CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 29, 2016 9:48 am

Depois que estiver refeito, aí sim, vou embora se me pedir.
Ela ficou olhando-o por algum tempo sentindo a sua compaixão e o seu amor aumentar junto com a certeza do que fazia.
Sem dizer nada, ele somente passou a mão pelos cabelos aloirados num gesto impaciente.
Tinha os pensamentos confusos.
Era como se a ouvisse, mas sem compreender o que Lívia dizia.
Percebendo-o sem acção, a moça se sentou ao seu lado e com nobreza no gesto delicado acariciou-lhe, suavemente, o rosto com as costas da mão e em tom suave na voz baixa, falou com carinho:
—- Isso vai passar, Humberto.
Nada é eterno a não ser a vida.
Deus não te criou para viver assim!
Num gesto inesperado, ele se virou e a abraçou com força, chorando escondido em seu ombro amigo.
Com a voz rouca e sufocada, murmurou de um jeito desesperado enquanto a abraçava:
—- Me ajude, Lívia!
Eu quero sair desse estado!
Pelo amor de Deus, me ajude!
- —Eu estarei ao seu lado sim, sempre!
Porém quem precisa se ajudar é você!
Afastando-se do abraço, após receber energias salutares, motivo que desconhecia, Humberto se sentia um pouco melhor.
De cabeça baixa, desviando o olhar, comentou:
—- Às vezes, acho que não vou ter forças, mas eu quero me recuperar.
—- A vontade é tudo!
Queira, deseje e se force a fazer tudo o que for possível para se recuperar.
Eu posso estar ao seu lado, mas é você quem precisa agir.
Dona Aurora só os observava de longe.
Não quis interrompê-los.
Após alguns instantes, apesar de tudo o que sentia, ele respirou fundo e decidiu:
-— Vou me arrumar. Vamos até a casa do Sérgio.
Lívia iluminou-se com largo sorriso ao vê-lo se levantar e ir para o quarto.
Na espiritualidade, Adamastor exibia-se furioso.
Em meio a energias de ódio e raiva que emanavam dele como ondas magnéticas estranhas e medonhas, blasfemou e urrou feito um bicho, depois gritou:
—- Desgraçada!!!
Quem é você para fazer isso com ele?!! - —berrou como se Lívia pudesse ouvi-lo.
Sua infeliz!!! Vou acabar com você!!!
Demorei tanto e despendi tanta força para deixar esse desgraçado sem ânimo, fraco, sem vigor, para você, com uma simples conversinha, animá-lo e lhe dar energias!!!
—Rodeando-a, xingou-a com os piores nomes.
Ao tentar abraçá-la, experimentou como que um choque que o impulsionou e o repeliu, fazendo-o perder o equilíbrio.
Sem que pudesse ver, pois, apesar de ser na espiritualidade, estava em um nível diferente, o espírito Alda e demais companheiros cediam fluidos energéticos que fortaleciam Lívia, preservando-a.
Na noite anterior, bem como naquela manhã, Lívia tinha realizado, com muita fé, o exercício de relaxamento ensinado por Júlia.
E foi num estado bem tranquilo e com bastante confiança e amor que ela rogou por uma luz azul cintilante vinda do alto e derramada sobre ela como bênção santificante de paz.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 29, 2016 9:48 am

Assim, a jovem acreditou ter protecção e força para se equilibrar e auxiliar Humberto no que fosse possível.
Acreditou e sentiu que, no momento preciso, ela saberia o que fazer, o que falar e como agir em benefício de quem amava.
Rogou a Deus protecção, saúde, sabedoria, tranquilidade e paz.
E, antecipadamente, agradeceu como se já tivesse recebido o seu pedido, pois tinha toda a certeza de que isso ocorreria.
Dessa forma, sua mentora e os demais amigos espirituais encontraram em Lívia energias compatíveis, criadas por ela, com as quais eles puderam interagir e auxiliar com a protecção de que ela precisava.
Apesar do susto, Adamastor estava revoltado, contrariado com o que havia acontecido.
Após se trocar, Humberto chegou à sala e, provocado por Adamastor, sentiu-se mal ao olhar para Lívia que o aguardava.
Mas criou forças e forçou-se a um sorriso, pedindo:
—- Vamos?
- Vamos sim! -— resolveu ela alegre.
***
Não demorou muito e o casal estava na casa de Sérgio e Débora, que os receberam com muita satisfação.
—- Desculpe-me por não ter vindo antes visitar a Laryel.
—- Não se preocupe, Humberto!
Eu entendo -— disse Sérgio.
Vem cá! Sente-se aqui!
Enquanto isso, Débora e Lívia foram para o quarto da pequena Laryel, que reclamava atenção.
—- Ah! Essa menina está danadinha!
Sentando na cama, Débora brincou com voz mimosa ao pegar a garotinha no colo.
- Ela só quer colo! E mais colo!
—Toda criança é assim! -— disse Lívia sorridente.
Adoro criança!
—- Sabe, quando eu posso, eu a pego no colo sim.
Mas tem hora que preciso fazer alguma coisa e vejo que o seu chorinho e de manha, então a deixo esperar um pouquinho.
—- Posso pegá-la? -— pediu Lívia.
—Claro! Sente-se aqui! -— pediu, espalmando a mão na cama.
Com Laryel nos braços, Lívia comentou:
- É tão gostoso segurar um nenezinho!
—- A dona Aurora é quem diz isso.
Ai, menina, você precisava ver o ciúme da dona Antónia, uma amiga que tenho como se fosse minha mãe, como a dona Aurora.
E muito legal ver as duas juntas querendo dar o melhor de si, como se estivessem competindo por causa da Laryel.
—- Quem é a dona Antónia?
—- Uma criatura maravilhosa!
É mãe do João, nosso amigo.
Ela estava aqui no meu aniversário, lembra?
É a esposa do doutor Edison!
—- Ah! Sei! Lembrei.
—A dona Antónia e a dona Aurora são duas mães para mim.
—- E sua mãe, Débora?
—- Perdi meus pais num acidente.
Tenho dois irmãos, mas não sei por onde andam.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 29, 2016 9:49 am

Talvez estejam fora do Brasil.
Nós nos afastamos e não tenho notícias.
—- Entendo —- compreendeu Lívia.
—- Não tenho uma família antiga da qual eu descenda.
Mas Deus é maravilhoso e me compensou de outra forma.
Tenho a Rita, que é uma irmã para mim.
Nós nos damos muito bem. O Tiago então!...
—Rindo comentou:
—- Tenho até duas mães!
- —É, eu sei. A dona Aurora é uma criatura boníssima.
Sabe, é muito bom ela vir aqui para te ajudar, com isso se distrai, se ocupa.
—- Tenho muito dó dela por causa do que aconteceu.
Nossa!... Nem dá para se colocar no lugar dela.
Principalmente pelo que aconteceu entre os filhos.
—- A situação é tão difícil, Débora.
O Humberto desse jeito...
Muitas coisas estão pendentes e...
Olhando-a nos olhos, Débora argumentou:
—- Você gosta muito dele, não é?
- Gosto, sim -— murmurou.
Peço a Deus que me oriente e me dê forças para poder ajudá-lo.
Sabe, existem instantes em que me sinto fraca, inútil...
Não consigo esquecer o momento em que pegamos o Rubens e a Irene juntos.
É algo horrível! Fico imaginando como o Humberto está se sentindo a respeito.
Tocando-lhe o ombro num gesto amigo e piedoso, com a voz mansa, Débora afirmou:
—- Não desanime.
Tudo é muito recente.
Você precisa ser forte.
—- Eu sei -— falou com lágrimas que quase rolaram de seus olhos. —
Quando eu olho para o Humberto, por um instante parece que vejo o Rubens.
A sua voz então...
—- Ê como o Sérgio e o Tiago.
Eles são muito parecidos.
—- Às vezes, sinto uma coisa!...
Tenho vontade de me afastar, de não fazer mais nada...
—- Não pense assim.
Por mais que seja difícil, fique ao lado dele.
Tenha paciência e fé.
Não se afaste dele enquanto você sentir que existe amor.
Às vezes quando desejamos fugir de uma situação, estamos fugindo justamente do caminho que devemos seguir.
Não prefira o fácil. Não se iluda.
—- É interessante você me dizer isso.
Posso desabafar uma coisa?
—- Claro!
—Eu ficava indignada, com muita raiva de tudo o que estava acontecendo entre mim e o Rubens.
Eu já te falei... as agressões, as crises de ciúme, os maus tratos...
Ficava imaginando uma manchete de jornal anunciando um crime passional com o meu nome ou o do Humberto!
Era horrível!
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 29, 2016 9:49 am

