Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 14, 2016 9:47 am

Ficamos a observar Sebastiana, enquanto esta comentava em voz alta:
- Se esta mula5 fosse minha, não seria medrosa assim!
Vê se pode: empacar por causa de duas almas como estas!
Porém, ela é de meu Amaro e ele também é medroso.
Vamos, mula!
Eu vou na frente rezando e você vem escondida atrás de mim!
”Vamos auxiliá-la, Xisto”, falou Filipe.
”Façamo-nos visíveis aos dois espíritos, intervindo com nossa presença!”
Rapidamente os dois, após identificarem nossa presença, se afastaram em desabalada carreira.
Então a ouvimos comentar:
- Viu, mula?
É só rezar que os anjos aparecem.
Vou deixá-la ali, debaixo daquela sombra, enquanto vou lá dentro.
Você não ia chegar até lá mesmo!
Nunca vi tanta alma junta!
Logo, avisado pelos hospedeiros espirituais, coronel Getúlio chegou à porta da casa!
Foi verificar quem se atrevia a penetrar em suas terras.
Irritado, retornou para o interior da casa e foi ao encontro de Sérgio, que estava acordado.
Ele lhe falou mentalmente:
”Aquela velha macumbeira está aí fora.
Você mandou chamá-la?”
”O que será que ela quer?”, perguntou Sérgio.
”Eu não mandei chamar ninguém!”
”E eu é que sei?
Vamos esperar para ver.
Ambrósio já foi atendê-la.”
Em poucos minutos, Ambrósio estava de volta.
Após bater à porta do quarto, ele recebeu de Sérgio a ordem para entrar.
- Está aí fora dona Sebastiana, mulher do Sr. Amaro.
Ela disse que veio lhe fazer uma visita.
Tenho permissão para deixá-la entrar?
Sérgio, surpreso, calou-se por alguns instantes.
Como o coronel Getúlio não se manifestou, ele tomou a decisão sozinho:
- Pode deixá-la entrar, mas antes de traze-la até aqui venha me recompor.
Estou curioso para saber o motivo dessa visita.

5 - KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns, capítulo XXII, item 236. FEB (N.A.E.).
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 14, 2016 9:47 am

Sebastiana socorre Sérgio

Finalmente, após esperar mais de quinze minutos, Sebastiana foi conduzida por Ambrósio aos aposentos de Sérgio.
Pelo caminho, ela ia revivendo em sua memória os momentos de paz que vivera naquela casa:
as crianças correndo alegres em suas brincadeiras, a movimentação na cozinha, as flores sobre a mesa, até que houve aquele acidente com Sérgio.
Então tudo mudou:
as crianças foram mandadas para o colégio interno; a maioria dos empregados foi dispensada, inclusive ela; vários cómodos foram trancados e somente foi permitida a presença de três empregados, todos do sexo masculino.
Chegando à porta dos aposentos de Sérgio, Ambrósio falou:
- Aí dentro o mau cheiro está difícil de aguentar.
A senhora se prepare, dona Sebastiana.
- Pode deixar, meu filho.
Esta velha aqui já viu muita coisa nesta vida!
Ambrósio bateu à porta e recebeu a ordem para abri-la, permitindo a entrada de Sebastiana.
O cheiro de mofo misturado ao de matéria putrefacta causava náuseas nela, que com dificuldades falou:
- bom dia, Dr. Sérgio!
Já faz muitos anos que a gente não se fala, não é mesmo?
- bom dia, dona Sebastiana.
Já faz um bom tempo mesmo!
Achei até que a senhora já havia morrido!
- Estou precisada, viu?
Mas quem decide isso é Deus Nosso Senhor, e Ele acha que ainda é cedo.
O senhor também, doutor, a julgar pela aparência, é fruta que está na hora de cair do pé!
Sérgio entendeu o que Sebastiana quisera dizer, mas se fez de desentendido, comentando:
- Mas qual é o problema da senhora para fazê-la vir aqui depois de tantos anos?
- Eu mesma não estou com nenhum problema, doutor, mas o senhor está.
É por isso que eu estou aqui!
Vim oferecer os préstimos para cuidar do senhor.
Não vou cobrar nada. É de coração.
A casa está muito suja.
Ela está carecendo de uma limpeza.
Sem falar no senhor, que também está precisando de uma.
Está até cheirando mal!
O senhor me desculpa, mas do jeito que está os bichos vão comê-lo em vida.
Sérgio, num misto de espanto, surpresa e rancor, conservava-se calado, enquanto Sebastiana não parava de falar:
- O senhor pode até me mandar embora, mas não quero ficar com dor de consciência por vê-lo apodrecendo em cima da cama por falta de limpeza.
Finalmente, Sérgio, bastante irritado, a interrompeu:
- Olhe aqui, dona Sebastiana, eu não estou lhe pedindo nada.
A senhora é que veio aqui se oferecer!
- É isso mesmo, meu filho.
E, se o senhor tiver um pouco de juízo nesta cabeça, aceitará minha ajuda.
Mas veja se responde logo, porque eu não estou aguentando ficar aqui dentro, não.
E tem mais:
a sujeira é tanta que eu vou mandar buscar duas senhoras para fazerem a faxina da casa enquanto eu cuido do senhor!
Elas o senhor vai ter de pagar, mas a velha aqui, não!
Sérgio não conseguiu articular uma só palavra.
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 14, 2016 9:47 am

O coronel Getúlio então lhe sugeriu mentalmente:
”Esta velha não deixa de ter razão, Sérgio.
Seu corpo e esta casa estão precisando de uma limpeza!
Mas deixe claro para ela que você não está precisando de esmola e que vai pagar pelo serviço.”
- Olhe aqui, dona Sebastiana, eu aceito sua oferta, mas com a condição de ela ser remunerada.
Caso contrário, é melhor deixar tudo como está!
- O senhor é quem sabe, doutor!
Eu vou começar agora mesmo.
O senhor chama o Ambrósio e fala para ele me atender!
Enquanto isso, vou colocar água no fogo.
O doutor está é precisando de um banho, para depois cuidar das feridas.
Sérgio chamou Ambrósio e lhe deu instruções para atender Sebastiana em tudo o que ela precisasse.
Esta pediu que ele buscasse duas senhoras de sua confiança para auxiliá-la, enquanto ela providenciava algumas ervas para cuidar das feridas do nosso irmão.
Filipe, que mantinha Sebastiana sob sua influência mental, aproximou-se de mim e falou:
”Deixemos agora Sebastiana cuidar de sua parte e façamos a nossa.
Primeiramente temos de fazer com que os irmãozinhos deixem o interior da casa, enquanto aguardamos nossos irmãos tarefeiros que cuidarão da área externa.
Firmino já deve ter nos enviado ajuda.
Vamos até a porta de entrada para recebê-los.”
Ao chegarmos à entrada, encontramos dois velhos conhecidos, que com um sinal de Filipe se aproximaram, nos cumprimentando.
Filipe então solicitou a Jatobá e Aroeira que fizessem a limpeza interna da residência, ao que eles atenderam prontamente!
Notamos que em cada cómodo que nossos irmãos entravam em poucos minutos estranhas figuras fugiam apavoradas.
Utilizando técnicas e métodos até então desconhecidos por nós, nossos amigos iam transformando o ambiente.
Cantos escuros eram vasculhados cuidadosamente e pequenos insectos e aves de aparência estranha, que vivem e se alimentam de miasmas e vibrações, eram afastados.
Aos poucos, em nosso plano tudo ia ficando limpo e ordenado, enquanto no plano físico as duas auxiliares de Sebastiana faziam a sua parte.
Ante a minha curiosidade e espanto, Filipe falou:
”Nas regiões umbralinas, vivem mentes voltadas para o mal.
Temos aqui uma reprodução desses ambientes em proporções menores.
E, como as vibrações reproduzirão em todo o ambiente a higienização espiritual que lhe é imposta, podemos esperar para dentro em pouco as reacções dos que estão habituados àqueles ambientes.”
Em poucos minutos as previsões de Filipe se concretizaram.
Vimos quando o coronel Getúlio caminhava pela casa a praguejar:
”O que esta velha macumbeira fez?
Onde estão todos? Isso não estava no trato.
Assim que puder, vou ter uma conversa com ela.”
Algumas horas depois, encontramos Sérgio acomodado em lençóis limpos, com os ferimentos cuidados e a se alimentar, enquanto ouvia mentalmente as palavras de Getúlio, que dividia com ele a refeição:
”Não fique entusiasmado, Sérgio.
Ninguém faz nada de graça.
Apesar de ela não querer receber, a esmola é demais!”
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 14, 2016 9:48 am

