuras.
A filha da minha madrinha teve bebé com oito meses de gestação, lá em Fortaleza, e correu tudo bem.
Ficaram por alguns minutos vendo o noticiário e quando acabou Marlene perguntou:
- Sua dor de cabeça passou?
- Não de todo, mas já tomei um comprimido.
- Acho que está querendo ir se deitar.
Será que antes de ir, poderia pegar os álbuns de fotografias para mim?
Eles estão no armário, ali no maleiro.
Gisele abriu a porta do armário, esticou o braço e pegou os álbuns.
Pensando que ainda era cedo, e que ficaria chato deixar Marlene sozinha, voltou a se sentar na poltrona.
Afundou.
A senhora abriu o álbum, virou algumas folhas, mostrou fotos do marido, do filho.
De repente, falou:
- Veja querida, aqui está uma foto do Dinho com o Murilo, olha como o danado é bonito.
Gisele viu, viu o que no fundo, bem no fundo de si desconfiava:
César Alexandre, o Xandinho, ou Dinho - com o braço sobre o ombro de Murilo, olhava para a câmara, exibindo seus belos olhos azuis.
Afundada na poltrona, a voz de Marlene parecia vir de longe.
De repente, a senhora parou:
- Gisele, o que foi? Você está pálida.
Sua vista nublou-se, a figura de Marlene agigantou-se e vacilou ante seus olhos.
Tentando se controlar, devolveu o álbum.
Levou a mão à cabeça, depois segurou nos braços da poltrona.
Levantou-se com dificuldade.
- Dona Marlene, minha dor de cabeça piorou.
Posso ir me deitar?
- Claro querida.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 12, 2016 11:37 am

Levantou-se, colocou Nicky no chão - vamos, eu a ajudo a se preparar.
Sentindo o estômago embrulhado, ela correu para o banheiro, vomitou.
Depois, lavou a boca para tirar o gosto ruim.
- Gisele, posso ajudar em alguma coisa?
Quer um antiácido? - perguntou Marlene.
- Não - passou a mão no estômago.
Agora vou ficar melhor - tentou sorrir.
Obrigada. Pode ficar tranquila, vou me deitar. Boa noite.
- Tem certeza de que não precisa de mim?
- Tenho sim, dona Marlene. Obrigada! - passou a mão na testa.
Vou me deitar. Preciso descansar. Boa noite.
Em seu quarto, acocorada na poltrona, sentia doer o coração, a garganta, os olhos.
Abraçou a si mesma, na consoladora postura de feto.
Naquele momento, mais do que nunca, desejava ter por perto uma mãe para conversar.
Mais tarde, deitada na cama, Gisele, após ter chorado bastante, virava-se de lá para cá sem conseguir pegar no sono.
Nem sequer orar tinha conseguido.
Escutou um barulho, o pessoal tinha voltado.
Dali a pouco bateram em sua porta.
- Gisele? - Murilo abriu a porta. - Você está bem?
Não sei por que fiquei preocupado.
Não gostei de tê-la deixado aqui.
Murilo sentou-se na cama, acendeu o abajur.
- Por favor, me abrace.
Assim, me abrace.
Ele a apertou forte.
Depois deu um beijo em seus cabelos e a soltou.
- Gisele, você está tremendo. O que foi?
- Eu não sei - levou a mão na cabeça.
Estou com dor de cabeça.
Meu estômago embrulhou, vomitei.
- Meu amor, vou buscar uma xícara de chá com outro comprimido.
Volto em um minutinho.
Gisele ficou pensando:
"Devo falar com ele sobre César? - preciso conversar com Jota Ó".
Estava imersa em seus pensamentos, quando Murilo e Nair voltaram com o comprimido e o chá.
- Gisele, dona Marlene disse que você não passou bem.
Também, com o calor que está fazendo!
Quer que fiquemos um pouco aqui?
- Sim, por favor! - tomou o comprimido, com alguns goles do chá.
Esticou a mão, pegou a de Murilo.
- Querida, já fez as orações?
Ela negou com a cabeça.
- Vamos então orar para que seu anjo da guarda ajude a melhorar seu mal-estar.
Quero ver sempre aquele sorriso neste rostinho bonito - Murilo falou com doçura.
Mais tarde ela ouviu Renata chegar e Nair contar o ocorrido.
- Também sua avó tem a mania de deixar aquele quarto fechado e ainda por cima gosta de ficar amolando os outros com aqueles velhos álbuns de fotografias.
- Ah, mamãe, deixa ela.
Afinal, vovó tem idade e muitos idosos se alimentam das saudades.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 12, 2016 11:38 am

