UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 30, 2016 9:57 am

CAPÍTULO 95 - A VERDADEIRA FELICIDADE

O tempo foi passando e tudo foi voltando aos seus devidos lugares.
Nós conseguimos comprar a casa e Rosa continuou trabalhando connosco.
Eu e Itemar decidimos viver juntos, um para outro.
Com aquela confusão toda, não tínhamos carro nem telefone.
Começamos tudo a partir da casa e dos móveis.
Aliás, começamos tudo do mais importante, do amor.
Com amor e paciência conseguimos nos reerguer.
Lentamente, nós conseguimos comprar um telefone, facto que me deixou imensamente feliz.
Vivíamos em paz e na mais perfeita felicidade.
O nosso amor não fracassou como muitos queriam.
Muito pelo contrário, estava cada vez mais forte.
Certa ocasião, quando estava tudo bem entre nós dois, sentíamos que tentavam nos atrapalhar com trotes e vários golpes sujos, mas não conseguiram.
Eu saía do trabalho mais cedo que Itemar e ia para casa.
Toda tarde, arrumava-me e ficava esperando por ele.
Percebia a presença dele à distância, corria para o portão e ficava com um sorriso nos lábios.
Quando ele entrava em casa, era uma festa.
Nós nos beijávamos, abraçávamos, ríamos e brincávamos muito um com o outro.
Todo dia íamos mais cedo para o trabalho para namorarmos no banco da praça.
Alguns nos chamavam de casal 20 e achavam lindo o nosso amor.
Aos poucos, fui percebendo que as pessoas que se afastaram de nós foram se aproximando como se nada tivesse acontecido.
Depois de tanto sofrimento, eu pude conhecer a verdadeira felicidade.
Conseguimos comprar um carro e foi uma festa para nós.
Com o carro, podíamos passear muito mais.
Quando chegávamos em algum lugar desconhecido, Itemar ia descrevendo tudo para mim.
Passei a enxergar com os olhos dele e aprendi a conhecer o lado belo de tudo nos mínimos detalhes.
A paciência de Itemar comigo era inesgotável.
Não só eu, mas Toninho e Suzana também foram privilegiados com a presença daquele anjo bom.
Ele não se cansava de se doar totalmente.
Às vezes, eu não acreditava que a minha vida tivesse se transformado daquela maneira.
Achava que estava sonhando e jamais imaginei que pudesse ser amada tão intensamente por uma pessoa maravilhosa como Itemar.
Conheci um lado encantador da vida, que até agora era totalmente estranho e indiferente para mim.
Conheci restaurantes e lugares diversos que me deixavam encantada e de bem com a vida.
Não existe coisa mais gostosa do que amar e ser amada.
Não existe coisa mais linda do que viver ao lado da pessoa querida.
Dizem que amar é fazer um pacto com o sofrimento.
Posso até acreditar que sim e digo que, nesse caso, valeu a pena sofrer.
Em troca daquele sofrimento tivemos uma paz infinita.
Ah, leitor! Você não sabe como vale a pena lutar, como vale a pena não desistir do nosso objectivo em hipótese alguma.
A paciência, a esperança e a perseverança são três palavrinhas das que você não deve se esquecer nunca.
São três palavras que devem fazer parte do seu dia-a-dia sempre.
Sempre se lembre de lutar, mesmo se, por alguns momentos, você achar que não valha a pena.
Se você parar, desistir e se acomodar, nunca terá a certeza de um futuro melhor.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 30, 2016 9:57 am

CAPÍTULO 96 - A NOSSA PRIMEIRA VIAGEM

Em 1994, depois de um ano e meio que estávamos juntos, Itemar me proporcionou uma alegria enorme.
Convidou-me para passar uma semana de nossas Férias em Ocean, na Praia Grande.
Eu não cabia em mim de contente e comecei a arrumar minhas coisas um mês antes das Férias.
Quando era solteira fui ao Rio de Janeiro com minha amiga Carmem.
Aproveitamos demais a praia e até peguei uma queimadura de segundo grau.
Quando era criança ouvia as pessoas falando do mar e ficava maravilhada com as histórias que ouvia.
Depois que aprendi a ler, lia tudo que conseguia sobre o mar.
Mesmo sem conhecer o mar tinha um sentimento inexplicável por ele.
Acho que foi por isso que fiz tantas extravagâncias quando fui à praia com Carmem.
A ideia de voltar à praia, de poder entrar no mar, de sentir aquela brisa, de sentir a maresia, de pisar descalça na areia e caminhar sem nenhuma preocupação me deixou embriagada de felicidade.
Convidei minha amiga Sónia para ir connosco.
Ela imediatamente aceitou.
Disse-me que nunca tinha ido à praia.
Eu esperava ansiosa pelo dia da viagem e não conseguia falar nem pensar em outra coisa.
Quando estávamos dentro do ônibus, achei que estava vivendo uma bênção.
Viajamos a noite toda e chegamos às 5h 30 minutos da madrugada em Santos.
Tomamos outro ônibus até a cidade Ocean e fomos directo para as Colónias de Férias.
Fomos muito bem recebidos pelos funcionários da colónia de Férias e eles nos indicaram em qual apartamento íamos ficar.
Guardamos nossas coisas, tomamos um banho, fizemos nosso café da manhã e saímos para dar uma volta até a praia, que ficava a pouca distância da colónia.
A colónia ficava na Avenida dos Sindicatos.
No tráfego até a praia, Itemar e Sónia iam me descrevendo tudo de novo para que viam.
Eu, muito curiosa, fazia muitas perguntas.
Eles, com muita paciência e doçura, respondiam todas.
A alegria que senti quando chegamos na praia foi muito grande.
Acredito que foi o tamanho do mar.
Era muito cedo e a água estava um pouco fria.
As pessoas estavam sem coragem de entrar no mar.
Fomos caminhando descalços pela praia.
Criamos coragem e entramos na água de mansinho.
Primeiro, nós deixamos que as águas molhassem nossos pés e nossas pernas.
Nem nos demos conta de que estávamos brincando em águas tão frias.
Eu e Sónia não sabíamos nadar; por isso, não nos aventuramos muito.
Já Itemar sabia e ia longe.
Ultrapassava as ondas e ficava brincando nas com elas.
Eu ficava feliz quando ele voltava, pois tinha a certeza de que tudo estava bem.
Ficamos na praia até às 11h 30min e voltamos para a colónia.
Tomamos um banho de piscina e brincamos um pouco na água.
Já era hora do almoço.
Naquele dia, resolvemos almoçar na colónia.
Depois do almoço, fomos dar umas voltas pelos arredores para conhecermos tudo.
Descobrimos um restaurante agradável e aconchegante.
Chamava-se Cabana e decidimos fazer as refeições dos outros dias ali.
Tudo era festa para mim. Eu não me cansava.
Itemar e Sónia ficavam abismados com aquela energia toda.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 30, 2016 9:58 am

CAPÍTULO 97 - OUTROS PASSEIOS

Nós fizemos amizade com muitos que ali passavam.
O senhor José guardava os nossos pertences quando entrávamos na água.
Ele era um senhor muito bom.
Estava sempre sorrindo e nos contava muitas histórias de lá.
Eu ficava encantada com tudo que ouvia.
Adorei saber todos os detalhes da ressaca do mar.
Quando ele começava contar histórias sobre o mar, eu não tinha vontade de ir embora.
Ficava horas pensativa e uma melancolia, uma saudade de algo que não sabia direito, tomava conta de mim.
Se pudesse me mudaria para perto da praia, mas não estava na hora.
Quase todas as noites, nós três íamos dar uma volta de trenzinho para conhecer os pontos turísticos da cidade.
Depois de ficarmos uns dias em Ocean, resolvemos passear por outras praias nas cidades próximas.
O lugar do qual eu mais gostei foi São Vicente.
O mar de São Vicente é mais clamo e pude aproveitar melhor.
Ficamos depois das ondas.
A água batia no meu ombro.
Itemar me segurava carinhosamente, pois tinha medo que acontecesse algo comigo.
Pulávamos quando a água balançava.
Procuramos ficar longe das ondas para não engolir água.
Saímos da água depois das 11 horas.
Estávamos totalmente cansados.
Fomos procurar um restaurante para almoçarmos e, por não conhecermos a cidade, andamos bastante.
Almoçamos e voltamos para a colónia.
Itemar tirava fotos de mim e de Sónia em todos os lugares que ele achava bonito.
Naquele dia, todos nós estávamos exaustos.
Itemar não se cuidou.
Não gostava de passar protector solar.
Estava tão queimado, que sentia dores por todo corpo.
Eu e Sónia fomos até a farmácia comprar remédios para ele.
Naquela noite ele quase não dormiu, mas estava disposto para nos acompanhar no dia seguinte.
Íamos a Itanhaém.
Tomamos um trenzinho e fomos para a Praia dos Sonhos, onde foi gravada, pela primeira vez, a novela Mulheres de Areia.
Não entramos na água.
Já estava tarde e o sol estava muito quente.
Andamos um pouco pela praia e depois fomos almoçar.
No restaurante conhecemos Marlene, que por coincidência, morou muito tempo em Rio Preto.
A família dela ainda morava em Rio Preto.
Marlene tinha se mudado para São Paulo, onde dava aulas.
Ela possuía um apartamento de praia em Itanhaém.
No restaurante, ela nos ofereceu salada, começamos a conversar e travamos uma grande amizade.
Parecia que nos conhecíamos há anos.
Depois do almoço fomos conhecer alguns pontos turísticos do lugar.
Marlene sempre nos contava uma linda história quando chegávamos a determinado ponto turístico.
Conhecemos a Ilha das Gaivotas, a casa do pescador Floriano, a pedra de onde o pai de Da Lua tinha caído e morrido, a cama de Anchieta e a estátua da mulher de areia.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 30, 2016 9:58 am

