AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 15, 2016 9:11 am

Vou estudar cuidadosamente sua proposta.
Reconheço, minha rainha, que sou muito sentimental, mas você, não, é prática até demais!
Também, teve a quem puxar, é neta da grande e inesquecível rainha Loretta.
Diana sorriu, abraçando-o.
—Sabe, meu rei, percebo muitas coisas, mas às vezes não falo, temendo magoá-lo, pois conheço sua sensibilidade.
Por exemplo:
Henrique mudou demais depois do casamento, não é verdade?
Você já ouviu dizer que por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher?
Pois é. Infelizmente, Ane acomodou-se e tem levado Henrique a esquecer os interesses da coroa.
Adoro sua filha, mas pouco me envolvo com ela, exactamente para deixá-la à vontade.
Senti, desde minha chegada aqui, um tanto de ressentimento por parte dela.
Até procurei compreender; afinal, tomei o lugar de sua mãe.
Assim que entrei no palácio, vi que fez tudo para humilhar-me, achando que eu fosse uma princesa selvagem e iria me sentir mal no meio de tudo que havia me arranjado de propósito.
Infantilidade pura!
Ela esqueceu-se de que cresci ao lado da rainha Loretta, que também lhe ensinou boas maneiras e etiqueta.
Minha avó foi uma das maiores damas que qualquer corte já conheceu.
Convivi com ela, aprendendo desde pequena a me portar.
Outra coisa me preocupa: eles sonharam ter um filho, claro!, que seria o herdeiro da coroa.
Mas nasceu uma linda princesa e senti a mágoa de Diana olhando meu ventre.
Quero pedir-lhe, por Deus:
assim que nascer meu bebé, vigilância absoluta vinte e quatro horas por dia, pois temo por sua vida.
O rei empalideceu.
Isso jamais lhe passara pela mente:
o ciúme de Ane.
— Diana, minha amada, você está nervosa!
Ane e Henrique jamais seriam capazes de tamanha maldade.
Afinal de contas, se tiver um filho, ele será o herdeiro da França e não apenas meu filho.
Quem se atreveria a mexer com o futuro rei?
— Meu marido, numa mente infantil passam muitas coisas, e Ane é como uma criança.
Perdoe-me falar assim dela, mas realmente ela o é e merece cuidados.
A sós, o rei começou a cismar:
e se Ane de fato estivesse magoada por ter dado à luz uma menininha?
Ficou tão feliz em ser avô de uma princesa com cara de boneca, mas, se tivesse sido um menino, seria o primeiro homem descendente dele e, consequentemente, o primeiro na sucessão real.
Diana tinha visão de águia, e ele iria ter cuidado dali em diante, inclusive com ela mesma.
Até o parto, reforçaria discretamente a segurança da esposa.
Arrepiou-se só de pensar em algo acontecendo com Diana ou seu filho.
Sonhara tanto em dar um herdeiro para a França, e no ventre da mulher estava a grande chance.
Ela tinha razão: carregava o maior tesouro francês.
Estudou o que poderia fazer com Henrique e Ane para afastá-los da corte até o nascimento do filho.
De repente, teve uma ideia:
mandaria Henrique ao sul para fiscalizar terras que tinha por lá.
Justificar-se-ia dizendo que a coroa estava sendo roubada pelos administradores e precisava de alguém com a capacidade dele para fiscalizar o património.
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 15, 2016 9:11 am

Ficariam num dos melhores castelos da família real, e ele poderia fazer um bom levantamento das propriedades.
Mataria dois coelhos com uma cajadada só.
Sentiria falta da filha e de Henrique, mas era uma forma de sentir-se bem e protegê-los também.
Estando longe, Ane não iria sentir-se tão humilhada quando nascesse o bebé de Diana, que, se Deus ajudasse, seria um menino.
Se acontecesse, a França iria comemorar oito dias.
Escreveu uma mensagem, carimbou-a e enviou-a ao genro, convocando-o à sua presença.
Colocou como observação no envelope:
"Assunto confidencial".
Recomendou ao mensageiro que o entregasse em mãos.
A noite, olhando para Diana, ficou imaginando:
"Ela é tão esperta quanto a avó!
Realmente Ane exagerou nos preparativos do casamento, imaginando que Diana ficaria inibida...
Minha pobre filha, cresceu muito carente!".
Diana, vendo-o pensativo, perguntou-lhe:
—O que há, meu rei?
Não se sente bem?
—Está tudo bem, minha querida.
Acho que devo tranquilizá-la com uma decisão que tomei.
Enviarei Henrique e Ane ao sul do país.
E contou-lhe seu plano.
Escondendo a alegria que sentia, parabenizou-o:
—Você tomou uma decisão nobre e inteligente.
E uma oportunidade para Henrique desenvolver um belíssimo trabalho que irá resgatar para ele mesmo a confiança que o povo perdeu, sem contar no quanto pode prosperar se fizer boa administração de nossos bens.
No dia seguinte, Henrique apresentou-se no gabinete real.
O sogro explicou-lhe a missão.
Henrique até suspirou aliviado, aceitando-a com alegria.
Era uma oportunidade de fazer seu trabalho.
Estava cansado e desanimado com a corte.
Jamais desabafaria com o rei sobre o que estava sofrendo ou passando desde a chegada de Diana.
Tinha certeza absoluta de que ela se casara com o rei para vingar-se dele.
Aproveitava todas as ocasiões para humilhar Ane.
Tentou conversar com Diana, mas esta nunca o recebeu, sempre mandando dizer-lhe estar muito ocupada.
Aos poucos, envolveu pessoas e mais pessoas em seu projecto de vingança.
O alvo era ele:
Henrique.
O rei nunca percebera nada, pois ela fazia as coisas de tal forma que não dava para provar suas artimanhas.
Ane vivia triste e magoada, vendo o rei como um joguete nas mãos de Diana.
A princesa amava demais o pai e sofria por não poder fazer nada contra Diana.
Henrique já tinha pensado em pedir licença ao rei e mudar-se para o Brasil com Ane e a filha, mas não podia fazer isso com a esposa.
Criada na França, ela jamais iria adaptar-se aos costumes brasileiros.
Deus, porém, tinha ouvido as preces de Ane.
Iriam embora para o sul do país.
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 15, 2016 9:12 am

Certamente ela iria sofrer com a falta do pai, mas ao mesmo tempo, longe dos olhos de Diana, viveriam em paz.
Pobre rei, tão apaixonado e tão cego!
Henrique ficara muito feliz ao saber do casamento de Diana com o sogro, porque sempre a imaginou como neta da magnífica rainha Loretta, mas em nada eram parecidas.
Deu a notícia a Ane, e esta caiu em prantos.
Ir embora da corte?
O sentimento que experimentava era que seu pai a expulsava de sua vida e também a neta.
Abateu-se tanto que Henrique ficou preocupado com sua saúde.
Animou-a, mentindo que ele mesmo tinha sugerido a missão ao rei, pois ficara sabendo que alguns dos cavaleiros do rei roubavam-no e gostaria de verificar isso pessoalmente.
Ane ficou mais conformada.
Sabia que o clima naquela época do ano era magnífico, e o sul, muito bonito.
Olhando por outro ângulo, seria maravilhoso ficar longe de Diana e de suas provocações.
Lembrou-se de Loretta e sentiu saudade.
Tanta nobreza, tanta bondade...
Como alguém poderia ter vivido em contacto com ela e ser tão má?
Diana não amava seu pai, pensava.
"Casou-se com ele para nos atingir."
Henrique partiu para o sul, levando consigo Ane e a filha, Deise.
Ane não foi despedir-se de Diana, e Henrique fez o mesmo.
O pai abraçou Ane e a netinha, que já abria os primeiros sorrisos.
Com os olhos cheios de lágrimas, sentiu um aperto no coração.
Na verdade, mandava a filha embora, o que não deveria estar acontecendo.
Só então percebeu uma tristeza profunda nos olhos de Ane.
Estaria a filha feliz?
Deus, envolvera-se tanto com a própria vida que se esqueceu da filha!
E se Ane estivesse infeliz com Henrique?
O que poderia lhe acontecer longe de seus olhos?
Aproveitou um momento em que Henrique se ausentou e puxou a filha pela mão, levando-a até o seu gabinete.
Sentou-se ao seu lado, abraçou-a e perguntou:
—Ane, perdoe-me.
Acho que cometi um erro muito grande deixando-a tão só.
Fale-me, por favor:
você está feliz com seu casamento?
Não minta para mim!
Se não desejar acompanhar Henrique, você e sua filha ficam, e prometo-lhe dar-lhes mais atenção.
Ane começou a soluçar, levando as duas mãos ao rosto.
—Meu pai, Henrique é a melhor pessoa do mundo.
Vivemos muito bem, graças a Deus.
Amamos um ao outro e nos respeitamos.
Estou triste, sim.
Desde que se casou com Diana, não temos mais tempo para falar a sós.
Estamos indo embora, mas vou ter coragem agora e falar-lhe o que me oprime a alma.
Diana não perdoou Henrique por não ter se casado com ela.
Acabou com a carreira dele e afastou-me de sua vida.
Parto agora com meu marido e minha filha e tenho certeza de que ela vai continuar a nos perseguir.
Fique atento, meu pai.
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 15, 2016 9:12 am