No dia seguinte, assim que Jota Ó a viu, disse:
- Gisele! O que aconteceu?
Está pálida e com olheiras!
- O senhor nem sabe o que descobri, ontem à noite:
César Alexandre é o Dinho!
- César Alexandre, o seu ex-namorado?
É o Dinho? Bem... Como descobriu?
- Eu vi a foto dele no álbum da dona Marlene e até passei mal.
- Alguém mais sabe?
- Eu não comentei com ninguém na casa.
Mas por incrível que pareça, minha mãe me ligou hoje cedo no meu celular e contei-lhe tudo.
- E ela?
- Ela sugeriu que eu falasse com o Murilo - fez uma pausa.
O pior é que ele vem para cá, chega amanhã! - disse com voz velada.
- Vamos procurar ter calma.
Conte para mim direitinho, tudo o que aconteceu.
Após ela ter narrado os factos, Jota Ó procurou acalmá-la e com muito tacto sugeriu que seria bom Murilo saber de tudo.
- Agora quero fazer uma pergunta:
será que a vinda dele vai atrapalhar seu namoro com Murilo?
- O senhor quer saber se ainda gosto dele?
Não. Não gosto mais.
- Está certa disso?
- Es... Estou. Murilo e eu estamos...
Nós estamos bem!
Jota Ó, notou um brilho especial em seus olhos, quando ela falou do namorado.
Após o almoço, Gisele ia começar a trabalhar quando seu celular tocou.
Era Murilo, que pedia sua presença no pavilhão, queria uma opinião sobre a cor de uma das paredes.
Montada na égua calma, que Marião selara, rumou para lá.
Depois de decidirem sobre a cor, ao sair, ela ficou olhando a bela construção agora, quase totalmente recuperada.
- Então, ainda tem sentido o fantasma de Geny, aí dentro? - Murilo perguntou.
- Não. Eu estava pensando em outra coisa, você disse que o Michel foi criado pela Geny, por que não pela avó?
Se ele ficou com o dinheiro do pai, então Rafael o reconheceu como filho?
- Não, Rafael não o reconheceu.
Dizia que Anabela era mentirosa, parece que até certa ocasião tentou matá-la.
- Não queria ter filhos com a criada?
- Isso mesmo.
Ele ficou com o dinheiro, porque o pai morreu sem deixar herdeiros, e a fortuna ficou para Pedro, que a passou para o sobrinho.
Quanto à avó, ela era muito católica, jamais perdoou o erro da filha.
Dizia que Anabela tinha morrido de parto, devido a um castigo de Deus.
Dizia ter vergonha da filha e do neto, pois eles eram pobres, porém correctos.
Nunca antes na família tinha havido um caso de filho nascido fora do casamento.
Ela sorriu.
- Hoje em dia se as mães fossem se preocupar com isso...
Geralmente, as filhas arrumam crianças e deixam para as mães cuidarem.
Abraçados, foram para o chalé, onde se entregaram ao amor.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 12, 2016 11:38 am

Enleada no aconchego de Murilo, Gisele estava criando coragem para falar sobre César/Dinho.
- Murilo, eu... - olhou para ele.
Eu preciso contar uma coisa muito importante.
- Hum... Coisa importante?
Agora? Que tal deixarmos para depois?
- E muito importante, é sobre meu ex-namorado. Eu...
Murilo levantou-se da cama.
Esticou a mão para ela.
- Gisele, deixe-o para lá, deixe-o no passado.
Vamos tomar um banho na piscina da pousada.
- Espere - disse enquanto ele a içava da cama.
Precisamos conversar.
- Ah, outra hora. Estamos tão bem aqui, só nós.
Vai, minha querida, vamos até a piscina.
Ali no armário tem alguns biquínis da Renata - olhou para ela.
Eles devem lhe servir.
Eu vou me arrumar - virando as costas foi para o banheiro.
Durante o resto do dia, todas as vezes que tentava falar sobre César, Murilo desviava o assunto.
Apreensiva, não sabia o que fazer:
César/Dinho chegaria no dia seguinte à pousada.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 12, 2016 11:38 am

