Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 12, 2016 9:23 am

Os dois podiam observar ainda, por meio da vidência, nossa presença, embora se sentissem intimidados, devido à humildade que lhes era característica.
Pontualmente às seis horas da tarde, Juarez determinou o término dos trabalhos e pediu a José Augusto que fizesse a prece de encerramento.
Com a dificuldade comum aos iniciantes, nosso irmão, sob a influência de Firmino, fez sua prece.
Terminado o estudo do Evangelho no Lar, todos permaneceram no seu lugar, temendo que, ao se levantarem, perdessem as vibrações de harmonia e paz que os uniam.
Aroeira e Jatobá se aproximaram de nós e o primeiro falou:
”Irmão Xisto, estamos realmente fortalecidos pelas vibrações que aqui encontramos.
Os amigos nos autorizariam, em caso de continuidade desse encontro fraterno, a estar presentes?
Aproveitaríamos para prestar nossa humilde cooperação, preparando o isolamento e o ambiente dentro dos limites estabelecidos pelos nossos irmãos!”
Antes que pudéssemos responder, Juarez, ainda sob a influência de Firmino, falou:
- Só nos resta agradecer a Deus pela oportunidade desse encontro e franquear a todos, encarnados e desencarnados, a oportunidade de um novo encontro com o mesmo objectivo daqui a sete dias.
Até que nos determinem o contrário, nossas portas estarão abertas para novos participantes e colaboradores que os amigos queiram trazer!
Jatobá, sem poder conter as lágrimas que fluíam com facilidade, num gesto de humildade, ajoelhou-se e, com a face voltada para o Alto, exclamou:
”Obrigado, Senhor, pela luz que nos ilumina nesse instante!
Obrigado, Senhor, pelo calor da acolhida que aqui tivemos!
Obrigado, Senhor, pelos novos amigos, após tantos anos de isolamento necessário ao nosso aprendizado junto à mãe natureza!
Obrigado, Senhor, por fazermos parte de sua criação!”
Seguido pelo companheiro, ele ficou alguns instantes ali, imóvel.
Quando ambos se levantaram, pudemos notar que uma moderada luz lhes circundava a fronte.
Em seguida, num gesto que abalou os recônditos de nossa alma, colocando-nos diante da pequenez que representávamos perante a grandeza daqueles dois corações, eles tomaram nossa destra, beijando-a reverenciosamente, e então se afastaram. Filipe, percebendo o meu constrangimento, falou:
”Manifestações de carinho e agradecimento como a que acabamos de presenciar testificam a grandeza de Deus, que nos permite, como a esses dois, junto à natureza, aprender a encontrar valores nas pequeninas coisas que nos cercam.”
”Realmente, Filipe”, concordei.
”Mas, habituados a grandes sonhos, o homem passa toda uma existência com o coração voltado para suas conquistas pessoais, esquecendo-se de voltar a atenção para as pequenas oportunidades do caminho, que, reunidas, formam o todo de que ele necessita como suporte para sua caminhada.”
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 12, 2016 9:23 am

Durante o sono

Prosseguíamos absorvidos em nosso aprendizado por meio da troca de conceitos e informações conquistadas em nossas experiências pessoais quando Filipe alertou-nos sobre o horário, falando:
”É melhor nos apressarmos nos preparativos para conduzir nossos irmãos libertos do corpo físico pelo sono até a residência do irmão Sérgio.
Solicitei a Calixto que nos enviasse alguns colaboradores.
Dentro em pouco eles aqui estarão a procurá-lo, Firmino.
Xisto e eu nos adiantaremos, a fim de prepararmos Getúlio e Sérgio.”
Pouco depois das onze horas da noite, chegamos nas imediações da fazenda, onde encontramos, junto ao portão de entrada, alguns irmãos, que conversavam irritados:
”Para mim já chega!
Se não fosse esperto, eu tinha caído como peixe no anzol.
E o coronel não toma nenhuma providência!
Acho que já é hora de pular fora dessa empreitada.
Não há nenhuma garantia de segurança com esses soldados por perto!
Vocês notaram que hoje eles chegaram mais cedo?
Ainda não eram três horas da tarde e alguns deles já estavam por aí!”
”E o pior”, falou outro dos correligionários de Leocádio, ”é que o coronel nos oferece muito pouco para corrermos tanto risco!
Dois dos nossos já desapareceram, e ele afirma que os dois fugiram.
Eu não acredito, mas também não quero provas do que aconteceu.
Estou mesmo é preocupado com a minha garantia de liberdade!”
”Bem, para mim”, falou o mais novo deles, ”foram dadas garantias de que os bens que ficaram para trás permaneceriam à minha espera, com direitos de uso exclusivo.
Cumprirei minha parte no acordo até que sinta que o outro lado deixou de cumprir a sua.
Só aí então abandonarei meu posto.
Mas, se eu for traído, não partirei sem me vingar!”
Nisso, Filipe chamou minha atenção para Calixto e mais dois irmãos que se aproximavam.
Notei que o grupo de partidários de Leocádio rapidamente se dispersou, Calixto se aproximou e falou:
”Filipe, meu amigo, estamos ao seu inteiro dispor!”
”Nós o agradecemos, Calixto.
Conforme o combinado, Firmino aguarda a presença de alguns colaboradores para auxiliá-lo nas suas tarefas.”
”Nós já os enviamos, Filipe.
E iremos até lá para auxiliá-los também, caso o irmão não tenha para nós outras tarefas.”
”Não, Calixto, eu não tenho!
Como não existem dentro do lar de nosso Sérgio colaboradores do coronel, não enfrentaremos problemas.”
Calixto então se afastou em direcção à casa de Altamiro, enquanto nós nos dirigimos aos aposentos de nosso irmão Sérgio.
Sentado à porta, um empregado cochilava.
Passamos por ele e ganhamos o interior da alcova.
Sérgio, entregue a um sono profundo, liberto do corpo, estava agarrado em Getúlio, que permanecia a seu lado.
Nossa presença foi logo pressentida pelo coronel, que não podia ver-nos.
Filipe então sugeriu que eu permitisse ser identificado.
Assim, enquanto eu dialogasse com o coronel, ele permaneceria no anonimato, só se identificando se preciso fosse.
Procedi conforme as instruções de Filipe.
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 12, 2016 9:23 am

Logo o coronel, que então podia ver-me, falou:
”O que você faz aqui dentro?
Quem lhe deu autorização para entrar?”
”Calma, Getúlio!
Nossa missão é de paz!
Sou portador de uma mensagem do Mais Alto para você!
Estamos trazendo até aqui Altamiro e Juarez e gostaríamos que você os recebesse!”
”De forma alguma!
O que estão querendo esses dois impostores?”
”Bem, Getúlio, já é hora de vocês tentarem se acertar.
Ninguém pode viver eternamente com ódio no coração!”
”Isso porque não foi você o ofendido.
Eu não tenho nada para acertar com essa família.
Eu conheço todos eles, inclusive a que se casou com José Augusto.
O interesse deles é por esta terra!”
Nisso, Filipe, fazendo-se visível para o coronel, o deixou ainda mais irritado:
”O que faz este juiz aqui?
Por acaso estou sendo julgado?
Estão transformando minha casa em um tribunal?”
”Talvez, meu irmão”, falou Filipe.
”A sua consciência é que determinará isso.
Nós seremos apenas observadores.
Quer você queira ou não, nossos irmãos virão visitá-los, e, tenho certeza, sem ódio no coração!”
Ӄ claro! Eles foram os agressores!
E, como eu já disse, não tenho nada para resolver com essa família, desde que eles se mantenham longe da minha propriedade!
E que eles não pensem que, com o casamento de Maria Tereza com o filho de Sérgio, levarão alguma coisa!
Eles não levarão nada, pois estou cuidando para que José Augusto seja deserdado!”
”Por quanto tempo ainda espera o amigo permanecer na administração destas terras?
Desde a morte do seu corpo físico, você vem lutando para manter-se no poder, esquecendo-se de seus outros compromissos.
A vida continuou, meu irmão, enquanto você parou no tempo, alimentado pela cobiça e pela ambição!
Sem falar do ódio em seu coração, que já ocupa lugar secundário em seus projectos!
Esquece o amigo de que nada nos pertence, e sim a Deus, que nos cede, a título de empréstimo, os bens terrenos a fim de que os usemos para nosso progresso espiritual.
Portanto, a vida na Terra é passageira e nenhum bem que nos venha às mãos nos pertence!”
”Você está mudando de assunto!
Estávamos falando da presença daqueles dois aqui e você agora está falando das minhas terras!”
”Não mudamos de assunto, meu amigo.
Um assunto está atrelado ao outro.
Você sabe muito bem que, quando Sérgio abandonar o corpo de carne, o que não está longe de acontecer, não lhe restará nenhuma chance de continuar na direcção da fazenda!”
O coronel não pôde responder, pois Firmino, que entrara no quarto, confirmou a presença de Juarez e Altamiro na sala próxima, onde aguardavam a permissão de Filipe para entrar.
Filipe determinou que submetêssemos o espírito de Sérgio à nossa acção magnética, visando despertá-lo espiritualmente para os acontecimentos que se desenrolavam.
Sob o olhar furioso do coronel, iniciamos o processo, enquanto os demais nos auxiliavam, mantendo-se em prece.
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 12, 2016 9:24 am

