CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 21, 2016 10:36 am

—Prevenir! Isso é o mais importante.
Todo e qualquer problema, nessa área, tem grande chance de evoluir -— tornou o amigo.
—O que você me diz do alcoolismo, Sérgio? -— quis saber Humberto.
—O alcoolismo não é um problema moral como se acreditou por muitos anos.
O alcoolismo é uma doença, cientificamente estudada.
E incurável e fatal para aquele que não parar de beber.
—Incurável?! -— perguntou Lívia.
Mas e se a pessoa parar de beber?
—Se a pessoa parar de beber, ela venceu o alcoolismo, mas continua sendo alcoólatra, pois nunca mais deverá ingerir ou experimentar qualquer coisa que contenha álcool, inclusive medicamentos.
O que muitos ignoram é que o alcoolismo é uma doença progressiva.
A vítima bebe uma vez e tende a beber cada vez mais.
Para vencer essa doença, é necessário parar definitivamente de ingerir álcool.
—Sérgio, o meu pai é alcoólatra —- disse Humberto.
É difícil não ver a pessoa alcoolista como sendo um safado.
Quando sóbrio, o meu pai é uma excelente pessoa, trabalhador-
Eu acredito que ele bebe porque não tem opinião.
—Não é bem assim, Humberto.
Após a embriaguez, quando sóbrio, o alcoólatra é invadido por um grande sentimento destrutivo de desgosto, arrependimento, solidão, desespero.
Ele vê que sua vida está sendo destruída lentamente e a promessa, a de não beber mais, não foi cumprida.
A afectação e a ruína familiar, social são vistas e sentidas por ele, que começa a se sentir um marginal por conta das críticas, das agressões verbais ou silenciosas, por conta da solidão.
Ele sabe ou imagina que surgirão os problemas ou consequências psicológicas mais severas, dificuldades no trabalho, comprometimento da saúde, doenças físicas, mentais e até a loucura e a morte prematura.
Por isso tudo ele sofre muito.
—Eu chego a questionar esse sofrimento.
Se houvesse um sofrimento tão intenso assim, ele deixaria de beber.
—Por pensar dessa forma, é que você precisa conhecer mais sobre o assunto, Humberto.
Já leu ou se informou a respeito?
—Não. O conhecimento que tenho é a prática.
Para ser sincero, não é fácil aceitar e entender o alcoolismo como doença.
—Mas ele é.
E uma doença que pode e deve ser tratada.
É comum não considerarem o alcoólatra um doente pelo facto de entenderem como doente somente a pessoa enferma, acamada, indisposta, inapta, com dores, etc.
A respeito do doente, sentimos piedade.
Em vez de piedade, normalmente, sentimos aversão, repúdio ou raiva do alcoólatra.
Isso acontece porque a maioria das pessoas tem, à disposição, a bebida alcoólica e bebe se quiser, quando quiser e o quanto quiser.
Muitas vezes até recusa firmemente.
Assim sendo, essas pessoas têm o contacto com a bebida e o domínio sobre si mesmas.
Sabem recusar e dizer quando basta.
Então elas acreditam que todos têm ou devam ter o mesmo controle.
Só que não é bem assim.
Aliás, o próprio alcoólatra pensa dessa forma e por isso acaba se achando um fraco, um incompetente, um zero à esquerda.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 21, 2016 10:37 am

Por essa razão ele não procura ajuda.
Desculpe-me Sérgio, eu não entendi por que ele não procura ajuda -— quis saber Lívia.
—É assim: se sou alcoólatra, não tenho controle sobre mim diante da bebida, mas quando vejo que as outras pessoas têm esse controle, eu me acho um fraco.
Penso que largar de beber depende só e unicamente de mim.
Daí que, fico dizendo a mim mesmo que vou me controlar, não vou beber mais e não preciso de ajuda, pois se os outros têm controle diante do álcool, eu também vou ter.
Só que sem ajuda, sem tratamento não vou conseguir porque o alcoolismo é uma doença.
—O maior número de alcoólatras se encontra nas classes média e baixa, não é? -— perguntou ela novamente.
—É um engano pensar assim.
Se houvesse um meio de se medir, a percentagem seria praticamente a mesma.
O alcoolismo existe em todas as classes sociais, independente da etnia, do grau de escolaridade, da religião ou da política do país.
Existem factores que favorecem o consumo de bebida alcoólica e que nem imaginamos.
— Como quais? -— perguntou Humberto.
—Em países como o nosso, o governo arrecada um valor impressionante através dos impostos cobrados nas vendas de bebidas.
Assim sendo, você acredita que exista algum empenho, por parte do governo, em restringir ou acabar com as propagandas ou venda de bebida?
Lógico que não! Há também factores culturais onde dizem, em determinados círculos, que "homem pra ser homem tem que beber!".
Outro é o hábito de se ingerir álcool antes das refeições, porque é final de semana, sexta-feira, está frio, calor!...
—O que sei dizer é que o alcoolismo não traz problema só para aquele que bebe.
Ele colabora para danos sérios na família e com grande repercussão na sociedade.
Haja vista quantos acidentes, de todos os géneros, acontecem com envolvimento de alcoolistas ou alcoólatras, como queira.
Quantas mortes e crimes ocorrem também por causa do álcool.
Sem mencionar a irritação que essas pessoas provocam em toda a família tirando o equilíbrio, a harmonia, roubam-nos a paz, provocam decepções por causa dos compromissos não cumpridos, do comportamento inadequado, da aparência decadente, da falta de sucesso no trabalho, insegurança financeira, falta de higiene quando embriagado, agressões físicas e verbais...
Sempre tive vergonha do meu pai.
Nunca levei amigos em casa.
Quando eu sabia que haveria uma festa à qual meu pai iria, eu ficava longe.
Sabe... -— Pensou por alguns segundos e depois revelou em tom firme:
Eu nunca bebi.
Não sei qual é o gosto do álcool, de uma bebida colocada em um copo.
Poucas vezes comi um bombom que continha licor.
Eu sempre vi um efeito muito devastador em torno do álcool.
Minha mãe e nós, os filhos, sempre nos sentimos infelizes e impotentes diante de meu pai embriagado, além de nos sentirmos como a razão de ele beber.
— Veja, Humberto, pelo facto do alcoolismo ser uma doença, a vítima dele, sem orientação sobre o que acontece com ela, projecta na família, no trabalho ou em alguma outra situação a razão de sua falta de controle com a bebida.
A culpa não é dela, que é um doente, muito menos da família.
O alcoólatra quer proteger o seu eu o seu ego, o que é natural.
Quando o alcoólatra transfere para a família a culpa por ele beber, para que os outros se sintam culpados, com remorso e assim experimentem medo ou receio dele e não vão dialogar a respeito do assunto.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 21, 2016 10:37 am

Quando se trata de um filho, os pais acreditam que não o educaram bem, que falharam com ele de alguma forma e se sentem constrangidos ou coagidos de algum jeito e também não vão conversar com ele sobre o assunto.
O que acaba acontecendo é que ninguém exige uma mudança no comportamento do alcoólatra.
Ninguém procura orientação para poder ajudá-lo e todos se acomodam.
Humberto sorriu ao perguntar:
— Está me chamando de acomodado?
O outro riu a admitir:
— De certa forma, estou sim.
Você mesmo me disse que não leu nem se informou a respeito.
Disse que o seu conhecimento era a prática.
Nesse caso, meu amigo, a prática não ensina muito além do sofrimento.
_ É verdade! -— riu concordando.
Você tem razão. Aprendi muito hoje e vou procurar me informar a respeito.
— Vou te arrumar um livro muito bom sobre esse assunto.
— Óptimo! Aceito com o maior prazer.
Nesse instante a campainha tocou, Débora saiu para atender e retornou para a sala na companhia de Tiago, Rita e seus dois filhos gémeos.
Ao serem apresentados, Tiago comentou:
— Acho que te conheço de algum lugar, Humberto!
— De outra vida, quem sabe! -— brincou ele, alegre e simpático.
Eles riram e continuaram conversando sobre outros assuntos bem proveitosos.
Os gémeos atraíam toda a atenção por causa das gracinhas que faziam, coisas típicas da idade.
Vez e outra Humberto telefonava para sua casa a fim de verificar se alguém havia chegado.
Porém, em seu íntimo, desejava ficar ali em meio a companhias agradáveis.
As horas foram passando, a noite chegou e todos permaneceram juntos se divertindo na residência de Sérgio e Débora.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 21, 2016 10:37 am