Capítulo 32 – Preocupações de Gisele

Com a descoberta de que Dinho era César e que logo estaria na pousada, Gisele precisou recorrer a toda sua força de vontade para não perder a serenidade que os passes e as orações lhe davam.
Na sexta-feira, estava se encaminhado ao escritório para trabalhar (não tinha sido possível caminhar devido ao chuvisqueiro de primavera), quando notou a Bíblia Sagrada, de Nair, em cima do aparador.
Abriu, ao acaso: João 2, 23-25 –
"Estando em Jerusalém pela festa da Páscoa, muitos creram no seu nome, vendo os milagres que fazia.
Mas Jesus não se fiava neles, porque os conhecia a todos, e porque não necessitava de que lhe dessem testemunho de homem algum, pois sabia por si mesmo o que havia em cada homem".
- Que bom seria se todos nós soubéssemos o que há em cada pessoa só de olhar para ela - pensou.
Neste mundo, a maioria das pessoas tem duas caras.
Ah, mas Murilo é integro.
Seus olhos traduzem o bem que há em seu coração.
Estava a algum tempo digitando no computador, quando Murilo, adentrou a sala.
Desde a hora do café da manhã, notara que ele parecia preocupado.
- Querido, você parece tenso.
Está com algum problema?
Como já lhe disse, precisamos conversar.
- Gisele, meu amor! - as palavras ditas por ele pareciam muito doces.
Eu tenho que resolver uns assuntos, mas...
Como sabe não podemos interferir no livre-arbítrio das pessoas.
Infelizmente, não posso ficar aqui com você, me esperam nos vinhedos - aproximando-se a beijou.
Até à hora do almoço.
- Murilo, espere, eu...
Bem, o pessoal que vem de São Paulo vai ficar no chalé?
- Não. Eles são Vips, reservaram na pousada duas suítes especiais.
- Você tem ideia de quanto tempo vão ficar na pousada?
- Não, por quê? - perguntou com certa rispidez, franzindo a testa.
- Por nada - deu de ombros.
Por favor, arrume um tempo para conversarmos.
- Ta, mais tarde. Tchau.
Acompanhou-o com o olhar, pensando que ele tinha alguma preocupação séria, que não queria compartilhar com ela.
E o que tinha querido dizer quando mencionara o livre-arbítrio?
Durante o almoço, Gisele soube que os parentes tinham chegado.
Tentando vencer sua ansiedade, levou Marlene e Nair à cidade, para o condicionamento físico.
Enquanto as esperava, viu o carro de César estacionado na praça; com o coração batendo fortemente e procurando não ser vista, entrou no mini-shopping.
Mas qual, ele estava na pequena área de alimentação, conversando com Arnaldinho, que ao que parecia não dispensava o chapéu.
Gisele entrou na loja de jornais e revistas, de onde pôde observá-lo, sem ser vista.
César parecia bastante abatido e alguns quilos mais magro.
Depois de uns dez minutos, ela saiu "de fininho", caminhando em sentido contrário ao que eles estavam.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 12, 2016 11:38 am

Ao chegar a casa, soube que eles, logo mais, após o jantar viriam até lá.
Ela estava pensando em dar uma desculpa e subir para seu quarto, mas Murilo dissera que queria mostrar a todos sua bela namorada.
Tentando manter o equilíbrio, Gisele foi para o banho.
Estava pensando que roupa colocar, quando seus olhos caíram em uma mensagem que tinham lhe dado no Centro, e que estava sobre a cómoda:
"Nos instantes difíceis:
Nas dificuldades do dia-a-dia, esqueça os contratempos e siga em frente, recordando que Deus esculpiu em cada um de nós a faculdade de resolver os nossos próprios problemas.
A vida é aquilo que você deseja diariamente.
Olvide ofensas e desgostos, tribulações e sombras e continue trabalhando quanto puder no bem de todos, recordando que o tópico mais importante de seus caminhos será sempre servir." (...) André Luíz
Deixando a mensagem de lado, colocou um vestido que tinha comprado após o rompimento com César.
Queria evitar tudo o que pudesse causar alguma lembrança.
Fez uma prece e desceu.
Ali pelas 8h 15, eles chegaram.
A primeira que entrou foi Ada:
uma mulher bonita e conservada.
Em seguida, Micaela e depois César.
Após os cumprimentos, Murilo puxou Gisele, que estava mais atrás, fora do círculo familiar, pela mão:
- Pessoal: deixem apresentar a vocês, nossa secretária e, principalmente, minha namorada.
- Namorada? Que bom Murilo!
Sempre nós nos perguntávamos quando você ia decidir se casar - disse Ada ao beijar a moça.
- Como vai?
Micaela, parecendo distraída, fez um cumprimento com a cabeça.
Durante os segundos que se passou, César nada disse, muito pálido, apenas olhou fixamente para ela.
Em seguida, exibindo um sorriso debochado, estendeu a mão.
- Como vai? - apertou fortemente a mão dele, olhou para Murilo
O coração de Gisele disparou, sentiu que o fôlego lhe faltava.
- Então, meu primo que nunca conseguia ninguém, arrumou uma bela namorada? - olhou-a de cima abaixo com o olhar.
Cuidado, pode haver outros homens mais atléticos de olho nesta mulher - percorreu com o olhar o corpo de Murilo, parando na perna defeituosa.
Mas, mesmo assim, parabéns.
Certamente ela não faz questão de dançar.
- Dinho! Isso são modos de cumprimentar a moça? Ada ralhou.
- Ora, mãe, eu estou falando a verdade.
Todos sabem que Murilo é limitado - voltou a olhar a perna do primo com certo desdém.
As moças nunca... Como direi...
Nunca olharam para ele.
- Dinho! Eu nunca vi você ser tão sem modos.
O que a moça vai pensar da gente?
- Sabe que também quero saber a resposta para essa pergunta? - olhou para Gisele.
- E então, o que me diz?
Garanto que vai me dar razão.
Gisele levou alguns segundos para recuperar o fôlego, teve vontade de socá-lo.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 12, 2016 11:39 am

