Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 13, 2016 10:46 am

Por favor, não me julgue louca, desde que chegamos, ele está estranho.
Eu desconfio que César esteja envolvido no sumiço dessa moça!
- Micaela! - levantou-se depressa, a cadeira foi longe.
- Será? Não é possível, ele não faria uma coisa dessas!
- Não? Eu não tenho tanta certeza.
Eu não sei - deu de ombros. - Ele está estranho.
Anda bebendo demais.
Às vezes chega tão bêbado em casa que apesar da barriga, preciso ajudá-lo a subir e a se trocar.
Não quero que os criados o vejam nesse estado - começou a chorar.
Sei que sou gorda, sei que ele se casou comigo pelo dinheiro do meu pai, mas eu o amo.
Amo desde o instante que o vi pela primeira vez.
Eu vi o jeito como ele olhava para essa menina, em São Paulo, e também aqui.
Ele, no fundo, tem ciúmes de você.
Murilo já não escutava o que ela dizia.
Estava pensando em que atitude tomar, quando fortes pancadas soaram na porta que dava para o terraço.
- Seu Murilo, seu Murilo - Everaldo chamava.
- O que foi? - abriu a porta.
- Mamãe me disse, agora mesmo, que a Gisele está desaparecida. É verdade?
- Sim, por quê?
Você sabe de alguma coisa?
- Bom, acho que sim - coçou a cabeça.
Ontem, quando eu vinha no ónibus escolar, pensei ter visto o carro dela.
O mais estranho é que o Arnaldinho estava na direcção.
- Viu o carro da Gisele?
O rapaz balançou a cabeça.
- Eu vi um carro igual ao dela passando pelo ónibus.
Tenho quase certeza de que era o dela.
- Por favor, pense com cuidado no que vou lhe perguntar: além do carro dela você viu algum outro?
Viu o carro importado do Dinho?
- Um carro desportiva vermelho?
Sim! Todos nós notamos aquela máquina.
Será que o Arnaldinho raptou a Gisele?
Será que vai pedir resgate?
Everaldo costumava ler livros policiais e adorava tentar bancar a detective esclarecendo os crimes.
- Em que direcção eles iam?
- Iam em direcção ao mirante, em direcção ao muquifo do Arnaldinho - franziu a testa.
Mas por que o carro do Sr. Dinho estava junto?
- É isso que eu quero saber - disse Micaela.
Murilo foi o mais depressa que pôde contar à mãe e ao resto da família (Renata não tinha ido trabalhar) a informação que o rapaz tinha dado.
Nair foi de opinião que deveriam avisar a polícia, o que foi feito.
Stuart mandou que eles esperassem no pesqueiro.
A polícia chegou.
Estavam de saída, para dar uma busca, quando Jota Ó falou:
- O Boris gosta muito dela.
Vamos fazê-lo cheirar uma de suas roupas, quem sabe ele se revela um bom cão caçador de pessoas.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 13, 2016 10:46 am

