Conde J. W. Rochester - NAEMA, A BRUXA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

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Re: Conde J. W. Rochester - NAEMA, A BRUXA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 01, 2016 8:32 pm

Mas o monge era inacessível ao medo.
Deitou-se e dormiu e em sonhos viu um espírito, seu celeste libertador, que lhe dizia:
- Levanta-te e vai.
Atrás daqueles rochedos terás um combate agradável a Deus.
Miguel acordou sobressaltado.
Parecia-lhe ouvir ainda a voz da entidade e cheio de um piedoso ardor, partiu imediatamente.
Mas com grande espanto seu, ao abaixar-se para pegar o saco que continha sua magra refeição, ele viu em cima dele uma machadinha de cabo de marfim perfeitamente materializada.(1)
Compreendeu que este presente misterioso devia ter um fim desconhecido para ele.
Miguel ocultou a machadinha sob o hábito e com passo apressado dirigiu-se para os rochedos designados.
À medida que ele se aproximava, um clarão pálido se fazia ver.
Depois, um murmúrio confuso de vozes, de cantos misturados com gritos roucos, feriu-lhe os ouvidos.
Bruscamente, ele parou.
Este rumor de uma multidão agitada, a melodia destes cantos, os gritos entrecortados de blasfémias, ele os conhecia bem e um estremecimento sacudiu-lhe todo o corpo.
Mas a hesitação não durou mais que um segundo.
Mais depressa, retomou seu caminho, subiu numa das rochas e, oculto na escuridão, lançou um olhar ao seu redor.
A seus pés se estendia uma charneca árida, clareada por fogos acesos aqui e ali e no fundo, sobre um montículo encimado pelo espécie de dólmen que ele já vira em reunião semelhante, erguia-se o repugnante símbolo da profanação, dominando a turba formigante que, a seus pés, se expandia em todos os excessos da orgia.
Uma santa cólera se apoderou de frei Miguel e ele sentiu em si a força e a energia necessárias para dispersar esta diabólica reunião.
Desceu à planície e caminhando nas sombras dos rochedos, ganhou o montículo onde se entronizava o ídolo, erguendo os dois braços de tochas cuja luz vermelha e vacilante clareava sua face bestial.
Lentamente, sem ser notado, Miguel subiu no montículo, saltou sobre o dólmen e com um só golpe de machadinha partiu o ídolo monstruoso que rolou por terra.
Em seu lugar apareceu, dominando a planície, a alta figura de um monge vestido de branco e erguendo numa das mãos um círio que se acendeu sem que ele soubesse como e na outra a cruz.
Um instante de mortal silêncio se estabeleceu.
Em seguida, gritos humanos se elevaram de toda a parte e qualquer coisa de indescritível se produziu.
Um formigueiro parecia em ebulição.
Como louca, a multidão se arremessava por todos os lados, atropelando e esmagando-se.
Alguns caíam em convulsões e eram pisados, outros pareciam tomados de loucura.
Mas de repente este pânico se mudou em ira.
Uma parte dos fugitivos deu meia volta e, como enraivecidos, atiraram-se no dólmen no qual se mantinha sempre de pé a figura branca do monge.
O rosto inspirado, os olhos voltados para o céu, ele continuava a brandir o símbolo da salvação e o hino santo que ele cantava com voz sonora, por instantes dominava o barulho infernal.
Como uma avalanche, os furiosos rodearam o dólmen, tentando escalá-lo, agarrar o hábito do monge para tirá-lo de sua posição, estrangulá-lo e fazê-lo em pedaços.
Era verdadeiramente um quadro terrificante o círculo dessas faces bestiais, espumando, crispadas de ira, desses braços erguidos e armados de projécteis diversos, que se arrastavam aos pés do homem intrépido que, armado somente de sua fé e do poder de sua vontade, aventurara-se neste lugar de horror e de maldição.
E evidentemente estas armas eram eficazes, porque um círculo intransponível parecia cercar o monge.
Contra este círculo se quebrava a malta enraivecida, que caía blasfemando.
Ao romper da aurora a multidão se dispersou.
Com um olhar triste, o monge contemplou esse campo onde as mais vis paixões se tinham degradado - e depois dedicou toda sua atenção e cuidados aos sobreviventes.
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Re: Conde J. W. Rochester - NAEMA, A BRUXA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 01, 2016 8:32 pm

