CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 26, 2016 9:08 am

Ela acabou com a minha vida e...
Sérgio o deixou desabafar.
Ao vê-lo mais calmo, parecendo exausto e desanimado aconselhou:
—Levante. Tome um banho que vai se sentir melhor.
—É estranho, mas...
Depois de conversar com você, eu já me sinto um pouco melhor.
—Foi porque agiu.
Tome uma atitude para sair desse estado.
Caminhar, falar, fazer qualquer coisa vai aliviar a tensão e é disso que precisa.
Volte a realizar as suas tarefas de antes!
Retorne à casa espírita!
Você se afastou de lá, esqueceu?
O outro nada disse, e ele reforçou:
— Agora vai! Levante!
Tome um banho e vá assistir à televisão ou ler um livro.
Não fique parado nem se entregue a pensamentos decaídos.
Eu sei que não é fácil, mas você pode e deve fazer isso, Humberto.
O tempo, a vida, o mundo não vão parar só porque você está desse jeito.
E é você quem precisará se tirar desse estado, porque foi você quem se colocou nele de algum jeito.
—Eu?!
—Exactamente. Ninguém passa por uma situação de que não precisa.
Nesta ou em outra vida, você fez ou deixou de fazer algo para hoje se colocar nessa condição.
E digo mais, será nessa ou em outra vida que você precisará agir para sair desse estado.
O amigo ficou pensativo e nada disse.
Sérgio não quis sobrecarregá-lo com mais ideias.
Acreditou que aquelas palavras eram suficientes para sua reflexão.
Logo decidiu:
— Pense no que te falei. Agora preciso ir.
A Débora está sozinha e eu já fiquei fora por muito tempo hoje.
— Obrigado por tudo.
Senti-me melhor depois de sua visita.
—Não fique deitado, Humberto! Reaja!
—Pode deixar.
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Ave sem Ninho

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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 26, 2016 9:08 am

12 - VÍTIMA DE SI MESMO

Os dias foram passando.
Humberto não seguiu as orientações prudentes do amigo.
O quanto podia ficava trancafiado em seu quarto, remoendo pensamentos inúteis.
Esses pensamentos e sentimentos tristes e infelizes eram grandes geradores de energias inferiores.
Sem que pudesse ver, fluidos pesarosos eram criados por ele mesmo.
Tais substâncias espirituais rodeavam-no, chamando a atenção de espíritos simpáticos àquele estado psíquico, espiritual.
Não demorou e Humberto, sem querer e sem perceber, atraiu a atenção de Adimar, um espírito sofredor, que se deixou escravizar por estado emocional semelhante ao dele.
—- Você sofre como eu... -— lamentava o espírito Adimar, achegando-se a Humberto.
Só você pode me entender.
A vida não tem significado nem objectivo.
Tudo o que fazemos se torna um fracasso.
Eu fiz muita coisa errada quando tentei acertar, mas nada deu certo.
Fui traído. Ela não valia nada.
Sou um incapacitado, um inútil igual a você.
Essa dor, esse cansaço nunca passa.
A vida não tem graça nenhuma.
Simultaneamente Humberto pensava:
"O que está acontecendo comigo?
A minha vida acabou. Sou inútil.
O que vou fazer agora?
Eu acabei com o meu irmão.
Foi para fugir de mim que ele morreu.
Ele acabou comigo.
Por causa da Irene minha vida não tem sentido".
No minuto seguinte, continuou:
"Mas ele não me respeitou. Ele e a Irene, juntos...".
Em seguida, as imagens da cena que presenciou, quando encontrou Rubens e Irene no apartamento, vinham à sua mente de forme viva, como se acontecessem naquele momento.
Até reacções bioquímicas disparavam no corpo de Humberto, provocando as mesmas sensações físicas como no instante em que os flagrou juntos.
Nesse momento, ele se sentia muito mal.
O seu rosto esfriava.
Uma sensação de desmaio o dominava como se fosse cair.
Em meio a esse conjunto de sensações começava a tremer e era vencido por uma crise de choro.
O espírito Adimar, triste e infeliz, experimentou grande satisfação por encontrar alguém tão compatível como Humberto.
Dependente, e deixando-se escravizar por outros espíritos também inferiores, Adimar decidiu procurar um outro companheiro, na espiritualidade, para contar a novidade.
Saindo à procura do espírito Natan, que não foi difícil encontrar, avisou:
—- Tem alguém que sofre como eu.
A vida perdeu a graça para ele.
—- Nosso chefe ficará muito feliz em saber disso.
Já contou pra ele? - perguntou Natan.
- —Não. O caso é recente.
Mas sou eu que vou ficar com essa vítima.
Fui eu quem encontrou o sujeito — afirmava com jeito melancólico e um modo quase infantil.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 26, 2016 9:08 am

—- A gente recebe ordens!
Cabe ao nosso chefe decidir.
Mostra onde ele está! -— exigiu.
—- Não. Você quer ficar com ele e fui eu que encontrei o cara.
Só conto pro chefe.
—- Então vamos lá!
O nosso comandante decide!
—- Onde ele está? -— quis saber Adimar.
—- No lugar de sempre. Vamos!
Imediatamente, eles seguiram atravessando várias regiões sob o domínio das sombras.
Era um vale infeliz onde grupos de espíritos hostis e desequilibrados se defrontavam sem qualquer razão.
Mais adiante, alcançaram uma vila de ruas, vielas e alguns becos sinistros.
As estruturas eram de deploráveis moradias rodeadas como que por esgotos correndo a céu aberto.
Havia vasta aglomeração de espíritos decadentes e sórdidos com aparência horrenda, pois seus corpos espirituais reflectiam as suas viciações e revoltas.
Outros ainda, possuíam formas quase animalescas.
Todos, sem dúvida, cumpriam ali, sofrida penitência por sua natureza rude e cruel quando encarnados.
A frente, a extensão do território mudava de aparência.
Contracções mais imponentes se erguiam, fazendo um contraste chocante com a região deplorável e miserável que as rodeavam.
Adentrando naquele que parecia ser o edifício principal, Adimar e Natan foram interpelados por um dos que ali estavam como guardas do lugar.
Após dizerem com quem queriam falar, seguiram até o local indicado.
Percorreram corredores e salões de aspecto desagradável e iluminação bruxelenta de onde se ouviam gemidos, lamentos e choros.
Adiante, chegaram a uma grande sala de atmosfera abafada, de pouca claridade, mobília escura e pesada que lembravam tribunais de séculos atrás.
O lugar estava lotado e não conseguiam entrar.
Da porta ouvia-se vozerio em meio a algo semelhante à música primitiva, cujos tambores rufavam em ritmo alucinante e explosivo.
Sentinelas, rigorosamente uniformizadas, preservavam a segurança do local.
Um deles se adiantou frente a Natan e Adimar, questionando a visita:
—- O que querem?
—- Viemos falar com o comandante de nossa equipe, o capitão Adamastor.
Sem dizer nada, o guarda os deixou aguardando e, após minutos, retornou acompanhado de um homem de aparência severa, com vestimentas imponentes, parecendo as de guerreiro dos primeiros séculos.
Diante de Natan e Adimar, ele questionou:
—- O que querem?
—- Tenho novidades, chefe -— disse Adimar com expressão melancólica.
Encontrei alguém que me é compatível.
Posso ficar com ele e me alimentar de suas energias?
Assim vou me sentir melhor e ficar refeito para outras tarefas.
O senhor disse que eu teria créditos se encontrasse alguém novo e significativo.
—- Vamos sair daqui.
Venham até a minha sala.
Quero saber dessa história direito -— ordenou em tom cavernoso, medonho e com modos rudes.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 26, 2016 9:08 am

Enquanto percorriam corredores, podiam ouvir gemidos desagradáveis, choros convulsivos e gritos atormentados de criaturas aglomeradas e presas atrás de grades, em diversas celas.
Eram espíritos escravizados, ali, por força de atracção, pois, quando encarnados, viveram o erro moral e cometeram delitos dos mais diversos.
Caluniaram, criaram ambientes negativos com suas brigas ou discussões sem propósito.
Cultivaram o ódio, a raiva e o rancor.
Não perdoaram.
Foram maliciosos, traíram, enganaram, iludiram ou adulteraram, até em pensamento, tirando vantagem de alguma forma.
Alimentaram-se nos vícios dos assédios morais ou sexuais, das fofocas e conversas sem fundamento sobre a vida alheia.
Muitos cultivaram a discórdia, o ciúme, a inveja.
Outros, ainda, viveram os vícios materiais, físicos.
Abusaram do sexo, fumaram, drogaram-se
ou beberam destruindo células e neurónios perfeitos concedidos pelo Pai como dadivosa bênção de saúde em um corpo físico perfeito.
Havia os que centralizaram os sentidos humanos nos vícios do jogo, abusando das faculdades sagradas pela satisfação de elevar o ego ou em função da ganância pessoal.
Todos vítimas de si mesmos, vítimas de suas paixões terrenas que inferiorizaram suas almas.
Agora, no mundo real, eram obrigados a se defrontarem com as deploráveis condições em que se colocaram.
Sem encontrar apoio ou amparo, como os que tiveram à disposição quando encarnados, estavam aglomerados, mas sozinhos com suas enfermidades.
Muitos sofriam desequilíbrios mentais visíveis.
Outros viviam necessidades enlouquecedoras no pântano de suas consciências, arquivos mentais de cada um.
Muitos sabiam de seus erros.
Suplicavam socorro e misericórdia.
A inquietação e o medo eram desesperadores.
Adiante, Adamastor entrou em uma sala e colocou-se atrás de uma mesa espalmando as mãos ao indagar:
—Como aconteceu?
Há quanto tempo a criatura infeliz é compatível com você?
Pois para não ter companhia espiritual, sendo como me diz, só pode ser um caso novo!
—É um caso novo.
É um rapaz. Parece que tinha conhecimento espírita e tarefeiro na área.
O cara tinha recursos, mas não era tão bom para usar o que sabia a seu favor.
Ele começou a gostar da namorada do irmão.
Parece que eles se conhecem de outras vidas.
Daí que ele tinha um compromisso com outra e queria terminar, mas não pôde porque ela ficou grávida.
Só que esse filho é do irmão dele.
O sujeito não sabia que o irmão tinha um caso com a namorada dele até pegar os dois na cama.
Adamastor gargalhou prazerosamente.
Desferiu palavrões e riu de novo.
Em seguida, fez um gesto para que Adimar continuasse, e assim ele o fez.
-— Foi na semana do casamento dele que pegou os dois juntos.
Depois quis matar o irmão, mas esse irmão fugiu de moto e morreu num acidente.
O cara ficou em choque, confuso e aí tudo ficou favorável pra mim.
Primeiro ele ficou triste, agora, está na depressão.
A vida dele não vale nada. Tudo deu errado.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 26, 2016 9:09 am