Fiquei um pouco triste porque os vândalos tinham quebrado o braço da estátua.
Em alguns momentos, nós andamos por lugares perigosos.
Eram muitos obstáculos para mim que não enxergava.
Itemar e Marlene se encarregaram de me ajudar com muito carinho.
Nos lugares mais perigosos, Itemar me carregava no colo.
Depois de muito andarmos e conhecermos tudo, fomos em um bar tomar água gelada e sorvete.
O tempo estava ameaçando chuva.
Marlene nos convidou para conhecer seu apartamento.
Por sorte, quando chegamos no apartamento que era à beira mar, desabou uma forte chuva.
Na escada do apartamento, Marlene, Sónia e Itemar olhavam as belezas que a natureza oferecia.
Eles me contavam tudo que viam e eu ficava encantada.
Sentia uma vontade imensa de ver tudo com os meus próprios olhos, mas ficava triste.
Acho que eles adivinharam os meus pensamentos, pois me envolveram com uma ternura tão grande que me senti amada e importante.
Quando passou a chuva, nós fomos embora.
Fiquei triste por deixar a doce e encantadora Marlene e deixar aquele lugar, que me trouxe tanta paz.
No sábado à noite, nós fomos passear em Ocean.
Foi super divertido!
Havia vários trenzinhos.
Rimos muito e contamos muitas piadas.
Pelo facto da colónia ficar na Avenida dos Sindicatos, havia pessoas de várias cidades do Brasil.
Através daquele passeio de trenzinho, nos tornamos conhecidos.
Depois de passear bastante, fomos tomar um lanche numa barraquinha que ficava em frente a nossa colónia.
Fomos dormir depois da meia noite.
Estávamos muito cansados.
No domingo, eu, Itemar e Sónia levantamos bem cedinho para aproveitarmos o nosso último dia de praia.
Já estávamos com as passagens de volta compradas para o domingo à noite.
Fomos cedo para a praia, brincamos e aproveitamos bastante.
Voltamos para a colónia e tomamos um banho de piscina pela última vez.
Depois do almoço, voltamos à praia e nos despedimos dos amigos que tínhamos feito.
Estava ameaçando chover novamente; por isso, não tinha sol e estava ventando bastante.
Nos despedimos de todos.
Chorei quando me despedi do mar.
Por mim não iria embora nunca mais.
À tarde, choveu bastante e viajamos com chuva.
Fizemos uma óptima viagem de volta.
Na segunda-feira, às seis da manhã já estávamos em Rio Preto.
Foi um sonho bom que infelizmente passou muito depressa.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 30, 2016 9:58 am

CAPÍTULO 98 - A EXCURSÃO

O final do ano de 1994 foi óptimo.
Tudo correu bem; porém, sem novidades.
Itemar nunca mudou a maneira de me tratar.
Sempre amável, sempre com muito amor e carinho.
Nunca me senti tão amada em toda minha vida.
Leitor, talvez você não acredite que o verdadeiro amor exista.
Posso lhe afirmar que sim.
Já senti isso na minha pele, no meu sangue, no meu coração.
É tão ou mais agradável do tudo que de bom e belo a vida nos oferece.
Depois de um ano e meio juntos, nós ainda estávamos vivendo uma doce Lua-de-Mel.
Itemar fazia o possível e o impossível para me ver feliz.
Ele era director social do Sindicato dos Empregados de Turismo e Hospitalidade de São José do Rio Preto.
O presidente do sindicato programou uma excursão para a cidade Ocean em abril de 1995.
Depois de ir a uma reunião do sindicato, ele me contou aquela novidade.
Eu dava pulos e gritos de alegria.
Não acreditava que ia voltar à praia tão depressa.
Porém, ele não estava com vontade de ir àquela excursão.
Eu o cobria de carinho e implorava que ele concordasse.
Ele não sabia dizer não para mim e acabou concordando.
Comecei a me preparar para aquela excursão, como se tivesse me preparando para um casamento.
Era como se nunca tivesse ido à praia.
Pagamos a excursão em três vezes.
Eu esperava o momento de viajar ansiosamente.
A única coisa que me entristeceu durante os preparativos para a viagem foi o casamento de Rosa.
Depois de quase três anos morando e trabalhando em minha casa, ela se casou.
Senti muito por ter que ficar longe daquela grande amiga.
Itemar, vendo a minha tristeza, se desdobrou.
Enquanto não arrumávamos outra empregada, ele me ajudaria no serviço de casa.
Nós trabalhávamos brincando.
Ele via em tudo um jeito de me fazer sentir uma princesa.
Às vezes, eu não acreditava que pudesse existir um homem que pudesse fazer tanto bem a uma mulher como Itemar.
Ele era administrador de um prédio e por lá sempre passavam pessoas à procura de emprego.
Não ficamos muito tempo sem empregada.
Logo apareceu Neuza procurando emprego no prédio e ele a contratou para trabalhar em nossa casa.
Gostei. Ela era muito humilde e simpática.
Em poucos dias, ela se adaptou com o serviço e até me ajudou nos últimos preparativos para a viagem.
Foi maravilhoso, ficamos três dias na praia.
Fizemos amizade com a família de toda a directoria do Sindicato.
Curti a praia como se ela fosse parte de mim.
É inexplicável esse amor que tenho pelo mar.
Se pudesse desvendaria todos os seus mistérios.
Itemar, sabendo dessa minha admiração, procurava descrever toda sua beleza.
Quanto mais ele falava, mais eu queria saber.
Naquele momento, fiquei triste por enxergar o mar só com os olhos da alma.
O meu maior desejo era vê-lo como a maioria o via.
Era poder correr na areia sozinha, poder entrar na água sozinha, ver as ondas e dominá-las.
Itemar percebeu a minha melancolia e começou a correr e brincar comigo.
Eu não disse nada a ele; porém, o nosso amor era tão grande, que ele sempre pressentia o que me atormentava.
O primeiro dia que passamos na praia não foi tão proveitoso porque estava chovendo e fazendo um pouco de frio.
Mesmo assim, não deixamos de ir visitar meu amigo mar.
Os outros dias foram inesquecíveis.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 31, 2016 10:35 am

CAPÍTULO 99 - UM GRANDE SONHO

Levávamos uma vida de causar inveja.
Nunca brigávamos, nunca ficávamos sem nos falar.
É lógico que algumas vezes tivemos opiniões diversas, mas nunca foi motivo de divergência para nós.
Itemar sempre me tratou com carinho e ternura, tanto na rua e nos nossos passeios, quanto em casa.
Quando saía do trabalho, ele ia correndo para casa.
Nunca me deixou sozinha e nunca saiu para passear com os amigos.
Ao me escolher, ele renunciou a tudo.
Eu tentava retribuir aquele amor com a mesma intensidade e fazia tudo para agradá-lo.
Queria vê-lo feliz sempre.
Nós assistíamos aos programas de televisão juntos e tudo que se passava em silêncio ele me contava.
Eu passei a ter aquele homem charmoso, que me envolveu até a raiz dos cabelos como ídolo.
Não sabia o que fazer para mostrar o tamanho do meu amor.
Ele era tudo para mim. A razão do meu viver.
Se pudesse dar o mundo a ele, acho que seria pouco.
Um dia, resolvi escrever uma carta para o Programa em Nome do Amor, realizado pelo animador Sílvio Santos.
Realmente é um programa Em Nome do Amor, pois tudo é feito por amor e com amor.
Escrevi contando a minha estória de amor com Itemar.
Escrevi a carta em Braille e Itemar a transcreveu.
Não acreditava totalmente no programa e achava que era tudo combinado.
Pensei que jamais fosse ser chamada para participar.
Mas no fundo, o meu maior sonho, era ir até lá e contar a nossa história para o Brasil inteiro.
Quando menos esperava, ligaram-me do SBT.
Achei que estava sonhando.
Na primeira vez, falei com Norberto.
Ele me pediu algumas fotos.
Enviei-as com a maior urgência.
Depois de 8 meses voltaram a me ligar.
Falei com Rosana. Reconstitui toda a minha história.
Itemar não acreditava que eu tivesse tido a coragem de enviá-la, por isso quando lhe contei que tinham me ligado do SBT, ele ficou pasmo.
Aconselhou-me para que não fôssemos, mas aquela viagem era mais importante para mim do que qualquer coisa.
Ele percebeu que não conseguiria me convencer do contrário e acabou concordando.
Pedi licença no meu trabalho por dois dias.
Dona Eulália conseguiu isso para mim.
Nos preparamos para a viagem.
Era como se estivesse indo para um palácio encantado.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 31, 2016 10:35 am

