Reflexos de um passado - Caboclo Sete Montanhas / Nilton de Almeida Júnior

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Re: Reflexos de um passado - Caboclo Sete Montanhas / Nilton de Almeida Júnior

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 14, 2016 9:26 am

CAPÍTULO XXXIV - A terceira desobsessão de Amanda
Acomodados dentro do tronco da grande árvore, Zuma e Muzala demonstravam cansaço por tentarem, sem conseguir, ter novamente o controle sobre Amanda.
As correntes de descarga e os passes estavam reconstituindo o fluxo energético, os chacras apresentavam giro normal e o sistema nervoso não apresentava nenhum congestionamento ou bloqueio de energias.
Amanda estava respondendo bem ao tratamento, estava sensível aos ensinamentos, demonstrava sincero interesse pela doutrina e boa disposição para melhorar.
Quando pedia sinceramente perdão aos obsessores, que ela nem sabia quem eram nem por que a perseguiam, ela enviava ondas de amor que envolviam Zuma e Muzala.
Essas ondas agiam no perispírito dos obsessores como raios cauterizadores.
A princípio davam a sensação de choque, depois foram lentamente agindo na vibratória dos perseguidores de Amanda, que começavam a sentir, apesar de não reconhecerem, um leve bem-estar e um pouco de desânimo após tanto tempo de perseguição.
Era o arrependimento que lentamente ia crescendo nos corações endurecidos pelo rancor.
A doutrinação feita durante as correntes também estava fazendo efeito, pois, enquanto a prece era feita, o médium incorporado conversava mentalmente com o obsessor transmitindo vibrações de paz, perdão e arrependimento.
— Estou cansado, mãe.
Sinto-me cansado de tudo isso... olhe para essa gente sempre mal-humorada, grunhindo pragas e maldições pelos cantos.
Olhe para nós, já nem sei há quanto tempo estamos nessa vingança que não chega ao fim, e, para falar a verdade, já não sinto o mesmo gosto em fazer a serpente sofrer.
— Também sinto isso, filho.
Já não sinto tanto a alegria que sentia quando via a serpente gritar de medo e gemer de solidão... também me sinto cansada de tudo isso... tenho pensado muito em minha mãe... já estamos do lado de cá há tanto tempo, já encontramos tanta gente que viveu naquela fazenda, mas minha mãe nunca vi.
— Vovó deve ter bandeado para o lado de lá... — disse Zuma retorcendo a boca, enquanto abraçava as pernas dobrando os joelhos.
Deve estar muito ocupada sempre servindo, sempre sendo gentil, paciente e boa.
— O que vamos fazer?
Hoje deve ser a última daquelas doutrinações.
— Não temos como fugir... eles são muitos e mais fortes.
É melhor não oferecermos resistência... — respondeu ele resignado.
Depois nos soltam e podemos ficar livres de tudo isso.
O latido dos cães anunciou a aproximação dos Exus que vinham em busca de obsessores.
Quando Seu Marabô surgiu na entrada da gruta, Zuma levantou-se, juntou os punhos e esticou os braços para frente, oferecendo-se para ser capturado.
O Exu riu encarando o obsessor, passou-lhe uma espécie de corda nos punhos, enquanto o outro Exu trazia Muzala, que também obedecia docemente ao seu comando.
Foram levados para o terreiro e lá ficaram até o momento da desobsessão; durante a espera observaram o ir-e-vir atarefado das entidades que trabalhavam na preparação espiritual do ambiente.
Observaram que havia entre eles ex-escravos que hoje se apresentavam como Exus e outros como Pretos Velhos; eram espíritos que tinham passado por experiências iguais ou até piores do que as que envolveram a vida e o desencarne de Zuma e Muzala.
Urânia e sua família chegaram ao centro.
Muzala e Zuma puderam observar, de onde estavam, Amanda de mãos dadas com Mauro, entrando para se acomodarem nos bancos da assistência.
Viram o carinho e atenção que Mauro dispensava à namorada e não conseguiram furtar-se a emitir seus comentários a respeito do passado traumático que envolvia o casal.
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Re: Reflexos de um passado - Caboclo Sete Montanhas / Nilton de Almeida Júnior