Está com ódio do irmão, mas com peso na consciência.
—- E quem você deixou lá para vigiar esse sujeito? -— quis saber Adamastor ainda sob o efeito do riso.
—- Ah... Ninguém. Viemos aqui para falar com o senhor primeiro.
—- Imbecis!!! -— vociferou, irritado.
Como podem deixar uma presa dessa sem acompanhamento de um dos nossos?!!
Depois de esbravejar e protestar com alguns palavrões, exigiu saber: —
- Onde está o desgraçado?!!
—Vamos, eu mostro -— constrangeu-se Adimar.
***
Depois de refeito o caminho de volta, o espírito Adamastor, junto com Adimar, Natan e outros quatro, que se portavam como soldados fiéis, chegaram à casa de Humberto.
Havia algum tempo que não realizavam o culto do Evangelho no Lar naquela residência e a energia protectora promovida por essa prática, estava enfraquecida, quase não existia.
Além disso, havia os fluidos pesarosos trazidos e criados pelo senhor Leopoldo, pai de Humberto, que cultivava o vício da bebida alcoólica e era acompanhado por irmãos espirituais totalmente desequilibrados, os quais continuavam dependentes, necessitados das energias funestas produzidas pela beberagem do homem.
Como se não bastasse, Humberto se enfraquecia mental e espiritualmente quando oferecia atenção aos pensamentos decaídos, sofridos e tristes que alimentava.
Não havia um campo magnético que protegesse, espiritualmente, aquela residência e, mesmo a presença dos mentores ali, não podiam socorrer os encarnados por eles estarem em outro nível de elevação.
Além disso, não se ajuda aquele que não deseja.
Nossos pensamentos, nossas práticas e nossa linguagem são responsáveis pelas forças superiores que nos protegem.
Sem conseguir detectar as entidades mais elevadas, Adamastor e os demais adentraram em cada ambiente à procura de sua vítima.
Chegando ao quarto, encontraram Humberto largado na cama, entregue às torturas e dores de suas próprias reflexões.
Adamastor parou desconfiado, fitando o rapaz por algum tempo.
Humberto não tinha a mesma aparência de antes, mas o outro sentiu que era alguém que conhecia.
Em absoluto silêncio, ele o rodeou conhecendo intimamente a sua vida mental, sua organização psíquica.
Com os olhos esgazeados, como que assombrado ao reconhecer de quem se tratava, o espírito Adamastor pôs-se firme frente a Humberto e, após uma gargalhada estrondosa, sarcástica, falou em tom irónico e cruel:
—- Te encontrei, desgraçado!!!
Como desejei te encontrar, seu infeliz!
E não precisei te procurar muito, não!
Você se achava muito bom e tinha o poder de me prender naquela colónia dizendo que era para o meu bem, para a minha recuperação e evolução!
Me deixou trancafiado por décadas!
Eu estava necessitado e enlouquecido!
Os meus vícios não eram da sua conta e eu quase fiquei louco naquela Enfermaria dos Perturbados!
Eu só queria ter liberdade e me aliviar do que sentia, pouco importava pra você se eu precisava vampirizar alguém infeliz ou não.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 26, 2016 9:09 am

Com olhar colérico, apurado, prosseguiu com jeito insensível:
-— Tanto fez que conseguiu que eu reencarnasse fazendo eu acreditar que seria o melhor.
Me convenceu que os meus desejos sexuais foram abusivos e que minha consciência pedia ajuste.
Falou que depois desse ajuste eu seria uma criatura melhor.
Acreditando que me sentiria aliviado, até me convenci em reencarnar, passando por experiências que você nem imagina, seu infeliz!
Alguns minutos em que o observava, contou enraivecido:
-— Vivi uma vida miserável em favelas e no meio do crime.
Sofri abusos desde menino. Não tive família.
Fiz tráfico de armas e drogas.
Roubei, matei, estuprei e fui parar na prisão.
Machucado e ferido me usaram de tudo quanto era jeito.
Dia e noite! Foram anos de inferno!
Depois que morri assassinado na cadeia, fui socorrido por amigos que me esperavam, pois, para eles eu tinha valor.
Você mentiu pra mim!!! Hoje a situação mudou!!!
Eu estou no comando!!!
Sou uma autoridade agora, e você não tem mais poder sobre mim!!!
Sou o capitão Adamastor!!!
Percebendo a fragilidade de Humberto, ele avisou:
-— Tenho muitos como você!
São desequilibrados, desesperados, loucos, infelizes!!!
Vou acabar com a sua vida porque o que eu mais quero é encontrar você fraco, assim, depois da sua morte!!!
Apesar de não ouvi-lo, Humberto sentia suas vibrações.
Sem entender o que estava acontecendo, começou a experimentar uma sensação terrível.
O seu corpo estremecia ao mesmo tempo que pensamentos confusos e tumultuados invadiam cruelmente suas ideias, proporcionando um medo indeterminado.
Cerrando os olhos, afundou a cabeça no travesseiro, procurando fugir daquelas sensações. Impossível!
Então se fechava na câmara escura da memória, sem buscar saída.
Assim passou a tarde.
Adamastor circunvagou o olhar tentando ver como estava a espiritualidade daquela residência.
Visualizando energias negativas, produzidas pela presença de bebida alcoólica e irmãos infelizes que permaneciam, ali, à espera do senhor Leopoldo, sentiu um contentamento inebriante.
Sabia que Humberto poderia ficar à sua mercê se continuasse com aquele nível de pensamento e sem reacções que o impulsionassem a uma melhora.
Virando-se para um de seus subordinados, o espírito Adamastor ordenou:
-— Você vem comigo!
Os outros ficam aqui tomando conta dele e da casa.
Ele é meu! Voltarei com reforço.
Esse cara não pode escapar!
Continuem envolvendo esse infeliz com suas energias para que ele esmoreça a cada segundo e não reaja!
Voltando-se para Humberto, ainda falou:
-— É uma pena você não ter nenhum desequilíbrio na área do sexo, do vício no álcool nem cigarro nem outras drogas.
Se tivesse... Ah!... teria muita afinidade comigo e eu faria você conhecer o inferno por muitas e muitas reencarnações, pela frente, pois eu o ajudaria a cometer tanta coisa...
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 26, 2016 9:09 am