CAPÍTULO 100 - ARTISTA UMA VEZ NA VIDA

Quando chegou o dia da viagem, fiquei muito feliz.
Durante os preparativos, Rosana manteve um contacto por telefone comigo quase que diário.
Ela cuidou para que tudo desse certo.
Viajamos de avião pela empresa TAM.
A emoção foi enorme.
Nunca imaginei que pudesse viajar de avião.
No avião fomos tratados como um casal de príncipes.
A aeromoça era meiga e educada.
Quando voava, me sentia muito emocionada.
O meu coração batia em ritmo acelerado e parecia que ia parar.
Itemar estava do meu lado, cuidando de mim, com aquele jeitinho todo especial de ser.
Quando o avião decolou, senti um friozinho na barriga e quando pousou também.
Pela primeira vez, eu estava em São Paulo.
Quando chegamos, fomos recebidos por um motorista do SBT.
Não gastamos um centavo, tudo foi por conta do programa.
No aeroporto de Congonhas, ficamos um pouco esperando por Valéria, uma moça do Rio de Janeiro, que também ia participar do programa e que ia ficar no mesmo hotel que nós.
Quando nos encontramos, nos dirigimos para o hotel Eldorado.
Rosana ligou para mim até no aeroporto para saber se tudo estava bem.
Chegamos no hotel e fomos tomar um banho para jantar.
Por ser de classe média, nunca tinha visto tanto luxo e mordomia.
O quarto do hotel era lindo. Itemar, sempre incansável, ia me descrevendo tudo.
Fiquei encantada com tudo.
Jantamos no hotel e ficamos conversando um pouco com Valéria.
Depois, fomos dormir para estarmos em forma no outro dia.
Não dormimos direito, estávamos ansiosos por tudo que ia acontecer.
Itemar, que não estava por dentro de tudo, quase que não dormiu.
Levantamos bem cedo e fomos tomar o café da manhã.
Foi um verdadeiro banquete.
Mal terminamos de tomar o café e o motorista do SBT já estava nos esperando.
Fomos em várias pessoas no carro.
Todos iam participar do programa.
Durante o trajecto, fizemos amizade com todos.
Conversamos e rimos bastante, embora todos estivessem nervosos.
No SBT, nós todos fomos recebidos com muito carinho e atenção.
Lá, as mulheres foram para uma ala e os homens para outra.
A Produção deixou todos os participantes do programa impecáveis.
Esperamos um bom tempo para que as gravações iniciassem.
Serviram-nos lanches e refrigerantes à vontade.
Não consegui comer nem beber nada, pois estava muito nervosa.
Antes que o programa fosse gravado, Sílvio Santos conversou com todas as pessoas que escreveram para o programa.
Quando Sílvio nos chamou, meu coração batia tão forte, que parecia que ia sair pela boca.
Quando subimos ao palco, fomos aplaudidos por aquele auditório alegre.
Eu estava com um vestido palha, longo, rodado e todo trabalhado com aplicações de gripir.
O modelo do vestido era frente única e mostrava o colo.
Comprei-o desde a primeira vez que Norberto tinha me ligado.
Todos acharam lindo e disseram que eu tinha bom gosto.
Estava muito bem maquiada e com o cabelo preso.
Itemar estava todo de branco e formávamos um lindo casal.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 31, 2016 10:35 am

Pela primeira vez, senti-me uma artista, uma estrela.
Sílvio Santos me fazia as perguntas e eu as respondia.
Depois de várias perguntas, foi exibido o nosso filme.
Esse lindo filme foi montado pela produção, que usaram as cartas e as fotos que enviei.
Enquanto passava o filme, Itemar me abraçava e beijava.
Diante de tanto carinho consegui me acalmar um pouco.
Quando terminou o filme, Sílvio ainda fez várias perguntas, tanto para mim quanto para Itemar.
Quando o casal ia ao programa contar a sua história de amor, ou quando ia se reconciliar, era de praxe, que o programa proporcionasse uma semana em algum lugar turístico do Brasil.
Sílvio nos ofereceu uma semana em algum lugar de nossa preferência.
Itemar, humildemente não queria aceitar.
Eu, mais que depressa disse que aceitaria, mas que teria que ser em novembro quando estaríamos em Férias.
Quando saímos do palco, fomos aplaudidos calorosamente pelo auditório.
Fomos nos vestir e aguardamos a viagem de volta.
Enquanto esperávamos que as gravações terminassem, eu disse a Rosana que gostaria de conhecer Lombardi.
Ela disse que ele não estava, mas se aparecesse lá, com certeza, eu o conheceria pessoalmente.
Tive sorte.
Não demorou muito tempo, ele apareceu.
Para mim, foi um sonho inacreditável.
Lombardi conversava comigo, como se já nos conhecêssemos há muito tempo.
Ele fez questão de tirar uma foto comigo e com Itamar.
Fiquei triste quando chegou a hora de ir embora.
Por mim, ficaria morando lá.
Sempre fui muito bem tratada por todos, mas lá era diferente.
Lá eu me sentia como uma artista, ninguém me conhecia e todos me rodeavam com muito carinho, atenção e curiosidade.
Como na vida nem tudo é festa, tive que encarar a realidade e voltar para casa.
O motorista do SBT nos levou até o aeroporto.
A volta não foi diferente.
Fomos tratados com a mesma amabilidade por todos.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 31, 2016 10:36 am

CAPÍTULO 101 - OS ELOGIOS E AS CRÍTICAS

Quando chegamos em casa, nós não acreditávamos que tanta coisa boa tivesse acontecido connosco.
Foi tudo maravilhoso.
É lógico que estávamos preocupados com as consequências.
Tudo na vida tem dois lados: o bom e o ruim.
Não sei se é felizmente ou infelizmente, mas tudo tem os prós e os contras.
Por um lado é felizmente porque sem as divergências a vida seria uma rotina e não teria graça.
Por outro lado é infelizmente porque a sociedade sempre nos cobra alguma coisa.
Há quem critique algo que fizemos, morre de vontade de fazer nem em sonho faria.
No outro dia, quando voltei ao trabalho, todos estavam curiosos.
Queriam saber o que realmente tinha acontecido.
Se tudo era verdadeiro e se tudo tinha sido pago pelo programa.
Foi difícil trabalhar naquele dia.
Tive que responder mil perguntas.
Não cansava de falar tudo o que havia acontecido comigo.
Lembrava-me de tudo com muitas saudades como se tivesse acontecido há anos.
O programa foi gravado no dia 19 de junho de 1996 e foi ao ar dia 14 de julho.
Enquanto não tinha ido ao ar, as pessoas não sabiam o desenrolar da história e ficaram curiosas para assistir.
Quando foi ao ar, o telefone de minha casa não parava de tocar.
Para assistir ao programa, tive que tirar o telefone do gancho.
No outro dia, o interrogatório e a curiosidade das pessoas foram maiores.
A maioria elogiou, disse que foi tudo muito lindo e emocionante.
Alguns criticaram.
Disseram que eu não devia ter feito aquilo.
Outros disseram que eu tive muita coragem, mas a palavra coragem foi pronunciada com tanta ironia, que me machucou.
Houve até quem fizesse piadas de mau gosto.
As pessoas que não me conheciam fizeram elogios e se emocionaram.
Na rua, muitos nos paravam para saber com detalhes tudo sobre o programa.
Algumas pessoas ligaram no meu trabalho, perguntando se era eu mesma que tinha ido ao programa.
Com paciência, eu respondia às perguntas na medida do possível.
Por causa de minha participação no programa, fiz amizade com alguns deficientes de outras cidades.
Na época, fiquei um pouco triste com as críticas e as brincadeiras de mau gosto.
Hoje dei a volta por cima e se fosse fazer tudo de novo, eu faria em alto estilo, sem me arrepender.
Algumas pessoas não entenderam porque contei a minha história de amor com Itemar sem omitir factos.
Infelizmente, às vezes, a verdade, que nos deixa felizes, entristece e magoa outras pessoas.
Infelizmente, não pudemos prever e muito menos adivinhar o futuro.
Se isso fosse possível, a maioria das pessoas, certamente, não sofreria.
Mas não existe o belo sem o feio, a esperança sem a descrença, o optimismo sem o pessimismo.
Um caminha ao lado do outro de mãos dadas e fazem a nossa vida ter mais sentido.
As pessoas que me entenderam, acreditaram em mim e, com certeza, acreditaram no amor.
A convivência entre eu e Itemar, de certa forma, deixava claro que nosso amor era verdadeiro.
Para entender esse amor é necessário que as pessoas admirem quem vive a vida sem medo.
A maioria acha que o amor é lindo e que vale a pena ser vivido, mesmo que, para isso, nos machuquemos um pouco.
Eu me enquadro nessa maioria.
Porém, há quem pense que o amor é passageiro e que faz mal.
Há quem prefira ficar em cima do muro, vendo tudo passar sem emoção e sem a alegria de nunca ter vivido um grande amor, de nunca ter lutado para conseguir o que deseja, só para não errar.
Pergunto-me:
Será que a nossa renúncia da vida não é um erro?
Sempre gostei de lutar, vencer, amar, viver e até mesmo, algumas vezes, errar.
Errar? Sim, sou humana e a nossa vida é cheia de baixos e altos, erros e acertos.
É caindo e levantando que conseguimos tudo o que queremos.
É devagar que a alcançamos os nossos maiores sonhos.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 31, 2016 10:36 am