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 14, 2016 9:26 am

Riam enquanto diziam que aquela história bem que podia se repetir, já traçando novos rumos para suas artimanhas.
A vivência no mal vicia a criatura a somente ter a efémera sensação de prazer com o sofrimento alheio, obscurece a razão e faz, de quem assim vive, uma triste caricatura de quem pensa que está fazendo justiça.
Nesse momento, Seu Marabô, que os observava, aproximou-se e disse com sua voz grave e aveludada:
— Até quando vocês irão insistir nessa atitude inútil e que só aumenta o seu próprio sofrimento?
Parem de atribuir para si uma missão que não lhes pertence.
A tal justiça da qual vocês se julgam os porta-vozes não reconhece os seus métodos mesquinhos que não atendem a nenhum interesse mais elevado, a não ser o culto aos seus próprios egos enfermiços.
— Não me venha com essa conversa...
Zuma ia retrucar, mas foi interrompido pelo Exu, que, inflamado pelo discurso que tinha iniciado, falou em um tom tão severo que sua voz parecia o ribombar de um trovão.
— Não me venha você com essa conversa!
Quem você pensa que é?
O único sofredor que existe?
Não acha que pensando assim o seu mundo se torna extremamente pequeno?
Você especializou-se tanto nas técnicas de controle do pensamento e da magia e esqueceu-se de perceber que tudo isso só é possível graças a uma consciência muito maior que tudo vê, tudo sabe e tudo só acontece ou existe com a sua permissão?
Não vê que está desperdiçando um tempo enorme na perseguição dessa infeliz, que te fez sofrer, nós sabemos, mas que tanto já padeceu nas suas mãos e que agora é você quem está em dívidas com ela?
Não compreende que não é sua a tarefa de fazer com que ela receba de volta o mal que fez?
O mal e o bem sempre voltam ao seu ponto de origem sem a necessidade de um manipulador.
Olhe à sua volta e veja como muitos daqueles que presenciaram o seu drama, ou que viveram dramas tão graves quanto o seu, tiveram outra atitude diante dos acontecimentos da difícil prova da escravidão e hoje encontram-se em melhores condições do que aqueles que lhes causaram tanto sofrimento.
Se você fosse melhor observador, veria que Deus usa o mal para fazer o bem.
A escravidão foi uma época vergonhosa e cheia de injustiça, mas que serviu de alavanca para o progresso de muitos espíritos, pois aqueles que souberam passar por essa difícil missão alcançaram grandes méritos e hoje vêm trabalhando para o progresso e orientação dos que ainda não compreenderam a delicada harmonia que mantém o universo.
Trabalham justamente com aqueles que um dia foram seus algozes e aprenderam a amá-los e a lhes quererem bem.
Eu mesmo fui um escravo, Zuma.
Meu dono estuprou minha mulher e minha irmã; não resisti a tamanha humilhação e o matei com minhas próprias mãos.
Fui condenado, açoitado e morto.
Viramos ferrenhos inimigos; ele voltou a reencarnar e eu o persegui sem piedade.
Muita coisa passou e hoje ele é o médium que trabalha comigo.
Estamos fadados a aprender a nos respeitar e a nos perdoar trabalhando juntos.
"Deixe essa menina em paz, ela já vem pedindo perdão por um mal que ela nem lembra que causou.
Ela errou, mas pede, e tem direito a outra chance.
Veja a oportunidade que a reencarnação está dando para que ela e o namorado refaçam e reorientem os laços afectivos que, por sua influência, ficaram abalados e tão mal repercutiram na vida dos dois.
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Re: Reflexos de um passado - Caboclo Sete Montanhas / Nilton de Almeida Júnior