Diana é inteligente como a rainha Loretta, mas não usa o mesmo método que a avó.
Usa a inteligência para destruir-se e destruir os outros.
Pálido, o rei levantou-se e disse:
—Ane, minha filha, entendo seu ciúme como filha, mas não vou admitir que fale essas tolices de Diana.
Vejo que ela tem razão a seu respeito:
você não passa de uma princesa mimada.
Nunca pensou que pode ser a responsável pelo fracasso profissional de seu marido?
Fica enchendo a cabeça dele de tolices e não percebe que está lhe fazendo mal.
Ane levantou-se também, tremendo.
A vontade que tinha era de gritar ao pai que ele estava cego, mas sabia ser inútil.
Disse apenas:
—Um dia a verdade surgirá, meu pai.
Lembre-se de que o amo.Quero, entretanto, ficar o mais longe possível de você e de sua mulher.
Saiu da sala, deixando o pai para trás.
Abraçou a filha e pensou:
"Nunca mais desejo retornar a esta terra, nem você virá, minha filha.
Jamais vou lhe contar que é neta de um rei que ficou cego".
Dois meses depois da partida de Henrique, a França ficou em polvorosa.
Nascera o filho do rei.
A nação agora tinha um herdeiro, o filho de Diana.
O país estava enfeitado de ponta a ponta, a bandeira francesa tremulava anunciando o sucessor do trono.
O rei Henrique ficou muito sentido com a partida do chanceler e intrigado quando soube que um novo jovem assumira o lugar de Henrique, e que este se tornara desacreditado pelo povo.
Foi Lua de Prata quem lhe abriu os olhos:
—Meu marido, tenho certeza absoluta de que Diana não é feliz.
E apenas uma rainha.
Acredito que se casou apenas para estar próxima do chanceler e de sua esposa e não sossegará enquanto não vê-los liquidados.
O filho de Loretta empalideceu; Lua de Prata poderia estar certa.
E se fosse verdade o que dizia, com a saída dele dos olhos do rei, poderia fazer o que bem entendesse com os dois.
O chanceler era seu filho também.
Diana tinha destruído a própria vida e tentava fazer o mesmo com a vida do irmão e de sua família.
0 rei estava cansado e triste.
Sua mãe morrera, deixando um vazio muito grande em seu coração.
Lembrava-se do sofrimento final dela:
apontava para os cantos do quarto, falando com os olhos arregalados que Hari estava ali, rindo da agonia dela.
Coitada!
Estava tão mal que falava para os filhos da rainha falecida que tinha planeado a morte da mãe deles, que a matara.
Todos sabiam que não era verdade.
Acontecera o contrário:
fora a rainha que tentara matá-la.
Falava também que tinha mandado matar Raul.
Hari jogou-o no mar, mas ele salvou-se indo até a aldeia e, depois, transformou-se no cacique da pedra branca.
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 15, 2016 9:12 am

Chorando, dizia ter envolvido o jardineiro do castelo D'armis na morte de Hari.
Em seguida, falava que amara o rei.
Chamava por ele e agonizava como se estivesse afogando-se.
Nas poucas vezes em que ficou ao lado dela, não aguentou ver seu sofrimento.
Quem fora sua mãe para acabar assim, louca e debilitada?!
Pedia a ele que contasse a Henrique a verdade, que não esperasse por sua morte.
Na última vez em que a visitou, apontando para os quatro cantos do quarto, Loretta disse-lhe:
—Meu filho, todos estão aí:
seu pai, a rainha, minha mãe, meus tios e até o grande pajé.
Mas eles também estão aí e falam que vão me levar.
Hari é o chefe deles e vai vingar-se de mim.
Estava cabisbaixo, pensando no sofrimento da mãe e na abnegação do Monsenhor para com ela, quando entrou o rei da França.
Vendo sua tristeza, este lhe perguntou:
—O que se passa, meu amigo?
Temos motivos de sobra para sorrir e você está triste?!
Henrique balançou a cabeça.
—Bem sabe o que me dói na alma.
Não encontrei meu filho aqui e sei que ele não está nada bem.
Estou preocupado com meus filhos, tanto Diana quanto Henrique e sua família.
Por favor, ajude-me.
Preciso falar com a mãe do chanceler para saber que providência tomar.
O genro olhou-o, preocupado.
—Farei o que me pede.
Enviarei um mensageiro à procura de Mary.
Dois dias depois, o rei Henrique, aflito, torcia as mãos e andava de um lado para o outro.
Mary viria falar com ele.
Depois de um pouco de agonia, ela entrou, alta e elegante.
O cabelo mantinha-se loiro, e os olhos azuis brilhavam.
Vestida com requinte, não se parecia em nada com a menina tímida de sua juventude.
Ao vê-la, Henrique ficou emocionado.
Aproximou-se dela tremendo e com lágrimas nos olhos.
Mal pôde falar:
—Mary, depois de tanto tempo a vejo!
Ela estendeu a mão para cumprimentá-lo.
Henrique convidou-a para sentar-se.
Pareceu-lhe que o passado cobrava-lhe na alma sua falta de experiência e coragem de ter lutado por ela.
—Mary, perdoe-me por tudo.
O mais infeliz sou eu, acredite!
Só fiquei sabendo de meu filho alguns anos atrás, quando ele já era chanceler da França.
Creio que não deseje falar-me nada a respeito de sua vida e não tenho o direito de perguntar.
Apenas quero que saiba que sofri muito quando partiu sem deixar pistas.
Até construí um cemitério onde a amei, na intenção de enterrá-la dentro do coração.
Nunca imaginei que levava um filho meu no ventre.
O rei abriu-se, falando e contando toda a sua vida.
Jamais se portara daquela forma com alguém como o fazia com Mary.
Nada mais o segurava, e ele desabafou as mágoas.
Em silêncio, Mary o ouvia.
Quando comentou sua cisma de que Diana casou-se por revolta, Mary levantou-se e disse-lhe:
— Tenho absoluta certeza de que ela é infeliz e aos poucos está levando meu filho e a esposa para a morte.
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 16, 2016 10:50 am

— Mary, por Deus, ajude-me!
Vamos juntos ao encontro de nosso filho.
Vou levá-lo comigo e dar-lhe o que de direito lhe pertence.
Assumirei perante a corte e o mundo a paternidade de Henrique.
Só então poderemos ter paz.
— E o que fará com Diana?
Ela vai cair em desespero e ainda está se restabelecendo do parto.
O rei avaliou o tempo e sugeriu:
—Iremos daqui quarenta dias, se assim você aceitar.
Combinaram então de encontrar-se mais vezes para conversar a respeito da revelação da paternidade do filho de Mary.
Esta contou ao rei que fazia tempo que não voltava ao Brasil devido à situação do filho.
Despediram-se, e Henrique ficou olhando Mary afastar-se.
Conservava a elegância e a beleza da juventude em seus traços.
Como amara aquela mulher!
Agora percebia o quanto tinha sido tolo em perdê-la.
Lua de Prata ficou a par de toda a história e, como digna filha da aldeia do cacique da pedra branca, aconselhou o esposo:
— Volto com suas ordens.
O príncipe cuida de tudo como sempre, e, assim, quando retornar, ele estará preparado para receber o irmão que já conhece e estima.
O rei pediu-lhe que ficasse, pois poderia acompanhá-lo, porém ela insistiu em voltar para deixá-lo mais tranquilo.
Luana também precisava dela.
Aproximava-se a chegada do primeiro filho, e, na verdade, Lua de Prata estava saudosa de tudo.
Diana ficou contente com a permanência do pai entre eles, entendendo o retorno antecipado da mãe pela preocupação para com a irmã.
Ficou sabendo que seu irmão estava de casamento marcado com uma princesa oriental para dali seis meses.
Diana iria com o rei da França prestigiar as bodas do irmão e rever a terra natal.
Lua de Prata viajou, deixando o marido na corte francesa.
Sua incumbência não era nada fácil.
Ao chegar ao palácio, ficou sabendo da doença que se abateu sobre o Monsenhor.
Este se tornara uma pessoa muito querida.
Em poucos anos abriu dezenas de igrejas espalhadas pelo país e transformou os dois castelos doados por Loretta nos maiores internatos religiosos do mundo, onde nobres de várias partes do planeta iam estudar.
O Monsenhor estava no convento das montanhas, local que antes fora refúgio, descanso e lazer de muitos reis e rainhas.
A torre foi transformada em sala de oração, onde o silêncio era quebrado apenas pelo vento ou o canto de algum pássaro que fazia morada nas pedreiras próximas.
Lua de Prata pediu ao príncipe que providenciasse uma pequena comitiva para acompanhá-la até o local em que estava o Monsenhor.
Precisava vê-lo, pelo menos mais uma vez.
O enteado tinha a inteligência do pai e a bondade da mãe e logo atendeu Lua de Prata, que seguiu ansiosa por chegar onde estava o enfermo.
Foi bem recebida pelos responsáveis; afinal de contas, era a rainha, a visita mais importante da corte para o Monsenhor.
Levada ao leito do doente, chegou perto dele e ajoelhou-se, chorando.
O cansado religioso ergueu com dificuldade a mão e afagou a cabeça de Lua de Prata.
Seus olhos enuviados olhavam-na com doçura, enquanto a rainha acariciava-lhe os poucos fios de cabelo branco.
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 16, 2016 10:50 am