CAPÍTULO 102 - A MÁ NOTÍCIA DURANTE OS ÚLTIMOS PREPARATIVOS

De julho a novembro de 1996, tudo correu sem que nada de especial acontecesse.
Eu estava ansiosa que chegasse novembro para que fizéssemos aquela viagem tão sonhada por mim.
Durante esse tempo, cuidei com muito carinho dos preparativos, sem esquecer nenhum detalhe.
Fui às lojas com a Cidinha, comprei biquínis, roupas para mim e para Itemar.
Comprei uma máquina fotográfica para registrar os momentos bons e todos os lugares bonitos que íamos passar juntos.
A minha ansiedade era tão grande, que os dias pareciam ter mil horas.
Quando chegou o mês de novembro, fiquei muito feliz.
Estava cuidando dos últimos preparativos para a viagem, pois íamos viajar dia 10 de novembro.
Dia 5 Isa me ligou muito triste, João Vasques estava hospitalizado.
Nos últimos anos, ele não andava bem de saúde.
Estava com problemas cardíacos e já tinha até colocado Marca-Passo.
Ele, que era um homem tão trabalhador, não gostava de ficar parado em hipótese alguma.
Nunca o vi reclamar de cansaço, estava sempre disposto.
Desde o ano de 1988, ele ficou doente e nunca mais voltou a ser o que era.
Cada vez que ele ficava hospitalizado, era um sofrimento enorme para Isa.
Todos ficávamos apreensivos, pois não queríamos perder aquele anjo bom, que sempre nos protegia.
Quando Isa ligou, fomos imediatamente ao hospital visitá-lo.
Passamos praticamente um dia com ele.
Todas as vezes que ele ficava hospitalizado, Isa ficava no apartamento como acompanhante.
Quando chegamos no hospital, ele ficou muito feliz.
Conversamos e rimos bastante, até almoçamos juntos.
Eles dividiram a comida connosco.
Ao nos despedir, ele ficou triste, não queria que fôssemos embora.
Prometemos voltar outras vezes e assim o fizemos.
Tudo estava pronto para a viagem.
No sábado Toninho e Susana foram passar o dia connosco.
De manhã, compramos algumas marmitas prontas e fomos para o hospital passar umas horas com Isa e João.
Ficamos felizes.
Quando chegamos recebemos a boa notícia que João Vasques estava de alta.
Só iam almoçar e esperar que Orlando os fossem buscar.
Almoçamos todos juntos e nos divertimos bastante.
Logo após o almoço, Orlando estava lá para levá-los para Bálsamo.
Nos despedimos na porta do hospital.
Ele nos fez mil recomendações a respeito da viagem.
Estava preocupado connosco.
Naquela época, muito se falava em acidentes de avião.
Voltamos para casa mais tranquilos, poderíamos viajar despreocupados, pois nosso querido e bom amigo estava melhor.
À tarde, Toninho e Suzana se despediram de nós, nos desejando boa sorte e óptima viagem.
Fiquei triste, pois aquela despedida deixou-me com o coração apertado.
Naquela noite não dormi direito.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 31, 2016 10:36 am

CAPÍTULO 103 - FORTALEZA UM SONHO QUE SE TRANSFORMOU EM REALIDADE

Estava morrendo de vontade de viajar, mas estava preocupadíssima por deixar minha casa e meus entes queridos por alguns dias.
Às 14 horas do dia 10 tomamos um táxi e fomos para o aeroporto.
Algo estava errado, mas não sabíamos ao certo o quê.
Tanto eu quanto Itemar sentimos uma tristeza e uma insegurança muito grande.
Até São Paulo fomos pela empresa Rio-Sul.
Nos distraímos depois que entramos no avião.
Itemar ia descrevendo tudo o que via.
Fizemos escala em Ribeirão Preto, mas foi por poucos minutos, só o tempo de embarcação dos outros passageiros.
Em São Paulo fizemos conexão.
De lá para Fortaleza, fomos pela Varig.
Foi uma viagem longa, pois fizemos escala em Brasília.
Já dessa vez, foi um pouco mais demorado.
O avião era enorme.
Itemar ficou feliz e me disse que sempre sonhou em viajar pela Varig.
A viagem foi tão longa, que comecei a ficar desesperada.
Pensava que a distância me separava de minha família e de meus amigos.
Chegamos em Fortaleza às 1h 30 minutos da madrugada.
Gostei quando desci do avião e senti aquela brisa agradável.
Tinha um guia turístico nos esperando e nos levou até o hotel Ceará.
Esse moço que estava nos esperando era da Vision Turismo.
A produção do SBT comprou o pacote de nossa viagem por essa empresa.
Durante o trajecto até o hotel, Nunes foi nos explicando tudo sobre os passeios que estavam incluídos no pacote e os que não estavam.
Quem quisesse poderia comprar o pacote dos outros passeios.
Ele também nos explicou, que poderíamos deixar as passagens com a empresa para confirmação, caso quiséssemos.
Não estávamos sós eu e Itemar, Nunes tinha ido buscar várias pessoas.
No hotel, tudo era lindo luxuoso e muito confortável.
Pegamos um apartamento de frente para o mar.
Itemar não se cansava de olhar tanta beleza e me descrever tudo.
Em Fortaleza a temperatura é altíssima e estava um calor abrasador.
Tomamos banho e tentamos descansar um pouco, pois estávamos muito exaustos.
Embora tivesse ar condicionado no apartamento, dormimos mal por causa do calor.
Itemar tirou várias fotos, desde o avião até os lugares mais lindos do hotel.
No outro dia, levantamos bem cedo, tomamos o café da manhã e nos preparamos para o passeio para a praia de Cumbuco.
Conforme o prometido, o ônibus nos apanhou no hotel.
Depois de pegar os turistas em vários hotéis, um rapaz, cujo apelido era Mandioquinha ia nos contando as histórias e lendas de lá.
Ia dizendo tudo que a cidade de Fortaleza podia nos oferecer.
Ia nos mostrando os lindos lugares e contando tudo sobre aquela bela cidade.
De todas as histórias que ele contou, a que mais me encantou foi sobre Iracema, a virgem dos lábios de mel.
Eu já tinha lido o romance Iracema, mas nunca imaginei que um dia estivesse no local onde se desenrolou aquele lindo romance.
Por estar muito quente, não pudemos aproveitar a praia de Cumbuco.
Chegamos muito tarde e não tivemos coragem de enfrentar aquele sol terrível.
Não aproveitamos, também, outros passeios que a praia de Cumbuco oferecia.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 31, 2016 10:36 am

Alguns passeios eram perigosos para mim.
Almoçamos lá e tentamos nos divertir um pouco.
O primeiro passeio foi muito cansativo.
Decidimos não fazer os outros e optamos por ficar lá mesmo.
Na terça, depois do café da manhã, fomos fazer um passeio à beira mar.
Itemar ia tirando fotos de todos os lugares bonitos que via.
Depois de uma longa caminhada, paramos para descansar um pouco.
Descobrimos que poderíamos fazer um belo passeio de escuna.
Aquela ideia me deixou feliz.
Deixamos o passeio para quarta-feira, pois não estávamos preparados.
Naquele dia, voltamos bem tarde para o hotel.
Depois de um belo banho, fomos almoçar no hotel praiano.
O hotel Ceará e o Praiano eram da mesma rede.
Como o hotel Ceará não oferecia refeições, íamos para o Praiano.
Toda aquela mordomia por conta do programa Em Nome do Amor.
O hotel Praiano também era lindíssimo, os garçons eram de uma educação fora do comum, não sabiam o que fazer para deixar os turistas à vontade.
Por termos participado recentemente do programa Em Nome do Amor, praticamente quase todos nos conheciam.
As pessoas nos perguntavam tudo sobre o programa e algumas não acreditavam que toda nossa história seria verdadeira.
Obtiveram nossa confirmação e ficaram abismadas.
No restaurante do hotel, a comida era uma delícia.
Aproveitamos para comer muito peixe.
Decidimos seguir o cardápio, durante as refeições de todos os dias.
A comida de que mais gostamos foi Peixe à Fiorentina.
Repetimos essa delícia de comida duas vezes.
Na terça-feira, depois do almoço, fomos passear no calçadão.
Fizemos amizade com muitos outros turistas.
Na quarta-feira, fomos fazer o passeio de escuna.
Aquele passeio me deixou tranquila e feliz.
O guia turístico ia contando as histórias de lá.
Aquelas histórias mexiam demais com minha cabeça.
Estar em alto mar era um sonho que tive desde criança.
Foi um passeio maravilhoso e inesquecível para mim.
Fiquei triste quando o passeio terminou.
Por mim, ficaria no mar o dia todo.
Aquela paz infinita me tirou qualquer tipo de preocupação.
Durante o passeio da escuna, conhecemos Alda e Luís Carlos.
Eles moravam em São Paulo e tinham ido passar uns dias em Fortaleza.
Era um casal simpático e maravilhoso.
Conversamos bastante.
Parecia que fazia muitos anos que nos conhecíamos.
Trocamos endereços e números de telefone.
Pena que eles iam embora na sexta-feira.
Estávamos em hotéis diferentes, mas marcamos outros encontros.
Todas as noites, nós íamos à feira de artesanato.
Tudo era lindo. Fizemos amizade com quase todos os feirantes.
Na quinta-feira fomos à praia, perto do hotel mesmo.
Havia muitas pessoas lá e nos divertimos bastante.
Aquele dia o mar estava muito calmo.
Só não aproveitamos mais por causa do sol, que estava muito quente.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 31, 2016 10:36 am