Em primeiro lugar ocupou-se dos obsidiados.
Aspergiu-os com água e fez preces com suficiente força de vontade que muitos infelizes ficaram livres de seus atormentadores, os quais fugiram dando gritos agudos.
Quando o sol iluminou com seus raios vivificantes a planície desolada, o mais difícil estava feito.
Miguel salvara os que o podiam ser e pensara nos feridos.
Os miseráveis seres se amontoaram ao seu redor, contemplando-o com respeito e gratidão.
Então ele lhes começou a falar do Pai celeste, de seu divino filho e de sua infinita misericórdia para com todo o pecador que se arrepende.
E tal era o poder persuasivo de sua palavra, que as lágrimas corriam de todos os olhos e um raio de esperança iluminou as almas ensombrecidas, despertando nelas o desejo ainda vago de se reconciliarem com Deus.
Humildemente, eles se prosternaram diante do pregador inspirado, suplicando-lhe que os ajudasse a reconquistar a iluminação.
- Certamente, meus irmãos!
Eu não os abandonarei neste lugar de perdição - respondeu alegremente Miguel.
Sigam-me, eu os conduzirei a um lugar onde vocês poderão, pelo arrependimento e pela prece, iniciar uma nova existência.
Ponham-se em colunas e os que estão sãos amparem os feridos e em marcha!
A frente de sua estranha corte, frei Miguel retomou o caminho do convento, cantando hinos com sua bela voz e confortando os que fraquejavam, com afectuosas palavras.
Ele decidira confiar a tropa dos arrependidos aos cuidados de frei Lázaro e sabia que ninguém melhor do que ele era capaz de repor estas almas perturbadas e cambaleantes no caminho da virtude.
O piedoso eremita aceitou o encargo com alegria, e a fama de frei Miguel cresceu ainda mais.
Com um temor respeitoso e supersticioso, o povo olhava este jovem monge, esbelto e pálido, que ousara o que ninguém antes ousara:
desafiar as entidades inferiores directamente em seu próprio centro de acção.

(1) - Um fenómeno evidente de transporte de objecto, possível pela interferência de um médium. (N. da E.)
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Re: Conde J. W. Rochester - NAEMA, A BRUXA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 01, 2016 8:32 pm

IX - A LUTA DOS MONGES

Depois do simulacro de casamento com o senhor de Riding, a vida de Leonor sofrera uma mudança radical.
O velho pecador, insaciável de prazeres de toda a sorte, gostava do ruído e da sociedade.
Ele se instalara com Leonor, a quem apresentava em toda a parte como sua legítima mulher, num bonito castelo perto de Estrasburgo e nessa esplêndida mansão, as festas e os banquetes se sucediam sem interrupção, reunindo toda a alta sociedade dos arredores.
A estranha beleza da senhora de Riding excitou a admiração geral.
Mas todas as homenagens e atenções dos mais brilhantes fidalgos deixavam a jovem fria, apática e indiferente.
O luxo principesco que a rodeava, o perene murmurar da multidão enfeitada que enchia sua casa, pesavam à jovem, cuja saúde se tornara precária.
Com um interesse doentio, ela procurava apenas adivinhar, entre estes homens e mulheres tão alegres e indiferentes, quem pertencia à seita infame, mas a coisa era difícil de descobrir, pois cada um ocultava cuidadosamente seu perigoso segredo.
Procurando um pouco de solidão que para sua alma amargurada era necessidade imperiosa, Leonor adquiriu o hábito de dar todas as manhãs um passeio solitário pelos arredores, proibindo a qualquer criado que a acompanhasse.
Um dia, num desses passeios, encontrou uma mulher cujo rosto simples e bom lhe recordou insistentemente sua pobre tia Brígida.
Dolorosamente comovida, ela manteve conversação com ela.
Soube que se chamava Ana, era mulher de um guarda-caça de seu marido e mãe de três filhos, dos quais, o mais velho, um rapaz de catorze anos, era paralítico das duas pernas.
A família era muito pobre e Ana voltava justamente da cidade, onde fora vender o pano que tecera e comprar medicamentos para o doente.
Leonor deu à pobre mãe uma moeda de ouro e prometeu ir visitá-los e levar-lhes auxílio.
Mas as bênçãos da boa Ana causaram dores e mal-estar à patroa.
Apesar disso, Leonor tornou-se uma visitante assídua da casinha do guarda.
Ela gostava de ver o rosto dessa mulher que lhe recordava sua segunda mãe e revia nela os radiosos quadros de um passado para sempre perdido.
Para as crianças, ela trazia brinquedos e gulodices e suas inocentes carícias proporcionavam uma alegria serena.
Assim, ela conquistou a inteira confiança dessa boa gente e eles tinham uma veneração mista de piedade por sua jovem senhora, tão bela, tão pálida e tão triste!
Em uma de suas visitas à cabana, Ana contou à sua benfeitora que nutria alguma esperança de que seu filho recobrasse o uso das pernas.
Ela soubera que nos arredores um santo monge, pela prece e pela aplicação das mãos, operava curas miraculosas e ela queria chamá-lo para ver seu doente.
Após esta notícia, Leonor se absteve por muito tempo de ir à cabana, mas um dia em que o tempo era particularmente belo, ela lá foi desejosa de ver as crianças.
Já ao se aproximar sentiu um abalo e ao entrar parou pálida e perturbada.
De pé, junto ao doente sentado numa poltrona, estava um homem alto, vestido com o hábito branco dos dominicanos.
Alguma coisa no porte desse homem lhe parecia familiar, mas sua voz a fez estremecer da cabeça aos pés.
Ela cambaleou e estendeu os braços, agarrando-se à ombreira da porta.
No mesmo instante o monge voltou-se e erguendo a cruz fitou-a com severa tristeza.
Era Walter e um terror sem nome se apossou de Leonor.
Como se um vento de tempestade a arremessasse para longe dele, ela fugiu e não parou senão à entrada do castelo, esbaforida.
Mas aí as forças a abandonaram.
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Re: Conde J. W. Rochester - NAEMA, A BRUXA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 01, 2016 8:32 pm