Passavam alguns minutos das quatro horas da tarde quando Sebastiana foi se despedir de Sérgio e falou:
- Se o senhor aceitar, eu volto amanhã para fazer sua comida e tratar de suas feridas com algumas ervas que eu conheço.
- A senhora, por favor, me responda, dona Sebastiana:
porque está tão preocupada comigo?
- Olhe, doutor, dois anjos bons foram lá em casa e pediram para eu vir ajudar.
Então pedi autorização a meu velho, que o senhor não sabe, mas ainda esta vivo, e vim.
O filho acredita em anjo bom?
- Acredito sim, dona Sebastiana.
Acredito em anjo bom e ruim.
Mas do que eu tenho medo mesmo é dos vivos, que vivem cheios de inveja da gente.
- De mim e de meu velho o doutor não precisa ter esse medo, pois só vamos levar para o caixão nossa consciência, deixando na terra tudo o que é da terra.
Nós todos nascemos de novo mesmo!
- A senhora acredita mesmo nessa história de nascer de novo?
Enquanto Sérgio conversava com Sebastiana, que estava sob a influência directa de Filipe, o coronel Getúlio observava atento.
- Eu acredito sim, doutor!
E acredito também que nós colhemos tudo o que plantamos e que sempre nascemos no meio dos conhecidos.
- Então a senhora acha que, se morrer, eu posso nascer de novo dono destas terras?
- É claro, meu filho.
Afinal: ”onde está o tesouro, ali está o coração”.
Foi Nosso Senhor Jesus Cristo quem falou isso!
— Interessante!
Nunca ouvi falar isso!
- Já está na minha hora, doutor.
Amanhã eu volto e nós terminamos a conversa.
Fique com Deus!
Hoje à noite vou fazer uma oração para o coronel Getúlio e para o senhor.
Sérgio, fazendo-se de desentendido, comentou:
- Coronel Getúlio?
Que conversa é essa, dona Sebastiana?
- É o seu pai, que fica sentado aí do seu lado agarrado no senhor.
Mas agora eu já vou.
Amanhã conversamos mais.
”Hoje é dia de trabalho na casa de Juarez”, pensou dona Sebastiana.
”Eu não posso faltar, não!
Meu velho já deve estar lá me esperando.”
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 14, 2016 9:48 am

O sofrimento de Sérgio

Após Sebastiana se retirar, Sérgio, sob a influência de Getúlio, se entregou ao sono para em seguida despertar do lado de cá.
Getúlio, que o aguardava ansioso, lhe falou:
”Vamos, Sérgio.
Vamos seguir a velha.
Vamos ver aonde ela vai!”
Alcançaram Sebastiana ainda a caminho da casa de Juarez e passaram a segui-la.
Enquanto isso, atendendo às sugestões de Filipe, eu me adiantei.
Em poucos minutos, Sebastiana chegou, acompanhada pelos dois.
Observei que seus acompanhantes não se aproximaram da casa.
Sebastiana então se voltou para eles, dizendo:
”Se quiserem, podem entrar.
Aqui é a casa de Altamiro e serão muito bem recebidos.
Nós vamos rezar agora.
Por que vocês não vêm junto?”
Sem nada responder, Getúlio se afastou, levando Sérgio.
Ao término dos estudos, Filipe convidou-me a retornar à residência de Sérgio, onde deixamos Aroeira e Jatobá em seus afazeres.
Ao nos aproximarmos da casa-sede da fazenda, encontramos nosso irmão Calixto já à nossa espera:
”Que a paz de Jesus esteja com vocês, meus irmãos!”, falou ele.
”Seja bem-vindo, Calixto.
Nós o aguardávamos para as primeiras horas de amanhã”, falou Filipe.
”Sim, meus irmãos.
Essa era a nossa programação, mas alterações no decorrer de nossas obrigações nos permitiram aqui estarmos mais cedo.
Nós nos antecipamos às suas ordens, Filipe, e fizemos um estudo da situação nestes sítios.
Contamos dezasseis cabanas onde vivem, em média, de sete a oito irmãos, na sua maioria doentes e famintos de paz.
Dentre eles, destacamos a presença de três líderes treinados pelas sombras para comandá-los e que aqui os mantêm sob promessa de abrigo e protecção.”
”Não tivemos tempo nem recursos para uma avaliação tão minuciosa”, falou Filipe.
”Precisamos remover nossos irmãos destas terras, atendendo às necessidades do momento.
Mas não podemos simplesmente expulsá-los, pois, como nos afirma, existem mais corações sofredores do que voltados para o mal.
Para isso, meu irmão, contamos com a sua colaboração, impedindo que se dispersem pela propriedade ou retornem aos sítios de onde vieram.”
”Não se preocupe, Filipe.
Estamos preparados para situações como essa.
Levaremos amparo àqueles em condições de recebê-los, atendendo aos princípios de amor e fraternidade sob os quais trabalhamos.”
Nesse instante notamos que Getúlio e Sérgio chegavam à fazenda.
Quando pararam junto à entrada, o coronel comentou:
”Tem alguma coisa errada.
Vi lá fora dois guardas.
Será que são só aqueles dois?”
”Eu não vi nada, meu pai!”, exclamou Sérgio.
”Era de se esperar, Sérgio.
Você se acostumou comigo a pensar por você!
Até agora não estou concordando com a história que aquela velha contou sobre ajudá-lo, mas vou descobrir o que ela quer realmente.”
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 15, 2016 8:44 am