Mas antes, seria escravizado e meu prisioneiro por séculos!
Seu infeliz! Porém ter você nesse estado, já é grande coisa.
Aguarde! Vai ver o que eu vou fazer com você!
Dizendo isso ele se retirou rapidamente.
***
Humberto sentia-se dominado por uma exaustão indescritível, mesmo com o correr dos dias.
Desde os últimos acontecimentos tão severos e o início daquelas sensações perturbadoras, ele esperava sentir, gradativamente, um alívio para tudo o que experimentava, mas isso não acontecia.
Cerca de três semanas se passaram e quase nenhuma melhora.
Havia ido ao médico Clínico Geral que o encaminhou a um médico Psiquiatra de quem não gostou.
Depois passou por outro especialista e, após longas conversas, em que contou tudo o que lhe aconteceu, ele lhe prescreveu outro antidepressivo, aconselhou caminhadas, ambientes alegres e procurar seguir uma vida normal.
Retornando ao trabalho, mal tinha energia para sequer sorrir.
Os seus nervos e músculos da face pareciam permanecer sempre contraídos, retesados.
A ascensorista o cumprimentou e sorriu ao abrir a porta do elevador para o décimo andar e ele mal agradeceu.
Todos o olhavam com certa expectativa, pois, de alguma forma, souberam de todo o ocorrido durante o velório de seu irmão.
Os conhecidos, que lá compareceram, notaram sua falta e questionaram aos demais, que especularam sobre o assunto.
Dessa forma, Humberto imaginava o que estariam ou não pensando e comentando a respeito dele.
Isso causticava sua mente, provocando-lhe imensurável sofrimento psíquico que se irradiava para o físico.
Durante todos os dias em que permaneceu em casa, recusou receber visitas e atender telefonemas dos colegas.
Somente Sérgio e Tiago o visitavam.
E todas as vezes que Lívia foi vê-lo, Humberto não a encarou, não disse absolutamente nada.
Ao retornar ao serviço, não foi à casa da jovem para pegá-la, como sempre, e estremecia por saber que seria obrigado a encará-la na empresa.
Chegando à sua sala, um sofrimento infinito o abatia.
Uma confusão mental não o deixava se concentrar em nada.
Precisava de muito esforço para ficar atento.
As horas foram passando.
Por várias vezes, precisou debruçar-se sobre a mesa de trabalho por não suportar a sensação doentia que o dominava.
Sua assistente, como sempre fazia, havia deixado tudo preparado para o seu dia começar.
O computador já ligado, mas com a tela vazia e uma imagem, símbolo da empresa, rodopiando vagarosamente de um lado para outro do monitor em silêncio.
Formulários e requisições precisando de sua assinatura estavam sobre a mesa.
Contractos e relatórios, que não foram lidos, a sua espera.
Tudo por realizar.
Olhando para tudo, Humberto parecia não reconhecer o seu trabalho.
Não sabia o que fazer primeiro.
Julgava-se incompetente, totalmente inútil, um incapacitado.
Os espíritos que o seguiam, reforçavam os seus pensamentos negativos e depressivos.
Um deles dizia:
— -Tudo é muito, muito difícil.
Você nem sabe pra que está aqui!
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 26, 2016 9:09 am

Enquanto outro prosseguia:
—- De que adianta se esforçar tanto?
A vida é uma desgraça!
Você sempre foi bom, honesto, mas e agora?
De que valeu sua honestidade? Viu no que deu?
Seu irmão tá morto por sua culpa! A morte te espera.
Você vai sofrer mais ainda, mais do que seu irmão sofreu quando sentiu o corpo sendo triturado pelas rodas pesadas daquela carreta em meio às ferragens da moto. Foi horrível!
Horrível! Horrível!
O Rubens estava com medo! Medo! Medo!
Medo! Apavorado! Apavorado!
Sem saber o que fazer!
Imediatamente, uma sensação desconhecida invadia Humberto.
Sentia o rosto esfriar e algo lhe doía no peito e no estômago.
Pensamentos terríveis, obscuros o assaltavam.
Começou a se lembrar de seu irmão, do desejo que teve de matá-lo.
Em seguida, ficou imaginando a cena de sua morte como se estivesse acontecendo em câmara lenta.
Como se pudesse perceber, vagarosamente, a dor e o desespero de Rubens.
Uma aflição extrema o dominou, e ele se forçava a não chorar, mas as lágrimas eram mais teimosas.
—- Vamos! Vai! Se mata!
O que está fazendo aí ainda?! -— diziam-lhe incessantemente os espíritos inferiores que o acompanhavam. —
Depois de tudo o que fez, só terá sossego na morte! Vamos!
Todas aquelas impressões incomuns lhe eram passadas com fluidos pesarosos, terríveis.
De repente, ouviu ligeiras batidas e a porta de sua sala se abrindo.
Humberto se levantou rapidamente.
Tentando disfarçar, começou a olhar pela janela ao escutar sua auxiliar administrativa dizer:
—- Com licença! -— entrando, Júlia fez soar seu salto no piso ao ir até sua mesa mostrando:
-— Aqui estão os relatórios de fechamento das últimas semanas.
Acredito que deva acompanhar o movimento, pois, apesar de ter ficado ausente, deve saber de detalhes, porque o doutor Osvaldo convocou uma reunião para amanhã à tarde.
Acredito que... -— Observando-o com o olhar perdido, através da vidraça, ela perguntou:
-— Tudo bem, Humberto?
Com uma voz estranhamente calma, ele respondeu sem encará-la:
—- Estou me sentindo diferente. Confuso.
—- Já é quase meio-dia -— avisou Júlia, depois de passar as vistas sobre a mesa.
- —E o que tem isso?
—- É que não leu os relatórios nem assinou os formulários.
Preciso da liberação para a compra dos materiais importados para antes do almoço.
Vejo que sua mesa está intacta.
Humberto se virou.
Seu rosto belo e agradável que sempre expressava quase um sorriso, mesmo quando sério, agora estava congelado em uma fisionomia sofrida e triste.
Caminhando dois passos, chegou até a cadeira frente à sua mesa e se acomodou.
Parecendo doente, sem ânimo nem energia, colocou o cotovelo sobre a mesa e apoiou a testa na mão.
Dominado por um mal-estar terrível e pensamentos dolorosos, não conseguia reagir.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 26, 2016 9:09 am

—- Humberto, você quer ir ao ambulatório?
O doutor Cássio está aí.
—- Estou farto de médicos, Júlia.
Os remédios não adiantam e, a cada dia, sinto-me pior.
—- O que você sente?
—- Minha capacidade de concentração está reduzida.
Não tenho ânimo para nada.
É como se a vida e as coisas à minha volta tivessem perdido a cor, perdido o brilho.
Nada tem graça. Estou sensível a tudo que vejo e ouço.
Todas as situações à minha volta são desagradáveis e qualquer problema se potencializa, pois não me sinto capacitado para resolvê-lo.
Júlia respirou fundo, puxou a cadeira em frente à mesa do director e se sentou comentando:
-— Humberto, eu estive no velório do seu irmão.
Soube, através da Neide, que você estava internado.
Soube também o que ocorreu.
Aliás, eu acompanhei todos os últimos acontecimentos da sua vida.
E... Posso ser sincera, mesmo?
Ele se jogou para trás, largando-se no encosto da cadeira, acenou positivamente com a cabeça e Júlia continuou:
-— Você estava confuso, em conflito antes de marcar o casamento.
Chegou a comentar comigo que a Irene estava diferente nos últimos tempos e a ideia do noivado o aborrecia.
Quando telefonava para ela, nas sextas-feiras, nunca a encontrava.
Lembro porque era eu quem fazia as ligações para você.
Depois, repentinamente, resolveu se casar com a Irene.
Ao mesmo tempo, eu observei você e a Lívia e...
Comentou comigo que ela queria ser transferida para o Rio porque queria terminar com o namorado...
Vi vocês dois conversando no carro e...
Eu percebi algo, Humberto. —
Breve pausa e falou:
-— Desculpe-me comentar, mas eu não tive como não perceber.
Ele estava calado.
Sua fisionomia ostentava uma tristeza profunda e infinita.
Com extrema dificuldade, perguntou:
—- Todos perceberam?
Dava para qualquer um perceber?
-— Não. Com certeza, não.
Eu estava mais perto de vocês. Foi por isso.
—- Eu não tenho nada com a Lívia. Nunca tive.
—- Eu acredito! E talvez seja por isso que esteja assim.
O seu irmão e a sua namorada te traíram descaradamente!
Eles foram dois safados!
—- Pare com isso, Júlia — pediu, incomodado com o assunto.
—- Talvez experimentando um pouco de raiva do seu irmão e da Irene vai fazer você se sentir melhor!
- —Nada me faz sentir melhor.
Quando vou ao centro espírita, como fiz semana passada, sinto uma pequena dose de alívio.
Tenho um pouco de fé e esperança de sair desse estado horrível, mas depois tudo passa.
Não dá para descrever exactamente o que sinto.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 26, 2016 9:10 am

São sensações e sentimentos que nunca experimentei antes dessa forma.
Tudo é muito intenso.
Minha mente fica confusa e meus pensamentos são invadidos por um turbilhão de imagens, ideias ou acontecimentos horríveis.
Junto com isso, uma sensação de pânico, um pavor terrível me domina.
Começo a ter tremores e suor frio.
Tenho a impressão de que vou desmaiar, de que vou morrer.
Uma angústia imensa, junto a um pavor irracional, tomam conta de mim.
À noite, tudo se intensifica.
Quando durmo, o sono é agitado ou então é extremamente pesado.
Mas não satisfaz. Tenho sonhos dos quais não lembro detalhes e acordo com o coração aos saltos, dor no peito, suando e tremendo.
Há momento em que a dor na alma é tão intensa que eu não suporto.
Então preciso chorar sem até saber o porquê.
Chorar alivia um pouco.
—- Isso é síndrome do pânico?
—- Um médico disse que é síndrome do pânico.
Outro diz que é depressão.
Teve outro, ainda, que disse que são as duas coisas.
Há, ainda, um que deu o nome de outro tipo de transtorno psicológico.
Em todo caso, fico apavorado em pensar que estou, psicologicamente, desequilibrado.
—Grande número de pessoas que ficam emocionalmente abaladas por acontecimentos desagradáveis ou stressantes experimentam um estado psicológico parecido com esse seu.
—Eu preciso retomar a minha vida, Júlia.
Mas me sinto fraco, abalado, sensível a tudo e a todos.
Não consigo nem organizar os meus pensamentos.
Quando falo, só quero reclamar do que sinto.
—- Como está a Lívia?
Tem conversado com ela?
—- Não — respondeu secamente.
—- Você não a trouxe hoje? — tornou a secretária.
—- Não. Desde quando tudo aconteceu... -— Humberto deteve as palavras.
Sua voz embargou pelos fortes sentimentos tristes e indesejáveis.
Os seus olhos, febrilmente brilhantes, empoçaram-se com lágrimas que ele fez de tudo para disfarçar, esfregando o rosto discretamente.
Rápido, alinhou os cabelos, respirou fundo e ajeitou-se na cadeira.
Era como se tivesse, na alma, feridas difíceis de fecharem.
Esforçando-se para falar, pediu:
-— Júlia, esse assunto não me faz bem.
Não me vejo preparado para falar sobre isso.
—- Não quero parecer inconveniente, mas precisa se preparar para lidar com essa situação.
A Lívia está aí! Vai se deparar com ela a qualquer momento!
A propósito, e a transferência dela para o Rio de Janeiro?
Como vai ficar?
—- Não sei.
Ela tem dificuldades com o pai e, talvez, ainda queira ir para o Rio por causa disso.
—- Vai precisar falar com ela a respeito, pois queria a transferência por causa do Rubens, mas, agora...
—- Júlia, você pode falar com ela a respeito disso?
Cuide dessa situação para mim, por favor.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 27, 2016 10:35 am