A cobiça no lugar do ódio

Sérgio, sob nossa acção magnética, despertou espiritualmente e, como o metal atraído pelo imã, agarrou-se imediatamente no coronel Getúlio.
”Temos visitas”, afirmou Getúlio.
“Imagine quem está lá fora querendo entrar!”
”Não faço a menor ideia!”
”É aquele infeliz e o filho.”
”O que eles querem aqui?”
”Acorde, Sérgio!
Olhe em seu derredor!
Não é possível que você não está vendo o que está se passando!
Um juiz, carrascos e supostas vítimas, todos com um só objectivo.”
Sérgio, sob a influência mental de Getúlio, rapidamente assimilou o porquê do nervosismo do coronel e falou:
”Não se pode mais ter privacidade?
Quem quer que sejam, não têm o direito de invadir minha casa!
E muito menos de permitir a entrada de inimigos declarados que visam somente usurpar meus direitos de posse sobre estas terras!”
”Não estamos invadindo, meu irmão”, falou Filipe.
”Aqui estamos com a permissão de Jesus, na esperança de auxiliá-los para que tenham paz no coração!”
”Se é esse o objectivo de vocês, como explicar a presença daqueles dois lá fora?”
”Altamiro e Juarez vieram fazer uma visita para vocês, meus irmãos, na esperança de reatar os laços de família que os uniram no passado.”
”Impossível!
Não me lembro desse tempo nem quero lembrar.
Já recuperei o que era meu, e isso para mim é o suficiente!
A realidade que vivemos hoje é outra.
Não aceito que os dois sejam trazidos à minha presença e exijo que minha vontade seja respeitada.
Afinal, esta é minha casa, estas são minhas terras e tenho os meus direitos!”
”Seus direitos serão respeitados, meu irmão, mas gostaríamos de lembrá-lo de que o tempo elimina toda a camuflagem da verdade, e ninguém pode fugir da verdade sem reparar seus erros.”
”O culpado de toda essa história é o Francisco, e ele mesmo nem aparece por aqui!”, falou o coronel Getúlio, tentando impor sua autoridade.
”Francisco é apenas parte dessa história.
Além disso, ele já retornou ao corpo de carne e não guarda nenhum rancor de vocês.”
”Pudera!”, continuou o coronel.
”Aquele oportunista agiu sempre de maneira premeditada.
Sua intenção era apossar-se destas terras.
Se não fosse culpado, eu estaria aqui agora falando em sua defesa.”
”Meu querido Getúlio, o ódio e a ambição tornam sua visão limitada.
Francisco vive sob o mesmo tecto de vocês e você ainda não conseguiu identificá-lo!”
”Não acredito!
Se ele estivesse por aqui eu seria o primeiro a identificá-lo, pois fui sua principal vítima!”
”Hoje vivem nesta casa, além de Sérgio e de alguns empregados, José Augusto e Maria Tereza, que são...”
Getúlio não permitiu que Filipe continuasse, talvez por prever o que ele iria revelar.
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 12, 2016 9:24 am

Levantando-se, com Sérgio agarrado nele, ele falou:
”Não preciso ficar aqui a ouvir tantas asneiras!
Não me importo quem é você, se é juiz ou carrasco.
A verdade é que não sou obrigado a ficar aqui o ouvindo dizer o que não me interessa!”
Getúlio demonstrou-se intencionado a sair do quarto.
Certamente levaria Sérgio ou faria com que ele despertasse fisicamente, interrompendo o trabalho iniciado.
Filipe, percebendo suas intenções, falou:
”Não precisamos ir muito longe para nos encontrarmos com o passado, coronel!
José Augusto, que ocupa a posição de herdeiro de Sérgio, é nosso amigo Francisco reencarnado.
Agora, meu irmão, se quiser, pode fugir desse momento, afastando-se deste local.
Mas nunca conseguirá se afastar do seu passado.
Francisco, Esmeralda, Deolinda, Altamiro e Januário, aqui presentes, querem apenas afirmar que não guardam rancor e que nenhum interesse têm por estas terras.
Eles apenas esperam atitudes amigáveis por parte de vocês!
E agora, meu irmão, já que está pronto para se retirar, pode fazê-lo!
”Nós não representamos nenhum tribunal como você supõe.
Somos apenas enviados do Mais Alto com o objectivo de ajudá-los a encontrar um pouco de paz.”
Getúlio não permitiu que Filipe continuasse e falou, interrompendo-o:
”De que paz você fala?
Eu não matei nem roubei.”
”Meu amigo”, prosseguiu Filipe, ”esquece de que o passado não fica encoberto aos olhos da justiça divina!
Seria necessário retornarmos ao ontem para que você compreendesse que tem sido mais algoz do que vítima!”
”Não quero nem preciso ouvir mais nada.
Deixe-nos em paz e leve daqui aqueles dois.
Respeite nosso direito à privacidade!”
”Está bem, meu amigo, nós nos afastaremos.
Mas, em nome de Deus, peço-lhe que avalie melhor as oportunidades de que lhe falei, pois num amanhã não muito longe conseguiremos de Deus uma nova oportunidade em um corpo de carne para continuarmos o aprendizado na Terra!”
Só percebemos depois que as últimas palavras de Filipe tinham como finalidade despertar o interesse de nossos irmãos, já que os alertava sobre a possibilidade de retorno à Terra em um novo corpo de carne, sonho de cobiça de Getúlio e Sérgio!
Com um sinal de Filipe, nós nos retiramos da casa, levando Altamiro e Juarez ainda sonolentos.
Antes de prosseguirmos, já do lado de fora da residência, Filipe nos concitou à prece de agradecimento e em seguida falou:
”Meus amigos, para compreendermos melhor os problemas do momento, precisamos retornar ao passado, onde com certeza encontraremos suas origens.
Temos aqui um caso raro em que a cobiça tomou o lugar do ódio e a ambição substituiu o sentimento de vingança, fazendo com que nossos amigos não se importem com mais nada além de seus objectivos de continuar sendo donos destas terras.
O propósito que os une os tornou dependentes a ponto de não conseguirem viver um sem o outro!
Retornemos aos nossos afazeres e prossigamos em nosso objectivo de servir, aguardando que, com o amanhecer, novos recursos nos sejam ofertados para auxiliá-los.”
Conduzimos Altamiro e Juarez de volta ao corpo.
Filipe então se despediu de nós, confirmando seu retorno para breve.
O dia claro recebia a luz balsamizante do sol, enquanto as gotas de orvalho na vegetação nos ofereciam um espectáculo de rara beleza.
Firmino, colocando a destra sobre meu ombro, falou:
”Xisto, meu irmão, a cada dia um novo espectáculo nos oferta a natureza, chamando-nos à compreensão da infinita presença de Deus, que rege tudo o que nos cerca.
Continuemos a procurar recursos de boa visão espiritual e conseguiremos levar paz a muitos corações.”
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 12, 2016 9:24 am

José Augusto e Juarez

Dois dias haviam se passado desde a tentativa de aproximação entre os irmãos e o quadro permanecia o mesmo.
José Augusto, diante da impossibilidade de assumir os negócios do pai, uniu-se a Juarez, de quem recebeu uma proposta de sociedade na criação de gado utilizando as terras de Altamiro.
Rapidamente a notícia se espalhou e chegou aos ouvidos de Sérgio e de seu companheiro Getúlio.
Sérgio então chamou José Augusto para explicar-se:
- Não tenho muito a explicar, meu pai.
Lancei mão de minhas economias e associei-me a Juarez.
- Só não entendo, José Augusto, por que se envolver com aquela família.
As últimas palavras de Sérgio foram suficientes para iniciar uma discussão entre ele e o filho, que para evitar que a situação se agravasse retirou-se do quarto e buscou a companhia de Maria Tereza.
A esposa, notando as feições transtornadas do marido, falou:
- Discutiu com seu pai novamente, José Augusto?
- Discuti, Maria Tereza.
Acho que já é hora de contar a ele toda verdade a seu respeito.
- Bem, meu querido, sempre fui contra essa situação.
Por mim ele já teria ficado sabendo e nós já estaríamos a par de qual caminho tomar.
- Você está certa, Maria Tereza.
Não podemos protelar mais esse assunto.
Enquanto os dois conversavam, dirigi-me ao quarto de Sérgio, a fim de sondar suas intenções após a discussão, e encontrei o coronel Getúlio a falar ao seu ouvido:
”Você faça o favor de chamar aqui esse menino e o colocar no lugar que merece.
Ele já está abusando!
E muita falta de respeito o que ele fez.
Associar-se ao filho de seu inimigo!”
Sérgio assimilava com precisão cada palavra dita pelo coronel.
Em seguida ele comentou:
”Tenho muitos problemas para ficar me preocupando com filhos.
O melhor seria que ele sumisse daqui como sumiu sua irmã, em vez de ficar me causando problemas!”
A conversa entre os dois prometia se alongar.
Resolvi então retirar-me, dirigindo-me ao jardim em busca de inspiração para agir.
Ali encontrei Amaro, que cuidava de seus afazeres e saudou-me com um cumprimento de bom-dia.
Respondi e fiquei a observá-lo no trato com as flores.
Nisso, um empregado aproximou-se dele e comentou:
- A coisa lá dentro está feia, velho!
O Dr. Sérgio e o filho estão discutindo pela segunda vez hoje.
E, pelo barulho que estão fazendo, o resultado não vai ser bom para o rapaz.
De posse dessa informação, retornei ao interior da casa e me dirigi rapidamente ao quarto de nosso irmão.
Com a respiração ofegante, as mãos trémulas e os olhos arregalados, Sérgio falou:
- Fui traído pelo meu próprio sangue.
Com tanta mulher no mundo você tinha de escolher se casar com a filha daquele infeliz?
O que você espera de mim agora?
Só me resta deserdá-lo de uma vez, por desobediência às minhas ordens.
Veja só que descaramento:
trazer para dentro de casa a filha do meu inimigo e, ainda por cima, ser casado com ela!
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 12, 2016 9:24 am