Desabafou, chorando:
—Meu pai espiritual, desde o primeiro momento em que o vi encontrei a paz em meu coração.
Vejo em seus olhos os de meu pai, que me deixou sem dar-me nenhuma notícia.
Sofro porque ele sempre foi tão amoroso comigo e custa-me crer que me tenha abandonado.
Abençoe-me para eu conseguir continuar vivendo com minha dor.
O quarto encheu-se de paz.
O Monsenhor segurou a mão da rainha, que chorava de emoção.
Só de pensar em perdê-lo, sofria.
—Meu pai, não me deixe, preciso tanto de você — suplicou-lhe aos prantos.
O sol escondeu-se no horizonte quando o Monsenhor demonstrou uma melhora repentina.
Pediu para ir até a janela, pois queria ver as montanhas e as primeiras estrelas que apareceriam em pouco tempo.
Lua de Prata alegrou-se com sua melhora.
Ele pediu para abençoar a todos os seus filhos espirituais.
Os padres que o acompanhavam choravam em silêncio.
A lua nova brilhava no alto da montanha, e seus reflexos prateados entravam pela janela, chegando até o leito em que ele se encontrava.
O enfermo chamou um auxiliar e pediu:
—Por favor, traga-me aquele baú.
Apontando-o, disse para Lua de Prata:
É seu. Prometa-me abri-lo somente em sua aldeia.
Ela estranhou o pedido, mas assentiu com a cabeça, prometendo abrir o baú na presença do cacique da pena dourada e do restante da tribo.
Olhando para Lua de Prata, estendeu a mão em sua direcção, e ela a tomou entre as suas, levando-a aos lábios.
—Quero beijar sua fronte, minha filha querida — pediu ele.
Encostou os lábios na testa de Lua de Prata.
A rainha continuava alisando-lhe o rosto.
Os olhos do Monsenhor, fixos no rosto dela, foram ficando nublados.
Olhando na direcção da porta, ele exclamou, sorrindo:
—Lua Branca, meu amor, você está aqui?
Grande cacique, grande pajé, grande espírito da mata, vocês vieram me buscar?
Olhou para Lua de Prata ainda sorrindo e abriu a boca, deixando sair as últimas palavras:
— Sua mãe a abençoa, minha querida filha Lua de Prata...
Com expressão de alegria no rosto, o Monsenhor parou de respirar e soltou a mão de Lua de Prata.
Ela desesperou-se.
Como poderia ele saber o nome de sua mãe, falar de seu povo?
Nunca havia comentado nada com ele.
Por mais que tentassem tirá-la dali, ela não queria sair, não se conformando com a morte do benfeitor.
Um dos padres informou-a de que precisavam vesti-lo com a batina preparada para a ocasião.
—Quero acompanhar o processo.
Ele foi meu pai espiritual e em nada me envergonho diante dele.
Trouxeram água perfumada com essências que ele mesmo havia preparado.
Lua de Prata assustou-se:
aquele perfume era usado na aldeia quando morria um dos seus.
O padre então abriu a batina do Monsenhor, e Lua de Prata arregalou os olhos.
O que viu desenhado no peito dele foi o suficiente para fazê-la cair.
Os padres socorreram-na ali mesmo.
Quando voltou a si, um deles a fez beber algo.
Estava chocada.
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 16, 2016 10:50 am

O Monsenhor era seu pai, e ela convivera com ele sem reconhecê-lo como tal.
Lembrou-se do dia em que levou Loretta à igreja.
Então ela o havia reconhecido, mas como?
Reencontrara o pai, mas perdia-o em carne e osso para sempre.
Em silêncio total, acompanhou o enterro.
Lágrimas desciam de seus olhos com tristeza.
Pediu ao príncipe, e este concedeu que o Monsenhor fosse enterrado ao lado da rainha Loretta.
Olhando para o túmulo, disse para si mesma:
"Aqui fica para sempre uma parte da minha vida:
os restos carnais do grande cacique da pedra branca ao lado de minha sogra e amiga".
Voltou à corte levando o baú e o juramento de só abri-lo na frente do irmão e de sua gente.
Estava deveras abatida e envelhecida.
O negro cabelo que outrora era motivo de orgulho na aldeia do cacique da pedra branca agora estava opaco pelos fios brancos que apareceram repentinamente em sua cabeça.
Após tomar algumas providências em família, Lua de Prata resolveu partir para a aldeia sozinha.
Assim que entrou na embarcação que a levaria para a tribo, olhou para trás e disse para si mesma:
"Adeus, pedaço de chão que tanto bem me fez, que tanta felicidade me ofertou.
Adeus, meus amados.
Volto para casa.
Acredito que já cumpri por aqui tudo que Deus mandou".
Chegando à aldeia, dispensou a embarcação.
O irmão não a reconheceu: parecia ter envelhecido dez anos, e sua tristeza era visível.
Abraçou a irmã e não lhe fez perguntas.
Esperaria a hora certa para conversarem.
No dia seguinte, Lua de Prata já tinha visto todos os parentes indígenas.
Chorando, resolveu descer em direcção ao rio.
Na trilha da árvore mágica, parou, e o coração bateu forte com a surpresa que teve:
à sua frente apareceu o grande espírito das matas.
Ajoelhou-se onde estava, e ele chegou-se até ela, tomando-lhe as mãos.
Sacudiu muitas folhas sobre ela.
Aos poucos Lua de Prata recuperou a paz que perdera ao ver o corpo do pai.
O espírito deu algumas voltas ao redor dela e depois começou a falar-lhe:
— Ele vive; logo, pode ir aonde deseja.
Vai estar com o vento e as estrelas, cruzando rios, mares e florestas.
Nunca abandonou você nem a aldeia.
Fez dela um templo, implantou a fé e a esperança e trouxe ensinamentos.
Levou para as igrejas a essência da aldeia, a simplicidade, a igualdade, a união e o perdão para o reino em que você era rainha.
Deu-lhe os melhores momentos de sua vida e veio ao seu encontro quando mais precisou dele.
Logo você irá ao encontro do vento e será levada aos braços de seus pais.
Apenas não sofra com a alegria daqueles que a amam.
Deixando Lua de Prata tranquila, o grande espírito cruzou sua cabeça, entrou na mata e desapareceu.
Ela andou até a beira do rio.
A brisa fresca soprou sobre seu rosto, e ela respirou calmamente, enchendo os pulmões.
Falou baixinho:
—Mãe, você me abraça no vento.
Sinto todos vocês me abraçando, me beijando.
Sei que está aqui, mãe querida.
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 16, 2016 10:50 am