Acho que você não sabe nem imagina o que é estar com alguém e sentir medo, pavor, pânico!
Débora ofereceu um sorriso meio triste e nada disse.
-— Quando vi os dois, no apartamento, fiquei transtornada, aturdida, confusa.
Não consegui nem pensar.
No dia seguinte, tomei um susto enorme quando soube que ele morreu!
Mas... no fundo, eu senti um alívio tão grande...
Foi como se alguém tirasse um peso do meu peito.
Algo que me asfixiava.
Não sei se é errado sentir isso, mas eu não posso mentir.
Logo depois, o Humberto ficou desse jeito...
Senti um desânimo. Pensei em largar tudo, não ir mais vê-lo...
Algumas semanas depois de tudo, o meu encarregado começou a se aproximar de mim e... com a desculpa de perguntar como eu estava, entende?
Senti que ele me tratava de uma forma diferente.
Ele era atencioso e até, vamos dizer, carinhoso com gestos e palavras.
Um dia fomos almoçar juntos e ele pareceu muito gentil e cortês demais.
—- Cuidado com isso, Lívia.
Eu conheço muito bem homens assim que se aproveitam de uma situação ou de sua sensibilidade para entrarem em sua vida e destruí-la totalmente.
A recuperação, se houver, é muito difícil e dolorosa.
Breve pausa e perguntou: —
- Você gosta desse cara?
Sente alguma atracção por ele?
—- Não! De forma alguma!
É que... Com o Humberto desse jeito cheguei a pensar se não seria melhor eu dar um tempo, me sentir livre de verdade e não me prender a ele.
Pensei em me dar uma folga e sair, passear com gente alegre e... Sei lá!
—- Se quiser dar um tempo a você mesma, faça isso sozinha.
—- Eu gosto do Humberto!
Isso não é estranho?
—Não. Isso é uma tentação.
Você gosta de uma pessoa, mas não quer enfrentar os problemas e as dificuldades ao lado dela.
Na verdade, quer tudo resolvido e só aproveitar as coisas boas.
—Desculpe-me, mas, falando dessa forma, está sendo tão dura!
—É para que não se iluda, Lívia!
Segurando sua mão, falou com jeitinho:
-— Preste atenção, lembra-se da passagem evangélica da porta larga e da porta estreita?
—- Lembro.
—- É isso o que está procurando: a porta larga.
Se você conhece o Humberto, sabe como ele é como pessoa.
Conhece seu carácter, sua dignidade, gosta dele, sabe que ele gosta de você, mas quer se dar uma folga diante dos problemas que precisa enfrentar, quer fugir da tarefa de ajudá-lo para, depois, juntos, começarem um relacionamento bonito e sincero, você está querendo a porta larga.
Se está em dúvida, dê um tempo sozinha.
—- Mas eu gosto dele e quero ajudá-lo!
-— Então siga o seu coração com honestidade.
Uma outra Pessoa, agora, em sua vida, será mais um problema do que uma solução.
Se você gosta do Humberto, vai ter a companhia do outro só para um almoço, um café, uma noite na balada.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 29, 2016 9:49 am

Para quê? Só para aliviar a tensão?
Pense bem, se começar não vai parar só aí não!
Uma situação dessa vai te machucar, vai ferir o Humberto.
—- Você já teve a companhia de alguém gostando de outra pessoa?
—- Já -— respondeu de imediato.
— Pensei como você: em ter somente um amigo, alguém com quem eu pudesse desabafar, me distrair.
Foi a maior burrada que eu já fiz na minha vida.
Você não pode imaginar no que me envolvi.
Suspirando fundo, ainda falou:
-— Se o momento é delicado, vá devagar.
Pense, ore.
—- Não sei por que essas ideias passam pela minha cabeça.
- Eu sei que quero ficar com o Humberto.
- —Talvez seja uma prova.
Uma prova de fidelidade.
Você está sendo testada para se desviar do caminho com ele.
Não dê atenção ao que esse rapaz está tentando propor ou, então, você deve se afastar do Humberto.
—- Não! Eu gosto dele!
Nossa! Como eu gosto!
—- Então fique na sua e conte comigo.
Se precisar, posso te ouvir. —
Rindo comentou:
-— Eu sei como é bom precisarmos de um ouvido e de um ombro amigo com bons conselhos.
De repente, foram interrompidas pela voz de Sérgio que chamou:
—- Débora! A Rita chegou!
—- Estou indo! -— Virando-se para Lívia, convidou:
-— Vamos lá recebê-la?
Ela deve estar com as crianças!
Levantando-se, Lívia perguntou:
—- E aí? A Rita está grávida mesmo?
—- Está! - riu gostoso. -— E são gémeos!
—- Você está brincando?!
— Não! Eu não brincaria com algo assim!
Ela quer matar o Sérgio!
Disse que foi praga dele!
Só faltam ser duas meninas como ele falou! - riu, divertindo-se.
***
Bem mais tarde, Lívia e Humberto já estavam de volta e dona Aurora serviu-lhes chá para esquentar por causa do frio.
Sentados lado a lado, no sofá, a moça falou:
—- Foi óptimo termos ido lá hoje! Não achou?
—- É verdade. Senti-me bem melhor.
Fazia um século que não me sentia assim.
—- Que bom! Fico feliz! -— disse sorrindo com jeito simples. —
Nossa! Fiquei surpresa em saber que a Rita está esperando gémeos novamente.
—Você não sabia? Minha mãe me contou -— sorriu.
—Não. Eu não sabia.
—A Rita é muito engraçada!
Ela e o Tiago formam um casal perfeito.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 30, 2016 1:25 pm

As crianças são uma gracinha!
Já pensou quando forem quatro?!
—Estávamos lá, na cozinha, e a Rita contou que não tem família alguma.
Quando o irmão e um namorado que tinha morreram, ela ficou desesperada.
Achou que a vida tinha acabado.
Depois começou namorar o Tiago e ele sofreu o acidente em que quase morreu.
Ele se queimou todo e perdeu a perna do joelho para baixo.
—Ele me contou.
Eu vi uma cicatriz de queimadura no braço dele e perguntei o que tinha sido.
—A Rita estava grávida dos gémeos quando isso aconteceu.
Depois o Tiago se recuperou, eles se casaram e hoje estão bem. Veja só!
Quem estava sozinha no mundo e achou que a vida estava acabada, hoje tem uma família grande e que vai aumentar! -— riu.
—Isso é muito legal de se ver!
—Humberto, o que você acha de irmos a um parque amanhã de manhã?
—Não sei...
—Foi bom sairmos! Você parece óptimo!
—E, mas não...
—Não queira um milagre! -— interrompeu-o.
Assuma e admita que está melhor hoje do que ontem!
—Sim. E verdade -— disse, forçando um sorriso.
Logo lembrou: —
Eu conversei com o Sérgio.
Ele me indicou um amigo para eu experimentar fazer uma psicoterapia.
Disse que esse colega é muito bom.
—É o João?
—Não. Pelo facto de eu conhecer o João e, possivelmente, nós nos aproximarmos por frequentarmos a casa dele, não seria legal fazer terapia com alguém conhecido.
—Por que não vai ao psicólogo que a Júlia indicou?
—Você viu o nome no cartão? -— perguntou, sorrindo.
—Vi! O que tem?
—O cartão é do Sérgio! -— riu.
Sérgio Barbosa!
—Está brincando?! -— ela riu junto.
—Não. Quando mostrei, ele riu pra caramba — sorriu mais descontraído.
—Eu li o nome, mas tem tanto Sérgio no mundo!
—Segunda-feira vou pedir para a Júlia agendar uma consulta para...
—Não peça para a Júlia algo que pode fazer!
Pegue o telefone e ligue! -— disse com um leve sorriso e jeitinho delicado.
Ele também sorriu e aceitou:
—Você tem razão. Eu mesmo vou ligar.
E... A propósito, conversei muito com o Sérgio e também decidi que vou consultar o doutor Edison, o psiquiatra.
Quem sabe um outro médico...
—Será bom, sim.
Alguns segundos e decidiu:
- Está tarde. Vou indo!
—Quer que eu a leve? -— perguntou, generoso.
—Não. Não é bom você dirigir enquanto tomar aqueles medicamentos.
Ele são bem fortes.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 30, 2016 1:25 pm

—Então pega o meu carro e amanhã vem com ele.
—Tudo bem! Isso eu aceito!
Amanhã, bem cedo, estarei aqui para irmos a um parque, fazermos uma caminhada e nos distrairmos um pouco.
Levantando-se, curvou-se, beijou-lhe o rosto e disse: —
Tchau! Até amanhã!
—Até amanhã, Lívia! Obrigado! -— sorriu satisfeito.
—Obrigada, você! -— disse, pegando as chaves do carro sobre a mesinha da sala. -— Tchau!
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 30, 2016 1:26 pm