- Olhe, meu pai, como eu já lhe disse, não compartilho desse ódio pelo Sr. Altamiro e não pretendo privar-me da felicidade somente para agradá-lo.
Se o senhor puder me aceitar assim, ficarei feliz.
Caso contrário, para sua tranquilidade, seguirei o meu caminho!
- Minha decisão já está tomada.
Você não herdará nada e tampouco sua irmã.
Se é verdade que nascemos de novo, voltarei para cuidar destas terras.
Caso contrário, vou doá-las aos padres!
- Pouco me importa as terras, meu pai.
O importante para mim é viver em paz com o senhor, mas vejo que isso é impossível!
- Depois de uma afronta dessa, você ainda me fala em viver em paz!
Não o quero mais aqui no meu quarto.
Pode continuar vivendo na fazenda até arrumar um lugar para ficar com sua mulher.
Agora saia! Deixe-me em paz!
José Augusto retornou para junto de Maria Tereza, relatando o ocorrido e demonstrando uma profunda preocupação em relação a como e onde viveriam dali para frente.
- Nós conseguiremos, José Augusto.
Impossível seria viver com esse problema a nos atormentar o coração!
Você já se iniciou nos negócios e logo começará a obter lucros.
- O negócio com Juarez ainda é muito recente para contarmos com lucros, mas é a única coisa que temos em mãos no momento.
Apesar de tudo o que ouvi, Maria Tereza, não sinto ódio pelo meu pai!
Tenho pena dele, e até sinto sua falta!
Será que Juarez e a religião dele têm uma explicação para tudo isso?”
- Não sei, meu querido.
Mas, conforme ele diz, para tudo existe uma explicação lógica dentro dessa doutrina.
E, por falar nisso, ele ficou de ir à casa de dona Sebastiana agora pela manhã.
Por que você não vai ao seu encontro e troca com ele algumas ideias?
- Para quê, Maria Tereza?
Em que poderá ele me ajudar?
- Meu querido, quem sabe o ouvindo você consiga algumas respostas!
Juarez sempre foi uma pessoa de muito conhecimento.
- É, vou fazer isso!
Estou mesmo precisando respirar um pouco de ar mais puro!
Afastei-me de Maria Tereza, que até então acatava as minhas sugestões e as transmitia a José Augusto, e, me adiantando a ele, segui em direcção à casa de Sebastiana à procura de Juarez.
Mas antes sugeri a Amaro que por nós fizesse uma prece.
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 12, 2016 9:25 am

Na França do século XVII

Ao me aproximar da casa de Sebastiana, fui surpreendido pela presença de nosso irmão Filipe, que ali estava a me aguardar.
Chegamos ainda a pouco, Xisto!
Suas preces chegaram até nós.”
”Ainda bem que Deus assim o permitiu, Filipe.
Acontecimentos desagradáveis tiveram origem esta manhã na residência de Sérgio, o que sugere nossa participação, a fim de evitar conflitos maiores.”
”Compreendo a sua preocupação, Xisto, mas não podemos impedir que o passado venha bater à nossa porta, cobrando o que lhe é de direito!
Com relação aos irmãos envolvidos nos conflitos de hoje, tenho algo a lhe relatar.
”Façamos uma viagem ao passado e nos situemos no interior da França, no final do século dezassete, tendo a cidade de Sta. Marie Bernadete como nossa referência.
Vinhedos abundantes faziam parte das terras de um ilustre fidalgo.
Bernardes e Maria Luiza eram os senhores daquelas terras, onde criavam seus sete filhos.
A colheita sempre fora suficiente para mantê-los dentro dos padrões de nobreza em que viviam.
Fazendo divisa com suas terras, encontrava-se a propriedade dos Montez, descendentes de pioneiros imigrantes espanhóis que eram voltados também para o cultivo de uvas.
Num determinado momento, um dos filhos de Bernardes se formou teólogo e foi consagrado sacerdote da Igreja Católica, após muitos anos de internato em um colégio especializado.
Três anos após sua consagração, uma vultosa soma em dinheiro foi enviada à Roma por um emissário e o sacerdote recebeu o título de Monsenhor, sendo designado, em seguida, para prestar seus serviços junto ao tribunal do Santo Ofício.
Nessa época, as perseguições na França eram comuns, apesar de não se darem com tanta intensidade como na Espanha e em Portugal.
As atrocidades já conhecidas por todos nós, destruíam lares e famílias inteiras em nome da Santa Inquisição.
Numa certa ocasião, numa conversa entre Bernardes e seu filho Monsenhor Gerard, o pai deixou transparecer ao filho o interesse que tinha pelas terras dos vizinhos.
Disse a ele que certa vez fizera uma proposta de compra, que foi respondida com uma negativa.
Monsenhor, acostumado a não ter sua vontade contrariada, procurou o patriarca dos Montez e insistiu na proposta de compra, idealizando presentear o pai com a propriedade de seus sonhos.
”Mediante a insistente resposta negativa dos Montez, que não estavam interessados em vender as terras, Monsenhor concluiu que havia naqueles sítios outras riquezas, além de solo fértil.
Movido pela ambição, ele conseguiu, ao peso do perdão, uma pessoa que denunciasse a prática da heresia e da bruxaria por parte dos Montez.
Essa testemunha estranhamente fora libertada alguns dias antes das prisões do Santo Ofício e, após a denúncia, desapareceu misteriosamente.
A partir dessa denúncia, perseguições terríveis à custa de humilhações à honra dos Montez foram movidas pelo Clero.
Cansados, sofridos e humilhados após um ano de perseguições, eles venderam suas terras por uma irrisória quantia e receberam um salvo-conduto fornecido pelo Santo Ofício, que lhes permitia passagem livre pelos portos e pelas fronteiras da França.
”De posse da pequena quantia em dinheiro que lhes restara, eles embarcaram de volta a Espanha, terra de seus bisavós, onde adquiriram uma pequena propriedade, passando a viver do cultivo de hortaliças.
Mas o ódio aos franceses, à Santa Igreja Católica e, principalmente, à família do Monsenhor Gerard passou a fazer parte da cultura dos Montez.
E, como o passado é sempre o fiel construtor do nosso hoje, quase um século depois vamos encontrar um oficial da guarda de sua majestade o rei de Espanha, a serviço do Clero, cujo nome era Antonino de Miranda.
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 12, 2016 9:25 am

Depois de algumas investidas sobre a filha de um respeitável fazendeiro, ele recebeu um ’não’ como resposta por parte da família da moça.
Antonino, antes Monsenhor Gerard e hoje coronel Getúlio, como vingança e sob a protecção do Clero, passou a perseguir aquela família, e seu chefe, de nome Alberto de Paula, acabou sendo acusado de heresia e preso, por negar-se a pagar os tributos que lhe foram determinados.
”Alberto de Paula, no passado patriarca da família Montez e nos dias de hoje nosso Altamiro, foi lançado às masmorras, onde conheceu você, Xisto.
Não suportando a humilhação e o sofrimento, ele ficou ali apenas alguns meses, quando a morte do corpo físico o libertou.
Bem, Xisto, em síntese, essa é a história de Altamiro e Getúlio.
Os demais alternaram-se entre perseguidos e perseguidores até algumas décadas atrás.
A maioria conseguiu, pela dor e pelo sofrimento, elevar-se, mas os poucos ainda presos ao passado, como o coronel Getúlio e Sérgio, insistem em seguir os padrões de vingança de séculos atrás, hoje substituídos por sentimentos não menos destruidores, que são a cobiça e a ambição.
José Augusto e Maria Tereza são os antigos fidalgos franceses Bernardes e Maria Luiza, que não souberam educar os filhos, induzindo-os ao erro e fazendo-os vítimas da cobiça e da ambição.
Como eu lhe disse, a maioria dos envolvidos conseguiu recuperar-se, perdoando-se mutuamente.
Altamiro cumpriu bem sua parte nesta existência e retornará ao nosso meio sem remorsos no coração.
José Augusto e Maria Tereza, cuja união vem sendo mantida há algumas existências, têm nesta vida a finalidade de receber em um futuro próximo como filhos queridos Getúlio e Sérgio, para que por meio do amor consigam obter deles o perdão.”
Filipe fez uma pausa e aproveitei para reviver em minha memória as dores e os sofrimentos daquela época em que permaneci longos anos abandonado nas masmorras.
Esse período foi para mim de reconciliação com Deus.
E ali estava a resposta à simpatia que Altamiro inspirava-me.
”Peço-lhe perdão, Xisto, por despertá-lo para o hoje, mas compromissos determinam que estejamos atentos e vigilantes”, falou Filipe.
”Nosso irmão Juarez se aproxima desta residência e, como você sabe, José Augusto também não tarda a chegar.
Grandes transformações estão por vir.
Inclusive aproxima-se o momento em que nosso querido Altamiro virá encontrar-se connosco, sendo esse o principal motivo de sua presença junto ao velho conhecido do passado!
Veja, Xisto!
Ali estão nossos irmãos Jatobá e Aroeira em seus afazeres.
Vamos nos unir a eles e elevar nosso pensamento a Deus, abrindo nosso coração para as tarefas que competem a nós no dia de hoje.”
Passados alguns minutos, chegou à casa de Sebastiana.
José Augusto, que foi recebido com carinho pela madrinha.
Sebastiana, percebendo de imediato estar o jovem com problemas, falou:
- O meu menino brigou com o velho pai hoje?
- Mais do que isso, madrinha.
Nós rompemos de vez nossa relação!
- Meu menino está vendo aquela laranjeira carregada ali?
Pois é! Para ela ficar bonita desse jeito, todo ano eu lhe corto alguns galhos.
Então ela pega força e fica essa belezura aí!
Assim também a vida faz com a gente, meu filho:
ela corta alguns galhos para nós ganharmos força e produzirmos mais.
É a Lei de Deus Nosso Senhor, meu filho.
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 12, 2016 9:25 am