—- Tudo bem. Posso falar com ela sim.
Mas, veja bem, até quando vai fugir da Lívia?
Sentindo-se fraco, quase sussurrou:
—- Não sei. Eu não estou conseguindo pensar.
Pode resolver isso para mim?
Levantando-se, avisou:
—- Está certo! — E lembrando, perguntou:
- — E aquele seu amigo, o psicólogo?
Tem conversado com ele a respeito disso?
—Ele sabe o que está acontecendo.
- Na verdade, sou eu que estou sem ânimo para fazer o que ele indicou.
Caminhada, meditação, relaxamento, leitura, ir ao centro ou sei lá mais o quê.
—- Minha irmã esteve assim, como você, e foram exercícios, caminhada, casa de orações e coisas assim que a fizeram melhorar.
Ela precisou levantar da cama sozinha, pois remédio algum a tirou de lá.
- —É o que todo mundo me diz.
Mas não tenho disposição para sair.
Quanto aos exercícios de relaxamento, mentalização ou meditação... quando faço acho que não têm efeito algum.
—- Ora, Humberto, você sabe que os exercícios mentais de relaxamento, reflexão, harmonização são práticas que produzem resultados certeiros, mas não são como passes de mágica ou da noite para o dia, principalmente, para com as pessoas que não têm o hábito dessa prática.
—- É, eu sei. Você tem razão -— respondeu desanimado.
Em todo o caso, não tenho conversado com ele.
A filhinha dele nasceu e...
Falando nisso, preciso visitar a garotinha.
Poderia providenciar um presente para a nené?
- —Claro! Vou providenciar -— avisou. Mas antes de sair, pediu: —
- Humberto, por favor, assine a liberação para a compra dos materiais e produtos químicos importados.
Após rapidamente assinar os papéis, ele perguntou:
—- O que mais?
- —Dê uma lida no fechamento das últimas semanas.
O doutor Osvaldo convocou uma reunião para amanhã e será melhor você estar por dentro de tudo.
—- Obrigado, Júlia.
Com olhos fixos nele, sentindo certa piedade, ela ainda disse:
—- Sei que o momento que está passando é bem turbulento.
Se precisar de mim, nem se for só para conversar, é só chamar.
- —Certo. Obrigado -— ele agradeceu, sentindo o rosto pesado, contraído, sem conseguir sorrir.
Júlia o deixou sozinho novamente e, com isso, pensamentos direccionados por espíritos inferiores que o acompanhavam o desviavam da fé raciocinada, da esperança num futuro próprio e da importância de determinadas experiências terrenas, próprias da evolução humana.
Experiências essas que, apesar de dolorosas, servem para nos corrigir e elevar.
Muitos daqueles que superam tais transtornos se tornam criaturas melhores, com mais potencial e mais fortes do que antes.
Conseguem descobrir em si talentos que desconheciam e passam a viver com mais harmonia, fé e paz.
Humberto vacilava em sua fé, apesar de todo o seu conhecimento.
Ele era simplesmente vítima de si mesmo.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 27, 2016 10:35 am

13 - GOTAS DE ALÍVIO

Em sua casa, Humberto não oferecia atenção a nada nem a ninguém.
Uma onda de tristeza e gigantesca amargura o tragavam para uma profunda depressão.
Era dominado por um desejo mórbido de se deixar largar sobre a cama com as janelas fechadas e o mínimo de luz possível, vinda da porta do quarto entreaberta.
Na espiritualidade, a cada dia tudo era mais desagradável.
Espíritos de aparência deplorável com vívida aflição, ansiedade e desespero enchiam o ambiente.
Alguns se prostravam ajoelhados ao lado dele, atentos aos seus pensamentos e prontos para envolvê-lo, a todo o momento, com energias inferiores, desagradáveis que certamente acentuariam ainda mais o seu desequilíbrio.
Humberto se propunha a rezar, mas suas ideias se confundiam.
Era como se ele tivesse dois pensamentos ao mesmo tempo.
O seu mentor Nelson o envolvia, acompanhando-o em cada palavra na oração.
Porém, na primeira distracção, ele desanimava entregando-se às torturas emocionais que o castigavam, dificultando a sua união com o Pai da Vida e impedindo a recepção de energias novas, bênçãos que o iriam recompor física e espiritualmente.
Adamastor acabava de chegar com um pequeno grupo que o acompanhava como cães fiéis.
Trouxeram arrastados espíritos doentes, escravizados, inferiores e incrivelmente sofredores, além de espíritos que perderam a forma humana e possuíam uma aparência tal qual um verme gigante, de cor parda acinzentada, que pareciam ser de matéria viscosa, escorregadia, nojosa, conhecidos como ovóides.
Como se trovejasse, Adamastor ordenou:
-— Aqui estão as ferramentas de que precisam para o trabalho com Humberto!
Primeiro será preciso que ele fique bem fragilizado, espezinhado, torturado e ferido devagarzinho.
O desespero nele irá se instalar.
Ele vai se render e se colocar à minha disposição.
Fará tudo o que eu quiser.
Apontando para alguns dos espíritos que havia trazido, continuou:
-— Segundo, com esses doentes ligados a ele, a vampirização será incessante.
Assim que estiver bem abalado, esses outros -— apontou para os espíritos com formato ovóides—, devem ser imantados a ele para promoverem total desordem psíquica, pois é impossível equilibrar aquele que não deseja se equilibrar.
E assim que eu quero ver esse sujeito!
Confuso, tonto, baratinado, sem qualquer controle sobre si e dependente.
Poderá vir ajuda dos quintos dos infernos que ele não vai se erguer mais!
Nunca mais!
Nesse momento, Humberto, largado sobre a cama, era impregnado de energias espiritualmente nojosas, inferiores. Ele não reagia.
Inerte, inalava substâncias escuras que se irradiavam para o seu peito, deixando-o espiritualmente opaco.
Assim que os espíritos extremamente doentes, deformados perispiritual mente, foram encostados em Humberto, suas melhores energias começaram a ser sugadas.
Os espíritos, por intermédio de fios magnéticos incrivelmente subtis, vampirizavam-no através de um processo intenso e, cuidadosamente, ligado às costas, no peito e, em particular, na medula e na cabeça.
A essa altura, Humberto se sentia mais exausto do que nunca.
Uma sensação desesperadora o dominava e ele enfraquecia, sem qualquer ânimo para reagir contra aquelas mentes enfermiças.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 27, 2016 10:36 am

Enquanto isso, Adamastor gargalhava prazerosamente, em vista ao sucesso de seus procedimentos.
***
Bem mais tarde, dona Aurora chegou.
Por sua sensibilidade, logo ao entrar, sentiu a casa impregnada por uma atmosfera pesada e triste.
Sem entender o que acontecia, a senhora se deixou envolver por uma angústia devastadora.
Imediatamente a lembrança de Rubens veio a sua mente.
Aquela seria a hora do filho chegar a sua casa.
Lembrou-se de seus costumes, de preparar-lhe alguma refeição e foi quando uma dor, em forma de saudade, castigou-a incrivelmente.
Em pé, encostada em um canto da pia da cozinha, ela chorou compulsivamente.
Um desespero a dominou ao recordar de como tudo aconteceu tão rápido.
Seria Humberto o culpado por tudo o que aconteceu ao irmão?
Afinal, se ele não fosse com aquela faca atrás de Rubens, o irmão não precisaria ter saído de casa naquela hora nem daquele jeito.
Por outro lado, pensava que ela mesma poderia ser a culpada, pois havia desconfiado de algum romance entre Rubens e Irene, mas não disse nada.
Poderia tê-los repreendido.
Talvez, se tivesse contado ou sugerido a Humberto, sutilmente, o que suspeitava, seria tudo diferente.
Não deveria ter deixado o seu filho marcar o casamento.
É provável que não se sentisse tão traído e a situação se resolvesse de outra forma.
Mas nada disso aconteceu e agora um de seus filhos estava morto.
Uma dor infinitamente profunda cravou-lhe o peito impiedosamente.
Não havia nada que pudesse fazer.
Então um desespero a dominou em doloroso choro.
A chegada de Neide não a inibiu.
Amorosamente, a filha se aproximou.
Envolveu-a com terno carinho e perguntou piedosa, apesar de saber o que estava acontecendo.
—- O que foi, mãe?
- —Saudade, filha! Saudade! -— explicou, sussurrando em tom lamurioso entre os soluços.
Você não imagina como é a dor de perder um filho!
Ninguém deveria viver mais do que um filho!
Eu quero o meu filho de volta...— - chorava copiosamente.
- —Mãe, preste atenção -— dizia a jovem entre as lágrimas—, eu entendo o seu sofrimento.
Porém, quanto mais a senhora se deixar ficar nesse desespero maior será a sua dor.
A vida não acaba com a morte.
O Rubens não morreu.
Ele vive em outro plano e recebe suas preces, suas bênçãos, seu amor e tudo o que a senhora pensar, disser e lembrar em relação a ele.
Eu sei que a senhora é católica, vai todo domingo à igreja.
Sei também que acredita nos ensinamentos espíritas e por isso sabe que o Rubens sente os seus pensamentos, recebe as suas preces.
A mãe não dizia nada e Neide perguntou:
- — A senhora quer que ele sofra?
Murmurando de maneira lamentosa, dona Aurora respondeu:
—- Não...
Afagando-lhe o rosto, Neide propôs:
—- Então reaja, mãe. Sinta saudade, chore, mas não entre em desespero.
Continue sendo uma boa mãe.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 27, 2016 10:36 am