Com os olhos fechados, sentiu o carinho da brisa passando por todo o corpo.
Estava bem.
Lembrou-se de que, quando criança, o pai a levava para o outro lado do rio, aos pés da serra, onde se concentravam correntes de vento.
As vezes pareciam música; outras, assovios.
—São nossos entes queridos conversando entre si.
Estão felizes porque estamos aqui — explicava-lhe.
Ficou muito tempo sentada na margem do rio ouvindo o murmúrio do vento.
Quando voltou para a aldeia, encontrou o irmão e todo o povo olhando-a com amor e bondade.
Ali os irmãos viviam em paz, todos se amavam, pois os grandes espíritos sopravam harmonia entre eles.
Estava com uma nova aparência, observou o cacique da pena dourada.
Ela então anunciou:
—Recebi uma grande missão do cacique da pedra branca.
Agora podemos chamá-lo assim, pois ele se foi para o mundo dos grandes espíritos e, portanto, ganhou a liberdade.
Pediu a presença de todos e contou sobre o último pedido do pai:
—Ele encarregou-me de abrir um pequeno baú na frente de vocês.
Preciso cumprir a promessa que lhe fiz.
Antes, quero contar-lhes tudo o que aconteceu a ele após ter saído para a nova missão.
Narrou tudo o que sabia dele até seu desaparecimento e também o reencontro na igreja, onde aprendera que Deus era um grande espírito bondoso em qualquer lugar.
Os homens trocavam Seu nome, mas o amor pelos filhos era o mesmo.
Falou sobre seu último encontro com ele no mosteiro e que só descobrira sua identidade quando lhe abriram a batina e viu o símbolo do cacique da pedra branca em seu peito.
Contou que morrera sorrindo e falando com Lua Branca e outros membros da aldeia.
Falou também sobre o grande espírito das matas.
Todos prestavam atenção ao que Lua de Prata falava.
Quando terminou de falar, buscou o pequeno baú e pediu que todos os membros da aldeia acompanhassem sua abertura, conforme fora pedido.
Os mais velhos e os mais jovens da aldeia estavam presentes.
Pediu auxílio ao irmão para abrir a caixa.
Dentro havia alguns escritos cuidadosamente protegidos, dois terços, dois livros sagrados, um cordão de ouro feito a mão, presente de Lua Branca ao esposo, e um bracelete indígena feito de pedras preciosas, presente do sogro no dia do seu casamento.
Abriu os escritos.
Um deles estava destinado a ela e outro a seu irmão, Raio de Sol.
O cacique pediu:
—Lua de Prata, leia para nós o que está escrito.
Se ele pediu para abrir o baú na aldeia, é para que todos pudessem ouvir.
Lua de Prata começou a ler:
—Minha querida filha Lua de Prata, quando estiver lendo esta carta, certamente estarei tentando galgar as alturas, recomeçando uma nova etapa da minha vida...
Quando Lua de Prata terminou a leitura das recomendações deixadas pelo pai, toda a tribo chorava em silêncio.
Os guerreiros estavam cabisbaixos em respeito à sua memória, e as lágrimas desciam dos olhos do cacique da pena dourada.
No final da carta, recomendou que o cordão ficasse com Lua de Prata, e o bracelete, com Raio de Sol.
Pediu que começassem a ler os livros e explicar ao povo que Deus confia muitas tarefas a Seus filhos em lugar e tempo por Ele escolhidos.
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 16, 2016 10:50 am

A mãe peixe, ou Nossa Senhora da Conceição, jamais deixaria de protegê-los.
Agora, no mundo da liberdade, se fosse possível, acompanharia os pequenos e os grandes espíritos e voltaria a todos os lugares em que trabalhou para ajudar a quem amava.
Raio de Sol levantou-se e saiu em direcção ao jardim sagrado.
Atravessou as flores, penetrando no jardim da pedra branca, onde os ancestrais fizeram suas orações.
Fora ali que receberam inspiração para comandar a tribo.
Agora era sua vez de decidir o destino da aldeia.
Parado, olhou para as brumas do mar, que lhe traziam muitas lembranças.
Virou-se para o rio. Este parecia uma serpente que se mexia e se enroscava ao encontro do mar.
Seu pai por certo era filho da mãe peixe e cumprira uma missão que não poderia ser confiada a qualquer um.
Ele, Raio de Sol, nunca poderia cumprir uma tarefa como a que fora confiada ao pai, o cacique da pedra branca, mas faria todo o possível para amparar a aldeia e transmitir ao povo a grandeza de Deus.
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 16, 2016 10:51 am

A REVELAÇÃO
Na França, o rei Henrique preparava-se para viajar.
Diana estranhou o interesse do pai pelo sul do país.
O que pretenderia?
Esperaria sua volta e então acabaria definitivamente com o chanceler e a esposa.
Mary acompanhava discretamente o rei em sua comitiva.
Nos últimos dias, haviam-se encontrado frequentemente.
Andava nervosa, reclamava Helen, custava a dormir, passava as noites andando sem conseguir conciliar o sono.
Embora idosa, a mãe tinha boa saúde e disposição e observava tudo que se passava à sua volta.
Era conselheira das netas, já casadas.
Sua sensibilidade e percepção pareciam ter aumentado mais ainda com a idade.
Certa tarde, vendo Mary arrumando-se para sair, perguntou-lhe sem rodeios:
— Mary, você está apaixonada?
Só me lembro de tê-la visto assim quando namorava o rei às escondidas.
Vamos, fale-me de uma vez o que está acontecendo!
Agora você se arruma bem, vive se olhando no espelho, mudou o cabelo e o perfume e parece ter rejuvenescido dez anos.
Claro que estou feliz em vê-la tão bem, mas quero que confie em mim e diga-me o que ocorre.
Mary ficou vermelha.
A mãe lia o que se passava em seu coração.
Como nunca havia mentido para ela, sentou-se e contou o que se passava, assegurando-lhe, porém, que apenas cuidava do filho.
Viajaria com o rei ao encontro de Henrique para revelar tudo sobre seu nascimento.
A mãe balançou a cabeça.
—Já vi que o destino é como uma fonte:
a gente represa aqui, ela arrebenta ali.
No dia da partida, Mary recomendou às filhas que cuidassem bem da avó até que ela retornasse da visita ao filho distante.
O rei e Mary estavam juntos novamente e desta vez nada temiam.
Na terceira noite de viagem, Henrique convidou-a para apreciar a lua cheia que brilhava sobre o mar.
Sob o luar, os olhos de ambos encontraram-se, e Henrique aproximou-se dela, abraçando-a com força.
Beijaram-se repetidas vezes.
Ofegante devido à emoção, o rei disse:
—Mary, Mary, por favor, não me abandone!
Dessa vez renuncio a tudo e a todos para ficar ao seu lado.
Não me abandone.
Você sempre foi a razão do meu viver.
Agora que a reencontrei, não posso deixá-la ir embora de novo.
Mary fechou os olhos.
Era como se nunca tivessem se separado; dentro dela explodia o amor que nunca morrera.
Sabia que o rei era casado, mas o destino os unia novamente.
Ao chegarem ao castelo em que viviam o chanceler e sua família, Mary foi recebida com muita alegria.
Ane estranhou a presença do pai de Diana em companhia da sogra.
Esta lhe falou:
—Ane, não se assuste.
Viemos até aqui para falar com meu filho e, claro, com você também.
Percebendo o carinho entre os dois quando se olhavam, a princesa pensou:
"Minha sogra e o rei, não pode ser!
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 16, 2016 10:51 am

Perdão, Deus, por meu mau pensamento".
Avisado da chegada da mãe acompanhada do filho de Loretta, Henrique apressou-se em voltar ao castelo em que estavam.
Tinha descoberto muitas fraudes na administração das propriedades reais, tendo emitido diversos relatórios que seriam enviados à corte.
Ficou imaginando o que estaria o sogro de seu rei fazendo ali.
"Bem, só conversando com ele para descobrir", pensou.
No caminho, lembrou-se da rainha Loretta, que fora tão boa com ele e Ane.
Recordou-se também da perseguição de Diana.
Contente com a notícia do casamento dela com o rei da França, sonhou vê-los felizes, mas descobriu que ela havia-se casado para vingar-se dele.
Ao entrar na sala, beijou Ane e a filha e correu até a mãe.
Abraçou-a e beijou-a e depois cumprimentou respeitosamente o monarca.
Este se pôs de pé e disse-lhe:
—Henrique, não vou me demorar.
Minha visita aqui é rápida, porém muito séria.
O chanceler sobressaltou-se, olhando para Ane e Mary.
—Estou às ordens, Majestade.
—Acho que não devemos fazer rodeios; afinal de contas, somos todos adultos — começou o rei, olhando para as duas mulheres.
Ane entregou a filha à babá, pedindo que os deixasse a sós.
Fechadas as portas da sala, o rei prosseguiu:
—Henrique, o que nos trouxe aqui é algo que envolve nossa família em particular.
Bem — hesitou —, conheci sua mãe quando ela tinha apenas dezasseis anos.
Amávamo-nos muito e aconteceu o inevitável.
Eu já era rei e também casado.
A mãe de Mary era governanta de minha mãe, que descobriu nosso romance e, preocupada com a corte, interferiu nele sem me consultar.
Resultado: a família toda foi embora para o Brasil, e Mary levou você no ventre.
Só fiquei sabendo de sua existência pouco tempo atrás.
Henrique teve a impressão de que tudo era um sonho.
Então Diana era sua irmã?
—Amo sua mãe e desta vez lutarei com todas as forças para ficar ao seu lado — finalizou o rei.
Quero que você e Ane venham comigo.
Conheço bem meu filho e sei que vai adorar saber que tem um irmão.
Venha ajudá-lo na corte, deixe-me recompensá-lo por tudo que não pude fazer antes.
Falarei com Diana.
Sabendo que são irmãos, tenho certeza de que vai parar de persegui-lo e tentar ser feliz.
Ela tem um filho e, creio, encontrará nele força suficiente para viver.
Henrique olhou para Mary, que chorava em silêncio.
— Minha mãe, por que mentiu tanto para mim?
Agora começo a entender sua aflição quando me aproximei da corte do rei Henrique.
Como nunca desconfiei disso?
— Meu filho, não julgue sua mãe, pois ela teve motivos para agir dessa forma.
Perdoe-nos. Estamos aqui pedindo-lhe desculpa.
Ofereço-lhe trabalho por ser meu filho e, principalmente, por sua capacidade.
Mary tomou-lhe as mãos e falou:
— Você não pode imaginar quanto sofri...
Busquei sempre dar o melhor de mim a você.
Sei que as coisas não têm volta, mas estamos lhe falando a verdade.
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 16, 2016 10:51 am