5 - TRAIÇÃO SEM REMORSO

Era noite. Rubens se viu a passos rápidos por uma rua onde a iluminação frágil reflectia as poças d'água existentes.
Fugia de algo que o amedrontava.
Sentia-se perdido, desesperado enquanto era perseguido por uma criatura, com risos sarcásticos e voz rouca, que gritava o seu nome.
Ao ouvir uma gargalhada estrondosa, Rubens estremeceu e acordou num sobressalto, sentando-se rapidamente na cama.
— Nossa! O que foi isso, Rubens?! -— perguntou Irene ao seu lado, acordando assustada com sua inquietação.
Ele não disse nada.
Sua respiração estava alterada e seu rosto ficou gotejado de um suor frio.
Imediatamente acendeu um cigarro e, após algumas tragadas, levantou-se, caminhou pelo quarto e verificou já ser bem tarde.
Irene acompanhava-o com o olhar, curiosa para saber o que havia acontecido.
—O que foi?
Teve algum sonho?
—Um pesadelo -— respondeu ele.
Em seguida, observou:
Já é noite! Você viu?!
— É mesmo! Pegamos no sono! -— riu.
O que vou dizer ao Humberto?
— O de sempre.
Ele nunca te questiona nada, não é mesmo?!
_ É verdade. Ao contrário da Lívia que está ficando espertinha, hein!
— Mas eu já estou dando um jeito nela. Acredite.
— Espero que sim.
Não quero que ela levante qualquer suspeita sobre nós.
— Relaxa! -— disse aproximando-se e beijando-a.
Após corresponder ao carinho, Irene avisou:
— Vou tomar um banho. Precisamos ir.
Ela se levantou e foi para o banheiro enquanto Rubens terminava de fumar o cigarro.
Ao saírem do motel, Irene comentou:
— Vamos passar no shopping para eu pegar o meu carro.
Mas antes subiremos até a loja para perguntar à Cleide se o Humberto me procurou.
Aos vinte e sete anos, Irene era uma mulher habituada a vestir-se na última moda.
Tinha um bom gosto natural.
Muito elegante, por ter um corpo bem feito, sentia-se segura e confiante de sua beleza, trazendo um leve sorriso que iluminava seu rosto de pele morena clara.
Alta. Cabelos castanhos, lisos e bem curtinhos que lhe davam um toque bem jovial.
Firme e objectiva, possuía personalidade marcante e ideias próprias.
A passos firmes ao lado de Rubens, ela caminhava pelos corredores do shopping como se desfilasse.
Sempre com expressão alegre, gargalhava, gostosamente, vez e outra por algo engraçado que conversavam.
Adentrando em uma de suas lojas de requintada decoração, imediatamente procuraram Cleide, que os beijou e comentou como se sussurrasse:
—Vocês dois são loucos!
O que estão fazendo juntos aqui?!
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 21, 2016 10:37 am

Irene trocou olhares com Rubens e riu com prazer antes de falar:
— Quem deveria estar preocupada aqui era eu!
Não acha?!
Em seguida, perguntou:
— Alguma novidade?
—O Humberto telefonou duas vezes!
—O que você disse?
— Que você tinha ido à administração do shopping resolver uma questão da metragem do aluguel de uma das lojas.
Logo reclamou:
— Ai, Irene!
Eu não sei mais que desculpa eu vou dar!
Você ainda vai me pôr em uma fria!
— Fique tranquila, Cleide!
Por sua vez e sem se constranger, Rubens sorriu ao decidir:
— Bem, estou indo!
Nós nos vemos mais tarde — dizendo isso, segurou o braço de Irene, dando-lhe um beijo no rosto pegando levemente no canto da boca.
De imediato, ela lembrou:
— Ah! Espere!
Indo atrás de um balcão, abaixou-se e apanhou um volume, dizendo:
Chegaram mercadorias novas e esta blusa é a cara da Lívia!
Leve e dê para ela.
— E digo o quê?
— Diga que gostaria de lhe fazer um mimo e por isso passou aqui e eu o ajudei a escolher.
Diga também que é um meio de se sentir menos culpado pelas horas que fica ausente.
Colocando a blusa em uma embalagem, entregou-a para ele, que comentou:
_ Óptima ideia! Obrigado!
Beijando-a mais uma vez, ele se despediu e se foi.
Cleide estava boquiaberta com a cena, porém esperou o outro estar fora de vistas para exclamar:
—Irene! Você perdeu o juízo?!!!
Ele é irmão do Humberto!!!
Onde isso vai parar?!!
—Na cama, onde termina todas às vezes! -— gargalhou.
—Eu não acredito no que estou vendo!!!
Sou sua amiga, Irene, mas isso não é certo!
Se vocês dois se gostam tanto, por que não termina com o Humberto e fica com o Rubens?!
—Não posso, Cleide!
Eu já te disse, amiga!
Eu e o Rubens sentimos uma atracção muito forte um pelo outro...
Não sei explicar direito.
É como se nós nos realizássemos pelo gostinho do perigo.
Se ele terminar com a Lívia e eu com o Humberto, acho que não haverá mais graça.
—Você está praticamente noiva!
O Humberto fala em casamento!
O que vai fazer depois de casada?!
—Não parei para pensar nisso.
Ficar com o Rubens é experimentar um sentimento de viver perigosamente.
É algo muito forte e que me satisfaz.
Eu e o Rubens nos damos muito bem por isso.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 21, 2016 10:38 am

—Irene, pense bem.
Com o tempo, se o Humberto quiser um filho...
—Eu não quero filhos!
Fico apavorada com essa ideia de estar...
—- Porquê?!!! -— quase gritou a outra.
Você acha que está?!!!
— Não estou nada!!! Pare com isso!!!
Se eu estiver, eu tiro!!!
Pode ter certeza!!! -— falou irritada, demonstrando-se nervosa.
—Irene, está atrasado?!
—Uns dias.
—Você falou com o Humberto?
—Ficou louca?!!!
Se isso aconteceu, ninguém vai saber!
— Irene, pelo amor de Deus, não faça uma besteira dessa!
Isso é pecado! Se estiver, fale com o Humberto!
Breve pausa e perguntou:
Vocês conversam sobre a ideia de ter um filho?!
—O Humberto adora crianças, mas eu não!
Ele sempre vive às voltas com a ideia de que, quando tiver um filho, será desse ou daquele jeito.
Porém, da minha boca, ele nunca ouviu nada.
Também nunca me perguntou -— falou de modo duro.
—E se ele quiser filhos? -— tornou Cleide.
—Sei lá! Não quero pensar nisso -— falou irritada.
— Deveria.
Após alguns minutos, argumentou:
Sabe, não estou me sentindo bem por estar envolvida nesse assunto.
Preciso mentir, ficar inventar histórias e...
Por favor, amiga! Pare com isso!
Cleide, você é minha amiga ou não?!
A outra olhou de um modo indefinido.
Percebia-se contrariada e com o coração apertado por encobrir as mentiras da outra.
Temendo que Cleide contasse algo, Irene fez-se chorosa e pediu com modos tristes, como se implorasse:
— Preciso de um tempo.
Vou dar um jeito nessa situação.
Eu prometo.
Apesar de insatisfeita, a amiga ofereceu meio sorriso e pareceu se conformar.
Nesse instante, uma das vendedoras se aproximou e a conversa foi interrompida.
***
Humberto saía do banho, sem camisa, secando os cabelos com uma toalha.
Não tirava dos pensamentos a lembrança das informações preciosas da conversa que teve com Sérgio.
Rindo sozinho, rendia-se à ideia de conhecer, de alguma forma ou de algum lugar, os amigos com quem passou uma tarde e princípio de noite.
Só poderia ser de outra vida.
As conversas, as brincadeiras entre os grandes ensinamentos o faziam experimentar um sentimento de alegria indefinida, como se tivesse matado a saudade de amigos que há muito tempo não via.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 21, 2016 10:38 am