Sexta-feira de manhã, nós fomos nos despedir de Alda e Luís Carlos.
Fomos à piscina do hotel. Ela era linda.
Senti-me bem solta e até brinquei na cascata.
Por não saber nadar, sempre ficava um pouco apreensiva, embora adorasse a água.
O clima de lá era totalmente diferente do daqui, muito quente e seco.
Tive um choque térmico ao entrar na piscina.
Minutos antes, estávamos andando na rua e o calor era grande.
Logo após, entramos em água fria.
Depois que saímos da piscina, comecei a me sentir mal.
Em poucas horas eu estava totalmente resfriada e indisposta.
Nem um lugar estava bom para mim.
Eu estava sufocada com falta de ar.
Itemar levou-me até a farmácia e comprou os remédios que eu estava acostumada tomar.
No sábado fomos à praia e não entrei na água.
Não me sentia bem. Além disso, o mar estava muito bravo e ventava forte.
Itemar aproveitou um pouco.
Depois do almoço fomos para o calçadão.
Ficamos conversando com as pessoas que passavam e paravam.
No meio de tantos turistas, conhecemos Jardelina, mais conhecida por Jarda.
Aquela doce e carinhosa menina me encantou profundamente.
Ela nos viu no programa Em Nome do Amor e foi confirmar se era verdade.
Embora não conhecesse, senti a sinceridade de suas doces palavras.
Passamos a tarde conversando.
Aquele sábado eu estava triste e com muita saudade de Toninho.
Parecia que eu não ia encontrá-lo nunca mais.
Jarda me ouviu com carinho e atenção.
De vez em quando uma lágrima escapava dos meus olhos, com meiguice, ela enxugava antes que Itemar percebesse.
Eu estava doente, com muita saudade de casa e de todos.
Aquele clima quente e seco estava me deixando cada vez mais sufocada.
Jarda entendeu tudo que estava se passando comigo e tentou me distrair com carinho e atenção.
Conhecer Jarda foi a melhor coisa que me aconteceu naquele passeio.
A afinidade e cumplicidade que nos envolveu foi muito grande.
Parecia que ela fazia parte de minha vida há muito tempo.
Hoje me lembro e sinto uma saudade enorme de Jarda.
À noite, fomos à feira nos despedir das pessoas com quem fizemos amizades.
Embora não estivesse bem, fiz o possível para ser agradável com todos.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 31, 2016 10:37 am

CAPÍTULO 104 - SÃO PAULO, UM TERRÍVEL ENGANO

No domingo levantamos bem cedo e nos preparamos para a volta.
O guia de turismo foi nos buscar no hotel.
Quando estava indo para o aeroporto, senti saudade de Jarda e do mar, mas fiquei feliz por estar voltando.
Já estávamos no avião e tivemos que desembarcar, pois o avião estava com problema e não conseguiu decolar.
Aquele desembarque me deixou aborrecida.
Se tivesse que ficar mais um dia em Fortaleza, o meu pulmão não iria aguentar e, com certeza, teria que ir para o hospital.
Depois de cinco horas de espera, o avião ficou pronto e conseguimos voltar.
Quando nos preparamos para a viagem em Fortaleza, decidimos ficar uma semana em São Paulo na volta.
Eu não conhecia São Paulo.
Estive lá somente quando fomos participar do programa, mas foi tudo muito rápido.
Naquela ocasião, adorei a cidade.
Grande parte da família de Itemar morava lá.
Prometi a eles que iríamos e assim o fizemos.
Quando desembarcamos em São Paulo, estava chovendo.
Aquele clima fresco e húmido fez com que me sentisse bem melhor.
Dunga, Célia, Cristiane, Neno e Leusli estavam nos esperando no aeroporto de Cumbica.
Dunga é o filho de Itemar, casado com Célia.
Eles têm uma filha chamada Cristiane.
Leusli é a sobrinha de Itemar casada com Neno.
Todos nos receberam bem.
Faziam o que podiam para nos agradar.
Como grande parte da família de Itemar mora em São Paulo, foi difícil dizer que ficaríamos na casa de Dunga.
Todos queriam estar connosco e isso era humanamente impossível.
Ficar na casa do filho de Itemar nos parecia mais lógico.
Prometemos passear na casa de todos e dormir pelo menos um dia na casa de Leusli.
Dunga nos recebeu com uma festa.
Tinha churrasco e vários tipos de comida.
Aquela semana que íamos passar em São Paulo seria muito cansativa, pois tínhamos várias famílias para visitar.
No domingo fomos dormir tarde, mas conseguimos descansar.
Na segunda-feira de manhã, ficamos na casa de Dunga.
Cristiane se encantou comigo e eu com ela.
Depois do almoço, quando Cristiane foi para a escola, fomos visitar o irmão de Itemar e mais algumas famílias.
Na segunda feira, dormimos na casa de Leusli e na terça, bem cedinho, continuamos a nossa maratona de visitas.
Havia pessoas que o Itemar não via há mais de 30 anos.
Em todas as casas que fomos todos nos receberam bem.
Embora tivesse sido tratada como uma princesa por todos, eu estava triste, angustiada e muito cansada.
Procurava não demonstrar muito aquela tristeza para não atrapalhar a felicidade de Itemar.
Decepcionei-me com a cidade de São Paulo.
Ela era bem diferente do que imaginava.
Os lugares distantes.
Às vezes, passávamos horas andando de carro para chegar no local desejado.
Aqueles longos passeios de carro, aquela poluição terrível, deixaram-me mal.
Cheguei à conclusão de que São Paulo não era o céu que eu sonhava.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 31, 2016 10:37 am

CAPÍTULO 105 - UM PRESSENTIMENTO HORRÍVEL

Na terça-feira, chegamos na casa de Leusli à tardinha.
Eu estava triste e com muita vontade de chorar.
Estava morrendo de saudade de Toninho, de Isa e de minha casa.
Dunga percebeu a minha tristeza e disse que uma semana passaria depressa.
Fiquei sozinha na sala assistindo TV.
Meu coração estava apertado, parecia que ia explodir.
Eu tinha vontade de voltar para casa a pé.
Depois do jantar fui jogar dominó com as crianças, mas não consegui desviar meus pensamentos de minha casa e de minha família.
Parecia que não ia encontrá-los nunca mais.
Depois de um bate-papo, fomos dormir.
Estava totalmente exausta, mas não conseguia pregar os olhos.
Estava muito inquieta, virava e revirava na cama e o sono não chegava.
Itemar viu a minha inquietação e me interrogou.
Insistiu para que eu falasse.
Diante da preocupação dele, não resisti e me desabafei.
Chorei desesperadamente e até propus que ele me deixasse vir embora só, assim, ele poderia ficar lá e visitar o resto da família.
Evidentemente, ele não concordou.
Eu estava tão desesperada!
Não consegui esconder a minha tristeza de ninguém.
Estava chovendo muito forte.
Itemar se levantou e começou a andar pela casa, conversava e, carinhosamente, tentava me distrair.
Nem ninguém, nem nada conseguiram me tirar daquele estado deplorável.
Mesmo acordada, eu via a morte rondando alguém de minha família.
Via o meu irmão atropelado.
Estava com um pressentimento terrível.
Como ainda era de madrugada, depois de conversar um pouco com Itemar e me desabafar, consegui dormir um pouco.
Só tive pesadelos e sonhos ruins.
Quando amanheceu, eu estava desnorteada.
Eu queria, eu precisava falar com alguém da minha família.
Precisava saber o que estava acontecendo.
Aquela angústia estava me matando aos poucos.
Não conseguia disfarçar as minhas lágrimas de mais ninguém.
Itemar contou a Leusli o que estava acontecendo comigo.
Ela disse que eu poderia ligar para ficar mais tranquila.
Aquele sinal verde me aliviou um pouco.
Liguei em minha casa e falei com minha empregada.
Ela disse que Toninho não tinha ligado e que não sabia notícia dele.
Desliguei o telefone e comecei a chorar mais ainda.
Itemar teve a ideia de ligar para Ruth, a vizinha de Toninho, pois naquela época ele não tinha telefone.
Eu estava tão descontrolada que não consegui fazer a ligação.
Quando consegui falar com a Ruth, senti uma vontade enorme de abraçá-la apertado e, através daquele abraço, voltar para perto dos meus entes queridos.
Perguntei sobre Toninho e ela disse que ele estava bem, mas que ela precisava me dar uma notícia desagradável.
Meu cunhado João Vasques tinha morrido na terça-feira à noite.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 01, 2016 9:18 am