— O que você acha de tudo isso, Ane? — perguntou o chanceler à esposa.
— Todos nós estamos sofrendo muito, inclusive Diana.
Se recebemos uma oportunidade de acertar nossas vidas, por que manter o orgulho e prosseguir errando? — argumentou ela, calmamente.
Henrique abraçou a mãe e voltou-se para o rei, que se aproximou abrindo os braços.
Choraram juntos.
Ficou então acertado que Henrique voltaria dali dois meses, quando terminasse o levantamento pedido por seu rei.
Embora tivesse sido enviado até lá pelos caprichos de Diana, descobrira muitas coisas que certamente iriam interessar ao monarca e queria, por isso, terminar o que começara.
O rei iria conversar com Diana e contar-lhe a verdade sobre o irmão.
Falaria também com o genro a fim de levar o chanceler para a sua corte.
Renunciaria ao trono em favor do príncipe regente.
Os dois irmãos, juntos, fariam um bom reinado.
Por fim, falaria com Lua de Prata.
Tinha certeza de que iria entendê-lo.
Iria embora com Mary para qualquer lugar do mundo como um homem comum.
Precisava viver em paz consigo mesmo.
De volta à corte francesa, soube da grande tragédia:
Lua de Prata falecera na aldeia, vítima de mal súbito.
Não deu tempo de socorrê-la.
Diana estava inconsolada, muito triste e revoltada com a ausência do pai.
Este ficou ao seu lado e resolveu demorar-se um pouco mais até ela melhorar.
Só então contaria a ela sobre Henrique.
Um mês se passou.
Ele próprio também ficou bastante abatido com a morte de Lua de Prata.
Fora uma esposa maravilhosa, pura e repleta de bondade.
Nunca se esquecia do dia em que a conhecera, quando se encantou com sua delicada beleza.
Ficava horas absorto, pensando nas falecidas esposas, mulheres encantadoras que lhe deixaram filhos saudáveis, mas Mary era a única que preenchia seu ser por completo.
Não existia apenas atracção física, mas também paz e segurança.
Apesar de todo o sentimento que nutria por Lua de Prata, não abriria mão de Mary.
Precisava dela mais do que nunca.
O genro aproximou-se, dando-lhe um tapinha nas costas.
—Meu amigo, creio que está na hora de falarmos toda a verdade para Diana.
Vamos nos sentir melhor.
Ela é uma mulher forte e decidida.
Após a partida de Henrique e de minha filha, tenho percebido nela uma ansiedade muito grande.
Sinceramente chego a pensar que se casou comigo apenas para ocupar a vaga da coroa francesa e, principalmente, estar próxima de Henrique e reduzi-lo ao que planejou.
Amo minha esposa e, agora que me sinto o rei mais feliz do mundo com o nascimento do meu filho, quero conquistar o coração de Diana e ajudá-la a gostar de mim.
O rei Henrique concordou.
Ambos foram então à sua procura.
Encontraram-na com o filho nos braços, elegantemente vestida e preparada para sair.
O marido beijou-a e tomou o filho nos braços, cheio de orgulho e carinho.
Era um homem extremamente sensível.
— Diana, viemos aqui para falar-lhe, mas vejo que está de saída.
E algo urgente o que tem a fazer fora da corte ou pode esperar?
Podemos interromper?
— Ia apenas comprar algumas coisas para o nosso reizinho — respondeu nervosa.
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 16, 2016 10:51 am

Encaminharam-se para a sala de conferências. Diana estava preocupada.
O que queriam falar-lhe?
Teriam descoberto alguma coisa?
"Oh não!", pensou ela.
"Não pode ser verdade."
O marido ajudou-a a sentar-se, e o pai começou a falar:
—Minha filha, temos uma coisa muita séria para contar-lhe.
Não sei como vai reagir, mas chegou a hora de conhecer a verdade.
Após ter revelado sua história com Mary e a descoberta de Henrique, finalizou:
— Amo todos vocês, meus filhos, e quero reparar um pouco o mal que causei ao seu irmão Henrique.
Diana levantou-se, suando.
O marido, amparando-a, deu-lhe um copo com água e açúcar.
Tremendo, ela virou-se para o pai e disse:
—Meu pai, acabei com a vida do chanceler, desmoralizando-o perante a França, para dar-lhe uma lição, porque achei que tivesse se casado com Ane por interesse, não por amor.
Também arranquei Ane da casa do pai.
Nunca tive um sentimento de carinho por eles, e agora você vem me dizer que Henrique é meu irmão?
Por que não me contou antes?
Por que me deixou amá-lo como homem?
E agora, o que farei? — E desabou em pranto.
Ficou chorando por muito tempo, assistida pelo marido.
Quando conseguiu controlar-se, pediu, bastante abatida:
—Preciso ver Henrique, preciso ver Ane!
Quero morrer! O pai também chorava.
A situação era dolorosa para ambos.
Quinze dias depois, o rei Henrique estava de volta à corte com o coração aliviado do peso de muitos anos.
Reuniria a família e participaria a ela suas últimas emoções. Tinha deixado Diana bem.
Ela agora tinha a chance de ser feliz ao lado do marido.
Tudo se resolveria acertadamente para todos, acreditava.
Pretendia renunciar ao trono e deixar os dois filhos, bastante inteligentes e capazes, reinando.
O único senão era a falta e a saudade da mãe, a mulher mais importante de sua vida.
Recebeu muitas condolências pela morte de Lua de Prata.
Os filhos estavam bem.
A corte estava equilibrada, o príncipe era um jovem digno e competente.
Ficou sabendo da morte do Monsenhor e da última descoberta feita acerca dele: era seu sogro.
Ele sempre estivera ao lado da mãe.
Por certo ela sabia disso.
Que amor divino tivera aquele homem por todas as criaturas que chamava de filhos do grande espírito ou Deus!
Os castelos doados pela mãe transformaram-se em grandes internatos.
Neles concentravam-se os grandes mestres, e Loretta, amada e depois odiada, recebia grandes manifestações de carinho do povo, que voltava a vê-la como benfeitora dos pobres.
Os súbditos cobravam uma nova rainha, querendo que o monarca se casasse novamente.
Chegavam ofertas de casamento de reis do mundo inteiro oferecendo-lhe suas filhas, algumas de até quinze anos.
O príncipe regente, já casado e muito querido, chamou o pai em conferência:
—Meu pai, como sempre dizia a avó Loretta, "a voz do povo é a voz do rei".
Você precisa casar-se.
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 16, 2016 10:52 am