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 14, 2016 9:26 am

Pare de causar sofrimento para poder parar de sofrer.
Vejo que você já apresenta sinais de cansaço.
Aceite essa ajuda que está recebendo e abandone essa vingança infeliz!"
Zuma calou-se perante a veemência com que o Exu se expressava.
Seu Marabô parecia ter crescido ainda mais em estatura, estava tão grande que os outros obsessores que observavam aquele diálogo se encolheram temerosos.
O Exu afastou-se, deixando na memória dos que presenciaram a cena o eco de suas palavras.
O filho de Muzala agachou-se e chorou convulsivamente.
A sessão teve seu curso normal e o momento de fazer a corrente de descarga chegou.
Amanda, sentada no tamborete, tinha à sua volta os médiuns de mãos dadas.
Seu Mata Virgem iniciou os cânticos próprios daquele ritual e logo Zuma e Muzala incorporaram.
Estavam sob forte emoção e não paravam de chorar.
O doutrinador fez comovida prece assim que recebeu a ordem do Caboclo que dirigia os trabalhos.
Na espiritualidade, uma luz inundou o ambiente.
Sandra e Miquilina estavam presentes e a falecida tia de Urânia via emocionada que Amanda apresentava os chacras frontal e coronário em intensa actividade; estava claro que Amanda estava em processo de sintonia com o mundo espiritual.
Enquanto isso, Zuma e Muzala continuavam chorando, sob o efeito da doutrinação de Seu Marabô e dos fluidos que vinham com as emanações de luz que entravam no ambiente; era um choro de arrependimento.
Seu Mata Virgem, envolvido também pela luz espiritual, invocou a falange dos Pretos Velhos para o fechamento daquela corrente.
Ante a surpresa de Sandra, que silenciosamente perguntava por que se estava invocando a falange de Pretos Velhos em uma sessão de Caboclos, Miquilina esclareceu:
— Amanda tem dívidas com ex-escravos, como você já sabe.
É por isso que os Pretos Velhos foram convocados para fechar esse tratamento.
Só o perdão e a ajuda daqueles que ela prejudicou podem trazer o remédio de que ela precisa.
Os Pretos Velhos e Pretas Velhas incorporavam em seus médiuns e à medida que baixavam traziam uma sensação de paz que só se consegue quando realmente se perdoa.
Podia-se ter a impressão que o amor e a fraternidade eram inalados juntamente com o ar.
Zuma e Muzala foram desconectados das médiuns que os incorporaram, mas não foram logo encaminhados para o plano espiritual.
Ainda estavam sob o efeito da doutrinação, choravam baixinho e estavam recebendo um passe.
Estavam sendo amparados pelos Exus que os trouxeram do plano espiritual e foram colocados um de cada lado de Amanda.
Enquanto a limpeza do ambiente era feita pela falange de Pretos Velhos, quem observava a cena pelo lado espiritual viu que uma intensa luz desceu sobre Amanda.
Ela teve uma agradável sensação de amor, confiança, consciência de todo seu corpo e muita paz.
Sua nuca e o alto de sua cabeça arrepiaram-se, suas mãos e pés estavam dormentes e pesados como chumbo, seu rosto formigava e ela não conseguia abrir os olhos.
Seu Mata Virgem aproximou-se de Amanda e segurou suas mãos.
Depois de um curto período em que D. Luiza aguardava as instruções do guia espiritual, saudou com alegria:
— Ogum Ie!14 Senho dos caminho, orixá guerreiro.
Dono de muitas armas, qui a sua protecção recaia sobre nosso ambiente e traga para sua fia o esclarecimento, o perdão, o amor e a paz que ela tanto pricisa.
Insina ela a sé mais tolerante, dá a ela dádiva da paz, da saúde e da prosperidade.
Toma conta dessa cabeça S. Ogum, toma conta de sua fia.
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Re: Reflexos de um passado - Caboclo Sete Montanhas / Nilton de Almeida Júnior