Getúlio não pôde continuar, pois algo estranho aconteceu.
Sérgio se desprendeu dele e caiu no chão, gritando:
”Me leve para dentro, me leve para o quarto! Depressa!
Meu corpo está morrendo.”
Getúlio recolheu Sérgio e se dirigiu aos aposentos onde estava recolhido o corpo dele, que ele imediatamente retomou.
Sérgio apresentava a respiração ofegante, entrecortada pela tosse em dispneia já avançada.
Os lençóis limpos, trocados por Sebastiana, estavam encharcados pelo sangue que lhe jorrava pela boca enquanto tossia.
Sérgio, na tentativa de pegar a sineta usada para chamar o empregado, caiu no chão, desmaiando com a queda.
Getúlio, nervoso, tentou insistentemente fazer com que Ambrósio entrasse no quarto, mas ele recusava-se, com receio de incomodar o patrão e ser repreendido!
A dispneia em crise durou cerca de duas horas, quando por fim, enfraquecido pela perda de sangue, Sérgio perdeu os sentidos.
Filipe, que procurava prestar ajuda, comentou:
”Nosso irmão passará a noite entregue a si mesmo, agravando o processo clínico degenerativo que o visita.
Isso irá antecipar seu retorno ao nosso meio.”
Nisso, fomos interrompidos por Calixto.
Ele nos informou que seus caravaneiros haviam amparado e recolhido aqueles que apresentavam condições e que um bom número ainda permanecia nas cabanas.
Em seguida, Calixto pediu permissão para retirá-los.
”Sim, Calixto.
Nosso tempo está ainda mais reduzido, e a probabilidade do retorno de nosso irmão antes do previsto pede a nossa atenção, determinando a antecipação de procedimentos previstos para a noite de amanhã.”
Após ouvir Filipe, Calixto se afastou para cuidar de suas obrigações, enquanto nós fomos nos preparar para receber os irmãos socorristas que também anteciparam sua presença ao nosso lado.
A noite transcorreu sem crises, embora Sérgio tenha permanecido no chão.
Logo nos primeiros sinais do sol, fomos informados de que Sebastiana se aproximava da fazenda acompanhada de Amaro.
Chegando à porta de entrada, ela comentou:
- É, meu velho...
Parece que a vassoura passou por aqui!
Não tem uma cabana de pé!
- É, minha velha...
Alguma coisa aconteceu.
Você viu quanta alma boa tem por aí?
- Vi sim, meu velho.
Elas não estavam aqui ontem, não!
A mula nem empacou hoje!
Em poucos minutos, Ambrósio abriu a porta para eles.
Sebastiana ouviu dele que a noite fora normal e que Sérgio, estranhamente, não o chamara nem uma vez.
- Ainda bem que ele melhorou.
Vou até lá ver se ele já quer o café!
Depois de bater insistentemente e não obter resposta, Sebastiana abriu a porta e deparou com Sérgio no chão, entre as manchas de sangue.
Imediatamente, ela, Ambrósio e Amaro o recolheram e o conduziram ao leito.
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 15, 2016 8:44 am

Sebastiana, depois de examiná-lo, comentou:
- Acho que ele não vai abrir os olhos mais, não.
O coração dele está batendo de maneira muito fraca e devagar!
Ele botou muito sangue pela boca!
Vocês me esperem lá fora. vou fazer uma oração e benzê-lo.
Assim que os dois se retiraram, Sebastiana fez suas preces e Filipe aproveitou para falar-lhe intuitivamente:
”Minha irmã, nosso irmão realmente está em seus últimos momentos junto ao corpo de carne.
Confiemos em Deus, fazendo nossa parte para auxiliá-lo em sua transição.
Muito precisaremos de nossa amiga daqui para frente.”
Nisso, nosso irmão Getúlio chegou ao quarto irritado e falando alto:
”Como é, Sérgio?
Não vai acordar hoje?
Já fiz a ronda sozinho e trago a triste notícia de que lá fora não tem mais ninguém.
Nossos hóspedes desapareceram como se tivessem sido engolidos por um animal!”
Acomodado à cabeceira da cama de Sérgio, coronel Getúlio aguardava seu despertar, sem saber que ele encontrava-se desacordado, prestes a desprender-se do corpo físico!
Filipe, aproximando-se do coronel, lhe impôs a destra sobre a fronte, numa operação cuja finalidade era aguçar os recursos visuais de nosso irmão, permitindo-lhe assim identificar nossa presença, facto que se deu em poucos segundos:
”Quem são vocês?
O que estão fazendo aqui?”
”Viemos ajudar você e o Sérgio, meu irmão.”
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 15, 2016 8:44 am

A reacção de Getúlio

Coronel Getúlio, sentindo-se invadido em sua privacidade, respondeu a Filipe com rispidez:
”Quem disse que vou aceitar a ajuda de vocês?”
”As opções lhe são poucas, meu irmão.
Como você acabou de dizer, todos os seus amigos desapareceram!”
”Olhe aqui: quem disse que estou precisando de ajuda?”
”Deixe-me esclarecê-lo melhor, meu irmão!
Nosso amigo Sérgio está prestes a retornar ao nosso meio...”
Filipe não pôde continuar, pois o coronel, como se levasse um grande susto, falou:
”Se vocês vieram tirar Sérgio de mim, podem desistir.
Ninguém vai levá-lo!”
Getúlio, em desespero, aproximou-se do corpo de Sérgio e passou a gritar, na tentativa de acordá-lo:
”Vamos, Sérgio, acorde!
Acorde aí ou aqui, mas acorde.
Eles querem levá-lo.
E nossas terras?
Quem vai cuidar delas?”
Sérgio, como se ouvisse a palavra mágica, abriu os olhos e os manteve assim, fixos em Sebastiana.
Ela, assustada, comentou:
- Credo em cruz, Dr. Sérgio.
Parece que viu assombração!
Sérgio então, em sussurro, disse:
- Minhas terras, minhas terras...
Quem vai cuidar delas?
Meu corpo não pode morrer!
Minhas terras...
- Olhe, doutor, não é hora de pensar nisso, não!
É hora de rezar e fazer as pazes com Deus.
Nosso irmão fechou os olhos e cambaleante, rastejando-se, movimentou-se desse lado à procura do coronel, que correu para abraçá-lo.
”Aqui, meu filho. Eu estou aqui!
Não tente ficar de pé.
Você sabe que não consegue mesmo!
Ainda bem que acordou.
Não durma mais, pois eles estão querendo que seu corpo morra para levá-lo para longe de mim e das nossas terras.”
Filipe se aproximou do corpo de Sérgio e lhe impôs as mãos, convidando-me a acompanhá-lo!
Vimos quando Sérgio foi atraído de volta ao corpo, desprendendo-se dos braços do coronel, que falava em altos brados:
”Acorde, Sérgio! Não durma!
Eles vão tomar nossas terras.
Bem que eu lhe avisei sobre aquela velha bruxa.
Isso é obra dela!”
Nesse instante, Sebastiana, que a tudo presenciava, falou:
- Você cale a boca, coronel.
Já está falando muita asneira.
Todos têm a sua hora de ir e de voltar!
Estas terras não vão sair do lugar, e vocês vão ter de nascer de novo mesmo!
Agora deixe o Dr. Sérgio morrer sossegado e pare de bancar o bonzinho, chamando ele de ”meu filho”.
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 15, 2016 8:44 am