Se tomar a decisão que tem em mente agora, nosso país sofrerá um dano irreparável.
Meu irmão Henrique pode vir a ser um grande ministro e, com certeza, o homem mais competente da corte.
Ele preferiu não participar desta nossa conversa por não querer interferir em sua vida pessoal, mas o caminho é este: case-se.
O rei coçou a barba prateada e tossiu, olhando para o filho.
— Bem sabe que Mary é a mulher da minha vida.
Ela nunca me exigiu casamento, mas acho que está na hora de reparar um pouco o meu erro.
Se o povo a aceita, se quer ver o terceiro casamento do rei, irá vê-lo.
— Tenho certeza de que minha avó ficaria satisfeita com sua decisão.
Falam que os mortos podem ver e sentir o que passamos, o que espero seja verdade.
Por certo ela está muito feliz com o que está acontecendo.
Enfim, meu pai, você pode reparar seus erros e assim honrar a memória dos nossos antepassados.
Estou convencido de que toda a família se sentirá feliz.
A corte vai explodir de alegria ao vê-lo casar-se com uma mulher não tão jovem nem rainha, mas do povo.
O importante é que todos verão a felicidade em seus olhos.
Henrique também ficará contente.
Se já era amado pela corte, imagine agora, que se tornará enteado do rei!
Ele mesmo não quis ser reconhecido publicamente como seu filho, mas enteado é outra coisa.
Claro, você deve recomeçar sua vida com Mary falando a verdade ao povo:
ela é mãe de seu ministro, e o povo certamente observará a semelhança entre nós dois:
filho e enteado.
E os que comentarem a seu respeito com a mãe dele, não os leve para a pena de morte — finalizou, brincando, o príncipe.
Cinco meses depois, o filho de Loretta preparava-se para casar-se novamente, desta vez na presença do clero.
Católicos e não católicos, todos foram convidados.
O rei liberou comida, doces, frutas e um abono equivalente à compra de mantimentos para cinco pessoas a todas as famílias do país.
Era a primeira vez na história de um rei que isso acontecia.
Mary não quis aparecer antes do dia do casamento.
Muito nervosa, por várias vezes perguntou ao rei se era mesmo necessário casar-se.
Estava feliz e em paz, mas ele explicou-lhe a importância e o dever que um rei tinha para com o povo.
Os comentários eram diversos:
o rei ia casar-se com outra índia, ou uma princesa católica, ou uma sobrinha do rei francês.
Falava-se tudo, menos a verdade.
Diana veio com a família.
Estava mudada.
Ficou muito feliz em rever os irmãos, tios e primos e manifestou o desejo de ir até a aldeia da mãe:
queria ver os parentes indígenas e conversar com o tio para saber dos últimos momentos de Lua de Prata.
Soube da história do Monsenhor, na verdade o cacique da pedra branca, seu avô.
Por isso a mãe o amava tanto!
Ele morreu segurando as mãos dela e agora deveriam estar juntos, correndo no vento.
Abraçou-se a Mary e a Henrique, chorando emocionada.
—Meu irmão querido, a vida nos tem ensinado tantas coisas...
Estou contente por meu pai e sua mãe.
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 16, 2016 10:52 am

É uma história de amor com final feliz.
Henrique notou que Diana sofria.
Algo não estava certo na vida dela.
Não lhe perguntou nada, mas, a sós com Ane, comentou:
—Você percebeu que minha irmã está infeliz?
O que podemos fazer para ajudá-la?
Ane, ela tornou-se sua maior amiga.
Tente aproximar-se do coração dela para saber o que acontece e como podemos auxiliá-la.
Naquela mesma tarde, quando as duas passeavam juntas pelos jardins do palácio, Ane entrou no assunto:
—Diana, percebemos que você demonstra alegria para com todos, mas está infeliz consigo mesma.
O que se passa, irmã querida?
Seja o que for, esqueça que sou a filha do rei da França e sua cunhada.
Acima de tudo, sou sua melhor amiga, uma irmã que deseja confortá-la.
Diana empalideceu e começou a chorar.
—Ah, Ane, é difícil viver neste mundo!
Tenho inveja de minha mãe, que morreu, foi embora, mas deve estar feliz.
Só não me matei porque tenho meu filho.
Seu pai é o melhor homem deste mundo e não merece estar casado comigo.
Casei-me com ele sem amá-lo.
Queria vingar-me de Henrique e de você, confessei isso a ele e a meu pai.
Hoje, amo-o sinceramente, mas guardo remorso dentro de mim.
Minha consciência pesa demais.
Cada dia que olho para meu filho e vejo a alegria nos olhos do rei chego a desejar a morte!
Ane, traí seu pai!
Envolvi-me com David, o chanceler que tomou o lugar de Henrique.
Estava perdida e confusa, carente de amor e de amigos, quando David apareceu jovem, belo e cheio de planos.
Aos poucos, deixei-me levar pela paixão e acabei nos braços dele.
Ajudou-me a destruir a carreira de Henrique, tomando-lhe o lugar.
Claro que nunca revelei a ele nada sobre nós. Fiquei grávida e sei que o filho é dele.
Seu pai nada desconfiou, tamanha fora sua alegria.
Quando engravidei, o rei estava fora; quando retornou, já estava grávida de quase um mês.
Nada falei para David.
Logo que soube de minha gravidez, foi-se afastando de mim e, quando meu filho nasceu, anunciou seu casamento com uma princesa estrangeira que havia conhecido um ano antes.
Então, vieram de uma só vez a notícia da morte de minha mãe, a verdade sobre Henrique e o casamento de David, que eu acreditava me amar.
A França comemorou o nascimento de meu filho sem saber que eu estava sendo castigada de forma cruel
Olho para meu filho e seu pai e às vezes tenho vontade de gritar toda a verdade.
Não sei o que fazer!
Ane, por favor, fale-me alguma coisa.
Se minha avó Loretta estivesse aqui, ela me diria o que fazer.
Ane abraçou-a.
—Diana, não sou tão sábia quanto sua avó, mas posso dizer-lhe o que penso a respeito de tudo isso.
Diana arregalou os olhos.
Queria ouvir algo que lhe aliviasse o coração.
—O que está feito, Diana, está feito.
Você é filha de um rei, tem a inteligência de sua avó e a nobreza de sua mãe.
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 16, 2016 10:52 am

Se a França já elegeu seu filho como o futuro rei, você não pode jogar o país na lama.
Seu filho é nobre, pois tem seu sangue e o de seu pai, que é rei; portanto, não há mentira, ele é um nobre legítimo.
Se o rei da França lhe deu o título de príncipe francês, ninguém está autorizado a tirá-lo dele, e seu filho será rei.
Diana, todos estamos sujeitos a errar, mas podemos, da mesma forma, corrigir os erros.
Veja seu pai:
depois de tantos anos, Deus ofereceu-lhe oportunidade de rectificar um erro do passado.
Tente ser feliz deixando tudo como está.
Olhe o caso de seu irmão Henrique, que nada precisou fazer para que as coisas acontecessem.
Deus existe, Diana, e sempre faz o melhor por todos nós.
Faça o possível para viver bem com meu pai, pois ele a ama.
Sei que para haver o equilíbrio total entre um casal é necessário existir amor entre os dois.
Esse amor existe entre você e meu pai: seu filho.
David já não se encontra na França; portanto, esqueça-se dele.
O povo a adora, meu pai nunca foi tão feliz, e a França hoje é um dos países mais cobiçados do mundo.
Todos os outros investem no futuro contando com o futuro monarca, seu filho.
Diana enxugou os olhos e olhou para Ane.
— Você não está magoada comigo, Ane?
— Claro que não!
Estou feliz por você ser minha amiga e irmã.
Sabe de uma coisa?
Vou pedir a meu sogro para liberar meu marido por alguns dias e irei com você até a aldeia de sua mãe.
Nunca estive entre os índios, mas acho que vou gostar muito.
Seu irmão conta-me várias histórias de indígenas brasileiros, entre os quais conviveu.
E continuou narrando factos sobre o Brasil.
— Que tal o ano que vem irmos para o Brasil? — perguntou empolgada.
— Acho que nossos filhos são muito pequenos para uma viagem tão longa — disse Diana.
— Tenho muita vontade de conhecer o Brasil.
Pelo que me conta Henrique, é um lugar lindíssimo, onde o céu é mais azul durante o dia e, à noite, um verdadeiro tapete de estrelas cadentes.
Diana ficou sonhando com tudo que ouvia.
Lembrou-se de que as frutas brasileiras eram realmente muito gostosas.
Só não gostava da escravidão — falava-se de enorme sofrimento entre o povo negro.
Foram abordadas pelo rei da França.
Olhando para Diana, esta lhe pareceu mais linda do que nunca.
Como lhe fizera bem estar em casa!
—Minha esposa, não esqueça que tem à sua espera um filho que vale todos os tesouros acumulados da França.
Estou com saudade dele e, embora não fique bem o rei implorar à rainha para ver o filho, peço-lhe:
por favor, leve-me até ele.
Ane sorriu para Diana e trocaram um olhar.
Ela abraçou o marido como se pela primeira vez, fechando os olhos por alguns segundos.
Ane percebeu que a madrasta estava sendo sincera.
Saíram os três, abraçados, para o quarto do futuro rei da França, que abriu um sorriso e estendeu os bracinhos aos pais.
Ane brincou com o garoto, chamando-o de pequeno príncipe.
Ane mandou buscar sua filha e colocou os dois juntos.
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 16, 2016 10:52 am