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 14, 2016 9:26 am

Amanda sentiu um arrepio subir pela sua coluna que fez tremer seus ombros, sua respiração estava ofegante e o coração acelerado.
Apesar de todas essas reacções fisiológicas, ela sentia-se extremamente bem, sentia um abraço envolvendo todo seu ser, revitalizando-a.
Seu Mata Virgem puxou um ponto de Ogum, todos acompanharam e a vibratória aumentou fazendo com que Amanda tivesse o tronco oscilando para frente e para trás.
Foi seu primeiro contacto com seu orixá, pois Amanda nunca tinha incorporado antes.
Enquanto Ogum envolvia Amanda com sua presença, ela absorvia os fluidos do orixá que lhe reconstituíam as energias depauperadas pelo processo obsessivo e, ao mesmo tempo, irradiava para todos os presentes a sua força.
Por intermédio de sua filha, Ogum enviava a todos o seu axé.
Zuma e Muzala foram os principais beneficiados com aquela imantação; os fluidos de Ogum, que eram absorvidos e retransmitidos pelo perispírito de Amanda, penetravam nos perispíritos dos obsessores e limpavam a constituição deles.
Os pulsos machucados de Zuma cicatrizaram, o rosto congestionado de Muzala abrandou-se e o choro tornou-se um breve lamento.
Era a Jade de outrora, ajudando na cura daqueles que um dia ela tanto feriu física e psicologicamente.
A vibração foi abrandando, a respiração de Amanda voltou ao normal, o formigamento de suas mãos, rosto e pés passou, ela conseguiu abrir os olhos.
Seu Mata Virgem ajudou Amanda a levantar-se e lhe disse com carinho:
— Aqui termina este seu tratado, fia.
Mas não é aqui qui termina esta história.
É aqui que ela cumeça.
Fia sofreu uma perseguição de espritos que sofreram muito no passado com atitudes que a fia tomou... é assim que acontece a obsessão.
É uma persiguição gerada pela mágoa, pelo ódio, pela incompreensão.
Obsessô e obsidiado são unidos por laços de ódio.
Ódio é o amor que adoece.
O remédio para o ódio é o perdão.
Perdoe, fia... perdoe sempre.
"A fia é médium, por isso é bom que prucure sempre estar tomando seus passe.
Prucure estuda a mediunidade para pode entende tudo que se passa nos início de mediunidade."
Enquanto isso, sob o olhar curioso de Sandra, Miquilina aproximou-se do meio do terreiro indo em direcção a Zuma e Muzala.
Repentinamente a tia de Urânia notou que a Preta Velha não estava usando a saia carijó, a bata e o turbante que sempre usava.
Também não estava usando o uniforme de enfermeira que, de vez em quando, vestia nas actividades do Lar de Maria.
Ela estava vestindo uma saia comprida de um tecido grosso de cor marrom, uma blusa roxa que caía sobre a saia e, na cabeça, um lenço branco.
Estava visivelmente emocionada, tinha os olhos húmidos e andava lentamente em direcção aos obsessores de Amanda.
Muzala olhou a entidade que se aproximava, limpou os olhos do pranto que lhe embaçava a visão e exclamou para surpresa de Sandra:
— Mãe?!
Miquilina abriu os braços, Zuma e Muzala correram em sua direcção e os três se abraçaram emocionados.
— Quanto tempo, mãe... — soluçava Muzala.
— Que saudade, vó... onde vosmecê estava? — indagou Zuma com a voz tremida.
— Estava o tempo todo perto de vocês... mas vocês não conseguiam me perceber e mesmo se o fizessem não iriam me compreender... tive que esperar pelo seu lento amadurecimento... agora tudo vai melhorar... graças a Zambi!
Todos que presenciaram aquela cena choravam emocionados com o reencontro daquela família.
Sandra estava sem palavras, sentiu uma mão em seu ombro e virou-se para encontrar o rosto amigo de Seu Pena Verde convidando-a a voltar para o plano espiritual.
O Lar de Maria aguardava-os.

14 Saudação ao onxá Ogum.
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Re: Reflexos de um passado - Caboclo Sete Montanhas / Nilton de Almeida Júnior

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 14, 2016 9:27 am

CAPÍTULO XXXV - O arrependimento de Zuma
Miquilina, Zuma e Muzala tinham finalmente se reencontrado depois de mais de 200 anos de separação.
Aquela que foi a Preta Velha de Sandra tinha sido a mãe de Muzala, e assim como a filha, foi uma escrava da casa-grande.
Era benquista por toda a família não apenas por ser dócil.
Ela era também amiga, era conselheira e dona de um sorriso que a todos cativava.
Seu nome naquela época era Numina, veio a falecer vítima de uma picada de cobra quando o neto contava dez anos de idade.
Com a morte da mãe, Muzala assumiu seus afazeres e o arredio Zuma foi enviado para o trabalho na lavoura tão logo tinha forças para levantar a enxada.
Zuma e Muzala, depois da última corrente, foram levados para uma ala do Lar de Maria dedicada a espíritos recém-saídos do Vale das Sombras.
Era uma região intermediária entre as zonas umbralinas e o plano em que se localizava o hospital.
Nessa ala, Zuma e Muzala tinham a oportunidade de ir gradativamente acostumando o perispírito a um plano espiritual cuja atmosfera era mais leve do que a que estavam acostumados no Vale.
Enquanto caminhavam lentamente sob o sol da manhã, Miquilina, novamente com sua indumentária de Preta Velha, explicava-lhes que sempre esteve por perto acompanhando todo o drama provocado por Jade, o sofrimento e a revolta da filha e do neto, bem como o processo obsessivo de Amanda.
Relatou que tentava sintonizar o pensamento deles procurando despertar o perdão, porém seus apelos eram rechaçados pelos dois que tinham se cristalizado no propósito de vingança, isolando-se de toda ajuda.
A única opção foi deixar que o tempo passasse, fazendo com que o inevitável cansaço os trouxesse de volta à senda do progresso.
Enquanto isso, só restava a Miquilina dedicar-se ao trabalho que lhe competia nas fileiras umbandistas, alcançando conhecimento e progredindo em silêncio.
Desde o aparecimento de Miquilina na última corrente de Amanda, Zuma ficara ainda mais taciturno.
Enquanto Muzala não escondia a satisfação em estar novamente em companhia da mãe, ele demonstrava distanciamento apesar de não repelir a acolhida que teve naquela colónia espiritual.
Sua aparência sofreu sensível melhora; Muzala já não trazia os cabelos desgrenhados, falava pausadamente, vestia roupas mais claras e seu olhar já não transmitia aquele brilho estranho do desequilíbrio mental.
Zuma, por sua vez, teve cicatrizados os punhos e tornozelos; seu rosto não estava tão congestionado, mas seu olhar ainda não denunciava arrependimento.
Miquilina, entendendo o emaranhado de dúvidas que se estampavam na expressão do neto, aproximou-se dizendo:
— O que está te perturbando a paz, Zuma?
Ele continuou olhando o lago à sua frente.
O movimento lento e silencioso das águas assemelhavam-se à sua tentativa de concatenar as ideias.
Miquilina pacientemente se sentou na pedra ao lado daquela em que ele estava sentado, fazendo-o entender que não sairia dali sem uma resposta.
— Não consigo entender por que a senhora desapareceu tanto tempo... — disse ele sem encarar a avó, tendo os olhos fixos no movimento das águas do lago.
E nós na escuridão do Vale, sem amparo e a senhora preocupada com o bem-estar da sinhá.
— Zuma, para que você possa entender o que se passa é preciso, antes de tudo, desenvencilhar-se do passado.
É preciso entender que aquela sinhá já não mais existe.
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Re: Reflexos de um passado - Caboclo Sete Montanhas / Nilton de Almeida Júnior