-— Tudo o que eu faço me faz lembrar do Rubens.
—- Que bom, mãe!
Isso significa que ele vive no seu coração!
Quer dizer que a senhora o ama e nunca vai esquecer-se dele!
Tudo é muito recente, somente o tempo e o amor vão aliviar essa dor.
Pense comigo:
a senhora acha que o Rubens gostaria de ver a senhora assim, tão angustiada, entregue a esse choro desesperador?
—- Não...
-— Então faça algo produtivo e bom.
Assim ele irá receber melhor o seu amor.
A senhora vai transmitir a ele muita paz e luz.
Então, mesmo longe, ele ficará muito bem. O que mais precisamos agora é cuidar do Humberto.
Enxugando as lágrimas com as mãos, esfregando o rosto, dona Aurora comentou terrivelmente entristecida:
—- Estou desesperada por causa do Humberto.
Ele não está bem.
—- Vamos cuidar dele, mãe.
Se a senhora continuar desse jeito, o Humberto vai se sentir pior e vai demorar para sair desse estado.
Respirando fundo, apesar de toda a dor, a mãe arrancou forças do fundo da alma e afirmou:
—- Seu irmão vai ficar bom.
Vou cuidar dele. Deus é grande!
—- Ele já chegou?
- —Acho que sim. Vou ver.
Imediatamente, dona Aurora foi até o quarto de Humberto.
Chegando lá, ficou aterrorizada ao ver o filho sobre a cama.
Ele estava deitado de lado, coberto com uma colcha.
Podia se perceber os tremores de um choro sufocado.
—Meu filho! O que foi?!- — Ele não respondia e sufocava o rosto no travesseiro.
Puxando a coberta, ela quis ver sua face e tocando-a com carinho, pediu amorosa, mesmo em lágrimas:
— Humberto, não faça isso, meu filho! Olhe para mim!
—- Mãe... Me deixa, mãe... -— respondeu com extrema dificuldade e com a voz abafada.
—Levanta, Humberto!
Você não trocou a roupa nem tomou banho.
O espírito Nelson, mentor do rapaz, aproximou-se da senhora e, percebendo sua elevação moral, pois apesar de toda força espiritual inferior que havia ali e da dor não se deixava abater como o filho, envolveu-a com energias superiores e a intuiu.
Momento em que a mulher reagiu firme.
Arrancando a colcha em que Humberto, praticamente, embrulhava-se, dona Aurora puxou-o pelo braço fazendo-o se sentar.
O rapaz permitia-se conduzir mecanicamente.
— Senta, menino! Respira fundo!
Estapeava-lhe o rosto de modo fraco e bondoso, dizendo-lhe ao desabotoar sua camisa:
-— Vamos tirar essa roupa.
Vai tomar um banho e vai se sentir bem melhor!
Você vai ver! -— falava com energia.
— Mãe, me deixa...
— Só depois de um banho e de um prato de sopa bem quentinha!
Eu fiz aquela sopa que você gosta e acabei de trazer pão fresquinho.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 27, 2016 10:36 am

Abrindo o armário, pegou um agasalho e uma camiseta, avisando:
— Agora vai pro banheiro e toma um bom banho. —
Diante do desânimo do filho, ela falou firme, mas quase sorrindo: —
Se não for, Humberto, eu mesma vou fazer isso!
Ele respirou fundo e, como se precisasse despender imensurável força física, ergueu os olhos, levantou-se e foi para o banheiro.
A sós, no quarto do filho, dona Aurora sentou-se em sua cama e começou a orar.
Rezando baixinho, murmurava suavemente as palavras com tamanha fé que, na espiritualidade, via-se uma luz acesa em seu peito e, a cada momento de sua prece carregada de fé, esperança e indescritível amor, a luz aumentava de intensidade.
-— Maria, mãe santíssima! -— rogava a senhora em lágrimas. —
Socorra o meu filho!
A senhora, que é mãe, sabe entender o meu sofrimento, a minha dor e também o meu amor.
Envolva o meu Humberto com o seu manto sagrado!
Dai força, harmonia e paz ao meu filho querido.
Eu imploro, mãe santíssima, imploro!
Em nome de Jesus, seu filho amado!
Faça com que o meu Humberto melhore e se cure do que quer que seja que o esteja maltratando tanto.
Ajuda o meu filho, mãe do céu!
A senhora sempre me socorreu! -— pedia com lágrimas correndo-lhe pela face e com fé inabalável.
Dona Aurora não pôde ver, mas, naquele instante, na espiritualidade, fez-se uma claridade azulada de incrível beleza e uma luzente entidade se fez presente.
De aspecto jovem e traços angelicais, exibia aparência translúcida, subtil de uma beleza impressionante, parecendo ser formada de substância luminosa flutuante.
Transmitia bondade e amor no quase sorriso doce.
A generosa benfeitora ponderou por segundos e considerou em tom tranquilo e ténue:
—- Quem sou eu comparada à grandiosa entidade por quem clama?
Um espírito de tamanha elevação, como a que foi a mãe abençoada de nosso Mestre Jesus, certamente a ouve e a socorre, sim, pois todo coração de mãe possui a sublime essência do amor e da bondade.
Agradeço a Deus, se me permitir ajudar em nome daquela que atingiu um dos graus mais elevados na escala dos valores morais aqui na Terra.
A nobre entidade era Laryel, que se aproximou de dona Aurora, ergueu a delicada e graciosa mão de onde essências luminescentes irradiaram-se, envolvendo a senhora.
Enquanto tarefeiros de sua confiança recolhiam do mesmo fluido, utilizando-o para magnetização do reservatório de água da casa.
Em seguida, a nobre benfeitora curvou-se envolvendo dona Aurora em generoso e terno abraço e comentou bondosa:
-— Muitas coisas acontecem por nossa invigilância.
Mas, sem dúvida, essas experiências servirão de aprendizado para a elevação do homem de bem.
Nosso querido Humberto tem missão a cumprir ao lado de Sérgio, mas necessitará, antes, cultivar o amor incondicional e o perdão verdadeiro.
Conhecemos o seu passado digno e suas nobres tarefas no campo do auxílio e do socorro.
Ele próprio desejou colocar-se em prova, na presente encarnação, caso se desviasse da bondade e do amor.
Esse querido filho do coração precisará criar forças interiores para se superar e se libertar das amarras da dúvida e da insegurança, voltando-se para a fé que sempre cultivou.
Estaremos ao seu lado amparando-o com gotas de alívio, que ele deverá aproveitar.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 27, 2016 10:36 am