Observou que Lívia ficou muito à vontade também.
Queria ter ficado na casa de Sérgio, pois foram horas muito agradáveis.
Recordando novamente da namorada de seu irmão, Humberto sorriu ao lembrar de seu sorriso agradável, sua voz gostosa de ser ouvida.
Não esquecia o seu rosto expressivo, o seu riso cristalino, que figurava uma beleza sem igual em seus lábios carnudos e bem delineados.
Chamou-lhe a atenção ver o seu jeito delicado de colocar o cabelo, vez e outra, atrás da orelha, deixando a face alva mais à mostra.
Lívia o atraía imensamente.
Ao pensar nisso, sentiu como que uma pontada lancinante no peito enquanto um tremor correu-lhe o corpo.
Fechando o sorriso, sacudiu a cabeça e respirou fundi para afugentar os pensamentos.
Mas as recordações eram teimosas, insistentes.
Não demorou e imagens belas e agradáveis iam invadiam lentamente sua mente, apesar de lutar contra isso.
Desejava estar com Lívia, sentia-se bem ao seu lado.
Percebeu que, a cada dia, uma ansiedade extrema o dominava todas as manhãs antes de ir pegá-la para levá-la ao serviço.
No carro, mesmo sem ela estar presente, podia perceber o seu perfume suave, delicado feito sua presença, e ele adorava isso.
Sentado em sua cama, sentiu o coração bater descompassado ao pensar que, talvez, estivesse apaixonado pela namorada de seu irmão.
Isso não deveria acontecer.
Nesse instante seu rosto ficou sério e a testa franzida.
Precisava lutar contra essas ideias.
Repentinamente a porta foi aberta e Rubens entrou.
Humberto olhou para o irmão e encarou-o de modo sério.
Sentindo-se culpado, reflectiu:
"Não é possível eu me apaixonar por sua namorada. Isso é horrível!
Mas vai mudar! Ah, vai!".
—- E aí?! Tudo bem, Humberto?!
—- Tudo! -— respondeu rápido.
- —Você está esquisito.
Parece que viu um fantasma.
—- Não... Eu só estava pensando onde a Irene se meteu?
Não consigo encontrá-la.
- —O trabalho nos rouba todo o tempo.
Tem dia que fica difícil conciliarmos as coisas.
_ É, eu sei. Mas ela poderia me ligar.
O seu celular sempre está desligado.
Não está na loja...
Puxa! Que falta de consideração!
Caramba!
—- Só posso defender a Irene, pois hoje também tive um dia cheio!
Você sabe, quase não trabalho aos sábados, no entanto, nos últimos tempos, um caminhão quebra e todas as mercadorias precisam passar de um veículo para o outro.
E quem é o prejudicado?
O gerente de distribuição, lógico!
Se você soubesse o trabalho que dá essa transferência de mercadorias, a lista de inventário e tudo mais...
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 21, 2016 10:38 am

Trabalhar com logística não é fácil!
Depois a Lívia reclama que eu nunca estou na minha sala, meu celular só dá caixa postal...
Mas é que no depósito ou em outros lugares da empresa o aparelho não pega.
Além disso, eu detesto telefone.
As pessoas só ligam para cobrar alguma coisa, pressionar ou trazer mais problemas! —- reclamou.
Humberto riu ao concordar:
—- Sabe que você tem razão!
Geralmente um telefonema acontece com essa finalidade mesmo.
—Então, meu caro, vê se não pressiona a Irene.
Ela deve ter problemas suficientes para não te ligar.
Suaves batidas à porta entreaberta, e Rubens permitiu:
—- Entra!
- —Olá, Rubens! Oi, meu amor! -— disse Irene sorrindo ao entrar no quarto.
Indo em direcção de Humberto, beijou-lhe a boca rapidamente e falou:
- Imagino o quanto está chateado com o meu sumiço.
Mas você nem imagina que dia eu tive!
—Eu tinha planos para hoje e...
—Ah, meu amor! —- falou com mimos.
Se eu pudesse, teria vindo mais cedo!
Levantando-se, indo até o armário e pegando uma camisa, disse, sério, ao vestir:
—Esse negócio de você ir às lojas aos sábados não me agrada.
Vocês têm encarregadas que podem decidir tudo.
Afinal, é só um dia!
—Mas não é simples!
É o dia de maior movimento.
Eu não fico à toa na loja.
Vamos esquecer esse assunto e espairecer.
Humberto parecia insatisfeito.
Ajeitou os cabelos, pegou seus documentos e disse ao irmão:
— Até mais!
Irene seguiu atrás de Humberto e, após ele sair, certificando-se de que não seria vista, virou-se, jogou um beijo para Rubens, acenou um tchauzinho e saiu em seguida.
***
Na segunda-feira, ao irem para o trabalho, Humberto e Lívia estavam bem animados.
A conversa era sobre assuntos alegres, que giravam em torno de Sérgio e Débora.
—Como eles são bacanas!
Adorei a Débora.
Parece que a conheço há séculos! -— disse Lívia.
Ontem mesmo, eu e o Rubens estávamos no shopping e eu vi uma loja de roupinhas de criança e...
Ah! Não resisti!
Comprei um vestidinho rosa que é a coisinha mais linda!
—- Que legal! Eu tenho certa dificuldade para comprar presentes.
Nunca sei o que dar nem o tamanho.
Sou bem diferente do meu irmão nesse ponto.
_ Devo admitir que o Rubens tem bom gosto.
Sábado mesmo, ele me deu uma blusinha linda.
Se bem que... -— Lívia silenciou.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 21, 2016 10:38 am

Curioso, não suportando a pausa, questionou:
— Se bem quê?...
— Nós estamos discutindo muito e, no sábado, não foi diferente —- falou chateada.
Quanto ao motivo, bem...
É sempre o mesmo.
Nos últimos finais de semana ele está sempre ocupado com trabalhos extras lá na empresa.
Durante a semana, eu estudo. Não nos vemos.
No sábado ou domingo, ele sempre é requisitado.
Fui só conversar com ele a respeito e...
Breve pausa e comentou:
- Eu sei que é bem desagradável eu ficar reclamando para você sobre isso, pois é seu irmão, mas...
—- Conversou com ele?
-— Sem dúvida.
Mas acabamos discutindo, e ele se altera e...
Ela respirou fundo e contou:
—- O Rubens não está agindo certo.
Alguma coisa está errada e eu não estou gostando disso.
Sabe que toda vez que apronta alguma, ele me dá um presente?
Humberto riu e comentou:
—- Eu comecei a implicar com a Irene por causa do tempo que se dedica àquela loja, e ela age da mesma forma.
Sempre me dá um presente.
—Ele passou lá no shopping, no sábado, e foi ela quem o ajudou a comprar a blusa que ele me deu.
—- Mas agora vocês dois estão bem? -— quis saber.
—- Estamos meio estremecidos.
O clima não está muito bom entre nós.
Eu não sei... Eu... - ela silenciou.
Humberto corroía-se inquieto por mais detalhes.
Gostaria de saber mais sobre ela, sobre seus sentimentos a respeito de Rubens.
Mas como perguntar sobre isso?
Se ela terminasse o romance com seu irmão, ele teria coragem de fazer o mesmo com Irene?
E se estivesse enganado a respeito de seus sentimentos?
Havia muita afinidade entre ele e Lívia, mas o que fazer com isso?
Aos poucos, percebia que a sua paixão era uma realidade.
Aproveitando uma das paradas no trânsito congestionado, ele virou-se e percebeu uma grande tristeza vagando no olhar perdido da moça.
Num impulso impensado, Humberto levou a mão ao rosto de Lívia, afagou-o, deslizou o carinho para sua nuca e para os cabelos, escorregando os fios por entre seus dedos.
Surpresa, ela o olhou oferecendo leve sorriso, ficando na expectativa.
Ele, sem saber como explicar tal reacção, constrangido, disfarçou o nervosismo da voz e falou:
—- Não fique triste.
Esses altos e baixos acontecem em todo relacionamento.
Ouvindo aquelas palavras ela ofereceu, novamente, um sorriso doce e singelo, confessando:
—- Tem muita coisa acontecendo.
Não é só isso que me deixa angustiada.
Silenciou.
Um temor fez estremecer sua alma ao experimentar um aperto no coração.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 21, 2016 10:38 am