17 - AS PALAVRAS DÃO ÂNIMO

Apesar de o dia amanhecer com uma temperatura bem baixa, o típico frio de inverno, o sol estava radiante e prometia um dia bem gostoso para passear.
Lívia estava feliz, bem animada ao estacionar o carro de Humberto frente à casa do rapaz.
Assim que entrou pela porta da sala, cumprimentou Neide, dona Aurora e perguntou:
—- E o Humberto?
- —Ainda está deitado -— informou a senhora extremamente abatida.
—Ele está péssimo, Lívia.
O meu pai chegou embriagado ontem à noite e isso foi o suficiente para ele ter nova crise -— disse Neide. —
Sinceramente, eu estou assustada.
Nunca vi o meu irmão assim.
Nesse instante, o espírito Rubens, com uma aparência espiritual terrivelmente comprometida, feia, deformada, chegou à sala impondo-se para Lívia.
—- O que você quer com o meu irmão?!!
É a mim quem deveria procurar!!!
Lívia sentiu um aperto no peito.
Entristeceu-se imediatamente ao saber de Humberto, mas grande dose de sua amargura foi pela vibração do espírito Rubens que a agredia.
Suspirando fundo, acreditou ter forças para agir e decidiu com jeito manso e firme:
-— Vou ao quarto falar com ele.
-— O que você quer com o Humberto?!!! -— exigia o espírito Rubens sem ser notado.
Vai me ignorar também?!!!
Vai me tratar como os outros!!!
Sua safada!!! Sem vergonha!!!
Parada à porta do quarto, Lívia sentiu todo o seu corpo arrepiar após um calafrio percorrer sua alma.
Novamente, ela suspirou fundo, fechou os olhos por alguns segundos e pediu em pensamento:
"Deus, nosso Pai! Por favor, me ajude".
Em seguida, entrou.
Foi directo até a janela.
Abrindo-a e fechou os vidros para que só entrasse luz.
Largado sobre a cama e sob as cobertas, Humberto mal se mexeu para ver quem era.
Parecendo bem humorada, Lívia forçou um sorriso e falou de um jeito simpático, como se nada estivesse acontecendo.
— Bom dia! Está friozinho, mas o dia está lindo!
Sentando-se na cama do rapaz, fez-lhe um carinho no rosto e pediu generosa: —
Vamos, levanta!
Sei que é cedo, mas será bom sairmos logo para aproveitarmos bem o dia!
Sabia que ainda tem um pouco de neblina?
Movendo-se um pouco, Humberto deixou-se ver.
Seu rosto parecia contraído, pesado, quase sisudo.
Seus olhos vermelhos queimavam pelo ardor do inchaço.
Passando as mãos pelo rosto falou com a voz rouca:
—Eu não vou. Não consigo...
—Sente-se um pouquinho -— pediu a moça, com jeitinho delicado, enquanto trazia no rosto suave e doce sorriso que expressava sem perceber.
Com dificuldade, ele se ajeitou na cama e se sentou.
Na espiritualidade, Adamastor, vivazmente prestava atenção aos menores detalhes e dizia:
—- Você não vai conseguir animá-lo desta vez, sua infeliz!
Não imagina o que fiz com ele está noite!
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 30, 2016 1:26 pm

Eu venci esta parada!
E quanto a você, sua intrometida, eu já sei como vou te deixar desesperada, aflita e pior do que ele! -— gargalhou.
Olhando para o espírito Rubens, que não o via, reparou:
-— Esse desgraçado deve ter acabado de morrer e ainda não se deu conta disso.
Ele ainda pensa que os encarnados podem ouvi-lo.
Que estúpido!!! Idiota!!! -— riu.
— Vou descobrir toda a ligação de vocês.
Vou descobrir um jeito de acabar com você e sua laia.
Sem percebê-lo, apesar de sentir-se um tanto sem forças, Lívia falava com Humberto para animá-lo, mas ouvia:
—É que você não entende -— ele explicava.
Parece que eu vejo o mundo encoberto por uma névoa cinza, repleto de sombras ainda mais escuras.
Sinto uma coisa... Parece que não tenho forças, que vou desmaiar...
Sinto-me debilitado. Junto com isso, um medo, um pavor...
—Do quê? —- insistiu ela. -— Do que você tem medo?
—Não sei. Às vezes, parece que vai acontecer algo comigo.
Breve pausa e contou:
— Ontem à noite, eu olhava para essa parede -— apontou - era como se eu a visse se mover, se mexer como se tivesse uma lama que escorria ao derreter lentamente.
Parecia que algo ia me atacar e...
— Cobrindo o rosto com as mãos, confessou: —
Não sabe o quanto é difícil eu contar isso para você.
Eu sei que é algo absurdo! Algo que não existe!
Mas é o que parece que vejo e sinto muito forte.
É medonho. Vai acontecer alguma coisa comigo.
—E se não acontecer, Humberto?
—Não sei.
— Olhe, eu tenho certeza de que não vai te acontecer nada.
Talvez essa espécie de ilusão que viu na parede pode ser efeito dos remédios, não acha?
— Pensei nisso.
— Então faremos o seguinte -— propôs animada - vamos sair, nos distrair com o que vamos ver, ouvir e fazer.
Com isso vai deixar de sentir o que sente porque terá outras coisas nos pensamentos, vai até conversar sobre outros assuntos porque terá algo diferente sobre o que falar.
— Parece que, o que sinto, nunca vai passar.
— Quando voltamos da casa do Sérgio, você se sentia muito melhor.
Estava diferente, animado.
É só insistirmos em coisas diferentes, alegres, boas e harmoniosas para ocupar o lugar desses pensamentos estranhos que anda tendo.
Então vai ver que isso vai passar sim!
Isso vai acabar! -— falou firme.
— Quando?! -— perguntou aflito.
— Não sei dizer. Depende de você.
Ontem, por exemplo, não queria sair, mas depois se sentiu bem, não foi?
— Mas durou tão pouco que nem lembro.
— Mesmo que pouco, esse momento de melhora existiu!
Então ele pode acontecer novamente e acontecer de novo e de novo até ser permanente!
—Será?!
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 30, 2016 1:26 pm

—Pense em Deus, Humberto!
Se for preciso caia de joelhos!
Vá ao encontro do Pai a começar pela prece! Acredite!
Principalmente, acredite que Ele te ampara e Ele estará te amparando! Ore! Diga:
Pai! Dê-me forças!
Alguns segundos depois de vê-lo reflexivo, insistiu:
— Podemos encontrar Deus também na natureza, em baixo de uma árvore, olhando para o céu...
Vamos sair, vamos a um parque andar descalços, respirar ar puro, sorrir diante da beleza de uma flor...
Depois agradecer a Deus por ver, por existir, pela oportunidade de vida.
Mesmo que tenhamos complicado um pouco essa oportunidade, vamos fazer de tudo para arrumar e viver melhor.
Ele ficou em silêncio.
Alinhou os cabelos, esfregou o rosto e a encarou com mais leveza no semblante, decidindo:
— Vou levantar e tomar um banho. Você me espera?
Prontamente, Lívia sorriu satisfeita.
Ficando em pé, disse animada:
— Te espero lá fora! Não demore!
O espírito Rubens, revoltado com o que presenciava, despendia força por sua ira e se sentia cada vez mais fraco.
Sua mente estava confusa enquanto experimentava extrema dor e muita tontura.
Sem que pudesse ver, o seu mentor aplicava-lhe passes para acalmá-lo.
Exaurido, sentou-se em sua cama e tombou ao deitar, deixando-se abater por uma espécie de sono.
Enquanto isso, Adamastor, completamente insano, atacava os companheiros, exigindo-lhes alguma acção para deter Humberto e Lívia.
Em vão. As sábias palavras de carinho serviram como um medicamento de alívio, consolo, esperança e bom ânimo.
Lívia não estava só.
Espíritos amigos a amparavam, pois a jovem se propôs a receber de Deus as bênção salutares e revigorantes que lhe chegavam nos momentos tranquilos de relaxamento quando exercitava sua fé e esperança, cultivando pensamentos e sentimentos positivos de luz, paz e amor.
***
As horas passaram.
A tarde havia chegado ao fim, apesar dos últimos raios de sol ainda brilharem no horizonte alaranjado, um frio cortante vinha através do vento.
Lívia e Humberto saíam do parque e iam para o veículo no estacionamento.
— Nossa! Que frio! -— ela exclamou, cruzando os braços ao encolher os ombros.
—É mesmo. Onde está o seu agasalho?
—Quando chegamos, estava quente e eu o deixei no carro.
Andavam lado a lado, e ele teve o impulso de abraçá-la para protegê-la do frio, mas, por causa das energias e ideias que lhe surgiam pelas companhias espirituais inferiores, deteve-se por se sentir mal.
À medida que caminhavam, com jeito generoso e agradável no tom de voz, ela comentou:
— Adorei o passeio.
Há tempos não fazia uma caminhada pela mata como hoje.
Lembro-me de que eu era bem pequena, acho que tinha uns sete anos, a última vez que fiz uma trilha como essa.
—Amanhã estaremos com dores nas pernas.
—Isso será óptimo! -— brincou.
Veremos quais as regiões do corpo que precisamos malhar um pouco.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 30, 2016 1:26 pm