Entraram na van, seguiram rumo à casa de Arnaldinho.
Enquanto isso, Nair, Marlene, Renata e Lia, iniciaram uma corrente de orações.
Gisele sentia-se desesperada.
Ao sair do porta-malas do carro, foi empurrada até uma casinha e lá jogada sobre um colchão malcheiroso e sem lençóis.
- Então, chefe, o que devemos fazer? - perguntou Arnaldinho.
- Você e Rosinha esperem lá fora que eu vou falar com a moça.
Ah, leve o carro dela até aquelas árvores lá adiante.
Coloque alguma coisa em cima, para que não o vejam da estrada.
- E o seu carro? - a mulher perguntou com voz rouca.
- O meu está atrás da casa - olhou o relógio.
Não posso me demorar.
Anda, vão fazer o que mandei, depois voltem para cá.
Após a saída deles, César chegou até Gisele e vagarosamente começou a tirar o esparadrapo de sua boca.
- Assim, vamos devagar para não se machucar.
"Mel tua boca tem o mel" - cantarolou.
Sei que só ficou noiva daquele bobão porque eu estava longe.
Não sei o que disseram para você ter sumido de São Paulo.
Mas agora, meu amor, as coisas vão mudar.
Pronto, o esparadrapo saiu.
Só está um pouco vermelho - passou a mão de leve nos lábios de Gisele.
Pronto... - olhou para ela, inclinou-se para beijá-la.
Ela se esquivou.
- César, não. Você tem esposa!
- E daí? Quero que ela se dane!
- César! Micaela está grávida!
- Bom, foi ela quem quis fazer os tratamentos, e não eu - olhou para ela.
Eu quero você, só você - apertou-a contra si.
Gisele pensou que ele parecia demente.
Tinha os olhos muito abertos, e a expressão que têm as pessoas que tomam muito calmantes.
Parecia que à sua volta havia uma nuvem escura.
Achou melhor tentar ganhar tempo.
- César, por favor, seu filho não tem nada a ver com tudo isso.
Escute, me solte.
As cordas estão me machucando - fez voz de choro.
- Ah, meu amor, vou soltá-la.
Vire assim... Pronto. Está melhor?
Eu percebi que você não quis mostrar que me conhecia para não criar caso com o tonto do meu primo.
Mas agora, nós logo vamos embora.
Vamos deixar tudo isso para trás - abaixando-se, tentou beijá-la.
Gisele gemeu:
- Ai! - afastou-o com a mão.
- O esparadrapo me machucou - falou em tom de queixume.
Ele olhou para ela com safadeza.
- É, mas só sua boca está machucada, o resto não!
Logo nós vamos nos divertir, vamos fazer loucuras mil e depois vamos embora - fez um gesto com a mão.
Não se preocupe com seus pertences.
Eu tenho dinheiro, a gente compra tudo novo.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 13, 2016 10:46 am

- César, como posso sumir?
As pessoas vão ficar preocupadas, podem chamar a polícia.
- Ah, a gente pensa em alguma coisa.
Depois você liga para eles dando uma desculpa.
Nesse instante, a porta foi aberta.
Arnaldinho e Rosinha entraram.
César olhou para os dois mostrando contrariedade.
- Pronto, chefe, o carro está escondido.
- Está certo - suspirou.
Vou deixar minha mulher com vocês.
Não toquem em um só fio de seu cabelo.
Vocês podem comer os alimentos que estão no porta-malas do carro dela - olhou para o homem.
Arnaldinho, vou lhe dar mais um pouco de dinheiro.
Quando tudo isso terminar, você vai ficar muito bem - olhou para Rosinha.
Quando ela quiser alguma coisa, é você e não o Beira Bar quem deve servi-la - olhou no relógio.
Vou embora, não posso dar bobeira.
Amor, assim que der, eu volto.
Deu um beijo ligeiro em seus lábios.
Assim que ele saiu, eles lhe ofereceram comida, ela nada quis.
Foi novamente amarrada.
Gisele teve uma noite horrível, durante a qual, várias vezes teve que recusar os cigarros de maconha que lhe foram oferecidos.
Ela chorou, se desesperou, tentou argumentar com os dois para que a soltassem, mas nada conseguiu.
Desesperada, pôs-se a orar.
Amanheceu.
Bem cedo, César voltou.
Durante algum tempo ele, Beira Bar e Rosinha ficaram conversando, fora da casa.
Pareciam discutir. Por fim, os ânimos se acalmaram.
Depois, ela ouviu o casal se despedir.
Ao que tudo indicava, eles tinham recebido mais dinheiro.
César entrou. Olhou para ela.
Gisele pensou que apesar de bonito, via-se em seu rosto uma expressão estranha.
Apesar da boa aparência, quem parecia ter deficiência era ele e não Murilo.
- Ah, querida, ficamos só nós dois! - riu.
Agora não precisamos mais fingir.
Aproximou-se dela.
Gisele se sentiu desesperada.
Subitamente teve uma ideia:
- César, o que houve?
Por que eles estavam falando de qualquer jeito com você? - perguntou, fingindo preocupação.
- Ah, lidar com esse tipo de gente, não é fácil.
A mulher queria mais dinheiro.
- Você deu?
Ele olhou para ela, não respondeu.
De repente, tentou sorrir.
O riso foi aumentando, passou para gargalhada.
- Eu daria qualquer coisa para ficar com você. Até o meu carro!
Gisele abaixou a cabeça.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 13, 2016 10:46 am

As lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto.
Estava com fome, à corda machucava seus pulsos.
Tinha vontade de gritar, de chutar...
- Querida, querida, não chore!
O que foi? - viu a corda.
Espere, vou desamarrar.
Pronto, assim está melhor.
Olha para mim - pôs o dedo embaixo de seu queixo e apertou-a contra si.
Viu, nós estamos juntos.
Nisso o celular dele tocou.
Ele a soltou. Praguejando, pegou o aparelho.
- Alô. Mamãe? - silêncio - O quê?
Micaela foi falar com Murilo?
O que aquela tonta tem para conversar com ele?
A senhora não sabe?
Bom, nem eu - silêncio.
Está certo, estou resolvendo um problema, logo estarei aí.
Ainda não encontraram a moça? - olhou para Gisele.
Nem vão encontrar.
Provavelmente ela foi embora.
Imagine se alguém em sã consciência vai querer casar com aquele idiota do meu primo.
Ta, ta, tchau.
Desligou o celular - olhou para ela.
Vou desligar esta droga para que não nos incomodem mais.
Chegou junto dela e começou a acariciá-la...
- Meu amor... Eu a amo muito... - beijou-a na cabeça.
Ainda bem que a encontrei - sorriu.
Logo vou querer saber direitinho porque você sumiu.
Claro que devem ter feito fofoca a meu respeito para você.
Gisele tremia.
Como dizer para o homem que antes julgou amar, o homem com o qual compartilhou bons momentos, o homem por quem foi obcecada, que a paixão, felizmente, tinha passado?
Respirou fundo, tentando se acalmar.
- Meu amor, estou louco de saudades.
Aqui é muito diferente dos lugares que já estivemos, mas vamos aproveitar o momento. Vamos nos amar.
- César, vamos discutir isso como duas pessoas civilizadas.
Por favor, me largue, agora não é a hora nem o momento para encontros.
Eu estou noiva do Murilo.
Por favor, respeite minha decisão, eu lhe peço.
Ele começou a rir.
Realmente parecia um demente.
Gisele começou a orar:
- Pai nosso que estais...
Jesus, por favor, me ajude, livre-me do César.
Lágrimas começaram a rolar por seu rosto.
Ele a apertava contra si, tentando beijá-la na boca.
Então, a coragem que ela pensou ter perdido pelo caminho, voltou.
Juntando suas forças o empurrou para longe.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 13, 2016 10:47 am

Começou a gritar:
- Socorro, me larga.
Eu não quero mais nada com você!
Eu quero o Murilo! - desesperada começou a gritar.
- Murilo, Murilo...
César, enfurecido, deu um tapa em seu rosto.
Gisele caiu no chão.
- Você acha mesmo, que vou deixá-la para aquele capenga?
Acha? Nem pense nisso!
Vamos ficar aqui juntos! - gargalhou.
Depois que terminarmos ele não vai mais querer nada com você.
Garanto que nem sabe que já esteve comigo, vai ver, disse a ele que era purinha!
Já percebi que vocês estão ficando juntos.
Por que me traiu? Como fez para enganá-lo?
Sim, porque o primeiro fui eu, eu!
Nunca se esqueça disso! - ao falar segurava-a com força.
Gisele tremia.
Intimamente continuava a orar.
- E Micaela e o bebé? - perguntou com um fio de voz.
- Isso eu resolvo depois. Agora somos só nós dois!
Agarrando-a, começou a rasgar suas roupas.
Acariciou-a. Gisele sentiu asco, seu estômago embrulhou.
Subitamente escutaram o som do motor de um automóvel se aproximando.
Soaram latidos de cachorro.
A porta do muquifo foi aberta com estrondo.
Boris entrou e avançou para César, trazendo Murilo atrás de si, seguido por outras pessoas.
- Larga a Gisele, já! - erguendo a bengala, deu vários golpes nas costas de César.
Boris, rosnando e fazendo grande alarido, agarrou a perna da calça de César.
Jota Ó, pulou na frente.
- Murilo, pára!
Por Deus, pára.
Mande o cachorro parar.
Cuidado! Tenha calma.
Gisele, no chão, tentava cobrir o corpo com as mãos.
Murilo correu, levantou-a, e a abraçou fortemente.
Tirando a própria camisa a envolveu com ela.
Depois mandou que Boris largasse César.
- Meu amor, você está machucada?
Este crápula a molestou?
Levando as mãos ao rosto, ela negou com a cabeça.
- Eu... Eu estou bem - olhou para o noivo.
Felizmente, vocês chegaram a tempo. Eu tive tanto medo!
- Imbecil! Você merecia uma surra de chicote!
Disse Murilo para César, ameaçando-o com a bengala.
- Calma, Murilo, tudo já passou, vamos manter a calma - disse Jota Ó.
Stuart colocou algemas em César.
Deu voz de prisão, informando que ele estava sendo preso, acusado de sequestro e cárcere privado.
Todos saíram do casebre.
Gisele respirou fundo.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 13, 2016 10:47 am