Porém, pedindo licença, deu meia-volta e rumou para a cozinha, onde se serviu de um copo de água com açúcar.
Deu a si mesma alguns minutos para se recuperar.
Ergueu a cabeça e rumou para a sala de visitas, onde Ada pedia desculpas pelo filho, dizia que precisava desculpá-lo, afinal, Dinho tinha tido uma grave crise de estafa.
Micaela, parecendo entediada, examinava as próprias mãos, como se elas fossem novas e interessantes.
Às vezes, acariciava o protuberante ventre.
Marlene não fazia questão de se mostrar interessada no relatório que Ada fazia sobre a crise do filho.
Nair balançava a cabeça e olhava para o sobrinho pensando:
"Coitadinho, como sofreu!".
Renata e Ronaldo conversavam baixo, entre si.
Murilo, assim que viu Gisele, disse:
- Vocês vão me dar licença - olhou para Dinho.
Primo, você tem razão, minha namorada é preciosa demais, vou convidá-la para sair, quero evitar que algum outro a roube de mim - olhou para ela.
Amor, vamos dar uma volta?
Fora, o tempo estava ameno, o céu estava nublado.
Acompanhados por Boris, eles foram caminhando até a beira do rio.
Sentaram-se no banco que ficava sob o salgueiro chorão.
- Então, querida, o que achou da minha família?
- Eu? Eu...
Não tive tempo de conhecê-los bem, mas parecem simpáticos.
A moça me pareceu muito gorda para uma grávida que já sofreu abortos.
- Ela sempre foi gordinha.
Minha tia quase não tem conversa a não ser falar sobre Dinho.
Murilo passou a mão sobre os seus cabelos, numa carícia desajeitada, que a enterneceu, fazendo lágrimas virem aos seus olhos.
Ele a puxou contra si.
O contacto com seu corpo era consolador.
De boa vontade, encostou a cabeça em seu peito largo, tentando não pensar em nada.
Ele tirou um lenço do bolso e lentamente procurou enxugar-lhe as lágrimas.
Tentando se recompor falou com a voz embargada:
- Murilo, precisamos conversar sobre um assunto muito importante. Eu...
- Querida, parece que vai chover.
Vamos para casa.
- Mas eu preciso...
- Depois - seu tom de voz não admitia réplica.
Começou a chover e a água fina e fria empapava seus rostos e suas roupas.
Ao chegarem a casa, as visitas haviam ido embora.
Micaela estava com dor de cabeça.
No sábado, Murilo convidou Gisele para ir a uma Festa de Peão de Boiadeiro, na cidade vizinha, onde pernoitariam.
Não era lá um grande programa, mas tinham feira e exposições, inclusive de vinho e queijos, à qual Murilo queria comparecer.
No domingo à noite, quando voltaram, Gisele percebe que a débil chama que a queimava por dentro, desde que estavam namorando, se inflamou e transformou em labareda.
Agradeceu a Deus ter encontrado Murilo.
Na segunda-feira pela manhã Gisele levantou cedo.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 12, 2016 11:39 am

Antes do café da manhã foi até a pequena cascata onde borrifos d'água molhavam-lhe a face.
Nem durante o passeio do final de semana, conseguira conversar com Murilo, sobre seu ex-namorado.
Erguendo a mão, limpou o rosto molhado talvez dos pingos d'água que vinham da cascatinha.
Mais tarde, ao caminhar com Jota Ó, contou os acontecimentos do final de semana.
- E então, o que sentiu ao se encontrar com Dinho e família?
- Jota Ó, às vezes a gente se engana.
Ele é muito bonito, mas... - fez um gesto com a mão.
Murilo lhe é superior em tudo!
O ancião olhou para ela fixamente.
- Fico contente que tenha percebido isso.
Gisele esticou a mão direita:
- Nós decidimos ficar noivos e enquanto não temos a aliança de ouro, vamos usando essa de prata.
Quer ver? - tirou-a do dedo.
Nós mandamos gravar nossos nomes.
Ah, também ganhei este chapéu e estas botas em estilo country.
- Como você se sente? - ele olhou a aliança e a devolveu.
Tem feito suas orações?
- Eu me sinto bem, feliz - fez uma pausa.
Mas, tenho medo do César ficar fazendo graça e dando indirectas para meu noivo.
Não consigo conversar com Murilo sobre o assunto.
Sempre que tento, ele desvia a conversa.
O que devo fazer?
Andaram um pouco. Ele parou.
- Há pessoas que não sabem perder.
Dinho foi muito mimado por Ada, sempre teve praticamente tudo o que quis.
Dizem que a esposa não sabe o que fazer para agradá-lo.
Tenha paciência.
Murilo, provavelmente, não quer pensar que você teve outro.
Tem feito as orações? - perguntou de novo.
- Bem, não tenho orado o tanto que costumo, mas hoje vou tomar passe - fez uma pausa.
Jota Ó, você não me pareceu surpreso quando lhe contei que Dinho e César eram a mesma pessoa.
Será que você já sabia?
- Bom... Na verdade, eu estava desconfiado.
Quando me falou sobre ele, juntei os pontos e pensei que podia ser a mesma pessoa.
- Por que não me falou?
- Eu não tinha certeza e não achei oportuno preocupá-la ainda mais - olhou para o céu.
É melhor voltarmos para casa, pois vai chover.
- Jota Ó, antes de voltarmos, eu quero lhe fazer duas perguntas.
- Pois não.
- Lembra-se de que minha mãe me ligou, no dia seguinte quando eu soube que César e Dinho eram a mesma pessoa?
- Sim.
- Então, quando eu soube, senti muita vontade de ter uma mãe por perto para conversar.
E à noite sonhei com a Toninha.
- Gisele, as pessoas que nos amam, de uma forma ou de outra sempre estão ligadas a nós.
Ao que sei sua mãe se preocupa com você.
Então, realmente, vocês devem ter se encontrado, em Espírito, durante a noite.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 12, 2016 11:39 am