- Ouvindo a senhora falar, madrinha, tudo fica mais fácil.
Como disse para Maria Tereza, não carrego ódio em meu coração.
Pelo contrário: tenho muita pena do meu pai e também do meu avô.
Eu não o conheci, mas ele deve ter sofrido muito com seu orgulho.
- É melhor mesmo, meu filho, pensar assim.
O dia de amanhã ainda tem muita história para contar.
Venha cá, aconchegue sua cabeça no ombro desta velha, vou fazer uma oração para Deus Nosso Senhor ajudar você e a menina Maria Tereza.
”Jesus, abençoe meu menino, que tem o nome igual ao de seu pai, e a mulher dele, que tem o nome igual ao de sua mãe.
Abençoe os passos desses filhos e dê a eles a fé que o Senhor me deu quando cheguei na Terra, há muito tempo.”
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 13, 2016 10:31 am

O aviso de Filipe

O barulho do bater de palmas obrigou Sebastiana a pedir licença a José Augusto para atender a porta:
- Juarez, meu filho, você chegou numa hora boa.
Vamos entrando!
Juarez assustou-se ao encontrar José Augusto ali, àquela hora da manhã:
- O que houve, meu amigo?
Onde está Maria Tereza?
- Maria Tereza está em casa.
Vim porque além de precisar de alguns conselhos de dona Sebastiana, esperava encontrá-lo por aqui!
José Augusto relatou a Juarez e à Sebastiana os detalhes da discussão entre ele e seu pai.
Juarez então opinou:
- José Augusto, tomemos seu pai como um doente obcecado por estas terras e muito mais fácil será entender sua maneira de proceder sem guardar rancor.
Procure, meu amigo, orar por ele enquanto se fortalece na fé e aceite as dores e as dificuldades do hoje como reflexo do passado.
Além disso, acredito que papai e mamãe ficariam muito felizes se vocês optassem por viver lá em casa.
Afinal, o quarto de Maria Tereza está vazio e não vejo o porquê de vocês não poderem utilizá-lo!
- É uma boa ideia, meu filho!
Enquanto isso, as coisas se acalmam do lado de cá! - falou dona Sebastiana, ansiosa por ajudar.
- Vou conversar com Maria Tereza.
E você, Juarez, converse com seus pais para mim!
Ainda hoje faremos uma visita a vocês para acertarmos os detalhes.
Juarez imediatamente partiu ao encontro do pai, que estava no campo a trabalhar, para pedir-lhe apoio para a irmã e o esposo.
José Augusto, por sua vez, retornou para junto da esposa.
Altamiro, após ouvir do filho o relato dos factos que envolveram a filha e o genro, se emocionou e, chocado com a atitude de Sérgio, dirigindo-se a Juarez, falou:
- Meu filho, há muitos anos o Dr. Sérgio é um espinho no nosso caminho.
Ele nunca mede esforços quando se trata de nos prejudicar.
Nisso, Altamiro, acometido de uma tontura, se apoiou no filho para não cair e com dificuldade falou:
- Juarez, não estou me sentindo bem.
A notícia abalou-me sobremaneira.
Dê-me seu braço e leve-me para casa.
Juarez, assustado com a palidez que tomara a face do pai, o amparou e o colocou à sombra de uma árvore, esperando que ele se recuperasse para levá-lo para casa.
Filipe convidou-nos a auxiliá-lo com passes, e nosso querido Altamiro gradativamente recuperou suas energias.
Mesmo assim, ele apoiou-se no filho para iniciar sua volta ao lar.
Filipe então comentou:
”O retorno de Altamiro está programado para as próximas horas.
Como podemos notar, seu batimento cardíaco encontra-se descontrolado, e seu fluxo sanguíneo, desordenado.
A síncope é inevitável para as horas seguintes.
Mas até lá nosso irmão precisa acertar alguns detalhes de ordem familiar!
Busquemos auxiliá-lo em seu regresso ao lar”.
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 13, 2016 10:31 am

Nós o amparamos com vibrações fraternas, ao mesmo tempo em que auxiliamos seu batimento cardíaco, pois seu coração se assemelhava ao pêndulo de um relógio quando está chegando ao fim a corda que impulsiona seus movimentos.
Ao se aproximarem de casa, Cenira percebeu que algo errado estava acontecendo e correu ao encontro deles, amparando o marido ofegante.
Chegando em casa, ela o acomodou na cama e correu para lhe preparar um chá de camomila.
Enquanto isso, Juarez lhe explicava o ocorrido, ao que ela comentou:
- Esse pai do José Augusto sempre foi um problema em nossa vida.
Eu nunca compreendi por que Altamiro sempre o perdoa!
É melhor mesmo que Maria Tereza se mude para cá.
Assim, ela fica longe daquele homem que sempre achei ser louco!
- Eles virão aqui hoje, mamãe.
E, já que a senhora concorda, vamos insistir para que fiquem de vez!
Vamos contar ao papai sua decisão, mamãe.
Talvez isso o acalme um pouco.
Passavam poucos minutos do meio-dia quando Maria Tereza e José Augusto chegaram à casa de Altamiro.
Filipe, que já havia requisitado auxílio ao Mais Alto, ultimava alguns preparativos junto a quatro companheiros treinados para a tarefa de desligamento.
Eram duas irmãs e dois irmãos que carinhosamente cuidavam de Altamiro.
”Esperemos que, com a ajuda de nossos irmãos socorristas, consigamos prolongar mais um pouco a permanência de Altamiro junto ao corpo de carne.
Procederemos seu desligamento de forma gradativa, facilitando seu despertar do nosso lado!
Altamiro já percebeu o que está se passando.
Vamos induzi-lo ao sono e procurar tranquilizá-lo.
Mas antes, Xisto, faça com que sua filha e seu genro venham aos (?)
Encontrei José Augusto e Maria Tereza, que estava bastante nervosa, a contar os detalhes do desentendimento com Sérgio.
Aproximei-me de Juarez.
Com a ajuda de Firmino, ele percebeu de imediato nossa presença.
Então lhe falei:
”Comentários relativos ao mal não nos trazem resultados que nos conduzem ao bem.
Procuremos respeitar o quadro de saúde de Altamiro e passar a ele pensamentos de paz.”
Juarez, após ouvir-me, comentou:
- Maria Tereza, José Augusto, é vontade de papai e mamãe tê-los aqui connosco.
Esperamos que no momento vocês se contentem com o quarto de Maria Tereza, até que possamos providenciar algo melhor!
Papai, que ficou bastante chocado com a atitude do Dr. Sérgio, encontra-se acamado.
É melhor você ir tranquilizá-lo, Maria Tereza, contando-lhe sua intenção de mudar-se para cá com José Augusto.
- Onde está o papai, Juarez?
Por que não nos avisou logo que chegamos?
Ele já está bastante idoso.
Temos de tomar cuidado ao lhe dar certas notícias.
- Ele está no quarto dele.
Acredito que tenha errado ao lhe contar o que aconteceu, mas de qualquer forma precisávamos encontrar uma solução para vocês dois!
Maria Tereza, acompanhada da mãe, dirigiu-se até os aposentos de Altamiro, encontrando-o semi-adormecido em seu leito.
Mas, notando sua presença, Altamiro falou:
- Maria Tereza, minha filha, não parta novamente!
Se o Dr. Sérgio não os quer lá, mudem-se para cá!
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 13, 2016 10:31 am

Temos seu antigo quarto, que acomodará muito bem você e o José Augusto.
- Fique tranquilo, meu pai.
Já viemos aqui contando com sua ajuda e a da mamãe.
Vamos ficar por aqui a partir de hoje!
Agora, procure descansar e fique despreocupado.
Ficaremos todos juntos novamente!
Altamiro, dando sinais de cansaço, sorriu e aceitou o abraço carinhoso da filha, entregando-se em seguida ao sono que faria com que ele se libertasse do corpo em desdobramento.
Sonolento e com dificuldade para manter-se em pé, ele olhou-nos e sorriu, como a cumprimentar-nos.
Enquanto Firmino e eu permanecemos junto aos irmãos socorristas, Filipe se adiantou e, abraçando-o, o manteve em pé, para em seguida falar:
”Altamiro, meu irmão!
Aqui estão afectos directos de seu coração, embora não nos reconheça.
Mas, sob as bênçãos de Jesus, nosso coração está entrelaçado por vínculos de amor e solidariedade que o passado, encoberto pelo tempo, nos proporcionou.
Meu amigo, é chegada a hora de devolver à Terra o que lhe pertence e permitir ao espírito alçar voo às regiões onde a dor é compreendida como um instrumento de Deus para nos alertar sobre nossos deveres e compromissos.
Procure desvincular-se de compromissos que porventura possam prendê-lo à Terra, a suprema escola de aprendizado e elevação.”
Altamiro a tudo ouviu com lágrimas nos olhos.
E, antes que ele pudesse falar qualquer coisa, Filipe prosseguiu:
”Busquemos, meu querido Altamiro, por meio da prece, encontrar Deus, renovando nossa energia na fé que nos proporcionará a tranquilidade necessária para vencermos esse sublime momento para seu espírito, que morre aos olhos dos homens e renasce aos olhos de Deus.”
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 13, 2016 10:31 am