A propósito, vamos procurar uma academia?
—E quando as suas aulas começarem?
—Eu irei à academia aos sábados!
—Durante a semana, podemos ver alguma coisa.
Tem aquela que passamos em frente. Quem sabe.
—Óptimo! Vou adorar!
Chegando ao carro, ele foi para o lado do passageiro, mas antes lhe deu as chaves, dizendo:
— Toma. Você dirige. Dê a volta.
Lívia sorriu docemente ao pegá-las de sua mão.
Por um instante, ficaram parados um frente ao outro.
A proximidade fez com que seus corações batessem bem forte enquanto se olhavam firmemente.
O vento frio embaralhava os cabelos compridos de Lívia e, sem pensar, Humberto levou a mão em seu rosto e tirou os fios teimosos que cobriam sua face.
Olhando-a nos olhos, como se invadisse sua alma sentiu algo, semelhante a uma doce alegria, que não sabia explicar.
Segurando o seu rosto com ambas as mãos, ele aproximou-se de seus lábios com ternura e a beijou com imenso carinho, como sempre quis.
O tempo pareceu parar no momento em que a tomou nos braços, apertando-a junto de si e a beijou com todo o amor.
Depois, Lívia o abraçou forte e escondendo o rosto em seu peito, murmurou baixinho:
— Eu não posso ficar sem você.
Eu te adoro!
— Eu também te adoro, Lívia!
Segurando o seu rosto, fazendo-a encarar os seus olhos, murmurou generoso:
— Desculpe-me por tudo o que está acontecendo.
Eu vou melhorar! Eu te prometo!
— Sei que vai! Tenho certeza!
Beijando-a rapidamente nos lábios, ofereceu leve sorriso e pediu:
— Entre no carro. Está frio.
A jovem obedeceu.
Deu a volta e entrou no veículo.
Ao vê-lo acomodado ao seu lado, perguntou:
—Você está bem?
—Melhor do que ontem! -— sorriu.
— Fico feliz! Valeu a pena termos vindo.
Afagando-lhe o rosto, ela se aproximou vagarosamente e, indo ao seu encontro, ele a beijou com amor.
***
Já era noite e estava bem frio quando chegaram à casa de dona Aurora, que foi recebê-los na garagem.
A senhora achava-se apreensiva e tentava disfarçar o nervosismo.
Olhando para o filho, percebeu-o melhor, até sorridente.
Porém, temerosa, precisou avisar:
— Humberto... Filho, eu achei melhor vir até aqui antes que vocês dois entrassem e...
—O que foi, mãe? -— o filho perguntou.
Mesmo antes de saber do que se tratava, Humberto deixou-se abater por um torpor, uma tontura e sensação de desmaio que esfriou o seu rosto pálido.
—Filho... Se você não quiser, eu digo que não está bem e...
—Fala logo, dona Aurora!
O suspense é pior! -— pediu Lívia, também aflita.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 30, 2016 1:26 pm

Sem trégua a senhora anunciou:
—- A Irene está lá na sala.
Disse que quer falar com o Humberto de qualquer jeito.
O rapaz apoiou a mão na parede e debruçou a cabeça no braço.
Sentia-se dominado por um mal-estar intenso.
Lívia correu para perto dele e, afagando-lhe as costas, pediu:
—Levante a cabeça, Humberto. Respira fundo!
—Estou sem forças... Eu vou cair...
—Não vai, não! Abra os olhos e respire fundo.
—Meu Deus! Filho!... Eu devia ter mandado essa mulher embora.
Num impulso, irritada, Lívia tentou se conter, mas respondeu:
—Deveria ter mandado mesmo!
Aliás, nem deveria tê-la recebido.
A senhora se esqueceu de tudo o que essa criatura fez?!
—Ai, filho, me desculpa!
— Calma, dona Aurora.
O Humberto vai ficar bem.
Abrindo a porta do carro novamente, Lívia fez com que se sentasse e pediu:
—Faça a respiração movimentando a barriga, como o Sérgio te ensinou.
Isso vai te acalmar.
—O que eu faço? -— perguntou dona Aurora.
Lívia respirou fundo, parecendo enérgica e decidida, resolveu:
— Deixa que eu vou lá mandá-la embora.
É melhor a senhora ficar aqui com ele.
Entrando pela porta dos fundos, ela foi até a sala onde encontrou a outra sentada no sofá olhando à televisão.
Bem austera, cumprimentou altiva:
—Olá, Irene!
—Lívia! Que surpresa! -— espantou-se ao vê-la daquela forma, quase arrogante.
—A surpresa é minha por você estar aqui.
—Eu não vim para discutir com você.
Quero falar com o Humberto.
Escutei o barulho do carro dele chegando e...
Imediatamente, Lívia a interrompeu:
—Pode não ter vindo aqui para discutir comigo, mas é comigo com quem vai falar.
Disfarçando o tremor que sentia, colocou os fios de cabelos atrás das orelhas e a encarou firme ao falar:
— Depois de tudo o que você aprontou com essa família e, principalmente, com o Humberto, não sei como tem coragem de vir até aqui.
Mas... Em todo o caso, fique sabendo que ele não está muito bem e não vai recebê-la.
—Eu não aprontei nada! -— reagiu.
—Não?!!! -— perguntou em tom agressivo e irónico.
Quem estava dormindo com o Rubens a menos de uma semana do casamento?!!!
Você não pensa nas consequências de tudo o que fez?!!!
Conseguiu jogar um irmão contra o outro, fez com que brigassem a ponto do Rubens precisar fugir e com isso morrer num acidente de moto!!!
Você é a única culpada pela morte dele!!!
Pelo sofrimento da dona Aurora e do Humberto!!!
E ainda diz que não aprontou nada!!!
—- Olhe aqui!!! Se você pensa...
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 30, 2016 1:27 pm

—- Cale a boca, Irene!!! -— vociferou.
A casa não é minha, mas me sinto responsável, agora, pelo bem-estar dos que estão aqui, pois eles estão atordoados.
Por isso: fora daqui!!! Suma!!!
Lívia se viu dominada por uma força que desconhecia.
A passos rápidos, foi até a porta da sala, que dava para uma área, e dali para o quintal e o portão da rua, abriu-a e ordenou novamente:
—- Fora daqui!!!
Nesse instante, Neide, que estava entrando, levou um susto com a porta aberta abruptamente e com o grito de Lívia.
Porém, de imediato, ao ver Irene em pé, parada, a irmã de Humberto exigiu olhando para as duas:
—O que está acontecendo aqui?!!
—O Humberto estava bem.
Passou um dia óptimo!
Chegamos aqui e essa infeliz aguardava para falar com ele.
O seu irmão ficou mal na hora!
Não quer recebê-la e sua mãe está atordoada lá na garagem com ele.
Eu vim aqui e estou mandando-a embora. E isso!
Neide sentiu-se esquentar.
Imediatamente, entrou.
Pegou Irene pelo braço e a empurrou porta afora enquanto a ofendia com palavreado baixo.
Após ver Irene sair pelo portão, Neide retornou e encontrou Lívia sentada no sofá, curvada e com os cabelos cobrindo o rosto escondido com as mãos.
—- Você está bem? -— preocupou-se Neide.
—Acho que estou. Fiquei nervosa, foi só isso.
—Cachorra! Desgraçada! -— gritou a outra inconformada.
—Foi tão difícil tirá-lo daqui hoje cedo e fazê-lo melhorar!
Quando nós chegamos, ele era outra pessoa!
Estava tão bem... Você tinha de ver! -— lamentou.
—Minha mãe não devia ter deixado essa infeliz entrar!
Se eu estivesse aqui!...
—A Irene pegou sua mãe de surpresa.
A dona Aurora ficou sem acção, pois não esperava, jamais, que ela tivesse coragem de vir aqui.
Vendo Neide ainda nervosa e xingando, pediu:
— Procure ficar calma, tá?
Vou lá na garagem trazer o Humberto e sua mãe.
Será bom que ele não te veja assim para não ficar mais nervoso.
—Vai lá!... Vou fazer um chá -— decidiu, procurando parecer mais tranquila.
Não demorou para dona Aurora e o filho estarem na sala.
Ele, abatido, tentava esconder os tremores.
Sentou-se no sofá e largou-se com os olhos fechados, enquanto sua mãe, ao seu lado, afagava-lhe o braço.
Neide fez um sinal para que a mãe o deixasse com Lívia.
Acreditava que ela teria mais jeito de lidar com seu irmão.
Aproximando-se, Lívia lhe ofereceu uma caneca, dizendo:
— Tome um pouco de chá. Vai te fazer bem.
— Não quero -— murmurou ele.
Vendo-se a sós, a moça falou:
—Humberto, você não pode se deixar abater por isso.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 30, 2016 1:27 pm