Sebastiana levantou-se e, abrindo a porta do quarto, falou para Amaro e Ambrósio, que a aguardavam:
- Amaro, meu velho, você vai até a casa de Juarez
e traz o menino José Augusto aqui!
Fale para ele que o doutor está de partida.
E você, Ambrósio, vem ajudar-me a limpar o doutor e a arrumar as coisas aqui dentro.
Depois, sente-se aí fora e fique de boca fechada, pois eu posso precisar de você.
Enquanto Sebastiana e Ambrósio faziam a limpeza no quarto e acomodavam Sérgio ao leito, Filipe comentou:
”Temos ainda umas doze horas antes que a última chama de vida se apague no corpo de nosso irmão Sérgio.
Enquanto aguardamos a chegada de nossos irmãos socorristas, vamos providenciar o afastamento de Getúlio destes aposentos.
Sua presença só dificultaria o trabalho de todos.”
Nosso irmão Sérgio dormia tranquilamente.
Se não fosse a respiração ofegante, acompanhada de fortes chiados pelo bloqueio dos brônquios, podia-se dizer que tudo estava em ordem.
Nisso, Florêncio e mais três irmãos se apresentaram como os socorristas indicados para atender-nos.
Filipe então, aproximando-se de Getúlio, impôs-lhe as mãos, fazendo com que ele ficasse em estado letárgico.
Florêncio nos auxiliou a removê-lo para o quarto ao lado, onde o deixamos sob a custódia de dois servidores de Calixto.
Florêncio então, aproximando-se de Filipe, comentou:
”Irmão Filipe, prevemos o desfecho final para dentro de, no máximo, dez horas.
É nosso dever permitir, sem interferir, que nosso irmão Sérgio caminhe sozinho nesses últimos momentos, embora já saibamos o final.
É direito do espírito encarnado lutar com todos
os recursos que têm para manter-se unido ao corpo enquanto lhe resta um sopro de vida!”
Florêncio, como se captasse meus pensamentos, repleto de perguntas, prosseguiu:
”Nossa intervenção só se dá a partir do momento em que alguns princípios vitais deixam de actuar.
Portanto, nosso trabalho é desligar o espírito do corpo, e não acelerar sua morte física!”
”Compreendemos, meu irmão”, respondeu Filipe.
’Tomaremos todas as providências para que nosso irmão não seja arrebatado pelas sombras, mas não conseguiremos afastá-lo da influência de Getúlio, por causa da simbiose que determina essa união!
Aguardamos para breve a presença de familiares de nosso irmão.
Assim, conseguiremos um bom equilíbrio no ambiente.”
”Sim, irmão Filipe.
Enquanto isso, permaneceremos aqui, aguardando o momento em que nossa intervenção se fizer necessária!”
Pouco mais de uma hora havia se passado desde a saída de Amaro quando ele retornou acompanhado de José Augusto e Juarez.
- O que foi, madrinha?
Ele está muito mal?
- Está sim, meu filho.
Deus Nosso Senhor já o chamou e, pelo visto, está esperando ele fazer as malas!
Os pulmões ficaram ruins e as feridas estavam até com bicho.
Eu limpei as feridas, mas o corpo não aguenta mais, não, meu filho.
Agora nós precisamos acalmar o espírito dele e o do coronel Getúlio, seu avô, para ele morrer em paz.
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 15, 2016 8:45 am

José Augusto se aproximou do pai e, tomando-lhe as mãos, desabafou:
- Quanto tempo eu esperei ser acariciado por estas mãos, meu pai!
Desde o acidente, o senhor nunca mais foi o mesmo connosco, mas em nosso coração continuou sendo nosso pai!
Como eu gostaria de ouvi-lo me chamar de ”meu filho”!
Mas o senhor ficou obcecado por estas terras, meu pai, e se esqueceu de nós.
- O meu menino não fale assim com ele, não!
Perdoe-o, para que ele possa morrer em paz.
- Perdoe-me, madrinha.
Foi só um desabafo perante a morte iminente!
Não preciso perdoá-lo, pois nunca lhe tive mágoa ou rancor.
E, se Deus assim o permitisse, eu o receberia como meu filho, dedicando-lhe todo amor do qual, como filho, sinto falta!
Sem que Sebastiana ou qualquer dos presentes percebesse, as palavras finas de José Augusto provocaram reacções bruscas em Sérgio, que, por alguns segundos, abriu os olhos do corpo, tornando ainda mais ofegante sua respiração.
Ele ansiava por falar. Mas rapidamente tudo voltou ao normal.
Passadas as dez horas previstas por Florêncio, o coração de Sérgio batia lenta e descompassadamente, na tentativa de manter o fluxo sanguíneo.
Os primeiros sinais da morte de seu veículo físico não passaram despercebidos pelos olhos experientes de Sebastiana, que, chamando Juarez e José Augusto, falou:
- Você fique aqui do lado dele, José Augusto, pois o doutor não demora a ir se encontrar com Deus.
E você, Juarez, faça uma oração para nós.
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 15, 2016 8:45 am

Unidos pela ambição

Enquanto Juarez fazia a leitura de uma página do Evangelho, um dos servidores de Calixto nos procurou informando estar Getúlio na iminência de despertar.
Ele pedia instruções.
Filipe lhe respondeu:
”Compreendemos que não podemos mantê-lo adormecido por mais tempo, meu irmão, mas também não podemos permitir que ele interfira no desenlace de Sérgio!
Rogo ao irmão que o mantenha sob custódia, impedindo que ele se afaste do quarto.”
Assim foi feito. Desperto, nosso irmão Getúlio viu-se confinado no quarto sob o olhar atento de dois guardas.
Enquanto isso, Florêncio e os demais auxiliares iniciavam o atendimento a Sérgio, cujo veículo físico perdia os sinais vitais, extinguindo-se o sopro de vida que o alimentava.
Após as contracções musculares e tendo cessado todo o processo respiratório, José Augusto deu o pai como morto.
Sebastiana então falou:
- Morrer o corpo morreu, meu filho, mas a alma dele ainda está agarrada ao corpo.
Enquanto os anjos bons o ajudam, vamos ficar aqui rezando!
Notamos que nenhum dos dois ousou discordar de Sebastiana.
Florêncio e sua equipe auxiliavam Filipe nos procedimentos finais, quando este comentou:
”Observando seu quadro mental, concluímos que nosso irmão não se afastará de Getúlio e que este não se afastará destas terras!
Aguardemos o sinal de Calixto para o desligamento.”
Em poucos minutos, Calixto chegou ao quarto e disse a Filipe estar tudo em ordem.
Filipe então passou a Florêncio a autorização que culminou com o rompimento dos últimos laços que prendiam Sérgio ao corpo.
No instante seguinte ao rompimento dos laços, observamos atónitos Sérgio ser sugado pelas paredes, indo, igual o metal ao imã, imantar-se em Getúlio nos aposentos ao lado.
Getúlio, ignorando nossa presença, lhe falou:
”Ainda bem que eles não o levaram, Sérgio.
Fique bem junto de mim. vou dar um jeito de sairmos daqui!”
Sérgio permaneceu, ainda inconsciente, agarrado a Getúlio, da forma como vivera nas últimas décadas.
”É melhor”, comentou Filipe, ”deixarmos eles livres para seguirem seu próprio caminho!”
Com um sinal de Filipe, os dois guardas se afastaram.
Getúlio então, tal qual um pássaro que encontra a porta da gaiola aberta, saiu em desabalada carreira, levando unido a si nosso irmão Sérgio, que, semi-adormecido, agarrava-se a ele.
Ambos foram buscar a protecção da vegetação próxima.
José Augusto e Juarez saíram para tomar as providências que a situação exigia, enquanto Sebastiana, sentada à varanda, ficou conversando com Amaro:
- Você viu, meu velho, como Dr. Sérgio saiu agarrado no coronel?
- Vi sim, minha velha!
Não falei que os dois não iriam separar-se nem depois da morte do Dr. Sérgio!
- Que coisa triste, meu velho, e feia também!
O Dr. Sérgio fica pendurado na corcunda do coronel que nem carrapato.
Parece que as pernas dele se amarraram na cintura do velho!
Filipe então se aproximou de Sebastiana e lhe falou mentalmente:
”Minha irmã, como já perceberam, nossos irmãos ficarão por aqui.
Disse-nos Jesus:
’Onde está o tesouro, ali está o coração’, e nesse caso não há como negar a realidade dessa máxima.
Contamos com sua ajuda, minha irmã, para que no dia-a-dia eles recebam orientação e aconselhamento, preparando-os para o retorno à carne, que se dará em, no máximo, três anos, quando receberão de José Augusto e Maria Tereza o carinho dos pais queridos.
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 15, 2016 8:45 am