Logo apareceu o rei Henrique acompanhado de Mary.
Ambos brincaram alegremente com as crianças por um tempo e depois pediram licença para retirar-se, a fim de cuidar de algumas coisas relacionadas ao casamento.
Os demais continuaram brincando com os pequenos.
—Nunca senti tanta saudade de minha avó Loretta como neste momento.
Ah, se ela estivesse aqui, participando connosco desta alegria! — exclamou Henrique, sério.
Diana virou-se para ele e disse:
—Ainda sou jovem, você também. Se por acaso vier a ter uma filha, receberá o nome de nossa avó.
O rei da França olhou-a com ternura.
Também aprendera a gostar de Loretta e, se tivesse uma filha, realmente lhe daria o nome da rainha.
No dia do casamento do rei, o povo enchia as ruas para ver mais de perto a nova rainha, que nunca esteve tão bela.
A coroação seria na catedral.
Foi a pedido de Mary que o rei aceitou casar-se na igreja, na presença de toda a família real.
O cortejo começou com a saída do monarca usando uma vestimenta branca, bordada de ouro, e uma capa de veludo vermelha e dourada com o brasão real.
Parecia mais jovem.
Estava acompanhado pelo irmão, o filho, o genro e o seu primeiro ministro e cercado por vários cavaleiros da corte, todos em trajes de gala, pois era um dia importante na vida do soberano.
Muitos reis e suas famílias acompanharam o cortejo até a catedral.
A noiva viria acompanhada pelas mulheres da família real e alguns cavaleiros.
Como todo noivo, o rei fora levado até o altar preparado para a cerimónia.
Entre a imagem de Jesus Cristo e a de Maria Santíssima estava a coroa, cujo brilho chamava a atenção dos presentes.
"Quantas mulheres ostentaram essa coroa", pensou o irmão do rei.
Lembrava-se da mãe, a primeira que vira, usando-a; depois foi a vez de Loretta, de Lua de Prata, linda moça que encantou os olhos da corte, e, agora, de Mary.
Lembrou-se do dia em que o irmão chegou embriagado, ofendendo a rainha Loretta, falando coisas horríveis.
Ele só não o esmurrara porque achou covardia bater em um bêbado.
Recordou-se de ter visto Mary, muito nova, entrando com a mãe em uma das dependências do palácio.
Era muito bonita, parecia uma boneca de louça.
Também veio-lhe a lembrança do pai, um bom rei.
Graças a Loretta, a família permaneceu unida.
Sentia muita saudade dela, que fora a mãe que conheceu em vida.
O povo fora ingrato com ela antes de sua morte, mas, agora, colocava-a no altar.
Ainda bem que nunca a magoou, daria sua vida por ela.
Nisso seus pensamentos foram interrompidos pelo som da música, que começou a soar.
Todos se levantaram.
A noiva entrava na igreja, cujo chão estava forrado com um tapete vermelho e coberto de pétalas de rosas brancas.
Todos os convidados observavam com curiosidade a figura alta e elegante que entrava acompanhada pelo primeiro ministro.
O povo ficou sem entender nada.
Embora houvesse muitos comentários em voz baixa, o rei estava com o olhar fixo naquela que vinha lentamente ao seu encontro.
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 16, 2016 10:53 am

Os anos pareciam não ter passado para nenhum dos dois, tamanha a emoção que tomava conta de seus corações.
Quando o primeiro ministro entregou a noiva ao rei no altar, este se ajoelhou diante dela e beijou-lhe as mãos.
Até os padres entreolharam-se, sem compreender.
Nunca o tinham visto de joelhos diante de uma imagem ou pessoa, mas agora ele o fazia diante da futura rainha.
Olhando para ela, o rei disse, trémulo:
—Mary, nunca pedi nada a Deus.
Neste momento faço um pedido a Ele de todo o coração:
que me perdoe por tudo que você sofreu por minha causa.
Prometo fazê-la feliz, meu amor.
Levantou-se e suspendeu o véu que cobria o rosto da futura mulher.
Deu-se início à cerimónia.
Os convidados, mesmo sendo fidalgos e bem-educados, não deixaram de cochichar a respeito da noiva.
Após a coroação, Mary sentou-se ao lado do marido, usando a mesma coroa que um dia Loretta usara.
Helen estava sentada bem próxima e sorria.
"Bem diz o ditado brasileiro: o que é do homem, o bicho não come.
De que adiantou a gente ir embora para aquele fim de mundo do outro lado do mar?
Agora estou aqui, de volta, vendo Mary ser coroada como rainha", pensou.
Quando começaram os cumprimentos, foi até a filha e abraçou-a, dizendo:
—Pena que seu pai não esteja mais entre nós...
Ele sempre a chamou de "minha rainha", lembra-se?
As duas ouviram nitidamente:
—Vocês é que pensam que não estou aqui, minhas queridas!
Entreolharam-se.
Mary disse baixinho:
—E a voz do meu pai.
Quebrando o protocolo, o primeiro ministro foi cumprimentá-la antes dos demais membros da família real.
O rei abraçou-o com os olhos cheios de lágrimas e a rainha beijou-o, o que foi notado por todos os convidados.
Ane levou a filha até os avós, que se entreolharam emocionados.
Mary pegou a pequena no colo e disse ao rei:
— Nossa neta.
— Tão linda quanto a avó — complementou ele.
O casamento do monarca foi tema de conversa entre reis, rainhas e pessoas do povo em geral, na corte e em vários países.
Todos se perguntavam:
"0 que deu no rei Henrique?
A mulher que escolheu para casar-se não é jovem nem famosa, apesar de ser uma bela senhora".
Logo chegaram perto da verdade:
ela era a mãe do mais ilustre homem nomeado ministro, que era a cara do príncipe e do próprio rei e tinha o mesmo nome dele.
Claro, ele era filho do monarca com a nova rainha!
O soberano reparava com o casamento uma aventura da mocidade, comentavam os mais velhos.
Isso trouxe uma grande popularidade para Mary, especialmente entre as mulheres.
Visitava obras de caridade deixadas por Loretta e as mantinha com muito critério.
Incentivava a cultura e a religião.
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 16, 2016 10:53 am

Muitas e muitas vezes o casal real visitava o grande cemitério, indo até a cachoeira.
O rei decretou que apenas a monarquia podia frequentar o local.
Foi construído um santuário em volta da cascata, descrita como lugar santo por poetas e músicos.
Mary visitou a aldeia de Lua de Prata algumas vezes, acompanhada de membros da família real, além de Henrique e Ane.
Henrique narrou para a tribo a experiência vivida no Brasil com os indígenas locais, expressando admiração pelo trabalho desenvolvido pelo cacique da pena dourada.
Respeitava-o, porque era sábio e bondoso com o povo.
Apreciava o que fora deixado pelo grande e saudoso cacique da pedra branca.
As vezes lamentava não tê-lo conhecido.
O rei Henrique afeiçoou-se aos dois grandes internatos fundados pela mãe.
O grande castelo D'armis e o das montanhas tinham-se transformado nas duas maiores escolas do mundo, motivo de orgulho para o país.
Realmente a mãe fora uma rainha incomparável, sorria ele, satisfeito, olhando o jardim coberto de rosas vermelhas e aveludadas, paixão da rainha Loretta.
Certa ocasião, o primeiro ministro chamou-lhe a atenção:
— Contaram-me que neste jardim ainda se conservam as rosas preferidas da rainha Loretta e que aquela varanda, onde hoje é um observatório, era seu ponto preferido para observar as estrelas que, dizem, ela tanto amava.
Pode me contar mais alguma coisa sobre isso?
O rei abraçou-o, suspirando:
— Ah, meu filho, quanta saudade sinto de minha mãe!
Ela foi para todos nós a maior estrela que já brilhou nesta terra.
Realmente ali era o seu lugar favorito, mas também de seu primo e primeiro marido.
Não posso esconder: ele foi padre, marido, prisioneiro, o cacique da pedra branca, meu sogro e, por fim, Monsenhor e amigo da família.
Hoje, a capela de oração é exactamente onde ficavam os aposentos dele e de minha mãe.
As jóias deixadas ali foram enterradas por minha ordem.
Quando entro na capela, sinto uma paz muito grande, Henrique.
Minha mãe tinha um carinho muito especial por este castelo.
Foi feliz aqui, sei que foi.
Os dois reencontraram-se, e minha mãe quis morrer aqui.
Por isso, vamos conservá-lo do jeito que ela desejou:
uma escola para jovens do mundo inteiro. Sua avó era inovadora.
Henrique lamentou não ter conhecido o Monsenhor, que deixou tantas marcas de amor para a humanidade.
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 17, 2016 10:44 am