A cabeça lhe girava, as pernas não a sustinham, dor aguda lhe retalhava o peito, enquanto que uma torrente ardente lhe subia à garganta.
De repente um fluxo de sangue jorrou-lhe da boca e sem sentidos, ela tombou para trás.
Alguns criados espantados se precipitaram para ela, levaram-na para o quarto e avisaram o marido.
O senhor de Riding que adorava sua bela esposa, comoveu-se fortemente e chamou à sua cabeceira os melhores médicos de Estrasburgo que declararam seu estado muito grave.
Disso ele imediatamente avisou mestre Leonardo, que chegou no dia seguinte e quis ministrar à doente remédio desconhecido da farmacopeia comum, porque afinal ele era um sábio químico e médico, mas Leonor recusou terminantemente deixar-se tratar por ele.
- Estou cansada de morrer pela metade e quero acabar de uma vez.
Agora ou mais tarde não escaparei da maldição - disse ela com amargura.
Mestre Leonardo protestou fracamente contra esta decisão e partiu, recomendando a Riding que vigiasse bem sua mulher, para que nenhuma pessoa suspeita pudesse penetrar no castelo.
Contra toda expectativa, Leonor se restabeleceu o suficiente para se levantar, andar, dar pequenos passeios e receber visitas.
Mas a cor amarelada apresentada por sua pele tão branca e nacarada de outrora, o brilho febril de seus olhos e sua decadência visível, tudo indicava que seus dias estavam contados.
A própria Leonor sentia que a vida lhe fugia e uma atroz angústia a devorava.
Não era a morte que ela temia, mas as torturas das regiões inferiores que a esperavam quando ela cessasse de viver.
A festa da Páscoa se aproximava e a infernal confraria se preparava para festejá-la a seu modo pelos actos mais ímpios.
O senhor de Riding e quase toda sua criadagem que eram afiliados, preparavam-se para partir para o castelo de mestre Leonardo onde, desta vez, todas as orgias deviam ser praticadas.
Mas Leonor, cujo estado piorara subitamente, estava tão fraca que foi preciso desistir de levá-la, o que a encheu de alegria.
A moça pediu somente a seu marido que permitisse que a mulher do guarda-caça viesse cuidar dela, pois lhe era muito simpática.
Riding consentiu nisso de boa vontade.
Ele não desconfiava da simples e ingénua camponesa e sua presença junto à enferma, ainda lhe permitia leva uma camareira, desesperada por ter de faltar a festas tão esplêndidas.
Na manhã da partida de quase todos os moradores do castelo, Leonor teve uma nova perda de sangue pela boca e ficou tão fraca que teve de ficar deitada.
- Minha querida senhora - disse-lhe então Ana que a observava com inquietação - não quer ver um padre e receber orações?
Isso a aliviará e confortará.
Estas palavras sacudiram a pobre Leonor, e agitando-se na cama, suspirou:
- Ah! Se eu o pudesse!
Mas não posso, eu sou uma maldita, condenada às chamas eternas.
A boa mulher pensou que sua senhora tinha enlouquecido.
Como que ela, tão boa, tão meiga, tão caridosa, podia estar amaldiçoada?
Mas recordando-se do senhor Riding - cuja reputação era duvidosa, temor e pena a tomaram e, pretextando ter de ir ver o que se passava em sua casinha, ela desapareceu e foi procurar frei Miguel que ainda andava pelos arredores tratando de alguns obsidiados.
Contou-lhe o que acabava de se passar, suplicando-lhe que viesse ver a doente e curar-lhe pelo menos o espírito.
Miguel ouviu de cabeça baixa.
Ele compreendia que tinha chegado o momento de experimentar seu supremo sofrimento, e de arrancar, se possível a alma da mulher amada do poder das forças inferiores.
Sentia também que tudo o que tinha sofrido até esse dia não era nada diante da luta que o aguardava.
Contudo, sem hesitar, ele resolveu penetrar no castelo por bem ou pela força e não deixar a cabeceira da moribunda enquanto ela não expirasse reconciliada com o Altíssimo.
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Re: Conde J. W. Rochester - NAEMA, A BRUXA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 01, 2016 8:32 pm