Esse gesto de amor identificará o perdão ensinado na máxima de Jesus que diz para ”perdoarmos não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes”.
Enquanto aguardamos o retorno deles, requisite a ajuda de Juarez e José Augusto para auxiliá-la.”
Firmino, que estava junto a nós já há algumas horas, se manifestou:
”Irmão Filipe, nossos irmãos permanecerão nestes sítios até o momento de seu reencarne?”
”O estudo da situação existente no momento nos garante que sim, meu irmão.
Enquanto a cobiça continuar alimentando os sonhos deles, permanecerá o coração onde está o tesouro.”
Três dias haviam se passado desde o enterro daquele que foi o corpo de Sérgio.
Não mais havíamos visto ele nem Getúlio, embora pudéssemos senti-los a nos espreitar.
Filipe então determinou que era chegado o momento do retorno aos nossos afazeres.
Depois do estudo do Evangelho no Lar daquela noite, despedimo-nos de todos.
Filipe se dirigiu a Firmino:
”Muitas lutas nos aguardam no amanhã, meu irmão, para que a lei se cumpra.
O retorno de nossos irmãos, tendo como pais José Augusto e Maria Tereza, em um futuro próximo, é inevitável.
As arestas então começarão a ser aparadas.
É lógico que isso se dará à custa de lágrimas e sofrimentos, cujas sementes têm origem no passado, quando Francisco e Deolinda plantaram o ódio no coração de Getúlio, que, por sua vez, transformou-se de vítima em algoz.
O retorno à carne como filhos despertará no coração deles o perdão há muito cultivado pelos futuros pais!
O estudo e a prática dos ensinamentos de Cristo os estimularão à reforma íntima imprescindível à prática do perdão.
Sob sua custódia, Firmino, deixamos esses corações, a fim de que sob as bênçãos de Deus você os prepare para o reencontro com o corpo de carne no amanhã.
Estaremos a seu dispor sempre que precisar.”
Firmino, emocionado, abraçou Filipe e eu, demonstrando-se confiante no cumprimento das tarefas que lhe foram creditadas.
Despedimo-nos de Firmino e de seus auxiliares.
Filipe convidou-me a visitar a antiga residência de Getúlio e Sérgio antes de nos afastarmos daquela região, onde faríamos nossa prece de agradecimento ao Pai pelo muito que havíamos aprendido sobre o amor e o perdão.
Ao chegarmos, encontramos na varanda da casa Getúlio e Sérgio.
Estavam unidos de tal forma que se via dois troncos a equilibrar-se em apenas duas pernas.
Eles estavam a conversar:
”E agora, meu pai, o que vamos fazer?”
”Ainda não sei, Sérgio.
Mas aquela velha esteve aqui hoje e falou alguma coisa sobre nascermos de novo e como donos destas terras!
Vamos apurar melhor essa história.
De qualquer maneira, até tomarmos uma decisão, temos de ficar vigilantes, para não sermos roubados.”
”Estive pensando, meu pai...
E se convidássemos a velha e o marido para morar aqui?
Assim eles poderiam pelo menos conservar a casa para nós!”
”Até que não é uma má ideia, Sérgio.
Amanhã mesmo vamos providenciar isso.”
Fizemos nossa prece, sob a luz das estrelas, nos preparando para seguirmos rumo aos nossos outros compromissos ainda no orbe terrestre, enquanto aguardávamos que a semente lançada germinasse sob a protecção de Deus.
”Xisto, meu irmão, aqui retornaremos ainda muitas vezes.
E, até que nossos irmãos consigam reencarnar novamente, muito aprenderemos, servindo com Jesus.”
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 15, 2016 8:45 am

Renovação

Fiquei surpreso ao ouvir nosso irmão Getúlio afirmar que cuidaria para que Sebastiana fosse morar na fazenda!
Filipe, que notou a minha preocupação, falou:
”Xisto, meu amigo!
As palavras de Sérgio e os projectos de Getúlio são reflexos das sugestões que fizemos a eles.
A presença constante de Sebastiana os ensinará a ter por ela o respeito e a confiança expressos no exemplo de amor a eles.
Nosso irmão José Augusto também recebeu nossa sugestão e deve intervir junto à nossa irmã para que ela se mude para a fazenda, cuidando, assim, de sua conservação.
Portanto, nossos irmãos foram sugeridos a aceitar essa situação, mas pensarão que a ideia foi deles!”
Partimos então daqueles sítios levando em nosso coração a certeza de que o amanhã é a resposta do nosso hoje, tanto como a dor e a alegria, que hoje nos visitam, são o resultado das nossas acções no ontem!
Alguns meses após termos partido daquela região, recebemos a visita de Firmino em nossa oficina de trabalho.
Ele nos informou que Sebastiana e Amaro tinham se mudado para a casa-sede da fazenda, atendendo ao pedido de José Augusto, e que, já naquele momento, Sebastiana exercia total domínio sobre Getúlio e Sérgio, que a consideravam aliada e amiga.
Na manhã seguinte, quando Firmino se preparava para retornar, Filipe sugeriu que eu o acompanhasse, já que nosso compromisso junto àqueles irmãos estava longe de se encerrar.
Parti então com Firmino com o objectivo de permanecer junto aos nossos irmãos por quarenta e oito horas, tempo suficiente para observar as alterações que se operavam naqueles corações.
Mesmo porque eu já recebera autorização para registrar em minha memória todos os acontecimentos e factos narrados, visando, num futuro próximo, tornar pública essa história, como faço hoje.
Chegamos à casa de Cenira ainda antes do dia clarear e aproveitamos o momento para dialogarmos fraternamente com os demais trabalhadores que ali serviam.
Firmino, em um determinado momento, aproximando-se de mim, comentou:
”Xisto, meu irmão, um novo personagem foi introduzido, obedecendo às Leis Cármicas às quais todos estamos sujeitos, ao quadro familiar que você estava habituado!
Trata-se de Carmem, irmã de José Augusto.
Após receber a notícia da morte do pai, ela retornou a estes sítios depois de um casamento que durou apenas alguns meses, tendo seu companheiro retornado ao nosso meio vítima de um acidente automobilístico.
Nossa Carmem instalou-se na fazenda junto com Sebastiana e Amaro, de quem recebeu carinho e protecção.
Do casamento restaram-lhe apenas lembranças e alguns bens materiais, já que não tiveram filhos”.
”E José Augusto e Maria Tereza?”
”Ele ficou feliz com o retorno da irmã e está em vias de viajar para a Inglaterra, onde buscará aperfeiçoamento profissional na área em que se formou no Brasil.
José Augusto e Maria Tereza ficarão fora por no máximo três anos.
A viagem será custeada em parte por Juarez, por intermédio da sociedade que os une, e em parte por Carmem, com quem também José Augusto se associou, evitando a partilha dos bens deixados pelo pai.”
”Então, Firmino, José Augusto e Maria Tereza continuam sendo o elo de ligação entre as duas famílias?”
”Sim, meu irmão!
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 15, 2016 8:45 am