Aquela notícia caiu sobre mim como um raio.
Nem esperei ela terminar de falar, passei o telefone para Itemar.
Quando o Itemar desligou o telefone eu chorava e gritava descontroladamente.
Eu pedia, implorava para Itemar me levar de volta para minha cidade.
Itemar ficou pasmo com a notícia.
Foi tomar as providências para que voltássemos naquele dia mesmo.
Ligou no aeroporto e conseguiu antecipar as passagens.
Arrumamos as nossas malas apressadamente.
Dunga e Neno foram nos levar ao aeroporto.
Por causa do tempo chuvoso, o voo atrasou bastante.
Eu nem acreditava que estava voltando para casa.
Apesar do avião estar voando, achei que demorou muito a chegar.
Eu tinha ligado de São Paulo e pedi para que alguém nos esperasse no aeroporto de São José do Rio Preto.
O meu cunhado morava em Bálsamo e o velório estava sendo realizado na Câmara Municipal daquela cidade, visto que ele era vereador.
Quando chegamos, não tinha ninguém nos esperando, pois já estava quase na hora do enterro.
Informaram no aeroporto que tinham ido dois rapazes nos esperar e, como demoramos para chegar, foram embora.
Alugamos um táxi e o motorista correu bastante.
Felizmente, chegamos em tempo: cinco minutos antes do enterro.
A Câmara estava lotada.
Eu senti muito aquela morte.
Era como se tivesse perdido meu pai.
Itemar também não se conformava.
Tinha meu cunhado como um irmão ou até mesmo como um pai.
Fiquei triste por ele não estar vivo, por não poder contar a ele sobre a viagem e principalmente, por não poder desfrutar mais aquela presença maravilhosa.
Isa até hoje não se conforma com essa perda, ficou abatida e emagreceu bastante.
Até hoje, todos os dias, ela vai ao cemitério cuidar do túmulo do marido.
Todos sentimos saudades daquele homem bom, que era o nosso anjo da guarda.
Infelizmente, ele não estará presente no dia da publicação desse livro.
O meu anjo da guarda, que me acompanhou em todos os momentos de minha vida, tanto bons, quanto ruins.
Quantas vezes rimos e choramos juntos!
As minhas alegrias e vitórias eram prémios para ele.
As minhas tristezas e inquietações eram para ele motivos de inquietação e preocupação.
Ele sentia tudo como se fosse meu pai.
Não é fácil perder um ente tão querido assim.
Ele se foi, mas a sua doce e bondosa imagem vai estar sempre presente.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 01, 2016 9:18 am

CAPÍTULO 106 - A BONDADE

Seria um erro de minha parte encerrar esse livro sem me lembrar da bondade de algumas pessoas que me cercam.
São tantas, mas existem algumas que são especiais e que dão uma dose maior de prazer e gratidão a minha vida.
São algumas pessoas que trabalham comigo e que me ajudam muito.
Vou começar por Cidinha. Esta mora em Mirassol.
É uma cidade próxima a Rio Preto.
Cidinha é maravilhosa, faz tudo o que pode para me ver feliz.
Sempre que preciso ir à cidade fazer algumas compras, ela está sempre pronta para me acompanhar.
Com muito carinho e paciência, ela vai comigo nas lojas, mostra-me tudo que quero comprar, com boa vontade e alegria.
Somos confidentes e dividimos os nossos problemas, tentando sempre nos ajudar mutuamente na medida do possível.
Ela nunca hesitou em me ajudar, dividindo assim um pouco mais de atenção que poderia dedicar a seus filhos.
Esse amor fraterno que nos envolve me deixa muito feliz.
Sua voz é doce e suave, sua presença transmite muita paz e ternura.
A doce e triste Zenaide é encantadora.
Preocupa-se muito comigo e eu com ela.
Sempre quando tem alguma reforma ou obstáculos pelos lugares onde passo, ela está atenta e me avisa imediatamente.
Sempre que é possível, Zenaide está comigo me auxiliando nas mínimas coisas.
No trabalho, ela gosta de sentar perto de mim.
Conta-me tudo o que vê, nos mínimos detalhes.
É uma pessoa magnífica e em seu coração não tem se quer uma gota de maldade.
Ela procura só ver o lado bom das pessoas e por isso sofre muito.
Não teve sorte no amor.
Sua voz é doce e suave.
Ela tem na voz um tom de tristeza e melancolia que, às vezes, toca fundo em meu coração.
É ciumenta, carente e insegura nas suas decisões e diante dos perigos que a vida oferece.
Somos amigas inseparáveis e dividimos todos os nossos segredos, as nossas dúvidas, as nossas tristezas e as nossas alegrias.
Jandira, uma verdadeira cristã, é uma amiga maravilhosa.
Todos gostariam de tê-la como amiga.
É prestativa.
Está sempre pronta a ajudar os amigos, tanto nas horas boas quanto nas horas difíceis.
Sempre que preciso, ela me acompanha nas compras e quando vou ao médico.
A palavra não, não faz parte do seu dicionário em se tratando de fazer o bem.
Jandira sabe o que quer e não tem medo de tomar decisões.
É muito segura e dona de seus actos.
Sua voz é forte e transmite muita segurança.
Às vezes, ela divide a atenção de suas filhas comigo para me auxiliar e me fazer o bem.
Sabe aconselhar e resolver os problemas como ninguém.
É muito doce e carinhosa com as amigas.
Sua presença transmite uma paz infinita e uma certeza que nada de mal vai acontecer.
Cida Costa é uma amiga maravilhosa.
É muito enérgica e sincera, em tudo que faz e diz.
Não mede esforços para ajudar os amigos.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 01, 2016 9:19 am

Às vezes, sua energia e sinceridade ferem, mas tão logo seu carinho apaga qualquer tipo de mágoa.
Apesar de ser muito segura, nem sempre ela vê maldade no coração das pessoas.
Para ela não tem hora para ouvir e aconselhar os amigos.
Sua voz é grave, mas muito agradável. Sua presença é marcante e me faz um bem enorme.
Por ser enérgica, às vezes, nem todos podem ter o prazer de conhecer o seu lado belo.
Eu sou privilegiada, conheço e me orgulho por ter uma amiga assim.
Cleonice é muito vaidosa e sentimental.
Chora por qualquer motivo, mas com uma dose de carinho ela volta a sorrir.
É uma amiga preciosa.
Está pronta a ajudar e se preocupa com a felicidade dos amigos.
É muito ciumenta e quase sempre se torna carente e frágil.
É insegura e procura resolver os problemas com uma certa cautela.
Sua voz é muito dengosa e transmite um carinho especial.
Sua presença é gostosa e sua amizade é uma relíquia.
Eulália, minha ex-chefe, é uma pessoa muito justa.
Apesar de ser muito enérgica, é de uma humanidade e sensibilidade fora do comum.
Sua voz é suave e transmite muito carinho.
É difícil dizer não a um pedido dela porque ela coloca uma dose de ternura em sua voz.
Para ela dizer não a um pedido nosso é algo impossível, quase não está a seu alcance.
Sua presença é calma e transmite uma tranquilidade enorme.
Helena Aquiles é uma amiga bondosa.
Sempre que pode está disposta a ajudar a todos.
Tudo que ela faz é por amor e de coração.
Sua voz transmite muita serenidade e sua presença transmite um bem-estar enorme.
Marta, que agora está em outro sector, é uma amiga que deixou saudades.
Infelizmente, não posso desfrutar de sua doce presença porque ela trabalha o dia todo e é muito ocupada.
Jamais vou esquecer o quanto ela me ajudou e o bem enorme que ela me fez.
Leonice, apesar de também estar em outro sector, é uma amiga magnífica e especial.
Ela não se esquece de mim e sempre arruma um tempinho para me ligar.
Preocupa-se demais comigo e está sempre pronta a me ajudar.
Mesmo trabalhando o dia todo, ela se propôs a fazer compras comigo aos sábados, caso eu necessite.
É muito alegre e está sempre sorrindo.
Sua voz é agradável e transmite muita ternura.
Sua presença é especial e inspira tranquilidade.
Referi-me a essas amigas, mas há tantas outras que merecem ser lembradas.
Neide, Orzélia, Nair e Tânia, são pessoas boas e que, de uma maneira ou de outra, estão sempre dispostas e prontas a me ajudar.
Eu dedico nesse capítulo todo meu afecto, todo meu carinho e toda minha amizade a todas elas.
Agradeço a todas por esse amor fraterno e por essa amizade gratificante.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 01, 2016 9:19 am