Aliás, é uma situação que terá de enfrentar.
Vai precisar conversar com a Irene.
Afinal...
—Afinal, o quê? -— perguntou após um tempo de silêncio.
O rosto de Lívia entristeceu ao lembrá-lo:
— Afinal de contas, existe a vida de uma criança envolvida em toda essa trama.
Acredito ser sobre isso que ela veio conversar.
Ele fechou os olhos e meneou vagarosamente a cabeça, negando a situação:
—Não estou preparado para lidar com isso. Eu não quero.
—Mas terá de encarar a situação de um jeito ou de outro —- falou firme, chamando-o à realidade.
—E se for meu filho?
—Diante de tudo o que a Irene fez, você não precisa olhar na cara dela.
Porém terá obrigações para com a criança.
—Meu Deus... -— murmurou extenuado.
Tudo isso contribui para a minha destruição.
Não sei se vou suportar.
Os ataques de espíritos inferiores o enfraqueciam a cada momento.
O espírito Rubens, ao lado de Lívia, demonstrava-se inconformado e irritado com o que presenciava.
Ficou extremamente revoltado ao vê-la se aproximar de Humberto, afagar seu ombro, beijar-lhe o rosto e levemente os lábios, ao dizer:
— Estarei ao seu lado.
Tudo isso vai passar.
O espírito Rubens berrou e a ofendeu com palavras de baixo calão, mas ela não pôde ouvi-lo.
— Por que estão fazendo isso comigo?!!!
Querem me enlouquecer?!!! -— gritou desferindo socos que não sentiam.
Humberto fez um gesto simples ao encará-la.
Forçou um sorriso amargo e exibiu uma expressão no olhar que Lívia acreditou, por um segundo, estar diante de Rubens.
Ela se surpreendeu.
Tentou disfarçar, mas o rapaz percebeu e foi levado a perguntar:
—- O que foi?
—- Nada.
Ainda abalada, respirou fundo, ajeitou os cabelos torcendo-os e o jogando para trás das costas e, por fim, tentou disfarçar, colocando animação ao propor:
— Você precisa tomar um banho, comer alguma coisa e descansar.
Amanhã terá um dia cheio! -— sorriu:
—Você não imagina o quanto está sendo difícil, lá na empresa, não deixar os outros perceberem o quadro da minha insanidade.
—Que insanidade, Humberto?! -— protestou zangada.
Pare com isso!
Levantando-se, ele decidiu:
—Vou tomar um banho e descansar um pouco.
—Eu preciso ir embora. Amanhã conversamos.
Indo até a cozinha, Lívia se despediu de dona Aurora e de Neide.
Acompanhando-a, ele pediu:
—- Leve o carro. Amanhã você vem me pegar.
A moça ficou pensativa, porém, depois de Neide incentivá-la, junto com a insistência de Humberto, ela aceitou.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 30, 2016 1:27 pm

Na garagem, antes de entrar no carro, Humberto se aproximou, afagou-lhe o rosto com carinho e agradeceu:
—Obrigado por tudo.
Eu seria incapaz de ter feito o que fiz hoje sem você.
—Mas o que você fez hoje além de sair um pouco? -— perguntou sorrindo.
—É de sair um pouco que estou falando.
Eu seria incapaz de fazer isso sozinho. Obrigado.
Sorrindo docemente ela lhe fez um afago na face pálida e, com generosidade na voz, falou baixinho:
— Foi óptimo te ver melhor.
Humberto a abraçou com força.
Beijou-lhe a testa, o rosto e procurou seus lábios, beijando-os com ternura.
Em seguida, Lívia se foi.
Retornando para dentro de casa, ele novamente se deixou abater por sensações devastadoras vindas principalmente do espírito Rubens que estava transtornado com o que presenciava e, extremamente revoltado, atacava o irmão com toda a sua fúria, todo o seu ódio.
Mesmo sem poder vê-lo, Humberto recebia suas vibrações.
E foi sob o efeito de sensações devastadoras que tomou um banho e se deitou sem se alimentar.
***
Lívia não podia ver, mas seguiu para casa na companhia de dois espíritos a mando de Adamastor.
Chegando, ela estacionou o carro de Humberto na garagem de modo a não atrapalhar a entrada ou saída dos outros dois veículos lá parados.
Ao entrar, deparou-se com seu pai exigente e sob o efeito de bebida alcoólica.
Não foi difícil as companhias espirituais entenderem que o homem era agressivo, rude e bem grosseiro com as palavras.
Mais fácil ainda foi envolvê-lo e induzi-lo à severa irritação contra a filha.
—- Onde você estava até essa hora?!!
—- Fui até a casa da dona Aurora, pai.
A mãe sabia que eu estava lá -— explicou, tentando não se exibir constrangida.
—- Que carro é aquele lá fora?!!
—-É do Humberto — respondeu enquanto bebia um copo com água.
-o que você faz com ele?!!
Por que razão esse rapaz te emprestaria um carrão desse?!!
Sem esperar por uma resposta, ele a segurou pelos braços, apertou e a sacudiu inquirindo com modos estúpidos, falando com os dentes cerrados ao expressar sua raiva:
—- Olha, aqui, menina!!!
Se pensa que vai passar de mão em mão e me fazer de trouxa, está muito enganada!!! Entendeu?!!!
-— Pai, me solta...
O senhor está me machucando.
—- É pra machucar, mesmo!!! -— empurrou-a com violência.
O que você está fazendo com o carro do irmão do Rubens?!!!
—- O Humberto não está bem de saúde -— explicou, amedrontada.
—Desde que o irmão morreu, está abalado, tomando uma medicação forte e o médico aconselhou para que não dirigisse.
Nós trabalhamos juntos, o senhor sabe.
Ele sempre me deu carona.
Agora pediu para eu dirigir o carro para irmos para o serviço.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 30, 2016 1:27 pm

Então, para ele não se arriscar e vir até aqui, eu trouxe o seu carro e vou pegá-lo em casa amanhã cedo. É só isso.
O homem, grandalhão e bem forte, fitava-a com olhar dardejante, desconfiado, pronto para agredi-la novamente.
Envolvido pelos espíritos sob as ordens de Adamastor, ele se aproximou, segurou-a pelos cabelos, torcendo-os ao dizer enquanto ele puxava firme e ela segurava em sua mão:
—- Veja lá o que você está fazendo!!!
Se eu te pegar envolvida com alguma coisa que eu não aprove, vai se ver comigo!!!
Entendeu?!!! -— perguntou, empurrando-a com força de encontro a uma mesa.
Lívia segurou-se na mesa com ambas as mãos para não cair.
Franziu o rosto pelo que sentia, depois passou a mão pela nuca para tentar aliviar a dor e murmurou para não irritá-lo:
— Fique tranquilo, pai.
Não tem nada demais.
Só estou fazendo um favor.
Nesse instante, seu irmão Luís chegou e, por escutar parte da conversa, quis saber, piorando a situação ao indagar:
—E por que você veio para casa com esse carro ontem à noite?
—O quê?!!! -— gritou o senhor Juvenal indo novamente em direcção da filha.
—Pare, pai! Por favor! - Pediu afastando-se e tentando se explicar rápido.
É que... Ontem eu fui na casa de uma amiga que teve nené, a Débora.
Ela mora perto da casa da dona Aurora e...
Saindo da casa da Débora, fui até lá.
Fiquei conversando e... quando vi, passei da hora.
Para não depender da condução que demoraria muito, o Humberto pediu que eu viesse com o seu carro.
Hoje voltei lá para levar o carro, mas ele tornou a pedir para eu ir buscá-lo amanhã.
Violento, o homem já havia pegado em seu braço novamente, apertando forte enquanto a escutava.
Ao vê-la terminar, ele a esbofeteou com a outra mão, gritando:
— Isso é pra você aprender a me contar as coisas direito!!!
—O senhor estava dormindo e não nos vimos hoje...
—Cale a boca!!! Fale quando eu mandar!!!
Ao se ver livre, Lívia levou a mão ao rosto sem saber o que fazer.
Se ficasse ali, a situação poderia piorar.
Se fosse para o seu quarto, certamente o seu pai brigaria outra vez.
Atordoada, ela esperou quieta, parada até ele ordenar:
— Vai para o seu quarto!!!
Eu não quero te ver mais hoje!!!
Sem dizer nada, a moça obedeceu.
Ficou em sua cama e chorou no escuro até o pai e o irmão irem dormir.
Somente, então, Lívia pôde ir para o banheiro e, chorando, tomou um banho indo dormir em seguida.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 30, 2016 1:28 pm