Serão momentos de trégua para reflexões, elevação e acção.
Conforme ele pediu no planeamento reencarnatório, vamos fortalecê-lo à medida que se dispuser a agir, elevar-se e buscar, no Pai Celeste, a sua força para recomeçar e dar rumo ao seu coração sem destino.
Uma indizível serenidade tomou conta do coração de dona Aurora.
A mãe de Humberto parou de chorar, secou o rosto com as mãos e murmurou:
-— Obrigada, nossa senhora.
Proteja o meu Humberto e socorra o meu Rubens.
Não deixe o meu filho que morreu sem socorro.
Proteja o Rubens, com as bênçãos de Deus, de todo mal.
A elevada Laryel ofereceu sorriso subtil e orientou:
—- O querido Rubens será socorrido quando aceitar e entender a condição do irmão e aprender a sentir o seu amor.
No entanto, como poderei negar o pedido de uma mãe sincera?
Bondosa, afirmou:
-— Mãe, ele será assistido.
Olhando para os demais companheiros espirituais que a auxiliavam, solicitou generosa: —
- Quando o querido Rubens despertar, não permitam que seja envolvido por perseguidores nem que se retire desta casa, pois aqui será mais fácil socorrê-lo no momento em que estiver preparado.
Se sair daqui, os inimigos do passado poderão envolvê-lo e arrastá-lo para um vale de grande sofrimento. Lamento não podermos levá-lo para local apropriado e seguro. Colaborem para que ele receba ajuda para se refazer um pouco e não experimentar os horrores do estado em que ficou o seu corpo físico por consequência de seu desencarne.
O banho, pelo contacto da água corrente magnetizada em seu corpo, aliviou Humberto de alguns miasmas e ele se sentiu um pouco melhor.
Adamastor havia se retirado.
Os espíritos que o prejudicavam não entendiam o que havia acontecido, quando o viram mais refeito e livre de alguns dos procedimentos espirituais inferiores.
Eles não identificaram a presença de Laryel e seus companheiros.
Perceberam somente que algo estranho ocorreu.
Contrariados, resolveram intensificar o que faziam, mas teriam de começar tudo de novo.
Após o banho, Humberto foi para a cozinha e sentou-se à mesa.
Sua mãe serviu-lhe um prato com sopa quente e reconfortante que ele, vagarosamente tomou.
Também se serviu de pão e mais nada.
Aquela alimentação continha energias especiais.
Eram fluidos transmitidos por dona Aurora através de seu amor e carinho dispensados durante o preparo dos ingredientes.
Pensamentos elevados, de satisfação, generosidade e ternura impregnam todo alimento, como também o oposto acontece.
Ao terminar a refeição, Humberto nada comentou e por alguns instantes sentiu-se muito melhor, mais refeito.
Pensou que talvez o seu mal estar fosse por má alimentação.
Mas não demorou e sua cabeça pareceu pesada novamente e precisou ampará-la com as mãos apoiando os cotovelos na mesa.
Neide, que falava de um acontecimento de seu serviço, interrompeu o assunto e contou:
- —Fui visitar a nené da Débora.
Que coisinha mais linda! Você tem que ver, Humberto!
Eu ia comprar um presente, mas não tive tempo.
Então fui lá e fiquei devendo a lembrancinha -— riu.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 27, 2016 10:36 am

Você deveria ir lá! Não é, mãe?!
É verdade, filho. O Sérgio é seu amigo...
Fui lá várias vezes e ele sempre pergunta de você.
Eu até peguei algumas roupas da nené para lavar, sabe!
É que quero ajudar um pouco.
—A Débora não tem empregada, mãe? -— perguntou Neide.
—Tem uma mulher lá ajudando desde quando ela teve a nené.
Mas sabe como é...
Roupinha de nené novo precisa de cuidado, e essas empregadas fazem tudo de qualquer jeito.
A senhora sorriu e comentou:
-— Coitada da Débora, está toda atrapalhada!
Acho que nunca pegou um bebé no colo.
Agora, sozinha pra cuidar da menininha dá até dó.
O Sérgio tem mais prática do que ela, mas ele trabalha e estuda... Fica difícil.
—- A Débora não tem mãe? -— tornou Neide.
—- Não -— respondeu a mãe.
Os pais dela morreram... parece que foi num acidente.
A sogra não se manifesta pra ajudar e também mora longe.
A Rita é outra coitada, não pode ajudar porque tem os gémeos que dão o maior trabalho -— sorriu.
Os meninos são uma graça!
A Rita está grávida de novo, sabia?
- —A Débora me contou -— disse Neide.
—Então, quando fui lá visitar e vi que não tinha ninguém ajudando, resolvi dar uma mãozinha e ela não se importou.
Ficou até muito agradecida.
Breve pausa e dona Aurora comentou, sem prestar atenção no que falava:
-— É bom eu fazer alguma coisa, me sentir útil, fico ocupada e não penso...
Imediatamente ela se calou, mas o filho já tinha ouvido.
No mesmo instante Humberto se sentiu mal.
Um torpor o deixou tonto.
Esfregou levemente o rosto e apoiou novamente a fronte nas mãos.
Havia entendido que sua mãe queria se manter ocupada para não pensar na morte de Rubens, na falta que ele fazia, nas lembranças desagradáveis da discussão que tiveram quando descobriu a traição e queria matar o seu irmão.
Imaginou quanta angústia e dor deveria ser, para ela, quando recordava de tudo aquilo e ele culpava-se.
Novamente, o efeito de sensações desagradáveis o dominava ao sentir um peso nos ombros e nos braços ao mesmo tempo que suas pernas esmoreciam.
Se estivesse em pé, talvez, caísse ou cambaleasse.
Era como se fosse desmaiar.
Não suportando a onda de pensamentos decaídos, debruçou o rosto pálido, quase cadavérico, sobre os braços.
Era como se estivesse desfalecendo.
Na espiritualidade, tarefeiros do mal, frios e impiedosos, a serviço de Adamastor, reconheceram as impressões aflitivas e dolorosas de Humberto e, imediatamente, passaram a lhe aplicar como que passes magnetizando-o de elementos intoxicantes como a sedá-lo para que não reagisse.
Essa magnetização interferia inclusive no efeito dos medicamentos de prescrição médica que tomava, pois conseguiam uma reacção bioquímica no corpo do rapaz, neutralizando sua finalidade.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 27, 2016 10:37 am

Eram criaturas sombrias com aspecto forte e desagradável.
Seus gestos hostis manipulavam sobre Humberto substâncias fluídicas espessas e escuras ampliando seu mal-estar e fazendo-o entregar-se a tormentosas reflexões.
Era assombrosa a organização obsessiva!
Uma vez que Humberto não reagia à essa indisposição, deixando-se entorpecer sob a magnetização deplorável, outros espíritos, cuidadosamente, manipulavam energias espessas transformadas em finíssimos fios pardos que começavam a ser ligados em seu cérebro e na medula.
Descendo, ampliavam-se por todo o sistema nervoso central, passando pela região da garganta, na laringe, ramificando-se para o coração e pulmões, entremeando pelo diafragma e indo massificar-se em matéria fluídica mais densa atrás do estômago, depois nos intestinos, descendo até os órgãos genitais.
Lentamente, todos os centros de forças, conhecidos como chacras, eram controlados e impregnados.
Espíritos tão inferiorizados que perderam a formação perispiritual humana, os ovóides, eram ligados na região da cabeça, nas costas, no peito e na região gástrica.
Eles sugavam, continuamente, as energias do corpo de Humberto alimentando-se delas e o enfraquecendo ainda mais.
Havia espíritos que ainda magnetizavam outras substâncias fluídicas na região dos nervos ópticos e auditivos para poderem influenciá-lo mais através de sugestões, com fenómenos físicos ou psíquicos produzidos por uma espécie de hipnotismo ampliando nocivamente a sua sensibilidade.
Humberto sentia a mente doente, enfermiça.
Não sabia o que era nem tinha como explicar o que o atormentava.
Ao observá-lo pálido, Neide correu até ele, tocando-lhe os ombros, e perguntou:
-— O que você tem?
Erguendo os tristes olhos verdes afundados em lágrimas, com a respiração fraca, sussurrou:
—- Não sei... Estou me sentido muito mal.
Dona Aurora se aproximou e pediu implorando:
-— Reage, meu filho!
Respire fundo e abra os olhos.
Vamos! Reage contra isso, meu filho!
Humberto tentava, mas parecia sufocado, mergulhado em um mar de angustiosas aflições.
—- Será bom levá-lo ao médico? -— perguntou Neide.
—- Não...- — murmurou o irmão sem forças. -— Eu quero deitar.
Com a ajuda da irmã e de sua mãe, ele se levantou e foi para o quarto entregando-se à tirania daquelas criaturas que o queriam destruir.
Após isso, dona Aurora entrou para o seu quarto, apanhou uma Bíblia, leu o salmo 91 e, em seguida, rogou com toda a sua força, toda a sua fé pedindo protecção e amparo ao filho que sofria e necessitava de protecção.
Novamente, por causa de sua prece fervorosa e sincera, espíritos amigos conseguiram doar energias salutares a Humberto que, apesar de toda a magnetização com fluidos inferiores, sentiu as bênçãos renovadoras que o socorreram num sono menos agitado.
***
Na manhã seguinte, foi com muita dificuldade que Humberto se levantou, barbeou-se e tomou banho.
Na cozinha, olhando a mesa posta para o desjejum, não sentia a menor vontade de se alimentar.
Mas forçado por dona Aurora, ele tomou alguns goles de café com leite e comeu um pequeno biscoito.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 27, 2016 10:37 am