A partida de Altamiro

Altamiro, amparado por Filipe e pelos irmãos socorristas, foi levado para refazer-se junto à natureza.
Fui convidado a acompanhá-los.
Seguíamos transportando nosso irmão, quando Filipe comentou:
”Xisto, meu irmão, dentro em pouco, tarefeiros estarão presentes cuidando do isolamento da casa e dando garantias de um desenlace tranquilo ao nosso irmão.
Calixto e seus comandados foram designados para tal tarefa.
Nós os aguardamos para breve.”
Preocupado, me dirigi a Filipe:
”Filipe, perdoe-me a incompreensão, mas por que todo esse aparato?
Corre nosso querido Altamiro o risco de ser arrebatado por nossos irmãozinhos das trevas?”
”Qual de nós, meu querido Xisto, está livre de pecados?
Como espíritos em evolução, em aprendizado em corpo de carne pelas oficinas da Terra, nos situamos em campos vibratórios comuns ao planeta, também em evolução.
Nosso irmão não é uma figura notória que desperte tanto interesse das sombras, mas observe o pequeno insecto que vive nestes campos conhecido como vaga-lume.
Por sua luz a brilhar na noite, ele atrai predadores naturais e se expõe a eles.
O espírito que retorna ao nosso meio portando alguma luminosidade se expõe às forças das sombras, e é nosso dever ampará-lo e protegê-lo.
Portanto, o menor deslize facilitaria o assédio das sombras, que gerariam danos sensíveis ao desencarnante, mesmo temporariamente.
Procuremos dar ao nosso amigo garantias nesse momento de transição.”
Satisfeito, eu me calei.
Foi quando o grupo parou às margens de um rio e irmãos aplicaram passes reconfortantes em nosso Altamiro.
Submetido a uma pequena caminhada pelo campo, nosso irmão retornou com o grupo que o assistia completamente refeito espiritualmente.
Ao retornarmos à casa de Altamiro, encontramos seu veículo físico aparentemente melhor.
Então, me voltei para Filipe:
”Com a melhora física de nosso irmão, presumo que vamos alterar a data de seu retorno ao nosso meio.”
”Se você observar mais atentamente, meu querido Xisto, verá que seu coração ainda bombeia com dificuldade o sangue para as artérias e as veias e que só o faz de maneira precisa pela acção de nossos irmãos socorristas que estão a seu lado.
É comum a todo candidato ao retorno à pátria espiritual, nas horas que o antecedem, apresentar uma melhora radical em seu quadro de saúde.
Isso, é claro, para aqueles que não são vitimados por acidente.
A acção dos irmãos socorristas assim o determina, por fazer parte do processo de despertar.”
Fomos interrompidos por Firmino, que ficara encarregado de cuidar dos familiares, zelando pela sua tranquilidade.
Ele nos informou sobre a presença de nossos irmãos Jatobá e Aroeira na porta da casa.
Acompanhado de Filipe e Firmino, fomos recebê-los:
”Boa tarde, irmão Filipe!
Boa tarde, irmão Xisto!
Vimos a movimentação e viemos oferecer nossos préstimos!”, falou Jatobá.
”Boa tarde, meus irmãos”, falamos a um só tempo.
Filipe, adiantando-se, prosseguiu:
”Toda ajuda é bem-vinda, meus irmãos!
Ao trabalhador voltado para a sublime tarefa de servir com Jesus não lhe falta oportunidade de ser útil.”
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 13, 2016 10:31 am

Pressentimentos

Enquanto isso, Altamiro, reconduzido ao corpo, despertou e chamou por Juarez, que correu para atendê-lo:
- Meu filho, precisamos conversar a sós.
Dê um jeito para que ninguém nos interrompa!
- Maria Tereza e José Augusto permanecem aí fora ansiosos para falar com o senhor!
- Precisamos conversar com sua mãe sobre a situação dos dois.
Eu sugeri à Maria Tereza que se mudasse para cá.
- Já conversei com mamãe, meu pai, e ela pensa como nós!
Também acha que eles devem se mudar para cá!
- Me chame sua mãe, Juarez.
Preciso falar com ela.
Juarez se retirou do quarto e, encontrando a mãe, comunicou que Altamiro desejava vê-la.
Ela imediatamente correu para atendê-lo:
- Melhorou, Altamiro?
- Estou melhor, Cenira, mas meus pressentimentos são de que não demoro a partir desta para outra vida.
- Deixe de bobagem, meu marido.
Você já está até mais corado!
E depois você não pode morrer sem carregar um neto nos braços, não!
- Cenira, quero lhe pedir um grande favor.
Se algo me acontecer, não deixe Maria Tereza e José Augusto retornarem para a casa do Dr. Sérgio.
Faça-os viverem aqui, vou instruir Juarez para que assuma a direcção da família, mesmo que não me aconteça nada, pois não estou mais com disposição física para o trabalho.
Quero que você me prometa que vai fazer de tudo para que aqueles dois passem a viver aqui em casa!
- Prometo sim, Altamiro.
Você pode ficar tranquilo que para lá eles não voltam mais!
- Está bem, Cenira.
Agora me chame os dois.
Preciso falar com eles!
Maria Tereza correu para abraçar o pai, mantendo-se em silêncio até Altamiro falar ao seu ouvido:
- Se minha menina continuar me abraçando desse jeito, vou acabar morrendo sufocado!
Todos sorriram.
Maria Tereza sentou-se à cabeceira da cama do pai, que comentou:
- José Augusto, me prometa que você e Maria Tereza vão morar aqui em casa!
Seus negócios estão por aqui e é preciso estar por perto deles.
- Nós agradecemos ao convite, Sr. Altamiro, pois os desentendimentos entre mim e meu pai têm aumentado muito a distância entre nós, e talvez minha ausência ajude a nos entendermos melhor.
- Não tenha ódio dele, José Augusto.
Seu pai sempre teve problemas.
Desde rapazola ele é assim!
É melhor não discutir, pois ele, como eu, já está na idade de deixar esta Terra em busca de Deus.
Maria Tereza, vá preparar seu antigo quarto para vocês.
- Está bem, papai!
O senhor nos deu um grande susto.
Não seria agora que voltei para casa que o senhor iria nos deixar, não é mesmo?
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 13, 2016 10:32 am

- Isso está nas mãos de Deus, minha filha.
Quem somos nós para ter autoridade sobre a vida e a morte, mesmo sendo a nossa?
Cenira, entusiasmada com a possibilidade de ter a filha em casa novamente, se manifestou:
- Vamos, Maria Tereza.
A partir de agora este é o lar de vocês!
Vamos arrumar seu antigo quarto e colocar as roupas no armário!
Seu pai agora só precisa descansar.
Vamos, José Augusto!
Venha nos ajudar.
Os três saíram alegres do quarto, deixando Altamiro e Juarez a sós.
Foi quando Altamiro falou:
— Meu filho, preciso lhe fazer uma confissão.
São factos que não posso levar comigo para o outro mundo!
Mas conto com a sua discrição.
Só torne público o que vou lhe contar em caso de extrema necessidade.
- Sou todo ouvidos, meu pai.
E, se lhe faz bem me contar, eu me comprometo a seguir suas instruções, só tornando os factos públicos em uma situação extrema.
- Bem, meu filho, vou lhe contar o real motivo do Dr. Sérgio não gostar de mim!
Como você sabe, tudo aconteceu quando eu tinha dez anos e presenciei a discussão entre ele e o pai, o coronel Getúlio.
Juarez, então, comentou:
- Eu não entendo por que o senhor se calou por todos esses anos, meu pai.
Por que não procurou a polícia?
Esse homem é um louco!
Deveria estar preso!
- Calma, meu filho.
Como cristão, você há-de convir que nenhum de nós pode atirar a primeira pedra.
Mesmo porque, ao relatar o caso ao meu pai, ele me fez prometer ficar calado até que eu completasse dezoito anos, quando me contaria uma outra história.
Quando somos crianças, acontecimentos que nos causam preocupação são facilmente substituídos por folguedos e diversões.
Assim, rapidamente me esqueci da história!
Meu pai morreu antes que eu completasse dezoito anos, mas em seu leito de morte ele contou-me a outra parte da história, que passarei agora a lhe relatar.
Contou-me meu pai, seu avô, que o coronel Getúlio, quando rapazinho, caiu de uma árvore, sofrendo sérios ferimentos.
Ele recuperou-se, mas sequelas o acompanharam por toda a vida, sendo uma delas a impossibilidade de ter filhos.
Dona Deolinda, que foi comprada quando ainda era menina, por razões que só Deus sabe, conheceu meu pai e se apaixonou por ele.
Às escondidas, eles passaram a viver um romance que culminou com o nascimento do Dr. Sérgio.
Como ela não sabia da impossibilidade de Getúlio de ter filhos, tudo veio à tona depois que ele passou a vigiá-la e os viu juntos.
Desde essa época, ele manteve dona Deolinda debaixo de sete chaves.
Depois de tudo descoberto, meu pai e dona Deolinda só conseguiram se encontrar três vezes.
Isso porque contaram com a ajuda de dona Sebastiana, que na época servia a casa do coronel.
Getúlio recusou-se a assumir a paternidade do Dr. Sérgio e meu pai, por sugestão de dona Deolinda, o assumiu, registando-o em um cartório de uma localidade distante.
Oito anos mais tarde, meu pai conheceu e se casou com aquela que foi minha mãe.
Dessa união, eles só tiveram um filho.
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 13, 2016 10:32 am