Séria e sem perceber, prendeu a respiração ao olhar longamente para Humberto, que desviou os olhos dela para prestar atenção no trânsito.
Lívia tinha bom senso.
Seria incapaz de revelar ao futuro cunhado os seus sentimentos.
Estava apaixonada por ele certamente, as suas discussões com Rubens davam-se pelo facto de ela querer que ele fosse exactamente como o irmão.
Humberto era sensato, não fumava, não bebia e ela o admirava em tudo.
Eram incrivelmente parecidos, porém só na aparência física.
Agora, não sabia como olhar para Humberto novamente.
Temia que seu olhar a denunciasse.
Como apreciou aquele toque, aquele carinho.
Jamais sentiu em todas as carícias e beijos trocados com Rubens o que experimentou naquele instante.
Alguns minutos, e ele não resistiu, perguntando:
—- Quer falar sobre as outras coisas que estão acontecendo?
De repente, se for algo lá no serviço que eu possa te ajudar...
- —Não. Lá no serviço está tudo óptimo.
Você já me ajuda demais. —
Para dissimular e não falar sobre o seu compromisso com Rubens, comentou:
-— Tem coisas acontecendo lá em casa que me deixam muito chateada.
—- É o seu pai?
—- Ele e o meu irmão são pessoas bem difíceis.
- —É a bebida também, não é?
- É. Eles não se embriagam tanto quanto o senhor Leopoldo, mas...
Ai, desculpe por falar dessa forma.
É que, para você saber, eu precisava comparar e...
—Tudo bem. O álcool é um inferno!
—E quem bebe é o demónio!
Achei bem interessante ver o alcoólatra por outro ângulo e saber um pouco sobre o alcoolismo do ponto de vista de alguém como o Sérgio.
Entretanto é tão difícil conviver e saber como agir quando estamos envolvidos nessa situação no dia-a-dia.
Em seguida, contou:
-— O meu pai implica muito comigo e o meu irmão não é diferente.
O Luís e o Rubens não se dão bem.
Ele vive dizendo que o Rubens me engana e tem outra...
Ai! Nossa! Não aguento o meu irmão!
Duas semanas atrás, ele teimou em afirmar que viu o Rubens no carro com outra mulher.
Garante que era ele.
—- Você acreditou?!
—Para ser sincera, não sei dizer.
O Luís não mente.
Ele é terrível, mas não mente.
Quanto ao Rubens...
Bem, disse que estava trabalhando naquele dia.
Estou insegura. Não sei como agir.
Nós brigamos feio por causa disso e ele...
Diante do silêncio, Humberto não disse nada.
Não sabia o que falar.
Acreditava que seu irmão não era digno de confiança e, certamente, traía a namorada com outras mulheres, mas não diria nada. Não poderia.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 22, 2016 10:23 am

Ao estacionar o carro na empresa, como sempre, ele exclamou:
—- Chegamos!
Descendo do carro, ela riu graciosamente ao comentar:
—- Reparou que você sempre fala isso?!
—- Isso o quê?
—"Chegamos!"
Ele achou graça e, lado a lado, caminharam até o sector onde trabalhavam.
***
O tempo foi correndo.
Era sábado e Humberto, como em outros dias daquela semana, sentia-se sem ânimo.
Mil coisas passavam por seus pensamentos.
Deixava-se dominar por lembranças de todos os momentos perto da namorada de seu irmão e não sabia mais o que fazer.
Gostava de Irene, porém por Lívia nutria um sentimento jamais experimentado.
Ao vê-la, queria correr ao seu encontro como um adolescente.
Desejava envolvê-la em seus braços, beijá-la com paixão e depois gritar o seu nome por tamanha alegria.
Mas não podia.
Precisava calar no peito aquele amor proibido.
O que fazer?
Ele havia percebido que o namoro com Rubens não ia muito bem.
Ela não comentou nada, entretanto notava que, a cada dia, era como se Lívia quisesse se distanciar de seu irmão, porém algo a impedia ou não tinha coragem.
Talvez gostasse mesmo dele.
Contudo não era mais a mesma.
Parecia triste, inquieta, mas ele não poderia fazer nada a não ser aguardar.
Estava largado sobre a cama e sem a mínima vontade de se levantar, quando Neide bateu à porta e Humberto permitiu:
Entra!
—Oi! Tudo bem?!
Remexendo-se um pouco, ele deu um suspiro ao dizer:
—Tudo. Que horas são? -— indagou, procurando pelo relógio.
—Dez horas -— respondeu a jovem ao se aproximar e se sentar na cama do irmão.
Em seguida, perguntou:
— Humberto, a Lívia vem hoje aqui?
—Não sei. Por quê?
—É que vocês trabalham juntos e, de repente, ela comentou alguma coisa.
Notei que a Lívia está deixando de vir aqui em casa, não liga mais...
— Em seguida, quis saber:
— Você e a Irene vão sair?
—Talvez. Não sei dizer.
Alguns instantes e reclamou:
-— Depois que ela inaugurou a terceira loja naquele shopping novo, não tem tempo para mais nada.
Aos sábados, principalmente, corre de uma loja para outra, de um shopping para outro.
Por que você quer saber?
—Eu queria fazer um programa do tipo:
sairmos nós cinco juntos!
—Nós cinco?! Quem?! -— interessou-se o irmão.
—Eu, você, a Lívia, o Rubens e a Irene!
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 22, 2016 10:24 am

—Pode ser. Mas por que isso, assim, de repente?
Além do que você vai com a gente e vai sobrar?
—Quem sabe eu arrumo uma companhia! -— exclamou rindo.
A Lívia poderia chamar o irmão dela! -— gargalhou.
Humberto achou engraçado o jeito da irmã, porém não gostou da ideia.
Sentando-se na cama, ficou ao lado de Neide.
Passou as mãos lentamente pelo rosto, alinhou os cabelos e procurou orientar:
—Neide, não seria difícil promover um encontro desse, mas tenho certeza que não vai ser uma coisa legal para você.
O Luís é um cara implicante, bebe, fuma...
Se você vai investir num cara, deve procurar um com qualidades melhores.
Se ficar com o cara errado, só vai perder tempo e ser infeliz.
Depois, quando quiser terminar, será difícil.
Vai sofrer e não terá coragem de acabar com tudo.
—Ai, seu bobo!
Você parece um pai me aconselhando!
Estou falando no Luís por falar.
Terminei com o Dudu. Estou sozinha.
Tenho dezanove anos e sei decidir muito bem o que é melhor para mim!
Eu tenho vinte e nove e ainda não sei o que é melhor para mim.
Mas aonde você quer chegar?
Quer sair connosco, por quê?
—Pra ver se te animo um pouco.
Você está tão para baixo nos últimos dias.
Depois que voltou do Ceará, está muito estranho.
Parece insatisfeito com o seu namoro.
Anda desanimado com o noivado.
Você está infeliz, Humberto!
—De onde tirou essa ideia?
Se estou quieto ou pareço insatisfeito, são por outros motivos.
—Não minta pra mim!
Você não sabe mentir!
Pode se abrir comigo!
Não vou contar nada pra ninguém.
Tá escrito na sua cara que tem algo errado.
Levantando-se rápido, caminhou alguns passos e, parecendo contrariado, respondeu perguntando:
— De onde tirou essa ideia?!
O que é isso?! Ficou louca?!
— Te conheço muito bem e até acho que sei o motivo de estar assim.
O irmão franziu o semblante, sentindo-se gelar.
O que Neide queria dizer exactamente?
—Espere! Que conversa é essa?!
—Então você não nega?!
—Não nego o quê?!
Do que você está falando?!
—Você está apaixonado por outra, Humberto.
Não tente negar.
—Pare! Você vem até aqui tirando o meu sossego!
Diz que quer sair e...
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 22, 2016 10:24 am