- Irei amanhã cedo, Ana.
Prepare, sem que ninguém veja, água e zimbro para fazer fumigações, - disse ele.
Hoje, véspera da sexta-feira santa, devo orar e preparar-me para amanhã.
Ficando só, Miguel se ajoelhou para buscar em ardentes preces a força para salvar a alma de Leonor.
Quando ele interrompeu a oração para acender um círio, viu com espanto frei Lázaro de pé em sua porta.
- Vim, meu irmão, para ajudá-lo na luta que o espera e trouxe alguns objectos de que necessitaremos.
Um sonho me mostrou a pobre mulher cujo espírito vamos disputar ao seu terrível dominador e sem tardança me pus a caminho.
Felizmente, cheguei a tempo.
Miguel agradeceu com efusão.
Com o amparo de Lázaro ele se sentia invencível.
Os dois monges discutiram como agir e tendo o eremita manifestado a opinião de que o próprio mestre Leonardo viria defender sua presa, Miguel perguntou-lhe se verdadeiramente ele o tinha como poderoso génio do mal.
Lázaro sorriu.
- Não. Para ser a corporificação do mal ele é miserável demais.
É somente um instrumento da extrema degradação que domina em maior ou menor parcela grande parte da humanidade.
Porém, mais do que os outros, ele se aprofundou na ciência do mal e por isso tornou-se um dos chefes.
Mestre Leonardo é o nome de guerra dos chefes diabólicos, que um transmite ao outro.
Este que você conhece, quando vivo, se chamava Bertoldo Schwarzefels e eu o conheci muito bem.
- Como! - exclamou Miguel horrorizado, - o homem que eu vi beber, comer, entregar-se a todos os excessos, é um morto, um espectro?
Será possível?
- Sim, meu irmão, é possível.
Existem espíritos que se chamam agéneres, seres híbridos e perigosos, que momentaneamente são tangíveis e se fazem visíveis.
- Você conheceu este Bertoldo e está bem certo de que ele morreu?
- Como não!
Não posso ter nenhuma dúvida a esse respeito, mas você verá ao lhe contar resumidamente sua história:
Quando eu era moço e levava nesta mesma região uma vida mundana, tinha por vizinho um velho fidalgo muito rico, o conde de R..., do qual Bertoldo era sobrinho.
Foi em casa do conde que conheci Bertoldo.
Diziam então que ele se ocupava de magia negra e de alquimia e possuía conhecimentos extraordinários dessa ciência tenebrosa.
Acrescentavam que ele tinha esbanjado seu património e que nada mais lhe restava do que o velho castelo onde instalara seu laboratório e onde você e a desventurada Leonor viveram.
O conde de R. tinha dois filhos:
um deles, digno e belo jovem, que foi meu amigo e uma filha, Inês, um anjo de beleza e de virtude, que foi então o meu ideal.
Por cruel malefício, Bertoldo conseguiu afastar de mim e conquistar o amor de Inês, mas ele a seduziu e a abandonou.
Foi só depois de muitos anos que eu soube o nome do sedutor.
A infortunada se calava obstinadamente, jurando mesmo, coisa incrível, que o tinha esquecido.
Assim, moralmente perdida, ela fez-se freira.
No mesmo ano, o irmão Eberardo morreu caindo do cavalo de uma maneira incompreensível.
Seu escudeiro guardou por toda a vida a convicção de que o cavalo fora enfeitiçado e, como possuído de maus instintos, cuspiu da sela seu cavaleiro.
Bertoldo tornou-se o único herdeiro do conde.
Mas nesse tempo caíram nas mãos do infeliz pai, provas da vida tenebrosa de seu sobrinho e das obras de magia de que se ocupava.
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Re: Conde J. W. Rochester - NAEMA, A BRUXA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 02, 2016 7:53 pm