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 15, 2016 9:20 am

— Como não existe?!
Então quem é aquela que tanto me maltratou?
No dia em que a senhora morreu, começou minha triste sina.
Não mais me foi permitido frequentar a casa-grande, fui obrigado a trabalhar com os homens na roça.
Nem conseguia levantar a enxada e tive de aprender rápido, pois o chicote do feitor, longe dos olhos do sinhó, não respeitava nada nem ninguém.
Miquilina nada dizia, apenas com seu olhar meigo deu a entender ao neto para que continuasse.
Ele prosseguiu com seu desabafo:
— Enquanto a senhora estava lá, tudo era diferente e eu me sentia protegido.
O sinhó já estava fazendo planos para que eu fosse um dos escravos da casa-grande.
Senti e chorei muito a sua falta... sua lembrança era a única coisa que aliviava a dureza daquela vida.
Também os batuques na senzala ajudavam a aliviar a dificuldade da lida... e assim fui vivendo, até que começou toda a perseguição da sinhá e...
Ele não conseguiu terminar sua fala, a emoção de reviver o sofrimento que envolveu os seus últimos dias de encarnado não o permitiu.
Miquilina abraçou-o com doçura.
Ele acomodou-se no chão e repousou a cabeça no colo da Preta Velha, que o afagava carinhosamente.
— Onde quer que eu e mamãe estivéssemos, não tínhamos sossego, pois lá também estava ela a nos espreitar.
Sempre tramando, sempre envenenando o pai contra nós...
— Meu querido, ela estava doente... já vinha adoecendo há muitas encarnações... não conseguindo conviver com qualquer coisa que fosse diferente ou julgada inferior.
— ...agora descubro a senhora preocupada com o bem-estar daquela víbora!?
— Zuma, só se combate a ignorância com o conhecimento e não com mais ignorância.
Não se combate o ódio com mais ódio, mas sim primeiramente com perdão para que só depois então o amor possa chegar.
Sei que não é fácil, sei quanto você sofreu, pois acompanhei todo o desenrolar daqueles dias pedindo a Zambi que você conseguisse tirar daquele sofrimento a luz e o progresso de que tanto precisa.
— Mas por que eu? Por que tanta perseguição sem nenhuma causa que a justifique?
— Porque nada acontece sem uma razão, meu amor.
Tudo na obra de Zambi obedece a um equilíbrio que só os espíritos puros conseguem entender.
A nós, cabe procurar viver em harmonia com esse delicado sistema.
O sofrimento que os outros nos causam, as injustiças, os infortúnios não devem ser motivos para estacionarmos no tempo.
Tenha certeza de que toda acção tem uma reacção.
Se você estava sendo envolvido por uma trama de perseguição e calúnias, creia que alguma coisa o Criador queria dizer-lhe com isso.
Lembre-se de que os semelhantes se atraem.
Lamentavelmente o ser humano tem sempre como primeira reacção o:
"Eu não tenho culpa, o que foi que eu fiz?"
— A senhora quer dizer que tudo aquilo já era um acerto de contas?
— Não necessariamente um acerto de contas.
Jade e vocês, até aquele momento, não tinham nenhuma ligação como a que hoje têm.
Entretanto, a sua encarnação na condição de escravo era uma prova compulsória que visava despertar em você o sentimento sublime da humildade.
A escravidão, com todas as suas agruras, serviu como lapidador da brutalidade de muitas almas, tolhendo sua liberdade e fazendo-as experimentar o outro lado do poder, o lado dos mais fracos, o lado dos excluídos.
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Re: Reflexos de um passado - Caboclo Sete Montanhas / Nilton de Almeida Júnior