Interrompendo-o, Neide falou, parecendo atacar:
—Você gosta de outra!
—Gosto da Irene e vou me casar com ela!
Se você não tem nada pra fazer, não fique me perturbando! Que droga!
—Eu sei por que está negando.
Sei de quem se trata.
—Você ficou louca mesmo!
O que te deu, Neide?!
Simplesmente você acordou hoje e decidiu me infernizar?! -— falou irritado.
—Humberto, é sério! Eu te adoro!
Quero que seja feliz e ao lado de alguém que ame de verdade e corresponda ao seu amor.
O irmão a olhava de um modo indefinido, preocupado e, após breve pausa, ela revelou:
— Serei bem directa:
sei que está gostando da Lívia.
Imediatamente ele reagiu:
—Pare com isso, Neide!
Essa é uma afirmação muito grave!
Se mais alguém escuta uma coisa dessa, vou me complicar muito!
—Então negue! -— Levantando-se, encarou-o ao desfechar: —
Negue que não ama a Lívia!
Porém faça um esforço ainda maior para tirar da sua cara aquele olhar apaixonado quando a vê!
Dizendo isso, Neide tentou sair do quarto, mas o irmão a impediu.
Segurando-a firme pelo braço, olhando-a nos olhos inquiriu:
- —Cuidado com o que está falando! -— exclamou com a voz baixa entre os dentes cerrados.
Poderá me comprometer e fazer uma desgraça na minha vida!
- —Solta o meu braço!
Você está me machucando! -— Pediu firme e enfrentando-o.
Ao se ver livre, falou com seriedade ao encará-lo: —
Cuidado você!
Não está vendo que está escrito na sua cara que está apaixonado?!
O Rubens é louco por ela, não percebeu?!
É melhor você dar um jeito nessa situação antes que ele desconfie.
A Lívia não merece um cara como o Rubens e acho que a Irene não merece um cara como você!
Humberto, muito surpreso, não sabia o que fazer.
Ficou calado, fugiu-lhe ao olhar e a irmã comentou:
- — Eu gosto muito da Lívia, ela é um amor. Conversamos muito.
Batemos longos papos e foi então que comecei a reparar uma coisa:
ela fala mais em você do que no namorado.
Humberto ficou paralisado.
Seus olhos verdes e bem expressivos brilhavam enquanto prendia a respiração sem perceber.
Alguns segundos e considerou, tentando disfarçar:
—De certo isso aconteceu porque a Lívia trabalha comigo e não tem muitos outros assuntos.
Eu a levo para o serviço.
Nós nos vemos todos os dias. Eu só a admiro, mais nada.
Não tire conclusões precipitadas. Isso é perigoso.
Você não tem motivos para acreditar que tenho qualquer outro sentimento por ela.
Gosto da Lívia. Ela é bacana e só! Entendeu?!
—- Não quer admitir, não admita!
Eu creio que falta coragem pra vocês dois.
Se ela terminasse com o Rubens e desse um tempo...
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 22, 2016 10:24 am

—Pare com isso, Neide!!! -— falou firme, bem enérgico.
Você bem lembrou que o Rubens é louco por ela!!!
Quanto a mim, eu gosto da Irene!
Vou ficar noivo e tenho planos de me casar.
Vou até comprar um apartamento!
—Estou com pena de você, Humberto!
Sempre fui sua amiga.
Não sei por que não se abre comigo.
Mas o assunto é delicado, eu entendo.
Só te dou um conselho:
Cuidado! Você não está conseguindo disfarçar o que sente por ela.
Dizendo isso, Neide saiu do quarto deixando o irmão preocupado, pensando em como resolver aquela situação.
***
Algumas horas depois, Irene e Lívia conversavam na sala da casa de dona Aurora.
Esta blusa é da nova colecção de outono e chegaram outros modelos lindos! -— dizia Irene, exibindo a roupa que usava.
—Realmente é muito bonita!
—Vou guardar algumas para você dar uma olhada sem compromisso.
Tenho certeza que vai adorar!
—Estou precisando mesmo dar uma renovada no meu guarda-roupa.
Separe algumas para eu ver.
No próximo sábado, vou lá na loja.
Humberto chegou.
Ao vê-las animadas, ofereceu leve sorriso, olhou para Irene e chamou:
— Vamos?
Levantando-se, ela concordou:
—Vamos, sim.
—Iremos todos! Não é?! -— exclamou Neide sorridente, chegando à sala.
—Vamos todos para onde?! -— questionou o irmão, demonstrando insatisfação, pois sabia do que se tratava.
—Falei com você sobre sairmos juntos, não lembra?!
Depois falei pro Rubens e ele topou!
Conseguiu até reservar uma mesa pra onde vamos!
Você sabe, ele é cheio de contactos!
— Aonde iremos? -— quis saber Lívia com simplicidade.
_ Em um bar com música ao vivo!
Um lugar bem animado! - avisou Neide sorridente.
— Óptimo! Faz tempo que eu não danço! -— disse Irene.
- Por mim, tudo bem -— concordou Lívia.
Humberto ficou sério, com o semblante contraído, mas não disse nada até o irmão chegar animado e chamando decidido:
— Está todo mundo pronto?! -— perguntou Rubens.
— Sim. Vamos -— concordou Humberto insatisfeito.
***
Bem mais tarde, sentados à mesa de uma casa nocturna bem conhecida, estavam Humberto e Lívia, enquanto Rubens e Irene dançavam juntos e Neide dançava com um grupo de amigos.
—Você está tão sério, Humberto.
Está preocupado? -— perguntou Lívia.
—Estou um pouco indisposto, só isso -— sorriu para dissimular.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 22, 2016 10:24 am

—Não quis dançar.
Está quieto e não bebeu nem o suco.
—Está estranhando por eu não beber nada que tenha álcool, não é?
—Como eu queria que o Rubens fosse assim...
Mas não adianta falar e, às vezes, eu... - calou-se.
No entanto, ele quis saber:
—As vezes o quê?
—Estou cansada -— suspirou fundo. -— Ele é...
—Apesar de sermos irmão, sou bem diferente dele.
Lívia o encarou e seus olhos se fixaram por longos minutos.
Sentiam seus corações baterem fortes e descompassados.
O silêncio reinou absoluto.
Depois de longo tempo em que, sem palavras, pareciam confessar o amor que sentiam, Lívia não suportou e fugiu-lhe o olhar.
Neide, animada e sorridente, chegou à mesa um tanto ofegante.
Pegando o copo do irmão, ingeriu um gole de suco e depois sugeriu alegremente:
—Por que não vão dançar?!
A pista está óptima!
O Rubens e a Irene estão bem animados!
Vão dançar, vocês dois!
—Por mim tudo bem, mas o Humberto está indisposto —- respondeu Lívia.
Encarando o irmão, Neide falou:
— Não está sendo nada simpático da sua parte!
A Lívia quer dançar e você vai fazer essa desfeita?!
Vai, Humberto!
Aproveita que começaram as músicas lentas!
Se anime um pouco! -— Sorrindo de modo a provocá-lo, insistiu:
-— Vai logo! Dançar vai te fazer bem!
Vai por mim!
Ele ficou sem jeito.
Deu meio sorriso forçado e, ao se Levantar, estendeu a mão à Lívia, chamando-a:
— Vem. Vamos lá!
Ao se unirem para dançar, ele a envolveu com delicadeza, embalando-a conforme a música.
Vez e outra, devido às voltas que davam, viam Irene e Rubens dançando da mesma forma.
Conversavam muito, parecendo bem alegres.
Ao passo que Humberto e Lívia permaneciam em total silêncio.
Devido a uma música mais romântica, com uma letra muito expressiva e envolvente, ele a apertou contra si encostando o seu rosto ao dela enquanto afagava as suas costas.
De olhos fechados, podia sentir o seu perfume gostoso e maciez de seus cabelos, à medida que ela experimentava o toque de seu rosto suave pela barba bem escanhoada.
Ficaram assim por longo tempo, esquecendo-se de quem eram e dos limites que os separavam.
Deixando-se dominar por um sentimento que invadia sua alma, Lívia recostou-se em seu peito escondendo o rosto, abraçou-o com força por longo tempo e correspondeu aos carinhos, afagando-o.
Humberto não resistiu e beijou-lhe a cabeça com delicadeza, roçando o seu rosto em seus cabelos no mesmo instante em que a acariciava com amor.
Algum tempo e ela espalmou a mão em seu peito.
Parou de dançar, olhou-o assustada e, ofegante, sussurrou com voz trémula:
—Meu Deus! O que estamos fazendo?! Humberto!
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 22, 2016 10:24 am