- Meu Deus, ainda bem que tudo isso acabou!
Eu nunca esperava passar por uma situação dessas!
- Os "mocinhos" nunca esperam uma safadeza dessas.
Quem prepara as traições são sempre os bandidos - disse Stuart.
Cabo, coloque esse meliante na viatura - falou com voz enérgica, ao mesmo tempo em que pressionava César para que andasse.
César, a princípio ficou calado, porém, conforme a viatura foi se afastando, pôs-se a gritar e esbracejar.
Xingava Murilo e Gisele e jurava vingança.
Com os ânimos mais ou menos serenados Gisele, abraçada por Murilo, disse baixinho:
- Faz dias que estava querendo contar que era César, o meu ex-namorado.
- Eu já sabia - disse ele, olhando em seus olhos.
- Já sabia? Mas, como?
Desde quando? Foi ele quem contou?
Ele sorriu. Levantou seu queixo, deu um ligeiro beijo em seus lábios.
- Não, não foi ele, mas acho que sabia desde o princípio.
Certo dia, fui a São Paulo, até a revenda, pois temos acções na firma, e vi o modo como vocês se olhavam.
Outra ocasião eu estava jantando em uma cantina, quando vocês entraram.
César, ao me ver, foi até a minha mesa e me pediu discrição - fez uma pausa.
Vocês dançaram aquele antigo sucesso, "Mel, tua boca tem o mel".
Saí de lá pensando:
"Murilo, fique longe dessa moça, caso contrário você vai se apaixonar por ela" - olhou para Gisele, sorriu.
Mas, eu estava enganado.
- Estava enganado? Como assim?
- Eu já estava apaixonado.
- Oh, meu querido!
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 13, 2016 10:47 am

Capítulo 35 – Final feliz

Mais tarde, após terem voltado para casa e Gisele ter descansado, eles foram de van, até o chalé.
Queriam ficar a sós para conversar.
Ao chegarem, Murilo a ajudou descer.
Boris veio recebê-los.
Aconchegando-se a ele, no velho sofá, Gisele chorou.
Chorou pelo sequestro, chorou por César, chorou por Micaela e pelo bebé, que ainda nem nascera.
Ela estava tão saturada de emoções que a única coisa que fazia sentido, era seu amor por Murilo.
O forte e gentil Murilo.
Forte como uma rocha onde se podia recostar, sem medo, sem sobressaltos.
Adormeceu e acordou abraçada a ele.
- Gisele, meu amor.
Você é a compensação que o destino me reservou.
Querida, quer se casar comigo?
- Hum, me deixa ver...
Boris ficará connosco?
- Claro.
- Então quero, assim terei um paladino e um cão para me defenderem - respondeu sorrindo.
Eram os braços de Murilo que a envolviam.
Era seu peito forte, no qual descansava a cabeça.
Ali não existia perigo. Ali era um lugar seguro.
Recebeu seus beijos sobre os olhos, sobre o nariz gracioso, sobre o cabelo macio, sobre os lábios que se entregaram com amor.
César ficou detido por um curto período de tempo.
Na cadeia gritava muito e tinha crises de demência, quando jogava todo o seu ódio contra Murilo, xingando e dizendo que o primo frequentava Centro Espírita e tinha feito trabalho para Gisele deixar dele.
Ada e o pai de Micaela contrataram um famoso criminalista para defendê-lo.
Alegando insanidade mental temporária, devido à crise que tivera e que ainda tinha e aos fortes medicamentos que tomava, o advogado conseguiu que o soltassem.
Depois do nascimento do nené - um menino -, César, Micaela e Ada, embarcaram para a Europa, onde deveriam ficar por um bom tempo.
Quanto a Arnaldinho e Rosinha, usando o dinheiro que receberam de César, fugiram de Mirante, no carro de Gisele, tomando rumo ignorado.
Dois meses depois, já casados, Murilo e Gisele foram até o pavilhão.
Ao chegarem, ela ficou olhando para a construção, agora totalmente restaurada.
Virando-se para o marido, disse:
- Todas as vezes que chego aqui, eu me lembro da Geny e sua história.
No fim da vida ela amou o marido.
É como fala à mensagem que o Jota Ó nos deu.
- Aquela "Não te canses de amar?".
- Essa mesma. Nós sempre podemos voltar a amar.
- Você está feliz, querida?
- Muito! Eu não me canso de amar, de te amar.
Murilo estreitou-a com força.
Saborearam em silêncio aqueles momentos perfeitos, pedindo a Deus para que perdurassem por toda a eternidade.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 13, 2016 10:47 am