18 - CONVERSANDO COM O DOUTOR ÉDISON

O dia amanheceu frio e ainda havia um denso nevoeiro quando Lívia estacionou o carro frente à casa de Humberto.
Ficou parada e sentada ao volante por algum tempo.
Sentia algo errado.
Seu coração estava apertado, batendo forte e descompassado.
Isso a intuía um mau presságio.
Ao entrar e ser recebida por dona Aurora, que pediu para ela ir ao quarto de Humberto, deparou-se com o rapaz sentado em sua cama, padecendo sensações desagradáveis e depressivas.
Na noite anterior, devido às agressões sofridas por seu pai e o clima tenso que experimentou ao se deitar, Lívia se deixou adormecer sob o efeito de pensamentos tristes e amargos que a castigavam.
Sentindo-se amedrontada, entregou-se ao sono sem uma prece, sem ligar-se a Deus rogando bênçãos protectoras e forças para suportar e agir com sabedoria.
Por isso, durante o sono, foi abalada e vampirizada pelos espíritos inferiores que a acompanharam e lhe incutiram ideias desanimadoras, julgamentos confusos e duvidosos.
Ao acordar, para sair rápido de sua casa e não despertar seu pai, ela não quis perder tempo em fazer uma prece.
Vestindo-se depressa, retirou-se o quanto antes.
Por essa razão, naquele instante, estava esvaída de forças e, olhando para Humberto, pensou:
"Outra vez... Até onde eu vou suportar?...
Será que sou eu quem deve fazer isso?"
Sem comentar sobre o seu desânimo, ela se aproximou.
Foi beijá-lo, mas ele se levantou, esquivou-se dando-lhe as costas ao dizer:
—Lívia, acho que foi um erro.
—O que foi um erro, Humberto? -— perguntou com voz fraca.
— Nós dois... Por favor, olha...
— Pare! Não diga nada.
Por favor, não diga nada -— pediu firme e sentida.
Respirando fundo, falou parecendo exigir:
— Vamos trabalhar. Não quero pegar trânsito ruim.
Ele se virou, ergueu seus belos olhos verdes empossados em lágrimas, e pediu:
— Desculpa... Não estou bem.
— Certo -— afirmou com um nó na garganta e vontade de chorar.
Porém, firme, tornou a dizer:
-— Vamos logo. Não precisamos conversar.
***
No caminho para o serviço, não falaram absolutamente nada.
Chegando à empresa, ela foi para sua seção, e ele para sua sala.
Não se viram mais.
Bem mais tarde, Júlia a procurou perguntando animada:
—- E o fim de semana, como foi?!
—- Vamos tomar um café? -— pediu com tristeza no tom de voz.
-— Foi para isso que vim aqui! -— respondeu alegre.
Logo em seguida, enquanto tomavam café, Lívia contou à amiga tudo o que havia acontecido.
—- Como é difícil, Júlia!
Eu não sei mais o que fazer.
—Lívia, é assim mesmo.
A pessoa nesse estado fica sensível a qualquer coisa.
A muito custo ela melhora um pouco.
Depois, por qualquer coisinha, cai em depressão.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 30, 2016 1:28 pm

Fica desorientada, sente-se derrotada.
Você vai precisar de muita paciência e bom ânimo.
Acredite, você está indo pelo caminho certo.
—Será?!
—Lógico! São após pequenos momentos de melhora que os grandes vão acontecer.
Só acho que você deveria ter um reforço espiritual.
—Como assim?!
—Deveriam ir ao centro espírita com mais frequência.
Fazer um tratamento de assistência espiritual.
Não só ele, mas você também.
— A outra ficou pensativa e Júlia perguntou:
-— Já pensou na possibilidade do Rubens não ter sido socorrido?
Ele pode estar revoltado com seu estado na espiritualidade e também por ver vocês dois tentando ficar juntos.
—Eu cheguei a pensar nisso.
—O Rubens teve uma morte violenta.
Foi uma pessoa que não procurou ter uma religiosidade.
Só fez coisa errada e...
Bem, não preciso nem falar.
—Vou fazer um tratamento espiritual sim.
Mal, não vai fazer.
Júlia olhou no relógio e se surpreendeu:
— Nossa! Está na hora!
A chegada de Ademir, encarregado de Lívia, interrompeu-as:
— Olá meninas!
—Oi, Ademir! Você está chegando, e nós saindo! -— avisou Júlia.
—A Lívia fica! -— sorriu gentilmente.
Preciso conversar com ela a respeito de alguns fechamentos.
—Então... Até mais! -— disse a amiga, indo embora rapidamente.
Vendo-se a sós com Lívia, ele sorriu de modo enigmático.
Sentando-se à sua frente, fitou-a por longo tempo, observando cada detalhe.
Ela ficou em silêncio.
Seu belo rosto, de nobres traços estava levemente escondido sob uma mecha larga dos fios longos de seus cabelos compridos.
Seus lindos lábios carnudos e bem torneados estavam entreabertos quando, encabulada, sorriu docemente e perguntou:
— O que foi?
— Estou te admirando. Só isso -— respondeu, deixando-a ainda mais constrangida e com rosto enrubescido.
— Você queria falar sobre o fechamento...
— Como você está? -— interrompeu-a com generosidade imposta na voz branda.
— Eu?!
—Sim... Sei o quanto está sendo difícil depois de tudo e queria saber como você está.
—Estou bem. Na medida do possível.
—Nunca tocamos no assunto e se, talvez, eu for indelicado, por favor, me avise.
Lívia ficou no aguardo, e Ademir perguntou: —
Você ainda está chocada com tudo o que descobriu e com a morte dele, não é?
—Não é uma situação em que eu esteja confortável, entende?
—Quem não está muito bem é o Humberto, não é?
Ouvi dizer que ele está com depressão.
Por isso parece tão estranho, sério...
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 30, 2016 1:28 pm

Nossa! Estou impressionado.
Ele sempre foi um cara tão alegre, descontraído.
Muito bacana mesmo!
—Você trabalha com ele há muito tempo?
—Quando entrei na empresa, ele foi o meu encarregado por três meses.
Logo foi promovido a gerente.
Não ficou nem três anos no cargo e foi convidado para ser director.
Todo o mundo ficou impressionado, pois é uma empresa antiga, multinacional e conservadora.
Como você pode notar, ele é o director mais novo que temos aqui e muito bem conceituado pela presidência.
Apesar da carreira meteórica, o Humberto sempre nos tratou do mesmo jeito.
É o tipo de pessoa que faz contacto, vem conversar, sai para almoçar com a gente...
Ri, adora brincadeira, piadas...
De repente fica desse jeito.
Vê-lo assim é preocupante.
—Mas ele vai se recuperar. Tenho certeza.
Tocando em sua mão que rodeava a xícara de café, Ademir insistiu:
— E você, Lívia? Estou preocupado.
Trancou a matrícula na faculdade.
Não fala em reabri-la ou em fazer outra coisa...
Não parece mais a mesma pessoa.
Está sempre quieta, preocupada...
Acho que está precisando de um amigo, de companhia.
Sabe, sair um pouco vai te fazer bem.
Retirando a mão que ele acariciava, falou com jeito delicado para não ofendê-lo:
— Eu não posso rir sem ter um motivo.
Embaraçada e um tanto nervosa pela situação inesperada, decidiu:
— E melhor voltarmos para a seção.
Eles se levantaram.
Ademir se aproximou da jovem e, bem perto, ainda falou:
— Conte comigo. Quero te ajudar no que for preciso.
Dizendo isso, ele lhe fez um afago vagarosamente no rosto e ela se esquivou bem séria, mas sem dizer nada.
De volta ao seu serviço, Lívia ficou pensativa e em dúvida.
Diante de tudo aquilo que estava acontecendo, o ideal não seria ela sair, espairecer e procurar se divertir um pouco?
Afinal, junto de Humberto, só perdia tempo, ficando angustiada e resolvendo problemas que não lhe diziam respeito.
Além disso, tudo que tentava fazer parecia não funcionar.
Poderia sair com Ademir sem compromisso, pois era livre.
Nada a obrigava a ficar ao lado de Humberto ou junto de sua família.
Pensamentos como esses a invadiam a todo o momento, colocando-a em prova, testando sua fidelidade aos compromissos assumidos.
A decisão seria somente dela.
O seu livre-arbítrio mostraria o seu verdadeiro arrependimento e sua evolução por erros que acreditou cometer no passado.
Os dias foram passando.
Humberto finalmente marcou uma consulta com o doutor Edison, médico psiquiatra, amigo de Sérgio.
Após ouvi-lo atentamente, o senhor calmo, com fala mansa, explicou1:
— Humberto, entre os transtornos de humor, existe um chamado depressão.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 30, 2016 1:28 pm

Há inúmeras pessoas que já experimentaram um estado depressivo e nem sabem.
Eu gosto de lembrar isso sempre! -— enfatizou.
Entre vários graus ou estágios de depressão, existe a mais acentuada, que é quando a pessoa não consegue realizar as suas actividades e precisa de auxílio profissional, médico.
A depressão não é o fim do mundo, mas é incómoda e extremamente desgastante.
O que é preciso, é a pessoa reagir e buscar em actividades normais o prazer de viver.
Veja bem, nós poderíamos ficar aqui horas, dias, semanas falando a respeito disso sem chegarmos a uma conclusão.
Principalmente, porque eu não iria somente analisar os factores psíquicos ou psicológicos, hereditários ou hormonais ou fisiológicos, mas também, e principalmente, os factores espirituais, o que daria uma discussão e um enredo enorme para nossa conversa.
Existem vários factores desencadeantes para os transtornos depressivos, assim como existem outros transtornos de humor que podem estar ligados à depressão ou levar à depressão, mas que, na verdade, não é só depressão e pode confundir o quadro todo.
— Como assim, doutor? -— quis saber Humberto, atento.
— Por exemplo, existe a Síndrome da Fadiga Crónica.
Algo relativamente raro que dá uma fadiga inexplicável e prostra a pessoa por, pelo menos, uns seis meses.
As queixas são:
prejuízo da memória, sono não reparador, dor de cabeça, dor muscular e nas articulações, dor de garganta etc.
As condições clínicas da depressão e da síndrome da fadiga crónica são quase idênticas.
Veja, as coincidências não param aí, não!
Existe também o transtorno de ansiedade, com sintomas muito semelhantes, mas que aparece de forma mais comum, porém com muitas outras considerações.
Somente a depressão, acompanhada de sintomas físicos, não é algo muito comum.
Entretanto estudos demonstram grande associação entre alguns transtornos de humor.
Você me descreveu sentir dores e tensões musculares.
Dor no peito como se fosse enfartar, palpitação, tremor, sensação de desmaio, tontura, tensão mental, sensação de que algo horrível vai acontecer e a impressão de que está ficando louco.
Dificuldade de concentração ou branco, sudorese, náuseas, inapetência, tonturas, dificuldades para engolir, arrepios de frio e ondas de calor, aumento de peristaltismo, que é a diarreia, insegurança, mal-estar indefinido, vontade de chorar.
Especialistas defendem que a fadiga está mais associada a depressão, enquanto que a dor, está associada à ansiedade, pois provocam mais reacções somáticas ou psicossomáticas.
Esse estado, ou condição psicológica, está relacionado a acontecimento extremamente stressante, problemas, situações, doenças que actuam como stressores, que é quando a pessoa fica chocada e preocupada ao saber que tem uma doença grave e de difícil tratamento, por exemplo.
Você me relata também um estado como que flutuante de medo ou insegurança, como se algo fosse acontecer, mas nada está acontecendo e não há motivo racional para isso.
Não chega a ser uma crise de pânico, um estado que não atinge o desespero da fobia.
E uma apreensão muito grande, muito tensa sem motivo aparente, às vezes.
Em princípio, o pânico e a ansiedade parecem não fazer muito sentido, mas estão extremamente ligados.
Principalmente no seu caso, por você ter experimentado um transtorno de stress muito grande, em minha opinião.
O distúrbio, ou a síndrome do pânico, é um tipo de transtorno de ansiedade.
O ataque, ou a crise do pânico, ocorre sem nenhuma causa razoável, porém sempre depois de algum transtorno de estresse traumático.
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Ave sem Ninho