Como era um homem pio e bom, não quis perdê-lo completamente, mas exigiu que se arrependesse, renunciasse ao comércio de Satã e expiasse o mal cometido, tornando-se monge.
Caso contrário, ameaçou-o de denunciá-lo à justiça como feiticeiro.
Rangendo os dentes, mas apanhado como um rato na ratoeira, Bertoldo cedeu e recebeu ordens num convento dos Beneditinos, situado não longe daqui e do qual restam apenas ruínas.
Seu tio o dotou com enormes riquezas e ao morrer legou ainda consideráveis bens à comunidade.
O pobre homem pensava ter salvado a alma do seu sobrinho.
Como ele se enganou!
Diz o ditado que os que se parecem se juntam.
O prior do convento em que Bertoldo se fizera monge era um desses padres sacrílegos, que estavam filiados à seita do mal para satisfazer suas paixões bestiais e, graças a ele, a podridão moral invadira toda a comunidade.
Bertoldo, o mágico e frequentador do sabá foi-lhe uma preciosa aquisição.
Nessa época eu também me tornara uma presa da perdição.
Encontrei no sabá, Bertoldo, um dos mais furiosos blasfemadores e seu prior que era então o mestre Leonardo.
Este miserável morreu pouco tempo depois.
Acharam-no morto, parece, sobre o dólmen da charneca maldita, mas ocultaram cuidadosamente o facto e sepultaram-no com todas as honras no cemitério do convento.
Foi Bertoldo, ou melhor, frei Beatus, porque tal era seu nome na religião, quem substituiu o defunto prior.
Mais ímpio ainda do que seu predecessor, ele organizou orgias demoníacas nos próprios muros do monastério.
Devo confessar que eu mesmo assisti a muitas dessas reuniões sacrílegas e também àquela em que a cólera celeste atingiu Bertoldo.
Naquela noite, sobre o altar, no lugar do Redentor, entronizava-se o bode infame.
O maldito, transbordando de civismo, acabava de tirar do relicário uma santa relíquia e a profanava com horríveis blasfémias, quando de repente um relâmpago partiu, não se sabe de onde, e fulminou o monge, que caiu morto nos degraus do altar.
Ainda muitos monges, grandes culpados também, ficaram como que asfixiados e tiveram de guardar o leito doentes.
Eu próprio então me certifiquei da morte do criminoso prior, mas fizeram correr o boato de que ele morrera do coração e enterraram-no, como seu predecessor, no cemitério da comunidade.
Na mesma noite de suas exéquias, o fogo incendiou o monastério.
A maior parte dos monges adormecidos, bem como os doentes dos quais lhe falei, pereceram nas chamas.
Alguns que sobreviveram, arrependeram-se.
Do monastério, não restou mais do que a galeria de arcadas do claustro, uma parte da igreja e o cemitério.
Você com certeza viu essas ruínas na planície.
Elas têm má fama e mesmo os viajantes evitam aproximar-se delas.
Não sem razão, como você vai ver.
Já antes de sua destruição, boatos suspeitos corriam sobre o convento e o bispo projectava fechá-lo.
Depois do incêndio, testemunhas depuseram que nas ruínas o sabá era celebrado e que até o defunto prior saía de sua tumba e nele tomava parte.
Tive muito tempo depois da confirmação desse facto por um religioso com o qual eu conversei sobre esse triste passado.
Ele me contou que a pobre Inês, tendo sabido do incêndio do convento, quis ir ver se a tumba de seu pai não fora danificada.
Ela veio, mandou fazer alguns consertos e na noite que precedeu sua partida, ela foi orar no túmulo de seu pai e como que despedir-se dele.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 02, 2016 7:53 pm