Capítulo 36 – Esclarecimentos finais

Nina Rosa, após terminar a leitura, ficou com algumas dúvidas.
Decidiu esclarecê-las com dona Isaura.
Seguiu-se o seguinte diálogo:
Nina Rosa:
- Dona Isaura, por que Murilo veio deficiente?
- Porque Pedro provocou o acidente com os cavalos e lesou seu corpo perfeito. Acção e reacção.
Nina Rosa:
- César, quando Rafael ficou com um gosto amargo na boca, por assim dizer, por Geny não ter mais se interessado por ele.
Como conquistador que era, estava acostumado a "dar o fora" nas mulheres e não a levar o "fora". Não é?
Dona Isaura:
- Sim, foi isso o que aconteceu.
Nina Rosa:
- Por que os dois se apaixonaram nessa vida?
Por que Gisele se apaixonou novamente por ele?
Isaura:
- Gisele sentiu forte atracção por César, resquício do envolvimento da vida passada, sem falar na bela aparência dele e o efeito da influência dos Espíritos obsessores.
Nina Rosa:
- Obsessores?
Isaura:
- Sim. Como sabemos isso ocorre comummente.
Rafael e Laura fizeram muitos inimigos.
Ele, por não ter escrúpulos, conquistou várias mulheres, a quem prometia muita coisa e nada cumpria.
Laura, por ser uma mulher arrogante, e pelos vários abortos que provocou se fez odiar por muitos.
Como sabemos, o aborto causa uma dor muito grande nos Espíritos que são rejeitados.
É um tapa que se dá no rosto de uma criança.
André Luíz nos fala sobre esse tema em seus livros.
Os abortados muitas vezes se revoltam contra suas mães.
No presente caso, eles e mais os inimigos que o casal:
Rafael e Laura, fez no passado se agruparam para perturbá-los.
Micaela, não teve muitos problemas, devido à sua religiosidade.
Ela é uma católica fervorosa.
Vai à igreja, faz orações e assim já está conseguindo se melhorar.
Nina Rosa:
- E Gisele?
Por que foi envolvida por esses Espíritos?
Isaura:
- Porque ela entrou na faixa vibratória deles.
Ou seja, quando Letícia viajou, ela parou de fazer as orações e o Evangelho no Lar.
Ela se deixou dominar por tais entidades, que provocaram o romance entre eles.
Mas, na verdade, o que ela teve por César foi paixão, não amor.
Ficou deslumbrada por sua aparência, seu charme de conquistador e novamente se deixou envolver.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 13, 2016 10:47 am