—- Filho, passe no médico hoje, quem sabe ele te dá um remédio melhor.
—- Vou ver... -— respondeu baixinho.
—- Humberto -— tornou a mãe, com jeitinho, afagando-lhe o ombro -— você vai pegar a Lívia hoje?
—- Não.
—- Seria bom ela ir com você, filho.
Eu não queria que dirigisse, assim, desse jeito.
Estou preocupada.
E se, quando estiver dirigindo, der o mesmo que te deu ontem aqui em casa?
—- Vou ficar bem, mãe.
—Mas eu não! Não vou ficar tranquila.
Além do mais, a Lívia é uma boa companhia e acho que, se vocês conversassem, você iria melhorar.
Quem sabe está precisando desabafar um pouco!
—Minha vontade é de ficar em casa deitado.
Não tenho ânimo para nada nem para conversar.
—Vai, filho! -— pedia com jeitinho carinhoso.
Chame a Lívia pra ir com você!
Além do que, ela precisa de carona.
É tão difícil pegar condução tão cedo!
Diante do silêncio, ela propôs animada: —
Quer que eu ligue pra ela dizendo que você vai passar lá?
O desejo do rapaz era dizer não.
Contudo, aproveitando-se da pouca energia salutar que o envolveu por causa das preces de sua mãe na noite anterior, o espírito Nelson conseguiu intuí-lo a titubear na resposta e ele disse:
- —Não sei, mãe...
Não quero falar com a Lívia.
—E eu não quero que você dirija desse jeito.
Aliás, eu sei que o remédio que você toma diz que não pode dirigir ou mexer com máquinas pesadas.
Eu li na bula!
Breve pausa e dona Aurora falou de modo animado, quase faceiro:
Filho! Vou ligar pra ela antes que saia de casa!
Coitada, né? Pegar condução cheia é tão ruim!
Além do mais, ela me disse que trancou a matrícula na faculdade e pode voltar com você.
Sem esperar que o filho dissesse algo, a senhora foi até o telefone e ligou para Lívia.
Retornando, avisou:
— Ela está te esperando!
Vai, come só esse pedacinho de pão com queijo minas, eu sei que gosta!
Ao vê-lo franzir o rosto, insistiu carinhosa:
— Vai filho! Só esse pedacinho e pronto!
Para agradar sua mãe, ele forçou-se a comer.
Mas o pão parecia não dissolver em sua boca ressequida e arranhar sua garganta.
Isso ocorria pelos miasmas espirituais entremeados nessa região.
Depois, com enorme esforço, levantou-se e foi acabar de se arrumar para sair.
Ele estava confuso, não conseguia concatenar as ideias e, ao sair de casa, rumou automaticamente para a casa de Lívia.
A moça o aguardava no portão quando ele chegou.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 27, 2016 10:37 am

Assim que a viu na calçada, Humberto desceu do carro e a cumprimentou a distância, perguntando em seguida:
—-Você pode dirigir hoje?
—-Posso sim. Por quê?
Você não está bem?
—- Não como deveria.
Dando a volta no veículo, o rapaz ocupou o banco do passageiro enquanto Lívia sentava-se no lugar do motorista.
Em seguida, ela perguntou:
-— O que aconteceu?
-— Ontem não me senti nada bem.
Um outro médico trocou os medicamentos que estou tomando e...
Acho que é isso. São remédios muito fortes.
Na bula tem indicação para não dirigir nem manusear máquinas até o paciente se sentir bem, e esse não é o meu caso.
Por me ver assim, minha mãe ficou preocupada e...
Você sabe como ela é.
Desculpe-me por incomodar.
— Não é incómodo algum. Você sabe.
Os espíritos ignorantes e transviados que acompanhavam Humberto impregnando-o com fluidos densos para desequilibrá-lo, ameaçavam Lívia com gestos hostis, como se ela pudesse percebê-los.
A intenção dos irmãos infelizes era de atrapalhar o rapaz com algum tipo de alucinação, com a ajuda das impregnações magnéticas feitas em seus nervos visuais e auditivos, para que, dirigindo, Humberto provocasse um acidente, se possível grave, na primeira oportunidade.
Entretanto Lívia não era afectada pelos obsessores em acção.
Na verdade, estava longe de percebê-los pelo seu padrão vibratório superior.
Alem disso, o espírito Alda, sua mentora, sem ser percebida, envolvia-a em energias sublimes que a protegiam.
Essa união equilibrada entre Lívia e sua mentora acontecia pelo facto da encarnada ligar-se a planos elevados através da prece sincera, da fé inabalável e do amor incondicional.
Dessa forma, eles seguiram para a empresa onde trabalhavam.
No caminho, Lívia falou sobre o clima, o trânsito complicado e outros assuntos supérfluos, e Humberto só ouvia.
Vez e outra, uma onda de sensações ruins o dominava.
Sem que ela percebesse, cerrando os olhos, ele não dizia nada.
Chegando à empresa, ela estacionou o carro e virou-se para o rapaz perguntando ao vê-lo desanimado, silencioso e pálido:
—Tudo bem com você?
—Está.
—Humberto, já que de você eu não ouço nada, tomei a liberdade de perguntar à Neide e a sua mãe o que está se passando.
—O que elas disseram? -— perguntou com voz baixa e tom grave.
—Que você foi a vários médicos e disseram que está em depressão.
Receitaram medicamentos e psicoterapia, mas você só está tomando os remédios.
—É isso mesmo.
—Você precisa reagir, Humberto!
Não pode se entregar a esse estado!
Você não é assim!
Quanto mais demorar para reagir será pior!
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 27, 2016 10:37 am

—Reagir como? Não tenho o que fazer!
—Conversou com o Sérgio a respeito disso?
—Ele me indicou algumas coisas que nem sei dizer e...
Falou para eu ir fazer uma assistência espiritual no centro.
—E você não fez nem uma coisa nem outra?
—Não dá tempo. Não tem como.
Alguns segundos e perguntou:
— Você tem ideia do que sinto?
Sem esperar por uma resposta, comentou:
- É uma coisa que não dá nem para descrever!
É uma sensação e sentimentos horríveis!
Nunca experimentei nada parecido.
Sinto uma dor no peito, uma angústia!...
Não tenho vontade de fazer nada.
Aliás, a única vontade é a de ficar deitado e quieto. Nada mais!
—Você precisa se forçar a fazer alguma coisa.
Comece a resolver pequenas situações.
Force-se a assistir um filme no cinema, vá a um teatro, ao centro espírita, à psicoterapia...
Sei lá! Ocupe o seu tempo!
—Eu fui ao centro espírita semana passada e...
Tudo, Lívia, exactamente tudo a minha volta me deixa desgostoso, pois me faz pensar ou lembrar de coisas melancólicas.
Quando eu olho para você, me sinto mal.
Falo de mal-estar mesmo!
Tenho a impressão de que vou desmaiar.
Depois vem uma sensação grande, mas tão grande de tristeza que quero chorar.
—Nesse instante, lágrimas brotaram em seus olhos, mas ele disfarçou e as aparou rapidamente antes que caíssem.
Entristecida, ela perguntou, temerosa:
—Por que, quando me olha, fica triste?
—Não é uma tristeza comum. E algo aterrorizante.
Eu me lembro do meu irmão.
Lembro do desejo de matá-lo, da nossa briga antes de ele sair de casa...
Fico imaginando como foi o acidente, o que ele sentiu...
Às vezes esses sentimentos se confundem e eu recordo de como o encontrei com a outra lá no meu apartamento e sinto raiva, pavor, dor...
Alguns instantes e comentou:
-— Em casa, quando vejo minha mãe triste ou chorosa, é a mesma coisa...
Uma dor intensa me domina, meu rosto fica pesado, contraído.
Sinto dor mesmo!
É como se eu tivesse os sintomas de uma gripe muito, muito forte e todo o meu corpo não tivesse força alguma e pedisse cama.
No meio de tudo isso, a vida perde a importância, perde a cor, o brilho, a graça.
Nada faz sentido.
Por que lutamos, trabalhamos e depois morremos?
Tudo é tão rápido, sem objectivo.
—- Estou assombrada por ouvir isso de você -— falou de modo lamentoso.
Aproveitando a primeira pausa, de modo enérgico, continuou:
-— Pelo amor de Deus, Humberto!
Onde está todo o seu conhecimento?!
Onde está a sua fé?!
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 27, 2016 10:38 am

Ele apoiou os cotovelos no painel do carro, segurou o rosto com as mãos para que ela não visse as lágrimas que brotavam.
Alguns minutos e, refazendo-se um pouco, comentou:
— Eu não sei onde está tudo o que aprendi.
Não consigo pensar. As coisas não fazem sentido.
A minha mente fica em branco e preto.
Às vezes não me concentro e não entendo o que estão me falando, mesmo que sejam coisas simples.
—Humberto, preste atenção!
Você passou por uma contrariedade muito grande.
Queria terminar tudo com a Irene, mas viu-se obrigado a se casar.
Estava magoado e até revoltado por saber tudo o que acontecia entre mim e o Rubens.
Foi por causa das agressões e das ameaças do Rubens que eu não me separei dele. Você sabe.
Estava descontente por não podermos ficar juntos, apesar do forte sentimento que tínhamos um pelo outro.
Como se não bastasse, faltando quatro dias para o seu casamento, você pegou a Irene com o seu irmão, na cama do seu apartamento!
—- Pare, Lívia! -— pediu desesperado, ofegante.
—- Eu estava com você, Humberto! Eu vi tudo!
Os dois estavam lá, se amando!
Mesmo o vendo se sentir mal, ela continuou:
— Como não sentir o que sentimos?!
Como não ficar indignados, revoltados, com raiva?!
Como?! Como não ter vontade de matar o seu irmão e a Irene?!
Eu também senti isso!
Eu fui agredida pelo Rubens!
Ele me ameaçava! Maltratava!
Por causa dele minha vida tinha acabado!
Quantas vezes eu pensei, desejei que ele morresse para tudo isso acabar?!
Aceitei até a transferência que você me propôs para o Rio de Janeiro!
Eu precisava mudar toda a minha vida por causa daquele crápula!
Um cafajeste! Como acha que eu me senti?!
—- Apesar de você ter vivido contrariada também e ainda ter encontrado os dois juntos, não está como eu.
Eu queria matar o Rubens e essa ideia não foi só depois que eu os vi.
Há tempos vinha pensando nisso.
Eu estava com ódio do meu irmão pela forma como ele te tratava.
Agora que ele está morto, me sinto culpado, com remorso.
—- Não foi você quem o matou!
Acorda! Foi uma fatalidade!
O Rubens passou pelo que precisava!
Nós não sabemos qual foi o plano dele para essa reencarnação.
Você acredita ou não nisso?!
—- Não sei mais em que acredito.
Só sei que não me reconheço.
Nunca senti isso antes.
—Desejar que tudo fosse diferente, eu também desejaria.
Mas não foi. Precisamos viver com isso.
O que me conforta é o facto de que nem você nem eu tê-lo matado.
Porque vontade e motivo nós dois tivemos para isso.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 27, 2016 10:38 am