A irmã convertida que a acompanhava teve medo de ir de noite ao cemitério mal afamado, mas Inês era corajosa e desejava, justamente, orar e chorar na solidão.
Em seu recolhimento, ela não reparou que já era meia-noite, quando subitamente um medonho barulho se fez ouvir.
Um vento de tempestade estalava e dobrava as árvores, fogos fátuos corriam pelos sepulcros com sinistras
Súbito, ao clarão de um relâmpago, ela viu erguer-se o espírito do homem que a seduzira e abandonara.
Os olhos fosforescentes do espectro fixados nela tiravam-lhe a coragem e quase a razão.
Muda, paralisada, nem protestou quando ele se aproximou, falou-lhe de amor e por fim arrastou-a ao sabá onde ela sofreu mil opróbrios.
Desesperada, ela acabou por invocar Jesus e Maria.
Então o monstro quis estrangulá-la, mas teve de largá-la ao ouvir o cantar do galo.
De manhã, a irmã convertida encontrou-a agonizante.
Foi o mesmo religioso de que lhe falei quem lhe ministrou os últimos sacramentos e ouviu da própria boca de Inês as minúcias que acabo de lhe contar.
Depois, a graça me tocou, esqueci Bertoldo e nada mais soube até o momento em que o reencontrei como seu perseguidor e da pobre Leonor.
Eu soube também que este espírito do mal preside o sabá e mora no castelo de seus antepassados, desde muito tempo tornado propriedade de um de seus parentes afastados.
Mas ninguém da família jamais quis habitá-lo nem visitá-lo.
Abandonaram-no simplesmente à acção do tempo, não suspeitando que o sinistro primo, morto há cinquenta anos, ocupara-o de novo.
- A paciência do Senhor não se cansará e não o arremessará nas trevas onde é seu lugar? - perguntou Miguel suspirando.
- Penso que a medida de suas iniquidades está cheia, e que sua hora vai soar! - respondeu solenemente frei Lázaro.
Mas agora venha, meu filho, precisamos estar juntos de Leonor, ainda em perigo.
Apressadamente, os dois monges terminaram os últimos preparativos.
Levaram uma centena de círios e uma grande ânfora de água fluidificada.
Entretanto, a mulher do guarda-caça, ainda que tremendo de medo, preparara tudo como lhe ordenara frei Miguel.
Porém, foi a enferma quem lhe causou mais embaraços, pois tomada de repentina inquietação, chorava de dores agudas por todo o corpo e apesar de sua fraqueza, queria a todo o custo levantar-se e deixar o castelo.
Ana compreendeu que era o obsessor que a atormentava e empregou todos os seus esforços para impedi-la de fugir antes da chegada do monge.
O desassossego de Leonor aumentava sempre.
Ela tremia, soluçava e por fim, empurrando Ana com cólera, se levantou, vestiu malgrado sua fraqueza algumas roupas e gritando que não podia ficar, que devia fugir, avançou para a porta empurrando Ana, que se agarrava nela com tal força que quase a derrubava.
De repente, Leonor parou e caiu de joelhos enquanto que seu rosto se contraíra horrivelmente.
Na soleira acabavam de aparecer Lázaro e Miguel com um círio aceso na mão.
- É Deus quem os traz.
Eu não podia mais impedi-la de fugir! - Exclamou Ana, persignando-se.
- Ela não fugirá nunca mais! - Disse gravemente Miguel, erguendo Leonor que se prostrara no chão como morta e pousando-a no leito.
Depois, às pressas, ajudou Lázaro a preparar tudo.
Este tirou do pacote que trouxera um candelabro de sete braços e uma toalha que estendeu diante da soleira.
Colocou o candelabro aceso na cabeceira de Leonor e no pé do leito uma grande cruz e cercaram a cama com quarenta círios acesos.
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Re: Conde J. W. Rochester - NAEMA, A BRUXA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 02, 2016 7:54 pm