Se fosse amor, na acepção da palavra, talvez ela não tivesse ido embora.
Provavelmente aceitaria ser "a outra".
Nina Rosa:
- Por que Anabela veio como mãe do César?
Isaura:
- Boa pergunta.
Anabela não perdoou o antigo amante.
Desencarnou com ódio dele.
Assim teve que aconchegá-lo em seu seio para passar a amá-lo - fez uma pausa.
Se bem que aqui temos um caso de livre-arbítrio:
Anabela sabia que estava mexendo com fogo.
Entregou-se ao amor com ele porque quis.
Sabia que corria o risco de engravidar e mais:
sendo uma criada, tinha consciência de que ele não iria assumir o filho.
Para ele aquilo foi apenas uma aventura.
Infelizmente, os serviçais, naquele tempo, quase não tinham direitos.
Nina Rosa:
- Por que o Pedrinho veio como filho do zelador no pesqueiro?
Isaura:
- Ele não quis ficar no Brasil, preferiu o requinte da Europa.
Tinha orgulho da sua situação social.
Precisou vir em um meio mais simples, para se melhorar.
Nina Rosa:
- Por que a Cornélia veio mãe do Murilo e da Renata?
Isaura:
- Porque ela, de certa forma, interferiu na vida deles.
Primeiro exagerou os problemas da Margarida, depois de certa forma incentivou Geny a trair o marido.
Como sabemos nossa evolução não dá saltos.
Geralmente, não conseguimos mudar nossos defeitos em uma encarnação.
Cornélia tinha o defeito da maledicência e sempre tentava dar um jeito nas coisas.
Quanto a Marlene, que foi mãe da Anabela, como pôde ver, ainda implica com sua filha, hoje a Ada.
Nina Rosa:
- Um facto interessante para se comentar é a ligação Toninha e Gisele.
Isaura:
- Geny praticamente abandonou a mãe, pouco apoio lhe deu.
Pode ser que Toninha ainda se ressinta deste facto, mas ela quando pôde ajudou a filha.
E quem no fim acabou de criá-la foi a Catarina, a sogra que implicava com Geny.
Nina Rosa:
- É, em tudo isso, percebemos que geralmente estamos envolvidos com os que nos cercam, desde outras eras.
Isaura:
- Geralmente sim, é a acção e a reacção.
Quando falhamos, precisamos voltar e corrigir a falha.
Nina Rosa:
- O nené da Micaela é o Michel.
Você poderia falar alguma coisa sobre ele?
Isaura:
- Michel parece ser um bom Espírito.
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Re: Não te canses de amar - Elias / Cláudia Marum

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 13, 2016 10:48 am

César vai receber o filho de braços abertos, para compensar por tê-lo abandonado em outra vida.
Nina Rosa:
- Se eu entendi bem, César durante o período em que esteve com estafa, estava envolvido por seus inimigos desencarnados, mas agora me parece bem.
Como se deu essa melhora?
Isaura:
- As preces de Micaela, que sabemos ser muito religiosa, o ajudaram, mas foi principalmente através do trabalho espiritual pedido por Jota Ó, no Centro, é que ele está recebendo auxílio.
No Centro Espírita, fizeram um tratamento de passes a distância chamado: "Samaritanos a Distância".
Ou seja, o nome da pessoa que está impedida de ir ao Centro é anotado, bem como sua idade, endereço e motivo do impedimento, no caso, ele estava detido.
Depois, os médiuns se reúnem se concentram e pedem aos Samaritanos (Espíritos bons) que assistam a pessoa.
Eles, os Samaritanos, conseguiram afastar as entidades negativas, ou Espíritos obsessores, que o envolviam e o prejudicavam.
Agora, tudo vai depender principalmente do próprio César.
Mais alguma pergunta, não?

Então, para terminar, vou pedir a você que faça a leitura do Capítulo IV do Evangelho segundo o Espiritismo - item 18.

OS LAÇOS DE FAMÍLIA FORTALECIDOS PELA REENCARNAÇÃO E QUEBRADOS PELA UNICIDADE DA EXISTÊNCIA
18 - Os laços de família não são destruídos pela reencarnação, como pensam certas pessoas.
Pelo contrário, são fortalecidos e reapertados.
O princípio oposto é que os destrói.
Os espíritos formam, no espaço, grupos ou famílias, unidos pela afeição, pela simpatia e a semelhança de inclinações.
Esses Espíritos, felizes de estarem juntos, procuram-se.
A encarnação só os separa momentaneamente, pois que, uma vez retornando à erraticidade, eles se reencontram como amigos na volta de uma viagem.
Muitas vezes eles seguem juntos na encarnação, reunindo-se numa mesma família ou num mesmo círculo, e trabalham juntos para o seu progresso comum.
Se uns estão encarnados e outros não, continuarão unidos pelo pensamento.
Os que estão livres velam pelos que estão cativos, os mais adiantados procurando fazer progredir os retardatários.
Após cada existência, terão dado mais um passo na senda da perfeição.
Cada vez menos apegados à matéria, seu afecto é mais vivo, por isso mesmo mais purificado, não perturbado pelo egoísmo nem obscurecido pelas paixões.
Assim, eles podem percorrer um número ilimitado de existências corporais, sem que nenhum acidente perturbe sua afeição comum. (...)
Dona Isaura sorriu e olhou para a moça:
- Querida, comentamos sobre os personagens como se eles estivessem entre nós.
- Será que esta história é verídica?
- Quem sabe?

FIM

§.§.§- Ave sem Ninho
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