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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 31, 2016 10:27 am

Geralmente, a crise de pânico se apresenta com sentimento de insegurança total, medo de perder o controle, medo de morrer, dor no peito, tontura, suor frio, dificuldade de respirar...
O pior é que, passada a crise, a pessoa fica apavorada de que, novamente, aquilo possa acontecer e que aqueles sintomas horríveis persistam por dias ou semanas depois do episódio original.
— Tudo o que o senhor falou tem a ver com o que eu sinto!
— Por isso é um desafio muito grande buscarmos uma definição, diagnosticarmos precisamente e darmos a denominação exacta de um transtorno de humor, pois as condições gerais, que levam a pessoa à primeira crise, são extremamente particulares, únicas, diferentes.
Infelizmente — continuou o médico—, muitos profissionais da área de saúde e pior, os que não são especialistas na área da saúde mental, denominam todo e qualquer transtorno ou desequilíbrio como sendo depressão. E falam de uma forma, como se isso fosse algo fatal!
Observe um exemplo muito comum:
um factor stressante levou uma pessoa a uma crise de ansiedade.
Vamos dizer que, em meio a toda movimentação de sensações horríveis, sentimentos confusos e diversos sintomas físicos, que nunca observou antes, ela fica apavorada, lógico!
Porque desconhece o que está acontecendo.
Junto com essa movimentação, que é a crise, ou depois, vem o estado depressivo, infinitamente triste, e um terrível mal-estar.
—E aquela coisa indefinida, que não dá para explicar, tira nossas forças, puxa-nos para baixo, dá uma vontade incontrolável de deitar.
Então, vêm os pensamentos decaídos e, para onde olhamos, pensamos em dor, doença, morte, tristeza...
Parece que nunca mais vamos sair desse estado!
—Isso mesmo!
Nesse caso que dei como exemplo, a pessoa não está só com depressão.
O seu estado depressivo tem uma causa, uma origem, que é o transtorno de ansiedade.
A ansiedade é culpada por tudo!
Ela, na verdade, não tem de tratar a depressão, o que essa pessoa precisa é fazer um trabalho psicoterápico com a sua ansiedade, trabalhar o que dispara a ansiedade que a leva para esse estado ou para uma crise.
Cuidando disso, automaticamente, a depressão some!
Tudo funciona mais ou menos da seguinte forma:
a pessoa fica apreensiva com algo que vai acontecer ou que, talvez, aconteça.
Depois ela passa a ter as sensações horríveis, por fim, vem a depressão.
A ordem é mais ou menos essa.
Mas existem aqueles que dizem que ela tem depressão.
Dizer isso é inadequado.
Como eu disse, há os transtornos de humor e a depressão é um deles.
Sucedem inúmeros factores que levam uma pessoa à depressão, entre eles, os emocionais são os que se destacam.
Nos transtornos de humor, como a depressão, a síndrome da fadiga crónica e o transtorno de ansiedade compartilham de uma mesma fisiopatologia em termos psicológicos.
Isso sugere que o quadro clínico, e até mesmo a neuro química envolvida, são muito semelhantes nesses transtornos.
É inadequado denominar depressão para toda e qualquer tristeza, para todo e qualquer transtorno.
Como também é inadequado chegar para um paciente na primeira consulta e dizer:
você tem síndrome do pânico.
Você tem depressão. Você tem ansiedade!
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Ave sem Ninho

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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 31, 2016 10:27 am

Isso não é certo.
Conforme expliquei, não é fácil definirmos o que o paciente tem de imediato.
Quem faz isso ou é muito bom, ou pode ser irresponsável!
Por outro lado, a farmacologia, as medicações podem ajudar a aliviar alguns sintomas, mas é errado ficar só dependente de remédios.
Aliás, vamos lembrar que certo número de pessoas não se dão bem com medicações antidepressivas, pois acabam sofrendo a potencialização dos sintomas que já tinham, além da aparição de outros.
Quase não se comenta que o número de suicídios é grande entre as pessoas que usavam antidepressivos sem um rigoroso acompanhamento de um médico psiquiatra junto com um psicólogo.
Esses remédios, sem dúvida, podem interferir na capacidade de julgamento, pensamento e acção.
Isso é relatado inclusive em muitas bulas.
Além disso, a pessoa não deve, de forma alguma, fazer uso de bebida alcoólica.
Não deve dirigir ou operar máquinas até ter a certeza de que seu desempenho não tenha sido afectado pelo medicamento.
Riu de forma irónica e concluiu: —
Diga-me: como alguém que tenha a sua capacidade de julgamento afectada pode afirmar que está apto a dirigir?
Isso é um contra-senso!
—Espere, aí! Então existem pessoas que não se dão bem com antidepressivos?
—Existem! Lógico que sim!
Como há pessoas com intolerância a determinados analgésicos, antibióticos e até alimentos naturais como peixe, leite, glúten e outros, há pessoas intolerantes a antidepressivos e as consequências podem ser bem sérias, muito graves, pois se os sintomas não forem físicos, serão psíquicos, psicológicos e não tão fáceis de serem percebidos.
Por essa razão elas devem ter um acompanhamento rigoroso quando fazem uso de antidepressivo.
Falo de um acompanhamento com médico psiquiatra e um psicólogo.
Infelizmente, hoje em dia, usar antidepressivo virou moda!
Acham que só ir ao médico e tomar remédio é suficiente.
Lamentavelmente, os profissionais da área da saúde mental estão e banalizando o tratamento de alguns pacientes para toda e qualquer queixa prescrevem antidepressivos.
O número de pessoas que usam essas drogas é muito, muito grande e, a meu ver, desnecessário.
Um comprimido não pode e não vai resolver um desafio que deve ser tratado na alma, com a mudança de comportamento e de pensamento de situações passadas e atuais.
Alguns remédios só vão deixar algumas pessoas apáticas, como um zumbi, anestesiadas e sem reacção.
Isso não é cura, é só um adiamento.
Pense bem, quem disse que a depressão acaba quando a criatura desencarna?
Desencarnando, o espírito não terá o antidepressivo para se anestesiar.
Com isso, vai entrar em terrível desespero, não só por estar viciado na droga que usou como antidepressivo, quando estava encarnado, mas também por não ter fortalecido o espírito, organizado a mente e se guarnecer, psiquicamente, com meios eficientes.
A coisa mais comum é, quando chega um paciente e eu explico tudo isso, vejo que o seu caso é natural, ele está deprimido pelo falecimento de um ente querido e não prescrevo o uso de antidepressivo, esse paciente sai daqui e procura outro médico, pois o que ele quer é remédio.
Com isso, só posso deduzir que ele quer chamar a atenção, quer estar na moda!
Uma vez — contou o médico—, chegou aqui neste consultório, uma moça com sua mãe, viúva.
A senhora parecia hipnotizada, quase não falava e mal reagia.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 31, 2016 10:28 am