A REENCARNAÇÃO
Na França, a filha de Diana crescia e era muito parecida com a bisavó Loretta, de quem tinha herdado o nome.
O pai orgulhava-se dela.
Era inteligente e cativante e tinha um carisma especial quando falava.
O rei Henrique aguardava a visita dos parentes franceses com alegria.
Diana também ansiava por rever os seus.
Assim que chegaram, correu para abraçar o pai, e logo a pequena Loretta estava diante dele altiva e decidida:
—Meu avô, sou sua neta Loretta e orgulho-me de você.
O rei olhou-a por um instante, e seus olhos encheram-se de lágrimas.
O olhar brilhante e a determinação da neta, quando falava, lembravam-lhe sua mãe.
Parecia estar diante dela quando menina.
Apertou-a nos braços, beijando-lhe as faces coradas, e respondeu, emocionado:
—Também me orgulho muito de você, Loretta.
A pequena Loretta passou a mão pela barba do avô.
—Sei que minha avó ficaria muito feliz se me visse também.
Sou parecida com ela e tenho o seu nome.
Vou ser igual a ela, meu avô.
Pode acreditar, serei uma grande rainha.
O filho de Luana, moreno, de olhos negros e muito inteligente, observava admirado a pequena Loretta.
Nessa época ele tinha nove anos de idade, e ela, cinco.
Sem tirar os olhos dela, falou para si mesmo:
"Vou casar-me com ela.
Fomos feitos um para o outro.
Ela é linda!".
No país do rei Henrique reinava a paz.
Os filhos governavam com muita sabedoria.
A família real tinha-se tornado numerosa, e seus netos eram cavaleiros respeitáveis.
Entre todos, um deles destacava-se:
o filho de Luana.
Sua aparência lembrava a dos indígenas, porém era o melhor dos cavaleiros nas armas e o orgulho da família.
Foi organizada uma festa para celebrar os dezoito anos do casamento entre o rei e Mary.
Todos os familiares estariam presentes, inclusive os franceses.
A medida que os membros da família real chegavam, eram apresentados uns aos outros.
A maioria não se reconhecia, e muitos nem sequer se conheciam ainda, como os que viviam na aldeia, que nunca se haviam encontrado com os da corte.
Por isso o rei decidira promover o encontro familiar.
Ao ser apresentado à prima francesa, o filho de Luana fitou-a nos olhos, fazendo-a estremecer.
Os olhos da moça diziam o que o coração já sentia.
No decorrer da festa, os dois jovens não viram mais nada, pois seus olhos encontravam-se a todo momento.
Isso não passou despercebido pelos outros membros da família.
Antes de a princesa Loretta retornar à França, o cavaleiro pediu-a em casamento ao rei da França.
A união fora marcada para dali um ano, pois o monarca queria dar a maior festa que a França já vira.
As duas irmãs ficaram felizes:
iriam ser sogras dos próprios filhos.
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 17, 2016 10:44 am

Um ano depois, a princesa Loretta chegava ao palácio.
O velho rei olhava para a neta e revia a mãe. Parecia um menino diante dela.
Quando a chamavam, ele fechava os olhos para ouvir a voz da mãe.
"Ela é a cópia perfeita de minha mãe", pensava.
Então, aconteceu uma grande tragédia: o príncipe regente morreu.
Durante uma caçada com os tios e os primos, estava no alto de um desfiladeiro e rolou montanha abaixo.
Quando o recolheram, já estava morto.
O primeiro ministro ficou muito abalado, inconsolado com a morte do irmão.
Ambos se amavam verdadeiramente.
Transtornado, o rei Henrique perdeu a vontade de viver.
Assim começou a grande luta de Loretta, sua neta.
Não largava o avô em nenhum momento e falava-lhe coisas boas que o deixavam mais seguro.
Aos poucos, ele foi melhorando.
A princesa cuidou praticamente de toda a família e da corte, falando ao povo e ordenando aos ministros o que deveriam fazer na ausência do rei e do primeiro ministro.
Logo se cogitou seu nome como sucessora da bisavó.
Todos contentavam a semelhança física e a personalidade idêntica à da grande rainha.
O povo colocava cartazes em frente ao palácio:
"Queremos Loretta como nossa rainha".
Passados doze meses, os monarcas coroavam os netos como seus sucessores no trono.
O povo aplaudiu-lhes o gesto, recebendo os dois jovens com muito entusiasmo.
Nas ruas, o nome Loretta enfeitava árvores e casas.
O velho Henrique, sentado ao lado de Mary, apertava sua mão, sorrindo.
Olhando os cartazes, disse em voz alta:
—Minha mãe está de volta.
A grande rainha Loretta voltou!
Mary olhou para o jovem casal exibindo o ceptro real.
Loretta, portando a coroa, era a figura viva da falecida rainha.
Fitando o novo rei, pensou consigo:
"Raul era moreno, e, pelo que ouvi do grande espírito na aldeia de Lua de Prata, eles voltariam.
Não serão eles?".
— Está arrependida de ter cedido seu lugar à grande rainha Loretta? — brincou o rei, vendo-a pensativa.
— Acho, meu amor, que desta vez eles vão acertar.
— Vão acertar o quê, Mary?
— Estava sonhando com o passado, vendo sua mãe na nova Loretta e Raul no novo rei católico.
E, realmente você tem razão, Mary.
Se eu fosse supersticioso, acreditaria no que disse o espírito da aldeia de Lua de Prata:
eles voltarão para uma nova caminhada e talvez acertem dessa vez.
Olhando bem, meu neto parece-se com o cacique da pedra branca, ou melhor, com o bisavó Raul, meu ex-sogro, e minha neta é a figura da bisavó, minha inesquecível mãe.
Meu neto é muito católico, e minha neta, muito decidida e bondosa.
Bem, Mary, se é ou não verdade que os espíritos voltam a nascer, não posso afirmar, mas de uma coisa tenho certeza:
estou muito contente por eles e, se for verdade que voltaram, sou o homem mais feliz do mundo porque tenho minha mãe duas vezes em uma só vida.
Quem sabe até meu pai apareça entre eles como filho.
Não foi isso o que disse o espírito da mata?
— Acenando para o povo, seguia o cortejo.
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Re: AMOR E AMBIÇÃO - HELENA / Maria Nazareth Dória

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 17, 2016 10:44 am

Os jovens monarcas iam na frente, e em seguida o velho rei e Mary, acompanhados do primeiro ministro e toda a família real, inclusive dos monarcas e nobres franceses que homenageavam o novo casal de soberanos.
Assistindo a tudo isso, vários espíritos estavam presentes, sorrindo e acenando para a família real.
Entre eles, destacava-se o pai do velho rei Henrique, que olhava para Loretta com os olhos cheios de lágrimas, tal era sua emoção.
Hari olhava para Loretta pensativo.
Ainda lhe doía na alma o grande amor que sentia por ela.
Preparava-se para reencarnar, seria gémeo da irmã, a falecida rainha, que olhava para Loretta com admiração e simpatia, já sentindo orgulho da futura mãe.
O pai de Henrique gritou, emocionado:
—Filho, em breve estarei em seus braços e nos braços de sua mãe que tanto amo.
Desta vez ela será minha mãe, e você, meu bisavô, não é engraçado?
O importante, filho, é que estaremos juntos, não interessa o grau familiar.
Alguns pajés e espíritos ligados à família real sorriam, fazendo sinal aos demais, chamando-os para regressarem às suas colónias.
O velho pajé comentou:
—Preciso retornar ainda hoje à aldeia do cacique da pena dourada.
Haverá uma celebração de casamentos e baptizados em que preciso estar presente.
Prometi isso ao cacique da pedra branca antes de ele voltar à carne.
O cortejo imperial seguia sob os olhares carnais, e o espiritual, sob os olhares dos espíritos.
O cacique da pena dourada preparava-se para a grande cerimónia.
Do alto da pedra branca olhava a mata, o mar e o rio, cada um cumprindo sua missão.
Como Deus era bom!
O espírito da mata havia-lhe confirmado: seu pai era um rei que estava entre os reis.
Ele lia muito a Bíblia, que afirmava ser Jesus Cristo o grande Rei dos Reis.
0 cacique da pena dourada rezou com toda a fé:
—Grande rei Jesus, olhe por todos os espíritos desta aldeia, mas, Senhor, por favor, leve meu abraço aos filhos da mãe peixe.
Pensava sempre no cacique da pedra branca, seu pai, e em Loretta.
Antes de morrer, Lua de Prata contara-lhe a história dos dois.
As ondas do mar estendiam-se a distância.
Imaginava o pai sendo trazido pela mãe peixe, ou Maria Santíssima.
Pouco importava o nome que Lhe dessem...
Ela é a mãe de todos, mãe de Jesus.
Ajoelhou-se com as mãos juntas em direcção ao céu, rezou um Pai-Nosso e uma Salve-Rainha e pediu:
—Mãe amada, onde eles estiverem, abençoe-os.
Não sabia explicar o porquê, mas sentia que Raul e Loretta estavam juntos novamente.
— Desta vez eles conseguirão, com a ajuda de Deus.
— Sim, conseguirão, com a ajuda de Deus — respondeu-lhe o espírito da mata, que estava ao seu lado.

§.§.§- Ave sem Ninho
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