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 15, 2016 9:20 am

Jade poderia ter servido apenas como um acelerador de seu resgate; entretanto, quando você assumiu o papel de vingador, colocou por terra a oportunidade de recuperação que aquela encarnação oferecia.
Eu sei que seu sofrimento foi grande, não estou querendo minimizar aquilo que somente você sentiu na própria alma; sei que Jade exagerou em sua perversidade, pois a simples condição de escravo já era suficiente para o burilamento das almas encarnadas naquela condição.
Caberia à lei do retorno fazer com que Jade recebesse o que lhe era de direito; entretanto, assumindo o papel de aplicador da lei, agora é você que se encontra endividado não somente com ela, mas também com todos aqueles a quem você aprisionou e escravizou depois do desenvolvimento dos seus poderes mentais em sua passagem pelo Vale das Sombras.
Zuma chorava copiosamente; seu choro demonstrava que agora ele realmente compreendia a extensão dos seus actos.
Miquilina percebeu que, afinal, ele tinha encontrado o arrependimento.
Parou de falar para que ele pudesse assimilar calmamente tudo o que tinha acabado de ouvir.
Doutrinadora experiente, sabia o momento exacto de parar para que o ouvinte tivesse condições de reflectir.
Encarar a verdade depois de anos na ignorância é por vezes doloroso e Miquilina não queria que a revolta de Zuma se transformasse em uma imensa pena de si mesmo.
— E agora, vó?
O que acontece?
— Agora é permitir que a lei de causa e efeito siga o seu curso.
O tempo não volta, não pára e não espera por ninguém.
As acções geram reacções e é preciso assumir a responsabilidade por elas.
Ter a consciência da extensão dos nossos actos é o que norteia o bem ou o mal que fazemos.
— Sinto que tirei um peso de meu peito.
— O ódio e a mágoa pesam, Zuma.
Seu peso impede que o coração ame e adoecemos.
Zuma sabia a longa estrada que tinha pela frente.
Tinha a consciência de que, apesar de todo o apoio que teria de Miquilina, no final teria que caminhar sozinho.
Levantou a cabeça do colo acolhedor da Preta Velha, segurou suas mãos e as beijou em um gesto de reconhecimento de sua superioridade.
Ela sorriu com humildade, abençoando aquele espírito que finalmente retomava o caminho da felicidade.
Ele olhou Muzala brincando com os pés nas águas do lago e comentou:
— Mamãe não sentiu tanto toda essa mudança.
— Muzala também é mãe, Zuma.
Apesar de toda a revolta que sentiu com todo o ocorrido, ela acabou sintonizando-se com o sofrimento de Urânia.
É claro que isso não a isenta daquilo que lhe cabe dentro da cobrança da lei de causa e efeito.
O sol coloria o dia, fazendo o lago brilhar ainda mais.
O coração de Miquilina explodia de contentamento com o rumo dos acontecimentos.
Vendo Zuma e Muzala longe do Vale das Sombras e dispostos a dar continuidade à sua recuperação, elevou o pensamento em uma oração de agradecimento ao Criador.
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Re: Reflexos de um passado - Caboclo Sete Montanhas / Nilton de Almeida Júnior