Apenas depois da morte de meu pai minha mãe me falou que sabia de tudo.
Ela disse que meu pai lhe contara tudo alguns anos antes.
Por intermédio de dona Sebastiana, sei que o Dr. Sérgio nunca ficou sabendo de nada, nem naquele dia em que presenciou o coronel batendo em dona Deolinda e a acusando de infiel.
Seu pai morreu sem lhe contar toda a história.
Como já disse, o coronel morreu depois que o Dr. Sérgio tomou partido da mãe e entrou em luta corporal com o pai.
Seu avô, antes de morrer, me fez jurar respeito ao Dr. Sérgio como a um irmão e nunca contar a ele a verdade, evitando assim manchar o nome e a imagem de dona Deolinda.
Altamiro fez uma pequena pausa, demonstrando visíveis sinais de cansaço.
Foi quando Juarez fez uso da palavra:
- Quer dizer, meu pai, que o Dr. Sérgio é meu tio?
- Sim, meu filho, e Maria Tereza e José Augusto são primos!
- Meu pai, o que o senhor está me contando é muito sério.
Como conseguiu viver com esse segredo todos esses anos?
- Você vai descobrir, meu filho.
Afinal, você me prometeu não falar nada a ninguém sobre isso!
Só a dona Sebastiana e o Sr. Amaro sabem dos detalhes dessa história, além de você.
Agora, meu filho, preciso descansar.
Sempre ouvi dizer que o primeiro sinal de que se está para morrer é rever os que já partiram.
Engraçado...
Acho que ainda não é minha hora.
Ainda não vi ninguém conhecido!
- Vá descansar, meu pai.
O senhor já está falando asneira.
Eu ficarei por perto.
Qualquer coisa é só chamar.
Altamiro fechou os olhos, entregando-se ao sono, enquanto Juarez, a seu lado, permaneceu pensativo!
Em suas reflexões, Juarez, após voltar-se para Deus em prece, também se entregou ao sono, vindo logo encontrar-se connosco.
Foi quando Filipe falou:
”Nosso amigo vem em busca de resposta.
Temos poucos minutos antes que ele retorne ao corpo físico.”
Nisso, Juarez, olhando-nos com os olhos arregalados, falou:
”Quem são os amigos?
Vieram ajudar meu pai?”
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 13, 2016 10:32 am

Amparo espiritual

Sim, meu irmão”, respondeu Filipe.
”Ainda bem, pois seu estado de saúde está nos deixando preocupados.”
”Como lhe afirmei, Juarez, e usando suas próprias palavras:
’viemos ajudar seu pai’!
O quadro clínico de nosso querido Altamiro é irreversível.
Como espírita, sabe que chega o momento de todo encarnado retornar à sua pátria de origem!
Seu pai, Juarez, nas próximas horas, tal qual a borboleta que tem suas asas formadas, abandonará o casulo físico que impede seu voo de liberdade.
Contamos com a sua ajuda, preparando e amparando seus familiares nesse momento.”
Os olhos de Juarez se encheram de lágrimas.
Com a voz embargada pelo choro, ele falou:
”Que Deus me dê forças e ampare meu pai!
Mas quem são vocês?”
”Tranquilize-se, meu irmão.
Para todos nós aqui presentes, seu pai e você representam afectos queridos do nosso coração!
Estamos aqui movidos pelo amor, que sob as bênçãos de Deus nos une.
Firmino, que aqui está, é seu amigo e protector, estando a seu lado diuturnamente.
O restante de nós está de passagem.
Aqui viemos para a tarefa de receber e amparar o velho amigo e companheiro Altamiro, que seguirá connosco.”
”Eu posso fazer uma pergunta?
Se puderem, por favor, me respondam como agir diante de tudo o que meu pai me contou?”
”Como prometeu, meu irmão:
guardando com seu silêncio factos que, se divulgados, poderão se transformar em mácula no coração dos envolvidos.
Procure evitar o comentário do mal, pois revivê-lo não nos traz nenhum benefício.
E, se a verdade lhe causa espanto, imagine aos outros!
Quanta dor e sofrimento teriam de enfrentar?
Meu amigo Juarez, não será a divulgação de factos encobertos pelo silêncio de tantos anos que irá alterar o curso dos acontecimentos já predeterminados por estes no ontem!
Esqueçamos os erros de nosso semelhante, meu irmão, e voltemos nossa atenção aos compromissos que nos competem.
Dedique-se com afinco à causa cristã que abraçou e faça com que os seus, por seu intermédio, descubram e desfrutem os ensinamentos nela contidos!
Deixo-lhe, meu amigo, entregue ao nosso irmão Firmino, que estará a seu lado até o fim de sua missão sobre a Terra, desde que não se afaste de Jesus, buscando outros caminhos que não condizem com os ensinamentos do Mestre.
É tempo de renovação, meu querido Juarez.
Aproveite a oportunidade.”
Com um sinal de Filipe, Firmino se aproximou de Juarez, que o envolveu num abraço fraterno e falou-lhe:
”Meu amigo, que Deus permita estarmos juntos por muito tempo.
Estamos aguardando ansiosamente o retorno de nosso amigo e irmão Altamiro, e esperamos que vocês, que perderão sua presença física no dia-a-dia, apesar da dor da separação, compreendam que todos nós um dia retornamos para casa.”
Juarez, a esse tempo já bastante emocionado com tudo o que ouvira, não conteve mais as lágrimas, recebendo de Firmino o carinho de pai e amigo.
Esses eram os primeiros sinais de uma colheita farta entre eles para as décadas seguintes, fruto de uma semeadura bem-feita no ontem sobre os princípios do ”Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 13, 2016 10:32 am

Por alguns instantes permanecemos em silêncio, enquanto Juarez era conduzido por Firmino de volta ao corpo físico.
Despertando em seguida, ainda sob os efeitos de seu encontro connosco, ele pensou:
”Meu Deus, no pouco tempo em que cochilei, com quanta coisa eu sonhei!”
Fixando o olhar no pai, Juarez compreendeu a realidade do momento e voltou seu pensamento para Deus em prece!
Filipe pediu para nos afastarmos, deixando aos socorristas a tarefa de cuidar de Altamiro e a Firmino a de cuidar de Juarez!
Faltavam poucos minutos para às oito horas da noite quando Altamiro foi despertado por Cenira, que lhe levou um caldo quente.
Carinhosamente, ela passou a lhe dar o caldo.
Ao término da alimentação, Altamiro comentou com a esposa:
— Minha querida Cenira, obrigado por todos esses anos, e me perdoe se não soube amá-la como merecia.
Peça a Juarez para vir ler para mim o livro que usamos na reunião e que fala sobre Jesus.
- É o Evangelho, meu velho.
E deixe de falar bobagem!
Se Deus ouvi-lo, vai levá-lo mesmo, achando que você já está caduco!
Altamiro apertou a mão da esposa e sorriu timidamente, dando mostras de que, com dificuldade, dominava aquele que durante tantas décadas fora seu veículo físico!
Cenira chamou Juarez, que se acomodou à cabeceira da cama do pai e passou a fazer a leitura de O Evangelho Segundo o Espiritismo4, conforme ele solicitara!
Eram nove horas da noite quando os irmãos socorristas, apoiados por Filipe, iniciaram o processo de desligamento de Altamiro.
Passes longitudinais eram aplicados enquanto seu espírito se elevava, pairando acima do corpo, que aos poucos, a começar pelas extremidades, ia perdendo seu calor e consequentemente sua luz.
Seu coração nesse momento trabalhava por conta própria, sem o auxílio dos socorristas, e, como a chama que se extingue, não mais exercia suas funções como minutos antes.
Paulatinamente Altamiro foi se desprendendo do veículo físico, e em menos de uma hora ele foi amparado em nosso meio, ligado ao corpo apenas por um ténue fio de luz à guisa do cordão umbilical dos recém-nascidos na Terra.
Enquanto os irmãos socorristas continuavam a ampará-lo, Firmino aproximou-se de Juarez e, abraçando-o, falou:
”Meu filho, estamos recebendo seu pai em nosso meio.
O processo final durará apenas alguns minutos.
Espero que você seja o apoio dos seus que aí estão, concitando-os à prece simples e singela, para que seu pai tenha um despertar tranquilo em nosso meio.
Evite rituais e práticas que só estimulam a dor e o desespero entre os que aí ficam, com reflexos negativos em seu pai.”
Estava assim Firmino conversando com Juarez quando Florêncio, um dos socorristas, se aproximou de Filipe e comentou:
”Estamos prontos, Filipe.
Resta-nos somente romper o último laço que o une ao corpo.
Todas as condições nos são favoráveis no momento, inclusive na parte externa da residência, pois Calixto há um bom tempo a está policiando!”
”Pecamos a Deus que nos fortaleça, Florêncio, para que sejamos bem-sucedidos em nossa tarefa final!”
Florêncio impôs sua mão sobre a fronte do corpo físico de Altamiro.
Enquanto isso, Juarez, de olhos arregalados, observava as pequenas ondas de tremor pelas quais passava o corpo do pai.
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 13, 2016 10:32 am