- Hum... Sei.
Bem, tem outra coisa: sabe o Everaldo?
Desde que o vi senti uma ternura por ele.
Uma ternura diferente da que sinto pelos seus irmãos.
Parece que já o conhecia há anos.
O que será isso?
- Creio que você mesma já deu a resposta:
provavelmente se conhecem de outras vidas.
Bem, vamos correr que agora realmente a chuva começou.
Gisele estava entretida com seu trabalho, quando Boris adentrou o escritório, através da porta que dava para a varanda e deitou aos seus pés.
Ela abaixa-se e o acaricia.
- Então, meninão, tudo bem?
Andou namorando muito durante o final de semana? - Perguntou à meia-voz.
- Veio me ver trabalhar? Ou veio se abrigar da chuva?
Ouviu um ruído:
César estava encostado à moldura da porta, que dava para o terraço.
Com os braços sobre o peito ele veio caminhando em sua direcção, exibindo um sorriso de escárnio nos lábios.
Gisele sentiu-se paralisada, parecia que tudo parava de repente:
o tique-taque do relógio o ritmo da sua respiração e até o bater da chuva no chão do pátio.
O som de uma porta batendo a tirou da letargia.
Rapidamente, se levantou:
- O que você está fazendo aqui?
Este escritório é particular.
Ele nada disse.
Aproximou-se e agarrou-a pelos braços.
- Aqui não tem nada particular, aquele capenga, nada tem - disse com a voz rouca e os olhos desmesuradamente abertos.
Vim aqui para ver você.
Faz tempo que a procuro, e você estava escondida aqui, com esse imbecil.
Virei o mundo atrás de você, fiz até papel de bobo quando perguntei se alguém na revenda sabia do seu paradeiro.
Mirtes me disse que você havia arrumado um emprego no interior, mas ela não sabia aonde.
Procurei, procurei, até que para minha surpresa, vi ontem o seu carro estacionado na praça.
Juntei os factos:
tia Nair disse para minha mãe que o idiota do Murilo estava namorando a secretária, uma tal de Gisele, então percebi que era você.
Mas, isso agora vai ter fim, vou levá-la comigo - tentou puxá-la contra si.
Que argumento esse capenga usou para fazê-la me deixar?
Por que me deixou por um homem pela metade?
- Me larga, me larga, senão eu grito.
Boris deu uns latidos e começou a rosnar.
César olhou para o cachorro e soltou-a.
A porta às costas de Gisele foi aberta.
- O que vocês estão fazendo? - Murilo perguntou com rispidez.
Chegando junto de Gisele, colocou o braço em seus ombros.
Ao mesmo tempo em que mandava Boris ficar quieto.
- Nada! - César deu de ombros.
Vim conversar com sua namorada.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 12, 2016 11:39 am

Sabe que as mulheres não me resistem - olhou para a moça com desdém.
Mas o cachorro me estranhou.
- Muito bem, podemos conversar os três.
- Não, pode deixar, vou dar umas voltas.
Vou caminhar, ou melhor, vou praticar uma boa corrida.
Você se lembra né, que eu era um dos melhores corredores de Mirante?
Novamente, Gisele teve vontade de socá-lo.
- Sim, eu me lembro - Murilo respondeu, dando um suspiro.
Então, vá correr para não perder o pique.
- Estou indo.
Ah, sim, lembre-se de que quando ponho os olhos sobre uma mulher ela não resiste.
- Primo, tudo nessa vida tem a primeira vez.
- Cretino! - falou entre dentes.
Depois disse em voz alta - cuida da sua noivinha, ela pode mudar de ideia.
Virou as costas e saiu.
Após ele haver saído, disse à noiva:
- Desculpe ter deixado a porta aberta - olhou para ela.
Não convém ficarmos a sós com pessoas que sofreram crises.
- Murilo, ele é... Foi ele que...
Vindo de fora, Everaldo assomou à porta.
- Bom dia, Gisele, esta semana, vai ter aulas praticamente o dia todo, assim não vai dar para estudar inglês.
Procurando se acalmar, respondeu:
- Está certo.
Na semana que vem vamos estudar dobrado! - ela disse meio que brincando.
Depois que o rapaz saiu, Murilo disse que o almoço estava servido.
- Já está pronto?
Eu preciso conversar com você!
- Querida, venha, vamos almoçar.
- Eu quero falar com você, é importante.
- Não, agora não - inclinando-se, beijou-a lentamente nos lábios.
Deixe para depois, por favor.
A tarde transcorreu tranquila.
Murilo deu um jeito em seus negócios e acompanhou a noiva e as senhoras ao condicionamento.
À noite foram ao Centro.
César e sua família foram convidados, mas não quiseram ir.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 12, 2016 11:39 am