Mas há prenuncio de novos laços!
Juarez e Carmem têm se encontrado com frequência
ultimamente, e nos é impossível deixar passar despercebido os compromissos do ontem que os aproximam.”
Agradeci a Firmino e retirei-me em direcção à fazenda, onde faria uma visita à Sebastiana.
Logo na chegada, notei a diferença de alguns meses atrás.
Jardins bem cuidados embelezavam a paisagem com suas flores.
Na casa, as janelas abertas permitiam a circulação do ar vindo da natureza que cercava e identificava a nova vida ali existente!
Encontrei Amaro a cuidar dos jardins.
Ao passar pelo marido de Sebastiana, ele falou, deixando-me surpreso:
”bom dia, anjo bom.
Minha velha vai ficar contente em vê-lo novamente.”
Não esperando resposta, ele voltou para seus afazeres, cantarolando uma canção antiga.
Sorri com o pensamento que me veio à mente:
”Se encarnados se assustam com a visão de desencarnados, por que nós desencarnados não podemos nos assustar quando somos identificados por encarnados?”
Encontrei Sebastiana a cochilar sob o sol da manhã sentada em uma cadeira de balanço colocada na varanda.
Mentalmente, eu a cumprimentei.
Ela, por sua vez, abriu os olhos, como a confirmar minha presença, vindo a fechá-los em seguida, para me responder:
- bom dia, anjo bom!
Você veio a trabalho ou veio só fazer uma visita?
”Não fique temerosa, minha irmã.
É apenas uma visita em que procuramos abraçar velhos amigos!”
- Mas não pense que a velha aqui tem medo da morte, não!
Já estou de mala pronta há muito tempo!
Mas vamos chegando!
A casa é de Deus e nossa!
Nesse instante fomos interrompidos por uma jovem cuja fisionomia lembrava José Augusto.
Ela se dirigiu a Sebastiana:
- Que é isso, madrinha?
A senhora está falando sozinha?
- Sozinha não, menina Carmem.
Estou falando com um anjo bom que eu conheço há muito tempo e que hoje veio me visitar.
- Está bem, madrinha.
A senhora me desculpe por interrompê-la.
Mas, madrinha, você sabe se o Juarez vem aqui hoje?
- Sei não, menina!
Pergunte para o seu coração.
Ele sabe!
- Sem brincadeiras, madrinha.
Ele falou para a senhora se viria hoje?
- Falou não, minha filha.
E, se a menina aceitar o palpite desta velha, já está na hora de começar a preparar o enxoval para o casamento!
Notei que a jovem ficou corada ao perceber que Sebastiana descobrira o segredo que ela estava guardando em seu coração.
A jovem então disse:
- Madrinha, não posso negar para a senhora que, quando revi Juarez, meu coração bateu mais forte.
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 15, 2016 8:46 am

Mas outra hora falamos sobre isso.
Em seguida, ela retirou-se, deixando-nos novamente a sós.
Foi quando mentalmente perguntei para Sebastiana:
”Minha querida irmã, e nossos amigos Getúlio e Sérgio?”
”Eles saíram, meu filho.
Foram conferir as cercas, como fazem todos os dias há muitos anos.
Estão com o coração mais brando e até pedem para eu rezar para eles!
Filipe, quando esteve aqui, me falou que eles irão nascer de novo e eu contei a eles, que estão esperando esse dia.
Olhe lá no alto daquele morro.
São os dois!”
De facto, notei o vulto estranho a caminhar junto à cerca.
Era realmente Getúlio a carregar Sérgio.
”O retorno dos dois se fará em pouco tempo, minha irmã!
Esperemos que até lá o coração deles já esteja preparado para o amor.”
Continuei junto aos irmãos, conforme havia planeado, e tive a alegria de ver Juarez instituir, a pedido de Carmem, a prática do estudo do Evangelho no Lar aos moldes do existente na casa de Cenira, onde José Augusto e Maria Tereza continuavam residindo.
Iniciei o retorno à oficina de trabalho certo de que o amor realmente vence todas as barreiras, unindo homens que buscam, nessa árvore de fraternidade, os frutos do amor de que todos necessitamos para a continuidade de nossa caminhada de aprendizado com Jesus.
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 16, 2016 10:42 am

A missão de Xisto

José Augusto e Maria Tereza viajaram para a Europa conforme o planejado e lá estavam já há um ano, com retorno previsto para dentro de quatorze meses.
Maria Tereza submetia-se a técnicas modernas utilizadas pela medicina europeia, aguardando ansiosa a gravidez tão sonhada.
Enquanto isso, no Brasil, a velha fazenda, palco de nossa história, estava em festa com o casamento de Juarez e Carmem.
Sebastiana, que nos últimos dois anos não ficara um só dia sem conversar com Getúlio e Sérgio, observava os dois, que, sem ódio no coração, aceitavam a união do restante das famílias.
O dia estava chuvoso quando chegamos à fazenda, alguns minutos antes do início dos estudos.
Filipe se adiantou e abraçou Firmino, que nos recebeu sem conseguir conter o entusiasmo e as manifestações de carinho e nos falou:
”Meus irmãos, ficamos felizes em recebê-los em nossa seara cristã!”
”Reservo-me também o direito da alegria fraterna por aqui estarmos, meu irmão.
Rever velhos afectos de nosso coração é reforçar os laços de amor que nos unem no actual estágio de nossa vida!”, disse Filipe.
Fomos convidados por Firmino a participar do estudo do Evangelho no Lar, onde Sebastiana, ao lado de Amaro, com o olhar disciplinador que lhe era característico, mantinha no ângulo de sua visão Getúlio e Sérgio.
Os dois, inquietos, participavam da leitura.
Ao término dos estudos, no momento dedicado às preces, Sebastiana falou mentalmente para Filipe:
”Meu irmão, sinto que vou ficar longe de meus meninos!
Você veio buscá-los, anjo bom?”
”Sim, minha irmã!
Novas oportunidades os aguardam.
E, pelo que pudemos notar, nossa querida irmã fez um trabalho além das expectativas junto ao coração deles!”
”vou sentir saudade deles.
Onde nascerão, anjo bom?”
”Como havíamos previsto, serão filhos de José Augusto e Maria Tereza, obedecendo aos compromissos que assim determinam.
Mas ficarão apenas alguns meses na Terra, quando então poderá revê-los, minha amiga.
Por ora, aceite o nosso fraterno agradecimento pelo muito que fez por eles. Partiremos ainda hoje levando-os.
Serão preparados para dentro de vinte e um dias se unirem ao corpo de Maria Tereza.”
Sebastiana calou-se e juntos ficamos observando quando Getúlio e Sérgio, sob a acção magnetizadora de irmãos previamente treinados para esse mister, caíram em sono profundo e, amparados por seareiros, foram levados.
Sebastiana, que não conseguia conter as lágrimas, pois já estava habituada aos dois, ouviu de Filipe palavras de conforto e esperança:
”Minha irmã, fez bem a sua parte.
Esperemos que, com a ajuda de nossas preces, nossos irmãos consigam aproveitar a oportunidade que lhes é oferecida.
Muito embora venham a nascer em um país distante, Sérgio retornará a estes sítios, de onde partirá de volta ao nosso meio.
Getúlio lhe antecederá nesse retorno.
Assim, esperamos que estejam mais livres para continuar sua caminhada evolutiva.”
Permanecemos no novo lar de Juarez e Carmem por mais alguns dias, quando retornamos à nossa oficina de trabalho no plano físico.
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 16, 2016 10:42 am