—Calma! -— murmurou, parecendo tenso.
Não faça cena.
Ninguém reparou em nós e...
Foi inevitável, Lívia. Eu... —
Tomando-a novamente, conduziu-a para dançar e falou procurando disfarçar o nervosismo:
— Desculpe-me. Pelo amor de Deus, me perdoa!
Percebendo-a trémula e quase chorando, aconselhou: —
Não podemos parar e retornar à mesa com você assim.
O Rubens e a Irene acabaram de ir para lá e estão sentados.
—O que fizemos?! -— perguntou com a voz fraca, ainda sob o efeito do choque.
—Não fizemos nada!
Precisamos conversar, Lívia.
—Não temos o que conversar.
Você está praticamente noivo e vai se casar.
—Mas não estou casado!
—Pare, Humberto!
—Agora não é um bom momento, mas precisamos conversar.
—Quero sentar. Não estou bem.
—Espere. Aguenta firme.
Se os conheço, eles não vão ficar parados por muito tempo.
Eles silenciaram e continuaram assim por mais alguns instantes.
Ao ver Irene e o irmão levantarem novamente, Humberto a conduziu até a mesa, fazendo-a sentar-se.
Acomodando-se, observando-a cabisbaixa e fugindo-lhe ao olhar, não disse nada.
Estava insatisfeito com a situação e não sabia o que fazer.
Agora tinha certeza, e sua irmã estava com toda razão.
Lívia sentia algo por ele.
Alguns minutos se passaram e Irene retornou à mesa na companhia de Rubens.
Rindo descontraidamente, ela pegou o braço de Humberto e o puxou, pedindo para dançar.
Ele resolveu aceitar, afinal, ela não poderia percebê-lo diferente.
Rubens também tirou Lívia para dançar.
Humberto e Lívia sequer se olharam pelo resto da noite.
Era madrugada quando decidiram ir embora.
Enquanto Rubens animadamente, beijava o rosto de Irene e a abraçava para se despedir, Humberto e Lívia se afastaram sem qualquer cumprimento.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 22, 2016 10:25 am

6 - CONFIANDO EM UM AMIGO

Humberto precisou simular uma dor de cabeça como desculpa pelo seu silêncio.
Irene não contestou e, após deixá-la onde morava, ele seguiu com Neide para sua casa.
Ao se ver sozinha com ele, a irmã não resistiu e comentou:
—Eu vi o que aconteceu.
Ele continuou quieto mesmo se sentindo gelar e dominado por um torpor.
Então ela continuou: —
Vocês se gostam. O que vão fazer?
—Pare com isso, Neide.
Não vamos fazer nada.
—Eu estava quase ao lado de vocês e vi tudo.
Se não há nada, por que ela ficou daquele jeito?
Por que reagiram daquela forma?
O irmão nada respondeu e ela prosseguiu:
— Você vai cometer um erro se ficar noivo e ainda fazer a maior burrada se casando com a Irene. Pense nisso!
Inesperadamente, Humberto parou o carro, virou-se para ela e falou firme, quase aos gritos:
— E fazer o quê?!
O que devo fazer, Neide?!
O Rubens é apaixonado por ela!!!
Nunca o vi tão apegado em alguém!
Qual foi a outra namorada que ele levou em casa, hein?!
Nenhuma! Aliás, se você quer saber, ele está falando em noivado!!!
E se não bastasse, o Rubens quer fazer uma surpresa para a Lívia e lhe dar uma aliança no dia do meu noivado!!!
E o que eu posso fazer?!!
Nunca senti isso antes por alguém!!!
Nunca fiquei tão inseguro!!!
O que eu faço, Neide?!!
Vamos?!! Me diga!!!
Gaguejando, assustada, ela murmurou - —Eu não sei o que dizer... eu...
—Então, pelo amor de Deus, pare de falar!!!
Pare de me pressionar!!!
Breve pausa e admitiu, mais calmo, porém enérgico:
— Estou apaixonado pela Lívia!
Não é de hoje, não!
Creio que foi desde quando eu a vi pela primeira vez!
Desde quando ela começou trabalhar comigo!
O que eu posso fazer?!
Depois de suspirar, profundamente, falou de um modo mais brando mas parecendo chateado:
— Nas últimas semanas, vejo que o Rubens está diferente, acho que se preocupa com ela e está mais responsável.
Ele está gostando mesmo dela.
Veio até comentar comigo sobre ficarem noivos e...
Até falou em casamento.
—E você?!
—O que eu posso dizer, Neide?!
Que amo a Lívia?!
E o meu compromisso com a Irene?!
Vamos ficar noivos daqui a dois meses!
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 22, 2016 10:25 am

Ela está providenciando tudo!
Hoje me falou que gostou de um apartamento e que era para eu ir ver!
Vamos nos casar!
—Vai se casar e ser infeliz, Humberto? -— falou com piedade.
—O que eu posso fazer?!
Chegar para o Rubens e dizer que gosto da namorada dele?!
Chegar para a Irene e pedir um tempo?!
—A Lívia gosta de você também!
Percebe o quanto vocês dois serão infelizes se não ficarem juntos?!
Se não tentarem ficar juntos?! —
Diante do silêncio, ela continuou:
— Vocês ficar juntos... precisam conversar.
Se se gostam mesmo...
_ O que podemos fazer?! Diga!
—Vão ter que enfrentar tudo e todos!!!
Você nunca foi covarde, Humberto!
—Não estou sendo covarde!
Mas sinto como se estivesse traindo o meu próprio irmão!
Eu não posso fazer isso!
Alguns segundos e continuou:
-— Suponhamos que eu e a Lívia fiquemos juntos.
Como vou olhar para o Rubens pelo resto da vida?!
E a Irene? Ela gosta muito de mim e...
Estamos juntos há três anos!
—Como você vai olhar para você mesmo sabendo que gosta da sua cunhada, mas está casado com outra?!
E se daqui a algum tempo a Lívia terminar com o Rubens?
—Eu não sei!!!
Já pensei em tudo isso!!! -— gritou.
Mais brando, explicou:
— Estou confuso e indeciso.
Preciso pensar, preciso de paz e...
Quero conversar com a Lívia.
Agora, por favor, não fale mais nesse assunto.
Não me pressione. Pode ser?
Neide ofereceu leve sorriso, afagou-lhe o rosto com delicadeza e desfechou:
— Desculpe por forçar a barra.
Mas eu te conheço e nunca te vi assim tão no limite, tão nervoso...
Sei lá. Achei que precisava conversar.
É o seguinte: conta comigo, tá?!
Eu te adoro! Faço tudo por você!
Olhando-a nos olhos, ele sorriu levemente, afagou-lhe rapidamente os cabelos como quem brinca e falou:
— Obrigado. Acho que foi bom ter falado sobre isso.
Em seguida, ligou o carro e se foram.
Mesmo chegando a sua casa de madrugada, Humberto não conseguiu conciliar o sono.
***
Passava das dez horas da manhã quando Neide entro no quarto dos irmãos, onde somente Humberto estava deitado e quieto parecendo aguardar por ela.
— E aí? Não dormiu? -— perguntou ela.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 22, 2016 10:25 am

— Não.
— Quer conversar?
Sentando-se na cama, ele esfregou o rosto lentamente.
Alinhou os cabelos, encarou-a e respondeu:
— Não quero falar sobre isso por enquanto.
Principalmente aqui em casa.
Eu já te pedi isso.
A irmã acenou com a cabeça, concordando e falou:
— O Sérgio te procurou agora há pouco.
A mãe avisou que você estava dormindo.
Humberto se animou de imediato ao perguntar:
— Sabe o que ele queria?
— Não sei. Disse que não era nada importante e que conversaria com você depois.
Levantando-se, o rapaz informou:
— Vou tomar um banho e ver se acabo com essa preguiça!
Ele barbeou-se, tomou um banho, vestiu-se e foi até a casa de Sérgio, que insistiu para que entrasse.
— Não quero incomodar.
Vim somente ver o que você queria comigo.
_-Sente-se aí, vou pegar.
Não demorou e Sérgio retornou com um volume nas mãos, dizendo:
- Eu te procurei para emprestar esse livro.
Não deixei com sua mãe por não saber se você se incomodaria ou não se alguém soubesse que está interessado no assunto.
Veja, este livro explica muito sobre alcoolismo.
Tem linguagem fácil e clara.
Será bom saber mais a respeito.
— Obrigado, Sérgio!
Apreciando o volume entre as mãos, Humberto comentou:
— Você me ajudou muito naquele dia, com os esclarecimentos que deu sobre alcoolismo.
E lógico que já ouvi muito a respeito, mas a forma como você explicou foi muito interessante.
— Este livro vai te ajudar mais. Acredite.
— Óptimo! Vou ler sim.
Depois te devolvo.
Humberto ia se levantar quando Sérgio perguntou:
— Como está indo? Tudo bem?
Já marcaram o noivado?
— É... — respondeu confuso e desanimado.
Marcamos para daqui a dois meses.
A Irene está bem animada e, por ter mais tempo, está cuidando do bufê e organizando tudo a seu gosto.
— Vão se casar logo?
Humberto o encarou, ficou bem sério e falou amargurado:
— Antes eu queria.
Mas agora... Não sei mais.
Sérgio ficou em silêncio, observando-o.
Tentando disfarçar o nervoso, Humberto prosseguiu:
-— Não nos conhecemos muito bem e você pode até pensar que eu sou impulsivo, desequilibrado, mas, na verdade, estou confuso e...
Estou desesperado, Sérgio! -— exclamou muito apreensivo.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 22, 2016 10:25 am