Capítulo 33 - Sequestro

No Centro, Gisele sentou-se no salão onde se encontravam poucas pessoas por ser ainda cedo.
Enquanto esperava, leu a mensagem que recebera na entrada:
"Aprendizado - Emmanuel - Livro - Visão Nova:
"O homem físico está sempre ligado ao seu pretérito espiritual?
- Já que a maioria das criaturas humanas se encontra em lutas expiatórias, podemos figurar o homem terrestre, à maneira de alguém a lutar para desfazer-se do seu próprio cadáver, que é o passado culposo, de modo a ascender para a vida e para a luz.
Essa imagem temo-la na semente do mundo, que para desenvolver o embrião cheio de vitalidade e beleza, necessita do temporário estacionamento no seio lodoso do solo, a fim de se desfazer do próprio envoltório, crescendo em seguida, para a luz do sol e cumprindo a própria missão enfeitada de flores e frutos".
"Que mensagem interessante! - pensou.
Acho que precisamos sempre lembrar que geralmente temos contra o nosso próprio passado.
Não sei quem fui, ou o que fiz, mas...
Tive uma atracção tão grande por César, que às vezes penso que já o conhecia de outra vida.
Atracção fatal! - riu dos próprios pensamentos.
Ainda bem, que encontrei Murilo, quero me esforçar para fazê-lo feliz."
Na hora aprazada, os trabalhos tiveram início.
Izildinha, a moça que estava fazendo a prelecção, falou sobre o perdão, a reparação dos nossos erros de vidas passadas e sobre o "ser verdadeiramente espírita".
Ou seja, seguindo as palavras do Mestre Jesus, nós seremos conhecidos pelo tanto que nos amarmos.
Gisele tomou o passe e ficou aguardando a turma sair, após o término dos trabalhos.
Em casa, enquanto tomavam chá, na cozinha, Marlene, que devido à idade estava um pouco esquecida, levou a mão à testa.
- Pessoal, esqueci minha bolsa no Centro. E agora?
- Ah, ela está em boas mãos, vovó - disse Renata.
- Na bolsa tem alguma coisa que a senhora precise para hoje? - Gisele perguntou.
- Não, só tem minhas coisinhas.
Ah, tem um remédio que vou precisar tomar amanhã à tarde.
- Bem, se quiser, amanhã, após o almoço, eu vou lá buscar.
- Gisele! Você me faria esse favor?
- Claro.
- Ah, querida, você é uma moça especial.
Estou tão feliz por Murilo tê-la encontrado!
Ao fechar a janela, para se deitar, Gisele notou que no pátio Boris parecia inquieto.
Firmou a vista:
teve a impressão de ver um vulto, junto às árvores.
O cachorro começou a latir e rosnar.
Durante a madrugada, um ruído a acordou, pensou em abrir a janela, mas dando de ombros, virou-se na cama e voltou a dormir.
Teve sonhos escuros e confusos.
Ao se levantar, abriu a janela.
O sol matinal entrou no quarto, provocando luz e sombra na parede.
Saiu no terraço e ficou contemplando o belo jardim.
Respirou fundo, várias vezes, espreguiçou-se.
Corou ao notar que no pátio, Murilo, com os braços cruzados, olhava para ela com um cálido sorriso.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 12, 2016 11:40 am

- Ó preguiçosa, venha tomar café - disse ele.
Lia, durante o desjejum, disse que Marião tinha ouvido Boris latir muito.
Ele saiu para ver o que estava acontecendo e viu o Sr. Dinho que ficara praticamente a noite toda andando pelos arredores da casa.
Dava a impressão de não estar nada bem.
Chegava mesmo a falar sozinho.
Gisele sentiu um arrepio percorrê-la de cima abaixo.
Ao sair para caminhar, olhou para os lados, antes de pegar a trilha que levava à estrada.
Nada viu de suspeito.
Jota Ó, após cumprimentá-la, disse:
- Outro dia, eu achei que Dinho estava com uma aparência ruim.
Olhos congestionados, carrancudo, você, o que achou?
- Ele me parece alterado.
Será que está envolvido por algum obsessor? - fez uma pausa.
Ontem entrou no escritório enquanto eu trabalhava.
Tive a impressão que ia me agarrar.
- Meu Deus! Como foi?
- Bem, entrou pela porta que dá para o terraço, porém, por sorte, Boris que estava lá, latiu.
Murilo apareceu e me livrei de um problema - fez uma pausa.
Eu não consegui, ainda, contar os factos.
Parece que ele evita o assunto - suspirou.
Além de tudo, César, desde que chegou, fica dando indirectas sobre...
Sobre o problema do Murilo.
- Indirectas? Mais essa?
- Sim. Ele fala que vai correr, e chegou a dizer, assim que me viu com Murilo, que..
É só uma questão de tempo e vou ficar com ele.
Além disso, hoje cedo Lia disse que ouviu falar que César ficou a noite toda andando por lá, rondando a casa.
- Foi é? Xi... Isso não é bom.
- Quando fui fechar a janela, acho que ele estava olhando para o meu quarto.
Sabe? Durante a noite, tive a impressão de ouvir algum ruído, como se alguém estivesse jogando pedrinhas em minha janela.
- Será?
Andaram um pouco em silêncio.
Quando voltaram à entrada do pesqueiro, Jota Ó, pegou na mão dela.
- Gisele, eu quero que fique atenta.
Realmente, penso que Dinho não está bem.
No domingo à tarde, Giovane e Tonico - este último é o dirigente da Escola de Aprendizes do Evangelho - estavam tomando um sorvete na cidade, quando Dinho entrou na sorveteria com Ada e a esposa.
Eles viram quando destratou a mocinha que servia, só porque não gostou do sorvete.
Quando Micaela tentou argumentar, ele também a destratou, gritou e esbracejou.
Ela saiu de lá chorando - fez uma pausa.
Giovane, que o conhece há muitos anos, crê que ele está envolvido com entidades negativas.
- No caso, ele devia ir tomar passes?
- Sim, devia passar por uma desobsessão.
Esse tratamento é feito em uma sala à parte.
- Às vezes, recebemos lá entidades bem endurecidas, que não querem seguir Jesus.
Muitas pessoas têm crises e estas podem ser causadas, entre outras coisas, por um Espírito obsessor.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 12, 2016 11:40 am