Certa tarde, dois meses depois, Filipe convidou-me a visitar José Augusto e Maria Tereza, que já carregava em seu ventre os embriões do futuro corpo de Getúlio e Sérgio.
O espírito deles, unido à mãe, comungava com as vibrações dela, de onde retiravam seu alimento espiritual.
Encontramos o casal amigo numa manhã fria em que a neblina impedia que os raios solares aquecessem aquela província onde nosso José Augusto estava por terminar o penúltimo período do seu curso de aperfeiçoamento.
Maria Tereza lhe falou:
- José Augusto, faltam ainda quatro meses para terminar seu curso.
Daqui quatro meses, estarei chegando ao sétimo mês de gravidez.
Você acha que conseguiremos fazer com que nosso filho nasça no Brasil?
- Esse é também o meu sonho, Maria Tereza, e espero que consigamos realizá-lo!
Notei o doutor muito preocupado com o resultado de nosso exame de sangue, embora não tenha comentado nada.
Será que ele encontrou alguma coisa de anormal?
- Acredito que ele não tenha encontrado nada de errado, José Augusto, senão teria nos avisado!
Filipe, dirigindo-se a mim falou:
”Observe, Xisto, a formação do feto.
O organismo físico de nossa irmã, aproveitando a similaridade genética, por serem primos, cumpre a Lei de Causa e Efeito, e dois espíritos lutam para se instalar em seu ventre.
Observe que, como viviam aqui, eles procuram dividir o mesmo espaço, prejudicando a formação do feto.
Dois troncos estão em formação, e observamos que terão o formato de um ’Y’.
Dois corações se encarregarão do bombeamento do sangue, porém um só tronco terá as funções digestivas, renais e intestinais, sendo individual o sistema respiratório.
Esse é um caso raro, mas não desconhecido pela medicina actual, que os identifica como xifópagos6.
Poucos conseguem sobreviver até a fase adulta, o que não será o caso de nossos irmãos.”
Surpreso com o que via e ouvia, eu não consegui formular as palavras para dizer algo a Filipe, que prosseguiu:
”Nos próximos meses, Xisto, precisaremos de sua presença ao lado de nossos irmãos, auxiliando-os e amparando-os até o nascimento dos dois e o retorno de Getúlio ao nosso meio.
Pergunta-se mentalmente por que foi escolhido para essa missão.
Eu o esclarecerei, Xisto:
pelos laços que o unem ao casal e também atendendo aos compromissos existentes entre você e Altamiro, quando da sua passagem pelos porões da Inquisição.
E ainda por seus vínculos no passado com a Europa, onde passou três existências de aprendizado, tornando assim esta terra distante de nosso querido Brasil familiar a seu coração, o que lhe facilitará o trabalho.”
Não foi preciso que Filipe continuasse, pois já me identificara perfeitamente com a situação e com o ambiente em que me encontrava, bastando para isso relembrar meu passado.
Filipe ainda permaneceu ao meu lado por mais alguns dias, orientando-me nas novas tarefas.
Ao despedir-me dele, não consegui conter as lágrimas oriundas da saudade que já se instalara em meu coração de nossa oficina de trabalho e aprendizado, bem como dos irmãos que ali ficaram, na cidade encravada entre montanhas que davam forma e vida ao seu nome:
Belo Horizonte.
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 16, 2016 10:42 am

O retorno de Getúlio e Sérgio

Já nos meses seguintes, dividi meu tempo entre o Brasil e a Inglaterra.
No sexto mês de gravidez, o médico expôs a José Augusto e Maria Tereza seu temor pela gravidez considerada de risco pelas particularidades genéticas existentes entre os dois, comprovada nos exames realizados.
Descartada a possibilidade da viagem de volta ao Brasil antes do parto, o casal lutou por aclimatar-se ao facto.
A viagem foi descartada porque, por determinação médica, Maria Tereza seria internada quando completasse a 32ª semana de gravidez, prevenindo-se de riscos maiores.
No prazo previsto, Getúlio e Sérgio foram retirados, depois de uma complicada cirurgia, do ventre de nossa irmã.
E, como previra Filipe, eram dois troncos unidos pela cintura a utilizar um só par de pernas.
Para a ciência médica, poucos meses de vida eles teriam, pois Getúlio, que possuía as pernas, não tinha o aparelho digestivo, enquanto Sérgio, que conseguira formar seu corpo, não tinha as pernas.
As deformidades perispirituais eram claramente visíveis na formação daqueles corpos.
No Brasil, junto aos familiares, após receberem a notícia, estabeleceu-se um clima de expectativa e temor pela volta de José Augusto e Maria Tereza.
Após vencerem os primeiros noventa dias de existência e quando o médico já estava na iminência de liberar o retorno da família ao Brasil, Getúlio, que recebera esse nome juntamente com Sérgio junto à pia baptismal, apresentou sérios distúrbios cardíacos.
Por essa ocasião, Filipe, que me acompanhava, orientou-me:
”Xisto, meu amigo, nosso velho Getúlio retornará nos próximos dias ao nosso meio, enquanto Sérgio permanecerá ao que lhe restará do corpo por mais alguns meses.
É importante que assim seja, pois a separação nesse momento é o marco inicial de uma nova caminhada para os dois.
Como crianças retornarão ao nosso meio e serão educados para desenvolver seus próprios meios de alimentação e locomoção, sem que isso elimine do coração deles os sentimentos que os unem.”
De facto, Getúlio, após alguns dias internado com Sérgio, que não apresentava sinais de debilidade física, retornou ao nosso meio depois que seu corpo paralisou as poucas funções, após uma parada cardíaca.
Getúlio espírito foi levado para uma clínica infantil de recuperação e amparo situada no nível geográfico de nosso Brasil.
Sérgio em nada foi afectado com a morte física do companheiro, já que possuía toda a formação orgânica, excepto as pernas.
Para os médicos, uma grande batalha tinha início:
era preciso separar os dois corpos, permitindo que Sérgio sobrevivesse, embora sem as pernas, que não passavam de membros atrofiados e irreconhecíveis presos ao corpo já sem vida de Getúlio.
Com perfeição, três cirurgiões, após exaustivas horas de trabalho, conseguiram separar aquela considerada carne morta, dando a Sérgio a oportunidade de mais alguns meses em corpo de carne sem a presença de Getúlio.
Assim, ele reaprenderia a viver sem a companhia do amigo de tantos anos.
Três meses após a cirurgia e por insistência dos pais, o médico os liberou para retornarem ao Brasil.
Na casa de Cenira a alegria foi geral pela chegada dos três.
Maria Tereza expôs a todos o drama e o sofrimento vivido por eles com a gestação e o nascimento dos filhos.
Juarez, após longa conversa com José Augusto, tomou consciência do problema e identificou sua origem.
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 16, 2016 10:42 am

Ele não podia relatar a ninguém a particularidade genética que possuíam, mas soube que correria o mesmo risco em sua união com Carmem!
Com o passar dos dias, a vida voltou ao normal na família.
José Augusto retornou ao trabalho, enquanto Maria Tereza, ajudada por Cenira, cuidava de Sérgio, que apresentava perfeita vitalidade mental, embora o corpo ainda ressentisse a separação de sua outra metade devido a pequenos pontos que não cicatrizaram, contrariando as afirmações dos cirurgiões.
Faltavam poucos dias para que Sérgio completasse um ano de vida na actual existência quando numa manhã de janeiro acordou choroso e febril.
Medicado por Cenira e por Maria Tereza como uma simples gripe, elas não observaram os pontos não cicatrizados e com sinais de infecção.
Após dois dias sem obter melhora, José Augusto levou o filho ao médico, que por sua vez identificou a infecção.
Já a esse tempo, Filipe, que nos assistia juntamente com Firmino, comentou:
”Esse era o tempo necessário para que nossos irmãos aprendessem a viver um sem o outro.
Sérgio retornará ao nosso meio nas próximas horas, quando então lhe serão oferecidos três anos de preparação antes de seu retorno ao corpo de carne.
Com isso, Getúlio já terá retornado a um ano.
Eles nascerão na mesma família, mas filhos de pais diferentes:
Getúlio terá por pais Juarez e Carmem e Sérgio retornará como filho de José Augusto e Maria Tereza.”