—Calma. Não vou pensar nada, pois não sei o que acontecendo.
Se quiser conversar, fique à vontade.
Porque você está assim?
—Eu não tenho amigo nem alguém com quem eu possa me abrir.
Tenho muitos colegas, conhecidos, mas alguém de confiança mesmo, eu não tenho.
Ontem conversei um pouco com a minha irmã porque ela desconfiou do que está acontecendo e não tive alternativa, ela me pressionou...
Porém a Neide é minha irmã e... muito novinha.
Confio nela, mas...
Preciso conversar a respeito disso com alguém maduro, experiente, que não me julgue e saiba entender.
Olhando-o firme, desabafou:
-— Nunca fiquei tão desesperado como estou e não sei o que fazer.
—O que está acontecendo?
- —Sabe a Lívia?
O outro acenou com a cabeça positivamente, e Humberto contou:
Estou apaixonado por ela.
Alguns segundos em que ficou esperando o outro se manifestar e prosseguiu, pois o amigo não se expressou:
- No começo pensei que me atraí por ela por ser simpática, bonita, meiga...
Foi uma atracção à primeira vista, entende?
Depois a levei para trabalhar comigo.
Vamos todos os dias para o serviço.
Trabalhamos juntos e...
—Sua voz embargou e, com um travo de amargura, forçou-se a continuar:
— Minha irmã percebeu que estou diferente e, de alguma forma, desconfiou de tudo.
Ontem nós saímos todos juntos.
Na danceteria acabei dançando com a Lívia e...
Ele contou o ocorrido e por fim perguntou:
-— O que eu faço Sérgio?!
Tenho vinte e nove anos!
Não sou nenhum adolescente, mas começo a agir como um!
Estou enlouquecendo!
Não paro de pensar na Lívia, de me imaginar ao lado dela!
O que eu faço?!
_ Isso é você quem terá de decidir.
Eu apenas posso tentar te ajudar.
_ Não tenho com quem conversar e só por me ouvir você já me ajuda.
Hoje cedo, quando levantei, eu estava decidido a procurá-la, mas antes resolvi passar aqui para ver o que queria.
Estou aflito! Ela não merece o Rubens.
Nessa madrugada mesmo, ele a levou embora depois que saímos da danceteria, mas ele não chegou em casa até agora.
Onde acha que está se não com outra?
— E se o seu irmão estiver com ela?
São namorados, não são?
Podem ter saído.
Imediatamente o outro reagiu, levantando-se:
— Não! Impossível!
Olhando para Sérgio, constrangeu-se da reacção inesperada e sentou, procurando se acalmar.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 22, 2016 10:25 am

— Desculpe.
Não sei o que me deu.
Sabe, pensar nela e imaginar os dois juntos faz com que eu perca o controle sobre mim!
Não sei mais o que fazer!
O que você acha?
Sérgio suspirou fundo, pensou por alguns instantes, depois explicou:
—Humberto, eu vou te falar como amigo e não como psicólogo, tá?
Não quero que confunda as coisas.
O outro ficou aguardando, e ele prosseguiu bem calmo:
- Eu sei o que é estar desesperado, não ter com quem se abrir e não ver saída diante de uma situação tão complexa.
Eu sei exactamente o que é isso.
- —Sabe mesmo?!
Olhando-o firme e sério, respondeu:
— Sei. Por isso, o que posso te aconselhar é: espera.
Eu entendo que é difícil, porém procure ficar mais calmo.
Somente mais tranquilo poderá organizar as ideias e não agir impulsivamente.
Vejo que a situação é delicada e existem muitos outros detalhes importantes que, eu sei, não teve tempo de me contar.
—Eu sou um homem maduro, experiente, mas sinto como se tivesse perdido a sanidade.
Penso nela, e em toda essa situação, dia e noite.
Não tenho apetite nem ânimo para mais nada.
Parece que vou enlouquecer!
—Eu entendo.
Você precisa por ordem naquilo que quer, como se enumerasse as prioridades.
O que quer fazer primeiro?
—Falar com a Lívia.
O que você acha?!
—Se ela demonstrou carinho por você e em seguida teve medo do que fez, é porque tem algum sentimento sim.
Se somente você sentisse algo por ela, seria diferente.
No entanto, diante de tudo o que aconteceu, realmente você e a Lívia precisam conversar.
—E se ela não me quiser?!
Ou então disser que gosta de mim?!
Como fica o meu irmão?!
Como vou olhar para ele?!
Tem também a Irene...
Não consigo parar de pensar em tudo isso!
—O que tiver de acontecer, vai acontecer.
Não fique planeando o resultado de uma situação que não pode prever.
Procure organizar as suas ideias, a sua vida, mas organize o que você pode, pois haverá coisas fora do seu controle.
Depois você pensa nos outros.
—Você já esteve envolvido em situação tão difícil assim?
—Não igual a essa, mas com um grau de dificuldade semelhante.
E digo uma coisa:
tudo terminou da forma como eu menos esperava.
Graças a Deus! -— Nos olhos de Sérgio via-se serenidade e um brilho indefinido quando se lembrou do assado e contou:
-— Aconteceram algumas coisas e eu estava desesperado.
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Ave sem Ninho

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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 22, 2016 10:26 am

Eu fiz uma loucura e agi impensadamente quando me vi sem saída.
Não percebia o quanto eu estava sem fé e não confiei a Deus a minha vida, o meu destino.
Quando não se pode fazer nada, confia-se no Pai!
Como errei, Humberto! Como errei!
Isso não faz muito tempo e não há um dia sequer que não me lembro de como a falta de fé me deixou insano, imprudente.
Arrependo-me e me envergonho.
Por isso posso te aconselhar como amigo e até com um grau de profissionalismo que me cabe.
Temos de viver certas experiências e não enlouquecer diante delas.
Você me disse que era espírita, então vou lembrá-lo de que nada acontece por acaso.
Se você vive isso, é por ter condições de superar essa situação.
—Às vezes sinto que não vou conseguir.
Isso tudo está me afectando até no trabalho.
Até porque ela está lá o dia inteiro.
—Você vai conseguir.
Um dia, assim como eu, vai olhar para tudo isso e... pode não dar boas gargalhadas a respeito, mas ficará sereno e verá o quanto todos os acontecimentos te amadureceram.
Humberto estava pensativo, parecendo mais calmo.
Um barulho o tirou da reflexão e as vozes de Débora e Rita invadiram o ambiente.
— Oi, Humberto! -— cumprimentou Débora, beijando-o no rosto. –
Que surpresa!
Rita fez o mesmo e ele explicou:
— Vim aqui pegar um livro com o Sérgio. Já estou de saída!
— Não! Fique e almoce connosco! -— convidou o amigo.
-— Não! De jeito nenhum. Preciso mesmo ir.
Antes de se despedir, Rita perguntou:
—- E a Lívia está bem?
—- Sim, está -— respondeu ele.
—Vamos marcar um dia pra vocês irem lá em casa? -— convidou Rita.
Sérgio e Débora se entreolharam, observando que a cunhada havia se confundido, mas não tiveram como avisá-la, e ela ainda falou:
-— Adorei a Lívia!
Vocês dois formam um casal tão lindo! —
Sorriu ao perguntar:
— Quando ficam noivos mesmo?!
—Bem... Não somos namorados e... -— Humberto respondeu vacilante, sentindo o rosto corar.
—Rita, ele vai ficar noivo da Irene.
Você não a conhece.
A Lívia é namorada do irmão dele -— avisou Débora.
O rosto de Rita avermelhou-se todo.
Sorrindo sem graça, se desculpou:
—Perdoe-me, por favor!
Ai! Que vergonha!
Mas eu poderia jurar que...
Sem jeito, procurou corrigir a gafe:
-— Mesmo assim o convite está feito!
Você e sua noiva, a Lívia e o seu irmão podem ir lá em casa.
Será um prazer recebê-los.
—Claro. Obrigado -— agradeceu Humberto com um sorriso simpático.
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Ave sem Ninho