Observamos que o coração de Altamiro parará de executar sua função e que apenas uma luminosidade azul, que partia do cérebro, indicava ainda uma fonte de vida.
Mas essa fonte estava prestes a extinguir-se sob a acção de Florêncio.
Finalmente, tudo se aquietou aos olhos de Juarez, que aliviado notou que as ondas de tremor haviam parado e que os pés, antes retesados, haviam voltado à posição normal.
Enquanto isso, do nosso lado, podia-se notar que nenhuma fonte de vida ou calor unia Altamiro ao corpo físico.
Ele, por sua vez, permanecia adormecido, sob os cuidados de nossos irmãos socorristas.
Juarez, sob a influência de Firmino, aproximou-se do corpo do pai e tentou ouvir sua respiração.
Como não conseguiu, buscou sua pulsação e notou a baixa temperatura de suas mãos, compreendendo então, sob o amparo de Firmino, o que tinha se passado!
Sem saber como proceder naquele momento e tendo à mão um exemplar de O Evangelho Segundo o Espiritismo, amparado por Firmino, ele abriu o livro e passou a ler em voz alta o capítulo 28, ”Colectânea de Preces Espíritas”, item 59, ”Preces pelos Desencarnados”!
Depois da leitura, Juarez enxugou as lágrimas e pediu a Deus e a seus protectores espirituais que o amparassem.
Pediu ainda que seus familiares recebessem bem a notícia.
Eram dez horas da noite quando Juarez registou o último tremor do pai.
Lá fora, o firmamento repleto de estrelas assistia à pequena caravana de amor que conduzia nosso querido Altamiro, ainda adormecido, para o posto de socorro e amparo próximo!
Fazíamos parte dessa caravana e notamos, à entrada do pequeno posto, uma placa que reflectia a luz das estrelas, em razão da sua estrutura projectada e construída para receber e armazenar luz e calor, com os seguintes dizeres:
”Deus esteja convosco.
Aquele que ama perdoa, e aquele que perdoa caminha com Jesus.”
A placa podia ser notada no frontispício da construção, identificando mais uma casa de amparo a serviço de Deus.

4 - KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Petit Editora: São Paulo/SP (N.E.).
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Ave sem Ninho

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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 14, 2016 9:46 am

Meses depois

Ao retornarmos para casa, horas depois, Juarez já havia assumido a árdua tarefa de comunicar aos familiares e amigos o desencarne do pai.
Sebastiana e Amaro, junto a alguns amigos e vizinhos, faziam a vigília do corpo.
Juarez cumpria à risca as orientações de Firmino:
tudo obedecia aos padrões de simplicidade, e sua palavra e decisão eram sempre respeitadas.
Observamos quando Sebastiana se aproximou de Juarez e falou baixinho:
— Meu filho, você estava junto dele na hora em que ele partiu?
- Estava sim, dona Sebastiana.
Estive a seu lado todo o tempo!
- Antes de ele partir, ele contou algum segredo para o menino?
- Contou tudo, dona Sebastiana.
Contou toda a história do coronel Getúlio, do Dr. Sérgio e da dona Deolinda.
- E o que o filho vai fazer?
Notando a preocupação de Sebastiana, Juarez respondeu, para o alívio dela:
- O mesmo que a senhora e meu pai fizeram:
vou calar-me e deixar que a vida siga seu curso, enquanto aprendemos a perdoar.
- Agora minha preocupação foi embora!
Você sabe se a alma dele já foi?
- Acredito que sim, dona Sebastiana, pois meu pai sempre foi um homem temente a Deus e um fiel seguidor dos dez mandamentos, nos quais ele sempre acreditou!
- Eu procurei a alma dele por aí, mas só vi anjo bom!
O filho vai chamar o padre?
- Não vou, não, dona Sebastiana.
Mamãe já concordou comigo.
Queremos tudo muito simples, sem velas ou rituais que possam lembrar sofrimento!
Queremos que papai receba nosso agradecimento por todos esses anos em que esteve ao nosso lado sem nos atermos a ritos e ladainhas que, temos certeza, em nada mudarão os factos.
Muito embora seja essa nossa maneira de pensar, não criticamos nem condenamos quem acredita serem os rituais a maneira correta!
E, como a senhora mesmo disse, a alma do papai não está mais por aqui!
Permaneci ao lado de Firmino, auxiliando-o na tarefa de amparo aos familiares e amigos, mesmo depois do corpo de Altamiro ser enterrado, o que aconteceu no dia seguinte à tarde.
O relógio marcava dez e meia da noite, portanto mais de vinte e quatro horas depois do desenlace de Altamiro, quando recebemos a visita de Filipe, que nos comunicou o despertar de Altamiro sem maiores problemas.
Dirigindo-se a Firmino, ele falou:
”Meu irmão, providencie para as próximas horas a visita de Juarez ao pai.
Ele está consciente e seguro de si, mas de qualquer maneira o encontro fará bem aos dois, levando em conta as tarefas que eles têm pela frente.
Venho apenas me despedir e desejar ao amigo sucesso em sua tarefa junto a Juarez.
Disponho-me a auxiliá-lo no que for preciso.
Quando o amigo solicitar, viremos visitá-los, sempre, é claro, que nossos afazeres permitirem.
Mas nosso coração estará presente por meio da prece e do amor que une todos que trilham os caminhos traçados por Jesus.
Quanto a você, meu querido Xisto, trago-lhe novas instruções de nosso querido do Mais Alto.
Afazeres diversos o aguardam em ’Nossa Casa Espírita’.”
Compreendi que a vida continuava e que o ontem incessantemente nos cobra a colheita daquilo que semeamos.
Após aprece, nos despedimos de Firmino, que agora tinha a seu lado, nas tarefas de amparo em nome de Jesus, mais dois cooperadores:
Jatobá e Aroeira, que se apresentavam a ele no momento de nossa partida, obedecendo a ordens superiores.
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Ave sem Ninho

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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 14, 2016 9:46 am

Dezoito meses haviam se passado desde o desencarne de Altamiro.
Não mais havíamos retornado àqueles sítios, mas sempre recebíamos a visita de Firmino e de seus auxiliares em nossa oficina de trabalho e aprendizado.
Naquela noite, aguardávamos o retorno de Filipe, que já há três dias se encontrava em ”Nossa Colónia”, atendendo ao chamado de Argemiro.
Ao término dos trabalhos junto aos irmãos encarnados, Filipe retornou.
Após cumprimentar a todos e repassar as orientações colhidas junto aos nossos orientadores do Mais Alto, tendo como referência nossa casa de orações, ele falou comigo em particular:
”Xisto, meu irmão, fomos convidados por Argemiro a auxiliar em uma tarefa de desencarne nos próximos dias.
Trata-se do nosso velho conhecido Sérgio, que retorna ao nosso meio vítima de mal generalizado, em consequência da imobilidade em que se manteve nos últimos anos, recusando, até mesmo, a cadeira de rodas.
Seus pulmões não resistiram e seu corpo ferido pelo leito propiciou a formação de colónias onde células se multiplicam com uma rapidez assustadora, alimentando-se desenfreadamente de glóbulos e minando toda a resistência e defesa de seu organismo.
Estou o convidando, Xisto, para nos acompanhar nessa tarefa, quando nos reencontraremos com velhos afectos de nosso coração, como Sebastiana, Amaro, Juarez e familiares, hoje entrosados perfeitamente nas tarefas cristãs sob a tutela de nosso irmão Firmino.”
”Filipe, meu irmão, sinto-me lisonjeado com o convite e com a oportunidade de trabalho e aprendizado.
Quando partiremos?”
”Ainda esta noite Xisto, após cumprirmos com nossas obrigações e determinarmos substitutos para nossos afazeres aqui!”
A movimentação de transeuntes e veículos já se fazia notar nas ruas de Belo Horizonte, mesmo antes dos primeiros raios de sol, quando iniciamos nossa partida.
Filipe falou:
”Vamos primeiramente visitar nossa irmã dona Sebastiana, pois precisaremos do seu auxílio.
O desenlace de nosso irmão está programado para no máximo daqui três dias.
Até lá, muitas tarefas teremos pela frente.
Quero lembrá-lo, Xisto, de que o coronel Getúlio ainda está por lá, unido a Sérgio, dando vida e alimento aos ideais que os mantêm próximos.
O desencarne será de Sérgio, mas dois serão os que irão separar-se do corpo de carne!
Tudo indica que factos novos em muito irão beneficiar nosso aprendizado, Xisto!”
Ao chegarmos à casa de Sebastiana, junto aos primeiros raios de sol daquela manhã, encontramos nossa irmã à mesa de café com seu companheiro, que comentava:
- É o que estou lhe falando, minha velha!
Ambrósio, que cuida do Dr. Sérgio há muitos anos, foi quem me contou!
Ele disse que o doutor está cheio de feridas e que não quer que chamem o médico.
Ele está até cheirando mal!
- Feche essa boca, Amaro.
Não vê que estamos na mesa de café?
- Está bem, Sebastiana!
Mas foi você quem perguntou!
Filipe se aproximou de Sebastiana e a abraçou carinhosamente.
Esta, experimentando um rápido calafrio por todo o corpo, que não passou despercebido por Amaro, falou:
- O meu velho se lembra de quando estava quase na hora do compadre Altamiro e apareceram aqueles dois anjos bons que ficaram andando por aí?
- Me lembro sim.
Depois que o compadre foi embora, eles sumiram.
Acho que vieram só para buscá-lo!
Mas por que você lembrou deles agora, mulher?
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 14, 2016 9:46 am