6 - Xifópagos: dois indivíduos ligados na altura do tórax ou da área do apêndice xifóide (fonte: Dicionário Aurélio - N.A.E.).
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 16, 2016 10:42 am

A despedida

Alguns anos haviam se passado desde aquela explicação de Filipe quando retornei àquelas terras, onde a liderança espiritual continuava sob a responsabilidade de Firmino, que tinha agora um número bem maior de colaboradores, tanto no plano físico como no espiritual.
Retornei sob o comando de Filipe para atender à volta de Sebastiana ao nosso plano.
Encontrei Sebastiana sentada à varanda da fazenda observando duas crianças:
os dois primos de quatro e cinco anos a brincar alegres.
Sebastiana, que logo identificou minha presença ao lado de Filipe, comentou:
- Vocês dois já estão aí de volta!
Eu já estou muito cansada e os amigos podiam levar-me de vez.
Meu velho já foi faz dois anos e estou morrendo de saudade dele!
Ver eu sempre o vejo, mas ele é alma que o corpo já morreu, e eu não.
Vocês têm alguma notícia boa para mim?
”Temos sim, minha querida irmã.
Amaro pediu para virmos buscá-la e Deus Nosso Pai nos deu a permissão.”
- As palavras são muito bonitas, meu filho.
E, se eu entendi direito, vocês vão levar-me!
Vocês esperem um pouco que eu vou abraçar aquelas crianças.
Getúlio, Getúlio, venha cá e ajude seu primo Sérgio a subir as escadas.
Traga ele também.
Este com o peito cansado é o Getúlio, o mesmo Getúlio de outros tempos.
E aquele que manca é o Sérgio, também o mesmo daquele tempo.
Reparem bem o que eu ensinei para eles!
Assim que os dois se acomodaram nos braços de Sebastiana, ela lhes falou, apontando para as terras em redor:
- De quem são estas terras, meus filhos?
A uma só voz, eles responderam, sorridentes:
- São de Deus, vovó, e nós tomamos conta delas para Ele!
- Agora vocês dêem um beijo aqui na vó preta e vão brincar, porque eu vou dormir um sono grande.
Voltando-se para nós, Sebastiana sorridente perguntou:
- Vocês viram como eles mudaram?
É obra de Deus, que atendeu às minhas orações e às minhas palavras.
”Vimos sim, Sebastiana!”, respondeu Filipe.
- Pois é, meus filhos!
Se Deus perdoa nossos pecados, por que não podemos perdoar os dos outros?
Meu velho falava que ’contra a força não há resistência’, e eu olho para esses dois brincando e falo para vocês:
’contra o amor não há ódio que resista, porque do amor nasce o perdão’.
Sebastiana se calou e ficou a observar as duas crianças brincando.
Seu pensamento voltou ao passado, até onde podia alcançar, e ela reviveu rapidamente todos os acontecimentos até os dias de hoje.
Juarez, que chegara à varanda, ainda a escutou resmungar:
- Oh, meu Deus!
Esta velha está cansada e querendo encontrar com seu velho.
Perdoe-me por todas as coisas erradas que eu já fiz e tome conta destes meninos.
Em seguida, ela acomodou-se na cadeira de balanço e fechou os olhos, procurando o aconchego do sono.
Reabriu os olhos do espírito uma hora mais tarde, já em nosso meio, e correu para abraçar seu velho companheiro, que a recebeu de braços abertos e lhe falou, emocionado:
”Vamos até nossa antiga casa, minha velha, descansar um pouco antes de seguirmos viagem.”
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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 16, 2016 10:43 am

Enquanto os dois seguiam, amparados por uma caravana criada para receber e conduzir Sebastiana às regiões a que seu espírito bondoso se destinava, vi um dos pequeninos interromper sua brincadeira, aproximar-se do corpo já sem vida de Sebastiana e, após tocá-lo, gritar aos pais:
- Mãe, pai!
Vovó Sebastiana está sentindo frio.
Tragam um cobertor para ela.
Os raios de sol daquela manhã aqueciam a natureza à minha volta e pássaros alegres cantavam a passagem de Sebastiana, exemplo de fé e humildade, dedicação e renúncia, que caracterizam o verdadeiro cristão.
Pequeno eu me sentia perante a grandeza daquele espírito que nunca nada exigira para servir e tão bem cumprira sua missão junto àqueles corações voltados para o ódio.
Os motivos que a levaram de volta à Terra em tão sublime missão para nós ficou sendo apenas o amor aos pequeninos do caminho, sentimento característico dos grandes corações que já alcançaram em sua plenitude o direito de ver Jesus.
Filipe, tocando-me o ombro, falou:
”Façamos uma prece em agradecimento à oportunidade que tivemos de trabalhar junto a espíritos como nossa irmã, que recebe as justas manifestações de carinho e agradecimento que presenciamos no momento.”
Após a prece, voltei meus olhos para o Mais Alto e questionei-me:
”Será que meus sentimentos são de amor a todos aqueles que afirmo ter perdoado?
Paz para os seus corações.”

Considerações gerais
Esclarecimentos ao médium Argemiro
Mentor espiritual dessa plêiade de espíritos.
Actualmente ele habita em ”Nossa Colónia”.

Nossa Colónia
Uma das muitas colónias espirituais existentes a qual estamos subordinados.

Nossa Casa Espírita
Agrupamento espírita no qual nossos irmãos Filipe e Xisto prestam assistência (Cenáculo Espírita Fraternidade).

Oficina de trabalho
Mesmo local que ”Nossa Casa Espírita”.

Vínculos:
Entre Altamiro e Xisto
Não nos foram revelados mais detalhes além dos que já foram repassados.

Entre Filipe e Xisto
Amigos espirituais que se fazem presentes desde que iniciamos nossas actividades mediúnicas, no ano de 1962.

Belo Horizonte, 17 de fevereiro de 2001

Ao terminar a leitura deste livro, provavelmente você tenha ficado com algumas dúvidas e perguntas a fazer, o que é um bom sinal.
Sinal de que está em busca de explicações para a vida.
Todas as respostas que você precisa estão nas Obras Básicas de Allan Kardec.

Se você gostou deste livro, o que acha de fazer com que outras pessoas venham a conhecê-lo também?
Poderia comentá-lo com aquelas do seu relacionamento, dar de presente a alguém que talvez esteja precisando ou até mesmo emprestar àquele que não tem condições de comprá-lo.
O importante é a divulgação da boa leitura, principalmente a literatura espírita.
Entre nessa corrente!


§.§.§- Ave sem Ninho
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Ave sem Ninho

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Re: Do Amor Nasce o Perdão - Xisto / Alceu Costa Filho

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