CAPÍTULO 107 - A MAIOR DESILUSÃO

Vivi doze anos de felicidade completa ao lado do meu amor.
Foram os melhores anos da minha vida.
Nunca brigamos. Às vezes, pensávamos de modo diferente.
Com um bom diálogo, tudo dava certo.
Sempre tudo acabava em pizza!
Acho que o que vivemos foi um conto de fadas, pois nunca vi um casal tão feliz quanto o nosso!
Ele me chamava de Negrinha.
Ele era o meu Pretinho.
Tudo para nós era motivo de satisfação e alegria.
Éramos inseparáveis.
Dizem que o amor verdadeiro só acontece uma vez na vida.
Tenho a absoluta certeza de que comigo foi assim!
Nós mergulhamos um no mundo do outro.
Ambos renunciamos a algo para estarmos sempre bem juntinhos.
Tudo corria maravilhosamente bem até que no dia 20 de março de 2002, o meu Pretinho teve um acidente vascular cerebral.
Ele ficou na U.T.I. do IELAR e, pela primeira vez, ficamos separados depois de tanto tempo bem juntinhos.
Ele teve uma óptima neurologista e foi socorrido a tempo.
Foi ao cardiologista e fez uma serie de exames.
Passou a tomar vários remédios controlados.
Em outubro de 2002 ele foi submetido a uma cirurgia na próstata.
Depois da cirurgia, ele ficou novamente na U.T.I.
Mais uma vez, tivemos que nos separar.
Fiquei tão feliz quando ele foi para o quarto!
Fiquei com ele no hospital até que foi dada alta.
Passei a ter um cuidado especial com ele.
No dia 7 de novembro ele passou mal com fortes crises de arritmia.
Novamente, fomos para o hospital e lá ficamos vários dias.
A saúde dele foi ficando cada vez mais frágil e os meus cuidados com ele foram aumentando.
No dia 01 de dezembro ele foi submetido a uma nova cirurgia.
Eu sentia um medo imenso de perdê-lo e passei a tratá-lo como criança.
Cuidava de sua alimentação, do hospital e de seus remédios.
A minha ligação com ele ficou cada vez maior.
Todos os dias, nós fazíamos caminhada e eu fazia de tudo para que ele nunca ficasse sozinho.
No ano de 2003, ele seguiu fazendo os tratamentos.
Ora estava bem, ora estava mal.
Porém, nada de tão grave.
No final de 2003, ele começou a piorar.
Ele ficava muito triste, mas não queria ir ao médico.
Apesar de tudo, as nossas festas de fim de ano foram óptimas.
Tudo foi perfeito!
Em 2004, o meu Pretinho, sempre quando ia ao trabalho, se despedia de mim, como se nunca mais fôssemos nos encontrar.
Eu passei a observar aquilo e ficava com o meu coração apertado.
Preocupava-me com ele e toda hora ligava para o seu trabalho para saber se estava tudo bem.
A minha casa estava em reforma e ele ficava muito feliz no final de cada dia, quando via que a reforma estava ficando perfeita.
No dia 15 de janeiro, ele trabalhou e voltou para casa ao meio-dia, pois era domingo.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 01, 2016 9:19 am

Almoçamos juntos e, como de costume, ele foi assistir a um filme na televisão.
Eu fui dormir um pouco e quando acabou o filme, ele também se deitou e pediu que eu ficasse ao lado dele.
Conversamos e brincamos bastante.
Dentro do meu coração, eu sentia que ele não estava bem.
Comecei a interrogá-lo e ele dizia que não era nada.
Eu estava na sala assistindo ao jogo do Brasil e ele estava no quarto.
De repente, ouvi um barulho estranho.
Era como se alguém estivesse despejando um balde de água dentro do quarto.
Saí correndo e chamando pelo meu Pretinho.
Ele não respondia. Eu entrei em desespero!
Quando cheguei no banheiro, ele estava vomitando.
Corri para segurá-lo e percebi que ele estava gelado.
Levei-o para a cama.
Dei-lhe dois copos de Coca-Cola e ele se sentiu melhor.
Insisti para que ele tomasse um banho e ele não queria, pois estava se sentindo muito indisposto.
Esperei por alguns minutos e não percebia melhora alguma.
Ele suava frio.
Decidi chamar o resgate e ele foi tomar banho.
Ele passou muito mal debaixo do chuveiro e eu corri para ajudá-lo.
Molhei-me todinha.
Eu queria chamar os vizinhos, mas ele não permitiu.
O resgate chegou e a enfermeira me ajudou a vesti-lo.
Fomos para o hospital e de lá liguei para uma amiga.
Ela foi para lá e ficou aguardando comigo.
O médico me fazia muitas perguntas.
De madrugada, aproximadamente 1h 30 da manhã, ele foi falar comigo.
Disse que o meu Pretinho ia ficar na U.T.I. e o quadro dele era muito grave.
Eu queria me despedir dele e o médico argumentava que não.
Comecei a chorar desesperadamente e pedi de joelhos.
O médico se comoveu, pegou em minhas mãos e me levou até a U.T.I.
Foi uma despedida muito triste.
Ele me abraçava chorando e pediu para que eu ficasse lá.
O médico explicava e ele não entendia.
Eu saí de lá arrasada.
Tive um triste pressentimento que eu não o encontraria nunca mais.
Quando cheguei em casa tomei todas as providências.
Avisei a família dele e a minha.
A minha amiga Cida passou aquela noite comigo.
Eu não conseguia parar de chorar; muito menos dormir.
Ah, meu Deus! Como aquela noite foi longa!
No dia 20, às 11 horas da manhã recebi um telefonema do hospital.
Sem subterfúgios, o médico me deu a tristíssima notícia de que meu Pretinho tinha morrido.
Eu comecei a chorar e a gritar desesperadamente.
A minha empregada pegou o telefone e falou com o médico.
Eu não acreditava que aquilo estava acontecendo comigo.
A Luana foi comigo para o hospital, onde nos encontramos com Cida e Toninho.
Rose foi cuidar da papelada junto à funerária.
Eu, Toninho e Cida ficamos no hospital.
Eu não parava de chorar e a psicóloga do hospital nos deixou ir até o necrotério.
Quando toquei o corpo do meu Pretinho, o meu coração se despedaçou.
Eu acreditava piamente que estava sonhando e aquilo tudo seria um terrível pesadelo.
Infelizmente, era real.
Era a mais dura e crua realidade.
O meu Pretinho tinha ido embora para sempre.
O velório foi a cena mais triste da minha vida.
Fiquei o tempo todo ao lado do meu Pretinho.
Eu acreditava que, a qualquer momento, o meu Pretinho ia levantar do caixão e falar comigo.
Na verdade, até hoje não aceito a morte dele.
No dia 21 de janeiro, às 8 horas da manhã, o meu Pretinho foi sepultado e, junto com ele, foi grande parte do meu coração.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 01, 2016 9:19 am

CAPÍTULO 108 - O VAZIO

Tudo ficou deserto na minha vida depois que o meu Pretinho morreu.
Eu perdi a vontade de viver, perdi aquela felicidade que iluminava o meu coração.
Sentia-me muito sozinha e não me animava com nada.
Eu fiquei perdida e desnorteada. O meu mundo caiu.
Não tivemos filhos, infelizmente.
Tive que me readaptar a tudo novamente.
Eu era muito mimada pelo meu Pretinho e pela Rose.
Não saía mais sozinha.
A não ser com a Rose, com meu Pretinho ou com alguma amiga.
O meu Pretinho era muito ciumento.
Para ele, eu era um troféu.
Agora me falta algo.
A minha vida é vazia e não consigo esquecer o meu Pretinho.
Ainda tenho a impressão de que um dia ele vai voltar.
Mas quando caio na real sei que isso jamais irá acontecer.
Agora me tornei uma mulher independente.
Vou onde quero e volto sozinha.
Porém, só Deus sabe como eu preferia aquela vida.
O meu maior medo era o da solidão.
Agora, ela me persegue dia e noite.
Às vezes, em meio a uma multidão, sinto-me a criatura mais solitária do mundo.
Toninho fica comigo durante os dias da semana e aos finais de semana sempre vem uma amiga ou outra.
Sinto medo. Eu até já passei um final de semana sozinha e não senti medo, mas todos se preocupam muito comigo.
Acho chato quando vou fazer compras porque sempre tenho que pedir o auxílio de alguém.
O meu mundo era colorido e agora parece que perdeu totalmente o encanto.
Eu tento disfarçar, mas, às vezes, a tristeza, vem fazer moradia no meu coração.
É uma tristeza misturada com saudades e isso dói muito!
Estou frequentando o Instituto e é uma terapia para mim.
Às vezes, falo bobagens, mas, felizmente, o pessoal do Instituto tem muita paciência comigo.
Às vezes, o meu peito fala coisas tristes e eu não quero ouvir.
Não quero e não posso!
Sempre peço: Ah, meu Deus!
Tire essa tristeza do meu coração!
Dê-me alguma motivação e me faça ver a vida como ela é!
Foi a pior dor que eu já senti em minha vida!
O pior dos sentimentos.
Não consigo expressar agora os meus sentimentos, pois as lágrimas insistem em rolar em meu rosto.
Para escrever essas poucas linhas, tirei lágrimas de meu coração!
Não gosto de deixar nada inacabado e, pela primeira vez, isso está acontecendo comigo!
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 01, 2016 9:19 am

CAPÍTULO 109 - DE ONDE VEIO ESSA INSPIRAÇÃO?