Estou sendo realista.
Não vou negar um sentimento que eu tive.
Mas, quando fiquei com raiva e experimentei tamanho ódio, imediatamente, mudei os meus pensamentos.
Pedi perdão a Deus por tudo o que eu imaginava e desejava ao Rubens.
Orei. Peguei O Evangelho e li sobre Amar os Inimigos.
Depois reflecti muito sobre o tema, pois o Rubens, apesar de estar comigo, tornou-se um inimigo.
Eu não sei por qual motivo, qual razão do passado, estávamos juntos.
A prece, a reflexão sobre isso me trouxe um pouco de paz e eu procurava um meio pacífico de me livrar dele.
Com isso, senti que aquele veneno imenso que teve origem com a raiva, com o ódio se anulava na minha mente e no meu corpo.
Eu acho que não entrei em depressão como você, diante de todo esse stress que vivi, porque usei a prece, o amor, a compreensão, a esperança e a fé nos desejos de Deus como remédio contra os venenos do ódio, da raiva e da contrariedade.
Ele ficou em silêncio, fitando-a com olhos tristes e fisionomia pesada, e Lívia completou:
-— Você, hoje, está envenenado com as energias de todos os sentimentos negativos que você mesmo criou, cultivou e alimentou em si.
Com excepção de Deus e dos espíritos criados por Ele, nada mais é eterno.
Então o que você experimenta não vai durar para sempre.
O remédio para o que o aflige não está em um vidro ou em uma carteia que sai de um laboratório farmacêutico.
A sua dor é na alma.
O remédio para você, espírito, está na prece, no Evangelho, nos ensinamentos de Jesus.
—- Eu penso que isso o que estou sentindo não vai passar nunca!
—- Vai passar sim! Você vai vencer essa dor!
Vai superar esses sentimentos depressivos quando se libertar das energias ruins que criou em si mesmo e se renovar com energias novas, salutares criadas ou atraídas por você.
—- Quero ser como antes.
—- Você nunca mais poderá ser, agir e pensar como antes.
Como era antes te deixou como está agora.
Você precisa e vai conseguir ser mais forte, diferente de antes.
Vai conseguir viver melhor a vida, amando, respeitando, aproveitando a alegria dos bons momentos, aprendendo com as dificuldades das tristezas sem se deixar envolver por elas.
Quando sentir raiva, ódio, parar e pensar:
de que adianta isso?
Para que vai me servir tanta preocupação?
Para que vai me servir esse sentimento triste?
Então vai se socorrer nas reflexões do Evangelho e perceber que em vez de raiva e ódio, deve compreender aquele que tenta provocar em você tais sentimentos e que aquilo vai passar.
Vai descobrir que sentir tristeza e não poder fazer nada, faz parte da vida e que isso também vai passar.
Você vai poder se esforçar para fazer o melhor e se sentir bem com isso.
Deitar a cabeça no travesseiro e dizer:
hoje eu dei o melhor de mim!
Não tive sentimentos ruins nem pensamentos negativos.
Então eu evolui!
E se por acaso não conseguiu, imaginou ou fez alguma besteira, pensar:
hoje eu, ainda, não consegui, mas isso é por enquanto!
Amanhã será melhor!
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 27, 2016 10:38 am

—Eu sei tudo isso. Não me dê aulas!
Mas, no momento, como estou agora, é difícil agir assim.
—Então pense: eu vou conseguir!
Sou um vencedor porque estou vivo!
Nasci para ser feliz.
É isso o que Deus quer de você, Humberto!
O pensamento tem uma força poderosa e você sabe disso!
Os espíritos Alda e Nelson envolviam Lívia para que falasse daquela forma.
Uma energia vibratória em forma de luz azul cintilante espargia de Lívia quando ela se expressava.
Os espíritos inferiores, ligados ao rapaz e os que o rodeavam, ficaram extremamente revoltados e tentavam atacá-la de alguma forma.
Mas era impossível.
A união da moça com o Alto era de fé e esperança na vitória do bem.
Mesmo sem saber que era tão bem amparada por espíritos superiores, Lívia encontrava-se confiante e em paz.
Depois daquela conversa, Humberto se sentiu melhor mesmo sem entender a razão.
Os fluidos salutares, que chegaram do Alto, para a sustentação de Lívia também o envolveram em energias que lhe serviram de alimento espiritual edificante.
Com isso conseguiu organizar melhor os pensamentos.
—- Obrigado, Lívia -— agradeceu verdadeiramente sincero.
Essa conversa me clareou as ideias.
Sinto-me mais animado.
—- Por favor, Humberto, reaja!
Não se deixe abater.
Você sabe o que pode acontecer connosco, espiritualmente falando, se ficarmos nesse estado.
—- Não sei o que pode acontecer.
—- Como não?! -— surpreendeu-se ela.
—- Estou me esquecendo de algumas coisas.
É como se desse um branco na minha mente. Tenho alguns lapsos de memória como se experimentasse uma espécie de amnésia momentânea para alguns assuntos.
Inspirada pelos mentores espirituais, Lívia ficou preocupada e perguntou:
— Esses esquecimentos estão acontecendo, principalmente, com assuntos religiosos e do seu trabalho?
— É sim.
— Mas o que é ruim, depressivo, triste e pavoroso você lembra?
— Isso mesmo.
—Humberto, faça como o Sérgio te propôs!
Volte ao centro espírita e se proponha a uma assistência espiritual.
—Você parece que não tem ideia da imensa força, do incrível poder que esse desânimo tem sobre e a minha mente.
—Deus tem mais poder do que isso o que sente!
Peça ao Pai bom ânimo e amparo para que tenha força de vontade de fazer o que for preciso para sair desse estado!
—Eu peço para acordar de manhã e não me sentir mais assim, para não ter mais nada disso.
Mas não tenho resultado.
—Você quer, na verdade, um passe de mágica.
Isso não vai acontecer.
Você se colocou nesse estado e isso não aconteceu do dia pra noite.
Então não será do dia para noite que vai sair dele.
Somente você é quem vai poder se tirar dessas condições.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 27, 2016 10:38 am

—Eu não me coloquei nesse estado -— comentou.
—Você se colocou nesse estado quando se irritou, ficou com raiva, ódio, nervoso e experimentou tantos sentimentos negativos sem se importar com mais nada.
Você envenenou-se aos poucos.
Você é uma criatura de amor, paz e luz.
Os sentimentos negativos provocaram um choque com a energia elevada que tinha.
Ao mesmo tempo não procurou reverter os sentimentos ruins, os pensamentos de raiva, o nervoso...
Não teve paciência, amor, não compreendeu, não procurou entender o outro através do que Jesus nos ensinou.
Não confiou em deixar para Deus cuidar das coisas e das situações que o contrariavam.
Tudo isso provocou um choque energético em seu ser.
Repare que você não está doente.
Pode ser que tenha ou apareça algum proemina corriqueiro, mas doente não está.
Porém se sente doente como se estivesse gripado.
O choque que sofreu foi psíquico, espiritual de duas energias ou fluidos incompatíveis, ou seja, a energia que tinha com a que criou.
O resultado dessa explosão é o que está experimentando agora, um problema não físico, mas psíquico, espiritual.
Isso só se cura com sua própria força interior, agindo e actuando a seu próprio favor.
Só se cura com a paciência e a mudança de hábitos, trocando o nervoso, a raiva, o ódio, a contrariedade por amor, esperança, paz, harmonia.
O desespero e o desânimo só vão piorar o seu quadro psicológico, fazendo com que se sinta cada vez derrotado.
—O que eu faço com o que já passou?
Com o que sinto e senti pelo meu irmão?
O que fiz a ele?
Tenho que procurar a Irene, encarar você e minha mãe sem pensar no Rubens.
Isso tudo me apavora.
— Resolva uma coisa de cada vez.
Vai precisar fazer o melhor que puder, mas vai ter que fazer.
Não poderá ficar adiando. Terá de agir.
Haverá coisas ou situações que não poderá mudar.
Então confie em Deus.
Tenha fé e esperança, porque Ele não vai te desamparar desde que você faça a sua parte.
Movida por seus sentimentos mais profundos, Lívia falou enternecida:
— Se aceitar, estarei com você. Quero te ajudar.
Humberto não disse nada.
Parou por alguns segundos somente reflectindo.
Depois suspirou fundo, consultou o relógio e avisou:
—- Estamos em cima da hora.
Precisamos ir.
Olhando-a, agradeceu:
-— Obrigado por tudo.
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