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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 22, 2016 10:26 am

Despedindo-se, ele se foi e Sérgio o acompanhou até o portão onde avisou:
— Humberto, vá com calma e não fique constrangido em me procurar, tá?
Qualquer coisa estou aqui, e você tem o meu telefone.
Olha, eu sei o que é precisar conversar e não ter com quem. Conte comigo!
— Obrigado, Sérgio.
Foi muito bom desabafar um pouco e ouvir teu conselho.
Estou me sentindo melhor do que quando eu cheguei.
Naquele momento, o espírito Wilson, mentor de Sérgio, aproximou-se e o envolveu, inspirando-o.
Imediatamente, ele correspondeu aos desejos de seu mentor e perguntou:
—Você não está indo ao centro, Humberto?
—Estou longe da casa espírita faz algum tempo.
As exigências no serviço me roubaram todo o tempo.
—Seria bom começar a frequentar.
Receber alguns passes e, talvez, fazer um tratamento de assistência espiritual.
—Preciso pensar nisso, Sérgio.
—Não pense, cara! Vamos!
—- Qual dia da semana vocês vão ao centro de que me falou?
—- Na quinta-feira.
Por causa do Mestrado que estou fazendo, fica quase impossível eu ir outro dia.
—Acho que vou com vocês para conhecer esse centro. Posso?
—Claro! Será um prazer!
Vamos te aguardar às sete e meia, na quinta.
Humberto sorriu e concordou:
—- Estarei aqui.
Num impulso, ele abraçou o amigo com força, estapeando-lhe as costas.
Depois sorriu e agradeceu: -— Obrigado.
Você não sabe o que fez por mim.
Despediram-se e o amigo se foi.
Ao entrar, Sérgio pegou Rita pelos braços, chacoalhou, nu gostoso e falou brincando:
—Você deu um fora que nem imagina!
Foi trocar a noiva do rapaz! - largou-a e, em seguida, abraçou-a de leve.
—Ai, Sérgio! Que furo!
Eu poderia jurar que a Lívia era namorada dele!
Achei que eles formavam um casal tão bonitinho!
—É que ela veio aqui trazer uma roupinha para a nené, lembra?
A Rita estava aqui e durante a conversa só falou no nome do Humberto! — contou Débora.
Os gémeos não deram sossego, e a Rita não prestou atenção no que falamos.
Sérgio abraçou Débora pelas costas, beijou-lhe o rosto e, embalando-a de um lado para outro, comentou rindo:
—Você sempre defendendo a nossa cunhada!
—Mas vem cá!
Não conheço a outra moça nem falamos nela, e a Lívia combina muito bem com o Humberto!
Vocês não acham?!
—Fique quieta, Rita! -— brincou Sérgio.
Você não tem ideia do que está falando!
A conversa continuou alegre entre eles, mas Sérgio ficou pensativo.
Algo o preocupava a respeito de Humberto.
Por uma razão que desconhecia, naquele momento, gostava do amigo e desejava ajudá-lo de alguma forma.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 22, 2016 10:26 am

***
O resto do domingo foi um dia terrível para Humberto.
Inapetente, não quis almoçar apesar da insistência de sua mãe, que até preparou algumas guloseimas ao gosto do filho.
De nada adiantou.
O rapaz se recusava a comer.
Inquieto, decidiu ir até a casa de Irene sem avisá-la.
Queria conversar e analisar os seus sentimentos por ela.
Mas, ao chegar, para sua surpresa, ela não estava.
Irene não tinha pais vivos.
Seus dois irmãos eram casados e moravam em outro estado.
Ela residia com uma tia viúva e seu primo, em uma confortável residência, em um bairro longe da casa de Humberto.
Ao entrar e conversar um pouco com dona Zélia, tia da moça, Humberto disse que estava com dor de cabeça para justificar a sua quietude.
Ficou largado no sofá da sala, assistindo à televisão até que adormeceu.
Era noite quando Irene chegou e se deparou com ele dormindo no sofá.
Dona Zélia logo contou cochichando:
—- Ele não estava de conversa hoje.
—- A senhora sabe por quê? -— perguntou murmurando, curiosa e preocupada.
—- Falou que estava com dor de cabeça.
Perguntei se queria algum remédio, mas disse que não.
Já tinha tomado. Não demorou e ele dormiu.
—- A que horas ele chegou?
—Ah! Acho que eram umas três e meia.
—A senhora disse onde eu estava?
—- Não, né! Nem eu sabia!
Só disse que você não estava, e ele não perguntou.
Irene consultou o relógio verificando que passava das sete horas.
—- Para ele não ficar chateado, vou dizer que cheguei aqui por volta das quatro. Está bem?
—- Irene! Olha o que você está fazendo!
Onde ficou até agora?
—Dormi na casa da Cleide.
Acordamos e ficamos conversando sobre as lojas.
Depois almoçamos e fiquei por lá.
Não vi o tempo passar.
Se eu disser que estava resolvendo coisas da loja até agora, o Humberto não vai gostar.
Ultimamente ele anda reclamando e dizendo que estou dando mais atenção ao meu trabalho do que a ele.
- —E não é verdade?!
—- Não vai complicar as coisas entre nós.
Por favor. Deixa o Humberto dormindo.
Vou tomar um banho e já volto.
Em seu quarto, Irene ligou para Rubens avisando do ocorrido e para saber se ele tinha alguma novidade.
Precisava ficar bem informada e actuar de um jeito que ninguém desconfiasse.
Ela estava desconfiada, pois o namorado agia de modo estranho.
Após ter sido deixada em casa por Humberto, ela nem entrou.
Ficou no aguardo de Rubens que, deixou Lívia na residência dela, voltou para pegá-la e saíram, conforme combinaram enquanto dançavam.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 22, 2016 10:26 am

Eram quase oito da noite quando Humberto acordou e, por alguns segundos, não reconheceu onde estava.
Irene se aproximou, beijou-o, afagou-lhe o rosto e disse sorrindo:
-— Acorda, dorminhoco!
Dormiu a tarde inteira. Já é noite!
Sentando-se no sofá, ele a olhou, ofereceu um sorriso e perguntou:
—- Por que não me acordou?
Estava num sono tão profundo...
- E a dor de cabeça, passou?
_ Passou um pouco.
Ela sentou-se ao seu lado e, após algum tempo, ele perguntou:
— Estou tão indisposto.
Se importa se ficarmos por aqui?
—Não, meu amor. Eu entendo.
—Onde você estava?
_ Na casa da Cleide.
Queria ter combinado com você pra nós irmos ver aquele apartamento que te falei.
Eu adorei! Ele é lindo!
Mas, quando cheguei, minha tia disse que você tinha acabado de dormir e estava com dor de cabeça.
Fiquei com tanta pena de te acordar...
Mas não tem problema.
Podemos fazer isso um outro dia.
Disse, beijando-o e lhe acariciando o rosto.
***
Como de costume, na manhã seguinte, Humberto foi até a casa de Lívia pegá-la para irem trabalhar.
Para sua surpresa, ela não o esperava no portão como sempre fazia.
Estacionando o carro frente à residência, olhou para tentar ver alguém e nada.
Decidido, resolveu descer e tocar a campainha.
A porta foi aberta e uma senhora saiu sorrindo ao vê-lo:
— Bom dia, dona Diva!
A Lívia já está pronta?
— Bom dia, Humberto! Mas que estranho!
A minha filha saiu faz uns quinze ou vinte minutos.
Pensei que vocês já tivessem ido! —
Séria e já fora do portão, a mulher olhou de um lado e de outro da rua e perguntou:
-— Mas cade essa menina?!
Rapidamente, ele entendeu o que havia acontecido e comentou dissimulando:
— Acho que ela pensou que eu não fosse trabalhar hoje pois tive uma dor de cabeça muito forte.
— Mas ela deveria ter te ligado para confirmar!
— Talvez não quisesse incomodar por ser muito cedo.
Não se preocupe.
Onde é o ponto de ônibus mais perto?
—Descendo aqui, você vira à direita e logo vai ver.
—Obrigado! Até mais!
—Vai com Deus!
Apressadamente, Humberto entrou em seu carro e foi até o ponto de ônibus, onde viu Lívia quase entrando em uma lotação.
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