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 15, 2016 9:20 am

CAPÍTULO XXXVI - Umbanda: um mundo cheio de luz
Um ano depois desses acontecimentos, encontramos Urânia frequentando assiduamente as sessões no terreiro de Dona Luiza.
Não era médium de incorporação, mas sua vidência, audição e intuição faziam dela um excelente canal de comunicação com o mundo espiritual.
Gostava de chegar cedo ao terreiro, ajudava no que fosse possível, folheava os livros da biblioteca ou simplesmente se sentava na assistência e ficava absorvendo a paz do ambiente, deixando-se envolver pela suave música que saía das caixas de som enquanto aguardava o início da sessão.
Amanda e Mauro completaram três meses de casados.
Urânia estava sentada na assistência.
Escrevia nomes que seriam colocados nos trabalhos de irradiação.
De vez em quando parava para contemplar o altar enquanto sentia o cheiro das ervas trazidas pelos médiuns que trabalhariam com os Pretos Velhos que, em breve, estariam ali para as consultas daquela tarde.
Era um intenso cheiro de arruda, manjericão e alecrim, e nessas ocasiões ela sempre se lembrava da falecida tia e da Preta Velha Miquilina.
Como de costume, escreveu o nome de Amanda e, ao fazer isso, naturalmente lembrou todo o seu tratamento.
Como naquela manhã em que, preocupada com a filha, escolhia feijões, voltou no tempo e reviveu o seu drama de tentar levar a gravidez a termo.
Alegrou-se novamente ao reviver as emoções que sentiu com o nascimento de Amanda, lembrou a disputa entre a filha e o esposo e criticou sua própria incapacidade de não se posicionar, permitindo que entre os dois fosse criada uma imensa distância; lembrou-se também da doença e morte da tia e da sua não-aceitação dessa ocorrência natural da vida.
Viu-se novamente negando a mediunidade e a religião, reviveu todo o processo obsessivo de Amanda até a sua cura.
Enquanto viajava pelo passado, em determinado momento em que fitava as imagens do altar, teve a conhecida sensação de que subitamente podia ver algo mais, além do que os sentidos físicos percebiam.
Sentiu o conhecido perfume da falecida tia e teve a nítida sensação de uma presença ao seu lado.
Virou-se sorrindo já sabendo quem iria encontrar.
Não se assustou nem um pouco quando viu a seu lado a falecida tia a sorrir.
— Titia! Que saudade!
— Minha filha, também sinto muito a falta de vocês.
— Tia, tenho tanta coisa para contar...
— Eu sei, minha filha... tenho acompanhado vocês de longe.
Estou aqui para dizer que estamos muito felizes com a evolução dos acontecimentos.
— Minha teimosia só teve fim quando vi que a vida de Amanda corria perigo.
— Chega de lamentar o que passou.
O tempo não pára e não espera por ninguém.
Você agiu de acordo com o que achava que era certo e graças a Deus soube reconhecer quando era hora de mudar de atitude.
Mudar de opinião e ir contra princípios fortemente arraigados é um acto de extremo sacrifício e coragem.
— Amanda não poderá vir hoje.
Está acamada... da outra vez que a senhora apareceu, lembro que ela já apresentava sinais daquela perturbação... a senhora não vai me dizer que...
— Amanda está bem.
A perseguição da qual ela foi vítima há muito terminou e você sabe disso.
Aprenda a confiar na cura e a desvencilhar-se daquelas lembranças, pois não é saudável ficar reforçando com a memória momentos tão desagradáveis.
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Re: Reflexos de um passado - Caboclo Sete Montanhas / Nilton de Almeida Júnior

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 15, 2016 9:21 am

A emoção que essas recordações despertam podem acabar alimentando obsessores que se aproveitam das emanações mentais que o estado de preocupação e excitação provoca nos encarnados.
Amanda não está doente.
A indisposição dela significa que a família está aumentando.
— Grávida?
Amanda está grávida?
— Sim, para isso vim até aqui.
Para te preparar e para pedir que diga para Amanda que seja muito carinhosa e paciente com essa criança, pois será muito carente de afecto, mas ao mesmo tempo precisará de um pulso firme a orientá-la.
— Como assim, titia?
— Amanda e o espírito que se prepara para reencarnar têm sentimentos para serem ajustados e assuntos pendentes.
Além disso, a criança apresentará desde cedo sintomas de mediunidade que precisará ser muito bem orientada.
— Como assim, tia? Não estou entendendo.
— Diga a Amanda para aceitar essa criança com todo o coração.
Você também, por sua parte, receba esse menino e faça dele um homem de bem.
— Menino?
Sempre foi o sonho de Humberto ter um menino.
— Agora preciso ir.
Diga para Selma que eu também a amo.
— Espera, tia, não se vá...
A visão de Sandra desapareceu e, como da outra vez, somente seu perfume ficou no ar.
A duração da comunicação foi de menos de um minuto, mas para Urânia pareceu ter sido muito mais.
O fenómeno foi tão real que uma das médiuns que arrumavam o terreiro perguntou:
— Dona Urânia, a senhora está falando sozinha?!
Sem ter como negar a pergunta, Urânia respondeu com os olhos húmidos:
— Acabei de receber a melhor notícia de minha vida.
Na espiritualidade, já estavam em andamento os preparativos da reencarnação de Zuma.
Depois da conversa que teve com Miquilina naquela manhã na beira do lago, sua atitude em relação a Amanda entrou em um processo de reformulação.
Depois de amarga e incómoda análise, decidiu que somente um mergulho na carne na condição de filho e mãe eles poderiam rectificar os laços emocionais que os envolviam.
— Fico feliz em saber que essa decisão tenha partido de você, Zuma — disse Miquilina.
— Percebi que tem de ser assim, Vó.
Preciso esquecer o que aconteceu e começar tudo de novo.
Só com a reencarnação isto será possível.
— Sim, mas não esqueça que a reencarnação promove o esquecimento temporário do passado, mas não o apaga nem isenta ninguém das reacções naturais às acções anteriores àquela vida.
Entre você e Amanda existem diferenças a serem corrigidas e isso nem sempre se faz com facilidade.
— Eu sei, vó, e conto com sua ajuda para essa empreitada.
— Preciso te lembrar que sua associação com os magos do astral inferior vai te render uma mediunidade precoce e de tratamento complexo, além da perseguição dos escravos que você fez, enquanto ainda vivia no Vale, e que, quando te reconhecerem na forma de um menino indefeso e precocemente mediunizado, não hesitarão em te perseguir.
De tempos em tempos, serás vítima de terrores nocturnos, pesadelos e estranhas enfermidades.
Tudo fruto de seus actos praticados contra Amanda e que retornarão naturalmente por meio daqueles que você aprisionou, mas que também não deixarão de estar obedecendo à implacável lei do retorno.
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Ave sem Ninho