— É porque eles estão de volta!
Você não viu o meu calafrio ainda agorinha?
- Quem será que eles vieram buscar dessa vez?
Será eu ou você, minha velha?
- Credo, meu velho!
Não quero morrer viúva, não!
E nós dois ainda temos muito pecado para pagar nesta Terra.
Eu acho que eles vieram cuidar do Dr. Sérgio, para ver se ele melhora aquele coração antes de chegar a hora de prestar conta a Deus.
Estou querendo fazer uma visita a ele, meu velho.
O que você acha?
— Tem muito mais de dez anos que nós o vimos, minha velha.
O que você quer fazer lá?
- Se ele está que nem o Ambrósio falou, está precisando de ajuda.
Ele nunca gostou de mim, mas também nunca me fez mal!
E ele também é filho de Deus que nem nós!
Você me leva lá, meu velho?
- Levar, eu levo, mas não vou entrar, não!
- Então você arreia a mula para mim enquanto eu mudo a roupa, e não precisa ir junto, não!
Filipe então se dirigiu a mim, falando:
”Vamos, Xisto!
Aguardemos por Sebastiana na casa de nosso irmão enquanto fazemos uma avaliação do quadro e decidimos os procedimentos a serem adoptados!”
Já na entrada da propriedade, notamos que o número de irmãozinhos ali abrigados era bem maior do que o da última vez que ali estivéramos!
”Xisto, meu irmão”, falou Filipe, ”acredito que tenha se formado aqui uma colónia, pelo número e pela movimentação de irmãos que estamos a observar!
Mantenhamo-nos em faixa vibratória acima da percepção deles, para que possamos melhor avaliar a situação!”
A movimentação era intensa.
Por toda a extensão em volta da casa, cabanas tinham sido montadas.
Pudemos contar até oito moradores em algumas dessas cabanas.
Ao entrarmos na casa-sede, notamos que sua privacidade não era mais respeitada:
em todos os cómodos encontrávamos moradores.
Dirigimo-nos aos aposentos de Sérgio.
Logo na entrada, sentimos um forte cheiro de mofo misturado ao odor de massa orgânica em decomposição.
Estranhamente, no recinto, só encontramos o coronel Getúlio, que estava ao lado de Sérgio a falar:
”Aquele miserável do Ambrósio não está cuidando direito de seu corpo, Sérgio!
Você quase não consegue respirar e as feridas estão aumentando.”
Sérgio, fora do corpo, lhe respondeu:
”É isso que dá ser bom: todos querem abusar!
É bem-feito para mim!
Assim eu aprendo a não ser tão educado com os outros!
Cheguei à conclusão de que todas as pessoas são iguais.
Tanto faz se são empregadas ou parentes:
todas só olham seus interesses!
Meu corpo vai acabar morrendo!
Como nós vamos fazer?”
”Caso seu corpo morra, estas terras não serão de ninguém!
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 14, 2016 9:47 am

Lá fora, como você já viu, está cheio de guardas, e eles têm ordens para não deixar ninguém entrar sem nossa autorização.
Se acontecer a sua morte antes de encontrarmos uma solução, vamos dar um jeito de transformar isso aqui numa grande floresta.”
Filipe então me convidou a melhor observar a condição física de nosso irmão e comentou:
”Observe, Xisto, o quadro à nossa frente:
um património de Deus cedido ao homem como veículo para sua evolução relegado ao completo abandono!
No máximo nos restam três dias para preparar nossos irmãos.
Estamos aqui atendendo às preces de Juarez e Altamiro, mas o quadro espiritual que se apresenta é bem mais grave e complexo do que eu supunha!
Observe que as terras têm mais valor para os dois do que o corpo de Sérgio, que é visto apenas como um instrumento que lhes garante poder e controle sobre a fazenda.
Por razões egoísticas e sob a influência de Getúlio, a quem abrigou, nosso irmão Sérgio fechou-se em seu próprio mundo, como um caracol em sua casca.
Ele viveu exclusivamente para si, renegando até mesmo os próprios filhos.
Ele não possui inimigos e não praticou o mal, mas também não se exercitou no bem!
Os irmãos lá fora foram atraídos pela facilidade de abrigo.
Se eles lhes devem alguma obediência, é em agradecimento à acolhida, não existindo, portanto, vínculos que os aproximem.
Sugerimos a Sebastiana que aqui viesse para que, por meio do seu gesto de solidariedade, tivéssemos uma porta aberta até eles.
Como ainda falta uma hora até que ela chegue, vamos fazer uma visita a Firmino e a seus tutelados na residência de Juarez.”
Seguimos em direcção à casa de Juarez.
Logo nas imediações da casa, podíamos notar a diferença de ambiente da casa de Juarez em relação à de Sérgio.
Flores davam vida ao jardim simples e bem cuidado.
Plantas diversas estavam cuidadosamente espalhadas ao redor da casa, atraindo borboletas em faina de transportar o pólen das flores.
Pássaros diversos podiam ser ouvidos a cantar alegres no pomar próximo, dando o toque final ao quadro de paz que visualizávamos.
Filipe, ao meu lado, comentou:
”O lar físico reflecte o estado espiritual de seus moradores.
Não bastam paredes limpas:
todo lar precisa trazer para perto elementos da natureza para a permuta de vibrações, ofertando ainda beleza aos olhos.
Plantas e animais domésticos, desde que respeitados na sua condição evolutiva, representam para o homem o complemento daquilo que ele utiliza em sua passagem pela Terra.
Esses elementos fornecem o que falta ao corpo físico que ele recebe como empréstimo e do qual, na maioria das vezes, se julga dono, impondo-lhe sequelas e maus-tratos que atendem ao seu orgulho e comodismo.
Se soubesse o homem aproveitar melhor toda a natureza que o cerca, ele proporcionaria ao seu veículo físico melhores condições de conduzi-lo em sua passagem pela Terra, onde este é apenas mais um elemento que necessita do intercâmbio de energias.”
Antes que pudéssemos prosseguir, notei Firmino, que alegre vinha ao nosso encontro.
Ele abraçou-nos carinhosamente e falou:
”Irmão Filipe, irmão Xisto, que alegria tê-los aqui connosco!
Isto só nos torna ainda mais agradecidos a Deus pelas bênçãos que recebemos!”
”A alegria é recíproca, meu querido amigo”, falou Filipe.
”Rever e encontrar velhos afectos é oferecer ao nosso coração estímulos de vida e continuidade às tarefas de servir, construindo com Jesus.”
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 14, 2016 9:47 am

”Sim, irmão Filipe.
O servir na construção do bem só nos fornece resultados gratificantes.
Mas algum motivo especial os traz a esta região?”
”Sim, Firmino.
As preces de Juarez e de nosso querido Altamiro assim o determinaram, uma vez que, insistentemente, eles rogaram ao Mais Alto em benefício de Sérgio e de Getúlio.”
”Compreendo, Filipe.
José Augusto não mais conseguiu ver o pai, que se nega a recebê-lo, e os dois têm sido alvo de nossas preces, especialmente das de Juarez, que continua na direcção de nossos Evangelhos!
Altamiro tem nos visitado constantemente.
Ele serve uma equipe de caravaneiros que aporta sempre aqui para repouso e refazimento.
E todas as vezes em que esteve aqui, ele pediu que não nos esquecêssemos de nossos irmãos em nossas preces.”
”Bem, Firmino, nossa tarefa específica é auxiliar no desencarne de Sérgio, programado para os próximos dias!
Mas ainda temos muitas coisas a fazer antes disso e esperamos contar com a sua colaboração.
Nossa preocupação é atender aos prazos estabelecidos, pois Getúlio e Sérgio já têm seu retorno ao corpo de carne programado para dentro de dois anos, tendo Maria Tereza e José Augusto como pais.
Como nossos irmãos têm outros compromissos como pais, precisamos aproveitar a oportunidade dentro do prazo estipulado.
Nossa presença tem por finalidade começar a prepará-los para o retorno ao corpo, pois no tocante à situação deles após o desencarne próximo pouco nos resta a fazer.
Lançaremos as sementes de amor e perdão que nos compete e aguardaremos a acção do tempo para que elas possam frutificar.”
”Nossas limitadas condições, irmão Filipe, nos permitem auxiliá-lo muito pouco em seu objectivo.
Mas nos colocamos à sua disposição, bem como nossos auxiliares e nossa casa de orações.”
”As Leis de Deus são de fácil compreensão, meu irmão.
Difícil é o caminho a ser trilhado para que estejamos em perfeita sintonia com elas!
Nossos irmãos Getúlio e Sérgio não conseguirão fugir à colheita que lhes é obrigatória após seu desencarne, e pouco poderemos fazer além de estimular o coração deles à fé.
Mas, no tocante ao amanhã deles, hoje é o momento do plantio e temos o dever de auxiliá-los nessa tarefa.
Juarez, José Augusto, Maria Tereza, Altamiro e Cenira são peças importantes no momento que atravessamos.
Eles serão chamados a exemplificar a fé que hoje professam por meio do perdão a nossos irmãos.
Serão essas demonstrações de fraternidade a sementeira do amor com frutos de perdão no amanhã!”
”Compreendemos, Filipe, e nada melhor para selarmos nosso compromisso de cooperação em nome de Deus do que estarmos todos juntos no estudo do Evangelho no Lar desta noite!”
”Estaremos, Firmino!
Por ora, pedimos permissão para nos retirarmos.
Iremos ao encontro de Sebastiana, que, atendendo ao nosso pedido, se dirige à casa de nosso irmão Sérgio.
À tarde aqui estaremos.”
Afastamo-nos então em direcção à residência de Sérgio.
Ao chegarmos próximo à casa, deparamos com Sebastiana às voltas com o velho muar que usara como transporte para conduzi-la até ali.
O velho animal, como todos, percebia pela sensibilidade visual a presença de dois irmãozinhos menos esclarecidos que se postavam diante dele a intimidá-lo e recusava-se a prosseguir.
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