Ainda mais se o indivíduo levar uma vida desregrada e não procurar se guardar através da oração...
Durante a manhã, Murilo e ela trabalharam duro, no escritório.
Ao terminarem, ele a elogiou:
- Você, além de bonita e inteligente, escreve muito bem.
Já pensou em escrever um livro?
- Eu? Imagine só.
Lá pelas 4h da tarde, Gisele entrou em seu carro para ir à cidade.
Além da bolsa de Marlene, Nair pediu a ela para passar no mercado e trazer alguns alimentos.
Munida da bolsa e das compras, vinha voltando para casa, cantarolando, tentando afastar a opressão que trazia no peito, desde a chegada de César, quando decidiu fazer uma paradinha na casa de Jota Ó.
Com o calor que fazia, um refresco viria a calhar.
Abriu a porta, entrou, fechou a porta.
- Jota Ó... - chamou. - Jota Ó... Silêncio.
Entrou na cozinha, foi ao quintal, pois algumas vezes o encontrara cuidando da horta.
Porém, neste dia, ele não se encontrava.
Voltou para a sala, ouviu barulho de um carro.
Certamente, ele pegara carona com alguém.
O carro parou, pensando em ir ao encontro do amigo, dirigiu-se à porta de entrada.
Quando estava a uns dois passos, a porta foi aberta com força.
César apareceu no umbral.
Assustada, ela levou a mão ao peito.
- Ah, dona Gisele, desta vez você não me escapa.
Aqui não tem nenhum cachorro bravo e nem herói capenga para te socorrer.
Eu quero conversar com você, mas não aqui.
Aqui aquele velho carola pode chegar e estragar tudo.
Venha, vamos comigo - agarrou seu braço.
- Não! César, eu não quero ir.
Por favor, me solte - disse debatendo-se.
- Ah, você vai sim! Torceu o braço dela.
Fica quieta, que vai ser melhor para você.
- Ai, me solta! - Gisele se debatia apesar da dor que sentia no braço.
- Não - riu com estrondo.
Não adianta, nós vamos conversar.
Vai ver como vai gostar - riu novamente.
Arnaldinho... - gritou.
- Estou aqui - Arnaldinho Beira Bar apareceu na porta, usando seu chapéu.
- Me ajuda aqui com essa gata brava.
Gisele tentava se soltar.
Chutava o ar tentando atingir o antigo namorado.
- Fica quieta, gata brava.
Anda rapaz, me ajuda.
Ela sentiu uma pancada na cabeça.
Nada mais viu.
Acordou sentindo falta de ar.
Estava em um lugar pequeno e abafado, onde era jogada de lá para cá.
O porta-malas de um carro!
O porta-malas de seu próprio carro!
De repente, percebeu que tinham parado.
Pensou ouvir a voz de César.
Depois de certo tempo a tampa foi aberta.
Arnaldinho e César a tiraram de lá.
Estava com as mãos amarradas às costas e tinha um esparadrapo na boca.
- Anda, vamos - César a empurrou.
Vamos, não quero que ninguém da estrada a veja aqui.
Um veículo passou na rodovia, Gisele teve a impressão que era o ónibus escolar.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 12, 2016 11:40 am

Capítulo 34 – Onde está Gisele?