Sempre tive vontade de escrever um livro, mas não sabia por onde começar.
Não sabia que assunto explanar, não sabia nem mesmo que título dar.
Tentei escrever várias vezes, mas quando ia ler não achava de acordo.
Sempre parecia que estava faltando alguma coisa.
Aliás, faltava a inspiração.
Depois de várias tentativas, desisti por uns tempos.
Sempre gostei de escrever e, às vezes, ficava horas a fio escrevendo assuntos diversos.
Nunca imaginei que um dia conseguisse escrever um livro.
Um dia resolvi escrever uma carta para o programa Em Nome do Amor.
A carta foi um sucesso.
O programa teve uma repercussão enorme.
Depois daquela carta, o desejo de escrever um livro falava mais alto dentro de mim.
Uma noite chuvosa me deitei mais cedo e custei a pegar no sono.
Comecei a planejar meu livro.
Descobri que seria possível escrever porque as palavras inspiradoras brotavam de dentro de mim.
No outro dia, eu comecei a escrever.
Uma inspiração divinal tomou conta de mim.
As palavras saíam como se eu tivesse fazendo apenas uma cópia.
Hoje, quando leio o que escrevi, fico sem saber de onde arranquei tanta força.
Analisando bem, descobri que este livro nasceu do programa Em Nome do Amor.
Depois daquele dia, percebi que poderia escrever algo, que chamaria a atenção do público.
Meu maior sonho sempre foi ser uma pessoa famosa.
Agora que escrevi este livro, sei que serei capaz de escrever outro.
A minha participação no programa Em Nome do Amor fez com que uma porta fechada diante de mim se abrisse.
Olhando por essa porta, descobri que nasceu um novo mundo, cheio de expectativas para o meu futuro.
Através dessa porta, descobri um mundo encantado, que poderá me proporcionar um bem enorme.
Descobri o dom que eu tenho de escrever, de botar no papel tudo o que sinto, de extravasar minhas ideias.
Quando escrevo bastante, sinto-me leve e solta.
Sinto-me como se tivesse viajando para outras terras e esqueço que sou cega.
Nesse momento, vejo diante de mim as mais lindas paisagens.
É como se uma fada derramasse em meu espírito uma dose dupla de paz e tranquilidade.
Parece que ela realmente me faz ver tudo ao meu redor.
O mais importante é que, quando paro de escrever, não me entristeço porque sou cega.
Muito pelo contrário, me sinto calma e cheia de esperança na vida.
Fortaleço-me no amor e na fraternidade.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 01, 2016 9:20 am

CAPÍTULO 110 - A IMPORTÂNCIA DE SE DAR E RECEBER

Leitor, no último capítulo desse livro, não posso deixar de falar sobre a importância de dar e receber.
Não posso omitir e não falar da importância que temos para o mundo e para todos que nos cercam.
O corpo é a coisa mais preciosa que temos, pois com ele podemos fazer tanta coisa boa!
Botando o cérebro para funcionar, podemos descobrir várias maneiras de ajudar as pessoas.
Com os ouvidos, podemos ouvir os lamentos dos desesperados e ouvir os problemas das pessoas descrentes da vida.
Ao final, com certeza, teremos uma palavra amiga para os angustiados e sem esperança.
Você não acha maravilhoso quando pode fazer isso por alguém?
Ah, leitor, como os olhos são importantes!
Ver a cor da roupa, achar um objecto perdido, descrever uma cena que se passa em silêncio, indicar o caminho certo e sem perigo.
Ao fazer isso para um deficiente visual é como se você estivesse dando o céu de presente a ele.
Eu recebi e recebo tudo isso das pessoas no meu dia-a-dia.
Quando isso acontece, sinto-me como se tivesse ganhado o mundo inteiro de presente.
Meu coração transborda com a bondade e solidariedade humana.
Tenho certeza de que as pessoas que me ajudam também se sentem bem, pois posso sentir a felicidade delas no seu jeito de falar comigo.
Acho que elas também percebem a minha felicidade.
Com a boca podemos falar, cantar e sorrir.
Ao falar com o desesperado, cantar para um desanimado e sorrir para um desiludido estamos dando e recebendo um bem enorme.
Suas mãos, seus braços, o aconchego de seu corpo...
Já pensou que milagre seus carinhos poderão fazer para os necessitados?
Já pensou que você também poderá receber de outras pessoas?
Ouvir alguém ajudar alguém.
Sorrir para alguém. Fazer um simples gesto é uma verdadeira doação.
Quando se fala em dar e receber, não devemos nos apegar somente ao bem material.
Principalmente, devemos nos apegar ao bem espiritual.
Com o nosso corpo provido de tantas riquezas e nosso coração provido de tanta generosidade, com certeza, podemos fazer muitas coisas.
Até mesmo todos os nossos órgãos poderão ser doados para quem precisa.
Leitor, se ame cada vez mais.
O seu corpo inteiro é um bem precioso.
Se você não amar a si mesmo, como poderá amar seus semelhantes?
Pense em tudo que você poderá receber de alguém, mas não se esqueça em hipótese alguma o que você poderá fazer por esse alguém.
Já recebi tanto das pessoas, só não sei se me doei à altura.
Valorize seu corpo o mais que puder, pois quando temos a falta de um órgão é que percebemos o valor que ele tem para nós.
Leitor, eu, sendo cega, lutei, caí muitas vezes, mas tive a coragem de levantar e começar tudo de novo.
Não posso negar que errei muitas vezes também.
Afinal, o erro faz parte da vida de todos, mas acertei inúmeras vezes.
A nossa vida não é feita só de coisas boas, pois não somos perfeitos.
Leitor, não tenha medo de cair, não tenha medo de fraquejar, acima de tudo, não tenha medo de vencer.
Siga sempre em frente, mas não se esqueça de olhar para trás, pois sempre haverá alguém superior ou inferior a você.
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Re: UMA LIÇÃO DE VIDA / DORAÍDES ALVES PEREIRA

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 01, 2016 9:20 am

Para os superiores procure mostrar que você também é capaz.
Não se esqueça de estender sua mão amiga para os inferiores e os auxilie para que eles consigam chegar onde você está.
Não desanime porque não conseguiu seu ideal.
Lembre-se que a esperança deve ser sua eterna companheira.
Se você não puder fazer muito por alguém, faça o que tiver em seu alcance.
Futuramente, você terá a certeza de que fez alguém feliz.
Nesse capítulo falei um pouco sobre o nosso corpo, mas procurei frisar mais sobre o coração e os olhos.
Quando criança, iniciei um passeio pela estrada da vida.
Em todos os obstáculos, em todas as esquinas, em todas as ruas e avenidas e, principalmente em todos os degraus, achei uma mão amiga.
Encontrei pessoas dispostas a me ajudar de coração.
A estrada da vida é muito tortuosa.
Quando eu achava que tudo estava perdido, sempre aparecia um anjo bom.
Passei a encarar a estrada da vida com os olhos de meus anjos da guarda e com os olhos da alma.
Disse anjos da guarda no plural, porque tenho vários anjos que passaram pela minha vida.
Com a ajuda de tantos anjos, aprendi a conhecer a estrada da vida, mesmo entre os labirintos.
Há muitas pessoas começando, há muitas pessoas precisando e espero que todos tenham a mesma sorte que eu tive.
Espero que essas pessoas consigam ir em frente e subir os degraus.
Espero que consigam dominar até mesmo os labirintos que parecem sem saída.
Apesar de ser cega, esses anjos me acompanharam sempre, fizeram brilhar um raio de esperança e felicidade em de mim.
Hoje a minha vida tem um brilho especial, um brilho forte, um brilho divino que me faz sentir uma estrela.
Tudo isso graças aos meus anjos da guarda e graças a muitas pessoas que, de uma forma ou de outra, contribuíram para o meu engrandecimento.

FIM

A AUTORA

Doraídes Alves Pereira nasceu dia 8 de abril de 1958.
Passou sua infância na cidade Bálsamo, interior do estado de São Paulo.
Cursou a faculdade de Direito na cidade de São José do Rio Preto, cidade que mora actualmente.
Aos 43 anos de idade, resolveu escrever porque sempre nutriu a paixão por livros e pela leitura.
Chegar até aqui não foi fácil, pois além das dificuldades comuns a todo ser humano, Dora é deficiente visual desde que nasceu.
Passou por preconceitos sociais, do qual tudo se cobra:
casa, filhos, marido, trabalho, comportamento e perfeição.
Encontrou na arte uma forma de tornar irreverente, contestador e subversivo o mundo em que vive.
Certamente, não ganhou a guerra.
Mas, quem ganhou?
Ela chega lá.
É só acertar umas coisinhas...

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