Aspergiram todo o quarto com água fluida e queimaram incenso.
Quando Miguel tirou a cruz que usava e passou-a para o pescoço da moribunda, ouviram-se urros iguais aos de lobos.
Leonor se torcia em pavorosas convulsões:
Gritos e estouros repercutiram, espirais de chamas voaram pelo quarto, perdendo-se também na lareira.
Em seguida se fez silêncio e Leonor abriu os olhos.
- Walter! - murmurou ela reconhecendo-o, - oh! Salve-me, não entregue minha alma ao demónio!
- Não tema, querida - respondeu Miguel carinhosamente.
Você será salva.
Eles não poderão transpor a soleira, os imundos que tanto a fizeram sofrer.
Você vê quanta luz há aqui?
A cruz está diante de você e a toalha do altar na frente da porta.
Você não morrerá antes de ter recebido as orações e se reconciliado com Deus.
Foi o Senhor quem nos enviou para ampará-la.
Minha pobre Leonor vamos orar juntos.
O ex-fidalgo se ajoelhou e tomando entre as suas as duas mãos da agonizante as uniu e fê-la repetir as palavras da prece que receitava.
Leonor orava docilmente, com fervor apesar das dores atrozes que sentia e somente por vezes um grito traía seus sofrimentos.
Tinha a sensação de lhe arrancarem os cabelos um por um.
Por último, um frio glacial a invadia.
Como apesar de tudo, ela continuava a orar, as dores diminuíram pouco a pouco, dando lugar a uma profunda tranquilidade.
Essa trégua durou muitas horas e fez bem à jovem.
Pela primeira vez, depois de alguns anos, ela elevou seu pensamento a Deus com amor e esperança.
Mas à meia-noite o castelo se encheu de barulho e de movimento.
Ouviram-se no pátio, cavalos relincharem e galoparem, cães ladrarem, a criadagem gritar.
E poucos instantes depois, o senhor de Riding se precipitou para o quarto de Leonor, mas parou como que enraizado diante da soleira, proferindo uma blasfémia.
Ele estava hediondo, com suas roupas em desordem, os cabelos eriçados, a face convulsionada e o suor o banhava cada vez que ele fazia um esforço para transpor a porta que lhe barrava a passagem.
Espumando de raiva, ele tentou jogar impropérios nos dois monges, mas não o conseguiu e mudando de táctica começou a implorar que o deixassem passar para dizer adeus à mulher amada.
Porém, os monges não lhe deram nenhuma atenção.
Miguel sustentava Leonor, enxugava-lhe o suor gélido que lhe inundava a fronte e dava-lhe de beber da água fluida, enquanto que Lázaro orava em voz alta, enchendo o quarto de turbilhões de incenso.
De repente, um surdo estrondo fez tremer o solo e oscilar as paredes maciças do castelo.
Um silvar agudo rasgou o ar e na soleira apareceu mestre Leonardo materializado.
Ele estava medonho e irreconhecível.
Cólera e maldade infernal desfiguravam-lhe o rosto anguloso, coberto de cor esverdeada de cadáver.
Todo seu corpo tremia como que sacudido por estranha febre.
Blasfemando e agitando a mãos ele mandou que Naema, sua criatura, seu sopro, sua escrava, se levantasse e viesse imediatamente para junto dele.
E tal era ainda o poder do espírito sobre sua infortunada vítima que, pálida e trémula, ela obedeceu, levantou-se e quis correr para ele.
Miguel a segurou e apertando-a contra o peito, não a deixou fazer o menor movimento.
Lázaro se colocou diante da porta e brandindo a cruz gritou com voz trovejante:
- Acabou o seu poder, execrável produto do mal, você não terá esta alma porque suas horas estão contadas e você vai ser entregue aos sofrimentos que por tanto tempo infligiu aos outros.
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Ave sem Ninho

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Re: Conde J. W. Rochester - NAEMA, A BRUXA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 02, 2016 7:54 pm

Como tomado de loucura, mestre Leonardo rolou no solo torcendo-se como uma serpente e misturando blasfémias com tão horríveis esconjuros que até os intrépidos monges empalideceram e um arrepio os sacudiu. Porém, a pobre Leonor, sempre prostrada nos braços de Miguel, murmurava palavras de gratidão e de bênção.
Riding tentou mais uma vez transpor a porta, mas caiu como que asfixiado e não se mexeu mais.
Por fim, mestre Leonardo pareceu recobrar um pouco de sangue-frio.
Como uma mancha negra ele se agachou na soleira, vigiando cada movimento dos monges, perturbando-os com blasfémias e lançando sobre Leonor, que tinham deitado no leito, maldições e pragas que enchiam a jovem de mudo terror.
Assim, passaram-se a noite e o dia de sábado de aleluia, mas quando começou a noite de Páscoa, a ira reapossou-se de mestre Leonardo, que não se arredava da soleira.
Urrando e tripudiando, ele gritou:
- Devolva-me o anel que você usa no dedo, miserável que protegi com esse talismã.
Devolva-me, pois você me renega!
- Não, - respondeu Miguel, retirando o anel e o colocando na mesa.
Este talismã infernal ficará aqui e se dissolverá no momento em que se operar a libertação desta alma atormentada.
Vencido seu último engodo, mestre Leonardo se pôs de pé e visivelmente queria fugir.
Mas Lázaro ergueu os dois braços e exclamou imperiosamente:
- Fique e não ouse arredar-se desta porta até o momento em que a justiça divina o atinja.
Com gritos de fera e rugidos que estremeciam as paredes mestre Leonardo rolou por terra, mordeu o solo, por fim pediu, suplicou, rogou que o deixassem livre, mas Lázaro foi inflexível.
E enquanto ele mantinha assim subjugado o ser perverso e perigoso que causara tanto mal, Miguel ministrava a Leonor o passe revigorante e apenas a água fluida tocou seus lábios, ela ergueu-se radiosamente transfigurada, exclamando:
- O Senhor seja louvado, eu estou salva!
E caiu morta sobre os travesseiros.
No mesmo instante, começaram a repicar os sinos que anunciavam a ressurreição do Senhor.
Distintamente se ouvia o grave som da catedral de Estrasburgo e a este sinal, Lázaro bradou:
- Bertoldo Schwarzefels, laico ímpio, Beatus, padre renegado, morto-vivo, volta ao pó ao qual você pertence pela lei divina e humana.
Por esta cruz, corto os laços infernais que ligam sua alma a este corpo que é uma simples aparição momentaneamente tangível.
Mestre Leonardo permaneceu imóvel e agachado.
Turbilhões de fumaça e de chamas avermelhadas emergiram dele.
De repente um relâmpago riscou o espaço, um ribombo repercutiu ao longe e quando a nuvem de vapor negro se dissipou, o espírito havia desaparecido.
Acalmou-se um pouco a terrível emoção dos monges e eles agradeceram ardentemente a Deus a grande vitória que ele lhes concedeu.
Em seguida, como amanhecia, deixaram a câmara mortuária para tomar as providências necessárias para o sepultamento de Leonor.
Com o consentimento do bispo, o cadáver da moça foi colocado em um caixão, que lacraram com fechos de cera fluida, carimbados com o sinal da cruz.
A pedido de frei Miguel levaram-no para o cemitério do convento de São Lázaro, protegido pelas preces dos bons monges e de seu antigo noivo contra os ataques dos espíritos inferiores.
A notícia dos pavorosos acontecimentos desenrolados no castelo durante a noite de Páscoa, espalhou-se pelo público e o senhor de Riding, suspeito de conivência com o diabo foi preso.
Tendo o inquérito provado com toda a evidência que ele era culpado, que frequentara o sabá e que cumprira ritos satânicos, foi condenado à morte e queimado vivo alguns dias mais tarde na grande praça de Estrasburgo.
Grande número de seus criados e de outras pessoas provadas serem cúmplices, partilharam de seu suplício.
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Ave sem Ninho