A primeira que notou a demora de Gisele foi Marlene.
Preocupada, falou com Nair, que ligou para o celular de Murilo, que estava nos vinhedos.
Não, ela não havia telefonado dizendo que iria se atrasar.
Assustado, veio para casa.
Telefonaram para o celular dela, caixa postal.
Ligaram para Jota Ó e todas as pessoas, que podiam tê-la visto, porém, após ter saído do Centro com a bolsa da Marlene, não havia quem pudesse dar notícias dela.
O tempo foi passando, lento, como areia caindo na ampulheta, e Gisele não aparecia.
Alguém teve a ideia de ligar para a pousada.
Será que ela não estava lá?
Não. Ninguém a vira.
Dali a uns trinta minutos, Ada, Micaela e Dinho apareceram na casa.
- Quer dizer que sua noiva sumiu?
Saiu de carro e não voltou?
Você não sabe onde ela está? - César perguntou com certo desdém na voz.
Imagino a sua aflição - balançou a cabeça.
Essas moças modernas, das quais a gente não tem muita informação, podem ser muito...
Como direi? Safadas.
Se eu fosse você primo, teria muita cautela.
- Meu Deus! Será que aconteceu algum acidente com a moça? - Ada perguntou.
Vocês já telefonaram para a polícia?
Ligaram para a Santa Casa?
Ligaram para o celular dela?
- Sim. O celular está na caixa postal.
Na Santa Casa não há ninguém com o perfil dela.
Ligamos para Ronaldo, ele tem um primo sargento, o Stuart, ele alertou a polícia, inclusive a Rodoviária - disse Nair.
- E?
- Nada. Não há registo de acidente de carro aqui pela região.
- Meu Deus! A moça tem parentes aqui por perto?
Ela é daqui? - perguntou Micaela.
- Deixa de ser tonta, ela veio de São Paulo.
Não tem ninguém aqui, a não ser, é claro, seu interessante namorado - disse César com um risinho nos lábios.
- Vocês avisaram o pessoal do pesqueiro? - Ada perguntou.
Sabe como é, às vezes a pessoa pode cair, se machucar e...
- Sim, nós avisamos.
Todos estão dando buscas.
- É primo, mas já está escuro.
Será que ela caiu no lago?
- Dinho!
- Desculpa mãe - passou a mão no rosto.
Muita gente não sabe nadar - deu de ombros.
Não podemos descartar nenhuma hipótese.
- E suas coisas, suas roupas? - Ada perguntou.
- Está tudo aqui, no quarto.
- Puxa, então o caso é mais grave do que pensei - disse César.
Micaela, que praticamente não interferira na conversa, disse que estava sentindo uma dorzinha no baixo-ventre, queria se recolher.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 12, 2016 11:40 am

Eles se despediram, pedindo que os mantivessem informados.
Estavam saindo, quando César olhou para Murilo:
- Primo, você não deve se afligir.
Muitas vezes, as pessoas vão embora sem se despedir, sabe como é.
Não sei se vocês conhecem bem essa moça...
Às vezes, a pessoa tem um passado...
Ahm, comprometedor e decidem mudar de rumo.
Vocês já viram se não está faltando nada? - olhou ao redor.
Esta casa tem muita coisa de valor - antes que alguém falasse algo, saiu e fechou a porta mansamente atrás de si.
Renata chegou do trabalho.
Não, ela não tinha visto Gisele.
A noite deu lugar à madrugada.
Ninguém dormiu, nem mesmo Marlene.
Pela manhã a situação continuava a mesma:
nenhuma notícia de Gisele.
Murilo, com os olhos vermelhos, saiu com vários trabalhadores na van, inclusive o amigo Jota Ó.
Percorreram a estrada lentamente, olhando para todos os lados.
Nada. Foram à cidade, nada.
Voltaram, foram até o mirante e mais além, nada.
Cruzaram com o carro da polícia.
Stuart informou que não tinham encontrado nada em um raio de quilómetros.
Gisele tinha se evaporado.
De volta ao pesqueiro, Murilo ficou surpreso quando a mãe informou que Micaela estava à sua espera, no escritório.
- Bom dia, Murilo!
Desculpe se não me levanto.
Sei que você deve ter passado uma noite horrível, mas a minha não foi melhor, acredite-me! - levou a mão ao ventre, massajou.
Por favor, sente-se, eu preciso conversar com você.
- Desculpe Micaela, mas agora...
Minha cabeça está um caos!
- Sei disso, mas o que tenho a dizer é muito grave.
Por favor, me escute.
Murilo se sentou na cadeira giratória do computador.
- César não passou a noite comigo.
Ele saiu de carro.
- Sim, ele costuma andar por aí.
Micaela se veio falar dele...
- Calma, por favor! - fez um gesto com a mão.
Foi difícil eu chegar até aqui.
Murilo, quando aqui cheguei, pensei já ter visto a sua noiva em algum lugar, porém, só hoje percebi onde foi.
Foi na revenda. Ela trabalhou lá como temporária.
Ele fez um gesto de cabeça, como a dizer, continue.
- Bem, eu soube que recentemente, meu marido esteve envolvido com uma mulher - abaixou a cabeça, falou em tom baixo.
Tenho a impressão de que foi com ela - olhou para ele.
Agora vou ao ponto-chave:
ontem pela manhã e mesmo à tarde, ele andou saindo, antes, porém, falou muito ao celular.
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