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Re: Reflexos de um passado - Caboclo Sete Montanhas / Nilton de Almeida Júnior

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 15, 2016 9:21 am

— Quando começará minha volta?
— Já começou.
Amanda já apresenta os sinais típicos de gravidez, o que significa que a formação do seu futuro corpo já está bem adiantada.
Esta noite, durante o sono, Amanda será desligada temporariamente do corpo e os espíritos especializados em reencarnação iniciarão a fazer as ligações entre você e o embrião.
— E depois?
— Depois, à medida que o tempo for passando, a gravidez vai progredindo, as ligações entre você e seu novo corpo ficarão mais fortes.
Você passará, cada vez menos, a participar dos acontecimentos deste plano, para participar dos acontecimentos no plano material.
Sentirá o calor aconchegante do corpo de sua mãe, escutará as batidas do seu coração, sua voz... e essas sensações irão gradativamente se sobrepor à consciência que você agora tem, provocando o esquecimento do passado e criando condições para que uma nova página seja escrita no livro que conta a história de sua vida.
Zuma olhou para Muzala e seu olhar já estampava saudade.
Foi quando Miquilina adiantou-se e disse:
— Muzala ficará bem em minha companhia.
Ela também reencarnará.
Será sua irmã.
Não se preocupe, pois a sabedoria de Deus é infinita.
***
No terreiro, o som do atabaque anunciava o início de mais uma sessão.
A fumaça perfumada preenchia o ambiente, convidando todos a sintonizarem-se com as forças da natureza.
O filho de Mauro e Amanda, confirmando mensagem recebida pela avó, completava um mês de nascido.
Toda a família estava presente e Urânia tinha o coração acelerado, pois sentia que ele batia no ritmo do tambor.
Seu rosto transmitia a tranquilidade que somente a fé equilibrada possui.
Olhou com carinho os médiuns em formação, sentiu-se parte integrante daquele grupo, daquela família que a acolheu e a ajudou em um dos momentos mais difíceis de sua vida.
Envolvida pelas recordações, riu de si mesma quando percebeu que na verdade deveria agradecer aos obsessores de Amanda, quando com sua perseguição acabaram por levá-la ao encontro do mundo mágico das entidades e orixás.
Chorou serena e discretamente quando percebeu que agora era capaz de realmente compreender cada palavra do Hino da Umbanda que naquele momento começou a ser entoado.
Sua emoção fê-la sintonizar-se com o mundo espiritual e pôde divisar nitidamente a tia acompanhada de uma Preta Velha e de um Caboclo; intuiu que eram respectivamente Vovó Miquilina e Seu Pena Verde.
Os três espíritos sorriram para ela, confirmando a sua intuição.
De agora em diante tudo dependeria do empenho de cada um daqueles personagens em permitir que o tempo seguisse seu curso, cicatrizando as feridas e promovendo oportunidades de redenção e de progresso.
O ambiente estava repleto de entidades felizes com o desfecho que aquela situação prometia.
Uma chuva de partículas de luz caía sobre aquela família, enquanto todos cantavam o hino com alegria:

Umbanda: um mundo cheio de luz

§.§.§- Ave sem Ninho
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Re: Reflexos de um passado - Caboclo Sete Montanhas / Nilton de Almeida Júnior

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