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Re: Conde J. W. Rochester - NAEMA, A BRUXA / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 02, 2016 7:54 pm

E falou-se por muito tempo deste enorme auto-de-fé, o mais rico em vítimas a que até então se assistira.
A fortuna do senhor de Riding foi confiscada e seu castelo transformado em hospício, mas contam que, durante cada noite de páscoa, via-se correr ao longo dos corredores um monge de alta estatura, o rosto contraído por uma louca angústia.
Os proprietários do castelo de mestre Leonardo comoveram-se também.
O barão Schwarzefels, primo segundo do criminoso Bertoldo, foi para lá acompanhado de seu capelão.
A velha mansão tinha agora um aspecto de ruínas e mais sombrio, mais desolado do que nunca.
No interior encontraram grande quantidade de ouro, de jóias e de baixela preciosa, porém, nenhum traço de Oxarat e do anões.
O laboratório estava intacto, mas todas as essências, unguentos e manuscritos desapareceram.
A chaminé do grande fogão sobre o qual se amontoavam alambiques vazios e retortas quebradas, rachara de alto a baixo.
Todo o ouro e os objectos preciosos achados no castelo foram, por ordem do barão Schwarzefels, distribuídos aos pobres.
E o edifício foi destinado a tornar-se um monastério, mas este projecto não pode ser posto em execução.
Por uma tempestade furiosa, um raio caiu sobre a casa maldita e um incêndio destruiu-a até os alicerces.
O castelo não foi mais do que uma ruína, sobre a qual se encarniçou o fogo do céu.
Não se passava um ano sem que os raios fizessem novos estragos.
As torres ruíram, os baluartes se esmigalharam e as muralhas caíram.
A rocha tornou-se nua e o povo a chamava de a rocha do diabo.
Mas a lenda da estátua de cera sobreviveu ao castelo destruído e aos séculos que transcorreram.
Transmitem-na de geração em geração e nas vigílias da noite ainda se conta a história de mestre Leonardo, o morto-vivo, de sua vítima Leonor e da grande vitória ganha pelo bem contra as forças do abismo.

N. da E.
- Há, porém casos em que a alucinação faz ver coisas que não tem nada de real.
Por exemplo, vós nos tendes dito que não existem demónios. De acordo.
Quando em sonho ou desperto alguém vê o que se chama Diabo, o facto não pode ser senão efeito de imaginação. Exacto?

- Sim; algumas vezes quando se fica impressionado por más leituras ou por histórias de diabruras e sensacionalistas, a gente se lembra delas e crê ver o que não existe.
Contudo a ti temos dito que o Espírito, sob a capa semi-material, pode revestir todas as sortes de formas para se manifestar.
Um Espírito brincalhão te pode aparecer, portanto com chifres e garras, se lhe aprouver, para abusar de tua credulidade, como um bom Espírito se pode mostrar com asas brancas e fisionomia radiosa.
O necessário é que se torne acessível a teus sentidos, eis porque toma tais formas ou quaisquer outras.
(Parte da questão 170 da 1ª Edição francesa de "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec)

§.§.§- O-canto-da-ave
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