A filha contou que havia mais de cinco anos, a mãe estava daquele jeito.
Desde a morte de seu filho caçula, entrou em depressão.
Ela e os irmãos a levaram ao médico e a mãe já havia tomado diferentes antidepressivos com as mais variadas dosagens.
Apesar disso, ela chorava, desesperava-se muitas vezes e nenhum lugar estava bom.
A senhora só queria cama e tinha de ser em seu quarto na penumbra e bem fechado.
Dei várias recomendações.
A primeira delas foi caminhada e exercícios físicos que aumentam a produção de químicas naturais do organismo, o que melhoram o humor.
Depois, terapia ocupacional como pintura, croché, tricô feito em grupo, fora de casa.
Psicoterapia com um psicólogo bem capacitado, natação, yoga, salão de cabeleireira, que agora tem nome mais bonito -— riu gostosa ao dizer:
centro de estética.
Falei que deveria assistir à novela, ir para um baile, fazer dança de salão, ir à igreja entre outras coisas.
E ainda disse que, se ela quisesse mesmo melhorar e sair desse estado, ela precisaria desmamar dos remédios, ou seja, vagarosamente, diminuir as dosagens até se livrar completamente do vício daquelas drogas, porque aquela mulher estava viciada.
As pessoas se esquecem de que essas drogas viciam.
Foi um grande erro darem antidepressivos para aquela senhora por causa de sua tristeza pela morte do filho.
A mulher precisava era chorar, viver o luto, ficar revoltada com todo mundo e até com Deus, por que não?!
Isso iria fazê-la gastar toda aquela energia dolorosa que estava represada.
Certamente, com o tempo, ela iria fazer as pazes com Deus e a revolta acabaria.
Ela não ficaria deprimida para sempre, como ficou, por causa da dependência dos remédios.
Sofrer é ruim, é horrível, mas faz parte da vida!
O sofrimento passa, assim como a alegria chega.
Tudo em nossa vida vem e vai.
Porém, com todas as experiências que vivemos, sejam elas boas ou ruins, nós nos fortalecemos, sem dúvida!
Se fugirmos e nos anestesiarmos, só estaremos adiando o encontro de nós com nós mesmos, ou seja, não estamos encarando a vida, não estamos encarando quem somos e não vamos reagir, melhorando-nos!
—Um dos médicos que consultei, e até trocou meus remédios, me disse que eu tinha síndrome do pânico.
Disse que isso poderia passar ou eu me acostumaria a viver, normalmente, com isso.
—Estou chocado, Humberto.
Em casos como o seu, ninguém, muito menos um médico, pode afirmar que isso vai durar para sempre.
É um absurdo!
Tão menos dizer que você tem uma coisa ou outra sem antes acompanhar e estudar muito bem o seu caso.
Somente depois de um tempo de terapia, um bom profissional poderá afirmar um diagnóstico.
Você pode ter uma ou duas coisas.
Por que não?
Não posso afirmar, agora, o que você tem.
Eu acho, veja bem, eu acho! -— enfatizou. - —... que você teve uma crise de ansiedade por estar contrariado e com raiva por conta de seu casamento forçado e por ver a moça de que gostava envolvida com seu irmão e também insatisfeita.
No meio desse processo ou crise, você teve um choque por querer matar o seu irmão e ele veio a falecer.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 31, 2016 10:28 am

Entrou em depressão.
Algo mais disparou o pânico, talvez, muito provavelmente, algum trauma ou repressão do passado.
Mas isso é resolvido com psicoterapia, não com remédio.
A ansiedade é algo muito terrível e as pessoas ignoram isso.
A ansiedade é o disparador de muitos transtornos.
Ela faz com que o indivíduo aja sem pensar ou o faz se remoer e pensar demais.
É algo que tem tratamento somente com a psicoterapia, remédio não resolve a ansiedade.
A ansiedade é algo terrível.
Tanto que pesquisas mostram que pessoas com ansiedade enfartam mais.
A ansiedade o joga na depressão.
Não estou afirmando que você teve crise de ansiedade ou que tem depressão ou pânico.
Antes de um período de psicoterapia, em que se investigue bem tudo o que lhe aconteceu, ninguém pode afirmar, categoricamente, o seu estado.
Talvez seja bem comum fazerem um diagnóstico precoce.
Um outro médico, antes desse, disse que eu tinha depressão e que, talvez, nunca saísse desse estado.
Falou que existiam muitos remédios que eu poderia tomar pelo resto da vida e trocando, esporadicamente, quando meu organismo se acostumasse com eles.
O doutor Edison balançou a cabeça negativamente, parecendo inconformado.
Depois, brandamente comentou:
—Humberto, no seu caso, posso afirmar: isso vai passar.
Não se desespere. Não se acomode.
O que eu recomendei para aquela senhora de quem falei não é nada impossível para ninguém e é o que recomendo para você.
—Para algumas pessoas a psicoterapia é cara, doutor.
Nem todos podem fazer.
—Quem disse que não existem psicólogos à disposição gratuitamente?
Na Associação dos Psicólogos Espíritas, você pode ter um excelente acompanhamento gratuito.
Em algumas universidades, no curso de Psicologia também.
Eu sei que os atendimentos são supervisionados e você não estará somente à disposição de um aluno, não.
O trabalho é bem sério!
Mas, há pessoas preguiçosas, que conseguem uma vaga para atendimento, agendam um horário, mas não comparecem prejudicando a si mesmas, o profissional que iria atendê-la e a vaga de outra pessoa necessitada.
Isso é terrível de se ver.
Não só psicoterapia pode ser gratuita, outras actividades também.
Muitas igrejas, centros sociais, clubes, casas espíritas oferecem terapias ocupacionais com instrumentos musicais, coral, tricô, pintura, artesanato e outras actividades.
Salão de dança, você encontra vários por aí, fazer caminhada é só pôr um ténis e sair andando.
Há muitas escolas de manicure, de cabeleireira que são gratuitas ou com uma taxa pequena para se fazer as unhas, cabelos e outras coisas.
Tudo o que a pessoa se esforçar para encontrar, ela encontrará de graça.
Isso tudo vai preenchendo a vida.
Vai dar novas ideias, novos pensamentos e voltará, pouco a pouco, o ânimo e o humor.
A criatura pode se revelar e se superar.
Mas, infelizmente, temos aquele tipo de pessoa que potencializa, aumenta o seu problema para usá-lo como desculpa a fim de não enfrentar a vida, de negligenciar a responsabilidade.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 31, 2016 10:28 am

Esse tipo de pessoa, dificilmente, vai se recuperar porque para ela é mais fácil, é muito cómodo e, inconscientemente, prazeroso dizer que tem depressão, síndrome do pânico, ansiedade...
"Olha — arremedou—, eu sou muito sensível, não posso ficar contrariada, não posso me stressar, não posso isso ou aquilo".
Enquanto essa pessoa falar, pensar e agir assim, realmente, ela não vai poder nada.
Ela não vai se recuperar.
Transtornos como esses são alertas espirituais ou psíquicos sinalizando-o e dizendo:
"olha, você precisa mudar os seus pensamentos, sentimentos, palavras, acções, pois o seu nível espiritual, psíquico não está bom.
Você pode e vai ter de mudar, hoje ou amanhã, porque não pode ficar assim eternamente, porque, quando permanece assim inerte, você não evolui."
Veja, terá de se recuperar aqui ou na espiritualidade.
A escolha é sua. Mas pense bem.
Aqui você conhece os meios e tem ajuda.
Na espiritualidade, não se sabe o que vai enfrentar.
—Tudo o que o senhor está me dizendo é muito importante. Tenho até medo de pensar o que, espiritualmente, está acontecendo comigo.
Foi bom falar nisso, Humberto.
Com muita experiência clínica nessa área e como espírita, posso lhe dizer que os obsessores estão fazendo a festa no plano espiritual à sua volta.
E não é preciso ser médium para dizer isso.
Eles podem aproveitar esse abalo para envolvê-lo com energias bem funestas, pensamentos e sentimentos que potencializam mil vezes o que realmente esse estado é de facto.
—Imagino. — Pensando um pouco, o rapaz olhou firme para o médico e falou convicto:
Apesar do abalo, eu quero e vou mudar esse quadro.
Não vou me permitir ficar nesse estado e, para isso, quero ajuda e orientação.
—Óptimo! —- riu o doutor, satisfeito.
—Doutor, andei com pensamentos confusos e ideias estranhas, como a de... -— envergonhou-se, mas contou:
matar meu irmão, ainda querer matar a minha ex... pensamentos suicidas...
Pode ser efeitos dos medicamentos?
—Eu acredito que sim.
Os medicamentos podem interferir na capacidade de julgamento, pensamento e acção de uma pessoa, provocando ou potencializando esses desejos, sim.
Eu prescrevo esses medicamentos com extrema moderação e por um período bem curto conforme o caso, pois sei que nenhum remédio pode alcançar a verdadeira origem desses sintomas -— falou o médico com franqueza.
Porém, nisso pode ter uma bela dose de obsessão, sem dúvida.
Vamos lembrar que você não sabe qual a ligação sua e de seu irmão no passado.
Sua ligação com sua ex...
Será que seu irmão não o matou em uma vida passada e você não lhe perdoou como deveria e queria, inconscientemente, vingar-se dele nesta existência?
Talvez até por isso esse estado, essa crise veio para lhe cobrar uma postura mais equilibrada de amor verdadeiro e perdão compatível com a sua índole espiritual, a sua propensão natural de fé, amor e perdão.
Será que, com sua ex, não teve um relacionamento turbulento também e?...
Após alguns segundos, considerou arrependido do que havia falado:
Por favor, Humberto!
São somente suposições!
É só o meu lado espiritualista falando.
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